Cristãos da “resistência”? Como assim?

resistencia3Sempre gostei das reuniões de comissão de igreja (quando bem conduzidas e sob a influência do Espírito Santo, evidentemente) porque ali a gente vê a democracia representativa em ação. Isso me impressionou positivamente quando me tornei adventista, nos idos anos 1990. Houve vezes em que em reuniões de comissão eu defendi que as paredes do templo deveriam ser pintadas de branco (exemplo hipotético), mas a proposta vencedora acabou sendo a que defendia a cor bege. A maioria votou nela. Aprovada a proposta, passei a defendê-la como se fosse minha. Não fiquei criticando pelos corredores os que votaram na cor bege. Não fiquei torcendo para que o templo ficasse feio com aquela cor, para depois dizer que eu tinha razão. Na verdade, torci para que ficasse mais bonito, para o bem de todos. Assim devemos nos comportar em uma democracia. Devemos sempre pensar no bem coletivo e até abrir mão de nossos interesses, se eles não forem considerados os da maioria (o que não significa abrir mão de princípios, evidentemente; mas esse é outro assunto).

O presidente Jair Bolsonaro foi eleito pela maioria do povo brasileiro. Pode ser que não concordemos com tudo o que ele diz e faz, mas foi a vontade da maioria. Durante meses todos puderam obter informações sobre os dois candidatos, ler seus programas de governo, comparar suas ideias, tudo de acordo com as regras, como se espera em uma boa democracia. A eleição foi democrática, pelo voto direto e secreto, e Bolsonaro foi o escolhido de 55 milhões de brasileiros. Agora ele é o presidente do Brasil. E se você ama o Brasil e a democracia, o que deveria fazer? Aceitar a realidade, torcer pelo presidente e orar pela nação. Fazer de tudo para que nosso país possa dar certo e avançar.

Quanto aos cristãos, é fácil seguir a Bíblia Sagrada quando ela aprova nossos pensamentos e nossas vontades. Mas e quando ela contraria nosso ponto de vista? O que a Bíblia nos diz para fazer em relação às autoridades constituídas/eleitas? Você sabe:

“Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade” (1 Timóteo 2:1, 2).

“Lembre a todos que se sujeitem aos governantes e às autoridades, sejam obedientes, estejam sempre prontos a fazer tudo o que é bom, não caluniem ninguém, sejam pacíficos, amáveis e mostrem sempre verdadeira mansidão para com todos os homens” (Tito 3:1, 2).

“Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes, como por Ele enviados para punir os que praticam o mal e honrar os que praticam o bem. Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos. Vivam como pessoas livres, mas não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal; vivam como servos de Deus. Tratem a todos com o devido respeito: amem os irmãos, temam a Deus e honrem o rei” (1 Pedro 2:13-17).

“Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por Ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se opondo contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos” (Romanos 13:1, 2).

“Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser por aqueles que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas, se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal. Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência” (Romanos 13:3-5).

Obviamente que, quando as autoridades nos obrigarem a desobedecer à vontade de Deus, valerão outros textos, como Atos 5:29. Aí, nesse caso, deveremos opor resistência pacífica para ser fiéis a Deus. Mas o que alguns descontentes com a vontade da maioria dos brasileiros estão fazendo não é resistência. No mínimo é mimimi de frustrados com a perda do poder ou com o inconformismo pela prevalência democrática de uma ideia que não é a deles. Resistência a um governo que ainda nem começou? Ser contra tudo o que esse governo propuser? Como assim? Isso não é resistência. Isso é querer que tudo dê errado antes mesmo de começar. Isso é pouco se lixar para o Brasil. Isso é batalhar pelo divisionismo.

Mas Jesus não foi um revolucionário? Ele não foi da “resistência”? Já gravei um vídeo sobre isso e peço que você o assista (aqui), mas nunca é demais repetir: não, Jesus não foi um revolucionário. Ele tinha tudo para ser, afinal, o governo de Seu tempo era invasor, cobrava impostos para César, não havia sido eleito nem escolhido. Mas Jesus nunca Se insurgiu contra o Império. Ele sempre deixou claro que Seu reino não é deste mundo e mandou que dessem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Tomar Jesus como exemplo ou modelo de resistência política é, além de anacrônico, injusto. Em lugar de revolução Ele pregou a conversão. Em lugar de ódio, amor. E o amor dEle não era só de discurso, não. Ele amou na prática. Amou quem concordava com Ele e quem dEle discordava. Amou a todos e morreu por todos.

Recentemente, no Twitter, o comediante e apresentador Danilo Gentili escreveu: “O discurso dos caras agora é: ‘Vamos fiscalizar o governo e meter a boca em tudo o que estiver errado.’ Sim, vamos. Sem dúvida alguma vamos. Mas só lembrando aqui que nos últimos treze anos todo mundo que fez isso foi chamado de fascista.”

Muita gente teve que tolerar treze anos de um governo no qual não votou. Assim é a democracia. Muitas vezes orei e torci por Lula e Dilma. Orei para que eles fizessem o bem para o nosso povo, para que tivéssemos liberdade religiosa e paz. Da mesma forma, exatamente como manda a Bíblia, vou orar por Bolsonaro e por sua equipe de governo, para que tenham sabedoria e compaixão a fim de governar para o povo e para o bem do nosso país.

Não vou fazer resistência ao governo que nem começou, porque não é isso o que meu Mestre e Sua Palavra mandam. Continuarei opondo resistência ao reino das trevas, “porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efésios 6:12).

Michelson Borges

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Alegria, esperança, frustração e um frio na barriga

Estas eleições agitaram o Brasil como fazia tempo não acontecia. Em poucos meses, nosso povo comumente apático quando o assunto era política, graças às redes sociais, passou a discutir política praticamente todos os dias, tendo que aprender a navegar num oceano agitado por fatos e fake news. Nestas eleições vimos quebrado o monopólio das grandes empresas de comunicação e o povo, finalmente, desenvolvendo uma saudável desconfiança da mídia, tendo que aprender a consumir com mais criticidade as informações que lhe chegavam por vários meios. Nestas eleições foi bonito ver o espírito patriótico despertando e fortalecido o desejo de mudança, de moralização, de ruptura com os desmandos de tantos anos de democracia mal usufruída – ou melhor, bem usufruída por parte daqueles que ocupavam o poder, até que a ganância foi interrompida pelas algemas. Tudo isso me trouxe alegria. E despertou também a esperança e o desejo de que a reação em cadeia ajude a tornar nosso país um lugar melhor, mais ordeiro, seguro e progressista. Espero que o novo presidente saiba aproveitar bem esse desejo popular e a “carta branca” que lhe foi colocada nas mãos por milhões de brasileiros.

Anos atrás, votei no Lula, como fizeram milhões de brasileiros que acreditavam na mudança, em uma pátria mais justa em que os líderes realmente se preocupassem com os menos favorecidos, diminuindo, assim, os enormes abismos sociais e as desigualdades típicas da nossa sociedade. Antes de votar nele, em minha juventude e adolescência, usei camiseta do Che Guevara, boton em favor da revolução sandinista, e cria que Jesus havia sido uma espécie de socialista revolucionário. Foi isso o que os ideólogos da Teologia da Libertação nos ensinaram. Religiosos como Leonardo Boff e outros, a quem seguíamos como verdadeiros messias iluminados, pregadores do comunismo como a solução definitiva para as mazelas da humanidade. Na época ainda não podíamos dimensionar nem prever o que aconteceria com Cuba e Venezuela, quando o dinheiroduto russo fosse fechado. Na época eu não sabia que as ditaduras comunistas haviam ceifado a vida de muito, mas muito mais pessoas do que as que foram levadas à morte pelas guerras e pelo nazismo. Graças a Deus, a verdade que liberta (João 8:32) me encontrou e tive os olhos abertos. Para equilibrar minhas “leituras vermelhas”, passei a ler autores conservadores como Theodore Dalrymple, Roger Scruton e outros. Vi então a incompatibilidade do cristianismo com as ideologias que outrora eu defendia.

Infelizmente, muitos amigos dos tempos de militância esquerdista acabaram perdendo a fé, uma vez que depositaram toda a esperança em um “reino” que nunca foi implantado, em messias de carne e osso que fizeram pior do que os governantes a quem criticavam e condenavam. Isso foi extremamente frustrante. Desalentador. Deixou uma geração ideologicamente órfã. Só não me senti assim porque fui acolhido por Jesus e preenchido pela esperança no Reino vindouro, esse, sim, a solução para todos os problemas humanos derivados do pecado. Conheci um Jesus redentor, não revolucionário. Um Jesus não de esquerda, nem de direita. Um Jesus do Alto que veio à Terra para viver entre nós, sofrer como nós (na verdade muito mais do que nós) e oferecer a real esperança e uma teologia que realmente liberta.

Outra fonte de grande frustração para mim foi perceber que dentro da igreja cuja mensagem me libertou, posto que bíblica, começaram a pipocar aqui e acolá jovens com discursos parecidos com aqueles que eu ouvia nos meus tempos de católico da Teologia da Libertação. Jovens defendendo anacrônica e ingenuamente o comunismo e ignorando o fato de que pastores adventistas eram presos, perseguidos e mortos nos regimes comunistas; jovens que talvez nunca tenham ouvido falar de Soljenitsin e o Arquipélago Gulag. Minha impressão é a de que cresceram em uma “bolha adventista”, sem noção de questões políticas, e, de repente, quando se viram em ambientes acadêmicos seculares, frequentemente dominados pelo pensamento marxista gramsciano, pensaram estar finalmente descobrindo a “verdade” (não a que liberta, evidentemente). Caíram no canto da serpente. Aquilo que o diabo não conseguiria por meio do evolucionismo e do espiritualismo, uma vez que adventistas são naturalmente blindados contra essas ideologias, logrou êxito por meio do marxismo, igualmente perigoso para a fé cristã bíblica. Acadêmicos financiados pelas instituições para dentro das quais estão trazendo cavalos de troia ideológicos…

Fiquei também frustrado por ver adventistas – entre eles alguns funcionários da instituição – manifestando com ímpeto suas posições políticas (infelizes) nas redes sociais. Pessoas que praticamente nunca falam sobre profecias, volta de Jesus, sobre doutrinas bíblicas, mas que de repente se tornam arautos desse ou daquele candidato, dessa ou daquela ideologia.

E o frio na barriga? Bem, isso eu senti mais uma vez durante o primeiro discurso do novo presidente eleito (e não foi por medo, não). Nunca (que eu saiba) um presidente da República brasileiro começou e terminou esse momento com uma oração. Na mesa dele, durante o primeiro pronunciamento à nação, havia uma Bíblia. Fica clara a ligação do novo governo com a religião, o que de certa forma parece violar o Estado laico. Claro que para nós cristãos essa tendência moralizante é melhor do que a nefasta ideologia de gênero, a perversão da sexualidade infantil, o aborto indiscriminado e outras barbaridades esquerdistas. A esquerda, se pudesse, destruiria a igreja e a visão de mundo judaico-cristã. Mas a direita que está aí quer ir para outro extremo, vinculando demais a religião aos assuntos de Estado. Nem é preciso dizer o que a aproximação entre igreja e governos trouxe de ruim para os grupos religiosos minoritários ao longo da história. Realmente estávamos entre o fogo e a frigideira…

Na verdade, essa onda direitista moralizante e religiosa já vem sendo observada em outros países, com destaque para os Estados Unidos.

 

Conforme escreveu meu amigo português Filipe Reis, “a questão não é Trump, não é Bolsonaro, não é Salvini, não é Órban nem será nenhum dos novos líderes que podem surgir em vários lugares – a questão central é uma tendência que se acentua cada vez mais ao encontro do cumprimento de uma mudança profética em termos de domínio, predominância e influência local e global. Enquanto rapidamente se aproximam as últimas cenas do grande conflito na Terra, infelizmente muitos insistem em olhar e ficar mais preocupados acerca das circunstâncias voláteis, flexíveis e imprevisíveis da política e da sociedade à nossa volta, do que estudar, analisar e perceber a Bíblia e a profecia, que são o verdadeiro e único guia seguro, o fundamento que traz sentido para todo o resto”.

Outra breve e oportuna reflexão fez meu amigo pastor Moisés Biondo: “Finalmente, essas eleições terminam Ontem! Nem o Bolsonaro, nem o Haddad será o grande perdedor. Perdedores, fracassados serão todos aqueles que abdicaram do amor, perderam o respeito, abriram mão da amizade em nome de uma ideologia (que é falha, seja qual for). Se por causa de um candidato você feriu, desprezou, diminuiu ou se afastou de alguém, o grande derrotado é você.”

Ainda dá tempo de pedir perdão…

Estou feliz, esperançoso, frustrado e com frio na barriga. Mesmo assim, esse coquetel de sentimentos não me impedirá de fazer o que a Bíblia recomenda em 1 Timóteo 2:1, 2: devemos orar pelos nossos governantes. Gostaria de se unir a mim?

Michelson Borges

Apocalipse 13 e as eleições

apoc 13A essa altura em que chegamos das eleições no Brasil, dá para refletir um pouco sobre o que estamos vivenciando como sociedade e arriscar algumas possíveis comparações com o cenário escatológico de Apocalipse 13, que nos aguarda:

Essa tensão pela qual estamos passando agora é um vislumbre do ambiente que viveremos quando a crise final (Lei Dominical) chegar. Haverá polarização idêntica em torno de um tema. Muitos textos, áudios e vídeos circulando nas mídias sociais contendo argumentos e contra-argumentos; testemunhos de pessoas famosas e centenas de outras anônimas declarando de que lado estão; muitos vestindo a camisa do seu “partido”; mensagens sérias e quem sabe outras com humor; diversas fake news comprometendo a imagem da IASD e a reputação de líderes conhecidos; desentendimento e brigas com amigos e familiares…

Além disso, a saturação do tema – sinal de Deus ou da besta – ocorrerá em pouco tempo (ninguém aguenta tanta tensão e foco em um único tema durante um período tão longo).

Por isso penso que deveríamos aproveitar este período que estamos vivenciando como uma grande oportunidade para treinamento: aprender a se posicionar, expressar ideias, desenvolver o discernimento sobre as mensagens que recebemos, saber ouvir os outros, pesquisar a fundo para descobrir a verdade, desenvolver a paciência…

Eu até chego a pensar que sem essa experiência (note que questões de moralidade estão na boca do povo, e até passagens bíblicas estão sendo citadas) o Brasil não estaria preparado para discutir publicamente a grande questão final: Quem você irá escolher? O Deus Criador ou a besta do Apocalipse?

Quando isso vai acontecer eu não sei. Mas experiência em situações polarizadas nós todos teremos. Ora, vem, Senhor Jesus!

Sérgio Santeli é pastor em São Paulo

Não um Brasil que eu quero, mas um país que existe

eleicoesEstamos vivendo em um país em que as fake news e a intolerância se tornaram palanque para o eleitor. Muitas pessoas não votam mais pelas propostas nem pelo que acreditam ser o melhor para o Brasil. Que pena… Ninguém pode ter uma linha diferente, a não ser quando é a do seu candidato, porque aí criam-se manobras e mais manobras para tentar quebrar argumentos contrários. Alguém apoia ditaduras de esquerda, os da direita esbravejam: “Nossa! Olha isso. É isso que você quer para o Brasil? Fome, guerra, limitações? Alguém apoia ditaduras de direita, os da esquerda (apoiando ditaduras de esquerda) esbravejam: “Você é cristão, como pode apoiar uma ditadura? Com milhares de mortes, torturas e massacres de crianças, etc.” Isso se chama incoerência? Ou seria faltar com a verdade quando lhe apraz?

O Brasil está polarizado. E se você diz que é de direita, o outro lado vai dizer: “Então você é torturador, homofóbico, racista, misógino, xenofóbico, não quer dar liberdade de escolha para ninguém, quer que todo mundo acredite no seu Deus, seu intolerante!” Se você é de esquerda, o outro lado sempre dirá: “Então você quer um Estado sem Deus, quer aceitar a pedofilia como algo normal, apoia ladrão, feminista, quer a ideologia de gênero, quer que o Brasil vire Cuba, tá apoiando a fome na Venezuela, quer ver bebês morrerem abortados.” Enfim, com certeza dos dois lados haveria muito mais adjetivos.

Tenho amigos dos dois lados. Pessoas comuns. Alguns vão à igreja, outros não vão à mesma denominação que eu, e tenho amigos que não acreditam em Deus. Alguns são gays, outros tantos heterossexuais. Tenho amigas feministas e tenho amigos e amigas antifeministas. Tenho amigos negros e brancos. Amigos de esquerda e de direita. E sabe o que eu percebo? Alguns são intolerantes, tanto na esquerda quanto na direita. Alguns usam fake news, tanto o camarada que apoia o capitalismo e o conservadorismo moral, quanto o que apoia o socialismo e é liberal na moral. Se eu for medir essas duas coisas para se escolher um lado, não tem como optar por nenhum. Os dois lados têm dificuldade de enxergar o seu erro.

Estudei, estudo e continuarei estudando sobre o socialismo, comunismo, capitalismo, socialdemocracia, anarcocapitalismo, etc. Tenho visto o desenrolar das conversas dos seguidores dessas ideologias. Tenho visto negro ser de direita e contra cotas, assistido a cristãos apoiarem a esquerda e serem marxistas, ateus serem contra o aborto, cristãos serem a favor do aborto, branco aderir ao movimento negro e muito mais assuntos que poderiam ser colocados aqui. Não existe consenso. Não dá para colocar a pessoa apenas num nicho de ideias. Conheço pessoas que são de esquerda e são a favor do porte de armas. Conheço pessoas de direita que são a favor do aborto. Rotular uma pessoa e definir tudo que ela acredita somente por ela dizer ser de direita ou de esquerda é algo complicado.

O que eu acredito em tudo isso? Estude as propostas de governo, avalie de acordo com sua cosmovisão e não tem problema nenhum você votar por afinidade de ideias. O que não pode acontecer é forçar o outro a votar no seu candidato, mesmo ele tendo outra cosmovisão. Quem é de direita, por favor, se encontrar um amigo de esquerda, não demonize a pessoa, tampouco faça com que ela se sinta inferior a você por pensar diferente. Ela pode ser boa, honesta, não querer corrupção nem o mal para o Brasil, da mesma forma que você. Se você é de esquerda, não pense que seu amigo de direita é bitolado ou irracional, não o julgue como uma pessoa insensível. Ele pode ser bom, honesto, não querer injustiças nem o mal para pessoas diferentes dele, da mesma forma que você. Algo muito necessário: não coloque no papel de Deus nenhum ser humano. Todos têm seus erros e acertos.

Um dos candidatos vencerá estas eleições e seremos governados por alguém de direita ou esquerda (colocando aqui centro-direita ou centro-esquerda), mesmo você sendo a favor ou contra. Isso não vai mudar. Alguém que você acha ser péssimo para a família ou quem sabe alguém que você pense ser horrível para as minorias vai acabar ganhando. Falo agora para os que são cristãos: estamos neste mundo para servir a um propósito muito maior. Com os pés na Terra e os olhos no céu. Tendo que votar, porém sabendo que não é o seu voto ou o presidente que resolverá os problemas deste mundo. Nenhum ser humano resolverá de maneira completa a violência, os maus-tratos com pobres, mulheres e homossexuais. Não se tirará a injustiça do coração do homem por política. Nenhum homem, por melhor que seja, acabará com a imoralidade e os desejos contrários à Bíblia. Políticos são falhos e são movidos por ideologias que nem sempre são em sua plenitude de acordo com a Bíblia, que é a norma do cristão. Tanto os da esquerda quanto os da direita. Por isso eu sigo sendo do Alto!

Serei cidadão, serei inclusive mesário nas eleições, votarei segundo toda a pesquisa que fiz, não serei contrário à minha cosmovisão; tenho na minha mente o pensamento de que algumas ideologias não quero para o Brasil, porém não quero ser intolerante nem injusto com ninguém. E quero ajudar a levar o maior número de pessoas para o Céu, onde ninguém mais passará por desigualdade social nem viverá uma vida contrária à vontade de Deus. Pessoas essas que são tanto liberais quanto conservadoras. Pessoas que Jesus ama igualmente, não importa a cor, o sexo ou o credo. E Ele quer convidar essas pessoas a fazerem a vontade dEle e se prepararem para o Céu! Anseio por esse momento! Está você mais ansioso pela volta de Jesus do que pelas eleições? Reflita nisso.

Felipe Cayres

Vale a pena perder amigos por causa de política?

raivaOs tempos no Brasil estão tensos. Não me lembro de ter presenciado um momento eleitoral tão agitado e nervoso desde que me entendo por cidadão. O país está polarizado e dominado por ideias bastante contrastantes. Graças às redes sociais as pessoas não dependem mais tanto da imprensa “oficial” para obter informações. Na verdade, a grande imprensa está desmoralizada e mesmo os institutos de pesquisa vêm sendo questionados por causa de números duvidosos. Há um lado bom e um péssimo em tudo isso. O bom é que as pessoas finalmente estão se politizando e buscando conhecer o processo eleitoral e governamental. Estão buscando dados, programas de governo, comparando, discutindo e, assim, tendo a possibilidade de melhorar sua visão crítica e exercitar sua cidadania. O péssimo é que muita gente embarca nas chamadas fake news e dá crédito a qualquer videozinho ou meme que vê por aí. O acesso à informação é uma bênção, mas a incapacidade de analisar essa informação pode se tornar uma maldição. Ainda assim, isso tudo não é o pior aspecto destes tempos em que o ódio está no ar e o sangue, nos olhos.

Pior mesmo é ver amigos e até irmãos de igreja trocando farpas no Facebook, no Twitter, no WhatsApp. Alguns estão jogando fora a amizade pelo fato de o outro apoiar o “candidato odiado”. Será que isso vale a pena? Daqui a pouco as datas das eleições passarão. O país poderá piorar muito ou, quem sabe, melhorar um pouco – apesar de que os conhecedores das profecias bíblicas sabem que as coisas infelizmente irão de mal a pior até que venha a solução definitiva: a volta de Jesus. As eleições passarão, e como ficarão as amizades?

Precisamos aprender a dialogar sobre ideias e não discutir sobre pessoas. É importante separar uma coisa da outra. Se somos cristãos, devemos agir como nosso Mestre. Ele não deixou de condenar o erro, mas nunca, jamais deixou de amar alguém que pensasse diferentemente dEle – ou seja, a maioria das pessoas. Cada ser humano tem sua formação, suas influências, suas idiossincrasias, suas opiniões, e tudo isso deve ser levado em conta durante um diálogo. E há diálogos que nem compensa ser levados adiante, quando a pessoa já decidiu que não quer ouvir nem mudar de opinião. Se essa pessoa sou eu, pode ser melhor “perder a discussão” para não perder o amigo. Mais importante: melhor “perder a discussão” a levar a pessoa a se perder por causa da minha atitude intransigente.

Já disse em um vídeo e reafirmo: um líder cristão não deve se posicionar publicamente por esse ou aquele candidato, afinal, o objetivo desse líder é alcançar com o evangelho todas as pessoas. Se eu defender o candidato x, os seguidores do candidato y fecharão os ouvidos para a minha mensagem. Se eu defender o y, ocorrerá o mesmo com os votantes do x.

No documento “Os adventistas e a política” está escrito: “A igreja encontra nos ensinos do Senhor Jesus e dos apóstolos base segura para evitar qualquer militância político-partidária institucional. O cristianismo apostólico cumpriu sua missão evangélica sob as estruturas opressoras do Império Romano sem se voltar contra elas. O próprio Cristo afirmou que Seu reino ‘não é deste mundo’ e que, portanto, os Seus ‘ministros’ não empunham bandeiras políticas (João 18:36). Qualquer posicionamento ou compromisso com legendas partidárias dificultaria a pregação do evangelho a todos indistintamente. Por outro lado, a Bíblia não isenta a comunidade de crentes dos deveres civis, e isso está evidente na ordem de Jesus: ‘Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’ (Marcos 12:17). O Novo Testamento apresenta várias orientações sobre o dever cristão de reconhecer e respeitar os governos e as autoridades (Romanos 13:1-7; Tito 3:1-2; 1 Pedro 2:13-17). Somente quando os poderes temporais impõem a transgressão às leis divinas é que o cristão deve assumir a postura de antes ‘obedecer a Deus do que aos homens’ (Atos 5:29).”

Com este texto não estou dizendo que temos que ser “isentões” e deixar o circo pegar fogo. Não. Eu tenho minha posição política e ideológica balizada pela Bíblia Sagrada e por minhas próprias reflexões. Tenho também o direito de escrever sobre ideias, tendências, posicionamentos, sem enveredar pela política partidária. Quando escrevo sobre evolucionismo, espiritualismo e socialismo, por exemplo, não estou deixando de reconhecer que, antes de ser evolucionistas, espíritas e socialistas, os defensores dessas ideologias são seres humanos e, como tais, devem ser respeitados. Quando escrevo sobre o estilo de vida homossexual, lembro-me de que a maior maneira de amar um homossexual é apresentar Jesus a ele.

Conforme destacou meu amigo doutorando em Administração pela UNB Alexsander Dauzeley da Silva, “todos nós sabemos que Satanás mistura a verdade com o erro, e isso tem sido o triunfo do inimigo em fazer a humanidade se perder. O socialismo pegou um dos aspectos da verdade, que é o auxílio aos necessitados, o altruísmo e a justiça social, adicionou outras causas e criou outro remédio. O capitalismo selvagem também pega outro aspecto da verdade, que é o do esmero, da diligência e da mordomia, e o inimigo o justifica sob outra lógica e acrescenta outra cartilha de prescrições. A Bíblia não é socialista nem capitalista. Ela apresenta apenas os princípios do reino de Deus dos quais o diabo se apropriou em parte para tornar suas mentiras mais tragáveis e oferecer a armadilha das duas faces da mesma moeda. Não é de se surpreender que a tirania seja o resultado de qualquer uma das estratégias que desconsidere Cristo e Sua justiça. Tirania que é a forma de governo escravagista que Satanás se deleita em executar”.

Mais um detalhe… Se você é adventista e costuma utilizar a internet para manifestar suas opiniões, quero chamar sua atenção para um texto muito importante de Ellen G. White: “Tempo virá em que expressões descuidadas de caráter denunciante, displicentemente proferidas ou escritas por nossos irmãos, serão usadas por nossos inimigos para nos condenar. Não serão usadas simplesmente para condenar os que as proferiram, mas atribuídas a toda a comunidade adventista. Nossos acusadores dirão que em tal e tal dia um dos nossos homens responsáveis falou assim e assim contra a administração das leis do governo. Muitos ficarão admirados ao ver quantas coisas foram conservadas e lembradas, as quais servirão de prova para os argumentos dos adversários. Muitos se surpreenderão de como foi atribuído às suas palavras um significado diferente do que era a sua intenção. Sejam nossos obreiros cuidadosos no falar, em todo tempo e sob quaisquer circunstâncias. Estejam todos precavidos para que, por meio de expressões imprudentes, não tragam sobre si um tempo de angústia antes da grande crise que provará os seres humanos” (O Outro Poder, p. 45).

Aproveito a oportunidade para pedir perdão a qualquer pessoa que eventualmente tenha se sentido magoada por algo que eu tenha escrito ou dito. Por favor, saiba que essa não foi a intenção. Às vezes, no afã de defender ideias, podemos nos esquecer de que por trás delas há corações e pessoas pelas quais Cristo morreu.

Michelson Borges

A esquerda é má. E a direita?

direitaMuito daquilo que normalmente se discute quanto à sociedade em que vivemos, porventura mais especialmente em época de eleições, reside nas diferenças entre os dois grandes blocos de pensamento político e filosófico: a esquerda e a direita. Esses dois campos foram estabelecidos e consolidados após a Revolução Francesa. Politicamente falando, foi durante a revolução francesa que foram criados os termos “direita” e “esquerda” – referiam-se ao lugar onde os políticos de então se sentavam no parlamento francês: os que estavam à direita da cadeira do presidente parlamentar eram a favor do regime anterior (monárquico); os que se sentavam à esquerda eram contra. Assim, quando a 28 de agosto de 1789 se discutiu na Assembleia Nacional Constituinte a questão do direito de veto do rei, os deputados que se opunham à proposta sentaram-se à esquerda do presidente; os que eram a favor desse privilégio monárquico sentaram-se à direita.

Ao longo do século 19, a mais notada linha divisória entre a “esquerda” e a “direita” foi entre os apoiadores da monarquia (os de direita) e os apoiadores da República (os de esquerda, já então apelidados de revolucionários). O uso do termo “esquerda” tornou-se mais proeminente após a restauração da monarquia francesa em 1815 e foi aplicado aos chamados “Independentes”, os contestatários do regime monárquico.

Convém reforçar que na França daquele tempo a “direita” representava a ordem e os valores tradicionais e históricos da monarquia, normalmente sempre próxima do papado na história e cultura europeias (conservadorismo), enquanto a “esquerda” passava a representar a novidade ideológica, o colocar em causa da ordem política estabelecida até então, rejeitando a religião e seus valores (liberalismo, quanto aos costumes).

A princípio, essa esquerda, composta e promovida essencialmente pelos intelectuais ou mais preparados de então, não teve grande acolhimento junto ao povo e experimentou sérias dificuldades de penetração e consolidação. Por isso, após o golpe de estado de Napoleão III em 1851, a esquerda foi excluída do campo de debates políticos, focando suas atenções na organização dos trabalhadores e no trabalho dos pensadores que se debruçavam sobre essas classes, uma espécie de sindicalismo original.

Desse crescente movimento operário francês sugiram os pensamentos e as máximas que se consolidaram numa ideologia que se materializou em diversas vertentes, segundo vários pensadores e ideólogos. Contudo, a maioria dos crentes católicos praticantes (os religiosos) continuou a votar de maneira conservadora, à direita, enquanto os grupos que foram receptivos à Revolução Francesa do fim do século 18 começaram a preferir as ainda novas correntes de esquerda (normalmente, não religiosas).

E assim, ao longo das décadas seguintes, a doutrina político-social de esquerda estabeleceu-se e confirmou-se em grande parte do mundo até hoje, enquanto a direita política era remetida quase exclusivamente para uma espécie de redoma onde a catalogação obrigatória era a da religião cristã ou dos valores tradicionais e históricos dela. E embora o socialismo/comunismo tenha sofrido também ele uma ferida de morte – em 1989, com a queda do muro de Berlim –, a verdade inegável é que cultural e socialmente a ideologia de esquerda está bem firmada e em alguns casos segue sendo fortalecida.

E como é que tudo isso se transpôs para a sociedade? Como algumas das principais heranças políticas e sociais desse pensamento de esquerda, ateísta e secularista, temos: socialismo, comunismo (ou marxismo, marxismo-leninismo), sindicalismo, ativismo social, reivindicação de direitos sociais, ambientalismo, humanismo, ideologia de gênero, feminismo, homossexualismo (com a apologia dos chamados “direitos civis”), licenciosidade e liberalização do sexo, redefinição do casamento como ato exclusivamente civil, aborto, evolucionismo ou “ciência” moderna (no sentido da rejeição de Deus, oposição ao criacionismo).

Na ausência de espaço e tempo para fazer uma análise minuciosa de casa um desses itens, resumiremos da seguinte forma: de acordo com os princípios divinos que emanam das Sagradas Escrituras, nada de bom se pode retirar dessa lista. Sim, leu bem – nada de bom; aquilo que aparentemente parece ser um benefício para a sociedade, na verdade não é aprovado diante do fino e rigoroso escrutínio das Escrituras. De forma simples, podemos dizer: à luz dos valores cristãos, a esquerda é má. Pode parecer uma afirmação demasiado simplista e/ou absolutista, mas é mesmo assim.

Assim, surge a pergunta: E o pensamento político de direita? Será bom ou mau? Pois bem, essa pergunta precisa ser respondida com uma subpergunta: Qual pensamento de direita? A direita socioeconômica ou a direita religiosa? Acontece que, para benefício de um raciocínio desse tipo, enquanto a esquerda é a esquerda e está tudo dito, a direita pode ser analisada dentro destes dois barômetros: o exclusivamente civil e o religioso.

A direita socioeconômica defende as liberdades individuais, incluindo de iniciativa e religiosa, o livre mercado e a menor interferência possível do Estado na vida econômica, política, social, religiosa e cultural. (Em contraponto, para a já mencionada esquerda, os ideais de igualdade estão acima das liberdades individuais, a atenção é colocada no coletivo e o Estado tem papel ativo, orientador e, se necessário, restritivo nos âmbitos econômico, social, religioso e cultural.)

O século 20 deixou bem claro que as nações mais prósperas, avançadas e cujo progresso foi e é por vezes difícil de acompanhar foram justamente aquelas onde o pensamento socioeconômico de direita foi aplicado, desde logo com os Estados Unidos à frente. (Em contraponto, os maiores fracassos sociais e mesmo como nação foram os países onde socialismo e comunismo reinaram soberanos, desde logo com Cuba à cabeça.)

Contudo, a direita religiosa é fundamentalmente diferente da direita socioeconômica, pois não passa ao lado uma relevantíssima característica: baseia-se, apega-se, sustenta-se na religião cristã, cujos princípios e valores funcionam como primeira e prioritária inspiração, até mesmo como base e alicerce de todo o pensamento.

Aqui alguém perguntará: E qual o problema? Se a esquerda tem uma base ateísta e secular, a direita não poderá ter uma base religiosa, cristã? Poder, até poderia; o problema é que, não poucas vezes, isso implica uma mistura, uma união entre Estado e Igreja – e a História está aí para demonstrar que isso nunca corre bem, sendo que o que normalmente acontece é o Estado aceder aos ditames da Igreja.

Podemos citar como exemplos mais recentes o caso de Portugal, com seu governo salazarista (conhecido como Estado Novo), entre 1933 e 1974, e onde, por especial pressão da Igreja Católica Romana (e não necessária e primeiramente pelo Estado), os não católicos, como adventistas e evangélicos, nem sempre tiveram a vida muito facilitada. A sinopse oficial da obra A Igreja Católica e o Estado Novo Salazarista, de Duncan Simpson, menciona: “O Estado Novo de Salazar, independentemente das suas diversas influências ideológicas, continha no seu núcleo uma tendência específica da doutrina católica forjada pela elite católica portuguesa no primeiro quartel do século 20 (antiliberal, tradicionalista e nacionalista). Dessa componente católica do programa salazarista emergiu uma aliança institucional duradoura e abrangente com a Igreja Católica, com esta a participar na legitimação, no esforço doutrinário e na implementação das políticas do Estado Novo.” Junte a isso o fato de Roma não receber ordens de ninguém e rapidamente perceberá quem mandava em quem.

Também o franquismo na Espanha (1939-1977) seria outro exemplo de governo que manteve relações muito próximas com a Igreja Católica Romana. Ainda outros exemplos poderiam ser mencionados, particularmente na primeira metade do século 20, com o especial – porventura espantoso – caso do nazismo alemão que chegou ao poder com o voto do Partido Católico Alemão.

Nesses casos, não havia a livre circulação, iniciativa ou trocas comerciais que seriam próprias de um regime socioeconômico de direita; pelo contrário, as limitações existentes mais pareciam inspiradas naquilo que historicamente conhecemos de um regime autoritário de esquerda. A política autoritária, embora de direita, estava misturada com os interesses da Igreja romana.

Vejamos agora o caso dos Estados Unidos da América, a nação recente que em dois séculos se tornou no mais próspero e avançado país da História. A nação americana foi fundada com uma fortíssima base de liberdade de consciência religiosa, logo estendida a todas áreas de ação, principalmente civil. Politicamente, tinha um sistema de direita socioeconômica que, conforme mencionado antes, privilegiava as liberdades individuais, incluindo de iniciativa e religiosa, o livre mercado e a menor interferência possível do Estado na vida econômica, política, social, religiosa e cultural. Ao mesmo tempo, e para evitar perigos que os pais fundadores conheciam bem, foram separados desde logo Estado e Igreja, impedindo que um interferisse no outro. Foi assim que os Estados Unidos se desenvolveram, cresceram e se consolidaram como a grande potência mundial: liberdades socioeconômicas e separação entre Estado e Igreja.

Poderíamos mencionar agora qualquer exemplo de Estado baseado numa premissa ateísta e secular, como é o caso dos socialistas e comunistas, para perceber o contraste e a diferença em termos do exercício das liberdades individuais. Contudo, o mesmo poderemos dizer se compararmos os Estados Unidos com um governo baseado em princípios de direita mas com a interferência ou ingerência da religião predominante. Isso indica que um Estado de direita religiosa, isto é, com predominância da Igreja, está, em seus princípios e práticas, mais perto de um Estado de esquerda do que de um Estado de direta socioeconômica!

Confirmando: o regime de Estado que mais se aproxima da defesa e prática dos valores bíblicos é sempre uma direita socioeconômica, onde todos podem livremente escolher o que fazer, aonde ir, o que negociar e que religião ter e praticar. Quando essa direita se transforma e até se assume como uma direita religiosa, temos a vantagem de ver favorecidos valores cristãos de respeito pela vida, pela propriedade, pela própria liberdade e a do outro. Contudo, pode surgir também demasiada proximidade e muitas vezes promiscuidade com a Igreja, o que pode provocar a curto, médio ou longo prazo uma restrição dessas mesmas liberdades.

E aqui encaixa-se muito bem o entendimento profético adventista: em qual dos casos sairá favorecido o cenário escatológico que há mais de 160 anos os adventistas do sétimo dia anunciam? Com um governo de esquerda? Não. Com um governo de direita socioeconômica? Também não. Com um governo de direita religiosa? Certamente que sim!

Conclusão: nos últimos anos, grandes e espantosas mudanças têm ocorrido no mundo: Trump, nos Estados Unidos; Orban, na Hungria; Savini, na Itália; eventualmente Bolsonaro no Brasil – todos eles têm provocado enorme impacto e, preste bem atenção, são bem próximos da direita religiosa. No âmbito profético, entende agora o que pode estar acontecendo no mundo?

(O Tempo Final)

China e Vaticano assinam acordo para reconhecimento da autoridade do papa

chinaÉ histórico o acordo que o Vaticano assinou neste sábado com o governo de Pequim, para o reconhecimento do papa como o chefe da Igreja Católica na China. Até aqui, coexistiam duas: uma oficial, gerida pela Associação Católica Patriótica [ndr: reconhecida e controlada totalmente pelo Estado chinês] e com 60 bispos, outra clandestina, gerida pelo Vaticano e com trinta bispos. Para ultrapassar o conflito de décadas entre Pequim e a Igreja de Roma, foi fundamental que o papa Francisco anulasse a excomunhão de sete bispos nomeados por Pequim e que os reconhecesse. Segundo o texto do acordo, a partir de agora as nomeações são feitas por mútuo acordo, tendo o papa direito de veto.

Pela primeira vez, hoje, todos os bispos da China estão em comunhão com o Santo Padre, com o papa, o sucessor de Pedro”, disse numa mensagem de vídeo o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin.

Há anos que se aguardava por este acordo. Trata-se de um acordo provisório, cujo conteúdo não foi divulgado, e que tem caráter experimental durante dois anos. O documento foi assinado em Pequim pelo subsecretário para as Relações Externas do Vaticano, Antoine Camilleri, e pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Chao.

Isto não é o fim de um processo, é o começo”, explicou o porta-voz do papa, Greg Burke. “O objetivo do acordo não é político — prosseguiu Burke —, é pastoral. Permitirá aos fiéis ter bispos que comunicam com Roma, mas que ao mesmo tempo são reconhecidos pelas autoridades chinesas.

O retomar das relações diplomáticas não está em cima da mesa. Mas a China é um país vital para a Igreja Católica, que quer torná-lo no seu ponto central no continente asiático. Atualmente, e oficialmente, existem cerca de 12 milhões de católicos no país e 40 milhões de cristãos. As estimativas apontam para um grande crescimento desses fiéis, prevendo-se que em 2030 sejam 247 milhões os cristãos chineses. Fonte: Público 

Basicamente, o que esse acordo provoca é que, a partir de agora, é o governo chinês quem sugere nomes para bispos da Igreja Católica na China, mas é o papa, em Roma, quem terá a última palavra sobre essa nomeação (o que relembra os tempos medievais na Europa). Por isso, é bastante feliz a forma como o articulista colocou a questão no sentido de a China reconhecer a autoridade do papa.

Algumas décadas atrás muitos perguntavam como iria a Igreja romana ser relevante e preponderante no leste europeu, uma vez que essa região era dominada pelo comunismo. A História mostra como tudo mudou e hoje isso não é sequer assunto.

Pois bem, muitos perguntam o mesmo com relação à China (e à Coreia do Norte). Nessa que é a mais populosa nação do mundo, os cristãos não podem ter manifestações públicas da sua fé, e até mesmo os seus lugares de culto e celebrações religiosas têm vindo a ser alvo de forte controle e até perseguição por parte do Estado.

Agora, Roma consegue uma abertura que alivia as tensões e mostra que, com tempo, diplomacia e muito trabalho de bastidores, é possível que as relações entre o Vaticano e Pequim avancem numa direção que porventura poucos imaginariam.

Isso vem a propósito da firme palavra da profecia que prevê “toda a terra” maravilhada “diante da besta” (Ap 13:3). Quando a Bíblia diz toda a terra, isso tem forçosamente de incluir nações, povos, línguas e até religiões. Tal não quer dizer que todos irão converter-se ao catolicismo; contudo, indica que a supremacia e a autoridade da Igreja romana será reconhecida por todos em nível mundial. A China, um país de forte tradição ateísta, acaba de dar um pequeno passo nesse sentido.

“Satanás está atuando com todas as suas forças, a fim de ocupar o lugar de Deus e destruir a todos que a isso se opuserem. E hoje vemos todo o mundo inclinando-se diante dele. Seu poder é aceito como o de Deus. Cumpre-se a profecia do Apocalipse: ‘toda a Terra se maravilhou após a besta’ (Apocalipse 13:3)” (Testemunhos Para a Igreja, v. 6, p. 14).

(O Tempo Final)