Um livro salvou a vida dele

22.09.18 Batismo da Primavera (3)Em 2014 distribuímos o livro missionário no cruzamento da avenida Luís Pires de Minas com a avenida Barreira Grande, próximo à nossa igreja, e decidimos que neste ano de 2018 voltaríamos ao mesmo local para então distribuir o livro O Poder da Esperança, de Michelson Borges e Julián Melgosa. Compramos vários exemplares, inclusive a versão infantil. O sábado 26 de maio foi maravilhoso. Toda a igreja esteve envolvida no projeto. Realizamos uma encenação num dos semáforos e os jovens seguraram letras que formavam a frase “Jesus te ama”. Uma de nossas desbravadoras comentou: “Este foi o melhor dia da minha vida!” Esse trabalho tem grande importância e impacto, não somente para quem recebe o livro, mas também para quem o entrega.

Há aproximadamente dois meses, num domingo à noite, um homem chegou à nossa igreja com um folheto na mão; nele havia o endereço da igreja e o horário dos cultos.

Ele se aproximou e disse: “Encontrei o livro O Poder da Esperança no para-brisa do meu carro, li todo o livro e vim dizer que o trabalho de vocês não foi em vão. Presenteei outra pessoa com ele e fiquei apenas com o folheto, pois da maneira como fui abençoado com o livro outra pessoa também precisava ser. Esse livro é extraordinário!
Uma leitura inspiradora, envolvente, cativante e impactante.”

Ele foi convidado para entrar e participar do culto e, no fim, disse: “Esse livro salvou a minha vida!”

Convidamos o Denis (à esquerda, na foto acima) para a classe bíblica da nossa igreja, que é realizada aos sábados pela manhã. Apresentamos os estudos necessários e, para a honra e glória de Deus, ele se decidiu pelo batismo. Denis Moreira Lucas agora é membro da nossa igreja.

(Edna Pereira é diretora do Ministério Pessoal e de Comunicação da Igreja Adventista do Sétimo Dia – IV Centenário)

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Nunca é tarde para Deus

batismoOs olhos clínicos de Deus enxergam por dentro e por fora e sabem exatamente o momento de resgatar seus filhos perdidos. Eu sou Cígredy Neves, jornalista, e relato agora como Deus não desistiu de mim nem da minha prima Ohana Berger, estudante de Engenharia Aeroespacial em Samara, na Rússia. Fui rebatizada e ela batizada no dia 28 de julho, na igreja de Ceilândia Sul, em Brasília, pelo pastor e jornalista Michelson Borges.

Não é fácil dizer não para o pecado. É uma luta constante, principalmente na juventude. Mas a Bíblia é clara: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade” (Eclesiastes 12:1). A Ohana e eu somos de família adventista do sétimo dia e crescemos com todos os princípios cristãos. Na adolescência dela, ela acabou se afastando da igreja. Apesar de não mais frequentar a igreja, ela continuava orando e sentindo a presença de Deus ao seu lado, dizendo que aquele não era o destino preparado para ela.

Já a minha experiência era de que ser uma cristã era muito fácil, conveniente e uma tradição familiar. Afinal, minha família toda era cristã e eu sempre estive em ambientes cristãos. Estudei na Faculdade Adventista (Iaene), no Unasp e trabalhei na Casa Publicadora Brasileira. Mas tudo começou a mudar em 2012, quando meu marido, na época, começou a sair para festas e queria que eu fosse com ele. Como eu não quis e a esposa do meu primo estava com as mesmas ideias do meu marido, eles acabaram se envolvendo. Os dois divórcios foram bem conturbados e eu perdi as estruturas.

De lá para cá eu vivi no mundo, frequentava festas, bebia, mas vez ou outra ainda ia à igreja. Em muitas vezes só chegava à porta da igreja e voltava para casa com vergonha, por não entender que Deus me receberia de volta do jeito que eu estava. Entre 2015 e 2016, eu estudava a Bíblia em casa e decidi que estudaria mais sobre o Criacionismo para embasar minha fé. Decidi que, se eu voltasse para a igreja, queria ter certeza plena e ter argumentos científicos para defender minha fé. Assim, pedi indicações de livros para o Michelson.

Em 2016, a Ohana decidiu subitamente se mudar para a Rússia a fim de seguir seu sonho de estudar Engenharia Aeroespacial. Como ela sempre fez, apesar de tudo, orou muito e pediu para Deus impedir a viagem caso ela não devesse ir, mas ocorreu tudo milagrosamente bem. No fim daquele ano, poucos dias antes da viagem, ela frequentou um programa de 12 dias de oração, cada dia abençoando um mês do ano de 2017. Ela viajou e tudo aconteceu absurdamente bem. Ela cumpriu todos os objetivos, alcançou todas as metas e se sentiu abençoada de uma forma tão tremenda que sentia que não merecia tanto. O amor de Deus a constrangeu de uma forma tão intensa que ela se sentiu tocada. E então começou a frequentar igrejas protestantes e até mesmo sua forma de falar e de se vestir mudou.

No início de 2018 é que as nossas histórias de conversão se cruzaram. A Ohana sabia que eu estava estudando sobre Criacionismo e um amigo ateu da faculdade a questionou até que ela ficou sem argumentos para defender sua fé. Ela ficou intrigada e me procurou. Dei algumas indicações de leitura. Pouco tempo depois, ela descobriu que teria uma prova no sábado e, pela primeira vez em quatro anos, ficou incomodada com aquilo. Ela já havia feito provas no sábado antes, mas aquela em específico a incomodou. Ela conversou com a nossa avó, que disse ter chegado a hora pela qual ela havia orado havia tantos anos: a hora de minha prima voltar para a igreja. A Ohana orou por dois dias e falou com a diretora do curso, que aceitou que a prova fosse feita em outro dia. A partir daquele dia, ela ficou conhecida entre os colegas como uma pessoa religiosa e começou a guardar o sábado.

Era a época do acampamento de Carnaval. A Ohana me contou que havia decidido guardar o sábado. Lembro-me de que era uma sexta à noite. Caí em prantos e de joelhos no chão. Clamei por misericórdia. Pensei comigo mesma: “Se a minha prima, que está sozinha e do outro lado do mundo decidiu voltar para Deus, o que eu estou aqui fazendo da minha vida? Preciso voltar também e agora!” E ali mesmo eu pedi perdão por tudo. Passei pelo Instagram da igreja da Ceilândia Sul, em Brasília, onde tenho alguns amigos. Comecei a acompanhar os posts do acampamento todos os dias e decidi que no sábado seguinte eu estaria com eles na igreja e largaria tudo para trás.

Criamos um grupo no WhatsApp com o líder de Jovens da igreja da Ceilândia Sul, Leonardo Borges, nos orientando nos estudos bíblicos, e o Michelson nos acompanhando, tirando as dúvidas. Decidimos fazer uma surpresa para a nossa família e só contamos um mês antes do batismo, quando a Ohana chegaria ao Brasil. No dia 28 de julho descemos às águas batismais juntas. Foi uma grande festa aqui na Terra. Imagino que no Céu tenha sido muito maior!

Tenho o desejo de ser médica-missionária e a Ohana de ser engenheira aeroespacial. Entretanto, naquele dia no tanque batismal decidimos que Deus seria a prioridade em nossas vidas. Por isso, iremos fazer o que Ele quiser que façamos. Estamos à disposição Dele e seremos missionárias na obra do Senhor enquanto vivermos neste mundo.

E você, vai responder ao chamado de Deus para a sua vida? “Se hoje ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hebreus 3:15 e 4:7).

Cígredy Neves é jornalista

A cápsula do tempo foi aberta vinte anos depois

steve4Sábado passado foi como se abríssemos uma cápsula no tempo. Foi como abrir um baú enterrado havia vinte anos com as recordações das coisas daquele dia especial. Foi surpreendente ver quantos milagres e realizações Deus operou nestes vinte anos! Deus fez muito mais do que sonhávamos e muitas vezes por meio de caminhos que nós não queríamos ou não sabíamos percorrer. Ao testemunhar a história do Unasp Campus Engenheiro Coelho e ver como Deus foi bondoso e poderoso, prosperando tudo o que ali foi planejado e realizado, foi inevitável rever também nossas vidas e reconhecer esse mesmo cuidado nas ações poderosas e bondosas de Deus em nosso favor.

Durante o recital do cantor Steve Green, naquela noite de sábado, o espírito no ambiente era de enorme gratidão. Estar ali naquele templo magnífico já era em si motivo de grande louvor. Há vinte anos estávamos naquele mesmo local, em um gramado, com sonhos e projetos, nossos e do Unasp – aquele templo era um desses projetos! Duas décadas depois estávamos ali, dentro de uma oração respondida! Quando Steve começou a cantar, senti-me como o filho que dá um abraço apertado no pai e agradece tudo o que ele fez. As letras das músicas nos levaram a exaltar o poder e a soberania de Deus; nos inspiraram a permanecer fiéis e a fazer uma entrega completa de todo o nosso ser a esse Pai de amor.

Era como se eu pudesse sentir os braços do Pai retribuindo nosso abraço e dizendo que podemos sempre confiar nEle, porque Ele nunca vai deixar de nos amar e aceitar. As melodias casavam com a expressão das letras cantadas e nos enchiam de reverência e adoração a Deus. Havia um clima solene no ar e nosso pensamento estrava cativo na presença de Deus, como se naquele momento nada pudesse interromper nossa comunhão e não ousássemos desviar os olhos de Jesus e pensar em outra coisa qualquer.

As músicas que Steve cantou nos fizeram ir além dos vinte anos passados e nos transportaram para a redenção conquistada por Jesus na cruz do Calvário. Nosso maior agradecimento passou a ser pela preciosa salvação que Cristo nos oferece por meio de Seu grande sacrifício. Tudo o que passarmos nesses 20, 30, 40, 50, 60, 70 anos; toda a nossa existência é apenas uma pequena parte dessa história, e cada milagre é uma pequena amostra de coisas infinitamente maiores que Deus nos reserva.

Foi realmente um louvor para se guardar no coração.

Além das músicas, a própria vida do cantor e a maneira como ele canta são uma pregação. Nestes vinte anos, desde que esteve aqui na primeira vez, Steve permanece fiel à Palavra de Deus e tem uma vida abençoada. Continua exaltando o nome de Jesus, do nosso Criador e Redentor, sem se deixar influenciar por modismos musicais mundanos, feitos unicamente para agradar os sentidos. As músicas de Steve são concebidas para agradar a Deus e nos fazem querer ir logo para o Céu!

Muito obrigada, Unasp, por nos proporcionarem esses momentos tão especiais.

(Débora Tatiane Martins Borges é pedagoga e pós-graduada em Aconselhamento Familiar)

Deus fez de tudo para trazê-las de volta

1 (51)Ontem tive a grande alegria de batizar as jovens Cígredy Neves e Ohana Berger, em Ceilândia, Distrito Federal. A Cígredy é jornalista e a Ohana estuda Engenharia Aeroespacial na Rússia. Ambas são primas e nasceram em lar adventista. Infelizmente, durante algum tempo estiveram fora da igreja, mas Deus, em reposta à oração de muitas pessoas, moveu as circunstâncias de modo impressionante para que as duas voltassem para Jesus e para a igreja. Tive o privilégio de estudar a Bíblia com elas via WhatsApp e me sinto muito feliz em ser testemunha de tudo o que Deus fez na vida delas. Leia abaixo o testemunho delas e depois assista ao vídeo:

História de Cígredy Neves:

Cresci em um lar adventista e minha família toda é adventista. Estudei na Faculdade Adventista da Bahia, no Unasp e trabalhei na CPB. Então sempre foi fácil, conveniente e uma tradição familiar ser cristã.

Tudo começou a mudar em 2012, quando meu marido na época quis sair da igreja e queria que eu saísse para festas com ele também. Como eu não quis e a esposa do meu primo estava com as mesmas ideias que meu marido, eles acabaram tendo um caso. Os dois divórcios foram bem conturbados e eu perdi as estruturas.

De lá pra cá eu vivi no mundo, frequentava festas, bebia, mas vez ou outra ainda ia à igreja. Em muitas vezes só chegava na porta da igreja e voltava pra casa por vergonha, por não entender que Deus me aceitaria de volta do jeito que eu estava.

Então comecei a orar muito, pedindo perdão a Deus e clamando por misericórdia. Era a época do acampamento de carnaval deste ano e passei pelo Instagram da igreja da Ceilândia Sul, onde tinha alguns amigos. Comecei a acompanhar os posts todos os dias e decidi que no sábado seguinte estaria na igreja e largaria tudo pra trás.

E cá estou eu. Hoje não estou na igreja por conveniência, mas por convicção. Não consigo mais enxergar a minha vida sem Jesus.

Hoje faço parte do coral da igreja, dos Doutores da Esperança (palhaços de hospital) e estudo para ser uma médica missionária muito em breve.

História de Ohana Berger:

Mesmo tendo nascido na igreja, me afastei na adolescência e acabei seguindo um caminho que ia contra os princípios que aprendi desde o berço.

Apesar de não frequentar a igreja, sempre senti a presença de Deus e do Espírito Santo, dizendo ao meu coração que não era aquele o destino preparado pra mim. Orava diariamente, algumas vezes lia a Bíblia e sentia vontade de voltar 100% àquilo que me foi ensinado, mas o mundo já havia me envolto de uma forma que seria necessária uma força grande pra que eu saísse dali, força que até então eu não tinha.

Em 2016, em uma decisão súbita, resolvi me mudar para a Rússia, a fim de seguir meu sonho de estudar Engenharia Aeroespacial. Como sempre fiz, apesar de tudo, orei muito e pedi pra que Deus impedisse a viagem caso eu não devesse ir. Ocorreu tudo milagrosamente bem. No final do ano de 2016, poucos dias antes da viagem, frequentei um programa de 12 dias de oração, cada dia abençoando um mês do ano de 2017.

Viajei e ocorreu tudo absurdamente bem. Cumpri todos os meus objetivos, alcancei todas as metas e fui abençoada de uma forma tão tremenda que eu sentia no meu coração que eu não merecia.

O amor de Deus por mim me constrangeu de uma maneira tão intensa, que me empurrou pra perto dEle e pra longe do mundo. Comecei a frequentar igrejas protestantes e até mesmo minha forma de falar e de me vestir mudou.

Em 2018 aconteceu algo que não acontecia há pelo menos 4 anos: descobri que teria uma prova no sábado e aquilo me incomodou. Eu não guardava o sábado há muito tempo e infelizmente algumas vezes sequer notava que o sábado havia chegado. Mas mesmo já tendo feito provas no sábado antes, aquela em específico me incomodou. Conversei com minha avó sobre o que senti e ela me disse que havia chegado a hora pela qual ela havia orado tantos anos: a hora de eu voltar para a igreja.

Foi difícil, principalmente porque o número de adventistas na Rússia é muito pequeno. Não existe a “liberdade religiosa” como existe no Brasil, ou seja, eu não posso faltar uma aula ao sábado simplesmente porque minha religião guarda esse dia.

Orei durante dois dias e falei com a diretora do meu curso. Ela aceitou, disse que eu poderia fazer a prova em outro momento. A partir disso eu fiquei conhecida entre os colegas de turma como uma pessoa religiosa. Me agradei muito e senti, pela primeira vez, que estava passando a imagem que Deus queria que eu transmitisse.

Desde então tem sido uma luta diária, com altos e baixos, que culminaram na decisão pelo meu batismo. Mesmo com muitas falhas e dúvidas, sinto que essa aliança com Deus é o restante da força que eu preciso pra seguir na minha caminhada e sou muito grata a Deus por ter me permitido chegar a este dia.

Precisa-se de valdenses modernos

jeffEm minha última viagem missionária (a Criciúma, SC), tive a alegria de conhecer alguns familiares do pastor Michelson Borges. Na foto ao lado, estão uma de suas irmãs e sua mãe. Ao finalizar o culto, enquanto cumprimentava os irmãos da igreja, uma senhora introvertida, mas com um sorrido bastante simpático, me saudou e permaneceu perto do local onde eu estava. Nesse momento, alguns membros da igreja se aproximaram e disseram que o nome dela é Enedina dos Santos Borges, a mãe do pastor Michelson. Fiquei muito contente em conhecer a mãe de alguém que admiro muito. Mas o melhor ainda estava por vir…

Um dos irmãos que estavam no mesmo local me contou que a dona Enedina estava concluindo pela terceira vez um plano de leitura bíblica muito diferente e mais desafiador do que aquele que conhecemos. Junto com a leitura bíblica ela copia as Escrituras manualmente. Confesso que fiquei impressionado!

Naquele momento, meus pensamentos foram rapidamente desviados daquela cena e lembrei dos Valdenses: “De seus pastores recebiam os jovens instrução. Conquanto se desse atenção aos ramos dos conhecimentos gerais, fazia-se da Escritura Sagrada o estudo principal. Os evangelhos de Mateus e João eram confiados à memória, juntamente com muitas das epístolas. Também se ocupavam em copiar as Escrituras. Alguns manuscritos continham a Bíblia toda, outros apenas breves porções, a que algumas simples explicações do texto eram acrescentadas por aqueles que eram capazes de comentar as Escrituras” (O Grande Conflito, p. 68).

Além dos Valdenses, comecei a pensar no trabalho ardoroso de alguns servos de Deus que se propuseram a traduzir toda a Bíblia, em uma época obscura, para seus idiomas maternos: John Wycliffe e Tyndalle (ingleses), Martinho Lutero (alemão), Lefèvre (francês), Olavo e Lourenço Petri (suecos) e outros.

Em questão de segundos tudo isso passou pela minha cabeça, até que com os lábios louvei a Deus porque ainda existem pessoas comprometidas com Sua Palavra e dispostas a gastar tempo com ela.

Posteriormente, já em meu leito e refletindo um pouco mais sobre essa experiência, surgiu a preocupação ao pensar na próxima geração de cristãos/adventistas. Não consigo ver o mesmo comprometimento com a Palavra de Deus, ou melhor, estamos bem longe da realidade cristã protestante reformada. Talvez por isso o Dr. Alberto Timm tenha escrito em 2001 um artigo clássico que ficou na memória dos adventistas mais antigos: “Podemos ainda ser considerados o povo da Bíblia?”

Sugiro a você a leitura desse artigo. Basta clicar aqui, buscar a Revista Adventista de junho de 2001 e ler o artigo mencionado.

No mais, fica o apelo de Deus através de Ellen White para que haja mais Valdenses, mais Tyndalles, mais Luteros, mais Lefèvres, mais Petris e mais Enedinas nas próximas gerações: “O Senhor deseja que estudeis a Bíblia” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 29).

(Jefferson Araújo é orador do canal Última Verdade Presente)

Nota: Obrigado, Jefferson, por essa homenagem à minha querida mãe. De fato, ela é uma inspiração para nós. Sabe por que três cópias da Bíblia? Ela tem três filhos… [MB]

Histórias do Impacto (1): no portão de casa e na Cracolândia

9205820f-be98-4e42-9845-008eb78f9921Entre as muitas mensagens que tenho recebido relacionadas com a leitura do livro missionário O Poder da Esperança, duas recentes me deixaram especialmente feliz:

“Olá, me chamo Maurício Eduardo, sou estudante de História e já sou formado pela UTFPR em outro curso. Sou cristão e membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Sempre acompanho seus vídeos no YouTube e sou um dos muitos inscritos em seu canal, além de um fiel leitor de seu site. Estava chegando em casa no sábado e me deparei com um livro no portão. O livro continha uma foto sua (que reconheci de longe), e com isso logo deduzi que você era um dos autores de O Poder da Esperança. Eu amo livros e com muito carinho guardarei esse maravilhoso presente em minha estante, e as suas palavras em minha mente e no meu coração. Muito obrigado a todos os responsáveis pela elaboração do livro e aos que levaram o material até minha casa. Estou muito feliz e contente por tê-lo recebido. Um grande abraço e que Deus abençoe sempre o trabalho de vocês!” (Mauricio Eduardo)

cracolandia“Gostaria de contar uma experiência envolvendo seu livro. Meu filho é dependente químico e estava na Cracolândia, sumido desde terça-feira. No sábado da distribuição de O Poder da Esperança, eu estava em lágrimas na igreja vendo dois netos receberem o lenço dos Desbravadores e orando por meu filho sumido. Fomos após a cerimônia distribuir os livros. À noite meu filho ligou pedindo para voltar para casa. Que bênção recebida tão imediatamente! Hoje, ao ver o livro em casa, ele contou que voltou para casa pois na Cracolândia alguém recebeu o livro e começou a ler para eles, e abriu bem na página que trata dos vícios. Hoje, quando ele pegou o livro para me contar a experiência, ele se abriu de novo na mesma página. Estamos em êxtase por ver como Deus nos enviou a mensagem através desse impresso. Deus seja louvado! Ouvi seu testemunho de como foi para escrever esse livro. Você e ele são um presente de Deus para nós.” (Vânia Alvarenga de Melo)

Uma estrada para a reconciliação

Theomistocles“… assim como temos perdoado a quem nos tem ofendido.” Mateus 6:12b

Um dos temas que mais me tem chamado a atenção nos últimos anos é a luta entre nossas normas culturais e nossa convicção religiosa. Ou, em outras palavras, como nós preferimos na hora de tomar uma decisão seguir os costumes culturais nos quais crescemos em detrimento de nossa convicção religiosa ou daquilo que a Bíblia ensina claramente. Creio que o maior desafio do cristianismo é justamente ser mais forte do que a cultura. Como dizia Heródoto, a cultura é o rei. Por exemplo, na Alemanha nazista, praticamente todas as igrejas cristãs tinham placas nas entradas dos prédios com a frase “É proibida a entrada de judeus”. Porém, aqueles mesmos cristãos “absurdamente” esqueciam o fato de Jesus ser judeu. Portanto, a cultura local da época induzia (ou forçava) as pessoas durante a semana a odiar judeus, mas no fim de semana a adorar um. O mesmo paradoxo “cultura versus ensinamento bíblico” ocorreu durante os anos de escravidão durante os quais os cristãos achavam aceitável que pessoas fossem escravizadas. E mais recentemente nos Estados Unidos, onde afroamericanos eram proibidos de entrar nas igrejas de brancos. O racismo era claro em todos os cantos da sociedade, porém, os mesmos racistas liam textos bíblicos durante seus cultos, como: “Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).

A cultura local vigente cegava naquela época e pode cegar hoje completamente o entendimento ou o desejo de entender ou obedecer às doutrinas bíblicas.

Cristo apresenta em Mateus capítulo 6, no Seu famoso sermão do monte, a oração modelo, conhecida como “Pai Nosso”. Praticamente todos os cristãos conhecem essa oração e grande parte do cristianismo tem como prática decorar esses versos bíblicos. Mas, mesmo assim, palavras como “perdoa as nossas ofensas assim como temos perdoado a quem nos tem ofendido” tornam-se apenas palavras vazias em nossa boca, especialmente quando permitimos que nossa cultura vingativa e o desejo de executar justiça com as próprias mãos sejam mais fortes que o ensinamento de Cristo.

Tive o privilégio de visitar Ruanda durante o mês de abril com a missão de ajudar uma escola que tenho apoiado financeiramente por meio da organização alemã l’Esperance Kinderhilfe e.V. (www.lesperance.de). Visto que as doações têm diminuído nos últimos anos (o porquê dessa diminuição é assunto para outro texto), minha intenção era ensinar os funcionários assim como os alunos a desenvolver produtos a partir dos materiais disponíveis na escola e então passarmos a comercializá-los gerando renda tanto para os alunos quanto para a escola, transformando-a em uma escola autossustentável.

O que nos surpreendeu e é a razão deste texto foi a coincidência ou providência de chegarmos em abril, justamente o mês em que o povo em Ruanda relembra o genocídio contra os tutsis, que ocorreu em 1994.

No início da década de 1990, Ruanda vivia uma guerra civil. Os hutus (maioria da população) governavam e não aceitavam compartilhar com os tutsis (segunda tribo de Ruanda) a liderança do país. Os tutsis que haviam fugido do país e viviam como refugiados em Uganda haviam organizado um exército, o Rwandan Patriotic Front (RPF), e assim os confrontos haviam-se iniciado entre o governo e o RPF. As agressões foram aumentando e a propaganda de ódio do governo hutu contra os tutsis também se intensificou. Já era possível ler e ouvir palavras nos jornais e rádios como: “Tutsis são cobras… são baratas… devem morrer.” Já era possível ver nas escolas, durante as aulas de matemática, explicações do tipo: “Se há cinco tutsis e você mata dois, quantos restam?” Nos jornais era também possível ler listas com os nomes de tutsis famosos que deveriam morrer.

Todo esse clima hostil teve seu ápice em abril de 1994, quando o presidente (leia-se ditador) de Ruanda, Juvénal Habyarimana, que esteve no poder de 1973 a 1994, morreu quando seu avião foi abatido em Kigali, a capital de Ruanda. A partir daquele momento, a máquina de propaganda do governo anunciava por rádio que os tutsis haviam sido os responsáveis e, portanto, todos os tutsis (não somente os do RFP) deveriam morrer. Para piorar a situação, as estações de rádio espalharam a notícia de que qualquer hutu que matasse um tutsi automaticamente ganharia as posses do morto. A partir daquele momento seguiram-se cem dias de terror durante os quais pelo menos 800 mil pessoas foram assassinadas.

Os hutus estavam tão convencidos de que aqueles assassinatos eram socialmente aceitáveis que naturalmente paravam de matar para ir às igrejas, mas depois da missa ou do culto saíam com facões e machados para continuar assassinando seus vizinhos. Cerca de 50 mil hutus também foram assassinados por se oporem ao genocídio ou até mesmo por simplesmente não mostrarem interesse em matar os tutsis. Quase toda igreja em Ruanda virou memorial do genocídio, pois em praticamente todas elas pessoas foram assassinadas e em inúmeros casos líderes religiosos foram responsáveis por assassinatos em massa.

Tanto as Nações Unidas quanto a França, que poderiam ter feito algo para parar a tragédia, falharam miseravelmente em suas funções e pioraram a situação. Somente quando o exército RPF entrou no país foi possível parar o genocídio. Um novo governo foi formado, dessa vez liderado pelos tutsis. Apesar de os conflitos terem-se estendido por algum tempo, a paz finalmente se estabeleceu. E a partir daquele momento algo incrível aconteceu. O novo governo tutsi, que poderia ter usado sua posição para se vingar dos hutus, decidiu adotar uma série de medidas que em minha opinião estão entre as mais avançadas (tanto de um ponto de vista social quanto espiritual) já implementadas por um governo para reconstruir um país. O governo eliminou o divisionismo entre tribos, retirando da identidade das pessoas a referência à tribo à qual pertenciam e anunciando que daquele momento em diante todos seriam ruandeses. Virou crime até mesmo perguntar se uma pessoa era hutu ou tutsi. Os assassinos foram presos, julgados e condenados. Porém, decidiu-se estabelecer uma “estrada para a reconciliação” com base no sistema de justiça tradicional de Ruanda, em que os autores dos crimes deveriam aparecer diante dos familiares das vítimas, admitir os erros e pedir perdão. Apesar de parecer aos nossos olhos algo injusto e obviamente doloroso para as famílias das vítimas, esse programa foi um sucesso. Hoje muitos dos envolvidos nos assassinatos foram restabelecidos às suas comunidades e o país tem sido um exemplo de estabilidade e progresso para a África e para o mundo, mostrando como é possível curar feridas e reerguer uma nação.

Quando Theomistocles, o diretor da nossa escola [foto acima], me explicou tudo isso enquanto viajávamos de Kigali para o oeste do país, onde fica nosso projeto, perguntei se ele chegou a participar de algum desses programas de reconciliação, e ele me disse: “Sim, e eu me encontrei com o homem que matou minha mãe e minha irmã. Ele me disse onde as havia enterrado. Eu o perdoei, desenterrei os corpos dos meus familiares e os enterrei num cemitério.” Naquele momento meus olhos se encheram de lágrimas por estar diante de um exemplo vivo de cristianismo prático no mais profundo sentido da palavra. Enquanto eu me remoía em meus pensamentos e me sentia mal, imaginando a dor que aquele homem passou, também sofria ao refletir no fato de estar muito longe daquele nível de cristianismo.

Um dos pilares do cristianismo é o perdão incondicional, dado justamente àquele que não merece ou nem mesmo reconhece o erro. Várias parábolas de Cristo tratam do perdão. Várias histórias no Novo Testamento são de pessoas em busca do perdão. Uma das frases mais famosas de toda a Bíblia é: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34). Sem esse perdão estaríamos todos perdidos. Sem esse perdão demonstrado por Theomistocles e tantos outros naquele pequeno país na África, Ruanda provavelmente ainda estaria se banhando em sangue com vinganças sucessivas e sem fim.

Quando vejo cristãos que não perdoam seus cônjuges, filhos, pais, amigos, às vezes por coisas banais, fico me perguntando se eles prestam atenção quando oram o Pai Nosso. Conheço muitos cristãos valentes, inteligentes, eloquentes, fortes, etc., mas conheço poucos que sabem perdoar.

O exemplo de perdão demonstrado pelos ruandeses esmaga qualquer pretensão religiosa que eu tenha, pois o cristianismo é muito mais do que doar uma roupa de que eu já não precise ou perdoar quando o outro lado sinceramente se arrepende e se humilha. O cristianismo vivido e ensinado por Cristo, como descrito nas páginas da Bíblia, quebra barreiras, derruba vícios ou aspectos culturais, por mais enraizados que estejam.

Como é comum em tais viagens, quando vamos ajudar outras pessoas tentando transformar a vida delas, voltamos transformados. Mas eu não imaginava que essa minha visita a Ruanda teria um impacto tão profundo em minha vida e em minha fé. Eu fui para ensinar, mas aprendi que estava diante dos verdadeiros mestres.

Infelizmente, ainda temos uma luta grande dentro de nós a cada dia para evitar que nossa cultura seja mais forte que a ordem de Cristo.

Minha oração é que Deus possa me conceder um espírito perdoador e reconciliador, como mostrado por aquele meu amigo e por tantos outros ruandeses.

Agora me pergunto: O que eu ando fazendo hoje que considero normal, pois faz parte da minha cultura, mas que anda ofuscando as palavras de Cristo? Talvez esse meu comportamento que parece completamente aceitável hoje um dia possa ser motivo de vergonha para os meus netos e para a minha igreja.

(Rivelino Montenegro mora com sua família na Alemanha)

 * As fotos que ilustram este texto são de Jefferson Rodrigues.