Supremo julga casos de liberdade religiosa envolvendo adventistas

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Margarete da Silva Mateus Furquim, 56 anos, amargou a exoneração em uma escola pública municipal por conta de 90 faltas registradas nas sextas-feiras à noite. Já Geismario Silva dos Santos, 43, consumiu anos de preparo para realizar um concurso sem poder, no entanto, tomar posse no cargo para o qual foi aprovado em primeiro lugar. Os dois possuem algo em comum: de alguma forma, sentiram-se prejudicados profissionalmente por conta das suas crenças religiosas.

Seus casos foram para a Justiça e avançaram por todas as instâncias. Chegaram finalmente à apreciação da mais alta corte brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF). Está previsto para o próximo dia 14 de outubro, portanto, o julgamento, por parte dos ministros, do Recurso Extraordinário número 611.874 (que diz respeito ao caso de Geismario). E do Agravo em Recurso Extraordinário (ARE) de número 1099099 (referente ao caso de Margarete).

Em suma, os dois querem a mesma coisa: desejam reconhecimento de que foram prejudicados por conta de sua convicção religiosa, no caso, especificamente em relação à observância do sábado como dia sagrado.

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Domingo: dia do Senhor? Uma resposta respeitosa aos padres Guido e Wander

Nesse vídeo, o pastor Eleazar faz uma análise respeitosa de um diálogo entre os padres Guido e Wander acerca do domingo como dia do Senhor. Eles mencionam a Igreja Adventista e por isso estão sendo respondidos.

Além da resposta dada, ele aproveitou para analisar a expressão Kuriaque hemera, que aparece em Apocalipse 1:10 (o dia do Senhor), e demonstrou a falácia de tentar inferir que seria um referência ao domingo. Além disso, ele faz uma busca histórica mostrando, desde o primeiro século até os dias atuais (passando século por século), que sempre houve cristãos guardando o sábado, e quando o domingo foi imposto como dia de guarda.

Trata-se de um material rico que vai lhe ajudar muito na compreensão desse tema tão importante.

O domingo é o dia do Senhor? Resposta respeitosa ao pastor Ageu Magalhães

Em um programa de TV chamado “Vejam Só”, o entrevistado, pastor Ageu Magalhães, defendeu o domingo como dia do Senhor. Chegou a dizer, inclusive, que uma das razões para a pandemia do coronavírus seria a desobediência aos mandamentos de Deus, incluindo o domingo, segundo ele, “o mandamento esquecido”. Mas será isso o que a Bíblia ensina? A Bíblia, em algum lugar, defende a mudança do sábado para o domingo? Cristo ou os apóstolos fizeram ou autorizaram tal mudança? Assista ao vídeo e acompanhe a resposta dada.

Trabalhar um dia a menos por semana para “salvar o mundo”

salvar mundoSe todas as pessoas no mundo consumissem o mesmo nível de combustível, comida, roupa e material de construção que os europeus, seriam necessários 2,8 planetas Terra. Se todos adotassem o estilo de vida americano, precisaríamos de cinco planetas equivalentes ao nosso. Sem dúvida, estamos vivendo de maneira insustentável – seja quando nos deslocamos, ganhamos ou gastamos dinheiro. No ano passado, o chamado Dia da Sobrecarga da Terra chegou mais cedo do que nunca, em 29 de julho. Ele marca o dia em que a demanda da humanidade por recursos naturais excede o que o planeta é capaz de fornecer em um ano, de acordo com a organização internacional Global Footprint Network. A última vez que conseguimos chegar até dezembro foi em 1972.

Há uma nova teoria, no entanto, que sugere que é possível reverter esse cenário: devemos trabalhar menos, desacelerando assim a economia global e diminuindo nosso apetite aparentemente insaciável por consumo. Mas será que isso é viável – e realmente salvaria o mundo?

Mudar nossos hábitos de trabalho em escala global é uma tarefa monumental. O americano médio trabalha 44 horas por semana e tem apenas 10 dias de férias. Na China, uma jornada de 72 horas, seis dias por semana é comum. E, no Japão, se trabalham tantas horas por dia que existe até uma palavra para “morte por excesso de trabalho”: karōshi.

No entanto, uma análise da Universidade Amherst de Massachusetts, nos EUA, argumenta que “trabalhar menos é bom para o meio ambiente”. O estudo afirma que se passássemos 10% menos tempo trabalhando, nossa pegada de carbono seria reduzida em 14,6% – em grande parte devido à diminuição dos deslocamentos diários e do consumo de alimentos processados nos intervalos. Um dia inteiro de folga por semana reduziria, portanto, nossa pegada de carbono em quase 30%.

Costumamos culpar a indústria e grandes empresas pelas mudanças climáticas. Mas a maneira como vivemos, trabalhamos e consumimos é, na verdade, a principal fonte de emissões. […]

A ideia de semanas de trabalho mais curtas aliadas ao crescimento sustentável está começando a ganhar força. No ano passado, quase um milhão de metalúrgicos na Alemanha ganharam o direito a trabalhar 28 horas por semana (a jornada deles antes era de 35 horas semanais), enquanto o Partido Trabalhista do Reino Unido (o segundo maior partido no Parlamento) flerta com a ideia de uma jornada de trabalho de quatro dias por semana.

Will Stronge, cofundador e diretor da Autonomy, centro de estudos voltado para o futuro do trabalho, defende o crescimento sustentável. Ele cita o exemplo recente de funcionários dos correios do Reino Unido que pleitearam com sucesso por uma redução na jornada de trabalho de 39 horas para 35 horas semanais, mantendo o mesmo salário.

“Em muitas empresas, se você disser que vai reduzir o salário […] mas compensar com um dia extra de folga, a maioria dos funcionários não terá condições de aceitar.”

Do ponto de vista ambiental, ele diz que “o consumo de eletricidade [nacionalmente] diminui bastante nos fins de semana e feriados”, sugerindo que há ganhos de eficiência energética ao se trabalhar menos.

Outra defensora do crescimento sustentável, Alice Martin, chefe de trabalho e remuneração da New Economics Foundation, acredita que “se você diminuir a carga horária de trabalho mantendo o salário, as evidências sugerem que isso tem efeitos positivos na redução das emissões de carbono”.

Segundo ela, diminuir em 20% as horas trabalhadas se traduz em uma redução semelhante nas emissões de carbono – devido a mudanças de comportamento, como menos deslocamentos diários, comer comida caseira em vez de alimentos processados e passar mais tempo localmente, até se envolvendo em trabalhos voluntários.

“Ter mais tempo na vida para fazer as coisas de que você realmente gosta pode resultar em uma mudança de estilo de vida, fazendo com que você, na verdade, pare de consumir tantos produtos com alto teor de carbono”, diz ela. […]

(BBC Brasil)

Tragam de volta as leis dominicais (Blue Laws)

blue laws“Nos Estados Unidos, no sétimo dia da semana, o comércio e a indústria parecem suspensos em todo o país; todo barulho cessa. Uma paz profunda, ou melhor, uma espécie de contemplação solene, toma seu lugar. A alma recupera seu próprio domínio e se dedica à meditação.”

Alexis de Tocqueville escreveu essas palavras em sua obra-prima de análise política e social de 1835, Democracia na América. Durante a enfraquecida quarentena do coronavírus na América, nossa nação, pelo menos externamente, parecia ter ganhado um espírito mais silencioso, contemplativo e revificante. Agora, na terrível esteira do assassinato, os protestos se transformaram em tumultos incendiários e saques. Não obstante, os americanos, naqueles primeiros dias de quarentena – depois que a névoa de sua compulsão pela Netflix havia evaporado – acordaram com uma apreciação surpreendida pelo que as gerações anteriores haviam considerado normal: leis dominicais, também conhecidas como leis azuis [Blue Laws]. Quando os EUA voltarem à normalidade, devemos considerar essas leis e seus múltiplos benefícios novamente.

O reconhecimento das recompensas do Shabbat não se limita apenas a cristãos como o papa Francisco, que em uma entrevista em 2018 declarou: “Um dia da semana. Isso é o mínimo! Por gratidão, para adorar a Deus, passar tempo com a família, brincar, fazer todas essas coisas. Nós não somos máquinas.” Jay Lefkowitz, um advogado de Nova York, num artigo de 7 de maio no The Washington Post, argumenta que a observância do sábado judaico traz separação e equilíbrio saudáveis. Ele explica:

“Quando os judeus santificam o sábado e o observam como santo, estão fazendo um ato consciente de separação. No mais elementar sentido, o Shabbat é sobre separar o profano do sagrado, a semana de trabalho do Shabbat. […] O Shabbat é sobre equilíbrio ou, para usar uma palavra moderna, atenção plena. […] Não podemos nos recarregar através de uma porta USB.”

Isso se alinha a outros movimentos que apreciam a necessidade de “desconectar”, como o minimalismo digital ou o “monasticismo secular”, uma frase cunhada em “First Things”, um ensaio de março de Andrew Taggert.

Mais seriamente, Tocqueville identificou vários benefícios a uma vez comum inclinação americana de descansar. O primeiro é como a adoração a Deus orienta o homem para o transcendente e seus propósitos. Na igreja, o americano “ouve a necessidade de controlar seus desejos, dos prazeres sutis da virtude e a verdadeira felicidade que eles trazem”. Quando o americano volta para casa, ele não se apressa a voltar aos livros de negócios. Ele abre as Escrituras Sagradas e descobre as representações sublimes ou tocantes da grandeza e bondade do Criador, a magnificência infinita da obra de Deus, o elevado destino reservado ao homem, seus deveres e suas reivindicações para a vida eterna.

No culto a Deus e no reconhecimento de Sua bondade na criação, o homem percebe sua própria bondade criada e a bondade do mundo em que ele habita, incluindo sua nação peculiar. Isso, por sua vez, o direciona para seus deveres cívicos de amar e servir os vizinhos num ato de mordomia. Ele sente “a necessidade urgente de instilar a moralidade na democracia por meio da religião”.

O segundo benefício é a qualidade moderada da observância do Shabbat num capitalismo americano que pode tender a fins exclusivamente materialistas que obscurecem a dignidade inerente ao homem.

É assim que, de tempos em tempos, o americano se esconde em algum grau de si mesmo e, arrancando uma pausa momentânea daquelas paixões triviais que agitam sua vida e das preocupações passageiras que invadem seus pensamentos, ele de repente explode num mundo ideal onde tudo é grande, puro e eterno.

Tocqueville percebeu que o capitalismo democrático, se desconectado da religião, transformar-se-ia num terreno desumano e materialista, onde os homens se manipulam e exploram uns aos outros para obter ganho lucrativo. Isso acontece porque “a democracia incentiva o gosto por prazeres físicos que, se excessivos, logo convencem os homens a acreditar que nada além da matéria existe”. E se apenas existe matéria, os homens são propensos a fazer o que quiserem para que os outros (ou eles mesmos) saciem seus desejos. As leis do Shabbat, em seu apoio implícito (ou explícito) ao transcendente, lembram aos cidadãos que existem atividades maiores e mais nobres do que “autoatualização” e “autorrealização”.

Terceiro, ao direcionar os cidadãos para fins transcendentes, as leis do Shabbat inspiram os homens a buscar bens sociais que perduram além de suas próprias vidas circunscritas.

As nações religiosas alcançaram frequentemente resultados tão duradouros. Elas descobriram o segredo do sucesso neste mundo, concentrando-se no próximo. As religiões instilam nos homens o hábito geral de se conduzir com o futuro em mente e não são menos úteis para a felicidade nesta vida do que para a felicidade na próxima.

Os cidadãos conscientes de sua finitude e de suas naturezas espiritual e imaterial trabalharão não apenas para hoje, mas também para o futuro de seus filhos e netos. A Catedral de Notre-Dame, essa esplêndida manifestação de habilidade e engenhosidade humana, levou cerca de 180 anos, ou seis gerações, para ser construída. Tais projetos gloriosos exigem um caráter definido pela disposição de sofrer e sacrificar, cientes de que serão os descendentes desconhecidos que gozarão dos frutos do trabalho de alguém.

Quando as nações abandonam a consideração de fins transcendentes, seus cidadãos estão mais inclinados a viver egoisticamente hoje, sem considerar seus vizinhos ou sua descendência. “Vamos fazer hoje à noite, porque talvez não cheguemos ao amanhã”, diz a popular música de 2012. Tocqueville adverte:

“Nos tempos céticos, portanto, sempre existe o perigo de que os homens se entreguem sem cessar aos caprichos ocasionais do desejo diário e que abandonem inteiramente qualquer coisa que exija esforço a longo prazo, deixando de estabelecer algo nobre, calmo ou duradouro.”

Por esse motivo, Tocqueville adverte e persuade os americanos a preservar sua religiosidade peculiar: “Não busque roubar dos homens suas antigas opiniões religiosas […] para que […] a alma se encontre momentaneamente sem crenças e o amor de prazeres físicos se espalhe para preenchê-la inteiramente.”

No entanto, é exatamente isso que os Estados Unidos fizeram, eliminando restos de leis azuis outrora comuns em prol do adorado dólar. Houve um tempo em que até a Suprema Corte dos Estados Unidos favoreceu essas ordenanças, escreveu o juiz Stephen Johnson Field em “Hennington v. Geórgia” (1896): “A proibição de negócios seculares no domingo é defendida com o argumento de que por ela o bem-estar geral é avançado, o trabalho protegido e o bem-estar moral e físico da sociedade promovido.” Não menos do que George Washington ter sido detido por um dizimista por violar a lei de Connecticut proibindo viagens desnecessárias no domingo. (Ele foi autorizado a continuar depois de prometer ir apenas até seu destino.)

Agora, com algumas situações anômalas, os domingos são mais ou menos indistinguíveis de outros dias. Alguns municípios ainda proíbem a venda de álcool aos domingos. Alguns condados da Flórida proíbem a venda de brinquedos sexuais aos domingos. Entre outras curiosidades, corridas de cavalos e concessionárias de carros estão fechadas em Illinois.

Muitas nações europeias nunca abandonaram as restrições comerciais aos domingos e suas economias resultaram muito bem. De fato, manter as lojas abertas no domingo favorece desproporcionalmente os grandes lojistas à custa do negócio familiar. Na Polônia, a proibição comercial aos domingos de 2017 foi “sobre ajudar pequenas lojas familiares, mas também sobre permitir que pessoas efetivamente forçadas a trabalhar aos domingos fiquem livres”, disse o presidente Andrzej Duda. Desde a introdução da proibição, Duda observou, mais famílias se envolvem em atividades ao ar livre e a indústria do turismo doméstico é beneficiada.

Os Estados Unidos, em prol de seu próprio bem-estar emocional e espiritual – em prol de sua própria sanidade – precisam restaurar as leis azuis. [Ou seja, descanso dominical com os argumentos bíblicos a respeito da guarda do sábado.]

Houve um tempo, por mais surpreendente que seja, em que a Amazon não entregava aos domingos e os americanos de alguma forma sobreviveram. Houve um tempo em que os cidadãos precisavam fazer compras na loja de ferragens num dia da semana ou no início da manhã de sábado, para concluir seus projetos domésticos.

Para impedir as acusações de “teocracia”, não estou defendendo a visita obrigatória à igreja (embora isso não fosse a pior ideia), mas sim restrições simples sobre que empresas permanecem abertas no domingo. Líderes políticos e culturais poderiam “optar por não participar” de redes sociais: como Tocqueville observa corretamente, os líderes que estabelecem o padrão devem “agir todos os dias como se acreditassem neles mesmos”.

As leis azuis [Blue Laws] podem limitar a “liberdade”, mas apenas a liberdade ao consumo ilimitado. Se promulgadas de maneira prudente e focada, elas podem cultivar a virtude, fortalecer a vizinhança e proteger as pequenas empresas. Mais importante, elas podem ajudar a promover a oração e a paz – agora, quando os Estados Unidos mais precisam disso.

(Crisis Magazine)

Nota do blog O Tempo Final: “Fica bem claro o apelo para uma legislação que obrigue a um descanso dominical. No caso concreto, o articulista até parece sugerir alguma urgência. Os tempos são sérios. Podemos estar no limiar dos grandes e estupendos acontecimentos que concluirão a história da Terra.”

Adventista tem direito a fazer vestibular em horário diferente

Man filling a standardized test formA liberdade de culto deve, sempre que possível, ser respeitada pelo Poder Público na prática de seus atos. Assim entendeu a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região ao manter sentença que reconheceu o direito de um membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia de fazer a prova do vestibular em horário diferente. Ninguém pode ser privado de direitos por motivos de crença religiosa, reafirmou desembargadora federal. De acordo com a relatora, desembargadora Daniele Maranhão, a liberdade de culto trata da garantia de exteriorização da crença e de fidelidade aos hábitos e cultos, “como no caso concreto, em que o sábado é considerado dia de guarda”.

De acordo com o processo, o impetrante, após se inscrever no vestibular, constatou que a primeira prova foi marcada para um sábado, momento em que surgiu o impasse pelo fato de que, como membro adventista, deve guardar e santificar esse dia da semana.

Ao manter a sentença que autorizou que o autor fizesse a prova em dia e horário diferente, a desembargadora destacou que o artigo 5º da Constituição Federal define que ninguém será privado de direitos por motivos de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política.

(Consultor Jurídico, com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-1)

Pastor presbiteriano afirma que guardar o sábado bíblico é pecado

Governo vai editar portaria para religiosos que não podem trabalhar aos sábados

O site O Antagonista publicou a seguinte nota: “Aprovada a MP da Liberdade Econômica – e retirado o trecho sobre trabalhos aos domingos –, o governo prepara uma nova portaria para permitir que trabalhadores cuja religião ordene o descanso aos sábados seja liberado do serviço nesse dia. O relator da MP na Câmara, Jerônimo Goergen, ressalta que trabalhadores do setor economicamente essencial, e, por isso, servem aos domingos, também serão atendidos pela portaria. ‘Secretaria de trabalho está concluindo uma portaria que será publicada, provavelmente amanhã, que regulamenta o problema das religiões que não permitem trabalhar aos sábados. Tem uma religião chamada sabadista [sic] que aquilo o descanso é crucial para a religião [sic]. Então, eles vão deixar uma ressalva para que esse trabalhador esteja excluído de qualquer possibilidade de trabalhar.'”

É interessante, também, dar uma olhada nos comentários logo abaixo, bastante reveladores quanto à intolerância de algumas pessoas com relação aos guardadores do sábado:

Milton: credo!! Deve ser invençao da imprensa, nao acredito que o guedes vai deixar uma barbaridade dessa.

Gilberto: Simples, não se contrata então quem não pode trabalhar aos sábados . Ok

Thiago: E precisa de portaria pra esses fanáticos?!

Carlos: Interferência injustificável nas relações de trabalho. Se a religião impede o trabalho aos sábados, o indivíduo que vá para um ramo de atividade que funcione apenas de segunda a sexta-feira.

Adriano: Vou fundar uma religião que só possa trabalhar no sábado. Talkey?

Vagner: Esse pessoal não tem mais o que fazer! Estao instituindo a vagabundagem. Mas se facção resolver: não admite é hora ora fora esse pessoal que não quer trabalhar!

José: Só pode ser piada. Regulamento religioso acima da constituição que declara que todos são iguais perante a lei. E se surgir uma religião que declara dias sagrados as segundas e terças-feiras?

Dirce: Minha secretária era fiel a essa cultura do sábado. Assim como outros preferem morrer a deixar que se faça a transfusão/sangue. Vá entender um povo tão variado culturalmente.

Francisco: O Brasil será o país mais religioso do mundo agora.

Adventistas do sétimo dia e a MP da liberdade econômica (considerações)

Liberdade-Economica[O que você vai ler a seguir não se trata de um posicionamento oficial da IASD, mas de considerações do autor do texto.]

Dentre as 28 crenças fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), uma das que mais se destaca é aquela que diz respeito à vigência do sábado entre os cristãos. Segundo nossa convicção, o dia de sábado deve ser observado pelos seguidores de Cristo ainda hoje. Na prática, isso significa que o trabalho que visa ao autossustento deve ser suspenso nesse dia, como prescreve o quarto mandamento do decálogo (Êx 20:8-11), para que nele sejam feitas atividades de culto e de auxílio aos mais necessitados, exatamente como Cristo fez (Mt 12:12; Mc 2:27; Lc 6:9). Ou seja, nesse dia, devemos descansar de nossas próprias atividades para promover descanso aos outros, aos que mais precisam. Isso condiz exatamente com a santidade desse dia de bênçãos.

Entretanto, um ponto de uma Medida Provisória (MP) de 2019 e de número 881, de autoria da presidência da república, mais conhecida como MP da Liberdade Econômica, tem começado a suscitar dúvidas, anseios, expectativas e até espírito de revolta e indignação entre alguns guardadores do sábado, como os adventistas do sétimo dia. Esse sentimento de apreensão é justificado porque essa MP, de certa forma, fará com que os trabalhadores brasileiros, que em sua maioria gozam de descanso aos domingos (e adventistas aos sábados), agora se vejam no dever de trabalhar nesse dia. Atualmente, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) determina que o descanso semanal deve coincidir com o domingo, no todo ou em parte, além de proibir o trabalho nesse dia e nos feriados, exceto em casos de “conveniência pública ou necessidade imperiosa do serviço” mediante permissão do governo que precisa especificar tais atividades.

No dia a dia das relações trabalhistas até o presente momento, os empregadores não podem exigir trabalho aos domingos de seus funcionários, a menos, é claro, como já dito, que a função ou profissão exercida exija atividades trabalhistas nesse dia. Em casos em que a natureza da atividade não requeira trabalhos dominicais e ainda assim o empregador deseje que seus funcionários trabalhem nesse dia ou em feriados, a remuneração dever ser paga em dobro. O que muitos não sabem, inclusive guardadores do sábado, é que essa regra, em sua essência, não mudou. O que a MP está trazendo de novidade é que os empregadores poderão agora compensar esse pagamento em dobro do trabalho dominical, ou de um feriado, transferindo o descanso semanal do domingo para outro dia da semana. Na prática, essa MP ajudará, e muito, alguns patrões porque ao invés de se verem obrigados a pagar a mais e em dinheiro para que seus funcionários trabalhem aos domingos e feriados (há muitos no Brasil), eles poderão fazer esse pagamento com a oferta de um descanso em qualquer outro dia da semana. Ademais, essa MP também prescreve que a cada três domingos trabalhados, um descanso será obrigatoriamente no domingo.

Com base nisso, pergunto: No que essa MP afeta a vida de guardadores do sábado? Em termos práticos, em absolutamente nada. Aliás, muito pelo contrário, essa MP favorece a observância do sábado porque ela enfraquece o poder de “descanso” do domingo e transfere para qualquer outro dia. Antes dela, por determinação da CLT, ou os patrões pagavam em dobro pelo trabalho dominical de seus funcionários ou não poderiam convocar seus empregados para trabalho nesse dia. Tal realidade levava os patrões a serem rígidos, inflexíveis quanto à liberação do trabalho sabático, porque não tinham opção senão oferecer descanso dominical aos guardadores do sábado, o que do ponto de vista bíblico é irrelevante, já que a Bíblia prescreve o descanso aos sábados e não aos domingos. Com essa nova medida, agora empregadores podem compensar a ausência do trabalho sabático oferecendo trabalho aos domingos sem nenhuma sanção legal ou oneração.

Instituições adventistas nas quais muitas vezes trabalhos aos domingos eram necessários – escolas, por exemplo – por meio de pagamento em dobro pela atividade ou de compensação com certas folgas no calendário, deverão, em tese, funcionar da mesma forma. Escolas adventistas que convocarem trabalhos aos domingos continuarão a enfrentar a mesma dificuldade porque não poderão oferecer como descanso o sábado a seus professores, por exemplo, e, por motivos óbvios, nem nos demais dias da semana que já são, por natureza, dias de trabalho comum. Será difícil imaginar um professor ou pedagogo deixando de trabalhar na segunda-feira numa escola adventista porque foi convocado para trabalhar num domingo para comemorar o dia das mães, digamos.

Só gostaria de terminar ressaltado uma verdade bíblica. Estamos impregnados de uma cultura ocidental cuja base é cristã e na qual o domingo é um dia de descanso em que, normalmente, curtimos a família, seja isso de um prisma religioso ou meramente civil, social. Porém, do ponto de vista da Bíblia, o domingo é só mais um dia de trabalho como todos os outros cinco. Essa alegria que desfrutamos da liberdade do trabalho e do prazer de estar com a família aos domingos, na realidade, pertence ao sábado. O mandamento é claro como a luz do Sol ao meio-dia: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus” (Êx 20:9, 10).

Encerro fazendo um apelo a você: não forme sua opinião política, seja ela qual for, com a leitura de apenas uma única fonte jornalística. Leia ou assista a várias que falem do mesmo assunto e que, de preferência, se alinhem a ideologias antagônicas e conflitantes, porque isso ajudará você a ter uma opinião mais embasada e consistente. Se o seu compromisso for com o que é verdadeiro, então se esforce e busque a verdade de qualquer coisa e em tudo na vida, o que inclui política. E já posso lhe adiantar: dificilmente a verdade será encontrada nas camadas superficiais. A busca por ela demandará escavação, e isso requer esforço. Contudo, portanto, por mais esforço que isso signifique, corra atrás da verdade. O resultado será mais recompensador no final.

Por favor, compartilhe esse texto com todos os sabatistas que ainda não entenderam completamente o assunto. Esse povo precisa ser informado ao invés de formar opinião com base em memes nas redes social.

(Elton Queiroz é formado em Teologia e Filosofia e tem um mestrado em Teologia)

O sábado está sendo guardado no dia correto?

calendarLevando em conta que houve mudanças nos calendários, como saber se estamos guardando o sábado no dia correto hoje em dia?

“Há um grupo chamado World’s Last Chance (WLC) dizendo que o calendário lunar foi estabelecido por Deus e o calendário gregoriano, pela Igreja Católica com o objetivo de mudar os tempos e as leis. De acordo com essas pessoas, a Igreja Adventista teve “medo” de divulgar essa “verdade” depois do grande desapontamento de 1844. Dizem que não estamos adorando a Deus, o Criador, no dia estabelecido por Ele durante a semana da criação, ou seja, estamos adorando em um dia qualquer. Desde já agradeço a atenção e aguardo ansioso sua resposta.”

Resposta: Essas pessoas afirmam que o sábado não é o sétimo dia do ciclo semanal, mas o sétimo dia do “calendário lunissolar” proposto por eles, sendo que o primeiro dia do mês (“lua nova”) e o último dia do mês precedente – caso este tenha tido 30 dias – são considerados “não-dias”. Assim, o “sábado” seria sempre o 8º, 15º, 22º e 29º dias do mês nesse calendário.

No site deles é apresentada uma série de pressuposições que na verdade são falsas. Logo no início, é dito que “o primeiro dia da festa dos pães asmos era no dia 15 [do mês de abibe], que era um sábado”. A WLC afirma que esse era um sábado semanal, e a única “prova” que apresentam disso é o argumento de que nesse dia havia uma “santa convocação”. Ora, esse argumento não tem validade nenhuma, porque havia “santa convocação” não só no sábado semanal, mas em todos os sábados cerimoniais. Assim, havia santa convocação também no sétimo dia da festa dos pães asmos (Lv 23:8), na festa das primícias ou pentecostes (Lv 23:20, 21), na festa das trombetas (Lv 23:24), no dia da expiação (Lv 23:27), e no primeiro e último dias da festa dos tabernáculos (Lv 23:34-36). Destes, eles consideram que o dia 15 do primeiro mês e os dias 15 e 22 do sétimo mês eram sábados semanais. Baseados em quê?

Para sustentar suas pressuposições, dizem ainda que “Israel saiu do Egito na noite de 15 de abibe” (já que consideram que o dia 15 era um sábado). A Bíblia diz: “Aconteceu que, ao cabo dos quatrocentos e trinta anos, nesse mesmo dia, todas as hostes do Senhor saíram da terra do Egito. Esta noite se observará ao Senhor, porque, nela, os tirou da terra do Egito; esta é a noite do Senhor, que devem todos os filhos de Israel comemorar nas suas gerações. Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão: Esta é a ordenança da Páscoa: nenhum estrangeiro comerá dela” (Êx 12:41-43). A Bíblia é clara em dizer que os israelitas saíram nesse mesmo dia. Que dia? Ora, o dia 15 de abibe. Se tivessem saído à noite, já não seria dia 15 de abibe, mas 16 (já que o novo dia se inicia ao pôr-do-sol). E que noite é essa, em que a Bíblia diz que Deus “os tirou da terra do Egito”? A noite que “se observará ao Senhor”, e, portanto, a noite do dia 15, em que o povo comeu a Páscoa, e não a do dia 16. Não há como escapar ao fato de que os israelitas saíram em sua jornada no dia 15 e, portanto, que esse dia não poderia ser um sábado.

Outras “provas” são acrescentadas que absolutamente não são provas. Por exemplo, o argumento de que o maná cessou no dia 16 de abibe e que, portanto, o dia anterior seria um sábado semanal em que o maná não caiu. Qual a lógica desse argumento? Nenhuma. O maná cessou no dia 16 porque no dia 15 eles já comeram pães asmos feitos com o fruto da terra.

Outra “prova”, retirada do livro de Ester, diz que “o 15º dia do 12º mês foi um dia de descanso, o que torna o 8º, 22º e 29º dias, dias de descanso também”. O que a Bíblia diz é que uma parte dos judeus fez do dia 14 um dia de banquetes e de alegria pela vitória sobre seus inimigos, e que os judeus de Susã fizeram isso no dia 15. Então, “Mordecai […] enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, […] ordenando-lhes que comemorassem o dia catorze do mês de adar e o dia quinze do mesmo, todos os anos, como os dias em que os judeus tiveram sossego dos seus inimigos” (Et 9:20-22). Dois dias foram instituídos como feriados, e isso não tem nada a ver com o sábado.

O calendário dos judeus era realmente lunissolar, mas esse calendário seguia o ciclo semanal normalmente e não havia nenhum dia considerado “não-dia” da semana. O mês começava quando a estreita faixa de lua nova era avistada; os meses eram lunares, de 29 ou 30 dias. Como isso perfazia apenas cerca de 354 dias no ano, ou seja, deixava o ano cerca de 11 dias mais curto, a fim de manter o ano em harmonia com as estações, um mês adicional era intercalado cada vez que a cevada ainda não estava madura para a Páscoa. Assim, o calendário lunar era mantido em harmonia com o ano solar, e, portanto, o calendário era lunissolar.

Aqui é dito que em 31 d.C. “não se tem e não se pode ter uma crucifixão na sexta-feira”. Isso é totalmente contestado no livro Chronological Studies Related to Daniel 8:14 and 9:24-27, de Juarez Rodrigues de Oliveira. A crucifixão é possível em 31 d.C., não, porém, numa sexta feira, 14 de abibe/nisã, mas numa sexta-feira 15.

Com base nesse “problema”, tomam uma carta de M. L. Andreasen para Grace Amadon e dizem que ele argumentou contra a adoção de um calendário em que o sábado “flutuava” ao longo da semana moderna, calendário este que estava sendo advogado por alguns da comissão. O problema não era esse. Na carta, Andreasen argumenta contra a adoção de um calendário como o que era usado nos tempos bíblicos, porque “embora o esquema proposto não afete de maneira alguma a sucessão dos dias da semana, e, portanto, não afete o sábado” (o que é justamente o contrário do que a WLC afirma que ele disse), a adoção de um calendário assim pela igreja causaria confusão, porque, devido ao fato de o crescente lunar, que marca o início do mês, se tornar visível em dias diferentes nas diversas localidades, as pessoas dessas diversas localidades poderiam começar seus meses em dias diferentes (por exemplo, cidades vizinhas poderiam estar, uma no último dia de um mês, outra já no primeiro dia do outro).

Os guardadores do sábado lunar estão divididos quanto ao que fazer nos dias 30 de um mês e 1º do mês seguinte, que são os dias da “festa da lua nova”. Alguns descansam nesses dias, considerando-os uma extensão do sábado do dia 29; outros se abstêm apenas de atividades comerciais e emprego remunerado, mas podem realizar outras tarefas comuns. Então, na última semana do mês, (1) no primeiro caso, trabalham seis dias e descansam três (em vez de um); (2) no segundo caso, trabalham sete ou oito dias (em vez de seis), antes de descansar um dia. Com qualquer dos dois métodos, o mandamento do Criador de que se trabalhasse seis dias e se descansasse no sétimo é violado. (Confira aqui.)

(Rosangela Lira é formada em Teologia)