A ciência confirma: abstinência pode compor os programas de educação sexual

gravidezCada grupo de mil adolescentes brasileiras dá à luz a 68,4 crianças. O valor é mais alto do que a média para a América Latina e o Caribe, que está em 65,5, e muito maior do que a média mundial, de 46 nascimentos para cada mil meninas. Quem calculou esses números, em fevereiro de 2018, foi um conjunto de entidades da Organização das Nações Unidas: Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Nos Estados Unidos, o índice é de 22,3 nascimentos para cada mil garotas de 15 a 19 anos.

O trabalho “Aceleração do progresso para a redução da gravidez na adolescência na América Latina e no Caribe” indica que 15% de todas as gestações da região ocorrem em meninas com menos de 20 anos, e resultam no nascimento de dois milhões de crianças, todos os anos. No mundo todo, a cada ano, aproximadamente 18 milhões de adolescentes ficam grávidas. O relatório também lembra que a mortalidade materna é uma das principais causas da morte entre adolescentes e jovens de 15 a 24 anos na região das Américas.

Adolescentes grávidas, portanto, correm risco de vida, colocam a vida dos bebês em perigo e, mesmo que o nascimento aconteça sem contratempos, elas terão dificuldade muito maior em dar sequência aos estudos. Existem diferentes formas de lidar com esse problema grave: em seu relatório, os órgãos da ONU recomendam promover medidas e normas que proíbam o casamento infantil e as uniões precoces antes dos 18 anos; apoiar programas de prevenção à gravidez baseados em evidências que envolvam vários setores e que trabalhem com os grupos mais vulneráveis e aumentar o uso de contraceptivos.

O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, em parceria com o Ministério da Saúde, deseja incluir uma ferramenta complementar a todas as demais: o estímulo à abstinência sexual. “Está em formulação a implementação de política pública com abordagem sobre os benefícios da iniciação sexual tardia por adolescentes como estratégia de prevenção primária à gravidez na adolescência”, informa o ministério em nota. “É necessário deixar claro que esse programa não irá se contrapor às políticas de estímulo ao uso de preservativos e outros métodos contraceptivos. Será complementar”.

O ministério aproveita para lembrar que sexo com menores de 14 anos é considerado crime pelo Código Penal (artigo 217-A do CP) e que o fornecimento de métodos contraceptivos já é direito legalmente assegurado ao maiores de 15 anos.

“A proposta é oferecer informações integrais aos adolescentes para que possam avaliar com responsabilidade as consequências de suas escolhas para o seu projeto de vida. Dessa forma, essa política está sendo considerada como estratégia para redução da gravidez na adolescência por ser o único método 100% eficaz.”

Em entrevista à Gazeta do Povo, a ministra da pasta, Damares Alves, reforçou o caráter complementar da medida: “Por muitos anos, o tempo todo, o Brasil só ofereceu para o jovem alguns métodos de prevenção à gravidez, que eram a camisinha, o preservativo, o anticoncepcional e outros métodos para os jovens e para adolescentes. Mas tem um método muito eficaz. Esse método, eu vou falar ‘abstinência’, porque é o termo certo. Mas eu posso chamar também de retardar o início da relação sexual, e trazer para a relação sexual, conversar com os jovens, sobre sexo e afeto.”

Parte da imprensa reagiu muito mal à proposta de incentivar a iniciação sexual tardia. A principal alegação é a de que a medida seria anticientífica. Acontece que existem estudos que confirmam: a abstinência – aliada a outros métodos – é eficaz, sim, para o controle da gravidez na adolescência.

No Chile, pesquisadores da Universidad de Los Andes dividiram adolescentes em dois grupos. Um deles recebeu orientações sobre o uso de métodos anticoncepcionais, em especial camisinhas. O outro recebeu a chamada educação afetiva, mais focada em apresentar a importância de desenvolver relacionamentos afetivos com responsabilidade — ou seja, essas meninas foram orientadas a buscar a abstinência.

A experiência foi repetida ao longo de três anos consecutivos, somando 1.259 adolescentes abordadas. Na sequência, todas as garotas foram monitoradas ao longo de quatro anos, com o objetivo de comparar a eficácia dos dois métodos. Na primeira das turmas, apenas 3,3% das jovens que receberam educação afetiva ficaram grávidas, enquanto que 18,9% das meninas que foram instruídas a usar métodos anticoncepcionais tiveram filhos. Na última das turmas, os percentuais foram parecidos: 4,4% e 22,6%.

O estudo chileno foi realizado entre 1996 e 1998 e os resultados, publicados em 2005. Outros trabalhos, mais recentes, alcançaram resultados semelhantes. Foi o caso de um trabalho desenvolvido por pesquisadores da University of South Florida, que realizaram eventos de orientação junto a 738 meninas. Elas receberam orientações no sentido de buscar maior responsabilidade em suas relações afetivas, e foram monitoradas ao longo de um ano. Os resultados foram divulgados em 2012.

“As intervenções projetadas para meninas adolescentes podem ajudar a reduzir a incidência de gravidez indesejada”, o estudo conclui. “Apesar de serem sexualmente ativas ao serem abordadas pela primeira vez, as garotas que receberam as intervenções se tornaram mais abertas a praticar a abstinência”. A intervenção consistia não apenas em palestras, mas também em jogos e atividades interativas.

“As garotas eram sexualmente ativas”, explica a responsável pelo estudo, a professora Dianne Morrison-Beedy, da Ohio State University. “Participaram de quatro sessões, uma por semana, em que receberam informações sobre prevenção e transmissão de doenças sexualmente transmissíveis e foram incentivadas a reduzir comportamentos de risco”.

O principal objetivo, diz ela, era municiar as garotas com argumentos que elas pudessem usar com os garotos. “O que funciona com um menino pode não funcionar com outro, e por isso estimulamos as meninas a conhecer uma série de estratégias, que incluem desde a abstinência até evitar o abuso de drogas e álcool, que podem levar ao sexo sem proteção”.

Os resultados foram expressivos. “A diminuição do número de parceiros foi significativa. Diminuiu o total de episódios de sexo vaginal e de sexo sem proteção, e aumentou o número de casos de abstinência. Muitas garotas que eram sexualmente ativas no início do estudo posteriormente aderiram à abstinência”.

Outro estudo, este com adolescentes do Texas, indicou que o método conhecido como “It’s Your Game… Keep It Real!” é capaz de retardar o início da vida sexual, na comparação com o grupo de controle. “O método se mostrou eficaz em reduzir a violência sexual, especialmente contra jovens de minorias étnicas”, indica o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos – para quem, aliás, a abstinência é central em qualquer estratégia de redução de risco. O programa consiste em uma série de conteúdos que podem ser ministrados ao longo do ano letivo, a fim de incentivar os adolescentes a conhecer melhor seu próprio corpo, e respeitar o corpo dos demais.

E os meninos? A maior parte dos programas é focado nas garotas, e por isso mesmo Craig Garfield, pediatra e professor da Northwestern University, desenvolveu recentemente um trabalho com os jovens do sexo masculino. “Uma das maiores dificuldades em lidar com os meninos é identificar que tipo de intervenção utilizada com as meninas também funciona com eles”, ele explica – e cita duas estratégias que costumam dar certo: conversas com os pais dos jovens e, no caso de jovens de baixa renda, a aplicação de programas sociais.

Por outro lado, as evidências científicas reforçam o fato de que programas baseados exclusivamente na abstinência não são eficazes. “A abstinência pode ser uma escolha saudável para os adolescentes, particularmente aqueles que não estão prontos para o sexo. No entanto, programas governamentais que promovem exclusivamente a abstinência até o casamento são problemáticos, do ponto de vista científico e ético”, afirma um estudo de 2017, liderado por John S. Santelli, da Columbia University com o objetivo de avaliar as políticas de educação sexual dos Estados Unidos. “A maioria dos jovens inicia a vida sexual como adolescentes. A abstinência, sozinha, costuma falhar, porque eventualmente é quebrada”.

Como prática complementar, no entanto, ela é útil, afirma o estudo. “Muitos programas de educação sexual são bem-sucedidos, inclusive em atrasar o início da vida sexual e reduzir o comportamento de risco”.

Aliás, apenas ensinar a usar camisinha não resolve, como já defendeu o antropólogo Edward Green, uma das maiores autoridades mundiais em políticas públicas para combate à Aids, atualmente aposentado. Em 2009, ele chegou a defender o papa Bento XVI, que declarou na época que, para combater a doença, a abstinência era mais eficaz do que o uso de preservativos. “Um estudo realizado em Uganda sugere que a intensiva promoção da camisinha leva as pessoas a aumentar o número de parceiros sexuais”, ele afirmou em entrevista à rede BBC.

De forma que defender o uso de métodos contraceptivos e a valorização de relacionamentos afetivos responsáveis não são estratégias excludentes. O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos alega que essa é precisamente a intenção: conciliar as duas abordagens.

“Não existem respostas totalmente certas ou erradas quando se trata de reduzir comportamentos sexuais de risco”, afirma a professora Dianne Morrison-Beedy. “O importante é preparar os adolescentes com informações, técnicas verbais e motivação para reduzir o risco, em qualquer relacionamento, em qualquer fase da vida.”

(Gazeta do Povo)

A moda sexy empodera ou coisifica?

beyonceALERTA! Discordo de muitas coisas ditas no artigo abaixo, mas creio que ele serve de reflexão sobre o problema dos extremos e do abandono do conceito de modéstia cristã [MB]

Tangas minúsculas, vestidos de macramê, tops mínimos, unhas quilométricas, cílios postiços… Tendências que há meses enchem as ruas e as contas de Instagram de adolescentes e jovens e que são mais globais, públicas e midiáticas do que nunca: podem ser símbolos do empoderamento das mulheres? Qualquer escolha de uma mulher é feminista? Essa decisão é realmente livre? O debate está aberto e tem algo de geracional. Diante de uma ampla corrente de feministas que viveram a agitação do movimento durante as últimas décadas e que pensam que a moda sexy coisifica, um grupo menor, mas crescente, defende que a mulher têm o poder exclusivo de sexualizar sua pele, se assim o desejar, e que isso a empodera. É muito fácil encontrar exemplos que foram objeto de discussão: a roupa da apresentadora Cristina Pedroche nas campanadas da véspera de ano-novo, o topless da atriz feminista Emma Watson na estreia de “A Bela e a Fera”, a maneira de vestir de Beyoncé e suas bailarinas…

A hipersexualização do corpo feminino se generalizou a partir dos anos sessenta, com o neoliberalismo e uma revolução sexual que, com o tempo, o feminismo criticou por não ser uma revolução. O que significaria uma ruptura com os papéis sociais e a moralidade dos relacionamentos acabou sendo uma transição de donas de casa a capas de revistas e coxas e seios reluzentes na publicidade. A socióloga Rosalind Gill contou em Cultura e Subjetividade em Tempos Neoliberais e Pós-feministas como nos anos noventa percebeu o nascimento de uma nova figura para vender: a de uma mulher jovem, atraente e heterossexual que “joga consciente e deliberadamente com seu poder sexual, sempre disponível para o sexo”.

Nessa dupla face da liberdade de construção de gênero, Gill diz que as jovens são encorajadas com o discurso do “poder feminino”, enquanto seus corpos são “reinscritos poderosamente como objetos sexuais”. Por um lado, são apresentadas como sujeitos sociais ativos que desejam. Por outro lado, estão sujeitas a um “nível sem precedentes de escrutínio e vigilância hostil”. A filósofa Alicia Puleo chama essa era de “patriarcado de consentimento”. Se as donas de casa existiam antes em um sistema que fomentava a coerção, a repressão à sexualidade, o ocultamento, agora “não se manipula tanto a proibição quanto o incentivo e o incitamento a determinados comportamentos, à produção de desejo”.

Se vende como empoderamento aquilo que sustenta e afirma a feminilidade normativa mais tradicional e patriarcal, aponta Rosa Cobo, escritora e professora de Sociologia de Gênero. A moda, enfatiza, é um dos canais através dos quais o patriarcado, que até meados do século 20 disse às mulheres para se cobrirem bem, agora pede o contrário (despir-se, raspar o púbis, usar salto alto…). “Não existem tangas feministas ou vestidos feministas”, acrescenta a filósofa Ana de Miguel. “O feminismo não é um rótulo, nem a roupa é feminista. O feminismo é usar a cabeça para pensar; neste caso, para pensar o que querem me vender.” E como. E por quê.

Ana de Miguel recorda uma aula de filosofia social em 2005, na qual viu suas alunas iguais: “Tinham cabelos muito longos e lisos. Perguntei a elas por que e me responderam que era o que tinham escolhido, que era sua particularidade, que gostavam, cada uma delas, em particular.” Dessa aula ficou a máxima de que, dada a diversidade humana, quando tantas pessoas tomam a mesma decisão essa escolha não responde a uma ação totalmente livre, mas a algum tipo de pressão mais ou menos explícita.

Como discernir entre liberdade e imposição por construto social? Segundo a filósofa Puleo, escolhendo qual modelo é melhor para nossa liberdade e o que a restringe: “O corpo, como o feminismo demonstrou, é construído. O problema é que as condições materiais às quais este se submete também determinam os estados de consciência. E isso nos transforma em um corpo que vive apenas para o olhar do outro.”

Em 1998, Barbara Lee Fredrickson, professora de Psicologia da Universidade da Carolina do Norte, pediu a alguns estudantes que entrassem em um vestiário, colocassem um pulôver ou um maiô de banho e, durante dez minutos, fizessem uma prova de matemática. As moças que fizeram isso em trajes de banho tiveram resultados significativamente piores do que aquelas que usavam pulôveres. Nos rapazes não houve diferença. A Associação Americana de Psicologia acolheu esse estudo e concluiu que a sexualização e a objetivação das meninas solapam a confiança e o conforto com o próprio corpo, o que acarreta consequências emocionais negativas, como vergonha ou ansiedade.

Duas décadas depois, o cânone de beleza patriarcal foi sendo alimentando e transformado em negócio, enfatiza a socióloga Rosa Cobo: lojas de unhas, academias de ginástica, determinadas revistas… O capitalismo, aponta, tem uma “extraordinária capacidade” de, a partir da ideia da liberdade individual, monetizar a feminilidade “exaltada”. Ela está surpresa: “Nunca pensei que toda a luta feminista do século 20 pudesse desembocar aqui.”

Um aqui que, resume a filósofa Ana de Miguel, é de coisificação e dissociação. Se o pensamento cartesiano deu aos homens a mente e às mulheres o corpo e a emoção, o que as levou a ser “meras reprodutoras, cuidadoras e objetos sexuais”, hoje se reformulam as estratégias para manter em vigor o patriarcado de consentimento. “A liberdade de escolha é usada como exploração. A mensagem é que seu corpo é seu melhor recurso, sua mercadoria”, opina. Afirma que as jovens recebem a mensagem de que não conseguirão o emprego nem o salário que desejam, e de que a liberdade ao alcance é escolher o tamanho das unhas e das roupas íntimas. “Vendem como liberdade uma mensagem neoliberal: não há limites para o que se pode comprar ou vender.” Inclusive o corpo. Principalmente o delas. “A liberdade de escolha só pode se dar em uma sociedade igualitária. E é claro que não é esta.”

Do outro lado estão vozes como a da modelo Emily Ratajkowski, abertamente feminista, que apareceu seminua no videoclipe da canção Blurred Lines e argumenta que sabe que está “jogando em uma sociedade patriarcal” e “capitalizando sua sensualidade” por opção. Essa forma de ver o corpo é compartilhada, com mais ou menos fundamento, por cantoras, atrizes, escritoras ou ativistas. O movimento Femen devolve conteúdo político a algo tão sexualizado quanto os seios – assim como fez a cantora e compositora chilena Mon Laferte na última cerimônia do Grammy Latino. O movimento “Free the Nipple” combate a censura aos mamilos femininos nas redes sociais. Publicações independentes como a revista Salty têm capas sugestivas com mulheres fora do cânone de beleza ocidental.

Nessa linha poderia entrar Polly Vernon, autora do livro Hot Feminist (2015). Ela não acredita que as imagens com as quais somos bombardeados sejam, por definição, prejudiciais: lembra que cresceu rodeada pela primeira geração de supermodelos e que pensava: “Elas são incríveis”, mas não se odiava por não ser como elas. “Algo aconteceu nessas décadas para que as mulheres se sintam cada vez mais desconfortáveis ao olhar para outras mulheres muito bonitas. É uma pena.” Em sua opinião, ensinar as adolescentes que a sensualidade as transforma em vítimas automáticas é “uma das mensagens mais desencorajadoras e prejudiciais da era moderna”.

(El País)

Nota: De certa forma, essa busca da liberdade que parece ter tirado as mulheres de uma prisão e as levado para outra se assemelha ao fenômeno dos transexuais que estão invadindo o esporte feminino causando revolta. Buscou-se tanto a liberdade de forma quase irrestrita, que agora não se sabe o que fazer com ela… [MB]

Homossexualidade: não devemos olhar só para os genes

dnaNovas pesquisas sobre homossexualidade e genética precisam ser analisadas a partir de um olhar técnico. O que realmente há de sólido neste assunto?

Sempre que surge um novo estudo sobre o tema da homossexualidade associado à genética, muita especulação e notícias sensacionalistas são veiculadas. Muitas delas adotam, por vezes, um claro viés ideológico. Não foi diferente com o estudo Large-scale GWAS reveals insights into the genetic architecture of same-sex sexual behavior. O material foi publicado no prestigiado periódico Science no dia 29 de agosto desse ano. O estudo foi liderado pela cientista Andrea Ganna, e contou com a colaboração de pesquisadores das principais universidades do mundo (por exemplo Harvard, MIT e Cambridge). É uma pesquisa que demonstra metodologia robusta e um grupo amostral respeitável de quase 500 mil pessoas. É considerado, ainda, o maior estudo já realizado que se propôs a investigar a base genética da sexualidade humana.

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Sífilis avança pelo Brasil

sifilisDe acordo com dados do “Boletim Epidemiológico – Vigilância em Saúde no Brasil”, divulgado no mês de setembro pelo Ministério da Saúde, a taxa de detecção de sífilis adquirida passou de 2 para 58,1 casos por 100 mil habitantes, de 2010 a 2017. Já no período de 2005 a 2017, a taxa de incidência de sífilis em gestantes passou de 0,5 para 17,2 casos por mil nascidos vivos. A sífilis congênita, por sua vez, registrou crescimento de 1,7 para 8,6 casos por mil nascidos vivos, de 2003 a 2017.

A doença é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum e, se não for tratada, pode avançar pelo organismo e provocar complicações mais graves como cegueira, paralisia, doença cerebral, problemas cardíacos ou, até mesmo, levar à morte. “No caso de gestantes, também pode provocar aborto ou má formação do feto”, alerta o Biólogo Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT e MS).

O tratamento da sífilis é realizado com penicilina, um dos antibióticos mais antigos, descoberto em 1928 pelo médico e bacteriologista inglês Alexander Fleming. Mas, para diagnosticá-la, é preciso ficar atento aos sinais, já que os sintomas podem ser confundidos com os de muitas outras doenças. “Os sinais também podem desparecer por um longo período e a pessoa pode acreditar que esteja curada. Além de não se tratar, pode ainda transmitir a doença”, diz Puorto.

Os sintomas variam de acordo com cada estágio da doença. No início, entre 10 a 90 dias após o contágio, é comum o surgimento de algumas manchas pelo corpo e de feridas nos órgãos sexuais e na virilha. “São lesões ricas em bactérias, mas que não ardem, não coçam e não causam dor”, explica o Biólogo. Ele sugere que, ao desconfiar da doença, a pessoa procure o Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar o teste rápido de sífilis. O resultado sai em até 30 minutos.

(Ex-Libris Comunicação Integrada)

Leia mais sobre doenças sexualmente transmissíveis aqui.

Deputada distribui livros em combate à ideologia de gênero

deputadaEm resposta à ação do youtuber Felipe Neto de comprar 10 mil exemplares de um livro LGBT para doação durante a Bienal do Livro, no Rio de Janeiro (RJ), a deputada estadual Clarissa Tércio (PSC) decidiu comprar a mesma quantidade de livros que o youtuber, só que com uma temática voltada, segundo a parlamentar, para “o público cristão”. O livro em questão é o Macho Nasce Macho, Fêmea Nasce Fêmea – Desmascarando a Falácia da Ideologia de Gênero, do filósofo Isaac Silva. A obra trata de refutar os discursos e debates em torno do tema da suposta ideologia. A deputada, ligada ao público evangélico, pretende distribuir esses livros no Estado.

A polêmica, que tomou proporção nacional, se deu por conta da tentativa do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, de impedir a venda de um livro em quadrinhos de super-heróis da Marvel com uma cena de beijo gay, na Bienal do Livro. Após uma batalha judicial em relação ao recolhimento, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, suspendeu a medida de Prefeitura do Rio. A alegação do magistrado é de que havia infrações à Constituição Federal.

(Correio Braziliense)

Assista a mais vídeos sobre ideologia de gênero (clique aqui).

Enquanto isso, entre os héteros das HQs…

asa noturnaFaz muitos anos que não acompanho o universo dos quadrinhos de super-heróis (HQs). Na verdade, desde a minha adolescência, quando descobri literatura muito superior e me desfiz de uma coleção de mais de dois mil gibis. Só que na semana passada as HQs ficaram em evidência graças à decisão do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, de mandar recolher da Bienal do Rio uma Graphic Novel da Marvel que trazia a ilustração de um beijo entre dois homens. Graças a essa atitude anticonstitucional, as vendas explodiram e até alguns oportunistas como o youtuber Filipe Neto se aproveitaram para marcar pontos com o público LGBT. Filipe comprou e distribuiu gratuitamente milhares de livros com temática homossexual (logo ele que, anos atrás, gravou vídeo em que trata os homossexuais em tons pejorativos…). Tudo pelos like$.

Conforme mostrei neste vídeo, o homossexualismo está presente nas páginas de HQs da Marvel e da DC faz anos. Essa HQ alvo da polêmica é até “light” perto do que já se publicou. E a censura do bispo Crivella foi um verdadeiro tiro no pé, que acabou promovendo o que ele queria censurar.

Ocorre que a decadência moral é fato observável em todas as mídias, e vou dar só mais um exemplo, também dos quadrinhos, envolvendo três héteros: os personagens Asa Noturna (ex-Robin), a Batgirl e a alienígena Estelar. Batgirl e Asa Noturna têm um longo histórico de romance, mas nunca chegaram a formalizar um relacionamento mais sério, mais ou menos o que acontece há anos entre o Batman e a Mulher-Gato.

Em Batgirl número 25, Dick Grayson e Bárbara Gordon (o Asa Noturna e a Batgirl) são vistos na cama de um hotel, dizem que se amam, mas o romance acaba tendo fim (e ninguém mandou recolher essa edição…).

estelarGrayson também manteve por muitos anos um relacionamento amoroso com Estelar e chegaram a marcar o casamento. Só que, uma noite antes da cerimônia, voltou a dormir com Bárbara e chegou a convidá-la para assistir ao enlace matrimonial com a alienígena traída. Cadê a patrulha da moral para mandar recolher também essa baixaria?

E aí? O que achou do enredo? Se Crivella soubesse dessas coisas, tentaria fechar a DC Comics! Não tem jeito. A decadência moral deste mundo foi anunciada e só tende a piorar. Cabe a nós vivermos no mundo sem ser dele nem promover suas indecências. Cabe a nós sermos puros em um mundo impuro, balizados por textos bíblicos como Romanos 12:2 e Filipenses 4:8.

Michelson Borges

Nota: A amiga de um amigo meu contou que no domingo foi à Bienal e havia palestras para crianças sobre homossexualismo, viu “casais” de homens circulando abraçados pelo local e aos beijos, e tinha por todo canto publicidade da história em quadrinhos que o Crivella tentou proibir. Não contente com o “clima” ideologizado, ela voltou para casa.

Estudo científico mostra que não existe “gene gay”

gene gayUm estudo do genoma de quase meio milhão de pessoas divulgado na revista científica Science concluiu que não há um gene específico para a orientação sexual, ou mesmo um conjunto de genes específicos. A predisposição para a atração por pessoas do mesmo sexo ou do oposto parece assim resultar de uma complexa associação entre fatores genéticos e ambientais – como a maioria das características humanas. “É impossível determinar o comportamento sexual de alguém a partir do seu genoma.” É a conclusão de um estudo efetuado a partir do material genético de 493 mil voluntários britânicos, americanos e suecos e divulgado esta quinta-feira na revista científica Science, sumarizada por um dos autores, o geneticista estatístico americano Benjamin Neale.

Apresentado na mídia como o estudo que prova a inexistência de um “gene homossexual”, as suas conclusões não implicam no entanto que não haja qualquer predisposição genética ou biológica para o comportamento sexual, que se trataria então de uma opção individual. “Isso está errado”, diz outro dos autores do estudo, o também geneticista Brendan Zietsch, da Universidade de Queensland, Austrália, ao site LiveScience. “O que apuramos é que há muitos genes que determinam o comportamento sexual e, no caso específico deste estudo, a atração por pessoas do mesmo sexo. Cada um desses genes tem individualmente pouco efeito, mas juntos têm um efeito substancial.”

“Outra possível interpretação errada é de que se a preferência por parceiros sexuais do mesmo sexo é influenciada geneticamente, então é geneticamente determinada”, esclarece Zietsch. “Isso não é verdade. Indivíduos geneticamente idênticos – gêmeos – muitas vezes têm orientações sexuais distintas. Sabemos que há fatores não genéticos também, mas não os conhecemos bem e o nosso estudo não diz nada sobre eles.”

Ainda assim, o estudo parece concluir que existe uma coincidência entre a predisposição genética para atração pelo mesmo sexo e a disponibilidade para novas experiências, assim como a predisposição para problemas de saúde mental. Uma possibilidade de explicação para tal é, de acordo com Zietsch, que o estigma associado a relações com pessoas do mesmo sexo cause ou exacerbe problemas desses. O que pode criar uma correlação genética.”

Mas talvez o achado mais interessante do estudo seja de que a sexualidade humana é ainda mais complexa do que se esperava. “Parece haver genes relacionados com a atração por pessoas do mesmo sexo e outros relacionados com a atração por pessoas do sexo oposto. E não estão sequer relacionados”, diz Zietsch. “Esses resultados sugerem que não deveríamos pensar em medir as preferências sexuais num simples continuum, de ‘hetero’ para ‘gay’, mas sim em duas dimensões separadas: atração pelo mesmo sexo e atração pelo sexo oposto.”

Este é o maior estudo desse tipo já feito, mas suas conclusões devem, advertem os autores, ser encaradas com precaução. É que a amostra corresponde a populações de origem europeia e de países ocidentais, e sobretudo adultos de uma certa idade, que viveram grande parte da vida sob normas sociais, sexuais e legais mais estritas e rígidas que as atualmente existentes. É possível, pois, que pessoas mais jovens, que terão em grande parte crescido numa sociedade mais permissiva, se sintam mais à vontade [ou até sejam estimuladas] para ter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo que indivíduos mais velhos com o mesmo perfil genético.

Outra questão que se pode colocar é que o estudo define como tendo “comportamento sexual homossexual” alguém que alguma vez teve uma relação sexual com alguém do mesmo sexo, usando para essas pessoas o termo “não heterossexual”, enquanto para os que nunca tiveram uma relação sexual com alguém do mesmo sexo usa o termo “heterossexual”.

(DN Life)

Nota: Esse é um estudo que deve ser analisado com muita cautela, pois lida com muitas variáveis e tem o potencial de aumentar preconceitos do tipo: “Se não existe ‘gene gay’, então é tudo uma questão de sem-vergonhice.” Não é tão simples assim. Aliás, tudo o que se relaciona com o ser humano e seus comportamentos trata-se sempre de algo muito, mas muito complexo. Comportamentos e preferências sexuais derivam de um coquetel de fatores que envolvem genética, epigenética, influências pré-natais, ambiente, formação cultural, etc., etc., etc. Por isso, não se pode tratar do assunto da homossexualidade como algo tipo preto e branco, ignorando todos os matizes envolvidos. E por isso devemos tratar com respeito as pessoas que não se enquadram na chamada “heteronormatividade”, afinal, precisamos levar em conta aquilo que Ellen White chama de “tendências herdadas” (genética e epigenética) e “tendências cultivadas” (ambiente).

Todos os seres humanos, independentemente de sua orientação sexual, herdam e cultivam traços de caráter e comportamentais que não se ajustam aos padrões ideais de Deus expressos na Bíblia Sagrada. Na verdade, todos nós nascemos e vivemos em um mundo não ideal e todos nós temos nossas “lutas internas” que frequentemente nos acompanham por toda a vida. Que bom que Deus vê tudo isso, nos conhece e sabe de nossas motivações, nossas batalhas e nossa vontade (ou não) de viver o mais próximo possível do ideal que Ele nos apresenta. Que bom que Ele disponibiliza o Espírito Santo para nos ajudar nessa guerra e nos concede a vitória tanto sobre o que herdamos quanto sobre o que cultivamos.

Como as lutas são diferentes e é bastante difícil (na verdade, impossível) calçar os chinelos dos outros, o que nos resta é a solidariedade e a compreensão de que somos todos vítimas de um mal, de um vírus chamado pecado, que nos afeta de maneiras diferentes, mas afeta. O que para mim é uma tentação quase irresistível, para outro não é. E vice-versa.

Posso não concordar com o estilo de vida de outras pessoas, mas tenho que reconhecer que há muita complexidade envolvida nas escolhas que elas fazem e que tenho, sim, que respeitá-las como filhas e filhos de Deus. A mesma compaixão que espero receber por causa das minhas fraquezas devo oferecer ao outro.

Agora, o que realmente é objetável e condenável são ideologias, movimentos e grupos que instrumentalizam a luta alheia, fazendo de pessoas mera massa de manobra para alcançar seus objetivos espúrios. Mas essa é outra conversa…

Deus tenha piedade de todos nós. [MB]

Leia também: “Gays nascem gays?”