Rubens Lessa: ao meu professor, com carinho

rubens_lessa[Em 2017 publiquei no blog Criacionismo o texto a seguir, prestando minha homenagem ao pastor e jornalista Rubens Lessa, quando ele completou 80 anos. Hoje republico aqui o mesmo texto, mas com o coração apertado, pois o meu amigo, professor e ex-chefe descansou no Senhor.]

Quando cheguei à Casa Publicadora Brasileira (CPB), em 1998, era um jovem de 26 anos, recém-graduado em Jornalismo, recém-casado, cheio de sonhos e planos, mas precisava ser moldado e “comer muito feijão com arroz” para que pudesse me tornar digno de ocupar a função para a qual havia sido chamado: editor na maior entre as sessenta editoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia espalhadas pelo mundo. Trata-se de um púlpito muito elevado e, na verdade, por mais que os anos passem, nunca estamos devidamente prontos para tamanha responsabilidade. Fazemos o que fazemos somente pela misericórdia de Deus.

Lembro-me, como se fosse hoje, do dia em que desembarquei do ônibus em frente à editora, a fim de realizar a entrevista e o teste que revelariam se eu iria trabalhar ali ou não. Dentro do Viação Cometa, vindo de São Paulo a Tatuí, reconheci um dos editores da CPB, o pastor e jornalista Zinaldo Santos. Confesso que meu coração acelerou. Eu conhecia todos os editores que trabalhavam na CPB. Na verdade, conhecia o rosto deles pelas fotos e lia tudo o que escreviam. Posso dizer que sempre fui “fã” dos “escribas” da igreja. Observei aquele senhor de bigode descer do ônibus e pensei: “Será que algum dia serei um editor como ele?” Mas procurei afastar esse pensamento, afinal, poderia não passar no teste. Era melhor não alimentar a ideia.

Quando desci do veículo, logo depois do pastor Zinaldo, pude ver o logotipo metálico da CPB majestosamente colocado em frente ao gramado da portaria externa. Lágrimas encheram meus olhos. Somente aqueles que amam a Deus, Seus servos e Sua igreja podem entender a emoção que naquele momento tomou conta de mim. Pela primeira vez eu estava ali, em frente à editora da igreja responsável por livros e revistas que haviam feito tanta diferença em minha vida e contribuído para minha conversão.

Identifiquei-me na portaria, fui até a recepção e aguardei alguns instantes, enquanto a recepcionista ligava para alguém. Tudo na instituição era (e é) muito bonito e bem cuidado, desde os jardins até as instalações internas. “O melhor para Deus”, pensei. Pouco tempo depois, ali estava ele: um senhor magro, de sorriso gentil e de um olhar que revelava sabedoria – o pastor Rubens da Silva Lessa, então redator-chefe da Casa Publicadora Brasileira. Ele apertou minha mão e me conduziu até sua sala, no setor de Redação. Cumprimentamos a secretária, a simpática Andréa, e entramos no escritório repleto de livros. Sentei-me na cadeira diante da grande mesa de madeira. Não, na verdade me senti afundar na cadeira, considerando-me pequeno na presença daquele homem tão culto, de português impecável e com tantos anos de experiência ministerial e editorial. Enquanto conversava com ele, pensava que meu futuro e da minha família dependiam daquele momento. Orei a Deus em pensamento e coloquei tudo mais uma vez nas mãos dEle.

Antes de deixarmos a Redação, no fim daquele dia memorável, o pastor Lessa me levou para conhecer a editora, mostrou-me uma sala vazia e disse, como que profetizando ou me dando um lampejo de esperança: “Esse escritório ainda pode ser o seu.”

Resumindo: um longo mês depois dessa entrevista, estava me mudando para Tatuí com minha esposa e os pouquíssimos móveis que possuíamos. Por indicação da esposa do meu chefe, a amável irmã Charlotte, alugamos uma casa em frente à casa deles. O casal Lessa nos adotou como filhos e nos ajudou a suportar a saudade dos nossos familiares e da nossa Santa Catarina, tão distante. Fazíamos o culto do pôr do sol juntos e frequentemente almoçávamos com eles. Levei algum tempo para conseguir comprar um carro, e não foram poucas as vezes em que meu vizinho foi à nossa casa para entregar a chave do Monza dele. “Pegue, vá dar uma volta com sua esposa.”

O pastor Lessa me convidou para ajudá-lo a cuidar de uma pequena igreja na cidade de Boituva, distante cerca de 25 km de Tatuí. Trabalhamos juntos ali, como anciãos, por mais de dois anos. Aprendi muito com ele. Com tato, ele ajudou a refinar meu modo de falar e de pregar. No trabalho, foi muito paciente, ensinando-me a escrever para a igreja, corrigindo meus erros e me mostrando que, acima de tudo, um bom texto se escreve com os joelhos mais do que com as mãos. E posso dizer que ter convivido de perto com esse homem de Deus valeu mais do que muitas faculdades.

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Acima de tudo, aprendi com ele que devemos ser íntegros, fiéis a Deus, à Sua Palavra e à Sua igreja. E isso Rubens Lessa ensinava por preceito e exemplo. Um verdadeiro professor. Um verdadeiro pastor. Um verdadeiro editor. Mas, sobretudo, um verdadeiro amigo. [Na foto acima está o grupo de editores da CPB em 2000.]

Hoje [2017] meu amigo completa 80 anos. Uma vida longa e abençoada, ainda gozando de ótima saúde, lucidez e ânimo para continuar pregando e escrevendo sobre o amor de Deus. Eu não poderia ter tido melhor professor!

Feliz aniversário, pastor Lessa!

Michelson

Nota (12/1/2019): Descanse em paz, meu amigo. Suas palavras sábias ajudaram incontáveis pessoas a encontrar a verdade que liberta. Tenho certeza de que na manhã da ressurreição você receberá muitos abraços de gratidão. Um desses será o meu.

 

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O padre que guardou o sábado

padreAndrew Fisher, um ex-padre católico, pensou cuidadosamente sobre sua decisão de guardar o sábado. Ele argumentava que o mandamento do sábado não era parte da lei cerimonial, pois fora instituído na criação, antes que o sistema sacrifical fosse instaurado. Citando Mateus 5:17 e 18, mostrava que Jesus não removeu sequer um i da lei. Com Tiago 2:10-12, demonstrou que os discípulos não mudaram o sábado. Corajosamente, apontava a Igreja Católica como a origem da apostasia. A guarda do domingo, sugeria, era um cumprimento da mudança dos “tempos e [das] leis”, predita em Daniel 7:25. Por causa disso, Fisher perdeu a vida. Em 1529, ele e sua esposa foram sentenciados à morte.

Há coisas pelas quais compensa morrer. Salomão, o homem mais sábio de todos os tempos, disse: “Compra a verdade e não a vendas” (Pv 23:23). Fisher e sua esposa tiveram coragem moral, têmpera espiritual.

Algumas pessoas nunca se posicionam contrárias nem favoráveis a nada ou ninguém. Seguem a onda, no tom da multidão. Mas há pessoas como José, Daniel e Paulo. Disse Ellen White: “A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Educação, p. 57).

O casal Fisher decidiu fazer o que era certo, porque era o certo, deixando os resultados com Deus. O lema de sua vida era: “Compensa seguir a verdade.” A verdade ainda é a verdade, independentemente da aceitação ou negação, popularidade ou rejeição de que seja alvo. Tomará você posição ao lado de homens e mulheres fiéis de todos os séculos? Seguirá a verdade custe o que custar, deixando com Deus os resultados?

Mark Finley, Sobre a Rocha

“Porque em verdade vos digo: até que o Céu e a Terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mateus 5:18).

Quase 60 anos depois, uma grande surpresa para minha sogra

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Quando minha família e meus sogros decidimos passear na pequena cidade de São Pedro de Alcântara, a primeira colônia alemã de Santa Catarina, onde minha sogra nasceu, não imaginávamos a surpresa que nos esperava ali 58 anos depois de ela ter deixado a localidade. Lúcia Edith Schmitt Martins nasceu em São Pedro, mas, com apenas seis anos, teve que se mudar para Florianópolis. A mãe era da família Hoffmann, o pai, da família Schmitt (ambas pioneiras da cidade). Como cresceu na capital, Lúcia acabou perdendo contato com quase todas as pessoas da antiga colônia. Até aquele dia.

São Pedro de Alcântara foi fundada (como colônia) em 1829 e fica a 34 km de Florianópolis. Ela possui um dos mais belos templos católicos do estado de Santa Catarina, inaugurado em 1o de março de 1929, com um altar esculpido em madeira trazido da Alemanha. Subimos as escadarias da igreja, que fica no alto de um morro, a fim de contemplar a vista lá de cima e tirar algumas fotos. Foi quando encontramos uma senhora cuidando do jardim que rodeia as sepulturas de quatro padres. Aproximamo-nos dela e começamos a conversar. Maria Felizita Frim tem 79 anos e é muito simpática e falante. Há 57 anos trabalha voluntariamente como zeladora do templo, o que faz com muita dedicação e alegria.

Conversa vai, conversa vem, acabamos descobrindo que a avó dela era irmã do avô da minha sogra, portanto, da família Hoffmann. As duas são parentes e não sabiam.

Maria abriu a igreja para que pudéssemos contemplar a arquitetura interna e nos contou detalhes interessantes da cidade e das famílias fundadoras. Tirei uma foto dos parentes, dei a ela dois exemplares do meu livro O Poder da Esperança e nos despedimos impressionados com o vigor, a alegria e a fé daquela senhora.

Sem dúvida, aquela foi uma tarde de surpresas e descobertas.

Michelson Borges

 

Lança o teu pão sobre as águas

DonizeteNos últimos dois sábados de 2018 Deus me deu presentes de valor incalculável que me deixaram muito, mas muito feliz. Vou começar pelo último sábado, no qual preguei e apresentei palestra na Igreja Adventista Central de Criciúma – a mesma igreja em que eu fui batizado no fim do ano de 1991. Quando encerrei a palestra da tarde, um homem veio até mim e me deu um abraço apertado. Então contou sua história: em 1992, quando eu ainda era recém-convertido, dei estudos bíblicos para ele, juntamente com as irmãs Rejane e Rosi Duzzione. Na época, o Donizete Cachoeira (esse é o nome dele) não tomou a decisão pelo batismo. O tempo passou e nossos caminhos se distanciaram. Fui morar em Florianópolis, casei-me e depois mudei-me para Tatuí, onde estou há 20 anos. Donizete viveu a vida dele. Passou um tempo em Belo Horizonte e começou a assistir ao canal de TV Novo Tempo (gosta especialmente do programa Evidências). Isso fez reacender na mente dele as verdades bíblicas que havia aprendido anos antes. Em 2003, Donizete foi batizado e hoje frequenta um grupo adventista no Balneário Rincão, onde mora. Aquele abraço foi especial e me fez pensar nos muitos abraços que receberão as pessoas que se dedicam a pregar o evangelho; homens e mulheres que lançam perseverantemente o pão (semente) sobre as águas para, depois de muitos dias, fazer a colheita das plantas desenvolvidas pelo poder do Espírito Santo (Eclesiastes 11:1).

O outro presente minha esposa e eu recebemos há pouco mais de duas semanas, em Tatuí. Vou deixar que ela conte a história: “Há nove anos, enquanto aguardava nossa filha mais velha sair da aula de violino, fui abordada por um menino de onze anos que me perguntou sobre o que eu estava lendo e me disse que seria escritor. Então contei para ele que meu esposo é escritor e lhe prometi dar de presente um livro dele. Fizemos uma visita à família do Samuel e depois disso ele passou a frequentar a igreja conosco durante uns dois anos. Muitas vezes nos oferecemos para dar estudos bíblicos para os pais do Samuel, mas eles relutavam, por serem membros de uma denominação que condena o estudo das Escrituras Sagradas. Mas, por intervenção divina, eles acabaram aceitando o convite. Estudamos a Bíblia com eles por um ano, sob forte oposição da família e de membros da igreja à qual eles pertenciam – especialmente da filha e do genro. Até que a filha, Danieli, teve um lindo sonho envolvendo um hino do Hinário Adventista. Ao acordar, ela se lembrava do hino, até então desconhecido para ela, e descobriu posteriormente que pertencia ao hinário da Igreja Adventista. Isso a impressionou e fez com que aceitasse participar do estudo bíblico com os pais e o Samuel. Entretanto, o esposo dela, Estêvão, ficou contrariado e o relacionamento de ambos, abalado. Por causa disso e de outros problemas, todos desistiram de estudar a Bíblia conosco, embora demonstrassem que gostavam muito das nossas reuniões.

“Ficamos tristes com essa interrupção e continuamos orando pela família, pois sabíamos que eram sinceros e amavam a Deus. Depois de um ano, fui impressionada a visitar a Danieli em seu trabalho. Ela me contou algo surpreendente: o esposo estava assistindo à TV Novo Tempo e tinha anotadas em um caderninho muitas dúvidas sobre doutrinas bíblicas. Então fomos visita-los e o Estêvão nos pediu para estudar o livro do Apocalipse com eles! Os pais da Danieli e o Samuel estavam mais envolvidos na igreja deles e temiam retomar os estudos.

“Após dois anos e muita luta espiritual, a Danieli e o Estêvão foram batizados por meu marido. Ironicamente, agora eles é que oravam fervorosamente pelo Samuel e pelos pais dele, para que também se entregassem a Jesus e seguissem a verdade bíblica.

“No fim do ano passado, Deus tocou profundamente o coração do jovem Samuel, agora com 20 anos, e da mãe dele, a Miriam. Depois de assistir a vários programas e estudos bíblicos da Novo Tempo, ela teve um sonho em que os dois estavam sendo batizados na Igreja Adventista, e surpreenderam a todos ao afirmar que finalmente estavam prontos para o batismo. Então, no dia 22 de dezembro, recebemos esse lindo presente de Natal, e meu esposo os batizou. Ao ver a decisão do filho e da esposa, o Paulo, pai do Samuel, também se decidiu pelo batismo e aguarda nosso retorno das férias para ser batizado.”

Assim chega ao fim uma linda história em que o principal protagonista foi o Espírito Santo. Uma história que começou há quase dez anos com um garotinho perguntando sobre um livro. Melhor dizendo, a história deles está só começando. A família Nascimento está sendo usada para levar outras pessoas a Jesus e à Palavra de Deus.

Experimente você também dar estudos bíblicos para alguém. Comece neste ano e não desanime. Mesmo que demore algum tempo, a semente lançada sobre as águas um dia poderá germinar e florescer.

Obrigado, Senhor, pelo que fizeste na vida do Donizete, da família Nascimento e tens feito na vida de tantas pessoas!

Michelson e Débora Borges

Em cima do Rio Negro nós oramos

rio negroMinha primeira viagem ao Estado do Amazonas foi bastante marcante. A convite da Associação Central Amazonas da Igreja Adventista (Aceam), pude apresentar palestras e pregar para cerca de duas mil pessoas reunidas no 7º Acampamento de Jovens Adventistas (AcampJA), realizado no município de Novo Airão, a 200 km de Manaus. Eram jovens muito vibrantes e interessados nas coisas de Deus, o que me faz crer que Deus tem uma geração sendo preparada para concluir a missão da igreja neste planeta. Além de assistir à programação espiritual e a vários seminários, os acampantes participaram de passeata de conscientização ambiental, realizaram mutirões de saúde e de revitalização de locais públicos e participaram também da inauguração do templo da Igreja Adventista de Novo Horizonte, resultado direto do esforço dos participantes da Missão Calebe. Para mim, fazer parte disso foi muito gratificante, mas minha “aventura” começou quando ainda estava em São Paulo.

Naquela sexta-feira, dia 2 de setembro de 2011, a cidade de São Paulo enfrentou o pior engarrafamento do ano, até ali. E lá estava eu, tentando chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, num trajeto que pode ser percorrido em pouco mais de 30 minutos, mas que levou quase duas horas, naquela tarde. Não deu outra: perdi o voo. Graças a Deus, consegui outro que sairia quase duas horas mais tarde, mas que me permitiria chegar a tempo de pregar meu primeiro sermão no dia seguinte.

Quando cheguei a Manaus, os irmãos que estavam me esperando no aeroporto me informaram de que a última balsa que cruza o Rio Negro e dá acesso à rodovia que leva a Novo Airão tinha saído fazia uma hora. E agora? O jeito foi conseguir uma lancha voadeira. E lá fomos nós, de madrugada, cruzar o rio na noite escura. E que velocidade! Em poucos minutos, transpusemos os cerca de três quilômetros de uma margem a outra do rio. Quando chegamos ao outro lado, embarcamos numa caminhonete e iniciamos a viagem pela estrada sinuosa e deserta. Eu estava bastante cansado e com fome. Tinha saído da minha casa às 14 horas, já eram duas da madrugada e minha última refeição havia sido uma barrinha de cereais.

Quando chegamos à pousada em que me hospedei, já passava das quatro horas. Programei o despertador do celular para as 7h30 e desabei na cama. Antes de ser vencido pelo sono (o que não demorou), pedi a Deus que me desse forças para o dia cheio que me esperava e que aquelas poucas horas de repouso pudessem restaurar minhas energias.

O milagre aconteceu. Acordei bem disposto e pronto para enfrentar o calor de mais de 40 graus que me fez suar o dia todo. No ginásio (local das reuniões gerais), os acampantes estavam com o uniforme de gala dos jovens adventistas, reunidos por sociedades de jovens e cantando animadamente. Quando comecei a falar, senti o carinho e a consideração de todos eles. Apesar do calor e do acúmulo de pessoas, o silêncio era quase absoluto, como se estivéssemos em um templo, com boa acústica e conforto. Falei-lhes sobre a necessidade de fazermos escolhas sábias na vida e que a melhor e maior escolha que podemos fazer é andar com Jesus todos os dias.

No fim do culto, um jovem me cumprimentou e me entregou um bilhete. Minutos mais tarde, quando li o que ele havia escrito, fiquei muito feliz: “Michelson, Deus escolheu que eu viesse aqui, em lugar de estar em minha colação de grau, que ocorreu ontem [sexta-feira à noite]. Obrigado pela mensagem que fortaleceu minha fé! Não me arrependo da decisão que tomei.” Amém!

No domingo à tarde, meu ex-colega de mestrado em Teologia, pastor José Alves Maciel Jr., na época presidente da Aceam, me levou para um agradável passeio nas proximidades do cais flutuante do Rio Negro, então recém-inaugurado pelo Governo Federal. Visitamos um dos grandes barcos de madeira ancorados ali e tive uma verdadeira aula teórica de navegação, entremeada por lindas histórias contadas por meu amigo que já foi piloto de uma lancha missionária, a Luzeiro. A conversa foi muito instrutiva e inspiradora.

O Sol já havia se posto quando paramos o carro exatamente em cima do cais. As águas do Rio Negro corriam por baixo da estrutura metálica e meu amigo fez uma oração de gratidão a Deus.

Na segunda-feira pela manhã, apresentei minha última palestra e me despedi dos jovens amazonenses. Disse-lhes que eu estava com saudades da minha família, mas que também ficaria com saudades deles e que, infelizmente, esse sentimento continuará existindo até a volta de Jesus. Então, não mais haverá engarrafamentos, despedidas e distâncias.

Michelson Borges

Leia também: “Novo Airão recebe VII AcampJA da Associação Central Amazonas”

Uma vida de louvor

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Com mais de três décadas de uma carreira premiada e consolidada, o cantor filho de missionários fala de seu desejo de exaltar o Criador por meio da música

Há 20 anos o Centro Universitário Adventista (Unasp) celebrava os 15 anos de seu campus em Engenheiro Coelho. Para abrilhantar o evento, foi convidado o cantor cristão mundialmente famoso Steve Green. O campus ainda não tinha um grande auditório nem templo para uma programação dessa natureza, então um palco foi montado ao ar livre, em um amplo gramado, e ali milhares de pessoas se reuniram para louvar a Deus. Vinte anos depois, a administração do Unasp resolveu trazer novamente Steve Green para juntos celebrar os 35 anos da instituição. E mais uma vez o espírito que tomou conta de todos foi de gratidão. Agora o campus dispõe de um amplo templo com capacidade para mais de três mil pessoas, mesmo assim foram necessárias duas sessões nas quais o espaço esteve complemente cheio. Em 1998 a Revista Adventista publicou uma entrevista exclusiva com o cantor, feita pelo jornalista Michelson Borges. Duas décadas depois, ele o entrevistou novamente.

Como foi o seu chamado para o ministério musical?

Cresci na Argentina e meus pais eram missionários lá. Na época eu não sabia que podia cantar. Voltei aos Estados Unidos para cursar uma faculdade. Meu plano era ser advogado, mas alguém me ouviu cantar certa vez e me disse que eu deveria fazer um curso de música. Então comecei a estudar música. Inicialmente, meu coração não era inteiramente do Senhor, portanto, eu tinha apenas uma voz. Anos depois, Deus me atraiu para Si, mudou meu coração e me fez ver que todo dom vem Dele. Meu chamado foi para dar-Lhe glória por onde eu for.

Como é ser usado por Deus para tocar vidas?

É maravilhoso! Deus pode chamar qualquer um de nós para trabalhar para Ele, mas é preciso ser humilde para falar em nome Dele, para agir de acordo com a vontade Dele e tocar a vida das pessoas. Sinto-me muito pequeno, mas muito abençoado por poder fazer isso.

Música é como um sermão, certo?

Sim, pois ela tem uma mensagem muito importante; afinal, comunicamos a verdade. É meu prazer e também minha responsabilidade ser um proclamador da Palavra de Deus.

Que conselho você daria aos cantores cristãos?

Trabalhem muito, busquem a excelência naquilo que fazem, trabalhem fundamentados em sua relação com Deus, e deixem que Ele cuide de sua carreira. Geralmente, os cantores fazem o oposto: desejam ser grandes diante das pessoas, mas são muito pequenos. Devemos permitir que Deus mude nosso coração e nos coloque onde Ele quer. Não copie as maneiras do mundo. Busque o Senhor, humilhe-se e deixe que Ele o exalte.

Uma experiência marcante em seu ministério.

Voltei ao local onde cresci: Tartagal, Argentina. Nunca mais tinha estado lá desde os meus nove anos de idade. Convidaram-me para cantar e eu fiquei muito empolgado, afinal, poderia levar uma mensagem para a minha terra. Quando iniciei o concerto, começou a chover forte e, devido ao barulho no telhado, eu não conseguia me ouvir e ninguém me ouvia. A água começou a subir e inundar tudo. Meu irmão me disse que tínhamos que cancelar o concerto, que eu poderia ser eletrocutado, mas eu disse “não”. Tinha voltado à minha terra para dar uma mensagem para o meu povo. Mais tarde, alguém me enviou uma carta e disse que naquele concerto havia três ou quatro diferentes grupos indígenas que não gostavam um do outro; que tinham tensões raciais baseadas em quão escura era a pele de cada um. Mas ali estavam eles, juntos. Enquanto chovia, eles tiveram que ficar juntos por quase três horas; e começaram a conversar, fizeram amizade. Percebi que naquela ocasião minha música não era importante. Minha mensagem não era importante. O concerto não aconteceu, mas tudo bem. Deus agiu.

Se pudesse escolher uma música que mais marcou seu ministério, qual seria e por quê?

Provavelmente, “God, and God Alone”, porque às vezes pensamos que somos grandes, mas não somos. Às vezes pensamos que controlamos as coisas, mas não. Às vezes pensamos que se tivéssemos o presidente ou o líder correto tudo daria certo, mas não. Deus está conduzindo tudo. Ele é o governante de tudo. Ele está no controle.

Em 20 anos, o que mudou em seu ministério?

Muita coisa, especialmente em minha compreensão da graça de Deus. Eu pensava que Deus havia me salvado e o resto era por minha conta, mas descobri que não é esse o caso. A graça de Deus está presente em todo o caminho. É Deus trabalhando em nós para fazermos Sua vontade prazerosamente. Aprendi a descansar mais no que Ele fez por mim.

Leia também: A capsula do tempo foi aberta vinte anos depois

Um livro salvou a vida dele

22.09.18 Batismo da Primavera (3)Em 2014 distribuímos o livro missionário no cruzamento da avenida Luís Pires de Minas com a avenida Barreira Grande, próximo à nossa igreja, e decidimos que neste ano de 2018 voltaríamos ao mesmo local para então distribuir o livro O Poder da Esperança, de Michelson Borges e Julián Melgosa. Compramos vários exemplares, inclusive a versão infantil. O sábado 26 de maio foi maravilhoso. Toda a igreja esteve envolvida no projeto. Realizamos uma encenação num dos semáforos e os jovens seguraram letras que formavam a frase “Jesus te ama”. Uma de nossas desbravadoras comentou: “Este foi o melhor dia da minha vida!” Esse trabalho tem grande importância e impacto, não somente para quem recebe o livro, mas também para quem o entrega.

Há aproximadamente dois meses, num domingo à noite, um homem chegou à nossa igreja com um folheto na mão; nele havia o endereço da igreja e o horário dos cultos.

Ele se aproximou e disse: “Encontrei o livro O Poder da Esperança no para-brisa do meu carro, li todo o livro e vim dizer que o trabalho de vocês não foi em vão. Presenteei outra pessoa com ele e fiquei apenas com o folheto, pois da maneira como fui abençoado com o livro outra pessoa também precisava ser. Esse livro é extraordinário!
Uma leitura inspiradora, envolvente, cativante e impactante.”

Ele foi convidado para entrar e participar do culto e, no fim, disse: “Esse livro salvou a minha vida!”

Convidamos o Denis (à esquerda, na foto acima) para a classe bíblica da nossa igreja, que é realizada aos sábados pela manhã. Apresentamos os estudos necessários e, para a honra e glória de Deus, ele se decidiu pelo batismo. Denis Moreira Lucas agora é membro da nossa igreja.

(Edna Pereira é diretora do Ministério Pessoal e de Comunicação da Igreja Adventista do Sétimo Dia – IV Centenário)