Testemunho de um jovem adventista refugiado cubano

Médico encontra a verdade na Bíblia

Mensagens que nos alegram: o médico e as crenças “estranhas” dos adventistas

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Oi, Michelson. Me chamo Juliano, sou médico. As crenças de minha esposa adventista, como o sábado, o estado dos mortos, as profecias de Daniel e do Apocalipse, me eram estranhas, apesar de eu ser cristão(católico). Estamos juntos há 15 anos, mas só nos últimos três anos resolvi investigar por minha conta, estudando a Bíblia diariamente e conteúdos de várias religiões cristãs, comparando os posicionamentos

Conclui que todas as crenças “estranhas” dos adventistas encontram fundamentação na Bíblia e, então, por convicção e consciência, fui batizado no último sábado, 26/6, na Igreja Adventista Central Paulistana.

Gosto muito dos seus vídeos; me inspiram, e me identifico com seu espírito de criteriosa investigação dos fatos (eu também gostava muito de gibis de super-heróis e Legião Urbana, hoje considero as histórias reais da Bíblia e os Salmos muito mais fascinantes!).

Deus abençoe seu ministério e toda a sua família!

Um grande abraço!

(Pode usar meu depoimento em vídeos/mídias sociais, se assim o desejar e julgar pertinente.)

Leia mais “Mensagens que nos alegram” (clique aqui).

Testemunho e batismo da Dra. Dulce

Entrevista com um jovem adventista homossexual

Testemunho de conversão de uma ex-freira

As maneiras impressionantes de Deus alcançar Seus filhos

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Conheci Marileide em 2013, por meio de uma amiga em comum. Ela morava num bairro da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro chamado Cosmos e trabalhava na área de marketing da Casa e Vídeo no centro da cidade do mesmo município. Fiquei viúva em 2011 e aluguei o apartamento onde morava no bairro de Cordovil, vindo a residir no bairro de Bento Ribeiro. Minhas filhas estavam casadas e eu me sentia muito só e depressiva. Parei de frequentar a Igreja Adventista, pois sentia Deus distante de mim, quando na verdade deixei minha tristeza me afastar Dele.

Como Marileide residia muito longe do trabalho, fazia uma verdadeira viagem de casa até lá. Resolvi então convidá-la a vir morar comigo, pois ela ganharia no dia mais quatro horas em casa e eu, uma companhia. Ela aceitou e, assim, nos tornamos amigas-irmãs.

Marileide viveu sete anos num convento em Minas Gerais e mais um ano em outro convento aqui no Rio de Janeiro, totalizando oito anos de vida religiosa. Ela adorava a vida de dedicação a Jesus, inclusive renunciou a um noivado de seis anos, faltando apenas quinze dias para o casamento, pois estava vivendo um conflito entre formar uma família e dedicar-se à vida religiosa. 

Por questões políticas, deixou o convento faltando três meses para ir à Itália (Vaticano). Ela deixou o convento, mas não abandonou a vida religiosa, pois amava intensamente a Igreja Católica.

Eu admirava a dedicação dela à igreja. Mesmo quando passeávamos, ela não perdia a oportunidade de entrar em uma igreja e assistir parte da missa. O fato de vê-la a cada manhã de domingo levantar logo cedo para ir à missa despertou em mim certa saudade da minha igreja, porém não me decidia retornar. Comecei então a colocar vídeos do YouTube com mensagens adventistas. Diariamente eu assistia “Tempo de Refletir”, com o pastor Amilton Menezes, “Reavivados por Sua Palavra”, com Rosana Garcia Barros, “Lições da Bíblia”, com Leandro Quadros e com o pastor Eduardo Batista. Minha amiga acabava ouvindo “por tabela”.

Houve um trimestre em que se estudava o livro de Atos dos Apóstolos e Leandro Quadros explicava acerca da confissão de Pedro de que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quando Leandro disse que “Pedra” não era uma referência a Pedro como edificador da igreja e que as chaves para ligar e desligar não se referiam à liderança dele como papa, ela ficou irada e disse que ele, Leandro Quadros, havia caído no conceito dela. Pediu-me para não colocar mais nada dele e também daquele outro ali, referindo-se ao pastor Eduardo Batista. Com respeito ao pastor Amilton Menezes e à Rosana Garcia Barros, ela disse que não se importava, embora certa vez tenha refutado o que o pastor Amilton falou acerca dos monastérios. Segundo ela, a clausura é uma forma de servir ao mundo pelas orações sem interferências, só no silêncio.

Ao tentar explicar o que o Leandro disse, tivemos uma briga homérica. Deixei passar alguns dias e fui colocando bem baixinho os vídeos do “Lições da Bíblia”. Gradualmente, fui aumentando o volume. Incomodada, ela disse: “Poxa, Solange, eu te pedi pra não botar mais vídeos desses caras.” Eu disse a ela que colocava baixinho, só pra eu ouvir. “Mas eu acabo escutando”, respondeu ela. Então baixei um pouquinho mais o volume e, depois de certo tempo, fui novamente aumentando. Ela desistiu de reclamar.

Acabado o estudo daquele trimestre, iríamos iniciar um novo estudo que me deixou sem chão. Seria o estudo sobre o livro do Apocalipse. Eu pensei: se um simples comentário do Leandro Quadros sobre Pedro não ser o primeiro papa foi um distúrbio, imagine um trimestre todo falando de bestas, prostituta, Babilônia e tudo o mais! Ela nunca mais iria querer saber de ouvir qualquer coisa da Igreja Adventista, pensei.

Fui para um corredorzinho atrás de casa e ali me ajoelhei para conversar com Deus. Falei: “Senhor, logo Apocalipse? Se já foi complicado ela ouvir um comentário que refuta a tradição da igreja dela, imagine um trimestre todo! Eu não vou colocar as lições, pelo menos neste trimestre. Mas algo parecia me dizer: ‘Você vai colocar sim, pois essa obra não é sua, é Minha.’ Fiquei perturbada com isso e, quando iniciou a primeira lição do trimestre, eu estava trêmula; mas mesmo assim coloquei o vídeo. E todas as vezes eu estremecia; o coração parecia que ia pular para fora ao colocar os estudos; contudo, não desistia. Resumindo: em todo o trimestre ela não fez um comentário sequer, nem positivo nem negativo.

Certo dia, quando conversávamos sobre o sábado, ela disse que na Bíblia constava que o domingo é o dia do Senhor. Peguei a Bíblia de Jerusalém e pedi para ela abrir em Êxodo 20:1-8 e ler. Ela ficou surpresa ao ver que em sua Bíblia católica claramente se lê: “Lembra-te do dia de sábado para o santificar.” Não obstante, manteve-se resistente e fiel ao magistério e à tradição da Igreja Católica. Disse que a mudança aconteceu em virtude da ressurreição de Cristo, e para que os cristãos não fossem confundidos com os judeus. Chegou até a comprar um catecismo para rebater algumas de minhas colocações. Ela dizia: “Minha igreja tem mais de dois mil anos de história, como poderia ela estar errada? A sua não tem nem duzentis anos e tem a pretensão de dizer que é a verdadeira e as outras são falsas! Nós estamos anos luz à frente de vocês.”

Eu silenciava para não afastá-la de vez.

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Alguns dias depois, coloquei um vídeo do pastor Michelson Borges sobre o sábado, e ao terminar o vídeo ela veio até mim com os olhos marejados e disse: “Como a igreja não percebeu isso? Está tão claro! Vou escrever uma carta para o papa; ele precisa saber.” Eu disse para ela: “Ele sabe.” Ela prosseguiu: “O sábado é o dia do Senhor, mas existe também santidade no domingo, afinal, Jesus ressuscitou nesse dia.”

Apesar de ter compreendido a verdade acerca do sábado, ela continuou abraçada às outras doutrinas do catolicismo e indo fielmente às missas. Umas poucas vezes eu fui com ela. Certa vez ela me pediu para ficar no banco, que ela iria lá atrás falar com alguém. Ao retornar, perguntei-lhe: “Conseguiu falar com o padre?” Ela disse que não foi falar com o padre, mas com Jesus. Foi quando eu falei: “Você não precisava sair daqui para falar com Ele, pois Ele está aqui do nosso lado.” Ela disse que era assim que ela fazia e pronto.

Teve uma vez, na Páscoa, que todos saíram da igreja para uma procissão. Algumas pessoas ergueram nos braços uma imagem de Nossa Senhora. Ela perguntou se eu iria acompanhar a procissão e respondi que isso eu não ia fazer, mas que ela podia seguir e eu iria para casa. Ela acabou me acompanhando de volta para casa.

Eu achava muito chatas aquelas missas com tantas repetições. Parecia tudo muito robotizado: o padre falava e todos mecanicamente repetiam o que estava escrito em uma espécie de boletim. A única coisa que me agradava um pouco era a homilia, isso quando o padre não falava dos santos.

Com o decorrer do tempo, as palestras que eu colocava começaram a deixá-la confusa. Ela partilhou que estava tendo conflitos e começava a se incomodar na igreja dela. Quis conversar com o padre, mas, como não conseguiu, conversou com um seminarista sobre o sábado, o que não ajudou muito. Ela disse: “Solange, não sei o que fazer; não quero trair minha igreja; é como se eu estivesse sendo infiel, mas não me sinto mais a mesma lá.” Eu disse que não poderia decidir isso por ela. Se dependesse de mim, ela seria uma adventista, mas ela precisava escolher racionalmente. Pedi para que ela orasse para que Deus a direcionasse. Foi quando ela resolveu fazer um teste: todos os domingos ela colocava o relógio para despertar cedo para ir à missa. Ela determinou: “Se o relógio não despertar é porque Deus não quer que eu vá à missa; se despertar eu vou.”

Amanheceu e o relógio não despertou, não obstante, o celular despertou. Ela se levantou, arrumou-se e foi à missa. Assim que ela saiu, eu me sentei na cama e falei com Deus: “Como pode, Senhor? Por que esse celular foi despertar? Tu querias que ela fosse à missa?” Mais uma vez era como se Ele estivesse falando ao meu ouvido: “Ela falou do relógio, e ele não despertou. Quem despertou o celular? Não fui Eu.” Fiquei aliviada, mas não falei isso com ela; ela só soube muito tempo depois. 

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Em outro momento, pus outro vídeo do pastor Michelson que fala sobre a mortalidade da alma. Assim que o vídeo acabou, ela apareceu na cozinha aos prantos dizendo que não ia mais lutar contra o que estava sentindo, e que iria conhecer a Igreja Adventista. Ela disse que, na verdade, estava investida de muito preconceito, pois os católicos geralmente têm muitas reservas em relação aos protestantes, ou “crentes”, tendo-os por infiéis, por terem largado a igreja-mãe.

Eu a levei inicialmente para conhecer a Igreja Adventista de Guadalupe II, mas era carnaval e o templo estava muito vazio, pois a maioria estava no retiro. Ela achou tudo muito estranho e foi muito crítica. Disse que as pessoas pareciam não saber o que fazer lá na frente e por isso cantavam muitos hinos. Expliquei que aqueles hinos eram um prelúdio para o início da Escola Sabatina. Ela disse que não conseguia se adequar àquela forma de culto. Na hora do estudo da Lição, ela disse que parecia uma feira-livre, com todos falando ao mesmo tempo. “Por que não fica cada grupo em uma sala, Solange?” Expliquei que não havia logística para tal.

Em outro sábado a levei à Igreja Adventista do bairro do Méier, a mais antiga do Rio de Janeiro. Ela detestou e criticou tudo. Disse que era um senta-levanta, as pessoas ficavam inquietas e levantavam a toda hora de seus lugares, era um falatório na hora do culto. Mas dessa vez ela gostou do professor que recapitulou a Lição. Da professora da Escola Sabatina de Guadalupe II ela também havia gostado.

Expliquei a ela que Ellen White diz que a igreja remanescente é débil e defeituosa, mas milita em seu objetivo e há de triunfar. Existe algo que eu, particularmente, admiro nos católicos e não vejo em nossas igrejas: a reverência. Numa igreja católica a gente consegue ouvir o som de um inseto voando; eles não falam no templo, apenas sussurram. Eles têm aquele lugar como sagrado e são silenciosos; a adoração começa na reverência. Isso precisamos aprender com eles. Eu disse que ela iria encontrar muita coisa errada e inadequada na igreja, por isso ela deveria olhar para Cristo somente; Ele é a única razão para ali estarmos. Como num hospital ali há muitos enfermos.

Outra coisa que procurei fazer com que ela entendesse: “Você, Marileide, está acostumada com uma igreja ritualística, como nos idos tempos do Antigo Testamento, à exceção do sacrifício de animais que hoje não se vê mais. A igreja apostólica deixou o ritualismo no passado e passou a pregar a Palavra; é uma igreja evangélica. Cristo outorgou à igreja a pregação do evangelho. Na igreja católica você está acostumada àqueles rituais repetitivos, mas nas que vocês chamam de protestantes estuda-se a Palavra, cantam-se louvores, os dízimos e as ofertas são tributados, o sermão é apresentado, elevam-se orações aos Céus. Da igreja primitiva até nossos dias esse é o culto racional que fazemos; no entanto, reconheço que nos falta a reverência dos católicos. Mas o cerne do culto é a Palavra, como fizeram os apóstolos, e não rituais como fazem os padres.”

Algum tempo depois a levei para conhecer a Igreja Adventista do bairro de Vila Kosmos e ela ficou encantada com essa igreja. Ela não mais ia à Igreja de São Sebastião, onde frequentava a missa, mas não havia se decidido pelo batismo em nossa igreja e continuava visitando igrejas adventistas.

A transubstanciação, a figura de Maria como eternamente virgem e assunta ao céu, Miguel como não sendo Jesus ainda eram questões não resolvidas na cabeça dela. Durante a semana, ela ainda ia à secretaria da Igreja de São Sebastião para deixar o dízimo. Teve um dia que ela pegou a bicicleta para ir devolver o dízimo na secretaria da igreja. Geralmente ela ia e voltava em 30 minutos. Nesse dia ela não levou 15 minutos. Ao chegar em casa, falei com surpresa: “Nossa, como você voltou rápido!” Notei que o rosto dela estava muito vermelho e perguntei: “Você está passando mal?” Ela disse que não e desabou em lágrimas: “Pedi o desligamento da igreja, vou me batizar na Igreja Adventista.” Eu a abracei e disse que era uma decisão difícil, mas que Deus daria forças para ela. Ela falou que só faltava escolher qual igreja adventista iria frequentar. O coração dela estava na igreja de Vila Kosmos, mas a pequena igreja de Bento Ribeiro iria precisar mais dela. Assim, em 27 de março de 2020, nós duas fomos imersas nas águas batismais. Foram cinco anos de muita oração e luta para apresentar as verdades para ela e o Espírito Santo a retirou do vale da decisão. Hoje ela é tesoureira em nossa igreja e até já pregou.

Mês passado ela teve sua primeira grande prova de fidelidade: ela está há um bom tempo desempregada. Tem um bom currículo: é formada em Administração, Psicopedagogia, sabe lidar bem com informática, inclusive faz edições de vídeos para a igreja e administra o canal do nosso pastor no YouTube, porém, não consegue ingressar no mercado de trabalho. Apareceu uma entrevista para ingressar na área administrativa de uma rede de supermercados, mas, infelizmente, teria que trabalhar no sábado em regime de escala. Ela tentou ver se podia compensar durante a semana, mas não havia essa possibilidade, sendo assim, ela não aceitou. Eu disse que Deus haverá de contemplar sua fidelidade.

Encerro aqui a longa história da conversão de uma ex-freira que ouviu a voz do anjo clamando: “Caiu, caiu a grande Babilônia; retirai-vos dela, povo Meu.”

(Solange Diniz)

William Ramsay: quis desmentir o evangelho de Lucas, acabou se convertendo

Quando os céticos descrentes da Bíblia olharem para Ela sem pressupostos negativos, quem sabe chegarão à mesma conclusão a que ele chegou

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Lucas existiu e escreveu o livro de Atos com precisão histórica e geográfica. A primeira sentença pode ser verdadeira, mas a segunda está longe de ser realidade. Isso se deve ao fato de que esse livro foi escrito no 2º século d.C., ou seja, bem distante dos eventos do cristianismo do século anterior que ele pretendia narrar. O principal nome dessa visão foi Ferdinand Christian Baur, teólogo da Universidade de Tübingen no século 18. Baseado na filosofia de Hegel (tese, antítese e síntese), ele desenvolveu toda uma estrutura dos primórdios do cristianismo. Para Baur, Pedro representava a ala judaica do cristianismo (tese), Paulo, a gentílica (antítese), Atos, a igreja unida (síntese), algo que só foi possível no 2º século. Toda essa estrutura de pensamento estava fundamentada na Redaktiongeschichte (a história da redação), um movimento de pensamento alemão que afirmava que o livro de Atos e também os evangelhos foram escritos mais de uma perspectiva teológica do que histórica.

Foi nesse contexto que surgiu a figura de Sir William Ramsay, adepto de tais ideias que viajou para a Ásia Menor, as terras das viagens missionárias de Paulo, com a intenção de provar os pressupostos de Baur e da Redaktiongeschichte. Porém, todas as pesquisas arqueológicas dele mostraram o contrário. A obra de Lucas é extremamente precisa quando se refere aos costumes, lugares e personagens do 1º século d.C. Ramsay, ao longo de seus trabalhos, considerou o livro de Atos como autoridade em assuntos como topografia, antiguidades e sociedade da Ásia Menor, e um aliado útil em escavações obscuras e difíceis.[1]

Uma de suas contribuições para a historicidade do livro foram seus estudos sobre a grande fome nos dias do imperador Cláudio (At 11:27-30). O pano de fundo do texto bíblico segundo alguns não é histórico, é improvável e não corroborado por outras evidências.[2] Ramsay encontrou diversas fontes sugestivas em conformidade com a passagem de Atos. Diversos historiadores mencionam algo sobre a escassez de alimentos nesse período de Roma. Suetônio, historiador romano do 2º século, menciona uma assiduae sterelitates (fome intensa) durante o império de Cláudio (41-54 d.C.). Tácito menciona duas fomes na capital do Império e Eusébio de Cesareia fala de uma fome na Grécia e provavelmente na Ásia Menor.[3] Todas essas informações nos levam a crer que o reinado de Cláudio foi marcado por más colheitas que ocasionaram ausência de alimento em diversas partes do Império. Curiosamente, Atos 12, o capítulo seguinte, contém fatos que aconteceram em 44 d.C. (a perseguição e morte de Herodes Agripa I), ou seja, durante o período referido acima.

Hoje temos um fato bastante irônico. Eruditos do Novo Testamento negam a historicidade de Atos 4 e historiadores da antiguidade consideram as narrativas desse livro como historicamente exatas. B. H. Warmington, professor de História Antiga na Universidade de Bristol, afirmou que, “quando se refere a aspectos da lei e do governo romano, os historiadores têm considerado como fontes confiáveis”. Para A. N. Sherwin-White, um dos maiores eruditos em historia romana, “a confirmação da historicidade de Atos é abundante e qualquer tentativa de negá-la é absurda”.[5]

O escritor com maior número de livros no Novo Testamento é sem dúvida alguma Paulo. Lucas, ao contrario, escreveu apenas dois livros, o evangelho que leva o nome dele e os Acta Apostolorum (Atos dos Apóstolos), mas somente esses dois ocupam mais de 30% do segundo cânon. Na realidade, algumas evidências nos levam a crer que o Evangelho e Atos são uma única obra, dividida em dois volumes.

O que motivou Lucas a escrever sua obra? Logo no prólogo do seu evangelho, ele a justifica (1:1-4). Ele diz que sua “acurada investigação” (v. 3) era destinada para Teófilo. O autor o chama de “excelentíssimo” (kratiste em grego), e ele devia ser alguém muito importante, já que esse termo é usado outras duas vezes, para Félix (23:26) e Festo, e ambos ocupavam cargos extremamente importantes na política da época. Não só isso, mas o texto da obra se assemelha muito a dossiês jurídicos do 1º século. Provavelmente, Teófilo tenha sido um advogado que estaria defendendo o apóstolo Paulo perante o júri romano.

Em favor dessa opinião, temos três detalhes importantes: (1) em Lucas 1:3 ele usa a palavra grega akribos, minucioso em detalhes, tinha de ser algo preciso; (2) a partir de Atos 13, o foco é quase totalmente voltado para Paulo; e (3) o segundo volume da obra termina com Paulo na prisão.

Se Lucas tinha interesse em ser preciso em todos os detalhes históricos e geográficos de sua obra, por que ele não seria também com os assuntos religiosos? Se sua mensagem histórica é digna de crédito, é de se esperar o mesmo sobre as boas-novas da salvação em Cristo Jesus. Quando os “Williams Ramsays” dos tempos modernos, os céticos descrentes da Bíblia, olharem para Ela sem pressupostos negativos, quem sabe chegarão à mesma conclusão a que ele chegou.

(Luiz Gustavo S. Assis é formado em Teologia pelo Unasp e doutorando no Boston College)

Referências:

1. Ramsay, William M. St. Paul: the Traveller and the Roman Citizen. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1962. p. 8.
2. Ramsay, p. 48. Ele está citando um autor chamado Schürer, que não acreditava no relato bíblico.
3. Thompson, J. A. The Bible and Archaeology. Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1972. p. 382
4. Bornkamm, Günter. Paulo: Vida e Obra. Petrópolis, RJ: Vozes, 1992. p. 16.
5. Yamauchi, Edwin. Las Excavaciones y las Escrituras. Casa Bautista de Publicaciones. 1977. p. 104, 105.

Jesus Cristo mudou minha vida

Elias Azevedo: mais um pioneiro descansa no Senhor

Pastor e compositor, ele dedicou a vida para pregar e louvar a Deus

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Faleceu hoje, com 87 anos, um grande homem de Deus: o pastor Elias Reis de Azevedo. Conheci pessoalmente o pastor Elias cerca de 20 anos atrás, quando ele estava em busca de um roteirista para o vídeo que estava produzindo sobre a criação bíblica (veja os vídeos abaixo). Um amigo em comum, o ilustrador João Luiz Cardoso, me apresentou ao pastor e nasceu ali uma grande amizade. De vez em quando, o pastor Elias me ligava para bater papo, e conversávamos sobre profecias, música, desafios, etc. Ele sempre dizia, assim que eu atendia ao telefone: “Hora de oxigenar o cérebro.” E era mesmo. Aqueles minutos de boa proza com aquele homem de Deus sempre de bom humor eram realmente muito preciosos. Elias gostava de contar histórias engraçadas, mas não deixava de ser sério quando o assunto era a obra de Deus e a igreja que ele tanto amou. Dedicou-se especialmente ao ministério da música e manifestava preocupação com os rumos da música sacra dentro e fora do adventismo. Conversamos muitas vezes sobre esse assunto, ocasiões durante as quais o pastor Elias me falava de suas pesquisas e das palestras ministradas incansavelmente por todo o Brasil.

Elias Azevedo foi um pioneiro da música adventista brasileira, tendo fundado o primeiro quarteto evangélico em nosso país, o Harmonia (isso dez anos antes da criação do quarteto Arautos do Rei). Também regeu por mais de duas décadas o Coro Masculino do Unasp-SP. Graduado em Teologia, ele fundou a Gravadora Boa Música (GBM), tendo produzido muito material para crianças e adultos. O hino “Querido Jesus”, do Hinário Adventista, foi composto por ele.

Ele foi casado por 39 anos com a professora e produtora musical Zilda de Azevedo, falecida no ano 2000. “Orei a Deus e pedi que me desse uma moça com as características que a Zilda tinha, e que gostasse de mim e eu dela à primeira vista. Foi assim que aconteceu”, contou certa vez, com saudade do amor de sua vida.

No dia 7 de fevereiro, tive a oportunidade de, juntamente com o pastor Gilson Grüdtner e com Wilson Azevedo (filho), visitar meu amigo Elias no hospital em São Paulo, já um tanto debilitado pelo câncer que lhe tirou a vida, mas com o bom humor e a fé de sempre. Lemos um trecho da Bíblia e oramos, pedindo inclusive o cuidado de Deus sobre as muitas pessoas (entre funcionários, enfermeiros e médicos) que o pastor Elias evangelizou com palavras e literatura.

Sentirei falta das “ligações oxigenadoras” do meu amigo, e aguardarei com esperança o dia em que o reencontrarei ao lado de sua amada Zilda, que não tive o privilégio de conhecer aqui. Sinto muita saudade de gigantes espirituais que marcaram minha vida, como Geraldo Marski, Orlando Ritter, Rubens Lessa, Anísio Chagas, e agora Elias Azevedo.

Venha logo o dia do reencontro!

Michelson Borges

“O amor é capaz de tudo. Quando somos sinceros e servimos ao outro, demonstramos um grande ato de amor. Devemos tratar bem os outros sem esperar nada em troca, e sem discriminação, pois não sabemos por quanto tempo estaremos vivos.” Elias Reis de Azevedo

Na direção de Jesus

A história da corredora e modelo que abandonou a carreira para servir a Deus

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Fábia Siqueira da Silva nasceu em fevereiro de 1985, em Campo Grande, MS. Cursou Publicidade e Propaganda no Unasp, campus Engenheiro Coelho, gosta de ler e praticar esportes. Foi secretária do Departamento de Publicações da Associação Catarinense da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em São José, SC, e atualmente é apresentadora da Rádio Novo Tempo em Campo Grande, MS. Fábia trabalhou na agência Zoom, no Unasp, e como colportora por dois anos. Mas o que muitos hoje não sabem é que a moça foi campeã de corridas automobilísticas, sendo a única mulher na categoria, modelo e apresentadora de TV. Juntamente com o pai, Gernival, a mãe, Ione, e os irmãos, Phillip e Flávia, Fábia viveu uma experiência amarga que, graças a Deus, teve seu desfecho alguns anos atrás. Leia a entrevista abaixo, concedida ao jornalista Michelson Borges, para saber mais detalhes dessa história de fé, sofrimento, vitória e superação.

Fale um pouco sobre sua infância.

Quando eu tinha quatro anos de idade, meus pais abandonaram a Igreja Adventista, porém, continuei estudando no colégio adventista, o que me fazia frequentar ocasionalmente a igreja, isso até os meus 11 anos. Meu pai tinha uma das maiores revendas de veículos usados do Mato Grosso do Sul. Ele idealizou o primeiro “feirão de veículos” com transmissão em programas de rádio e televisão, o que fez a família ficar ainda mais conhecida no Estado. Sempre fui muito apegada a ele e cresci nesse universo.

Como foi seu ingresso nas corridas de automóvel e que títulos conquistou?

Entrei no automobilismo aos 16 anos. Em minha primeira corrida, conquistei o segundo lugar no pódio. A partir daí, comecei a disputar provas e campeonatos na categoria Hot Fusca (corrida na terra). Em 2003, disputei provas na categoria Fórmula Fusca, em Campo Grande, e Pick-up Racing (categoria nacional). Disputei provas no Paraná e no Rio Grande do Sul. Em 2004, Montei um fusca cor-de-rosa e deixei o cockpit do outro fusca para meu irmão. Disputamos o campeonato de 2004, juntamente com outros 15 pilotos. Na penúltima etapa, recebi o título de campeã, e na última corrida, Phillip (meu irmão) foi vice-campeão do campeonato.

Com o nome bem evidente na mídia e a experiência de vida já adquirida, recebi uma proposta para me candidatar a vereadora. Aceitei, porém, depois de uma semana de campanha nas ruas, descobri que o partido ao qual eu estava filiada estava “jogando sujo” comigo e decidi parar com a campanha.

Em 2005, encerraram-se as disputas de fusca em Campo Grande. Por conta disso, deixei o automobilismo e dividi meu trabalho entre a empresa do meu pai, a carreira de apresentadora de TV (com quadros sobre automobilismo) e apresentadora de shows de artistas famosos.

Qual foi a corrida mais marcante da sua carreira?

Em 2004, no ano em que fui campeã, participei de uma corrida muito emocionante. Larguei na frente e meu irmão largou em último, porque estava com um problema no carro. Um piloto quis me tirar da corrida logo na largada e bateu no meu carro. Na primeira curva, rodei na pista. Fiquei ali parada e todos os carros começaram a vir em minha direção. Tive a sensação de que iam bater em cheio na minha porta. Logo atrás, vinha meu irmão e temi que ele batesse em mim. Seria o fim da corrida para os dois. Assim que me viu parada, ele freou e jogou o carro de lado, parando bem do meu lado, na contramão. Olhamos bem no fundo do olho um do outro e fizemos o sinal de positivo: “Vamos acelerar.” Pisamos fundo e fomos conquistando posições. Naquela corrida, meu irmão terminou em primeiro lugar e eu, em segundo. Foi espetacular!

Como foi a experiência de correr num meio dominado por homens?

Quando entrei no automobilismo, passei a ouvir piadas como “mulher no volante, perigo constante”, que todo mundo já está com os ouvidos calejados de tanto ouvir. Mas, a partir do momento em que comecei a demonstrar meu lado profissional no automobilismo, as coisas mudaram e conquistei o respeito das pessoas. Sempre levei numa boa os gracejos. Nunca desrespeitei nenhum piloto por causa disso, pois todos ali são profissionais.

Você também atuou como modelo. Como foi isso?

Aos 13 anos, entrei em uma agência de modelos; fazia books, desfilava para algumas grifes e participava de alguns comerciais em Campo Grande. O meio artístico me chamava a atenção. Meu pai tinha um programa de rádio e de televisão voltado para a empresa, e eu atuava como repórter-mirim. Com a fama e as corridas, os convites foram mais frequentes.

Depois disso, você ainda voltou às pistas?

Em 2007, recebi uma proposta de assessoramento de uma empresa de marketing esportivo do Paraná para voltar a correr em uma categoria nacional. Pensava em ingressar na Stockcar Light, Pick-up Racing ou a Copa Clio. E, para conseguir finalizar esse projeto, fui até São Paulo, para uma reunião com o editor da revista Playboy, a fim de conseguir uma possível matéria. Essa reportagem me renderia grandes patrocinadores para o projeto. Porém, o diretor de redação disse que eu precisava voltar a correr para conseguir “soltar” a matéria. E quando eu voltasse a correr era necessário que fossem veiculadas reportagens em mídias nacionais.

Aceitei a proposta, voltei para o hotel e liguei o computador para passar o tempo. Como meu irmão e minha mãe tinham acabado de ser batizados, ele havia apagado do computador todas as músicas “mundanas” e gravou só hinos. Então, comecei a escutar os hinos da igreja mesmo. E me lembrei dos meus 10, 11 anos, de quando eu ia à igreja. As músicas e aquelas lembranças mexeram comigo e comecei a chorar. Chorei desesperadamente ali no quarto do hotel sem saber o que estava se passando. Perguntei para Deus o que Ele queria de mim e se o que eu estava fazendo era correto.

Cheguei em Campo Grande e continuei meu projeto. Consegui patrocinadores locais para comprar o kart e logo saíram as matérias nacionais que o diretor de redação pediu; inclusive uma delas foi capa do portal Terra. Até ali minha carreira estava como eu queria: decolando.

Fale sobre a crise que sua família enfrentou e sobre a decisão difícil que você teve que tomar.

A crise financeira mundial de 2008 fez com que a empresa do meu pai entrasse em dificuldades. Eu acreditava que minha carreira no automobilismo decolando seria uma das soluções para a crise na empresa. Pedi uma resposta para Deus. Estava na minha sala, ajoelhada e chorando, e clamei a Ele. A loja do meu pai estava indo à falência e eu precisava de uma resposta. E ela veio. É como se eu tivesse escutado uma voz dizendo: “Venda o kart.” Ai eu disse para Deus: “Vou anunciar meu kart; se vender, eu paro com as corridas; se não vender, eu continuo com o projeto.” Liguei para o meu preparador e disse que eu queria vender o kart. Ele usou de várias objeções para impedir. Fiquei em minha sala orando, quando, depois de 30 minutos, ele me retornou a ligação: “Está vendido. Passe à noite no kartódromo para pegar o dinheiro.”

Vendi o Kart, parei com o projeto e fui batizada em setembro de 2008. Meu pai foi rebatizado em seguida. Enfrentamos juntos toda a dificuldade financeira da loja, até novembro daquele ano, quando tivemos que encerrar as atividades.

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Por que as corridas e alguns outros esportes não são compatíveis com o estilo de vida adventista?

A forma como eu estava me envolvendo nas corridas não estava certa. Como eu não tinha muitos recursos, usei outras estratégias de marketing. No automobilismo, ou você tem dinheiro para entrar, ou um bom padrinho, ou vai “na raça”; eu fui “na raça”. Os treinos também eram aos sábados. Além disso, por ser mulher e bem-sucedida nas corridas, a mídia passou a me dar muito destaque; fiquei famosa, e isso me “subiu à cabeça”. Dinheiro e fama constituem um caminho perigoso; tem que saber administrar bem isso.

Que rumo você deu à sua vida depois de abandonar a carreira no automobilismo?

O pastor da minha igreja me indicou a colportagem [venda livros religiosos, de saúde e de educação familiar] e me falou do Unasp. Em dezembro de 2008, fui colportar e, em 2009, fui para o Unasp, em Engenheiro Coelho, SP, juntamente com meu irmão. Esta foi minha boa rotina a partir dali: estudar e colportar para pagar os estudos. Tempos depois, fui contratada pela Rádio Novo Tempo de Campo Grande.

Mas a vida da sua família sofreu uma reviravolta em 2010.

E que reviravolta! Com a quebra da empresa do meu pai, alguns clientes mal intencionados quiseram nos prejudicar. Em março daquele ano, o delegado de Campo Grande foi até o Unasp com um mandato de prisão para mim, alegando que eu seria uma “isca” para eles encontrarem meu pai. Já pensou nisso? Fui de Engenheiro Coelho até Campo Grande em uma viatura com o delegado, uma investigadora e um policial! Pelo menos, dentro da viatura eu falei do amor de Jesus, li O Grande Conflito, a Bíblia e pedi para o policial ouvir os hinos que eu colocava no meu iPod.

Chegando em Campo Grande, o delegado disse que estava me levando porque eu era o “xodó” do meu pai, e me informou que no mesmo instante em que fui presa, minha família também foi presa em Campo Grande. Fiquei cinco dias na cadeia. Minha irmã ficou 11 dias; meu pai 12 e minha mãe 18.

Depois desse episódio constrangedor, fui colportar em Santa Catarina, em julho de 2010. Minha família foi com meu pai para uma fazenda, no interior do Estado, onde ele começou a trabalhar para nosso ex-contator.

Colportei três férias seguidas, e quando estava trabalhando, as coisas pioraram para meu pai. No mês de novembro, ele soube que a prisão dele havia sido revogada pelo Ministério Público, apesar de ele ter informado que a nova residência da família era na fazenda onde ele estava trabalhando como empregado. Quando o oficial de justiça esteve lá, o capataz ficou com medo e informou que meu pai não morava lá e que não sabia onde ele estava, o que resultou na revogação da liberdade provisória dele. Ele ficou refugiado na fazenda até que minha irmã desse à luz seu bebê. No mês de janeiro de 2011, meu pai, minha mãe e minha irmã mudaram novamente para Campo Grande. Ela deu à luz no dia 7 de janeiro. No dia 25, meu pai se apresentou para ser preso e foi encaminhado para o Centro de Triagem Anísio Lima, na Capital, onde permaneceu até o dia 19 de novembro.

Qual foi a acusação contra seu pai e contra você?

Respondemos processos por estelionato e formação de quadrilha.

Em que condições seu pai ficou preso?

No início da minha prisão, ele ficou em uma cela que media 3m x 3m, com 21 detentos, pessoas tremendamente revoltadas e dependentes de drogas. Meu pai aproveitava o banho de sol de uma hora para correr e respirar ar puro. Muitos debochavam dele, porque aproveitava todo o tempo para ler a Bíblia. Após 21 dias nessa situação, ele foi transferido para outra cela. Ali ele tinha tempo livre das 8h às 14h, e começou a dar estudos bíblicos para um detento que havia tentado o suicídio. Depois, meu pai continuou o trabalho com mais 16 homens. Após realizar vários estudos bíblicos no pátio, diariamente, a direção do Centro de Triagem lhe cedeu uma sala para ele continuar ministrando os estudos bíblicos. De forma direta, meu pai levou a mensagem do evangelho para quase 40 pessoas, e de forma indireta, para toda a comunidade carcerária, já que acabou recebendo a responsabilidade de ser o capelão da cadeia.

Aquele trabalho de evangelismo resultou em algo que meu pai julgava impossível: converter para Jesus o chefão dos presos e o maior usuário de drogas dali, que passou a ministrar as aulas bíblicas em lugar do meu pai.

O que aconteceu depois com você e sua família?

Em junho de 2011, fui chamada para trabalhar como secretária do Departamento de Publicações da Associação Catarinense da Igreja Adventista. E para minha felicidade e da minha família, no dia 19 de novembro de 2011, tivemos a alegre notícia de que minha família e eu fomos absolvidas de todos dos 25 processos que estávamos respondendo por estelionato e formação de quadrilha.

Você experimentou a fama e a humilhação. Depois de passar por tudo isso, qual é a sua avaliação?

O mundo lá fora é muito atrativo e mascarado: festa, glamour, gente famosa, pessoas bonitas. A mídia prega isso. Hoje em dia, tem gente que paga para estar em evidência. Depois, essas pessoas vão se tornando avarentas, arrogantes e gananciosas, sem saber que fama e dinheiro não duram para sempre. É por isso que existem vários casos de famosos que, quando saem da mídia, se suicidam; é porque ficam no esquecimento. São pessoas vazias por dentro e sem esperança; não sabem de onde vieram, para onde vão, nem mesmo sabem por que vivem.

Quando perdemos tudo, ficam as experiências e as lembranças, mas temos que cuidar para não olhar muito para trás e cair. Minha mãe sofria de depressão. Depois que a loja quebrou, meu pai também começou a enfrentar esse mal. Os dois estiveram à beira da morte.

Eu estava acostumada a chegar nas melhores festas de Campo Grande, encostar meu Audi A3 e ficar na roda dos “bacanas”, bebendo meu champanhe ou uísque. Se não fosse a falência da empresa, acho que jamais meu pai e eu teríamos nos aproximado de Deus. Nossa vida era muito boa e cômoda. Mas a partir das dificuldades nos colocamos nas mãos de Cristo e procuramos aceitar toda provação, entendendo que seria importante para o nosso crescimento e transformação. Foi aí que, nas dificuldades e adversidades, criamos oportunidades para pregar esperança.

Depois de passar por tudo isso, aprendi que o mais importante é Deus e minha família. Abro mão de tudo para tê-los por perto.