Tragam de volta as leis dominicais (Blue Laws)

blue laws“Nos Estados Unidos, no sétimo dia da semana, o comércio e a indústria parecem suspensos em todo o país; todo barulho cessa. Uma paz profunda, ou melhor, uma espécie de contemplação solene, toma seu lugar. A alma recupera seu próprio domínio e se dedica à meditação.”

Alexis de Tocqueville escreveu essas palavras em sua obra-prima de análise política e social de 1835, Democracia na América. Durante a enfraquecida quarentena do coronavírus na América, nossa nação, pelo menos externamente, parecia ter ganhado um espírito mais silencioso, contemplativo e revificante. Agora, na terrível esteira do assassinato, os protestos se transformaram em tumultos incendiários e saques. Não obstante, os americanos, naqueles primeiros dias de quarentena – depois que a névoa de sua compulsão pela Netflix havia evaporado – acordaram com uma apreciação surpreendida pelo que as gerações anteriores haviam considerado normal: leis dominicais, também conhecidas como leis azuis [Blue Laws]. Quando os EUA voltarem à normalidade, devemos considerar essas leis e seus múltiplos benefícios novamente.

O reconhecimento das recompensas do Shabbat não se limita apenas a cristãos como o papa Francisco, que em uma entrevista em 2018 declarou: “Um dia da semana. Isso é o mínimo! Por gratidão, para adorar a Deus, passar tempo com a família, brincar, fazer todas essas coisas. Nós não somos máquinas.” Jay Lefkowitz, um advogado de Nova York, num artigo de 7 de maio no The Washington Post, argumenta que a observância do sábado judaico traz separação e equilíbrio saudáveis. Ele explica:

“Quando os judeus santificam o sábado e o observam como santo, estão fazendo um ato consciente de separação. No mais elementar sentido, o Shabbat é sobre separar o profano do sagrado, a semana de trabalho do Shabbat. […] O Shabbat é sobre equilíbrio ou, para usar uma palavra moderna, atenção plena. […] Não podemos nos recarregar através de uma porta USB.”

Isso se alinha a outros movimentos que apreciam a necessidade de “desconectar”, como o minimalismo digital ou o “monasticismo secular”, uma frase cunhada em “First Things”, um ensaio de março de Andrew Taggert.

Mais seriamente, Tocqueville identificou vários benefícios a uma vez comum inclinação americana de descansar. O primeiro é como a adoração a Deus orienta o homem para o transcendente e seus propósitos. Na igreja, o americano “ouve a necessidade de controlar seus desejos, dos prazeres sutis da virtude e a verdadeira felicidade que eles trazem”. Quando o americano volta para casa, ele não se apressa a voltar aos livros de negócios. Ele abre as Escrituras Sagradas e descobre as representações sublimes ou tocantes da grandeza e bondade do Criador, a magnificência infinita da obra de Deus, o elevado destino reservado ao homem, seus deveres e suas reivindicações para a vida eterna.

No culto a Deus e no reconhecimento de Sua bondade na criação, o homem percebe sua própria bondade criada e a bondade do mundo em que ele habita, incluindo sua nação peculiar. Isso, por sua vez, o direciona para seus deveres cívicos de amar e servir os vizinhos num ato de mordomia. Ele sente “a necessidade urgente de instilar a moralidade na democracia por meio da religião”.

O segundo benefício é a qualidade moderada da observância do Shabbat num capitalismo americano que pode tender a fins exclusivamente materialistas que obscurecem a dignidade inerente ao homem.

É assim que, de tempos em tempos, o americano se esconde em algum grau de si mesmo e, arrancando uma pausa momentânea daquelas paixões triviais que agitam sua vida e das preocupações passageiras que invadem seus pensamentos, ele de repente explode num mundo ideal onde tudo é grande, puro e eterno.

Tocqueville percebeu que o capitalismo democrático, se desconectado da religião, transformar-se-ia num terreno desumano e materialista, onde os homens se manipulam e exploram uns aos outros para obter ganho lucrativo. Isso acontece porque “a democracia incentiva o gosto por prazeres físicos que, se excessivos, logo convencem os homens a acreditar que nada além da matéria existe”. E se apenas existe matéria, os homens são propensos a fazer o que quiserem para que os outros (ou eles mesmos) saciem seus desejos. As leis do Shabbat, em seu apoio implícito (ou explícito) ao transcendente, lembram aos cidadãos que existem atividades maiores e mais nobres do que “autoatualização” e “autorrealização”.

Terceiro, ao direcionar os cidadãos para fins transcendentes, as leis do Shabbat inspiram os homens a buscar bens sociais que perduram além de suas próprias vidas circunscritas.

As nações religiosas alcançaram frequentemente resultados tão duradouros. Elas descobriram o segredo do sucesso neste mundo, concentrando-se no próximo. As religiões instilam nos homens o hábito geral de se conduzir com o futuro em mente e não são menos úteis para a felicidade nesta vida do que para a felicidade na próxima.

Os cidadãos conscientes de sua finitude e de suas naturezas espiritual e imaterial trabalharão não apenas para hoje, mas também para o futuro de seus filhos e netos. A Catedral de Notre-Dame, essa esplêndida manifestação de habilidade e engenhosidade humana, levou cerca de 180 anos, ou seis gerações, para ser construída. Tais projetos gloriosos exigem um caráter definido pela disposição de sofrer e sacrificar, cientes de que serão os descendentes desconhecidos que gozarão dos frutos do trabalho de alguém.

Quando as nações abandonam a consideração de fins transcendentes, seus cidadãos estão mais inclinados a viver egoisticamente hoje, sem considerar seus vizinhos ou sua descendência. “Vamos fazer hoje à noite, porque talvez não cheguemos ao amanhã”, diz a popular música de 2012. Tocqueville adverte:

“Nos tempos céticos, portanto, sempre existe o perigo de que os homens se entreguem sem cessar aos caprichos ocasionais do desejo diário e que abandonem inteiramente qualquer coisa que exija esforço a longo prazo, deixando de estabelecer algo nobre, calmo ou duradouro.”

Por esse motivo, Tocqueville adverte e persuade os americanos a preservar sua religiosidade peculiar: “Não busque roubar dos homens suas antigas opiniões religiosas […] para que […] a alma se encontre momentaneamente sem crenças e o amor de prazeres físicos se espalhe para preenchê-la inteiramente.”

No entanto, é exatamente isso que os Estados Unidos fizeram, eliminando restos de leis azuis outrora comuns em prol do adorado dólar. Houve um tempo em que até a Suprema Corte dos Estados Unidos favoreceu essas ordenanças, escreveu o juiz Stephen Johnson Field em “Hennington v. Geórgia” (1896): “A proibição de negócios seculares no domingo é defendida com o argumento de que por ela o bem-estar geral é avançado, o trabalho protegido e o bem-estar moral e físico da sociedade promovido.” Não menos do que George Washington ter sido detido por um dizimista por violar a lei de Connecticut proibindo viagens desnecessárias no domingo. (Ele foi autorizado a continuar depois de prometer ir apenas até seu destino.)

Agora, com algumas situações anômalas, os domingos são mais ou menos indistinguíveis de outros dias. Alguns municípios ainda proíbem a venda de álcool aos domingos. Alguns condados da Flórida proíbem a venda de brinquedos sexuais aos domingos. Entre outras curiosidades, corridas de cavalos e concessionárias de carros estão fechadas em Illinois.

Muitas nações europeias nunca abandonaram as restrições comerciais aos domingos e suas economias resultaram muito bem. De fato, manter as lojas abertas no domingo favorece desproporcionalmente os grandes lojistas à custa do negócio familiar. Na Polônia, a proibição comercial aos domingos de 2017 foi “sobre ajudar pequenas lojas familiares, mas também sobre permitir que pessoas efetivamente forçadas a trabalhar aos domingos fiquem livres”, disse o presidente Andrzej Duda. Desde a introdução da proibição, Duda observou, mais famílias se envolvem em atividades ao ar livre e a indústria do turismo doméstico é beneficiada.

Os Estados Unidos, em prol de seu próprio bem-estar emocional e espiritual – em prol de sua própria sanidade – precisam restaurar as leis azuis. [Ou seja, descanso dominical com os argumentos bíblicos a respeito da guarda do sábado.]

Houve um tempo, por mais surpreendente que seja, em que a Amazon não entregava aos domingos e os americanos de alguma forma sobreviveram. Houve um tempo em que os cidadãos precisavam fazer compras na loja de ferragens num dia da semana ou no início da manhã de sábado, para concluir seus projetos domésticos.

Para impedir as acusações de “teocracia”, não estou defendendo a visita obrigatória à igreja (embora isso não fosse a pior ideia), mas sim restrições simples sobre que empresas permanecem abertas no domingo. Líderes políticos e culturais poderiam “optar por não participar” de redes sociais: como Tocqueville observa corretamente, os líderes que estabelecem o padrão devem “agir todos os dias como se acreditassem neles mesmos”.

As leis azuis [Blue Laws] podem limitar a “liberdade”, mas apenas a liberdade ao consumo ilimitado. Se promulgadas de maneira prudente e focada, elas podem cultivar a virtude, fortalecer a vizinhança e proteger as pequenas empresas. Mais importante, elas podem ajudar a promover a oração e a paz – agora, quando os Estados Unidos mais precisam disso.

(Crisis Magazine)

Nota do blog O Tempo Final: “Fica bem claro o apelo para uma legislação que obrigue a um descanso dominical. No caso concreto, o articulista até parece sugerir alguma urgência. Os tempos são sérios. Podemos estar no limiar dos grandes e estupendos acontecimentos que concluirão a história da Terra.”

Adventista tem direito a fazer vestibular em horário diferente

Man filling a standardized test formA liberdade de culto deve, sempre que possível, ser respeitada pelo Poder Público na prática de seus atos. Assim entendeu a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região ao manter sentença que reconheceu o direito de um membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia de fazer a prova do vestibular em horário diferente. Ninguém pode ser privado de direitos por motivos de crença religiosa, reafirmou desembargadora federal. De acordo com a relatora, desembargadora Daniele Maranhão, a liberdade de culto trata da garantia de exteriorização da crença e de fidelidade aos hábitos e cultos, “como no caso concreto, em que o sábado é considerado dia de guarda”.

De acordo com o processo, o impetrante, após se inscrever no vestibular, constatou que a primeira prova foi marcada para um sábado, momento em que surgiu o impasse pelo fato de que, como membro adventista, deve guardar e santificar esse dia da semana.

Ao manter a sentença que autorizou que o autor fizesse a prova em dia e horário diferente, a desembargadora destacou que o artigo 5º da Constituição Federal define que ninguém será privado de direitos por motivos de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política.

(Consultor Jurídico, com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-1)

Pastor presbiteriano afirma que guardar o sábado bíblico é pecado

Governo vai editar portaria para religiosos que não podem trabalhar aos sábados

O site O Antagonista publicou a seguinte nota: “Aprovada a MP da Liberdade Econômica – e retirado o trecho sobre trabalhos aos domingos –, o governo prepara uma nova portaria para permitir que trabalhadores cuja religião ordene o descanso aos sábados seja liberado do serviço nesse dia. O relator da MP na Câmara, Jerônimo Goergen, ressalta que trabalhadores do setor economicamente essencial, e, por isso, servem aos domingos, também serão atendidos pela portaria. ‘Secretaria de trabalho está concluindo uma portaria que será publicada, provavelmente amanhã, que regulamenta o problema das religiões que não permitem trabalhar aos sábados. Tem uma religião chamada sabadista [sic] que aquilo o descanso é crucial para a religião [sic]. Então, eles vão deixar uma ressalva para que esse trabalhador esteja excluído de qualquer possibilidade de trabalhar.'”

É interessante, também, dar uma olhada nos comentários logo abaixo, bastante reveladores quanto à intolerância de algumas pessoas com relação aos guardadores do sábado:

Milton: credo!! Deve ser invençao da imprensa, nao acredito que o guedes vai deixar uma barbaridade dessa.

Gilberto: Simples, não se contrata então quem não pode trabalhar aos sábados . Ok

Thiago: E precisa de portaria pra esses fanáticos?!

Carlos: Interferência injustificável nas relações de trabalho. Se a religião impede o trabalho aos sábados, o indivíduo que vá para um ramo de atividade que funcione apenas de segunda a sexta-feira.

Adriano: Vou fundar uma religião que só possa trabalhar no sábado. Talkey?

Vagner: Esse pessoal não tem mais o que fazer! Estao instituindo a vagabundagem. Mas se facção resolver: não admite é hora ora fora esse pessoal que não quer trabalhar!

José: Só pode ser piada. Regulamento religioso acima da constituição que declara que todos são iguais perante a lei. E se surgir uma religião que declara dias sagrados as segundas e terças-feiras?

Dirce: Minha secretária era fiel a essa cultura do sábado. Assim como outros preferem morrer a deixar que se faça a transfusão/sangue. Vá entender um povo tão variado culturalmente.

Francisco: O Brasil será o país mais religioso do mundo agora.

Adventistas do sétimo dia e a MP da liberdade econômica (considerações)

Liberdade-Economica[O que você vai ler a seguir não se trata de um posicionamento oficial da IASD, mas de considerações do autor do texto.]

Dentre as 28 crenças fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), uma das que mais se destaca é aquela que diz respeito à vigência do sábado entre os cristãos. Segundo nossa convicção, o dia de sábado deve ser observado pelos seguidores de Cristo ainda hoje. Na prática, isso significa que o trabalho que visa ao autossustento deve ser suspenso nesse dia, como prescreve o quarto mandamento do decálogo (Êx 20:8-11), para que nele sejam feitas atividades de culto e de auxílio aos mais necessitados, exatamente como Cristo fez (Mt 12:12; Mc 2:27; Lc 6:9). Ou seja, nesse dia, devemos descansar de nossas próprias atividades para promover descanso aos outros, aos que mais precisam. Isso condiz exatamente com a santidade desse dia de bênçãos.

Entretanto, um ponto de uma Medida Provisória (MP) de 2019 e de número 881, de autoria da presidência da república, mais conhecida como MP da Liberdade Econômica, tem começado a suscitar dúvidas, anseios, expectativas e até espírito de revolta e indignação entre alguns guardadores do sábado, como os adventistas do sétimo dia. Esse sentimento de apreensão é justificado porque essa MP, de certa forma, fará com que os trabalhadores brasileiros, que em sua maioria gozam de descanso aos domingos (e adventistas aos sábados), agora se vejam no dever de trabalhar nesse dia. Atualmente, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) determina que o descanso semanal deve coincidir com o domingo, no todo ou em parte, além de proibir o trabalho nesse dia e nos feriados, exceto em casos de “conveniência pública ou necessidade imperiosa do serviço” mediante permissão do governo que precisa especificar tais atividades.

No dia a dia das relações trabalhistas até o presente momento, os empregadores não podem exigir trabalho aos domingos de seus funcionários, a menos, é claro, como já dito, que a função ou profissão exercida exija atividades trabalhistas nesse dia. Em casos em que a natureza da atividade não requeira trabalhos dominicais e ainda assim o empregador deseje que seus funcionários trabalhem nesse dia ou em feriados, a remuneração dever ser paga em dobro. O que muitos não sabem, inclusive guardadores do sábado, é que essa regra, em sua essência, não mudou. O que a MP está trazendo de novidade é que os empregadores poderão agora compensar esse pagamento em dobro do trabalho dominical, ou de um feriado, transferindo o descanso semanal do domingo para outro dia da semana. Na prática, essa MP ajudará, e muito, alguns patrões porque ao invés de se verem obrigados a pagar a mais e em dinheiro para que seus funcionários trabalhem aos domingos e feriados (há muitos no Brasil), eles poderão fazer esse pagamento com a oferta de um descanso em qualquer outro dia da semana. Ademais, essa MP também prescreve que a cada três domingos trabalhados, um descanso será obrigatoriamente no domingo.

Com base nisso, pergunto: No que essa MP afeta a vida de guardadores do sábado? Em termos práticos, em absolutamente nada. Aliás, muito pelo contrário, essa MP favorece a observância do sábado porque ela enfraquece o poder de “descanso” do domingo e transfere para qualquer outro dia. Antes dela, por determinação da CLT, ou os patrões pagavam em dobro pelo trabalho dominical de seus funcionários ou não poderiam convocar seus empregados para trabalho nesse dia. Tal realidade levava os patrões a serem rígidos, inflexíveis quanto à liberação do trabalho sabático, porque não tinham opção senão oferecer descanso dominical aos guardadores do sábado, o que do ponto de vista bíblico é irrelevante, já que a Bíblia prescreve o descanso aos sábados e não aos domingos. Com essa nova medida, agora empregadores podem compensar a ausência do trabalho sabático oferecendo trabalho aos domingos sem nenhuma sanção legal ou oneração.

Instituições adventistas nas quais muitas vezes trabalhos aos domingos eram necessários – escolas, por exemplo – por meio de pagamento em dobro pela atividade ou de compensação com certas folgas no calendário, deverão, em tese, funcionar da mesma forma. Escolas adventistas que convocarem trabalhos aos domingos continuarão a enfrentar a mesma dificuldade porque não poderão oferecer como descanso o sábado a seus professores, por exemplo, e, por motivos óbvios, nem nos demais dias da semana que já são, por natureza, dias de trabalho comum. Será difícil imaginar um professor ou pedagogo deixando de trabalhar na segunda-feira numa escola adventista porque foi convocado para trabalhar num domingo para comemorar o dia das mães, digamos.

Só gostaria de terminar ressaltado uma verdade bíblica. Estamos impregnados de uma cultura ocidental cuja base é cristã e na qual o domingo é um dia de descanso em que, normalmente, curtimos a família, seja isso de um prisma religioso ou meramente civil, social. Porém, do ponto de vista da Bíblia, o domingo é só mais um dia de trabalho como todos os outros cinco. Essa alegria que desfrutamos da liberdade do trabalho e do prazer de estar com a família aos domingos, na realidade, pertence ao sábado. O mandamento é claro como a luz do Sol ao meio-dia: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus” (Êx 20:9, 10).

Encerro fazendo um apelo a você: não forme sua opinião política, seja ela qual for, com a leitura de apenas uma única fonte jornalística. Leia ou assista a várias que falem do mesmo assunto e que, de preferência, se alinhem a ideologias antagônicas e conflitantes, porque isso ajudará você a ter uma opinião mais embasada e consistente. Se o seu compromisso for com o que é verdadeiro, então se esforce e busque a verdade de qualquer coisa e em tudo na vida, o que inclui política. E já posso lhe adiantar: dificilmente a verdade será encontrada nas camadas superficiais. A busca por ela demandará escavação, e isso requer esforço. Contudo, portanto, por mais esforço que isso signifique, corra atrás da verdade. O resultado será mais recompensador no final.

Por favor, compartilhe esse texto com todos os sabatistas que ainda não entenderam completamente o assunto. Esse povo precisa ser informado ao invés de formar opinião com base em memes nas redes social.

(Elton Queiroz é formado em Teologia e Filosofia e tem um mestrado em Teologia)

O sábado está sendo guardado no dia correto?

calendarLevando em conta que houve mudanças nos calendários, como saber se estamos guardando o sábado no dia correto hoje em dia?

“Há um grupo chamado World’s Last Chance (WLC) dizendo que o calendário lunar foi estabelecido por Deus e o calendário gregoriano, pela Igreja Católica com o objetivo de mudar os tempos e as leis. De acordo com essas pessoas, a Igreja Adventista teve “medo” de divulgar essa “verdade” depois do grande desapontamento de 1844. Dizem que não estamos adorando a Deus, o Criador, no dia estabelecido por Ele durante a semana da criação, ou seja, estamos adorando em um dia qualquer. Desde já agradeço a atenção e aguardo ansioso sua resposta.”

Resposta: Essas pessoas afirmam que o sábado não é o sétimo dia do ciclo semanal, mas o sétimo dia do “calendário lunissolar” proposto por eles, sendo que o primeiro dia do mês (“lua nova”) e o último dia do mês precedente – caso este tenha tido 30 dias – são considerados “não-dias”. Assim, o “sábado” seria sempre o 8º, 15º, 22º e 29º dias do mês nesse calendário.

No site deles é apresentada uma série de pressuposições que na verdade são falsas. Logo no início, é dito que “o primeiro dia da festa dos pães asmos era no dia 15 [do mês de abibe], que era um sábado”. A WLC afirma que esse era um sábado semanal, e a única “prova” que apresentam disso é o argumento de que nesse dia havia uma “santa convocação”. Ora, esse argumento não tem validade nenhuma, porque havia “santa convocação” não só no sábado semanal, mas em todos os sábados cerimoniais. Assim, havia santa convocação também no sétimo dia da festa dos pães asmos (Lv 23:8), na festa das primícias ou pentecostes (Lv 23:20, 21), na festa das trombetas (Lv 23:24), no dia da expiação (Lv 23:27), e no primeiro e último dias da festa dos tabernáculos (Lv 23:34-36). Destes, eles consideram que o dia 15 do primeiro mês e os dias 15 e 22 do sétimo mês eram sábados semanais. Baseados em quê?

Para sustentar suas pressuposições, dizem ainda que “Israel saiu do Egito na noite de 15 de abibe” (já que consideram que o dia 15 era um sábado). A Bíblia diz: “Aconteceu que, ao cabo dos quatrocentos e trinta anos, nesse mesmo dia, todas as hostes do Senhor saíram da terra do Egito. Esta noite se observará ao Senhor, porque, nela, os tirou da terra do Egito; esta é a noite do Senhor, que devem todos os filhos de Israel comemorar nas suas gerações. Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão: Esta é a ordenança da Páscoa: nenhum estrangeiro comerá dela” (Êx 12:41-43). A Bíblia é clara em dizer que os israelitas saíram nesse mesmo dia. Que dia? Ora, o dia 15 de abibe. Se tivessem saído à noite, já não seria dia 15 de abibe, mas 16 (já que o novo dia se inicia ao pôr-do-sol). E que noite é essa, em que a Bíblia diz que Deus “os tirou da terra do Egito”? A noite que “se observará ao Senhor”, e, portanto, a noite do dia 15, em que o povo comeu a Páscoa, e não a do dia 16. Não há como escapar ao fato de que os israelitas saíram em sua jornada no dia 15 e, portanto, que esse dia não poderia ser um sábado.

Outras “provas” são acrescentadas que absolutamente não são provas. Por exemplo, o argumento de que o maná cessou no dia 16 de abibe e que, portanto, o dia anterior seria um sábado semanal em que o maná não caiu. Qual a lógica desse argumento? Nenhuma. O maná cessou no dia 16 porque no dia 15 eles já comeram pães asmos feitos com o fruto da terra.

Outra “prova”, retirada do livro de Ester, diz que “o 15º dia do 12º mês foi um dia de descanso, o que torna o 8º, 22º e 29º dias, dias de descanso também”. O que a Bíblia diz é que uma parte dos judeus fez do dia 14 um dia de banquetes e de alegria pela vitória sobre seus inimigos, e que os judeus de Susã fizeram isso no dia 15. Então, “Mordecai […] enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, […] ordenando-lhes que comemorassem o dia catorze do mês de adar e o dia quinze do mesmo, todos os anos, como os dias em que os judeus tiveram sossego dos seus inimigos” (Et 9:20-22). Dois dias foram instituídos como feriados, e isso não tem nada a ver com o sábado.

O calendário dos judeus era realmente lunissolar, mas esse calendário seguia o ciclo semanal normalmente e não havia nenhum dia considerado “não-dia” da semana. O mês começava quando a estreita faixa de lua nova era avistada; os meses eram lunares, de 29 ou 30 dias. Como isso perfazia apenas cerca de 354 dias no ano, ou seja, deixava o ano cerca de 11 dias mais curto, a fim de manter o ano em harmonia com as estações, um mês adicional era intercalado cada vez que a cevada ainda não estava madura para a Páscoa. Assim, o calendário lunar era mantido em harmonia com o ano solar, e, portanto, o calendário era lunissolar.

Aqui é dito que em 31 d.C. “não se tem e não se pode ter uma crucifixão na sexta-feira”. Isso é totalmente contestado no livro Chronological Studies Related to Daniel 8:14 and 9:24-27, de Juarez Rodrigues de Oliveira. A crucifixão é possível em 31 d.C., não, porém, numa sexta feira, 14 de abibe/nisã, mas numa sexta-feira 15.

Com base nesse “problema”, tomam uma carta de M. L. Andreasen para Grace Amadon e dizem que ele argumentou contra a adoção de um calendário em que o sábado “flutuava” ao longo da semana moderna, calendário este que estava sendo advogado por alguns da comissão. O problema não era esse. Na carta, Andreasen argumenta contra a adoção de um calendário como o que era usado nos tempos bíblicos, porque “embora o esquema proposto não afete de maneira alguma a sucessão dos dias da semana, e, portanto, não afete o sábado” (o que é justamente o contrário do que a WLC afirma que ele disse), a adoção de um calendário assim pela igreja causaria confusão, porque, devido ao fato de o crescente lunar, que marca o início do mês, se tornar visível em dias diferentes nas diversas localidades, as pessoas dessas diversas localidades poderiam começar seus meses em dias diferentes (por exemplo, cidades vizinhas poderiam estar, uma no último dia de um mês, outra já no primeiro dia do outro).

Os guardadores do sábado lunar estão divididos quanto ao que fazer nos dias 30 de um mês e 1º do mês seguinte, que são os dias da “festa da lua nova”. Alguns descansam nesses dias, considerando-os uma extensão do sábado do dia 29; outros se abstêm apenas de atividades comerciais e emprego remunerado, mas podem realizar outras tarefas comuns. Então, na última semana do mês, (1) no primeiro caso, trabalham seis dias e descansam três (em vez de um); (2) no segundo caso, trabalham sete ou oito dias (em vez de seis), antes de descansar um dia. Com qualquer dos dois métodos, o mandamento do Criador de que se trabalhasse seis dias e se descansasse no sétimo é violado. (Confira aqui.)

(Rosangela Lira é formada em Teologia)

O balido amalequita

saulPara os que diferenciam o Deus do Antigo e do Novo Testamento, como se fossem divindades antagonistas, a sagração de Saul é uma reprimenda contundente a essa esquizofrenia teológica.

Libertos miraculosamente do Egito e testemunhas cotidianas de sinais e prodígios vindos diretamente do Céu, os israelitas desde cedo se revelaram indignos até de desprezo. Rebeldia, ingratidão, desconfiança e má vontade pontuaram a maioria dos dias de sua jornada até culminar na rejeição acintosa do senhorio de Yahweh. Exigiram um rei, pois invejavam os vizinhos iníquos dos quais haviam sido solenemente incumbidos de levar à salvação divina. Foi como se uma clínica de amparo e recuperação de drogados se convertesse numa boca-de-fumo. Ironia das ironias: de Nação Santa a Breaking Bad.

Em vez de virar-lhes as costas, o Senhor, entretanto, fez todo o possível para ajudá-los nessa aventura. Escolheu o mais belo, mais alto e mais garboso dentre o povo. Ungiu-o com a plenitude do Espírito Santo. Fê-lo até profetizar ao lado de Seus profetas para não deixar dúvidas quanto à consagração do benjamita. A seguir, Deus fortaleceu o povo hebreu e desbaratou os filisteus inimigos com terremotos e síndrome do pânico. Como paga, Saul desenvolveu progressivamente as mesmas caraterísticas dos reis pagãos, tão invejados pelo povo apóstata. Soberba, teimosia, autossuficiência, incapacidade de autocrítica, impulsividade, cólera, ganância e decisões temerárias. Uma a uma essas mazelas foram-se avolumando aos olhos do povo, até que esse compreendesse, finalmente, a loucura de sua escolha.

Dos inúmeros atos de traição de Saul contra Deus, um merece destaque pois marca sua perda irreversível ao favor divino. Cerca de quatrocentos anos antes, os amalequitas haviam cometido um crime de guerra, um dos poucos execráveis entre aquelas nações numa época em que a barbárie era o padrão: emboscaram as hostes nômades de Israel, a começar pela retaguarda, onde marchavam os mais vulneráveis – idosos, crianças, mulheres, enfermos, aleijados e cegos. Deus lhes deu quatro séculos para que se arrependessem, buscassem o perdão e a praticassem a retratação. Amaleque não somente rejeitou esse tempo de graça como também afundou ainda mais em vilanias. Restou apenas ao Senhor praticar um ato estranho ao Seu caráter: executar justiça.

Saul foi escolhido como o agente desse juízo. Recebeu instruções do profeta Samuel. Duras e precisas. Mas as sementes de sua desobediência já haviam atingido a plenitude, e agora a messe estava à mercê da foice. A macabra faxina étnica contra miseráveis condenados não tangeu um único acorde de compaixão no coração endurecido do rei, mas a oportunidade de economizar seu rebanho particular, sacrificando em holocaustos o gado amalequita, que Deus ordenara eliminar, apelou ao seu pragmatismo: se esses bichos tinham mesmo de morrer, por que não num altar em vez de a matança se dar num descampado? Saul e soldados resolveram, então, unir o enganosamente útil ao aparentemente agradável. Pouparam sua própria riqueza pecuária ao mesmo tempo em que simulavam piedade e consagração a Deus oferecendo-Lhe sacrifícios de reses nédias e viçosas. De quebra, ainda pouparam o cativo rei Agague, criminoso de guerra, anelando, provavelmente, poupar sua vida em troca de resgate. O que poderia dar errado num plano tão singelamente perfeito?

E aqui cabe uma reflexão sobre como as narrativas de incidentes na Bíblia, por pavorosos que sejam, por dispensáveis que pareçam, oferecem valiosas lições para momentos críticos na história da igreja de Deus.

Tímido e vacilante no dia de sua unção, Saul lembra um pouco a mulher vestida de Sol de Apocalipse 12; foi assessorado por anjos e fortalecido pela graça e pelo poder de Deus. Mas aos poucos também foi trocando suas vestes brancas, símbolo da justiça divina imputada, pelo escarlate da mulher de Apocalipse 17, e, como essa, se embriagou de sangue inocente em troca de manter e ampliar seu poder terreno. Culminaram, Saul e a mulher simbólica, em feitiçaria e suicídio.

Ampliemos essa comparação no exemplo da(s) mulher(es) de Apocalipse. A igreja do século 2, já na terceira geração após a morte dos que haviam convivido com Jesus e Seus discípulos, se tornou paulatinamente permeável a ideias pagãs extravagantes, completamente estranhas à pureza e à simplicidade do evangelho. Um a um os marcos doutrinários originais erodiram ante à falta de perseverança no estudo da Palavra e desprotegidos por ocasião da lenta retirada do Espírito Santo e o auxílio de Seus dons para edificação do Corpo de Cristo. A expulsão do Espirito Santo deu lugar à autoridade humana, cada vez mais presunçosa e autoritária.

Em Sua infinita sabedoria, Deus permitiu o agravamento da perseguição contra Seus filhos a fim de que esses se voltassem incondicionalmente para Ele, mas as contingências políticas e históricas dessa época foram bem aproveitadas por Satanás. O antissemitismo, que crescia ao lado do desespero e da belicosidade dos judeus perseguidos e massacrados pelo Império, levou muitos da igreja a evitar ao máximo qualquer ponto de similaridade com os execrados insurgentes. Um desses pontos foi justamente o dia de guarda. O excesso de prescrições litúrgicas quanto à observância do repouso sabático e o zelo intolerante e excludente dessa prática já eram estigmatizados pelos pagãos mesmo antes do nascimento de Jesus. Os cristãos, então, se tornaram mais discretos na santificação do sábado para não agravar a oposição e o preconceito dos antissemitas. Mas, com a chegada de Constantino ao poder, sua ilusória bonomia em encerrar a perseguição oficial contra os cristãos e mais a sua política de unificar o império periclitante sob uma religião sincrética, que congregasse pagãos e cristãos, impuseram à igreja uma decisão difícil e inevitável: santificar ou não o Venerável Dia do Sol, joia da coroa do mitraísta Constantino?

Nessa hora, falou mais alto no coração de muitos sedizentes seguidores de Cristo o espírito de Saul:

“1) O sábado fede a fanatismo de zelotes e fariseus, assassinos morais de nosso Senhor.

2) A ressurreição de Cristo marca o início da igreja, o fim da antiga aliança e a desmoralização completa de Satanás – e essa ressurreição se deu no primeiro dia da semana, coincidentemente o dia oficial de descanso do Império.

3) Pagãos têm ojeriza, justificada ou não, de judeus, mas estão cada vez mais tolerantes e até simpáticos a nós

4) Constantino devolveu nossas propriedades confiscadas, nos reconduziu aos cargos públicos de que alguns de nós haviam sido exonerados, e até nos indenizou financeiramente.

5) Se os santos apóstolos nos libertaram do pesado fardo da circuncisão, que nas Escrituras é exigência perpétua para os judeus (assim como OS sábadoS), por que nos mantermos fiéis a uma prática religiosa milenar que só é defendida (fanaticamente) pelos nossos inimigos religiosos?”

E então, lá do Céu, se ouviu o gado do vil Amaleque, balido que só tem crescido nos últimos 17 séculos, mas que se ouve SOMENTE neste planeta, e num alarido cada vez mais ensurdecedor, até atingir um uníssono a pedir a cabeça dos que não mugirem junto com a manada que Deus reluta por destruir. Mas, Ele mesmo já revelou em Sua Palavra, terá de em breve destruir.

(Marco Dourado é formado em Ciência da Computação pela UnB, com especialização em Administração em Banco de Dados)

CONVITE: Todas as manhãs compartilho em um grupo silencioso no WhatsApp conteúdos devocionais com base na leitura bíblica diária do projeto Reavivados por Sua Palavra. Se você quiser receber esses materiais (textos, áudios e vídeos), basta entrar no grupo usando este link de acesso: https://chat.whatsapp.com/H6poenPlICZJwyZkxITs5r

Controvérsia no Twitter: um laboratório para a perseguição

hatersOntem um dos assuntos que mais “bombaram” no Twitter foi Levítico 18, especificamente o verso 22, que diz: “Não se deite com um homem como quem se deita com uma mulher; é repugnante.” Foi uma enxurrada de comentários, a maioria dos quais negativos, condenatórios e/ou jocosos. Ateus criticando a Bíblia e dizendo que os que levam esse verso a sério deveriam também evitar roupas com dois tipos de tecidos e não aparar a barba, conforme orientam outros textos do mesmo livro bíblico. Outros ainda chamaram atenção para o fato de que a maioria dos cristãos que usam o verso 22 não se preocupam com as recomendações dietéticas de Levítico 11 e comem de tudo – e nisso estão certos os críticos.

Como sempre, o contexto é importante para se avaliar um texto. Muitas ordens contidas no Pentateuco eram direcionadas para um povo que vivia cercado pela idolatria e que havia pouco tempo tinha sido libertado de uma nação pagã com costumes idolátricos e ocultistas. É nesse cenário que os livros de Moisés devem ser analisados e seus princípios permanentes identificados. Por isso, pergunto: No que diz respeito à alimentação, o que mudou? O porco, por exemplo, deixou de ser porco? O corpo humano e seu sistema digestório mudaram também? E no quesito sexualidade, o que mudou? O verso 23 de Levítico também condena o sexo com animais? Isso mudou? Agora pode? O incesto igualmente é condenado na Bíblia? Um dia será aceitável? É bom lembrar que as práticas homossexuais também são reprovadas no Novo Testamento e que a Bíblia sempre faz separação entre pecado e pecador, pois Deus odeia o primeiro e ama o segundo.

Dito isto, a controvérsia de ontem serviu de laboratório para o que vem por aí. Pessoas que levam a Bíblia a sério e procuram se pautar por seus ensinos são facilmente hostilizadas e tachadas de fundamentalistas, retrógradas e preconceituosas. O espírito do tempo é que determina como a Bíblia deve ser lida e interpretada, e não o contrário. O cúmulo da contradição foram algumas pessoas que se disseram cristãs, mas que desprezam abertamente a Palavra de Deus. Esquecem-se de que só são cristãs porque a Bíblia existe…

Num futuro próximo, o sábado será o ponto de controvérsia. O assunto estará na boca do povo e nas redes sociais. Estaremos prontos para responder no espírito de 1 Pedro 3:15? “Na peleja a ser travada nos últimos dias estarão unidos, em oposição ao povo de Deus, todos os poderes corruptos que apostataram da lealdade à lei de Jeová. Nessa peleja, o sábado do quarto mandamento será o grande ponto em litígio, pois no mandamento do sábado o grande Legislador Se identifica como o Criador dos céus e da Terra” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 392). “Como o sábado se tornou o ponto especial de controvérsia por toda a cristandade, e as autoridades religiosas e seculares se combinaram para impor a observância do domingo, a recusa persistente de uma pequena minoria em ceder à exigência popular, fará com que essa minoria seja objeto de ódio universal” (Ellen White, O Grande Conflito, p. 615).

Aliás, recentemente experimentei uma amostra grátis disso no Facebook (confira aqui).

Deus nos ajude a estar preparados para os tsunamis de oposição reais e virtuais que vêm por aí, afinal, o dragão está irado contra a mulher (quem lê entenda)!

Michelson Borges

Adventistas são salvos pelo sábado?

advUm querido amigo e irmão batista me enviou uma pegunta sincera e fez a coisa certa – perguntou a um adventista algo sobre os adventistas: “Michelson, uma pergunta de irmão para irmão que somos; sem ressentimentos ou constrangimentos. A guarda do sábado para um adventista é absoluta quanto à salvação, que é pela graça?”

Com muito prazer, eu respondi:

Boa noite, meu irmão. Que bom que me escreveu e fico feliz com a confiança que existe entre nós. Vamos começar com uma pergunta: Não matar, não roubar ou não adulterar são atitudes determinantes para a salvação? O que você me diz?

Como eu sei que você crê na Palavra de Deus, imagino que sua resposta será “não”. Imagino que você dirá o seguinte: “Somos salvos pela graça de Cristo. Basta aceitar os méritos dEle pela fé e seremos salvos.” E um crente salvo vive de acordo com a vontade de Deus por amor. Assim, ele procura, pelo poder que vem de Deus, ser fiel à esposa, não mentir, não roubar, etc. Não faz essas coisas para ser salvo, mas porque é salvo. Assim como uma macieira não produz maçãs para provar que é uma macieira, mas porque é uma macieira, o cristão não produz bons frutos (como a obediência) para provar que é cristão, mas justamente porque é cristão.

O sábado faz parte dos dez mandamentos. Não é menor nem maior do que qualquer outro dos demais. Portanto, o que eu disse acima se aplica também ao quarto mandamento. Nenhum adventista guarda o sábado porque acha que fazendo isso será salvo. Todo adventista aprende desde cedo que a salvação é pela fé na graça de Cristo.

Um bom exemplo disso tudo é o do ladrão convertido na cruz. Ele não tinha mérito algum. Roubava, mentia e certamente não guardava o sábado. Quando se arrependeu e pediu perdão, foi salvo por Cristo, independentemente das obras da lei que ele não guardou. Salvo pela graça.

Mas e se ele não tivesse morrido? Se tivesse a chance de uma nova vida? Será que ele voltaria à vida de pecado? Será que continuaria mentindo e roubando? Certamente que não, pois o desejo de todo convertido e perdoado que ama Jesus é fazer a vontade dEle; obedecer Seus mandamentos, conforme Ele mesmo disse: “Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos” (João 14:15).

Sempre por amor, amigo. Simples assim. [MB]

Saiba mais sobre esse assunto. Clique aqui.

O padre que guardou o sábado

padreAndrew Fisher, um ex-padre católico, pensou cuidadosamente sobre sua decisão de guardar o sábado. Ele argumentava que o mandamento do sábado não era parte da lei cerimonial, pois fora instituído na criação, antes que o sistema sacrifical fosse instaurado. Citando Mateus 5:17 e 18, mostrava que Jesus não removeu sequer um i da lei. Com Tiago 2:10-12, demonstrou que os discípulos não mudaram o sábado. Corajosamente, apontava a Igreja Católica como a origem da apostasia. A guarda do domingo, sugeria, era um cumprimento da mudança dos “tempos e [das] leis”, predita em Daniel 7:25. Por causa disso, Fisher perdeu a vida. Em 1529, ele e sua esposa foram sentenciados à morte.

Há coisas pelas quais compensa morrer. Salomão, o homem mais sábio de todos os tempos, disse: “Compra a verdade e não a vendas” (Pv 23:23). Fisher e sua esposa tiveram coragem moral, têmpera espiritual.

Algumas pessoas nunca se posicionam contrárias nem favoráveis a nada ou ninguém. Seguem a onda, no tom da multidão. Mas há pessoas como José, Daniel e Paulo. Disse Ellen White: “A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Educação, p. 57).

O casal Fisher decidiu fazer o que era certo, porque era o certo, deixando os resultados com Deus. O lema de sua vida era: “Compensa seguir a verdade.” A verdade ainda é a verdade, independentemente da aceitação ou negação, popularidade ou rejeição de que seja alvo. Tomará você posição ao lado de homens e mulheres fiéis de todos os séculos? Seguirá a verdade custe o que custar, deixando com Deus os resultados?

Mark Finley, Sobre a Rocha

“Porque em verdade vos digo: até que o Céu e a Terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mateus 5:18).