Estaria o nome de Jesus relacionado ao porco?

Uma hipótese falaciosa afirma que o nome de Jesus é uma fabricação posterior para ridicularizá-Lo.

jesus

Com o avanço da (des)informação através da internet as pessoas têm acreditado em praticamente qualquer coisa que leem em suas telas, por mais absurda que seja – especialmente quando se trata de teorias de conspiração. Frequentemente, pessoas mal-intencionadas inventam essas coisas para que pessoas bem-intencionadas as divulguem. Sempre foi assim. Por isso Deus já advertia no tempo de Moisés: “Não espalharás notícias falsas” (Êx 23:1).

Uma dessas desinformações falaciosas afirma que o nome de Jesus é uma fabricação posterior para ridicularizá-Lo ao associá-Lo ao porco e ao cavalo. Dizem que o nome original deveria ser conforme o hebraico Yehoshua e que “Jesus” seria a junção intencional de duas palavras: “Je”, que em grego teria o significado de “terra”; e “sus”, que em latim significa “porco”, e, em hebraico, “cavalo”; tal junção resultaria em algo como “o porco da terra” ou “o cavalo da terra”.

Essa ideia é completamente absurda! Não é porque há coincidência entre a sílaba de um idioma e uma palavra de outro que exista também uma relação de significados. Essa ideia é tão insana como dizer que o nome Manoel tem intencionalmente um significado obscuro: “man”, que significa “homem” em inglês; “o”, que é um artigo definido masculino em português; e “el”, que significa Deus em hebraico. Daí, Manoel supostamente significaria “Homem, o Deus”, o que revelaria uma afronta ao Deus do Céu. Sim, esse é o resultado de uma criatividade ilógica e até “maluca”. Equivale a dizer que o nome Elmar necessariamente seja uma alusão intencional ao mar, pois é esse o significado em espanhol (el mar). Ou ainda que o nome Mauro esteja ligado semanticamente ao adjetivo “mau”, pois “faz parte” do nome. Isso para não falar do nome russo Sergei (lê-se “Serguei”), que na língua original não tem nada a ver com o que parece soar em nosso idioma e talvez em outros. Da mesma forma, o nome de Jesus não tem nenhuma ligação com o significado de sus em hebraico (“cavalo”), nem em latim (“porco”).

Essa teoria de conspiração também usa o seguinte argumento: como a letra “J” só foi criada no século 16, o nome Jesus não poderia existir, pois Ele viveu mais de 1.500 anos antes disso. Como em toda boa mentira, sempre se faz uso de alguma verdade para dar credibilidade ao erro. Nesse caso, é fato que a letra “J” só foi inventada em 1524 por um gramático chamado Gian Giorgio Trissino. Mas isso não significa que o som representado por essa letra não existisse antes. De fato, a letra grega inicial usada no nome Iesous é chamada de “iota”, justamente porque seu som é uma variante entre os sons de “i” e “j”. O que Trissino fez foi criar uma forma gráfica para representar especificamente o som (ou fonema) mais propenso para “j” do que para “i”. É como o caso da letra hispana “ñ”: ela foi “criada” no século 13, mas seu som já existia séculos antes, sendo representado por “nn” ou “gn” (que em nossa língua representamos por “nh”).

O nome Jesus veio do latim Iesus, que veio do grego Iesous, que, por sua vez, é uma adaptação do hebraico Yeshua. No hebraico, as palavras que em nossa língua começam com “j” geralmente são iniciadas com a letra “yod”, que equivale ao nosso “y”. Nos textos em grego essa letra era representada pela sua equivalente chamada “iota”: Ierousalém, Ioudaia, Ionas, etc. Dizer que o nome Jesus é uma profanação de Cristo só porque não existia a letra “J” é tão sem sentido quanto dizer que os nomes Jerusalém, Judá, Jonas e todas as palavras que contêm “J” na Bíblia estão profanadas!

O nome hebraico Yeshua é a abreviação de Yehoshua, o qual traduzimos em português como “Josué”. Esse era um nome comum no Antigo Testamento, como se pode ver em 1 Samuel 6:14 e 2 Reis 23:8. Seu significado é “Yahu resgata/salva” (sendo que Yahu é uma das formas do nome de Deus). Com o passar do tempo, por questões linguísticas naturais, o prefixo Yeho foi encurtado para Ye. O próprio Josué (Yehoshua) é mencionado em Neemias 8:17 com a forma encurtada de seu nome (Yeshua).

Aparentemente, esse nome abreviado se tornou mais popular, pois há vários outros “Josués” mencionados no Antigo Testamento no formato Yeshua (ex.: 1Cr 24:11; 2Cr 31:15; Ed 2:2, 6, 36, 40; Ne 3:19; 7:7, 11, 39, 43; 12:24, 26). Esse também era muito provavelmente o nome de Jesus – Yeshua –, que em grego era registrado como Iesous. Por isso em Mateus 1:21 o anjo interpreta o nome do Menino com o mesmo significado de Josué: “Deus salvará o Seu povo”. Na Septuaginta (LXX), famosa versão grega do Antigo Testamento – produzida cerca de 200 anos antes de Cristo –, o nome hebraico de Josué é sempre traduzido como Iesous. Assim, como o nome grego Iesous é totalmente equivalente ao nome hebraico de Josué, a versão bíblica King James substitui o nome Josué por Jesus em Atos 7:45 e Hebreus 4:8.

Portanto, o nome de Jesus era muito comum em Sua época, tanto na forma hebraica Yeshua quanto na forma grega Iesous. Um exemplo disso é o homem chamado “Jesus, conhecido como o Justo”, referido em Colossenses 4:11 como um dos fiéis amigos de Paulo. Conforme alguns manuscritos antigos de Mateus 27:16, 17, é possível que o primeiro nome de Barrabás fosse Jesus (mas isso é conteúdo para outro estudo).

Como se pode notar, o nome Iesous não foi inventado para profanar Cristo, pois esse nome já existia séculos antes da era cristã como a forma grega de Josué (Yeshua). Geralmente, quem inventa (e quem espalha) uma teoria de conspiração como essa não entende nada das línguas originais que dissimuladamente usa para enganar. Por exemplo, ao dizerem que a sílaba Je significa “terra”, em grego, demonstram ignorar por completo que a palavra grega para “terra” é ge, a qual se lê como “gue” e não como “je”.

Alguém pode ainda perguntar por que os nomes mudam tanto de um idioma para outro, e se não deveríamos usar apenas o nome “original” de Jesus, Yeshua, ou até mesmo sua versão não abreviada (Yehoshua). Mas o fato é que não conseguiríamos pronunciar corretamente o nome. Como será que se pronuncia esse “Y” inicial (que é uma transliteração da letra hebraica “yod”)? Seria como um “Y”, como um “I” ou como um “J”? Ou seria como um meio-termo entre essas letras? A letra “e” seria pronunciada como um “ê” ou como um “é”? E o “u” seria como o “ü” de Müller, como o “u” francês ou o português? E ainda: Seria como o som hebraico atual ou o antigo?

Há fonemas que são muito naturais em uma língua, mas muito difíceis de reproduzir em outra. Para uma pessoa hispana, por exemplo – que não usa o fonema “ó” –, é muito difícil perceber a diferença entre os sons de “vovô” e “vovó” e reproduzi-los corretamente (faça um teste com um amigo hispano). O mesmo acontece com outras línguas. Uma vez perguntei a um amigo texano qual era a diferença de pronúncia entre as palavras year (ano) e ear (orelha). Ele pronunciou essas duas palavras como se a diferença fosse muito óbvia, mas para mim soavam exatamente iguais. Então eu percebi, depois de muita ênfase dada por ele, que o “y” deles soa de modo quase imperceptível para nós, como um tipo de “j” muito discreto e quase mudo. Assim, a palavra year (que pronunciamos errado como “iear”) soa quase como “jear”, mas com um “j” muito diferente, pronunciado meio com a garganta (gutural) e com a parte de trás do céu da boca. Talvez algo similar deva ser a realidade das letras “yod” em hebraico e “iota” em grego.

Por incrível que seja, há palavras em outras línguas que nós não conseguiríamos reproduzir nem mesmo sob ameaça de morte. Vemos um exemplo disso em um episódio da Bíblia que mostra como uma pequena variação de dialeto entre as tribos de Israel fez com que milhares de pessoas morressem por não conseguirem reproduzir corretamente uma palavra (Jz 12:6). Muitas pessoas morreriam se suas vidas dependessem de pronunciar corretamente palavras inglesas como world, girl, Connecticut, three, entre outras. Ainda bem que com Deus não é assim que funciona, como querem os conspiracionistas com suas teorias!

São questões linguísticas como essas que fazem com que um apóstolo seja chamado de Ioannes na língua em que ele mesmo escreveu (grego), e ainda de Iohan, Johanes, John ou João em outras línguas. Da mesma forma, Iácobos se tornou Jacob em inglês e Tiago em português. É difícil entender essas transformações que às vezes ficam tão diferentes, mas elas acontecem de modo natural, pois a pronúncia é inevitavelmente modificada em outras línguas e acaba se adaptando. Da mesma forma, há vários nomes de estrangeiros muito difíceis de serem reproduzidos corretamente em nosso idioma. Pense no nome americano masculino Earl em solo brasileiro! Imagine as várias tentativas dos amigos para reproduzirem esse nome: “Er”; “Ere”; “Eare”; “Erul”! O tal do Earl teria que reconhecer que seu nome é muito difícil para os falantes daquela língua e aceitaria suas tentativas.

Da mesma forma o Senhor Jesus certamente aceita o modo como O chamamos com reverência em nossa própria língua (Is 65:1). Por isso não é preciso dizer Yeshua, HaMashiah (“Jesus o Messias”) para se referir a Ele, nem HaShem (“O Nome”) para falar sobre o Pai. Não existe outro “Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó”; não há outro que possa ser chamado de “Aquele que fez o Céu, a Terra, o mar e as fontes das águas” (Ap 14:7). Ele sabe que nos referimos unicamente a Ele quando Lhe chamamos em nosso idioma de “Senhor”, de Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz (Is 9:6). Nesse sentido, em todas as diferentes línguas, dialetos e sotaques, “nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4:12).

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Canibalismo entre índios brasileiros

Assim era a vida em algumas tribos no Brasil, antes da chegada dos conquistadores

canibalismo

Sacrificar e comer os inimigos capturados faziam parte de uma das instituições sociais mais importantes dos tupis. Muitas vezes, o prisioneiro não era morto logo após ser capturado, pois acontecia de ele permanecer na aldeia, convivendo com os índios, em certas situações, por muitos anos, sendo vigiado e “engordado”. Havia o costume de oferecer uma companheira para viver com ele, alimentá-lo e até ter filhos com ele.

Quando o dia da cerimônia chegava, o cativo era morto, despedaçado, cozido e devorado durante uma grande festa. Pedaços do prisioneiro podiam ser defumados para serem comidos mais tarde. Quando os participantes da festa eram muitos e a refeição era pouca, respeitavam-se os princípios patriarcais da sociedade tupinambá. Os homens comiam as partes mais nobres da vítima, e as mulheres e as crianças contentavam-se com a cabeça ou com um “mingau” feito com as vísceras e outras sobras. Nada era desperdiçado.

Algumas partes eram preferidas em detrimento de outras, devido a supostas virtudes mágicas, ou então ao sabor. Certas partes, como a língua e os miolos, eram reservadas aos jovens. Os adultos regalavam-se com a pele do crânio. As mulheres banqueteavam-se com os órgãos sexuais. Porções nobres eram dadas aos hóspedes de honra. Acreditava-se que a carne humana tivesse poderes curativos.

Caso o cativo tivesse um filho com sua guardiã, a criança também seria sacrificada. As mães não se negavam a ingerir a carne de seus filhos, porque eles também eram vistos como inimigos. Os tupis consideravam que o filho descendia do pai e nada se devesse à mãe.

(Fonte: Clickideia)

O que podemos aprender com o desapontamento de 22 de outubro de 1844

A última casa de Ellen White

Patrimônio histórico da Igreja Adventista do Sétimo Dia e dos EUA

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Segunda-feira, 27 de outubro de 2014. Foi impressionante a passagem pela famosa ponte Golden Gate, em San Francisco, e pelas vinhas de Napa Valley, mas nada se compara à emoção de entrar na casa em que Ellen White viveu os últimos anos de sua vida incrivelmente produtiva e inspiradora. A bela e bem conservada casa de madeira foi construída em 1885 por um homem muito rico que a usava nas férias. Na época, foram gastos 15 mil dólares na construção, mas Ellen pagou por ela apenas cinco mil. Ellen havia passado nove anos na Austrália e desejava encontrar um bom e barato lugar para morar. Ela orou a Deus e pediu que Ele mostrasse o melhor negócio. Foi então que encontrou a grande oportunidade em Santa Helena, na Califórnia. Detalhe: a casa estava toda mobiliada e tinha vários móveis com tampa de mármore branco, o preferido de Ellen. Deus havia lhe dado um presente, depois de uma vida inteira de tantas privações e lutas, como educadora, escritora, pregadora, líder e mensageira de Deus. 

Aliás, é bom lembrar que Ellen escreveu mais de cem mil páginas manuscritas, foi traduzida para mais de 140 idiomas e tem seu legado reconhecido até mesmo pelo governo dos Estados Unidos, tanto é que há uma placa na varanda inferior da casa em que se reconhece a residência como monumento histórico nacional.

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No interior da casa que Ellen passou a chamar de Elmshaven (“refúgio dos olmeiros”), pode-se ter uma ideia da rotina de Ellen White e dos que moravam com ela. Na sala, eram realizados dois breves cultos por dia, um de manhã e outro à tarde. Eles cantavam, liam um texto bíblico e cada um dos presentes tomava parte nos momentos de oração. Na sexta-feira ao pôr do sol, o culto era mais longo, e Ellen lia partes do relato dos missionários além-mar. No sábado à noite, havia “pipocada”. 

Ellen utilizava o cômodo de cima para escrever, e sua secretária Sarah procurava evitar que visitas a atrapalhassem em sua missão. Mas os netinhos sabiam como “furar o bloqueio”: eles subiam sorrateiramente pela escada que chamavam de “passagem secreta”. Ellen e eles ficavam felizes por ter alguns momentos juntos.

Ellen costumava levantar às 3h ou às 4h para escrever. Em 1915, com 88 anos de idade, ela caiu, quebrou o quadril e seu estado de saúde foi piorando. Até que, em 16 de julho, ela faleceu, antes tendo feito seus amigos garantirem que venderiam a propriedade para ajudar a pagar a compra de duas instituições da igreja. O horário da morte de Ellen (3h40) foi registrado no momento exato por Sarah no relógio que havia sido de Uriah Smith e doado pela viúva dele. O relógio está lá até hoje marcando o mesmo horário. Ao filho ela disse as últimas palavras: “Eu sei em quem eu creio.” 

Em 1927, dois adventistas compraram a casa e a doaram para a igreja. Hoje ela recebe mais de sete mil visitas por ano e continua sendo um monumento mais do que histórico; é a marca de uma vida que causou profundo impacto no coração e na mente de tantas pessoas, efeito que continua se multiplicando por meio da dezena de livros que ela escreveu. 

No quarto em que Ellen costumava receber a visita de anjos (o que foi confirmado por pessoas que viviam no sanatório não muito longe dali e que viram uma luz intensa saindo pelas janelas do cômodo), fizemos uma oração dedicando nossa vida mais uma vez ao Deus a quem Ellen White serviu com tanta dedicação por mais de sete décadas. 

Michelson Borges

Conheça mais
 sobre a vida dessa mulher extraordinária lendo a minibiografia escrita pelo neto dela (clique aqui).

Querem apagar o a.C. e o d.C. dos livros e Jesus da sociedade

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Sou assumidamente contra a união Igreja/Estado. Sei que não houve ano zero e o Anno Domini é um erro se considerar que Jesus nasceu “antes de Cristo”. Contudo, não entendo certas posturas. Índios também não são índios foi um entendimento errado de Colombo. Ninguém, eu muito menos, se importou com isso. Mas se for algo relacionado a Jesus, melhor excluir do currículo. Enquanto os árabes mantêm com orgulho o calendário a partir da Hégira a viagem do profeta para Medina; enquanto judeus celebram o ano 5780 da criação de Adão e os chineses socialistas festejam 2020 como o ano do rato; uma secretaria de ensino propõe evitar os nomes antes e depois de Cristo por ser uma visão religiosa da história.

Deixe ver se entendi: janeiro vem de Janus, o deus das portas; fevereiro vem da deusa Fébrua, e março de seu filho Marte, deus da guerra. Julho e agosto homenageiam imperadores que viraram deuses mas Jesus não deve constar nas nomenclaturas de história.

Os dias da semana em alemão, inglês e espanhol continuam homenageando deuses babilônicos e nórdicos, como também alguns corpos celestes, especialmente planetas. Então o problema é misturar religião ao currículo ou excluir Jesus dele? Fiquei confuso; homenagens pagãs ficam, referência a Jesus sai.

Só sei que 88% dos brasileiros dizem crer nAquele que disse que não reconheceria os que tendo conhecimento dEle O negassem perante os homens (Mt 10:33).

Muitos, ao entrar na universidade, sofrem crises de fé. Eu, contudo, sofro crise de intelectualidade, pois está difícil entender certas lógicas de hoje. Talvez falte-me clareza para compreender a proposta, mas entre o expertise do mundo e a singeleza do Evangelho, prefiro o segundo. Afinal, a história me mostrou o que pode fazer um intelectualismo destituído da sabedoria que vem do alto. Ou vocês acham que foram idiotas indoutos que fundamentaram o nazismo? Ali estavam intelectuais de primeira, alguns, aliás, “endeusados” até hoje na academia olha a religião aí de novo. Nesse caso pode, não é?

Sabe por que levo tão a sério esse negócio de cristianismo? Porque Jesus me levou a sério ao morrer na cruz. Se for obrigado a escolher, prefiro a loucura da cruz à sabedoria do mundo.

(Rodrigo Silva é apresentador do programa Evidências, da TV Novo Tempo)

CPB relança livro que resgata história do adventismo no Brasil

resgate-da-nossa-historia5Em sua segunda edição, livro A Chegada do Adventismo ao Brasil ressalta o papel dos pioneiros no desenvolvimento da Igreja no País a partir do fim do século 19

Durante décadas, os primeiros episódios sobre o desembarque e a difusão da mensagem da Igreja Adventista no território nacional ficaram restritos aos núcleos de famílias diretamente ligadas a eles, e aos poucos “historiadores” que preservaram detalhes transmitidos de geração em geração. Algumas dessas particularidades foram “imortalizadas”, também, graças aos relatórios enviados por missionários à Associação Geral (sede mundial da denominação) e às publicações oficiais em língua portuguesa, como a Revista Adventista. Mas foi somente no fim da década de 1990 que tudo foi reunido, sistematizado e narrado de forma cronológica e detalhada pelo então estudante Michelson Borges. O que era apenas um requisito acadêmico para se obter o diploma universitário tornou-se uma radiografia do desenvolvimento da Igreja no País. [CONTINUE LENDO.]

Pedra maia fala da chegada do “senhor dos céus”

maiaO famoso calendário maia, que inspirou até filmes como “2012”, voltou a ser destaque na mídia e nas redes sociais. Isso porque um suposto pesquisador teria identificado um erro de interpretação das inscrições na pedra. Segundo ele, a data do fim do mundo na verdade é 21 de junho de 2020, ou seja, daqui a dois dias (veja aqui). Obviamente que as piadas e os memes voltaram a fervilhar na internet. E mais uma vez o tema do fim do mundo alimentou chacotas.

O calendário maia é uma pedra calcária esculpida com martelo e cinzel, e está incompleta. “No pouco que podemos apreciá-la, em nenhum de seus lados diz que em 2012 o mundo vai acabar”, disse em 2012 José Luis Romero, subdiretor do Instituto Nacional de Antropologia e História.

Na pedra está registrada a data de 23 de dezembro de 2012, o que na época provocou rumores de que os maias teriam previsto o fim do mundo para esse dia. Mas o detalhe mais interessante não foi destacado pela imprensa: “No pouco que se pode ler, os maias se referem à chegada de um senhor dos céus, coincidindo com o encerramento de um ciclo numérico”, afirmou Romero. A data gravada em pedra se refere ao Bactum XIII, que significa o início de uma nova era, insistiu Romero.

A Bíblia garante que ninguém sabe o dia nem a hora da volta de Jesus, mas é curioso notar como a pedra maia se refere à chegada do “senhor dos céus”. Centenas de culturas antigas também se referem ao dilúvio universal; outras tantas culturas trazem resquícios do relato da criação semelhante ao que encontramos na Bíblia. Seria essa referência à vinda do “senhor dos céus” outra “semente da verdade” que ficou na memória do povo maia?

É bom lembrar que muito tempo antes da encarnação de Jesus, Enoque, o sétimo depois de Adão, já proclamava a segunda vinda de Cristo (cf. Judas 14). Portanto, esse evento futuro pode muito bem ter sido preservado entre as tradições orais e escritas de alguns povos antigos.

Sabedor de que a Bíblia e mesmo resquícios de culturas antigas falam da vinda do Senhor, o inimigo de Deus procura desviar o foco das pessoas desse assunto importante, transformando-o em piada ou “anestesiando” a percepção popular, com várias falsas datas anunciadas e não cumpridas.

Jesus disse claramente que ninguém pode saber o dia e a hora de Sua vinda, mas no momento certo o Senhor dos Céus virá!

Michelson Borges

A Bíblia ensina que a Terra é plana com um domo sólido em cima?

flatOs terraplanistas – defensores da ideia de uma Terra plana – afirmam que o disco terrestre é coberto por um domo sólido intransponível, o que torna ilusórios meteoritos, satélites e viagens espaciais. Para eles, a palavra hebraica רקיע (raqia), que aparece em Gênesis1:6-8, deve ser compreendida como “firmamento” ou “domo”, embora o próprio verso 8 defina raqia como “céus”. A Bíblia de Estudo Palavra-Chave explica que raqia é um “substantivo masculino que […] literalmente […] se refere a uma grande expansão e, em particular, à abóbada dos céus acima da terra. O termo indica o céu literal que se estende de um lado a outro do horizonte” (p. 1.936). Então de onde veio a ideia de que raqia poderia significar um domo sólido? Resposta: de uma tradução inapropriada.

Quando traduzia as Escrituras Sagradas do hebraico para o latim clássico (versão que ficou conhecida como Vulgata), Jerônimo (347-420) verteu a palavra raqia para firmamentum ou para o grego steréoma, que significa “construção sólida”. Estava lançada a semente da confusão, já que algumas traduções posteriores em espanhol e português tiveram como base a Vulgata e perpetuaram a palavra e o conceito de “firmamento”. Os terraplanistas atuais se prendem a essa tradução de raqia e parecem ignorar o sentido original do vocábulo.

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A historicidade confiável do livro de Daniel

DanielLionsPodemos confiar na historicidade do livro de Daniel?

Há pelo menos três bons motivos para acreditarmos que o livro de Daniel é confiável do ponto de vista histórico e que de fato foi escrito no 6º século antes de Cristo:

1) A arqueologia tem reconstruído as informações históricas do livro de Daniel.

a) Toda a história desse profeta hebreu se passa na cidade de Babilônia. Os críticos da Bíblia afirmavam que se Babilônia realmente houvesse existido, não passaria de um pequeno clã. A arqueologia demonstrou o oposto. Os resultados dos estudos do arqueólogo alemão Robert Koldewey, feitos entre 1899 e 1917, provaram que Babilônia era um grande centro econômico e político no Antigo Oriente Médio na metade do 1º milênio a.C. (600 a.C.).

b) Outro ponto de questionamento era sobre a existência ou não de Nabucodonosor, rei de Babilônia na época do profeta Daniel. Mais uma vez a arqueologia resolveu a questão trazendo à luz muitos tabletes que foram encontrados nas ruínas escavadas por Koldewey com o nome Nabu-Kudurru-Usur, ou seja, Nabucodonosor! Não é incrível como um tablete de 2.600 anos consegue esmiuçar teorias fundamentadas no silêncio?

c) Assim como a opinião dos críticos teve que ser radicalmente mudada a respeito de Babilônia e de Nabucodonosor, o mesmo aconteceu com Belsazar, o último rei da Babilônia. Críticos modernos não concordavam com essa informação. Novamente a arqueologia refutou essa opinião. Vários tabletes cuneiformes confirmam que Nabonido, o último rei de Babilônia, deixou seu filho Bel-Shar-Usur (Belsazar) cuidando do Império enquanto ele estava em Temã, na Arábia. Você pode confirmar em Daniel 5:7 que Belsazar ofereceu para Daniel o terceiro lugar no reino, já que o pai, Nabonido, era o primeiro e ele, Belsazar, o segundo.

d) Até os amigos de Daniel estão documentados nos tabletes cuneiformes da antiga Babilônia. Foi descoberto um prisma de argila, publicado em 1931, contendo o nome dos oficiais de Nabucodonosor. Três nomes nos interessam: Hanunu (Hananias), Ardi-Nabu (Abede Nego) e Mushallim-Marduk (Mesaque). Incrível! Os mesmos nomes dos companheiros de Daniel mencionados nos capítulos 1, 2 e 3 de seu livro! Um grande defensor dessa associação é o adventista e especialista em estudos orientais William Shea, em seu artigo: “Daniel 3: Extra-biblical texts and the convocation on the plain of Dura”, AUSS 20:1 [Spring, 1982] 29-52. Hoje esse artefato encontra-se no Museu de Istambul, na Turquia.

Resumindo: as informações históricas do livro de Daniel são confirmadas pela arqueologia bíblica.

2) Por muitos anos os defensores da composição do livro de Daniel no 2º século a.C. se valeram das palavras gregas do capítulo 3 para “confirmar” a autoria da obra no período helenístico. Essa opinião apresenta dois problemas sérios:

a) Há ampla documentação do relacionamento entre os gregos e os impérios da Mesopotâmia antes mesmo do 6º século a.C. Nos registros do rei assírio Sargão II, por exemplo, fala-se sobre cativos da região da Macedônia (Cicília, Lídia, Ionia e Chipre). Se os judeus em Babilônia eram solicitados para tocar canções judaicas (Salmo 137:3), por que não imaginar o mesmo com os gregos? Um poeta grego chamado Alcaeus de Lesbos (600 a.C.) menciona que seu irmão Antimenidas estava servindo no exército de Babilônia. Logo, não nos deve causar espanto algum o fato de termos na orquestra babilônica instrumentos gregos.

b) Se o livro de Daniel foi escrito durante o período de dominação grega sobre os judeus, por que há apenas três palavras gregas ao longo de todo o livro? Por que não há costumes helenísticos em nenhum dos incidentes do livro numa época em que os judeus eram fortemente influenciados pelos filósofos da Grécia? Esse fato parece negar uma data no 2º século a.C.

Resumindo: o fato de existirem palavras gregas no terceiro capítulo de Daniel não prova sua composição no 2º século a.C., pelo contrário, intercâmbio cultural entre Babilônia e Grécia era comum antes mesmo do 6º século a.C.

3) Daniel foi escrito em dois idiomas: hebraico (1:1-2:4 e 8:1-12:13) e aramaico (2:4b-7:28).

Diversos nomes no estudo do aramaico bíblico (Kenneth Kitchen, Gleason Archer Jr, Franz Rosenthal, por exemplo) afirmam que o aramaico usado por Daniel difere em muito do aramaico utilizado nos Manuscritos do Mar Morto que datam do 2º século a.C. Para Archer Jr., a morfologia, o vocabulário e a sintaxe do aramaico do livro de Daniel são bem mais antigos do que os textos encontrados no deserto da Judeia. Não só isso, mas que o tipo da língua que Daniel utilizou para escrever era o mesmo utilizado nas “cortes” por volta do 7º século a.C.

Resumindo: o aramaico utilizado por Daniel corresponde justamente àquele utilizado em meados no 6º século a.C. nas cortes reais.

Qual a relevância dessas informações para um leitor da Bíblia no século 21? Gostaria de destacar dois pontos para responder essa questão:

1) Como foi demonstrado acima, Daniel escreveu seu livro muito antes do cumprimento de suas profecias. Logo, isso nos mostra a soberania e a autoridade de Deus sobre a história da civilização. Se Deus é capaz de comandar o futuro, Ele é a única resposta para os problemas da humanidade.

2) A inspiração das Escrituras. O livro de Daniel se mostrou confiável no ponto de vista histórico e, consequentemente, profético. Essa é a realidade com toda a Bíblia, que graças a descobertas de cidades, personagens e inscrições, mostra-se verdadeira para o ser humano.

O livro de Daniel, longe de ser uma fraude, é um relato fidedigno. Ao escavarmos profundamente as Escrituras e estudarmos a História, podemos perceber que a Bíblia é um documento histórico confiável.

(Luiz Gustavo S. Assis é formado em Teologia pelo Unasp e doutorando no Boston College)

A vida depois do comunismo (testemunho)