Os fãs da cultura pop

Coleção gibisFui nerd na adolescência. Tive uma coleção de milhares de HQs de super-heróis, era cinéfilo, adorava filmes de ficção científica e até produzia minhas próprias histórias em quadrinhos (texto e desenhos). Sou fruto da cultura pop e sei dos estragos que ela fez em mim, na minha mente, nas minhas emoções, durante a minha adolescência (isso que há 30 anos essa cultura era bem menos decadente). Quando me converti, entendi que precisava abandonar os filmes a que eu assistia, os quadrinhos de super-heróis que eu lia e as músicas tipo rock que eu ouvia. Precisei, com a ajuda de Deus, refinar meus gostos, minhas preferências, e adotar critérios bem definidos para o consumo da mídia. Hoje estamos passando a mão na cabeça dos jovens e dizendo que eles podem assistir a tudo o que quiserem, desde que extraiam dali conteúdos espirituais. Para essas pessoas mais fãs e geeks do que cristãos parece que o diabo não mais existe. Nada é ruim se te faz feliz! O que dizer de textos como Romanos 12:2, Filipenses 4:8 e Efésios 5:8 (para citar apenas três)? Deixe pra lá ou interprete-os ao seu bel-prazer. Aliás, assistindo a tantas séries e lendo tantos gibis, que tempo haverá para estudar a Bíblia, não é mesmo? E aí está a armadilha: sem tempo para a Bíblia, não se desenvolve uma cosmovisão bíblica; sem essa cosmovisão, fica fácil chamar ao mal de bem e ao bem de mal (Isaías 5:20). Antes, o que nos preocupava era termos uma geração meramente fã de Jesus, sem compromisso com Ele. Mas como tudo neste mundo sempre pode piorar, hoje estamos vendo surgir uma geração fá da cultura pop e meramente admiradora do “super-herói” Jesus. Uma geração que parece confundir o uso dos meios com a imersão nos conteúdos. Uma geração que adora pão e circo e se alimenta (quando o faz) de migalhas do Pão da Vida. Fala-se em “contextualização”, mas deixa-se de perceber que Jesus e os apóstolos, quando utilizaram esse recurso, estavam lutando por alcançar os incrédulos a partir da cultura deles e sem se demorar nos aspectos culturais que lhes eram familiares. Os pregadores usavam certos conteúdos apenas como “gancho” para atrair a atenção e levar a audiência à verdade que salva. Usar esse recurso para atrair a atenção de jovens cristãos e se demorar mais nos conteúdos da cultura pop do que na mensagem divina é, no mínimo, um contrassenso. Em lugar de tentar sacralizar conteúdos fúteis, ocultistas e/ou imorais, seria preferível admitir de uma vez que se é fã dessas coisas e assisti-las somente em casa, no escurinho da sala de estar, sem escancarar a aparência do mal. Algo feito apenas entre você e os anjos – sabe-se lá que anjos…

Michelson Borges

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Novela prega que transexualidade é evolução humana

vejaNo capítulo de sábado (14) de “A Força do Querer”, uma conversa entre Eugênio (Dan Stulbach) e Joyce (Maria Fernanda Cândido) lançou uma teoria a respeito da transexualidade. “Talvez faça parte da evolução humana”, diz o advogado. “Evolução?”, contesta a socialite. “É. A humanidade sempre destruiu barreiras para poder avançar. A gente venceu as barreiras impostas pela natureza. Quem sabe agora a gente não esteja vencendo as barreiras impostas pelo gênero?” O casal vive um dilema: aceitar ou não que o filho trans, Ivan (Carol Duarte), faça a retirada dos seios. Conservadora e preocupada com o status social do clã, Joyce não cede. Ela define a cirurgia pretendida por sua “ex-bonequinha Ivana” como “aberração”.

A trama da transexualidade ajudou “A Força do Querer” a atrair em certas noites quase dez milhões de telespectadores somente na região metropolitana de São Paulo, principal área de aferição de audiência da Kantar Ibope. O folhetim de Gloria Perez está com média de 35 pontos, a maior em quatro anos na faixa das 21h. Trata-se de um sucesso de público e crítica que há muito tempo não se via na teledramaturgia da Globo.

Tal êxito fez a revista Veja, que circula com 1,2 milhão de exemplares toda semana, dedicar a matéria de capa da edição [de semana passada] ao tema lançado por Ivan/Ivana. O texto cita o enredo bem-sucedido do trans da novela, comenta as questões médicas relacionadas à transexualidade (condição que atinge 0,5% da população; cerca de 1 milhão de pessoas no Brasil) e apresenta várias histórias de famílias com filhos transexuais.

Mais uma vez, a telenovela – gênero de entretenimento tão desprezado pela intelectualidade – prova seu poder de colaborar com a transformação social ao esclarecer um assunto polêmico por meio de um personagem popular. […]

(Terra)

Nota: As novelas vêm prestando um grande (des)serviço ao longo dos anos no sentido de promover valores anticristãos e conduzir o “rebanho” a costumes e ideologias perniciosos. No episódio mencionado acima parecem ter chegado à quintessência da mentira: a ideologia de gênero e a transexualidade constituem evolução humana, o que contraria frontalmente duas verdades bíblicas – o criacionismo e o casal heterossexual originalmente criado. Outro aspecto interessante dessa onda gayzista e impositora de uma cultura esquerdista e imoral é o efeito contrário: uma forte ação moralizante e um clamor por mudança. O bispo de Apucarana, dom Celso Antônio Marchiori, conclamou católicos e evangélicos a se unirem contra a rede Globo, que ele define como “um demônio dentro de casa” (confira). A revista Veja da semana passada (capa acima) se uniu ao coro midiático, ajudando ainda mais a promover a polarização. De qualquer forma e por todos os ângulos pode-se ver uma tendência que está de acordo com a descrição profética bíblica dos últimos dias: moral decadente, por um lado, e despertamento religioso ecumênico, por outro. [MB]

Maratonas de seriados fazem mal à mente e ao corpo

maratona-seriado-zumbiAs “maratonas de seriados” são muito comuns nos canais de TV por assinatura, onde uma temporada inteira de um seriado é apresentada em sequência, ao longo do mesmo dia/noite. Isso pode ser uma ótima forma para colocar a agenda em dia, mas essa imersão total pode ter um custo elevado. Segundo pesquisadores da Universidade de Michigan (EUA) e da Escola de Pesquisas de Leuven (Bélgica), acompanhar uma maratona de seriados pode piorar a qualidade do sono, provocar fadiga e aumentar a insônia – algo que não ocorre quando se assiste TV de forma “normal”. Jan Van den Bulck e seus colegas acompanharam 423 adultos, com idades entre 18 e 25 anos, monitorando não apenas suas maratonas de seriados na TV, mas também o uso do computador.

A maior parte da amostra (81%) relatou que tinha assistido seriados. Desse grupo, cerca de 40%, fizeram uma maratona no mês anterior ao estudo, enquanto 28% disseram ter feito duas. Cerca de 7% tinham feito maratonas quase todos os dias durante o mês anterior. Os homens fizeram com menos frequência que as mulheres, mas cada maratona teve duração duas vezes mais longa que as delas. Os entrevistados, que dormiam em média 7 horas e 37 minutos por noite, relataram mais fadiga e má qualidade do sono do que aqueles que não fizeram nenhuma maratona.

O estudo mostrou que o aumento da estimulação cognitiva antes de dormir – ou seja, estar mentalmente alerta – é o mecanismo que explica os efeitos negativos sobre a qualidade do sono.

“As maratonas de seriados apresentam uma trama que mantém o espectador preso”, disse a pesquisadora Liese Exelmans. “Acreditamos que aqueles que veem esses programas se envolvem muito no conteúdo e podem continuar pensando sobre o assunto quando querem dormir.”

A aceleração do batimento cardíaco, ou sua irregularidade, e estar mentalmente alerta podem criar uma agitação quando a pessoa tenta dormir. Isso pode levar à má qualidade do sono após uma maratona de seriados. “Isso retarda o início do sono ou, em outras palavras, requer um longo tempo de desaceleração antes de ir dormir, afetando assim o período total de sono”, disse Exelmans.

Os pesquisadores observam que o consumo excessivo de televisão muitas vezes acontece de forma automática, com as pessoas sendo absorvidas pelos seus seriados, deixando de ir para a cama na hora mais adequada. “Pode ser que não tenhamos a intenção de assistir por muito tempo, mas acabamos fazendo isso de qualquer maneira”, disse Exelmans.

O sono insuficiente está ligado a consequências negativas para a saúde física e mental, incluindo a redução da memória e da capacidade de aprendizagem, e à obesidade, hipertensão e doenças cardiovasculares. “Basicamente, o sono é o combustível que seu corpo precisa para se manter funcionando corretamente”, disse Exelmans. “É muito importante documentar os fatores de risco para a falta de sono. Nossa pesquisa sugere que o consumo compulsivo da televisão pode ser um desses fatores de risco.”

Os resultados foram publicados no Journal of Clinical Sleep Medicine.

(Diário da Saúde)

Os novos caçadores de mensagens subliminares

game119Dia desses conversava com um amigo designer sobre o problema de alguns cristãos quererem relacionar o cristianismo com produções hollywoodianas e certos conteúdos midiáticos. Foi quando ele me disse algo interessante e que me fez pensar: “Antigamente havia pessoas que procuravam mensagens subliminares do mal em produções aparentemente do bem. Hoje em dia há cristãos garimpando mensagens subliminares do bem em produções claramente malignas.” E não é que é verdade? Há até programas de igreja sendo feitos com base em filmes como “Vingadores”, “Walking Dead”, “Game of Thrones” e, pasme, até “Cinquenta Tons de Cinza”! O que se pode tirar de cristianismo de um filme de sadomasoquismo ou de uma série violenta e pornográfica, carregada de cenas de incesto, estupro e violência contra a mulher? O que esses programas de igreja mais fazem é divulgar essas produções e aguçar a curiosidade de quem ainda não as viu.

Tem gente tirando do contexto e aplicando incorretamente o conselho de Paulo para que analisemos tudo e retenhamos o que for bom (1 Tessalonicenses 5:21). Ali o apóstolo fala de profecias, não de filmes e séries. Será que é preciso “analisar” um filme e uma série sabidamente pervertidos a fim de garimpar neles “mensagens subliminares” do bem? De que valerá encontrar alguma eventual pérola ali depois de emporcalhar totalmente a imaginação?

Outros usam o argumento da contextualização e de se partir do conhecido para o desconhecido a fim de pregar o evangelho. Ok. Isso é legítimo e foi usado até por Jesus e Paulo, entre outros. Creio que o bom senso santificado determinará que elementos da cultura poderemos usar no evangelismo. Não acredito que nem Jesus nem Paulo deve ter estimulado sua audiência a “assistir” aos conteúdos que usaram como “ponte”. Também não acredito que eles fossem “fãs” desses conteúdos tentando incorporá-los à vivência cristã deles, misturando luz com trevas. Bom senso santificado é a resposta. Deus nos abre as portas lícitas e nós entramos por elas, sempre nos lembrando da admoestação paulina: “Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz” (Efésios 5:11).

Meses atrás, uma jovem me procurou para pedir conselhos. Disse que o namorado era fã de “Game of Thrones” e que não via mal em assistir à série. Ela estava incomodada com isso e com razão, pois sabia que essa produção é uma das mais violentas de todos os tempos, exibe nudez à vontade, cenas de estupro e incesto, sem contar magia e outros conteúdos anticristãos. Eu disse que ela precisava ser firme com o rapaz. Que ele estava preparando a mente para minimizar os perigos da pornografia, que poderia carregar esse hábito para um eventual casamento, e que o momento de ele mudar era agora. Fiz uma oração com ela e prometi continuar orando pelos dois. Saí dessa conversa pensando em como especialmente os jovens desta geração, por falta de uma cosmovisão bíblica sólida, não mais veem problemas onde eles claramente estão. Pior: chamam ao bem de mal e ao mal de bem (Isaías 5:20). E então me lembrei de uma experiência dramática que vivi quando bem jovem e recém-convertido ao adventismo.

Eu estava com minha namorada (hoje esposa) em um retiro de carnaval. O sábado havia sido maravilhoso. Boa pregação. Culto jovem com momentos de estudo sobre a influência negativa de conteúdos midiáticos e música estilo rock. Momentos de oração e consagração. Etecetera. Mas chegou a noite e naquele dia haveria uma “programação humorística” preparada pelos homens para as mulheres. E então teve início o teatro dos horrores. Homens vestidos de mulher faziam piadas sem graça e apelativas. Outros apresentavam paródias de músicas e de cantores de… rock. Parecia que simplesmente estávamos negando tudo o que havíamos estudado durante a tarde de sábado. Eu havia convidado para esse retiro um amigo membro da Igreja Adventista da Reforma com o qual estava estudando a Bíblia. Nem preciso dizer que minutos depois de iniciada a tal programação ele foi para a barraca. (Graças a Deus, tempos depois, ele se tornou adventista do sétimo dia e colportor.)

Terminado o festival de bobagens, num ato meio impensado, mas tomado de uma coragem que não vinha de mim, fui à frente e pedi o microfone para fazer a oração de encerramento. Convidei a todos para que nos ajoelhássemos e pude perceber certo constrangimento no ar. Não havia clima para oração. Durante a prece pedi perdão a Deus pela incoerência do Seu povo e cheguei a derramar lágrimas. Nem preciso dizer que a situação ficou tensa, né? Alguns líderes do retiro me levaram para uma sala e me disseram coisas do tipo: “Qual o problema com nossas brincadeiras? Os jovens precisam de coisas assim, senão vão buscar lá no mundo.” Quando ouvi isso, lembrei-me de um texto de Ellen White que não fazia muito tempo eu havia lido no livro O Grande Conflito, e citei: “A conformidade aos costumes mundanos converte a igreja ao mundo; jamais converte o mundo a Cristo. A familiaridade com o pecado inevitavelmente o fará parecer menos repelente. Aquele que prefere associar-se aos servos de Satanás, logo deixará de temer o senhor deles. Quando, no caminho do dever, somos levados à prova, como o foi Daniel na corte do rei, podemos estar certos de que Deus nos protegerá; mas se nos colocamos sob tentação, mais cedo ou mais tarde cairemos” (p. 509).

Saí dali chorando e fui orar com minha namorada e com um grupo de amigos mais chegados. A coisa boa daquilo tudo foi que se formaram espontaneamente pequenos grupos de jovens aqui e acolá com o objetivo de discutir o que havia acontecido. Na manhã seguinte, recebi bilhetinhos de aprovação, apertos de mão e também alguns olhares atravessados. Pela primeira vez eu percebia como é difícil manter a coerência e abandonar coisas de que se gosta, mesmo sabendo que elas contrariam a vontade de Deus.

50 tonsEm sua segunda carta aos Coríntios, capítulo 6 verso 14, Paulo diz que não pode haver comunhão entre a luz e as trevas. O cristão verdadeiro procura pensar nas coisas do alto e selecionar muito bem os conteúdos que farão parte de seus pensamentos. Ele não deve ser um caçador de eventuais pérolas no meio do lixo. Não deve ser um caçador de mensagens subliminares do bem no meio de produções do mal. Deve é deixar tudo de lado para adquirir a pérola de grande preço. Deve ser guiado pelas balizas claras de Filipenses 4:8.

Michelson Borges

Leia também: “Orgulho nerd ou vida frustrada?”

Pais, cuidado! Canal de TV exibe animação pornográfica

festa salsichaA decadência humana parece não ter fim e o fundo do poço moral da humanidade continua sendo cavado. Prova disso é a exibição em um canal pago – com classificação de apenas 16 anos mas ao alcance de qualquer pessoa de qualquer idade – de uma animação pornográfica intitulada “Festa da Salsicha”. O desenho animado aparentemente infantil tem cenas de sexo grupal, orgias, linguagem obscena e homossexualismo. E pode atrair as crianças justamente por parecer inofensivo. O portal G1 descreve assim essa animação pra lá de “animada”:

“Depois da vida secreta dos brinquedos (‘Toy Story’) e de ‘A vida secreta dos bichos’, ‘Festa da Salsicha’ mostra a vida secreta dos produtos de supermercado. Sério, é um filme sobre isso. Eles creem que humanos são deuses e os levarão da prateleira ao paraíso. A salsicha Frank é separada de seus amigos de pacote, enquanto todos começam a descobrir que o céu não existe e todos serão devorados. A ideia absurda é a cara do chapado Seth Rogen (Frank), roteirista e ator de ‘Superbad’ (2007) [e outras produções]. […] Não é uma superprodução, mas com orçamento estimado em US$ 19 milhões foi um sucesso inesperado no verão dos EUA. Já rendeu por lá US$ 96 milhões. […] Quando você acha que vai ficar só em brincadeiras de ‘e se minha comida falasse’, pegação de salsicha com pão e treta de alimento árabe com judeu, começa a realmente se comover com o destino dos personagens. Ponto para as assustadoras cenas de mutilação em que uma banana descascada vira um pobre rosto sem pele e fofas ‘cenouras baby’ são mastigadas vivas. Assim, a animação questiona religião (o pão árabe acredita que será recebido no paraíso por 77 garrafas de azeite extravirgem, por exemplo) e vai parar em niilismo (a perda da fé leva ao pavor, mas também a incríveis orgias) e metafísica. É quando o filme começa a questionar sua própria existência. Mas aí você precisa ver tudo desde o começo para acompanhar a viagem – e pensar que tudo começou com uma piada de enfiar a salsicha no pão.”

E aí está a obra maravilhosa elogiada pela crítica. Sobre uma criança, o menor dos males seria o de fazer com que ela passasse a ter pena dos vegetais que come. O público conservador em geral vai concentrar a atenção na pornografia suja e descarada. Mas muito pior do que tudo isso é o deboche da religião e a apresentação da promiscuidade como alternativa aos que não têm mesmo futuro. Os deuses humanos, em lugar de salvar os vegetais, vão fatiá-los, triturá-los, esmagá-los e devorá-los. Não há esperança além do supermercado (ou seja, da vida). E já que vão todos morrer mesmo, por que não “aproveitar” e dar vazão a todos os instintos vegetais animais?

Então a única alternativa para os que concluem que Deus não existe é a perversão sexual e o niilismo inconsequente? Bem, essa é a ideia dos produtores e do roteirista “chapado” Seth Rogen. Uma ideia que, infelizmente, multidões estão pagando para ver – e imitar.

Michelson Borges

hbo

Superman e Mulher Maravilha são, na verdade, Jesus

Mulher-MaravilhaQue a história do Superman é um verdadeiro plágio da de Jesus Cristo chega a ser óbvio (confira). O garoto é enviado à Terra por seus verdadeiros pais (“deuses” kryptonianos), acaba adotado por pais humanos e inicia seu “ministério” público aos 33 anos, sendo considerado o salvador da humanidade. Depois, em uma luta contra um inimigo chamado Apocalipse, ele morre para ressuscitar no terceiro dia (pelo menos em uma história em quadrinhos foi assim). Pelo visto, imitar as grandes histórias da Bíblia é o segredo do sucesso garantido – pois elas pertencem ao ideário geral ­– e é garantia de acaloradas discussões a respeito do que essas paródias realmente fazem: (1) se confundem a cabeça das pessoas e impõem deuses substitutos ou (2) se as fazem pensar no relato original do qual derivaram. Como o conhecimento bíblico de modo geral está cada vez mais “rarefeito”, inclino-me a pensar que a alternativa 1 seja a predominante.

Outra personagem dos quadrinhos que tem a história claramente inspirada em Jesus é a Mulher Maravilha. Na verdade, a história dela se parece muito com a do Superman. A amazona Diana é filha do deus grego Zeus e de uma amazona terráquea. A missão da guerreira consiste em deixar o paraíso, derrotar o mal (encarnado no deus Ares) e salvar a humanidade (o mundo dos homens). Diana e Kal-el (o Superman) servem de ponte entre dois mundos e procuram ajudar os terráqueos a encontrar a paz. Assim como em “Man of Steel” o Superman se lança ao espaço em direção à Terra com os braços abertos, em seu filme, Diana desce lentamente do céu com os braços igualmente abertos, formando uma cruz. (A propósito, Thor também parodia Jesus. Confira.)

Em uma sociedade cada vez mais secularizada, os deuses e o desejo de salvação continuam por aqui. Isso porque fomos criados para crer e sabemos intuitivamente que estamos perdidos. O problema é que os substitutos não salvam, apenas entretêm.

Michelson Borges

Os novos deuses super-heróis vieram para ficar

justice_leagueA revista Veja desta semana traz uma matéria de duas páginas sobre a disputa pelas telonas por parte das gigantes dos quadrinhos Marvel e DC Comics. Aliás, desde o lançamento de “Mulher Maravilha” nos cinemas não se fala de outra coisa senão do sucesso estrondoso dos filmes de super-heróis que têm rendido bilhões de dólares às produtoras e levado multidões às salas de cinema, numa verdadeira onda de adoração aos novos deuses do Olimpo midiático. Há quem pense que essa comparação com os deuses da antiguidade é meio exagerada. Assista ao vídeo abaixo e depois me diga se a sociedade moderna, secularizada, também não tem seus deuses… [MB]