Mulher do ano: Anitta, Nadia ou Heley?

anittaUma revista masculina brasileira concedeu à cantora Anitta o prêmio de Mulher do Ano. Depois de saber da escolha, ela disse: “Quando soube que seria eleita a Mulher do Ano da [revista] parei para recapitular tudo que fiz em 2017 e só assim me dei conta de quanta coisa aconteceu.” Com esse título, Anitta se junta ao grupo formado por Isabeli Fontana, Grazi Massafera, Maria Casadevall, Isis Valverde, Tatá Werneck e Taís Araujo, as seis vencedoras da categoria nos anos anteriores.

Não tenho absolutamente nada contra essa moça que começou a cantar aos oito anos de idade em um coral de igreja e que acabou depois se notabilizando por suas composições e interpretações de músicas funk. Não conheço as composições dela e tudo o que sei se limita a notas e fotos que vejo de vez em quando em revistas semanais de jornalismo e nos noticiários – algumas fotos bem ousadas, diga-se de passagem.

Cada um é livre para fazer o que gosta e o que pode para “vencer na vida”. O que questiono é o título dado a ela pela revista. Por que “Mulher do Ano”? Que critérios os editores levaram em conta para fazer essa escolha? Fama? Discos vendidos? Projeção na mídia? Influência social e poder de lançar tendências? Se os critérios fossem outros, eu gostaria de propor outras “mulheres do ano”.

nadiaA Global Graphene Challenge Competition é uma competição internacional promovida pela empresa sueca Sandvik. O objetivo é procurar soluções sustentáveis e inovadoras ao redor do mundo que ajudem a criar novas utilizações para o grafeno, material extremamente fino, derivado do carbono, transparente e 200 vezes mais forte que o aço. A vencedora mundial de 2016, anunciada no início deste ano, foi Nadia Ayad, recém-formada em Engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia do Rio de Janeiro. O trabalho de Nadia concorreu com outros nove finalistas. Nadia criou um sistema de dessanilização e filtragem de água usando o grafeno, que possibilitará que milhões de pessoas tenham acesso à água potável com custo de energia reduzido.

Você ficou sabendo disso pela grande mídia? Garanto que não. Infelizmente, Nadia é outro cérebro nacional que poderá ir embora. Deverá prosseguir em seus estudos nos Estados Unidos ou na Inglaterra, países que certamente apoiarão suas pesquisas.

heley-abreuQuero ainda propor outra “mulher do ano”: a professora Heley de Abreu Silva Batista, de 43 anos, que morreu na noite do dia 5 de outubro após tentar salvar crianças de um incêndio criminoso causado pelo vigia Damião Soares dos Santos, no Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, em Janaúba, MG. Segundo a polícia, Heley teria tentado conter o agressor.

Diego Abreu, primo de Heley, disse à revista Veja que a professora tinha sido efetivada este ano na escola, que pertence à rede municipal de ensino. Segundo ele, a prima sempre foi uma professora zelosa. “Ela adorava crianças, tanto seus filhos quanto seus alunos. Amava a profissão, nem se importou com sua própria vida, salvou muitas crianças”, disse ele.

Quando mulheres como Nadia e Heley são esquecidas pelas pessoas e pela mídia em detrimento de cantoras de funk, atrizes e modelos, podemos ter certeza de que algo muito errado está acontecendo com a sociedade. Nadia, Heley e muitas outras mulheres dão duro todos os dias para estudar, trabalhar e ajudar a sustentar a família ou mesmo promover avanços tecnológicos que poderão salvar milhões de pessoas. Muitas delas são mulheres anônimas que nunca receberão um prêmio de “mulher do ano”, afinal, não se vestem de maneira ousada, não cantam músicas que agradam ao gosto popular, não estão sob os holofotes às vezes protagonizando escândalos calculados para chamar atenção e vender. São mulheres comuns que salvam vidas, educam gerações, ajudam a sustentar o pouco de humanidade que ainda nos resta. Mas, definitivamente, não são mulheres midiáticas. Continuarão morrendo ou indo embora do país sem que ninguém lhes conceda um título, um prêmio ou a notoriedade que suas conquistas merecem.

Há muitas “mulheres do ano” neste país, mas poucos conhecerão seus nomes.

Michelson Borges

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“A Chegada”: os aliens chegam e levam o ecumenismo ao ápice

a chegada“A Chegada” (“The Arrival”) é um filme de ficção científica baseado em um conto do escritor Ted Chiang intitulado História da Sua Vida. A produção dirigida por Denis Villeneuve trata do primeiro contato da humanidade com seres extraterrestres, mostra o senso desconfortante de nossa pequenez diante de uma raça superior, evidencia o poder que um evento grandioso tem de unir a humanidade e trabalha também o conceito de tempo (não linear para os recém-chegados). “A Chegada” inevitavelmente nos faz lembrar do clássico de Steven Spielberg “Contatos Imediatos”, de 1978 (assim como também lembra “2001, Uma Odisseia no Espaço” e outros). Desde que Spielberg levou às telas o problema da comunicação com uma raça alienígena que eventualmente aportasse por aqui, várias outras produções com temática semelhante foram sucesso de bilheteria. Desde “E.T.”, do mesmo produtor, passando por “Contato”, “Independence Day”, “O Predador”, “Guerra dos Mundos” e outros. Via de regra, os ETs são hostis e os terráqueos têm que se unir para salvar a Terra. Mas há também os filmes em que os alienígenas não têm pretensões colonizadoras e desejam apenas estabelecer contato ou até mesmo ajudar a humanidade, como é o caso do recente “A Chegada”.

Faz tempo que Hollywood tem dado sua contribuição para alimentar a ideia de que em algum momento faremos contato com seres que chegarão aqui em naves espaciais ou de alguma outra forma. No meio ufológico cresce a ideia de que os “ETs” possam até se tratar de seres espirituais que dispensariam aparatos tecnológicos e nos ajudariam em nossa “evolução espiritual”, numa interessante junção de enganos criados e orquestrados pela mesma mente.

A despeito das interessantes discussões sobre linguística que “A Chegada” propõe, o que fica mesmo evidente para quem estuda as profecias bíblicas é a ideia de que ETs poderiam salvar a humanidade de si mesma promovendo a união dos povos. Sim, a Bíblia antecipa a chegada de falsos Cristos e a operação de milagres e sinais impressionantes, sobrenaturais. Não é à toa que Jesus nos tenha advertido de que esses enganos seriam tão poderosos que, se possível, enganariam até mesmo o povo de Deus. Afinal, pense bem: No momento em que você vir um ser majestoso se dirigindo à humanidade com palavras mansas e cheias de sabedoria, você dará mais atenção aos seus sentidos ou à Palavra de Deus? Se unirá à maioria estupefata e inebriada ou permanecerá fiel a Jesus Cristo, a despeito do fato de que você será visto como louco, cego e inimigo da paz?

Em um artigo para a Folha de S. Paulo, o físico Marcelo Gleiser escreveu algumas coisas interessantes sobre o filme “A Chegada”: “O contato com alienígenas inteligentes seria, talvez, a experiência coletiva mais profundamente transformadora para nossa espécie. Especialmente o contato direto, se viessem aqui usando meios misteriosos, com objetivo desconhecido.” Gleiser tem razão. Um evento dessa natureza teria um tremendo poder de transformação social e de convencimento ideológico. Imagine que ideias poderiam ser facilmente aceitas pelas pessoas, caso os tais “ETs” trouxessem, digamos, revelações teológicas e filosóficas. Até mesmo ateus se convenceriam da existência de um deus, caso extraterrestres superiores declarassem isso. Gleiser, que é ateu, chega a dizer que “os alienígenas seriam como deuses. E, como todos os deuses, seriam adorados ou temidos”. E não é verdade?

Gleiser prossegue: “Os extraterrestres vieram dividir sua tecnologia conosco, […] vieram elevar nosso nível moral, criar uma aliança cósmica, demonstrando uma generosidade que ilustra a futilidade dos nossos conflitos e comportamento destrutivos. O que é necessário é um jogo de ‘soma maior do que zero’, onde ambas as partes ganhem na interação.”

Atualmente, grandes esforços vêm sendo feitos para unir os povos. O Vaticano (que também tem interesse na busca do chamado “irmão extraterrestre”) liderado pelo papa Francisco, vem promovendo o ECOmenismo, a salvação da família, etc. São bandeiras que têm o poder de unir as pessoas. Mas um evento como a chegada dos “extraterrestres” ou mesmo uma grande crise motivada por alguma catástrofe ambiental, um superterremoto, a queda de um meteorito, uma forte tempestade solar ou fome e epidemias – ou tudo isso junto – sem dúvida catalisaria a união da humanidade e os eventos finais.

Quase todas as pessoas aguardam a chegada de alguém ou algo que nos salvará, nos ajudará. E é justamente essa esperança e esse anseio que serão usados para manipular e enganar. Aquele que prometeu voltar, aquele que protagonizará a verdadeira e grande chegada nos advertiu claramente quanto aos enganos dos últimos dias. Você já leu sua Bíblia hoje?

Michelson Borges

Os fãs da cultura pop (2)

musicDepois de ter postado o texto “Os fãs da cultura pop”, recebi vários comentários e críticas. Como aquele post foi bem resumido, quero aqui ampliar algumas ideias e deixar claro que respeito todos os que me escreveram e que creio que o diálogo nos ajuda a crescer e a melhorar nossos pontos de vista.

Primeiramente, quero explicar por que não mantenho habilitada a função de comentários em meu blog e em meu canal no YouTube. Não sou o único que age dessa forma. E meu motivo é simples: falta de tempo. Entendo que, se habilitasse essa função, teria que moderar os comentários e, óbvio, interagir com as pessoas. O que faço em meu blog e em meu canal é um trabalho voluntário que consome muito do meu tempo de “folga”. Tenho esposa e três filhos, e não acho justo dedicar mais tempo do que já tenho dedicado a esse trabalho, repito, voluntário. Já tenho grandes dificuldades para responder aos muitos e-mails que me chegam e mensagens via WhatsApp, Messenger, etc. Assim, tive que tomar essa decisão que, para muitos, soa como arbitrariedade ou falta de abertura para o diálogo. Só que não se trata absolutamente disso.

maranata1.0Com respeito ao que escrevi em relação à cultura pop, acho que minha crítica não está sendo compreendida. Nunca me opus ao uso de recursos como filmes e mesmo histórias em quadrinhos. Já na década de 1990 eu publicava histórias em quadrinhos com conteúdo religioso (um exemplo ao lado). Poucos anos atrás, criei personagens que passaram a fazer parte de tirinhas apologéticas que eu publicava regularmente nas redes sociais (confira). Repito: nunca me opus ao uso das mídias, me oponho é à mistura de conteúdos seculares claramente anticristãos para entreter o público cristão, tentando extrair dali alguma eventual lição espiritual (conforme destaquei neste vídeo). É simplesmente a isso que me oponho. Eu mesmo costumo sugerir bons filmes, de vez em quando (confira). Não podemos é absorver indiscriminadamente todo e qualquer conteúdo da cultura pop, e creio ter deixado isso bem claro em minha postagem anterior.

Nunca disse que considero minha experiência religiosa exemplo para qualquer pessoa, mas me sinto no direito de, assim como outros, testemunhar do que vivi, do que experimentei (confira aqui e aqui). Entendo que a conversão nos faz repensar um bocado de coisas, entre elas os conteúdos que não combinam com o cristianismo. Reconheço os esforços sinceros de muitos cristãos que procuram contextualizar a mensagem, mas isso não significa que não possa discordar das metodologias adotadas. Se vejo que certa tendência parece crescer entre nós e tenho motivos para discordar (respeitosamente) dela, me sinto na liberdade e no dever de fazê-lo.

Eu poderia ter usado dezenas de outros textos bíblicos na postagem anterior para defender a importância de (1) aproveitarmos bem nosso tempo precioso, (2) mantermos a mente pura, (3) não termos contato com conteúdos relacionados com ocultismo, magia, nudismo, pornografia e outros. Entendo que os três textos que citei sejam suficientes para justificar essa minha postura.

Não sou o único a advogar as ideias que defendo. Estou em consonância com obras publicadas pela editora na qual trabalho há duas décadas. Creio também que tenho o endosso da Bíblia e dos livros de Ellen White, afinal, ela defende o uso dos meios de comunicação e denuncia conteúdos nocivos.

Não sou um ermitão midiático. Assisto a bons filmes de vez em quando e utilizo critérios os mais seguros possíveis para fazer essa seleção. Sempre ensinei que devemos fazer escolhas (em todas as áreas) com base em princípios bíblicos. Quanto aos conteúdos que não me convêm, não é difícil saber alguma coisa sobre eles. Por exemplo, pesquisei bastante sobre “Game of Thrones”, sobre os roteiristas, sobre os livros que inspiraram a série, sobre o enredo, etc. Nunca assisti a um episódio sequer e quanto mais pesquisava mais me convencia de que realmente não precisava nem deveria assistir. Tem muita gente interpretando errado o “analisai tudo” de Paulo, como se esse texto fosse um salvo-conduto para consumir qualquer tipo de conteúdo. Se for assim, a contradição com vários outros textos bíblicos estará criada, e creio que nem preciso citá-los aqui.

Será que Jesus usaria “GOT” e “50 Tons”, por exemplo, para atrair os “de fora”? E não me refiro à simples menção dessas produções. Refiro-me a assistir junto com as pessoas, mostrar cenas, descrever em detalhes, se demorar no assunto a ponto de até deixar curiosos aqueles que talvez nunca fossem assistir. Outra coisa: todo esse meu posicionamento está descrito e apresentado em meu livro Nos Bastidores da Mídia, da Casa Publicadora Brasileira, editora mantida pela Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Fiz uma atualização recente no meu livro, refinei argumentos, retirei alguns exageros (próprios da época em que a primeira edição foi escrita), mas os princípios centrais estão lá, e vêm sendo defendidos pela igreja há muito tempo.

Preciso repetir para deixar claro: nunca ataquei nem vou atacar pessoas. Isso é rasteiro. É argumento ad hominem. Falo sobre ideias e métodos dos quais discordo e creio que tenho meu direito de fazê-lo. Além de produzir HQs e tirinhas e ter um canal no YouTube há dez anos, mantenho blogs (fui um dos primeiros blogueiros adventistas), páginas no Facebook e uma conta no Twitter (desde 2009), pois isso é lícito e a Revelação nos incentiva a usar essas ferramentas. Só que a mesma Revelação nos orienta a ter cuidado com conteúdos midiáticos e a nos lembrar de que não pode haver comunhão entre a luz e as trevas.

Sou entusiasta da contextualização da mensagem e do evangelismo, mas entendo que isso, também, deve ser feito com critérios bem claros e sob a supervisão do Espírito Santo. E não pode ser desculpa para se “batizar” conteúdos com os quais os fãs ainda insistem em flertar. Entendo que devemos evitar a postura fanática de satanizar todo e qualquer tipo de conteúdo e toda e qualquer manifestação cultural. Mas também não podemos ser ingênuos a ponto de achar que Satanás não mais existe.

Falando em contextualização… Jesus usou uma “lenda” pagã, sim [parábola do rico e Lázaro]. Assim como Deus Se valeu de uma estátua pagã para falar com Nabucodonosor em sonho. Isso, obviamente, é legítimo. Mas nenhum deles (assim como Paulo no Areópago) se demorou na ilustração, exaltando seus aspectos literários, pictóricos, históricos, etc. Usaram esse recurso apenas como “ponte” para despertar a atenção de uma “plateia” familiarizada com a coisa. O que não se pode fazer é usar “recursos pagãos” para entreter cristãos.

Faz bem refletir sobre estes textos: 1 João 5:19; Efésios 6:12; Romanos 12:2. Ignorar a realidade do grande conflito e de que há uma disputa pela nossa mente, pela nossa razão e pelos nossos sentimentos é ou ingenuidade ou manifestação de prepotência – a mesma prepotência que fez com que Eva pensasse ser capaz de vencer sozinha a batalha contra o inimigo. Não podemos cair nessa onda de “dessatanização” e relativização do mal. Não podemos supervalorizar nosso livre-arbítrio, ainda mais quando sabemos que, diferentemente de Eva, nosso cérebro tem a desvantagem de cerca de seis mil anos de decadência.

Reflita também nos seguintes textos inspirados:

“Vocês devem se tornar fiéis sentinelas de seus olhos, de seus ouvidos e de todos os sentidos, se querem controlar sua mente e evitar pensamentos vãos e corruptos que mancham a alma. Só o poder da graça pode realizar essa obra desejável” (Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 401).

“Se houver um meio qualquer pelo qual Satanás possa alcançar acesso à mente, ele semeará seu joio e o fará crescer até que redunde em farta colheita. Em caso algum pode Satanás obter domínio sobre os pensamentos, palavras e ações, a menos que voluntariamente lhe abramos a porta e o convidemos a entrar. Ele entrará então, lançando fora a boa semente semeada no coração e tornando de nenhum efeito a verdade” (Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 402).

“Todos os que proferem o nome de Cristo necessitam vigiar e orar, e guardar as entradas da alma; pois Satanás está em atividade para corromper e destruir, uma vez que lhe seja dada a mínima vantagem” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 1, p. 402, 403).

“Nossa única segurança é abrigarmo-nos na graça de Deus cada momento, não confiando em nossa própria visão espiritual, para que não chamemos ao mal bem, e ao bem chamemos mal. Sem hesitação ou discussão precisamos fechar e guardar as entradas da alma contra o mal” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 3, p. 324).

“Devemos ter sempre em mente que há em operação seres invisíveis, tanto do mal quanto do bem, procurando ganhar o controle da mente. […] Anjos bons são espíritos ministradores, a exercer celestial influência sobre o coração e a mente; ao passo que o grande adversário das almas, o diabo, e seus anjos, estão continuamente trabalhando para efetuar nossa destruição” (Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 405).

E, para encerrar, um diagnóstico preciso de Allan Bloom:

“Se o nosso jovem conseguir recuar – o que é muito difícil e raro –, ganhar distância crítica em relação àquilo a que aderiu, duvidar do significado final daquilo que ama, então já terá dado o primeiro passo, o mais difícil, no sentido da conversão filosófica. A indignação é a defesa da alma contra a ferida da dúvida sobre o que lhe é próprio: reordena o cosmo para apoiar a justiça de sua causa” (O Declínio da Cultura Ocidental, p. 90).

Michelson Borges

Disney Channel terá primeiro romance gay em série infantojuvenil

andiO Disney Channel exibirá a primeira história de um personagem gay em um seriado infanto-juvenil. O canal anunciou que um dos protagonistas da produção americana “Andi Mack”, voltada para o público de 6 a 14 anos, vai descobrir que sente atração por outro menino na estreia da segunda temporada, que será exibida nesta sexta-feira, nos Estados Unidos. A trama, criada por Terri Minsky (Lizzie McGuire), conta a história da garota Andi Mack (Peyton Elizabeth Lee), sua relação com a família e os dois melhores amigos, um menino, Cyrus (Joshua Rush), e uma menina, Buffy (Sofia Wylie). De acordo com a revista americana The Hollywood Reporter, no novo episódio, Andi e Cyrus descobrirão que estão apaixonados pelo mesmo colega da escola, Jonah (Asher Angel).

Cyrus, de 13 anos, começa a ter dificuldade para entender os próprios sentimentos e conversa com a amiga Buffy sobre o assunto. A reação da menina deverá servir como um modelo positivo para crianças e adultos sobre aceitar as diferenças. “Terri Minsky, o elenco e todos os envolvidos no programa tomam cuidado para garantir que o conteúdo seja apropriado para o público e para que seja uma forte mensagem sobre inclusão e respeito pela humanidade”, afirmou um porta-voz da Disney em uma declaração.

O canal já apresentou personagens gays em séries como “Boa Sorte Charlie” e na animação “Doutora Brinquedos”, mas em episódios isolados. Essa será a primeira vez que a narrativa seguirá a história do personagem, no processo de descoberta da sexualidade e de autoaceitação.

No Brasil, a primeira temporada de “Andi Mack” foi exibida pela primeira vez entre os dias 10 de setembro e 22 de outubro, mas a segunda temporada ainda não ganhou data de estreia.

(Veja.com)

Nota: Um artigo científico deixou claro que personagens transgêneros são apresentados na TV para mudar a opinião pública. A mesma coisa vem sendo feita em relação a temas como beijo gay (inicialmente rejeitado em uma novela brasileira, depois tolerado e finalmente ovacionado) e com os romances homossexuais. E a melhor maneira de fazer a cabeça de uma sociedade é bombardear suas crianças com esses e outros conteúdos. A Disney sabe bem como fazer isso, afinal, já deu certo com magia, bruxaria e espiritismo. No fim das contas, o ataque é contra a visão bíblico-criacionista da criação, da natureza humana e da família original. [MB]

Os fãs da cultura pop

Coleção gibis

Fui nerd na adolescência. Tive uma coleção de milhares de HQs de super-heróis, era cinéfilo, adorava filmes de ficção científica e até produzia minhas próprias histórias em quadrinhos (texto e desenhos). Sou fruto da cultura pop e sei dos estragos que ela fez em mim, na minha mente, nas minhas emoções, durante a minha adolescência (isso que há 30 anos essa cultura era bem menos decadente). Quando me converti, entendi que precisava abandonar os filmes a que eu assistia, os quadrinhos de super-heróis que eu lia e as músicas tipo rock que eu ouvia. Precisei, com a ajuda de Deus, refinar meus gostos, minhas preferências, e adotar critérios bem definidos para o consumo da mídia. Hoje estamos passando a mão na cabeça dos jovens e dizendo que eles podem assistir a tudo o que quiserem, desde que extraiam dali conteúdos espirituais. Para essas pessoas mais fãs e geeks do que cristãos parece que o diabo não mais existe. Nada é ruim se te faz feliz! O que dizer de textos como Romanos 12:2, Filipenses 4:8 e Efésios 5:8 (para citar apenas três)? Deixe pra lá ou interprete-os ao seu bel-prazer. Aliás, assistindo a tantas séries e lendo tantos gibis, que tempo haverá para estudar a Bíblia, não é mesmo? E aí está a armadilha: sem tempo para a Bíblia, não se desenvolve uma cosmovisão bíblica; sem essa cosmovisão, fica fácil chamar ao mal de bem e ao bem de mal (Isaías 5:20). Antes, o que nos preocupava era termos uma geração meramente fã de Jesus, sem compromisso com Ele. Mas como tudo neste mundo sempre pode piorar, hoje estamos vendo surgir uma geração fá da cultura pop e meramente admiradora do “super-herói” Jesus. Uma geração que parece confundir o uso dos meios com a imersão nos conteúdos. Uma geração que adora pão e circo e se alimenta (quando o faz) de migalhas do Pão da Vida. Fala-se em “contextualização”, mas deixa-se de perceber que Jesus e os apóstolos, quando utilizaram esse recurso, estavam lutando por alcançar os incrédulos a partir da cultura deles e sem se demorar nos aspectos culturais que lhes eram familiares. Os pregadores usavam certos conteúdos apenas como “gancho” para atrair a atenção e levar a audiência à verdade que salva. Usar esse recurso para atrair a atenção de jovens cristãos e se demorar mais nos conteúdos da cultura pop do que na mensagem divina é, no mínimo, um contrassenso. Em lugar de tentar sacralizar conteúdos fúteis, ocultistas e/ou imorais, seria preferível admitir de uma vez que se é fã dessas coisas e assisti-las somente em casa, no escurinho da sala de estar, sem escancarar a aparência do mal. Algo feito apenas entre você e os anjos – sabe-se lá que anjos…

Michelson Borges

Novela prega que transexualidade é evolução humana

vejaNo capítulo de sábado (14) de “A Força do Querer”, uma conversa entre Eugênio (Dan Stulbach) e Joyce (Maria Fernanda Cândido) lançou uma teoria a respeito da transexualidade. “Talvez faça parte da evolução humana”, diz o advogado. “Evolução?”, contesta a socialite. “É. A humanidade sempre destruiu barreiras para poder avançar. A gente venceu as barreiras impostas pela natureza. Quem sabe agora a gente não esteja vencendo as barreiras impostas pelo gênero?” O casal vive um dilema: aceitar ou não que o filho trans, Ivan (Carol Duarte), faça a retirada dos seios. Conservadora e preocupada com o status social do clã, Joyce não cede. Ela define a cirurgia pretendida por sua “ex-bonequinha Ivana” como “aberração”.

A trama da transexualidade ajudou “A Força do Querer” a atrair em certas noites quase dez milhões de telespectadores somente na região metropolitana de São Paulo, principal área de aferição de audiência da Kantar Ibope. O folhetim de Gloria Perez está com média de 35 pontos, a maior em quatro anos na faixa das 21h. Trata-se de um sucesso de público e crítica que há muito tempo não se via na teledramaturgia da Globo.

Tal êxito fez a revista Veja, que circula com 1,2 milhão de exemplares toda semana, dedicar a matéria de capa da edição [de semana passada] ao tema lançado por Ivan/Ivana. O texto cita o enredo bem-sucedido do trans da novela, comenta as questões médicas relacionadas à transexualidade (condição que atinge 0,5% da população; cerca de 1 milhão de pessoas no Brasil) e apresenta várias histórias de famílias com filhos transexuais.

Mais uma vez, a telenovela – gênero de entretenimento tão desprezado pela intelectualidade – prova seu poder de colaborar com a transformação social ao esclarecer um assunto polêmico por meio de um personagem popular. […]

(Terra)

Nota: As novelas vêm prestando um grande (des)serviço ao longo dos anos no sentido de promover valores anticristãos e conduzir o “rebanho” a costumes e ideologias perniciosos. No episódio mencionado acima parecem ter chegado à quintessência da mentira: a ideologia de gênero e a transexualidade constituem evolução humana, o que contraria frontalmente duas verdades bíblicas – o criacionismo e o casal heterossexual originalmente criado. Outro aspecto interessante dessa onda gayzista e impositora de uma cultura esquerdista e imoral é o efeito contrário: uma forte ação moralizante e um clamor por mudança. O bispo de Apucarana, dom Celso Antônio Marchiori, conclamou católicos e evangélicos a se unirem contra a rede Globo, que ele define como “um demônio dentro de casa” (confira). A revista Veja da semana passada (capa acima) se uniu ao coro midiático, ajudando ainda mais a promover a polarização. De qualquer forma e por todos os ângulos pode-se ver uma tendência que está de acordo com a descrição profética bíblica dos últimos dias: moral decadente, por um lado, e despertamento religioso ecumênico, por outro. [MB]

Maratonas de seriados fazem mal à mente e ao corpo

maratona-seriado-zumbiAs “maratonas de seriados” são muito comuns nos canais de TV por assinatura, onde uma temporada inteira de um seriado é apresentada em sequência, ao longo do mesmo dia/noite. Isso pode ser uma ótima forma para colocar a agenda em dia, mas essa imersão total pode ter um custo elevado. Segundo pesquisadores da Universidade de Michigan (EUA) e da Escola de Pesquisas de Leuven (Bélgica), acompanhar uma maratona de seriados pode piorar a qualidade do sono, provocar fadiga e aumentar a insônia – algo que não ocorre quando se assiste TV de forma “normal”. Jan Van den Bulck e seus colegas acompanharam 423 adultos, com idades entre 18 e 25 anos, monitorando não apenas suas maratonas de seriados na TV, mas também o uso do computador.

A maior parte da amostra (81%) relatou que tinha assistido seriados. Desse grupo, cerca de 40%, fizeram uma maratona no mês anterior ao estudo, enquanto 28% disseram ter feito duas. Cerca de 7% tinham feito maratonas quase todos os dias durante o mês anterior. Os homens fizeram com menos frequência que as mulheres, mas cada maratona teve duração duas vezes mais longa que as delas. Os entrevistados, que dormiam em média 7 horas e 37 minutos por noite, relataram mais fadiga e má qualidade do sono do que aqueles que não fizeram nenhuma maratona.

O estudo mostrou que o aumento da estimulação cognitiva antes de dormir – ou seja, estar mentalmente alerta – é o mecanismo que explica os efeitos negativos sobre a qualidade do sono.

“As maratonas de seriados apresentam uma trama que mantém o espectador preso”, disse a pesquisadora Liese Exelmans. “Acreditamos que aqueles que veem esses programas se envolvem muito no conteúdo e podem continuar pensando sobre o assunto quando querem dormir.”

A aceleração do batimento cardíaco, ou sua irregularidade, e estar mentalmente alerta podem criar uma agitação quando a pessoa tenta dormir. Isso pode levar à má qualidade do sono após uma maratona de seriados. “Isso retarda o início do sono ou, em outras palavras, requer um longo tempo de desaceleração antes de ir dormir, afetando assim o período total de sono”, disse Exelmans.

Os pesquisadores observam que o consumo excessivo de televisão muitas vezes acontece de forma automática, com as pessoas sendo absorvidas pelos seus seriados, deixando de ir para a cama na hora mais adequada. “Pode ser que não tenhamos a intenção de assistir por muito tempo, mas acabamos fazendo isso de qualquer maneira”, disse Exelmans.

O sono insuficiente está ligado a consequências negativas para a saúde física e mental, incluindo a redução da memória e da capacidade de aprendizagem, e à obesidade, hipertensão e doenças cardiovasculares. “Basicamente, o sono é o combustível que seu corpo precisa para se manter funcionando corretamente”, disse Exelmans. “É muito importante documentar os fatores de risco para a falta de sono. Nossa pesquisa sugere que o consumo compulsivo da televisão pode ser um desses fatores de risco.”

Os resultados foram publicados no Journal of Clinical Sleep Medicine.

(Diário da Saúde)