Atos 2:42-47 defende o socialismo?

jesus marxEstá cada vez mais fácil encontrar pessoas, muitas vezes sinceras, acreditando que o socialismo pode ser encontrado na Bíblia Sagrada. Um dos argumentos principais consiste na utilização do texto do livro de Atos, capítulo 2, versos 41 a 47, que seria um “suposto” apoio a esse pensamento. O texto completo é este: “Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.”

Neste texto, estão listadas as três principais razões pelas quais o livro de Atos não pode ser um indicativo ou algum tipo de apoio para o socialismo dentro do cristianismo. De forma alguma os apóstolos estariam prescrevendo alguma norma de conduta para as sociedades cristãs posteriores.

1. Acreditar que Atos dá suporte à ideologia socialista é um anacronismo.

Como se sabe pela História, 18 séculos separam o socialismo do Novo Testamento! O Dicionário de Política de Norberto Bobbio diz o seguinte: “Em geral, o Socialismo tem sido historicamente definido como programa político das classes trabalhadoras que se foram formando durante a Revolução Industrial” (fim do século 18 e começo do século 19).

O significado vulgar de socialismo é a “estatização dos bens e meios de produção”; e algumas pessoas adicionam ainda a expressão “numa sociedade sem classes”. Há dois tipos de socialismo, basicamente, nos quais se caracterizam duas ideias principais: o socialismo utópico e o socialismo científico.

“Socialismo utópico” tem esse nome por causa da obra de Thomas More, Utopia, em que o autor propõe uma sociedade harmônica, justa e contrapondo as sociedades injustas. A principal linha de pensamento do socialismo utópico é idealizadora, justa e igualitária, em que se alcançaria o progresso por meio da razão e do interesse comum sem, necessariamente, uma luta de classes. A característica utópica se dá devido à impossibilidade de alcançar tal sociedade. Seus principais pensadores foram o inglês Robert Owen e os franceses Saint-Simon, Charles Fourier, Pierre Leroux e Louis Blanc, na transição entre os séculos 18 e 19.

O “socialismo científico” ou “socialismo marxista” foi desenvolvido pelos prussianos (atual Alemanha) Karl Marx e Friedrich Engels, no século 19. Ao contrário do idealismo do socialismo utópico, o socialismo científico tinha como principal ideia a crítica ao sistema capitalista. Era necessário aprofundar as análises políticas, econômicas e sociais para então propor mudanças concretas na sociedade. Seu foco era na luta de classes (visão do patrão explorador e do empregado explorado), na mais-valia, na divisão do trabalho e na produção de capital.

A doutrina política de Marx (falecido no fim do século 19) fundamenta-se no materialismo dialético e histórico. Denomina-se materialismo porque seus conceitos diretivos são de conteúdo material; é dialético porque se apoia no método dialético de Hegel, no que tange à evolução dos fenômenos sociais; enfim, qualifica-se como histórico porque os princípios do materialismo dialético são aplicados à evolução dos fatos sociais e à política dos povos no decurso da marcha do tempo.

Se não bastasse o monstruoso intervalo de tempo entre os dois momentos históricos, o que já categorizaria o anacronismo evidente, podemos elencar outra disparidade entre essas ideologias e o texto bíblico no que se refere ao tempo do eventos mencionados: não havia concordância entre os apóstolos e o Império (“Estado”), primeiro porque não era intuito de unir a comunidade Cristã com o império Romano; e segundo porque não havia o Estado como o concebemos hoje e a favor do qual Marx pretendia estatizar os meios de produção.

Mesmo que houvesse o Estado moderno, ainda assim seria impraticável no socialismo porque a autoridade do Estado provém de Deus (como explícito em Romanos 13:1-7, 1 Pedro 2:13 e na conversa de Jesus com Pilatos, em João 19:10, 11), e poderia ter sido estabelecido por conta do pecado da humanidade, embora não fosse plano de Deus original (como descrito nos capítulos de 12, 24 e 26:9-11 de 1 Samuel, e o primeiro capítulo de 2 Samuel).

Embora todo o esforço desses pensadores em criar uma sociedade com oportunidades iguais a toda população e manter certo controle social, a verdade é que a História mostra que os governos socialistas foram em grande parte ditatoriais e um verdadeiro desastre econômico e político. Liberdades individuais foram suprimidas e as guerras e a fome mataram milhões de pessoas. Estima-se que as mortes foram cerca de cem milhões nestes últimos cento e poucos anos:

URSS: 20 milhões de mortos

China: 65 milhões

Vietnã: 1 milhão

Coreia do Norte: 2 milhões

Camboja: 2 milhões de mortos

Leste Europeu: 1 milhão

América Latina: 150.000 mortos

África: 1,7 milhão de mortos

Afeganistão: 1,5 milhão

O movimento comunista internacional e os partidos comunistas fora do poder levaram dezena de milhões de pessoas à morte. Isso mostra que, sim, o socialismo falhou e continuará falhando.

O que esse banho de sangue tem que ver com o livro de Atos capítulo 2? Absolutamente nada! Nem de perto podemos comparar a Bíblia com a ideologia socialista. São coisas completamente diferentes.

3. O texto de Atos 2 não é prescritivo.

Quando lemos o livro de Atos devemos ter em mente que estamos tratando de um livro histórico. A seguir você lerá uma pequena parte de um artigo do teólogo brasileiro Wilson Paroschi:

“A rigor, conforme o próprio Lucas afirma (At 1:1-5; cf. Lc 1:1-4), Atos é um documento histórico e, como tal, narra o desenvolvimento da igreja apostólica nos primeiros trinta anos após a ascensão de Cristo. Em muitos círculos eclesiásticos e evangelísticos, porém, predomina a crença, explícita ou implícita, de que esse livro consiste verdadeiramente numa espécie de manual da igreja ou manual de evangelismo, com orientações e exemplos práticos que, se forem seguidos à risca, produzirão os mesmos resultados. […] Cuidadosa análise da evidência, porém, parece apontar para outra direção. Em primeiro lugar, convém observar que, ao descrever a história da igreja primitiva, Lucas não registra somente os triunfos e sucessos dos apóstolos, mas também seus erros e retrocessos.”

“Em Atos, não encontramos apenas uma sucessão de experiências e relatos positivos que culminam com o evangelho sendo pregado destemidamente e sem qualquer impedimento até mesmo em Roma, no coração do Império (At 28:30-31). Ali também estão registradas inúmeras situações negativas envolvendo diretamente os apóstolos, suas decisões e atitudes.

“Exemplos disso são a negligência para com as viúvas helenistas (6:1), o preconceito e a reticência deles diante da pregação aos gentios (10:1–11:18), a desavença entre Paulo e Barnabé (15:36-40), a transigência de Paulo para com a lei cerimonial (21:17-26) e sua opção por ser julgado em Roma (25:9-12), o que se revelou um grave erro estratégico (cf. 26:30 32). Há também duas outras experiências que se revelaram particularmente negativas: a crença na volta imediata de Jesus e o consequente arrefecimento do fervor evangelístico logo após o Pentecoste.

“A perspectiva evangelística predominante na tradição judaica, tanto no Antigo Testamento (Sl 22:27; Is 2:2-5; 56:6-8; Sf 3:9-10; Zc 14:6) quanto na literatura intertestamentária (Tob 13:11; T. Ben. 9:2; Pss. Sol. 17:33-35; Sib. Or. 3.702-718, 772-776), é a do chamado movimento centrípeto, ou seja, não é Israel que vai às nações; são as nações que vêm a Israel, atraídas pela prosperidade e fidelidade do povo de Deus. E há claros indícios de que, apesar da ordem de Jesus em Atos 1:8, os apóstolos entenderam que, com a pregação no dia de Pentecoste e a conversão de mais de três mil pessoas, a missão deles no mundo já estava cumprida, ou pelo menos substancialmente cumprida.

“Como James D. G. Dunn salienta, o modelo evangelístico que eles conheciam era o que prevalecia no judaísmo de seus dias (cf. Mt 8:11-12; 10:5-6, 23; Mc 11:17) e, no Pentecoste, o mundo todo veio até eles; Lucas menciona mais de quinze diferentes nacionalidades ali representadas (At 2:9-11). O que houve em seguida foi uma diminuição do entusiasmo evangelístico, associado à ideia de que Jesus estaria voltando naqueles dias, como ficara implícito na promessa no dia da ascensão (1:6-11; cf. 3:20-21; Mt 10:23). Foi por isso que eles permaneceram tão firmemente arraigados em Jerusalém e centrados no templo (At 2:46; 3:1; 5:12, 20-21, 25, 42), até porque, de acordo com a profecia de Malaquias (3:1), o templo seria o ponto focal da iminente consumação.

“O elevado senso de fraternidade e comunidade demonstrado pela igreja apostólica logo após o Pentecoste (At 2:44-45; 4:32-35) revela que eles viviam na expectativa diária da volta de Jesus. Posses ou bens materiais perderam o valor. Tudo era vendido e o lucro trazido para um caixa comum para o benefício de todos. Eles não precisavam mais se preocupar com o futuro, pois não haveria futuro.

“A atitude foi louvável, sem dúvida, mas o momento foi errado, ainda que a iniciativa possa ter atendido a algumas necessidades específicas, como a ajuda aos pobres da comunidade de crentes. O espírito de desprendimento e fraternidade que manifestaram é, de fato, o que deve caracterizar o povo de Deus pouco antes da volta de Jesus, mas, naquele momento, representou um retrocesso para a igreja. A igreja de Jerusalém empobreceu (At 11:28; Rm 15:26; Gl 2:10), passou a depender da generosidade das igrejas gentílicas (At 11:29, 30; Rm 15:25, 26; 1Co 16:1-3) e não pôde sequer financiar o evangelismo mundial. Isso coube às próprias igrejas gentílicas (At 13:1-3; 15:35, 36; 2Co 11:8, 9; Fp 4:15-18). Deus permitiu que se levantasse uma perseguição contra a igreja (At 8:1-3) para dispersá-la de Jerusalém e, assim, levá-la a cumprir sua missão mundial (8:4, 5-8, 26-40; 11:19-21).

“Ou seja, é certamente um erro tratar o Livro de Atos como um manual da igreja, e a igreja apostólica como um modelo em tudo para a igreja de todos os tempos e lugares. Ao contrário do que mantém a concepção popular, a igreja apostólica não era perfeita, nem do ponto de vista doutrinário e muito menos do ponto de vista administrativo ou eclesiástico.

“A segunda razão pela qual a igreja apostólica não deve necessariamente ser vista como um modelo em tudo é que ela mesma foi produto de uma época, um lugar e uma cultura específica. A igreja apostólica nasceu no contexto do judaísmo do primeiro século. Ela aparece no cenário bíblico como mais uma dentre as várias denominações ou seitas judaicas da época. Ela teve que lidar com problemas tais como uma expectativa messiânica distorcida, o escândalo da cruz e o legalismo judaico, a inclusão dos gentios e a circuncisão, a idolatria no mundo greco-romano, filosofias pagãs, enfim, uma longa lista de problemas, quase todos muito diferentes dos nossos. É por isso que muito cuidado deve ser tido na hora de apontar os elementos prescritivos no Livro de Atos. Não é só abri-lo e achar que, porque foi assim no passado, tem que ser assim no presente. […]”

Voltei. Gostaria de enfatizar dois pontos importantes: primeiro, é que a empolgação da comunidade se dava exclusivamente pela promessa da vinda de Jesus, pela crença de que o pecado e a morte teriam fim e, finalmente, eles estariam para sempre com Jesus Cristo. O movimento cristão não se manteve unido e motivado no início por conta do ideal revolucionário de transformação social. Eles não estavam ali para reivindicar direitos humanos ou qualquer coisa do tipo. Apenas a alegria do evangelho que os motivava a ficar unidos.

Segundo, é que quanto à distribuição financeira e a comunhão de bens, a comunidade veio à falência pouco tempo depois! Agora veja: se os ideólogos modernos do socialismo procuram encontrar em Atos indícios de modelo econômico para comunidades locais, o que, de fato, eles encontrarão é o modelo ideal de como não distribuir renda e como chegar à falência!

3. Um cristão não pode ser socialista.

Certamente alguém falará que temos, como cristãos, uma função social importante. Isso é verdade e Cristo assim nos ensinou. Porém, existe um abismo entre ajudar o próximo e ser praticante do socialismo coercitivo (comunismo) que usa o aparelho estatal com mão de ferro para saquear a população e definir cada aspecto de sua vida. São ideologias nefastas que a história nos conta com desprezo. Infelizmente, ainda no Brasil poucas pessoas conhecem a história cruel e genocida dessas ideologias.

Considerando isso (e mais vários outros motivos não tratados neste texto), pode-se chegar à conclusão óbvia de que um cristão de verdade, que aguarda a vinda de Cristo, jamais pode perder tempo com essas ideologias ateias e fracassadas. Devemos lembrar sempre que este “Estado” é passageiro, mas o Reino de Deus é eterno.

Referências:

BOBBIO, NORBERTO;  MATTEUCCI, NICOLA ; PASQUINO, GIANFRANCO. Dicionário de Política. 11. Ed. Brasília: Editora UNB, 1998. (Volume 1).

BUKHARIN, NIKOLAI, ABC do Comunismo, Edipro, São Paulo, 2011.

ENGELS, FRIEDRICH, Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, Edipro de Bolso, São Paulo, 2011.

FERACINE, LUIZ, Karl Marx ou a Sociologia do Marxismo, Lafonte, São Paulo, 2011.

JEAN-LOUIS PANNÉ, ANDRZEJ PACZKOWSKI, KAREL BARTOSEK, JEAN-LOUIS MARGOLIN  et al. O Livro Negro do Comunismo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

PAROSCHI, WILSON, “Os Pequenos Grupos e a Hermenêutica: Evidências Bíblicas e Históricas em Perspectiva”, (Engenheiro Coelho, São Paulo, 2009). (artigo aqui). Ou no livro: SOUZA, ELIAS BRASIL (Ed.). Teologia e metodologia da missão: palestras teológicas apresentadas no VIII Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano. Cachoeira: CePliB, 2011).

Maduro come em restaurante que cobra mil dólares por refeição enquanto venezuelanos passam fome

nicolas-maduro-1Voltando da China [a mesma China comunista que está perseguindo cristãos e queimando Bíblias], Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, parou em Istambul, na Turquia, e aproveitou para comer no restaurante da celebridade da internet Nusret Gökçe, mais conhecido como Salt Bae, que conta com mais de 15 milhões de seguidores no Instagram. Cada refeição custa em torno de mil dólares. Salt Bae publicou seis imagens na rede social e rapidamente apagou o post, que em pouco tempo já contava com mais de mil comentários. A maioria deles criticando Maduro por deixar seus compatriotas morrerem de fome enquanto ele se esbaldava no restaurante. Um relatório do governo venezuelano indicou que mais de 60% da população acordam com fome por não terem dinheiro para comprar comida. Aproximadamente um quarto da população come menos de duas vezes ao dia e cerca de 87% dos venezuelanos vivem em situação de pobreza. Por fim, mais de dois milhões já deixaram o país atrás de comida e trabalho [sem contar as crianças que estão morrendo de fome]. O estudo ainda revela que a qualidade da dieta da população venezuelana também teve uma queda. Cada vez mais se consome menos vitaminas e proteínas. A carne vermelha é rara de se obter, seja pela falta do produto ou até mesmo pelo alto custo. De acordo com o FMI, a inflação do país deve chegar a 1.000.000% neste ano.

Families salvage food scraps from garbage bags in downtown Caracas, Venezuela.
Jovens vasculham lixo em busca de comida em Caracas
Esteban Granadillo, 18 days, who weighs 4 pounds 10 ounces, at Dr. Agustín Zubillaga University Hospital of Pediatrics in Barquisimeto, Venezuela.
Crianças venezuelanas estão morrendo de desnutrição

(Jovem Pan)

Nota: Líder comunista sendo líder comunista. Apenas seguindo o script. Me fez lembrar a obra clássica de George Orwell, A Revolução dos Bichos (se você não leu, tem 18 dias para ler antes das eleições). Maduro é como todos os outros “comunistas de iPhone”: enquanto pregam a igualdade e dizem lutar pelos mais pobres, não abrem mão das benesses que o dinheiro e o cargo político lhes conferem. Mais ou menos como aconteceu com a deputada comunista e agora candidata a vice-presidente, que diz amar Cuba, mas foi à sede do capitalismo mundial comprar um enxoval para a filha (confira), e depois ainda tentou censurar um humorista por se aproveitar da piada pronta (confira). Já disse e repito: a solução para a humanidade não é a Revolução, é a conversão. O homem e a mulher não convertidos sempre serão egoístas, gananciosos, traiçoeiros, pervertidos, injustos. É da natureza humana. E quando têm o poder nas mãos, então, aí é que o estrago é maior, pois o acesso ao mal fica facilitado. Apenas mais um exemplo de incoerência: enquanto ecoam discursos feministas de “empoderamento”, esquerdistas que governaram São Paulo entregaram apenas metade das creches que haviam prometido em campanha. É fácil promover passeatas a favor do aborto, apoiar a marcha das “vadias” e coisas afins. Mas quando se trata do verdadeiro “empoderamento” (detesto essa palavra), que significa dar condições para que uma mãe possa sustentar ou ajudar a sustentar os filhos, a coisa muda de figura. Aí precisa de muito dinheiro. Mas cadê o dinheiro? [MB]

De que lado da revolução você quer ficar?

revolucaoNa introdução da sua brilhante obra, o historiador D’aubigné afirmou com precisão: “O cristianismo e a Reforma [Protestante] são as duas maiores revoluções da história” (História da Reforma do XVI Século, v. 1, p. 6). A Reforma foi uma revolução inspirada pela fé, tendo como colunas a defesa da verdade bíblica, da soberania do Senhor Jesus e da santidade da vida cristã. Onde quer que os princípios da Reforma eram aceitos floresciam liberdade e prosperidade. Para cada ação de Deus na História satanás suscita uma contrafação para desviar a mente das pessoas e até, se possível, direcioná-las para o lado contrário. Não foi diferente com a Reforma Protestante. O impacto dessa revolução da fé foi sentido com toda a sua intensidade no reino das trevas. E Satanás usou toda a astúcia do inferno para elaborar também sua revolução – a da incredulidade.

Depois de décadas e até séculos de gestação, essa revolução da incredulidade emergiu com força total durante a Revolução Francesa, em grande parte por causa da colaboração de Roma: “Foi o papado que começara a obra que o ateísmo estava a completar. A política de Roma produzira aquelas condições sociais, políticas e religiosas que estavam precipitando a França na ruína” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 276). “Em vez de manter as massas populares em submissão cega aos seus dogmas, sua obra [de Roma] teve como resultado torná-las incrédulas e revolucionárias” (ibidem, p. 281).

O espírito da revolução da incredulidade foi acolhido e propagado por diversos intelectuais no século 19. Seu expoente mais conhecido foi Karl Marx, o qual sistematizou seus princípios e modus operandi. De lá para cá a revolução da incredulidade conquistou o coração de milhões de adeptos ao redor do mundo e tornou-se protagonista em diversos eventos da História, como, por exemplo, a Revolução Bolchevique de 1917. E entre seus frutos é possível observar a degradação moral, a opressão e a ruína.

A revolução da incredulidade ganhou mais tarde uma nova roupagem – conhecida como marxismo cultural. E hoje sua força é sentida principalmente no mundo Ocidental. Cultura, educação, política, economia, tudo foi contaminado por esse espírito revolucionário. O filósofo Olavo de Carvalho estudou a fundo a estrutura de pensamento desse tipo de mente revolucionária e concluiu que sua principal característica é a maneira invertida de ver o mundo.

Essa visão invertida ocorre pelo menos de três formas:

  1. Inversão da percepção do tempo: quem não possui essa mente revolucionária vê o passado como algo imutável, e o futuro como algo ainda a ser definido. Os revolucionários da incredulidade por sua vez têm um projeto de futuro utópico na mente e acham que o passado pode ser reescrito ou reinterpretado para acomodar tal projeto. Esse futuro utópico é tão real para eles que até se vangloriam no presente, rejeitando qualquer fato que possa comprovar o contrário.
  2. Inversão da moral: revolucionários da incredulidade consideram que trabalham para um projeto de futuro perfeito e, portanto, suas ações de hoje são perfeitamente justificadas por esse projeto. Nesse raciocínio, nada do que o revolucionário da incredulidade faça (mentir, roubar, destruir, matar) é considerado por ele imoral.
  3. Inversão de sujeito e objeto: revolucionários seguem um comportamento padrão de se enxergarem sempre como vítimas nas diversas circunstâncias da vida. Então se o revolucionário mata alguém que se opõe a ele, a culpa é do opositor que não seguiu o caminho certo, ou seja, o da revolução. Dentro dessa visão invertida é muito comum fazerem do bandido o mocinho e do mocinho o bandido. E também projetarem em seus adversários seus próprios defeitos.

Existe uma surpreendente similaridade na estrutura de pensamento desse tipo de mente revolucionária com o modo de pensar do seu originador: Satanás:

  1. Inversão do tempo – reinterpretar o passado e gloriar-se pelo futuro utópico:

“Os empenhos de Satanás, de representar mal [reinterpretar?] o caráter de Deus, de levar os homens a acalentar um falso conceito do Criador, e assim considerá-Lo com temor e ódio, em vez de amor […] foram perseverantemente seguidos em todas as épocas” (O Grande Conflito, p. 12).

“Ele [Satanás] prometeu-lhes [aos anjos no Céu] um novo governo, melhor do que aquele que até então haviam conhecido, no qual tudo seria liberdade… Ao perceber ele que suas propostas alcançavam sucesso, gabou-se de que chegaria a ter a seu lado todos os anjos” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 39).

“Satanás… gabou-se orgulhosamente de que o mundo criado por Deus era seu domínio. Havendo conquistado Adão, o soberano do mundo, ganhara toda a raça humana como seus súditos. Possuiria o jardim do Éden e o transformaria em seu quartel-general. Ali estabeleceria seu trono para ser o soberano do mundo” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 58).

  1. Inversão da moral – os fins justificam os meios:

“Satanás foi astuto em apresentar seu ponto de vista da questão. Tão logo percebia [no Céu] que determinada posição era vista em seu verdadeiro caráter, trocava-a por outra. Tal não ocorreu com Deus. Ele podia operar com apenas uma classe de armas – a verdade e a justiça. Satanás podia usar o que Deus não usaria: o engano e a fraude” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 39).

“Satanás disse-lhes [aos anjos rebeldes] que tanto ele quanto os outros haviam ido longe demais para agora voltar, e que […] agora teriam de assegurar a liberdade deles e obter pela força a posição e autoridade que não se lhes havia sido concedida voluntariamente” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 43).

  1. Inversão do sujeito – objeto:

“Concordemente, Satanás e sua hoste lançaram a culpa de sua rebelião inteiramente sobre Cristo, declarando que se eles não houvessem sido acusados, não se teriam rebelado” (O Grande Conflito, p. 499).

“O objetivo do grande rebelde foi sempre justificar-se, e provar ser o governo divino responsável pela rebelião” (O Grande Conflito, p. 670).

“Embora incapaz de expulsar a Deus de Seu trono, Satanás O tem acusado com atributos satânicos e reivindicado como seus os atributos de Deus” (Cristo Triunfante, p. 10).

Portanto, vivemos em uma época de intensa batalha espiritual: “Todo o mundo cristão estará envolvido no grande conflito entre a fé e a incredulidade” (Ellen G. White, Eventos Finais, p. 137). A boa notícia nessa história é que a revolução da fé continua viva e atuante: “A Reforma não terminou com Lutero, como muitos supõem. Continuará até o fim da história deste mundo” (O Grande Conflito, p. 148). A defesa da verdade bíblica, da soberania do Senhor Jesus e da santidade da vida cristã continuará sendo a arma dessa revolução. “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 João 5:4).

Então só podemos dizer uma coisa: “Viva a revolução – da fé!”

(Sérgio Santeli é pastor da Igreja Adventista de São Bernardo do Campo, SP)

Justiça social não é o evangelho

macarthurO pastor John MacArthur, líder da Grace Community Church e autor de dezenas de livros campeões de venda, tem posturas teológicas conservadoras bem conhecidas. Ao analisar o movimento relativamente novo dentro do segmento evangélico que defende “justiça social” como prioridade, ele declarou que, na verdade, é uma tentativa de mudar o foco do Evangelho. “Essa obsessão recente de segmentos evangélicos com a defesa da ‘justiça social’ é uma mudança significativa. Estou convencido de que é uma ideia que afasta muitas pessoas da mensagem principal, inclusive alguns líderes evangélicos. Trata-se de uma trajetória que muitos outros movimentos e denominações já trilharam, sempre com resultados espiritualmente desastrosos”, avalia.

“Eu abomino o racismo e toda a crueldade e conflitos que ele gera. Mas estou convencido de que a única solução a longo prazo para todos os tipos de embates sociais é o evangelho de Jesus Cristo. Somente em Cristo essas barreira e divisão entre grupos de pessoas são quebrados, fazendo membros de culturas e grupos étnicos diferentes se unirem em um novo povo (Efésios 2:14, 15)”, assevera.

Ele argumentou que não se opõe à ideia de evangélicos lutarem por uma sociedade melhor, mas o discurso adotado em nome da ‘justiça social’ não trata do cerne do problema. “Exigir reparações históricas pelas ações de seus antepassados ​​é a linguagem da lei, não do evangelho. Pior ainda, reflete os argumentos da política mundana, não da mensagem de Cristo. É uma ironia surpreendente que crentes ignorem a verdadeira unidade espiritual que temos em Cristo e desprezem princípios bíblicos em favor de opiniões carnais.”

A argumentação de MacArthur vem na esteira de um movimento iniciado recentemente dentro das igrejas batistas dos EUA pelo pastor Grady Arnold, líder da Igreja Batista do Calvário, da cidade de Cuero, Texas. Em maio, ele encaminhou um documento à liderança dos batistas denunciando a justiça social como um “mal”. O centro do argumento é que esse tipo de pregação – justiça social, justiça racial, justiça econômica, justiça sexual, ecojustiça – baseia-se em uma “teologia liberal”, que tem inspiração na “ideologia marxista”, focada numa “vitimização” de alguns grupos.

O documento gerou controvérsia no meio evangélico ao afirmar que “o ativismo pela justiça social deve ser considerado maligno, na medida em que é um caminho para promover o aborto, a homossexualidade, a confusão de gênero e uma série de outras ideias antagônicas ao evangelho, à cosmovisão cristã e ao nosso chamado à santidade (1 Pedro 1:16)”.

Diz também que “os ideais dessa justiça social estão sendo promovidos e aplicados pelos governos em todo o mundo. A justiça social política é enganosa, sendo que cristãos bem-intencionados podem ser atraídos para tal ideologia sob a falsa suposição de que isso equivale a defender a compaixão pelas pessoas”.

Já existem movimentos de líderes evangélicos liberais no Brasil advogando esse tipo de engajamento político da igreja que acabam, ao mesmo tempo, adotando pautas como a defesa da agenda LGBT e a legalização do aborto.

(Gospel Prime)

Nota: De fato, supervalorizar causas sociais é correr o risco de minimizar a solução definitiva para todos os males humanos: Jesus e Sua segunda vinda. Distribuir sopa e abraços, organizar feiras de saúde, recuperar patrimônio público e outras ações trata-se de parte da missão, mas, se não houver a pregação da Palavra, a distribuição de um livro missionário, etc., a obra ficou pela metade, ou melhor, apenas começou. Quem comeu a sopa voltará a ter fome. Quem recebeu o abraço voltará a sentir carência. Mas quem encontrou Jesus e as verdades de Seu reino, e foi acolhido por uma comunidade de amor com foco na missão, terá a vida completamente mudada e redirecionada. Outro aspecto perigoso dessas causas sociais é que a pessoa que defende essas bandeiras pode se envolver tanto com esse tipo de militância que acaba por abandonar a igreja e a missão mais importante de um cristão. Infelizmente, já vi isso acontecer. [MB]

Padre denuncia o perigo do marxismo cultural

Obviamente que não concordo com tudo o que o padre Paulo Ricardo diz nestas aulas gravadas em vídeo, mas não posso deixar de reconhecer que ele é muito didático e corajoso ao expor o assunto e mostrar a incoerência daqueles que procuram mesclar marxismo e cristianismo (como fazem os teólogos da libertação e os defensores da Missão Integral, por exemplo). Depois de assistir a estas aulas, fica difícil entender por que e como alguns protestantes (e adventistas, de modo particular) ainda conseguem flertar com as ideias de Marx – tão relacionadas com as de Darwin, por sinal. Claro que o padre Paulo não menciona o fato de que Marx reagiu aos desmandos da burguesia e da igreja dominante em seu tempo. Foram também as injustiças do clero que motivaram a reação marxista e outras reações históricas. Assista a estes vídeos levando em conta o conselho que o apóstolo Paulo dá com respeito às profecias, em 1 Tessalonicenses 5:21: analise tudo e retenha o que for bom. [MB]

Cristianismo combina com marxismo?

O verdadeiro Che Guevara e os idiotas úteis que o idolatram

WhatsApp Image 2018-07-23 at 03.41.28Poucas pessoas conhecem Alberto Korda, o homem responsável por tirar a fotografia intitulada “Guerrillero Heroico”, aquela que se tornou símbolo de um guerrilheiro que não foi tão heroico assim. Se poucos conhecem Korda, muitos conhecem Ernesto Guevara de la Serna ou Che Guevara. Seu rosto foi marcado em diversos lugares, inclusive na pele de ícones do esporte como Diego Maradona e Mike Tyson, e virou símbolo revolucionário, sobretudo para a juventude. Escrito sob a óptica de Humberto Fontova, testemunha ocular dos horrores iniciais da Revolução Cubana, o livro retrata bem a realidade, ignorada pela mídia e pelas universidades, de um facínora idolatrado por pessoas cujas qualidades são retratadas no título do livro: O Verdadeiro Che Guevara e os Idiotas Úteis que o Idolatram.

Ao contrário do que muitos pensam, a política norte-americana de alguma forma teve influência para o “bem” da Revolução, a ponto de Fidel Castro comemorar a vitória do democrata John Fitzgerald Kennedy nas eleições. Este presidente, até onde podemos perceber por suas falas, faria um governo realmente democrata e em prol da sociedade – também da revolução cubana –, todavia seu ímpeto de enfrentar a elite que atua nos bastidores da política o levou a um fim trágico. Entretanto, Kennedy demonstrou o porquê de Fidel comemorar sua vitória sobre Richard Nixon nas urnas: “Nada podemos divulgar sobre esse acordo”, disse Robert Francis Kennedy (procurador-geral dos EUA) ao embaixador soviético Anatoly Dobrynin ao selar o pacto que pôs fim à chamada crise (dos mísseis soviéticos em Cuba). “Seria politicamente embaraçoso para nós.” A parte do acordo Kennedy-Kruschev que (secretamente) competia ao governo americano era não se opor ao regime de Fidel em Cuba.

Dentre atos secretos e outros abertamente declarados, destes últimos destaco um que também é alvo de descrença por parte dos amantes da Revolução e daqueles que bradam lutar contra o “imperialismo ianque”, o da admiração de fã ardoroso que Ted Turner (dono do canal CNN) tinha sobre Fidel Castro e, sendo seu amigo, visitá-lo de vez em quando no país insular. O cúmulo da admiração viria quando a CNN abriu um escritório em Havana em 1997. “Isto se deu pouco depois que Ted Turner, durante um discurso na Faculdade de Direito de Harvard, se empolgou dizendo à multidão: ‘Fidel é um cara da pesada! Vocês o adorariam!’”

O paradoxo da idolatria de Che por parte de roqueiros e homossexuais é algo que espanta. O movimento de maio de 1968, na França, implicou na renovação de valores, com a juventude na vanguarda, lutando – dentre outros objetivos – pela liberação sexual, ampliação dos direitos civis, etc., acabou por usar a morte de Che no ano anterior, em 1967, na fracassada tentativa de implantar a guerrilha na Bolívia, como combustível também para inflamar o movimento que teve repercussão nos EUA.

 “Numa grande capital […] alguns jovens protestavam de modo extremamente atrevido e desrespeitoso. Eles encolerizavam e alarmavam o governo que os qualificava como ‘hippies’ e ‘delinquentes’. […] Esses agrupamentos hippies tinham cabelo comprido, curtiam rock and roll e se autodenominavam de ‘os beats’ ou ‘os psicodélicos’. […] O herói rígido e autoritário que esses jovens ‘delinquentes’ e ‘vagabundos’ tinham em mente era conhecido como um disciplinador violento e severo, sem qualquer simpatia e senso de humor. Ele detestava rock and roll e constantemente ralhava contra ‘cabelos compridos’, ‘jovens vagabundos’ e qualquer outro sinal de insubordinação. Ele escrevera que os jovens devem sempre ‘ouvir com muita atenção – e o máximo respeito – o conselho dos mais velhos que estão no governo’. Ele discursava constantemente sobre o modo como os estudantes, em vez de se distraírem com tolices como o rock, deveriam se dedicar ao ‘estudo, trabalho e serviço militar’.”

Porém, os jovens cubanos acabaram por se contagiar com o rock e se tornaram rebeldes também, mas “com” causa, pois se revoltaram contra a declaração de Fidel sobre 1968 “como o ano da guerrilha heroica”, glorificando Che Guevara. “‘Esses jovens andam por aí ouvindo música imperialista!’, esbravejava Fidel Castro ao seu público cativo na Plaza de La Revolución, declarando aberta a temporada de caça aos hippies de Cuba. ‘Eles corrompem as nossas jovens e destroem pôsteres de Che! O que será que eles pensam? Que este é um regime burguês, um regime liberal? NÃO! Nada temos de liberal. Nós somos coletivistas! Nós somos comunistas! Não haverá Primavera de Praga aqui em Cuba!’”

Quanto aos homossexuais, um caso emblemático no Brasil, há um tempo, chamou muito a atenção de todos: o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), homossexual assumido e militante pela causa LGBT, se vestiu de Che Guevara para fazer uma brincadeira, e mesmo admitindo algumas atrocidades do facínora – e negando muitas outras por meio da interpretação atenuante dos horrores comunistas –, disse que admirava Che por ser um homem de seu tempo ao “destituir uma ditadura sanguinária (a de Fulgêncio Batista), levar ao paredão uma série de torturadores (como se Che não fosse um!), implementar um programa de justiça social e combate à miséria e empoderamento dos mais pobres”. Pelas palavras do deputado, fica nítido que ele só se alimentava com literatura marxista e revolucionária, porque se desse ouvido a um cubano que amava a liberdade e que conseguira escapar junto com sua família da fúria revolucionária, como Humberto Fontova, ele jamais teria dito esses absurdos.

No site do Grupo Gay da Bahia, mesmo estado onde nasceu o deputado, é possível ver uma postagem onde há crítica a Fidel Castro por ter assumido, já aposentado em 2010, que perseguia gays durante seu período no poder; a entidade comunicou que entraria com uma representação contra o ditador no tribunal de Haia. Enquanto a ONG lutava pelos gays, o deputado conterrâneo elogiava o perseguidor de homossexuais Che Guevara, o “cãozinho de estimação” de Fidel.

Um parente de Che falou diretamente sobre esses assuntos em 2004; deixo seu neto, o roqueiro Canek Sánchez Guevara – falecido em 2015 – falar sobre Cuba: “Em Cuba, liberdade não existe […]; o regime exige submissão e obediência… o regime persegue hippies, homossexuais, livre-pensantes e poetas… Eles estão em constante vigilância, controle e pressão.”

O racismo também fez parte da ditadura castrista. Che Guevara nunca escondeu seu desprezo pelos negros, mas assim como os homossexuais e os roqueiros, alguns negros também exaltavam seu algoz ideológico. Che, em seu discurso na ONU, disse: “Nós sem dúvida executamos […] e continuaremos a fazê-lo enquanto for necessário.”

WhatsApp Image 2018-07-23 at 03.44.46“Segundo o Livro Negro do Comunismo […] as execuções no paredão da revolução alcançaram a marca de catorze mil fuzilados no início da década de setenta. […] A despeito da sumária carnificina, Jesse Jackson, ao visitar Havana em 1984, ficou tão cativado por seu anfitrião […] que não pôde se conter. ‘Viva Fidel Castro!’, gritava Jackson à cativa multidão na Universidade de Havana. ‘Viva o grito da liberdade!’ ‘Viva Che Guevara!’ Este é o mesmo Jackson que escreveu um livro de 224 páginas contra a pena de morte. Vale ressaltar que Jesse Jackson, que é negro, é um pastor batista, ex-senador pelo Distrito de Colúmbia e ativista pelos direitos civis. Quanto a Che, longe de partilhar dos bons costumes de Jackson, considerava os negros como ‘indolentes e extravagantes, gastando o seu dinheiro em bebida e frivolidades’. Che escreveu essa passagem nos seus recém-famosos Diários de Motocicleta – uma das pérolas que Robert Redford e Walter Salles inexplicavelmente suprimiram.”

“Portanto, ficam facilmente perceptíveis o desprezo de Che aos negros e as manobras de Hollywood para acobertar isso. Antes de ocorrer a Revolução, no poder vigente […] havia gente de cor no cargo de presidente do Senado, ministro da agricultura, chefe do exército e – lembremo-nos do mulato Batista – presidente da república. Hoje em dia [época em que o livro foi escrito, 2007] […] exatamente 0,8 % dos cargos políticos do país é ocupado por gente de cor. Em outros lugares, essa mesma situação seria chamada de apartheid. Mas, o caso mais estarrecedor contra um negro em Cuba foi o de Eusebio Peñalver. O regime que Che Guevara ajudou a fundar ostenta a distinção de ter encarcerado o negro que mais tempo passou numa cadeia em todo o século 20. Seu nome é Eusebio Peñalver, um homem que foi preso e torturado nas masmorras de Fidel por mais tempo que Nelson Mandela na África do Sul. Peñalver sofreu tortura contínua em sua luta contra o comunismo, mas resistiu incólume a trinta anos de confinamento.

“Macaco!”, diziam-lhe os guardas. “Nós o tiramos das árvores e arrancamos sua cauda!”, gritavam os capangas de Castro ao levarem-no para a solitária. Os guardas comunistas sempre pediam que Eusebio “confessasse”, que admitisse legalmente suas “transgressões ideológicas”. Isso aliviaria seu castigo e sua punição, eles diziam. A resposta de Peñalver era clara e imediata. […] Durante os trinta anos nas masmorras de Castro, Eusebio Peñalver permaneceu firme, altivo e hostil ao que o cercava. Alguém já ouviu falar dele? Hoje vive em Miami. A CNN já o entrevistou? Alguém já o viu no programa 60 Minutos? Ou leu sobre ele no New York Times? No Boston Globe? Ou ouviu alguma coisa no black history month? Ou onde quer que seja?

Essas perguntas demonstram claramente o conluio de boa parte da mídia norte-americana com o movimento revolucionário e a ditadura castrista. A questão racial nos EUA sempre foi muito importante, porém, Ted Turner e sua turma midiática nunca atentaram para os negros que sofreram os horrores do governo comunista em Cuba e que depois conseguiram se refugiar nos EUA. Nesses breves trechos tirados do livro de Humberto Fontova, podemos perceber que as conveniências do movimento revolucionário não são compatíveis com os direitos humanos e aqueles que, de alguma forma, lutam por alguma questão que considere um “direito humano”, fatalmente aderem ao rótulo de “idiota útil”, passando a exaltar seus algozes.

O livro tem um bônus: o DVD que contém relatos de homens que estiveram junto com Che nas batalhas em Cuba e testemunharam sua realidade de perto, totalmente oposta à do homem “amante da liberdade e da vida” e “defensor dos pobres e oprimidos”.

(Thiago F. da Silva é professor de Geografia)

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Fontes:

FONTOVA, Humberto. O Verdadeiro Che Guevara e os Idiotas Úteis que o Idolatram, São Paulo: É Realizações, 2014. Páginas: 34, 39, 53, 54, 55, 115, 238, 239.

Em entrevista, Jean Wyllys defende homofobia de Che Guevara e ditadura cubana. Acesso em 22/7/2018. https://www.youtube.com/watch?v=4I76BB5mP-E

Matéria sobre Fidel no GGB, acesso em 22/7/2018. http://www.ggb.org.br/cuba_livre.html

Che Guevara à ONU (1964): “Fuzilamos e continuaremos fuzilando!” Acesso em 23/7/2018. https://www.youtube.com/watch?v=Ot0UjQUhr9g

Reverendo Jesse Jackson, acesso em 23/7/2018. https://en.wikipedia.org/wiki/Jesse_Jackson