Santo Antônio, a afronta da emissora e o caso Rhuan

santo-antonioNo dia 13 de junho, os católicos celebram o dia de Santo Antônio, o famoso “santo casamenteiro”. A emissora de TV Bandeirantes veiculou um pequeno vídeo em que faz menção a isso e pede a bênção do santo a todos os casais. Em seguida, aparecem um casal hetero e dois “casais” homossexuais. Ao mesmo tempo em que o STF transforma homofobia em crime comparável ao racismo, não há qualquer tipo de regulação que puna uma emissora por desrespeitar a fé alheia. Por que relacionar “casamento” gay com o símbolo de uma religião que desaprova a união entre pessoas do mesmo sexo? Não se trata isso de um tipo de afronta? Exige-se (e com razão) respeito aos homossexuais, mas não são tratadas com o mesmo respeito pessoas, religiões e instituições que não concordam com as práticas homossexuais. Dois pesos, duas medidas.

Aproveito para trazer à tona a triste notícia envolvendo Rhuan, o garoto de nove anos de idade que teve o pênis cortado um ano antes de ter sido assassinado e esquartejado por um “casal” de lésbicas. Esse fato horrendo mostra como a cobertura midiática é, sim, seletiva. Como diz o Felipe Moura Brasil, no vídeo abaixo, fica a impressão de que gays só morrem, não matam. Assista e tire suas conclusões.

A mídia a serviço da desconstrução do casamento original

marie claireTrata-se de uma retroalimentação: a mídia surfa na onda e, por sua vez, ajuda a aumentar a força do tsunami. Em 2017, a boneca Barbie já havia aderido à campanha pró-“casamento” gay, ao aparecer vestida com o slogan que apoia esse tipo de união: “Love Wins” (como se quem discorda fosse um ogro sem sentimentos). Tempos depois, a revista Veja São Paulo estampou na capa um “trisal”, recentemente a Marie Claire publicou a chamada “Casais e trisais de namoradxs [argh!] espalham afeto com as peças-chave do inverno”, e as lojas Americanas divulgaram uma campanha de Dia dos Namorados com um “casal” gay. Obviamente que ninguém tem o direito de interferir nas escolhas dos outros nem na maneira como decidem viver, mas discordar não significa “fobia”. Defender o casamento original (o bíblico, que tem que ver com uma relação heteromonogâmica, ou seja: um homem e uma mulher unidos sob as bênçãos de Deus numa relação de fidelidade) não significa deixar de amar quem vive diferente, assim como defender a guarda do sábado, por exemplo, não implica desprezar quem guarda o domingo (menciono o sábado porque, assim como o casamento, ele vem lá do Éden).

A análise que segue é do meu amigo Marco Dourado:

“No início dos anos 1980, as escuderias de Fórmula 1 desenvolveram um tipo de motor dos mais inovadores: o turbo, retroalimentado pela passagem dos gases resultantes da queima da mistura ar/combustível, força até então desperdiçada. Aproveitando o exemplo, podemos identificar elementos de cooperação dinâmica entre mudanças culturais profundas e a propalação desse processo por meio da publicidade e da indústria de entretenimento:

– Brinquedos (Barbie ostentando o slogan de homonímia sutil misturado com vagueza intencional ‘Love Wins’).
– História em quadrinhos (Mônica adolescente exclamando ‘meu corpo, minhas regras!’).
– Periódicos de alcance nacional (encartes semanais das pós-modernas revistas Veja e Marie Claire apresentando positivamente a coabitação sexual de três pessoas).
– Cadeias do varejo tradicional, como as Lojas Americanas, utilizando temática homossexual em suas campanhas publicitária massivas, e por aí vai.

“Cada um desses exemplos mostra como é frágil e maleável a mente comum ante as inserções sutis de agentes de subversão, mal intencionados ou não.

“Evidentemente que não estamos questionando aqui as liberdades individuais privadas – desde que consensuais e sem danos a terceiros. A questão é como poderosos elementos do cotidiano banalizam o desvirtuamento e a desconstrução de marcos civilizacionais fundantes e mantenedores herdados das diversas sociedades ao longo da existência humana. A preservação de tais marcos muitas vezes se deu não apenas pelo apego às tradições religiosas, mas pela percepção experimental das trágicas consequências de sua violação.

“Sociedade poligâmicas, por exemplo, tendem a privilegiar os mais abastados em prejuízo de jovens machos que, privados da oportunidade de constituir família, competem violentamente entre si, acarretando a supervalorização da mulher apenas como objeto de prazer e procriação, e não como indivíduo dotado de dignidade intrínseca e direitos elementares. E mesmo na aglutinação forçada de diversos núcleos familiares de mães diferentes é natural a rivalidade e a competição dos meio-irmãos pela afeição e pelos recursos materiais do patriarca. Também os adultos, notadamente os homens, quando alijados de uma rotina sexual satisfatória, tendem a molestar os vulneráveis. Prostituição forçada, estupro, rapto, incesto, pederastia (alguns chamam de pedofilia), bestialismo e até a necroerastia acabam proliferando em sociedades nas quais a família tradicional não é protegida nem exaltada.

“Por fim, não há como não perceber que a flexibilização jurídica do conceito clássico de matrimônio (heterossexual, monogâmico e privilegiando a formação de famílias bem estruturadas com ambiente acolhedor e de proteção aos filhos) abre as porteiras para todo tipo de bizarrice e experimentalismo. Se o casamento nada mais é que aquilo que queremos que ele seja, então ele pode ser qualquer coisa. Transpostas as barreiras da heterossexualidade, não há mais lógica em reprimir as da cardinalidade (um para um, um para vários, vários para vários). Ambas violadas, caem as restrições de parentesco, pois tudo seria baseado em ‘afetividade’, e esse vago e sentimental conceito acabará por derrubar as regras de interdição a outras espécies (transespecismo). Finalmente, o laxismo, agora sem nenhuma rédea lógica ou moral, facultará o casamento entre seres vivos e não vivos – objetos e até cadáveres.

“Marcos, limites, regras, códigos, leis – quais forem os princípios de ordenação, são como jabutis nos galhos mais altos das árvores; não subiram sozinhos. Não estão lá por acaso nem servem para tiro ao alvo para engenheiros sociais.”

Pobre janela de Overton: nunca a deixam em paz…

Até a mãe de Neymar sabe o que os cristãos pós-modernos querem ignorar

lendoPelo visto, as pessoas hoje ou estão com muita incapacidade para interpretar textos, contextos e intertextos, ou se trata mesmo de moralidade distorcida com grandes pitadas de relativismo. Ontem postei aqui no blog um texto de Jonas Justiniano no qual ele analisa brevemente a atitude no mínimo contraditória da moça que marcou um encontro com o jogador Neymar em um quarto de hotel em Paris, dando origem a um escândalo sexual de proporções planetárias. No meio de uma conversa pra lá de picante, indecente e pornográfica (com direito a nudes), ela envia para ele uma música gospel, e a certa altura ambos mencionam o nome de Deus. Jonas cita Rushdoony e afirma que “a civilização ocidental está passando pelo processo bizarro de não perceber a diferença entre professar Jesus Cristo e viver uma vida profana”. Sim, é por causa dessa civilização ocidental professamente cristã que adeptos de religiões orientais, muçulmanos e outros querem distância do cristianismo, para eles sinônimo de libertinagem, intemperança, incoerência e até blasfêmia.

Resolvi tocar no assunto para fomentar uma reflexão sobre bom testemunho e coerência, afinal, Neymar é aquele que costumava erguer a camisa e mostrar frases como “100% Jesus” ou usar faixas na cabeça com a mesma inscrição. Se alguém que é 100% Jesus se envolve em bebedeiras e fornicação, imagine os cristãos que são apenas 50%… Vá explicar isso para um não cristão. Temos ou não responsabilidade em relação à religião que seguimos e promovemos?

Mas o pior mesmo foi ler os comentários a essa postagem em minha página no Facebook. Pessoas ditas religiosas vieram me dizer que eu não tenho o direito de julgar os dois “pombinhos”; que estava sendo moralista; que eu não posso julgar a religião deles pelo que fizeram, já que não conheço o coração dos amantes; que só Deus pode julgar as pessoas (e começaram a me julgar por achar que eu tinha julgado); que não é justo falar do jogador e da moça, quando há pastores pecadores por aí; que eu fui preconceituoso. Isso tudo e mais alguma coisa. De fato, não tenho o direito de julgar ninguém, mas tenho, sim, o de opinar sobre um fato amplamente divulgado – pelos próprios protagonistas, diga-se de passagem. Tenho, sim, o direito de analisar um evento e tirar conclusões e reflexões com base nele. E não se trata de preconceito, afinal, tanto o que eu escrevi quanto o que o Jonas escreveu está baseado em fatos, tratando-se, portanto, de um “pós-conceito”.

Existem pastores pecadores? Mas é óbvio, afinal, pastores são seres humanos e seres humanos são pecadores. Mas eu estava analisando uma notícia pontual de repercussão mundial, que gerou milhares de memes e inúmeros comentários – curiosamente, talvez a maioria reprovando as atitudes da moça e do moço. Mas eu, um jornalista cristão, não posso opinar nem analisar o ocorrido…

Interessante que no mesmo dia em que postei o texto do Jonas, a mãe do Neymar escreveu uma mensagem para o filho no Instagram, mostrando ter mais discernimento e sensibilidade que os cristãos pós-modernos do evangelho água com açúcar. Ela disse: “Filho, neste momento em que tudo finalmente está sendo esclarecido e a verdade de Deus está vindo à tona é hora de aprender com tudo isso e voltar para Jesus Cristo, seu primeiro amor. Ele é o único que realmente conhece seu coração, confie Nele.” A mãe do atleta ainda afirmou que por “sermos cristãos” é preciso perdoar a mulher responsável pela acusação de estupro, e concluiu: “Te amo muito e continuarei orando por você todos os dias da minha vida. Deus te abençoe… Eu te amo.”

Parabéns, sra. Nadine. A senhora realmente revelou compreensão da realidade e verdadeiro amor cristão. Não passou a mão na cabeça do filho justificando a conduta dele. Na verdade, reconheceu (e se há alguém que pode julgá-lo é você, por ser mãe) que ele está longe dos caminhos de Deus, vivendo um cristianismo incoerente e carecendo de conversão.

Diante de tudo isso, eu gostaria sinceramente que três coisas ocorressem: (1) que Neymar atendesse ao apelo da mãe e se voltasse verdadeiramente para Jesus; (2) que os cristãos pós-modernos parassem de justificar o pecado, mas aprendessem a chamá-lo pelo nome (sim, fornicação e sexo fora do casamento são pecado, bem como fazer sexo em troca de algum benefício fora do amor, independentemente do que se crê por aí; no fim das contas, todo mundo tem um conceito, ainda que mínimo, sobre o que é certo e errado; não é porque uma pessoa não chegou a determinado conhecimento que o conhecimento não existe, ou seja, para uma mente secular, sexo fora do casamento não é errado; contudo, isso não diminui a força da revelação; e (3) os internautas desenvolvessem e aprimorassem a capacidade de interpretar textos e ler mais do que apenas títulos de matérias. Leiam e releiam, se necessário, antes de abraçar apaixonadamente um posicionamento.

Ah! Nem tudo na vida é pessoal. Pode ser somente uma opinião, e nem toda opinião carrega juízo de valor. Muitas vezes é só senso crítico mesmo. E quem poderia dizer qual seria o limite entre um e outro?

Michelson Borges

“Todas as paixões do homem, se corretamente controladas e adequadamente direcionadas, contribuirão para sua saúde física e moral, assegurando-lhe grande felicidade. O adúltero, o fornicador e o incontinente não desfrutam da vida. Não pode existir verdadeira alegria para o transgressor da lei divina. O Senhor sabia disso, por conseguinte restringiu o homem. Ele dirige, ordena e positivamente proíbe. […] O Senhor bem sabia que a felicidade de Seus filhos depende da submissão à Sua autoridade, e de viver em obediência à Sua santa, justa e boa regra de governo” (Ellen G. White, Conduta Sexual, p. 100).

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Como os filmes estão matando nossa humanidade

turnO filme começa com uma mulher presa numa rua isolada. Seu veículo teve o pneu furado ao passar sobre arames farpados que estavam na rodovia. O diretor do filme aborda como “seu delito” ao retratá-la como uma mulher má gritando com um homem no telefone, então quando a tragédia ocorre você não sente pena dela. Ela sai do carro e um homem vem de surpresa e corta o corpo dela ao meio. A multidão fica chocada e então vibra, uma vez que o filme agora “começa oficialmente”. Outra cena, outro filme popular. É um apocalipse zumbi. Homens se voltam contra homens e começam a aprisionar uns aos outros. O time de “predadores” agora se alimenta de carne humana. Eles pegam vários homens que são “prisioneiros” e os fazem ajoelhar no chão em frente a uma pia de cerâmica. Então dois homens atrás deles começam a executá-los sem respeito à vida humana nem compaixão. Um bate com um taco de golfe na cabeça, e o outro corta o pescoço e então se dirige à segunda vítima.

O primeiro filme se chama “Pânico na Floresta” (“Wrong Turn”, no original). No Facebook é amado por mais de dois milhões de pessoas. Por todo o mundo foi assistido por mais de dez milhões. O segundo é a popular série “The Walking Dead”, com mais de 31 milhões de fãs no Facebook.

Esse é o mundo hoje. Pagamos para que pessoas concebam as formas mais assustadoras e doentias de matar outras pessoas para nosso entretenimento. Gostamos de ver outras pessoas sofrerem na tela. Comemoramos e vibramos ao ver sangue. Vibramos ao ver agonia e morte – no entanto, oramos por amor, oramos por perdão, oramos para que as coisas melhorem.

Hoje os filmes mais vendidos são os de ação e terror. E mesmo nos filmes de ação, se comparados com os de dez anos atrás, vemos que a violência e o derramamento de sangue se intensificaram. Um exemplo prático: no primeiro filme “Rambo” havia pouca violência, mas as sequências cresceram em violência até o último, “Rambo 4”, tendo uma cena em que o bandido tem o intestino arrancado para o delírio dos telespectadores.

Que vergonha, hein! Recentemente lemos que a mulher por trás da popular série de TV “Orange is the new Black” se divorciou do marido e está em um relacionamento gay com uma das atrizes da série. O que isso diz a você? Os Estados Unidos, o berço de Hollywood, tem relatos e incidentes de violência com armas em escolas e shopping centers causados pelos próprios estudantes. A cada duas semanas um estudante se enfurece e atira em outros estudantes. Quase todas as cidades norte-americanas legalizaram casamentos gays e estão em processo de legalização da maconha. O que isso realmente diz a você?

As músicas que você ouve e os filmes a que assiste estão todos trabalhando para fazer o pequeno amor que você tem pela humanidade se tornar minúsculo e o ódio que você tem pela humanidade crescer pouco a pouco. Pense nisto: Quão viciado você está em filmes? Quanto você ama a violência em filmes? Isso ajuda você a apreciar mais o presente do amor e da vida à humanidade ou menos? Seja qual for o filme a que esteja assistindo, você acha que Deus o aprovaria? Ou que Cristo assistiria com você?

A simples verdade é que, no momento em que você aperta o controle remoto [e assiste a esse tipo de filme que despreza a vida], o Espírito de Deus “sai da casa”. Cada momento em que você aperta o controle remoto [para ver esse tipo de conteúdo], o diabo vence. Ele vence ao ter um tempo sozinho com você. Um tempo no qual o Espírito de Deus “saiu” e o diabo pode manipular seus pensamentos. E toda vez que isso ocorre, ele constroi um novo caráter em você, um caráter mais forte; um que ama sangue e violência; um que não é paciente e amável; um que é o oposto do caráter que Deus propôs para você.

(Amredeemed; tradução de Leonardo Serafim)

Dica de leitura: Nos Bastidores da Mídia

Palestra: Nos bastidores da mídia

Estadão tenta “lacrar” requentando velhos argumentos anticriacionistas

Darwin1Com o título infame “Fósseis transicionais, evolução biológica e a infâmia do criacionismo”, o jornal O Estado de S. Paulo publicou na editoria de ciência uma matéria que tenta associar os movimentos tectônicos (para os quais há muitas evidências, como os terremotos) com a teoria da evolução, na qual ainda hoje há muitas lacunas, especialmente quando o assunto é a macroevolução. Trata-se de argumentos requentados e reapresentados com o intuito de reforçar o discurso evolucionista e acuar os criacionistas. Para que o discurso se mantenha, é preciso que de quando em quando uma matéria “lacradora” seja publicada em algum jornal ou alguma revista de divulgação popular, de preferência com um título bombástico tipo “a infâmia do criacionismo”. Já que a maioria absoluta das pessoas lê apenas os títulos das matérias, o propósito se cumpre, pois elas seguem para o dia a dia pensando que mais uma vez o criacionismo foi encurralado.

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História em quadrinhos sobre a volta de Jesus causa polêmica nos EUA

jesu1Uma história em quadrinhos protagonizada por Jesus Cristo deve chegar às bancas dos Estados Unidos em julho, depois de meses de polêmica, acusações de blasfêmia, ameaças e uma campanha online que resultou no cancelamento inicial da publicação da obra [falei sobre essa HQ aqui]. Na trama da série “Second Coming” (“Segunda Vinda”, em tradução livre), Deus está decepcionado com o desempenho de Jesus em sua primeira passagem pela Terra, quando acabou crucificado, e ordena seu retorno. Desta vez, Cristo vai dividir um apartamento de dois quartos com um super-herói chamado Sunstar, que usa a força e seus superpoderes para combater o mal. O Messias, por sua vez, prefere uma abordagem não violenta. Como passou os últimos dois milênios sem saber o que acontecia na Terra, Jesus fica chocado ao descobrir como os humanos distorceram sua mensagem.

“A história fala do retorno de Jesus Cristo à Terra sob ordem de seu Pai, para que possa aprender a se defender com o maior super-herói do mundo”, diz à BBC News Brasil o autor, Mark Russell. “Mas o que acontece é que eles desenvolvem uma amizade improvável e o super-herói começa a entender como a abordagem (não violenta) de Cristo, apesar do fato de ter feito com que fosse crucificado (da primeira vez), é mais relevante do que seus superpoderes para resolver os problemas atuais.”

Quando foi anunciado, em julho de 2018, o projeto não ganhou muita atenção fora do mundo dos quadrinhos. O lançamento estava inicialmente previsto para março deste ano, pelo selo Vertigo (de Sandman, Preacher, Fables) da DC Comics (editora de Batman e Super-Homem). O roteiro é de Russell, com ilustrações de Richard Pace e capa ilustrada por Amanda Conner.

Mas em janeiro, seis meses depois do anúncio, a notícia começou a chamar a atenção de sites religiosos. No dia 7 de janeiro, o site Christian Headlines (Manchetes Cristãs) publicou um texto com o título “Jesus é o próximo Super-Herói da DC Comics”. A notícia ressaltava que, “contrariando o que dizem as Escrituras, o livro irá apresentar Jesus como tendo limitações em seu conhecimento e capacidades”. Citava também uma entrevista que Russell havia dado meses antes ao site de cultura pop Bleeding Cool, em que disse acreditar que Jesus era mal representado nas congregações dos dias atuais.

No dia seguinte, a notícia chegou ao site CBN News, da Christian Broadcasting Network (Rede de Radiodifusão Cristã), com o título “DC Comics transformou Jesus em um novo super-herói – mas há um grande problema”. O texto afirmava que “Second Coming” “está mais para blasfemo do que para bíblico”. […]

[Uma petição no Citizen Go] dizia que “a DC Comics irá lançar uma nova série ultrajante e blasfema” e perguntava: “Você consegue imaginar o barulho no meio político e na mídia se a DC Comics estivesse alterando e zombando da história de Maomé ou Buda?” A petição reuniu mais de 235 mil assinaturas. Russell e o ilustrador Richard Pace começaram a receber insultos e ameaças online. Em 13 de fevereiro, a DC Comics cancelou a publicação. […]

jesus2Quadrinista premiado e autor de uma elogiada versão de “Os Flintstones”, Russell conta que cresceu entre cristãos evangélicos e que a religião desempenhou um papel importante em sua vida. Esta não é a primeira vez que aborda o tema em sua obra. Ele também é autor de “God Is Disappointed in You” (“Deus está Decepcionado com Você”, em tradução livre), com ilustrações de Shannon Wheeler, que resume os textos da Bíblia em linguagem acessível e irreverente, e “Apocrypha Now” (“Apocrifia Agora”, em tradução livre), uma espécie de sequência focando nos apócrifos (que não são incluídos no conjunto de textos considerados sagrados da Bíblia).

Com o cancelamento, a DC Comics concordou em devolver os direitos sobre o projeto aos autores, e em março foi anunciado que a série será publicada pela AHOY Comics.

Russell diz que a mudança de editora acabou sendo positiva. “Permitiu-nos criar uma história mais longa e bem desenvolvida para o primeiro número. Richard e eu ganhamos mais liberdade artística para fazer o que inicialmente queríamos com a série.”

O editor-chefe da AHOY, Tom Peyer, diz à BBC News Brasil que estão previstos seis números, um por mês, a partir de julho. Por enquanto, não há planos de lançamento no Brasil.

(BBC Brasil)