O que é fascismo, afinal?

fascismo“Criado pela nacionalização de certos setores da esquerda”, cujo “papel central em sua orientação conceitual foi desempenhado pelos sindicalistas revolucionários”,[1] o fascismo nada mais é do que uma ideologia herdeira do próprio socialismo e do comunismo,[2, 3] dos quais não difere em suas características fundamentais.[4] Assim como o socialismo e o comunismo, o fascismo era extremamente populista, trabalhista e sindicalista; defendia um verdadeiro festival de direitos e privilégios para o povo, assistencialismos; advogavam pela chamada classe operária, eram favoráveis aos impostos progressivos e as taxações de grandes fortunas, e muito mais.[5, 6]

Seu principal lema era: “Tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contro lo Stato”, isto é, “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”.[7] Em outras palavras, desejavam um Estado grande, interventor e estatizante.

“Mas existia liberalismo econômico e manutenção da propriedade privada nos regimes fascistas”, alguns podem tentar argumentar; nada poderia estar mais distante da verdade, no entanto.

Como o ex-presidente Ronald Reagan sagazmente observou, o “fascismo é propriedade privada, iniciativa privada, sob o controle total do Estado”.[8] Ou seja, nada de livre-mercado ou liberalismo econômico, muito menos respeito à propriedade privada. O Estado é quem verdadeiramente controlava todas as coisas. Isso se chama totalitarismo.

O fascismo também possuía um discurso anti-burguês. E mais, a chamada classe burguesa era demonizada por completo pelo fascismo e pelos fascistas.[9]

Com tantas semelhanças entre o fascismo e o socialismo/comunismo, não é atoa que tenha sido “a Itália” fascista “o primeiro país ocidental a reconhecer a União Soviética” socialista “em 1924”.[10, p. 223]

O historiador espanhol Stanley G. Payne ainda argumenta que o fascismo alemão de Hitler, também conhecido como nazifascismo, ou apenas nazismo, era o que “se aproximava mais do comunismo russo”, na União Soviética, “do que qualquer outro sistema não comunista”.[10, p. 211] […]

[Curiosamente, como disse] um autor desconhecido: “Os fascistas do futuro chamarão a si mesmos de antifascistas.”[27]

(Gabriell Stevenson, historiador e apologista cristão)

Referências:
[1] Stanley G. Payne, Fascismo: Comparação e Definição, Madison, WI, Universidade de Wisconsin Press, 1980, p. 42.
[2] Jacob Talmon, The Myth of the Nation and the Vision of Revolution, University of California Press, 1981, p. 501.
[3] Vergílio Ferreira, Pensar‎, Bertrand Editora, 1992, p. 264.
[4] Stanley G. Payne, Fascismo: Comparação e Definição, Madison, WI, Universidade de Wisconsin Press, 1980, p. 208, 209.
[5] Manifesto dei Fasci italiani di combattimento, pubblicato su “Il Popolo d’Italia” del 6 giugno 1919 <https://bit.ly/2q2dONz>
[6] Spotniks. Pare de chamar os outros de fascistas. Você nem sabe o que essa palavra quer dizer. <https://bit.ly/2FYR9bF>.
[7] Pensador <https://bit.ly/2O51HJq>.
[8] Em entrevista ao “60 Minutes”, programa jornalístico da CBS, em 14 de dezembro de 1975.
[9] François Furet, The Passing of an Illusion, The Idea of Communism in the Twentieth Century, University of Chicago Press (1999) p. 175.
[10] Stanley G. Payne. Uma História do Fascismo, 1914-1945. Madison, WI, Universidade de Wisconsin Press, 1995.
[11] Pensador <https://bit.ly/2EMoiLH>.

Leia também: “O fascismo tem mesmo origem no marxismo”

“O comunismo é o filho legítimo de Marx, o fascismo é o bastardo. O comunismo é o marxismo ateu, o fascismo é o religioso. O comunismo mata por razões sociais, o fascismo por razões étnicas/raciais. De resto, é tudo farinha do mesmo saco…” (Filipe Reis).

Hitler era descendente de negros e judeus

hitlerExames de DNA realizados com parentes do ex-líder nazista Adolf Hitler revelaram que ele era descendente de pelo menos dois “grupos” que desprezava: judeus e negros. Segundo a revista belga Knack, o jornalista Jean-Paul Mulders pegou um guardanapo usado por um sobrinho-neto de Hitler que vive em Long Island, nos Estados Unidos, e mandou o material para testes. As informações são do jornal Daily Mail. A análise da amostra levou Mulders até a Áustria, onde ele descobriu que um agricultor identificado como Norbert H. era primo do ditador. O jornalista, junto com o historiador Marc Vermeeren, encontrou também outros 39 parentes distantes de Hitler no país. Norbert H. concordou em fornecer material genético para os exames. Utilizando as duas amostras, especialistas chegaram à forma particular do DNA, Haplopgroup E1b1b – que é rara na Alemanha e em toda a Europa Ocidental. “É mais comumente encontrado no Marrocos, na Argélia, Líbia e Tunísia”, disse Jean-Paul Mulders. Especialistas suspeitam que o grupo genético seja o mesmo ao qual pertencem uma das maiores linhagens de famílias judaicas. “Pode-se dizer, a partir desta premissa, que Hitler era parente de pessoas que ele desprezava”, afirmou o jornalista na revista.

(Terra)

Nota: O preconceito “racial” e a discriminação são absurdos criados por um ser que se esquece de que os humanos são todos irmãos, descendentes de um mesmo casal original. O criacionismo bíblico, que assume a literalidade de Gênesis, poderia ser a resposta para a promoção da fraternidade e igualdade entre os povos. [MB]

Guilherme Miller e o grande desapontamento de 1844

Imagem1A Igreja Adventista do Sétimo Dia tem uma história riquíssima e seus pioneiros deixaram um grande legado de fé às gerações seguintes. Ler de quando em quando sobre isso é importante, pois nos reconecta às nossas raízes proféticas, reafirma em nós o senso de missão e nos faz encarar o futuro com os olhos da esperança – a mesma visão pela qual viveram e morreram aqueles que se deixaram gastar por amor aos perdidos e para levar a mensagem de salvação a tantos quantos pudessem alcançar. Por isso Paulo escreveu: “Lembrem-se dos seus primeiros líderes espirituais, que anunciaram a mensagem de Deus a vocês. Pensem como eles viveram e morreram e imitem a fé que eles tinham” (Hb 13:7). Um desses líderes que marcaram profundamente a história do movimento adventista foi Guilherme Miller (1782-1849).

Conforme informações do site do Centro de Pesquisas Ellen G. White, Guilherme Miller teve uma forte formação religiosa, mas associou-se a companhias “erradas”. Seus amigos deixaram a Bíblia de lado e tinham vagas ideias a respeito de Deus e Sua personalidade. Aos 34 anos de idade, Miller ficou insatisfeito com suas ideias. O Espírito Santo impressionou seu coração e ele se dedicou ao estudo da Palavra de Deus. Em Cristo, Miller encontrou a resposta para todas as suas necessidades. Seu estudo o conduziu às grandes profecias que apontavam para o primeiro e o segundo advento de Jesus. As profecias com relação a tempo o interessavam, especialmente as profecias de Daniel e Apocalipse.

No ano de 1818, como resultado de seu estudo das profecias de Daniel 8 e 9, Miller chegou à conclusão de que Cristo voltaria em algum momento durante os anos de 1843 e 1844. Ele hesitou até 1831, antes que começasse a anunciar suas descobertas. O início do movimento adventista na América do Norte pode ser marcado a partir da primeira pregação pública de Miller. Nos meses e anos que se seguiram, cerca de cem mil pessoas passaram a crer na iminência da segunda vinda de Cristo, e por volta de um milhão tiveram contato com essa mensagem. Para ter uma ideia do alcance desse reavivamento religioso, basta ter em mente que a população norte-americana na época era de 17 milhões de habitantes.

Miller viveu por vários anos após o grande desapontamento de 22 de outubro de 1844. Dormiu em Cristo em 1849. Uma pequena capela se encontra próxima a sua residência, em Low Hampton, Nova York, construída por Miller antes de ele morrer. Apesar dos equívocos a respeito do evento que estava para acontecer em 1844, Deus o usou para despertar o mundo para a proximidade do fim e preparar os pecadores para o tempo do juízo.

No dia 22 de outubro de 2014, exatos 170 anos depois do grande desapontamento, um grupo de cinco editores da Casa Publicadora Brasileira, um da Casa Editora Sudamericana (na Argentina) e o diretor associado do White Estate, Dr. Alberto Timm, visitaram o lugar em que um grupo de adventistas aguardou ansiosamente o encontro com Jesus em 1844. Esse dia especial para os viajantes do século 21 marcou o início de uma excursão inspiradora cujo objetivo foi seguir os passos dos pioneiros.

Foi realmente inspirador orar sobre aquela rocha em que os mileritas aguardaram a vinda de seu Senhor. Foi marcante entrar na casa de Miller, ver sua mesa de estudos e, depois, visitar o cemitério no qual esse grande pregador está sepultado ao lado da esposa Lucy. Ellen White diz que um anjo guarda o túmulo de Miller. E o local é solene.

Michelson Borges

O movimento milerita e o Grande Desapontamento

millerGostaria de te convidar a fazer uma viagem de volta no tempo. Hoje, dia 22 de outubro de 2019, há exatamente 175 anos, milhares de cristãos pertencentes a igrejas como Metodista, Batista, Conexão Cristã e outras espalhadas pelos EUA aguardaram ansiosamente a volta do Senhor Jesus Cristo à Terra. Eles haviam sido despertados para a espera da segunda vinda de Jesus por meio dos sermões e da exposição bíblico-escatológica do pregador leigo Guilherme Miller. Ele era um fazendeiro batista, autodidata em história universal e estudioso da Bíblia, cuja atenção se concentrou na cronologia bíblica, especialmente em relação às profecias de Daniel e Apocalipse.

Baseado no texto de Daniel 8:14, Miller chegou à conclusão de que a purificação do santuário ali mencionada significava a purificação da terra pelo fogo. E que isso significava, portanto, a volta de Jesus ao mundo, de maneira pessoal e visível, no dia 22 de outubro de 1844.

Miller começou a pregar publicamente a partir de 1831, e o fazia de maneira convicta e tão persuasiva. Aonde quer que fosse surgia um reavivamento espiritual. Porém, sua intenção nunca foi fundar uma nova igreja, mas advertir o mundo acerca da breve vinda de Cristo para que todos pudessem ser salvos.

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Parlamento Europeu aprova resolução que coloca nazismo e comunismo em pé de igualdade

nazicomunismoNo último dia 19 de setembro, a União Europeia colocou comunismo e nazismo em pé de igualdade, depois de aprovar no Parlamento Europeu uma resolução condenando ambos os regimes por terem cometido “genocídios e deportações, e foram a causa da perda de vidas humanas e liberdade em uma escala até agora nunca vista na história da humanidade”. A resolução Importance of European remembrance for the future of Europe contou com 535 votos a favor, 66 contra e 52 abstenções, noticiou o jornal espanhol ABC nesta terça-feira. Apesar do significado histórico, essa resolução passou despercebida pela maioria, ainda que este seja tema de debate recorrente entre os historiadores desde a queda da União Soviética há três décadas.

De acordo com o ABC, o jornalista polaco Ryszard Kapuscinski chegou a essa conclusão em 1995: “Se pudermos estabelecer a comparação, o poder destrutivo de Stalin era muito maior. A destruição levada a cabo por Hitler não durou mais de seis anos, enquanto o terror de Stalin começou na década de 1920 e prolongou-se até 1953.”

O debate alcançou seu auge em 1997, com a publicação do Livro Negro do Comunismo, que foi escrito por um grupo de historiadores sob a direção do investigador francês Stéphane Courtois, que se esforçaram por fazer um balanço preciso e documentado das verdadeiras perdas humanas do comunismo. Os resultados foram esmagadores: cem milhões de mortos, muito mais do que o valor atribuído por esses mesmos historiadores ao regime de Hitler, cujo genocídio estima-se que tenha deixado 6 milhões de vítimas.

Apesar de tudo, esses números não são uma novidade. Outros investigadores, como Zbigniew Brzezinski, Robert Conquest, Aleksandr Solzhenitsyn e Rudolph Rummel, já se tinham interessado anteriormente pelo Gulag, a fome causada por Stalin na Ucrânia e as deportações em massa dos dissidentes do regime soviético.

Uma das diferenças entre os dois regimes é que o Gulag soviético foi usado para punir e eliminar dissidentes políticos, com o objetivo de transformar as estruturas socioeconômicas do país e promover a coletivização e a industrialização. Os nazis, por seu lado, usavam os campos de concentração principalmente para extermínio de vários grupos étnicos, políticos e sociais. O regime nazi foi culpado do genocídio de judeus, ciganos, homossexuais e comunistas.

hitler stalin

A resolução aprovada pelo Parlamento Europeu é bastante incisiva, nela se apelando “a uma cultura comum da memória que rejeite os crimes dos regimes fascista e estalinista e de outros regimes totalitários e autoritários do passado como forma de promover a resiliência contra as ameaças modernas à democracia, em particular entre a geração mais jovem”. Também se manifesta “profundamente preocupado com os esforços envidados pela atual liderança russa para distorcer os fatos históricos e para ‘branquear’ os crimes cometidos pelo regime totalitário soviético, e considera que esses esforços constituem um elemento perigoso da guerra de informação brandida contra a Europa democrática com o objetivo de dividir a Europa”.

(Observador)

Professor transforma Bíblia em referência para aula de História

professorEra mais um dia comum quando a mãe de um recuperando do sistema prisional ligou para o professor Di Gianne de Oliveira Nunes aos prantos. Do outro lado da linha, ela contou que havia visto o filho no noticiário, não por ter cometido um crime, como no passado. Daquela vez, o rapaz apareceu no jornal porque estava com livros de História nas mãos. Assim como esse jovem, outros alunos que cumpriam pena fizeram parte do projeto “Regime Fechado, Visão Aberta”, que deu a Di Gianne o Prêmio Educador Nota 10 em 2017. “Não tem um dia que não me lembro desse episódio”, diz o educador.

Há sete anos Di Gianne dá aulas de História na EE Monsenhor Alfredo Dohr, cuja extensão são salas de aula dentro do presídio, mas foi em 2017 que ele teve a ideia de realizar o projeto com sua turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Tudo começou quando percebi que havia mais Bíblias do que livros de História e um aluno me perguntou se a Bíblia podia ser usada como fonte histórica”, lembra.

A partir de então os debates sobre o tema passaram a ser constantes. “Fui mostrando a eles que era necessário separar o religioso da narrativa histórica. Fomos debatendo e criando um caminho com um início, meio e fim, até culminar na nossa apresentação final”, conta. A turma, formada por homens de 18 a 70 anos, estudou sociedades como as dos egípcios, assírios e romanos, retratadas na Bíblia. Com materiais fornecidos pelo professor, os alunos também pesquisaram e compreenderam aspectos de conflitos atuais entre israelenses e palestinos ou do fundamentalismo islâmico.

Com as sequências de aulas, o professor foi percebendo o interesse da turma por História e mudanças na forma de ver o mundo. Di Gianne cita como exemplo o fato de que, na época, boa parte dos alunos não conhecia arqueologia. A partir do projeto, eles ampliaram a visão para outras vertentes do conhecimento e até os familiares começaram a perceber as mudanças durante as visitas. “Eles contavam que falavam sobre o projeto com seus parentes, que tinham mais assunto. Eu fui notando que aquilo tudo era uma semente do conhecimento e até a autoestima deles melhorou. Quando ganhamos o prêmio foi uma coisa de louco”, brinca.

Como posso desenvolver esse projeto na minha escola? “Esse projeto é totalmente replicável em outras escolas, eu mesmo já levei para outras cidades e até mesmo salas de aula em outros presídios”, conta Di Gianne.

O professor explica que o aluno acha interessante e nota quando há algo diferente. “Queira ou não, até o aluno não religioso enxerga a Bíblia como um livro admirável pelo tempo que foi escrito e sua propagação até hoje. Eu lembro que dentro de sala de aula, na escola regular, já era possível fazer algumas ligações entre a narrativa histórica e passagens da Bíblia, e o aluno gostava de saber disso e sentia uma proximidade com a matéria.”

Além disso, é possível associar esses conteúdos a outras disciplinas. “Quando estava desenvolvendo o projeto com a turma de EJA, a professora de Ciências da nossa escola, que abordava questões de saúde, aproveitou passagens bíblicas para falar de algumas doenças”, diz. […]

A coragem de fazer algo inovador foi um grande combustível para a autoestima do detento, de acordo com o professor. “Eles mostraram que podem mais. Esses alunos saíram do presídio muito melhores do que entraram. Eles passaram até a conhecer os museus, como o Britânico, onde diversas peças dos persas e egípcios que são citados na Bíblia ali estão em exposição. Até a relação entre eles melhorou”, explica.

Di Gianne de Oliveira Nunes é formado em Direito e História. Notou que seria mais feliz lecionando e acertou. Há 14 anos está à frente de uma sala. Já deu aulas na Zona Rural, Educação Especial, cursinho e hoje atua na escola pública, privada e EJA no sistema prisional.

(Nova Escola)

Os gigantes nefilins e as pirâmides do Egito

piramideNos anos 1980, quando eu [Michelson] ainda era um adolescente ávido por conhecimento e desprovido dos antivírus mentais que só uma teologia bíblica sólida pode oferecer, li de tudo um pouco: de ficção científica, passando por histórias em quadrinhos de super-heróis a livros sensacionalistas e pseudocientíficos, como o famoso Eram os Deuses Astronautas, de Erich Von Däniken. Recheado de argumentos fantásticos sem fundamento, o livro apresenta a “revelação” de que as pirâmides do Egito e outras construções grandiosas teriam sido edificadas por extraterrestres, afinal, de acordo com a mentalidade evolucionista, os seres humanos do passado eram menos capazes que os de hoje. Däniken vendeu muitos livros e encheu os bolsos disseminando esse tipo de desinformação.

O tempo passou e o universo das fake news, das meias-verdades e das teorias da conspiração foi expandido de maneira alarmante. Das páginas dos livros às telas de computador e de celulares, os conteúdos que antes eram restritos às rodas mais intelectuais ou nerds agora estão disponíveis a todos – letrados e iletrados, dotados de visão crítica e céticos, ou mesmo inocentes crédulos e fideístas. E tem gente vivendo dessa curiosidade desmedida do público por conteúdos fantásticos; basta ver os canais recordistas de acessos no YouTube para perceber que tipo de conteúdo mais rende visualizações.

São especialistas em generalidades que pregam coisas do tipo: vacinas estão matando mais do que salvando. A Terra é plana e coberta por um domo sólido. A Nasa na verdade é um grande estúdio cinematográfico cheio de profissionais de Photoshop. Anjos caídos tiveram relações sexuais com mulheres, dando origem aos gigantes nefilins. Ah, e para esses Däniken tinha certa razão, porque afirmam que foram esses anjos caídos extraterrestres que construíram as pirâmides.

Como já falei bastante aqui no blog e em meu canal sobre terraplanismo e até sobre os que pregam a não vacinação, desta vez vou falar sobre os nefilins.

Gênesis 6:4 diz: “Naqueles dias havia nefilins na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos.”

Conforme explicou o criador do ministério 11 de Gênesis, Alexandre Kretzschmar, “algumas traduções trazem o termo nefilins como ‘gigantes’. Por enquanto, não há evidência fóssil desses gigantes. Não há descoberta ou qualquer achado que possamos ligar a esse texto. Existe muita especulação que até rendeu uma série no History Channel com o nome ‘Em Busca de Gigantes’. Essa especulação inspira nossa imaginação, mas não podemos dizer que esses fósseis existem nem que foram encontrados. Antes do dilúvio, a Terra era bem diferente. Pelo registro fóssil, vemos que existiu uma megafauna e uma megaflora. Sabemos que as condições climáticas, relevo, alimentação e outros fatores eram totalmente diferentes. Levando em consideração todas as informações de que dispomos do período antediluviano, sabemos que os seres humanos eram diferentes. Viviam mais e, com certeza, eram maiores. Porém, não temos em mãos esse registro fóssil humano”.

A palavra hebraica nefilim significa “desertores”, “caídos”, “derrubados”, porém, esse termo é uma variação da forma causativa do verbo nafál ou nefal (cair, queda, derrubar, cortar). Ou seja, refere-se à ideia de dividido, falho, queda, perdido, mentiroso, desertor. Literalmente, os que fazem os outros cair ou mentir.

A Nova Tradução na Linguagem de Hoje traz assim Gênesis 6:4: “Havia gigantes na terra naquele tempo e também depois, quando os filhos de Deus tiveram relações com as filhas dos homens e estas lhes deram filhos. Esses gigantes foram os heróis dos tempos antigos, homens famosos.” “Observe que os gigantes existiam antes e ‘também depois’ que os ‘filhos de Deus’ tiveram relações com as ‘filhas dos homens’”, destaca o teólogo Matheus Cardoso. “Então, não foi a relação entre os dois grupos que produziu os gigantes. Gênesis 6:4 simplesmente descreve como eram as pessoas daquele tempo: no original em hebraico diz nefilim, que significa pessoas fortes, altas, realmente ‘heróis’.”

Vamos ler mais alguns versos de Gênesis 6: “Quando os homens começaram a se multiplicar na terra e lhes nasceram filhas, os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram bonitas e escolheram para si aquelas que lhes agradaram. Então disse o Senhor: ‘Por causa da perversidade do homem, Meu Espírito não contenderá com ele para sempre; e ele só viverá cento e vinte anos.’ Naqueles dias havia nefilins na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos. O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal” (6:1-5).

Segundo Kretzschmar, “alguns erradamente alegam que os ‘filhos de Deus’ eram anjos caídos (demônios), os quais teriam se relacionado com fêmeas humanas e/ou habitado os corpos de machos humanos para então se relacionar com as fêmeas humanas. Essa união teria dado origem a filhos, os nefilins, os quais eram ‘os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama’” (Gênesis 6:4).

Os “filhos de Deus” não poderiam ser anjos, porque anjos são seres espirituais (Hebreus 1:14) e não têm relações sexuais (Mateus 22:30; Marcos 12:25; Lucas 20:34-36). Se estudarmos o contexto (os capítulos próximos) de Gênesis 6, veremos que os “filhos de Deus” eram os descendentes de Sete, fiéis a Deus (Gênesis 5), e as “filhas dos homens” eram descendentes de Caim, rebeldes contra Deus (Gênesis 4:1-24). Depois que houve essa união entre os dois grupos, que foi reprovada por Deus, apenas Noé e sua família permaneceram leais a Deus (Gênesis 6:8-10).

“Se os homens antediluvianos eram maiores, esses nefilins possivelmente fossem maiores ainda, aguçando mais nossa imaginação”, diz Kretzschmar. “De acordo com as lendas hebraicas (o livro de Enoque e outros livros não bíblicos), eles eram uma raça de gigantes e ‘super-heróis’ que fizeram atos de maldade.”

Tudo o que a Bíblia diz diretamente sobre eles é que eram “os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama” (Gênesis 6:4). Os nefilins não eram alienígenas, mas, sim, seres físicos e reais, produzidos pela união entre os filhos de Deus e as filhas dos homens (Gênesis 6:1-4). “Devemos ter cuidado em não utilizar textos duvidosos, não canônicos para sustentar nossas explicações. Também devemos ter cuidado em não criar problemas teológicos com o restante das Escrituras em nossas interpretações”, adverte Krestzchmar.

Existiram mais gigantes depois do dilúvio, como vemos em Gênesis 6:4, que diz: “Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois…” No entanto, é provável que tenha sido em uma escala muito menor do que antes do dilúvio. Quando os israelitas espionaram a terra de Canaã, eles disseram a Moisés: “Também vimos ali gigantes, filhos de Enaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos.” No entanto, essa passagem não diz especificamente que eram os nefilins de quem estavam falando, apenas que os espiões achavam que tinham visto nefilins. É mais provável que os espiões tenham testemunhado pessoas muito altas em Canaã e, por engano, acharam que eles fossem nefilins (Josué 11:21, 22; Deuteronômio 3:11; 1 Samuel 17).

Creio que chegamos ao tempo previsto pelo apóstolo Paulo: “Virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2 Timóteo 4:3, 4).

Nunca é demais lembrar: faça como os bereanos elogiados por Paulo e não acredite em qualquer um, seja ele escritor ou youtuber.