A origem do movimento Antifa e seu desalinhamento com os valores cristãos

“O governo sob que Jesus viveu era corrupto e opressivo; clamavam de todo lado os abusos – extorsões, intolerância e abusiva crueldade. Não obstante, o Salvador não tentou nenhuma reforma civil. Não atacou nenhum abuso nacional, nem condenou os inimigos da nação. Não interferiu com a autoridade nem com a administração dos que se achavam no poder. Aquele que foi o nosso exemplo conservou-Se afastado dos governos terrestres. Não porque fosse indiferente às misérias do homem, mas porque o remédio não residia em medidas meramente humanas e externas. Para ser eficiente, a cura deve atingir o próprio homem, individualmente, e regenerar o coração” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 358).

“Não tomeis parte em lutas políticas. Separai-vos do mundo, refreai-vos quanto a introduzir na igreja ou escola idéias que hão de levar a contendas e perturbações. As dissensões são o veneno moral introduzido no organismo pelos seres humanos egoístas” (Ellen G. White, Conselhos para a Igreja, p. 324).

“Existem sobre a terra duas raças humanas e realmente apenas essas duas: a ‘raça’ das pessoas direitas e a das pessoas torpes. Ambas as ‘raças’ estão amplamente difundidas. Insinuam-se e infiltram-se em todos os grupos; não há grupo constituído exclusivamente de pessoas direitas nem unicamente de pessoas torpes. Nesse sentido não existe grupo de ‘raça pura’.” Viktor E. Frankl

“O relatório de 2016 emitido pelo serviço de inteligência nacional da Alemanha, o Escritório Federal para a Proteção da Constituição (BfV), assinala […]: do ponto de vista do extremista de esquerda, o rótulo de ‘fascismo’ usado pelo Antifa muitas vezes não se refere ao fascismo real, mas é meramente um rótulo atribuído ao ‘capitalismo’. Enquanto os extremistas de esquerda afirmam lutar contra o fascismo ao lançar seus ataques contra outros grupos, o relatório afirma que o termo ‘fascismo’ tem um duplo significado sob a ideologia da extrema esquerda, indicando a ‘luta contra o sistema capitalista’. […] ‘O antifascismo é dirigido não apenas contra extremistas de direita reais ou hipotéticos, mas também contra o Estado e seus representantes, em particular contra os membros das autoridades de segurança’ (Escritório Federal da Alemanha para a Proteção da Constituição). […] Como diz Bernd Langer, ex-membro do grupo Antifa Autônomo, ‘o antifascismo é mais uma estratégia do que uma ideologia'” (EpochTimes).

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Membros da organização de extrema-esquerda Antifa fazem saudação com o punho cerrado em 1º de setembro de 1928. A intenção original do grupo era implantar uma ditadura comunista na Alemanha

Como você poderá ver na entrevista abaixo (uma verdadeira aula essencial para este tempo), cristãos nunca cruzaram os braços para as injustiças sociais, como as que foram e são cometidas contra os negros. Os pioneiros adventistas igualmente combateram atrocidades como a escravidão. A co-fundadora da Igreja Adventista (Ellen White) era abolicionista, considerava o racismo um pecado hediondo e chegou a dizer que quem manifestasse racismo deveria ser removido da igreja. No entanto, esses cristãos nunca levantaram o punho contra alguém, nunca atiraram pedras contra a propriedade alheia, não incentivaram o ódio contra essa ou aquela classe, nem empunharam bandeiras anticristãs como a do anarquismo e do comunismo. E por quê? Porque seguiram o mestre Jesus Cristo e procuraram ser como Ele. Leia de novo o texto acima, do livro O Desejado de Todas as Nações, e veja como o Senhor Se portou neste mundo escuro e injusto. Veja como adventismo e movimentos antifascistas de fundo comunista (assim como também o verdadeiro fascismo, o capitalismo selvagem e outros) são como água e óleo. Aí você descobrirá que o melhor que pode fazer pelas pessoas não é incentivar o ódio e a divisão, mas pregar-lhes o evangelho para que elas possam passar pela maior “revolução de todas”: a do coração e da mente. [MB]

Leia também: “Abraços, orações, escudos no chão: policiais mostram apoio às manifestações antirracistas nos EUA”

Na China, câmeras são instaladas dentro da casa de pessoas em quarentena

CHINA-HEALTH-VIRUSEm várias cidades da China, governos locais estão instalando câmeras de monitoramento em frente a casas de cidadãos em quarentena para vigiá-los durante o período de isolamento, revelou uma reportagem da CNN. Em alguns casos, as câmeras são instaladas dentro das residências. A informação se baseia em entrevistas e postagens nas redes sociais. Em 16 de fevereiro, cita a reportagem, uma publicação do gabinete de um subdistrito chinês na plataforma Weibo – similar ao Twitter – informou que câmeras haviam sido instaladas do lado de fora da entrada das casas das pessoas em quarentena para monitorá-las 24 horas por dia. Autoridades de um distrito de Hubei também disseram que estavam usando câmeras de monitoramento para vigiar residentes em quarentena. Na cidade de Hangzhou, uma companhia de telecomunicações estatal ajudou a prefeitura a instalar 238 câmeras para monitorar as pessoas que estavam em isolamento em casa.

A CNN conversou com um funcionário público da cidade de Changzhou, que teve uma câmera instalada dentro de seu apartamento depois de voltar de uma viagem a outra província chinesa. Segundo o relato dele, um policial e um trabalhador comunitário foram ao seu apartamento no dia seguinte à sua chegada e instalaram a câmera em uma estante, apontando para a porta de entrada. O trabalhador comunitário tinha acesso à filmagem em tempo real em seu celular. A polícia disse ao funcionário público que a câmera não poderia ser instalada do lado de fora do apartamento porque poderia ser vandalizada.

“(A câmera) teve um enorme impacto em mim psicologicamente”, disse à CNN o homem, que não quis ser identificado. “Tentei não fazer telefonemas, temendo que a câmera gravasse minhas conversas por acaso. Eu não conseguia parar de me preocupar, mesmo quando dormia, depois de fechar a porta do quarto.” Ele também contou à reportagem que outros dois moradores do prédio estavam passando pela mesma situação.

Outros países estão usando tecnologia para monitorar pacientes com Covid-19, mas não chegam a este nível de vigilância que vem sendo adotado por alguns governos locais na China. A Coreia do Sul, por exemplo, usa um aplicativo que rastreia o paciente via GPS e envia alertas quando as pessoas saem da quarentena.

Segundo levantamento do IHS Markit Technology com dados de 2018, a China é o país com mais câmeras de monitoramento no mundo, com uma câmera para cada 4,1 habitantes. Os Estados Unidos vem logo atrás, com uma câmera instalada para 4,6 pessoas.

(Gazeta do Povo)

Nota: Aos poucos, a liberdade vai sendo substituída pela alegada segurança. Aos poucos, as pessoas vão sendo cada vez mais monitoradas. O script profético vai sendo seguido à risca e o cenário sendo montado em todo o planeta. (Claro que os governos comunistas seriam mestres na arte que já conhecem tão bem.) [MB]

A vida depois do comunismo (testemunho)

O delírio comunista de Talíria Petrone

holodomorParte da esquerda brasileira e dos políticos de partidos como o PSOL jura que a União Soviética era um paraíso na Terra e que Lênin era bonzinho. Negam o Holodomor [foto ao lado], fingem que a Revolução Comunista não matou milhões na China e que a Coreia do Norte é uma democracia. Não fazem isso por ignorância. Alguns desses políticos e personalidades são, inclusive, professores de História. Acontece que, para que a utopia comunista continue fazendo sentido para essas pessoas, é preciso fechar os olhos para os milhões de mortos e para o fracasso que é intrínseco ao comunismo.

Na semana passada, presenciamos com horror o pronunciamento nazista de Roberto Alvim, então secretário especial da Cultura do Governo Federal. A indignação generalizada contra Alvim é uma boa notícia. Estamos em 2020 e aparentemente não existe espaço para uma ideologia assassina e totalitária como o nazismo no Brasil.

Agora imagine que houvesse uma corrente política, com representação no Congresso, que amenizasse os crimes dos nazistas e enaltecesse a figura de Adolf Hitler. Seria evidentemente algo intolerável. Infelizmente, essa corrente exaltando os crimes do comunismo existe. Talíria Petrone, deputada federal pelo Partido Socialismo e Liberdade (um oxímoro), fez um longo texto no Twitter pronunciando estultices como:

“Absurdo comparar Lênin a Hitler. Lênin está na história por declarar a paz, Hitler pela guerra. Lênin pelas obras de política e filosofia, Hitler pelo panfleto antissemita. Não faz sentido comparar a URSS com a Alemanha Nazista, pois foram os soviéticos que derrotaram o Nazismo.”

E foi além: “Lênin e a Revolução Russa ocupam lugar especial na tradição dos que lutam pela revolução da liberdade, igualdade, justiça e paz. Não aceitaremos a narrativa que criminaliza o comunismo. ‘Os comunistas guardam sonhos’.”

Outro professor e historiador, cujo nome não citarei (não pretendo tornar gente estúpida famosa, como alguém muito sábio já aconselhou), afirmou que o Holodomor, a fome forçada pela União Soviética aos ucranianos, é “propaganda anticomunista”.

Outra deputada federal, Sâmia Bonfim, que também é do PSOL, elogiou o texto de Talíria. E o erro ganhou legitimidade do partido. O PSOL fez uma homenagem na qual afirmou: “Há 96 anos o mundo perdia Vladimir Lênin, que liderou a Revolução Russa de 1917. Mesmo um século depois, sua lição segue viva: uma outra sociedade que seja guiada pelo poder do povo e não pelo poder do dinheiro é possível. Viva os comunistas!”

Esses exemplos deixam claro que é preciso uma mudança de atitude da sociedade brasileira. A imprensa, a classe política e a classe intelectual precisam bater de frente com narrativas que relativizam o horror comunista – da mesma forma que abominam o nazismo. A velha justificativa de que o comunismo foi deturpado não cola mais. União Soviética, China, Camboja, Cuba, Venezuela e Coreia do Norte produziram muito socialismo e nenhuma liberdade. E isso não é propaganda anticomunista. É só a realidade.

(Jones Rossi, Gazeta do Povo [praticamente o único jornal brasileiro que se atreve a tratar de temas como esse])

 Nota 1: Se você duvida do que Jones escreveu, que tal assistir ao testemunho de uma psicóloga adventista ucraniana. Ela, cuja família viveu os horrores do comunismo na Ucrânia, por certo está em seu “lugar de fala”. Clique aqui. [MB]

Nota 2: Alguns perguntam por que critico o comunismo. Simples: porque as ideias de Marx foram divulgadas “coincidentemente” no mesmo período histórico em que despontaram o evolucionismo darwinista, o espiritismo moderno e a antítese dos três: o criacionismo adventista bíblico. Portanto, não se trata de simplesmente discutir política (o que não me interessa); não se trata de ser de esquerda ou de direita (porque creio que nossa esperança está no Alto), mas de discutir e denunciar ideologias que se opõem às três mensagens angélicas de Apocalipse 14 – a mensagem mais importante que devemos proclamar. Tome algum tempo para assistir aos vídeos abaixo e entender melhor o que quero dizer. [MB]

Documentário conta história de família que viveu no regime comunista na Ucrânia

Leia também: “Adventista sobreviveu ao regime comunista na Ucrânia”

Dica de leitura: Ainda que Caiam os Céus, do pastor Mikhail Kulakov (compre o seu)

Eva dando o troco na serpente (na medida do possível)

eva02O Brasil conheceu, nesta semana, a jovem jurista holandesa que por causa de seu discurso conservador em um congresso político do partido de direita holandês “Fórum pela Democracia”, virou o novo alvo da esquerda na Holanda. Em seu país, Eva Vlaardingerbroek, de 23 anos, recebeu alguns títulos como: “princesa ariana”, “serva da direita radical” e “nacionalista branca”. A pedido de muitos leitores, o Conexão Política traduziu o discurso da bela jurista da “direita radical”. Abaixo, o discurso de Eva [que é doutora em Filosofia Jurídica]:

Senhoras e Senhores, quando foi anunciado que eu iria falar sobre os perigos do feminismo contemporâneo, as reações raivosas surgiram imediatamente. Como mulher, como você pode ser contra o feminismo? Afinal, sem o feminismo, você não teria permissão para votar, não poderia trabalhar e, portanto, não teria permissão para estar aqui nesta plataforma?”

Minha resposta é simples: o feminismo contemporâneo não tem absolutamente nada a ver com isso. Na verdade, essas liberdades fundamentais estão sob pressão como resultado do mesmo feminismo moderno. Isso soa um pouco exagerado para os senhores? Então, aconselho os senhores a dar uma olhada em uma das Marchas das Mulheres em Amsterdã. Os senhores verão todos os tipos de bandeiras passando, como a bandeira Antifa, a bandeira do arco-íris, a bandeira da Palestina e até diversas bandeiras comunistas. Os gritos que os senhores ouvem lá variam de “morte ao patriarcado” e “todos os homens são lixo” a “todos os refugiados são bem-vindos aqui”. Os senhores veem o paradoxo?

O homem ocidental é o inimigo principal, mas a imigração em massa de centenas de milhares de homens solteiros de sociedades muito “patriarcais” aparentemente não é problema. E enquanto isso, no paraíso multicultural da Suécia, um terço das jovens agora enfrenta assédio sexual. Tal fato deve nos fazer pensar. É melhor parar algo prematuramente do que continuar até que dê completamente errado.

Bem, não se depender de nossas feministas modernas. A marcha delas já se transformou em um grupo de pessoas despreocupadas e indiferentes que nos levarão a situações prejudiciais e perigosas. Mas os únicos que não percebem isso são elas mesmas.

Senhoras e Senhores, em 2012, o músico e documentarista Jan Leyers disse algo que me tocou. Cito: “Para mim, apenas faz sentido uma Europa em que homens e mulheres interagem entre si de maneira descontraída, onde mulheres podem ser elas mesmas, sem ter que temer pelo seu corpo ou partes dele.”

Por mais verdadeiro que seja esse comentário, a inevitável conclusão é que muitas cidades na Europa já não são europeias.

Mas por que isso não é um problema para as feministas modernas? A resposta é que a feminista moderna não gosta da Europa nem dos valores europeus. Ela está muito ocupada – com todos os tipos de fissuras imaginárias, com “brinquedos neutros” em termos de sexo e com o crescimento de seus pelos nas axilas – para enxergar que é precisamente essa civilização europeia que garantiu que ela desfrute de mais liberdades do que as mulheres em qualquer outro lugar do mundo.

Para que não haja mal-entendidos: a igualdade perante a lei entre homens e mulheres é uma joia da coroa da civilização europeia. Então, o que impulsiona essas feministas contemporâneas? Para responder a essa pergunta, precisamos voltar à Marcha das Mulheres de Amsterdã com suas bandeiras comunistas. Essas bandeiras não estão lá à toa: hoje o feminismo caiu sob o feitiço do marxismo cultural. Mas, agora, a tradicional luta de classes foi substituída pela luta de mulheres e minorias contra um novo “opressor”, a saber: o homem branco. E como você liberta a sociedade desse suposto “opressor”? Negando ou suspeitando de todas as diferenças entre homens e mulheres.

Diariamente percebemos como essas feministas são influentes: [Na estação de trem: o chamado no alto-falante] “Senhoras e senhores” agora é “Prezadxs viajantes”; os absorventes para mulheres são subitamente chamados de “absorventes para pessoas menstruadas” e, se depender do D66 [partido progressista na Holanda], as delegacias de polícia não têm funcionários, mas “pessoal”. Oh, e senhores no salão, vocês abrem às vezes a porta para uma mulher por cavalheirismo? Então, de acordo com as feministas de hoje, vocês são sexistas. Antes de concluir, gostaria de ler para vocês uma citação de um pensador francês, Alexis de Tocqueville, que é muito admirado em nossos círculos.

Cito: “Existem pessoas na Europa que, confundindo os diversos atributos dos sexos, afirmam tornar o homem e a mulher não apenas seres parecidos, mas idênticos…degradando os dois, e criando apenas homens fracos e mulheres indecentes.”

Tocqueville escreveu essas palavras em 1840. Agora, 180 anos depois, elas são mais atuais do que nunca. O feminismo contemporâneo se perdeu. Devemos retornar aos verdadeiros valores europeus e nos libertar do pensamento totalitário das feministas contemporâneas.

Para o interesse de todos nós, homens, mulheres e nossa sociedade.

Agradeço aos senhores.

(Conexão Política)

Adventista sobreviveu ao regime comunista na Ucrânia

svitlanaPsicóloga pós-graduada em Psicologia do Trauma e mestre em Terapia Cognitivo-Comportamental, Svitlana trabalhou em uma prisão de segurança máxima e com terapia assistida por golfinhos; hoje vive no Brasil e trabalha como psicóloga e palestrante

Quando Svitlana Samoylenko nasceu, quatro anos antes da queda do Muro de Berlim, o comunismo dava seus últimos suspiros. Do fim daquele regime ela lembra pouca coisa, detalhes como a cor do uniforme escolar e a disciplina rígida ensinada às crianças. Natural de Kirovograd, Ucrânia, ela morou no leste do país, na cidade de Lugansk, até terminar os estudos primários. Se por décadas os adventistas de lá sofreram perseguição atrás da “cortina de ferro”, hoje a igreja é prejudicada pela crise política que divide o país, e os próprios membros, entre os separatistas pró-Rússia e os mais alinhados com a União Europeia. No fim de 2014, por exemplo, um pastor adventista foi sequestrado e solto semanas depois com vários problemas de saúde, pois foi deixado apenas com a roupa do corpo em uma cela, no meio do inverno, sem comida suficiente. Nenhuma razão foi dada para essa prisão. Apesar de viver no Brasil com o esposo que é pastor em Curitiba, e de estar geograficamente distante da Ucrânia, Svitlana carrega consigo a inspiração que recebeu das histórias contadas por seus pais e avós. Nesta entrevista, concedida ao jornalista Michelson Borges, ela fala um pouco sobre como sua família e a fé adventista sobreviveram sob o regime comunista.

Como foi sua infância na Ucrânia?

Ucrânia é um dos maiores países da Europa e foi chamada de “cesta de alimentos” da ex-União Soviética. O país tem uma história interessante, pois fez parte de diferentes impérios em diferentes épocas, sem perder sua identidade e língua. Onde nasci, no leste, falávamos russo. Mas eu sei também ucraniano, por influência dos meus avós.

Minha infância foi bem normal. O ensino na escola tinha alto nível de cobrança, principalmente nas disciplinas de ciências e matemática. As aulas só eram canceladas quando a temperatura caía para 20 graus negativos. Como uma típica criança adventista, eu estudei violino em uma escola de música. Tínhamos aulas quase a semana toda.

O maior evento da minha infância foi a chegada dos pastores norte-americanos à Ucrânia, logo depois da queda da União Soviética. Os adultos estavam empolgadíssimos. Meu pai foi o motorista dos evangelistas, pois era o único que tinha um carro na vila. Eles trouxeram brinquedos de pelúcia, que não existiam na época, além de adesivos e lápis de cor, com cores e formas que nunca havíamos visto.

Seu avô foi pastor na época da União Soviética (URSS). Foi difícil para ele?

Como os outros pastores, ele tinha seu emprego normal durante o dia e exercia seu ministério à noite, sem receber salário por isso. Antes de a minha mãe se casar, ela mudou de casa onze vezes, pois, quando alguém na cidade em que moravam descobria que eram cristãos, meu avô era ameaçado. Algumas vezes, no mesmo dia em que chegava a uma cidade, ele já recebia um recado: tinha que deixar o lugar em 24 horas.

Meus avós paternos também eram muito ativos na “igreja”. Eles organizavam cultos escondidos para que os adventistas pudessem ter um momento de adoração aos sábados. Tudo feito em segredo. Enquanto o culto era realizado no porão de uma casa, uma criança era incumbida de “brincar” no quintal. Caso a polícia chegasse, ela deveria gritar alguma frase-código para que os adultos, no porão, se preparassem. Então as Bíblias eram escondidas dentro de massas de pão e colocadas para assar. Cada um começava uma atividade diferente, como se estivessem preparando uma festinha de aniversário.

Os “concílios” ou reuniões de planejamento eram realizados na casa do meu avô, pois era a última residência da vila. Assim, os pastores pegavam o último ônibus para a vila e se escondiam na floresta até que anoitecesse e pudessem entrar na casa do meu avô. Faziam a reunião durante a noite toda e, antes de raiar o dia, saiam e se escondiam na floresta novamente, até o horário do primeiro ônibus, para que então voltassem ao trabalho.

O que vocês faziam para ter os livros da igreja?

Como não havia livros de Ellen White disponíveis, cópias eram feitas a mão e a partir de raríssimos originais. Em 1965, meu avô paterno copiou o livro Primeiros Escritos. Todos os livros eram encadernados por ele com uma máquina que havia construído.

Quando o dinheiro foi suficiente para comprar uma máquina de datilografia, as coisas ficaram muito mais fáceis. Usando papel carbono, dez folhas podiam ser copiadas de uma vez. O trabalho era feito à noite para evitar suspeita. Minha avó estendia cobertores nas janelas para abafar o som, e ela datilografava com a máquina sobre um travesseiro e cobertores por cima de sua cabeça.

Depois as páginas eram distribuídas sobre uma mesa para que os livros fossem montados. Posteriormente, meu pai aprendeu a tirar e revelar fotos por si mesmo e começou a fotografar as páginas dos livros originais. Dessa forma, o evangelho poderia ser pregado mais rapidamente.

Os adventistas, especificamente, sofreram muito no regime comunista.

Sim. Quando meu pai era criança, havia o constante perigo de as famílias adventistas perderem seus filhos, pois os pais que não enviavam as crianças para a escola no sábado eram considerados inaptos e corriam o risco de perder a guarda delas. Por isso, meus pais foram à escola, mesmo no sábado, até completarem o ensino médio, caso contrário, seriam enviados a um orfanato. Mas meus avós ensinaram valores aos filhos, o que fez com que eles continuassem firmes.

Meu pai foi proibido de frequentar a faculdade, assim como seus irmãos, pois, mesmo tendo passado em todos os exames, “crentes” não deveriam ter nenhum direito. O mesmo acontecia com os melhores empregos. Na primeira vez que meu avô viu uma van cheia de Bíblias, quando os evangelistas americanos chegaram na década de 1990, ele chorou. Para ele, durante muito tempo isso pareceu impossível!

Hoje, com o fim do comunismo em seu país, os adventistas podem distribuir livros livremente por lá?

Eles podem e o fazem. Na vila em que meus pais moram, eles distribuem livros regularmente. Mesmo com idade avançada e recursos escassos, meu avô compra vários livros, CDs, DVDs, e qualquer material da igreja para estudar e distribuir.

Há alguns anos, um amigo do meu avô disse que ele sentia que durante a perseguição os cristãos são mais dedicados. Ele lembrou que quando tudo era proibido, os adventistas arriscaram a vida para adorar a Deus. Mas o conforto trouxe certo marasmo à vida da maioria, fazendo com que muitos desanimassem ou mesmo desistissem diante de qualquer problema.

De que forma essas experiências moldaram você?

Elas me fortaleceram para vencer muitas tentações. Até hoje não consigo colocar a Bíblia no chão ou embaixo de outro livro. O sábado também sempre foi tão sagrado para mim que nem passa pela minha cabeça deixar de guardá-lo por causa de um emprego. Sobre os dízimos e as ofertas, aprendi que, mesmo com a crise, tudo o que recebo deve ser consagrado a Deus.

De que maneira a Igreja Adventista está enfrentando a atual crise na Ucrânia?

No leste da Ucrânia, onde vivi, a igreja é relativamente forte. Infelizmente, com a crise, os adventistas também estão divididos entre Rússia e União Europeia. Meus pais estão cuidando de quatro famílias que fugiram do leste do país, e essas pessoas, assim como milhões de outras, não têm nenhuma perspectiva de quando poderão voltar para casa. Conheço muitos que perderam filhos, pois bombas estão sendo jogadas sobre a população.

Eu não imaginava que uma barbaridade dessas poderia acontecer de forma tão abrupta. Mas isso só nos mostra que, mesmo em nossa época, a qualquer momento, nossa liberdade pode ser tirada. Sabemos que nosso tempo aqui na Terra está acabando. É hora de acordar da sonolência espiritual e viver o privilégio da liberdade em Cristo.

 

A psicóloga

Lana, como é chamada pelos amigos brasileiros, fez intercâmbio organizado pelo governo dos Estados Unidos, em 2001, e depois foi estudar no Newbold College, na Inglaterra. Formou-se em Psicologia e concluiu uma pós-graduação em Psicologia do Trauma e um mestrado em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atuou durante oito anos na Inglaterra, numa clínica particular, e também numa prisão de segurança máxima, com criminosos perigosos. Além disso, trabalhou com terapia assistida por golfinhos, com crianças e adultos autistas e com paralisia cerebral. Foi também na terra da rainha que Lana conheceu Daniel Meder, na época estudante de Teologia. Casados desde agosto de 2013, o casal pastoral trabalha em Curitiba, PR.

ceusNota: Quem viveu os horrores dos regimes comunistas ateus não quer sob hipótese alguma a volta desse tipo de ditadura perseguidora e opressiva. Se você duvida de que a situação dos cristãos foi tão difícil nesses países, sugiro a leitura do livro Ainda que Caiam os Céus, do pastor adventista Mikhail Kulakov, um dos muitos líderes religiosos perseguidos pelo governo comunista da antiga União Soviética. E se ainda duvida da crueldade comunista praticada contra a Ucrânia, pesquise sobre o Holodomor (se tiver estômago). [MB]

Leia também: “Assista a este filme e conheça a verdadeira face do comunismo” e “Parlamento Europeu aprova resolução que coloca nazismo e comunismo em pé de igualdade”

Assista aos meus vídeos sobre comunismo (clique aqui).

Campanha de oração na Ucrânia contra a volta do comunismo completa cinco anos

Captura de Tela 2019-12-01 às 07.36.19O regime comunista silenciou os cristãos por muitos anos e hoje eles temem sofrer as mesmas perseguições do passado

Em 2014 a cidade foi palco de protestos de grupos separatistas que estavam fortemente armados e usavam tanques de guerra. A agitação ameaçava a liberdade religiosa de 23 anos que alimentou essa geração pós-comunista. Foi nesse cenário que pastores e líderes evangélicos iniciaram a campanha de oração que significa que não foi uma batalha política, mas uma batalha espiritual de proporções épicas, pois a liberdade de adorar, reunir-se como igrejas, orar publicamente e compartilhar sua fé com os outros estava ameaçada.

“Esta é a geração de filhos cujos pais foram mortos por causa da fé, cujos pais passaram a maior parte do tempo na prisão por causa da fé. Conhecíamos a verdadeira face do comunismo e dissemos: ‘Senhor, não sabemos o que fazer. Nossos olhos estão em você, Senhor.’ A única esperança estava no Senhor”, disse o pastor V, um dos principais organizadores da reunião de oração.

O governo comunista durou 72 anos na Ucrânia. Nesse período as igrejas e atividades evangélicas foram proibidas. Muitos cristãos que pregavam, ensinavam das Escrituras ou compartilhavam o Evangelho foram forçados a viver na clandestinidade e foram severamente perseguidos.

As crianças que nasceram nesse período, como relembra o site BP News, foram ensinadas na escola que Deus não existia. Ainda depois da Segunda Guerra Mundial as condições eram perigosas.

Os batistas e outros crentes protestantes na extinta URSS estavam confinados em hospitais psiquiátricos, presos e até privados de seus direitos parentais em alguns casos.

Foram muitos anos até que a liberdade religiosa voltasse ao país e desde então a Ucrânia se tornou o cinturão bíblico da Europa Oriental. É o centro da vida evangélica em toda a antiga União Soviética, liderando o caminho na plantação de igrejas e no envio de missionários.

Mas após a atuação de separatistas de 2014, as igrejas evangélicas foram fechadas e ameaçadas de multas nas principais cidades do território ocupado. Por isso que a campanha de oração tem sido necessária, pois eles temem que o regime comunista volte a calar a igreja. “Nesse momento, eu teria medo de não orar”, disse o pastor V. “Nós sabemos o que está em jogo.”

(Gospel Prime)

Nota: Quem viveu os horrores dos regimes comunistas ateus não quer sob hipótese alguma a volta desse tipo de ditadura perseguidora e opressiva. Se você duvida de que a situação dos cristãos foi tão difícil nesses países, sugiro a leitura do livro Ainda que Caiam os Céus, do pastor adventista Mikhail Kulakov, um dos muitos líderes religiosos perseguidos pelo governo comunista da antiga União Soviética. [MB]

Leia também: “Assista a este filme e conheça a verdadeira face do comunismo” e “Parlamento Europeu aprova resolução que coloca nazismo e comunismo em pé de igualdade”

Assista aos meus vídeos sobre comunismo (clique aqui).

Prefeitura de Porto Velho, Exército e Igreja Adventista discutem ajuda aos venezuelanos

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A secretária municipal adjunta de Assistência Social e Família (Semasf), Ana Maria Negreiros, se reuniu na manhã de quarta-feira (6) com os oficiais do Exército, coronel Urubatã, tenente-coronel Fábio, tenente-coronel Zimmermann e capitão Curti, mais o representante da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA, da Igreja Adventista), João Dias, o psicólogo Giovany e a educadora Socorro Leite, da equipe de Abordagem Social da Semasf, para tratar de ajuda aos imigrantes venezuelanos. Foi apresentado por parte dos representantes militares uma proposta de parceria para a criação da Casa de Passagem para venezuelanos que participam do processo de interiorização.

A secretária adjunta explicou que o município, por meio da Semasf, já conta com uma Casa de Passagem – Albergue Municipal Frei Damião – que atende à população vulnerável em trânsito, na qual se encaixam – por determinação do prefeito Hildon Chaves – os migrantes venezuelanos.

Diante da explicação foi proposto pelos militares que os venezuelanos que estão de passagem pela Capital sejam então incluídos, se assim o desejarem, no programa de interiorização. Também foi discutido o protocolo de atendimento para venezuelanos que chegam ao município de forma espontânea. Os militares apresentaram o protocolo de atendimento adotado em Boa Vista (RR), tido como modelo bem-sucedido para atendimento emergencial e resolução da crise migratória. Também foi apresentada a forma que julgam eficaz de atender os indígenas Warão, da Venezuela.

Por fim, a equipe de Abordagem Social da Semasf foi convidada a uma visita técnica guiada à Roraima, para verificar in loco e conhecer o trabalho realizado pelo Projeto Acolhida do Governo Federal. Felizes pelo resultado positivo da reunião, os integrantes celebraram o pacto de ajuda mútua.

(Rondônia Dinâmica)

Nota: É bom ver igreja, Exército e governantes unidos para amenizar o sofrimento de seres humanos, mas é triste ver também os resultados nefastos da ditadura marxista que destruiu um país que poderia ser próspero. Aliás, basta dar uma olhada na história para perceber o estrago feito pela aplicação de uma ideologia que é muito “bonitinha” – na teoria e nos PDFs lidos por universitários comunistas de iPhone: cem milhões de mortos no século 20, pessoas desesperadas arriscando a vida em fugas (nunca se viram alemães ocidentais tentando pular o muro para o lado oriental; coreanos do Sul fugindo para o norte; nem qualquer estrangeiro tentando entrar de balsa em Cuba). O marxismo/comunismo é uma ilusão destruidora tanto quanto o capitalismo selvagem, o que evidencia nossa necessidade desesperada de intervenção – não militar, mas celestial. Enquanto Jesus não vem, cabe a nós, cristãos, ajudar a minorar o sofrimento das vítimas dos regimes corruptos que tanto sofrimento causam à vida dos inocentes. [MB]

Parlamento Europeu aprova resolução que coloca nazismo e comunismo em pé de igualdade

nazicomunismoNo último dia 19 de setembro, a União Europeia colocou comunismo e nazismo em pé de igualdade, depois de aprovar no Parlamento Europeu uma resolução condenando ambos os regimes por terem cometido “genocídios e deportações, e foram a causa da perda de vidas humanas e liberdade em uma escala até agora nunca vista na história da humanidade”. A resolução Importance of European remembrance for the future of Europe contou com 535 votos a favor, 66 contra e 52 abstenções, noticiou o jornal espanhol ABC nesta terça-feira. Apesar do significado histórico, essa resolução passou despercebida pela maioria, ainda que este seja tema de debate recorrente entre os historiadores desde a queda da União Soviética há três décadas.

De acordo com o ABC, o jornalista polaco Ryszard Kapuscinski chegou a essa conclusão em 1995: “Se pudermos estabelecer a comparação, o poder destrutivo de Stalin era muito maior. A destruição levada a cabo por Hitler não durou mais de seis anos, enquanto o terror de Stalin começou na década de 1920 e prolongou-se até 1953.”

O debate alcançou seu auge em 1997, com a publicação do Livro Negro do Comunismo, que foi escrito por um grupo de historiadores sob a direção do investigador francês Stéphane Courtois, que se esforçaram por fazer um balanço preciso e documentado das verdadeiras perdas humanas do comunismo. Os resultados foram esmagadores: cem milhões de mortos, muito mais do que o valor atribuído por esses mesmos historiadores ao regime de Hitler, cujo genocídio estima-se que tenha deixado 6 milhões de vítimas.

Apesar de tudo, esses números não são uma novidade. Outros investigadores, como Zbigniew Brzezinski, Robert Conquest, Aleksandr Solzhenitsyn e Rudolph Rummel, já se tinham interessado anteriormente pelo Gulag, a fome causada por Stalin na Ucrânia e as deportações em massa dos dissidentes do regime soviético.

Uma das diferenças entre os dois regimes é que o Gulag soviético foi usado para punir e eliminar dissidentes políticos, com o objetivo de transformar as estruturas socioeconômicas do país e promover a coletivização e a industrialização. Os nazis, por seu lado, usavam os campos de concentração principalmente para extermínio de vários grupos étnicos, políticos e sociais. O regime nazi foi culpado do genocídio de judeus, ciganos, homossexuais e comunistas.

hitler stalin

A resolução aprovada pelo Parlamento Europeu é bastante incisiva, nela se apelando “a uma cultura comum da memória que rejeite os crimes dos regimes fascista e estalinista e de outros regimes totalitários e autoritários do passado como forma de promover a resiliência contra as ameaças modernas à democracia, em particular entre a geração mais jovem”. Também se manifesta “profundamente preocupado com os esforços envidados pela atual liderança russa para distorcer os fatos históricos e para ‘branquear’ os crimes cometidos pelo regime totalitário soviético, e considera que esses esforços constituem um elemento perigoso da guerra de informação brandida contra a Europa democrática com o objetivo de dividir a Europa”.

(Observador)