Jogar videogames violentos é pecado?

gtaOs recentes massacres ocorridos no Brasil e em Nova Zelândia trouxeram à tona novamente discussões a respeito dos videogames violentos. Obviamente que existe uma multifatorialidade envolvida em cada caso. Os rapazes que assassinaram dezenas de pessoas em Suzano tinham relações familiares conturbadas, sofreram bullying e frequentavam comunidades virtuais de incentivo à violência. O matador de Nova Zelândia é alinhado a grupos extremistas de direita, tem ideias racistas e xenofóbicas. O que todos eles têm em comum é o hábito de jogar videogames violentos, os quais eles reproduzem de alguma forma na vida real, em atitudes e até indumentária. Claro que vozes se levantaram para atacar e defender os gamers. E só trago o assunto novamente para cá porque, na condição de jornalista e estudioso do fenômeno (sou autor do livro Nos Bastidores da Mídia, que tem um capítulo sobre o tema), isso é algo que me interessa, tanto quanto me interessa (e choca) o esforço de alguns cristãos no sentido de defender os tais jogos sanguinários.

Li vários artigos e assisti a uma entrevista na Jovem Pan com um empresário do ramo de videogames, um jogador e um psicólogo. O psicólogo não me pareceu ter muito conteúdo, e quem dominou a conversa foram os dois que, obviamente, defenderam o passatempo. Seria praticamente a mesma coisa que convidar o dono de uma vinícola para falar sobre as características do vinho. Mas cristãos defenderem videogames violentos me parece algo bem contraditório! E há os tais.

É como dizer que pornografia não é traição, pois só ocorre na mente. Todos os cristãos sabem (ou deveriam saber) que, segundo Jesus, o adultério começa na cabeça, quando uma pessoa casada deseja sexualmente outra pessoa. O mandamento bíblico diz “não adulterarás”, o que envolve conjunção física, mas, ao ampliar o princípio por trás da lei, o Mestre deixou claro que na “virtualidade” da mente também se pode quebrar o mandamento. A mesma lei diz: “Não matarás”, e Jesus igualmente ampliou o sentido do mandamento ao dizer que desejar o mal a alguém também é matar. Jogar videogame pode não ser necessariamente pecado (embora as muitas horas desperdiçadas já sejam um mal em si), mas o que dizer de jogos que apresentam um cenário de matança em que o protagonista é o jogador armado, com o corpo inundado de adrenalina e se deleitando em cada “alvo” abatido? Evidentemente que a imensa maioria desses jogadores não sairá por aí atirando em alvos de carne e osso (embora alguns vão), mas será que os sentimentos envolvidos nesse tipo de jogo seriam aprovados por Jesus, para quem a cidadela da mente é tão importante? Aliás, seria possível imaginar Jesus Cristo sentado no sofá, divertindo-Se ao estourar os miolos de personagens na tela da TV ou massacrando e mutilando oponentes com golpes de artes marciais?

Com certeza, os sentimentos despertados por esse tipo de jogo (e incluam-se aí filmes, séries e mesmo “esportes” como o UFC) não condizem com textos como este: “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gálatas 5:22, 23) ou este: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8). Muito menos com este: “Temos uma obra a fazer a fim de resistir à tentação. Aqueles que não querem ser presa dos ardis de Satanás devem bem guardar as entradas da alma; devem evitar ler, ver, ou ouvir aquilo que sugira pensamentos impuros. A mente não deve ser deixada a divagar ao acaso em todo o assunto que o adversário das almas possa sugerir. […] Devemos ser auxiliados pela influência permanente do Espírito Santo, que atrairá a mente para cima, e habitua-la-á a ocupar-se com coisas puras e santas” (Ellen White, Patriarcas e Profetas, p. 337); e este: “É lei, tanto da natureza intelectual quanto da espiritual, que, pela contemplação, nos transformamos. O espírito gradualmente se adapta aos assuntos com os quais lhe é permitido ocupar-se. Identifica-se com aquilo que está acostumado a amar e reverenciar” (Ellen White, Mente, Caráter e Personalidade, p. 331).

A decisão quanto a consumir esse tipo de conteúdos é sua, pois Deus sempre respeita nosso livre-arbítrio, mas nunca se esqueça de que o principal palco do grande conflito é a mente. Aquilo com que escolhemos alimentá-la vai determinar de que lado da guerra estaremos.

Michelson Borges

Como os filmes e videogames estão matando a humanidade das pessoas

freefireO filme começa com uma mulher presa numa rua isolada. Seu veículo teve o pneu furado ao passar sobre arames farpados que estavam na rodovia. O diretor do filme aborda como “seu delito” ao retratá-la como uma mulher má gritando com um homem no telefone, então quando a tragédia ocorre você não sente pena dela. Ela sai do carro e um homem vem de surpresa e corta seu corpo ao meio. A multidão fica chocada e então vibra, uma vez que o filme agora “começa oficialmente”.

Outra cena, outro filme popular. É um apocalipse zumbi. Homens se voltam contra homens e começam a aprisionar uns aos outros. O time de “predadores” agora se alimenta de carne humana. Eles pegam vários homens que são “prisioneiros” e os fazem ajoelhar no chão em frente a uma pia de cerâmica. Então dois homens atrás deles começam a executá-los sem respeito à vida humana ou compaixão. Um bate com um taco de golfe na cabeça, e o outro corta o pescoço e então se dirige à segunda vítima.

O primeiro filme se chama “Pânico na Floresta” (“Wrong Turn”, no original). No Facebook é amado por mais de dois milhões de pessoas. Por todo o mundo foi assistido por mais de dez milhões. O segundo é a popular série “The Walking Dead”, com mais de 31 milhões de fãs no Facebook.

Este é o mundo hoje. Nós pagamos para que pessoas concebam as formas mais assustadoras e doentias de matar outras pessoas para nosso entretenimento. Nós gostamos de ver outras pessoas sofrer na tela. Nós comemoramos e vibramos ao ver sangue. Nós pulamos e lamentamos ao ver agonia e morte – no entanto, oramos por amor, oramos por perdão, oramos para que as coisas melhorem.

Hoje os filmes mais vendidos são de ação e terror. E mesmo nos filmes de ação, se comparados com os de dez anos atrás, vemos que a violência e o derramamento de sangue se intensificaram. Um exemplo prático: no primeiro filme “Rambo” havia muito pouca violência, suas sequências cresceram em violência com o último, “Rambo 4”, tendo uma cena em que o bandido tem seu intestino arrancado para o delírio dos telespectadores.

Que vergonha, hein! Recentemente lemos que a mulher por trás da popular série de TV “Orange is the New Black” se divorciou do marido e está em um relacionamento gay com uma das atrizes da série. O que isso diz a você? Os Estados Unidos, o berço de Hollywood, tem relatos e incidentes de violência com armas em escolas e shopping centers causados pelos próprios estudantes. A cada duas semanas um estudante se enfurece e atira em outros estudantes. Quase todas as cidades norte-americanas legalizaram casamentos gays e estão em processo de legalização da maconha. O que isso realmente diz a você?

As músicas que você ouve, os filmes [e séries] que assiste, [os videogames que joga] estão todos trabalhando para fazer o pequeno amor que você tem pela humanidade se tornar minúsculo e o ódio que você tem pela humanidade crescer pouco a pouco.

Pense nisso. Quão viciado você está em filmes? Quanto você ama a violência em filmes? Isso ajuda você como pessoa a apreciar mais o presente do amor e da vida à humanidade ou menos? Seja qual for o filme que esteja assistindo, você acha que Deus o aprovaria? Ou que Cristo assistiria com você?

A simples verdade é que, no momento em que você aperta o controle remoto, o Espírito de Deus “sai” daquela casa. Cada momento em que você aperta o controle remoto, o diabo vence. Ele vence ao ter um tempo sozinho com você. Um tempo no qual o Espírito de Deus “saiu” e o diabo pode manipular seus pensamentos. E toda vez que isso ocorre, ele constrói um novo caráter em você, um caráter mais forte, um que ama sangue e violência, um que não é paciente nem amável; um que é o oposto do caráter que Deus propôs para você.

(Amredeemed)

Nota: Tudo o que é dito no texto acima sobre filmes e séries também se aplica a outras produções, como os videogames violentos, por exemplo, que podem se tornar um “gatilho” para ações bárbaras praticadas por pessoas já sem estrutura familiar ou com algum distúrbio psíquico, mais ou menos como aconteceu nesta manhã terrível, na cidade de Suzano, SP. Se você tem filhos pequenos, não permita que eles assistam à violência sanguinária em filmes e videogames, caso contrário, a sensibilidade deles diante da vida poderá ser prejudicada. Devemos nos pautar pelo conselho do Salmo 101:3: “Não porei coisa má diante dos meus olhos”, e parar de dar desculpas para nossos prazeres e preferências anticristãos. [MB]

Jesus é transformado em super-herói pela DC

Jesus-DCA DC Vertigo é uma subsidiária da própria DC, que inclui uma margem conhecida de heróis tanto dentro quanto fora dos quadrinhos. Entretanto, o selo acaba de adicionar um herói um tanto quanto peculiar ao próprio universo. E, sendo assim, para salvar o mundo, a Vertigo invocou Jesus Cristo. Sim, você não leu errado, o filho de Deus está na DC! A nova série intitulada “Second Coming” ou “Segunda Vinda”, trata-se do retorno de Jesus à Terra. O Messias percebe que a humanidade distorceu suas palavras sobre salvação e precisa aprender novamente como nos ajudar. Para isso, Jesus dispõe da ajuda de Sun-Man, uma espécie de Superman de outra era – surgido de Krispex. A nova série de quadrinhos está sendo redigida por Mark Russel.

Vale lembrar que nem sempre as adaptações que envolvem o Messias rendem bons frutos. Tempos atrás tivemos a chegada do game “Fight of Gods”, que também utilizava a imagem de Cristo como um lutador. Entretanto, a recepção do game não foi das melhores, e causou um certo repúdio da comunidade em partes.

Acima de tudo, é uma jogada ousada da Vertigo utilizar Jesus como herói dos quadrinhos oficialmente, e estamos curiosos para descobrir mais sobre o novo evangelho da Segunda Vinda.

(CBR, via Combo Infinito)

Nota: Que os super-heróis são a versão moderna dos deuses do passado, isso não é novidade para os mais atentos (confira aqui, aqui e aqui). A própria Mulher-Maravilha, em um desenho animado, comparou seus colegas da Liga da Justiça aos deuses do Olimpo.

Em anos recentes um fenômeno tomou conta das telas de cinema: a transposição dos heróis dos quadrinhos para as produções hollywoodianas. Vários filmes de super-heróis têm feito grande sucesso, criando uma espécie de novo culto para mentes secularizadas. Mas a DC, dona do Superman, do Batman e da Mulher-Maravilha, agora está indo longe demais com essa novidade. Transformar o Salvador da humanidade, o Filho de Deus em um super-herói é muita banalização. Ao fazer com que “Jesus” dependa da ajuda de outro superser, os roteiristas da DC rebaixam o poder onipotente do Filho de Deus, indo ao encontro das pretensões do anjo caído que sempre quis fazer exatamente isto: destronar Jesus.

Mas esse ainda não é o pior dessa série lançada sob o selo Vertigo. O aspecto mais deletério da história é o título e a confusão que ele gera na mente das pessoas: “Segunda Vinda”. Além de também banalizar um assunto tão sério, a série reforçará a ideia errônea de que Jesus em Sua segunda vinda pisará na Terra e oferecerá nova oportunidade de salvação. Essas histórias em quadrinhos acabarão fortalecendo o imaginário coletivo já trabalhado por livros e filmes como “Deixados Para Trás”, com suas teorias mirabolantes e antibíblicas.

Infelizmente, muitas dessas pessoas que assistem a filmes e leem livros e quadrinhos não estudam a Bíblia e, portanto, não sabem que Jesus voltará em glória e majestade, e que não virá para oferecer segunda chance de salvação, mas, sim, buscar aqueles que aceitaram Seu plano de salvação (saiba mais sobre a volta de Jesus aqui). Jesus não pisará na Terra, como fez em Sua primeira vinda, ao nascer como ser humano, viver como um de nós e morrer na cruz por todos nós, nem tampouco dependerá da ajuda de um Sun-Man, já que Ele mesmo é o Sol da Justiça.

Amanhã é Natal, data em que se convencionou celebrar o nascimento de Jesus. Por isso, usarei apenas um pequeno exemplo dessa ocasião para mostrar como as pessoas não conhecem a Bíblia ou, quando muito, a leem de forma desatenta: os evangelhos não afirmam que os magos eram reis, nem tampouco que eram três. E eles não encontraram Jesus em uma estrebaria, mas em uma casa. Só que esses erros são inconsequentes, o que não se pode dizer das confusões que a DC ajudará a reforçar com essa série sobre a falsa segunda vinda de Cristo. [MB]

Damares e João: detonam a vítima e poupam o agressor

joao damarisEscrevi recentemente um artigo chamando a atenção para a cobertura jornalística do caso João de Deus. Já são mais de 300 acusações de abuso e estupro feitas contra o famoso médium espírita João Teixeira de Faria, de Abadiânia, GO. Tá certo que ele ainda não foi condenado, mas são 300 acusações! Muitas delas coincidem em vários detalhes, incluindo abuso de crianças. Mesmo assim a imprensa tem poupado o acusado e, principalmente, a religião que ele representa, o espiritismo. Atrizes que em outras ocasiões fizeram estardalhaço nas redes sociais com a campanha “Mexeu com uma mexeu com todas” estão estranhamente quietinhas no caso do médium. Talvez estejam esperando a condenação. Talvez estejam com medo dos espíritos. Talvez não queiram expor uma religião que predomina no meio artístico. Sei lá…

A parcialidade, a hipocrisia e a injustiça ficaram mais uma vez evidentes nesta semana, quando a indicada para chefiar o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, foi alvo de críticas e chacotas. Por quê? Porque em um vídeo de 2016 resgatado por algum internauta e viralizado nos últimos dias ela conta a história de como foi salva do suicídio por Jesus. Damares foi vítima de abuso sexual dos seis aos dez anos, e chegou a acreditar que perderia a salvação por causa disso. Desesperada, subiu em uma goiabeira com a intenção de se suicidar com veneno. Ela mesma conta como foi:

“Jesus Cristo me deu o abraço que a igreja não me deu. Jesus Cristo me deu o abraço que papai e mamãe não me deram. E naquele pé de goiaba aconteceu um milagre. A menininha que Satanás quis esmagar aos seis anos de idade foi transformada, e essa menininha hoje está lá no Senado Federal escrevendo leis para salvar crianças no Brasil.”

Em relação à polêmica causada pelo vídeo, a futura ministra disse também: “É comum as crianças falarem que têm amigos imaginários, mas quando uma menina cristã fala que esse amigo é Jesus, ela vira piada. De ontem para hoje, virei alvo de piadas porque tive coragem de contar que uma menina de dez anos, machucada, tinha como amigo imaginário o ser superior da vida dela, que é Jesus. Eu O vi, e foi Ele que me impediu de me matar.”

Você percebe a inversão de valores que está ocorrendo debaixo do nosso nariz? Enquanto a imprensa secular e muitos internautas tentam poupar e até blindar o médium acusado, o possível e provável agressor, jornalistas e internautas não poupam a vítima e fazem piada com um episódio terrível da vida dela. Assim como as feministas silenciaram quando mulheres realmente “empoderadas” , mas conservadoras, foram indicadas e eleitas para cargos importantes, supostos defensores dos direitos humanos, pensadores esquerdistas e defensores de causas como o aborto e o “casamento” gay fazem coro contra a evangélica que luta contra o aborto e a favor da família tradicional.

João de Deus incorporar espíritos e realizar curas milagrosas, tudo bem. Falar com mortos e trazer recados do “além”, tudo bem. Agora, uma menina ser salva da morte por Jesus, aí, não! É fanatismo, loucura, delírio. Quanta hipocrisia! Quanta parcialidade! Quanta crueldade! Detonam a vítima e poupam o agressor. É fácil levantar cartazes contra o abuso infantil, contra o estupro, contra a intolerância, mas na hora do “vamos ver” a coisa é diferente.

Jesus é real, Ele está vivo, pois ressuscitou, e há muitas evidências históricas disso. Jesus cura de verdade, restaura vidas e pode transformar uma menina com a vida destruída em uma líder religiosa que ajuda milhares de pessoas, e levá-la, inclusive, a ocupar o cargo de ministra para lutar pelo pouco que restou de esperança para as famílias desta nação, bombardeadas pelo lixo midiático dos que se acham superiores aos que falam com Jesus.

Quanto aos mortos, esses estão mortos. É o que ensina a Bíblia. Mortos não falam com vivos, não interferem nas coisas deste mundo. Quem se faz passar por eles são os anjos maus, cujo propósito é justamente fazer com que as pessoas tolamente pensem que são imortais por natureza e que podem viver desconectadas da fonte de vida que é Jesus, sim, o ser todo-poderoso que tem espaço na agenda para salvar menininhas em cima de goiabeiras, como salvou Zaqueu, há dois mil anos, também em cima de uma árvore. Jesus não muda. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente.

Deus abençoe a ministra Damares e a ajude a fazer o que tem que ser feito, e que a justiça seja feita no caso de João de Abadiânia.

Michelson Borges

Controle de opinião pública

control“Quando eu uso a palavra”, disse Humpty Dumpty num tom desdenhoso, “ela significa exatamente o que eu quero que signifique – nem mais nem menos”. “A questão é”, disse Alice,”se você pode fazer uma palavra significar tantas coisas diferentes”. “A questão é”, disse Humpty Dumpty, “saber quem manda. Isso é tudo” (Lewis Carrol, Alice Através do Espelho).

A arte de convencer pela palavra é muito antiga. Em sua forma moderna, a propaganda política foi inaugurada pelo bolchevismo e especialmente por Lênin e Trotsky. Mas mesmo antes deles houve líderes que reconheceram sua importância. Napoleão Bonaparte foi um desses. Ele disse: “Para ser justo, não é suficiente fazer o bem, é igualmente necessário que os administrados estejam convencidos. A força fundamenta-se na opinião. Que é o governo? Nada, se não dispuser da opinião pública.”

Mas foram Hitler e Goebbels que (infelizmente) utilizaram com mais sucesso as técnicas de controle da opinião pública e, assim, acabaram dando enorme contribuição à propaganda moderna.

Mas o que é propaganda? “A propaganda é uma tentativa de influenciar a opinião e a conduta da sociedade, de tal modo que as pessoas adotem uma conduta determinada”, escreveu Bartlett, em Political Propaganda. E qual a diferença, então, entre propaganda e publicidade? Jean-Marie Domenach, em seu livro A Propaganda Política, à página 10, responde: “A publicidade suscita necessidades ou preferências visando a determinado produto particular, enquanto a propaganda sugere ou impõe crenças e reflexos que, amiúde, modificam o comportamento, o psiquismo e mesmo as convicções religiosas ou filosóficas.”

A partir do momento que se percebeu que o ser humano médio é um ser essencialmente influenciável, e que é possível mudar-lhe as opiniões e as ideias, os especialistas passaram a utilizar em matéria política o que já se verificara viável do ponto de vista comercial.

Assim, as campanhas eleitorais nos EUA – com suas “paradas”, orquestras, girls e cartazes, que são um verdadeiro e ruidoso reclamo – pouco diferem das campanhas publicitárias.

“Os poderes destrutivos contidos nos sentimentos e ressentimentos humanos podem ser utilizados, manipulados por especialistas”, disse J. Monnerot. E para isso são utilizadas leis específicas. Vamos a elas.

LEI DA SIMPLIFICAÇÃO E DO INIMIGO ÚNICO

Consiste em concentrar sobre uma única pessoa as esperanças do campo a que se pertence ou o ódio pelo campo adverso. Reduzir a luta política, por exemplo, à rivalidade entre pessoas é substituir a difícil confrontação de teses. No caso do nazismo, os judeus acabaram eleitos como o “inimigo único”.

LEI DA AMPLIAÇÃO E DESFIGURAÇÃO

A ampliação exagerada das notícias é um processo jornalístico empregado correntemente pela imprensa, que coloca em evidência todas as informações favoráveis aos seus objetivos.

LEI DA ORQUESTRAÇÃO

A primeira condição para uma boa propaganda é a infatigável repetição dos temas principais. Goebbels dizia: “A Igreja Católica mantém-se porque repete a mesma coisa há dois mil anos. O Estado nacional-socialista deve agir analogamente.”

Adolf Hitler, em seu Mein Kampf, escreveu: “A propaganda deve limitar-se a pequeno número de ideias e repeti-las incansavelmente. As massas não se lembrarão das ideias mais simples a menos que sejam repetidas centenas de vezes. As alterações nela introduzidas não devem jamais prejudicar o fundo dos ensinamentos a cuja difusão nos propomos, mas apenas a forma. A palavra de ordem deve ser apresentada sob diferentes aspectos, embora sempre figurando, condensada, numa fórmula invariável, à maneira de conclusão.”

Portanto, a qualidade fundamental de toda campanha de propaganda é a permanência do tema, aliada à variedade de apresentação.

LEI DA TRANSFUSÃO

A propaganda não se faz do nada e se impõe às massas. Ela sempre age, em geral, sobre um substrato preexistente, seja uma mitologia nacional, seja o simples complexo de ódios e de preconceitos tradicionais. É o que os oradores fazem quando querem amoldar uma multidão ao seu objetivo: jamais contradizem as pessoas frontalmente, mas de início declararam-se de acordo com ela.

A maior preocupação dos propagandistas reside na identificação e na exploração do gosto popular, mesmo naquilo que tem de mais perturbador e absurdo.

LEI DA UNANIMIDADE

Baseia-se no fato de que inúmeras opiniões não passam, na realidade, de uma soma de conformismo, e se mantêm apenas por ter o indivíduo a impressão de que a sua opinião é esposada unanimemente por todos no seu meio. É tarefa da propaganda reforçar essa unanimidade e mesmo criá-la artificialmente.

É preciso que as pessoas conheçam os mecanismos de controle de opinião. Principalmente os profissionais de comunicação, para que não entrem nessa ciranda de manipulação e façam jornalismo ético e responsável.

Michelson Borges

Nota: Tanto Goebbels quanto Stalin cobiçavam a posse de Hollywood pois acreditavam, com toda razão, que aquele seria um dos mais poderosos e eficazes instrumentos de manipulação das massas. Coube aos comunistas enfiar as garras na indústria cinematográfica norte-americana (a europeia praticamente já nascera dominada), através da cooptação de diretores, astros e roteiristas. Isso mais a ocupação progressiva das universidades e da imprensa puseram a América de quatro e soterraram um a um todos os princípios basilares da grande nação deste continente (Marco Dourado).

Emissora leva ao ar programa infantil com cantora erotizada

anitinhaDeu no portal G1, da Globo: “Anitta rebola como gelatina e brinca com o bumbum. Anittinha quer mais é falar de meio-ambiente, de salada de frutas, da importância de brincar e da hora do soninho… Falando desses assuntos, o desenho ‘Clube da Anittinha’ estreia nesta quinta-feira (3), no Gloob e no Gloobinho, canais da TV paga. ‘Escolhi todos os temas com muito cuidado e pensamos muito sobre a melhor forma de passar essas mensagens. Mostrei o desenho para alguns amigos e para seus filhos e o feedback foi muito positivo’, diz a cantora ao G1. Cada episódio terá uma composição inédita, interpretada pela cantora, que também dubla a voz da personagem principal. Ela vai cantar versos como ‘Ela é redondinha pro suquinho e vitamina / É bem docinha essa frutinha.’ […] A personagem estará sempre acompanhada do seu trailer ‘Poderosa’ e ele se transforma em trio elétrico cada vez que é acionado com o comando ‘Prepara, Poderosa’. […] O ‘Clube da Anittinha’ deve, é claro, ganhar produtos licenciados. E é provável que a cantora vire boneca.” […]

Nota: Novamente a maior emissora de TV do Brasil leva às telas uma personagem extremamente erotizada para servir de entretenimento infantil. Sem entrar no mérito dos conteúdos dos programas (se bem que o cartaz aí acima é bastante suspeito e indicador do que vem por aí…), o que pode passar na cabeça de uma criança fã ao ver sua “ídola”, sua “boneca” rebolando seminua nos shows em que protagoniza cenas extremamente eróticas? Isso não as influencia em nada? Erotizar as crianças tão precocemente não traz nenhuma consequência sobre a vida e a formação delas? Infelizmente, esse tipo de permissividade absurda tem se tornado mais comum a cada ano, com a bênção da mídia mainstream e de autoridades omissas. [MB]

SBD emite nota de repúdio ao Porta dos Fundos

youtuberA Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) repudia, com indignação e veemência, o vídeo do Canal Porta dos Fundos intitulado “YouTuber”, divulgado em 9 de agosto de 2018. Na tentativa de criticar outros produtores de conteúdo do YouTube, o personagem diz que vai injetar 25 mililitros de insulina no organismo, enaltecendo o uso indiscriminado e totalmente errado do hormônio, além de ridicularizar pessoas com diabetes e profissionais de saúde envolvidos no cuidado do paciente.

Longe de ser considerada uma brincadeira, o diabetes é uma doença crônica, que acomete aproximadamente 13 milhões de pessoas no Brasil e cuja desinformação a respeito da condição ainda é grande, como apontou recente pesquisa Datafolha lançada recentemente pela Coalizão Para Sobreviver, da qual a SBD faz parte juntamente com associações de pessoas com diabetes. Para se ter uma ideia do ainda grande desconhecimento acerca da doença, dados do levantamento destacam que apenas 5% dos brasileiros julgam necessário seguir orientações médicas para controlar o diabetes. Dessa forma, vídeos como o produzido pelo Porta dos Fundos reforçam a disseminação de informações equivocadas e que podem causar, direta e indiretamente, danos à saúde da população.

É importante destacar outros dados mundiais da International Diabetes Federation (IDF), que evidenciam os riscos do mau controle do diabetes: a cada 20 segundos, uma pessoa tem amputação de membros graças à doença; a condição é a maior causa de cegueira; a cada seis segundos uma pessoa morre por causa do diabetes e 80% das mortes decorrem de complicações como infartos e AVC (derrame).

É preciso que a sociedade se mobilize para que esse tipo de desinformação não tenha propagação. Diabetes é uma doença grave e se complica quando não controlada e exclui e marca a vida com lutas diárias.

Solicitamos, publicamente, ao Canal Porta dos Fundos a exclusão do conteúdo e uma retratação imediata às pessoas com diabetes, às suas famílias, aos profissionais que lutam pela educação em diabetes e a vigília diária para controlar os efeitos da doença. Os ativos de comunicação, como o site www.diabetes.org.br, com o vasto arsenal de informações, são uma fonte adequada e responsável. A SBD convida os representantes do Canal Porta dos Fundos para uma visita aos seus ativos e até mesmo à sede, para que possam conhecer dados e esclarecer quaisquer dúvidas. Isso reforça o compromisso com a educação e informação. A SBD, portanto, está à disposição para colaborar na produção de conteúdos relacionados ao diabetes.

Nota: Não é de hoje que o desrespeito e a irresponsabilidade desse canal ficam evidentes. No fim do ano passado, os “humoristas” chegaram ao ponto de representar Jesus em uma produção pornográfica e blasfema (confira). Na busca insana por views e publicidade, eles ainda não entenderam que humor tem limites. [MB]