O que nos torna brasileiros? Uma abordagem cristã

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Sinto uma emoção forte ao pensar que, há exatos duzentos anos, em um gesto despretensioso, o jovem príncipe regente, prestes a completar 24 anos, em declaração que passou para a história de nosso país, proclamou  nossa independência em relação ao reino de Portugal. Dom Pedro I jamais imaginaria o que estava por acontecer, e que, em um gesto muito mais preocupado com a coroa portuguesa, que futuramente estaria sobre sua cabeça, estava na verdade dando o primeiro passo constitutivo do Brasil como país. Soaria absolutamente absurda, para o jovem estadista, a ideia de que um dia, um país de proporções continentais chamado Brasil, com um território de mais de 8 milhões de km², teria uma população de mais de duzentos milhões de habitantes.

Pouco importa que o grito da independência não tenha ocorrido exatamente como nos ensina a história oficial e o imaginário popular, para o qual muito colaborou a pintura do quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo. Provavelmente nunca houve um cavalo “quarto de milha marchador”, de pelo branco escovado, sobre o qual nosso futuro imperador teria montado e desembainhado sua espada para o famoso brado retumbante. Ao que tudo indica, as circunstâncias eram bem outras. Mas o fato é que, daquele momento em diante, estava pronta a forma que criaria um dos seres mais enigmáticos que o mundo viria a conhecer: o brasileiro.

O brasileiro é, antes de ser um forte e um bravo, um ser indefinível. Formado pela junção de três raças distintas – o negro trazido a força para ser escravo, o branco que perdia sua cidadania e identificação com seu país de origem e o índio desalojado de sua terra e cultura -, receberia nos duzentos anos seguintes várias ondas migratórias de outros povos, formando um mosaico étnico que não permite ao brasileiro ter um biotipo identificável, reconhecível. Não existe um brasileiro típico. Tal mistura de ingredientes tão peculiares faz com que seja ainda mais difícil entender qual seria o ponto que nos une.

O que pode haver em comum entre um seringueiro no Acre e um gaúcho dos pampas? E o nordestino, vindo do sertão, do agreste, comendo buchada de bode e farinha no desjejum… poderia conviver com o paulista de origem italiana e japonesa? E o sertanejo, o peão vindo das Gerais e o homem da caatinga, possuem alguma semelhança com o boiadeiro mato-grossense, que passa meses no pantanal entre onças e jacarés? O rio-grandense de origem alemã toma chimarrão e não dispensa um bom churrasco. Já o pantaneiro, prefere o tererê. Mineiro come pão de queijo, jiló e um pingado. O Amazonense não vive sem seu tambaqui assado ou a caldeirada de tucunaré. E o goiano, essa figura que come frango caipira e arroz com pequi, quem entende? E se formos para a sobremesa, os doces, teríamos assunto para os próximos 200 anos. O que explica a união de pessoas com personalidades e costumes tão distintos?

Por mais diferentes que possamos ser, na cultura, nos costumes, na personalidade e até nas formas de adorarmos ao mesmo Deus, todos nos unimos diante de um arroz com feijão, ou quem sabe pela magia verde-amarela-azul-e-branca, quando a seleção canarinho entra em campo e se ouve o grito de gol do Neymar. Porém, isso é muito pouco para forjar a união de um povo como nação, nação esta que acaba de completar duzentos anos de independência e tem fôlego para mais duzentos. Mas, afinal, o que faz com que tenhamos esse sentimento de brasilidade, uma criatividade indescritível? Enfim, o que nos torna especiais por ser brasileiros?

Acreditar que todo esse sentimento que nos emociona ao ouvirmos o Hino Nacional e vermos nossa bandeira tremulando seja obra do mero acaso, seria banalizar demais nossas origens. Não tenho como saber se sua família veio parar aqui, no “país do futuro” (segundo Stefan Zweig), na busca por novos horizontes, ou se seu tataravô estava em um navio acorrentado olhando para os céus e pensando: “Deus, oh, Deus, onde estás que não respondes?” (Castro Alves, em “Navio Negreiro”). Também não tenho como imaginar se vinte gerações antes de você, seu ta-ta-ta…..taravô já estava por aqui, na grande nação Tupinambá, caçando, pescando e dizendo: “Assim o Timbira, coberto de glória, guardava memória do moço guerreiro, do velho Tupi. E à noite nas tabas, se alguém duvidava, do que ele contava, tomava prudente: Meninos, eu vi!” (Gonçalves Dias, “I-Juca Pirama”).

Por isso prefiro crer em algo maior que nossa herança cultural.

Em Ester 4:14, Mardoqueu está admoestando a moça a agir por seu povo, para evitar sua destruição, e no fim do verso diz: “E quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?” Há uma razão para estarmos aqui. Por maior que seja este mundo, ele cabe na palma da mão do Criador, e em Sua sabedoria Deus nos colocou aqui, neste país tropical. O mesmo Deus que estabelece reis e remove reis (Daniel 2:21) nos pôs aqui, assim como a nossos antepassados, e nos deu um lugar, uma terra, uma pátria, um povo ao qual pertencemos. Portanto, do ponto de vista cristão, temos uma missão aqui, como brasileiros, como nação.

É claro que sonhamos com uma pátria melhor, mesmo aqui neste mundo. Sabemos que nosso país tem defeitos; não sejamos meramente ufanistas. Nosso povo heroico solta seu brado retumbante todos os dias, na busca pelo trabalho, pelo pão nosso de cada dia, pela sobrevivência. Para pagar o penhor dessa igualdade, todos os dias precisamos de muito mais do que a ajuda de um braço forte. Por mais que nossos campos tenham mais flores, precisamos deixar de desmatar nossos bosques, para que eles continuem tendo mais vida, mesmo que nossa vida não tenha necessariamente mais amores. Oh, pátria amada, idolatrada, salve, salve! Que ela nos ame assim como a amamos. Precisamos aprender a reconhecer o nosso “lábaro” estrelado, assim como outros dos incontáveis presentes que Deus nos deu, nesta terra em que, plantando, tudo dá (Pero Vaz de Caminha, na “Carta do Descobrimento”). Que a justiça não seja aqui meramente a clava forte, que às vezes oprime com o castigo, ou em outras circunstâncias fecha os olhos para as mazelas sociais. A pátria sabe que um filho seu não foge à luta, nem teme, quem lhe adora a própria morte… dura verdade das periferias, da criminalidade, do uso do crack; onde sair para trabalhar todos os dias pela manhã já é um ato de coragem ante o risco de morte. Nossa pátria amada ainda falha em reconhecer que, dos filhos deste solo, é uma mãe gentil. Que o digam os muitos analfabetos, as vítimas de balas perdidas e aqueles que choram, como as Marias e as Clarices.

O apóstolo Paulo nos diz, em 2 Coríntios 3:18, que hoje contemplamos a glória de Deus como que por um espelho. Em seu tempo, o espelho era um objeto feito de bronze polido, que refletia uma imagem um tanto distorcida da realidade. Aplicando um raciocínio análogo, a pátria que hoje temos é uma imagem distorcida, e por mais que possamos trabalhar e viver por ela, sabemos que os problemas sempre existirão. Se somente no Céu poderemos contemplar o rosto de Deus face a face, da mesma forma, somente no Céu nossos relacionamentos serão perfeitos, restaurados à imagem de Deus. A pátria celestial, essa sim, será a imagem real da glória de Deus, e não mais uma imagem vista por um espelho de bronze.

Deus nos deu o sentimento de nação, de pertencimento. Assim como nos conhecia desde antes de sermos formados no ventre materno (Jeremias 1:5), também conhecia a história da nossa formação como nação, desde antes da gestação, dos fatos que desencadearam nossa independência.

Mas, acima de tudo, Deus sabe de onde você veio. Foi Ele que colocou você aqui. Ele sabe que você veio do morro, do engenho, da selva, dos cafezais, da linda terra do coco, da choupana onde um é pouco, dois é bom e três é demais. Ele sabe que você pode ter vindo das praias sedosas, das montanhas alterosas, do pampa, dos seringais, das margens crespas dos rios, dos verdes mares bravios… Mas Ele sabe também onde é a minha verdadeira terra natal. Portanto, que jamais percamos de vista que a nossa pátria celestial também tem palmeiras onde cantará o sabiá, e que as aves que aqui gorjeiam, jamais gorjearão como as de lá. Não apenas o mar já não existirá, mas também a saudade, esse sentimento difícil de se traduzir, mas tão fácil de entender. E mesmo que aqui neste mundo venhamos a ficar distantes do nosso amado Brasil, a pátria celestial será tão especial que deveríamos ter em mente a cada dia ao acordar a certeza de que aqui, por mais terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá; sem que leve por divisa esse V que simboliza a vitória que virá.

Que neste 7 de setembro, em que comemoramos a proclamação da independência do Brasil, tenhamos em mente nossa dependência de um Deus que nos levará à pátria celestial.

(Mateus Alexandre Castanho, Departamento de Publicações da IASD Central de Brasília)

Expedição “Na Trilha dos Pioneiros” (imperdível!)

Os adventistas e o negacionismo do Holodomor

O leitor pode decidir se vai acreditar no relato de irmãos e irmãs de fé, sobreviventes, testemunhas da história, ou em pesquisadores e militantes aparentemente mais comprometidos com uma ideologia do que com a defesa da dignidade humana

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Recentemente, muitas pessoas, incluindo alguns jovens adventistas militantes, resolveram negar publicamente que o Holodomor, um bem documentado massacre étnico intencional, existiu. Por quê? Aparentemente, por simpatia a Stalin e a sua ideologia política. Stalin provocou uma fome na Ucrânia em 1932-1933, conhecida como “Holodomor”, o “Holocausto Ucraniano”. Os números não são exatos, mas dados equilibrados contam sete milhões de mortos (25% da população), dos quais, três milhões eram crianças. Os agricultores tiveram todos os bens confiscados e foram expulsos de suas casas.

Além da fome, houve fuzilamentos e imigração forçada de cerca de dez milhões para a Sibéria ou Kazaquistão. Mais de cem mil pessoas foram enviadas para os Gulags (campos de concentração soviéticos). Os soviéticos fecharam fronteiras impedindo a entrada de alimentos na Ucrânia, e chegaram ao ponto de ir de casa em casa retirando qualquer alimento encontrado.

Segundo o historiador Timothy Snyder, os ucranianos desesperados comiam folhas, arbustos, gatos, cachorros, sapos, ratos; e há registro até de prática de canibalismo. Cerca de 2.500 pessoas foram presas e condenadas por comerem carne dos corpos de seus vizinhos. O governo soviético chegou a colocar placas dizendo: “Comer seus próprios filhos é um ato bárbaro.”

A situação dos adventistas na URSS já era difícil desde a revolução. Por causa da perseguição religiosa, adventistas foram presos, enviados para campos de trabalho na Sibéria e mantinham a fé na clandestinidade. O governo comunista soviético deportava ucranianos de todas as confissões religiosas (luteranos, batistas, evangélicos, adventistas e católicos) e os espalhava em várias regiões do norte da URSS.

Muitos edifícios da IASD, fechados durante o processo de “coletivização” e fortalecimento dos kolkhozes entre 1930-1938, foram transformados em instituições estatais (como clubes, escolas, hospitais, etc.). Cerca de três mil adventistas foram presos na URSS nos anos 1930. Dos 150 pastores, apenas dois nunca foram presos. Todas as igrejas adventistas foram fechadas em 1938 (mesmo com Stalin garantindo a liberdade de consciência em 1936). A maioria desses três mil adventistas presos morreu nos Gulags. Nos anos 1930, as sentenças dadas aos religiosos eram, em média, de 10 a 25 anos de prisão. Não havia a menor possibilidade de reverter uma decisão dessas juridicamente. A base jurídica era o famoso Artigo 58 do stalinismo.

Pedidos de socorro ucranianos chegavam a vários países, mas o governo soviético negava a existência do problema, e assim negava aceitar qualquer ajuda externa. Visitantes de outros países eram levados para lugares “cenográficos”, fazendas coletivas-modelo, com pessoas felizes e bem alimentadas (um desses visitantes iludidos foi o escritor George Bernard Shaw).

Esses visitantes voltavam para seus países com relatórios positivos a respeito das maravilhas do regime, e negando a existência de qualquer problema (como os atuais negacionistas do Holocausto e do Holodomor), mesmo diante de evidência contrária, registros, documentos e o testemunho de milhares de sobreviventes e de seus familiares. Nunca houve um julgamento dos crimes soviéticos, e, como vemos, até hoje há um negacionismo histórico por parte dos simpatizantes do regime.

Anne Applebaum, que ganhou o prêmio Pulitzer com sua pesquisa, afirma que “Stalin matou mais ucranianos do que Hitler assassinou judeus”. O “Trauma do Stalinismo” é alvo de pesquisas missiológicas até hoje, inclusive por historiadores e teólogos adventistas.

Em 28 de novembro de 2006, o parlamento ucraniano aprovou uma lei que declarou a fome de 1932-33 (Holodomor) um genocídio contra o povo ucraniano. No dia seguinte, a lei foi assinada por Viktor Yushchenko, o presidente ucraniano.

Assim como há quem negue a existência do Holocausto, há quem diga que Holodomor nunca aconteceu, ou que é um exagero (“a fome existiu, mas não foi intencional”). Geralmente, a negação parte de militantes simpáticos de Stalin. Porém, o processo de reconhecimento oficial do Holodomor como um genocídio está avançado.

Numa Conferência Geral da Unesco, 197 países assinaram uma declaração reconhecendo o Holodomor como um crime contra a humanidade. O tema já foi debatido e votado várias vezes na ONU, com crescente reconhecimento por parte de vários países soberanos e da União Europeia.

No Brasil, a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (85% da colônia ucraniana no Brasil vive no Paraná) já reconheceu, por unanimidade, o Holodomor como genocídio contra o povo ucraniano; a Câmara Municipal de Curitiba também fez o mesmo reconhecimento por unanimidade. Há um projeto no Senado para que o Brasil reconheça o Holodomor como genocídio.

Enquanto isso, o negacionismo brasileiro é alimentado por deputados que celebram a Revolução Russa em sessão solene e por livros infantis que apresentam Stalin como herói. Enquanto em países como a Argentina, Austrália, Canadá, Colômbia, Equador, Estônia, Geórgia, Hungria, Letônia, Lituânia, México, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal e Estados Unidos resoluções de reconhecimento do Holodomor como genocídio são aprovadas, alguns brasileiros acham divertido negar a história publicamente nas redes sociais. Enquanto o Parlamento Europeu e até o Vaticano reconhecem o Holodomor como crime contra a humanidade, professores de história brasileiros e militantes de partidos fomentam o negacionismo usando os mesmos argumentos “acadêmicos” que os revisionistas usam para negar o Holocausto.

Stalin matou mais ucranianos que Hitler matou judeus, mas há quem ache absurdo a Ucrânia decidir criminalizar tanto o nazismo quanto o comunismo. Apontar livros, artigos e documentários de negacionistas, como o já refutado livro de Douglas Tottle (Fraud, Famine, and Fascism: the Ukrainian Genocide Myth from Hitler to Harvard), e repetir que o Holodomor é um mito inventado por nazistas (!) não faz desaparecer os documentos e testemunhos de pessoas que sobreviveram. Fazem o mesmo com o Holocausto: negacionistas do Holocausto também têm extensa bibliografia (como as “pesquisas” de Paul Rassinier e Robert Faurisson), também fazem gráficos, também produzem documentários e também vivem exigindo as “fontes primárias” do resto do mundo. E daí?

Se hoje há judeus que utilizam o Holocausto como ferramenta política, ou se há ucranianos que usam o Holodomor como ferramenta nacionalista, isso não muda o fato histórico de que houve um massacre étnico. Nada justifica o negacionismo.

A IASD brasileira produziu um documentário chamado “Vida entre Páginas” (abaixo), com o relato da ucraniana Svitlana Samoylenko sobre o sofrimento dos adventistas na Ucrânia durante o Holodomor e outros períodos. O leitor pode decidir se vai acreditar no relato de irmãos e irmãs de fé, sobreviventes, testemunhas da história, ou em pesquisadores e militantes aparentemente mais comprometidos com uma ideologia do que com a defesa da dignidade humana.

Leia também: “Holodomor: a grande fome que matou milhões na Ucrânia durante o comunismo soviético de Stalin”

Sacerdotes usavam maconha no santuário de Israel?

O cânhamo usado na composição do incenso teria alguma relação com a droga?

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Recentemente, em uma entrevista concedida ao comediante Rafael Bastos, o ex-pastor presbiteriano Caio Fábio afirmou que uma das substâncias supostamente contida no incenso oferecido a Deus no antigo santuário israelita era a maconha. Conhecido por declarações polêmicas como a de que a Bíblia não é exatamente a Palavra de Deus (“A única palavra de Deus é Cristo! Quem disser que é a Bíblia, é herege”, 26/8/2020, YouTube), Caio Fábio afirmou que o cânhamo usado no incenso do santuário seria a maconha que compunha “o combinado que enchia o templo de fumaça”.

Segundo o site HempMeds, “é importante entender que o cânhamo e a maconha são plantas da mesma espécie, a Cannabis sativa. No entanto, ambas são geneticamente distintas e geralmente utilizadas para finalidades diferentes”.

“A suposta conexão entre qaneh-bosem e a cannabis simplesmente não existe. Note primeiro que qaneh-bosem são duas palavras em hebraico, não uma. E as palavras são facilmente traduzidas: qaneh significa um talo ou junco, e bosem significa ‘cheiro doce’. Alguns estudiosos traduzem as palavras juntas para se referirem à ‘cana aromática’, ‘cana perfumada’ ou ‘cana-de-cheiro’, e outros ‘cálamo doce’ ou ‘cálamo perfumado’. Mas nem um único léxico acadêmico de hebraico bíblico no mundo conecta essas palavras com a maconha. […] Também é certo, por várias razões fonéticas e linguísticas, que a palavra cannabis, que vem do grego kannabis, não está relacionada a essas duas palavras hebraicas. Não há mais conexão entre o hebraico qaneh-bosem e o grego kannabis do que entre as palavras ‘Moisés’ e a palavra inglesa ‘mice’ [camundongos]” (A Bíblia e o Jornal).

Valer-se de alucinações para uma suposta conexão com Deus trata-se de um costume praticado por algumas religiões místicas, incluindo uma corrente do islamismo chamada sufismo. Os dervixes rodopiam por horas a fio e entram em transe. No judaísmo e no cristianismo bíblico isso simplesmente não existe, e chega a ser uma heresia afirmar que no incenso do santuário haveria algum tipo de droga psicoativa, uma vez que foi o próprio Deus que orientou a produção da mistura que compunha o incenso.

Obs.: Conforme Caio Fábio diz no vídeo, encontraram resquícios de canabis num dos altares de Tel Arad. Só que, em primeiro lugar, Tel Arad era um templo sincretista de Israel que, ao que tudo indica, estava desassociado e em ruptura com o templo de Jerusalém (talvez fosse até seu concorrente). Segundo: o resquício não pode ser datado com certeza absoluta dos tempos bíblicos, pois a amostra estava contaminada. Terceiro: a etnologia proposta entre Moisés e canabis chega a ser ridícula do ponto de vista acadêmico.

A Carta de Willie Lynch

O diabo é especialista em dividir para conquistar.

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Willie Lynch foi um proprietário de escravos no Caribe (Caraíbas) conhecido por manter seus escravos disciplinados e submissos. Acredita-se que o termo “linchar” (to lynch, lynching, em inglês) derive do nome dele. Enquanto a maioria dos europeus confrontava problemas como fugas e revoltas de escravos, Willie Lynch mantinha controle e ordem absoluta sobre seus serventes negros.

Esse poder despertou o interesse dos fazendeiros da América do Norte. Em meados de 1712, Lynch fez a longa viagem do Caribe para a América do Norte. Após sua chegada ao estado da Virgínia, e após constatar os problemas que seus colegas enfrentavam com os escravos sequestrados da África, Lynch decide escrever uma carta na qual revelaria seu segredo para manter os escravos na linha:

“Verifiquei que entre os escravos existe uma série de diferenças. Eu tiro partido dessas diferenças, aumentando-as. Eu uso o medo, a desconfiança e a inveja para mantê-los debaixo do meu controle. Eu vos asseguro que a desconfiança é mais forte que a confiança; e a inveja mais forte que a concórdia, respeito ou admiração.

“Deveis usar os escravos mais velhos contra os escravos mais jovens, e os mais jovens contra os mais velhos. Deveis usar os escravos mais escuros contra os mais claros, e os mais claros contra os mais escuros. Deveis usar as fêmeas contra os machos e os machos contra as fêmeas. Deveis usar vossos capatazes para semear a desunião entre os negros, mas é necessário que eles confiem e dependam apenas de nós.

“Meus senhores, essas ferramentas são a vossa chave para o domínio; usem-nas. Nunca percam uma oportunidade. Se fizerdes intensamente uso delas por um ano, o escravo permanecerá completamente dominado. O escravo depois de doutrinado dessa maneira permanecerá nessa mentalidade, passando-a de geração em geração.”

(Portal Geledés)

Nota: É exatamente essa uma das mais poderosas estratégias diabólicas usadas ao longo dos séculos pelo pai da discórdia e da escravidão: Satanás. Ele divide para conquistar, e usa as mais diversas ideologias para conseguir isso. Coloca mulheres contra homens; negros contra brancos; homossexuais contra heterossexuais; pobres contra ricos… Não caiamos nessa armadilha! Somos todos filhos do mesmo Pai. Sejamos promotores da concórdia e não da discórdia (o que não significa aquiescer a práticas pecaminosas). Que Jesus e Sua Palavra sejam sempre a “cola” que nos une. [MB]

O legado da Reforma Protestante

História da IASD no Planalto Central

11 de Setembro: 20 anos depois

Em novembro de 2014, estive em Nova York pela primeira vez. Aproveitei a oportunidade para, entre outros lugares, visitar o chamado Marco Zero, ou seja, o local onde ficavam as famosas Torres Gêmeas do World Trade Center, que vieram abaixo no maior ataque terrorista sofrido pelos Estados Unidos. Na manhã do dia 11 de setembro de 2001, exatamente 20 anos atrás, terroristas islâmicos da Al-Qaeda sequestraram aviões comerciais e lançaram dois deles contra as torres, criando uma cena de destruição antes só vista em filmes catastróficos hollywoodianos. Naquela manhã assustadora, eu estava com colegas editores da CPB na sala de reuniões da redação, assistindo ao vivo e tentando, junto com outros milhões de seres humanos, entender o que estava acontecendo no coração comercial da América. Ainda não tínhamos ideia de que aquele evento marcaria a história da humanidade para sempre (falo sobre isso aqui, aqui e aqui).

No Marco Zero, bem ao lado de onde ficavam as Torres Gêmeas, foi construído um belíssimo edifício envidraçado, ainda mais alto que os prédios destruídos (541,3 m): a Freedom Tower ou World Trade Center 1. No local em que estavam as torres foram feitos dois memoriais com o nome das milhares de vítimas do atentado. Ali perto fica o National September 11 Memorial Museum. Visitei o local, que reúne, além de fotos e gravações das últimas conversas das vítimas com seus familiares, partes resgatadas dos escombros dos prédios, como vigas retorcidas, um pedaço da enorme antena que ficava no topo de uma das torres, um caminhão do Corpo de Bombeiros destruído e várias outras lembranças tristes de um dia que nunca mais será esquecido.

Nas fotos abaixo, tiradas por mim, você pode ter uma ideia de como é o local (você pode clicar nelas para vê-las ampliadas). [MB]

Pastor adventista cubano refuta acusações contra a Igreja Adventista

Críticos se esforçam para emplacar a narrativa falsa de que a IASD teria apoiado a visão marxista/comunista dos revolucionários em Cuba

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Certo grupo autointitulado adventista, mas que vive postando críticas à Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) e se mostra alinhado às ideologias progressistas/marxistas/esquerdistas postou recentemente o seguinte texto nas redes sociais:

“Na relação entre a Igreja Adventista do Sétimo Dia e a Revolução Cubana, existem duas narrativas que foram esquecidas (ou negligenciadas) pela publicações adventistas: uma relativa ao início da revolução, em Sierra Maestra, e outra ao final, em Santa Clara. Em ambas as situações, os adventistas se solidarizaram com os ideais da revolução socialista, e ofereceram hospedagem, alimentação e primeiros-socorros aos combatentes. Entre os revolucionários, nas duas ocasiões, encontra-se a figura de Ernesto Che Guevara, uma das principais personalidades da Revolução Cubana, que, além de ser salvo pelos adventistas, desenvolveu uma aproximação respeitosa e amistosa com eles. Essas narrativas são evidências insuspeitas de que a crença adventista (ao menos entre os agricultores e a membresia leiga) não encontrou conflitos entre sua esperança e o ideal socialista em Cuba, a ponto de oferecer assistência clandestina aos revolucionários, arriscando as suas vidas e a de suas famílias.”

O texto é um claro esforço para emplacar a narrativa falsa de que a IASD teria apoiado a visão marxista/comunista dos revolucionários em Cuba. Já publiquei aqui no blog uma longa entrevista com o pastor adventista cubano Rolando de los Ríos (leia aqui), uma testemunha ocular dos fatos relacionados com a revolução protagonizada por figuras como Fidel Castro e Che Guevara. Do alto de seu “lugar de fala” (para usar a expressão modinha), o pastor Rolando contradiz mais essa tentativa desonesta de deturpar a imagem da IASD e a verdade dos fatos. Voltei a contatar o pastor e mostrei-lhe esse novo texto dos críticos da igreja. Leia a resposta breve e clara dele:

“Pastor Michelson, fala-se da ‘revolução socialista’ quando, realmente, não se dizia que era assim. A grande maioria do povo cubano (e entre eles os adventistas) simpatizava com os jovens rebeldes, capazes de lutar contra o governo ditatorial de Batista para estabelecer a democracia e o direito à propriedade privada, mas nunca se disse que a revolução era socialista ou comunista, até 1961, 1962. Posso assegurar-lhe isto, porque vivi essa realidade: o povo de Cuba foi enganado. A Igreja Adventista, como organização, nunca apoiou ou apoia o governo comunista.”

Adventistas apoiaram a revolução cubana?

Há perseguição religiosa em Cuba ou é apenas uma “narrativa imperialista estadunidense”? Este texto analisa o tema a partir da Revolução Cubana até hoje.

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Certamente, muitos adventistas viram na revolução uma “libertação redentora”[1] da ditadura de Fulgencio Batista. Há relatos de que muitos adventistas celebraram a vitória da revolução e ficaram entusiasmados com o início do novo governo. Mas logo começaram as restrições, desapropriações, perseguições e prisões,[2] e eles perceberam que a velha ditadura tinha sido substituída por outra.

Argelio Rosabal foi um adventista que ajudou Che Guevara logo após os revolucionários chegarem a Cuba no barco Granma. Rosabal lhe deu roupas e cuidou de sua saúde (Che sofria ataques de asma). Nas palavras do próprio Che Guevara: “Estávamos na casa de um adventista chamado Argelio Rosabal, que todos conheciam como El Pastor. Esse camarada, ao ouvir a infeliz notícia, rapidamente fez contato com outro camponês, que conhecia muito bem a região e que disse simpatizar com os rebeldes.”[3] Rosabal foi o primeiro camponês a ajudar as forças revolucionárias.

Che Guevara também utilizou o Colégio Adventista de las Antillas como ponto de apoio numa batalha decisiva, mas, nesse caso, os adventistas não tiveram a opção de não colaborar. Apesar disso, Che sabia que os adventistas não participariam de uma luta armada nem de sua política.[4] Che desenvolveu respeito pelos adventistas por causa dessas experiências,[5] e isso foi vantajoso para os adventistas, pelo menos no início da revolução.

Porém, ainda que os adventistas tenham obtido alguma vantagem temporária por causa da gratidão de Che Guevara, a realidade é que o governo revolucionário perseguiu violentamente crentes de várias religiões, inclusive adventistas. Segundo Jeff King, presidente da International Christian Concern, o discurso inicial de Castro para os crentes era algo como: “‘Olha, você não precisa se preocupar conosco, os comunistas. Vamos criar uma utopia juntos. Somos seus amigos, etc.’ Assim que ele conseguiu o poder, você sabe o que aconteceu. Ele fez o que os marxistas sempre fazem. E o martelo desceu, e ele começou a prender, torturar e matar pastores.”[6]

Após um início de governo aparentemente amistoso com as religiões, a situação mudou rapidamente: “A existência de um conflito ideológico latente, produzido a partir da aceitação de padrões ateístas nas organizações estatais e partidárias, provocou múltiplas polêmicas, questão que se intensificou a partir de março de 1963, quando o Comandante Fidel criticou a atitude de um grupo de igrejas que fazia proselitismo no campo, entre eles os pentecostais, o Partido Evangélico Gideão, os adventistas do sétimo dia e as testemunhas de Jeová. Essas denominações entraram em conflito com o Estado por um conjunto de fatores que, juntos, apareceram como elementos negativos ao processo revolucionário e passíveis de ser utilizados pelo imperialismo: sua alienação da política, seu conformismo arraigado, seu profundo espírito de proselitismo, a rejeição do trabalho voluntário e da participação em organizações armadas como as milícias, além do fato de alguns considerarem o sábado como um dia de adoração a Deus e no qual não se podia trabalhar, sem desconsiderar as atitudes contrarrevolucionárias de alguns de seus fiéis.”[7]

A face antirreligiosa da revolução não demorou a aparecer, e ela pode ser ilustrada com a história da família Rosabal, que havia ajudado Che Guevara. Há evidências de que Argelio Rosabal recebeu o apelido de “pastor” do próprio Che Guevara. Sua esposa cozinhou para Fidel na Sierra Maestra, e como reconhecimento pela ajuda recebida, o governo revolucionário deu uma casa à família.[8]

Ironicamente, o filho de Argelio Rosabal, Omar Rosabal, adventista, casado, pai de cinco filhos, foi falsamente acusado de agenciar prostitutas, condenado a oito anos de prisão (depois de apelação, pois a previsão era de 20 anos de prisão!). O governo expulsou sua família de casa, agrediu mulheres, inclusive sua filha de 13 anos, retirada de casa à força, nua (ela acabou hospitalizada e desenvolveu pensamentos suicidas).[9] Além disso, destruíram o túmulo de Argelio Rosabal, que havia ajudado Che Guevara na revolução.[10]

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As testemunhas posteriormente teriam admitido que deram falso testemunho porque foram ameaçadas pela polícia,[11] e testemunhas de defesa também foram presas.[12] O irmão de Argelio, Onésimo Rosabal, também foi condenado a um ano de prisão, mas que poderia ser substituído por um ano de trabalho forçado.[13]

Omar Rosabal foi considerado preso político, e houve uma mobilização internacional para que ele fosse liberto. O caso foi analisado por um grupo de trabalho na Comissão de Direitos Humanos da ONU,[14] que considerou a prisão como “arbitrária”, e uma violação dos artigos 9, 10 e 11 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.[15] Omar foi solto em dezembro de 2019, mas, segundo testemunho de familiares, continua sendo monitorado e ameaçado. Seu irmão, Argelio R. Sotomayor, lamenta por “todos aqueles que, cegamente, involuntariamente e obedecendo a esse medo que inocularam em nosso sangue, continuam a defender o sistema que os mata com miséria e fome, e continuam a gritar ‘Viva Fidel’”.

Foi assim que a família adventista que ajudou Che Guevara foi tratada pelos revolucionários. Assim, a “gratidão” inicial de Che Guevara se transformou em ingratidão revolucionária. O filho do senhor Rosabal, Argelio R. Sotomayor, assim se manifestou a respeito da revolução:

“Todos os cubanos devem estar cientes dos abusos e das torturas de que tantos cubanos foram vítimas, pelo único crime de pensar diferente e não querer para Cuba aquele regime vergonhoso e letal que trouxe tanto sofrimento e morte à ilha e ao mundo: o castrocomunismo. Tenho vergonha de meu pai ter sido o primeiro camponês a ajudar aquele bando de aventureiros cujo único objetivo era tirar do poder a ditadura de Batista para implantar sua própria ditadura, aquela que há mais de 60 anos sujeita os cubanos, oprimindo-os, aprisionando-os, privando-os de liberdade e direitos fundamentais.

“É claro que nunca passou pela cabeça do meu pai que o movimento que estava em suas mãos degeneraria no monstro sangrento que se tornou o que se chamou de Revolução, e ele foi enganado como tantos milhões de cubanos, dos quais apenas uma parte tivemos a oportunidade de abrir os olhos e ver a realidade.

“Se alguma vez acreditei que ser contrarrevolucionário era uma ofensa, hoje, depois de 62 anos de miséria e fome, repressão e prisão, creio que constitui o maior orgulho de qualquer cubano, eu o primeiro.

“Se José Martí, nosso herói nacional, pudesse ver em que uma gangue de criminosos, mafiosos e burgueses transformaram Cuba, seria o primeiro a pegar no facão e se jogar de novo no mato.

“Nós, cubanos, somos um só povo, embora eles tenham tentado nos dividir em bons e maus, em revolucionários e vermes, em patriotas e mercenários, em leais e traidores.

“É uma grande realidade, e é que todos queremos um país livre, soberano, democrático e próspero, com todos, dentro e fora; que só há um inimigo que impede de atingir esse objetivo: a ditadura comunista castrista liderada por um grupo de octogenários burgueses.

“Mas esse regime ditatorial está com os dias contados, apesar de sua ostentação e do abuso da força; porque não há nada nem ninguém que possa impedir o desejo de um povo decidido a ser livre. E isso acontecerá no mesmo dia em que todos os cubanos, de dentro e de fora, se unam e saiam às ruas de Cuba e de todos os países do mundo onde estamos, para exigir o fim da ditadura, a formação de um governo provisório, a convocação de eleições livres e constituição por sufrágio livre e universal de um governo decente e democrático.”[16]

No início do governo revolucionário, “houve entusiasmo e esperança para a maioria das pessoas, ‘uma lua de mel’”.[17] Mas a tendência antirreligiosa se impôs, como fica evidente no texto da (Artigo 54) Constituição de 1976, que diz: “(1) O Estado socialista, que fundamenta sua atividade e educa o povo na concepção científica materialista do universo, reconhece e garante a liberdade de consciência, o direito de todos de professar qualquer crença religiosa e de praticar o culto de sua preferência.”

O estado socialista admite o ateísmo como visão de mundo, e acrescenta que “(2) A lei regula as atividades das instituições religiosas”. Assim, apesar de supostamente garantir a liberdade religiosa, o governo ateísta avisa que “(3) É ilegal e punível opor a fé ou crença religiosa à revolução, à educação ou ao cumprimento de […] outros deveres estabelecidos pela constituição”.[18]

A base legal para perseguição se completa com o Código Penal de 1978 (Artigo 237) sobre o abuso da liberdade de culto: “Quem, abusando da liberdade de culto garantida pela Constituição, opõe a crença religiosa aos objetivos da educação ou ao dever de trabalhar, de defender a pátria com armas, ao reverenciar seu símbolo ou qualquer outro estabelecido na Constituição, é punido com pena privativa de liberdade de três a nove meses, multa de até 270 cotas ou ambas.”[19]

Ou seja, a educação é ateísta, e nenhum religioso poderia se opor a essa visão de mundo. Como isso poderia dar certo na prática? Resultou no óbvio: fim da liberdade religiosa e perseguição.

Os adventistas foram considerados contrarrevolucionários?

Sim. A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) em Cuba é descrita como uma “seita em conflito com o Partido Comunista”, pois são “diferentes ideologias”.[20] Várias fontes afirmam que os adventistas foram considerados contrarrevolucionários por irem contra o Artigo 54 da Constituição de 1976. Os adventistas e as testemunhas de Jeová foram perseguidos porque suas crenças não coincidiam com as do governo.[21] Historicamente, a IASD sempre procurou manter boas relações com os governos, sem denotar apoio político. Logo após a revolução, a IASD foi convidada a assinar publicamente um apoio ao novo governo revolucionário, mas recusou.[22]

Um relatório sobre os direitos humanos afirma que, apesar de apresentar alguma melhora, “a perseguição religiosa continua. […] O governo continuou a usar o Código Penal para perseguir testemunhas de Jeová e, em menor medida, adventistas do sétimo dia. […] Porque o governo os considera ‘ativos inimigos religiosos da revolução’, testemunhas de Jeová e adventistas são vigiados e frequentemente perseguidos pelos CDRs”.[23]

Após um início de governo aparentemente amigável, logo as escolas religiosas sofreram intervenção estatal (funcionavam sob a supervisão do governo). Posteriormente, muitas propriedades da IASD foram confiscadas.[24] Em 1962, o mesmo colégio que serviu de ponto de apoio a Che Guevara sofreu uma intervenção do governo, e em 1967 foi tomado definitivamente. Uma instituição cristã considerada fundamentalista não podia ser tolerada num estado marxista-leninista.[25]

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Che Guevara e Fidel no Colegio [Adventista] de las Antillas

Fonte: https://bit.ly/3kCvHAz

O governo revolucionário de Fidel Castro proibiu programas de rádio (o “La Voz de Atalaya”), reuniões evangelísticas, e desapropriou escolas e outras instituições da igreja. O Colegio de las Antillas foi tomado pelo governo, e acabou em ruínas.[26]

Em 1963, houve vários conflitos entre o governo e cristãos que faziam evangelismo, especialmente pentecostais e adventistas do sétimo dia. O motivo é que a pregação apocalíptica era considerada antirrevolucionária.[27]

A obra de construção de uma igreja adventista em Pinar del Río foi embargada, e o material de construção foi utilizado para construir a casa de um funcionário do governo local. A Igreja Adventista de Cienfuegos teve autorização de funcionamento rejeitada e foi ameaçada de apedrejamento; igrejas adventistas foram incendiadas; adventistas foram agredidos gratuitamente por policiais, militares e “Jóvenes Comunistas” em diversas ocasiões.[28]

Em 1963, o governo divulgou um programa de combate aos movimentos religiosos, escrito pelo líder comunista Blas Roca e publicado na revista Cuba Socialista, com o título “A luta ideológica contra as seitas religiosas”.[29] Fidel mencionou o documento em discursos, e as restrições atingiram os adventistas (devido à estrita observância do sábado) e as testemunhas de Jeová (contrárias ao serviço militar e à saudação à bandeira nacional).[30]

Segundo Blas Roca, o governo deveria atacar as seitas religiosas porque o imperialismo norte-americano e “todos os inimigos de classe usaram a religião para seu trabalho contrarrevolucionário”.[31] O cristianismo era uma arma de colonização dos Estados Unidos, e “em lugar da confiança no homem e na ciência, as religiões e seitas prostram-se ante o poder sobrenatural dos deuses”.[32]

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Ruínas do Colegio de las Antillas

Fonte: https://bit.ly/3wPQLG1

Adventistas foram enviados aos campos de concentração (UMAP)?

Logo no início do governo revolucionário, doze estudantes do Colegio de las Antillas foram convocados ao Serviço Militar Obrigatório, e acabaram presos por sua posição irredutível quanto ao sábado e ao uso de armas. Na prisão, foram mantidos literalmente a pão e água por nove dias, e tiveram sérios problemas de saúde.[33]

Os adventistas receberam uma “oportunidade” para servir sem pegar em armas: trabalhar nas Unidades Militares de Apoio à Produção (UMAPs). As UMAPs eram “fazendas de trabalhos forçados, guardadas por soldados com armas longas, onde trabalhavam desde antes do amanhecer até o fim da tarde (muitas vezes até tarde da noite); com […] comida mais do que deficiente e escassa. Moravam em cabanas cercadas com arame farpado”.[34]

A propaganda oficial dizia que o objetivo da UMAP não era castigar ninguém, mas “fazer com que esses jovens mudem de atitude, educá-los, treiná-los, salvá-los. Impedir que amanhã sejam parasitas, incapazes de produzir qualquer coisa, criminosos contrarrevolucionários, ou criminosos comuns, seres inúteis para a sociedade”.

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Matéria anunciando as UMAPs como local para forjar cidadãos úteis

Fonte: https://bit.ly/2UmVQZv

Em 1965, um grupo de 48 pastores e crentes evangélicos foi acusado de “desvio ideológico” e vínculos com a CIA. No mesmo ano, militantes do Partido Comunista ameaçaram o pastor adventista Charles Vento e queimaram a Igreja Adventista de Santa Damiana, em San Juan e Martinez.[35] Algum tempo depois, o pastor Charles foi preso numa UMAP.

Nas UMAPs, os presos adventistas “foram impedidos de se alimentar aos sábados por se recusarem a trabalhar nesse dia. Isso demonstra que o desrespeito aos dogmas pregados por essas religiões também eram uma forma de tortura psicológica exercida dentro das UMAPs”.[36]

Luis Caballero Calas, sobrevivente das UMAPs, relatou: “Testemunhei o dia em que um cristão adventista foi amarrado a um cavalo para ser levado aos campos para trabalhar no sábado, um dia sagrado para eles.”[37] Também há registro de que o pastor adventista Firino Serrano foi prisioneiro dos campos de concentração.[38]

Noel Fernández, levado para uma UMAP em 1966, conta: “Alguns de nós economizamos parte de nossa comida aos sábados para dar aos adventistas, que eram forçados a ficar de pé durante toda a manhã e tarde no centro do acampamento. O chefe da unidade gritou que se a Bíblia diz que quem não trabalha não come, como não trabalhou naquele dia, não tinha direito à alimentação.”[39]

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Há relatos de tortura psicológica, como o do pastor adventista Manuel Molina: “No acampamento Mola, cujo nome não quero lembrar. Eles levaram 17 religiosos de nós; Adventistas, testemunhas de Jeová e o Bando Evangélico Gideon, e eles ameaçaram nos fuzilar.”[40]

O pastor batista Orlando Colás viu testemunhas de Jeová sendo espetados por baionetas, espancados, e quando gritavam, jogavam terra na boca para silenciá-los. Além disso, relata que viu “a punição dos adventistas do sétimo dia que, por respeito, não trabalham aos sábados. Como os acampamentos funcionavam sete dias por semana, eles eram forçados a trabalhar aos sábados. Eles amarraram um adventista, o pastor Isaac Suárez, a uma laranjeira cheia de espinhos e disseram-lhe: ‘Agora você é Jesus Cristo e nós vamos crucificá-lo.’ Eles deixaram assim, ao sol, o dia todo. Eles levaram outro para fora e fizeram o mesmo com ele. Alguns foram enterrados, cobrindo-os completamente, deixando apenas a cabeça de fora, por dois dias ao sol”.[41]

Alguns pesquisadores tentaram “desmistificar” as UMAPs, mas a desmistificação proposta significa admitir que as UMAPs não eram só campos de tortura, mas de produção também – isso não muda absolutamente nada para as vítimas. É basicamente como argumentar que um assassino não é apenas um assassino, mas também um bom funcionário e um bom motorista.

Ignorando os inúmeros testemunhos de vítimas, alguns tentam negar o fato de que adventistas sofreram abusos nas UMAPs. Por exemplo, Tahbaz afirma que “os adventistas do sétimo dia, no entanto, não foram associados ao mesmo estigma contrarrevolucionário e, portanto, não foram alvo de abusos nos campos”.[42] No entanto, as fontes usadas por Tahbaz dizem exatamente o contrário, e incluem os adventistas entre as vítimas de abusos nas UMAPs.[43]

Apesar de fontes afirmarem que, teoricamente, os adventistas não eram considerados párias da sociedade nas UMAPs, na prática, “nas áreas rurais e semiurbanas, os ministros [adventistas] não estavam em uma classificação muito diferente da categoria mencionada”.[44] Sempre há uma diferença entre a realidade e os relatórios oficiais das ditaduras.

Estima-se que aproximadamente 35 mil pessoas passaram pelas UMAPs, e várias pessoas acabaram em clínicas psiquiátricas, morreram de tortura ou cometeram suicídio: “As pessoas mais frequentemente internadas nos campos eram religiosos (fanáticos religiosos) e gays”, e “a grande quantidade de internados [presos] incluía testemunhas de Jeová, adventistas do sétimo dia”.[45] Falando sobre as UMAPs e a perseguição aos homossexuais, mais de 40 anos depois, o próprio Fidel Castro admitiu: “Sim […], foram momentos de grande injustiça, grande injustiça!”[46]

A homenagem fúnebre do pastor adventista Charles Vento lembrou que ele esteve em um “campo de concentração chamado UMAP” em Cuba, uma “terrível experiência em que seu cristianismo foi severamente testado”.[47]

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Pastor Charles Vento

Fonte: https://bit.ly/3wSNLc2

O pastor Charles foi entrevistado em várias pesquisas sobre religião durante a revolução cubana. Charles Vento relatou tortura física e psicológica; os prisioneiros ouviam: “Aqui você vai apodrecer. Sairão quando aceitarem a revolução.”[48] Também é bem conhecido o relato do pastor cubano José H. Cortés, ex-aluno do Colegio de las Antillas, que foi prisioneiro em Cuba.[49]

Um caso extremo que ficou mundialmente conhecido foi o do adventista Humberto Noble Alexander, falsamente acusado de conspiração em 1962, condenado a 20 anos de prisão, mas que acabou ficando 22 anos, 3 meses e 11 dias preso. Foi torturado de várias formas, perdeu a família e a saúde. Foi solto em 1984, após intervenção do pastor Jesse Jackson, e morreu nos Estados Unidos em 2002.[50]

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Pastor José H Cortés, ex-prisioneiro em Cuba

Fonte: https://bit.ly/2UuTF62

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Humberto Noble Alexander, preso e torturado por mais de 20 anos

Fonte: https://bit.ly/2TmxgqS

A IASD frequentemente aparece como vítima em relatórios internacionais sobre liberdade religiosa em Cuba. Até o teólogo Adolfo Ham, um dos maiores defensores da ideia de que as igrejas deveriam cooperar com o governo revolucionário, e membro do Concilio de Iglesias Evangélicas de Cuba, admite que os adventistas estavam entre as denominações “mais castigadas”.[51]

O Serviço Militar Obrigatório era outra fonte de problemas. Mesmo nos anos 1980 ainda havia vários registros de adventistas ameaçados e perseguidos “porque, entre outras coisas, se recusaram a participar do treinamento militar”.[52] Também foram perseguidos por se recusarem a enviar os filhos à escola aos sábados.[53]

Em 1989, três adventistas de Villa Clara foram presos por publicar literatura religiosa clandestinamente.[54] Nos anos 1990, ainda havia problemas, como mostra relatório do Puebla Institute: “Outro grupo muitas vezes em desagrado são os adventistas do sétimo dia, que frequentemente se recusam a trabalhar […] aos sábados.”[55]

Outro relatório afirma que, durante a visita do Papa em 1998, uma série de “igrejas evangélicas” em Holguín, incluindo a Adventista do Sétimo Dia, “continuou sendo vitimada por cercos, proibições e fechamento de igrejas”. Esse relato diz que a Igreja Adventista dessa região já estava fechada havia mais de 20 anos.[56]

Relatório da Human Rights Watch relatava em 1999 que, “embora Cuba permita maiores oportunidades de expressão religiosa do que nos anos anteriores […], o governo ainda mantém um controle rígido sobre as instituições religiosas, grupos afiliados e crentes individuais”.[57]

Relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA) de 2000 ainda menciona a questão da falta de liberdade religiosa em Cuba.[58] Eventos religiosos públicos acontecem, mas são vigiados. Um quarteto adventista espanhol (Los Heraldos del Rey) foi proibido de se apresentar em Cuba em 1998.[59] Outro relatório também menciona a proibição da apresentação do quarteto adventista Los Heraldos Negros,em 2000.[60] Relatório publicado pela Agência de Refugiados da ONU menciona essas situações envolvendo adventistas.[61]

Conclusão

A revolução começou como esperança para muitos adventistas, mas logo se tornou em pesadelo. Por causa da ajuda que recebeu de Argelio Rosabal, Che Guevara tinha gratidão aos adventistas, mas a revolução cubana não. E, apesar de Che Guevara ter conseguido uma exceção temporária à convocação militar de jovens adventistas, os adventistas foram enviados para os campos de concentração como os demais religiosos. A afirmação de que adventistas receberam melhor tratamento que os demais ou que não eram alvo de abusos nos campos de concentração por terem ajudado Che Guevara simplesmente não é sustentada pelas evidências, pelos registros, testemunhos e relatórios.

É lamentável que alguns adventistas prefiram acreditar na propaganda do partido em lugar dos inúmeros testemunhos de sobreviventes, familiares, relatórios de observadores internacionais e pesquisadores. Há uma enorme comunidade de adventistas cubanos na Flórida (EUA); essas pessoas existem, possuem relatos de primeira mão, e são nossos irmãos de fé. Um estudo mostra como as igrejas ajudaram no êxodo cubano, e o impacto que a comunidade de exilados e refugiados cubanos (adventistas, inclusive) exerceu na Flórida.[62] Não é difícil obter testemunhos de primeira mão sobre a verdadeira história da liberdade religiosa durante o governo revolucionário em Cuba.

O embargo econômico imposto pelos Estados Unidos não justifica a falta de liberdade religiosa e a perseguição. O argumento “mas a igreja cresceu nesse período” não significa que o regime foi bom. A igreja cristã cresceu na União Soviética, na Albânia, na China, e até sob o Império Romano! O argumento do crescimento é irrelevante para discutir liberdade religiosa.

Finalmente, é preciso agradecer a Deus, pois, apesar das dificuldades, a IASD cubana é vibrante e atuante. Como em toda a história de Sua igreja, Deus tem transformado maldição em bênçãos, e o evangelho prospera naquela linda ilha.

(Isaac Malheiros é doutor em Teologia e professor no Instituto Adventista Paranaense)

Referências:

[1] VALDÉS, Israel Gonzalez. La Iglesia Adventista Del Séptimo Dia en Cuba a Partir del Triunfo de la Revolución. Monografia. Berrien Springs: Andrews University, 1976. p. 19. Disponível em: https://bit.ly/3wRkKh1 Acesso em 23 jul. 2020

[2] VALDÉS, 1976, p. 24.

[3] CHE GUEVARA, Ernesto. Pasajes de la Guerra Revolucionaria.New York: Ocean Sur, 2006. p. 126 (Capítulo “A la deriva”).

[4] VALDÉS, 1976, p. 9.

[5] Che Guevara cita positivamente os adventistas algumas vezes em seus livros de memórias, por ex., GUEVARA, Che p. 89.

[6] KING, Jeff. The Untold Story of Revival in Cuba. Persecution. 15 jul. 2020. Disponível em: https://bit.ly/36V1UL3

[7] MASSÓN, Caridad. La Revolución Cubana em la vida de pastores y creyentes evangélicos. La Habana: Ediciones La Memoria, 2006. p. 14-15.

[8] FLOR, Mamela Fiallo. Cuba: profanan tumba del Pastor que rescató a combatientes del Granma. PanAm Post. 23 maio 2018. Disponível em: https://bit.ly/3hW1Dy9

[9] CUBANET. El régimen cubano expropia a una familia con dos menores de edad. 29 jun. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3y4IBv7

[10] FLOR, 2018.

[11] DIARIO DE CUBA. Detenido un ‘exitoso’ cuentapropista en Pilón. 24 nov. 2017. Disponível em: https://bit.ly/3hQ3PHl

[12] CANINO, Agustín López. Onésimo. Cuba Democracia y Vida. 22 jun. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3iovEFO

[13] Ver o depoimento de Onésimo Rosabal, disponível em: https://bit.ly/36OAff4

[14] Disponível em: https://bit.ly/3zdKW6T

[15] Human Rights Council: Working Group on Arbitrary Detention. Opinion No. 48/2018 regarding Omar Rosabal Sotomayor (Cuba). Disponível em: https://bit.ly/3zdKW6T

[16] SOTOMAYOR, Argelio Rosabal. Facebook. 18 Mar. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3zkqzoS

[17] MASSÓN, 2006, p. 51.

[18] Constitución Política de 1976. Disponível em: https://bit.ly/3kwMV28 (ênfase acrescentada)

[19] Código Penal 1978. Disponível em: https://bit.ly/3ikAeVe (ênfase acrescentada)

[20] ROSADO, Caleb. Sect and Party: Religion Under Revolution in Cuba. Tese (doutorado). Evanston: Northwestern University, 1985. p. iii-iv.

[21] LUIS, William. Culture and Customs of Cuba. Westport: Greenwood, 2001. p. 25.

[22] VALDÉS, 1976, p. 18.

[23] DEPARTMENTE OF STATE. Country Reports on Human Rights. Volume 993. Washington: U.S. Government, 1994. p. 412-413.

[24] ALBA SILOT, John. Cuba: Iglesia y Revolución, la deconstrucción de un mito. Dissertação (mestrado). Bernal: Universidad Nacional de Quilmes, 2015. p. 50-51. Disponível em: https://bit.ly/3wQrk7n

[25] VALDÉS, 1976, p. 39.

[26] LAND, Gary. Historical Dictionary of the Seventh-Day Adventists. Lanham: Rowman & Littlefield, 2015. p. 85.

[27] ALBA SILOT, 2015, p. 55.

[28] VALDÉS, 1976, p. 24-33.

[29] ROCA CALDERÍO, Blas. La Lucha Ideológica contra las Sectas Religiosas, Cuba Socialista, ano 3, n. 22, jun. 1963, p. 28-41.

[30] ALBA SILOT, 2015, p. 56.

[31] ROCA CALDERÍO, 1963, p. 28.

[32] ROCA CALDERÍO, 1963, p. 32.

[33] VALDÉS, 1976, p. 50.

[34] VALDÉS, 1976, p. 52.

[35] FIGUEROA, Abel R. Castro. Quo Vadis, Cuba?: Religión Y Revolución. Bloomington: Palibrio, 2012. Capítulo 4.

[36] RODRIGUES, Amanda A. G. Memórias da repressão do governo revolucionário a grupos religiosos e homossexuais em Cuba: um estudo dos testemunhos de ex-umapianos (1984-2019). Ituiutaba: Universidade Federal de Uberlândia, 2020. p. 62. Disponível em: https://bit.ly/36OKK1Y

[37] UMAP CUBA 1965. El silencio que no entierra a las UMAP. s.d. Disponível em: https://bit.ly/3BvuAZs

[38] FIGUEROA, 2012, p. 169.

[39] UMAP CUBA 1965, El silencio que no entierra a las UMAP.

[40] UMAP CUBA 1965. Manuel Molina – Pastor Adventista. s.d. Disponível em: https://bit.ly/36RtFEg

[41] UMAP CUBA 1965. Orlando Colás – Pastor Bautista. s.d. Disponível em: https://bit.ly/36Ru2Pa

[42] TAHBAZ, Joseph. Demystifying las UMAP: The Politics of Sugar, Gender, and Religion in 1960s Cuba, Delaware Review of Latin American Studies, v. 14, n. 2, 2013. Disponível em: https://bit.ly/3wTafJK

[43] Por exemplo, Tahbaz cita Blanco, e mesmo assim ignora os relatos de Blanco a respeito dos maus-tratos que incluíam adventistas entre as vítimas. Ver BLANCO, José Caballero. Uma Muerte A Plazos. Yelm: D’Har, 2008 [kindle]. p. 38, 46, 49, 52, 89.

[44] VALDÉS, 1976, p. 52.

[45] TAHBAZ, 2013.

[46] SAADE, Carmen Lira. Soy el responsable de la persecución a homosexuales que hubo en Cuba: Fidel Castro. Periódico La Jornada, 31 ago. 2010, p. 26. Disponível em: https://bit.ly/3kBTOPz Para Tahbaz (2013), “homens gays certamente sofreram tratamento horrível nos campos”.

[47] Celebrando la Vida del Pr. Charles Vento. Disponível em: https://youtu.be/LgKnSIlpmNk?t=2620

[48] Por exemplo, ROS, Enrique. La UMAP: el Gulag castrista. Ediciones Universal, 2004. p. 62-64, 219; SÁNCHEZ-BOUDY, José. La Cuba eterna: la fuerza de las ideas del exilio histórico. Ediciones Universal, 2009. p. 42.

[49] CORTÉS, José H. Prisioneiro em Cuba: a história de um jovem que não perdeu a esperança. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2020.

[50] A história está registrada em ALEXANDER, Humberto Noble. Moriré Libre. Voice Media, 2015. A IASD fez uma matéria na época da libertação de Alexander, JOHNSON, Stephanie D. Standing firm in a raging storm: an account of 22 years in a Cuban prison, North Regional Voice, v. 8, n. 9, nov. 1986. p. 2-4. Disponível em: https://bit.ly/2TmxgqS

[51] MASSÓN, 2006, p. 51. Em espanhol: “más fustigadas”.

[52] BRIGGS, Kenneth A. Communist-Christian conflict in Cuba seems to ease. The New York Times. 19 abr. 1981. Disponível em: https://nyti.ms/3hRDpVw

[53] INTER-AMERICAN COMMISSION ON HUMAN RIGHTS. La situación de los derechos humanos en Cuba: septimo informe. General Secretariat, Organization of American States, 1983. p. 84.

[54] PUEBLA INSTITUTE. Cuba: Castro’s War on Religion. s.l.: Puebla Institute, 1991. p. 16.

[55] PUEBLA INSTITUTE, 1991, p. 16.

[56] CUBANET. Un mito que con el Papa se ha hecho leyenda. 18 maio 1998. Disponível em: https://bit.ly/3zdee5E

[57] HUMAN RIGHTS WATCH. Cuba’s Repressive Machinery: Human Rights Forty Years After the Revolution. 1999. Capítulo 1. Disponível em: https://bit.ly/2W68IUl

[58] INTER-AMERICAN COMMISSION ON HUMAN RIGHTS. Annual Report 2000. Capítulo IV. Disponível em: https://bit.ly/36LBueO

[59] CUBANET. Limitan la actuación de un cuarteto. 29 dez. 1998. Disponível em: https://bit.ly/3zigacW

[60] CUBANET. Permitirán oficios religiosos públicos. 3 out. 2000. Disponível em: https://bit.ly/2UVVzfY

[61] REFWORLD. Cuba: Situation of Seventh Day Adventists (update to CUB22465.E of 16 February 1996). Disponível em: https://bit.ly/3wVxDq1

[62] JORGE, Antonio; SUCHLICKI, Jaime; VARONA, Adolfo Leyva de. Cuban Exiles in Florida: Their Presence and Contributions. Miami: University of Miami, 1991. p. 111-145.