Pessoas fortemente religiosas têm vida sexual melhor

A desaprovação do sexo sem amor e do sexo casual está ligada a uma maior satisfação com a vida sexual entre homens e mulheres.

Pessoas que vão à igreja são mais propensas a ter uma vida sexual muito satisfatória, revela um novo estudo. Pesquisadores do Reino Unido descobriram que indivíduos fortemente religiosos são tipicamente mais satisfeitos com suas atividades no quarto do que aqueles que não são religiosos ou praticam sexo casual. Uma equipe da Universidade de Exeter acrescenta que realmente há alguma verdade no ditado “qualidade sobre quantidade”. Embora as pessoas religiosas no estudo normalmente tenham feito menos sexo do que outras, o sexo que estão fazendo as está deixando mais satisfeitas do que aquelas que se envolvem em encontros casuais com várias pessoas.

De acordo com os resultados da terceira Pesquisa Nacional Britânica de Atitudes Sexuais e Estilos de Vida, homens e mulheres que praticam o sexo casual ou sexo sem amor relataram ter menos satisfação sexual. […] “Como pessoas religiosas são menos propensas a se envolver em sexo casual e são mais propensas a limitar a atividade sexual a um relacionamento baseado em amor, isso pode levar a menores expectativas de atividade sexual fora de uma união formal, bem como maior satisfação com a vida sexual em geral. No entanto, é possível que os sentimentos religiosos sobre a santidade do sexo conjugal, bem como a desaprovação do sexo fora do casamento, sejam mais importantes para a satisfação sexual das mulheres do que para os homens”, acrescenta o Dr. Vegard Skirbekk, do Instituto Norueguês de Saúde Pública e da Universidade de Columbia. […]

“A desaprovação do sexo sem amor e do sexo casual está ligada a uma maior satisfação com a vida sexual entre homens e mulheres. Enquanto a satisfação sexual aumenta inicialmente com a frequência sexual, ela diminui novamente em um número maior de ocasiões sexuais. Portanto, fazer sexo ‘demais’ pode levar a um menor nível de satisfação com a vida sexual”, conclui o pesquisador.

(Study Finds)

Reversão

Não haverá arrependimento fazendo a vontade de Deus. Pois o Senhor mostrará o que é certo.

cloe

Chloe Cole se arrependeu. Com 13 anos ela escolheu fazer a transição de gênero. Aos 17 tenta voltar atrás. Em seu depoimento triste e impotente ela reconhece que algumas coisas não serão como antes. Submetida a doses de testosterona e drogas bloqueadoras da puberdade, além da cirurgia para a retirada dos seios, a palavra “reversão” limitará seus novos sonhos. ⁣

“Eu realmente não entendia todas as ramificações de nenhuma das decisões médicas que estava tomando”, desabafa e lamenta, “sei que posso estar com o risco aumentado para certos tipos de problemas; eu não tenho meus seios, não amamentarei os futuros filhos que tiver.”⁣

Eu entendo que este caso não retrata a maioria, nem estamos aqui discutindo disforia de gênero. Apenas reflito até que ponto uma criança, ou juvenil, menor de idade, deveria decidir algo assim? Se responsabilidades civis, financeiras e sociais aguardam a maioridade, por que não esperar esta mesma maioridade para tais cirurgias?⁣

Tem muita coisa invertida. Autoridades e responsabilidades familiares diluíram. Em nome da liberdade pais e filhos flertam com a pressa, desinteresse, ausência, precocidade e apatia. Deus não criou recém-nascidos adultos – a infância é para que os pais se desenvolvam assumindo a educação no cuidado de orientar e abençoar seus bebês. Jamais ‘adultifiquem’ meninos e meninas! Se eles não podem dirigir carro, ou oficializar uma profissão, como definirão sua orientação sexual?⁣

Sei que o assunto abre um tsunami de ponderações, ideologias e distorções, mas peço que, como educadores responsáveis, assumamos nosso papel de discípulos de Cristo discipulando as futuras gerações. Não se terceiriza quem mais se ama! Diálogo, limites, prudência, firmeza e exemplo são expressões práticas da ordem divina “ensina a criança no caminho que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”(Pv.22:6).⁣

Cabe a cada um de nós ocupar o sublime posto da mentoria servidora, assertiva e cristã. Não haverá arrependimento fazendo a vontade de Deus. Pois o Senhor mostrará o que é certo. E se maturidade custa o preço do tempo, evitemos apressar os ponteiros do crescimento.⁣

O despertador está tocando.⁣

(Odailson Fonseca; Instagram)

Natação barra de competições femininas atletas trans homens biológicos

Quando a ideologia esbarra na ciência e no óbvio.

lia

A Federação Internacional de Natação (Fina) anunciou no domingo (19/6) a decisão de barrar a participação de atletas transgênero das competições de elite em categorias femininas, caso tenham passado por alguma das etapas da puberdade masculina [sic]. Para que possam entrar nas competições femininas, conforme as novas regras, as [sic] atletas precisam ter feito a transição de gênero até os 12 anos de idade. A mudança foi definida durante o congresso geral extraordinário da Fina, em Budapeste, onde acontece o campeonato mundial de natação. Aprovada com 71% dos votos dos 152 membros da federação, foi descrita pela entidade como “apenas um passo em direção à total inclusão” de atletas transgênero. Em paralelo, a federação informou que vai criar uma categoria aberta para atletas trans.

Mais cedo, os membros da Fina haviam discutido as conclusões do relatório de uma força-tarefa sobre o tema composta por figuras importantes do mundo da medicina, do direito e do esporte. “A abordagem da Fina na elaboração dessa política foi ampla, baseada na ciência e na inclusão. E, mais importante, enfatizando a equidade competitiva”, declarou Brent Nowicki, diretor-executivo do órgão.

O presidente da federação, Husain Al-Musallam, afirmou que a organização está tentando “preservar os direitos de nossos atletas de competir”, mas também “proteger a equidade competitiva”. […]

A ex-nadadora Sharron Davies, que se posiciona contra a participação de atletas transgênero na elite da natação feminina, disse estar “orgulhosa” do esporte e da federação.

Em uma manifestação no Twitter, a britânica agradeceu a Fina “por se basear na ciência, conversar com os atletas e treinadores e defender um esporte justo para as mulheres”. “A natação sempre acolherá a todos, não importa como você se identifique, mas a equidade é a pedra angular do esporte”, completou.

Já a organização Athlete Ally, um grupo de defesa dos direitos LGBT que organizou uma carta de apoio à nadadora americana [sic] trans Lia Thomas [foto acima] em fevereiro, classificou a nova política como “discriminatória, nociva, não científica e não alinhada com os princípios do COI [Comitê Olímpico Internacional] de 2021”. “Se realmente queremos proteger os esportes femininos, devemos incluir todas as mulheres”, pontuou o grupo em seu perfil no Twitter.

A mudança vem na esteira de uma decisão semelhante anunciada na quinta-feira (16/6) pela União Ciclística Internacional (UCI), entidade reguladora do ciclismo. O esporte também limitou o espaço para participação de atletas trans nas competições, dobrando o período de tempo para que uma atleta [sic] trans possa competir depois de concluída sua transição de gênero.

A regra anterior estabelecia que os níveis de testosterona da atleta deveriam estar estáveis em patamar inferior a 5 nanomoles por litro por um período de 12 meses antes da competição. Com a mudança, o nível de testosterona permitido caiu para 2,5 nmol/L e o período de tempo dobrou para 24 meses. [Como se isso mudasse o fato de que os músculos e os ossos desses homens biológicos são mais fortes por terem se desenvolvido em um corpo “banhado” por quantidades bem maiores de testosterona que o das mulheres.]

O debate em torno da participação de atletas trans nas competições de esportes aquáticos ganhou os holofotes com o caso da americana Lia Thomas. Em março, Thomas se tornou a primeira nadadora [sic] transgênero a ganhar um título na liga universitária dos Estados Unidos com uma vitória nas 500 jardas livres femininas. Thomas nadou pela equipe masculina da Pensilvânia por três temporadas antes de iniciar a terapia de reposição hormonal em 2019. Desde então, quebrou recordes com a equipe de natação [feminina] da universidade. […]

No ano passado, a levantadora [sic] de peso Laurel Hubbard, da Nova Zelândia, tornou-se a primeira atleta [sic] abertamente transgênero a competir em uma Olimpíada em uma categoria de sexo diferente daquele com que nasceu.

Para o fisiologista e especialista em desempenho humano Michael Joyner, “a testosterona na puberdade masculina altera os determinantes fisiológicos do desempenho humano e explica as diferenças baseadas no sexo na performance humana, consideradas claramente evidentes aos 12 anos”. “Mesmo que a testosterona seja suprimida, seus efeitos de melhoria de desempenho serão mantidos.” [Nessas horas as agendas se chocam; as feministas deviam erguer a voz em favor das mulheres biológicas, mas não é isso o que acontece.] […]

Sandra Hunter, fisiologista do exercício especializada em diferenças de sexo e idade no desempenho atlético, argumenta que, “dos 14 anos para cima, a diferença entre meninos e meninas é substancial. Isso se deve às vantagens desenvolvidas devido às adaptações fisiológicas da testosterona e à presença do cromossomo Y. Algumas dessas vantagens físicas são de origem estrutural, como altura, comprimento dos membros, tamanho do coração, tamanho do pulmão e serão mantidas, mesmo com a supressão ou redução da testosterona que ocorre na transição do masculino para o feminino”.

A ex-campeã olímpica e mundial de natação Summer Sanders defende a existência de categorias femininas e masculinas e, em paralelo, de categorias para mulheres trans e homens trans. [O que realmente seria a decisão mais justa com todos.] “A competição justa é um ponto forte e básico de nossa comunidade – essa abordagem preserva a integridade do processo esportivo existente hoje, no qual milhões de meninas e mulheres participam anualmente.”

[Curiosamente, praticamente não se veem atletas homens trans – ou seja, mulheres biológicas – pleiteando participação em modalidades de esporte masculinas…]

(BBC Brasil)

OMS recomenda redução de parceiros sexuais para evitar transmissão da varíola dos macacos

Doença foi inicialmente transmitida principalmente por meio de relações sexuais entre homens

variola

A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu, em recomendação, que as pessoas diminuam o número de parceiros sexuais com o intuito de diminuir a transmissão da varíola dos macacos em todo o mundo. Conforme o médico Hans Kludge, diretor regional da OMS para a Europa, o surto da doença estaria se espalhando mais rápido por conta da atividade sexual, em grande parte por meio de homens que fazem sexo com homens. “Muitos, mas não todos os casos, relatam parceiros sexuais fugazes ou múltiplos, às vezes associados a grandes eventos ou festas”, explicou em nota oficial. 

Apesar do surto, a doença não é nova. A varíola dos macacos foi diagnosticada pela primeira vez em seres humanos em 1970 e acredita-se que ela é transmitida, principalmente, por meio do sexo sem proteção ou por meio do contato com lesões de pessoas doentes.

Os primeiros sintomas da doença são febre, dor no corpo, dor de cabeça e nas costas, além do inchaço nos linfonodos, exaustão, calafrios e bolinhas que aparecem no corpo inteiro.

Primariamente, a varíola passa por contato com esquilos ou macacos infectados, sendo mais comum em países africanos. Até então, cientistas delimitam que a taxa de mortalidade é de 1 a cada 10 infectados, semelhante à primeira cepa da Covid-19.

Entretanto, os especialistas acreditam que o risco de um grande surto é baixo. Parecida com a varíola já conhecida no mundo, a vacina contra a doença também serve para evitar a contaminação.

(Diário do Nordeste)

Nota: Se o ser humano obedecesse às orientações dadas por Deus em Sua Palavra, a Bíblia Sagrada, tudo seria diferente. Essa recomendação da OMS só reforça isso, pois, se o sexo fosse praticado da forma como a Bíblia recomenda, essa e muitas outras doenças transmitidas por via sexual não assolariam a humanidade. [MB]

Vibradores para mulheres? Quando a medicina atrapalha

A indústria sexual deve estar lucrando com a insatisfação das mulheres

vib

É engraçado ver os médicos atuais cometendo os mesmos erros do passado. Será que se esqueceram de que os vibradores foram criados exatamente por uma necessidade deles? As mulheres histéricas eram tratadas com masturbação. Os médicos as estimulavam; os dedinhos deles passaram a causar dor e inventaram os vibradores. Inclusive, na época, chegaram à conclusão de que a masturbação manual ou por meio dos vibradores não resolvia nada.

Tantos anos depois e aí estão os médicos cometendo novos erros, tendo como centro o mesmo equipamento (vibradores). Chego a pensar que existe uma indústria sexual lucrando com a insatisfação das mulheres. Causando nessas mulheres lesões no clitóris.

Não é novidade para as usuárias dos vibradores que cada vez mais precisam de uma intensidade maior de estímulo; um aparelho mais potente e mais caro. E o resultado é lesão do órgão do prazer. Porém, os prejuízos vão além… as dificuldades relacionais continuam, a dificuldade para ter prazer a dois continua, a ansiedade continua…

Quando a ciência médica vai contra meus princípios e valores, fico com a Palavra de Deus. Sexo foi idealizado pelo Criador para o nós e não para o eu (prazer solitário). Os princípios bíblicos para o sexo envolvem conexão, intimidade, prazer, respeito e cumplicidade. Muito melhor que o prazer solitário, certo?

E aí você fica com a indústria sexual ou com o Criador da sexualidade?

P.S.: A matéria diz que o uso do vibrador contribui para a saúde do assoalho pélvico. Isso é mentira! Assoalho pélvico, para estar saudável, precisa de exercícios específicos que trabalhem força, relaxamento, coordenação, explosão e manutenção.

(Eliane Melo; Instagram)

Interpretação bíblica sobre a homossexualidade

Especialista em lei bíblica, teólogo analisa a homossexualidade, no relato bíblico, especialmente em textos do Antigo Testamento, como Levítico

Recentemente, alguns artistas do chamado mundo gospel foram confrontados com uma série de críticas por conta de posicionamentos contrários à prática da homossexualidade. O tema é recorrente nos meios de comunicação e redes sociais. Inclusive, algumas reportagens procuraram ouvir teólogos que possuem uma visão específica sobre a interpretação bíblica do tema. A Agência Adventista Sul-Americana de Notícias também conversou com um teólogo acerca do assunto. Ele é Roy Gane, natural da Austrália, professor de Bíblia Hebraica e Línguas do Oriente Médio Antigo do Seminário Teológico Adventista na Universidade Andrews, nos Estados Unidos.

A especialidade do doutor Gane é lei bíblica, incluindo instruções para o sistema ritual israelita no santuário. Ele foi, também, um dos editores de Homosexuality, Marriage, and the Church: Biblical, Counseling, and Religious Liberty Issues, editado por ele, Nicholas P. Miller e H. Peter Swanson. Nesse material, publicado em 2012, ele escreveu um ensaio intitulado Algumas alternativas tentadas à condenação bíblica atemporal de atos homossexuais.

[Continue lendo.]

Leia os livros A Bíblia e a Prática Homossexual e Limites do Prazer.

Com a chegada do Carnaval autoridades se preocupam com proliferação das DSTs

Todos os dias, mais de um milhão de pessoas entre 15 e 49 anos contraem doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), de acordo com dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Isso equivale a mais de 376 milhões de novos casos anuais de doenças como clamídia, gonorreia, tricomoníase e sífilis. “São doenças transmitidas pela relação sexual sem proteção. Com o Carnaval se aproximando, época em que muitos caem na folia e abusam do álcool, nunca é demais reforçar a importância do uso de preservativo”, alerta o Dr. Carlos Moraes, ginecologista e obstetra pela Santa Casa (SP), membro da Febrasgo e especialista em Perinatologia pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein, e em Infertilidade Conjugal e Ultrassom em Ginecologia e Obstetrícia pela Febrasgo, e médico nos hospitais Albert Einstein, São Luiz e Pro Matre.

Para que você entenda o risco de não se prevenir, o Dr. Carlos lista as DSTs e os danos causados à saúde:

HIV

É a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causadora da aids, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+.

Sífilis

Infecção causada pela bactéria Treponema pallidum. Surge 20 a 30 dias após o contato sexual, como uma úlcera genital indolor. A úlcera desaparece após alguns dias, mas, se não tratada a doença, pode evoluir para estágios mais avançados, podendo levar à morte.

Gonorreia

Causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. O quadro clínico é variado na mulher, podendo ser “silenciosa” (assintomática), até causar quadro grave de cervicite (inflamação da cerviz, cérvix ou cérvice, que é a parte mais estreita do colo uterino).

Tricomoníase

É causada pelo protozoário Trycomona vaginalis. Na mulher, causa corrimento esverdeado, abundante e fétido. Não há sintomas em homens.

Clamídia

Bactéria que pode causar desde um discreto corrimento até Doença Inflamatória Pélvica, que se caracteriza por febre e intensa dor pélvica. Se não tratada, pode evoluir para sepse e morte.

Condiloma acuminado

É causada pelo Human Papiloma Vírus (HPV), que está relacionada ao câncer de colo do útero e ao câncer do pênis. Na vulva e no pênis, se caracteriza por pequenas verrugas.

Herpes simples

Infecção viral que se manifesta através do surgimento de pequenas bolhas muito doloridas ao redor da boca ou dos lábios genitais, que estouram e formam lesões crostosas.

Cancro mole

Causada pela bactéria Haemophilus ducrey. O quadro clínico se caracteriza pelo aparecimento de lesões dolorosas na região genital. A secreção dessas feridas pode contaminar diretamente, sem ter relações sexuais, outras pessoas e outras partes do corpo.

Mycoplasma genitalium

É uma bactéria de transmissão sexual que causa doença semelhante à clamídia e à gonorreia, mas com uma secreção mais transparente.

Hepatite B e hepatite C

São transmitidas, principalmente, pelo contato com sangue contaminado, mas também por relação sexual. A transmissão sexual da hepatite C é pouco frequente, com menos de 3% em parceiros estáveis, mas ocorre em pessoas com múltiplos parceiros, sem uso de preservativo. Além disso, a coexistência de alguma DST – inclusive o HIV – é um importante facilitador dessa transmissão.

HTLV (Vírus Linfotrópico T humano)

Há dois subtipos: HTLV-1, que pode causar um quadro raro de leucemia e de doenças neurológicas, e o HTLV-2, com quadro clínico ainda não estabelecido.

(FGR Assessoria de Comunicação)

Papa Francisco diz que sexo fora do casamento não é um pecado tão grave

Declaração surgiu em resposta a uma pergunta sobre o arcebispo de Paris, que renunciou devido a um relacionamento com uma mulher.

O papa Francisco disse que a luxúria não é o mais sério dos sete pecados capitais. A afirmação foi feita a jornalistas que acompanhavam o líder da Igreja Católica em um voo da Grécia para a Itália. O sumo pontífice considera a ira e a soberba transgressões mais graves. “Os pecados da carne não são os mais graves”, afirmou o papa. A declaração surgiu em resposta a uma pergunta sobre o arcebispo de Paris, Michel Aupetit, que renunciou na semana passada devido a um relacionamento “ambíguo” com uma mulher. “Há um pecado aí, mas não do pior tipo”, disse Francisco.

De acordo com o jornal britânico The Independent, Francisco disse que aceitou a renúncia do arcebispo porque “foi uma falha da sua parte, uma falha contra o sexto [sic] mandamento, mas não total”. O sexto [na verdade, sétimo] mandamento proíbe o adultério, ou seja, a prática de sexo fora do casamento. Os padres, arcebispos e membros superiores da Igreja Católica seguem o celibato clerical e por isso se abstêm de sexo.

O papa afirmou ainda que aceitou a renúncia de Aupetit não porque ele pecou, mas porque os boatos eram muito prejudiciais. “Ele foi condenado, mas por quem? Pela opinião pública, pela fofoca. […] Ele não podia mais liderar”, disse Francisco aos jornalistas. “Aceitei a renúncia de Aupetit não no altar da verdade, mas no altar da hipocrisia”, completou.

(History)

Nota: Se Francisco relativiza e minimiza a importância do sétimo mandamento, imagine o que ele deve achar do quarto… Pessoas que foram atingidas pelo flagelo do adultério certamente têm opinião bem diferente da dele. Adultério é traição de confiança e desconsideração em relação aos sentimentos da pessoa a quem se jurou fidelidade. Pecados sexuais podem deixar marcas físicas e emocionais na vida das pessoas que, frequentemente, as acompanham por toda a vida. Adeptos de teologias liberais e identitárias, como a teologia queer, sempre minimizam os pecados sexuais ou mesmo os desconsideram, mas não é assim que a Bíblia e Deus os tratam. Sexo é uma criação divina e deve ser desfrutado no contexto certo, na hora certa e com a pessoa certa. E esse contexto se chama casamento bíblico, instituição estabelecida e abençoada por Deus no Éden e reafirmada por Jesus no Novo Testamento. Se você tem dúvida sobre a malignidade de qualquer pecado, leia Tiago 2:10. [MB]

A destruição de Sodoma e Gomorra

A destruição de Sodoma e Gomorra não se trata de um debate “homossexualidade ou inospitalidade”, mas foi um caso de perversão sexual e inospitalidade.

sodoma

1. O relato de Sodoma e Gomorra enfatiza a prática sexual

O tema de Gênesis 18 não é ser homossexual ou não, é ter relações homossexuais, o que é diferente. É preciso diferenciar a prática homossexual do desejo ou orientação homossexual. O relato apenas indica o que os homens de Sodoma queriam fazer. Não é corretor deslocar o problema do “praticar algo” para o “ser alguma coisa”. O texto não fala sobre ser homossexual (isso pode ser inferido), mas claramente descreve a intenção de praticar sexo com pessoas do mesmo sexo. Esse é o foco primário do relato e de alguns outros textos bíblicos que comentam o relato.[1]

Destaco que essa passagem não deveria ser o ponto de partida para qualquer argumentação a respeito da homossexualidade. Existem textos mais claros e mais diretos. A leitura popular da Bíblia produz algumas distorções, e é importante destacá-las. O texto não diz, por exemplo, que Ló era o único cidadão que não era homossexual em Sodoma. O texto diz que vieram “os homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos” (Gn 19:4). A expressão “todo o povo de todos os lados” (Gn 19:4) tem o objetivo de evidenciar que não havia nem dez justos em Sodoma, como no desafio proposto a Deus por Abraão (Gn 18:32).

2. Na história, “conhecer” é ter relações sexuais

A exigência dos homens de Sodoma foi: “Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos relações [יָדַע, yada] com eles” (Gn 19:5). O verbo yada significa literalmente “conhecer”, e é abundantemente usado na Bíblia para indicar relações sexuais (por ex.: 1Rs 1:4). O pedido dos homens de Sodoma é idêntico ao dos homens de Gibeá na história do levita de Juízes 19: “Traga para fora o homem que entrou na sua casa para que tenhamos relações (yada) com ele!” (Jz 19:22).

A resposta de Ló (Gn 19:8) evidencia qual era o sentido de “conhecer” (cf. Gn 4:1; Nm 31:17; Jz 19:22): “Olhem, tenho duas filhas que ainda são virgens [literalmente, ‘que não conheceram homem’, usando yada]” (Gn 19:8).

Assim, “conhecer” aqui significa claramente “ter relações sexuais”, como em Gênesis 4:1. E o fato de Ló oferecer suas filhas virgens como substitutas evidencia qual era a intenção dos homens de Sodoma: praticar sexo com os visitantes.

3. O problema não foi apenas a inospitalidade, mas a imoralidade sexual

O Novo Testamento confirma que o problema de Sodoma foi pecado sexual também, e não apenas xenofobia, inospitalidade e injustiça social:

“De modo semelhante a estes, Sodoma e Gomorra e as cidades em redor se entregaram à imoralidade [ἐκπορνεύω, ekporneuo] e a relações sexuais antinaturais [lit. ‘ir após outra carne’]. Estando sob o castigo do fogo eterno, elas servem de exemplo” (Jd 1:7).

O verbo ekporneuo significa “entregar-se à imoralidade”, “entregar-se à fornicação”, “ser indulgente com a imoralidade grosseira”. Na raiz desse verbo está o substantivo πορνεία (porneia), que significa imoralidade sexual, fornicação, e de onde vem o prefixo da palavra “pornografia”.

A expressão “ir após outra carne” (ἀπελθοῦσαι ὀπίσω σαρκὸς ἑτέρας, apelthousai opisō sarkos heteras) está explicando o “entregar-se à imoralidade”. O termo “outra carne” pode significar atos sexuais antinaturais entre seres humanos e mesmo entre homens e animais. Os canaanitas (Sodoma e Gomorra incluídas) praticavam os dois tipos de pecados (Lv 18:22-29).

Pedro também aponta a imoralidade sexual como motivo para a destruição de Sodoma: “Também condenou as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinzas, tornando-as exemplo do que acontecerá aos ímpios; mas livrou Ló, homem justo, que se afligia com o procedimento libertino [ἀσέλγεια, asélgeia] dos que não tinham princípios morais (pois, vivendo entre eles, todos os dias aquele justo se atormentava em sua alma justa por causa das maldades que via e ouvia )” (2Pe 2:6-8).

A palavra grega ἀσέλγεια significa luxúria desenfreada, lascívia, devassidão, sensualidade, licenciosidade (cf. Mc 7:21, 22; Rm 13:13; 2Pe 2:2, 7, 18; Jd 1:4). Claramente a Bíblia vincula a destruição de Sodoma ao aspecto sexual da história.

Pode-se até discutir qual é o sentido mais exato dessas expressões, mas será muito difícil negar que uma das causas da destruição de Sodoma foi a perversão sexual. E, como o único tipo de relação sexual presente no relato de Gênesis é o de homens com homens, há uma forte justificativa para usar esse texto contra a prática homossexual.

No entanto, alguém poderia argumentar que o problema foi o estupro, o sexo não consentido, forçado. Mas textualmente esse argumento é inconsistente, pois o relato afirma que os homens de Sodoma queriam “conhecer” (yada) os homens visitantes, e em hebraico existem expressões e palavras específicas para o estupro (como “forçar”, “humilhar”, “deitar à força com”, etc.), e elas não são usadas com relação a Sodoma.

Certamente a Bíblia descreve a xenofobia de Sodoma e Gomorra como um dos pecados delas, mas não diz que foi o único nem o maior. Com certeza, a hospitalidade é algo muito importante na Bíblia, no AT e no NT (cf. Mt 25:34-40; Rm 12:13; 1Tm 5:10; Hb 13:2), e a falta dela foi um dos motivos para a destruição de Sodoma e Gomorra.

4. Sodoma foi destruída também por causa das práticas sexuais repugnantes

Quando se cita Ezequiel 16, é preciso ler os versos 49 e 50, pois dizem que Sodoma foi arrogante e cometeu abominação (ou prática repugnante). No texto hebraico, há uma diferença significativa entre abominação (to’ebah) e abominações (to’ebot) que não ficou tão clara nas versões em português.[2] Ao falar especificamente de Sodoma e Gomorra, Deus afirma que “eram altivas e cometeram práticas repugnantes [תּוֹעֵבָה, to’ebah; no original, está no singular absoluto] diante de Mim. Por isso eu Me desfiz delas conforme você viu” (Ez 16:50).

Sodoma cometeu práticas repugnantes ou abominação, e essa palavra, to’ebah (no singular), é exatamente a mesma usada para descrever a prática homossexual em Levítico 18:22 e 20:13. Todas as vezes que Ezequiel usa to’ebah no singular ele está se referindo a um pecado sexual (Ez 22:11 e 33:26).[3]

E aqui to’ebah é um pecado adicional à injustiça social do verso 49; um pecado extra, diferente da opressão ao pobre. A “abominação” (singular) do verso 50 não se refere à injustiça social do verso 49, ou seja, to’ebah (singular) não inclui o verso 49, mas as “abominações” (plural) do verso 51 incluem. A palavra to’ebot (plural) no verso 51 resume todos os pecados anteriormente relatados em 49 e 50. Isso é confirmado pelo uso semelhante que Ezequiel faz de to’ebah e to’ebot em Ezequiel 18:10-13.

Ocorre o mesmo em Levítico 18. A prática homossexual é to’ebah (singular) em 18:22, e todas as práticas sexuais proibidas são descritas coletivamente como to’ebot (plural). Essa é uma forte evidência gramatical e intertextual de que Ezequiel 16:49, 50 pode estar falando da prática homossexual em Sodoma como um dos pecados sexuais devido aos quais Deus a destruiu.

O contexto mais amplo de todo o capítulo 16 de Ezequiel também deixa claro que ele está falando de pecados sexuais, especialmente ao falar da lascívia de Jerusalém no verso 43: “Acaso você não acrescentou lascívia [זִמָּה, zimmah] a todas as suas outras práticas repugnantes [תּוֹעֲבוֹת, to’ebot, plural]?” (Ez 16:43b).

A palavra é zimmah, e um de seus significados é “crime lascivo”;[4] e geralmente se refere ao pecado sexual premeditado (Lv 18:17; 20:14; Jz 20:6; Ez 16:27, 58; 22:9; 23:27, 29, 35, 44, 48; 24:13).

Finalmente, o argumento pode ser resumido assim:

a) Ezequiel afirma que Sodoma foi destruída também por causa de to’ebah.
b) Em Ezequiel, to’ebah é pecado sexual.
c) Então, Ezequiel quer dizer que Sodoma foi destruída também por seus pecados sexuais, o que é confirmado no NT.

A esse silogismo acrescente-se que a única atividade sexual em Sodoma registrada no relato do Gênesis é a tentativa de prática homossexual: homens queriam ter relações sexuais (yada) com outros homens. Assim, Ezequiel 16 deixa claro que Sodoma foi destruída por causa de to’ebah, práticas sexuais repugnantes, além da inospitalidade e da injustiça social.

5. Os livros apócrifos confirmam: não foi apenas falta de hospitalidade

Assim como a Bíblia, os livros apócrifos e pseudoepígrafos afirmam que o pecado de Sodoma e Gomorra também foi de imoralidade sexual: Jubileus 16:5, 6 e 20:5, 6; Testamento de Benjamin 9:1 e Testamento de Levi 14:6:

“E nesse mês o Senhor executou julgamento em Sodoma e Gomorra […] eles se profanavam mutuamente, cometendo fornicação e impureza em sua carne sobre a terra” (Jubileus 16:5, 6).

“E ele [Abraão] contou a eles sobre o julgamento dos gigantes, e sobre o julgamento dos sodomitas, como eles haviam sido julgados devido à maldade, e haviam morrido devido a fornicação, e impureza, e corrupção mútua pela fornicação. E guardem-se de toda fornicação e impureza, e de toda poluição do pecado, para que não tornem nosso nome em maldição, e suas próprias vidas um assobio, e seus filhos a serem destruídos pela espada, e vocês se tornem malditos como Sodoma, e seu remanescente como os filhos de Gomorra” (Jubileus 20:5, 6).

“Deduzo a partir das Palavras de Enoque o justo que vos dareis a práticas não boas. Fornicareis ao estilo de Sodoma e perecereis exceto por uns poucos” (Testamento de Benjamim 9:1).

“Ensinareis os mandamentos do Senhor por avareza, profanareis a mulheres casadas, manchareis as virgens de Jerusalém, e vos unireis a prostitutas e adúlteras. Tomareis como mulheres as filhas dos gentios, purificando-as com uma purificação ilegal, e vossa união será como as de Sodoma e Gomorra, por causa da impiedade” (Testamento de Levi 14:6).

Conclusão

A destruição de Sodoma não se trata de um debate “homossexualidade ou inospitalidade”, mas foi um caso de perversão sexual (prática homossexual incluída) e inospitalidade.

(Isaac Malheiros é doutor em Teologia e aluno de PhD em Religious Education pela Andrews University; Reação Adventista)

Referências:

1. Outros textos falam sobre ser alguma coisa: os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores (Gn 13:13); ímpios, libertinos e sem princípios morais (2Pe 2:6, 7), imorais (Jd 1:7).
2. Na versão NVI, usada aqui, a expressão é “práticas repugnantes”, sem diferenciar singular e plural.
3. “Um homem comete adultério [to’ebah] com a mulher do seu próximo, outro contamina vergonhosamente a sua nora, e outro desonra a sua irmã, filha de seu próprio pai” (Ez 22:11); “Vocês confiam na espada, cometem práticas repugnantes [to’ebah], e cada um de vocês contamina a mulher do seu próximo. E deveriam possuir a terra?” (Ez 33:26). Em Levítico, tanto to’ebah (singular) quanto to’ebot (plural) referem-se a pecados sexuais.
4. Segundo alguns léxicos hebraicos, outros significados relacionados às práticas sexuais são: licenciosidade, adultério, prostituição, falta de castidade e incesto.

Para um estudo abrangente sobe sexualidade numa perspectiva bíblico-adventista, leia Flame of Yahweh: Sexuality in the Old Testament (clique aqui).

A criação e a sexualidade humana

Para se defenderem modalidades sexuais diferentes da estabelecida por Deus em Gênesis (na criação do primeiro casal), seria necessário antes redefinir casamento.

eve adam

1. Ninguém é obrigado a se casar por causa do Gênesis

O relato do Gênesis é o modelo ideal para o casamento, mas não obriga todo ser humano a se casar e procriar. Estabelece os parâmetros a serem seguidos por aqueles que quiserem se casar. Jesus demonstrou isso em Mateus 19:4-12. Após mencionar Gênesis 1:27 e 2:24, e explicar o divórcio, ouviu Seus discípulos dizerem que “é melhor não casar”. Jesus então afirmou que “nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado. Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite” (Mt 19:11, 12).

O Gênesis mostra que, divinamente instituída, a família começa com a união entre um homem e uma mulher (Gn 1:27, 31; 2:24), e estabelece os princípios para a atividade sexual: ela está restrita ao casamento heterossexual e monogâmico.[1] Gênesis dá o modelo que é confirmado em toda a Escritura, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (cf. Mt 19:4-6).

O importante é que o casamento consiste especialmente (mas não exclusivamente) na união sexual entre um homem e uma mulher. Biblicamente, não existe a opção de fazer sexo (heterossexual ou homossexual) fora do casamento sem que isso seja errado e tenha consequências danosas (Gn 29:23-25; cf. Lv 20:10-21; Dt 22:13-21, 28, 29).

Assim, ninguém é obrigado a casar por causa do Gênesis, mas sexo sem casamento é sexo ilícito.

2. Sexo não é apenas para procriação

Seguir o padrão proposto em Gênesis nos obrigaria a fazer sexo só para a procriação? Esse é outro equívoco. Ninguém precisa fazer sexo apenas para procriação, e Cantares de Salomão mostra de forma poética e ricamente erótica a função prazerosa do sexo. Assim, sexo sem procriação não é pecado, mas sexo sem casamento continua sendo sexo ilícito.

É biblicamente difícil provar que o sexo foi criado por Deus apenas para a procriação e que a sexualidade só passou a ter outras funções com o decorrer do tempo após o pecado. Mesmo em Gênesis, é possível perceber outras funções para o sexo. O Criador destinou a sexualidade no casamento também para proporcionar unidade: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gn 2:24). Tornar-se “uma só carne” também é uma referência à união sexual (1Co 6:16), sem nenhuma conotação de procriação.

Richard Davidson chega mesmo a afirmar que “o propósito primário da sexualidade era o relacionamento pessoal, e que a procriação foi apresentada como uma bênção especial adicional. O significado do propósito unificador da sexualidade é destacado em Gênesis 2 pela completa ausência de qualquer referência à reprodução de filhos. Essa omissão não nega a importância da procriação (como se torna evidente nos capítulos posteriores da Escritura). Mas por meio do ponto final depois de “uma só carne” no verso 24, é dada à sexualidade significado e valor independentes. Ela não precisa ser justificada apenas como um meio para um fim superior, isto é, a procriação”.[2]

No propósito divino, a sexualidade no casamento une um homem e uma mulher, e lhes proporciona alegria, prazer e complementação física.

3. O incesto foi uma necessidade temporária posteriormente alterada

Seguir o padrão proposto em Gênesis tornaria o incesto normativo? Esse é outro equívoco. O incesto foi uma necessidade que durou poucas gerações, e não um modelo normativo (pois foi alterado e abolido). A narrativa registra, por exemplo, que “coabitou Caim com sua mulher [אִשָּׁה, ‘ishshah]; ela concebeu e deu à luz Enoque” (Gn 4:17). Não diz que ele coabitou com “sua parenta”, “sua irmã” ou outra expressão que caracterizasse incesto. O texto não enfatiza (ou até suprime) o parentesco; não coloca o holofote sobre o suposto incesto.

Além disso, o próprio Gênesis traz experiências normativas sobre isso (Ló e suas filhas [30-38], Rubem e Bila [35:22], por exemplo).[3] E há, ainda no Pentateuco, clara revelação da vontade de Deus a respeito do incesto (Lv 18:6-23; 20:11-21). Um cristão só ficará em dúvida a respeito do incesto se ignorar o que a Bíblia diz sobre o assunto.

No caso de Ló, o próprio fato de as filhas terem que embebedá-lo indica que elas tinham noção de que havia algo errado. O Novo Testamento registra que Ló era um “homem justo, que [em Sodoma] se afligia com o procedimento libertino dos que não tinham princípios morais” (2Pe 2:70). A expressão “[sem] princípios morais” vem de ἄθεσμος (athesmos), literalmente “sem lei” ou “sem princípios”. Deduz-se daí, por contraste, que Ló não era um “sem lei”, e por isso tinha a reputação de um homem “justo”. Se estivesse sóbrio, provavelmente não cometeria incesto com as filhas.

Por outro lado, onde estão no Pentateuco (ou em toda a Bíblia) as experiências normativas e as correções posteriores que favoreçam os relacionamentos homossexuais? Não existem. Assim, o incesto após as primeiras gerações já começava a ser visto negativamente mesmo antes da lei escrita,[4] e seguir o modelo de casamento do Gênesis não indica que o incesto possa ser praticado atualmente.

Conclusão

Para se defenderem modalidades sexuais diferentes da estabelecida por Deus em Gênesis (na criação do primeiro casal), seria necessário antes redefinir casamento como algo diferente da união entre um homem e uma mulher que torna lícita a relação sexual entre os dois. E tudo isso de maneira consistente com a totalidade das Escrituras.[5]

(Isaac Malheiros é doutor em Teologia e aluno de PhD em Religious Education pela Andrews University; Reação Adventista)

Referências:

1. A poligamia e o concubinato não foram estabelecidos por Deus, nunca fizeram parte de seus planos. Contudo, como em outros temas, em sua misericórdia, Deus os regulamentou temporariamente. Sobre isso, ver a tese de Du PREEZ, Ron. “Polygamy in the Bible With Implications for Seventh-day Adventist Missiology.” Tese (doutorado). Berrien Springs: Andrews University, 1993. p. 28-278. Disponível em: <http://digitalcommons.andrews.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1163&context=dmin&gt (acesso em 28/8/2016).
2. DAVIDSON, Richard. The Theology of Sexuality in the Beginning: Genesis 1-2. Andrews University Seminary Studies, v. 26, n.1, Berrien Springs, 1988, (p. 5-24). p. 22. Disponível em: <https://pdfs.semanticscholar.org/f813/2e85137fb1c8b6dc3dc5a0207deaa18e91cd.pdf&gt (acesso em 13/10/2016).
3. A Bíblia ensina por preceito e também por meio das narrativas, dos exemplos bons ou maus: “Pois tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar” (Rm 15:4); “Essas coisas aconteceram a eles como exemplos e foram escritas como advertência para nós, sobre quem tem chegado o fim dos tempos” (1Co 10:11).
4. Antes da lei escrita, já havia a Palavra de Deus, mandamentos, preceitos, estatutos e leis divinas; cf. Gn 26:5; Êx 16:28.
5. Afinal, esse é o princípio hermenêutico de Jesus Cristo, revelado no caminho de Emaús, quando, “começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a Seu respeito constava em todas as Escrituras” (Lc 24:27), “na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lc 24:44). “O princípio tota Scriptura refere-se à interpretação de todos os conteúdos bíblicos e da lógica interna da condição hermenêutica biblicamente interpretada do método teológico (sola Scriptura)” (CANALE, Fernando. Creation, Evolution, and Theology: The Role of Method in Theological Accommodation. Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2005. p. 99). Junto com o princípio tota Scriptura está o princípio analogia Scripturae, aparentemente utilizado por Paulo, e pode ser encontrado, por exemplo, nas citações do AT encontradas em Romanos 3:10-18 e Hebreus 1:5-13; 2:6-8, 12, 13. Gerhard Hasel ensina esse princípio afirmando que o “procedimento envolve a coleção e o estudo de todas as partes da Bíblia de passagens que tratam do mesmo assunto”, de modo que uma possa ajudar a interpretar a outra (HASEL, Gerhard. Biblical Interpretation Today. Washington: Biblical Research Institute, 1985. p. 103).

Para um estudo abrangente sobe sexualidade numa perspectiva bíblico-adventista, leia Flame of Yahweh: Sexuality in the Old Testament (clique aqui).