Um tiro na Bíblia, em Ellen White e em Andreasen ao mesmo tempo!

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Moisés entrou no Lugar Santíssimo como parte do ritual de inauguração (Êx 26:33, 34; 40:9; Lv 8:10-12; Nm 7:1, 89; cf. Hb 9:21). A inauguração do santuário celestial também envolveu a unção do Santíssimo (Dn 9:24). Ou seja: o Dia da Expiação não é o único ritual que inclui entrada no Santíssimo. Cristo, por ocasião de Sua ascensão, entrou no santuário celestial para inaugurar seus serviços (o que incluía a entrada no Santíssimo), não para dar início ao ministério do Dia da Expiação. Em palavras simples, Jesus entrou no Santíssimo antes de 1844 para inaugurar Seu sacerdócio, e entrou no Santíssimo em 1844 para efetuar a purificação do santuário celestial (Dia da Expiação).

Ellen White descreve de duas formas a entrada de Jesus no Santíssimo (onde fica o propiciatório), na Inauguração:

“Ainda carregando humanidade, Ele ascendeu ao céu, triunfante e vitorioso. Ele tomou o sangue da expiação, aspergiu sobre o propiciatório e sobre suas próprias vestes e abençoou o povo. Em breve Ele aparecerá pela segunda vez para declarar que não há mais sacrifício pelo pecado” (RH, 13/11/1913).

“Ainda carregando humanidade, Ele ascendeu ao céu, triunfante e vitorioso. Ele levou o sangue da expiação ao Santíssimo, aspergiu sobre o propiciatório e Suas próprias vestes e abençoou o povo. Em breve, Ele aparecerá pela segunda vez para declarar que não há mais sacrifício pelo pecado” (ST, 19/4/1905)

As entradas no Santíssimo têm funções diferentes. Esse é o problema de décadas de ênfase apenas no aspecto “geográfico” de 1844, e não na função. 1844 não tem a ver com “entrou no Santíssimo”, e ponto. Tem a ver com “entrou no Santíssimo para…”, a ênfase deve ser no que Jesus foi fazer ali, a função, o ministério.

Curiosamente, no próprio site do MV você encontra o livro O Ritual do Santuário, de M. L. Andreasen, onde ele diz que a Inauguração incluiu, sim, a unção do Santíssimo:

“Não somente Arão é ungido, mas também o tabernáculo. ‘Então Moisés tomou o azeite da unção, e ungiu o tabernáculo, e ungiu o altar e todos os seus vasos, como também a pia e a sua base, para santifica-los’ (Lv 8:10, 11). Essa unção incluía toda a mobília, tanto do santo como do santíssimo (Êx 30:26-29)” (p. 57).

Andreasen continua: “Quando, no primeiro dia da semana, Cristo ressuscitou, necessário Lhe era subir ao Pai para ouvir as palavras da divina aceitação do sacrifício. Na cruz, Sua alma estava em trevas. O Pai, dEle ocultara o rosto. Em desespero e angústia, Cristo exclamara: ‘Deus Meu, por que Me desamparaste’? (Mt 27:46)” (p. 148).

“Agora, tivera lugar a ressurreição. A primeira coisa que Cristo tinha a fazer, era aparecer na presença do Pai e ouvir-Lhe as bem-aventuradas palavras de que Sua morte não fora em vão, mas aceito estava amplamente o sacrifício. Cumpria-Lhe, assim, ascender ao céu e, em presença do universo, ouvir do próprio Pai palavras de certeza; então, devia volver à Terra aos que ainda Lhe pranteavam a morte, ignorando Sua ressurreição, e a eles mostrar-Se abertamente. Assim o fez” (p. 149).

Na versão inglesa do livro ainda há um trecho onde Andreasen (1947) descreve a cerimônia de inauguração, citando Ellen White:

“Será lembrado que na inauguração de Arão como sumo sacerdote ‘tomou Moisés também do azeite da unção, e do sangue que estava sobre o altar, e o espargiu sobre Arão e sobre as suas vestes, e sobre os seus filhos, e sobre as vestes de seus filhos com ele; e santificou a Arão e as suas vestes, e seus filhos, e as vestes de seus filhos com ele’ (Lv 8:30). A este respeito, pondere a seguinte declaração: ‘Ainda carregando humanidade, Ele ascendeu ao céu, triunfante e vitorioso. Ele levou o sangue da expiação ao santíssimo, aspergiu sobre o propiciatório e Suas próprias vestes e abençoou o povo. Em breve, Ele aparecerá pela segunda vez para declarar que não há mais sacrifício pelo pecado’ (Ellen G. White, Signs of the Times, 19 de abril de 1905).

“Assim como as vestes de Arão foram aspergidas por ocasião da dedicação do santuário, Cristo aspergiu Suas próprias vestes e o propiciatório. Ele dedicou a Si mesmo e o santuário à obra da redenção. Ele havia sido oficialmente instalado no cargo. Ele estava sentado à direita de Deus e investido de todo o poder. Seu sangue foi derramado, mas ainda não foi ministrado. Seu primeiro ato oficial como sumo sacerdote foi aspergir o sangue em Suas próprias vestes e na dispersão da misericórdia, dedicando a Si mesmo e ao santuário celestial. Assim como Arão, depois de ser aspergido com sangue, começou sua obra no primeiro compartimento do santuário (Lv 9:23), o mesmo fez Cristo. A partir deste estudo, torna-se claro que na ascensão de Cristo ao céu ocorreu uma inauguração.”

Ou seja, Daniel Silveira está contra a Bíblia, contra Ellen White e contra Andreasen. É um combo.

Sendo mais claro: a inauguração do tabernáculo e da aliança não foi efetuada por Arão, mas por Moisés. Portanto, não é estranho Jesus ser comparado a Moisés na inauguração do santuário celestial. A quem Ele seria comparado, se não a Moisés?

Em Hebreus, Moisés é um tipo de Jesus (3:1-6; 9:15-24). Moisés atuou como rei e como sacerdote, inaugurando a aliança, e inaugurando o santuário. Moisés entrou no Santíssimo como parte dos ritos de inauguração (Ex 26:33; 40:1-9; Lv 8:10-12; Nm 7:1). Em Salmo 99:6, Moisés é colocado “entre os sacerdotes”, ao lado de Arão.

(Pastor Isaac Malheiros é professor no Instituto Adventista Paranaense)

Em Sua ascensão Cristo inaugurou o Santuário?

Ou foi o Pai que Se deslocou ao Lugar Santo?

santuario

A ideia de que em Sua ascensão Cristo inaugurou o Santuário está em Daniel 9:24, onde é dito que no fim das 70 Semanas haveria a unção do “Santo do Santos” (QODESH QODASHIM). Embora a frase seja a mesma usada para designar o Lugar Santíssimo, aqui ela provavelmente significa a unção do Santuário como um todo. Apocalipse 4-5 também corrobora essa ideia, pois a cena ali relatada se refere à entronização de Cristo após Sua ascensão – um evento relacionado com a inauguração do Santuário.

Em Hebreus, algumas passagens que falam do acesso de Cristo ao Santuário podem, na verdade, indicar inauguração. Sendo esse o caso, inauguração ou unção do santuário não pode se restringir ao primeiro compartimento, mas deve envolver o santuário como um todo, e se for consistente com o tipo terrestre, inclui o Lugar Santíssimo.

Não creio que isto afete a doutrina do Santuário, ao contrário do que algumas pessoas ensinam. Essa, creio eu, é a posição da maioria dos estudiosos adventistas hoje que procuram fundamentar a doutrina do Santuário sobre uma base bíblica.

Há alguns, porém, que creem que, ao invés de Cristo adentrar o Lugar Santíssimo por ocasião da Sua ascensão, foi o Pai que veio ao Lugar Santo. Dependendo de como se interpretam alguns textos de Ellen White, até se pode apoiar essa posição. No entanto, não devemos ser dogmáticos. Ambas as posições estão dentro dos parâmetros do adventismo histórico, e aqueles que discordam não deveriam ser rotulados de hereges.

Mais um ponto a considerar: a presença de Cristo no Lugar Santo não exclui a presença dEle à destra do Pai. A funcionalidade e espacialidade do Santuário Celestial é complexa. Precisamos manter o equilíbrio entre as funções de Cristo como sumo sacerdote e rei. Sendo assim, Cristo não pode estar espacialmente restrito no Santuário Celestial. O fato de Ele ministrar no Lugar Santo não Lhe impede acesso ao Lugar Santíssimo e vice-versa.

Uma analogia: uma dona de casa na hora de preparar o almoço tem suas funções concentradas na cozinha. Mas isso não lhe impede acesso aos demais cômodos da casa no momento em que ela quiser. Em outras palavras, Cristo não pode ser aprisionado em um compartimento do Santuário.

(Dr. Elias Brasil é diretor do Biblical Research Institute)

Para aprofundamento, veja o material publicado pelo Dr. Richard Davison:

Davidson, Richard M. “Christ’s Entry ‘within the Veil’ in Hebrews 6:19-20: The Old Testament Background.” Andrews University Seminary Studies 39, no. 2 (2001): 175-90.

Davidson, Richard M. “Inauguration or Day of Atonement? A Response to Norman Young’s ‘Old Testament Background to Hebrews 6:19-20 Revisited’.” Andrews University Seminary Studies 40, no. 1 (2002): 69-88.

Jesus é Deus de eternidade em eternidade

Trindade 06

“Antes de serem criados homens ou anjos, a Palavra [ou Verbo] estava com Deus, e era Deus. O mundo foi feito por Ele, ‘e sem Ele nada do que foi feito se fez’ (João 1:3). Se Cristo fez todas as coisas, existiu Ele antes de todas as coisas. As palavras faladas com respeito a isso são tão positivas que ninguém precisa deixar-se ficar em dúvida. Cristo era, essencialmente e no mais alto sentido, Deus. Estava Ele com Deus desde toda a eternidade, Deus sobre todos, bendito para todo o sempre. O Senhor Jesus Cristo, o divino Filho de Deus, existiu desde a eternidade, como pessoa distinta, mas um com o Pai. Era Ele a excelente glória do Céu. Era o Comandante dos seres celestes, e a homenagem e adoração dos anjos era por Ele recebida como de direito. Isto não era usurpação em relação a Deus” (Ellen White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 247, 248).

Para deixar claro que Jesus, o Deus que existe de eternidade a eternidade (desde sempre, “para a frente” e “para trás”), é eterno e nunca foi criado ou gerado, Ellen White fala em “toda a eternidade”. Ele é Deus no mais alto sentido, portanto não pode ter vindo à existência de alguma forma, porque Deus não nasce, Deus é. Estava com o Pai desde toda a eternidade. Toda é toda. Se você pudesse viajar a qualquer ponto da eternidade, lá estaria Jesus. Se Ele não estivesse, Ellen White seria mentirosa, pois ela disse toda eternidade.

Portanto, qualquer tentativa de mostrar que Cristo não é Deus eterno, que Ele foi gerado e que não existia desde sempre com o Pai é apenas um esforço maligno para distorcer essa verdade tão bela da plena divindade e eternidade de Jesus. Ele é Deus, sempre existiu, sempre foi um com o Pai, sempre esteve com Ele. Ele é o YHWH do Antigo Testamento. Como disse a serva do Senhor falando de Jeová, aquele que aparece no Antigo Testamento: “Jeová é o nome dado a Cristo” (Signs of the Times, 3/5/1899).

Adventista antitrinitariano é um negacionista da Bíblia e do Espírito de Profecia. Está na contramão do que a Igreja Adventista ensinou desde sua origem (confira aqui). A verdade é que o diabo sempre quis rebaixar Jesus à categoria de anjo ou até menos do que isso. E interessa muito a Satanás, também, negar a existência dAquele que pode nos conduzir a toda a verdade e que quer ser nosso Consolador: o Espírito Santo. Não caia nesses enganos nem aceite essas heresias. [MB]

Saiba mais sobre a Trindade aquiaqui e aqui.

A quem Estêvão entregou o espírito/fôlego?

Trindade 05

Salomão é claro em dizer que, na morte, o fôlego de vida (ruach) volta para Aquele que o deu: Deus (Elohim, no hebraico). Mas Estêvão, enquanto estava sendo apedrejado, pediu que Jesus recebesse seu espírito/fôlego. Quem está certo, Salomão ou Estêvão? Os dois, pois Jesus é o Deus eterno e todo-poderoso, doador da vida e ressuscitador de mortos.

Adventista antitrinitariano é um negacionista da Bíblia e do Espírito de Profecia. Está na contramão do que a Igreja Adventista ensinou desde sua origem (confira aqui). A verdade é que o diabo sempre quis rebaixar Jesus à categoria de anjo ou até menos do que isso. E interessa muito a Satanás, também, negar a existência dAquele que pode nos conduzir a toda a verdade e que quer ser nosso Consolador: o Espírito Santo. Não caia nesses enganos nem aceite essas heresias. [MB]

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Cristo nunca teve começo nem vida derivada

Trindade 04

“A divindade de Cristo é a certeza de vida eterna para o crente.” Você tem alguma dúvida de quem é o maior interessado em deturpar essa verdade fundamental? Satanás vem há muito tempo espalhando heresias sobre Jesus Cristo, como a de que Ele teria sido gerado, originado ou criado pelo Pai. Isso faria dEle um segundo Deus, violando o monoteísmo bíblico.

Em conformidade com a Bíblia, Ellen White, escritora inspirada pela pessoa do Espírito Santo, afirma nos textos acima que Jesus é essencialmente Deus e que existiu desde a eternidade, ou seja, desde sempre (por isso Ele é chamado de Alfa e Ômega). White também afirma que Jesus não tem vida derivada de outro ser, sendo, portanto, plenamente Deus eterno, tanto quanto o Pai e o Espírito Santo.

Adventista antitrinitariano é um negacionista da Bíblia e do Espírito de Profecia. Está na contramão do que a Igreja Adventista ensinou desde sua origem (confira aqui). A verdade é que o diabo sempre quis rebaixar Jesus à categoria de anjo ou até menos do que isso. E interessa muito a Satanás, também, negar a existência dAquele que pode nos conduzir a toda a verdade e que quer ser nosso Consolador: o Espírito Santo. Não caia nesses enganos nem aceite essas heresias. [MB]

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Jesus é o grande Eu Sou, o Deus eterno

Trindade 03

Se cremos que a Bíblia é um todo inspirado, creremos também que Jesus é o Eu Sou, o Alfa e o Ômega, o Deus eterno apresentado em todas as Escrituras. Não crer nisso significa (1) negar as palavras de Jesus em João 8:24, (2) negar a inspiração do autor do Evangelho (João), (3) negar que Antigo e Novo Testamento estão em harmonia, e/ou pior: (4) negar que Jesus é o Deus eterno, o grande Eu Sou, o Pai da eternidade (Isaías 9:6). Se João 8:24 e Deuteronômio 32:39 estão em harmonia e são inspirados pela pessoa do Espírito Santo (e eu creio nisso), a verdade é que Jesus é o Eu Sou e não existe outro Deus além do Pai, do Filho e do Espírito Santo, os três chamados Yahweh na Bíblia. Moisés diz que não existe outro Deus eterno Eu Sou além de Yahweh. Jesus diz que Ele é o Eu Sou. Quem está errado, então? Nenhum dos dois. Errados estão os que negam essa verdade.

Adventista antitrinitariano é um negacionista da Bíblia e do Espírito de Profecia. Está na contramão do que a Igreja Adventista ensinou desde sua origem (confira aqui). A verdade é que o diabo sempre quis rebaixar Jesus à categoria de anjo ou até menos do que isso. E interessa muito a Satanás, também, negar a existência dAquele que pode nos conduzir a toda a verdade e que quer ser nosso Consolador: o Espírito Santo. Não caia nesses enganos nem aceite essas heresias. [MB]

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Jesus proferiu a fórmula batismal trinitariana

Trindade 01

A fórmula batismal trinitariana é uma prova bíblica de que Deus é triúno e de que Pai, Filho e Espírito Santo são iguais em poder, eternidade, amor, etc. Não faria o mínimo sentido colocar o Espírito Santo nessa mesma sentença como tendo, inclusive, o mesmo nome do Pai e do Filho. Se quiser saber mais detalhes sobre a veracidade desse texto bíblico, clique aqui e aqui.

Agora, para aqueles que creem que Ellen White foi uma autora inspirada por Deus, negar a realidade da Trindade e da divindade e personalidade do Espírito Santo, é negar o que a autora diz de forma categórica nesse texto e em outros.

Adventista antitrinitariano é um negacionista da Bíblia e do Espírito de Profecia. Está na contramão do que a Igreja Adventista ensinou desde sua origem (confira aqui). A verdade é que o diabo sempre quis rebaixar Jesus à categoria de anjo ou até menos do que isso. E interessa muito a Satanás, também, negar a existência dAquele que pode nos conduzir a toda a verdade e que quer ser nosso Consolador: o Espírito Santo. Não caia nesses enganos nem aceite essas heresias. [MB]

Saiba mais sobre a Trindade aqui, aqui e aqui.

Querem apagar o a.C. e o d.C. dos livros e Jesus da sociedade

ac-dc

Sou assumidamente contra a união Igreja/Estado. Sei que não houve ano zero e o Anno Domini é um erro se considerar que Jesus nasceu “antes de Cristo”. Contudo, não entendo certas posturas. Índios também não são índios foi um entendimento errado de Colombo. Ninguém, eu muito menos, se importou com isso. Mas se for algo relacionado a Jesus, melhor excluir do currículo. Enquanto os árabes mantêm com orgulho o calendário a partir da Hégira a viagem do profeta para Medina; enquanto judeus celebram o ano 5780 da criação de Adão e os chineses socialistas festejam 2020 como o ano do rato; uma secretaria de ensino propõe evitar os nomes antes e depois de Cristo por ser uma visão religiosa da história.

Deixe ver se entendi: janeiro vem de Janus, o deus das portas; fevereiro vem da deusa Fébrua, e março de seu filho Marte, deus da guerra. Julho e agosto homenageiam imperadores que viraram deuses mas Jesus não deve constar nas nomenclaturas de história.

Os dias da semana em alemão, inglês e espanhol continuam homenageando deuses babilônicos e nórdicos, como também alguns corpos celestes, especialmente planetas. Então o problema é misturar religião ao currículo ou excluir Jesus dele? Fiquei confuso; homenagens pagãs ficam, referência a Jesus sai.

Só sei que 88% dos brasileiros dizem crer nAquele que disse que não reconheceria os que tendo conhecimento dEle O negassem perante os homens (Mt 10:33).

Muitos, ao entrar na universidade, sofrem crises de fé. Eu, contudo, sofro crise de intelectualidade, pois está difícil entender certas lógicas de hoje. Talvez falte-me clareza para compreender a proposta, mas entre o expertise do mundo e a singeleza do Evangelho, prefiro o segundo. Afinal, a história me mostrou o que pode fazer um intelectualismo destituído da sabedoria que vem do alto. Ou vocês acham que foram idiotas indoutos que fundamentaram o nazismo? Ali estavam intelectuais de primeira, alguns, aliás, “endeusados” até hoje na academia olha a religião aí de novo. Nesse caso pode, não é?

Sabe por que levo tão a sério esse negócio de cristianismo? Porque Jesus me levou a sério ao morrer na cruz. Se for obrigado a escolher, prefiro a loucura da cruz à sabedoria do mundo.

(Rodrigo Silva é apresentador do programa Evidências, da TV Novo Tempo)

“Minha ‘bússola moral’ não é a Bíblia; é Jesus.” Como assim?!

jesus modernoEsse comentário foi feito recentemente numa página que tem como proposta produzir uma teologia adventista alinhada com algumas pautas progressistas como a de que a prática homossexual não é considerada pecado na Bíblia e de que o aborto é uma questão de escolha pessoal. A ideia exposta nesse comentário [do título] não é nova, nem surgiu dos meios adventistas. Ela é uma versão do conceito de Jesus como “chave hermenêutica” da Bíblia, muito adotado por cristãos mais liberais. O nome é bonito. Dá a impressão de ser um princípio interpretativo em que Jesus é colocado no centro. Faz lembrar a passagem de João 5:39, onde Cristo diz que toda a Escritura testifica dEle. Em resumo, o conceito consiste em julgar todas as coisas, incluindo a Bíblia, a partir do que seria o “espírito de Jesus” – espírito aqui no sentido de modo de pensar e agir. Algo como sempre se perguntar: “O que Jesus faria/pensaria em relação a X?” Dependendo da resposta, até trechos da própria Bíblia podem ser colocados em cheque. Na verdade, a tendência de quem adota esse método é gradualmente avançar para uma visão cada vez mais relativista das Escrituras.

O problema central desse tipo de teologia é evidente: o “espírito de Jesus” é sempre aquilo que o intérprete acha correto. Se o intérprete pensa que X não combina com Jesus ou que Y combina com Jesus, então é isso o que vale. E será esse o padrão a julgar todas as coisas. Como o leitor pode perceber, o objetivismo de extrair o sentido das Escrituras a partir de regras lógicas de interpretação dá lugar ao subjetivismo de impor às Escrituras o sentido que nos parece mais belo e conveniente. No fim das contas, Jesus como “chave hermenêutica” acaba se tornando “eu mesmo como chave hermenêutica”.

Há outros dois problemas fundamentais nessa abordagem hermenêutica progressista. Primeiro: ela despreza o fato de que Jesus usava as Escrituras Sagradas e Se guiava por elas. Todos os Seus discursos e ensinos estavam pautados na Bíblia Hebraica, e Suas principais ações eram cumprimento de profecias registradas nos livros sagrados judaicos.

Segundo: ela despreza que a própria história de Jesus e dos apóstolos, bem como seus ensinos principais, estão registrados em um conjunto de documentos que foi acoplado à Bíblia Hebraica pelos cristãos do primeiro século, tornando-se a Bíblia cristã que temos hoje. Em outras palavras, a principal e mais confiável fonte a respeito de Jesus que nós temos é a Bíblia.

Sendo assim, separar Jesus das Escrituras, buscando usá-Lo como “chave hermenêutica”, é um erro crasso. Aliás, dentro das regras lógicas de interpretação, é princípio básico que nenhuma parte das Escrituras deve ser usada de modo isolado para interpretar toda a Bíblia. Uma vez que a Bíblia é um todo coerente e inspirado, toda ela deve ser usada para interpretar cada uma de suas partes.

A página em questão provavelmente ainda não chegou ao ponto de considerar que algumas partes da Bíblia não são inspiradas. Mas já flerta com uma hermenêutica mais subjetivista e faz uso de uma exegese distorcida dos textos bíblicos que condenam práticas que ela apoia ou é conivente. Ainda que seus autores permaneçam na Igreja e crendo na total inspiração da Bíblia, o tipo de evangelho que tem criado levará muitos a moldarem suas interpretações da Bíblia com base em suas preferências, não em critérios lógicos e objetivos. As palavras de Paulo a Timóteo, pouco antes de ser martirizado, cabem bem aqui:

“Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (2 Timóteo 4:1-5).

(Davi Caldas, Reação Adventista, via Facebook)

Comentário de Marco Dourado: “A velha e surrada estratégia: primeiro, cria-se um falso dilema a partir de uma suposta oposição entre as Escrituras e Jesus. Depois, distorcem-se as palavras de Cristo a fim de se construir um argumento espantalho. Quem inventou esse método deve tê-lo feito por malícia, mas os que o adotam são indivíduos com sérios transtornos cognitivos.”

Perguntas interativas da Lição: a visão de Jesus e dos apóstolos acerca da Bíblia

jesusSe cremos em Jesus e seguimos os ensinos dos apóstolos, também temos que confiar nas Escrituras como eles confiavam. Esse foi o tema de estudo desta semana na Lição da Escola Sabatina. As perguntas a seguir servem para reflexão e aprofundamento do tema, além de trazerem aplicação à vida prática.

Leia Mateus 4:4, 7, 10. Como Jesus Se relacionava com as Escrituras Sagradas? Como Ele as usou para Se defender das tentações?

Leia Mateus 12:3, 4; 24:38; Marcos 10:6-8 e Lucas 11:51. Por que Jesus cria na literalidade dos textos do Antigo Testamento? O que isso nos diz sobre as interpretações que tratam a narrativa e os personagens bíblicos como se fossem apenas “metáforas”?

Em Lucas 24:27, o que significa a expressão “todas” as Escrituras? O que isso nos diz sobre todos os livros da coleção chamada “Bíblia”?

Leia Lucas 24:44. Em sua opinião, quais versículos Jesus pode ter usado nessa ocasião? Veja também o verso 45. O que isso lhe diz sobre a correta compreensão da Bíblia?

Compare Lucas 24:45 com 2 Coríntios 4:3, 4. O que esses dois textos nos dizem sobre a capacidade de compreendermos as Escrituras e o Evangelho?

Leia Atos 13:32-35 e responda: Como os discípulos entendiam a autoridade das Escrituras?

Veja quais eram os dois maiores erros dos religiosos saduceus em Mateus 22:29. De que maneira esses erros persistem no cristianismo moderno? Como podemos nos proteger para não cair nesses mesmos erros?

De que forma devemos aceitar a autoridade da Bíblia, mesmo sabendo que nem tudo é aplicável atualmente (por exemplo, quando se trata de contextos culturais, sociais, etc.)? Apesar disso, como esses trechos da Bíblia nos beneficiam?

Como podemos ser tão dependentes da Palavra de Deus e tão submissos a ela como foi Jesus?

Que outras “coisas importantes” podem acabar competindo contra nossa submissão às Escrituras? Nesse caso, como devemos proceder? (Lc 14:26; At 5:29)

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)