Joe Biden e papa Francisco: uma aliança de fé

A eleição de Joe Biden nos EUA foi histórica por diversos fatores. Um deles é a questão da fé do presidente: em mais de 200 anos, esta foi apenas a segunda vez na história que o país elegeu um católico para chefiar a Casa Branca, depois da vitória de John Kennedy em 1960. O momento não poderia ter sido mais oportuno, pelo menos em termos climáticos: tal qual o atual chefe da Igreja, o papa Francisco, o católico Biden também entende a crise climática como uma ameaça existencial à humanidade e, nesse sentido, seu enfrentamento pode ser entendido como uma missão de fé.

Na Foreign Policy, Timothy Naftali e Christopher White especularam sobre o impacto potencial de uma parceria Washington-Vaticano para a ação climática global. Desde 2015, quando publicou a encíclica Laudato Si, Francisco tem sido uma das principais lideranças internacionais na questão climática.

Nos últimos quatro anos, o papa não escondeu sua contrariedade com o negacionismo de Trump nos EUA. Não à toa, um dos tópicos discutidos entre Francisco e Biden no primeiro telefonema pós-eleição foi exatamente a questão climática. Juntos, eles podem ter um peso bastante significativo não apenas nas discussões internacionais sobre clima, mas também no complicado tabuleiro doméstico que Biden enfrenta em Washington.

Em tempo: a New Yorker contou a história da ambientalista Molly Burhans, que há quatro anos colabora com a Igreja Católica para impulsionar a ação climática dentro da instituição. Uma de suas primeiras tarefas foi o levantamento das propriedades da Igreja em todo o mundo para analisar como a instituição poderia atuar diretamente para diminuir suas emissões de carbono – um desafio tremendo, já que a Santa Sé é uma das maiores proprietárias de terras não estatais em todo o planeta.

Por um lado, essa análise mostrou que a Igreja é um dos atores com maior capacidade individual de ação climática; por outro, a vastidão de suas propriedades, além de sua complexidade jurídica e institucional, deixavam o Vaticano “amarrado” nesse sentido. Desde então, ela tem colaborado para encontrar caminhos para catalisar a ação climática dentro da Igreja.

(Notícia Sustentável)

Bela Gil discute redefinição da maneira como lidamos com as mudanças climáticas no Brasil

Evento faz parte do Davos LAB Brasil, que convida jovens a participarem do grande recomeço do mundo.

Nesta segunda-feira (1º), Bela Gil, Natalie Unterstell (da Liga das Mulheres pelos Oceanos), Finho Levy e Ricardo Abramovay (USP) se reúnem para o painel Mudanças Climáticas: Como Acelerar a Inclusão Digital no País pós-COVID-19, do Davos LAB Brasil. O evento, que começa a partir das 11h e tem transmissão online, tem como objetivo promover o debate sobre como podemos, pela perspectiva dos jovens, nos recuperar como sociedade depois da pandemia a partir do tema. O Davos LAB Brasil é uma iniciativa do Global Shapers, com apoio do Fórum Econômico Mundial, que convida a juventude em diversas cidades do mundo a fazer parte de um movimento que vai despertar as nações para um grande começo.

Esse é apenas um dos painéis da programação, que acontece entre os dias 1º e 2 de março para inspirar os participantes a repensarem como fazer a mudança de que o mundo precisa a partir do impacto da política na vida das pessoas.

O que é o Davos LAB Brasil? Iniciativa da Comunidade Global Shapers para inspirar, capacitar e conectar jovens para moldar a resposta global sem precedentes e de base necessária para enfrentar a pandemia de coronavírus e outras crises convergentes do mundo. Agregando as percepções, ideias e preocupações dos cidadãos e partes interessadas em mais de 150 países em todo o mundo, o Davos Lab culminará em um plano de recuperação voltado para a juventude, apresentando ações tangíveis para criar um futuro melhor.

O plano de recuperação orientado para os jovens (crowdsourced através de uma campanha de dez semanas de diálogos globais e pesquisas realizadas em todo o mundo) será lançado na Reunião Anual Especial do Fórum Econômico Mundial de 2021 e se concentrará em dez grandes esforços de recuperação para redefinir os aspectos econômicos, sociais e sistemas ambientais. Também guiará uma nova visão para o ativismo juvenil e ação coletiva para a década atual e além, com foco em liderança de sistemas, alinhamento intergeracional e muito mais.

Global Shapers é uma iniciativa do Fórum Econômico Mundial fundada em 2011 que seleciona jovens líderes para serem agentes de mudança no mundo. Os Global Shapers desenvolvem e lideram seus centros baseados em cidades para implementar projetos de justiça social que promovam a missão do Fórum Econômico Mundial.

Biden apresenta plano de emergência climática: ECOmenismo avança

biden

Se você ainda não sabe o que é ECOmenismo e o que isso tem que ver com o controle do mundo e o decreto dominical; se você não percebe a correlação que há entre os ensaios de engenharia social feitos durante a pandemia; se ainda não se deu conta de que a proposta de um descanso dominical (“domingo verde”, como alguns já têm chamado) vem sendo trabalhada há anos e defendida abertamente pelo papa Francisco em sua encíclica Laudato Si, de modo que amplos setores da sociedade mundial já são simpáticos à ideia… precisa urgentemente assistir aos vídeos abaixo. O primeiro foi um estudo que apresentei em 2009 (só para que você possa perceber como as coisas avançaram nos últimos 12 anos). Os dois outros são recentes, de apenas um mês e poucos dias atrás, respectivamente. Assistindo-os, você terá uma noção do cenário atual e de como tudo isso está relacionado com as profecias bíblicas e com o que Ellen White previu no século 19. É simplesmente impressionante! Que possamos nos consagrar a Deus e nos envolver na missão de levar o evangelho eterno (Ap 14:6, 7) a um mundo confuso e perdido. [MB]

Nota: O presidente Joe Biden anunciou um encontro com líderes mundiais para o dia 22 de abril, Dia da Terra (confira).

Para Bill Gates, mudança climática pode ser pior que a pandemia

Bill Gates já se provou ser um grande aliado na luta contra o coronavírus. Após doar mais de US$ 750 milhões no desenvolvimento de uma vacina, o fundador da Microsoft voltou a alertar para um problema que pode ser ainda maior que a pandemia atual: a crise climática. Segundo informou em seu blog Gates Notes, os danos causados pelas mudanças no clima na próxima década serão ainda piores. 

Ele alerta que, mesmo enquanto o mundo batalha para combater a Covid-19, os esforços da humanidade também deveriam estar voltados a diminuir as emissões de gases de efeito estufa. […] Para ele, entender os danos de uma mudança climática é como imaginar os efeitos do coronavírus por um período maior. […]

Além de doar mais de US$ 720 milhões para a produção de, pelo menos, sete vacinas, Gates vem fazendo sérias críticas aos negacionistas e às teorias da conspiração. […]

(Olhar Digital)

Leia mais: “UN report: Covid crisis does little to slow climate change”

Papa usa a pandemia para apelar a um “descanso para o meio ambiente”

A pandemia Covid-19 mostrou como a Terra pode se recuperar “se permitirmos que ela descanse”, e deve estimular as pessoas a adotarem estilos de vida mais simples para ajudar um planeta “gemendo” sob a constante demanda por crescimento econômico, disse o papa Francisco na terça-feira. […] “De certa forma, a atual pandemia nos levou a redescobrir estilos de vida mais simples e sustentáveis”, disse Francisco em uma mensagem por escrito. “Já podemos ver como a Terra pode se recuperar se permitirmos que ela descanse: o ar fica mais limpo, as águas mais claras e os animais voltaram para muitos lugares de onde antes haviam desaparecido”, escreveu ele. “A pandemia nos trouxe a uma encruzilhada.”

O pontífice exortou as pessoas a aproveitarem a oportunidade para refletir sobre seus hábitos de uso, consumo, transporte e alimentação de energia. Até agora, “a demanda constante por crescimento e um ciclo interminável de produção e consumo estão exaurindo o mundo natural”, disse o papa, acrescentando: “A criação está gemendo.” […]

A desintegração da biodiversidade, os desastres climáticos e o “impacto injusto da atual pandemia sobre os pobres e vulneráveis” equivalem a um “alerta diante de nossa ganância e consumo desenfreados”, escreveu o papa. […]

Citando as crises médicas, sociais e econômicas desencadeadas pela pandemia, Francisco disse que era “hora de justiça restaurativa”. […]

Chamar a atenção para a fragilidade da Terra é uma marca registrada do papado de Francisco. Ele enfatizou de forma pungente as responsabilidades urgentes das pessoas de curar e cuidar do meio ambiente em uma encíclica de 2015.

O pontífice fez seu apelo na terça-feira para marcar o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, uma ocasião anual que foi instituída para os cristãos após a encíclica Laudato Si.

Francisco convidou todas as nações a “adotar metas nacionais mais ambiciosas para reduzir as emissões” que prejudicam o meio ambiente.

(The New York Times)

Nota: Para bons entendedores que acompanham o que tenho escrito e dito desde 2008, meia matéria no The New York Times basta. Se não está entendendo o que estou dizendo, convido-o a assistir aos dois vídeos abaixo. [MB]

Jesuítas e franciscanos se unem na “revolução Laudato Si”

Inspirados pela encíclica Laudato Si do papa Francisco, pelo Documento Final do Sínodo Panamazônico e pela Exortação Pós-Sinodal “Querida Amazônia”, franciscanos/as e jesuítas presentes no Brasil decidiram unir-se para empreender reflexões e ações voltadas à luta pela justiça socioambiental, contra toda forma de exploração e desigualdade socioeconômica, contra toda expressão de racismo e em defesa dos povos indígenas e da democracia. 

A união de franciscanos/as e jesuítas insere-se em um movimento internacional – a “Laudato Si Revolution” – e reveste-se de um grande simbolismo, por aproximar os carismas e as forças dos dois grandes santos fundadores – Francisco e Inácio – que se refletem na imagem do papa Francisco que personifica os dois, enquanto jesuíta escolhendo o nome de Francisco. Tal união propõe uma “revolução” que incorpora uma profunda mudança de paradigma no relacionamento com a Terra, nossa “casa comum”; em defesa dos pobres e excluídos, concebendo-os como interlocutores e não apenas destinatários; em defesa dos povos indígenas e outras minorias; e, enfim, em defesa da democracia e contra todo tipo de autoritarismo.

Para marcar o lançamento dessa união entre franciscanos/as e jesuítas, será realizado um “webnário” no dia 30 de setembro, às 20 horas, com a presença do teólogo Leonardo Boff e da teóloga Maria Clara Bingemer, que apresentarão, alicerçados, respectivamente, na espiritualidade franciscana e inaciana, os fundamentos inspiradores desse encontro simbólico entre as duas tradições. A mediação será da antropóloga Moema Miranda, assessora da Comissão Especial de Ecologia Integral e Mineração da CNBB e da Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil. […]

Para os idealizadores da união entre franciscanos/as e jesuítas, a “Revolução Laudato Si” está alinhada em dois caminhos vigorosos movidos por duas espiritualidades que são intensamente convergentes. “Desde o Santo de Assis e o Santo de Loyola, até nossos dias, existe algo de muito profundo que interconecta esses dois caminhos e as práticas que lhes são inerentes, em um natural enriquecimento mútuo. A família inaciana e a família franciscana se percebem unidas, especialmente no cuidado com os dons da criação, com a casa comum e com a construção de relações justas e respeitosas”, explicam.

À frente da organização da Revolução Laudato Si Brasil estão o Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia da Conferência da Família Franciscana no Brasil (Sinfrajupe), o Observatório Luciano Mendes de Almeida (OLMA), articulador da Rede de Justiça Socioambiental dos Jesuítas, e o Movimento Católico Global pelo Clima. São parceiros o programa MAGIS Brasil e a Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). […]

A coragem de nossos Santos fundadores nos intima para nos alinharmos juntos e abraçados nesta mesma missão revolucionária. Que Cristo, nosso Irmão Maior e Companheiro, ilumine nossos caminhos e nos faça crescer no amor, fé e esperança! Que sintamos em profundidade Deus em todas as coisas e sejamos permanentes construtores da paz e do bem.

(Vatican News)

Nota: Essa “revolução” só tende a crescer, ainda mais com a união entre franciscanos e (claro) jesuítas, e acabará levando a uma imposição aparentemente benéfica à maioria e ao planeta. [MB]

Clique aqui para entender melhor esse assunto.

Papa Francisco: um tempo para repousar

O dia 1o de setembro assinala, para a família cristã, o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação; e com ele se abre o Tempo da Criação que se conclui no dia 4 de outubro, memória de São Francisco de Assis. Durante esse período, os cristãos renovam em todo o mundo a fé em Deus criador e unem-se de maneira especial na oração e na ação pela preservação da casa comum. Inaugurando esse Tempo da Criação, foi divulgada a mensagem do papa Francisco, cujo tema é “Jubileu pela Terra”, tendo em vista que se celebra precisamente neste ano o quinquagésimo aniversário do Dia da Terra. Na Sagrada Escritura, recorda o Pontífice, o Jubileu é um tempo sagrado para recordar, regressar, repousar, restaurar e rejubilar. Para Francisco, é preciso recordar a vocação primordial da criação: ser e prosperar como comunidade de amor. Isso remete a um dos ensinamentos da Laudato Si: tudo está interligado e “o cuidado autêntico da nossa própria vida e das nossas relações com a natureza é inseparável da fraternidade, da justiça e da fidelidade aos outros” (LS, 70).

Todavia, constata o Pontífice, quebramos os laços que nos uniam ao Criador, aos outros seres humanos e ao resto da criação. […]

O convite de Francisco é ouvir o pulsar da criação: “A desintegração da biodiversidade, o aumento vertiginoso de catástrofes climáticas, o impacto desproporcionado que tem a pandemia atual sobre os mais pobres e frágeis são sinais de alarme perante a avidez desenfreada do consumo.”

A terra é lugar de oração e meditação, algo que podemos aprender especialmente dos irmãos e irmãs indígenas.

Deus, na sua sabedoria, reservou o dia de sábado para que a terra e os seus habitantes pudessem descansar e restaurar-se. Hoje, porém, não oferecemos esse descanso ao planeta com ciclo incessante de produção. A pandemia atual nos deu a possibilidade de constatar que a Terra consegue se recuperar se a deixarmos descansar: o ar tornou-se mais puro, as águas mais transparentes, as espécies animais voltaram para muitos lugares de onde tinham desaparecido.

Portanto, a pandemia nos levou a uma encruzilhada: “Devemos aproveitar este momento decisivo para acabar com atividades e objetivos supérfluos e destrutivos, e cultivar valores, vínculos e projetos criadores.” […] De igual modo, prossegue Francisco, é preciso restaurar a terra e restabelecer o equilíbrio climático para manter o aumento da temperatura média global abaixo do limite de 1,5 grau centígrado. […]

Outro motivo de alegria é o Ano especial de aniversário da Laudato Si e o fortalecimento da consciência ecumênica para a salvaguarda da criação. […]

(Vatican News)

Leonardo Boff volta a defender o ecossocialismo

[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] O ataque do coronavírus contra toda a humanidade nos obrigou a nos concentrar no vírus, no hospital, no paciente, no poder da ciência e da técnica e na corrida desenfreada por uma vacina eficaz e no confinamento e distanciamento social. Tudo isso é indispensável. Mas para apreendermos o significado do coronavírus, precisamos enquadrá-lo em seu devido contexto e não vê-lo isoladamente. Ele expressa a lógica do capitalismo global que, há séculos, conduz uma guerra sistemática contra a natureza e contra a Terra. O capitalismo se caracteriza pela exacerbada exploração da força de trabalho, pela utilização dos saberes produzidos pela tecnociência, pela pilhagem dos bens e serviços da natureza, pela colonização e ocupação de todos os territórios acessíveis. Por fim, pela mercantilização de todas as coisas. De uma economia de mercado passamos para uma sociedade de mercado. [Boff está aqui descrevendo o “capitalismo selvagem”, mas não o define, pois quer deixar seu recado anticapitalista de sempre.]

Nela, as coisas inalienáveis se transformaram em mercadoria. Karl Marx em sua Miséria da Filosofia de 1874 profetizou: “Tudo o que os homens consideravam inalienável, coisas trocadas e dadas mas jamais vendidas… tudo se tornou venal como a virtude, o amor, a opinião, a ciência e a consciência… tudo foi levado ao mercado e ganhou seu preço.” A isso ele denominou o “tempo da corrupção geral e da venalidade universal” (ed. Vozes 2019, p. 54, 55). É o que estamos vivendo desde o fim da segunda guerra mundial. [Boff volta às origens ao citar o ateu anticristão Marx.]

O capitalismo quebrou todos os laços com a natureza, a transformou num baú de recursos, tidos ilusoriamente ilimitados, em função de um crescimento também tido ilusoriamente ilimitado. Ocorre que um planeta já velho e limitado não suporta um crescimento ilimitado.

Politicamente o neoliberalismo confere centralidade ao lucro, ao mercado, ao Estado mínimo, às privatizações de bens públicos e uma exacerbação da concorrência e do individualismo, a ponto de Reagan e Thatcher dizerem que a sociedade não existe, apenas indivíduos. [Prefiro não discutir esses pontos aqui, cada um deles precisando de muito espaço e tempo para isso.]

[Depois de dar seu velho recado comunista, Boff parte para sua argumentação panteísta pagã, foco de meus comentários:] A Terra viva, Gaia, um superorganismo que articula todos os fatores para continuar viva e produzir e reproduzir sempre todo tipo de vida, começou a reagir e contra-atacar: pelo aquecimento global, pela erosão da biodiversidade, pela desertificação crescente, pelos eventos extremos e pelo envio de suas armas letais que são os vírus e bactérias (gripe suína, aviária, H1N1, zika, chikungunya, SARS, ebola e outros) e agora a covid-19, invisível e letal. Colocou a todos de joelhos, especialmente as potências militaristas cujas armas de destruição em massa (que poderiam destruir toda a vida, várias vezes) se mostraram totalmente supérfluas e ridículas. Agora passamos do capitalismo do desastre para o capitalismo do caos, como diz a crítica do sistema capitalista Naomi Klein.

Uma coisa ficou clara a propósito da covid-19: caiu um meteoro rasante em cima do capitalismo neoliberal desmantelando seu ideário: o lucro, a acumulação privada, a concorrência, o individualismo, o consumismo, o estado mínimo e a privatização da coisa pública e dos commons. Ele foi gravemente ferido. O fato é que produziu demasiada iniquidade humana, social e ecológica, a ponto de pôr em risco o futuro do sistema-vida e do sistema-Terra. [Quanto mais caos e medo, melhor…]

Ele, entretanto, colocou inequivocamente a disjuntiva: Vale mais o lucro ou a vida? O que vem antes: salvar a economia ou salvar vidas humanas? [Dicotomia absurda, uma vez que uma coisa está diretamente atrelada à outra. Mas sigamos…] […]

Cientistas já advertiram que poderemos, dentro de pouco, sofrer com um ataque ainda mais feroz, caso não tenhamos aprendido a lição de cuidar da natureza e de desenvolver uma relação amigável para com a Mãe Terra. [Sempre ela, a entidade semidivina…]

Elenco aqui algumas alternativas, pois os senhores do capital e das finanças estão numa furiosa articulação entre eles para salvaguardar seus interesses, fortunas e poder de pressão política. [Vou omitir as propostas que ele ironiza e deixar apenas a que ele sugere:] […]

A quarta seria o ecossocialismo com maiores possibilidades. Supõe um contrato social mundial com um centro plural de governança para resolver os problemas globais da humanidade. Os bens e serviços naturais seriam equitativamente distribuídos a todos, num consumo decente e sóbrio que incluiria também toda a comunidade de vida. Ela também precisa de meios de vida e de reprodução como água, climas e nutrientes. Esta alternativa estaria dentro das possibilidades humanas, desde que superasse o sociocentrismo e incorporasse os dados da nova cosmologia e biologia, que consideram a Terra como momento do grande processo cosmogênico, biogênico e antropogênico.

A quinta alternativa seria o bem viver e conviver ensaiada por séculos pelos andinos. Ela é profundamente ecológica, pois considera todos os seres como portadores de direitos. O eixo articulador é a harmonia que começa com a família, com a comunidade, com a natureza, com o inteiro universo, com os ancestrais e com a Divindade [harmonia com o Universo, com os ancestrais e com a Divindade – papo mais espiritualista e New Age!]. Essa alternativa possui alto grau de utopia. Talvez, quando a humanidade se descobrir como espécie, habitando numa única Casa Comum [expressão usada amplamente pelo papa Francisco], teria condições de realizar o bem-viver e o bem conviver. […]

Como o problema do coronavírus foi global, torna-se necessário um contrato social global para implementar soluções globais. Tal transformação demandará uma descolonização de visões de mundo e de conceitos, como a voracidade pelo lucro e o consumismo, que foram inculcados pela cultura do capital. O pós-coronavírus nos obrigará conferir centralidade à natureza e à Terra. Ou salvamos a natureza e a Terra ou engrossaremos o cortejo dos que rumam para o abismo. […]

Para isso, cabe enfatizar, devemos passar por um processo de descolonização de visões de mundo e de ideias inculcadas pela cultura do capital. Devemos ser antissistema e alternativos. […]

Foi a solidariedade que nos permitiu o salto da animalidade para a humanidade. O que valeu ontem, vale também para hoje. [Como sempre, panteísmo e paganismo andam de mãos dadas com o evolucionismo. O ecossocialismo tem bases conceituais diferentes das da mordomia criacionista bíblica.] […]

Foi a falta de cuidado para com a natureza, devastando-a, que os vírus perderam seu habitat, conservado em milhares de anos e passaram a outro animal ou ao ser humano para poder sobreviver devorando nossas células. O ecofeminismo trouxe uma expressiva contribuição à preservação da vida e da natureza com a ética do cuidado, desenvolvida por elas, pois o cuidado é de todos os humanos, mas ganha especial densidade nas mulheres. […]

Toda crise faz pensar e projetar novas janelas de possibilidades. O coronavírus nos deu esta lição: a Terra, a natureza, a vida, em toda sua diversidade, a interdependência, a cooperação e a solidariedade devem possuir a centralidade na nova civilização, se não quisermos ser mais atacados por vírus letais.

Parto da seguinte interpretação: não só nós agredimos por séculos a natureza e a Mãe Terra. Agora é a Terra ferida e a natureza devastada que estão nos contra-atacando e fazendo sua represália. São entes vivos e como vivos sentem e reagem às agressões.

A multiplicação de sinais que a Terra nos enviou, a começar pelo aquecimento global, a erosão da biodiversidade na ordem de 70-100 mil espécies por ano (estamos dentro da sexta extinção em massa na era do antropoceno e do necroceno) e outros eventos extremos, devem ser tomados absolutamente a sério e interpretados. Ou nós mudamos nossa relação para com a Terra e a natureza, num sentido de sinergia, de cuidado e de respeito ou a Terra pode não nos mais querer sobre sua superfície. Desta vez não há uma arca de Noé que salva alguns e deixa perecer os outros. Ou nos salvamos todos ou engrossaremos o cortejo daqueles que rumam para a sua própria sepultura. [Típico argumento EComênico de exacerbar a culpa humana para que as soluções sejam puramente humanas. Nada de intervenção divina; esqueça a arca; esqueça a volta de Jesus.]

Quase todas as análises do covid-19 focaram a técnica, a medicina, a vacina salvadora, o isolamento social, o distanciamento e o uso de máscaras para nos proteger e não contaminar os outros. Raramente se falou de natureza, pois o vírus veio da natureza. Por que ele passou da natureza a nós? Já o tentamos explicar anteriormente.

A transição de uma sociedade capitalista de superprodução de bens materiais para uma sociedade de sustentação de toda a vida com valores humano-espirituais como a solidariedade, a compaixão, a interdependência, a justa medida, o respeito e o cuidado e, não em último lugar, o amor, não se fará de um dia para o outro.

Será um processo difícil que exige, nas palavras do papa Francisco na encíclica “sobre o Cuidado da Casa Comum” uma “radical conversão ecológica”. Vale dizer, devemos introduzir relações de cuidado, de proteção e de cooperação. Um desenvolvimento feito com a natureza e não contra a natureza. [Por sua postura comunista de teórico da Teologia da Libertação, Boff foi silenciado pelo papa João Paulo II; agora, no pontificado do ecossocialista Francisco, Boff está feliz da vida.] […]

A Terra que já tem 4,3 bilhões de anos e a vida cerca de 3,8 bilhões de anos são vivos. A Terra, isso é um dado de ciência já aceito pela comunidade científica, não só possui vida sobre ela, mas é viva e produz toda sorte de vidas. O ser humano que surgiu já há uns 10 milhões de anos [sic], há 100 mil anos como Sapiens sapiens, é a porção da Terra que num momento de alta complexidade começou a sentir, a pensar, a amar e a cuidar. Por isso homem vem de húmus, terra boa. [E aqui vemos na teologia ecossocialista o paganismo e o evolucionismo darem-se as mãos, sempre com a desculpa de que a “ciência” apoia esse casamento conveniente.]

Inicialmente possuía uma relação de convivência com a natureza, depois passou de intervenção mediante a agricultura de irrigação e nos últimos séculos de agressão sistemática mediante a tecnociência. Essa agressão foi levada a todas as frentes a ponto de colocar em risco o equilíbrio da Terra e até uma ameaça de autodestruição da espécie humana com armas nucleares, químicas e biológicas.

Essa relação de agressão subjaz à atual crise sanitária. Levada avante, a agressão poderá nos trazer crises mais agudas até aquilo que os biólogos temem The Next Big One: aquele próximo e grande vírus, inatacável e fatal que poderá levar a espécie humana a desaparecer da face da Terra. [Que falta faz desprezar a escatologia bíblica: o ser humano não vai desaparecer da face da Terra; Jesus virá buscar aqueles que aceitarem Seu plano de redenção, a única esperança real para a humanidade caída e para este planeta desgastado pelo pecado e seus efeitos.]

Para obviar este possível armagedom ecológico, urge renovar o contrato natural violado com a Terra viva: ela nos dá tudo o que precisamos e garante a sustentabilidade dos ecossistemas. Nós, contratualmente, teríamos que lhe devolver cuidado, respeito a seus ciclos e lhe damos tempo para regenerar o que lhe tiramos. [Olha aí o descanso dominical proposto pelo papa Francisco…] […]

Lutem para que a ciência sirva à vida e não ao mercado. Empenhem-se pela justiça social sem a qual não há paz. Por fim, cuidem da Mãe Terra sem a qual nenhum projeto será possível. […] Para citar Paulo Freire, diria: precisamos construir uma ecossociedade na qual não seja tão difícil o amor.

(EcoDebate, 24/6/2020; publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate; IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS)

CO2: meu malvado favorito

co2Tem muita gente esclarecida celebrando supostos efeitos colaterais positivos da disseminação da Covid-19 no meio ambiente. É preciso ser honesto e dizer que, desde o início da quarentena, não li nenhum comentário, análise ou artigo que deixasse subentendido ou evidente que “perdas humanas seriam necessárias para salvar o meio ambiente”. Ainda não encontrei nenhuma publicação fomentando despopulação humana por meio do vírus chinês – apesar de saber que este é o desejo de muitos globalistas e ambientalistas radicais, de neomalthusianos extremados aos ecofundamentalistas radicais do tipo Extinction Rebellion.

Acho que nem econazistas seriam tolos o suficiente para confessar algo tão sinistro. A maioria dos comentários que estão aparecendo na imprensa nacional e internacional faz referência, por exemplo, ao fato óbvio de que ruídos e poluição do ar têm diminuído nas grandes cidades. Isso é ótimo: quem vai dizer que não? Mas a pergunta é: isso ocorre à custa de quê, de quem e de quantos? A poluição diminui a despeito da falência, do desemprego, do desespero, da humilhação, da dependência do Estado de quantos e por quanto tempo? Além da diminuição real da poluição, como era de se esperar, o carro-chefe das comemorações do ativismo “verde” gira em torno da drástica redução das emissões de gás carbônico, com níveis já quase abaixo do que o mundo emitiu nos anos 1990. Nem o Protocolo de Kyoto de 1997, nem a crise econômica mundial de 2008, nem o Acordo de Paris em 2015 obtiveram tais marcas.

Conforme centenas de pesquisadores céticos têm mostrado (ver, dentre outras, as publicações do Heartland Institute), além de esta redução nas emissões de CO2 não significar absolutamente nada do ponto de vista de alteração no clima da Terra (nem para frio, nem para quente), e do fato de não haver crise climática alguma, mas apenas propaganda multimilionária, bancada por governos e investidores dos novos mercados “verdes”, as consequências da paralisação econômica (e, por conseguinte, a redução nas emissões) significam problemas sérios para veganos e carnívoros; petistas e bolsonaristas; empresários e desempregados; aquecimentistas e esfriacionistas do clima.

A desgraça viral e o bloqueio econômico suicida estão ressuscitando a utopia ecossocialista, de vertente mística, utilitarista e totalitária. Para se ter uma ideia da dimensão cultural que fomenta e é simultaneamente alimentada pelo pacote da coronacrise, semana passada li artigo de divulgação “científica” de pesquisadores brasileiros, apontando que, se a teoria de Gaia (o planeta Terra como organismo vivo) estiver correta, a pandemia pode ser explicada como possível vingança da Mãe Terra (Gaia) contra os erros ecológicos da humanidade. Também existem aqueles que consideram os humanos como o verdadeiro vírus que assola a vida na Terra. Para outros, somos o câncer da Terra.

Ou seja, achar que a Amazônia é o pulmão e o termostato da Terra é peixe pequeno. Pergunto: Quais as implicações mais prováveis (ou inevitáveis) dessas cosmovisões, se aplicadas à vida real das relações humanas, de mercado e em políticas públicas? Esperança e prosperidade ou perseguição, controle e até extermínio humano “ecologicamente justificado”?

Outra coisa também me chama a atenção. Aos que enxergam benefícios ambientais durante e após a coronacrise, aquilo que considero um dos piores aspectos da situação atual é, para estes, seu alvo predileto de contemplação e motivo de comemoração: medidas autoritárias, de cima para baixo, que cerceiam liberdades individuais e precipitam a maior recessão econômica global da história.

Apesar de reconhecerem a dor e o sofrimento humanos, essas pessoas se enchem de esperança, porque creem que a humanidade está aprendendo muitas coisas, como, por exemplo, saber que é possível viver com menos, com poucos recursos materiais e bens de consumo. Acreditam que só na direção da descarbonização surgirá um mundo ecologicamente equilibrado e socialmente justo. Acreditam no impossível: que essas transformações, via engenharia social, farão surgir um novo ser humano, talvez um Homo ecologicus, dotado de natureza interior ilibada. Não percebem que, apesar dos avanços tecnológicos e científicos, de toda a história da humanidade, a natureza humana, em sua essência, permanece a mesma: sempre foi e será moralmente corrupta, egoísta e dominadora, ainda que também sejamos capazes e desejosos de amar, de querer fazer o bem aos outros. Isso vale para todos, dos indígenas não contactados da Amazônia aos bilionários que andam de jatinho particular.

Para a utopia ecossocialista, é necessário pegar carona no vírus e continuar o desmantelamento do capitalismo, acima de tudo, com o objetivo de evitar a maior e iminente catástrofe da história humana na Terra, na versão deles: um ecocídio via mudanças climáticas antropogênicas.

Sobre os efeitos societários após a pandemia, em um aspecto concordamos: tudo que está acontecendo serve, oportunisticamente, de exercício, treino, experiência (e abre precedentes) para o avanço de uma governança global ainda mais poderosa sobre recursos naturais, territórios e povos. Se o sonho ecossocialista-globalista avançar, prepare-se para viver cada vez mais sob regras ecotirânicas (não negociáveis e não violáveis) em futuro não muito distante. Um dos próximos passos deverá ser a implementação de um imposto global sobre o consumo direto ou indireto de combustíveis fósseis. A tal da medição das pegadas de carbono.

É possível que o bom cidadão chinês, monitorado e classificado por pontos pelo Partido Comunista, seja um modelo para o cidadão-global-ecologicamente-correto de um futuro próximo. Este também será monitorado, vigiado, sancionado ou recompensado, na medida em que se submeter ou não às regras universais da governança ecológica-econômica global – creio que muito semelhantes ao que está colocado em tratados e documentos da ONU, como a Agenda 21 e, mais recentemente, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Por fim, assim como o pânico do vírus está legitimando e sendo oportunisticamente usado para controle estatal exacerbado, autoritarismo de lideranças políticas, perda de liberdades individuais, destruição da propriedade privada e da economia de mercado, o pavor imaginário das mudanças climáticas globais servirá a propósitos (eco)fundamentalistas, (eco)mênicos e totalitários semelhantes, de um eventual governo global. Ou, se preferir, da nova ordem (eco)mundial em curso.

(Rodrigo Penna-Firme, biólogo, mestre em Ciências Ambientais e Florestais e PhD em Antropologia, é professor do departamento de Geografia e Meio Ambiente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

“Domingo do Clima”: igrejas tomam a dianteira e ECOmenismo avança rapidamente

clima“Sunday Climate” é o nome da iniciativa de que as Igrejas da Grã-Bretanha e da Irlanda foram convidadas a participar por um ano, dando origem ao “Domingo do Clima”. O início está previsto para 6 de setembro de 2020, o primeiro domingo do período litúrgico conhecido como “Tempo da Criação”, e como parte da iniciativa cada igreja terá que cuidar de três aspectos. O projeto foi lançado pela Environmental Issues Network (EIN), que atua sob a tutela da Churches Together e oferece um serviço que visa explorar os fundamentos teológicos e científicos do cuidado com a criação e a ação climática; a oração e o engajamento ativo.

Toda igreja que participar, na condição de comunidade eclesial local, deverá se adaptar a longo prazo para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. Por fim, unindo-se a outras igrejas e à sociedade na área à qual pertence, deverá tomar medidas para ajudar a combater os efeitos das mudanças climáticas antes da próxima Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP26). Portanto, uma contribuição concreta, que ajudaria a comunidade internacional a fazer uma mudança de estratégias sobre essa questão.

“Temos que reconhecer os danos que estamos fazendo ao meio ambiente e nossa incapacidade de cuidar dos nossos irmãos e irmãs na nossa casa comum.” Assim explicou Dom John Arnold, bispo de Salford e responsável pelo setor do Meio Ambiente na Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales. Em um mundo pós-pandêmico, o projeto “Domingo do Clima” é uma excelente oportunidade para as paróquias católicas na Inglaterra e Gales – destacou –, assim como para nossos irmãos e irmãs de outras igrejas cristãs, para compreendermos a responsabilidade de cuidar do nosso planeta e de rezar e agir em resposta à emergência climática.

A campanha terá seu ápice no domingo, 5 de setembro de 2021, quando, durante um evento nacional, a igreja compartilhará seus compromissos e rezará para que, após as negociações que serão realizadas em Glasgow no decorrer da COP26 – novembro de 2021 – os líderes do mundo inteiro mostrem maior determinação e coragem para enfrentar a questão da mudança climática.

(Vatican News)

Nota 1: Sob o guarda-chuva do Vaticano e do movimento ecumênico, o ECOmenismo avança ainda mais rapidamente, acelerado pela pandemia. Note como a proposta é que as igrejas se unam, deem o exemplo e, assim, ajudem os líderes mundiais a terem “maior determinação e coragem para enfrentar a questão da mudança climática”. Em sua encíclica Laudato Si, o papa Francisco defende o descanso dominical como uma das estratégias para “salvar a Terra”. No recente Sínodo da Amazônia, essa foi a tônica. Com a quarentena, ficou claro que o papa tem razão em defender um dia de baixo carbono e de estreitamento das relações em família e com o meio ambiente. Essa proposta ganhou muita força, e agora “vem com tudo” com o nome de “Domingo do Clima”. De “Sunday Climate” para “Sunday Law” falta pouco… [MB]

Nota 2: Desde 2008 (confira aqui) venho chamando atenção para esse tema do ECOmenismo (expressão cunhada pelo pastor Sérgio Santeli). De lá para cá, o assunto foi ganhando força em todo o mundo e chamando atenção até de pensadores e escritores não adventistas, como Pascal Bernardin e Roger Scruton, entre outros. Com o papa Francisco, Greta Thunberg e agora com a pandemia, o cenário para a futura aprovação de uma lei dominical com argumentos difíceis de ser refutados se mostra mais do que nunca claro e favorável. Em algum momento os Estados Unidos comprarão essa causa e assinarão a lei dominical, em reconhecimento da autoridade papal, como prevê Apocalipse 13. Aguardemos o desdobramento dos fatos e preguemos o evangelho eterno como nunca antes! [MB]