A serpente como chave hermenêutica

Leandro Quadros: resposta à live desastrosa sobre feminismo, de Ivone Gebara

Relativismo moral e redefinição de pecado

“O oceano das misericórdias de Deus limita-se às praias de Sua justiça”

relativ

O relativismo moral, ao minimizar os efeitos e (tentar) redefinir o pecado, contribui para a formação de uma sociedade (e uma religião) cada vez mais universalista. Nesse contexto, o Jesus que oferece a outra face e nos convida a amar nossos inimigos parece não Se identificar com um Deus que supostamente autoriza um apedrejamento, que enterra no fundo do mar centenas de cavalos e cavaleiros perseguidores de Seu povo, que extermina praticamente toda uma geração sob as águas de um dilúvio ou que envia fogo do céu sobre a ímpia Sodoma.

Resta, portanto, como uma conveniente alternativa: adotar um conceito de inspiração parcial, defender uma “mudança de postura divina”, ou alegorizar certos relatos bíblicos, o que em tese lhe permite a construção de um cardápio teológico particular.

Fato é que a realidade irrefutável e consoladora do caráter amoroso de Deus não implica necessariamente que Ele aprove tudo o que o objeto de Seu amor faça. Na verdade, a aprovação sequer se faz necessária ao amor de Deus, visto que tal atributo se manifestou quando ainda éramos Seus inimigos. Tudo o que Deus fez e continua fazendo por nós e em nós visa a primariamente uma vida de santificação, sem a qual, conforme afirmam as Escrituras, ninguém O verá.

Gosto de uma famosa citação de Strong que afirma: “O oceano das misericórdias de Deus limita-se às praias de Sua justiça”, e como diz o pastor Emilson dos Reis: “É somente quando os juízos divinos são considerados que Seu amor e Sua misericórdia se tornam uma vívida realidade.”

Portanto, sejamos cautelosos ao nos deparar com uma pretensa manifestação de amor que prioriza e milita em favor de uma mera aceitação social, sem levar em conta a salvação eterna. Uma empatia funcional que estende e aparenta caminhar pelo tapete multicolor da tolerância, da diversidade e do diálogo (desde que exista concordância ideológica), mas que rejeita e repele qualquer menção a uma nova vida em Cristo ou à luta contra o pecado.

Todo e qualquer conceito de amor não construído sobre a perspectiva da eternidade está fadado ao fracasso, pois, de forma consciente ou não, repleto de boas intenções ou com interesses escusos, relativiza o sofrimento de Cristo, o peso dos pecados suportados (por nós) na cruz do Calvário, e o transforma em um mero mártir social.

(Matheus Amaral; Adventismo Sólido)

Ovos de serpentes dentro de casa

Tivemos ondas liberais no passado, mas as ondas nunca são únicas e sempre retornam com mais força que as anteriores

cobra

Em certa casa começaram a aparecer cobras quase toda semana. Elas apareciam dentro da cozinha. Esse fenômeno foi esclarecido ao se perceber que havia um ninho de serpente debaixo do piso da cozinha. E as serpentes nasciam dentro de casa, na parte inferior do piso. Assim que encontravam um ambiente favorável, apareciam. Podemos constatar algo parecido que eventualmente pode acontecer em nossas igrejas. Por vezes, seres criados em casa voltam suas armas contra os próprios moradores da mesma casa para atacá-los.

Há quase 20 anos tive meu primeiro contato com uma onda perfeccionista. Estudei o assunto e até produzi alguns textos a respeito (aqui e aqui). Porém, eu tinha certeza de que a próxima onda seria mais forte e com uma inclinação liberal. Afinal, àquela altura, ninguém mais queria ser associado aos perfeccionistas e isso inevitavelmente geraria forte ação liberal. Estava claro para mim que o resultado final da onda perfeccionista seria inevitavelmente o contrário daquilo que eles supunham que conseguiriam. Enquanto imaginavam que eram a última bolacha do pacote de fiéis, acabaram abrindo a caixa de pandora liberal.

Quando os chamados “comedores de alface” foram controlados e o problema aparentemente solucionado, começaram a eclodir os ovos da serpente. E, com o ambiente propício, começaram a aparecer na cozinha, na sala, no quarto e em outros locais. Suas frases de efeito e seus posicionamentos perturbadores e desafiadores começaram a se tornar comuns, e sempre que questionados, davam uma escorregada e deslizavam seu corpo gelado e asqueroso para baixo de algum móvel, nas sombras. Sempre se vitimizando e não aceitando refutações em público, apelando ao diálogo no privado, mas sempre jogando suas manifestações e ataques a pessoas e à igreja na praça pública virtual. Como nasceram dentro da casa, sabem o quanto de veneno poderão injetar em suas vítimas sem serem devidamente responsabilizados por suas ações.

Quem presencia a ação dessas serpentes deslizando dentro de casa clama por uma ação enérgica que possa dar fim ao perigo, principalmente às crianças espirituais que andam tranquilamente dentro de casa e que não possuem maturidade suficiente para separar o bem do mal. Podemos ser tentados a forçar a saída dessas serpentes de dentro de casa para um ambiente mais alinhado com suas filosofias de vida. Mas as palavras de Cristo de que devemos deixar o joio junto com o trigo até a colheita nos assustam e testam nossa paciência.

Diante dos riscos que a presença dessas serpentes oferece, o que podemos fazer para nos proteger?

“Em anos ulteriores foi-me mostrado que as falsas teorias insinuadas no passado, de maneira alguma surgiram em vão. Em havendo oportunidades favoráveis, elas reaparecerão. Não nos esqueçamos de que tudo o que puder ser abalado sê-lo-á. Com algumas pessoas o inimigo será bem-sucedido ao subverter a fé, mas os que forem fiéis aos princípios não serão abalados. […] Não devemos entrar em controvérsia com os que mantêm falsas teorias” (Ellen White, Primeiros escritos, p. 81).

Esse conselho é muito importante. Tivemos ondas liberais no passado, mas as ondas nunca são únicas e sempre retornam com mais força que as anteriores. É só haver oportunidade e elas reaparecem. É só o ambiente se tornar favorável, lá estão elas. E, diga-se de passagem, nosso ambiente está se tornando mais favorável a uma nova onda perfeccionista… Mas nos preocupemos com a vacina para a atual onda e deixemos a próxima para o futuro. Tudo que puder ser abalado será. Só estará em segurança e não será abalado quem for fiel aos princípios que temos mantido. E nesse ambiente de controvérsias não devemos discutir. Não devemos dar palco nem microfone para esses discursos liberais.

Como fazemos isso? Quando compartilhamos as ideias apresentadas por eles, mesmo quando não concordamos com elas. O ambiente virtual e das redes sociais é impulsionado por reações ao que é postado. Curtir, comentar, compartilhar, tudo é usado pelo algoritmo para propagar aquela ideia a um número maior de pessoas. Por exemplo, numa postagem com a qual você não concorda, se você comentar e for contra aquela ideia, seu comentário estará impulsionando o conteúdo. Maior será o número de pessoas que visualizará a postagem. É uma espécie de efeito colateral. E se mais pessoas entrarem em contato com a postagem, maior será o risco de se contaminarem com o vírus liberal. Essa legião de contaminados tem crescido e cada vez mais eles se sentem com coragem suficiente para expressar suas posições abertamente. Nessa hora, devemos ter coragem para defender nossa posição com postagens que sejam fundamentadas na Palavra de Deus. Não responder nas postagens deles, para não impulsionar o erro, mas postar em nossos perfis nas redes sociais as nossas crenças e o apoio à verdade que liberta. (Veja Tito 3:9-11.)

Como igreja temos uma missão. Surgimos no tempo apontado pela profecia. Não estamos aqui por acaso. Deixemos de lado postagens que espalham em vez de ajuntar. Deixemos de seguir quem tem um perfil que não está alinhado ao Assim diz o Senhor. Sigamos Jesus e cumpramos nossa missão de buscar e salvar o perdido. “Vem, Senhor Jesus!” (Apocalipse 22:20).

(Vanderlei Ricken é bibliotecário do IACS)

Hermenêuticas alternativas 2: a origem

Hermenêuticas alternativas encontram sua base no método da serpente

serpente

“A primeira tentação, na qual caíram Adão e Eva, teve um cunho nitidamente hermenêutico. Deus disse que, em caso de desobediência, “certamente morrereis” (Gn 2:17). Mas ao ser argumentado em contrário, “é certo que não morrereis” (Gn 3:4), abriu-se uma perspectiva de interpretação alternativa à Palavra de Deus já estabelecida. Como resultado de aceitá-la (Gn 3:7), houve mudança (1) de entendimento (שָׂכַל – śā·ḵǎl), referido na expressão “abriram-se os olhos” (v. 5-7); (2) de percepção de si mesmos e de mundo, pois “perceberam (יָדַע – yā·ḏǎʿ) que estavam nus”; e (3) de atitudes, já que “fizeram (עָשָׂה -ʿā·śāh) cintas” e “esconderam-se” (חָבָא – ḥā·ḇāʾ). Desde aquele momento ficou patente que uma hermenêutica alternativa é aquela que propõe leitura das Escrituras baseada na aceitação de noções, crenças ou atitudes que não tenham em seu favor o “assim diz o Senhor”. Portanto, uma hermenêutica alternativa não apenas destoa da Palavra, mas também é contrária aos seus ensinos.

Mesmo com o passar do tempo, a técnica de se colocar em dúvida as verdades reveladas não mudou. As tentações de Cristo são reveladoras quanto a isso. Para cada tentação (Mt 4:1-11) foi usado o “se” (εἰ – ei) hipotético em forma de especulação quanto à Palavra de Deus, notando-se suas ocorrências por meio do “se” da dúvida na primeira tentação (Mt 4:3), o “se” da descontextualização na segunda (Mt 4:6), e o “se” da alternativa na terceira (Mt 4:9). Não por acaso, depois de ressurreto, Cristo deixou outra lição prática de como se interpretar com segurança as Escrituras. Em Sua jornada com os caminhantes de Emaús (Lc 24), Ele lhes “expunha” (v. 27, διερμηνεύω – diermēneuō), ou seja, abria e explicava (v. 32, διανοίγω – dianoigō) o sentido definido e inequívoco das Escrituras, sem abertura para dúvida ou ressignificação. Mais tarde, no mesmo dia, foi reafirmada aos demais discípulos a mesma realidade: a Escritura deve ser interpretada segundo a própria Escritura (Lc 24:27, 32, 44-45).

No fim das contas, as hermenêuticas alternativas encontram sua base no método da serpente, que é especialista em tergiversar, duvidar, desconstruir e enganar.

(Dr. Carlos Flávio Teixeira; via Instagram Adolfo Suarez)

Sacudidura no povo de Deus

Não sejamos indiferentes. Não sejamos rebeldes. Não sejamos ignorantes. Estejamos atentos!

Em sua caminhada de igreja militante para igreja triunfante, o povo remanescente enfrentará crises. A sacudidura será uma delas: “Porque eis que darei ordens e sacudirei a casa de Israel entre todas as nações, assim como se sacode trigo na peneira, sem que um só grão caia na terra” (Amós 9:9). “Simão, Simão, eis que Satanás pediu para peneirar vocês como trigo! Eu, porém, orei por você, para que a sua fé não desfaleça. E você, quando voltar para Mim, fortaleça os seus irmãos” (Lc 22:31, 32).

O QUE É A SACUDIDURA?

Sacudidura é um vocábulo figurativo que designa uma experiência especial de seleção e apostasia do povo de Deus. Na “sacudidura”, o grão é peneirado para que os quebrados ou qualquer outro corpo estranho caiam por entre os furos da peneira, e a palha seja soprada para fora. Todo filho de Deus individualmente, e a igreja no conjunto, passará por uma prova especial que chacoalhará e abalará sua fé, prova essa denominada “sacudidura”. Isso já aconteceu em épocas passadas e se repetirá no tempo do fim, de uma forma muito específica, porque o inimigo sabe que lhe resta pouco tempo, e porque quer fazer com que o maior número possível de pessoas apostate, que abandone a fé.[1]

Ao descrever o processo da sacudidura, Ellen G. White escreveu: “Satanás desceu com grande poder, para operar com todo o engano da injustiça para os que perecem; e tudo que pode ser abalado o será, e as coisas que não podem ser abaladas, permanecerão.”[2] “Deus está cirandando o Seu povo. Terá uma igreja pura e santa. Não podemos ler o coração dos homens. O Senhor, porém, tem provido meios para manter pura a Sua igreja.”[3]

Note que a sacudirá será efetuada tanto por Satanás quanto por Deus; Satanás sacudirá as pessoas com a finalidade de destruí-las para sempre, e Deus o fará com o objetivo de provar a fé, de purificar Seu povo. Infelizmente, membros da igreja abandonarão a fé em Jesus Cristo. E alguns desses membros estarão ocupando funções ou posições de grande importância. E o que é pior: alguns desses apóstatas se converterão nos piores inimigos da verdade e do povo de Deus. Mas fique tranquilo: os que tiverem uma vida de plena consagração e de verdadeira comunhão com Deus, não serão afetados por esse processo.[4]

QUAIS AS RAZÕES PARA A SACUDIDURA E A QUEDA DE MUITOS?

1. Descuido e indiferença

Ellen G. White escreveu: “Os descuidosos e indiferentes, que não se uniam com os que prezavam suficientemente a vitória e a salvação, para por elas lutar e angustiar-se com perseverança […] foram deixados atrás, em trevas, e seu lugar foi imediatamente preenchido pelos que aceitavam a verdade e a ela se filiavam” (PE, 271).

Os descuidosos são aqueles que não prestam atenção ao que é importante na vida espiritual; vivem a vida ao som do ritmo do mundo. Não abandonam totalmente a fé, mas também não se comprometem totalmente com ela. Querem viver a glória da eternidade, mas também não querem perder as luzes e o colorido do mundanismo. E ao querer as duas coisas, vão se perder.

2. Recusa da mensagem de Deus a Laodiceia

“Conheço as obras que você realiza, que você não é nem frio nem quente. Quem dera você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, e não é nem quente nem frio, estou a ponto de vomitá-lo da Minha boca” (Ap 3:15-19).

Os que perseverarem em sua indiferença, e não receberem humildemente a admoestação de Cristo contida na mensagem à igreja de Laodiceia, esses serão vomitados ou expelidos da igreja de Cristo no tempo da sacudidura.

“Alguns não suportarão esse testemunho direto [a mensagem de Deus à igreja de Laodiceia]. E por isso se levantarão contra ele, e isso é o que determinará a sacudidura entre o povo de Deus” (PE, 270).

A mensagem a Laodiceia nos convida a um cristianismo de verdade, de compromisso; um cristianismo dependente de Cristo, de Sua salvação, de Sua Palavra. Alguns não querem e não quererão isso; preferem viver sua religiosidade antropocêntrica, sua espiritualidade cultural “relevante”, seu ativismo político religioso, sua religião puramente social, suas causas humanistas, sua teologia pós-moderna e sincrética.

Quem assim crer e viver, distanciando-se da fé bíblica, vai apostatar da fé em Cristo.

3. Conhecimento superficial

“A experiência do passado vai se repetir. No futuro, as superstições de Satanás assumirão novas formas. Erros serão apresentados de maneira agradável e lisonjeira. Falsas teorias serão apresentadas ao povo de Deus, revestidas de trajes de luz. Assim Satanás procurará enganar, se possível, até os escolhidos. As mais sedutoras influências serão exercidas; mentes serão hipnotizadas” (TS1, 270, 271).

Muitas pessoas não serão capazes de identificar as falsas doutrinas, porque seu conhecimento doutrinário será muito fraco para verificar o que é verdadeiro e o que é mentiroso.

Não sejamos indiferentes. Não sejamos rebeldes. Não sejamos ignorantes. Estejamos atentos. Sejamos submissos a Deus. Busquemos conhecimento da Palavra.

“Senhor, tenha misericórdia de todos nós!”

Referências:

(1) Fernando Chaij. Preparação Para a Crise Final, p. 64.

(2) Ellen G. White. Testemunhos Seletos, v. 3, p. 312.

(3) Ellen G. White. Testemunhos Para a Igreja, v. 1, p. 99.

(4) Fernando Chaij. Preparação Para a Crise Final, p. 64.

(Adolfo Suarez; Facebook)

Cristocentricidade ideológica

Cristo é o Centro do Texto e de nossa vida; ler e estudar TODO o cânon fortalece nosso conhecimento pleno Dele

Jesus

Infelizmente, a mercantilização e ideologização da religião tem colocado Cristo como mais um produto em exposição na prateleira do self-service religioso. Wayne Meeks afirmou: “Como uma marca de xampu promete uma solução para o cabelo crespo, uma marca de detergente a solução para uma roupa amarelada, um novo modelo de carro a resposta para a solidão e (indiretamente) desejo sexual, então Jesus é a resposta para qualquer coisa que você deseje. Sem dúvida, Jesus Se transformou no que quer que você deseje, uma marca que serve para tudo, uma resposta para todas as necessidades, desejos, fantasias e especulações” (2007, p. 10).

Nesse sentido, quando se fala em “cristocentricidade”, é fundamental explicar o que se quer dizer com esse termo, o que se pretende com esse conceito. Não podemos negar que Cristo é o centro do Texto, sendo seu Significado e Significante. Todavia, George Gunn (2013, p. 1) nos alerta para o fato de que a prática excessiva e descuidada de interpretação cristocêntrica entre os reformadores levou-os, por exemplo, a extremos verificados nas interpretações tipológica e alegórica. Nesses surtos teológicos, o símbolo superou a Essência; a foto superou a Pessoa.

O que fazer?

É verdade que “a enormidade da vida de Jesus fala-nos ainda hoje” (Flusser, 1997, p. 23). Mas é também verdade que desvincular Sua vida e Suas obras de toda a Escritura é um enorme perigo. Afinal, toda a Escritura (AT e NT) testifica de Jesus; mas isso parece ser frequentemente negligenciado (Williams, 2012, p. 9).

Cristo é o Centro do Texto e de nossa vida; ler e estudar TODO o cânon fortalece nosso conhecimento pleno Dele.

(Adolfo Suarez, Instagram)


Bibliografia:

FLUSSER, D.; NOTLEY, R. S. Jesus. Jerusalem: Magnes Press, 1997.

GUNN, G. The Christocentric Principle of Hermeneutics and Luke 24:27. 2013.

MEEKS, W. A. Cristo É a Questão. São Paulo: Paulus, 2007.

WILLIAMS, M. How to read the Bible through the Jesus lens: a guide to christ- focused reading of scripture. Grand Rapids: Zondervan, 2012.

ASSUSTADOR! Meu primeiro contato com a Alta Crítica

“Vá e não peque mais” ou “Vá embora”? (parte 2)

Mais algumas considerações sobre o post anterior

mulher adultera

A história da mulher adúltera escancara a hipocrisia dos líderes religiosos judaicos. Os escribas e fariseus não estavam tão interessados em punir a mulher quanto estavam em condenar Jesus. Jesus era o verdadeiro alvo. A mulher, apenas a isca. Afinal, ela não cometera adultério sozinha, e a lei determinava que ambos, homem e mulher, deveriam ser apedrejados (Lv 20:10). A ausência do homem revela a malícia dos acusadores. A atitude perdoadora de Jesus se contrapôs à deles. Mas o que isso significa? Que o pecado da mulher não era grave ou era menos grave que a hipocrisia dos judeus?

Alguns argumentam como se a hipocrisia de uns justificasse o pecado de outros. Nada poderia ser mais equivocado. Por que o equilíbrio quanto a esse assunto parece ser tão difícil? Alguns só condenam o pecado (e o pecador). Outros só exaltam a graça, e com isso promovem um cristianismo romântico, colorido, em que a obediência cristã tem pouca ou nenhuma importância. Que fique claro: a graça oferece perdão ao pecador, não isenção de obediência. A ética divina não muda. Pecado não deixa de ser pecado. Obediência não se torna menos necessária apenas porque existe perdão.

Seria bom reler passagens como Efésios 2:8-10 e Tito 2:11-14. Os escribas e fariseus haviam tornado a religião um amontoado de regras e observâncias que, em si mesmas, só alimentavam a arrogância e a hipocrisia humanas. Jesus Se opôs a eles não porque comportamento não seja importante, mas porque o comportamento deles era insuficiente e não emanava de um coração sincero (Mt 23:23-28). Jesus jamais minimizou a necessidade de uma vida fiel e responsável diante de Deus. Pelo contrário, Ele disse: “Se a justiça de vocês não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrarão no Reino dos Céus” (Mt 5:20).

A ética religiosa de Jesus vai além da dos escribas e fariseus. Ela começa pelo coração e se revela mediante uma vida plenamente dedicada e consagrada a Deus, conquanto não exista perfeição deste lado da eternidade. Portanto, “vá e não peque mais” é tanto parte do evangelho quanto “nem Eu também a condeno”.

(Dr. Wilson Paroschi, Instagram)

O fim da conversão

Jesus não veio para “entender” nosso pecado, mas para perdoar e dar forças para vencermos o pecado

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A conversão é um dos fundamentos do Reino de Deus. Jesus, o Rei, chama as pessoas para passarem “das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1Pd 2:9). Conversão, portanto, é mudança de direção, é deixar de andar em direção ao pecado e passar a andar em direção a Cristo. Como diz Paul Hiebert, “é mudança de cosmovisão”.

O apóstolo Paulo retratou essa realidade de maneira muito clara ao dizer: “O que furtava não furte mais; antes trabalhe” (Ef 4:28). Aliás, em sua própria vida Paulo evidenciou a necessidade de conversão. Ele era perseguidor dos cristãos e deixou de ser.

Essa realidade é vista em toda a Bíblia. Pedro precisou ser convertido, assim como João, a mulher adúltera, Manassés, Maria Madalena e muitos outros.

Hoje, infelizmente, vemos alguns querendo viver um evangelho customizado, no qual a Bíblia se adapta à vida das pessoas. Estão tentando “converter a Bíblia”.

A necessidade de conversão continua sendo a mesma desde que o pecado infectou o mundo. No Reino de Deus, quem mente, deve deixar de mentir, quem é orgulhoso deve deixar de ser, quem pratica a homossexualidade deve abandonar a prática, quem usa drogas, deve parar, quem fofoca, deve cessar, e segue o mesmo pensamento para todos os pecados.

Jesus deixou isso claro ao dizer para a mulher: “Vai e abandone seu pecado” (Jo 8:11). Paulo confirma ao escrever: “Alguns de vocês eram assim. Mas foram lavados do pecado” (1Co 6:11).

Jesus não veio para “entender” nosso pecado, mas para perdoar e dar forças para vencermos o pecado. O Espírito Santo quer nos levar à conversão a cada dia. Permitamos!

(Fellipe Amorin, Instagram)