Daniel 2: do mistério à revelação

estatuaApesar de conhecer o futuro, Deus não o determina. Ao mesmo tempo, ainda que as ambições de poder e paixões humanas pareçam dirigir desenfreadamente o curso da História, é Deus quem a conduzirá até o final e glorioso triunfo do bem contra o mal.

Quebra-gelo: Se Deus julgar necessário, ainda podemos receber, mesmo nos dias atuais, alguma revelação especial por meio de sonho. Mas, em sua opinião, por que isso é extremamente raro? Conforme vemos em Jeremias 21:25, 26, 28, 31, 32, qual é o grande perigo de achar que qualquer sonho tenha origem divina? Como podemos saber se um sonho realmente vem de Deus?

Por que Deus deu uma revelação a um rei pagão e não a um profeta? Por que Deus usou o sonho como método? (Obs.: naquele tempo a ideia de que os sonhos tinham significados era uma crença comum entre os pagãos.) Por que Deus fez com que Nabucodonosor não conseguisse se lembrar dos detalhes do sonho?

Veja em Daniel 2:12, 13 por que o decreto de morte envolvia Daniel e seus três amigos. Conforme os versos 14 a 18, que lições podemos tirar da atitude de Daniel diante dessa situação? Como você reage quando toda a classe profissional ou acadêmica da qual você faz parte está em descrédito?

Em Daniel 2:19 é dito que Daniel “louvou a Deus” ao ter recebido o que Lhe foi pedido. Por que é importante ser gratos a Deus? Como podemos desenvolver uma vida de louvor e gratidão?

Veja a importante confissão de Daniel em 2:26-30. Por que ele fez questão de enfatizar essa verdade? Como seria se ele tivesse desviado o crédito da interpretação para si mesmo?

Leia Daniel 2:28. Em sua opinião, como é possível Deus conhecer o futuro sem, no entanto, determiná-lo? Por outro lado, por que a própria conclusão da história do mundo (com a volta de Jesus e a vitória do bem) está muito bem determinada? Que sentimentos essa certeza lhe traz?

Veja o significado de “pedra” em Salmo 19:14; 94:22; Atos 4:11; e de “monte”, em Isaías 2:2, 3; 11:9; Apocalipse 14:1 (obs.: o “santo monte” de Deus era uma referência espiritual tanto à cidade de Jerusalém, como também ao templo e ao próprio Céu, ou o lugar onde Deus habita). O que significa o fato de que a “pedra” atingirá os pés da estátua, e depois crescerá e se transformará em um “monte” que “encherá toda a Terra” (Dn 2:35)? Como sabemos que o cumprimento final dessa profecia se concretizará apenas mil anos após a volta de Jesus?

(R.: Conforme Apocalipse 20 a 22, em exatos mil anos após a volta de Jesus, a Nova Jerusalém, o “Monte Santo de Deus”, a Santa Cidade, local onde está estabelecido o trono de Deus [22:3] descerá do céu, pousará na Terra, e todo o planeta será restaurado ao redor da Cidade. Nessa ocasião, o próprio planeta Terra se tornará o “Céu”, ou “Paraíso”, pois se tornará o lugar da “morada” de Deus, como vemos em 21:3).

Leia Daniel 2:41, 42. O que as crises atuais na Europa (situação econômica; Brexit; Euro vs. Libra Esterlina vs. Franco Suíço, etc.) nos dizem hoje sobre os “pés de barro misturado com ferro”? Tendo em vista a interpretação dessa profecia, até que ponto a União Europeia é “unida”?

Talvez você já tenha ouvido a ideia filosófica (originada em Platão) de que “Deus não está na mesma dimensão” que nós, nem em nosso tempo (Ele seria “atemporal”). De que maneira o sonho dado a Nabucodonosor e sua interpretação demonstram que Deus está de fato conosco em nossa dimensão e em nosso tempo? Que diferença esse conhecimento faz em seu relacionamento com Ele?

Toda a sequência profética apontada na interpretação do sonho em Daniel 2 tem acontecido em seus detalhes. Por que é tão insensato não acreditar na profecia?

 (Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Daniel: de Jerusalém a Babilônia

BabylonTentações e dificuldades fazem parte da vida de todos os que escolhem ser fiéis aos princípios bíblicos. O capítulo 1 de Daniel mostra como Deus honrou a firme resolução de quatro jovens de se manterem fiéis a toda prova.

Em que sentido Deus é o personagem central do livro de Daniel, e não os quatro jovens?

Leia 2 Reis 21:14, 15. Por que Deus entregou a nação de Israel ao domínio de Babilônia, e com que propósitos? Pensando nisso, até que ponto a história do mundo é determinada pelas paixões e pelos poderes humanos? Em sua opinião, como Deus “conduz” a História sem impedir o livre-arbítrio de cada ator?

Conforme Daniel 1:4, os cativos hebreus pertenciam a uma classe privilegiada de jovens nobres e já instruídos academicamente. Por que o rei de Babilônia tinha interesse neles? De que forma Daniel e seus amigos tiveram mais “vantagens” do que José no Egito? E quais foram as desvantagens? (Entre outras desvantagens, é bem possível que Daniel e seus amigos tenham se tornado eunucos contra a vontade deles.)

Veja o segredo de Daniel em 1:8 e compare com Filipenses 2:15. Como podemos permanecer incontaminados dos elementos corruptores da nossa sociedade sem nos isolarmos dela? Por que não devemos nos isolar? (R.: Para podermos ser “estrelas”, ou pontos de luz, no mundo!)

De todos os jovens cativos, apenas quatro decidiram não comer da comida oferecida no refeitório da faculdade babilônica. De que forma Daniel e seus amigos poderiam ter racionalizado essa situação? Por que a maioria prefere transgredir os princípios bíblicos? Qual seria o fim dessa história se Daniel e seus amigos também tivessem transgredido? (Pense no fim da história de cada indivíduo que cede princípios bíblicos para estar de bem com a maioria.)

Leia Daniel 1:9. Como a decisão de Daniel abriu o caminho para que Deus pudesse agir? Dê exemplos de como isso ainda pode acontecer nos dias de hoje.

O processo de educação babilônica tinha o objetivo de doutrinar os jovens com ideologias tais que pudessem mudar sua própria cosmovisão (a maneira de entender o mundo). De que forma nossa sociedade está fazendo o mesmo? O que fez com que Daniel e seus amigos mantivessem firme sua cosmovisão bíblica?

Leia Gálatas 2:19, 20; Mateus 16:24; 2 Coríntios 4:17. Como podemos permanecer fiéis em meio às tentações e provações que enfrentamos?

Leia Daniel 1:18-21. Durante os três anos de estudos na “Universidade de Babilônia”, além de matemática, administração e línguas, os jovens cativos certamente aprenderam também astrologia, misticismo, mitologia e religião pagã. Assim como eles, como é possível você estudar matérias com as quais não concorda sem se corromper e ainda tirar nota máxima com louvor? Como esses ensinos podem ser usados para engrandecer o nome de Deus mais tarde?

Como as dificuldades enfrentadas hoje na faculdade e na sociedade podem servir como “provas de caráter”? Como o princípio de Daniel 1:8 pode ajudar os jovens que assim desejarem? Em sua opinião, o que falta para que isso aconteça?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Daniel: da leitura à compreensão

DanielEste texto é o primeiro de uma série de 13 que serão postados aqui semanalmente (juntamente com vídeos do canal Michelson Borges), relacionados com a Lição da Escola Sabatina do primeiro trimestre de 2020, abordando o livro bíblico de Daniel. Não se trata de “resumos” nem “esboços” da lição, mas perguntas que podem provocar reflexão e uma boa discussão entre os grupos de estudo que tratarão do conteúdo de cada semana. Isso tornará tais grupos mais interativos, dinâmicos e produtivos. Elas também servem para os estudantes individuais das Escrituras que queiram internalizar as lições bíblicas de maneira efetiva e duradoura. Como se perceberá nesta série, o ideal para se alcançar esses objetivos são as chamadas “perguntas abertas”, que geralmente começam com um “por que” ou um “como”, pois exigem o uso do raciocínio e do coração para formular uma resposta – ao contrário das limitadoras perguntas “fechadas”, que podem ser respondidas com uma só palavra ou um simples “sim” ou “não”.

Para que todos os integrantes dos grupos de discussão possam igualmente imergir no tema de cada semana, algumas perguntas exigem uma breve explicação prévia apenas para dar o contexto.

Perguntas da lição 1 de Daniel – Por uma Escola Sabatina mais interativa!

Compare Atos 8:30 (o “verso áureo” desta semana) com o que Jesus disse em Mateus 24:15 e Marcos 13:14. Por que é necessário entendermos as Escrituras Sagradas antes de tirarmos qualquer conclusão a partir delas? Por outro lado, por que é tão perigoso basear-se em compreensões e doutrinas equivocadas? O que está em jogo?

O que significa dizer que “Cristo é o centro das Escrituras”? Conforme Lucas 24:27, 44, quais passagens bíblicas Jesus pode ter usado para Se referir a Si mesmo? (Cf. Gn 3:15; Sl 22:1, 16-18; Is 53; etc.)

Ao se considerar apenas o livro de Daniel, que trechos específicos apontam a Jesus Cristo? (R.: Dentre outros textos, no capítulo 2 a “pedra” é um símbolo de Jesus [cf. Mt 16:18; Mc 12:10; 1Co 10:4; etc.]; no capítulo 3:25, quem anda dentro da fornalha ardente junto com os três fiéis rapazes é Jesus, o “Filho de Deus” [ou “dos deuses”, como pode ter dito o rei pagão]; em 7:13 Jesus é o “Filho do Homem”; em 9:25, 26, Jesus é o “Ungido” [que é Messias, em hebraico, e Cristo, em grego]; em 12:1 Jesus é Miguel [que significa “Quem é como Deus”]; etc.)

De que forma Jesus pode ser o centro da vida de uma pessoa? Quais são as evidências?

É muito importante conhecer o gênero literário de qualquer livro bíblico antes de interpretá-lo. Dentre os vários estilos literários dos livros da Bíblia, encontramos narrativa histórica, salmos, epístolas, profecias clássicas, profecias apocalípticas, etc. As profecias clássicas (ex.: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Amós, etc.) geralmente: (1) tratam de eventos locais; (2) não usam muita linguagem simbólica; e (3) são em sua maior parte condicionais – ou seja, elas são cumpridas ou não em função da obediência do povo da aliança. Já no gênero profecias apocalípticas (como as de Daniel), as profecias geralmente: (1) tratam de eventos que envolvem toda a humanidade; (2) focam e enfatizam mais o tempo do fim; e (3) são incondicionais – ou seja, não dependem da obediência para se cumprirem; elas se cumprirão de qualquer jeito.

Em sua opinião, por que as profecias apocalípticas não dependem de nossa obediência para se cumprirem? O que seria de nossa esperança se as profecias dos últimos dias (apocalípticas) fossem condicionais?

Baseando-se na explicação acima, por que é importante conhecer o gênero literário de qualquer livro da Bíblia antes de interpretá-lo? Leia Daniel 8:5-10 e responda: Como seria se essa porção profética do livro de Daniel fosse lida de modo literal? (Veja a interpretação desse trecho dada a Daniel pelo próprio anjo em 8:20-22).

Por que há tantos evangélicos hoje esperando os eventos finais acontecerem literalmente no Oriente Médio, mais especificamente em Israel? Como o conhecimento da diferença entre profecias clássicas e apocalípticas esclarece essa questão? (R.: Muitas religiões evangélicas interpretam as profecias clássicas a respeito da nação de Israel como se fossem profecias apocalípticas, que ainda irão acontecer para os judeus atuais. No entanto, por causa da desobediência de Israel no passado, e da condicionalidade daquelas profecias, elas não foram cumpridas para aquela nação e não serão jamais. Ver, por exemplo, Oseias 3:4, 5.)

Existem basicamente três tipos de interpretação de profecias apocalípticas: o preterismo, o futurismo e o historicismo. O preterismo, como o nome diz, crê que as profecias apocalípticas aconteceram no passado (pretérito) em relação a nós, pouco tempo após a visão do profeta. Uma versão mais cética dessa abordagem chega a ensinar que o “profeta”, na verdade, foi um tipo de historiador que apenas relatou em forma de símbolos tudo o que já havia acontecido antes dele. O futurismo, por outro lado, crê que tudo se cumprirá de uma só vez no futuro, nos últimos dias. Já o historicismo (nossa abordagem aqui) vê tudo se cumprindo ao longo da História, desde o tempo do profeta até a volta de Cristo. Considerando estas três abordagens proféticas, responda:

Conforme Daniel 9:25; Marcos 1:15; 13:14 e Mateus 24:15, qual dos três tipos de interpretação profética era utilizado por Jesus? O que isso nos ensina? Por que a abordagem historicista é a mais lógica?

Algumas das profecias de Daniel abrangem centenas, até milhares de anos (como é o caso dos 2.300 anos de Daniel 8:14). O que isso nos ensina sobre a “agenda” de Deus? E sobre paciência?

Como o conhecimento de que Deus conhece o futuro afeta o seu relacionamento com Ele?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Lição da Escola Sabatina – nota oficial do autor

neemiasAlguns leitores expressaram dúvidas a respeito do seguinte trecho da lição do dia 16/10/2019, quarta-feira: “Devemos ser transformados para refletir o Filho de Deus. Essa mudança foi […] prometida no verso seguinte (Rm 8:30), no qual Paulo declarou que aqueles a quem Deus chama Ele também justifica (torna-os justos) e glorifica (santifica).”

Segue a resposta do autor da Lição:

Prezados,
Saudações cordiais.

A questão não é que eu iguale santificação com glorificação. Paulo fala em Romanos 8:30 sobre santificação e não glorificação no sentido escatológico, mas sobre glorificação como participação na glória de Deus agora, o que significa que os crentes refletem Seu caráter. A versão bíblica NLT [New Living Translation] expressou isso bem: “E, chamando-os, ele os colocou em pé consigo mesmo. E, dando-lhes a posição correta, deu-lhes a sua glória.” Note que este versículo está no PASSADO: Deus predestinou, chamou, justificou e glorificou aqueles que Nele creem. Todos os verbos estão no [tempo verbal grego chamado] aoristo, apontando para a ação passada de Deus. Não é afirmado que “Ele os justificou e depois os glorificará” (um dia no futuro). Esta é a razão pela qual vejo essa “glorificação” ocorrendo em nossa vida atual, e a rotulamos como “santificação”.

Espero que isso esclareça o ponto.

Graça e paz do nosso maravilhoso Senhor!

Jiri Moskala

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Entendendo a história Zorobabel e Esdras

Jeremias 29:10: “Assim diz o Senhor: Logo que se cumprirem para a Babilônia setenta anos, atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a Minha boa palavra, tornando a trazer-vos para este lugar.”

Isaías 44:28: “…que digo de Ciro: Ele é Meu pastor e cumprirá tudo o que Me apraz; que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado.”

Daniel 9:2: “…no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos livros, que o número de anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos.”

Daniel 9:24, 25: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos.”

2 Crônicas 36:22, 23: “No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá; quem entre vós é de todo o seu povo, que suba, e o Senhor, seu Deus, seja com ele.”

Esdras 1:1-3: “No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém de Judá. Quem dentre vós é, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém de Judá e edifique a Casa do Senhor, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém.”

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que o retorno do povo de Israel a Jerusalém com a reconstrução do templo e da cidade foram objeto de três decretos reais, um de Ciro II, em aproximadamente 536 a.C.; um de Dario I ,aproximadamente 520 a.C., confirmando o decreto de seu antecessor; e por último o decreto de Artaxerxes I, no ano 457 a.C.

Esdras 6:3-12: “O rei Ciro, no seu primeiro ano, baixou o seguinte decreto: Com respeito à Casa de Deus, em Jerusalém, deve ela edificar-se para ser um lugar em que se ofereçam sacrifícios; seus fundamentos serão firmes, a sua altura, de sessenta côvados, e a sua largura, de sessenta côvados, com três carreiras de grandes pedras e uma de madeira nova. 4A despesa se fará da casa do rei. Demais disto, os utensílios de ouro e de prata, da Casa de Deus, que Nabucodonosor tirara do templo que estava em Jerusalém, levando-os para a Babilônia, serão devolvidos para o templo que está em Jerusalém, cada utensílio para o seu lugar; serão recolocados na Casa de Deus. Agora, pois, Tatenai, governador dalém do Eufrates, Setar-Bozenai e seus companheiros, os afarsaquitas, que estais para além do rio, retirai-vos para longe dali. Não interrompais a obra desta Casa de Deus, para que o governador dos judeus e os seus anciãos reedifiquem a Casa de Deus no seu lugar. Também por mim se decreta o que haveis de fazer a estes anciãos dos judeus, para que reedifiquem esta Casa de Deus, a saber, que da tesouraria real, isto é, dos tributos dalém do rio, se pague, pontualmente, a despesa a estes homens, para que não se interrompa a obra. Também se lhes dê, dia após dia, sem falta, aquilo de que houverem mister: novilhos, carneiros e cordeiros, para holocausto ao Deus dos céus; trigo, sal, vinho e azeite, segundo a determinação dos sacerdotes que estão em Jerusalém; para que ofereçam sacrifícios de aroma agradável ao Deus dos céus e orem pela vida do rei e de seus filhos. Também por mim se decreta que todo homem que alterar este decreto, uma viga se arrancará da sua casa, e que seja ele levantado e pendurado nela; e que da sua casa se faça um monturo. O Deus, pois, que fez habitar ali o Seu nome derribe a todos os reis e povos que estenderem a mão para alterar o decreto e para destruir esta Casa de Deus, a qual está em Jerusalém. Eu, Dario, baixei o decreto; que se execute com toda a pontualidade.”

Pelo relato bíblico, a ordem de Ciro, embora de grande importância, se refere apenas à restauração do templo em Jerusalém. O povo foi liberado para retornar à cidade e participar da edificação do santuário. Nesse decreto se cumprem as profecias de Jeremias e de Isaías, sobre a libertação do povo e a edificação do templo. O autor entende que o marco inicial da profecia das setenta semanas seja o cumprimento das profecias de Isaías e Jeremias. É preciso salientar que há semelhanças, mas há alguns pontos a serem destacados:

  • Embora o povo tivesse sido liberto, não havia autorização para restaurar a cidade de Jerusalém, como descrito na profecia de Daniel.
  • O fato é corroborado com alguns detalhes, no livro de Zacarias (1:7-17). Deus reitera Sua promessa de restaurar Jerusalém; a profecia foi dada em aproximadamente 519 a.C., ou seja, depois do decreto de Ciro.
  • O decreto de Artaxerxes I deu ao povo de Israel liberdade para edificar a cidade e deu grande autonomia política para a província. Além disso, em Esdras 6:14, há a declaração de que a restauração do templo de Jerusalém se deu em cumprimento aos decretos de Ciro, Dario e Artaxerxes.

Esdras 7:11-28: “Esta é a cópia da carta que o rei Artaxerxes deu ao sacerdote Esdras, o escriba das palavras, dos mandamentos e dos estatutos do Senhor sobre Israel: Artaxerxes, rei dos reis, ao sacerdote Esdras, escriba da Lei do Deus do céu: Paz perfeita! Por mim se decreta que, no meu reino, todo aquele do povo de Israel e dos seus sacerdotes e levitas que quiser ir contigo a Jerusalém, vá. Porquanto és mandado da parte do rei e dos seus sete conselheiros para fazeres inquirição a respeito de Judá e de Jerusalém, segundo a Lei do teu Deus, a qual está na tua mão; e para levares a prata e o ouro que o rei e os seus conselheiros, espontaneamente, ofereceram ao Deus de Israel, cuja habitação está em Jerusalém, bem assim a prata e o ouro que achares em toda a província da Babilônia, com as ofertas voluntárias do povo e dos sacerdotes, oferecidas, espontaneamente, para a casa de seu Deus, a qual está em Jerusalém. Portanto, diligentemente comprarás com este dinheiro novilhos, e carneiros, e cordeiros, e as suas ofertas de manjares, e as suas libações e as oferecerás sobre o altar da casa de teu Deus, a qual está em Jerusalém. Também o que a ti e a teus irmãos bem parecer fazerdes do resto da prata e do ouro, fazei-o, segundo a vontade do vosso Deus. E os utensílios que te foram dados para o serviço da casa de teu Deus, restitui-os perante o Deus de Jerusalém. E tudo mais que for necessário para a casa de teu Deus, que te convenha dar, dá-lo-ás da casa dos tesouros do rei. Eu mesmo, o rei Artaxerxes, decreto a todos os tesoureiros que estão dalém do Eufrates: tudo quanto vos pedir o sacerdote Esdras, escriba da Lei do Deus do céu, pontualmente se lhe faça; até cem talentos de prata, até cem coros de trigo, até cem batos de vinho, até cem batos de azeite e sal à vontade. Tudo quanto se ordenar, segundo o mandado do Deus do céu, exatamente se faça para a casa do Deus do céu; pois para que haveria grande ira sobre o reino do rei e de seus filhos? Também vos fazemos saber, acerca de todos os sacerdotes e levitas, cantores, porteiros, de todos os que servem nesta Casa de Deus, que não será lícito impor-lhes nem direitos, nem impostos, nem pedágios. Tu, Esdras, segundo a sabedoria do teu Deus, que possuis, nomeia magistrados e juízes que julguem a todo o povo que está dalém do Eufrates, a todos os que sabem as leis de teu Deus, e ao que não as sabe, que lhas façam saber. Todo aquele que não observar a lei do teu Deus e a lei do rei, seja condenado ou à morte, ou ao desterro, ou à confiscação de bens, ou à prisão. Bendito seja o Senhor, Deus de nossos pais, que deste modo moveu o coração do rei para ornar a Casa do Senhor, a qual está em Jerusalém; e que estendeu para mim a sua misericórdia perante o rei, os seus conselheiros e todos os seus príncipes poderosos. Assim, me animei, segundo a boa mão do Senhor, meu Deus, sobre mim, e ajuntei de Israel alguns chefes para subirem comigo.”

Como se vê, no decreto de Artaxerxes há um trecho referenciando o templo e seus serviços, bem como a liberdade do povo para retornar e organizar politicamente a cidade. Uma parte em relação ao templo e outra em relação à cidade e ao povo. Por isso, a profecia melhor se adequa à data do decreto de Artaxerxes I, no ano 457 a.C. Isso sem contar que os 490 anos da profecia dos 2.300 anos e a vida e morte de Jesus confirmam a data de 457 a.C., sendo, portanto, o selo da visão. (Alan Klaubert)

Leia também: “Os 2.300 anos e a perfeição da cronologia profética”

Família: convertendo corações no tempo do fim

Christian FamilyIndependentemente da situação que cada família cristã possa estar enfrentando, em fase “boa” ou “ruim”, há a necessidade de se viver o Evangelho, orando e atuando para que os corações se convertam. Essas conversões serão testemunhas eloquentes do poder restaurador de Deus, o qual se manifestará de modo especial na família que não desiste da oração.

Perguntas para discussão e aplicação

Leia 1 Reis 18:21. Qual era a essência da mensagem de Elias que o torna tão especial?

Leia Malaquias 4:5, 6 (tendo em mente que esse livro foi escrito cerca de 400 anos antes de Cristo) e compare com Lucas 1:17. Em que sentido João Batista viria com “o mesmo espírito e poder” de Elias? De que forma a mensagem e a missão desses dois homens são semelhantes?

Veja como Jesus reconheceu o ministério de João Batista como um “segundo Elias”: Mateus 11:9-14; 17:10-13. Em que sentido a mensagem desses dois profetas ajudou a “converter o coração dos pais aos filhos e dos filhos aos pais”?

Em sua opinião, qual é a relação entre a conversão do coração a Deus e o relacionamento entre os membros da família?

Leia 1 Reis 17:23, 24. Por que a viúva só reconheceu definitivamente Elias como um homem de Deus após se reencontrar com seu filho ressuscitado? Com que familiar você espera se reencontrar no dia da ressurreição? Como sua fé em Deus aumenta essa esperança?

A Igreja Adventista do Sétimo Dia, a remanescente de Apocalipse 12:17, crê que tem uma missão parecida com a de Elias e João Batista para os últimos tempos. Em que sentido nossas missão e mensagem podem ser comparadas com a desses dois grandes profetas (ver Mt 3:2, 8; Mc 1:2; Lc 7:27; Jo 1:35-37)? O que deve mudar ou melhorar em sua igreja local para que essa comparação seja muito mais real e efetiva?

Leia 1 Reis 18:30. Qual o propósito da atitude de Elias? Por que o altar do Senhor estava “em ruínas”? Como isso pode ser comparado ao culto familiar nos lares atuais? De que forma devemos restaurar o “altar da família”? Quais serão as consequências?

Se Elias ou João Batista entrasse em sua casa, o que lhe diria? Por quê?

Leia Efésios 2:19; 3:14, 15. De que maneira nossa família se torna “membro da família de Deus”? Como as pessoas mais próximas da sua família podem perceber essa característica?

O que mais impressionou você na lição deste trimestre?

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR