Estaria o nome de Jesus relacionado ao porco?

Uma hipótese falaciosa afirma que o nome de Jesus é uma fabricação posterior para ridicularizá-Lo.

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Com o avanço da (des)informação através da internet as pessoas têm acreditado em praticamente qualquer coisa que leem em suas telas, por mais absurda que seja – especialmente quando se trata de teorias de conspiração. Frequentemente, pessoas mal-intencionadas inventam essas coisas para que pessoas bem-intencionadas as divulguem. Sempre foi assim. Por isso Deus já advertia no tempo de Moisés: “Não espalharás notícias falsas” (Êx 23:1).

Uma dessas desinformações falaciosas afirma que o nome de Jesus é uma fabricação posterior para ridicularizá-Lo ao associá-Lo ao porco e ao cavalo. Dizem que o nome original deveria ser conforme o hebraico Yehoshua e que “Jesus” seria a junção intencional de duas palavras: “Je”, que em grego teria o significado de “terra”; e “sus”, que em latim significa “porco”, e, em hebraico, “cavalo”; tal junção resultaria em algo como “o porco da terra” ou “o cavalo da terra”.

Essa ideia é completamente absurda! Não é porque há coincidência entre a sílaba de um idioma e uma palavra de outro que exista também uma relação de significados. Essa ideia é tão insana como dizer que o nome Manoel tem intencionalmente um significado obscuro: “man”, que significa “homem” em inglês; “o”, que é um artigo definido masculino em português; e “el”, que significa Deus em hebraico. Daí, Manoel supostamente significaria “Homem, o Deus”, o que revelaria uma afronta ao Deus do Céu. Sim, esse é o resultado de uma criatividade ilógica e até “maluca”. Equivale a dizer que o nome Elmar necessariamente seja uma alusão intencional ao mar, pois é esse o significado em espanhol (el mar). Ou ainda que o nome Mauro esteja ligado semanticamente ao adjetivo “mau”, pois “faz parte” do nome. Isso para não falar do nome russo Sergei (lê-se “Serguei”), que na língua original não tem nada a ver com o que parece soar em nosso idioma e talvez em outros. Da mesma forma, o nome de Jesus não tem nenhuma ligação com o significado de sus em hebraico (“cavalo”), nem em latim (“porco”).

Essa teoria de conspiração também usa o seguinte argumento: como a letra “J” só foi criada no século 16, o nome Jesus não poderia existir, pois Ele viveu mais de 1.500 anos antes disso. Como em toda boa mentira, sempre se faz uso de alguma verdade para dar credibilidade ao erro. Nesse caso, é fato que a letra “J” só foi inventada em 1524 por um gramático chamado Gian Giorgio Trissino. Mas isso não significa que o som representado por essa letra não existisse antes. De fato, a letra grega inicial usada no nome Iesous é chamada de “iota”, justamente porque seu som é uma variante entre os sons de “i” e “j”. O que Trissino fez foi criar uma forma gráfica para representar especificamente o som (ou fonema) mais propenso para “j” do que para “i”. É como o caso da letra hispana “ñ”: ela foi “criada” no século 13, mas seu som já existia séculos antes, sendo representado por “nn” ou “gn” (que em nossa língua representamos por “nh”).

O nome Jesus veio do latim Iesus, que veio do grego Iesous, que, por sua vez, é uma adaptação do hebraico Yeshua. No hebraico, as palavras que em nossa língua começam com “j” geralmente são iniciadas com a letra “yod”, que equivale ao nosso “y”. Nos textos em grego essa letra era representada pela sua equivalente chamada “iota”: Ierousalém, Ioudaia, Ionas, etc. Dizer que o nome Jesus é uma profanação de Cristo só porque não existia a letra “J” é tão sem sentido quanto dizer que os nomes Jerusalém, Judá, Jonas e todas as palavras que contêm “J” na Bíblia estão profanadas!

O nome hebraico Yeshua é a abreviação de Yehoshua, o qual traduzimos em português como “Josué”. Esse era um nome comum no Antigo Testamento, como se pode ver em 1 Samuel 6:14 e 2 Reis 23:8. Seu significado é “Yahu resgata/salva” (sendo que Yahu é uma das formas do nome de Deus). Com o passar do tempo, por questões linguísticas naturais, o prefixo Yeho foi encurtado para Ye. O próprio Josué (Yehoshua) é mencionado em Neemias 8:17 com a forma encurtada de seu nome (Yeshua).

Aparentemente, esse nome abreviado se tornou mais popular, pois há vários outros “Josués” mencionados no Antigo Testamento no formato Yeshua (ex.: 1Cr 24:11; 2Cr 31:15; Ed 2:2, 6, 36, 40; Ne 3:19; 7:7, 11, 39, 43; 12:24, 26). Esse também era muito provavelmente o nome de Jesus – Yeshua –, que em grego era registrado como Iesous. Por isso em Mateus 1:21 o anjo interpreta o nome do Menino com o mesmo significado de Josué: “Deus salvará o Seu povo”. Na Septuaginta (LXX), famosa versão grega do Antigo Testamento – produzida cerca de 200 anos antes de Cristo –, o nome hebraico de Josué é sempre traduzido como Iesous. Assim, como o nome grego Iesous é totalmente equivalente ao nome hebraico de Josué, a versão bíblica King James substitui o nome Josué por Jesus em Atos 7:45 e Hebreus 4:8.

Portanto, o nome de Jesus era muito comum em Sua época, tanto na forma hebraica Yeshua quanto na forma grega Iesous. Um exemplo disso é o homem chamado “Jesus, conhecido como o Justo”, referido em Colossenses 4:11 como um dos fiéis amigos de Paulo. Conforme alguns manuscritos antigos de Mateus 27:16, 17, é possível que o primeiro nome de Barrabás fosse Jesus (mas isso é conteúdo para outro estudo).

Como se pode notar, o nome Iesous não foi inventado para profanar Cristo, pois esse nome já existia séculos antes da era cristã como a forma grega de Josué (Yeshua). Geralmente, quem inventa (e quem espalha) uma teoria de conspiração como essa não entende nada das línguas originais que dissimuladamente usa para enganar. Por exemplo, ao dizerem que a sílaba Je significa “terra”, em grego, demonstram ignorar por completo que a palavra grega para “terra” é ge, a qual se lê como “gue” e não como “je”.

Alguém pode ainda perguntar por que os nomes mudam tanto de um idioma para outro, e se não deveríamos usar apenas o nome “original” de Jesus, Yeshua, ou até mesmo sua versão não abreviada (Yehoshua). Mas o fato é que não conseguiríamos pronunciar corretamente o nome. Como será que se pronuncia esse “Y” inicial (que é uma transliteração da letra hebraica “yod”)? Seria como um “Y”, como um “I” ou como um “J”? Ou seria como um meio-termo entre essas letras? A letra “e” seria pronunciada como um “ê” ou como um “é”? E o “u” seria como o “ü” de Müller, como o “u” francês ou o português? E ainda: Seria como o som hebraico atual ou o antigo?

Há fonemas que são muito naturais em uma língua, mas muito difíceis de reproduzir em outra. Para uma pessoa hispana, por exemplo – que não usa o fonema “ó” –, é muito difícil perceber a diferença entre os sons de “vovô” e “vovó” e reproduzi-los corretamente (faça um teste com um amigo hispano). O mesmo acontece com outras línguas. Uma vez perguntei a um amigo texano qual era a diferença de pronúncia entre as palavras year (ano) e ear (orelha). Ele pronunciou essas duas palavras como se a diferença fosse muito óbvia, mas para mim soavam exatamente iguais. Então eu percebi, depois de muita ênfase dada por ele, que o “y” deles soa de modo quase imperceptível para nós, como um tipo de “j” muito discreto e quase mudo. Assim, a palavra year (que pronunciamos errado como “iear”) soa quase como “jear”, mas com um “j” muito diferente, pronunciado meio com a garganta (gutural) e com a parte de trás do céu da boca. Talvez algo similar deva ser a realidade das letras “yod” em hebraico e “iota” em grego.

Por incrível que seja, há palavras em outras línguas que nós não conseguiríamos reproduzir nem mesmo sob ameaça de morte. Vemos um exemplo disso em um episódio da Bíblia que mostra como uma pequena variação de dialeto entre as tribos de Israel fez com que milhares de pessoas morressem por não conseguirem reproduzir corretamente uma palavra (Jz 12:6). Muitas pessoas morreriam se suas vidas dependessem de pronunciar corretamente palavras inglesas como world, girl, Connecticut, three, entre outras. Ainda bem que com Deus não é assim que funciona, como querem os conspiracionistas com suas teorias!

São questões linguísticas como essas que fazem com que um apóstolo seja chamado de Ioannes na língua em que ele mesmo escreveu (grego), e ainda de Iohan, Johanes, John ou João em outras línguas. Da mesma forma, Iácobos se tornou Jacob em inglês e Tiago em português. É difícil entender essas transformações que às vezes ficam tão diferentes, mas elas acontecem de modo natural, pois a pronúncia é inevitavelmente modificada em outras línguas e acaba se adaptando. Da mesma forma, há vários nomes de estrangeiros muito difíceis de serem reproduzidos corretamente em nosso idioma. Pense no nome americano masculino Earl em solo brasileiro! Imagine as várias tentativas dos amigos para reproduzirem esse nome: “Er”; “Ere”; “Eare”; “Erul”! O tal do Earl teria que reconhecer que seu nome é muito difícil para os falantes daquela língua e aceitaria suas tentativas.

Da mesma forma o Senhor Jesus certamente aceita o modo como O chamamos com reverência em nossa própria língua (Is 65:1). Por isso não é preciso dizer Yeshua, HaMashiah (“Jesus o Messias”) para se referir a Ele, nem HaShem (“O Nome”) para falar sobre o Pai. Não existe outro “Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó”; não há outro que possa ser chamado de “Aquele que fez o Céu, a Terra, o mar e as fontes das águas” (Ap 14:7). Ele sabe que nos referimos unicamente a Ele quando Lhe chamamos em nosso idioma de “Senhor”, de Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz (Is 9:6). Nesse sentido, em todas as diferentes línguas, dialetos e sotaques, “nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4:12).

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Domesticaram Jesus Cristo

“Em Jesus, Deus nos mostrou um rosto, e posso ver diretamente nesse rosto como Deus Se sente acerca das pessoas.”

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Em seu livro O Jesus que Eu Nunca Conheci (Vida), o jornalista e escritor cristão Philip Yancey defende a tese de que o cristianismo acabou “domesticando Jesus”, e justifica com as seguintes palavras: “Ele falou pouco sobre a ocupação romana, o assunto principal das conversas de Seus conterrâneos, mas pegou um chicote para expulsar do templo judeu os pequenos aproveitadores. Insistia na obediência à lei de Moisés, enquanto adquiria a reputação de transgressor da lei. Poderia ser tomado de simpatia por um estrangeiro, mas afastou o melhor amigo com a dura repreensão: ‘Para trás de Mim, Satanás!’ Tinha opiniões inflexíveis sobre os homens ricos e as mulheres de vida fácil, mas ambos os tipos desfrutavam de Sua companhia.”

Yancey diz mais: “De alguma forma criamos uma comunidade respeitável na igreja… Os miseráveis, que se reuniam ao redor de Jesus quando Ele vivia na Terra, já não se sentem bem-vindos. Como Jesus, que era a única pessoa perfeita na história, conseguia atrair os sabidamente imperfeitos? E o que nos impede de seguir Seus passos hoje?”

Jesus nunca deixou de ser uma figura surpreendente, a começar pelo Seu nascimento. Nas palavras do poeta John Done, a encarnação do Filho de Deus fica assim: “A imensidão enclausurada em teu [de Maria] amado ventre.” Segundo Yancey, “em Jesus, Deus encontrou um meio de Se relacionar com os seres humanos que não passava pelo medo”. E aqueles que descobrem esse Jesus firme, mas amoroso; severo e misericordioso, podem dizer como Dostoievski: “Se alguém me provasse que Cristo não estava na verdade… então eu preferiria permanecer com Cristo a permanecer com a verdade.”

Usando os recursos do jornalismo, Yancey investiga Jesus e o cenário social, político e geográfico que O envolveu aqui na Terra. Em linguagem agradável, ele brinda o leitor com detalhes que surpreendem até mesmo aqueles que já leram a Bíblia dezenas de vezes. E o Jesus apresentado pelo autor é o Deus-homem que ainda quer interagir com o ser humano, deixando claro que Ele Se importa com nossas lutas. “Quando Jesus enfrentou o sofrimento, reagiu como eu. Ele não orou no jardim: ‘Ah, Senhor, sinto-Me tão grato por Me teres escolhido para sofrer por Ti. Regozijo-Me nesse privilégio!’ Não, Ele experimentou tristeza, medo, abandono e algo parecido até mesmo com o desespero. Contudo, Ele suportou porque sabia que no centro do Universo vivia Seu Pai, um Deus de amor no qual Ele podia confiar, apesar de como as coisas parecessem na ocasião.”

Assim, ao concluir seus estudos sobre Jesus, Yancey afirma que uma pergunta já não mais o atormenta como antes; uma pergunta que, segundo ele, nos espreita na maior parte dos problemas com Deus: “‘Deus Se importa?’ Sei de apenas um jeito de responder a essa pergunta, e essa resposta veio no meu estudo acerca da vida de Jesus. Em Jesus, Deus nos mostrou um rosto, e posso ver diretamente nesse rosto como Deus Se sente acerca das pessoas.”

Na contracapa do livro, Lewis B. Smedes, do Fuller Theological Seminary, afirma que o trabalho de Yancey é o melhor que ele já leu sobre Jesus, e amplia: “Talvez o melhor livro do século sobre Jesus.” O livro é bom, de fato. Mas acho que Lewis nunca leu O Desejado de Todas as Nações, de Ellen G. White. Esse já me levou às lágrimas.

Michelson Borges

Jesus, o maior presente | mensagem de Natal

Perguntas interativas da Lição: Jesus como Mestre dos mestres

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Muitos livros publicados ao redor do mundo retratam Jesus como “modelo” em áreas tão diversas como liderança, educação, vendas e até “coaching”. Porém, muito mais do que um modelo em qualquer área específica, Jesus deve ser o Mestre de nossa vida. E essa realidade deve ser a base da educação cristã. Esse foi o assunto da Lição da Escola Sabatina desta semana.

Perguntas interativas para discussão em grupo:

Além de ser o nosso Salvador e Senhor, em que sentido Jesus deve ser também nosso Mestre? O que devemos aprender dEle e praticar? (Ver Mt 4:19; 9:35; 11:1, 29.)

Leia Efésios 5:1. Em sua opinião, qual é a essência desse versículo? Como nosso Mestre, de que maneira Jesus nos ensina a ser “imitadores de Deus, como filhos amados”?

Leia João 14:8, 9 e 2 Coríntios 4:6. O que significa dizer que “Jesus veio revelar o caráter do Pai”? E por que isso era necessário?

Sendo Jesus o nosso Mestre, que lições aprendemos de Seu exemplo ao lermos Filipenses 2:5-8? Como isso se aplica na vida prática do dia a dia?

Contraste a passagem acima (de Filipenses) com Tiago 4:6 e 1 Pedro 5:5. Por que um “cristão orgulhoso” é uma contradição ambulante? Como se pode vencer esse mal? (Ver Mt 11:29; 1Pe 5:6.)

Leia 2 Coríntios 5:18-20. O que aprendemos do mestre Jesus sobre “reconciliação”? O que significa o fato de que Ele também “nos deu o ministério da reconciliação” (v. 18) e “nos confiou a palavra da reconciliação” (v. 19)? Nesse sentido, de que forma nos tornamos “embaixadores de Cristo” (v. 20) ao mundo?

Leia João 17:18. Qual é a missão pela qual somos enviados? Como podemos representar devidamente o caráter de Quem nos envia?

Veja este trecho do início da lição de sexta-feira: “Todo verdadeiro trabalho educativo centraliza-se no Mestre enviado por Deus.” O que isso nos diz sobre o propósito da educação adventista, tanto na esfera familiar quanto na acadêmica?

Quais valores e ações são importantes para os professores e alunos que levam a sério a ideia de que Jesus foi e é nosso grande Mestre?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Clique aqui e assista à recapitulação do assunto em vídeo.

Jesus e nada mais

Em outubro de 2020, assisti ao documentário em série “The Family”, à época disponibilizado pela Netflix. A produção trata de uma misteriosa instituição sediada nos Estados Unidos da América que, às sombras, opera uma ampla rede de poder político religioso internacional. A única ação pública da instituição parece ser o tradicional “Café da Manhã de Oração”, que na realidade é um congresso anual de três dias realizado no centro do poder norte-americano, Washington. O prestígio do evento, aliado à discrição da organização em não se identificar como provedora, o fez ter status de oficial. Todos os presidentes dos EUA há cinco décadas dele participam, ladeados por políticos e empresários ilustres. Os tentáculos d’”A Família”, aliás se estendem a lideranças de 200 países.

O material é fartamente documentado e aponta para teorias de conspiração factíveis, desmistificadas por alguns dos entrevistados. Entretanto, apesar de a trama ser pintada a cores fortes, há muita forçação de barra, especialmente no que diz respeito aos apontamentos sobre a intervenção da instituição na política interna de nações. Organizações missionárias e humanitárias internacionais, se fossem devassadas por pessoas com mentalidade secularizada, poderiam ser retratadas de forma terrível, uma vez que existem com o propósito de pregar o Evangelho a toda criatura. Qualquer denominação internacional, vista com má vontade, poderia parecer uma teia de arranjos pelo poder. O problema apontado na série parte de lentes seculares e, portanto, suspeitas. O autor não diria o mesmo de ONGs ambientais ou de direitos humanos com representações internacionais para a defesa de suas respectivas agendas.

Para além das questões de liberdade e organização religiosa mal apresentadas no documentário, me chamou atenção a crítica de Jeff Sharlet, autor do livro que baseou o documentário a postura da organização frente aos líderes de ditaduras sanguinárias, como o genocida Muamar Kadafi, presidente que governou a Líbia de 1969 a 2011. Outros ditadores e déspotas também foram visitados. Nas reuniões aconteciam orações, seguindo o objetivo da instituição, que era falar aos poderosos sobre “Jesus e nada mais”. Concordo com Sharlet quando ele afirma que não há como falar de Jesus de maneira meramente fraterna com líderes como esses sem apresentar as implicações éticas do evangelho, ou seja, sobre os ensinos de Jesus a respeito desses atos.

“Jesus e mais nada” se confunde facilmente com o lema do protestantismo, “Solo Cristus”. Mas esse segundo, diferente da frase da superficialidade d’A Família, não representa um minimalismo temático ou doutrinário. Ao invés disso, “Jesus e mais nada” tem a ver com o único nome pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4:12). “Jesus e mais nada” tem a ver com a devoção, que deve ser unicamente dirigida. “Jesus somente” não é uma nota isolada, mas uma sinfonia.

Sharlet, não cristão, se indignou com o fato de Jesus ter sido apresentado sem nenhuma denuncia, reprovação ou apelo à mudança. E ele está coberto de razão. Mas esse não é um erro exclusivo dos que oravam com poderosos sanguinários.

Muita gente gosta de pensar em Jesus apenas como um cara legal que trata com criminosos e marginalizados como qualquer outra pessoa. Mas e quanto aos criminosos que fogem ao padrão tolerado comumente, como terroristas? Para eles também apresentaremos um Jesus que não exige arrependimento? O fato é que a imagem inconsistente de Jesus apresentada mostra o nosso desprezo pelo Evangelho, que vai sendo adaptado ao gosto de quem ouve ou apresenta. Mas o Jesus inconsistente que a cultura e, por vezes, a igreja gostam de apresentar nunca é levado às últimas consequências.

Púlpitos em toda parte evocam Jesus sem mostrar o que ele requer de nós. Pregadores apresentam Cristo como um amuleto a ser usado em momentos de dificuldade. Pessoas dizem ter aceitado a Cristo, mas não dão evidências de discipulado, vida transformada, arrependimento de seus pecados. Em certo sentido, a pregação que ouviram tem similaridade com aquela recebida pelos ditadores. Emocionaram-se, ganharam amigos, e frequentam reuniões, mas não foram desafiados para a mudança. “Jesus e mais nada” precisa ter seu significado histórico resgatado urgentemente: Jesus e mais nada pode nos salvar. Mais uma vez, os custos e encargos de ser um discípulo, o fardo suave quando comparado ao pecado, precisam ser postos à mesa antes que muitos possam, euforicamente, “aceitar Jesus”.

Que a nossa pregação não sonegue o ensinar “todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mateus 28), processo obrigatório na ordem do Mestre de fazer discípulos, afinal, falar de Jesus sem dizer sobre os motivos que nos levam a depender dEle e o que Ele deseja fazer em nós é o mesmo que nada.

Ele é perdoador, mas também será juiz. Evangelizar implica falar sobre transformação e obediência. É enganoso querer tornar palatável a mensagem e Jesus. Isso seria colocar em risco a missão de apresentar o Evangelho a todos.

(Davi Boechat é jornalista e estudante de Direito)

Um tiro na Bíblia, em Ellen White e em Andreasen ao mesmo tempo!

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Moisés entrou no Lugar Santíssimo como parte do ritual de inauguração (Êx 26:33, 34; 40:9; Lv 8:10-12; Nm 7:1, 89; cf. Hb 9:21). A inauguração do santuário celestial também envolveu a unção do Santíssimo (Dn 9:24). Ou seja: o Dia da Expiação não é o único ritual que inclui entrada no Santíssimo. Cristo, por ocasião de Sua ascensão, entrou no santuário celestial para inaugurar seus serviços (o que incluía a entrada no Santíssimo), não para dar início ao ministério do Dia da Expiação. Em palavras simples, Jesus entrou no Santíssimo antes de 1844 para inaugurar Seu sacerdócio, e entrou no Santíssimo em 1844 para efetuar a purificação do santuário celestial (Dia da Expiação).

Ellen White descreve de duas formas a entrada de Jesus no Santíssimo (onde fica o propiciatório), na Inauguração:

“Ainda carregando humanidade, Ele ascendeu ao céu, triunfante e vitorioso. Ele tomou o sangue da expiação, aspergiu sobre o propiciatório e sobre suas próprias vestes e abençoou o povo. Em breve Ele aparecerá pela segunda vez para declarar que não há mais sacrifício pelo pecado” (RH, 13/11/1913).

“Ainda carregando humanidade, Ele ascendeu ao céu, triunfante e vitorioso. Ele levou o sangue da expiação ao Santíssimo, aspergiu sobre o propiciatório e Suas próprias vestes e abençoou o povo. Em breve, Ele aparecerá pela segunda vez para declarar que não há mais sacrifício pelo pecado” (ST, 19/4/1905)

As entradas no Santíssimo têm funções diferentes. Esse é o problema de décadas de ênfase apenas no aspecto “geográfico” de 1844, e não na função. 1844 não tem a ver com “entrou no Santíssimo”, e ponto. Tem a ver com “entrou no Santíssimo para…”, a ênfase deve ser no que Jesus foi fazer ali, a função, o ministério.

Curiosamente, no próprio site do MV você encontra o livro O Ritual do Santuário, de M. L. Andreasen, onde ele diz que a Inauguração incluiu, sim, a unção do Santíssimo:

“Não somente Arão é ungido, mas também o tabernáculo. ‘Então Moisés tomou o azeite da unção, e ungiu o tabernáculo, e ungiu o altar e todos os seus vasos, como também a pia e a sua base, para santifica-los’ (Lv 8:10, 11). Essa unção incluía toda a mobília, tanto do santo como do santíssimo (Êx 30:26-29)” (p. 57).

Andreasen continua: “Quando, no primeiro dia da semana, Cristo ressuscitou, necessário Lhe era subir ao Pai para ouvir as palavras da divina aceitação do sacrifício. Na cruz, Sua alma estava em trevas. O Pai, dEle ocultara o rosto. Em desespero e angústia, Cristo exclamara: ‘Deus Meu, por que Me desamparaste’? (Mt 27:46)” (p. 148).

“Agora, tivera lugar a ressurreição. A primeira coisa que Cristo tinha a fazer, era aparecer na presença do Pai e ouvir-Lhe as bem-aventuradas palavras de que Sua morte não fora em vão, mas aceito estava amplamente o sacrifício. Cumpria-Lhe, assim, ascender ao céu e, em presença do universo, ouvir do próprio Pai palavras de certeza; então, devia volver à Terra aos que ainda Lhe pranteavam a morte, ignorando Sua ressurreição, e a eles mostrar-Se abertamente. Assim o fez” (p. 149).

Na versão inglesa do livro ainda há um trecho onde Andreasen (1947) descreve a cerimônia de inauguração, citando Ellen White:

“Será lembrado que na inauguração de Arão como sumo sacerdote ‘tomou Moisés também do azeite da unção, e do sangue que estava sobre o altar, e o espargiu sobre Arão e sobre as suas vestes, e sobre os seus filhos, e sobre as vestes de seus filhos com ele; e santificou a Arão e as suas vestes, e seus filhos, e as vestes de seus filhos com ele’ (Lv 8:30). A este respeito, pondere a seguinte declaração: ‘Ainda carregando humanidade, Ele ascendeu ao céu, triunfante e vitorioso. Ele levou o sangue da expiação ao santíssimo, aspergiu sobre o propiciatório e Suas próprias vestes e abençoou o povo. Em breve, Ele aparecerá pela segunda vez para declarar que não há mais sacrifício pelo pecado’ (Ellen G. White, Signs of the Times, 19 de abril de 1905).

“Assim como as vestes de Arão foram aspergidas por ocasião da dedicação do santuário, Cristo aspergiu Suas próprias vestes e o propiciatório. Ele dedicou a Si mesmo e o santuário à obra da redenção. Ele havia sido oficialmente instalado no cargo. Ele estava sentado à direita de Deus e investido de todo o poder. Seu sangue foi derramado, mas ainda não foi ministrado. Seu primeiro ato oficial como sumo sacerdote foi aspergir o sangue em Suas próprias vestes e na dispersão da misericórdia, dedicando a Si mesmo e ao santuário celestial. Assim como Arão, depois de ser aspergido com sangue, começou sua obra no primeiro compartimento do santuário (Lv 9:23), o mesmo fez Cristo. A partir deste estudo, torna-se claro que na ascensão de Cristo ao céu ocorreu uma inauguração.”

Ou seja, Daniel Silveira está contra a Bíblia, contra Ellen White e contra Andreasen. É um combo.

Sendo mais claro: a inauguração do tabernáculo e da aliança não foi efetuada por Arão, mas por Moisés. Portanto, não é estranho Jesus ser comparado a Moisés na inauguração do santuário celestial. A quem Ele seria comparado, se não a Moisés?

Em Hebreus, Moisés é um tipo de Jesus (3:1-6; 9:15-24). Moisés atuou como rei e como sacerdote, inaugurando a aliança, e inaugurando o santuário. Moisés entrou no Santíssimo como parte dos ritos de inauguração (Ex 26:33; 40:1-9; Lv 8:10-12; Nm 7:1). Em Salmo 99:6, Moisés é colocado “entre os sacerdotes”, ao lado de Arão.

(Pastor Isaac Malheiros é professor no Instituto Adventista Paranaense)

Em Sua ascensão Cristo inaugurou o Santuário?

Ou foi o Pai que Se deslocou ao Lugar Santo?

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A ideia de que em Sua ascensão Cristo inaugurou o Santuário está em Daniel 9:24, onde é dito que no fim das 70 Semanas haveria a unção do “Santo do Santos” (QODESH QODASHIM). Embora a frase seja a mesma usada para designar o Lugar Santíssimo, aqui ela provavelmente significa a unção do Santuário como um todo. Apocalipse 4-5 também corrobora essa ideia, pois a cena ali relatada se refere à entronização de Cristo após Sua ascensão – um evento relacionado com a inauguração do Santuário.

Em Hebreus, algumas passagens que falam do acesso de Cristo ao Santuário podem, na verdade, indicar inauguração. Sendo esse o caso, inauguração ou unção do santuário não pode se restringir ao primeiro compartimento, mas deve envolver o santuário como um todo, e se for consistente com o tipo terrestre, inclui o Lugar Santíssimo.

Não creio que isto afete a doutrina do Santuário, ao contrário do que algumas pessoas ensinam. Essa, creio eu, é a posição da maioria dos estudiosos adventistas hoje que procuram fundamentar a doutrina do Santuário sobre uma base bíblica.

Há alguns, porém, que creem que, ao invés de Cristo adentrar o Lugar Santíssimo por ocasião da Sua ascensão, foi o Pai que veio ao Lugar Santo. Dependendo de como se interpretam alguns textos de Ellen White, até se pode apoiar essa posição. No entanto, não devemos ser dogmáticos. Ambas as posições estão dentro dos parâmetros do adventismo histórico, e aqueles que discordam não deveriam ser rotulados de hereges.

Mais um ponto a considerar: a presença de Cristo no Lugar Santo não exclui a presença dEle à destra do Pai. A funcionalidade e espacialidade do Santuário Celestial é complexa. Precisamos manter o equilíbrio entre as funções de Cristo como sumo sacerdote e rei. Sendo assim, Cristo não pode estar espacialmente restrito no Santuário Celestial. O fato de Ele ministrar no Lugar Santo não Lhe impede acesso ao Lugar Santíssimo e vice-versa.

Uma analogia: uma dona de casa na hora de preparar o almoço tem suas funções concentradas na cozinha. Mas isso não lhe impede acesso aos demais cômodos da casa no momento em que ela quiser. Em outras palavras, Cristo não pode ser aprisionado em um compartimento do Santuário.

(Dr. Elias Brasil é diretor do Biblical Research Institute)

Para aprofundamento, veja o material publicado pelo Dr. Richard Davison:

Davidson, Richard M. “Christ’s Entry ‘within the Veil’ in Hebrews 6:19-20: The Old Testament Background.” Andrews University Seminary Studies 39, no. 2 (2001): 175-90.

Davidson, Richard M. “Inauguration or Day of Atonement? A Response to Norman Young’s ‘Old Testament Background to Hebrews 6:19-20 Revisited’.” Andrews University Seminary Studies 40, no. 1 (2002): 69-88.

Jesus é Deus de eternidade em eternidade

Trindade 06

“Antes de serem criados homens ou anjos, a Palavra [ou Verbo] estava com Deus, e era Deus. O mundo foi feito por Ele, ‘e sem Ele nada do que foi feito se fez’ (João 1:3). Se Cristo fez todas as coisas, existiu Ele antes de todas as coisas. As palavras faladas com respeito a isso são tão positivas que ninguém precisa deixar-se ficar em dúvida. Cristo era, essencialmente e no mais alto sentido, Deus. Estava Ele com Deus desde toda a eternidade, Deus sobre todos, bendito para todo o sempre. O Senhor Jesus Cristo, o divino Filho de Deus, existiu desde a eternidade, como pessoa distinta, mas um com o Pai. Era Ele a excelente glória do Céu. Era o Comandante dos seres celestes, e a homenagem e adoração dos anjos era por Ele recebida como de direito. Isto não era usurpação em relação a Deus” (Ellen White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 247, 248).

Para deixar claro que Jesus, o Deus que existe de eternidade a eternidade (desde sempre, “para a frente” e “para trás”), é eterno e nunca foi criado ou gerado, Ellen White fala em “toda a eternidade”. Ele é Deus no mais alto sentido, portanto não pode ter vindo à existência de alguma forma, porque Deus não nasce, Deus é. Estava com o Pai desde toda a eternidade. Toda é toda. Se você pudesse viajar a qualquer ponto da eternidade, lá estaria Jesus. Se Ele não estivesse, Ellen White seria mentirosa, pois ela disse toda eternidade.

Portanto, qualquer tentativa de mostrar que Cristo não é Deus eterno, que Ele foi gerado e que não existia desde sempre com o Pai é apenas um esforço maligno para distorcer essa verdade tão bela da plena divindade e eternidade de Jesus. Ele é Deus, sempre existiu, sempre foi um com o Pai, sempre esteve com Ele. Ele é o YHWH do Antigo Testamento. Como disse a serva do Senhor falando de Jeová, aquele que aparece no Antigo Testamento: “Jeová é o nome dado a Cristo” (Signs of the Times, 3/5/1899).

Adventista antitrinitariano é um negacionista da Bíblia e do Espírito de Profecia. Está na contramão do que a Igreja Adventista ensinou desde sua origem (confira aqui). A verdade é que o diabo sempre quis rebaixar Jesus à categoria de anjo ou até menos do que isso. E interessa muito a Satanás, também, negar a existência dAquele que pode nos conduzir a toda a verdade e que quer ser nosso Consolador: o Espírito Santo. Não caia nesses enganos nem aceite essas heresias. [MB]

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A quem Estêvão entregou o espírito/fôlego?

Trindade 05

Salomão é claro em dizer que, na morte, o fôlego de vida (ruach) volta para Aquele que o deu: Deus (Elohim, no hebraico). Mas Estêvão, enquanto estava sendo apedrejado, pediu que Jesus recebesse seu espírito/fôlego. Quem está certo, Salomão ou Estêvão? Os dois, pois Jesus é o Deus eterno e todo-poderoso, doador da vida e ressuscitador de mortos.

Adventista antitrinitariano é um negacionista da Bíblia e do Espírito de Profecia. Está na contramão do que a Igreja Adventista ensinou desde sua origem (confira aqui). A verdade é que o diabo sempre quis rebaixar Jesus à categoria de anjo ou até menos do que isso. E interessa muito a Satanás, também, negar a existência dAquele que pode nos conduzir a toda a verdade e que quer ser nosso Consolador: o Espírito Santo. Não caia nesses enganos nem aceite essas heresias. [MB]

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Cristo nunca teve começo nem vida derivada

Trindade 04

“A divindade de Cristo é a certeza de vida eterna para o crente.” Você tem alguma dúvida de quem é o maior interessado em deturpar essa verdade fundamental? Satanás vem há muito tempo espalhando heresias sobre Jesus Cristo, como a de que Ele teria sido gerado, originado ou criado pelo Pai. Isso faria dEle um segundo Deus, violando o monoteísmo bíblico.

Em conformidade com a Bíblia, Ellen White, escritora inspirada pela pessoa do Espírito Santo, afirma nos textos acima que Jesus é essencialmente Deus e que existiu desde a eternidade, ou seja, desde sempre (por isso Ele é chamado de Alfa e Ômega). White também afirma que Jesus não tem vida derivada de outro ser, sendo, portanto, plenamente Deus eterno, tanto quanto o Pai e o Espírito Santo.

Adventista antitrinitariano é um negacionista da Bíblia e do Espírito de Profecia. Está na contramão do que a Igreja Adventista ensinou desde sua origem (confira aqui). A verdade é que o diabo sempre quis rebaixar Jesus à categoria de anjo ou até menos do que isso. E interessa muito a Satanás, também, negar a existência dAquele que pode nos conduzir a toda a verdade e que quer ser nosso Consolador: o Espírito Santo. Não caia nesses enganos nem aceite essas heresias. [MB]

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