Daniel 7: do mar tempestuoso às nuvens do Céu

daniel 7Recomendação de Jesus: “Quem lê [Daniel], entenda!” (Mt 24:15; Mc 13:14). É a partir do capítulo 7 de Daniel que essa advertência começa a fazer cada vez mais sentido. Muitas interpretações equivocadas desse livro têm levado pessoas ao erro e ao fanatismo. O capítulo 2 também contém uma profecia simbólica, mas a partir da segunda metade do livro (capítulos 7-12) os símbolos começam a ficar cada vez mais complexos e precisam ser compreendidos sob a luz das Escrituras, para que não ganhem interpretações particulares. Quem lê Daniel, que entenda!

 Perguntas para discussão em grupo

 Quebra-gelo: Por que os cristãos genuínos não devem ter medo do juízo celestial? (ver João 3:18, 19; 5:24)

Em sua opinião, por que Deus revelou o futuro a Daniel (e também a João, no Apocalipse) em forma de símbolos, em vez de simplesmente usar a linguagem literal?

Leia Daniel 7:1-10. Ao se interpretar a simbologia profética conforme as pistas fornecidas pela própria Bíblia (ex.: Dn 7:16, 17; Jr 51:1; Zc 7:14; Ap 17:15), o que significa a visão na qual os “ventos do céu” agitavam o “grande mar” enquanto diferentes “animais” emergiam dele? (R.: A visão representa a ascensão e queda dos grandes reinos e poderes que se sucederam ao longo da História por meio de guerras, revoluções e agitações políticas entre as nações e os povos do mundo antigo. Tais reinos e poderes são: Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma pagã, representados pelos quatro animais; a Europa dividida representada pelos dez chifres; o poder papal representado pelo “chifre pequeno”; os três “chifres” arrancados pelo chifre pequeno foram os Vândalos, os Hérulos e os Ostrogodos, estes últimos derrotados pelo poder papal no ano 538 d.C.)

Diferentemente dos reinos anteriores, por que Roma não foi representada por algum animal conhecido, mas, sim, por um animal “terrível e espantoso” (7:7, 19)?

Leia Daniel 7:7, 8, 24, 25. Note que o poder representado por um “chifre pequeno” emerge do “animal terrível e espantoso” (Roma), sendo, portanto, uma “extensão” dele. Compare as características desse poder com as do “homem do pecado” de 2 Tessalonicenses 2:1-12. Como as duas descrições se aplicam perfeitamente ao papado romano medieval? O que Deus quer nos dizer com essa revelação?

Leia novamente Daniel 7:8. O que significa o fato de que o “chifre pequeno”, diferentemente dos outros, tinha “olhos e boca? (R.: Diferentemente dos outros poderes, o poder papal era representado por uma pessoa apenas. Era diferente dos outros por ter se apropriado do cristianismo para exercer seu poder.)

 Leia Daniel 7:25. Em que sentido o “chifre pequeno” mudaria “os tempos e a lei”?

O que o cumprimento preciso dessas profecias bíblicas lhe diz?

Leia Daniel 7:9, 10. Após a visão dos “animais” (reinos) que se seguiriam, e de toda a perseguição e sofrimento promovidos pelo “chifre pequeno” (o poder papal) contra os cristãos, Daniel vê uma cena de juízo no Céu: “assentou-se o tribunal, e abriram-se os livros”. Em sua opinião, qual é o propósito de se descrever o juízo celestial nesse momento da visão? Qual é a importância desse juízo para os cristãos?

Leia Daniel 7:21, 22, 26, 27. De que forma o juízo beneficia o povo de Deus?

Note que em Daniel 7:13, 14 o “Filho do Homem” se dirige “nas nuvens do céu” não à Terra, mas ao “Ancião de Dias”, o grande Juiz do tribunal celeste. O que significa isso? Agora leia Marcos 14:62. Por que Jesus usou os mesmos termos de Daniel 7:13 para Se referir à Sua segunda vinda? (R.: Provavelmente para afirmar que Ele próprio é o Filho do Homem mencionado em Daniel 7.)

 Sabendo que Jesus é o nosso Advogado no santuário celestial, como devemos viver enquanto Ele nos defende? (João 5:24; Rm 8:1; Tg 2:12)

Notas:

 Sobre o tempo de perseguição indicado por “um tempo, tempos, e metade de um tempo” (Dn 7:25). “Tempo”, no contexto profético, significa “ano” (ver Dn 4:32; 11:13). Portanto, a expressão “tempo, tempos e metade de um tempo” é o mesmo que “[um] ano + [dois] anos + metade de um ano”, ou seja, três anos e meio proféticos. Contudo, devem ser considerados anos com 12 meses de 30 dias, resultando em anos de 360 dias cada. Com isso em mente, entende-se por que as Escrituras usam três expressões diferentes para se referir ao mesmo período profético: “três anos e meio” (Dn 7:25; 12:7; Ap 12:14), ou “1.260 dias” (Ap 11:3; 12:6), ou ainda “42 meses” (Ap 11:2; 13:5). Além disso, deve-se considerar que em profecias simbólicas cada “dia” equivale a um ano literal (Nm 14:34; Ez 4:5-7). Portanto, esse período se refere precisamente a 1.260 anos literais de perseguição sofrida pelos cristãos que preferiam ser fiéis às Escrituras e não à religião romana. Esse período se iniciou no ano 538 d.C., quando o imperador Justiniano oficializou por decreto que o bispo de Roma seria superior a todos os outros (um “papa”), e foi até o ano 1798, quando Napoleão mandou prender o papa Pio VI.

Sobre a identidade do “chifre pequeno” de Daniel 7. Apesar de a maioria dos estudiosos tentar encaixar o rei Antíoco Epifânio como sendo o “chifre pequeno” da profecia de Daniel, ele não preenche os requisitos. É fato que ele foi um dos piores tiranos de todos os tempos e que profanou o templo em Jerusalém ao colocar uma estátua de Zeus sobre o altar de sacrifícios e lhe sacrificar um porco. Mas seu período de perseguição (contra os judeus) durou apenas três anos literais (de 168 a 165 a.C.). Além disso, cerca de dois séculos depois da morte de Antíoco Epifânio, o apóstolo Paulo retratou o “homem da perdição” como ainda estando no futuro (2Ts 2:3-6). O papado, por outro lado, preenche todas as condições para ser identificado com o chifre pequeno de Daniel.

Sobre o “Filho do Homem” de Daniel 7:13, 14. A cena do “Filho do Homem” envolto nas “nuvens” retrata o famoso Dia da Expiação (yom kippur), conforme vemos em Levítico 16, quando o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo envolto na fumaça do incensário que trazia junto de si. Representando Jesus Cristo, nesse dia o sumo sacerdote intercedia pelo povo colocando-se diante da glória visível de Deus (o shekinah) que aparecia sobre a arca do testemunho no lugar santíssimo. Essa era a própria representação de Jesus entrando diante do trono de Deus em favor de toda a humanidade para iniciar o juízo pré-advento. Esse processo se iniciou no ano 1844, conforme veremos nas lições das próximas semanas.

Sobre o juízo dos vivos e o fechamento do tempo de graça. Na lição da Escola Sabatina desta semana, na edição do professor, há um trecho polêmico que precisa ser esclarecido. Ali é dito que “o juízo dos vivos só acontecerá quando terminar o tempo da graça”. O termo “acontecerá” não quer dizer que o juízo dos vivos se iniciará nessa ocasião, mas que então será definido o veredito deles. O juízo dos vivos, que os condena ou os liberta, se dará no exato momento em que os livros, que haviam sido abertos no início do juízo (Dn 7:10) serão fechados (termo que chamamos de “fechamento do tempo de graça”). Enquanto esses livros ainda estão abertos, os vivos têm a oportunidade de escolher se converter ou apostatar. Por isso não é possível que o juízo dos vivos seja concluído enquanto tais livros estão abertos. O tempo de graça se encerra exatamente quando Cristo fechar os livros do juízo ao sair do santuário celestial para voltar à Terra. Nessa ocasião, cada caso terá sido decidido definitivamente, sem possibilidade de mudança. Por isso, no exato momento em que os livros de juízo são fechados, é proclamado: “Continue o injusto a praticar injustiça; continue o imundo na imundícia; continue o justo a praticar justiça; e continue o santo a santificar-se” (Ap 22:11, NVI).

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Daniel 6: da cova dos leões à cova do anjo

daniel 6Os invejosos presidentes e governadores do império não puderam encontrar nenhuma acusação contra Daniel “a respeito do reino” (Dn 6:4), ou seja, em relação aos seus serviços como alto oficial. Mas como sabiam que ele jamais cederia em nenhum ponto de sua religião, transformaram um desses pontos (a oração) em um crime de morte. Sabiam que sua fidelidade era tão grande que dessa forma ele certamente seria destruído.

Perguntas para discussão em grupo

Quebra-gelo: De que forma um cristão que ingresse na vida política pode ser um “Daniel” contra o qual não se encontre nenhuma acusação?

Leia Daniel 6:6-9. Hoje em dia esse tipo de decreto seria impraticável. Mas que tipos de situações modernas têm proposto “substitutos” para Deus e nos impedido de orar? (R.: Grande tempo dedicado às redes sociais, “maratonas” de filmes e séries, teorias evolucionistas, tradições, vãs filosofias [Cl 2:8], etc.). Como podemos permanecer fiéis?

Compare Daniel 6:10 com Mateus 6:6. Por que Daniel simplesmente não orou com as janelas fechadas? Assim não teria tido problemas! (R.: Essa era uma situação crítica em que o nome de Deus estava sendo afrontado. E se Daniel morresse como um mártir por ter sido fiel, isso também teria impressionado o coração do rei Dario, e talvez até lhe conquistado para o Deus verdadeiro, para Quem vale a pena ser fiel mesmo diante da morte.)

 Daniel cometeu um suposto “crime” ao desobedecer a uma lei civil. Veja estes versos sobre como Deus espera que os cristãos sejam bons cidadãos: Romanos 13:1-4; 1 Timóteo 2:1-3; 1 Pedro 2:17. No entanto, até que ponto devemos ser obedientes às autoridades e leis governamentais? (Veja Atos 5:27-29.) Por quê?

Se alguma lei civil tornasse sua religião “fora-da-lei”, e você fosse levado às autoridades civis por causa de sua fidelidade, o que você diria? Por que você permaneceria fiel? (Veja Mateus 10:18-20; Marcos 13:11.)

Depois que o rei Dario viu que foi ludibriado, e contra sua vontade teve que obedecer ao seu próprio decreto, veja o que ele disse a Daniel em 6:16. O que essas palavras revelam? (R.: Certamente a fidelidade e a influência positiva de Daniel já estavam impressionando o rei a respeito do Deus verdadeiro.)

 Leia Daniel 6:24. Por que esse texto é tão perturbador? Que verdades importantes temos que lembrar ao ler essas palavras? (R.: A Bíblia não aprova tudo o que ela relata; há situações que são apenas descritivas, mas não prescritivas; esse texto, por exemplo, apenas relata fielmente qual foi a decisão do rei, não a de Deus. Conforme Deuteronômio 24:16, na justiça de Deus jamais um parente deve ser punido pelo pecado de alguém. Deus não pode cometer injustiça.)

No capítulo 11 de Hebreus, chamado de “galeria da fé”, há uma menção ao livramento de Daniel (verso 33). Mas também encontramos referências a outros heróis que acabaram morrendo por sua fé (versos 36-38). Em sua opinião, por que Deus chama alguns para testemunhar por meio de sua vida, e outros por meio de sua morte?

Responda esta questão apenas para si mesmo, em um momento de reflexão: imagine uma situação em que você é levado ao tribunal sob a acusação de “ser um cristão”. Haveria provas suficientes para lhe condenar? O que o peso das testemunhas e do “advogado promotor (acusador)” diriam contra você?

Pense bem nisto: as pessoas que lhe conhecem bem acreditam que você defenderia sua fé, mesmo que isso lhe custasse o emprego ou até mesmo a vida? Por quê?

Com a ajuda do Senhor, como você pode desenvolver mais as mesmas características de Daniel?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Daniel 5: da arrogância à destruição

daniel 5O rei Belsazar promovia uma grande festa na mesma noite em que foi morto (Dn 5:1, 30). O Senhor Jesus participou de várias celebrações alegres, mas certamente jamais entraria nessa. A não ser que Ele precisasse intervir para, literalmente, acabar com a festa.

Perguntas para discussão em grupo:

Quebra-gelo: Por que é tão negativo um produto ter o peso diferente do que consta em sua embalagem? Como podemos fazer com que nosso “peso” moral e espiritual corresponda ao que aparece na superfície?

Leia Daniel 5:1-4. Por que o pecado de Belsazar foi tão grave? Assim como foi com os utensílios do templo, de que forma o Evangelho tem sido igualmente profanado em nossa sociedade e cultura? Como podemos estar atentos para não participar dessa profanação, ainda que seja de modo muito sutil?

Compare os versos 1 e 30 do capítulo 5 de Daniel. Que lições lhe vêm à mente ao considerar que Belsazar dava uma festa de profanação e orgia naquele que seria o último dia de sua vida? (Ec 7:2)

Compare a atitude de Belsazar com a da “meretriz” de Apocalipse 17:2, 4 (símbolo de uma falsa organização religiosa no futuro). Que paralelos podemos encontrar?

O que significa o fato de que a mística “meretriz”, ou “Babilônia”, tem conseguido “embebedar” as pessoas do mundo inteiro (Ap 17:2)? E como podemos saber se estamos “sóbrios” desse “vinho” oferecido por ela? (1Pe 4:7; 5:8)

Leia Daniel 5:5, 6. Em sua opinião, por que o rei ficou tão apavorado? Compare com Hebreus 10:26, 27 e discuta.

Diferentemente do que muitos pensam, as palavras escritas na parede não estavam em outro alfabeto nem em outro idioma. Eram quatro palavras na língua deles, o aramaico (veja nota no fim). Sendo assim, por que os “sábios” não puderam entender o significado delas? Leia 1 Coríntios 2:14 e 2 Coríntios 4:3, 4 e responda: Por que os “sábios” deste século não conseguem entender nem aceitar a Bíblia?

Leia Daniel 5:13, 14, 16. É muito estranho o fato de que um homem que havia sido alto funcionário ou ministro da corte era um “estranho” para Belsazar. Em sua opinião, conhecendo o caráter dos dois personagens, o que deve ter acontecido (leia 1Jo 3:1)? Como isso ainda acontece hoje?

Leia a repreensão de Daniel ao rei em 5:18-22. Veja a ênfase do verso 22: “…ainda que soubesse tudo isso”. Por que o fato de conhecer a verdade e rejeitá-la torna a pessoa ainda mais culpada? (ver Jo 8:44; 9:41; Tg 1:22; 2Pe 2:20-22)

Notas:

 Sobre a rainha (5:10). A rainha que entrou na festa na hora da confusão devido à escrita não era a esposa do rei. Algumas traduções até acrescentam “rainha-mãe”. Isso se deve ao fato de que, “de acordo com o costume oriental, ninguém a não ser a mãe de um monarca ousaria entrar na presença do rei sem ser chamada. Mesmo sua esposa colocaria a vida em risco se fizesse isso (ver Et 4:11, 16)” (Comentário Bíblico Adventista, v. 4, p. 884). Aparentemente, ela deve ter sido influenciada pela experiência de seu pai, o rei Nabucodonosor. Por isso ela não estava na festa. E ela ainda honrava o idoso Daniel, como se percebe em 5:10-12.

Sobre a filiação do rei Belsazar (5:18, 22). Entre o rei do capítulo 4 (Nabucodonosor) e o do capítulo 5 (Belsazar) houve outros quatro reis, não mencionados. Mais de 60 anos se passaram entre um capítulo e outro. Daniel tinha agora cerca de 80 anos. Na linguagem bíblica, dizer que Belsazar era “filho” de Nabucodonosor significa dizer que ele era “descendente” dele. Os críticos da Bíblia apontam o fato de que Nabonidus, o pai de Belsazar, não era descendente de Nabucodonosor. Contudo, é muito provável que a rainha relatada na história, certamente a mãe do rei, tenha sido Nitócris, a filha de Nabucodonosor, o que faz de Belsazar um neto dele por parte de mãe. Belsazar reinava em babilônia apenas provisoriamente em lugar de seu pai, o rei Nabonidus, enquanto este viajava em uma expedição para tratar de negócios do reino.

Sobre as palavras escritas na parede (5:25-28). As palavras foram escritas na própria língua dos babilônios, mas não faziam sentido. Como o vocabulário aramaico é pequeno, elas podem significar tanto verbos ou substantivos, como também valores monetários. A palavra “mene” ou “mina” equivalia a 60 shekels de ouro e também significava “contar”. A palavra “teqel” equivalia a 1/60 de uma mina e também significava “peso” ou “pesar”. A palavra “peres” era o valor de meia mina e também significava duas palavras ao mesmo tempo: “dividido” e “persa”. Essa última palavra deve ter aumentado o terror dos presentes na festa ao se conscientizarem de que o exército persa estava do lado de fora ao redor dos muros da cidade. E apesar de Daniel tê-la usado no singular (“peres”), ela havia sido escrita no plural (“parsin”), o que deve ter piorado os sentimentos negativos. Para os mais curiosos, a letra “u” antes de “parsin” (5:25) aparentemente não fazia parte da escrita na parede. Ela apenas foi adicionada na narrativa por ser uma conjunção aditiva equivalente ao nosso “e” em Português, usado antes de se mencionar o último item de uma lista (como o “and” em inglês). Seria algo como “mene mene teqel e parsin”. E como em aramaico o “P” se torna em “F” quando é precedido de vogal, é por isso que o “u” torna “parsin” em “farsin” (“ufarsin”) no verso 25. Mas isso só será interessante aos mais “nerds” que chegaram a ler até aqui!

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

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Daniel 4: do orgulho à humildade

daniel 4Todo o conteúdo do capítulo 4 do livro de Daniel foi escrito pelo próprio rei Nabucodonosor! Daniel apenas transcreveu o texto do rei (talvez um edito real). Nesse capítulo, o próprio rei revela como aprendeu uma verdade muito importante: “O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer” (Dn 4:17, 25, 32). Foi uma dura lição para o outrora orgulhoso rei, mas ao final ele reconheceu, em um tom de louvor e adoração, que o “Rei do Céu […] pode humilhar aos que andam na soberba” (v. 37).

Perguntas para discussão em grupo

Quebra-gelo: Até que ponto podemos “nos orgulhar” por coisas boas (por exemplo, pelo nosso desempenho, por uma boa família, por sermos cristãos…)?

Em que sentido “o orgulho é o pecado original”?

Veja o segundo sonho dado a Nabucodonosor em Daniel 4:10-17. O que Deus quis ensinar ao rei e a cada um de nós, “viventes”?

Leia estes versos que falam sobre o orgulho, a soberba, a altivez: Sl 101:5; Pv 8:13; Is 2:11; Tg 4:6; 1Pe 5:5. Por que Deus abomina tanto esse tipo de sentimento?

Compare a atitude mental de Lúcifer (em Is 14:12-14) com a de Nabucodonosor (em Dn 4:30). Quais são as semelhanças entre esses dois personagens (Pv 16:18)? Por que todos tendemos a ter esse mesmo tipo de sentimento, e como podemos evitá-lo e vencê-lo? (Sl 19:13)

C. S. Lewis, em seu livro Cristianismo Puro e Simples, afirmou que o orgulho “é o estado mental mais oposto a Deus que existe” (p. 44). Por quê? (Veja Filipenses 2:5-8.)

Leia Daniel 4:29-32. Em sua opinião, por que o rei só pôde dominar seu orgulho durante 12 meses?

Como você imagina os famosos Jardins Suspensos da Babilônia para que o rei se orgulhasse tanto deles? Quais podem ser os nossos modernos “jardins suspensos”, dos quais somos tentados a nos orgulhar?

O que significa o fato de que o rei retomou sua consciência e pleno juízo somente após “olhar para o alto”? Que lições podemos tirar desse detalhe?

Por que Deus “castiga [ou disciplina] aqueles a quem ama” (Ap 3:19; cf. Pv 3:12; Hb 12:7-11)? Quais são os propósitos dEle ao fazer isso? (Veja 1Tm 2:4.)

O capítulo 4 de Daniel foi escrito pelo próprio Nabucodonosor. Que tipo de sentimentos esse conhecimento traz ao seu coração? O que isso nos diz sobre o caráter de Deus?

Nota: A palavra “penas” não existe no texto original de Daniel 4:33, que diz: “…até que lhe cresceram os cabelos como da águia, e as suas unhas, como as das aves.” As “penas” são um acréscimo dos tradutores em algumas versões, talvez imaginando que o rei passou por uma transformação miraculosa de homem em bicho. Porém, o problema foi apenas de ordem mental, como se percebe no verso 34: “…tornou-me a vir o entendimento.” Imagine como ficaram os cabelos e as unhas do rei ao crescerem durante sete anos sem nenhum cuidado!

A afirmação “Deus resiste aos orgulhosos” é muito significativa no texto grego usado por Tiago e Pedro. A palavra para “resistir” é antitássomai (anti = “contra”, “em oposição”). Essa palavra era usada para se referir a um exército ou uma guarnição resistindo fortemente a um ataque em uma batalha, e às vezes até contra-atacando. Já a palavra “orgulhoso” é hyperéfanos, junção de “hyper” (além, acima) e a raiz “faino” (aparecer, mostrar-se, brilhar). Faino aparece em palavras que fazem referência às aparições divinas, tais como “teofania” (“aparição de Deus”) e “epifania” (um “aparecimento” notável e célebre, muito usado para se referir à vinda visível de Jesus). Portanto, uma pessoa orgulhosa é alguém que quer “aparecer acima ou além” do que realmente é. E isso é um ataque contra Deus, o qual resiste fortemente, e pode contra-atacar, se for necessário, para despertar tal pessoa.

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Daniel 3: da fornalha ao palácio

daniel 3É fascinante a corajosa fidelidade dos três jovens Hananias, Misael e Azarias (ou Sadraque, Mesaque e Abednego). Eles sabiam que uma libertação miraculosa seria apenas uma de duas possibilidades; a outra seria se tornarem mártires por meio de uma morte dolorosa. Contudo, sua lealdade permaneceu inabalável, mesmo diante da terrível segunda possibilidade (Daniel 3:16-18).

Perguntas para discussão em grupo

 Quebra-gelo: Onde você estabelece a linha divisória entre um compromisso racional com o Senhor e o fanatismo irracional?

Prováveis 20 anos se passaram entre os capítulos 2 e 3 de Daniel. Com base em 2:36-39, o que teria motivado o rei a fazer a grande estátua e a impor que todos a adorassem?

Como sabemos que Daniel, sem sombra de dúvida, não estava entre os que se inclinaram para a estátua?

Conforme o relato em Daniel 3, por que os amigos de Daniel preferiram ser fiéis a Deus, mesmo diante da ameaça de morte? Por que vale a pena ser fiel, mesmo correndo o risco de perder a vida (Mt 16:25)? Por outro lado, como seria se nossos três heróis tivessem cedido à pressão e reverenciado a estátua?

Um quarto Indivíduo apareceu misteriosamente dentro da fornalha junto com os três jovens no meio do fogo. Por que Nabucodonosor se referiu a esse Ser como o “filho dos deuses”?

Como foi no caso de Abel, Isaías, Zacarias, João Batista e tantos outros mártires, por que nem sempre Deus livra da morte aqueles que escolhem ser fiéis a Ele? Por que devemos continuar confiando nEle, mesmo quando não houver livramentos miraculosos? Se Daniel 3 terminasse com os três jovens mortos na fornalha, quais lições ainda poderíamos tirar dessa história?

De acordo com Hebreus 11, o que significa “ter fé”? O que significa dizer que a verdadeira fé é medida pela qualidade, e não pela quantidade? Como podemos desenvolver essa fé verdadeira, de qualidade, como a dos três amigos de Daniel?

Adorar não é só se curvar diante de algo e lhe declarar lealdade suprema. Quais são outras formas de “adorar” algo ou alguém que não seja o Senhor? Quais são algumas das coisas que atualmente somos tentados a adorar? Como vencer essas tentações?

Compare o episódio de Daniel 3:1, 2, 8-15 com Apocalipse 13:11-18. Que paralelos ou semelhanças existem entre o chamado à adoração da estátua de Nabucodonosor e o chamado à adoração da “imagem da besta” (um falso sistema religioso que se imporá no futuro)?

(Respostas: a imposição para reverenciar uma “imagem”; a ameaça de morte; o uso do número 6; etc.) Em sua opinião, o que Deus quer nos ensinar com essas notáveis semelhanças entre as duas passagens?

Leia João 16:1, 2 e Ezequiel 20:20. Que tipo de engano levará os cristãos fiéis a sofrer perseguição? Qual será o ponto central da controvérsia, e por que ele é tão importante assim para que os cristãos não cedam?

Leia Lucas 16:10. Como podemos aprender a ser “fiéis no pouco”? Por que não será possível desenvolver uma fé verdadeira (“fiel no muito”) quando for a última hora?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Daniel 2: do mistério à revelação

estatuaApesar de conhecer o futuro, Deus não o determina. Ao mesmo tempo, ainda que as ambições de poder e paixões humanas pareçam dirigir desenfreadamente o curso da História, é Deus quem a conduzirá até o final e glorioso triunfo do bem contra o mal.

Quebra-gelo: Se Deus julgar necessário, ainda podemos receber, mesmo nos dias atuais, alguma revelação especial por meio de sonho. Mas, em sua opinião, por que isso é extremamente raro? Conforme vemos em Jeremias 23:25, 26, 28, 31, 32, qual é o grande perigo de achar que qualquer sonho tenha origem divina? Como podemos saber se um sonho realmente vem de Deus?

Por que Deus deu uma revelação a um rei pagão e não a um profeta? Por que Deus usou o sonho como método? (Obs.: naquele tempo a ideia de que os sonhos tinham significados era uma crença comum entre os pagãos.) Por que Deus fez com que Nabucodonosor não conseguisse se lembrar dos detalhes do sonho?

Veja em Daniel 2:12, 13 por que o decreto de morte envolvia Daniel e seus três amigos. Conforme os versos 14 a 18, que lições podemos tirar da atitude de Daniel diante dessa situação? Como você reage quando toda a classe profissional ou acadêmica da qual você faz parte está em descrédito?

Em Daniel 2:19 é dito que Daniel “louvou a Deus” ao ter recebido o que Lhe foi pedido. Por que é importante ser gratos a Deus? Como podemos desenvolver uma vida de louvor e gratidão?

Veja a importante confissão de Daniel em 2:26-30. Por que ele fez questão de enfatizar essa verdade? Como seria se ele tivesse desviado o crédito da interpretação para si mesmo?

Leia Daniel 2:28. Em sua opinião, como é possível Deus conhecer o futuro sem, no entanto, determiná-lo? Por outro lado, por que a própria conclusão da história do mundo (com a volta de Jesus e a vitória do bem) está muito bem determinada? Que sentimentos essa certeza lhe traz?

Veja o significado de “pedra” em Salmo 19:14; 94:22; Atos 4:11; e de “monte”, em Isaías 2:2, 3; 11:9; Apocalipse 14:1 (obs.: o “santo monte” de Deus era uma referência espiritual tanto à cidade de Jerusalém, como também ao templo e ao próprio Céu, ou o lugar onde Deus habita). O que significa o fato de que a “pedra” atingirá os pés da estátua, e depois crescerá e se transformará em um “monte” que “encherá toda a Terra” (Dn 2:35)? Como sabemos que o cumprimento final dessa profecia se concretizará apenas mil anos após a volta de Jesus?

(R.: Conforme Apocalipse 20 a 22, em exatos mil anos após a volta de Jesus, a Nova Jerusalém, o “Monte Santo de Deus”, a Santa Cidade, local onde está estabelecido o trono de Deus [22:3] descerá do céu, pousará na Terra, e todo o planeta será restaurado ao redor da Cidade. Nessa ocasião, o próprio planeta Terra se tornará o “Céu”, ou “Paraíso”, pois se tornará o lugar da “morada” de Deus, como vemos em 21:3).

Leia Daniel 2:41, 42. O que as crises atuais na Europa (situação econômica; Brexit; Euro vs. Libra Esterlina vs. Franco Suíço, etc.) nos dizem hoje sobre os “pés de barro misturado com ferro”? Tendo em vista a interpretação dessa profecia, até que ponto a União Europeia é “unida”?

Talvez você já tenha ouvido a ideia filosófica (originada em Platão) de que “Deus não está na mesma dimensão” que nós, nem em nosso tempo (Ele seria “atemporal”). De que maneira o sonho dado a Nabucodonosor e sua interpretação demonstram que Deus está de fato conosco em nossa dimensão e em nosso tempo? Que diferença esse conhecimento faz em seu relacionamento com Ele?

Toda a sequência profética apontada na interpretação do sonho em Daniel 2 tem acontecido em seus detalhes. Por que é tão insensato não acreditar na profecia?

 (Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Daniel: de Jerusalém a Babilônia

BabylonTentações e dificuldades fazem parte da vida de todos os que escolhem ser fiéis aos princípios bíblicos. O capítulo 1 de Daniel mostra como Deus honrou a firme resolução de quatro jovens de se manterem fiéis a toda prova.

Em que sentido Deus é o personagem central do livro de Daniel, e não os quatro jovens?

Leia 2 Reis 21:14, 15. Por que Deus entregou a nação de Israel ao domínio de Babilônia, e com que propósitos? Pensando nisso, até que ponto a história do mundo é determinada pelas paixões e pelos poderes humanos? Em sua opinião, como Deus “conduz” a História sem impedir o livre-arbítrio de cada ator?

Conforme Daniel 1:4, os cativos hebreus pertenciam a uma classe privilegiada de jovens nobres e já instruídos academicamente. Por que o rei de Babilônia tinha interesse neles? De que forma Daniel e seus amigos tiveram mais “vantagens” do que José no Egito? E quais foram as desvantagens? (Entre outras desvantagens, é bem possível que Daniel e seus amigos tenham se tornado eunucos contra a vontade deles.)

Veja o segredo de Daniel em 1:8 e compare com Filipenses 2:15. Como podemos permanecer incontaminados dos elementos corruptores da nossa sociedade sem nos isolarmos dela? Por que não devemos nos isolar? (R.: Para podermos ser “estrelas”, ou pontos de luz, no mundo!)

De todos os jovens cativos, apenas quatro decidiram não comer da comida oferecida no refeitório da faculdade babilônica. De que forma Daniel e seus amigos poderiam ter racionalizado essa situação? Por que a maioria prefere transgredir os princípios bíblicos? Qual seria o fim dessa história se Daniel e seus amigos também tivessem transgredido? (Pense no fim da história de cada indivíduo que cede princípios bíblicos para estar de bem com a maioria.)

Leia Daniel 1:9. Como a decisão de Daniel abriu o caminho para que Deus pudesse agir? Dê exemplos de como isso ainda pode acontecer nos dias de hoje.

O processo de educação babilônica tinha o objetivo de doutrinar os jovens com ideologias tais que pudessem mudar sua própria cosmovisão (a maneira de entender o mundo). De que forma nossa sociedade está fazendo o mesmo? O que fez com que Daniel e seus amigos mantivessem firme sua cosmovisão bíblica?

Leia Gálatas 2:19, 20; Mateus 16:24; 2 Coríntios 4:17. Como podemos permanecer fiéis em meio às tentações e provações que enfrentamos?

Leia Daniel 1:18-21. Durante os três anos de estudos na “Universidade de Babilônia”, além de matemática, administração e línguas, os jovens cativos certamente aprenderam também astrologia, misticismo, mitologia e religião pagã. Assim como eles, como é possível você estudar matérias com as quais não concorda sem se corromper e ainda tirar nota máxima com louvor? Como esses ensinos podem ser usados para engrandecer o nome de Deus mais tarde?

Como as dificuldades enfrentadas hoje na faculdade e na sociedade podem servir como “provas de caráter”? Como o princípio de Daniel 1:8 pode ajudar os jovens que assim desejarem? Em sua opinião, o que falta para que isso aconteça?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)