João de Deus?

joaoO caso “João de Deus” fala muito sobre práticas espíritas, assim como fala sobre muitas práticas evangélicas que vivem de milagres. É interessante perceber que muitas dessas curas e desses milagres não estão vinculados a uma vida de santidade de quem está operando essas maravilhas. Coerentemente deveriam, sim, viver uma vida santa, e o resultado dessa vida santa levar a curas e milagres, mas a realidade não é assim. As curas e os milagres promovidos por médiuns e pastores que vivem em pecado, dos mais variados, desde sexuais até financeiros, são inicialmente identificados como se fossem de Deus. O próprio apelido “João de Deus” retrata isso. A identificação do instrumento operador de milagres com Deus é automática.

O problema reflete a visão equivocada de que sempre que aparece algo milagroso é Deus quem está agindo. Mas nem sempre é assim. Geralmente não é assim. E isso não é exclusividade espírita nem evangélica; é geral. O ser humano identifica o invisível por meio do visível. É inevitável que seja assim. Só se pode identificar o invisível (o ser que está por trás das curas e dos milagres) por meio daquilo que se consegue observar. O problema principal reside na tentativa de identificar o autor da ação sobrenatural baseando-se na própria ação sobrenatural. Aqui temos a grande questão: Quem é o autor desse tipo de manifestação sobrenatural?

Quando aparecem manifestações sobrenaturais, elas não são um atestado incontestável de origem divina. Elas podem ser de Deus ou do inimigo de Deus (Satanás). Uma cura milagrosa ou qualquer outro sinal extraordinário revela única e exclusivamente que um poder sobrenatural está agindo – podendo ser o de Deus ou o de Satanás.

Jesus nos adverte a observar os frutos (Mateus 7:20), não os milagres, para identificar a procedência do poder sobrenatural que atua. O milagre mostra a ação sobrenatural, “apenas” isso. Porém, é necessária uma investigação para identificar o autor dessa ação sobrenatural.

Alguns podem temer a investigação por parecer ser uma espécie de blasfêmia contra o Espírito Santo e, consequentemente, um pecado mortal (Mateus 12:31, 32). Isso é um engano total. Inclusive se o líder se utiliza desse tipo de argumento é porque está querendo esconder algo.

A Bíblia demonstra que é preciso, sim, agir de modo a verificar a procedência das operações milagrosas, e a própria Bíblia mostra como fazer isso: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1 João 4:1).

O verso declara textualmente que é necessário provar os espíritos para ver se procedem de Deus. O texto deixa claro que é necessário verificar a procedência do espírito, justamente porque existem muitos falsos profetas.

Em Mateus 7:15-23 o próprio Jesus ensina como identificar a procedência de algo e identificar se é falso ou verdadeiro. Diz assim: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-Me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em Teu nome, e em Teu nome não expelimos demônios, e em Teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, os que praticais a iniquidade.”

Alguns pontos podem ser destacados a partir das palavras de Cristo:

  1. Os lobos se disfarçam de ovelhas – Cara de bonzinho, amável, aparentemente muito espiritual, e assim vai. Porém, por dentro, pode causar surpresa.
  2. Pelos frutos conhecereis – A procedência é claramente revelada pelos frutos. Os frutos não são os milagres. Milagres são a demonstração de um poder sobrenatural por trás da ação. O que são os frutos? Logo mais aparecerá a resposta no texto.
  3. Dizer Senhor, Senhor, fazer milagres, curar e expulsar demônios pode não significar nada diante de Deus. Os sinais e as maravilhas não são os frutos que identificam a ligação com Deus e com Jesus. O texto diz que Jesus dirá abertamente, claramente, sem rodeios: “Nunca vos conheci.”
  4. Praticar a iniquidade – Aqui estão os frutos que devem ser avaliados para identificar a árvore. Praticar a iniquidade. Esse é o ponto que identifica a origem do poder por trás do milagre. O poder distante de Deus, o poder do inimigo leva o instrumento humano a praticar iniquidade.

O que é iniquidade? O texto de Mateus está no Novo Testamento, que foi escrito em grego. A palavra iniquidade, no grego, é anomia e significa literalmente “não lei”. O conceito dessa palavra é de transgressão da lei, viver sem lei, viver em desobediência à lei, em desrespeito à lei. Praticar a iniquidade é ensinar a desobedecer e desrespeitar a santa lei de Deus.

Esses são os frutos que devem ser observados naqueles que fazem milagres e maravilhas. Eles defendem a desobediência à santa lei de Deus? Ou defendem e ensinam a obediência à santa lei de Deus (Êxodo 20:3-17) escrita em tábuas de pedra pelo próprio dedo de Deus (Êxodo 31:18)?

Por mais que supostos representantes de Deus façam curas e milagres, se eles se posicionam contrariamente à santa lei de Deus, quer seja na vida prática ou no ensino teórico, Jesus não os conhece e quem opera através deles não é Deus.

Vanderlei Ricken é bibliotecário do IACS

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O caso João de Deus e a parcialidade da mídia

joao-de-deus-bNão vou comentar as acusações de abuso e estupro de crianças e mulheres que recaem sobre o famoso médium espírita João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus. Depois de colhidos 250 depoimentos, o Ministério Público Estadual de Goiás protocolou pedido de prisão preventiva, mas João não foi condenado, portanto, o assunto pertence à polícia e à Justiça. O que quero analisar brevemente aqui é a tremenda parcialidade de setores da chamada grande imprensa. Em um programa de entrevistas na Rede Globo, ficou claro o esforço do apresentador no sentido de “descolar” a religião espírita do médium que recebia em seu centro localizado em Abadiânia milhares de pessoas de vários países. Jornalistas conceituados como André Trigueiro fizeram a mesma coisa, ao tentar separar o espiritismo do que João fez (confira). Quando li a primeira notícia sobre os possíveis abusos do médium, lembrei-me de uma matéria de capa sobre ele publicada meses atrás na revista Veja. Abordagem positiva, quase panfletária. Reportagem publicada hoje no G1 trata das denúncias e dos desdobramentos do caso, mas termina assim: “Não se trata de questionar os métodos de cura de João de Deus ou a fé de milhares de pessoas que o procuram.” Sempre o mesmo cuidado e o mesmo respeito.

Obviamente que não se pode julgar a religião espírita nem os espíritas pelas atitudes de um de seus expoentes, ainda que sejam confirmadas as denúncias. Seres humanos são passíveis de erros – às vezes gravíssimos. Infelizmente, charlatães e oportunistas existem em todas as religiões. Mas o mínimo que deveria ser esperado de uma imprensa que posa de ética e imparcial é justamente a imparcialidade. Quando se trata de acusações contra padres e pastores, por exemplo, raramente se vê uma defesa tão evidente quanto nestes dias em relação ao espiritismo.

Na verdade, a tríade religiosa/filosófica que analiso em meu livro Nos Bastidores da Mídia – espiritismo, marxismo e evolucionismo – conta sempre com a blindagem da imprensa secular e mesmo da academia, ao passo que a mensagem bíblica favorável ao criacionismo, à família tradicional, à singularidade de Jesus Cristo – enfim, a cosmovisão cristã – recebe ataques de todos os lados. O caso João de Deus ajudou a evidenciar uma vez mais essa injusta parcialidade.

Michelson Borges

Jesus, Papai Noel e outras questões natalinas

Três perguntas que “matam” o antitrinitarianismo

Todos esses movimento novidadeiros de suspostos reavivalistas da fé na verdade não reavivam é coisa nenhuma. Dirigi certa vez três perguntas a um adepto dessas novas ideias de descrença na Trindade:

1. Em que essas noções antitrinitarianas o ajudaram a crescer espiritualmente, tornando-o um cristão melhor?

2. Em que essas noções antitrinitarianas têm ajudado a Igreja a ser mais unida e a refletir mais amor de uns para com os outros?

3. Em que essas noções antitrinitarianas podem contribuir para apressar a pregação mundial do evangelho, que é o grande desafio para a Igreja – cumprir Mateus 24:14?

Ele admitiu candidamente que não saberia dizer em que tais noções o ajudaram a tornar-se um cristão melhor, a unir mais a Igreja e levar os membros a terem mais amor uns pelos outros, nem como contribuiria para apressar a terminação da obra de evangelização mundial e a volta de Cristo.

Então, uma pergunta final: Para que esse empenho todo, que a nada leva de construtivo?

Azenilto Brito

Há esperança para a igreja?

woman“Não carregue nas costas o peso da igreja, que não é sua, pois ela pertence a Cristo”

Há mais de vinte anos, quando eu era um jovem diretor de grupo em Santa Catarina, fui visitar nosso pastor distrital para pedir alguns conselhos relacionados com a comunidade adventista que eu liderava. Ademar Paim é um homem de Deus que, inclusive, realizou meu casamento. Contei-lhe das dificuldades que eu estava enfrentando na igreja e ele me disse algo de que nunca me esqueci: “Já me angustiei muito com os problemas e os desafios da igreja, e olhe que, como distrital, cuido de dez congregações. Perdi noites de sono, fiquei estressado, chorei, quase adoeci. Um dia abri o coração para Deus e disse que a carga estava pesada demais. Então Ele me disse que eu não precisava carregar nas costas uma igreja que é Dele. Entendi o recado. Ainda me sinto responsável pelas igrejas das quais sou pastor? Claro. Ainda sofro com algumas situações? Sim, é inevitável. Mas compreendi que não sou dono da igreja. Que o dono dela é Jesus, e Ele tem ombros infinitamente mais fortes que os meus.”

Abracei o adventismo no início dos anos 1990, quando era um estudante pré-universitário, evolucionista e adepto da Teologia da Libertação. Foram dois anos e meio de estudos bíblicos para me convencer de que a Igreja Adventista do Sétimo Dia realmente tem suas doutrinas embasadas nas Sagradas Escrituras e tem cumprido um papel profético especial no mundo. Dois anos e meio para purificar minha mente das ideologias antibíblicas que a dominavam. De lá para cá, tenho feito o que posso para ajudar a propagar a mensagem da volta de Jesus e edificar a igreja Dele na Terra. Prometi ao meu Deus que usaria tudo o que tenho e sou nessa missão. Procurei florescer onde fosse plantado: como estudante, professor, depois como editor da Casa Publicadora Brasileira (CPB) e, finalmente, como pastor adventista, ordenação que recebi há três anos com muita alegria e reverência – sempre levando em conta as palavras do pastor Paim: a igreja é Dele, você é apenas uma pequena engrenagem no todo.

Como repórter da CPB, tive o privilégio de conhecer histórias maravilhosas de conversão e missão. Histórias que me fazem acreditar que o Espírito Santo está agindo entre nós. Mas também acompanhei histórias tristes de intrigas, casamentos desfeitos, naufrágios espirituais, etc. Exatamente como acontecia entre o povo de Deus nos tempos bíblicos, afinal, eles e nós somos apenas seres humanos. Mas há um jeito de não ser dominado pelos maus sentimentos que essas coisas nos trazem.

Minha esposa e eu somos uma dupla missionária desde quando ainda éramos namorados. Entendi desde cedo que, como diz Ellen White, o verdadeiro converso nasce para o reino de Deus como missionário. É levando a Palavra às pessoas que nossa fé se fortalece. Por causa disso, precisamos estar sempre conectados à Fonte, porque ninguém dá o que não tem. Ver pessoas sendo convertidas pelo poder do Espírito Santo reafirma em nós a convicção de que a Palavra de Deus tem poder, e de que o Deus da Palavra guia Sua igreja. Ao ver o que o Senhor tem feito por meio de vasos de barro como nós encho-me de esperança.

Como diz um provérbio popular, ninguém joga pedra em cachorro morto. O diabo está irado contra a igreja, contra o povo que guarda os mandamentos de Deus e tem o Espírito de Profecia. O inimigo está atacando ferozmente esse povo, levantando heresias, mentiras, trazendo sofrimento e perdas, e tentando até às últimas consequências os soldados do evangelho. De vez em quando alguns desses soldados são atingidos e caem. Nessas horas, especialmente, merecem nossas orações e nossa compaixão, afinal, estamos todos na mesma guerra e um verdadeiro exército nunca abandona os seus feridos. Esse cenário de lutas e dor me mostra que o fim está próximo; que logo a sacudidura se intensificará (se não sabe o que é isso, estude) e me faz pensar uma vez mais que quem pensa estar em pé deve cuidar para não cair. E se cair deve olhar para cima e ver as mãos estendidas em sua direção.

Seguremos firmemente as mãos de Jesus e sigamos sempre o exemplo Dele, o autor e consumador da nossa fé. Só assim venceremos com Sua amada igreja, hoje militante, amanhã triunfante.

De vez em quando releio os textos abaixo, de Ellen White. Eles me trazem alento:

“A igreja, débil e defeituosa, precisando ser repreendida, advertida e aconselhada, é o único objeto na terra ao qual Cristo confere Sua suprema consideração” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

“Deus tem na Terra uma igreja que é Seu povo escolhido, que guarda os Seus mandamentos. Ele está guiando, não ramificações transviadas, não um aqui e outro ali, mas um povo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 362).

“Jesus amou a igreja, e por ela Se deu a Si próprio, e Ele a há de aperfeiçoar, refinar, enobrecer e elevar, de maneira que fique firme em meio das corruptoras influências deste mundo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 356).

“Como o Capitão do exército do Senhor derribou os muros de Jericó, assim triunfará o povo que guarda os mandamentos do Senhor e serão derrotados todos os elementos oponentes” (Eventos Finais, p. 47).

“Não necessitamos duvidar nem temer de que a obra não avançará. Deus está à frente […] e porá tudo em ordem. […] Tenhamos fé de que o Senhor guiará com segurança ao porto a nobre embarcação que conduz Seu povo” (Review and Herald, 20 de setembro de 1892).

“Embora existam males na igreja e tenham de existir até o fim do mundo, a igreja destes últimos dias há de ser a luz do mundo poluído e desmoralizado pelo pecado” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

“Quando alguém se afasta do corpo organizado do povo que observa os mandamentos de Deus, quando começa a pesar a Igreja em suas balanças humanas e a acusá-la, podeis saber que Deus não o está dirigindo. Ele se encontra no caminho errado” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, pág. 18).

Em momentos de crise, gosto de pensar também na atitude de Josué e Calebe, de Moisés e dos profetas. Josué e Calebe foram espias fieis, mereciam entrar na terra prometida, mas decidiram permanecer com a “igreja” e sofrer com ela no deserto. Moisés teve a chance de ser o pai de uma nova nação e se livrar da “igreja” murmuradora e complicada, mas preferiu ficar com ela até o fim. Os profetas denunciaram os erros da “igreja”, muitas vezes foram perseguidos por aqueles a quem procuravam salvar, mas, mesmo assim, não abandonaram o povo de Deus. Quero estar com esse povo até o fim, dentro desse barco que levará a igreja até o porto seguro, e fazer o meu melhor para tornar essa viagem a melhor possível, apesar dos muitos obstáculos pelo caminho.

Vamos nos unir, orar e trabalhar. Navegar é preciso, e quem está remando não tem tempo para o que não é prioritário.

Michelson Borges

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