Os novos deuses super-heróis vieram para ficar

justice_leagueA revista Veja desta semana traz uma matéria de duas páginas sobre a disputa pelas telonas por parte das gigantes dos quadrinhos Marvel e DC Comics. Aliás, desde o lançamento de “Mulher Maravilha” nos cinemas não se fala de outra coisa senão do sucesso estrondoso dos filmes de super-heróis que têm rendido bilhões de dólares às produtoras e levado multidões às salas de cinema, numa verdadeira onda de adoração aos novos deuses do Olimpo midiático. Há quem pense que essa comparação com os deuses da antiguidade é meio exagerada. Assista ao vídeo abaixo e depois me diga se a sociedade moderna, secularizada, também não tem seus deuses… [MB]

As femimiministas não gostaram mesmo da Mulher Maravilha

mulher maravilhaHá queixas nas redes sociais e na Comissão de Direitos Humanos de Nova York: numa exibição do novo filme da Mulher Maravilha foi proibida a entrada de homens. O debate veio recuperar dúvidas antigas: Pode uma heroína “branca, de proporções impossíveis”, ser feminista – e pode esse filme polêmico ser “o melhor filme baseado em histórias em quadrinhos de sempre”? “Entrada não permitida a homens.” O aviso constava do anúncio sobre uma exibição do filme “Mulher-Maravilha”, numa sala da cadeia de cinemas Alamo Drafthouse, nesse caso em Austin, Texas. “Estamos falando sério: todo o pessoal que trabalhar nessa sessão – staff do cinema, projecionista, equipe de cozinha – vai ser mulher.” Não foi preciso mais para uma série de reclamações disparar nas redes sociais e chegar, [na] quinta-feira, a uma reclamação oficial que deu entrada na Comissão de Direitos Humanos de Nova York, cidade onde a cadeia de cinemas decidiu fazer mais exibições para mulheres depois de a primeira ter esgotado. […]

Muito antes da polêmica sessão em Austin e das que se seguiram em várias partes do país, discutia-se o feminismo da heroína e a importância de esse filme chegar finalmente à tela, depois de décadas de histórias em papel da Mulher-Maravilha e de projetos abortados nos estúdios cinematográficos. Afinal, escreve-se no The Telegraph, “os estúdios querem sucessos, não querem causas, e a Mulher-Maravilha é uma causa em espera”.

O filme pode representar uma causa, mas ela é muito mais abrangente – tem que ver com a representação das mulheres no cinema e no mundo das histórias em quadrinhos, em particular, onde se fazem contas para se descobrir que há poucas garotas crescendo com a ideia de que também elas podem ser fortes e salvar o mundo. Segundo as contas do “Gizmodo”, desde 1920 houve cerca de 130 filmes adaptados de HQs ou que giram em torno de histórias de super-heróis, mas só oito destes contaram com protagonistas femininas. No The Telegraph, o problema é resumido assim: “Das 55 HQs adaptadas por Hollywood na última década, zero centraram-se numa personagem feminina sozinha; para pôr essa estatística em perspectiva, são menos dois do que os que se centraram em cães.” […]

Para percebermos o feminismo da Mulher-Maravilha – e as suas contradições – é preciso recuarmos à tal apresentação e à sua criação, em 1941. Foi durante a Segunda Guerra Mundial, na época em que o Batman e o Super-Homem se tornavam símbolos das HQs, que surgiu a ideia de contrariar a masculinidade que parecia dominar o meio e criar uma personagem diferente. A proposta foi feita pelo psicólogo de Harvard William Moulton Marston, que se haveria de tornar conselheiro da DC.

Foi Marston que imaginou a história de Diana, a princesa amazona que encontra um piloto do Exército americano, Steve Trevor, na sua ilha de guerreiras femininas e o leva de volta ao “mundo dos homens” – um mundo cujas regras desconhece e cujas guerras não compreende. A ideia foi apresentada assim por Marston, segundo cita o The Washington Post: “A Mulher-Maravilha é propaganda psicológica para o novo tipo de mulher que deve, acredito, dominar o mundo.” O criador da ideia decidiu que ela deveria ser acorrentada ou presa de alguma forma em todas as edições, justificando ao seu editor que “as mulheres gostam de submissão” e acreditando que a destruição das correntes seria um símbolo de libertação. […]

A categoria de símbolo feminista voltou a ser atribuída à Mulher-Maravilha em 1972, quando fez capa da revista Ms., de Gloria Steinem, ou mais recentemente, quando no ano passado foi escolhida para ser embaixadora honorária da ONU para a igualdade de gênero. Por pouco tempo: dois meses depois de ter sido escolhida, em dezembro passado, a ONU concordou com a petição de funcionários que apontava para a “imagem abertamente sexualizada, de peito grande, uma mulher branca com proporções impossíveis” que veste a bandeira dos Estados Unidos e dificilmente representa todas as mulheres.

Mais consensual parece ser a escolha de Gal Gadot, a atriz israelita que na grande tela dá vida à Mulher-Maravilha e que o The Guardian considera poder ser “o melhor casting para super-heróis desde Christopher Reeve”, uma atriz que “melhora a atuação de todos os que a rodeiam”. Vestida com as tradicionais botas e tiara, Diana – que se transforma em Mulher-Maravilha quando pisa a Londres da Primeira Guerra Mundial, onde a narrativa do filme se desenrola – vai tentar contrariar o mal, lutando ao mesmo tempo contra o deus da guerra, Ares, e a guerra em si. […]

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(Expresso)

Nota: Após ler essa matéria, o amigo Marco Dourado comentou: “Um blockbuster faturando horrores nas bilheterias de todo o mundo, dirigido por uma mulher pra lá de talentosa, narrando a saga heroica de uma heroína pagã linda e que adotou um macho-beta. Pensei: ‘Desta vez não vai ter como elas [as feministas] ficarem de mimimi…” Ledo e Ivo engano. Pelo visto, a continuação de Mulher Maravilha deverá ser estrelada por uma cafuza soropositiva, com uma peruca em cada axila, fedendo a peixe podre e sofrendo de obesidade mórbida. E que pratique um sincretismo de vodu com islamismo. Ah, sim, e o mocinho, Steve Trevor, tem de ser um transgênero que milita pela adoção de gambás albinos. Mas vai ter mimimi, mesmo assim. Lembrando que teve femimiminista reclamando que Gal Gadot é israelense, portanto, racista e genocida.”

Ao que outro amigo, o Alexsander Silva, respondeu: “Por que ‘de proporções impossíveis?’ Gal Gadot, como atriz, não é menos maravilha do que a personagem dela. Ela era militar do exército de Israel e dava aulas de artes marciais para os marmanjos de lá. É casada e muito realizada nessa condição. Não passou a vida em academia nem na bola de Pilates (sejamos justos, também não passou em frente à TV vendo novela e comendo brigadeiro de colher).”

Pelo visto, a Gal Gadot fez uso do lema “meu corpo, minhas regras”. Só que, nesse caso, a oposição é mais ferrenha…

Leia também “Líbano bane ‘Mulher Maravilha’ em protesto contra a atriz israelense Gal Gadot”. Segundo Dourado, feminazismo e islamofascismo têm os mesmos fundamentos e o mesmo patrono angelical. “Aí você faz uma turnê pelas livrarias do mundo islâmico e pergunta se tem Os Protocolo dos Sábios de Sião. Leva uma bacia cheia ao custo de U$ 0,10 – incluindo a bacia.”

Leia também: “Mulher Maravilha faz sucesso entre conservadores”

Cinema e séries: o debate continua

Reações à série “13 Reasons Why”

13No dia 31 de março, a Netflix lançou “13 Reasons Why”. A série gira em torno de Clay Jensen, um estudante do ensino médio que encontra na porta de sua casa uma caixa com 13 fitas cassete gravadas por Hannah Baker, uma colega que cometeu suicídio recentemente. Cada um dos lados das fitas relata um motivo – e uma pessoa – que motivou Hannah ao suicídio. Naturalmente, a série despertou as mais variadas reações, que vão de elogios entusiastas a críticas incisivas. Depois de assistir à série completa (o que é bastante raro), selecionei alguns materiais que, a meu ver, apresentam análises esclarecedoras e embasadas sobre o conteúdo dessa produção.

“Psiquiatra faz 13 alertas sobre a série 13 Reasons Why, da Netflix” (goo.gl/9mvdcp).

“13 Reasons Why – Por que NÃO assistir” (goo.gl/xEwP1h).

“6 motivos para não ver 13 Reasons Why” (goo.gl/MY2BPu).

“13 motivos para não ver ‘13 Reasons Why’, a polêmica série sobre suicídio da Netflix” (goo.gl/d03qlQ).

“‘Se uma obra pode influenciar o suicídio, temos de questioná-la’, diz psiquiatra sobre série de TV [sic]” (goo.gl/0iU73S).

“Todos os problemas de 13 Reasons Why” (goo.gl/yvnIYt).

“‘13 Reasons Why’ is Deceptive and Destructive” (goo.gl/kk8GqQ).

(Matheus Cardoso)

Campanhas de moda apelam para sexo explícito

26.06.2012 - Desfile Pbc.[…] As imagens poderiam ilustrar qualquer site pornográfico, mas estão acessíveis, sem classificação indicativa, na última campanha da grife americana Eckhaus Latta e na passada da estilista Vivienne Westwood, respectivamente. Se os primeiros anos deste século foram marcados pela erotização da imagem feminina, como as campanhas da Dolce & Gabbana, da Sisley e da Calvin Klein, que ora pareciam estupros coletivos, ora mostravam a mulher servindo aos desejos ocultos do espectador, a segunda década do milênio confirma o ato sexual e o corpo nu como ferramentas de persuasão para vender roupas e ideias. O slogan “sexo vende” nunca saiu de moda, mas, segundo especialistas, evoluiu para uma roupagem despudorada e crua – uma “nova era erótica” que é fruto da banalização do sexo e do movimento de aproximação entre a imagem publicitária e a vida real, sem filtros ou Photoshop. “As pessoas passaram a não comprar mais produtos, mas sim experiências. Como o mercado está saturado de filtros, retoques e comunicação perfeitinha, algumas marcas perceberam que é preciso falar de emoções primais, como o sexo. É uma volta da espontaneidade, que descabela a comunicação de moda”, diz a diretora do birô de tendências PeclersParis, Iza Dezon.

Segundo a especialista, a corrente faz parte de um momento histórico de desestabilização de tabus, “aqueles de que todo mundo falava, mas não mostrava”, que os jovens querem banir. Bom exemplo é a própria Calvin Klein. Até pouco tempo atrás, a marca usava corpos perfeitos para vender sua linha de cuecas e lingerie. Agora, entre as últimas peças publicitárias da marca há uma em que modelos magros, seminus e sem músculo aparentes se abraçam em uma galeria de arte. Em outra peça, os atores Alex R. Hibbert, Ashton Sanders, Mahershala Ali e Trevante Rhodes, de “Moonlight”, mostram o corpo em raro manifesto publicitário pró-diversidade. O longa, vencedor do Oscar de melhor filme deste ano, trata de homossexualidade e racismo.

A estética documental, quase amadora, define as novas campanhas que lançam mão do sexo como expressão. Nesse contexto, sites pornográficos e aplicativos de encontros viraram pontes entre marcas e público-alvo. No ano passado, a Diesel passou a veicular suas propagandas lascivas [em um site pornô]. De acordo com o dono da marca, o italiano Renzo Rosso, as vendas tiveram incremento de 31% após o início da ação.

O estilista JW Anderson, uma das revelações da moda mundial, também surfou na onda. Seu desfile de verão 2016 na semana de moda de Londres foi transmitido ao vivo [por um] aplicativo de encontros […] direcionado ao público gay. […]

(Folha de S. Paulo)

Nota: Os filmes, as séries, as músicas, a indústria da moda, tudo isso e muito mais contribuem para banalizar cada vez mais o sexo que foi criado por Deus para ser desfrutado em um contexto de santidade e de prazer e sensualismo puro. O inimigo de Deus sabe do poder que a sexualidade exerce sobre os seres humanos. Ele sabe o quanto o sexo pode unir um casal, quando praticado no contexto, no momento e com a pessoa certos. E sabe também que, por outro lado, o sexo pode destruir vidas, nos aspectos físico, emocional e espiritual. Fogem do controle o número de adolescentes grávidas, de pessoas contaminadas com DSTs e de depressivos por causa de uma vida libertina e focada no prazer pelo prazer. Campanhas publicitárias capitalistas e irresponsáveis como as descritas acima deveriam ser rejeitadas pela população. Mas, infelizmente, o que se vê é uma triste retroalimentação em que os publicitários dão às pessoas o que elas querem e elas, por sua vez, mostram a eles o que eles devem lhes apresentar. É o mundo cavando o fundo do poço moral e aumentando sua dívida com Sodoma e Gomorra. E danem-se os direitos daqueles que não querem se expor nem expor seus filhos à pornografia que sai dos sites obscuros para os outdoors, as revistas e os programas de TV. [MB]

“13 Reasons Why”: a série que destaca o suicídio

13-Reasons-Why“13 Reasons Why” (Os 13 porquês) é uma série americana disponível aos assinantes do serviço de streaming Netflix. A série gira em torno de uma estudante que comete suicídio após uma série de agressões sofridas dos colegas no ambiente escolar. Antes de tirar a própria vida, ela grava fitas cassete explicando para treze pessoas como elas desempenharam um papel na morte dela: os treze motivos.

Profissionais da área de Psicologia têm alertado que a série, embora tenha valores contra o bullying, não toma os cuidados adequados para tratar do tema. Existiria, na lógica da trama, uma ideia romântica do suicídio como alternativa e vingança contra opressões individuais. Também foram criticadas a presença de cenas de estupro e a encenação detalhada do suicídio da protagonista.

Segundo informações do Centro de Valorização da Vida, que fornece apoio emocional e prevenção ao suicídio, os contatos por e-mail multiplicaram-se desde a estreia da série no dia 31 de março. (Rede Salesiana Brasil de Educação)

Duas recomendações importantes:

  1. A série tem classificação indicativa de 18 anos. Caso seu filho esteja assistindo, é essencial que você o acompanhe e converse com ele, e aprofunde as questões abordadas. Quais são as generalizações da série? Qual alternativa a protagonista poderia ter escolhido? Como ajudar um colega que sofre agressões na escola?
  1. É preciso ressaltar, sempre, que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, e que a depressão é uma doença passível de tratamento e cura. Com a certeza de que o amor a Deus é o melhor caminho para cuidarmos da saúde física, espiritual e mental da nossa juventude, pedimos as Suas bênçãos sobre todas as nossas famílias.

Nota: Como se não bastasse o tal jogo da Baleia Azul, essa série também vem dar sua parcela de contribuição para promover não a discussão sobre o suicídio, mas o suicídio em si. Especialistas pedem que não sejam divulgadas as formas de suicídio nem detalhes de como morreram os suicidas. Deve-se trazer à luz essa questão preocupante e buscar soluções para ela. Mas não simplesmente fazer barulho por aí a respeito dos casos trágicos. [MB]

Leia também: “Jogo da Baleia Azul (para os pais)” e “Jogo da Baleia Azul é sintoma de uma era”

A mulher que não conhecia Bruce Wayne

The Dark KnightEstávamos em um restaurante de um shopping, aguardando o pedido chegar. Stephanie, nossa bebê, se distraía com músicas cristãs e livrinhos de plástico contendo histórias bíblicas. Saí da mesa à caça do banheiro, quando cruzei com os mascarados. Iam empolgados, em grupos, falando coisas que não consegui ouvir. Claro que me indaguei a razão de tanta gente usar roupas e máscaras tiradas da série “Star Wars”. Acabei reencontrando outras pessoas vestidas a caráter no corredor próximo da área em que ficavam os cinemas e minhas dúvidas foram esclarecidas. Não sei dizer se era exatamente a estreia, mas vi que “Rogue One” se achava em cartaz. Logo voltei para a direção em que ficavam os banheiros (localizados do lado oposto ao que eu havia me dirigido). O famoso bordão “que a força esteja com você” seria reconhecido por quase qualquer pessoa que cresceu na década de 1980. Menos pela minha esposa Noribel. Ela não sabia quem era o Peter Parker ou Bruce Wayne. A cultura pop era um terreno (quase) completamente desconhecido para ela. Minha esposa foi criada como adventista desde os dois anos de idade (um colportor estudou a Bíblia com meus sogros; o pai da minha esposa decidiu-se ao fim do estudo, mas minha sogra demorou ainda dois anos para ser batizada). Noribel cresceu aprendendo com a Lição da Escola Sabatina, participando de acampamentos com os desbravadores, desejando ir para o internato (o que se realizou na faculdade e graças à colportagem) e participando dos cultos e programas da igreja.

Se eu pudesse, daria um doutorado honoris causa em educação para os meus sogros. Ou em evangelismo voltado às novas gerações. Como duas pessoas simples souberam criar os filhos com tanta ênfase no espiritual? Eu não tive esse privilégio – minha família passou a frequentar reuniões adventistas quando eu tinha quinze anos (graças a um curso de desenho que eu fazia). Por isso, eu e minha esposa crescemos com referenciais diferentes. E sabe qual o prejuízo de crescer com a mínima influência da cultura pop? Nenhum. Isso não impediu que Noribel se tornasse uma pessoa sociável, inteligente e divertida. Ela e muitos adventistas que conheci, vindos de lares realmente cristãos, se destacavam por ter enraizado em seu caráter conceitos que são a base do adventismo.

Quem forma a base para uma nova geração são os pais. A mídia somada com outros fatores, como as revoluções sociais e tecnológicas, exercerá influência limitada pela atuação de pais cristãos. Quando nos perguntamos “O que fazer para alcançar as novas gerações?”, estamos mostrando preocupação na direção equivocada. A pergunta deveria ser: “O que diz a Bíblia?” Quando pais ensinam seus filhos a pensar biblicamente, eles formam jovens que servirão como representantes de Cristo entre outros jovens. E o que alcançam pessoas não são os métodos, mas outras pessoas. A vida transformada prega com eficácia sobre o evangelho que a transformou.

Fico feliz quando o culto familiar acaba e a Stephanie folheia sozinha sua Bíblia ilustrada. Sem saber ler ou falar, ela já é uma investigadora das Escrituras. Em meio à geração de pessoas confusas, que não aceitam a Verdade única e abraçam o experimentalismo pragmático para escolher sua espiritualidade, estou criando uma testemunha. Deus me dê a sabedoria que meus sogros – e tantos outros adventistas fiéis – tiveram.

(Douglas Reis, Questão de Confiança)

Leia também: “Orgulho nerd ou vida frustrada?”