Damares e João: detonam a vítima e poupam o agressor

joao damarisEscrevi recentemente um artigo chamando a atenção para a cobertura jornalística do caso João de Deus. Já são mais de 300 acusações de abuso e estupro feitas contra o famoso médium espírita João Teixeira de Faria, de Abadiânia, GO. Tá certo que ele ainda não foi condenado, mas são 300 acusações! Muitas delas coincidem em vários detalhes, incluindo abuso de crianças. Mesmo assim a imprensa tem poupado o acusado e, principalmente, a religião que ele representa, o espiritismo. Atrizes que em outras ocasiões fizeram estardalhaço nas redes sociais com a campanha “Mexeu com uma mexeu com todas” estão estranhamente quietinhas no caso do médium. Talvez estejam esperando a condenação. Talvez estejam com medo dos espíritos. Talvez não queiram expor uma religião que predomina no meio artístico. Sei lá…

A parcialidade, a hipocrisia e a injustiça ficaram mais uma vez evidentes nesta semana, quando a indicada para chefiar o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, foi alvo de críticas e chacotas. Por quê? Porque em um vídeo de 2016 resgatado por algum internauta e viralizado nos últimos dias ela conta a história de como foi salva do suicídio por Jesus. Damares foi vítima de abuso sexual dos seis aos dez anos, e chegou a acreditar que perderia a salvação por causa disso. Desesperada, subiu em uma goiabeira com a intenção de se suicidar com veneno. Ela mesma conta como foi:

“Jesus Cristo me deu o abraço que a igreja não me deu. Jesus Cristo me deu o abraço que papai e mamãe não me deram. E naquele pé de goiaba aconteceu um milagre. A menininha que Satanás quis esmagar aos seis anos de idade foi transformada, e essa menininha hoje está lá no Senado Federal escrevendo leis para salvar crianças no Brasil.”

Em relação à polêmica causada pelo vídeo, a futura ministra disse também: “É comum as crianças falarem que têm amigos imaginários, mas quando uma menina cristã fala que esse amigo é Jesus, ela vira piada. De ontem para hoje, virei alvo de piadas porque tive coragem de contar que uma menina de dez anos, machucada, tinha como amigo imaginário o ser superior da vida dela, que é Jesus. Eu O vi, e foi Ele que me impediu de me matar.”

Você percebe a inversão de valores que está ocorrendo debaixo do nosso nariz? Enquanto a imprensa secular e muitos internautas tentam poupar e até blindar o médium acusado, o possível e provável agressor, jornalistas e internautas não poupam a vítima e fazem piada com um episódio terrível da vida dela. Assim como as feministas silenciaram quando mulheres realmente “empoderadas” , mas conservadoras, foram indicadas e eleitas para cargos importantes, supostos defensores dos direitos humanos, pensadores esquerdistas e defensores de causas como o aborto e o “casamento” gay fazem coro contra a evangélica que luta contra o aborto e a favor da família tradicional.

João de Deus incorporar espíritos e realizar curas milagrosas, tudo bem. Falar com mortos e trazer recados do “além”, tudo bem. Agora, uma menina ser salva da morte por Jesus, aí, não! É fanatismo, loucura, delírio. Quanta hipocrisia! Quanta parcialidade! Quanta crueldade! Detonam a vítima e poupam o agressor. É fácil levantar cartazes contra o abuso infantil, contra o estupro, contra a intolerância, mas na hora do “vamos ver” a coisa é diferente.

Jesus é real, Ele está vivo, pois ressuscitou, e há muitas evidências históricas disso. Jesus cura de verdade, restaura vidas e pode transformar uma menina com a vida destruída em uma líder religiosa que ajuda milhares de pessoas, e levá-la, inclusive, a ocupar o cargo de ministra para lutar pelo pouco que restou de esperança para as famílias desta nação, bombardeadas pelo lixo midiático dos que se acham superiores aos que falam com Jesus.

Quanto aos mortos, esses estão mortos. É o que ensina a Bíblia. Mortos não falam com vivos, não interferem nas coisas deste mundo. Quem se faz passar por eles são os anjos maus, cujo propósito é justamente fazer com que as pessoas tolamente pensem que são imortais por natureza e que podem viver desconectadas da fonte de vida que é Jesus, sim, o ser todo-poderoso que tem espaço na agenda para salvar menininhas em cima de goiabeiras, como salvou Zaqueu, há dois mil anos, também em cima de uma árvore. Jesus não muda. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente.

Deus abençoe a ministra Damares e a ajude a fazer o que tem que ser feito, e que a justiça seja feita no caso de João de Abadiânia.

Michelson Borges

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Controle de opinião pública

control“Quando eu uso a palavra”, disse Humpty Dumpty num tom desdenhoso, “ela significa exatamente o que eu quero que signifique – nem mais nem menos”. “A questão é”, disse Alice,”se você pode fazer uma palavra significar tantas coisas diferentes”. “A questão é”, disse Humpty Dumpty, “saber quem manda. Isso é tudo” (Lewis Carrol, Alice Através do Espelho).

A arte de convencer pela palavra é muito antiga. Em sua forma moderna, a propaganda política foi inaugurada pelo bolchevismo e especialmente por Lênin e Trotsky. Mas mesmo antes deles houve líderes que reconheceram sua importância. Napoleão Bonaparte foi um desses. Ele disse: “Para ser justo, não é suficiente fazer o bem, é igualmente necessário que os administrados estejam convencidos. A força fundamenta-se na opinião. Que é o governo? Nada, se não dispuser da opinião pública.”

Mas foram Hitler e Goebbels que (infelizmente) utilizaram com mais sucesso as técnicas de controle da opinião pública e, assim, acabaram dando enorme contribuição à propaganda moderna.

Mas o que é propaganda? “A propaganda é uma tentativa de influenciar a opinião e a conduta da sociedade, de tal modo que as pessoas adotem uma conduta determinada”, escreveu Bartlett, em Political Propaganda. E qual a diferença, então, entre propaganda e publicidade? Jean-Marie Domenach, em seu livro A Propaganda Política, à página 10, responde: “A publicidade suscita necessidades ou preferências visando a determinado produto particular, enquanto a propaganda sugere ou impõe crenças e reflexos que, amiúde, modificam o comportamento, o psiquismo e mesmo as convicções religiosas ou filosóficas.”

A partir do momento que se percebeu que o ser humano médio é um ser essencialmente influenciável, e que é possível mudar-lhe as opiniões e as ideias, os especialistas passaram a utilizar em matéria política o que já se verificara viável do ponto de vista comercial.

Assim, as campanhas eleitorais nos EUA – com suas “paradas”, orquestras, girls e cartazes, que são um verdadeiro e ruidoso reclamo – pouco diferem das campanhas publicitárias.

“Os poderes destrutivos contidos nos sentimentos e ressentimentos humanos podem ser utilizados, manipulados por especialistas”, disse J. Monnerot. E para isso são utilizadas leis específicas. Vamos a elas.

LEI DA SIMPLIFICAÇÃO E DO INIMIGO ÚNICO

Consiste em concentrar sobre uma única pessoa as esperanças do campo a que se pertence ou o ódio pelo campo adverso. Reduzir a luta política, por exemplo, à rivalidade entre pessoas é substituir a difícil confrontação de teses. No caso do nazismo, os judeus acabaram eleitos como o “inimigo único”.

LEI DA AMPLIAÇÃO E DESFIGURAÇÃO

A ampliação exagerada das notícias é um processo jornalístico empregado correntemente pela imprensa, que coloca em evidência todas as informações favoráveis aos seus objetivos.

LEI DA ORQUESTRAÇÃO

A primeira condição para uma boa propaganda é a infatigável repetição dos temas principais. Goebbels dizia: “A Igreja Católica mantém-se porque repete a mesma coisa há dois mil anos. O Estado nacional-socialista deve agir analogamente.”

Adolf Hitler, em seu Mein Kampf, escreveu: “A propaganda deve limitar-se a pequeno número de ideias e repeti-las incansavelmente. As massas não se lembrarão das ideias mais simples a menos que sejam repetidas centenas de vezes. As alterações nela introduzidas não devem jamais prejudicar o fundo dos ensinamentos a cuja difusão nos propomos, mas apenas a forma. A palavra de ordem deve ser apresentada sob diferentes aspectos, embora sempre figurando, condensada, numa fórmula invariável, à maneira de conclusão.”

Portanto, a qualidade fundamental de toda campanha de propaganda é a permanência do tema, aliada à variedade de apresentação.

LEI DA TRANSFUSÃO

A propaganda não se faz do nada e se impõe às massas. Ela sempre age, em geral, sobre um substrato preexistente, seja uma mitologia nacional, seja o simples complexo de ódios e de preconceitos tradicionais. É o que os oradores fazem quando querem amoldar uma multidão ao seu objetivo: jamais contradizem as pessoas frontalmente, mas de início declararam-se de acordo com ela.

A maior preocupação dos propagandistas reside na identificação e na exploração do gosto popular, mesmo naquilo que tem de mais perturbador e absurdo.

LEI DA UNANIMIDADE

Baseia-se no fato de que inúmeras opiniões não passam, na realidade, de uma soma de conformismo, e se mantêm apenas por ter o indivíduo a impressão de que a sua opinião é esposada unanimemente por todos no seu meio. É tarefa da propaganda reforçar essa unanimidade e mesmo criá-la artificialmente.

É preciso que as pessoas conheçam os mecanismos de controle de opinião. Principalmente os profissionais de comunicação, para que não entrem nessa ciranda de manipulação e façam jornalismo ético e responsável.

Michelson Borges

Nota: Tanto Goebbels quanto Stalin cobiçavam a posse de Hollywood pois acreditavam, com toda razão, que aquele seria um dos mais poderosos e eficazes instrumentos de manipulação das massas. Coube aos comunistas enfiar as garras na indústria cinematográfica norte-americana (a europeia praticamente já nascera dominada), através da cooptação de diretores, astros e roteiristas. Isso mais a ocupação progressiva das universidades e da imprensa puseram a América de quatro e soterraram um a um todos os princípios basilares da grande nação deste continente (Marco Dourado).

Emissora leva ao ar programa infantil com cantora erotizada

anitinhaDeu no portal G1, da Globo: “Anitta rebola como gelatina e brinca com o bumbum. Anittinha quer mais é falar de meio-ambiente, de salada de frutas, da importância de brincar e da hora do soninho… Falando desses assuntos, o desenho ‘Clube da Anittinha’ estreia nesta quinta-feira (3), no Gloob e no Gloobinho, canais da TV paga. ‘Escolhi todos os temas com muito cuidado e pensamos muito sobre a melhor forma de passar essas mensagens. Mostrei o desenho para alguns amigos e para seus filhos e o feedback foi muito positivo’, diz a cantora ao G1. Cada episódio terá uma composição inédita, interpretada pela cantora, que também dubla a voz da personagem principal. Ela vai cantar versos como ‘Ela é redondinha pro suquinho e vitamina / É bem docinha essa frutinha.’ […] A personagem estará sempre acompanhada do seu trailer ‘Poderosa’ e ele se transforma em trio elétrico cada vez que é acionado com o comando ‘Prepara, Poderosa’. […] O ‘Clube da Anittinha’ deve, é claro, ganhar produtos licenciados. E é provável que a cantora vire boneca.” […]

Nota: Novamente a maior emissora de TV do Brasil leva às telas uma personagem extremamente erotizada para servir de entretenimento infantil. Sem entrar no mérito dos conteúdos dos programas (se bem que o cartaz aí acima é bastante suspeito e indicador do que vem por aí…), o que pode passar na cabeça de uma criança fã ao ver sua “ídola”, sua “boneca” rebolando seminua nos shows em que protagoniza cenas extremamente eróticas? Isso não as influencia em nada? Erotizar as crianças tão precocemente não traz nenhuma consequência sobre a vida e a formação delas? Infelizmente, esse tipo de permissividade absurda tem se tornado mais comum a cada ano, com a bênção da mídia mainstream e de autoridades omissas. [MB]

SBD emite nota de repúdio ao Porta dos Fundos

youtuberA Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) repudia, com indignação e veemência, o vídeo do Canal Porta dos Fundos intitulado “YouTuber”, divulgado em 9 de agosto de 2018. Na tentativa de criticar outros produtores de conteúdo do YouTube, o personagem diz que vai injetar 25 mililitros de insulina no organismo, enaltecendo o uso indiscriminado e totalmente errado do hormônio, além de ridicularizar pessoas com diabetes e profissionais de saúde envolvidos no cuidado do paciente.

Longe de ser considerada uma brincadeira, o diabetes é uma doença crônica, que acomete aproximadamente 13 milhões de pessoas no Brasil e cuja desinformação a respeito da condição ainda é grande, como apontou recente pesquisa Datafolha lançada recentemente pela Coalizão Para Sobreviver, da qual a SBD faz parte juntamente com associações de pessoas com diabetes. Para se ter uma ideia do ainda grande desconhecimento acerca da doença, dados do levantamento destacam que apenas 5% dos brasileiros julgam necessário seguir orientações médicas para controlar o diabetes. Dessa forma, vídeos como o produzido pelo Porta dos Fundos reforçam a disseminação de informações equivocadas e que podem causar, direta e indiretamente, danos à saúde da população.

É importante destacar outros dados mundiais da International Diabetes Federation (IDF), que evidenciam os riscos do mau controle do diabetes: a cada 20 segundos, uma pessoa tem amputação de membros graças à doença; a condição é a maior causa de cegueira; a cada seis segundos uma pessoa morre por causa do diabetes e 80% das mortes decorrem de complicações como infartos e AVC (derrame).

É preciso que a sociedade se mobilize para que esse tipo de desinformação não tenha propagação. Diabetes é uma doença grave e se complica quando não controlada e exclui e marca a vida com lutas diárias.

Solicitamos, publicamente, ao Canal Porta dos Fundos a exclusão do conteúdo e uma retratação imediata às pessoas com diabetes, às suas famílias, aos profissionais que lutam pela educação em diabetes e a vigília diária para controlar os efeitos da doença. Os ativos de comunicação, como o site www.diabetes.org.br, com o vasto arsenal de informações, são uma fonte adequada e responsável. A SBD convida os representantes do Canal Porta dos Fundos para uma visita aos seus ativos e até mesmo à sede, para que possam conhecer dados e esclarecer quaisquer dúvidas. Isso reforça o compromisso com a educação e informação. A SBD, portanto, está à disposição para colaborar na produção de conteúdos relacionados ao diabetes.

Nota: Não é de hoje que o desrespeito e a irresponsabilidade desse canal ficam evidentes. No fim do ano passado, os “humoristas” chegaram ao ponto de representar Jesus em uma produção pornográfica e blasfema (confira). Na busca insana por views e publicidade, eles ainda não entenderam que humor tem limites. [MB]

O mundanismo que invade a igreja

mundanismoRecentemente, meu amigo Matheus Cardoso escreveu em sua página no Facebook: “O que chamamos de mundanismo e liberalismo: maquiagem, joias, cinema, bateria, rock (sic), dança, pregar sem terno e gravata. O que jovens adventistas praticantes estão aprendendo: feminismo, aborto, ideologia (sic) de gênero, movimentos sociais, direitos humanos (sic), relativismo, pluralismo, marxismo, releitura sociológica da Bíblia. Enquanto combatermos práticas que poderiam ser desafios 30, 40 anos atrás, o que realmente é mundanismo e paganismo continuará entrando na igreja e acharemos que são apenas pontos de vista inofensivos.”

Há dois anos fui convidado a apresentar uma palestra sobre cinema em uma igreja grande, com muitos jovens. De fato, em meu livro Nos Bastidores da Mídia, há um capítulo dedicado a esse assunto, mas, naquela ocasião, entendi que deveria tratar de um problema ainda mais grave. Dediquei uns dez ou quinze minutos ao tema do cinema e todo o restante do tempo utilizei-o para falar sobre séries. Enquanto alguns continuam a “bater” no cinema (e não estou dizendo com isso que sou a favor da ida a esse ambiente), milhões de cristãos viram noites assistindo episódio após episódio, em verdadeiras “maratonas de séries”. Alguns admitem publicamente nas redes sociais serem fãs de produções que exaltam o incesto, a violência gratuita, o lesbianismo e o estupro, como é o caso da incensada “Game of Thrones”. Na tela de seus tablets e celulares, jovens desperdiçam horas e horas que deveriam ser dedicadas à leitura, à oração e mesmo ao repouso do sono. Um tempo exagerado enchendo a mente com as ideias dos produtores de séries ávidos por uma plateia viciada e lucrativa. Horas e horas aprendendo sobre o verdadeiro “mundanismo”. O mundo mudou rapidamente e o problema definitivamente entrou em nossos lares.

Creio que ainda precisamos tratar com sabedoria, tato e prudência do “velho mundanismo”, sem nos esquecer do novo, que tem causado estragos imensamente maiores, pois se trata de ideias, conceitos, filosofias que estão mudando profundamente a mentalidade dos cristãos, criando uma geração de crentes relativistas desconectados da Bíblia. Uma nova geração de crentes ideologizados e desdoutrinados que cumpre à risca a triste profecia de Jesus: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8). Afinal, como desenvolver fé (confiança) em Deus se não passamos tempo com Ele? Como desenvolver fé se nossa mente é inundada de conceitos que atentam contra ela? Como ter fé em quem com o tempo tem Se tornado um ilustre desconhecido para pessoas que mais e mais se tornam ateias funcionais?

O mundanismo continua entrando na igreja, mas desta vez a coisa toda é tão mais sutil e complicada que chega a dar saudade do tempo em que o problema eram a maquiagem e a bateria. Quem disse que os últimos dias seriam fáceis?

Michelson Borges

Use as redes sociais para pregar enquanto pode

faceO politicamente correto já está enchendo a paciência e a censura mostra sua cabeça feia por aí. Como eu estava em uma viagem de férias e evangelismo por três semanas, fiquei totalmente alheio à Copa do Mundo. Depois soube que na final entre França e Croácia foi baixada uma ordem pela Fifa de não serem exibidas torcedoras bonitas nos telões dos estádios, como medida para conter os assédios sexuais. Imagine, então, como ficou a autoestima das mulheres que acabaram sendo mostradas pelas câmeras… Você acha mesmo que os assediadores deixaram de agir porque mulheres bonitas não foram mostradas nas telas? E onde estavam as feministas para protestar contra essa discriminação e esse abuso do direito de a mulher ser, também, bonita? Mas o pior veio depois da Copa…

Numa medida totalmente arbitrária, o Facebook deletou cerca de 200 páginas, alegando que os conteúdos de direita veiculados por esses perfis contribuem para a disseminação de fake news e causam divisionismo. É evidente que existem extremistas e haters por todos os lados, à direita e à esquerda, mas apagar contas sem aviso e sem direito de defesa é pura censura. Estava demorando para que fosse controlada e censurada a liberdade de expressão recém-conquistada pelos cidadãos nas redes sociais. Setores da chamada grande imprensa estavam muito preocupados, afinal, passaram a ter que compartilhar os rendimentos provenientes da publicidade e a audiência antes cativa. Os conteúdos veiculados nas redes sociais acabaram servindo de contraponto e passaram a colocar em xeque muitas informações “oficiais” tidas como verdadeiras. Obviamente que muitos perfis no Facebook e canais no YouTube contribuem, sim, para promover as fake news e a desinformação na era pós-fato. Mas a censura é mesmo o melhor caminho? Ou não seria melhor promover a educação para o consumo consciente e crítico de informações. Tirar a liberdade é melhor do que ensinar a pensar?

Fica claro que os senhores da mídia majoritariamente esquerdistas estão preocupados com o poder das redes sociais no sentido de servir de plataforma para candidatos políticos que não lhes interessam. A eleição de Trump e a contrariedade da grande imprensa norte-americana servem de exemplo disso. Em uma declaração recente, o dono do Facebook admitiu que o “Vale do Silício” é dominado pela esquerda. E os regimes de esquerda têm uma tradição conhecida de censura sumária dos meios de comunicação. Portanto, era só uma questão de tempo para que o espectro da censura pairasse novamente sobre nossa cabeça.

Minha maior preocupação não está relacionada necessariamente com toda essa briga política, até porque, como cristão, embora afetado por esse cenário, tenho propósitos mais elevados e uma missão deixada pelo meu Mestre, cujo reino não era e não é deste mundo. Preocupa-me mesmo o cerceamento da liberdade religiosa. O advento da internet e das redes sociais foi uma bênção para a pregação do evangelho. De repente, qualquer pessoa imbuída de senso de missão podia usar gratuitamente várias plataformas digitais para pregar o evangelho, alcançando facilmente dezenas, centenas e até milhares de pessoas. Mas até quando essa liberdade continuará? E quando os donos do Facebook, do Twitter e do YouTube decidirem que pregar uma religião específica fere a sensibilidade religiosa dos outros? E quando decidirem que os “fundamentalistas” criacionistas, por exemplo, devem ter o direito de voz cassado? E quando um post como este for tido como impróprio e politicamente incorreto?

Ontem foram as mulheres bonitas nos telões. Hoje são os perfis direitistas no Facebook. O que virá amanhã? Pregue o evangelho nas redes sociais enquanto você pode. Não perca tempo com banalidades e conteúdos sem sentido. Foco na missão, pois o tempo é curto!

Michelson Borges

Você vai assistir à novela Jesus, da Record?

jesusDificilmente gosto de filmes bíblicos porque os autores e diretores geralmente adicionam boa dose de ficção para tornar a produção mais hollywoodiana e atrativa para o público. Às vezes, uma mensagem, uma ideia, uma impressão ficam na mente das pessoas como se aquilo fosse realmente bíblico, e frequentemente não é. Prefiro formar minhas imagens mentais bíblicas com base na fonte primária: a própria Bíblia Sagrada. Leio-a todos os dias pela manhã e permito que seus conteúdos preencham meus pensamentos, minha imaginação. Prefiro não contaminar minhas memórias com sugestões humanas e as distorções tão comuns nas produções televisivas. Para mencionar apenas dois exemplos: Lembra do desenho “Moisés”, da Dreamworks? Ramsés foi apresentado como irmão do hebreu. Falso. Ramsés não foi o faraó do Êxodo. E o filme “Noé”? Está lembrado? Não era bíblico, era cabalístico e gnóstico. E muitos cristãos caíram como patinhos ao assistir ao filme e pensar que era baseado na Bíblia.

Mas pior mesmo é quando doutrinas e verdades bíblicas teológicas são distorcidas em nome da audiência. E quando as emissoras convidam para roteiristas pessoas que mal conhecem as Escrituras e até defendem ideias antibíblicas? O que esperar disso?

É triste ver tantos cristãos assistindo a filmes e novelas ditos bíblicos, enquanto a Bíblia deles permanece muda no criado mudo. Que tipo de pensamento e memórias estarão criando? Trocam o inspiração pela diversão. O crescimento pelo entretenimento. Uma pena. Espertos são os donos das produtoras e dos canais de TV que descobriram o filão dos filmes e das novelas ditos bíblicos e estão com isso entretendo as multidões e enchendo os bolsos.

Talvez haja um ponto positivo nisso tudo: despertar a atenção e o interesse de quem nunca leu a Bíblia para que confira no original o que viu na tela. Mas não vejo vantagem alguma alguém que conhece bem a Palavra de Deus e tem acesso fácil a ela “contaminar” seus pensamentos com ideias advindas da criatividade de alguém que admite não ter religião nem dar tanto valor à Bíblia Sagrada.

Veja o que a Folha de S. Paulo publicou a respeito da mais recente produção novelística da TV Record, da Igreja Universal do Reino de Deus:

“A dramaturga que assina a trama de ‘Jesus’, novela que [estreou] nesta terça (24) na Record, não se considera religiosa. Paula Richard é católica não praticante e não tinha uma Bíblia na estante até começar a escrever histórias do gênero na emissora. Da colaboração na equipe de roteiristas de ‘Os Dez Mandamentos’ (2015) ao comando de ‘O Rico e Lázaro’ (2017), acumula seis obras bíblicas. A autora não vê problema, por exemplo, em haver uma peça teatral em que Jesus é representado como transexual: estamos falando de ‘O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu’, com a travesti Renata Carvalho, que sofreu diversas censuras neste ano e no ano passado e também foi atacada pelo prefeito do Rio de Janeiro, o bispo Marcelo Crivella, como ‘ofensiva aos cristãos’. ‘Para mim, não é ofensiva. É ficção. Se as pessoas querem usar a imagem dele para passar uma outra imagem, aí é com elas’, diz. ‘Eu, enquanto criadora, não posso ser a favor de qualquer tipo de censura. Posso não concordar com o que você diz, mas você tem o direito de dizê-lo.’ […]

“Para retratar a figura de Jesus, Paula passou por uma questão comum entre autores que se propuseram à mesma tarefa. Como revisitar o ícone que foi apresentado ao público primeiramente em quatro evangelhos e, depois, multiplicou-se pela produção literária e visual de dois milênios? Jesus não está apenas nos corações dos fiéis. Foi pintado por Leonardo da Vinci (1452-1519), Paul Gauguin (1848-1903), Candido Portinari (1903-1962). Tornou-se musical da Broadway nos anos 1970, versão frequentemente atacada por religiosos radicais. E foi retratado, por exemplo, em um livro de José Saramago (1922-2010), O Evangelho Segundo Jesus Cristo, muito crítico à Igreja Católica. […]

“Maria Madalena não será prostituta – uma imagem de construção bastante controversa. ‘O que está escrito é que ela foi dominada por sete demônios. Ela deu abertura para eles dominarem. Coisa errada ela fez. Ela foi curada por Jesus, mas não se crava que ela foi prostituta’, conta. A cena em que Madalena é curada por Jesus terá pitadas de filmes de terror. ‘Para mim, a referência é ‘O Exorcista’. Não vai ter ela torcendo o pescoço, mas vai ter um pouco desse clima.’ […]

“Paula conta também que, antes de começar a criação da trama, reuniu-se com o Bispo Edir Macedo, dono da Record e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Segundo ela, o bispo apenas pediu para que ‘a mensagem de Jesus pudesse ser compreendida’.

“A autora acredita que não é preciso ‘ter uma religião para gostar de Jesus’. ‘Há muitos estudiosos da Bíblia que são ateus. Fé, sim, tem ali, mas Jesus não pregou nenhuma religião.’ Jesus, para ela, ‘quebrou paradigmas em nome da tolerância’.”

Há muita gente por aí deixando de ler a Bíblia (se é que lia) para consumir as novelas “bíblicas” de emissoras de TV como a Record. Tentei assistir ao primeiro episódio da novela “Os Dez Mandamentos”, mas não consegui. A “liberdade criativa” foi demais para mim. Sem contar os apelos sensuais que deixavam a mensagem espiritual em segundo plano. Pais desavisados chegaram a permitir que os filhos pequenos (às vezes em pleno sábado) assistissem a cenas eróticas bem ao estilo dos folhetins comuns, afinal, era uma novela “bíblica”…

Fico preocupado com a produção de alguém que diz: “Se as pessoas querem usar a imagem [de Jesus] para passar uma outra imagem, aí é com elas.” E se isso fosse feito, por exemplo, com um escritor que defende o homossexualismo? Digamos que um crítico da militância LGBT se valesse das palavras de um defensor do movimento para justamente atacar o movimento? É óbvio que muitas vozes se levantariam contra isso, e com razão. Então como alguns querem usar Jesus para colocar na boca dEle palavras que Ele nunca diria. Jesus manifestaria amor aos homossexuais, como manifestou a qualquer ser humano, mas nunca aprovaria o estilo de vida homossexual, reprovado na Bíblia. Jesus recebia pecadores, mas não tolerava o pecado. Portanto, trata-se de forçar a barra dizer que Ele era “tolerante”. E Jesus fundou, sim, uma igreja. Deixou sobre a Terra um povo que “guarda os mandamentos de Deus e tem a fé de Jesus” (Apocalipse 14:12). Esses mesmos que são chamados de “radicais” e “fundamentalistas” porque querem ser fieis às ordens de seu Mestre.

De minha parte, vou continuar empregando meu tempo na leitura da Bíblia e não assistindo a produções criadas por pessoas de mentalidade relativista e com referenciais duvidosos.

Michelson Borges

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