Ellen White, os capitalistas e os revolucionários

White-EllenEllen White viveu no século 19, cursou apenas os primeiros anos do ensino fundamental, e mesmo assim escreveu pérolas como esta: “Ao mesmo tempo a anarquia procura varrer todas as leis, não somente as divinas, mas também as humanas. A centralização da riqueza e do poder; vastas coligações para enriquecerem os poucos que nelas tomam parte, a expensas de muitos; as combinações entre as classes pobres para a defesa de seus interesses e reclamos, o espírito de desassossego, tumulto e matança; a disseminação mundial dos mesmos ensinos que ocasionaram a Revolução Francesa tudo propende a envolver o mundo inteiro em uma luta semelhante àquela que convulsionou a França. Tais são as influências a serem enfrentadas pelos jovens hoje. Para ficar em pé em meio de tais convulsões, devem hoje lançar os fundamentos do caráter” (Educação, p. 228).

Esse texto escrito não muito tempo depois dos estragos ocasionados pela Revolução Francesa é simplesmente impressionante! Da leitura atenta dele podemos formular pelo menos nove perguntas e extrair algumas reflexões:

1. Que tipo de problemas traz o acúmulo de riquezas por parte de poucos, além da óbvia e consequente distribuição muito desigual de recursos e da ampliação da pobreza? Regimes socialistas não concentram riquezas?

2. Que tipo de reação o capitalismo desenfreado promoveu e quais as consequências dessa reação? Leia Tiago 5:4.

3. Quando que a defesa de interesses de uma classe pode se tornar um problema igual ou até maior do que a situação injusta que a motivou? O que dizer da “tirania das minorias”?

4. Quais foram os aspectos positivos e os negativos da Revolução Francesa?

5. Você percebe um poder movendo o pêndulo da História para lá e para cá, trazendo consequências negativas tanto em um extremo quanto em outro?

6. Os jovens de hoje terão que enfrentar os males do capitalismo e as heranças da Revolução Francesa, uma das quais é o socialismo. Um destroi a sensibilidade espiritual (viver para ter) e afasta o desejo pela volta de Jesus, o outro abre as portas para males como a ideologia de gênero, o feminismo, o relativismo e mesmo o ateísmo.

7. Para ficar em pé e suportar as pressões sociais e políticas, bem como resistir às ideologias anticristãs, os jovens precisam “lançar os fundamentos do caráter”.

8. Como podemos formar um caráter cujos fundamentos sejam sólidos?

9. Você percebe que a solução para ambos os problemas consiste em formar uma adequada cosmovisão bíblica? Assim desaparece a ilusão de que a solução para os problemas do mundo estaria na esquerda ou na direita. Não está. Está no Alto.

Para responder à pergunta 1, dois textos bíblicos podem ajudar. Provérbios 30:7, 8: “Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra. Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume.” Lucas 12:18-21: “E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; e direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.”

É importante esclarecer que a visão positiva do trabalho e do lucro é oriunda do protestantismo (Calvino sistematizou esse tema). Portanto, o capitalismo fundamentado sobre a ética protestante é uma benção para a sociedade; o problema é quando se torna instrumento de ideologias desprovidas de Deus. Por outro lado, vivemos na época do protestantismo apostatado, que caminha rapidamente para a formação da besta escarlate de Apocalipse 17. E não podemos nos esquecer de que o que fundamentou o capitalismo da atualidade não foi exatamente o protestantismo, e sim o evolucionismo social do século 19, e que a única coisa em comum que ele tem com o protestantismo é o fato de ter surgido em países protestantes, muito provavelmente relacionado ao processo de apostasia.

Quando lemos com atenção sobre a estrutura social do Israel teocrático, o qual White diz ser um modelo de justiça para a organização humana, vemos elementos presentes no capitalismo moderno, mas muitos outros diametralmente opostos.

Com relação à pergunta 8, a continuação da leitura nas páginas 228 e 229 fornece a resposta. Porém, também é necessário o jovem saber quais são as forças motrizes que estão por trás dos ataques que a cristandade sofre, pois conhecendo-as ele saberá se defender e se posicionar. Uma vez que o jovem se posicione a favor de Deus, ele precisa saber identificar as contrafações apresentadas ao mundo e discernir uma por uma, para, então, estar firme e não ser enganado.

Um elemento-chave do texto de Ellen White acima é a Revolução Francesa. Por isso esse assunto merece um estudo mais detalhado. Por hora, cito outro texto dela: “O mesmo espírito mestre que incitou o Massacre de São Bartolomeu também dirigiu as cenas da Revolução Francesa. Satanás parecia triunfar. Não obstante o trabalho dos reformadores, ele tinha conseguido manter vastas multidões na ignorância a respeito de Deus e da Sua palavra. Agora, ele apareceu com uma nova roupagem. Na França, surgiu um poder ateu que declarou abertamente guerra contra a autoridade do Céu. […] A fornicação foi sancionada por lei. Profanação e corrupção pareciam inundar a Terra. […] O trabalho que o papado havia começado, o ateísmo concluiu. Um retinha do povo as verdades da Bíblia; o outro ensinou-o a rejeitar tanto a Bíblia quanto seu Autor” (Spirit of Prophecy, v. 4, p. 192).

O que fica evidente de tudo isso? Precisamos como nunca antes estudar a Bíblia Sagrada e formar um caráter para a eternidade, não nos deixando desviar nem para a direita nem para a esquerda.

Michelson Borges

Anúncios

Tem ou não tem doutrinação na universidade?

Recentemente, postei em minha página no Facebook o vídeo “Perdemos nossa filha”. Trata-se do testemunho de uma mãe arrasada pelo fato de a filha ter sido doutrinada por uma professora marxista e por ideologias que a afastaram da família e dos ensinamentos e valores que recebeu ali. Confira:

Se o vídeo é real ou não, se foi produzido ou se tinha motivações políticas, isso não vem ao caso agora (até porque conheço a realidade de pessoas próximas que corrobora o testemunho dessa mãe). Postei o vídeo mais para ver a reação dos seguidores da minha página e das pessoas que teriam contato com esse conteúdo. Dezenas de comentários a favor e contra foram escritos. Quero destacar aqui quatro deles, omitindo os nomes, evidentemente:

“Sou adventista do sétimo dia e estou na Universidade […]. Amo estudar o marxismo, pois desmascara também a hipocrisia das religiões e de muitos líderes. Amo a Palavra de Deus e sou fiel ao Deus que criou todas as coisas. […] O marxismo não doutrina ninguém, se o que lhe foi ensinado em casa o edificou. Amo o marxismo, mas somente Deus é o meu porto seguro.”

“As pessoas não entendem porque têm medo de estudar. Como se algo místico acontecesse quando alguém lê o contraditório.”

“Esse anti-intelectualismo da igreja tem me envergonhado. Como responder quando nos chamam de ‘bitolados’?”

“‘Examinai tudo, retende o bem’ (1Ts 5:21). É simples assim. Deus quer um culto racional. Ele não nos deu a capacidade de pensar, estudar e questionar em vão. Não podemos doutrinar nossos jovens. Devemos ensiná-los a escolher o melhor caminho, e o ensino percorre a estrada do conhecimento. É triste ver muitas pessoas importantes no meio adventista interpretando essa questão de forma tão oposta.”

Depois de ler todos os comentários, postei minha resposta:

Olá, amigos. Gostei dos comentários postados aqui e admito que divulguei esse vídeo em minha página justamente para “medir a febre”.

Bem, primeiramente, como pai de adolescentes, jamais teria coragem de julgar essa mãe. Minha esposa e eu fizemos e temos feito o máximo que podemos para dar a nossos filhos uma boa educação, estimulá-los à leitura e ao aprendizado, bem como ao desenvolvimento de uma visão crítica do mundo. Além disso, procuramos ajudá-los a ter um relacionamento pessoal com Jesus. Mas não é fácil. As ideologias concorrentes sempre estão assediando nossos jovens. Quem é pai/mãe aqui sabe muito bem do que estou falando. E se ainda não é um dia vai compreender…

Falou-se muito em abertura para o contraditório e desenvolvimento de visão crítica, e isso é muito importante, obviamente. Só que na universidade raramente se faz isso. Cursei jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) há mais de vinte anos e praticamente toda a literatura com que tive contato, indicada pelos professores, era de cunho marxista. Somente anos depois de formado é que fui conhecer autores conservadores e críticos do marxismo. Finalmente, estava tendo contato com o contraditório, mas, infelizmente, isso não ocorreu na universidade. Pude assistir ao naufrágio da fé de colegas que iniciaram o curso se declarando cristãos e migraram para o ateísmo, para o materialismo, para o misticismo – e alguns para coisas piores, como comportamentos de risco, sexo casual e vício em drogas que, já naquele tempo, “rolavam soltas” pelo campus. Como dizer para quem abraça o relativismo (outra praga intelectual) que essas coisas são erradas? Às vezes, tudo o que se pode fazer é deixar que o tempo, a maturidade e a perda da saúde falem mais alto.

O fato é que os jovens cristãos não são adequadamente preparados para enfrentar esse mundo, essa doutrinação anticristã. E quando chegam à universidade se encantam, ficam deslumbrados com o que consideram finalmente o saber, o verdadeiro conhecimento. Acham que estão descobrindo a roda e ignoram o fato de que existe muita literatura apologética boa com a qual deveriam ter entrado em contato antes mesmo do vestibular. Se tivessem desenvolvido uma sólida cosmovisão cristã, aí, sim, poderiam “dialogar” com as teorias que lhes são apresentadas. Aí, sim, poderiam colocar à prova seus conhecimentos e suas convicções. Mas chegam ao ambiente acadêmico incapazes de responder ao desafio de 1 Pedro 3:15. Chegam ao campus imaturos e sem as balizas morais e intelectuais necessárias nas quais se apoiar quando são postos à prova.

Culpa deles? Não totalmente. O problema começa em casa e passa pela igreja. Os pais têm que fazer a parte deles desde bem cedo. Se decidiram ter filhos, têm que assumir essa responsabilidade – a mais elevada na vida de um ser humano. Na igreja, os líderes precisam parar de tratar ideias como o darwinismo e o marxismo como se fossem “bobagens” com as quais nem se deve perder tempo. Quando as crianças crescerem e forem para a universidade, perceberão que seus líderes espirituais estavam errados. Aquelas ideias não eram bobagem. Elas têm algum embasamento teórico. E agora? Com quem ficar? Com o ancião da igreja ou com meu professor PhD?

A igreja tem que promover mais encontros de universitários e pré-universitários com conteúdo sólido e verdadeiro incentivo ao pensamento crítico. Eventos que não sejam mero entretenimento, mas espaços para o desenvolvimento intelectual, para forçar os “músculos mentais” da nossa moçada. E, sobretudo, é preciso levar os jovens a se encantar com Jesus, o Mestre dos mestres, e com Sua Palavra inspirada. Somente assim nossos estudantes poderão ser representantes da verdade em ambientes nos quais ela não mais é valorizada. Somente assim poderão ser Daniéis e Danielas em Babilônia.

(Só mais um detalhe: o “analisar tudo” de Paulo não se refere a “tudo”, como se precisássemos ler sobre bruxaria e pornografia, por exemplo, para saber que essas coisas não prestam; leia-se o contexto e será possível perceber a que “tudo” o apóstolo se refere.)

Um abraço a todos.

Michelson Borges

Teólogas lançam “Bíblia feminista”

biblia feministaTeólogas feministas de um grupo que reúne católicas e protestantes de diversas partes do mundo estão lançando uma nova versão da Bíblia que visa a “empoderar as mulheres” e promover os valores do feminismo. À medida que o movimento #MeToo continua a expor o abuso sexual que mulheres sofrem em diversas culturas, esse grupo de teólogas propõe uma nova interpretação dos textos bíblicos, pois elas afirmam que as Escrituras têm sido usadas para expor imagens negativas de mulheres. Uma das teólogas chegou a afirmar que os valores do feminismo podem estar de acordo com a Bíblia. “Valores feministas e a leitura da Bíblia não são incompatíveis”, insistiu Lauriane Savoy, uma das duas professoras de Teologia de Genebra por trás da iniciativa de redigir a versão “Une Bible des Femmes” (“Uma Bíblia Feminina”), publicada em outubro.

A professora da Faculdade de Teologia em Genebra – que foi estabelecida pelo próprio João Calvino em 1559 – disse que a ideia de fazer o trabalho veio depois que ela e sua colega Elisabeth Parmentier entenderam que as pessoas “não estavam interpretando corretamente os textos bíblicos”. “Muitas pessoas pensaram que estavam completamente desatualizados, sem relevância para os valores de igualdade de hoje”, disse a teóloga de 33 anos à AFP, sob as esculturas de Calvino e outros fundadores protestantes no campus da Universidade de Genebra.

Numa tentativa de contrariar essas noções, Savoy e Parmentier, 57 anos, juntaram-se a outras 18 teólogas de uma série de países e denominações cristãs para elaborar uma nova tradução das Bíblia, que desafia as “interpretações tradicionais das Escrituras que colocam as personagens femininas como fracas e subordinadas aos homens que as rodeiam”.

Parmentier aponta para uma passagem no Evangelho de Lucas, na qual Jesus visita duas irmãs, Marta e Maria. “[O texto] diz que Marta garante o ‘serviço’, o que foi interpretado como significando que ela servia a comida, mas a palavra grega diakonia também pode ter outros significados, por exemplo, poderia significar que ela era diaconisa”, ressaltou.

As duas professoras de teologia de Genebra dizem que foram inspiradas a trabalhar nesse projeto de maneira “ecumênica”. “Queríamos trabalhar de maneira ecumênica”, disse Parmentier, destacando que cerca de metade das mulheres envolvidas no projeto são católicas e a outra metade de vários ramos do protestantismo.

Na introdução da “Bíblia das Mulheres”, as autoras disseram que os capítulos deveriam “examinar mudanças na tradição cristã, coisas que permaneceram ocultas, traduções tendenciosas, interpretações parciais”. Elas criticam “as leituras patriarcais persistentes que justificaram numerosas restrições e proibições às mulheres”.

Savoy disse que Maria Madalena, “a personagem feminina que mais aparece nos Evangelhos”, recebera um tratamento cru em muitas interpretações comuns dos textos. “Ela ficou ao lado de Jesus, inclusive quando Ele estava morrendo na cruz, quando todos os discípulos do sexo masculino estavam com medo [as autoras se esqueceram de João, personagem que também ficou junto a Cristo até o fim]. Ela foi a primeira a ir ao seu túmulo e a descobrir sua ressurreição”, ressaltou. “Este é um personagem fundamental, mas ela é descrita como uma prostituta […] e até como amante de Jesus na ficção recente.”

As estudiosas também propõem uma nova leitura sobre as cartas de Paulo, que estariam sendo interpretadas por um viés “machista”. “Estamos lutando contra uma leitura literal dos textos”, disse Parmentier. “Ler as passagens dessas cartas, que poderiam ser facilmente interpretadas como radicalmente antifeministas, como instruções para como as mulheres devem ser tratadas hoje é insano. É como pegar uma carta que alguém envia para dar conselhos como válida por toda a eternidade.” [Isso quer dizer que muito certamente essas acadêmicas não consideram a Bíblia inspirada.]

Os textos das teólogas também abordam a Bíblia através de diferentes temas, como o corpo, a sedução, a maternidade e a subordinação.

Apesar do esforço do grupo de teólogas em lançar uma releitura da Bíblia para promover os valores feministas, há quem pense que isso não seja necessário para desfazer compreensões equivocadas sobre os textos bíblicos. Uma leitura contextualizada do texto já em uso seria o suficiente, não para promover os valores feministas, mas, sim, adquirir a compreensão adequada das Escrituras.

A escritora e youtuber brasileira Fabiana Bertotti explicou, em entrevista anteriormente concedida ao Guiame, que passagens que indicam uma submissão feminina ao homem são muito mais complexas do que simplesmente subjugar a mulher a uma ditadura masculina.

“O primeiro texto (Efésios 5:25) diz para os maridos amarem as esposas como Cristo amou a igreja. Cristo morreu pela igreja, mesmo ela sendo infiel e não totalmente devota a Ele. Eu não acho que dizer às esposas para serem submissas a seus maridos seja mais difícil do que amar as esposas como Cristo amou a igreja”, explica Fabiana.

“Quando você entende o contexto em que isso foi escrito e a mensagem de submissão – que tem a ver com a proteção que é dada pelo marido e mostra a submissão como reconhecimento ao sacerdócio dele no lar – eu acho que a missão da mulher é muito mais fácil”, acrescenta.

Fabiana contou que já foi adepta do feminismo anos atrás, mas abandonou essa visão quando percebeu que o feminismo moderno não compactua com a visão bíblica. “Eu deixei de ser feminista porque enxerguei o cristianismo como algo muito maior do que o feminismo. Quando eu entendo que em Cristo somos iguais, entendo uma declaração de direitos iguais. A partir do momento em que eu luto para ter o mesmo salário ou para a mulher não ser estuprada no ônibus, isso não é feminismo. Estamos falando de direitos civis, de um direito à vida”, explicou.

(Guiame)

Nota: Como se não bastasse a “Bíblia gay”, em que os textos que condenam as práticas homossexuais são malabarísticamente adulterados, eis que agora surge a “Bíblia feminista”. É o tipo de iniciativa que deixa claro que seus autores não estão preocupados com a mensagem bíblica, mas, sim, com sua bandeira. Para eles a Bíblia não é um livro inspirado e deve ser interpretada à luz dos conhecimentos atuais e relida com os óculos ideológicos relativistas que escolheram usar. Basta deixar que a Bíblia fale por si mesma. Ela tem uma mensagem única. Os autores, inspirados pelo Espírito Santo, tiveram uma intenção ao escrever. O contexto e a época devem sempre ser levados em conta, sem perder de vista os valores e princípios eternos expressos nos textos. Na Bíblia, homem e mulher têm o mesmo valor diante de Deus, embora possuam funções e características diferentes. A Bíblia também reflete os costumes e preconceitos das sociedades em que ela foi escrita. Por exemplo: a Bíblia apresenta a poligamia e o uso de joias, bem como o consumo de bebidas alcoólicas. Isso quer dizer que Deus aprovava essas práticas? De forma alguma! O fato de serem descritas e de Deus tolerar algumas coisas não significa autorização. De modo semelhante, há textos bíblicos que mostram costumes machistas daqueles tempos, mas, se quisermos saber o que Deus pensa disso, devemos conferir como Ele tratava as mulheres, especialmente como Jesus as tratava. Chega a ser irônico, na foto acima, as teólogas estarem posando na frente das estátuas de reformadores, homens que dedicaram a vida para levar a Palavra de Deus, tal como ela é, ao maior número possível de pessoas. Se isso fosse possível, eles estariam se revirando nos túmulos. [MB]

Leia mais sobre feminismo aqui.

Assista a este filme e conheça a verdadeira face do comunismo

milada[Com o perdão dos spoilers.] Milada Horáková nasceu em Praga, capital da Tchecoslováquia, em dezembro de 1901. Formou-se em Direito e se tornou defensora dos direitos humanos, dos direitos das mulheres, uma crítica acérrima do trabalho infantil e da legalização da prostituição, e lutou contra a ocupação nazista em 1939 e, posteriormente, contra o domínio comunista soviético em seu país. Foi presa pela Gestapo e condenada à morte, pena que foi alterada para prisão perpétua graças à defesa apresentada pela própria condenada. Esteve nos campos de concentração nazistas de Terezin, Leipzig e Dresden. Foi torturada ao longo de 36 interrogatórios, mas nunca denunciou seus colegas da resistência. Alguns historiadores creem que foi nessa época que sua experiência religiosa se aprofundou.

Com a derrota dos alemães e a libertação da Tchecoslováquia em 1945, Milada voltou a defender a democracia e foi eleita deputada, cargo ao qual renunciou após o golpe que levou o Partido Comunista ao poder, o que ela considerava uma verdadeira ocupação soviética. Por ser uma voz discordante (coisa que os comunistas detestam), Milada acabou sendo injustamente presa e terrivelmente torturada, participando depois de um julgamento forjado (muito comuns na ex-União Soviética) em que teria que admitir uma culpa que não tinha, de ter colaborado com o “imperialismo americano” contra os interesses de seu país e seu povo – justamente as duas coisas que ela mais amava e pelo que sempre lutou.

A rádio em que o esposo de Milada trabalhava foi fechada, numa atitude igualmente típica dos comunistas de controlar a mídia com mão de ferro. Posteriormente, o esposo dela teve que fugir para a Alemanha Ocidental, sob risco de morte, deixando a filha única aos cuidados dos avós.

No 7 de junho de 1948, alguns políticos tchecos renunciam por se recusar a assinar a nova Constituição do governo comunista; e uma semana mais tarde, em 14 de junho, Klement Gottwald foi eleito presidente, apelidado de “presidente operário”. O aumento da repressão levou à fuga de diversos intelectuais, artistas e altos funcionários. Cerca de oito mil pessoas deixaram o país.

A polícia política recebeu ordens de Gottwald para prender imediatamente todos os suspeitos de atividades contra a nova ordem dominada pelo Partido Comunista. Mais de 250 mil pessoas foram condenadas, das quais 178 foram executadas. Cerca de 600 presos não sobreviveram às torturas. Setenta mil pessoas foram condenadas a trabalhos forçados. A título de comparação, 434 pessoas foram mortas ou ficaram desaparecidas durante o regime militar no Brasil…

Milada_HorákováEnquanto o julgamento de Milada e dos outros réus prosseguia, eles eram absurdamente chamados de “traidores da República”, “terroristas”, “agentes dos imperialistas americanos, ingleses e franceses”, “pequenos Hitlers” e “ratazanas que conspiraram nos esgotos contra a classe operária”.

Aos 48 anos de idade, Milada foi condenada à morte por enforcamento, no dia 27 de junho de 1950. Pessoas famosas como Albert Einstein, Winston Churchil e Eleonor Roosevelt pediram a comutação da pena, mas foram ignoradas. Ela foi falsamente acusada de atividades conspiratórias e de espionagem contra o Estado, como se pretendesse derrubar o comunismo com a ajuda das potências ocidentais, iniciando assim uma terceira guerra mundial! Com a mídia nas mãos do governo, essas “fake news” foram divulgadas e muitas pessoas acabaram acreditando em tudo.

A crueldade dos comunistas foi tanta que Milada não foi autorizada a ver os familiares durante seu tempo de prisão. Somente na noite anterior à execução lhe foi permitido, durante quinze minutos, ver a filha, a irmã e o cunhado. Ela tentou abraçar e beijar a menina pela última vez, mas os guardas não permitiram. Eram ordens do governo.

Em 1968 teve início uma revolta na Tchecoslováquia contra a ocupação soviética, conhecida como Primavera de Praga, e a praga do comunismo foi afastada do país. Em 2006, o presidente Václav Haus afirmou: “Milada Horáková é o símbolo perene da resistência ao comunismo. […] Pagou caro a defesa da liberdade e da democracia, apesar dos protestos que na época foram feitos no mundo inteiro.”

ceusEnquanto assistia ao filme, lembrei-me do livro Ainda que Caiam os Céus, do pastor adventista Mikhail Kulakov (Casa Publicadora Brasileira). As semelhanças com a história de Milada são grandes, com a diferença básica de que o pastor Kulakov foi preso pelos comunistas por motivos religiosos, mas com a “desculpa” de que ele realizava “reuniões anti-soviéticas”. A religião conservadora bíblica também é um empecilho para as pretensões comunistas. Sempre foi.

Nem preciso dizer que você precisa urgentemente assistir ao filme “Milada” (tem na Netflix) e ler o livro de Kulakov. Assim poderá conhecer a verdadeira face fascista do comunismo e os perigos entranhados nessa ideologia anticristã.

Michelson Borges

P.S.: Quem sabe um dia alguém publique a história de Vaclav Havel. Ele e a família ficaram dois ou três anos escondidos e protegidos em uma fazenda até conseguirem atravessar a fronteira austríaca. Quem os protegeu? Um pastor adventista. Depois da queda do comunismo e da eleição de Havel, o governo tcheco devolveu à Igreja Adventista as propriedades confiscadas pelos comunistas.

Atos 2:42-47 defende o socialismo?

jesus marxEstá cada vez mais fácil encontrar pessoas, muitas vezes sinceras, acreditando que o socialismo pode ser encontrado na Bíblia Sagrada. Um dos argumentos principais consiste na utilização do texto do livro de Atos, capítulo 2, versos 41 a 47, que seria um “suposto” apoio a esse pensamento. O texto completo é este: “Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.”

Neste texto, estão listadas as três principais razões pelas quais o livro de Atos não pode ser um indicativo ou algum tipo de apoio para o socialismo dentro do cristianismo. De forma alguma os apóstolos estariam prescrevendo alguma norma de conduta para as sociedades cristãs posteriores.

1. Acreditar que Atos dá suporte à ideologia socialista é um anacronismo.

Como se sabe pela História, 18 séculos separam o socialismo do Novo Testamento! O Dicionário de Política de Norberto Bobbio diz o seguinte: “Em geral, o Socialismo tem sido historicamente definido como programa político das classes trabalhadoras que se foram formando durante a Revolução Industrial” (fim do século 18 e começo do século 19).

O significado vulgar de socialismo é a “estatização dos bens e meios de produção”; e algumas pessoas adicionam ainda a expressão “numa sociedade sem classes”. Há dois tipos de socialismo, basicamente, nos quais se caracterizam duas ideias principais: o socialismo utópico e o socialismo científico.

“Socialismo utópico” tem esse nome por causa da obra de Thomas More, Utopia, em que o autor propõe uma sociedade harmônica, justa e contrapondo as sociedades injustas. A principal linha de pensamento do socialismo utópico é idealizadora, justa e igualitária, em que se alcançaria o progresso por meio da razão e do interesse comum sem, necessariamente, uma luta de classes. A característica utópica se dá devido à impossibilidade de alcançar tal sociedade. Seus principais pensadores foram o inglês Robert Owen e os franceses Saint-Simon, Charles Fourier, Pierre Leroux e Louis Blanc, na transição entre os séculos 18 e 19.

O “socialismo científico” ou “socialismo marxista” foi desenvolvido pelos prussianos (atual Alemanha) Karl Marx e Friedrich Engels, no século 19. Ao contrário do idealismo do socialismo utópico, o socialismo científico tinha como principal ideia a crítica ao sistema capitalista. Era necessário aprofundar as análises políticas, econômicas e sociais para então propor mudanças concretas na sociedade. Seu foco era na luta de classes (visão do patrão explorador e do empregado explorado), na mais-valia, na divisão do trabalho e na produção de capital.

A doutrina política de Marx (falecido no fim do século 19) fundamenta-se no materialismo dialético e histórico. Denomina-se materialismo porque seus conceitos diretivos são de conteúdo material; é dialético porque se apoia no método dialético de Hegel, no que tange à evolução dos fenômenos sociais; enfim, qualifica-se como histórico porque os princípios do materialismo dialético são aplicados à evolução dos fatos sociais e à política dos povos no decurso da marcha do tempo.

Se não bastasse o monstruoso intervalo de tempo entre os dois momentos históricos, o que já categorizaria o anacronismo evidente, podemos elencar outra disparidade entre essas ideologias e o texto bíblico no que se refere ao tempo do eventos mencionados: não havia concordância entre os apóstolos e o Império (“Estado”), primeiro porque não era intuito de unir a comunidade Cristã com o império Romano; e segundo porque não havia o Estado como o concebemos hoje e a favor do qual Marx pretendia estatizar os meios de produção.

Mesmo que houvesse o Estado moderno, ainda assim seria impraticável no socialismo porque a autoridade do Estado provém de Deus (como explícito em Romanos 13:1-7, 1 Pedro 2:13 e na conversa de Jesus com Pilatos, em João 19:10, 11), e poderia ter sido estabelecido por conta do pecado da humanidade, embora não fosse plano de Deus original (como descrito nos capítulos de 12, 24 e 26:9-11 de 1 Samuel, e o primeiro capítulo de 2 Samuel).

Embora todo o esforço desses pensadores em criar uma sociedade com oportunidades iguais a toda população e manter certo controle social, a verdade é que a História mostra que os governos socialistas foram em grande parte ditatoriais e um verdadeiro desastre econômico e político. Liberdades individuais foram suprimidas e as guerras e a fome mataram milhões de pessoas. Estima-se que as mortes foram cerca de cem milhões nestes últimos cento e poucos anos:

URSS: 20 milhões de mortos

China: 65 milhões

Vietnã: 1 milhão

Coreia do Norte: 2 milhões

Camboja: 2 milhões de mortos

Leste Europeu: 1 milhão

América Latina: 150.000 mortos

África: 1,7 milhão de mortos

Afeganistão: 1,5 milhão

O movimento comunista internacional e os partidos comunistas fora do poder levaram dezena de milhões de pessoas à morte. Isso mostra que, sim, o socialismo falhou e continuará falhando.

O que esse banho de sangue tem que ver com o livro de Atos capítulo 2? Absolutamente nada! Nem de perto podemos comparar a Bíblia com a ideologia socialista. São coisas completamente diferentes.

3. O texto de Atos 2 não é prescritivo.

Quando lemos o livro de Atos devemos ter em mente que estamos tratando de um livro histórico. A seguir você lerá uma pequena parte de um artigo do teólogo brasileiro Wilson Paroschi:

“A rigor, conforme o próprio Lucas afirma (At 1:1-5; cf. Lc 1:1-4), Atos é um documento histórico e, como tal, narra o desenvolvimento da igreja apostólica nos primeiros trinta anos após a ascensão de Cristo. Em muitos círculos eclesiásticos e evangelísticos, porém, predomina a crença, explícita ou implícita, de que esse livro consiste verdadeiramente numa espécie de manual da igreja ou manual de evangelismo, com orientações e exemplos práticos que, se forem seguidos à risca, produzirão os mesmos resultados. […] Cuidadosa análise da evidência, porém, parece apontar para outra direção. Em primeiro lugar, convém observar que, ao descrever a história da igreja primitiva, Lucas não registra somente os triunfos e sucessos dos apóstolos, mas também seus erros e retrocessos.”

“Em Atos, não encontramos apenas uma sucessão de experiências e relatos positivos que culminam com o evangelho sendo pregado destemidamente e sem qualquer impedimento até mesmo em Roma, no coração do Império (At 28:30-31). Ali também estão registradas inúmeras situações negativas envolvendo diretamente os apóstolos, suas decisões e atitudes.

“Exemplos disso são a negligência para com as viúvas helenistas (6:1), o preconceito e a reticência deles diante da pregação aos gentios (10:1–11:18), a desavença entre Paulo e Barnabé (15:36-40), a transigência de Paulo para com a lei cerimonial (21:17-26) e sua opção por ser julgado em Roma (25:9-12), o que se revelou um grave erro estratégico (cf. 26:30 32). Há também duas outras experiências que se revelaram particularmente negativas: a crença na volta imediata de Jesus e o consequente arrefecimento do fervor evangelístico logo após o Pentecoste.

“A perspectiva evangelística predominante na tradição judaica, tanto no Antigo Testamento (Sl 22:27; Is 2:2-5; 56:6-8; Sf 3:9-10; Zc 14:6) quanto na literatura intertestamentária (Tob 13:11; T. Ben. 9:2; Pss. Sol. 17:33-35; Sib. Or. 3.702-718, 772-776), é a do chamado movimento centrípeto, ou seja, não é Israel que vai às nações; são as nações que vêm a Israel, atraídas pela prosperidade e fidelidade do povo de Deus. E há claros indícios de que, apesar da ordem de Jesus em Atos 1:8, os apóstolos entenderam que, com a pregação no dia de Pentecoste e a conversão de mais de três mil pessoas, a missão deles no mundo já estava cumprida, ou pelo menos substancialmente cumprida.

“Como James D. G. Dunn salienta, o modelo evangelístico que eles conheciam era o que prevalecia no judaísmo de seus dias (cf. Mt 8:11-12; 10:5-6, 23; Mc 11:17) e, no Pentecoste, o mundo todo veio até eles; Lucas menciona mais de quinze diferentes nacionalidades ali representadas (At 2:9-11). O que houve em seguida foi uma diminuição do entusiasmo evangelístico, associado à ideia de que Jesus estaria voltando naqueles dias, como ficara implícito na promessa no dia da ascensão (1:6-11; cf. 3:20-21; Mt 10:23). Foi por isso que eles permaneceram tão firmemente arraigados em Jerusalém e centrados no templo (At 2:46; 3:1; 5:12, 20-21, 25, 42), até porque, de acordo com a profecia de Malaquias (3:1), o templo seria o ponto focal da iminente consumação.

“O elevado senso de fraternidade e comunidade demonstrado pela igreja apostólica logo após o Pentecoste (At 2:44-45; 4:32-35) revela que eles viviam na expectativa diária da volta de Jesus. Posses ou bens materiais perderam o valor. Tudo era vendido e o lucro trazido para um caixa comum para o benefício de todos. Eles não precisavam mais se preocupar com o futuro, pois não haveria futuro.

“A atitude foi louvável, sem dúvida, mas o momento foi errado, ainda que a iniciativa possa ter atendido a algumas necessidades específicas, como a ajuda aos pobres da comunidade de crentes. O espírito de desprendimento e fraternidade que manifestaram é, de fato, o que deve caracterizar o povo de Deus pouco antes da volta de Jesus, mas, naquele momento, representou um retrocesso para a igreja. A igreja de Jerusalém empobreceu (At 11:28; Rm 15:26; Gl 2:10), passou a depender da generosidade das igrejas gentílicas (At 11:29, 30; Rm 15:25, 26; 1Co 16:1-3) e não pôde sequer financiar o evangelismo mundial. Isso coube às próprias igrejas gentílicas (At 13:1-3; 15:35, 36; 2Co 11:8, 9; Fp 4:15-18). Deus permitiu que se levantasse uma perseguição contra a igreja (At 8:1-3) para dispersá-la de Jerusalém e, assim, levá-la a cumprir sua missão mundial (8:4, 5-8, 26-40; 11:19-21).

“Ou seja, é certamente um erro tratar o Livro de Atos como um manual da igreja, e a igreja apostólica como um modelo em tudo para a igreja de todos os tempos e lugares. Ao contrário do que mantém a concepção popular, a igreja apostólica não era perfeita, nem do ponto de vista doutrinário e muito menos do ponto de vista administrativo ou eclesiástico.

“A segunda razão pela qual a igreja apostólica não deve necessariamente ser vista como um modelo em tudo é que ela mesma foi produto de uma época, um lugar e uma cultura específica. A igreja apostólica nasceu no contexto do judaísmo do primeiro século. Ela aparece no cenário bíblico como mais uma dentre as várias denominações ou seitas judaicas da época. Ela teve que lidar com problemas tais como uma expectativa messiânica distorcida, o escândalo da cruz e o legalismo judaico, a inclusão dos gentios e a circuncisão, a idolatria no mundo greco-romano, filosofias pagãs, enfim, uma longa lista de problemas, quase todos muito diferentes dos nossos. É por isso que muito cuidado deve ser tido na hora de apontar os elementos prescritivos no Livro de Atos. Não é só abri-lo e achar que, porque foi assim no passado, tem que ser assim no presente. […]”

Voltei. Gostaria de enfatizar dois pontos importantes: primeiro, é que a empolgação da comunidade se dava exclusivamente pela promessa da vinda de Jesus, pela crença de que o pecado e a morte teriam fim e, finalmente, eles estariam para sempre com Jesus Cristo. O movimento cristão não se manteve unido e motivado no início por conta do ideal revolucionário de transformação social. Eles não estavam ali para reivindicar direitos humanos ou qualquer coisa do tipo. Apenas a alegria do evangelho que os motivava a ficar unidos.

Segundo, é que quanto à distribuição financeira e a comunhão de bens, a comunidade veio à falência pouco tempo depois! Agora veja: se os ideólogos modernos do socialismo procuram encontrar em Atos indícios de modelo econômico para comunidades locais, o que, de fato, eles encontrarão é o modelo ideal de como não distribuir renda e como chegar à falência!

3. Um cristão não pode ser socialista.

Certamente alguém falará que temos, como cristãos, uma função social importante. Isso é verdade e Cristo assim nos ensinou. Porém, existe um abismo entre ajudar o próximo e ser praticante do socialismo coercitivo (comunismo) que usa o aparelho estatal com mão de ferro para saquear a população e definir cada aspecto de sua vida. São ideologias nefastas que a história nos conta com desprezo. Infelizmente, ainda no Brasil poucas pessoas conhecem a história cruel e genocida dessas ideologias.

Considerando isso (e mais vários outros motivos não tratados neste texto), pode-se chegar à conclusão óbvia de que um cristão de verdade, que aguarda a vinda de Cristo, jamais pode perder tempo com essas ideologias ateias e fracassadas. Devemos lembrar sempre que este “Estado” é passageiro, mas o Reino de Deus é eterno.

Referências:

BOBBIO, NORBERTO;  MATTEUCCI, NICOLA ; PASQUINO, GIANFRANCO. Dicionário de Política. 11. Ed. Brasília: Editora UNB, 1998. (Volume 1).

BUKHARIN, NIKOLAI, ABC do Comunismo, Edipro, São Paulo, 2011.

ENGELS, FRIEDRICH, Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, Edipro de Bolso, São Paulo, 2011.

FERACINE, LUIZ, Karl Marx ou a Sociologia do Marxismo, Lafonte, São Paulo, 2011.

JEAN-LOUIS PANNÉ, ANDRZEJ PACZKOWSKI, KAREL BARTOSEK, JEAN-LOUIS MARGOLIN  et al. O Livro Negro do Comunismo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

PAROSCHI, WILSON, “Os Pequenos Grupos e a Hermenêutica: Evidências Bíblicas e Históricas em Perspectiva”, (Engenheiro Coelho, São Paulo, 2009). (artigo aqui). Ou no livro: SOUZA, ELIAS BRASIL (Ed.). Teologia e metodologia da missão: palestras teológicas apresentadas no VIII Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano. Cachoeira: CePliB, 2011).

Maduro come em restaurante que cobra mil dólares por refeição enquanto venezuelanos passam fome

nicolas-maduro-1Voltando da China [a mesma China comunista que está perseguindo cristãos e queimando Bíblias], Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, parou em Istambul, na Turquia, e aproveitou para comer no restaurante da celebridade da internet Nusret Gökçe, mais conhecido como Salt Bae, que conta com mais de 15 milhões de seguidores no Instagram. Cada refeição custa em torno de mil dólares. Salt Bae publicou seis imagens na rede social e rapidamente apagou o post, que em pouco tempo já contava com mais de mil comentários. A maioria deles criticando Maduro por deixar seus compatriotas morrerem de fome enquanto ele se esbaldava no restaurante. Um relatório do governo venezuelano indicou que mais de 60% da população acordam com fome por não terem dinheiro para comprar comida. Aproximadamente um quarto da população come menos de duas vezes ao dia e cerca de 87% dos venezuelanos vivem em situação de pobreza. Por fim, mais de dois milhões já deixaram o país atrás de comida e trabalho [sem contar as crianças que estão morrendo de fome]. O estudo ainda revela que a qualidade da dieta da população venezuelana também teve uma queda. Cada vez mais se consome menos vitaminas e proteínas. A carne vermelha é rara de se obter, seja pela falta do produto ou até mesmo pelo alto custo. De acordo com o FMI, a inflação do país deve chegar a 1.000.000% neste ano.

Families salvage food scraps from garbage bags in downtown Caracas, Venezuela.
Jovens vasculham lixo em busca de comida em Caracas
Esteban Granadillo, 18 days, who weighs 4 pounds 10 ounces, at Dr. Agustín Zubillaga University Hospital of Pediatrics in Barquisimeto, Venezuela.
Crianças venezuelanas estão morrendo de desnutrição

(Jovem Pan)

Nota: Líder comunista sendo líder comunista. Apenas seguindo o script. Me fez lembrar a obra clássica de George Orwell, A Revolução dos Bichos (se você não leu, tem 18 dias para ler antes das eleições). Maduro é como todos os outros “comunistas de iPhone”: enquanto pregam a igualdade e dizem lutar pelos mais pobres, não abrem mão das benesses que o dinheiro e o cargo político lhes conferem. Mais ou menos como aconteceu com a deputada comunista e agora candidata a vice-presidente, que diz amar Cuba, mas foi à sede do capitalismo mundial comprar um enxoval para a filha (confira), e depois ainda tentou censurar um humorista por se aproveitar da piada pronta (confira). Já disse e repito: a solução para a humanidade não é a Revolução, é a conversão. O homem e a mulher não convertidos sempre serão egoístas, gananciosos, traiçoeiros, pervertidos, injustos. É da natureza humana. E quando têm o poder nas mãos, então, aí é que o estrago é maior, pois o acesso ao mal fica facilitado. Apenas mais um exemplo de incoerência: enquanto ecoam discursos feministas de “empoderamento”, esquerdistas que governaram São Paulo entregaram apenas metade das creches que haviam prometido em campanha. É fácil promover passeatas a favor do aborto, apoiar a marcha das “vadias” e coisas afins. Mas quando se trata do verdadeiro “empoderamento” (detesto essa palavra), que significa dar condições para que uma mãe possa sustentar ou ajudar a sustentar os filhos, a coisa muda de figura. Aí precisa de muito dinheiro. Mas cadê o dinheiro? [MB]

De que lado da revolução você quer ficar?

revolucaoNa introdução da sua brilhante obra, o historiador D’aubigné afirmou com precisão: “O cristianismo e a Reforma [Protestante] são as duas maiores revoluções da história” (História da Reforma do XVI Século, v. 1, p. 6). A Reforma foi uma revolução inspirada pela fé, tendo como colunas a defesa da verdade bíblica, da soberania do Senhor Jesus e da santidade da vida cristã. Onde quer que os princípios da Reforma eram aceitos floresciam liberdade e prosperidade. Para cada ação de Deus na História satanás suscita uma contrafação para desviar a mente das pessoas e até, se possível, direcioná-las para o lado contrário. Não foi diferente com a Reforma Protestante. O impacto dessa revolução da fé foi sentido com toda a sua intensidade no reino das trevas. E Satanás usou toda a astúcia do inferno para elaborar também sua revolução – a da incredulidade.

Depois de décadas e até séculos de gestação, essa revolução da incredulidade emergiu com força total durante a Revolução Francesa, em grande parte por causa da colaboração de Roma: “Foi o papado que começara a obra que o ateísmo estava a completar. A política de Roma produzira aquelas condições sociais, políticas e religiosas que estavam precipitando a França na ruína” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 276). “Em vez de manter as massas populares em submissão cega aos seus dogmas, sua obra [de Roma] teve como resultado torná-las incrédulas e revolucionárias” (ibidem, p. 281).

O espírito da revolução da incredulidade foi acolhido e propagado por diversos intelectuais no século 19. Seu expoente mais conhecido foi Karl Marx, o qual sistematizou seus princípios e modus operandi. De lá para cá a revolução da incredulidade conquistou o coração de milhões de adeptos ao redor do mundo e tornou-se protagonista em diversos eventos da História, como, por exemplo, a Revolução Bolchevique de 1917. E entre seus frutos é possível observar a degradação moral, a opressão e a ruína.

A revolução da incredulidade ganhou mais tarde uma nova roupagem – conhecida como marxismo cultural. E hoje sua força é sentida principalmente no mundo Ocidental. Cultura, educação, política, economia, tudo foi contaminado por esse espírito revolucionário. O filósofo Olavo de Carvalho estudou a fundo a estrutura de pensamento desse tipo de mente revolucionária e concluiu que sua principal característica é a maneira invertida de ver o mundo.

Essa visão invertida ocorre pelo menos de três formas:

  1. Inversão da percepção do tempo: quem não possui essa mente revolucionária vê o passado como algo imutável, e o futuro como algo ainda a ser definido. Os revolucionários da incredulidade por sua vez têm um projeto de futuro utópico na mente e acham que o passado pode ser reescrito ou reinterpretado para acomodar tal projeto. Esse futuro utópico é tão real para eles que até se vangloriam no presente, rejeitando qualquer fato que possa comprovar o contrário.
  2. Inversão da moral: revolucionários da incredulidade consideram que trabalham para um projeto de futuro perfeito e, portanto, suas ações de hoje são perfeitamente justificadas por esse projeto. Nesse raciocínio, nada do que o revolucionário da incredulidade faça (mentir, roubar, destruir, matar) é considerado por ele imoral.
  3. Inversão de sujeito e objeto: revolucionários seguem um comportamento padrão de se enxergarem sempre como vítimas nas diversas circunstâncias da vida. Então se o revolucionário mata alguém que se opõe a ele, a culpa é do opositor que não seguiu o caminho certo, ou seja, o da revolução. Dentro dessa visão invertida é muito comum fazerem do bandido o mocinho e do mocinho o bandido. E também projetarem em seus adversários seus próprios defeitos.

Existe uma surpreendente similaridade na estrutura de pensamento desse tipo de mente revolucionária com o modo de pensar do seu originador: Satanás:

  1. Inversão do tempo – reinterpretar o passado e gloriar-se pelo futuro utópico:

“Os empenhos de Satanás, de representar mal [reinterpretar?] o caráter de Deus, de levar os homens a acalentar um falso conceito do Criador, e assim considerá-Lo com temor e ódio, em vez de amor […] foram perseverantemente seguidos em todas as épocas” (O Grande Conflito, p. 12).

“Ele [Satanás] prometeu-lhes [aos anjos no Céu] um novo governo, melhor do que aquele que até então haviam conhecido, no qual tudo seria liberdade… Ao perceber ele que suas propostas alcançavam sucesso, gabou-se de que chegaria a ter a seu lado todos os anjos” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 39).

“Satanás… gabou-se orgulhosamente de que o mundo criado por Deus era seu domínio. Havendo conquistado Adão, o soberano do mundo, ganhara toda a raça humana como seus súditos. Possuiria o jardim do Éden e o transformaria em seu quartel-general. Ali estabeleceria seu trono para ser o soberano do mundo” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 58).

  1. Inversão da moral – os fins justificam os meios:

“Satanás foi astuto em apresentar seu ponto de vista da questão. Tão logo percebia [no Céu] que determinada posição era vista em seu verdadeiro caráter, trocava-a por outra. Tal não ocorreu com Deus. Ele podia operar com apenas uma classe de armas – a verdade e a justiça. Satanás podia usar o que Deus não usaria: o engano e a fraude” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 39).

“Satanás disse-lhes [aos anjos rebeldes] que tanto ele quanto os outros haviam ido longe demais para agora voltar, e que […] agora teriam de assegurar a liberdade deles e obter pela força a posição e autoridade que não se lhes havia sido concedida voluntariamente” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 43).

  1. Inversão do sujeito – objeto:

“Concordemente, Satanás e sua hoste lançaram a culpa de sua rebelião inteiramente sobre Cristo, declarando que se eles não houvessem sido acusados, não se teriam rebelado” (O Grande Conflito, p. 499).

“O objetivo do grande rebelde foi sempre justificar-se, e provar ser o governo divino responsável pela rebelião” (O Grande Conflito, p. 670).

“Embora incapaz de expulsar a Deus de Seu trono, Satanás O tem acusado com atributos satânicos e reivindicado como seus os atributos de Deus” (Cristo Triunfante, p. 10).

Portanto, vivemos em uma época de intensa batalha espiritual: “Todo o mundo cristão estará envolvido no grande conflito entre a fé e a incredulidade” (Ellen G. White, Eventos Finais, p. 137). A boa notícia nessa história é que a revolução da fé continua viva e atuante: “A Reforma não terminou com Lutero, como muitos supõem. Continuará até o fim da história deste mundo” (O Grande Conflito, p. 148). A defesa da verdade bíblica, da soberania do Senhor Jesus e da santidade da vida cristã continuará sendo a arma dessa revolução. “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 João 5:4).

Então só podemos dizer uma coisa: “Viva a revolução – da fé!”

(Sérgio Santeli é pastor da Igreja Adventista de São Bernardo do Campo, SP)