Adventistas apoiaram a revolução cubana?

Há perseguição religiosa em Cuba ou é apenas uma “narrativa imperialista estadunidense”? Este texto analisa o tema a partir da Revolução Cubana até hoje.

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Certamente, muitos adventistas viram na revolução uma “libertação redentora”[1] da ditadura de Fulgencio Batista. Há relatos de que muitos adventistas celebraram a vitória da revolução e ficaram entusiasmados com o início do novo governo. Mas logo começaram as restrições, desapropriações, perseguições e prisões,[2] e eles perceberam que a velha ditadura tinha sido substituída por outra.

Argelio Rosabal foi um adventista que ajudou Che Guevara logo após os revolucionários chegarem a Cuba no barco Granma. Rosabal lhe deu roupas e cuidou de sua saúde (Che sofria ataques de asma). Nas palavras do próprio Che Guevara: “Estávamos na casa de um adventista chamado Argelio Rosabal, que todos conheciam como El Pastor. Esse camarada, ao ouvir a infeliz notícia, rapidamente fez contato com outro camponês, que conhecia muito bem a região e que disse simpatizar com os rebeldes.”[3] Rosabal foi o primeiro camponês a ajudar as forças revolucionárias.

Che Guevara também utilizou o Colégio Adventista de las Antillas como ponto de apoio numa batalha decisiva, mas, nesse caso, os adventistas não tiveram a opção de não colaborar. Apesar disso, Che sabia que os adventistas não participariam de uma luta armada nem de sua política.[4] Che desenvolveu respeito pelos adventistas por causa dessas experiências,[5] e isso foi vantajoso para os adventistas, pelo menos no início da revolução.

Porém, ainda que os adventistas tenham obtido alguma vantagem temporária por causa da gratidão de Che Guevara, a realidade é que o governo revolucionário perseguiu violentamente crentes de várias religiões, inclusive adventistas. Segundo Jeff King, presidente da International Christian Concern, o discurso inicial de Castro para os crentes era algo como: “‘Olha, você não precisa se preocupar conosco, os comunistas. Vamos criar uma utopia juntos. Somos seus amigos, etc.’ Assim que ele conseguiu o poder, você sabe o que aconteceu. Ele fez o que os marxistas sempre fazem. E o martelo desceu, e ele começou a prender, torturar e matar pastores.”[6]

Após um início de governo aparentemente amistoso com as religiões, a situação mudou rapidamente: “A existência de um conflito ideológico latente, produzido a partir da aceitação de padrões ateístas nas organizações estatais e partidárias, provocou múltiplas polêmicas, questão que se intensificou a partir de março de 1963, quando o Comandante Fidel criticou a atitude de um grupo de igrejas que fazia proselitismo no campo, entre eles os pentecostais, o Partido Evangélico Gideão, os adventistas do sétimo dia e as testemunhas de Jeová. Essas denominações entraram em conflito com o Estado por um conjunto de fatores que, juntos, apareceram como elementos negativos ao processo revolucionário e passíveis de ser utilizados pelo imperialismo: sua alienação da política, seu conformismo arraigado, seu profundo espírito de proselitismo, a rejeição do trabalho voluntário e da participação em organizações armadas como as milícias, além do fato de alguns considerarem o sábado como um dia de adoração a Deus e no qual não se podia trabalhar, sem desconsiderar as atitudes contrarrevolucionárias de alguns de seus fiéis.”[7]

A face antirreligiosa da revolução não demorou a aparecer, e ela pode ser ilustrada com a história da família Rosabal, que havia ajudado Che Guevara. Há evidências de que Argelio Rosabal recebeu o apelido de “pastor” do próprio Che Guevara. Sua esposa cozinhou para Fidel na Sierra Maestra, e como reconhecimento pela ajuda recebida, o governo revolucionário deu uma casa à família.[8]

Ironicamente, o filho de Argelio Rosabal, Omar Rosabal, adventista, casado, pai de cinco filhos, foi falsamente acusado de agenciar prostitutas, condenado a oito anos de prisão (depois de apelação, pois a previsão era de 20 anos de prisão!). O governo expulsou sua família de casa, agrediu mulheres, inclusive sua filha de 13 anos, retirada de casa à força, nua (ela acabou hospitalizada e desenvolveu pensamentos suicidas).[9] Além disso, destruíram o túmulo de Argelio Rosabal, que havia ajudado Che Guevara na revolução.[10]

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As testemunhas posteriormente teriam admitido que deram falso testemunho porque foram ameaçadas pela polícia,[11] e testemunhas de defesa também foram presas.[12] O irmão de Argelio, Onésimo Rosabal, também foi condenado a um ano de prisão, mas que poderia ser substituído por um ano de trabalho forçado.[13]

Omar Rosabal foi considerado preso político, e houve uma mobilização internacional para que ele fosse liberto. O caso foi analisado por um grupo de trabalho na Comissão de Direitos Humanos da ONU,[14] que considerou a prisão como “arbitrária”, e uma violação dos artigos 9, 10 e 11 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.[15] Omar foi solto em dezembro de 2019, mas, segundo testemunho de familiares, continua sendo monitorado e ameaçado. Seu irmão, Argelio R. Sotomayor, lamenta por “todos aqueles que, cegamente, involuntariamente e obedecendo a esse medo que inocularam em nosso sangue, continuam a defender o sistema que os mata com miséria e fome, e continuam a gritar ‘Viva Fidel’”.

Foi assim que a família adventista que ajudou Che Guevara foi tratada pelos revolucionários. Assim, a “gratidão” inicial de Che Guevara se transformou em ingratidão revolucionária. O filho do senhor Rosabal, Argelio R. Sotomayor, assim se manifestou a respeito da revolução:

“Todos os cubanos devem estar cientes dos abusos e das torturas de que tantos cubanos foram vítimas, pelo único crime de pensar diferente e não querer para Cuba aquele regime vergonhoso e letal que trouxe tanto sofrimento e morte à ilha e ao mundo: o castrocomunismo. Tenho vergonha de meu pai ter sido o primeiro camponês a ajudar aquele bando de aventureiros cujo único objetivo era tirar do poder a ditadura de Batista para implantar sua própria ditadura, aquela que há mais de 60 anos sujeita os cubanos, oprimindo-os, aprisionando-os, privando-os de liberdade e direitos fundamentais.

“É claro que nunca passou pela cabeça do meu pai que o movimento que estava em suas mãos degeneraria no monstro sangrento que se tornou o que se chamou de Revolução, e ele foi enganado como tantos milhões de cubanos, dos quais apenas uma parte tivemos a oportunidade de abrir os olhos e ver a realidade.

“Se alguma vez acreditei que ser contrarrevolucionário era uma ofensa, hoje, depois de 62 anos de miséria e fome, repressão e prisão, creio que constitui o maior orgulho de qualquer cubano, eu o primeiro.

“Se José Martí, nosso herói nacional, pudesse ver em que uma gangue de criminosos, mafiosos e burgueses transformaram Cuba, seria o primeiro a pegar no facão e se jogar de novo no mato.

“Nós, cubanos, somos um só povo, embora eles tenham tentado nos dividir em bons e maus, em revolucionários e vermes, em patriotas e mercenários, em leais e traidores.

“É uma grande realidade, e é que todos queremos um país livre, soberano, democrático e próspero, com todos, dentro e fora; que só há um inimigo que impede de atingir esse objetivo: a ditadura comunista castrista liderada por um grupo de octogenários burgueses.

“Mas esse regime ditatorial está com os dias contados, apesar de sua ostentação e do abuso da força; porque não há nada nem ninguém que possa impedir o desejo de um povo decidido a ser livre. E isso acontecerá no mesmo dia em que todos os cubanos, de dentro e de fora, se unam e saiam às ruas de Cuba e de todos os países do mundo onde estamos, para exigir o fim da ditadura, a formação de um governo provisório, a convocação de eleições livres e constituição por sufrágio livre e universal de um governo decente e democrático.”[16]

No início do governo revolucionário, “houve entusiasmo e esperança para a maioria das pessoas, ‘uma lua de mel’”.[17] Mas a tendência antirreligiosa se impôs, como fica evidente no texto da (Artigo 54) Constituição de 1976, que diz: “(1) O Estado socialista, que fundamenta sua atividade e educa o povo na concepção científica materialista do universo, reconhece e garante a liberdade de consciência, o direito de todos de professar qualquer crença religiosa e de praticar o culto de sua preferência.”

O estado socialista admite o ateísmo como visão de mundo, e acrescenta que “(2) A lei regula as atividades das instituições religiosas”. Assim, apesar de supostamente garantir a liberdade religiosa, o governo ateísta avisa que “(3) É ilegal e punível opor a fé ou crença religiosa à revolução, à educação ou ao cumprimento de […] outros deveres estabelecidos pela constituição”.[18]

A base legal para perseguição se completa com o Código Penal de 1978 (Artigo 237) sobre o abuso da liberdade de culto: “Quem, abusando da liberdade de culto garantida pela Constituição, opõe a crença religiosa aos objetivos da educação ou ao dever de trabalhar, de defender a pátria com armas, ao reverenciar seu símbolo ou qualquer outro estabelecido na Constituição, é punido com pena privativa de liberdade de três a nove meses, multa de até 270 cotas ou ambas.”[19]

Ou seja, a educação é ateísta, e nenhum religioso poderia se opor a essa visão de mundo. Como isso poderia dar certo na prática? Resultou no óbvio: fim da liberdade religiosa e perseguição.

Os adventistas foram considerados contrarrevolucionários?

Sim. A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) em Cuba é descrita como uma “seita em conflito com o Partido Comunista”, pois são “diferentes ideologias”.[20] Várias fontes afirmam que os adventistas foram considerados contrarrevolucionários por irem contra o Artigo 54 da Constituição de 1976. Os adventistas e as testemunhas de Jeová foram perseguidos porque suas crenças não coincidiam com as do governo.[21] Historicamente, a IASD sempre procurou manter boas relações com os governos, sem denotar apoio político. Logo após a revolução, a IASD foi convidada a assinar publicamente um apoio ao novo governo revolucionário, mas recusou.[22]

Um relatório sobre os direitos humanos afirma que, apesar de apresentar alguma melhora, “a perseguição religiosa continua. […] O governo continuou a usar o Código Penal para perseguir testemunhas de Jeová e, em menor medida, adventistas do sétimo dia. […] Porque o governo os considera ‘ativos inimigos religiosos da revolução’, testemunhas de Jeová e adventistas são vigiados e frequentemente perseguidos pelos CDRs”.[23]

Após um início de governo aparentemente amigável, logo as escolas religiosas sofreram intervenção estatal (funcionavam sob a supervisão do governo). Posteriormente, muitas propriedades da IASD foram confiscadas.[24] Em 1962, o mesmo colégio que serviu de ponto de apoio a Che Guevara sofreu uma intervenção do governo, e em 1967 foi tomado definitivamente. Uma instituição cristã considerada fundamentalista não podia ser tolerada num estado marxista-leninista.[25]

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Che Guevara e Fidel no Colegio [Adventista] de las Antillas

Fonte: https://bit.ly/3kCvHAz

O governo revolucionário de Fidel Castro proibiu programas de rádio (o “La Voz de Atalaya”), reuniões evangelísticas, e desapropriou escolas e outras instituições da igreja. O Colegio de las Antillas foi tomado pelo governo, e acabou em ruínas.[26]

Em 1963, houve vários conflitos entre o governo e cristãos que faziam evangelismo, especialmente pentecostais e adventistas do sétimo dia. O motivo é que a pregação apocalíptica era considerada antirrevolucionária.[27]

A obra de construção de uma igreja adventista em Pinar del Río foi embargada, e o material de construção foi utilizado para construir a casa de um funcionário do governo local. A Igreja Adventista de Cienfuegos teve autorização de funcionamento rejeitada e foi ameaçada de apedrejamento; igrejas adventistas foram incendiadas; adventistas foram agredidos gratuitamente por policiais, militares e “Jóvenes Comunistas” em diversas ocasiões.[28]

Em 1963, o governo divulgou um programa de combate aos movimentos religiosos, escrito pelo líder comunista Blas Roca e publicado na revista Cuba Socialista, com o título “A luta ideológica contra as seitas religiosas”.[29] Fidel mencionou o documento em discursos, e as restrições atingiram os adventistas (devido à estrita observância do sábado) e as testemunhas de Jeová (contrárias ao serviço militar e à saudação à bandeira nacional).[30]

Segundo Blas Roca, o governo deveria atacar as seitas religiosas porque o imperialismo norte-americano e “todos os inimigos de classe usaram a religião para seu trabalho contrarrevolucionário”.[31] O cristianismo era uma arma de colonização dos Estados Unidos, e “em lugar da confiança no homem e na ciência, as religiões e seitas prostram-se ante o poder sobrenatural dos deuses”.[32]

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Ruínas do Colegio de las Antillas

Fonte: https://bit.ly/3wPQLG1

Adventistas foram enviados aos campos de concentração (UMAP)?

Logo no início do governo revolucionário, doze estudantes do Colegio de las Antillas foram convocados ao Serviço Militar Obrigatório, e acabaram presos por sua posição irredutível quanto ao sábado e ao uso de armas. Na prisão, foram mantidos literalmente a pão e água por nove dias, e tiveram sérios problemas de saúde.[33]

Os adventistas receberam uma “oportunidade” para servir sem pegar em armas: trabalhar nas Unidades Militares de Apoio à Produção (UMAPs). As UMAPs eram “fazendas de trabalhos forçados, guardadas por soldados com armas longas, onde trabalhavam desde antes do amanhecer até o fim da tarde (muitas vezes até tarde da noite); com […] comida mais do que deficiente e escassa. Moravam em cabanas cercadas com arame farpado”.[34]

A propaganda oficial dizia que o objetivo da UMAP não era castigar ninguém, mas “fazer com que esses jovens mudem de atitude, educá-los, treiná-los, salvá-los. Impedir que amanhã sejam parasitas, incapazes de produzir qualquer coisa, criminosos contrarrevolucionários, ou criminosos comuns, seres inúteis para a sociedade”.

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Matéria anunciando as UMAPs como local para forjar cidadãos úteis

Fonte: https://bit.ly/2UmVQZv

Em 1965, um grupo de 48 pastores e crentes evangélicos foi acusado de “desvio ideológico” e vínculos com a CIA. No mesmo ano, militantes do Partido Comunista ameaçaram o pastor adventista Charles Vento e queimaram a Igreja Adventista de Santa Damiana, em San Juan e Martinez.[35] Algum tempo depois, o pastor Charles foi preso numa UMAP.

Nas UMAPs, os presos adventistas “foram impedidos de se alimentar aos sábados por se recusarem a trabalhar nesse dia. Isso demonstra que o desrespeito aos dogmas pregados por essas religiões também eram uma forma de tortura psicológica exercida dentro das UMAPs”.[36]

Luis Caballero Calas, sobrevivente das UMAPs, relatou: “Testemunhei o dia em que um cristão adventista foi amarrado a um cavalo para ser levado aos campos para trabalhar no sábado, um dia sagrado para eles.”[37] Também há registro de que o pastor adventista Firino Serrano foi prisioneiro dos campos de concentração.[38]

Noel Fernández, levado para uma UMAP em 1966, conta: “Alguns de nós economizamos parte de nossa comida aos sábados para dar aos adventistas, que eram forçados a ficar de pé durante toda a manhã e tarde no centro do acampamento. O chefe da unidade gritou que se a Bíblia diz que quem não trabalha não come, como não trabalhou naquele dia, não tinha direito à alimentação.”[39]

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Há relatos de tortura psicológica, como o do pastor adventista Manuel Molina: “No acampamento Mola, cujo nome não quero lembrar. Eles levaram 17 religiosos de nós; Adventistas, testemunhas de Jeová e o Bando Evangélico Gideon, e eles ameaçaram nos fuzilar.”[40]

O pastor batista Orlando Colás viu testemunhas de Jeová sendo espetados por baionetas, espancados, e quando gritavam, jogavam terra na boca para silenciá-los. Além disso, relata que viu “a punição dos adventistas do sétimo dia que, por respeito, não trabalham aos sábados. Como os acampamentos funcionavam sete dias por semana, eles eram forçados a trabalhar aos sábados. Eles amarraram um adventista, o pastor Isaac Suárez, a uma laranjeira cheia de espinhos e disseram-lhe: ‘Agora você é Jesus Cristo e nós vamos crucificá-lo.’ Eles deixaram assim, ao sol, o dia todo. Eles levaram outro para fora e fizeram o mesmo com ele. Alguns foram enterrados, cobrindo-os completamente, deixando apenas a cabeça de fora, por dois dias ao sol”.[41]

Alguns pesquisadores tentaram “desmistificar” as UMAPs, mas a desmistificação proposta significa admitir que as UMAPs não eram só campos de tortura, mas de produção também – isso não muda absolutamente nada para as vítimas. É basicamente como argumentar que um assassino não é apenas um assassino, mas também um bom funcionário e um bom motorista.

Ignorando os inúmeros testemunhos de vítimas, alguns tentam negar o fato de que adventistas sofreram abusos nas UMAPs. Por exemplo, Tahbaz afirma que “os adventistas do sétimo dia, no entanto, não foram associados ao mesmo estigma contrarrevolucionário e, portanto, não foram alvo de abusos nos campos”.[42] No entanto, as fontes usadas por Tahbaz dizem exatamente o contrário, e incluem os adventistas entre as vítimas de abusos nas UMAPs.[43]

Apesar de fontes afirmarem que, teoricamente, os adventistas não eram considerados párias da sociedade nas UMAPs, na prática, “nas áreas rurais e semiurbanas, os ministros [adventistas] não estavam em uma classificação muito diferente da categoria mencionada”.[44] Sempre há uma diferença entre a realidade e os relatórios oficiais das ditaduras.

Estima-se que aproximadamente 35 mil pessoas passaram pelas UMAPs, e várias pessoas acabaram em clínicas psiquiátricas, morreram de tortura ou cometeram suicídio: “As pessoas mais frequentemente internadas nos campos eram religiosos (fanáticos religiosos) e gays”, e “a grande quantidade de internados [presos] incluía testemunhas de Jeová, adventistas do sétimo dia”.[45] Falando sobre as UMAPs e a perseguição aos homossexuais, mais de 40 anos depois, o próprio Fidel Castro admitiu: “Sim […], foram momentos de grande injustiça, grande injustiça!”[46]

A homenagem fúnebre do pastor adventista Charles Vento lembrou que ele esteve em um “campo de concentração chamado UMAP” em Cuba, uma “terrível experiência em que seu cristianismo foi severamente testado”.[47]

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Pastor Charles Vento

Fonte: https://bit.ly/3wSNLc2

O pastor Charles foi entrevistado em várias pesquisas sobre religião durante a revolução cubana. Charles Vento relatou tortura física e psicológica; os prisioneiros ouviam: “Aqui você vai apodrecer. Sairão quando aceitarem a revolução.”[48] Também é bem conhecido o relato do pastor cubano José H. Cortés, ex-aluno do Colegio de las Antillas, que foi prisioneiro em Cuba.[49]

Um caso extremo que ficou mundialmente conhecido foi o do adventista Humberto Noble Alexander, falsamente acusado de conspiração em 1962, condenado a 20 anos de prisão, mas que acabou ficando 22 anos, 3 meses e 11 dias preso. Foi torturado de várias formas, perdeu a família e a saúde. Foi solto em 1984, após intervenção do pastor Jesse Jackson, e morreu nos Estados Unidos em 2002.[50]

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Pastor José H Cortés, ex-prisioneiro em Cuba

Fonte: https://bit.ly/2UuTF62

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Humberto Noble Alexander, preso e torturado por mais de 20 anos

Fonte: https://bit.ly/2TmxgqS

A IASD frequentemente aparece como vítima em relatórios internacionais sobre liberdade religiosa em Cuba. Até o teólogo Adolfo Ham, um dos maiores defensores da ideia de que as igrejas deveriam cooperar com o governo revolucionário, e membro do Concilio de Iglesias Evangélicas de Cuba, admite que os adventistas estavam entre as denominações “mais castigadas”.[51]

O Serviço Militar Obrigatório era outra fonte de problemas. Mesmo nos anos 1980 ainda havia vários registros de adventistas ameaçados e perseguidos “porque, entre outras coisas, se recusaram a participar do treinamento militar”.[52] Também foram perseguidos por se recusarem a enviar os filhos à escola aos sábados.[53]

Em 1989, três adventistas de Villa Clara foram presos por publicar literatura religiosa clandestinamente.[54] Nos anos 1990, ainda havia problemas, como mostra relatório do Puebla Institute: “Outro grupo muitas vezes em desagrado são os adventistas do sétimo dia, que frequentemente se recusam a trabalhar […] aos sábados.”[55]

Outro relatório afirma que, durante a visita do Papa em 1998, uma série de “igrejas evangélicas” em Holguín, incluindo a Adventista do Sétimo Dia, “continuou sendo vitimada por cercos, proibições e fechamento de igrejas”. Esse relato diz que a Igreja Adventista dessa região já estava fechada havia mais de 20 anos.[56]

Relatório da Human Rights Watch relatava em 1999 que, “embora Cuba permita maiores oportunidades de expressão religiosa do que nos anos anteriores […], o governo ainda mantém um controle rígido sobre as instituições religiosas, grupos afiliados e crentes individuais”.[57]

Relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA) de 2000 ainda menciona a questão da falta de liberdade religiosa em Cuba.[58] Eventos religiosos públicos acontecem, mas são vigiados. Um quarteto adventista espanhol (Los Heraldos del Rey) foi proibido de se apresentar em Cuba em 1998.[59] Outro relatório também menciona a proibição da apresentação do quarteto adventista Los Heraldos Negros,em 2000.[60] Relatório publicado pela Agência de Refugiados da ONU menciona essas situações envolvendo adventistas.[61]

Conclusão

A revolução começou como esperança para muitos adventistas, mas logo se tornou em pesadelo. Por causa da ajuda que recebeu de Argelio Rosabal, Che Guevara tinha gratidão aos adventistas, mas a revolução cubana não. E, apesar de Che Guevara ter conseguido uma exceção temporária à convocação militar de jovens adventistas, os adventistas foram enviados para os campos de concentração como os demais religiosos. A afirmação de que adventistas receberam melhor tratamento que os demais ou que não eram alvo de abusos nos campos de concentração por terem ajudado Che Guevara simplesmente não é sustentada pelas evidências, pelos registros, testemunhos e relatórios.

É lamentável que alguns adventistas prefiram acreditar na propaganda do partido em lugar dos inúmeros testemunhos de sobreviventes, familiares, relatórios de observadores internacionais e pesquisadores. Há uma enorme comunidade de adventistas cubanos na Flórida (EUA); essas pessoas existem, possuem relatos de primeira mão, e são nossos irmãos de fé. Um estudo mostra como as igrejas ajudaram no êxodo cubano, e o impacto que a comunidade de exilados e refugiados cubanos (adventistas, inclusive) exerceu na Flórida.[62] Não é difícil obter testemunhos de primeira mão sobre a verdadeira história da liberdade religiosa durante o governo revolucionário em Cuba.

O embargo econômico imposto pelos Estados Unidos não justifica a falta de liberdade religiosa e a perseguição. O argumento “mas a igreja cresceu nesse período” não significa que o regime foi bom. A igreja cristã cresceu na União Soviética, na Albânia, na China, e até sob o Império Romano! O argumento do crescimento é irrelevante para discutir liberdade religiosa.

Finalmente, é preciso agradecer a Deus, pois, apesar das dificuldades, a IASD cubana é vibrante e atuante. Como em toda a história de Sua igreja, Deus tem transformado maldição em bênçãos, e o evangelho prospera naquela linda ilha.

(Isaac Malheiros é doutor em Teologia e professor no Instituto Adventista Paranaense)

Referências:

[1] VALDÉS, Israel Gonzalez. La Iglesia Adventista Del Séptimo Dia en Cuba a Partir del Triunfo de la Revolución. Monografia. Berrien Springs: Andrews University, 1976. p. 19. Disponível em: https://bit.ly/3wRkKh1 Acesso em 23 jul. 2020

[2] VALDÉS, 1976, p. 24.

[3] CHE GUEVARA, Ernesto. Pasajes de la Guerra Revolucionaria.New York: Ocean Sur, 2006. p. 126 (Capítulo “A la deriva”).

[4] VALDÉS, 1976, p. 9.

[5] Che Guevara cita positivamente os adventistas algumas vezes em seus livros de memórias, por ex., GUEVARA, Che p. 89.

[6] KING, Jeff. The Untold Story of Revival in Cuba. Persecution. 15 jul. 2020. Disponível em: https://bit.ly/36V1UL3

[7] MASSÓN, Caridad. La Revolución Cubana em la vida de pastores y creyentes evangélicos. La Habana: Ediciones La Memoria, 2006. p. 14-15.

[8] FLOR, Mamela Fiallo. Cuba: profanan tumba del Pastor que rescató a combatientes del Granma. PanAm Post. 23 maio 2018. Disponível em: https://bit.ly/3hW1Dy9

[9] CUBANET. El régimen cubano expropia a una familia con dos menores de edad. 29 jun. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3y4IBv7

[10] FLOR, 2018.

[11] DIARIO DE CUBA. Detenido un ‘exitoso’ cuentapropista en Pilón. 24 nov. 2017. Disponível em: https://bit.ly/3hQ3PHl

[12] CANINO, Agustín López. Onésimo. Cuba Democracia y Vida. 22 jun. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3iovEFO

[13] Ver o depoimento de Onésimo Rosabal, disponível em: https://bit.ly/36OAff4

[14] Disponível em: https://bit.ly/3zdKW6T

[15] Human Rights Council: Working Group on Arbitrary Detention. Opinion No. 48/2018 regarding Omar Rosabal Sotomayor (Cuba). Disponível em: https://bit.ly/3zdKW6T

[16] SOTOMAYOR, Argelio Rosabal. Facebook. 18 Mar. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3zkqzoS

[17] MASSÓN, 2006, p. 51.

[18] Constitución Política de 1976. Disponível em: https://bit.ly/3kwMV28 (ênfase acrescentada)

[19] Código Penal 1978. Disponível em: https://bit.ly/3ikAeVe (ênfase acrescentada)

[20] ROSADO, Caleb. Sect and Party: Religion Under Revolution in Cuba. Tese (doutorado). Evanston: Northwestern University, 1985. p. iii-iv.

[21] LUIS, William. Culture and Customs of Cuba. Westport: Greenwood, 2001. p. 25.

[22] VALDÉS, 1976, p. 18.

[23] DEPARTMENTE OF STATE. Country Reports on Human Rights. Volume 993. Washington: U.S. Government, 1994. p. 412-413.

[24] ALBA SILOT, John. Cuba: Iglesia y Revolución, la deconstrucción de un mito. Dissertação (mestrado). Bernal: Universidad Nacional de Quilmes, 2015. p. 50-51. Disponível em: https://bit.ly/3wQrk7n

[25] VALDÉS, 1976, p. 39.

[26] LAND, Gary. Historical Dictionary of the Seventh-Day Adventists. Lanham: Rowman & Littlefield, 2015. p. 85.

[27] ALBA SILOT, 2015, p. 55.

[28] VALDÉS, 1976, p. 24-33.

[29] ROCA CALDERÍO, Blas. La Lucha Ideológica contra las Sectas Religiosas, Cuba Socialista, ano 3, n. 22, jun. 1963, p. 28-41.

[30] ALBA SILOT, 2015, p. 56.

[31] ROCA CALDERÍO, 1963, p. 28.

[32] ROCA CALDERÍO, 1963, p. 32.

[33] VALDÉS, 1976, p. 50.

[34] VALDÉS, 1976, p. 52.

[35] FIGUEROA, Abel R. Castro. Quo Vadis, Cuba?: Religión Y Revolución. Bloomington: Palibrio, 2012. Capítulo 4.

[36] RODRIGUES, Amanda A. G. Memórias da repressão do governo revolucionário a grupos religiosos e homossexuais em Cuba: um estudo dos testemunhos de ex-umapianos (1984-2019). Ituiutaba: Universidade Federal de Uberlândia, 2020. p. 62. Disponível em: https://bit.ly/36OKK1Y

[37] UMAP CUBA 1965. El silencio que no entierra a las UMAP. s.d. Disponível em: https://bit.ly/3BvuAZs

[38] FIGUEROA, 2012, p. 169.

[39] UMAP CUBA 1965, El silencio que no entierra a las UMAP.

[40] UMAP CUBA 1965. Manuel Molina – Pastor Adventista. s.d. Disponível em: https://bit.ly/36RtFEg

[41] UMAP CUBA 1965. Orlando Colás – Pastor Bautista. s.d. Disponível em: https://bit.ly/36Ru2Pa

[42] TAHBAZ, Joseph. Demystifying las UMAP: The Politics of Sugar, Gender, and Religion in 1960s Cuba, Delaware Review of Latin American Studies, v. 14, n. 2, 2013. Disponível em: https://bit.ly/3wTafJK

[43] Por exemplo, Tahbaz cita Blanco, e mesmo assim ignora os relatos de Blanco a respeito dos maus-tratos que incluíam adventistas entre as vítimas. Ver BLANCO, José Caballero. Uma Muerte A Plazos. Yelm: D’Har, 2008 [kindle]. p. 38, 46, 49, 52, 89.

[44] VALDÉS, 1976, p. 52.

[45] TAHBAZ, 2013.

[46] SAADE, Carmen Lira. Soy el responsable de la persecución a homosexuales que hubo en Cuba: Fidel Castro. Periódico La Jornada, 31 ago. 2010, p. 26. Disponível em: https://bit.ly/3kBTOPz Para Tahbaz (2013), “homens gays certamente sofreram tratamento horrível nos campos”.

[47] Celebrando la Vida del Pr. Charles Vento. Disponível em: https://youtu.be/LgKnSIlpmNk?t=2620

[48] Por exemplo, ROS, Enrique. La UMAP: el Gulag castrista. Ediciones Universal, 2004. p. 62-64, 219; SÁNCHEZ-BOUDY, José. La Cuba eterna: la fuerza de las ideas del exilio histórico. Ediciones Universal, 2009. p. 42.

[49] CORTÉS, José H. Prisioneiro em Cuba: a história de um jovem que não perdeu a esperança. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2020.

[50] A história está registrada em ALEXANDER, Humberto Noble. Moriré Libre. Voice Media, 2015. A IASD fez uma matéria na época da libertação de Alexander, JOHNSON, Stephanie D. Standing firm in a raging storm: an account of 22 years in a Cuban prison, North Regional Voice, v. 8, n. 9, nov. 1986. p. 2-4. Disponível em: https://bit.ly/2TmxgqS

[51] MASSÓN, 2006, p. 51. Em espanhol: “más fustigadas”.

[52] BRIGGS, Kenneth A. Communist-Christian conflict in Cuba seems to ease. The New York Times. 19 abr. 1981. Disponível em: https://nyti.ms/3hRDpVw

[53] INTER-AMERICAN COMMISSION ON HUMAN RIGHTS. La situación de los derechos humanos en Cuba: septimo informe. General Secretariat, Organization of American States, 1983. p. 84.

[54] PUEBLA INSTITUTE. Cuba: Castro’s War on Religion. s.l.: Puebla Institute, 1991. p. 16.

[55] PUEBLA INSTITUTE, 1991, p. 16.

[56] CUBANET. Un mito que con el Papa se ha hecho leyenda. 18 maio 1998. Disponível em: https://bit.ly/3zdee5E

[57] HUMAN RIGHTS WATCH. Cuba’s Repressive Machinery: Human Rights Forty Years After the Revolution. 1999. Capítulo 1. Disponível em: https://bit.ly/2W68IUl

[58] INTER-AMERICAN COMMISSION ON HUMAN RIGHTS. Annual Report 2000. Capítulo IV. Disponível em: https://bit.ly/36LBueO

[59] CUBANET. Limitan la actuación de un cuarteto. 29 dez. 1998. Disponível em: https://bit.ly/3zigacW

[60] CUBANET. Permitirán oficios religiosos públicos. 3 out. 2000. Disponível em: https://bit.ly/2UVVzfY

[61] REFWORLD. Cuba: Situation of Seventh Day Adventists (update to CUB22465.E of 16 February 1996). Disponível em: https://bit.ly/3wVxDq1

[62] JORGE, Antonio; SUCHLICKI, Jaime; VARONA, Adolfo Leyva de. Cuban Exiles in Florida: Their Presence and Contributions. Miami: University of Miami, 1991. p. 111-145.

Laos: conheça mais um país comunista e budista que persegue e discrimina cristãos

A perseguição religiosa atinge inclusive crianças e famílias perseguidas por suas comunidades e parentes próximos

laos

País de governo comunista que discrimina a população cristã, o Laos aparece no noticiário geral como mais um país do sudeste asiático, como China e Vietnã. Mas você sabe como vivem os cristãos no Laos?

Na próxima segunda-feira, dia 19, é celebrada a independência do país, que aconteceu em 1949. Atualmente, o país ocupa do 22º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2021, onde as atividades cristãs são monitoradas pelas autoridades. Nas áreas rurais, as igrejas domésticas são forçadas a se reunir em segredo, pois são consideradas “ilegais”.  

Os seguidores de Jesus no país enfrentam perseguição vinda de todas as esferas da vida, principalmente de amigos e familiares, comunidade, gangues, grupos não cristãos e oficiais do governo. Os cristãos ex-budistas enfrentam maiores dificuldades porque são perseguidos pela família e autoridades locais.  

Além disso, a perseguição também assume a forma de pobreza devido à negligência do governo, crianças enfrentam bullying nas escolas e cristãos ex-budistas perdem os empregos. Ela pode ainda se apresentar na forma de casamentos desintegrados, perda de cidadania ou boicote a comércio de cristãos. Essa perseguição é invisível, mas severa.

Irmãs perseguidas 

Nani* e Nha Phong* de 17 e 16 anos receberam Cristo no Laos onde o budismo é a religião oficial e não existe muito espaço para o cristianismo. Desde que escolheram seguir a Jesus, as jovens têm vivido uma jornada difícil e ainda hoje enfrentam perseguição – especialmente da própria família. Assista ao vídeo que conta a história das cristãs. 

“Meu primo me contou sobre a palavra do Senhor, ele é pastor em uma igreja localizada em uma vila perto da nossa. Gostei muito do que ouvi, e por isso me converti. Foi uma decisão fácil”, diz Nani. Embora Nani e sua irmã não sejam cristãs há muito tempo, Nani começou a liderar a adoração na igreja e Nha Phong começou a cuidar das crianças na escola dominical. Mas a família, especialmente o pai, não aceitou que as filhas se convertessem ao cristianismo. 

Elas contam que algumas vezes que foram à igreja a família ficou muito brava e disse para não irem. Alguns familiares disseram que elas precisavam voltar à antiga religião, e, se não o fizessem, eles bateriam nelas e as forçariam a sair da igreja. 

Mas, mesmo diante da perseguição, as jovens não perdem a fé em Cristo. “Como mostrado em Efésios 6, quando as pessoas lutavam no passado, usavam um escudo, e eu quero ter fé como um escudo. Quando o mal tentar atirar flechas em nós, usarei o escudo para me proteger. Então eu tenho que colocar minha fé em Jesus”, finaliza Nani. 

Colheita Maldita

Cristãos do Laos são julgados culpados por todos os males que acontecem em suas comunidades: doenças – como Covid-19 – pragas, estiagens. Os budistas acreditam que coisas ruins acontecem por castigo de seus deuses e que os cristão atraem a ira desses deuses.

Foi o que aconteceu com Somkhit* e Anida*. Eles tiveram um encontro com Jesus em 2018, e desde então passaram a ser perseguidos pela comunidade no norte do Laos. O chefe da aldeia zomba e discrimina a família com seis filhos. Em uma das ocasiões, eles ficaram de fora da instalação de um sistema de água em casa e a justificativa do líder local foi: “Sua casa é muito elevada! Se quiser água, desça para buscar!”

A aldeia onde a família cristã mora depende da agricultura e em 2020 não tiveram chuva o suficiente para uma boa colheita. Então, os moradores ficaram revoltados e culparam os cristãos por isso. Na visão deles, o que está acontecendo é resultado da fúria dos espíritos porque os cristãos deixaram a fé animista para seguir Jesus.

Somkhit lamenta a situação e teme que os vizinhos expulsem toda a família do vilarejo. “Não temos certeza se sobreviveremos este ano por causa da dor e da fome diária. Tem sido realmente difícil.” Eles podem até ser a única família cristã no vilarejo, mas têm irmãos e irmãs na fé no mundo todo que os socorrerão nesse momento de aflição. Os parceiros locais da Portas Abertas visitaram os cristãos e ministraram um treinamento para responderem biblicamente à perseguição e socorrê-los nas principais necessidades.

O que a Portas Abertas tem feito pelos cristãos no país

Por meio de parceiros da igreja local, a Portas Abertas fortalece os cristãos perseguidos no Laos, fornecendo materiais cristãos, treinamento de liderança e discipulado, programas de desenvolvimento socioeconômico, advocacia, auxílio emergencial e ajuda prática. 

O que você pode fazer?

O tipo de perseguição que cristãos enfrentam em países budistas está mais relacionado à pressão do que à violência. Essa última até existe, mas a pressão já está na estrutura da sociedade.

Apesar de o budismo ser visto como uma religião pacífica, isso tem a ver com a harmonia com você mesmo e a comunidade. Sendo assim, a presença cristã pode ser destrutiva, afinal, os cristãos são vistos como pessoas inclinadas a destruir a unidade e a cultura do país. Como principal religião em Mianmar, Butão, Laos e Sri Lanka, o budismo desfruta de proteção e lealdade de todos.

Além da pressão enfrentada em comunidades budistas, famílias cristãs pobres ainda precisam lidar com a falta de recursos. Sua doação permite que um cristão ex-budista, em um país asiático, receba capacitação para geração de renda durante dois meses. Conheça a campanha e faça a diferença na vida de alguém.

* Nomes alterados por motivo de perseguição.

(Portas Abertas)

Leia também: “Cristãos são perseguidos em países budistas”

Obs.: Para não dizerem que não falei da comunista Cuba, veja os vídeos abaixo.

Testemunho de um jovem adventista refugiado cubano

Papa diz que compartilhar bens não é comunismo

Neste domingo (11), o papa Francisco celebrou a missa do “Domingo da Misericórdia” com presos, refugiados e profissionais da saúde, em uma igreja próxima à Praça de São Pedro. Na missa, o pontífice disse que os primeiros cristãos não tinham o conceito de propriedade privada e compartilhavam tudo. “Isso não é comunismo, mas puro cristianismo”, falou. Ele ressaltou ainda a importância da misericórdia. “Não podemos permanecer indiferentes. Não podemos viver uma meia fé, que recebe, mas não dá […]. Tendo recebido misericórdia, vamos nos tornar misericordiosos”, declarou.

Segundo a agência de notícias France Presse, o papa não usou máscara durante a missa, que contou com cerca de 80 participantes, entre eles presos de dois presídios de Roma e de um centro de detenção de jovens, além de refugiados da Síria, Nigéria e Egito.

(Pleno News)

Nota: “Compartilhar a propriedade ‘não é comunismo, é puro cristianismo’. Essas foram as palavras do papa Francisco, que não cansa de surpreender seus fiéis, proclamando princípios sociais que coincidem com aqueles que são os pilares da ideologia comunista. Ontem, durante a homilia da missa celebrada na igreja de Santo Spirito em Sassia, em Roma, ele comentou a passagem de Ato dos Apóstolos que diz que ‘ninguém considerava de sua propriedade aquilo que lhe pertencia, mas tudo era comum entre eles’. O papa sublinhou: ‘Os discípulos misericordiosos tornaram-se misericordiosos’. Para eles ‘compartilhar os bens terrenos parecia uma consequência natural. Além disso, o papa lançou um apelo a não ceder à indiferença, mas viver a partilha. A pergunta que eu gostaria de fazer é a seguinte: Compartilhar a propriedade vale para todos? Papa Francisco e seu Vaticano apoiam o projeto oligárquico antidemocrático da Nova Ordem Mundial o “Capitalismo Inclusivo”. Estamos falando de multinacionais e organizações como a Fundação Rockefeller, os Rothschilds, PCCh, grandes potências bancárias e financeiras que se escondem atrás de atividades filantrópicas para proteger seus próprios interesses. A herdeira Lynn Forester de Rothschild pertence à dinastia dos ‘demônios’ das finanças, donos da riqueza de quase metade da população mundial. E justamente ela nos vem falar sobre a importância da redistribuição da riqueza: ‘Estamos respondendo ao desafio do papa Francisco de criar economias mais inclusivas que espalhem os benefícios do capitalismo de forma mais equitativa e permitam que as pessoas realizem todo o seu potencial.’ Se esses que se autoproclamaram ‘Os Guardiões’ tivessem se privado de pelo menos 30% de suas riquezas, teriam continuado imensamente ricos, mas em troca teriam salvado nações inteiras. Mas eles jamais fariam isso; essas mesmas nações e continentes continuam se submetendo a seus próprios interesses exclusivos de dominação e poder.
O fato é que o Vaticano decidiu ser ‘garoto propaganda’ deste golpe mundial a favor dos mais ricos do planeta contra os mais pobres. Ficou claro para vocês agora?” (Karina Michelin)

Leia também: “Atos 2:42-47 defende o socialismo?”

As três mensagens e a religião revolucionária

Existe, sim, Teologia da Libertação nas Escrituras

Existe, sim, Teologia da Libertação nas Escrituras. Se tem dúvidas, confira Romanos 6:22.

O evangelho da inclusão, pregado sistematicamente por alguns formadores de opinião, muitas vezes peca exatamente pela incongruência discurso/prática claramente exposta quando se sugere uma concepção mais bíblica a respeito dos discursos de Cristo.

É evidente e irrefutável a responsabilidade que temos para com os menos favorecidos; isso faz parte do evangelho em sua essência, mas não o define. Como cristãos, precisamos lançar mão de todos os recursos possíveis a fim de aliviar o fardo de nossos semelhantes; a abnegação e o desprendimento são exigidos muitas vezes nesse processo, o que contribui para nosso próprio amadurecimento espiritual. Mas isso deve ocorrer à luz da moral social bíblica cristã e não por meio de um falso moralismo político-teológico maximalista que reduz o imenso cenário de um conflito cósmico a uma simples luta de classes.

Ecos de uma concepção platônica de “República” que atingem seu ápice no ópio ideológico marxista têm invadido um ambiente onde originalmente se pregava sobre o conflito entre o bem e o mal, as decisões que precisamos tomar diariamente, nossa humana incapacidade de estabelecer e viver princípios igualitários, os resultados da entrada do pecado neste mundo e a única e necessária solução.

O fato é que o comunismo, seja ele raiz ou transvestido de religiosidade, jamais funcionará, e a resposta para essa ideologia fadada ao fracasso é muito simples e já foi dada: vivemos em um mundo de pecado. Se Romanos 6:22 nos dá o verdadeiro significado de Teologia da Libertação, é necessário que avancemos para o versículo 23 e, de uma vez por todas, compreendamos e aceitemos a definitiva solução bíblica para esse dilema.

(Matheus Amaral é formado em Logística e licenciado em Filosofia)

Existe marxismo cultural?

[O texto a seguir é da professora Iná Camargo Costa, citada pela Dra. Virgínia Fontes, do vídeo acima. Reproduzo alguns trechos; os destaques são meus. Trata-se de mais uma prova de que o marxismo cultural existe, sim, a despeito do que digam os negacionistas.- MB]

[…] O próprio marxismo acabaria produzindo outra multiplicação de denominações. Por exemplo: marxismo legal, surgido na Rússia do século 19, os marxismos economicista, reformista e/ou revisionista; marxismo empedernido (na formulação de Lenin em 1906); marxismo ortodoxo (na concepção de Lukács), o marxismo-leninismo dos stalinistas e assim por diante, até culminar na relativamente recente formulação de Perry Anderson – marxismo ocidental. Isso sem falar em outra preciosa contribuição inglesa, a de Raymond Willliams, que impulsionou a formação  da ala do materialismo cultural, atuante até hoje na Inglaterra e nos Estados Unidos. Todas estas “escolas” constituem a nossa herança. Temos que no mínimo cultivar dialeticamente a sua memória pois, como aprendemos com Hegel, é com ela que forjaremos as armas com que confrontar os neoassaltantes de beira de estrada atualmente na ativa.

Sobre marxismo ocidental e materialismo cultural, vale apena fazer uma pausa, pois a nossa hipótese é que os luminares do “marxismo cultural-espectral” assaltaram a obra de Perry Anderson, assim como a produção dos discípulos angloamericanos de Raymond Williams. Anderson subsume ao conceito de marxismo ocidental autores como Gramsci, Lukács, Escola de Frankfurt… Não são os mesmos mobilizados pela versão fantasmática? Outra demarcação do marxista inglês: os integrantes do marxismo ocidental atuariam de preferência no âmbito da cultura e do debate teórico (exceção feita a Gramsci, um dos fundadores do Partido Comunista Italiano, cuja principal contribuição ao marxismo cultural – incluídas as reflexões sobre Maquiavel – foi produzida no cárcere fascista e, por isto mesmo, à revelia), enquanto os marxistas tout court (os clássicos: Marx, Engels, Plekhanov, Lenin, Rosa Luxemburg, Trotsky…), além de debaterem amplamente as questões culturais, também eram ligados à militância revolucionária, ou seja, vinculados a partidos, tanto da tradição socialista quanto da comunista, o que não se aplica aos integrantes da Escola de Frankfurt. […]

Luta de classes é a principal marca registrada do marxismo, mas é bom não esquecer que sua mais importante determinação é a da crítica ao capitalismo, cifrada no subtítulo do Capital: crítica da economia política. Importa insistir nisto, porque nosso ponto de honra é a luta pelo fim do sistema capitalista, de modo que o inimigo – que defende a continuidade do capitalismo – tem bons motivos para temer os comunistas. Somos inimigos mesmo: nós combatemos as relações de produção capitalistas, a verdadeira causa de todas as misérias – econômicas, sociais, políticas e culturais – atualmente existentes. Sendo assim, podemos e devemos dar razão a eles quando brandem o “marxismo cultural” contra nós, mas precisamos corrigir as suas falácias, falta de percepção e seus erros elementares, decorrentes de medo, ignorância e incapacidade para o pensamento. […]

Gramsci, em seus Cadernos do cárcere, tem inspiradoras análises dos desafios postos aos intelectuais pela presença e dominação cultural da Igreja Católica na Itália, cuja condição de empresa privada que obteve status de Estado graças aos fascistas (pelo Tratado de Latrão em 1929) foi examinada no artigo “O Vaticano”, publicado na revista Correspondência Internacional em 1924. Ali Gramsci afirma sem meias palavras que o então papa Pio XI apoiou o golpe de estado do fascismo e declara que, além de contar em seus quadros com indivíduos de habilidade consumada na arte da intriga, o Vaticano é a maior força reacionária da Itália e um inimigo internacional do proletariado.

Encampando, além das acima enumeradas, as sugestões de Raymond Williams, o campo prioritário de atuação dos marxistas culturais vem a ser a esfera da cultura pautada pela luta de classes em todos os seus desdobramentos e seu olhar deve estar direcionado preferencialmente para os artistas e obras que, ao longo da história do capitalismo, tematizaram as lutas pela emancipação dos trabalhadores em todas as suas modalidades, sem prejuízo do interesse por aquelas obras que, a exemplo do que fez Machado de Assis em Memórias póstumas de Brás Cubas, desmascaram os comportamentos da classe dominante. […]

[A]os marxistas culturais interessam todos os episódios de confronto com o colonialismo e o imperialismo, a começar pela Revolução do Haiti (1791-1804), até as vitoriosas guerras que os vietnamitas travaram contra Japão, França e Estados Unidos, passando por revoluções como a cubana e pelas guerras de libertação de Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau, entre outras. E só para adiantar um tópico: você sabia que o sucesso mundial de 1967, Pata pata, de Miriam Makeba, apoiada por Harry Belafonte, serviu para arrecadar fundos para tirar lutadores contra o apartheid das prisões sulafricanas? Eis uma das milhares de histórias que interessam a um militante comunista do autêntico marxismo cultural! […]

Para encerrar este primeiro passeio, cabe fazer uma homenagem a Augusto Boal, também discípulo de Paulo Freire, enumerando alguns nomes daqueles que podemos chamar de integrantes do arco-íris do marxismo cultural sem precisar pensar duas vezes (desde já insistindo: é lista de memória e sem pretensão de ser exaustiva). […]

[O] marxismo cultural se considera herdeiro de todas as conquistas da ciência e assume seu compromisso irrevogável com a verdade – tanto a científica quanto a histórica – porque sabe que a mentira tem um papel reacionário. Reafirma assim seu compromisso com a legítima defesa da humanidade. [Pode até se considerar herdeiro, mas uma análise mais acurada da história deixará claro que o cristianismo é que forneceu os pressupostos para a revolução científica. – MB] […]

Leia também: Existe o tal Marxismo Cultural?

Adventismo, marxismo cultural e feminismo

Deus nos ajude a refletir sobre as implicações da nossa fé sem depender das muletas intelectuais seculares tão fartamente disponíveis

gramsci

As discussões sobre marxismo cultural na religião e a conseguinte erosão da fé cristã em círculos liberais do cristianismo, debate que se iniciou com algum delay no adventismo, precisa ser mais do que reativa. A proposição de uma cosmovisão cristã bem fundamentada é urgente. Perspectivas sobre cultura, arte, educação, economia, desigualdades e discriminação, para citar alguns exemplos, podem ser extraídas da Palavra de Deus. Entretanto, muitas pessoas, movidas por uma ânsia de relevância do cristianismo em uma sociedade cada vez mais afetada pela dessacralização, insistem em um casamento entre cristianismo e perspectivas ideológicas seculares. Parecem insatisfeitas com o método teológico e suas implicações para a ética. São apressadas em dar resposta e erram no raciocínio. Assim, acabam promovendo o que o filósofo Herman Dooyeweerd identificou como síntese: a junção entre os valores cristãos e seculares em busca de objetivos comuns.

A obra Raízes da Cultura Ocidental surge na década de 1950, mas é gestada em um contexto de ebulição social com muitas similaridades em relação às enfrentadas por nós atualmente. À época, Dooyeweerd percebia um clima de excessiva disposição para o diálogo entre socialistas e cristãos na Holanda. Entretanto, ele percebeu que os pontos comuns não eram suficientes para uma junção.

A lição maior que extraí de Dooyeweerd foi a de avaliar cuidadosamente as origens, proposições e motivações dos movimentos. Muito mais importante do que fazer uma apressada coalizão pelo bem comum é distinguir as causas, pesando se a integridade da mensagem cristã pode ser posta em risco com tais relações dialógicas.

Antes de engajamento social, especialmente ao estimular a igreja na adesão de pautas controvertidas, necessitamos de uma reflexão mais acurada. Pular a etapa de pensamento e estudo nos deixa entregues ao que os alemães chamam de “zeitgeist”, o espírito do tempo, que em uma era cada vez menos cristã representa um risco.

Deus nos ajude a refletir sobre as implicações da nossa fé sem depender das muletas intelectuais seculares tão fartamente disponíveis.

(Davi Boechat é jornalista e estudante de Direito)

Quando eu conheci marxistas honestos

jesus

Minha adolescência e parte da juventude foi vivida sob a orientação da Teologia da Libertação, nos idos fins dos anos 1980 e começo dos 1990. Leonardo Boff e outros pensadores/escritores “faziam nossa cabeça” inquieta e ansiosa por mudanças sociais. Queríamos “implantar o reino de Deus na Terra”, e eu entendia que isso seria feito por via política, por meio de revoluções, trabalhando árdua e voluntariamente nas Comunidades Eclesiais de Base (as CEBs). Nessa época, eu ainda não havia ouvido falar que Jesus vai voltar e trazer com Ele Seu reino de glória. Mesmo sendo líder de pastoral, presidente de grupo de jovens, frequentador de casas paroquiais e dioceses, e tendo passado alguns dias num seminário teológico recebendo aulas e conselhos de padres, a fim de saber se eu deveria mesmo ingressar na vida sacerdotal, nunca havia sido apresentado à verdade maravilhosa da segunda vinda de Cristo – a solução definitiva para todas as mazelas humanas.

Anos depois dessa experiência religiosa e de ter passado por uma universidade federal, onde me formei em Jornalismo, pude perceber, num processo de “desintoxicação ideológica”, que desde a adolescência eu havia sido doutrinado no marxismo (além do darwinismo). Teologia da Libertação é, em outras palavras, um tipo de cristianismo marxizado. Uma tentativa de mistura de elementos – hoje eu sei – imiscíveis. E por ter imergido nessa cultura antibíblica e sido retirado dela por Deus (uma cultura tão antibíblica quanto o capitalismo selvagem), causa-me espanto ver que algumas pessoas se esforcem por trazer para o adventismo esse tipo de coisa. Mas são pessoas sem um passado verdadeiramente marxista; que talvez nem saibam o que isso significa, a não ser pelo que leram em livros ou aprenderam em aulas de pós-graduação pagas pela igreja.

Em meus tempos de católico, conheci marxistas de verdade; homens e mulheres intelectualmente honestos e coerentes, porque viviam na prática aquilo que pregavam. Éramos envolvidos com as lutas e os desafios da comunidade; visitávamos os mais necessitados não só uma vez por ano; realizávamos festas juninas e revertíamos os lucros para essas pessoas carentes. Cobrávamos ações dos políticos; ajudávamos lideranças de bairro; organizávamos missas nas comunidades; e protagonizávamos várias outras ações. Meus amigos padres faziam voto de pobreza e dedicavam a vida ao próximo. Hoje discordo ideológica e teologicamente deles, mas não posso deixar de continuar admirando-lhes a coerência. Eles eram alinhados com a filosofia e com a instituição que defendiam, já que a Igreja Católica brasileira daqueles anos era grandemente regida pela Teologia da Libertação.

Além de espanto, causa-me estranheza ver líderes religiosos hoje se dizendo marxistas, enquanto postam frases de efeito nas redes sociais escritas em seus smartphones de última geração. Líderes cuja formação acadêmica e cujo salário são financiados e pagos pela instituição que criticam e que desejam subverter/revolucionar. Alguns desses até usam tempo e talentos para propagar ideias comunistas, mas não creio que estariam dispostos a abrir mão do bom automóvel e do guarda-roupa “grifado” para compartilhá-los com o semelhante.

Continuo crendo que, como cristãos, devemos ter uma atuação social, pois somos sal da terra e luz do mundo. E louvo a Deus pelos muitos irmãos e irmãs que têm feito há anos um lindo trabalho voluntário e discreto, visitando presídios, entregando cestas básicas, organizando feiras e bazares, dando estudos bíblicos, etc. Creio que “unicamente os métodos de Cristo trarão verdadeiro êxito no aproximar-se do povo. O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: ‘Segue-Me’ (Jo 21:19)” (Ellen White, A Ciência do Bom Viver, p. 143). Missão sem o “segue-Me” não é missão.

Não tenho saudade do tempo em que cri numa utopia inalcançável, mas invejo a coerência daqueles que não possuíam tenta compreensão das Escrituras, mas viviam à luz da verdade que conheciam. Marxistas de verdade, não aproveitadores do melhor de dois mundos.

Michelson Borges

“Os comunistas e socialistas ateístas sempre erroneamente pensaram que as respostas para as misérias humanas encontram-se não em Deus (cuja existência eles negam), mas no materialismo econômico. É tão irônico que os comunistas e socialistas ataquem os ricos por serem supostamente obcecados por dinheiro e coisas materiais quando, na verdade, comunistas e socialistas são obcecados por dinheiro e coisas materiais. Mas, como a maioria dos ricos aprende, o dinheiro não compra felicidade. Os humanos desejam mais do que isso. Quão profundo é que Jesus tenha dito a Satanás que o homem não vive só de pão. Enquanto os dois debatiam, o Pão da Vida disse ao tentador que o homem vive por toda a palavra que sai da boca de Deus. Marx não tomou o lado de Cristo nesse caso. É claro, Marx rejeitava a Cristo em sua totalidade. Comunistas são ateístas afinal de contas.”

Paul Kengor, The Devil and Karl Marx: Communism’s long march of death, deception, and infiltration

Assista à série Cavalo de Troia Vermelho, aqui e aqui.

O cavalo de Troia vermelho: marxismo e cristianismo (parte 2)