Estudo do BID relaciona novelas a divórcios no Brasil

novelaUm estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sugere uma ligação entre as populares novelas da TV Globo e um aumento no número de divórcios no Brasil nas últimas décadas. Na pesquisa, foi feito um cruzamento de informações extraídas de censos nos anos 70, 80 e 90 e dados sobre a expansão do sinal da Globo – cujas novelas chegavam a 98% dos municípios do país na década de 90. Segundo os autores do estudo, Alberto Chong e Eliana La Ferrara, “a parcela de mulheres que se separaram ou se divorciaram aumenta significativamente depois que o sinal da Globo se torna disponível” nas cidades do país. Além disso, a pesquisa descobriu que esse efeito é mais forte em municípios menores, onde o sinal é captado por uma parcela mais alta da população local.

Os resultados sugerem que essas áreas apresentaram um aumento de 0,1 a 0,2 ponto percentual na porcentagem de mulheres de 15 a 49 anos que são divorciadas ou separadas. “O aumento é pequeno, mas estatisticamente significativo”, afirmou Chong.

Os pesquisadores vão além e dizem que o impacto é comparável ao de um aumento em seis vezes no nível de instrução de uma mulher. A porcentagem de mulheres divorciadas cresce com a escolaridade.

O enredo das novelas frequentemente inclui críticas a valores tradicionais e, desde os anos 60, uma porcentagem significativa das personagens femininas não reflete os papéis tradicionais de comportamento reservados às mulheres na sociedade.

Foram analisadas 115 novelas transmitidas pela Globo entre 1965 e 1999. Nelas, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% eram infiéis a seus parceiros.

Nas últimas décadas, a taxa de divórcios aumentou muito no Brasil, apesar do estigma associado às separações. Isso, segundo os pesquisadores, torna o país um “caso interessante de estudo”.

Segundo dados divulgados pela ONU, os divórcios pularam de 3,3 para cada 100 casamentos em 1984 para 17,7 em 2002.

“A exposição a estilos de vida modernos mostrados na TV, a funções desempenhadas por mulheres emancipadas e a uma crítica aos valores tradicionais mostrou estar associada aos aumentos nas frações de mulheres separadas e divorciadas nas áreas municipais brasileiras”, diz a pesquisa.

(BBC Brasil)

Entre desenhos animados e sessões mediúnicas

leaoNa semana passada fomos invadidos pelos apelos da mídia referentes ao remake em computação gráfica ultrarrealística de “O Rei Leão”, sucesso da Disney de 1994, que angariou na época quase 1 bilhão de dólares e definiu o renascimento daquele estúdio para filmes de animação. Aproveitando o sucesso, vários produtos estão sendo lançados, ensejando o interesse do público no assunto. Parques temáticos, promoções em lanchonetes de fast-food e desenhos derivados – chamados de spin-offs – são idealizados para incrementar os lucros do estúdio de animação.

Desde o anúncio do novo “O Rei Leão”, já vinham sendo lançados alguns produtos, e alguns deles se tornaram mais evidentes durante a semana passada. Chamou a atenção a série intitulada “A Guarda do Leão”, exibida na plataforma digital Netflix e canais a cabo, pela sua premissa, em que mensagens de conteúdo não cristão são passadas às crianças.

A ideia básica é que Kion, filho mais novo de Simba, se torna detentor do “rugido do Leão”, uma capacidade na qual ele incorpora o rugido dos reis ancestrais do reino da pedra, juntamente com um forte vento. No céu, junto com essa incorporação, aparecem nas nuvens a imagem de quatro leões. Logicamente que o desenho é entremeado de mensagens positivas de inclusão e amizade. Ele escolhe cinco amigos para recompor a Guarda do Leão, que não são mais leões. Já no segundo episódio Kion fala com seu avô, Mufasa, ao mesmo estilo visto no Rei Leão, e tudo continua. Entretanto, a questão se torna muito aberta na segunda temporada. Ushari, uma serpente, convence as hienas de que elas precisam convocar o espírito de Scar, o leão morto no fim de “O Rei Leão” (pelas próprias hienas). E, assim, com uma trama que envolve médiuns (é deixado bem claro que Rafiki, o mandril que parece ser um ancião/conselheiro do reino é, na verdade, um médium, assim como sua aprendiz Maniki – que podem evocar espíritos dos bons e dos maus, finalmente Scar emerge, não dos céus, mas da lava da terra.

São inegáveis as semelhanças com outras histórias, desta vez de caráter bíblico. A serpente, Satanás, foi o primeiro a promover a mentira da imortalidade da alma (Gênesis 3:4). E a cena da invocação de Scar lembra de maneira muito próxima o relato da invocação da Pitonisa de Endor, em que um falso espírito aparentando ser Samuel, saindo da terra foi falar com Saul.

Talvez o pior de tudo nesse contexto é a reação de alguns cristãos, incluindo líderes religiosos, a toda a história expressa em “O Rei Leão”. Análises entusiasmadas, querendo tirar lições morais ou até fazendo paralelos entre os personagens do filme e a Bíblia e o plano da Redenção. Alguns comparam Mufasa a Jesus, Rafiki a um cristão inspirado, Scar ao diabo, e assim por diante. Tudo isto com a chancela subjacente ao filme, como uma fonte aprovada e instrutiva para todos. O que devemos levar em conta é que qualquer história deve ser analisada com base na sua premissa ou mitologia. Ou, em última análise, dentro do contexto da mensagem que os autores licenciados gostariam de passar. Neste caso, o que temos claro é que, embora o Rei Leão tenha realmente lições morais, elas são dadas dentro de um meio espiritualista, em que os espíritos podem ser os “guias” para os vivos ou, no caso de “A Guarda do Leão”, espíritos inferiores podem ser antagonistas. E esse relato, da maneira como é passado, se adequa perfeitamente à ideologia espírita.

Mas não conseguimos diferenciar uma coisa de outra? Ou pode ser possível apreciar “O Rei Leão” sem ser afetado pelos pontos negativos?

Entendo que temos o livre arbítrio. Mas, ao mesmo tempo, cada “recomendação” expõe todo pacote dessa mitologia aos espectadores mais incautos, que são crianças e adolescentes. Ou alguém acha que o juvenil que vir o filme sendo recomendado por religiosos ou pelos pais não achará automaticamente recomendada a mesma série de desenhos da mesma produtora em outras plataformas?

Nesses momentos, como pai, só posso apelar que devemos manter cuidado com aquilo que permitimos que entre em nossas casas. Analisar o que eles veem previamente, ou pelo menos ao lado deles. E pedir orientação de Deus para servir o melhor aos nossos filhos.

(Everton Padilha Gomes é médico e doutor em cardiologia pela USP)

Como Hollywood está desconstruindo a religião da Bíblia

vingadoresNa Antiguidade, à medida que se afastava do Éden, a humanidade se distanciava também de seu Criador. Mas, como foram feitas por Ele e para Ele (Cl 1:16), as pessoas tinham dentro de si um vazio, um senso de transcendência que precisava ser satisfeito. Os que continuaram servindo e adorando o Deus verdadeiro desfrutavam a vida que Ele idealizou, completos nEle. Mas e os outros, os que deram as costas ao Senhor ou simplesmente não O conheciam? Buscaram paliativos para o vazio do coração. E assim surgiram os deuses criados à imagem e semelhança dos homens. Aconteceu com os babilônios, os egípcios, os gregos, os astecas, e outros povos. Mas hoje é diferente. Vivemos em uma sociedade secularizada, iluminada, desdeificada. Será mesmo? O fato é que o desejo intrínseco de adorar (algo ou alguém) permanece entranhado na natureza humana. Alguns se idolatram. Outros idolatram o poder, as riquezas, o prazer. Outros, ainda, adoram ídolos humanos alçados ao estrelado pela mídia. Mas e quanto aos deuses? Será que se extinguiram de todo? Estariam mortos, mais ou menos como na descrição feita pelo filósofo Friedrich Nietzsche da religião de seu tempo? Não. Os deuses ainda estão por aqui. E dispõem de uma grande máquina de propaganda para arrebanhar novos fieis e pregar sua religião.

Hollywood e sua religião

A pregação dessa nova religião e desses novos deuses é feita de modo geral pela indústria cultural e, mais específica e eficazmente, por Hollywood, afinal, ela “praticamente monopolizou o mercado de cinema internacional”, conforme constatou Eric Hobsbawn, em seu livro Era dos Extremos.

Mas “Hollywood adotou a religião de maneira errada. Não é cristianismo, budismo, hinduísmo, judaísmo ou islamismo. É uma mistura de elementos daqui e dali: um pouco de reencarnação, uma pitada de espiritismo, um toque de ocultismo, uma insinuação de Bíblia, uma boa dose de misticismo oriental, uma grande porção de filosofia de autoajuda e sinta-se bem. Tudo isso é combinado em pacotes de filmes altamente emocionais e populares. E Hollywood está pregando a sua religião com mais energia do que muitas igrejas pregam a religião delas”, constatou Gary Krause, em artigo publicado na revista Sinais dos Tempos de setembro-outubro de 2003.

De fato, a doutrina hollywoodiana pode ser agrupada em três grandes áreas: espiritismo, secularismo e evolucionismo. É bastante fácil se lembrar de produções mais ou menos recentes que têm como pano de fundo uma ou mais dessas ideologias. No comecinho dos anos 1990, foi “Ghost, do outro lado da vida”, com seu espiritismo meloso e uma Demi Moore novinha que encantaram multidões. Depois disso vieram produções ainda mais espiritamente explícitas, a começar pelos títulos: “Ghost whisperer”, “Médium”, “Sobrenatural”, “Sexto sentido”, etc. Sem contar os voltados para crianças e adolescentes, como “Harry Potter” e “Crepúsculo”, exemplos de uma onda avassaladora que percorreu o mundo popularizando a bruxaria e o vampirismo.

Já o secularismo (grosso modo, a vida sem Deus) é promovido não apenas pelas produções, mas pelos próprios profissionais do meio. “Em 1998, uma pesquisa da Universidade do Texas com atores, roteiristas, produtores e executivos de Hollywood revelou que apenas 2% a 3% frequentavam cultos regulares em locais de culto, em contraste com os 41% entre o público geral. Em uma lista das ‘vinte pessoas mais influentes de Hollywood’, encontrei oito pessoas que expressavam claramente suas visões ateístas ou agnósticas, mas nenhuma que expressava opiniões cristãs claras” (Steve Turner, Engolidos Pela Cultura Pop, p. 218).

O ator Brad Pitt, criado em uma igreja batista do Sul, disse certa vez: “Quando me vi livre do conforto da religião, não foi para mim uma perda de fé, mas a descoberta do eu. Eu tinha fé de que era capaz de lidar com qualquer situação. Há paz em entender que tenho apenas uma vida, aqui e agora, e sou responsável por ela” (ibidem, p. 216). E ele não é o único a abandonar a fé para abraçar a carreira.

Detalhe: há mais norte-americanos frequentando a igreja do que a academia, mas os filmes os mostram mais em cozinhas, restaurantes e academias. Esse é claramente um reflexo do estilo de vida do pessoal de Hollywood. Parece até haver um pacto de não mostrar religião, a não ser quando for para reforçar certos estereótipos, como do crente obtuso e fundamentalista. Para ser justo, é bom registrar que padres e pastores até aparecem em filmes, mas, geralmente, apenas em casamentos e enterros.

Quanto ao evolucionismo, basta citar apenas um exemplo: os filmes dos X-Men. Superpoderosos, eles são considerados Homo superior, devido a mutações que os tornaram “melhores” que o Homo sapiens. Além desse pano de fundo darwinista, conforme destaca o pastor e líder de jovens Ericson Danese, “X-Men” é cheio de contextos escatológicos, como leis e decretos, cadastramento de mutantes, perseguição pelos “sentinelas” e títulos como “Complexo de messias”, “Dias de um futuro esquecido” e “A era do Apocalipse”. Seus personagens invertem conceitos bíblicos. Apocalipse (revelação de Jesus Cristo), nos X-Men, é o pior vilão que quer destruir e escravizar.

Um dos personagens mais populares do grupo é o Wolverine. Ele bebe, fuma, mata, bate em quem der vontade e se justifica dizendo que é seu temperamento. É impaciente, arrogante e violento, e seu último filme tem como título “Imortal”, contrariando a afirmação bíblica de que somente Deus tem a imortalidade (1Tm 6:16).

Cinema: o novo templo e seu estilo de vida

Não bastassem os conceitos antibíblicos difundidos pelas produções hollywoodianas (trataremos mais disso adiante), o ato de ir ao cinema encerra, em si mesmo, uma dinâmica que contribui para o afastamento da religião e para a satisfação do desejo inerente de relacionamento com o humano e o sagrado. Note alguns paralelos interessantes:

>> Antes de ir ao cinema, a pessoa se prepara. Coloca boas roupas. Há um verdadeiro ritual.

>> O ingresso, cuja compra contribui para a manutenção do local de exibição de filmes e para a própria indústria do cinema, poderia até mesmo ser comparado ao dízimo que os fieis devolvem a fim de manter as atividades de sua religião.

>> No cinema, assim como na igreja, ocorre uma reunião de pessoas diferentes num mesmo local. Cientistas descobriram que quando realizamos atividades sincronizadas, como recitar cânticos ou até mesmo caminhar lado a lado, acabamos nos sentindo mais conectados com as pessoas com quem estamos realizando essas atividades.

>> No cinema, entramos em contato com ideologias/doutrinas, geralmente de forma mais acrítica, devido a todo o aparato tecnológico que promove quase uma hipnose.

>> Existe manipulação das emoções.

>> Há uma satisfação do desejo de adoração (dos ídolos na tela).

Toda religião prega também um estilo de vida. Não é diferente com o cinema, afinal, como diz o título do livro de Richard Weaver, “as ideias têm consequências”. As ideias disseminadas pela maioria dos filmes de Hollywood levam ao desregramento, ao hedonismo, à intemperança e ao homossexualismo. E exemplos disso não faltam.

Segundo James Sargent, da Faculdade de Medicina de Dartmouth, nos Estados Unidos, a exposição a álcool no cinema foi responsável por 28% do início do consumo entre jovens e 20% da transição para o uso constante. Mais de 60% dos filmes de Hollywood exibem o produto de alguma forma. Atores e atrizes famosos volta e meia aparecem expelindo fumaça e glamourizando o tabagismo.

Além do cigarro e do álcool, o sexo sem compromisso e/ou deturpado também vem sendo glamourizado há um bom tempo nas telas. A responsável pela nova onda de perversão foi a escritora E. L. James, que lucrou 95 milhões de dólares entre junho de 2012 e junho de 2013 com seus livros da série Cinquenta Tons de Cinza. Somente nos EUA, foram vendidas 70 milhões de cópias em apenas oito meses. Para quem não leu e tem interesse numa história recheada de perversões e sadomasoquismo (espero que esse não seja você), vem aí o filme, cujo trailer foi assistido por milhões de pessoas na internet, batendo recordes.

Outros três filmes podem ser mencionados como exemplo dessa perversão cinematográfica: “Sexo sem compromisso”, “Ted” e “A filha do meu melhor amigo”. O título do primeiro é autoexplicativo. O segundo, o deputado Protógenes Queiroz ficou revoltado quando assistiu. Segundo ele, o filme “Ted” – que tem como ator principal um ursinho de pelúcia – passa a mensagem de que “quem consome drogas, não trabalha e não estuda é feliz”. Na semana seguinte ao protesto, “Ted” liderou as bilheterias brasileiras. Cigarro, álcool e alusões a sexo tomam conta da produção. No caso do terceiro filme, basta ler o subtítulo para ter uma ideia da barbaridade: “Sexo, traição e escândalo. Sinta-se em casa.”

Frequentemente, esse é o tipo de conteúdo (em doses homeopáticas ou cavalares) veiculado nas produções hollywoodianas. Quem assiste pode até inicialmente não concordar com os conceitos, mas o fato é que “uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade”. Quem disse isso? Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler. E olha que eles convenceram quase toda uma nação a apoiar algo absurdo.

Ideias têm consequências – para um povo, para uma família, para a moralidade e/ou espiritualidade de alguém.

Super-heróis: os novos deuses

A nova onda de filmes de super-heróis, favorecida pelos modernos recursos de efeitos especiais, bebeu na fonte dos quadrinhos, e ali a exaltação dos novos deuses já vinha sendo feita há um bom tempo. Na verdade, alguns títulos de histórias em quadrinhos deixam evidente a mistura de conceitos bíblicos em suas tramas. Dois deles: “O Messias”, minissérie do Batman que fez muito sucesso no fim dos anos 1980, e “Kingdom come” (título que lembra o “venha o Teu reino”, da oração do Senhor), outra minissérie arrasa-quarteirão, ilustrada por Alex Ross (falarei dele mais adiante) e publicada em 1996 pela DC Comics. Essa série traz os principais personagens da DC em pinturas magistrais de Ross, que os trata como verdadeiros deuses.

Está ali o Capitão Marvel, cujo grito mágico – “Shazam” – é um acróstico que evoca Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio, igualando o rei bíblico a personagens mitológicos. Tem também a amazona Mulher Maravilha. Criada em 1941 pelo psicólogo William Moulton Marston, ela é a embaixadora das amazonas da Ilha Paraíso (Themyscira), e foi enviada ao mundo humano para propagar a paz. Numa graphic novel dedicada a ela e intitulada “O espírito da verdade” (igualmente ilustrada por Ross), Diana reflete: “Heroína, semideusa, soldado, pacifista – eu sou todas essas coisas em parte, mas nenhum delas por inteiro.” O filme dela tem lançamento previsto para 2017.

E, claro, está ali também em “Kingdom come” o maior dos super-heróis: o Superman. Ele foi o primeiro super-herói dos quadrinhos e hoje é considerado um símbolo da cultura americana. O herói foi criado em 1938 pelos judeus Joe Shuster e Jerry Siegel, mas tem uma origem messiânica e inspiração claramente cristã. Numa graphic novel intitulada “Paz na Terra”, o personagem aparece como um verdadeiro messias, tentando acabar com a violência e a fome no mundo. Ele diz: “Pelo menos por hoje eles vão ver que alguém está olhando por eles. Alguém resolveu agir e, juntamente com a comida, trouxe esperança de dias melhores.” Numa das pinturas, em página dupla, o Superman voa com os braços abertos trazendo sobre si um vagão cheio de alimentos. Abaixo se vê o Rio de Janeiro e o Cristo Redentor, também de braços abertos, mas imóvel, impotente…

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Esse aspecto messiânico do Superman fica ainda mais evidente quando se analisam alguns detalhes presentes tanto nas histórias em quadrinhos quanto nos filmes do personagem. Kal-El (já começa por El, que é um nome de Deus, em hebraico) é enviado à Terra pelos pais, adotado por um casal humano e inicia seu “ministério” por volta dos 30 anos. Mas tem mais: no filme “Man of Steel”, o pai de Kal-El diz à esposa: “Ele será um deus para eles.” E depois, numa projeção holográfica, diz ao filho: “Você pode salvar todos.” Em seguida, Superman abandona a nave em que estava e se lança no espaço, de braços abertos, tendo o planeta Terra ao fundo. Pensa que as “coincidências” terminam aqui? Nada.

Em 1992, numa grande jogada de marketing para vender gibis, a DC Comics mata o Superman, cujo corpo é amparado por Lois Lane numa cena claramente inspirada na Pietá, de Michelangelo. Mas é claro que Superman (que morreu para salvar o mundo de um poderoso inimigo chamado Apocalypse [!]) não permaneceria morto por muito tempo. No terceiro dia (sim, isso mesmo), ele ressuscita. Em 2006, vai para as telas num filme intitulado “Superman returns”. Realmente não é difícil perceber toda a religiosidade por trás de certos super-heróis. Aliás, o trio mais importante da DC – Superman, Mulher Maravilha e Batman – é chamado de Trindade!

Há também os super-heróis demoníacos. Spawn é um agente da CIA que morre, vai para o inferno, faz um acordo com o diabo e volta cheio de poderes para combater o crime (mais ou menos como o Motoqueiro Fantasma). Até o Homem-Aranha já se envolveu com o demônio. Com sua tia idosa baleada e à beira da morte, Peter Parker resolveu recorrer ao maligno em busca de cura. Após o pacto com Mefisto, toda a “realidade” foi modificada e fatos importantes da vida do Homem-Aranha foram completamente alterados. A tia do Aranha foi salva pelo demônio, mas o casamento de Peter com Mary Jane nunca aconteceu. O diabo é apresentado como tendo poder de mudar toda a realidade. Homem-Aranha também tem sido sucesso no cinema há mais de uma década.

watchmen1“Watchmen” (2009) é outro filme que fez grande sucesso e é baseado numa graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons, publicada na década de 1980, sendo considerada um clássico dos quadrinhos adultos. A história se passa nos EUA  de 1985, durante a Guerra Fria. Mas o que chama a atenção, dentro do propósito deste artigo, é a declaração do diretor do filme, Zack Snyder: “Permanece a ideia do inimigo em comum das duas superpotências que estão na iminência de uma guerra nuclear que acabará com o planeta. E esse inimigo sendo Deus me pareceu uma ideia boa demais pra ignorar. ‘Deus nos traiu’, adoro isso.” Deus é o novo inimigo, os super-heróis são os salvadores da pátria.

E quando se fala em deuses e em amálgama de mitos com crenças, não se pode deixar fora o deus do trovão, Thor, que saiu da mitologia nórdica para as páginas dos quadrinhos da Marvel e de lá, também, para o cinema. Num anúncio do primeiro filme, podia ser lida a chamada: “A god is coming” (um deus está vindo). Mas o mais interessante é a trama: Loki, o deus traiçoeiro, adotado pelo pai dos deuses, Odin, usa de artimanhas e consegue fazer com que Thor, o filho legítimo de Odin, seja expulso do Céu, digo, de Asgard. O deus do trovão tem, então, que provar que é digno de voltar para a cidade dourada. Não parece uma paródia de mau gosto da história bíblica do grande conflito?

Note o que disse o ator Tom Hiddleston, que faz o papel de Loki: “Os filmes de super-heróis oferecem uma mitologia moderna compartilhada e destituída de religião, por meio da qual as verdades podem ser exploradas. Em nossa sociedade cada vez mais secular, com tantos deuses e crenças diferentes, os filmes de super-heróis apresentam um retrato único em que nossas esperanças, nossos sonhos e pesadelos apocalípticos compartilhados podem ser projetados” (os grifos são meus).

No livro Nossos Deuses São Super-Heróis, Christopher Knowles diz que, “quando vê fãs vestidos como seus heróis prediletos em convenções de histórias em quadrinhos, você está testemunhando o mesmo tipo de adoração que havia no antigo mundo pagão, onde os celebrantes se vestiam como o objeto de sua adoração e encenavam seus dramas em festivais e cerimônias” (p. 36).

Para quem ainda duvida da invasão dos super-heróis nas telas e da legião de fãs que eles estão arrebanhando, fique sabendo que já há lançamentos de filmes programados até 2020, numa média de até cinco por ano!

Filmes bíblicos antibíblicos

noeAlém dos deuses de roupa colada e músculos proeminentes, que resolvem tudo na pancada, há também os filmes que se aventuram em temáticas (que deveriam ser) bíblicas. É o caso de “Noé” que, de tão antibíblico, alguns chamaram de “Não é”. Só para você ter uma ideia:

>> “Noé” tem sonhos e alucinações que o levam a construir a arca.

>> O nome de Deus não é pronunciado. É sempre apenas “o criador”.

>> Anjos caídos são criaturas de pedra que ajudam “Noé” a construir a arca.

>> Tubalcaim entra na arca e faz conchavo com Cão.

>> Apenas o primogênito, Sem, leva para a arca a mulher, uma órfã adotada pela  família.

>> Cão é um rapazinho e foge dos pais para arranjar uma namorada para entrar com ele na arca. “Noé”, que era contrário à ideia, acabou criando uma rebeldia no filho.

Mas isso tudo ainda não é o pior. No filme, o “espiritual” é bom e elevado: é lá onde mora o deus inefável; e o “material” é ruim e inferior: é aqui, onde os nossos espíritos estão presos em carne material. Resumindo: de bíblico o filme não tem nada. Ele é gnóstico. E segundo essa visão de mundo, “nada é absolutamente mau; nada é maldito para sempre, nem mesmo o arcanjo do mal ou, como ele é chamado às vezes, a fera venenosa. Chegará um tempo em que até ele recuperará o seu nome e a sua natureza angelical”, segundo Adolphe Franck, no livro The Kabbalah.

A serpente é que estava certa o tempo todo. Esse “deus”, “o criador” da matéria, um deus mau, a quem eles adoram, está retendo para si algo que a serpente poderia lhes proporcionar: nada menos que a própria divindade. Por que será que “Noé” traz enrolada no braço a pele de uma serpente? O diretor Darren Aronofsky foi genial: conseguiu levar multidões aos cinemas (incluindo, claro, muitos cristãos) achando que iriam ver um épico bíblico, quando, na verdade, estavam tendo contado com ideologia gnóstica.

Falando em épico bíblico, o que dizer do recém-lançado “Êxodo – deuses e reis”? Apenas uma informação, para não nos estendermos mais aqui: no filme do ateu Ridley Scott, as águas que os hebreus atravessaram recuam devido a um tsunami previsto por “Moisés”! E Scott considera essa versão mais “realista” que a bíblica!

O que dizer de “Deixados para trás”, que ganhou um remake estrelado por Nicolas Cage? Não existe evidência bíblica alguma para a ideia da volta de Jesus invisível, nem para o arrebatamento secreto. Mas quantos dos que assistiram ao filme (ou leram os livros nos quais ele é baseado) sabem disso?

Cage parece gostar desse tipo de filme. Em 2009, foi lançado “Presságio”, também estrelado por ele. Note as curiosidades:

>> No filme, crianças começam a ouvir “línguas estranhas” e passam a agir como “profetas”, prenunciando tragédias em número crescente.

>> O pai de uma dessas crianças, cético e cientista do MIT, descobre uma profecia numérica cifrada e escrita 50 anos antes por outra criança. Quando a decifra, ele começa a crer em tudo, como uma espécie de novo convertido.

>> O personagem de Cage descobre que uma tempestade solar incinerará a Terra e procura salvar o filho.

>> Finalmente, descobre-se que os homens misteriosos que estavam enviando as mensagens aos “profetas” e que davam pistas para salvar essas pessoas são, na verdade, extraterrestres.

>> No momento da ascensão para a nave claramente inspirada no mecanismo de rodas mencionado pelo profeta Ezequiel (Ez 1:15-18), os “anjos” extraterrestres até exibem asas de luz.

>> Os escolhidos – as pessoas que eram capazes de ouvir a “língua estranha” – são arrebatados em naves espaciais. Os demais são deixados para trás.

>> Enquanto bilhões de seres humanos são queimados pelas labaredas solares, uma parte da humanidade aterrissa num planeta idílico e corre com roupas brancas em direção a uma… árvore cintilante! (Ap 22:1, 2).

2012_movie_poster3Para encerrar esta pequena lista, apenas mais um filme catástrofe: “2012”. Um dos objetivos deste parece ser mostrar que a religião é inútil. Senão, veja só:

>> O Cristo Redentor é destruído por um tsunami gigantesco.

>> A cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano, cai sobre fieis que rezam com velas nas mãos.

>> Uma rachadura no teto da Capela Sistina separa as mãos de Deus e do homem na famosa pintura de Michelangelo.

>> Monges budistas morrem atingidos no alto das montanhas por uma megainundação.

E no fim das contas, uma parcela da humanidade (a parte rica, evidentemente) se salva em enormes embarcações (arcas) de metal. Ou seja, o ser humano é quem salva a si mesmo da destruição “final”.

A religião da Bíblia

Mas, afinal, qual é a religião que Hollywood tem pouco a pouco desconstruído na cabeça de tantas e tantas pessoas? Esta: “Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas” (Cl 3:2). A verdadeira religião do contato permanente com Deus. A religião que ajuda o ser humano a se “religar” ao Divino, ao Criador do Universo. A religião que nos faz ver que esta vida terrena não é tudo o que nos está reservado, e que viver não se resume a nascer, comer, crescer, procriar e morrer. Há muito mais do que isso!

A verdadeira religião nos aconselha a dedicar tempo a “tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, [e] excelente” (Fp 4:8). A desenvolver a “mente de Cristo” (1Co 2:16).

Mas é importante saber que “Satanás tem mil modos de desassossegar a mente. […] Quanto tempo precioso é mal gasto, e que poderia ser empregado em estudar o Modelo da verdadeira bondade” (Ellen G. White, Mensagens aos Jovens, p. 271). “O amor sincero à verdade e a cuidadosa obediência às instruções do Espírito de Profecia serão nossa única proteção contra os enganos do inimigo, os espíritos sedutores e as doutrinas de demônios” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 69). “As trevas do maligno envolvem os que negligenciam a oração. As sutis tentações do inimigo os incitam ao pecado; e tudo isso por não fazerem uso do privilégio da oração, que Deus lhes conferiu” (Caminho a Cristo, p. 94).

Lembra-se do desenhista Alex Ross, que ajudou a revolucionar as histórias em quadrinhos e contribuiu grandemente para essa nova onda de exaltação dos novos deuses super-heróis? É ele quem diz: “Na adolescência, você precisa ter ordem em seu mundo, e os super-heróis têm isso, um senso de ética que nunca muda. […] Eles tratam sucintamente com questões morais, de um modo que a religião não trata. Ou melhor, a religião trata, mas de modo muito mais complicado e geralmente confuso” (Chip Kidd e Geoff Spear, Mythology: The DC Comics Art of Alex Ross).

Ross é filho de um pastor protestante. Ao ler essa declaração dele, fiquei pensando no tipo de religião que lhe foi apresentado e no tipo de religião que tenho apresentado aos meus filhos. Se Ross chegou ao ponto de achar que os super-heróis tratam melhor do que a religião as questões relacionadas com moralidade, há algo de muito errado aí. Quem tem moldado a moralidade e a espiritualidade de nossas crianças e nossos adolescentes? Você está atento a isso?

Christopher Knowles faz um diagnóstico triste da situação nos Estados Unidos, que é também a de praticamente todo o mundo: “Nos EUA, a religião parece incapaz de proporcionar um mito viável de salvação nesses tempos de crise. Muitas das denominações tornaram-se pouco mais do que movimentos políticos mal disfarçados, interessados apenas em dinheiro e poder. Por outro lado, nossa cultura popular secular e exangue não tem mais espaço para o encantamento. Não é de surpreender, portanto, que filmes como Harry Potter, Guerra nas Estrelas e X-Men tenham aparecido para ocupar essa lacuna. Os super-heróis proporcionam uma fuga, mas de quê e para onde? Da mediocridade entorpecente da maior parte da vida moderna. […] O mesmo impulso movimenta a crescente popularidade do Halloween entre adultos. As pessoas querem entrar no mundo mítico e tornarem-se outra pessoa, tentando se esquecer de seus problemas cotidianos” (Nossos Deuses São Super-Heróis, p. 238).

Precisamos encantar nossos filhos com o verdadeiro cristianismo, mas, para isso, devemos, antes, vivê-lo no dia a dia. Eles precisam contemplar em nós o resultado da íntima comunhão com Deus; o poder transformador do evangelho. Precisamos apresentar a eles o Cristo vivo que enche a vida de sentido, de paz, de alegria. Assim nossas crianças jamais serão tentadas a se voltar para os deuses de mentira em busca de algo que está tão perto delas.

(Michelson Borges é jornalista, mestre em teologia e autor do livro Nos Bastidores da Mídia)

“Lúcifer” não é série, é armadilha!

Lucifer“Lúcifer” não é seriado, é armadilha. Recebi tantas dúvidas que me obrigo tomar posição. Se é fenômeno de audiência, ou enredo psicodélico, não sei. Mas não silenciarei perante a miragem do aparente “entretenimento”. Não é. E as consequências desse consumo de mídia serão inevitáveis. Peço permissão pra me expressar sem ofender o fã clube. Cuidado! A Bíblia diz que o Diabo é leão devorador (1Pd 5:18), ou seja, ele é astuto, sagaz e traiçoeiro. Se a serpente perdeu a aura, o engano ainda é galã sedutor. Sempre. Portanto, não espere tentação fácil ou armadilha evidente. Dissimular é especialidade da contrafação. Se uma atração tentando açucarar o maior impostor do Universo não for “tão errada assim”, o que seria? De gerações seduzidas com “Harry Potter”, “Crepúsculo”, “GOT” e “Good Omens”, a fórmula se repete: mistura adocicada de humor anestésico, ou violência sodômica, com cianeto deturpador da verdade. Como posso dizer “calma lá, não é tudo isso”? ⠀

Cuidado! Os olhos são a lâmpada do corpo (Mt 6:22, 23), e luz ou escuridão dependem do que passa por eles. Jesus disse isso e eu emudeço. Como seres multi-telas não surpreende o investimento inacreditável do mal relativizando a exibição do pecado. Das maratonas de séries às bilheterias bilionárias, somos expectadores de uma overdose de material visual. Sem filtro, padeceremos ludibriados.

Lembro aterrorizado das notícias trágicas de óbito por envenenamento de gás. A maioria morre dormindo ao inalar o inodoro monóxido de carbono. Não percebem. Apenas entram em letargia mórbida e invencível. Meu medo? Uma geração de intoxicados visuais. Consumidores apáticos de um conteúdo nocivo. Até que nada mais pareça errado.

Cuidado! Portanto, guardar a entrada do coração (Pv 4:23) é questão de sobrevivência eterna. Não brinque com o que Deus leva a sério: você salvo. A imaginação é terreno fértil para imensas bênçãos e areia movediça para ciladas. Depende do que você imagina (Pv 23:7) – nutrido pelo que vê.

Para vencer? Proteja seus sentidos. Refine suas escolhas. Tenha atitude pra dizer NÃO ao catálogo do erro. Vai valer a pena! Você honrará a Deus e anteverá o Céu. E traga a pipoca.

(Odailson Fonseca, no Instagram)

Santo Antônio, a afronta da emissora e o caso Rhuan

santo-antonioNo dia 13 de junho, os católicos celebram o dia de Santo Antônio, o famoso “santo casamenteiro”. A emissora de TV Bandeirantes veiculou um pequeno vídeo em que faz menção a isso e pede a bênção do santo a todos os casais. Em seguida, aparecem um casal hetero e dois “casais” homossexuais. Ao mesmo tempo em que o STF transforma homofobia em crime comparável ao racismo, não há qualquer tipo de regulação que puna uma emissora por desrespeitar a fé alheia. Por que relacionar “casamento” gay com o símbolo de uma religião que desaprova a união entre pessoas do mesmo sexo? Não se trata isso de um tipo de afronta? Exige-se (e com razão) respeito aos homossexuais, mas não são tratadas com o mesmo respeito pessoas, religiões e instituições que não concordam com as práticas homossexuais. Dois pesos, duas medidas.

Aproveito para trazer à tona a triste notícia envolvendo Rhuan, o garoto de nove anos de idade que teve o pênis cortado um ano antes de ter sido assassinado e esquartejado por um “casal” de lésbicas. Esse fato horrendo mostra como a cobertura midiática é, sim, seletiva. Como diz o Felipe Moura Brasil, no vídeo abaixo, fica a impressão de que gays só morrem, não matam. Assista e tire suas conclusões.

A mídia a serviço da desconstrução do casamento original

marie claireTrata-se de uma retroalimentação: a mídia surfa na onda e, por sua vez, ajuda a aumentar a força do tsunami. Em 2017, a boneca Barbie já havia aderido à campanha pró-“casamento” gay, ao aparecer vestida com o slogan que apoia esse tipo de união: “Love Wins” (como se quem discorda fosse um ogro sem sentimentos). Tempos depois, a revista Veja São Paulo estampou na capa um “trisal”, recentemente a Marie Claire publicou a chamada “Casais e trisais de namoradxs [argh!] espalham afeto com as peças-chave do inverno”, e as lojas Americanas divulgaram uma campanha de Dia dos Namorados com um “casal” gay. Obviamente que ninguém tem o direito de interferir nas escolhas dos outros nem na maneira como decidem viver, mas discordar não significa “fobia”. Defender o casamento original (o bíblico, que tem que ver com uma relação heteromonogâmica, ou seja: um homem e uma mulher unidos sob as bênçãos de Deus numa relação de fidelidade) não significa deixar de amar quem vive diferente, assim como defender a guarda do sábado, por exemplo, não implica desprezar quem guarda o domingo (menciono o sábado porque, assim como o casamento, ele vem lá do Éden).

A análise que segue é do meu amigo Marco Dourado:

“No início dos anos 1980, as escuderias de Fórmula 1 desenvolveram um tipo de motor dos mais inovadores: o turbo, retroalimentado pela passagem dos gases resultantes da queima da mistura ar/combustível, força até então desperdiçada. Aproveitando o exemplo, podemos identificar elementos de cooperação dinâmica entre mudanças culturais profundas e a propalação desse processo por meio da publicidade e da indústria de entretenimento:

– Brinquedos (Barbie ostentando o slogan de homonímia sutil misturado com vagueza intencional ‘Love Wins’).
– História em quadrinhos (Mônica adolescente exclamando ‘meu corpo, minhas regras!’).
– Periódicos de alcance nacional (encartes semanais das pós-modernas revistas Veja e Marie Claire apresentando positivamente a coabitação sexual de três pessoas).
– Cadeias do varejo tradicional, como as Lojas Americanas, utilizando temática homossexual em suas campanhas publicitária massivas, e por aí vai.

“Cada um desses exemplos mostra como é frágil e maleável a mente comum ante as inserções sutis de agentes de subversão, mal intencionados ou não.

“Evidentemente que não estamos questionando aqui as liberdades individuais privadas – desde que consensuais e sem danos a terceiros. A questão é como poderosos elementos do cotidiano banalizam o desvirtuamento e a desconstrução de marcos civilizacionais fundantes e mantenedores herdados das diversas sociedades ao longo da existência humana. A preservação de tais marcos muitas vezes se deu não apenas pelo apego às tradições religiosas, mas pela percepção experimental das trágicas consequências de sua violação.

“Sociedade poligâmicas, por exemplo, tendem a privilegiar os mais abastados em prejuízo de jovens machos que, privados da oportunidade de constituir família, competem violentamente entre si, acarretando a supervalorização da mulher apenas como objeto de prazer e procriação, e não como indivíduo dotado de dignidade intrínseca e direitos elementares. E mesmo na aglutinação forçada de diversos núcleos familiares de mães diferentes é natural a rivalidade e a competição dos meio-irmãos pela afeição e pelos recursos materiais do patriarca. Também os adultos, notadamente os homens, quando alijados de uma rotina sexual satisfatória, tendem a molestar os vulneráveis. Prostituição forçada, estupro, rapto, incesto, pederastia (alguns chamam de pedofilia), bestialismo e até a necroerastia acabam proliferando em sociedades nas quais a família tradicional não é protegida nem exaltada.

“Por fim, não há como não perceber que a flexibilização jurídica do conceito clássico de matrimônio (heterossexual, monogâmico e privilegiando a formação de famílias bem estruturadas com ambiente acolhedor e de proteção aos filhos) abre as porteiras para todo tipo de bizarrice e experimentalismo. Se o casamento nada mais é que aquilo que queremos que ele seja, então ele pode ser qualquer coisa. Transpostas as barreiras da heterossexualidade, não há mais lógica em reprimir as da cardinalidade (um para um, um para vários, vários para vários). Ambas violadas, caem as restrições de parentesco, pois tudo seria baseado em ‘afetividade’, e esse vago e sentimental conceito acabará por derrubar as regras de interdição a outras espécies (transespecismo). Finalmente, o laxismo, agora sem nenhuma rédea lógica ou moral, facultará o casamento entre seres vivos e não vivos – objetos e até cadáveres.

“Marcos, limites, regras, códigos, leis – quais forem os princípios de ordenação, são como jabutis nos galhos mais altos das árvores; não subiram sozinhos. Não estão lá por acaso nem servem para tiro ao alvo para engenheiros sociais.”

Pobre janela de Overton: nunca a deixam em paz…

Até a mãe de Neymar sabe o que os cristãos pós-modernos querem ignorar

lendoPelo visto, as pessoas hoje ou estão com muita incapacidade para interpretar textos, contextos e intertextos, ou se trata mesmo de moralidade distorcida com grandes pitadas de relativismo. Ontem postei aqui no blog um texto de Jonas Justiniano no qual ele analisa brevemente a atitude no mínimo contraditória da moça que marcou um encontro com o jogador Neymar em um quarto de hotel em Paris, dando origem a um escândalo sexual de proporções planetárias. No meio de uma conversa pra lá de picante, indecente e pornográfica (com direito a nudes), ela envia para ele uma música gospel, e a certa altura ambos mencionam o nome de Deus. Jonas cita Rushdoony e afirma que “a civilização ocidental está passando pelo processo bizarro de não perceber a diferença entre professar Jesus Cristo e viver uma vida profana”. Sim, é por causa dessa civilização ocidental professamente cristã que adeptos de religiões orientais, muçulmanos e outros querem distância do cristianismo, para eles sinônimo de libertinagem, intemperança, incoerência e até blasfêmia.

Resolvi tocar no assunto para fomentar uma reflexão sobre bom testemunho e coerência, afinal, Neymar é aquele que costumava erguer a camisa e mostrar frases como “100% Jesus” ou usar faixas na cabeça com a mesma inscrição. Se alguém que é 100% Jesus se envolve em bebedeiras e fornicação, imagine os cristãos que são apenas 50%… Vá explicar isso para um não cristão. Temos ou não responsabilidade em relação à religião que seguimos e promovemos?

Mas o pior mesmo foi ler os comentários a essa postagem em minha página no Facebook. Pessoas ditas religiosas vieram me dizer que eu não tenho o direito de julgar os dois “pombinhos”; que estava sendo moralista; que eu não posso julgar a religião deles pelo que fizeram, já que não conheço o coração dos amantes; que só Deus pode julgar as pessoas (e começaram a me julgar por achar que eu tinha julgado); que não é justo falar do jogador e da moça, quando há pastores pecadores por aí; que eu fui preconceituoso. Isso tudo e mais alguma coisa. De fato, não tenho o direito de julgar ninguém, mas tenho, sim, o de opinar sobre um fato amplamente divulgado – pelos próprios protagonistas, diga-se de passagem. Tenho, sim, o direito de analisar um evento e tirar conclusões e reflexões com base nele. E não se trata de preconceito, afinal, tanto o que eu escrevi quanto o que o Jonas escreveu está baseado em fatos, tratando-se, portanto, de um “pós-conceito”.

Existem pastores pecadores? Mas é óbvio, afinal, pastores são seres humanos e seres humanos são pecadores. Mas eu estava analisando uma notícia pontual de repercussão mundial, que gerou milhares de memes e inúmeros comentários – curiosamente, talvez a maioria reprovando as atitudes da moça e do moço. Mas eu, um jornalista cristão, não posso opinar nem analisar o ocorrido…

Interessante que no mesmo dia em que postei o texto do Jonas, a mãe do Neymar escreveu uma mensagem para o filho no Instagram, mostrando ter mais discernimento e sensibilidade que os cristãos pós-modernos do evangelho água com açúcar. Ela disse: “Filho, neste momento em que tudo finalmente está sendo esclarecido e a verdade de Deus está vindo à tona é hora de aprender com tudo isso e voltar para Jesus Cristo, seu primeiro amor. Ele é o único que realmente conhece seu coração, confie Nele.” A mãe do atleta ainda afirmou que por “sermos cristãos” é preciso perdoar a mulher responsável pela acusação de estupro, e concluiu: “Te amo muito e continuarei orando por você todos os dias da minha vida. Deus te abençoe… Eu te amo.”

Parabéns, sra. Nadine. A senhora realmente revelou compreensão da realidade e verdadeiro amor cristão. Não passou a mão na cabeça do filho justificando a conduta dele. Na verdade, reconheceu (e se há alguém que pode julgá-lo é você, por ser mãe) que ele está longe dos caminhos de Deus, vivendo um cristianismo incoerente e carecendo de conversão.

Diante de tudo isso, eu gostaria sinceramente que três coisas ocorressem: (1) que Neymar atendesse ao apelo da mãe e se voltasse verdadeiramente para Jesus; (2) que os cristãos pós-modernos parassem de justificar o pecado, mas aprendessem a chamá-lo pelo nome (sim, fornicação e sexo fora do casamento são pecado, bem como fazer sexo em troca de algum benefício fora do amor, independentemente do que se crê por aí; no fim das contas, todo mundo tem um conceito, ainda que mínimo, sobre o que é certo e errado; não é porque uma pessoa não chegou a determinado conhecimento que o conhecimento não existe, ou seja, para uma mente secular, sexo fora do casamento não é errado; contudo, isso não diminui a força da revelação; e (3) os internautas desenvolvessem e aprimorassem a capacidade de interpretar textos e ler mais do que apenas títulos de matérias. Leiam e releiam, se necessário, antes de abraçar apaixonadamente um posicionamento.

Ah! Nem tudo na vida é pessoal. Pode ser somente uma opinião, e nem toda opinião carrega juízo de valor. Muitas vezes é só senso crítico mesmo. E quem poderia dizer qual seria o limite entre um e outro?

Michelson Borges

“Todas as paixões do homem, se corretamente controladas e adequadamente direcionadas, contribuirão para sua saúde física e moral, assegurando-lhe grande felicidade. O adúltero, o fornicador e o incontinente não desfrutam da vida. Não pode existir verdadeira alegria para o transgressor da lei divina. O Senhor sabia disso, por conseguinte restringiu o homem. Ele dirige, ordena e positivamente proíbe. […] O Senhor bem sabia que a felicidade de Seus filhos depende da submissão à Sua autoridade, e de viver em obediência à Sua santa, justa e boa regra de governo” (Ellen G. White, Conduta Sexual, p. 100).

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