Jesus é realmente Deus eterno?

Jesus“E a vida eterna é esta: que Te conheçam, a Ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” João 17:3

Que o Jesus histórico realmente existiu é praticamente indiscutível (confira aqui), já a divindade e eternidade dEle é tema de debates inclusive no meio cristão. Na verdade, a doutrina bíblica da Trindade tem sido atacada há muito tempo. Satanás usa duas frentes principais em seu ataque à Divindade: (1) como não pode negar a personalidade de Jesus, ele desqualifica a divindade dEle; (2) como não pode negar a divindade do Espírito Santo, ele desqualifica a personalidade dEle (mas este ponto dois ficará para outra ocasião). As pessoas que negam a Trindade dizem que Jesus não é Deus eterno, que veio à existência em algum momento; e o Espírito Santo é apenas a força de Deus, o poder de Deus. Alguns dizem que o Espírito Santo é o próprio Pai, outros que é Jesus, outros ainda sustentam que o Espírito Santo é o Espírito compartilhado pelo Pai e pelo Filho.

Em sua tentativa de provar que Cristo não é Deus em Sua plenitude, alguns dizem que Jesus é Deus por geração. Na verdade, esse é um termo que usam para dizer que Cristo não foi criado, mas gerado. A questão é: a palavra pode até ser diferente, mas o conceito é o mesmo – Cristo veio à existência de alguma forma e houve um momento na eternidade em que Ele não existia. O Pai O trouxe à existência, seja por geração ou criação, não importa. Aqui está o primeiro grande erro: Deus não é um ser que pode ser criado ou gerado. Esse é o conceito grego, quando falavam de suas divindades. A Bíblia nega o conceito de uma divindade que não possui a eternidade. Ser Deus implica necessariamente ser eterno, tanto para frente quanto para trás. Se foi criado, não é Deus. Se foi gerado (no sentido de vir à existência e não no sentido bíblico de entronização), não é Deus. Deus é eterno.

Quando a Bíblia diz “Tu és meu filho, Eu hoje Te gerei”, em Hebreus, está fazendo alusão ao Salmo 2:7, onde se fala da entronização de Davi. Davi não foi gerado naquele dia em que escreveu o Salmo 2 (no sentido de ter nascido ou vindo à existência), assim como Jesus, em Hebreus. Portanto, o verbo “gerar” não pode implicar em vir à existência, mas o contexto é claro em mostrar que se trata da entronização.

Cristo é Deus? É eterno? Sim, a Bíblia diz que sim:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1).

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os Seus ombros, e Se chamará o Seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6).

Como o Pai da Eternidade, aquele que cria a eternidade, não seria eterno?

Vejamos a seguir alguns textos de Ellen White sobre a divindade e eternidade de Cristo:

“Ao falar de Sua preexistência, Cristo faz o pensamento remontar aos séculos eternos. Ele nos assegura que nunca houve um tempo em que não estivesse em íntima ligação com o Deus eterno. Aquele cuja voz os judeus estavam então ouvindo estivera com Deus como Alguém que Se achava em Sua presença” (Signs of the Times, 29 de agosto de 1900).

“Antes de serem criados homens ou anjos, a Palavra [ou Verbo] estava com Deus, e era Deus. O mundo foi feito por Ele, ‘e sem Ele nada do que foi feito se fez’ (João 1:3). Se Cristo fez todas as coisas, existiu Ele antes de todas as coisas. As palavras faladas com respeito a isso são tão positivas que ninguém precisa deixar-se ficar em dúvida. Cristo era, essencialmente e no mais alto sentido, Deus. Estava Ele com Deus desde toda a eternidade, Deus sobre todos, bendito para todo o sempre. O Senhor Jesus Cristo, o divino Filho de Deus, existiu desde a eternidade, como pessoa distinta, mas um com o Pai. Era Ele a excelente glória do Céu. Era o Comandante dos seres celestes, e a homenagem e adoração dos anjos era por Ele recebida como de direito. Isto não era usurpação em relação a Deus” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 247, 248).

O que significa toda eternidade? Toda é toda! Ou seja, precisamos aceitar que:

  1. Nunca houve um tempo em que Cristo não estivesse com o Pai. E nunca é nunca mesmo.
  2. Ele é Deus no mais alto sentido, portanto não pode ter vindo à existência de alguma forma, porque Deus não nasce, Deus é.
  3. Estava com o Pai desde toda eternidade. Toda é toda. Se você pudesse viajar a qualquer ponto da eternidade, lá estaria Jesus. Se Ele não estivesse, Ellen White seria mentirosa, pois ela disse toda eternidade.

A Bíblia diz que Deus existe de eternidade a eternidade. Claramente o texto está falando de eternidade pretérita e eternidade futura. Veja: “Antes que os montes nascessem, ou que Tu formasses a Terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, Tu és Deus” (Salmo 90:2). De quem esse texto está falando? Quem é esse ser eterno para frente e para trás? Veja o que diz Ellen White:

“‘Antes que os montes nascessem, ou que Tu formasses a Terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, Tu és Deus’ (Salmo 90:2). ‘O povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou’ (Mateus 4:16). Aqui se apresentam a preexistência de Cristo e o propósito de Sua manifestação ao mundo, como raios vivos de luz do trono eterno. ‘Agora ajunta-te em esquadrões, ó filha de esquadrões; pôr-se-á cerco contra nós: ferirão com a vara no queixo ao juiz de Israel. E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade’ (Miqueias 5:1, 2)” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 248).

Portanto, qualquer tentativa de mostrar que Cristo não é Deus eterno, que Ele foi gerado e que não existia desde sempre com o Pai é apenas um esforço maligno para distorcer essa verdade tão bela da plena divindade e eternidade de Jesus. Ele é Deus, sempre existiu, sempre foi um com o Pai, sempre esteve com Ele. Ele é o YHWH do Antigo Testamento. Como disse a serva do Senhor falando de Jeová, aquele que aparece no Antigo Testamento: “Jeová é o nome dado a Cristo” (Signs of the Times, 3/5/1899).

(Eleazar Domini, além de bacharel em Teologia, é mestre em Teologia na área de Interpretação e Ensino da Bíblia com ênfase na língua hebraica, e atuou em 2018 nas áreas de jovens, desbravadores, aventureiros, universitários, comunicação e liberdade religiosa para toda região Sudoeste e Oeste da Bahia. Atualmente é pastor distrital em Aracaju)

 

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Apocalipse: “Faço novas todas as coisas”

nova jerusalemFinalmente, chegamos à conclusão do livro do Apocalipse: a Terra renovada ao seu status original sem a presença do pecado. Jesus é retratado como um grande conquistador, montado em um cavalo branco, assim também como o Seu exército de milhões de anjos que O seguem. O pecado e os pecadores impenitentes finalmente deixarão de existir. A Terra será renovada e será até mesmo melhor que no princípio, pois desta vez o próprio Deus habitará conosco ao transferir o próprio trono para a Terra (21:2, 3; 22:3).

Perguntas para discussão e aplicação

Compare Apocalipse 19:7, 8 com 7:13, 14; Isaías 61:10; 64:6. O que causa essa mudança de “vestes” espirituais ou de caráter? Apesar de não sermos salvos por nossas próprias obras, o que significam as “vestes de justiça” daqueles que serão salvos?

1. Apocalipse 19:11-16 retrata simbolicamente Jesus voltando com Seu exército de anjos, todos montados em “cavalos brancos”. Em sua opinião, qual é o significado dessa ilustração? O que significam os nomes de Jesus nesse texto para essa ocasião? O que significa a “espada” que sai de Sua boca (ver Efésios 6:16)? De acordo com 19:21, de que forma essa “espada” tem o poder de matar os homens?

2. Leia Apocalipse 14:19, 20 e 19:17-21, textos que tratam da ocasião da volta de Jesus. Por que esse evento tão aguardado pelos cristãos é retratado com imagens tão fortes quando se refere aos perdidos? Compare esse pensamento com Provérbios 8:35, 36; Ezequiel 33:11; João 3:16; Romanos 6:23 e responda: Por que o evangelho, ao fim, se resume em vida ou morte?

3. Note o que o texto diz sobre as aves em 19:17, 18, 21. Se essas palavras forem literais, isso significa que os animais continuarão vivos depois que os humanos ímpios morrerem e as aves se banquetearão com os seus cadáveres. Isso era considerado uma grande maldição na Antiguidade. Em sua opinião, por que os animais, diferentemente dos humanos impenitentes, não morrem diante da presença de Deus nessa ocasião?

4. Depois da volta de Jesus os salvos passarão mil anos no Céu com Jesus e com todos os salvos ressuscitados e trasladados de todas as épocas. Leia sobre a situação do planeta Terra nesse período em Apocalipse 20:1-3 e Jeremias 4:23-26. Só depois desses mil anos os ímpios finalmente deixarão de existir. Em que sentido Satanás estará “preso” durante esses mil anos? Por que Deus não o destrói de uma só vez na ocasião de Sua vinda em vez de esperar esse longo período? Leia Mateus 19:28; 1 Coríntios 6:2, 3; Apocalipse 20:4-6 e responda: Qual o propósito dos mil anos antes da eliminação final e total do mal?

5. De acordo com Apocalipse 20:7-9, o que acontecerá após o período do milênio? Por que tem que ser assim? O que isso nos diz sobre a gravidade do pecado? Como seria o Universo se o pecado não fosse jamais erradicado?

6, Compare Isaías 65:17; 66:22; 2 Pedro 3:13 e Apocalipse 21:1. Por que precisamos de um “novo céu” e uma “nova Terra”? De que forma o pecado estragou o nosso céu atmosférico e a Terra? Por que Jesus Se preocupa até com o nosso futuro habitat? E por que Ele mesmo vai morar conosco dessa vez?

7. Leia Apocalipse 21:21-22:5. Imagine a cidade santa inteirinha descendo de algum lugar do vasto espaço sideral, com o trono de Deus no meio dela! Isso significa que essa cidade será a capital do Universo! Significa que Deus morará conosco! Significa que este planetinha, daí em diante, passará a ser o “Céu”, porque o Céu é onde está o trono de Deus! O que isso tudo diz ao seu coração? Como esses fatos maravilhosos o estimulam a ser fiel até o fim?

Este é o fim do nosso estudo sobre o livro do Apocalipse. Mas devemos continuar estudando sempre. Como este estudo impressionou você? O que mais lhe impactou? Quanto você realmente gostaria de passar pelas provas finais e estar entre os salvos? Como esse desejo deve se refletir em sua vida diária?

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Apocalipse: o evangelho eterno de Deus

ThreeAngelsMessageO capítulo 14 apresenta o caráter, a missão e a vitória do povo remanescente de Deus no tempo do fim. Ele se inicia com uma visão dos salvos no Céu e uma descrição do caráter deles (1-5); logo depois ele retrocede no tempo em um flashback para apresentar esses mesmos salvos pregando o evangelho a todo o mundo na figura de três anjos (6-12); em seguida é usado um símbolo frequente nas Escrituras: o próprio Senhor fazendo a colheita final das searas da Terra, tanto dos salvos quanto dos perdidos (14-20).

Perguntas para discussão e aplicação

1. Que relação existe entre a promessa de Jesus em Mateus 24:14 e a visão de João em Apocalipse 14:6?

2. Por que essa cena dos três anjos (gr. angelos, “mensageiros”) pregando o “evangelho eterno” não pode estar se referindo a anjos literais? (R.: Anjos não pregam o evangelho; essa é uma tarefa que foi confiada aos humanos). Se são seres humanos, por que os três “anjos” são representados “voando pelo meio do céu” enquanto proclamam o evangelho ao mundo?

3. Por que a mensagem de Salvação por meio de Jesus Cristo é chamada de “Evangelho Eterno”? Leia Mateus 25:34; Efésios 1:4; Apocalipse 13:8; 17:8. Tendo isso em mente, em que sentido Jesus foi morto “antes da fundação do mundo”?

Sobre a mensagem do primeiro anjo

Compare Apocalipse 14:7 com Eclesiastes 12:13, 14. Que pontos semelhantes aparecem nessas duas passagens? (R.: Temer a Deus; dar-Lhe glória por meio da obediência; e a certeza de um juízo). Se esses dois textos estão dizendo essencialmente a mesma coisa, o que significa “dar glória a Deus” nesse contexto? (R.: guardar os Seus mandamentos). Ao se considerar o dever de todo ser humano no Antigo e no Novo Testamentos, de acordo com essas passagens, o que mudou? Por quê?

Diferentemente de “ter medo”, o que significa “temer” a Deus, no contexto do evangelho?

Por que o primeiro anjo/mensageiro diz que já “chegou a hora do juízo”? Desde quando essa mensagem está sendo pregada? Pense nisto: apenas uma igreja está pregando ao mundo essa mensagem (de que o juízo já começou). O que isso lhe diz?

Em sua opinião, por que várias religiões do mundo evangélico ridicularizam o conceito de um juízo investigativo ocorrendo antes da segunda vinda de Cristo? (R.: porque desconhecem que, quando Jesus voltar, todas as pessoas na Terra já terão sido julgadas, pois elas receberão sua salvação ou condenação segundo as obras que tiverem praticado antes, conforme Mateus 16:27; Romanos 2:6; Apocalipse 20:12; 22:12, etc.)

Por que os cristãos devem ficar felizes com o fato de que Deus trará o mundo a juízo?

Que palavras da primeira mensagem angélica (v. 7) indicam que a santidade do sábado faz parte do evangelho eterno? (R.: “Aquele que fez”; “o céu, e a Terra, e o mar”; cf. Êxodo 20:11.)

Sobre a mensagem do segundo anjo (14:8)

Apesar de o verbo estar no passado (“caiu, caiu”), quando a “Babilônia” simbólica do fim dos tempos realmente cairá? (R.: quando ela se unir ao Estado para impor suas próprias leis ferindo a consciência dos que querem ser fiéis a Deus, cf. 13:16-18.)

Veja Apocalipse 17:2. O que significa a afirmação de que a mística Babilônia tem embebedado a todas as nações com seu “vinho” intoxicante? Como podemos estar livres de beber esse vinho, mesmo “sem perceber”?

Sobre a mensagem do terceiro anjo (14:9-12)

Leia atentamente Apocalipse 14:9, 10. Por que a mensagem do terceiro anjo (que será muito mais forte após a imposição do sinal da besta) parece tão “severa”?

Apesar de o texto dizer “a fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos”, como sabemos que essa punição não será eterna? Que argumentos e versículos você pode usar para defender o conceito bíblico? (R.: exemplos: Malaquias 4:3; João 3:16; Romanos 6:23; 2 Tessalonicenses 1:9; 2 Pedro 2:12, etc.)

O “anjo”/“mensageiro” identifica o grupo ao qual pertence no verso 12. Quem é esse grupo? O que significa a afirmação “aqui está a paciência [ou perseverança] dos santos”? Como podemos fazer parte desse grupo de remanescentes dos últimos tempos?

Notas importantes

Os três anjos simbolicamente voando pelo meio do céu com a mensagem final do evangelho ao mundo não significam anjos literais. São seres humanos que permanecem fiéis à Palavra de Deus no fim dos tempos. Isso pode ser confirmado por pelo menos dois motivos.

Em primeiro lugar, anjos não pregam o evangelho. Eles podem cooperar com o avanço dele, mas não podem efetivamente pregá-lo, pois essa é uma tarefa que Deus outorgou aos seres humanos apenas (Mt 28:19, 20; At 8:26; 11:13,14; 2Co 4:7; 1Tm 1:15, 16; Hb 1:14; 1Pe 1:12; etc.). Portanto, Apocalipse 14 não se refere a anjos, mas a seres humanos que proclamam as três mensagens de Apocalipse 14:6-12. A ilustração de “voarem pelo meio do Céu” pode significar a velocidade com que a mensagem é proclamada a todo o mundo e o seu alcance.

Em segundo lugar, a palavra grega “angelos” significa tanto “anjo” quanto “mensageiro”. Por isso, no texto bíblico original, ela é também muitas vezes usada para designar seres humanos como “mensageiros” (ver Mt 11:10; Lc 7:24; 9:52; Fp 2:25; Tg 2:25; etc.). Jesus também é chamado de Mensageiro (“angelos”) do Senhor em várias ocasiões (Gn 16:7, 9, 10, 11; 21:17; 22:11, 15; 31:11-13; Êx 3:2-6; Nm 22:22-35; Jz 2:1-4; 6:11-23; 13:3-22; Zc 3:1-4). Curiosamente, em Apocalipse 18:1, até mesmo o Espírito Santo é chamado de “angelos” (Mensageiro) pouco antes da volta de Jesus. Nessa ocasião (conhecida como a “chuva serôdia”; cf. Os 6:3; Tg 5:7; etc.), o Espírito Santo será o grande “Mensageiro” de Deus para fortalecer Seu povo com poder para proclamar a mensagem final ao mundo todo, “iluminando a Terra com a Sua glória”.

As três mensagens angélicas de Apocalipse 14 contêm em seu bojo as doutrinas distintivas da Igreja Adventista do Sétimo Dia, as quais são parte integrante do evangelho eterno: o juízo investigativo a partir de 1844 (“é chegada a hora do Seu juízo”); a criação literal (“adorai aquele que fez”); a guarda do sábado (“fez o céu, a Terra, o mar…”, cf. Êx 20:11); o juízo final (“o vinho da fúria de Deus”).

O “evangelho eterno”, pregado por esses remanescentes, é dirigido “aos que habitam sobre a Terra”. No Apocalipse, essa é uma expressão para se referir apenas aos ímpios, pois o objetivo de vida deles se resume apenas a este mundo (cf. 3:10; 6:10; 8:13; 11:10; 13:8, 14; 17:2).

Na expressão “seguiu-se outro anjo” (Ap 14:8, 9), o verbo “seguir” (gr. akoloutheo) não significa “vir depois” ou consecutivamente, mas “seguir junto” (veja estes exemplos em que a mesma palavra é usada nos textos originais: Mt 8:19, 22; 16:24; Ap 19:14; etc.). Ou seja, “as mensagens do primeiro, do segundo e do terceiro anjos estão todas unidas” (Ellen White, Eventos Finais, p. 60). Porém, à medida que o fim vai se aproximando, essas mensagens vão se “avolumando” até se transformar em um alto clamor (ibid., p. 173; Evangelismo, p. 701).

A expressão “caiu, caiu Babilônia!” é retirada especialmente de Isaías 21:9.

A figura de linguagem “beber do vinho da ira” ou “da taça da ira” de Deus (cf. Ap 14:10) é muito comum no Antigo Testamento; ver, por exemplo, Jó 21:20; Sl 60:3; Is 51:17, 22, 23; Jr 25:15-17, 28, 29; 49:12; 51:7; Ez 23:32-34; Ob 16. O “vinho” intoxicante que Babilônia oferece e que embebeda todas as nações é um evangelho fermentado e corrompido que aprova o erro (coisas como a teoria da evolução, tradições teológicas contrárias à Bíblia, conceito de alma imortal, tormento eterno, padrões impuros para o casamento e para a sexualidade, etc.). O vinho da ira oferecido por Deus significa deixar o pecador colher as consequências naturais de rejeitar o evangelho. A “ira” de Deus, diferente da humana, não tem que ver com sentimento, mas com juízo. Por isso, o “vinho da ira” de Deus será servido na mesma proporção em que a pessoa tiver bebido do “vinho” de Babilônia (Ap 18:6). Conforme vemos em Salmo 75:8, os juízos de Deus antes do fim dos tempos eram oferecidos “com mistura”, ou seja, eram diluídos com misericórdia; porém, de acordo com Apocalipse 14:10, após o fechamento da porta da graça, o juízo de Deus será finalmente oferecido “sem mistura” (ou “não misturado”), em sua força total.

Apocalipse 14:12 – A palavra hypomonê é traduzida como “paciência” em algumas versões (ARC, NTLH) e como “perseverança” em outras (ARA, NVI). Seu significado envolve uma perseverança que suporta pacientemente as provações e a demora. Uma tradução bem fiel seria algo como uma “perseverança paciente” ou “paciência perseverante”. Essa palavra é a mesma usada em Mateus 8:15; Lucas 21:19; Romanos 2:7, e também ao se referir à “paciência”/“perseverança” de Jó em Tiago 5:11. Essa tem que ser a fé dos remanescentes no tempo do fim!

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Apocalipse: Satanás e seus aliados

bestaO capítulo 13 do Apocalipse apresenta os instrumentos de Satanás para enganar o mundo em sua rebelião contra Deus: a “besta que saiu do mar” (Roma) e a “besta que saiu da terra” (Estados Unidos da América).

Perguntas para discussão e aplicação

1. Compare Apocalipse 13:1 com Daniel 7:3, 17. Por que João se aproveita de figuras que já haviam sido usadas antes, como bestas/animais saindo do mar, em vez de usar algo “novo”? Que dicas existem em Apocalipse 13 para indicar que a besta (reino) que João viu é a mesma quarta besta de Daniel 7 (Roma)? (R.: No verso 3, a besta foi “ferida de morte” [como em Daniel 7:11]; nos versos 5 e 6 é dito que a besta tinha uma boca que proferia blasfêmias [como em Daniel 7:11, 20, 25]; no verso 5 é dito que a besta perseguiu o povo de Deus durante um período profético que vai do ano 538 a 1798 [como em Daniel 7:25]; no verso 7 é dito que a besta fez guerra contra o povo de Deus “e os venceu” [como em Daniel 7:21].)

2. De acordo com Apocalipse 17:15, qual é o significado de muitas águas ou “mar”, em profecias bíblicas? O que significa a ilustração das “bestas” (reinos, governos) terem saído do “mar”? Sendo assim, o que significaria, então, a figura da segunda besta saindo da “terra”? (R.: Em contraste com o significado de “mar”, seria então um lugar sem muitas pessoas, em ascendência, para cumprir esse papel no futuro. Os Estados Unidos eram o único lugar com esse perfil em 1798, logo após o fim dos 1.260 anos de perseguição, quando a igreja romana foi “ferida de morte”.)

3. O que significa o fato de que a “besta que sai da terra” se parece com um “cordeiro”, e como depois “falará como um dragão”?

4. Veja o que Bíblia diz sobre a lei de Deus em Deuteronômio 6:6-8 e 11:18. O que significa o símbolo de que a lei de Deus deve ser “como um sinal” na testa (frontal) e na mão? Sendo assim, o que significa o símbolo de que a marca da besta será imposta na testa ou na mão? Por que a ideia de que a marca da besta será um chip de computador é absurda, ainda que exista essa tecnologia e já existam pessoas que a usem?

5. Leia Daniel 7:25 e discuta por que a guarda do domingo como dia santo se tornou “a marca” da besta, que é Roma. Por que a guarda do verdadeiro dia sagrado é tão importante?

6. Como será que a segunda besta (EUA) vai enaltecer a primeira, que havia saído do mar? Em sua opinião, quais tendências mundiais estão levando ao cumprimento da profecia de Apocalipse 13?

7. Como devemos nos portar em relação às pessoas de outras religiões que guardam o domingo de forma a não magoá-las com essa mensagem ou não as afastarmos de nós? Como seria a melhor maneira de dividir essa profecia com quem crê que o domingo é o dia de guarda?

Notas importantes

O Apocalipse faz o emprego de figuras que já haviam sido utilizadas nas Escrituras Sagradas pois, como é dito na introdução do livro, ele foi escrito “para os Servos de Deus” (1:1). Os servos de Deus, por lerem a Bíblia com atenção, conhecem suas palavras, símbolos e ilustrações para poderem entender esse último livro adereçado apenas a eles, e não a todos.

Assim como as bestas em Daniel representam os poderes desde sua época em diante a partir de Babilônia, as visões no Apocalipse representam os poderes desde sua própria época em diante, a partir de Roma. Assim, a primeira “besta” de Apocalipse 13 é a mesma quarta besta de Daniel 7, uma continuação da mesma profecia.

Satanás e seus agentes tentam criar uma contrafação da Trindade. O dragão procura imitar a Deus, o Pai. Como tal, ele dá a sua autoridade à besta do mar, a qual é uma contrafação de Jesus Cristo em Seu ministério intercessor. Por sua vez, a besta da Terra cria uma contrafação do Espírito Santo, exaltando o poder e a autoridade da besta do mar, para que todos a adorem e também ao dragão (Ap 13:4, 8, 12).

Sobre o misterioso número 666

O título do papa na Idade Média (VICARIVS FILII DEI). Apesar de a soma dos números romanos de um dos supostos títulos papais resultar em 666, esse argumento, mesmo tendo sido muito utilizado no passado por grandes pregadores, é muito fraco, pois outros nomes também podem dar esse resultado. Além disso, as bestas no Apocalipse não se referem a pessoas individuais, mas a instituições. Se fosse essa a explicação, os primeiros cristãos não teriam entendido esse símbolo até que o papado propriamente dito surgisse muitos séculos depois. Outro fator importante é que a gematria (princípio de valor numérico aplicado aos nomes) não é usada na Bíblia. É importante observar que as edições mais antigas do livro O Grande Conflito contêm uma página com essa explicação e a soma dos números romanos do título papal; mas isso era uma adição dos editores da época, não da pena de Ellen White, a qual nunca usou tal interpretação. Por isso os livros atuais não trazem esse adendo editorial.

O número do ouro pesado anualmente no reinado de Salomão (1Rs 10:14; 2Cr 9:13). Para alguns intérpretes, o número 666 seria uma referência ao início da apostasia de Salomão devido à sua riqueza. Porém, apesar da coincidência numérica, esse texto relata uma época em que Salomão ainda era fiel a Deus. Isso não parece condizer com o contexto de Apocalipse 13.

Os números da estátua de Daniel (60 por 6). O número 6 era o número místico sagrado dos babilônios – por isso os registros referentes ao tempo, aos astros e aos ângulos, que tiveram muita contribuição deles, até hoje são baseados no número 6 e não no 10 (ex.: 60 segundos, 60 minutos, 24 horas, ângulos retos de 90º, etc.). A figura da besta obrigando a todos a receber seu número é baseada nesse episódio de Daniel 3, em que todos têm que adorar a estátua babilônica que mede 6 côvados por 60.

O valor místico pagão do número 6 para os babilônios. Como dito acima, o número 6 era sagrado para os babilônios. Foi descoberta uma antiga tabuinha mística que representa numericamente os principais deuses babilônicos. Ela consiste de uma tabela com 36 números diferentes dispostos em 6 linhas e 6 colunas, e cuja soma das linhas ou das colunas dava 666 (veja as figuras abaixo). Assim, o emprego do número 666 nesse trecho do Apocalipse deveria trazer à memória de seus leitores o paganismo de Babilônia como um modelo de Roma no futuro. Esse amuleto místico é uma grande evidência da importância do número 6 na medida da estátua babilônica (6 x 60 côvados) que deveria ser adorada por todos (Dn 3:1).

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A marca sobre a testa e a mão direita é apenas simbólica. Não faz sentido algum a interpretação de que se trata de uma marca visível ou de um chip de computador implantado sob a pele. Se assim fosse, qualquer ateu ou ímpio que não quisesse receber essas coisas automaticamente estaria livre do sinal da besta! Além disso, só os últimos cristãos da história poderiam entender esse símbolo (chip), pois ele não existia antes. Ao contrário disso, os símbolos empregados foram retirados das Escrituras Sagradas de tal forma que os primeiros cristãos que lessem o Apocalipse no primeiro século já pudessem entender seu significado. Eles sabiam que a quarta besta de Daniel 7 (que é a primeira besta de Apocalipse 13) iria “mudar a lei” de Deus (Dn 7:25). E a lei de Deus, devidamente entendida (mente) e obedecida (ações), é um sinal de Deus “na testa e na mão” (Êx 13:9; Dt 6:6-8; 11:18). Portanto, os primeiros cristãos entendiam perfeitamente que a lei de Deus, que deve estar em nossa mente (testa) e em nossas ações (mãos), seria modificada por Roma (Dn 7:25) e depois imposta sobre todo o mundo como seu sinal de autoridade contra Deus. Essa alteração da lei de Deus se deu oficialmente no dia 7 de março do ano 321, quando o imperador romano Constantino fez o primeiro decreto para que o povo guardasse o domingo como dia sagrado, em vez do sábado da lei de Deus (Êx 20). Assim, sabemos que essa é a “marca” de Roma e que ela será novamente obrigatória no fim dos tempos. É hoje que devemos escolher obedecer à lei de Deus ou à dos homens, para poder permanecer firmes quando essa imposição acontecer novamente em âmbito mundial, a partir dos Estados Unidos (segunda besta de Apocalipse 13, que exaltará o poder de Roma, a primeira besta).

É muito importante notar que, apesar de que a santificação do domingo como dia sagrado é uma “marca” do poder de Roma, não se pode dizer automaticamente que quem guarda o domingo tem a “marca da besta”. Essa profecia só se cumpre quando a igreja se unir ao Estado e obrigar a todos que guardem o domingo por força da lei. A partir daí, apenas, é que a observância do domingo se tornará “a marca” da besta romana. A partir daí, os últimos acontecimentos serão rápidos, e logo Jesus aparecerá nas nuvens do Céu com todos os Seus anjos!

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Apocalipse: Satanás, um inimigo derrotado

mulherO capítulo 12 do Apocalipse apresenta uma vista panorâmica do grande conflito entre Cristo e Satanás. Ali vemos o motivo da feroz perseguição contra a igreja cristã desde sua origem e por que ela deve permanecer firme até o fim. O capítulo termina com Satanás irado contra os “restantes” (ou, “remanescentes”) da Igreja, os quais ainda mantêm as doutrinas originais da igreja primitiva. E as características de tal povo são distintas: eles guardam os Dez Mandamentos e têm o Testemunho de Jesus, que é a Palavra de Deus, incluindo o verdadeiro dom profético (2Tm 1:8; Ap 1:9; 12:17; 19:10).

Perguntas para discussão e aplicação:

1. Veja o significado de “mulher” em 2 Coríntios 11:2 e de “dragão” em Apocalipse 12:9. O que significa o quadro apresentado em Apocalipse 12:1-6?

2. Qual a relação de Gênesis 3:15 com o fato de Satanás ser chamado de “serpente” em Apocalipse 12:9? De que forma a serpente “feriu o calcanhar” da “Semente” (ou “Descendente”) da “mulher”? E em que sentido a “cabeça” da “serpente” será “esmagada” pelo “Descendente” da “mulher”?

3. Ao ver que não pôde destruir Jesus enquanto Ele estava na Terra em forma humana, como Satanás tem tentado destruir a igreja ao longo dos séculos? Contudo, em que sentido “as portas do inferno não prevalecerão ela” (Mt 16:18)?

4. Que pistas existem em Apocalipse 12:10 indicando que satanás foi expulso do Céu pela segunda vez na ocasião da morte de Jesus? (R.: “Agora chegou a salvação…”;  “…e a autoridade do Seu Cristo”).

5. Se o diabo já havia sido expulso quatro mil anos antes, o que ele continuava fazendo ao visitar o céu? (R.: acusando o povo de Deus na Terra, conforme vemos em Jó 1:6-11; 2:1-5 e Apocalipse 12:10. Porém, após a morte de Jesus, o adversário nunca mais teve acesso ao Céu para acusar os humanos que são fiéis a Deus.)

6. Analise em Apocalipse 12:11 as três características daqueles que, ao final, terão vencido o “acusador”. Como essas três características ainda se aplicam hoje, na prática?

7. Conforme Apocalipse 12:17, por que Satanás está especialmente irado com a igreja remanescente? O que significam as duas características que a identificam? Por que os fiéis dessa igreja são chamados de “os restantes da descendência” da mulher que era perseguida ao princípio? Por que o arqui-inimigo de Deus não está irado com as igrejas identificadas em Apocalipse 17:5 como “Babilônia” e “suas filhas”? Que atitudes devemos tomar ao saber dessas coisas? (Ap 18:4)?

8. Quais são as estratégias do inimigo de Deus para destruir a igreja que restou (remanescente), e como podemos estar protegidos contra esses ataques? Ver Ap 13:13, 14; 2Ts 2:9, 10; Gl 1:8, 9.

9. O fato de fazer parte do povo remanescente é um grande privilégio, mas não é uma garantia de salvação, pois apenas “quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1Jo 5:12). Como podemos nos proteger contra o grande perigo de pensar que estamos salvos só pelo fato de ser “membros” da igreja remanescente? Por outro lado, como aqueles que serão salvos se portarão em relação às verdades da Bíblia e à igreja?

Notas importantes:

Sobre a importância do capítulo 12. Os capítulos 12, 13 e 14 formam o centro da estrutura literária do Apocalipse. Esse núcleo especial é como um pano de fundo para se entender todo o conteúdo do livro. É nesse ponto central que são descritos: a origem e o desenrolar do Grande Conflito (capítulo 12); os agentes usados pelo inimigo nessa luta (capítulo 13); a identidade, o caráter e a vitória final do povo remanescente de Deus no fim dos tempos, e sua missão de pregar o Evangelho Eterno até a volta de Jesus (capítulo 14). Neste estudo trataremos apenas do conteúdo do capítulo 12 para não ir além do que foi estudado durante a semana.

Sobre o núcleo ou centro do Apocalipse (capítulos 12, 13, 14). O centro literário do Apocalipse divide o livro em duas partes. Os capítulos anteriores a esse núcleo são chamados de “porção histórica” do livro (sete igrejas, sete selos, sete trombetas). Os capítulos posteriores ao núcleo são a “porção escatológica”, pois se concentram nos eventos finais (sete pragas; Armagedom; volta de Jesus; milênio; juízo final [executivo]; e nova Terra). Nesse estilo literário, o centro, entre essas duas partes, é considerado “o mais importante”, como “o recheio do bolo”.

Sobre a sequência não linear da narrativa no capítulo 12. É necessário salientar que o capítulo 12 (e vários outros trechos do Apocalipse, como o capítulo 20, por exemplo) não deve ser lido de forma linear com início, meio e fim. Ao invés disso, ele deve ser lido considerando-se vários “flashbacks” na narrativa. Como exemplo, imagine um filme que já começa em plena ação, com correria e perseguição, e depois de uns instantes retrocede algumas horas no tempo para dar a entender ao telespectador como se deu aquela confusão. Logo depois ele volta à ação mostrada no início, e continua dali, para logo depois fazer outro flashback, mas agora para muitos anos antes, para que se entenda a própria origem do problema. Depois ele continua a partir do ponto de onde havia parado e continua até chegar à conclusão. De modo parecido, o capítulo 12 apresenta a igreja perseguida como a cena inicial (v. 1-6) e então volta muito no tempo até a guerra no Céu para apresentar o grande conflito entre Cristo e Satanás como a causa de tudo (v. 7-12). Depois a narrativa retoma a história onde havia parado e dá continuidade até o tempo do fim (v. 13-17). Se você tentar ler de modo linear vai fazer grande confusão!

Sobre as duas vezes em que Satanás foi expulso do Céu. Satanás foi expulso do Céu duas vezes. A primeira vez foi na “guerra no Céu” (12:7-9), antes da criação da vida na Terra. Após esse evento, porém, mesmo sem ser convidado ou desejado, ele continuou “frequentando” a corte celestial, como “acusador” dos irmãos (conforme vemos em Jó 1:6-11; 2:1-5 e Apocalipse 12:10). Entretanto, na ocasião da morte de Jesus na cruz, cerca de quatro mil anos após a primeira expulsão (ou talvez muito mais), o arqui-inimigo de Deus foi expulso novamente do Céu, e de modo definitivo. Isso é evidente nas palavras dos seres celestiais: “agora chegou a salvação… e a autoridade do Seu Cristo” (12:10). Portanto, assim como vimos acima que há flashbacks ou retrocessos temporais nas narrativas, há também avanços temporais. Nesse caso, a narrativa faz um salto temporal de cerca de quatro mil anos entre o verso 9 (primeira expulsão, antes da criação) e o verso 10 (segunda expulsão, definitiva, com a morte de Jesus). Por que Deus permitia que Satanás ainda tivesse acesso ao Céu, mesmo após ter sido expulso de lá? Para Ellen White, é porque “até a morte de Jesus, o caráter de Satanás ainda não havia sido claramente revelado aos anjos e aos mundos não caídos. “O arquiapóstata se revestira por tal forma de engano, que mesmo os santos seres não lhe compreenderam os princípios. Não viam claramente a natureza de sua rebelião” (O Desejado de Todas as Nações, p. 537). Porém, a morte de Jesus mudou esse quadro: “Derramando o sangue do Filho de Deus, desarraigou-se Satanás das simpatias dos seres celestiais. Daí em diante sua obra seria restrita. Qualquer que fosse a atitude que tomasse, não mais podia esperar os anjos ao virem das cortes celestiais, nem perante eles acusar os irmãos de Cristo de terem vestes de trevas e contaminação de pecado” (ibidem, 539).

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Apocalipse: as sete trombetas

trombetasAs sete trombetas do Apocalipse trouxeram à mente dos seus primeiros leitores uma imagem familiar para eles: a de Deus defendendo Seu povo em meio às guerras de Israel, quando os sacerdotes tocavam trombetas pedindo socorro em meio às batalhas. Elas também nos fazem lembrar dos serviços sagrados de Israel, ligados ao serviço do santuário. Assim, em resumo, as trombetas tratam da ação de Deus a partir de Seu santuário, trazendo juízos sobre Seus inimigos em favor de Seu povo ao longo da História, até o dia da volta de Jesus.

Perguntas para discussão e aplicação

1. Leia Números 10:9, 10 e 2 Crônicas 13:14, 15. De acordo com essas passagens, qual era o propósito do toque de trombetas para o povo de Israel? Com esse pano de fundo em mente, como podemos entender o significado das sete trombetas ao longo da história do povo de Deus?

2. De acordo com Apocalipse 8:13; 9:4, 20, 21, contra quem são descarregados os juízos de Deus representados simbolicamente nas sete trombetas? O que isso significa para o povo que permanece fiel a Deus? Como devemos nos preparar para receber o selo de Deus?

3. Assim como há um intervalo entre o sexto e o sétimo selos do Apocalipse, há também um intervalo entre a sexta e a sétima trombetas. Esse intervalo (10:1 a 11:14) apresenta a situação do povo de Deus nos últimos séculos por meio de três ilustrações: (1) o “livrinho aberto”; (2) a “medição do santuário e do povo de Deus”; e (3) a história das “duas testemunhas”.

a) Sobre o “livrinho aberto”, leia Apocalipse 10:1, 2, 8-11. Compare com o modo como Daniel deveria terminar seu livro em Daniel 12:4, 9 e responda: Se o livro de Daniel deveria estar “selado” até que fosse entendido no “tempo do fim”, o que significa o “livrinho aberto” que João viu no futuro? (Resposta: o livro de Daniel, que foi compreendido devidamente após o grande desapontamento de 22 de outubro de 1844.)

b) Leia Ezequiel 2:8-3:4. O que significa, até hoje, a expressão “comer livros”? Por que devemos, nesse sentido, “comer” o livro da Palavra de Deus? Qual o problema de um cristão que não “come” a Palavra de Deus, mas a usa apenas como “petisco”? Em que ocasiões a Palavra de Deus pode passar do “doce” para o “amargo”? O que devemos fazer nessas situações difíceis?

c) O que significa a ordem do “Anjo” para João (em 10:11) logo após a decepção do profeta com o amargor do livrinho comido? Como essa profecia se cumpre na história da Igreja Adventista? (ver 14:6, 7)

d) Leia Apocalipse 10:4. Por que será que Deus proibiu João de escrever algo interessante que ele tinha acabado de ouvir? Como João 16:12 e 2 Crônicas 20:20c pode nos ajudar a entender isso? Como podemos aproveitar melhor aquilo que está revelado, em vez de especular sobre aquilo que não está?

4. Conforme Apocalipse 11:15, o que significa a sétima e última trombeta (compare com 1 Coríntios 15:52 e 1 Tessalonicenses 4:16, 17)? Como podemos estar preparados (selados) para quando esse dia chegar?

Notas:

A passagem das sete trombetas é uma das mais difíceis da Bíblia. Sendo assim, temos que ser humildes e reconhecer que ainda não sabemos tudo sobre esse assunto (assim como Daniel 11). Mas temos que continuar estudando até entender plenamente o que o Senhor nos revelou (2Cr 20:20c; 1Tm 2:4).

Devido a essa dificuldade relacionada com as sete trombetas, há pelo menos quatro propostas “oficiais” (e variações delas) de como interpretar essa passagem. A sugestão proposta na Lição da Escola Sabatina desta semana é a mais recente e, tecnicamente, a “mais bíblica”, pois resgata muito mais versículos – especialmente do Antigo Testamento – para interpretar os símbolos. Você pode analisar as outras interpretações comparadas neste site (acessado em 14 de fevereiro de 2019).

É importante observar que todas as tentativas anteriores (conforme tabela disponível no link acima) concordam em um ponto: as sete trombetas são sete períodos desde o tempo do profeta até a volta de Jesus. A diferença está nas definições dos limites do tempo de cada período, e em alguns detalhes sobre o significado dos símbolos.

Assim como há um intervalo ou parêntese entre o sexto e o sétimo selos, há também um intervalo entre a sexta e a sétima trombetas. O conteúdo desse intervalo apresenta três assuntos: o livro amargo, que trata da experiência dos adventistas no “grande desapontamento” de 1844; o juízo (“medição”) que começa pela casa de Deus; e a tentativa de destruírem a Bíblia na figura das duas testemunhas (o Antido e o Novo Testamentos), especialmente na Revolução Francesa. Uma evidência de que as duas testemunhas representam a Bíblia (Antigo e Novo Testamentos) é o fato de que, apesar de várias traduções afirmarem que “os corpos” das duas testemunhas ficaram estendidos no chão, o grego original diz “o corpo”, no singular (essa imagem simbólica é uma referência a um período da Revolução Francesa em que queimaram as Bíblias e tentaram exterminá-la para sempre).

Apesar de apresentarem muitas semelhanças, as sete trombetas e as sete pragas não são a mesma coisa. Assim como ocorre no livro de Daniel, a primeira metade do Apocalipse também é histórica, e a segunda, profética. Por isso, o texto das sete trombetas, por estar inserido na primeira metade, deve ser interpretado como “histórico”, no sentido de se desdobrar de modo consecutivo desde o tempo do profeta até a volta de Jesus. Por sua vez, as sete pragas, por estarem inseridas na segunda metade, devem ser consideradas como proféticas, as quais acontecerão no futuro, logo após o fechamento da porta da graça. Uma evidência disso são os versos que indicam que ainda há intercessão divina até o período da sexta trombeta (8:3, 4; 9:13; 11:13), ao passo que, durante as sete pragas, não mais há arrependimento, pois não mais há intercessão (16:9, 11, 21).

Em resumo, as sete trombetas significam juízos de Deus sobre “os que habitam sobre a Terra” (6:10; 8:13) – no Apocalipse, essa expressão se refere aos ímpios (3:10; 11:10; 13:8, 14; 17:2, 8). Esses juízos de Deus são uma resposta às orações de Seu povo que está sendo perseguido pelos ímpios durante toda a história do cristianismo.

Abaixo, a suma das sete trombetas, conforme a proposta do autor da lição deste trimestre, baseada em seu livro Revelation of Jesus Christ: Commentary on the Book of Revelation (2a edição, Andrews University Press, 2009):

A primeira trombeta representa o juízo de Deus sobre os judeus, que eram Seu povo especial até O rejeitarem. A culminação desse juízo se deu no ano 70 d.C., com a destruição de Jerusalém. Os judeus são simbolizados pelas “árvores” e a “grama verde” que sofrem os efeitos dessa trombeta, conforme se vê em Salmos 1:3; 52:8; 72:16; 92:12-14; Isaías 40:6-8; 44:2-4; 61:3; Jeremias 11:15-17; 17:7, 8; Ezequiel 20:46-48; etc.

A segunda trombeta simboliza o juízo de Deus sobre os romanos, com sua queda em 476 d.C. A figura da “montanha ardendo em fogo” (8:3) é retirada de Jeremias 51:25, 42, 63, 64, em referência ao juízo sobre Babilônia, o qual já havia acontecido séculos antes. Porém, no Novo Testamento, “Babilônia” é um codinome para Roma (1Pe 5:13).

A terceira trombeta simboliza o juízo de Deus sobre a grande apostasia da igreja na Idade Média. Nesse período, as águas e fontes, que significam vigor espiritual baseado na Palavra de Deus (Is 12:3; Pv 13:14; Jr 2:13; Sl 1:3; Jr 17:7, 8; Jo 7:38, 39; Ap 21:6), foram contaminadas pela “estrela caída” e se tornaram “amargas”. A estrela caída representa o próprio Satanás (conforme Is 14:12-15; Ap 9:1, 11).

A quarta trombeta se aplica ao período da revolução intelectual da era do Iluminismo, ou a “Era da Razão” (do 16o ao 18o séculos). Deus foi trocado pela “razão” humana. A consequência óbvia disso foram trevas espirituais, pois na linguagem bíblica luz significa o bem e trevas significam o mal (Mt 4:16; Lc 1:79; Jo 1:9; 3:19; 8:12; 12:46; Ef 6:12; Cl 1:13, 14; 2Co 4:4-6; 1Pd 2:9; Ap 16:10).

A quinta trombeta vai do 18o século até 1844. Conforme Amós 6:12, os efeitos desse período, que contém amargor e gafanhotos, relembra o período em que Israel preferiu o pecado. O símbolo dos gafanhotos significa juízo de Deus (ex.: contra Babilônia em Jeremias 51:14; contra o Egito em Êxodo 10:4-15; contra Israel em Joel 2:2-10). A “cauda” desses gafanhotos simbólicos significa o poder dos falsos profetas para enganar o povo (Is 9:15b).

A sexta trombeta trata do tempo do fim a partir de 1844, quando o “livrinho” de Daniel, que estava “selado” (Dn 12:4, 9), foi “aberto” devido ao entendimento de seu conteúdo, principalmente a profecia de 8:14, que culmina naquele ano.

A sétima trombeta é a volta de Jesus (Ap 10:7; 11:15).

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Apocalipse: o povo de Deus selado

seloO capítulo 7 do Apocalipse é um parêntese entre o sexto e o sétimo selos. Seu objetivo é responder à pergunta feita pelos perdidos diante da manifestação de Jesus em Sua vinda: “Quem pode suportar”? A resposta é: os 144 mil, um número simbólico que representa aqueles que passarão pelas provas finais da história da Terra e estarão de pé diante da glória de Jesus.

Perguntas para discussão e aplicação

1. Leia Apocalipse 7:2 e 3 e compare com Efésios 4:30. Em que sentido o Espírito Santo nos “sela” para o dia da redenção? De que modo a guarda do sábado se tornará uma evidência do selo do Espírito Santo? (ver Ez 20:12, 20; Hb 4:9, 10; etc.)

2. O que significa “entristecer” o Espírito Santo? Por outro lado, como podemos “alegrá-Lo”?

3. De acordo com Apocalipse 7:1-4, 14; 14:4, 5, quem são os 144 mil e quais são as suas características mais notáveis? À luz de Apocalipse 17:5, em que sentido os 144 mil não se contaminaram com “mulheres”?

4. Leia Apocalipse 7:4. Que evidências você pode citar de que os 144 mil “selados” não representam um número literal?

5. Por que Deus vai permitir que os 144 mil passem por um tempo de grande tribulação antes da vinda de Jesus? (1Pd 4:12-14)

6. Em sua concepção, como é o dia a dia de uma pessoa “lavada pelo sangue” de Jesus e “selada” pelo Espírito Santo? Como são os pensamentos, relacionamentos, as atividades de trabalho, o lazer, etc. de uma pessoa assim? Em que essa pessoa é diferente das outras que não foram “lavadas no sangue” de Jesus e não têm o selo de Deus? Como se alcança esse estado para fazer parte dos 144 mil?

Notas sobre os 144 mil

Há muita discussão sobre quem são precisamente os 144 mil. Basicamente, são os salvos que estarão vivos no fechamento da história da Terra. Eles se manterão fiéis durante o tempo da grande tribulação, mesmo sob intensa perseguição, e não experimentarão a morte, pois serão glorificados por ocasião da volta de Jesus.

Contudo, além desses, há também um grupo especial que possivelmente fará parte dos 144 mil. São os que morreram tendo fé na vinda de Jesus após terem passado pela grande decepção em 1844, os quais ressuscitarão para vê-Lo voltar. Em 1850, ao escrever para um cristão cuja esposa havia falecido, Ellen White disse: “Vi que ela estava selada, e à voz de Deus ressurgiria e se ergueria sobre a Terra, e estaria com os 144.000” (2ME, 263). Porém, ao mesmo tempo, não podemos especular muito sobre o assunto além do que está revelado. Em outro texto, registrado 64 anos depois, White diz: “Não tenho luz sobre o assunto [sobre quem constitui precisamente os 144 mil]” (3ME, 51).

Uma coisa pode ser afirmada com certeza sobre os 144 mil: não se trata de um número literal. A maior evidência disso é o fato de que eles teriam que ser só judeus, sendo precisamente 12 mil de cada uma das 12 tribos, as quais não mais existem há muito tempo. E mesmo que existissem, seria complicado definir quais seriam as 12 tribos, pois várias listas divergem entre si – por exemplo, umas não incluem Levi para inserir os dois irmãos Efraim e Manassés no lugar de seu pai José. A lista do Apocalipse não menciona o nome de Dã, e Efraim é substituído por José. O que temos que lembrar aqui é que no Novo Testamento a igreja é o novo Israel (ver Gálatas 3:7, 9, 29).

Além de tudo isso, o número preciso (12 mil de cada tribo) não faria jus à salvação baseada no livre-arbítrio, mas em uma escolha arbitrária por parte de Deus.

Assim, vemos que o significado desse número está no valor simbólico do número 12 (em referência aos 12 filhos de Jacó, às 12 tribos e aos 12 apóstolos) para representar o povo de Deus. Por isso são 12 tribos vezes 12 mil de cada, resultando em 144 mil.

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR