Do crime à redenção, embaixador da juventude explica reviravolta

Ele foi resgatado por Deus e procura levar esperança a outras pessoas

Jeconias

Jeconias Neto tem 28 anos, nasceu na Bahia e foi criado na periferia do Distrito Federal. Desde muito novo acabou entrando para a criminalidade, passou a praticar roubos, e também se envolveu com o tráfico de drogas. O resultado é que Jeconias acabou sendo preso. Porém, quando ele teve incentivos de pessoas pagando os estudos e o apresentando à religião, Jeconias mudou de vida. Ele saiu do mundo da criminalidade de que fazia parte e é uma pessoa que tenta dar oportunidades para outras que só precisam desse mesmo incentivo para mudar de vida.

Embaixador da Juventude na Organização das Nações Unidas (ONU), ele realiza um projeto no Ministério Carcerário Adventista e está à frente de um projeto piloto, que tem como objetivo capacitar os imigrantes venezuelanos do DF para terem oportunidades de vida e emprego.

 O que te fez entrar para a vida do crime?

Bom, são vários fatores que fazem alguém avançar nesse mundo da conduta criminosa. A escolha é um deles, a gente sempre escolhe. Mas a gente precisa ter em vista que o fator da vulnerabilidade das comunidades em que somos criados, em que eu fui criado, contribuiu muito para que eu deixasse a escola, entrasse para o mundo da criminalidade muito cedo.

Então, a situação vulnerável do lugar colaborou, a família desestruturada que eu tinha também colaborou, porque meu pai deixou a gente. Então minha mãe teve que se virar para poder trabalhar, manter a casa e criar os filhos. A gente tinha muito tempo livre. É nesse tempo que o tráfico de drogas te abraça.

Também tem o fator do empoderamento, porque o crime empodera o jovem. A maneira de aliciamento da criminalidade é top, porque ela te tira de um status de que você não é nada, não tem voz, não é visto; de um status de invisível, e te dá visibilidade por meio da violência e de várias coisas que, infelizmente, te empoderam.

Você acha que crescer num ambiente com altos índices de criminalidade, como você cresceu, na periferia, é o principal fator para que alguém entre no mundo do crime? Ou a situação familiar é mais determinante nessas situações?

Eu acredito que crescer num ambiente em que há muita criminalidade, tráfico de drogas, problemáticas nesse sentido, colabora, mas não define. Não define, porque 90% da quebrada, da favela, não entrou para o tráfico de drogas nem para a criminalidade. Tem uma porcentagem pequena que não consegue se encaixar no modus operandi de trabalhador honesto, correria, e vai para o mundo do crime. Vou equilibrar as coisas: acho que as duas coisas colaboram. Só que você pode ver, na casa, a maioria dos caras que estão presos hoje são de famílias monoparentais. A maioria, a grande maioria esmagadora, ou foi criada só pela mãe ou só pelo pai, entendeu? Então, essas duas coisas contribuem, mas, na minha opinião, uma família desestruturada contribui muito mais do que uma quebrada influenciada pela criminalidade, porque você tem várias famílias fortes nas quebradas, e elas são essas que não passam por isso.

A seu ver, ter incentivos para mudar de vida e sair do mundo do crime faz a diferença?

Absolutamente. O problema é que nem o sistema penitenciário, nem as medidas socioeducativas, nem as políticas públicas que estão sendo hoje implementadas para essa questão da segurança pública, da inclusão social, da reeducação, são efetivas. Isso porque os incentivos que elas dão ainda não chegam nem perto dos incentivos que o crime dá para entrar no mundo da criminalidade. O crime consegue convencer mais porque, dentro dele, existe um esquema de empoderamento. No crime, a pessoa tem voz, tem o lugar dela. Então, ter incentivos, sim, é determinante. Agora, a forma que esses incentivos têm que ser, na minha opinião, tem que partir muito mais da questão existencial do que da questão material. Ou seja, mostrar para a pessoa que ela pode ser alguém e que pode ser um indivíduo de bem.

Como é a sensação de ser embaixador da juventude pela Organização das Nações Unidas (ONU), tão jovem e depois de todas as dificuldades que você já passou?

Você já ouviu falar no improvável? Então, a sensação é de que algo muito improvável aconteceu. Mas também é de muita alegria, porque a favela venceu, ponto. Você ocupou um espaço, você chegou para compor um corpo de pessoas que têm uma certa responsabilidade diante da sociedade, diante das Nações Unidas, que não vêm de onde você veio. Mas também tem o sentimento de responsabilidade, porque essa responsabilidade aí é o que realmente dá sentido. Não adianta você ser o presidente da República, se você não tem responsabilidade, se você não se sente responsável.

Em que ponto você acha que a sua vida mudou de vez?

Está mudando ainda. A vida começou a mudar quando eu tive acesso a algo muito importante para mim, que foi o contato com a igreja. Foi quando eu percebi que  poderia dar a volta por cima. Depois, foi um relacionamento com um professor.

Eu fui à Argentina, e chegando lá conheci um professor que me ajudou a ter uma perspectiva diferente da vida, foi muito paciente comigo. Ele me levou para a casa dele, falou para eu ir lá todos os dias às 15h que ele iria me ajudar. E ele foi o cara que foi me ajudando nas matérias, mas também me deu livros muito bacanas para ler, de George Orwell a Vitor Hugo. E a Dra. Lilian de Moura Andrade, ela foi a minha mentora política da coisa. Ela que me ajudou a me mover na sociedade de forma inteligente. Foi ela que pagou pelos meus estudos.

Até agora, nessa sua trajetória, qual a lição mais valiosa que você aprendeu? Quem te ensinou? Ou foi por experiência própria que você conseguiu chegar nessa lição que você leva para a vida toda, que você vai ensinar para os seus filhos?

Eu tive que apanhar tanto para poder conseguir consertar algumas coisas. A utilidade foi a maior lição que eu aprendi, porque ser útil para o bem, isso salvou a minha vida. Ser útil. Enquanto muitos falavam que eu era um inútil, que não valia nada, que não ia sair daquela situação, que era isso ou aquilo, enquanto minha própria família repetia isso, eu aprendi a ser útil. E isso eu aprendi com a educação, com a igreja e com amigos.

E você se arrepende de alguma coisa?

Eu me arrependo muito de muita coisa. Chega a ser quase desanimador. Às vezes, se você não tem Deus no seu coração você sucumbe, você para. Você não quer avançar. Me arrependo, principalmente, por ter trazido tanto sofrimento para a minha família, por ter influenciado meus primos. Meu irmão está preso hoje, é mais novo que eu e tem 40 anos para cumprir. Mas é a vida, eu aprendi isso aí. O que que eu vou fazer agora? Eu não vou ficar me martirizando pelo que passou, porque todo mundo já faz isso por mim.

Como é o trabalho que você faz à frente do Ministério Carcerário Adventista, e qual o impacto que esse trabalho tem em você?

 Hoje tem duas coisas que eu acho incríveis. A primeira é voltar àquele lugar e falar de uma outra perspectiva, e a segunda é ver gente que está aqui fora e pensa que bandido tem que se perder, tem que morrer, e quando entra num presídio fala “aquele ali parece o meu filho, tem o mesmo semblante do meu filho”. É gente como a gente, e que dificilmente terá oportunidades na vida. Essas são as duas coisas que me impactam.

Você está à frente de um projeto piloto, que tem como objetivo capacitar os imigrantes venezuelanos do DF. Quais são as suas expectativas para esse projeto? Você pode explicar um pouco mais desse trabalho?

 O projeto se chama Inclusão sem Fronteiras, e esse é um projeto piloto da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA). A ADRA é uma entidade presente em mais de 130 países; é uma agência que executa a política de assistência social. A ADRA hoje está junto com o Governo Federal num projeto de interiorização dos imigrantes venezuelanos. Então, nós estamos tanto no processo de interiorizá-los em vários estados, quanto nesse agora de formar, certificar, qualificar e incluir no mundo do trabalho. É um projeto de curto prazo, mas que tem como expectativa principal dar a capacidade para o imigrante disputar vagas e ser inserido no mundo do trabalho de maneira mais digna.

Você considera que, depois de tudo que passou na vida, é o seu dever participar de um projeto como esse para abrir caminhos e portas para pessoas com pouca perspectiva?

Não só é o meu dever, como é o que me move. Eu encaro como um dever, mas também é o que me move. Porque, para mim, não existe nada mais gratificante do que ver alguém que não tinha oportunidade nenhuma, mas que está agora inserido num contexto completamente diferente.

Se você pudesse dar um conselho para cada uma das 200 pessoas que serão afetadas por esse projeto nos próximos quatro meses, qual seria?

Não desperdice uma oportunidade como essas. Aproveite essa oportunidade, porque muitas vezes a gente só precisa de uma oportunidade para fazer a coisa mudar. Então, se esforce, peça ajuda, seja o protagonista disso, seja o maior interessado nessa formação e não desista.

Desde que começou a lidar com esse projeto dos imigrantes venezuelanos no DF, você conseguiu ver alguma semelhança entre o que você passou, a sua história, e o que essas pessoas estão passando agora?

 Tem uma semelhança sim. É diferente, mas tem uma semelhança. Quando as vejo aqui, a comunidade de imigrantes tem medo. Você oferece o curso para ela e ela tem medo de se inscrever porque ela não sabe se aquilo ali é real, ou se alguém vai fazer alguma coisa contra ela. Então, ela não se sente parte da comunidade. Essa é a semelhança. Não se sentir parte da comunidade. Porque quem vive no submundo do crime também é considerado um imigrante. Alguém que vive em outro mundo. Então, tem essa semelhança, de buscar o senso de pertencimento.

(Agência de notícias UniCEUB)

A mãe do Dr. Ben Carson e a decisão que mudou o rumo da família

benBen Carson disse sobre si mesmo: “Eu fui o pior aluno da minha classe na quinta série.” Certo dia, Ben fez uma prova de matemática com 30 problemas. O aluno sentado atrás dele corrigiu sua prova e a devolveu. A professora, a Sra. Williamson, começou a chamar o nome de cada aluno para saber quanto tinha acertado. Por fim, chamou Ben. Todo constrangido, ele murmurou a resposta. A Sra. Williamson, achando que ele tinha dito “9” (nine) respondeu que, para ele ter acertado 9 de 30, era um progresso e tanto. O aluno sentado atrás dele gritou: “Nove, não! Ele não acertou nenhum” (none). Ben disse que queria que o chão se abrisse.

Ao mesmo tempo, sua mãe, Sonya, enfrentava seus próprios obstáculos. Ela vinha de uma família de 24 filhos, tinha só o terceiro ano primário e não sabia ler. Casou-se aos 13 anos de idade, divorciou-se, teve dois filhos e estava criando os meninos num bairro pobre de Detroit. Apesar disso, ela era muito autoconfiante e tinha uma crença firme de que Deus a ajudaria, bem como aos filhos, se fizessem sua parte.

Um dia, aconteceu algo que mudaria a vida dela e a deles. De repente, ela percebeu que pessoas de sucesso, cujas casas ela limpava, tinham bibliotecas — elas liam. Depois do trabalho, ela foi para casa e desligou a televisão que Ben e seu irmão estavam vendo. Basicamente, ela disse o seguinte: “Meninos, vocês estão assistindo à televisão demais. Daqui por diante, vão assistir a três programas por semana. No tempo livre, vão para a biblioteca, vão ler dois livros por semana e me trazer um relatório.”

Os meninos ficaram chocados. Ben disse que nunca tinha lido um livro em toda a sua vida, exceto quando exigido pela escola. Eles protestaram, reclamaram, brigaram, mas em vão. Depois, Ben refletiu: “Ela instituiu a lei. Não gostei da regra, mas sua determinação de ver nosso progresso mudou o curso da minha vida.”

E que mudança! Na sétima série, ele era um dos primeiros da classe. Depois, entrou para a Universidade de Yale com uma bolsa de estudos; em seguida, estudou na Escola de Medicina Johns Hopkins; e lá, aos 33 anos, tornou-se diretor da neurocirurgia pediátrica e um cirurgião renomado. Como isso foi possível? Principalmente porque uma mulher que não teve muitas das oportunidades que a vida oferece magnificou seu chamado de mãe.

(Pr. Tad R. Callister, Pais: Os melhores professores do evangelho de seus filhos, Conferência Geral de Outubro de 2014)

Leia os livros de Ben Carson. Clique aqui.

Lindo testemunho de uma acadêmica

1Querido pastor Michelson Borges,

Sim, tomei a liberdade para chamá-lo de “querido”, pois, desde o dia em que conheci e me inscrevi em seu canal no YouTube, tenho sido muitíssimo abençoada em minha vida espiritual. Para ser sincera, hoje posso dizer como aquele cego curado por Cristo: “Uma coisa eu sei: eu era cego e agora vejo” (João 9:25). Então, não poderia considerá-lo de outro modo, a não ser um “amigo muito querido”. Desde já, agradeço ao senhor por se permitir ser usado por Deus de uma forma tão poderosa, pregando corajosamente verdades que muitos temem dizer. Enquanto escrevo, lembrei que, nesse sentido, o senhor pode ser considerado um João Batista contemporâneo. Sua pregação é tão clara e direta que, às vezes, chega a doer. Mas uma vez que estamos vivendo nos últimos dias da história deste mundo, mais do que nunca, vozes como a sua precisam se erguer. Portanto, continue pregando, apesar das críticas que, porventura, venham a ser lançadas sobre seus ombros.

Agora, preciso me apresentar. Eu me chamo Andressa Silva Sousa, sou formada em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e, recentemente, conclui um mestrado em Teoria Literária pela mesma instituição. Já havia alimentado, antes, a ideia de escrever-lhe para contar-lhe a minha história, mas acabei desistindo no início do e-mail. Hoje, porém, acabei de assistir ao seu vídeo “O Cavalo de Troia Vermelho – Parte 1”, e percebi que este era o momento certo.

Desde muito pequena eu demonstrei gosto pelos estudos e, especialmente, pelas palavras. Quando conclui o Ensino Médio, meu sonho era ser jornalista e, na época, o curso de Comunicação Social era oferecido somente na capital do estado vizinho. Fiz o vestibular, passei, mas não fui cursar porque meus pais não tinham condições financeiras para me manter, nem eu fui corajosa o bastante para fazê-lo, a despeito das dificuldades. Minha segunda opção era o curso de Letras Português disponível em minha própria cidade. Também fui aprovada e levei cinco anos e meio para concluí-lo, pois, como era um curso noturno, encontrei dificuldades com as disciplinas oferecidas às sextas-feiras à noite. Por outro lado, Deus foi conduzindo tudo e me tornou bastante conhecida no campus, tanto por minha fé quanto pelo meu esforço. Fui voluntária em pesquisa de extensão, bolsista de iniciação científica (PIBIC) e bolsista de iniciação à docência (PIBID). Honrando-me ainda mais, apesar de ser uma das últimas a me formar entre os alunos de minha época (porque outras jovens adventistas sofreram as mesmas dores), fui a primeira de minha turma a ser aprovada em um programa de pós-graduação.

Ao me formar, também pude testemunhar. Por ter sido aprovada no mestrado, tive que pleitear uma colação especial, pois precisaria do certificado de conclusão de curso antecipadamente, a fim de efetuar minha matrícula. A colação seria na capital, São Luís. Meu orientador, ciente da minha fé, comunicou-me: “Andressa, sua colação foi marcada para às 15h da sexta-feira, mas você sabe que essas cerimônias costumam demorar. Se você for, correrá o risco de entrar nas horas do sábado. Você decide.” Decidi não viajar e ele me apoiou. Nesse ínterim, os responsáveis pela formatura me ligaram, informando-me que não haveria outra colação e que, portanto, eu também perderia a vaga no mestrado, já que a próxima cerimônia prevista aconteceria um mês depois do último dia de matrícula. Quando recebi a notícia, na sexta pela manhã, havia acabado de alugar minha beca. Ao chegar em casa, orei ao Senhor, pedindo Sua direção. Ele fez o milagre: fui a São Luís, outra colação foi marcada e, na quarta-feira, último dia de matrícula, a poucas horas de o prazo terminar, efetuei a matrícula. Meu orientador ligou-me para saber se tinha dado tudo certo, e quando lhe contei, tive o privilégio de ouvi-lo dizer: “Deus é bom o tempo todo. O tempo todo Deus é bom.”

Mas onde o seu canal do YouTube entra nessa história? De fato, passei por todo o meu curso de graduação e sai dele sem perceber que todo o ensino está fundamentado nas ideologias marxistas. Sendo bem sincera, faz pouquíssimo tempo que minha mente se abriu para o que se entende por “Direita” e “Esquerda”. Falando nisso, dentre os tantos vídeos seus que amo, um que gosto bastante é o que se intitula “A esquerda é o arco a direita é a flecha”. Sim, durante a maior parte de minha vida acadêmica estive alheia às questões ideológicas que me rondavam. Pensando em tudo o que ouvi e aprendi, pergunto-me: “Jesus, onde a minha cabeça esteve esse tempo todo? No mundo da Lua?” Assim como eu, muitos jovens de nossa igreja que estão entrando nas universidades seculares foram ensinados a ser “sem malícia como as pombas”, mas não “astutos como as serpentes” (Mateus 10:16). Por isso cheguei a lamentar o fato de tê-lo conhecido tardiamente. Contudo, como diz o ditado: “Antes tarde do que nunca.” Ou, conforme a versão irônica dele: “Antes tarde do que mais tarde.”

Doravante, passo a contar-lhe como foram removidas as “escamas espirituais” dos meus olhos. O processo foi longo e dolorido. Isso começou na fase final da minha graduação (2015 e 2016), quando tive que escolher o assunto para o meu TCC. De início, minha intenção era estudar a prosa poética na obra A Menina que Roubava Livros, do escritor Marcus Zusak. Na época, eu desenvolvia um projeto voltado para a poesia, por isso imaginei que a professora que me orientava aceitaria. Enganei-me. Ela acabou me transferindo para um professor novo que havia chegado ao departamento. Por não lhe conhecer, decidi me livrar dele mudando o assunto da pesquisa. Lembro de ter orado ao Senhor pedindo-Lhe um assunto interessante e que me abrisse as portas para a pós-graduação. Recordo perfeitamente de que eu me encontrava em um evento nacional, na capital do meu estado, quando ouvi o palestrante dizendo: “A academia maranhense precisa estudar o Fantástico em Coelho Neto e em Aluísio Azevedo.” Eu não fazia ideia do que era o Fantástico e, sem pestanejar, entendi aquela proposta como uma resposta de Deus às minhas preces. Na minha cabeça, o problema estava resolvido. No entanto, ele estava apenas começando.

Quando retornei à minha cidade, Caxias, dirigi-me à direção do curso e pedi a troca. Quando falei minha nova proposta de pesquisa que, grosso modo, seria “O Fantástico em Coelho Neto”, a diretora sorriu e disse: “Adivinhe quem teve dois projetos de iniciação científica sobre Coelho Neto aprovados? Seu novo orientador. Você não vai mudar. Depois, ele já está sabendo tudo sobre você.” Achei que não poderia ser mera coincidência. Resignei-me. Comecei as minhas leituras e, em síntese, esse ramo da literatura estuda elementos que compreendem o sobrenatural: fantasmas, anjos, demônios, magia, fatos inexplicáveis à luz da ciência, etc.  Estranhei. Mas, como entendi que Deus tinha me mostrado e até confirmado tudo, continuei. Por fim, acabei me sentindo bastante à vontade ao deliberar sobre o assunto em diversas apresentações de trabalhos. Tirei nota máxima no TCC e ainda adentrei no mestrado por causa dessa pesquisa.

Minhas amigas da igreja, ao me ouvirem falar toda empolgada sobre meu objeto de estudo, diziam que aquilo não combinava comigo porque era tudo muito sombrio. Espiritismo puro, na verdade. Ademais, o elemento central da Literatura Fantástica é a “hesitação”, a “dúvida” e, aos poucos, sem perceber, estava desaprendendo a ter fé. Sei que não podemos ter uma fé cega e ignorante, afinal, somos ensinados que Deus deseja dialogar conosco, como diz Isaías 1:18. No entanto, aqueles textos estavam me fazendo questionar além do aceitável e a duvidar, principalmente, dos ensinos bíblicos. O que não me deixou sucumbir foi o fato de sempre buscar a guia divina, estudando Sua Palavra e orando, de madrugada, em minhas devoções pessoais. Assim, o Espírito Santo começou a me incomodar. Chamando-me para abandonar aquelas leituras. Os livros Ouse Pedir Mais, de Melody Mason (especialmente o capítulo 13, “Em busca de brechas espirituais”) e Viagem ao Sobrenatural, de Roger Morneau, foram preponderantes na minha tomada de decisão.

“Difícil” é pouco para traduzir a luta espiritual que travei, pois tive que abandonar três anos profícuos de estudos. Eu dominava o assunto e adorava falar sobre. Era minha zona de conforto. Sem contar os diversos artigos publicados. Posteriormente, quando assisti aos seus vídeos sobre os livros e filmes que abordam esses assuntos, não havia o que questionar. Era tudo verdade. Vi a minha própria experiência em seu testemunho com as HQs. O peso na minha consciência era tão intenso, que se tornou impossível escrever a dissertação. Lancei os livros fora e os queimei. Deletei todo o material de pesquisa contido em meu computador e e-mails, entre eles, meus artigos e minha monografia. Inclusive precisei dela posteriormente e tive que pedir a um colega (e Deus tratou de dar um sumiço no exemplar que foi para a biblioteca central, pois alguns alunos e eu mesma fomos procurá-la e não a encontramos). Depois, comprometi-me em remover os antigos artigos do meu Lattes, à medida que outros fossem publicados. Ao terminar, senti uma paz incrível.

O problema é que 2017 estava acabando e eu ainda não tinha tido a coragem de comunicar a mudança ao meu orientador. Escrever uma dissertação, sobre um assunto completamente novo, em um ano, é quase impossível. Escrevi-lhe uma carta explicando. Abri meu coração e falei claramente que era por motivos espirituais. Mesmo achando muito arriscado, ele respeitou minha decisão. Foi então que chegaram os anos mais difíceis da minha vida. Imaginei que, por haver obedecido ao Senhor, Ele operaria um milagre, fazendo-me concluir o texto dentro do prazo que eu supunha ser o certo. Mas o milagre não veio. Até veio, mas não do jeito que eu havia planejado. Eu nunca tive dificuldade para escrever, mas, durante os anos de 2018 e 2019, minhas mãos pareciam estar acorrentadas. Recordo-me que durante todo o ano de 2018 consegui escrever apenas vinte laudas sobre o novo assunto.

Todos os professores me tinham como uma excelente aluna e nem na última das hipóteses imaginavam que eu teria dificuldade para concluir meu trabalho. Ninguém entendia o que estava se passando. Eu chorava praticamente todos os dias, de joelhos, ao pé da minha cama, perguntando ao Senhor a razão de eu estar passando por aquela prova. Quase beirei a depressão. Sentia-me extremamente envergonhada e culpada por achar que estava manchando a imagem de Deus, pois pensava que Seu nome só seria honrado através de mim se eu tivesse uma carreira brilhante, sem nenhum declínio. Confesso que, por muito tempo, senti raiva dEle. Mas Ele não desistiu de mim.

Percebi a tempo que eu havia colocado “os sonhos de Deus para mim” no lugar que só pertence ao “Senhor dos sonhos”. Percebi minha arrogância e orgulho. Pedi-Lhe perdão. O mais interessante é que, mesmo sofrendo, eu nunca duvidei de que tinha tomado a decisão certa. Esse era o meu conforto. Nesse ponto, estava em paz com Deus. Ao final de 2019, com muita resistência, apresentei o trabalho incompleto e recebi alguns meses para terminar a versão final. E, enfim, experimentei o milagre: levei dois anos para escrever um único capítulo e apenas 68 dias para escrever os dois capítulos restantes. Outrossim, a CAPES foi muitíssimo tolerante, pois levei mais de três anos para concluir algo que deveria ser feito em dois, ainda mais sendo bolsista como era. Como não perdi tudo? Milagre de Deus. Não preciso nem dizer que também fui a última da minha turma de mestrado, né?! (Risos)

Atualmente, tenho estudado as Utopias e as Distopias e, mais uma vez, seus vídeos sobre o marxismo cultural abriram meus olhos para algumas questões com as quais me deparei ao longo da nova pesquisa, uma vez que os teóricos da Escola de Frankfurt e seus herdeiros constituem-se os principais autores que a sustentam. Confesso que fiquei um tanto preocupada e desanimada com a carreira acadêmica. Perguntei-me: “Senhor, errei de novo?” Cheguei mesmo a pensar que a universidade não é o meu lugar, dada a hostilidade que o ambiente oferece às nossas crenças. Porém, recentemente, li um artigo publicado no aplicativo “Diálogo”, intitulado “O zelo valdense no ministério de universitários adventistas”, que me fez compreender a necessidade que esses centros têm de pessoas que lhes mostrem a verdade. Desse modo, sigo orando para que Deus me mostre novos objetos de pesquisa e que me faça uma “Daniel(a)” contemporânea, dando-me, além do conhecimento secular, Sua sabedoria e Seu Santo Espírito, para distinguir-me dentre os demais intelectuais.

Embora não sendo muito tecnológica nem midiática, nos últimos dias Deus falou ao meu coração para pregar nas redes sociais. Há pouco mais de um mês, tenho escrito meditações bíblicas e postado no Instagram a cada sábado, além de me oferecer para orar pelas pessoas. Há três semanas, criei um blog. Lá eu publico as meditações que escrevo e faço resenhas dos meus livros preferidos da Casa Publicadora Brasileira. O último livro resenhado foi Ainda que Caiam os Céus. A propósito, também li seu livro A Descoberta. Foi uma leitura muito gostosa de fazer. Devorei-o em um ou dois dias. Assim que o reler, ele também será resenhado.

Termino esse demorado relato pedindo ao senhor que ore por mim, a fim de que TODOS os propósitos de Deus sejam realizados em minha vida, pois o meu maior sonho é sempre estar no centro da vontade dEle.

Com admiração e carinho,

Andressa Silva Sousa

Larissa Manoela posta foto em colégio adventista

larissaLarissa Manoela fez parte de um colégio religioso quando era criança e a revelação pegou os fãs de surpresa. Em seu perfil no Instagram, ela publicou uma foto ao lado de seus ex-colegas de turma. Na legenda, ela falou sobre o assunto pela primeira vez e disse que a escola era adventista: “Bom dia com esse baita #tbt. RELÍQUIAS!” Em seguida, disse que voltou a manter contado com os ex-colegas de classe: “13 anos depois a gente voltou a se falar e eu nem sei dizer o tamanho da minha alegria.” “Colégio Adventista de Guarapuava – 2007 – 1° série”, finalizou a atriz, que arrancou elogios dos fãs. Larissa Manoela, vale lembrar, está na espera para começar a gravar sua nova novela [na TV Globo]. […] (RDI)

larissa2Nota: Quando me enviaram a notícia acima, imediatamente me lembrei do lindo testemunho que a atriz Luana Piovani postou em seu Instagram alguns anos atrás (veja este vídeo), e mais uma vez pensei na responsabilidade que nossas instituições e nossas igrejas têm de representar bem o caráter de Deus e os valores expressos na Bíblia Sagrada. Na verdade, é de pensar no testemunho que cada um de nós tem dado a respeito do cristianismo. Será que aqueles que conviveram conosco, foram nossas vizinhos ou colegas de trabalho, que passaram por nossas escolas e nossos hospitais, daqui a alguns anos, ainda terão boas recordações? E mais: Quando os adventistas passarem a ser execrados pela imprensa e pelo público em geral, essas pessoas engrossarão o coro acusatório ou sairão em nossa defesa? Deus nos ajude a viver o verdadeiro evangelho que atrai pessoas a Jesus e deixa marcas positivas na memória. [MB]

Ravi Zacharias: morre um gigante da apologética

raviMuitas vezes achamos que a dor da perda será sentida de verdade apenas quando ocorre com os de perto, familiares ou amigos próximos. Mas há momentos em que sentimos o coração dilacerar quando, mesmo nunca as tendo encontrado, perdemos pessoas que admiramos e temos como inspiração. Hoje esse foi o caso, pois nesta data de 19/5/2020, o grande mensageiro do cristianismo Ravi Zacharias, palestrante, escritor e defensor da fé cristã, descansou no Senhor. Meu coração está esmagado pela dor. Esse homem sempre foi minha inspiração em sua forma inteligente e amorosa de falar de Jesus. Com sua inteligência sensível – creio ser a melhor expressão para ele -, sempre teve acesso a grandes centros acadêmicos, como Harvard e Oxford, falando do amor e da sabedoria de Deus.

Ravi nasceu na Índia e se converteu ao cristianismo na juventude. Emigrou para o Canadá e construiu uma carreira como mensageiro do cristianismo de uma forma inteligente, racional, mas ainda assim repleta de amor. Foi autor de vários livros, dentre os quais destaco o premiado Pode o Homem Viver ser Deus?, o primeiro que li e já me encantou, porque mescla de forma harmoniosa argumentos racionais a favor da fé cristã, sem perder o apelo à sensibilidade e ao coração. Ravi possuía um programa de rádio chamado “Let My People Think” (“Vamos pensar, meu povo”), transmitido a muitas partes do globo. Foi o fundador do Ministério Internacional Ravi Zacharias, que desenvolve evangelismo em todo o mundo. Mas, infelizmente hoje, aos 74 anos, vitimado por um câncer que fora anunciado apenas dois meses antes, Ravi descansou no Senhor.

É muito estranho sentir tanta dor pelo falecimento de alguém tão distante. Mas os livros e vídeos dele me fizeram sentir como se ele fosse meu mentor. Pois tudo o que eu imaginei ser como pregador do evangelho tinha Ravi Zacharias como referência. Já li C. S Lewis, William Craig, Nancy Pearcey, Francis Schaeffer e outros, mas o Ravi era meu referencial de mensageiro do evangelho. Minha dor é maior, talvez, porque no fundo eu ainda nutria a esperança de encontrá-lo e ter uma longa conversa. Portanto, minha oração a Deus é que eu possa glorificar a Deus e honrar esse grande homem, sendo ao menos uma unha do que foi Ravi Zacharias.

(Rafael Christ Lopes é físico e doutor em Cosmologia)

Entre os livros apologéticos que indico nesta lista, há um do Ravi. [MB]

Ele se entregou a Jesus, e o Apocalipse foi a “isca”

Gil_e_VivianSempre tive particular interesse pelo livro do Apocalipse, desde criança, para ser mais exato. Engraçado que naquela época os adultos me diziam: “Menino, pare de ler isso”, mas eu não parava; eu gostava demais disso! Ficava fascinado ao imaginar aquelas cenas. Entendia que algo grandioso estava acontecendo ali. Os anos foram passando, vieram a puberdade, os estudos para entrar na universidade, e aquele velho interesse pelo Apocalipse adormeceu. Mas, como diz uma certa canção: “Quando a gente tenta / De toda maneira / Dele se guardar / Sentimento ilhado / Morto, amordaçado / Volta a incomodar.”

Essa é uma música do cantor Fagner; interessante que o nome dela é “Revelação”. E assim aconteceu; aquele sentimento, aquele desejo de ler o Apocalipse que eu havia deixado ilhado, morto e amordaçado voltou a incomodar. Novamente ressuscitou em mim o interesse por esse livro abençoado.

Nessa nova fase de leitura, eu tinha um entendimento mais amplo, mas isso não me impediu de ser afetado por falsas interpretações. Com sinceridade, eu buscava entender aquilo que não estava claro, e muitas vezes fui iludido por interpretações frágeis (algumas falsas mesmo). A cada descoberta da falsidade de um sistema interpretativo se seguia um período de frustração.

Não lembro exatamente quando tive contato pela primeira vez com o sistema de interpretação adventista; acho que faz uns dez anos, aproximadamente. Naquela época, comecei a me dedicar a entender como os adventistas interpretam a Bíblia. Foi um longo caminho, cheio de contratempos, de desistências, mas o sentimento lá dentro não me deixava quieto; eu tinha sempre que recomeçar.

Quando li O Grande Conflito pela primeira vez fiquei confuso e admirado; pensei: “Então é isso, é assim?” O impacto foi tão forte que tive que abandonar essas coisas por um tempo. E de todos os assuntos, o que mais me causou arrepio foi o sábado. Eu concordava com tudo, menos com o sábado. A revelação é impressionante, mas ela incomoda se for amordaçada; eu não suportava mais isso. Há aproximadamente cinco anos, minha esposa e eu começamos a guardar o sábado por conta própria, e continuamos estudando. Mas nunca vinha aquele desejo de tomar uma decisão de entrar para a igreja, afinal de contas, podemos aprender em casa, lendo e assistindo, assim pensávamos.

Tudo bem, pensei; já guardo o sábado e já entendi os assuntos escatológicos. Mas ainda havia uma coisa estranha nisso tudo: Como seria possível fazer o mundo parar aos domingos? Fiquei com essa dúvida enquanto deixava o tempo passar. Foi então que veio a pandemia. Que impacto! Percebi que desperdicei anos da minha vida longe da igreja, longe do contato com pessoas que têm a mesma fé, que têm a mesma esperança; e agora estamos proibidos de nos reunir. Percebi que, sim, é possível fazer o mundo parar; podemos parar por vários dias, semanas, até meses. Fica claro que será bem aceita a sugestão de parar apenas um dia na semana.

E agora? Quero pertencer à igreja; quero ser batizado; quero tornar pública minha aceitação de Cristo como meu Salvador. Conversei com amigos adventistas da minha cidade, conversei com o pastor local e, obedecendo às regras de distanciamento social e uso máscaras e álcool, em um momento de flexibilização da quarentena na cidade, foi realizado um pequeno culto, com menos de dez pessoas, e então fomos batizados, minha esposa e eu.

Muito obrigado, Michelson! Sua oração foi atendida. Você conseguiu levar mais duas pessoas a Cristo. Foram anos ouvindo e assistindo você, lendo suas matérias. Oro todos os dias por você e por muitos outros servos de Deus que me conduziram a Cristo. Hoje faço a mesma oração que você faz; é infalível! Já fui atendido e estou dando estudos bíblicos. A oração é esta: “Senhor, mostre-me pessoas que precisam conhecer Tua Palavra.”

Louvo a Deus por ter sido tão paciente comigo.

Gildemar C. Saturnino

P.S.: Gosto de desenhar e, aproveitando a oportunidade, envio uma arte que mostra de modo bem rápido e prático o fundamento do sábado em quatro tópicos. Fique à vontade para utilizar essa arte.

Sábado, 4 pontos

Um testemunho sobre vida no campo

campoGostaria de compartilhar com você um pouco da minha experiência com a mensagem de vida no campo e algumas impressões que Deus me deu, que acredito possam ser válidas para outras pessoas que estão passando por situação semelhante. Sempre fui muito estudioso e sempre gostei de me aprofundar nos assuntos com que me envolvo. Quando conheci a Igreja Adventista não foi diferente: logo comecei a estudar as profecias e outros temas para entender o que a igreja ensina e criar uma base sólida. Aos poucos fui conhecendo os escritos de Ellen White, que no início tive bastante resistência em aceitar como inspirados por Deus; porém, através de estudos e experiências da minha vida, passei a considerá-los como inspirados por Deus, e na busca por mais conhecimento acabei me deparando com materiais de grupos ditos “não dissidentes”, e que estavam ensinando a “verdade presente” – não preciso mencionar nominalmente, pois você sabe a quais grupos me refiro… Junto com isso veio a mensagem de vida no campo.

Na época eu e minha namorada (hoje esposa) começamos a fazer planos para nos casarmos e morar no campo. O bom de tudo isso é que não tomamos nenhum passo sem antes orar a Deus, e Ele foi endireitando os nossos caminhos e acabamos nos mudando para o Sul de Minas, São Lourenço, onde trabalhei por quase quatro anos na empresa municipal de saneamento da cidade. Embora seja engenheiro eletricista de formação, aceitei trabalhar como eletricista, e Deus nos abençoou muito com essa experiência que foi enriquecedora para mim e para ela. Porém, ao longo desses quase quatro anos, uma coisa me incomodava e me perturbava bastante: Quando iríamos para o campo? Nossa ideia era morar nessa cidade de pouco menos de 50 mil habitantes e depois nos mudarmos para o campo, porque essa era a mensagem que deveríamos viver (pensávamos assim). Mas, ao mesmo tempo, aquilo me inquietava e eu ficava bastante nervoso. Quando não via as coisas caminharem para isso, parecia que estávamos sendo negligentes e infiéis a Deus. Eu não sentia paz com aquela mensagem e, para piorar as coisas, todos os planos que fazíamos para ir para o campo eram frustrados e começamos a considerar se realmente esse era o caminho que Deus queria para nós naquele momento.

Comecei a sentir o desejo de atuar na minha profissão de formação e oramos ao Senhor para saber se essa era a vontade dEle para nós. Deus nos respondeu positivamente através de uma meditação em um pôr do sol. Choramos muito naquele culto, pois Deus estava nos mostrando um caminho diferente. Mas permanecia a dúvida… Com a possibilidade de eu trabalhar como engenheiro, viria também a possibilidade de nos mudarmos para uma cidade maior, e voltava aquela mesma perturbação. Mas resolvemos confiar e seguir esse caminho, pois Deus poderia prover que fossemos para o campo, ainda que eu trabalhasse como engenheiro. Fiz dois concursos, um para a concessionária de energia elétrica estatal de Minas, e outro para a estatal de saneamento. Fiquei longe na classificação, pois os dois concursos ofereciam apenas uma vaga. Isso foi em 2018.

No fim de 2018, surgiu um novo concurso para trabalhar na Unicamp, em Campinas, SP. Considerei a proposta interessante, embora continuasse na minha mente a questão da vida no campo; mas vi que havia a possibilidade de morar em cidades menores, ao redor, e trabalhar na universidade. Lá eu atuaria como engenheiro eletricista da Prefeitura Universitária, mas resolvemos orar e pedir orientação de Deus. Ele nos respondeu positivamente, e um detalhe interessante: eu só pude fazer essa concurso porque tive uma experiência prévia como eletricista em São Lourenço; sem essa experiência eu seria desqualificado. Fiz o concurso, fiquei em segundo lugar; e era apenas uma vaga, mas acabei sendo convocado mesmo assim.

Fui para a Universidade e o campo de trabalho em que fui inserido era praticamente o mesmo de Minas. Informaram-me que alguns trabalhos são programados para o sábado, e eu expliquei minhas convicções e razões para não trabalhar nesse dia. Eles entenderam perfeitamente, por já terem uma adventista na mesma divisão em que fui alocado; enfim, pude ver a mão de Deus cuidando de cada detalhe e nos indicando uma atitude positiva em cada etapa.

Por conta da mensagem de vida no campo, resolvemos morar em uma cidade próxima chamada Cosmópolis, o que também veio como resposta de oração. Mas, ainda assim, por ser uma cidade mais desenvolvida que São Lourenço, fiquei um pouco desanimado em alguns momentos e com medo de estar sendo infiel a Deus, mesmo Ele dando todos os sinais de que estava nos conduzindo, e sempre respondendo nossas orações. Ao mesmo tempo eu sentia medo de acontecer algo muito ruim comigo ou com minha esposa por não estar vivendo o ideal e Deus, e isso me trouxe muita angústia. Então, nesses dias de quarentena, eu me apliquei a estudar o assunto, e Deus me trouxe umas revelações bem interessantes que me trouxeram paz e segurança para seguir em frente.

Demorei-me em minha experiência, mas queria deixar um pouco do histórico de angústia pelo qual passei até chegar nesse entendimento que acredito ser o correto e equilibrado. Vou separar em alguns tópicos para explanar minha melhor ideia:

  1. “Não vem muito distante o tempo em que, como os antigos discípulos, seremos forçados a buscar refúgio em lugares desolados e solitários. Como o cerco de Jerusalém pelos exércitos romanos era o sinal de fuga para os cristãos judeus, assim o arrogar-se nossa nação o poder no decreto que torna obrigatório o dia de repouso papal será uma advertência para nós. Será então tempo de deixar as grandes cidades, passo preparatório ao sair das menores para lares retirados em lugares solitários entre as montanhas” (Testemunhos Seletos 2:166).

​Esse texto causa muitos problemas, pelo seguinte fato: os adeptos dessa visão mais radical de vida no campo dizem que esse sinal já foi dado em 1888, quando o senador Blair enviou um projeto de lei para a Corte americana, e assim como o primeiro cerco de Jerusalém não destruiu a cidade, assim também esse primeiro decreto não avançou; então, quando houver o próximo decreto dominical, aqueles que estiverem na cidade vão ser mortos e estarão contra a vontade de Deus, pois estamos atrasados desde 1888.

Comecei a ter alguns problemas com essa interpretação pelos seguintes fatos: Como posso ser cobrado por algo que aconteceu em um período em que eu nem existia? Qual a validade de esse ser um sinal para uma geração que nem existe mais em nossos dias? A geração que viu o cerco de Jerusalém foi a geração que viu a destruição dela. Outro ponto: o decreto dominical não será em um primeiro momento ameaçador para nós, no sentido de que na hora que sair é para destruir os adventistas; a lei precisa “fermentar”, ganhar adesão popular, e esses indicativos o Espírito de Profecia nos traz, quando diz para não provocarmos nossos vizinhos trabalhando aos domingos e fazendo ativo trabalho missionário nesse tempo; então, em um primeiro momento, não será algo tão restritivo para nós, embora isso vá acontecer e devemos ser atalaias e não nos acomodarmos como aqueles que ficaram em Jerusalém esperando a adoção de medidas mais bruscas pelo exército romano.

  1. Em diversos textos Ellen White apela para sairmos das cidades. No livro Vida no Campo existem muitas declarações em que a autora é direta em dizer para sairmos das cidades, principalmente os pais que têm filhos, para que isso possa auxiliar na formação do caráter e estar distante das influências das grandes cidades. Estaria essa mensagem alinhada com o sinal para fugir das cidades? Acredito que depende do ponto de vista; alinha-se em partes, porque realmente as cidades estão se tornando lugares cada vez mais corruptos e complicados de se viver, principalmente para quem tem filhos; e procurar lugares mais afastados com contato com a natureza realmente favorece a educação, mas isso não significa que devamos ser eremitas e nos distanciar por completo das cidades, morando em lugares extremamente isolados, pois a recomendação dela é que tenhamos um pequeno espaço de terra com um pequeno pomar, e isso ajudará muito no desenvolvimento das crianças; mas eu vejo o foco aqui não mais no decreto dominical, mas, sim, na questão da educação do filhos. O que se confirma quando ela diz que as igrejas e os restaurantes devem estar nas cidades, mas as escolas e sanatórios devem estar em lugares mais afastados (o que não significa “escondido”).

Uma questão que devemos ressaltar: ainda que tenhamos esses benefícios, não devemos fazer alarmismo e pressão psicológica nos que vivem nas cidades, pois, enquanto o decreto não se desenvolver e se tornar um decreto de morte, teremos tempo, sim, de abandonar as cidades (digo isso pois vi vídeos na internet relacionando o coronavírus ao primeiro cerco de Jerusalém).

  1. Texto praticamente parafraseado do primeiro mencionado. “A fim de se fazerem populares e conquistarem a simpatia do povo, os legisladores hão de ceder ao desejo deste, de obter leis dominicais. […] Por um decreto que visará impor uma instituição papal em contraposição à lei de Deus, a nação americana se divorciará por completo dos princípios da justiça” (Eventos Finais 132.4). “Como a aproximação dos exércitos romanos foi um sinal para os discípulos da iminente destruição de Jerusalém, assim essa apostasia será para nós um sinal de que o limite da paciência de Deus está atingido” (Testemunhos Seletos 2:150, 151).

Esse texto foi um dos mais convincentes para mim. Veja o perigo que estamos correndo ao aceitar o primeiro cerco como sendo em 1888. Se isso for verdade, então esse texto está dizendo que em 1888 os Estados Unidos se divorciaram por completo dos princípios da justiça, e já houve uma apostasia que uniu igreja e Estado, além de o limite da paciência de Deus ter sido atingido em 1888. E outro ponto interessante é que os discípulos só saíram de Jerusalém depois que o evangelho foi pregado por ordem do próprio Jesus, primeiro em Jerusalém; se assumirmos isso, podemos dizer que o evangelho foi pregado para as cidades em 1888 e elas já podem sofrer os juízos de Deus sem misericórdia.

  1. Acho que os textos a seguir falam por si sós: “As sentinelas celestiais, fiéis ao seu encargo, continuam com sua vigilância. Posto que um decreto geral haja fixado um tempo em que os observadores dos mandamentos poderão ser mortos, seus inimigos nalguns casos se antecipam ao decreto e, antes do tempo especificado, se esforçam por tirar-lhes a vida. Mas ninguém pode passar através dos poderosos guardas estacionados em redor de toda alma fiel. Alguns são assaltados ao fugirem das cidades e vilas; mas as espadas contra eles levantadas se quebram e caem tão impotentes como a palha. Outros são defendidos por anjos sob a forma de guerreiros” (O Grande Conflito, p. 631).

“Quando o decreto promulgado por vários governantes da cristandade contra os observadores dos mandamentos lhes retirar a proteção do governo, abandonando-os aos que lhes desejam a destruição, o povo de Deus fugirá das cidades e vilas e reunir-se-á em grupos, habitando nos lugares mais desertos e solitários. Muitos encontrarão refúgio na fortaleza das montanhas. Semelhantes aos cristãos dos vales do Piemonte, dos lugares altos da Terra farão santuários, agradecendo a Deus pelas ‘fortalezas das rochas’ (Isaías 33:16). Muitos, porém, de todas as nações, e de todas as classes, elevadas e humildes, ricos e pobres, negros e brancos, serão arrojados na escravidão mais injusta e cruel. Os amados de Deus passarão dias penosos, presos em correntes, retidos pelas barras da prisão, sentenciados à morte, deixados alguns aparentemente para morrer à fome nos escuros e nauseabundos calabouços. Nenhum ouvido humano lhes escutará os gemidos; mão humana alguma estará pronta para prestar-lhes auxílio” (O Grande Conflito, p. 626).

Esses textos deixam bem claro onde estarão muitos cristãos nos últimos dias, de onde eles vão fugir, e já vi postagens dizendo que talvez não haja mais tempo para sairmos das cidades. Realmente lamentável tudo isso.

Essas referências me ajudaram a entender de verdade a mensagem para a vida no campo. Se a Igreja Adventista do Sétimo Dia adotasse essa postura extremista que vemos com relação à vida no campo, teríamos que nos tornar uma seita que vive espalhada em comunidades rurais, o que, de verdade, não compactua com o evangelho bíblico.

[Michelson], tive a ideia de lhe enviar esses textos após assistir à live de que você participou com outros três pastores, e esse tema foi levantado [veja o vídeo abaixo]. Essa foi a luz que Deus me deu, e concordo com tudo o que você falou no vídeo. Deus me incomodou para compartilhar essas impressões que tive. Que Deus o abençoe e continue lhe usando em Seu ministério.

Um grande abraço. Estamos perto de ver Jesus voltar!

William Silva

Dica de leitura: Da Cidade Para o Campo

Cid Moreira comove em desabafo: “Últimos anos de vida”

cidCid Moreira é um dos apresentadores de telejornais mais queridos de todos os tempos da televisão brasileira. Ele esteve à frente do Jornal Nacional por décadas, sendo lembrado até hoje por sua dedicação ao jornalismo, sua capacidade em apresentar, e também pelo seu inesquecível “boa noite”. Em uma recente entrevista, Cid disse como é viver aos 92 anos de idade sabendo que está chegando a hora de partir, emocionando todos os fãs, seguidores e até o entrevistador que estava mediando a conversa. Cid comentou que já se sente muito fraco para executar algumas atividades físicas que devem se tornar rotina em seu dia a dia. Para tanto ele precisa da ajuda da esposa para desempenhar alguns papéis. Quem o acompanha nas redes sociais pode ver que ele faz inúmeras postagens com sua companheira, mostrando o dia a dia deles.

Questionado sobre a idade e sobre a velhice, Cid disse que “sente que está vivendo seus últimos dias de vida”, mas afirmou que esta é a melhor fase de sua vida, pois dedica todo o seu tempo para falar sobre Deus. Confira a emocionante entrevista que você pode assistir logo abaixo.

Cid Moreira contou nessa conversa que decidiu fazer algumas mudanças em sua vida nos últimos anos, tanto que começou a frequentar a Igreja Adventista do Sétimo Dia. De acordo com o jornalista, ele se empenha cada vez mais em propagar a Palavra de Deus, tanto que, como muitos já sabem, ele fez a narração da Bíblia Sagrada em CD.

O jornalista encerra a emocionante entrevista dizendo que sabe que no dia em que ele precisar fechar os olhos para o sono eterno, ele acordará no Céu ao lado de Jesus.

(News)

Jovem que contribuiu com Meditação da Mulher morre no dia da publicação de seu texto

jovemUm desejo de mudar o mundo, o prazer de levar esperança às outras pessoas e o seu amor inabalável por Cristo eram o combustível de uma jovem determinada que deixou marcas na vida de muita gente. Carmen Virginia dos Santos faleceu aos 38 anos, vítima de um câncer. Um dos seus talentos era a escrita. Além de livros publicados, ela também contribuiu com textos para a Meditação da Mulher, compilação de devocionais diários distribuída pela Casa Publicadora Brasileira. O texto escrito por Carmen serviu de inspiração para outras mulheres justamente no dia que ela faleceu, um 26 de fevereiro, conhecido também como quarta de cinzas. Na reflexão escrita por Carmen é contada a experiência que ela viveu no período que estava no início da adoção da dieta vegetariana. Ela havia saído de casa sem comer e estava à procura de alguma opção de alimento sem carne, até então, sem sucesso. Após uma oração, ela conseguiu comprar milho – e pediu, por impulso, duas porções. No caminho para a estação de metrô, ela se indagava da necessidade de ter pedido duas porções, uma vez que apenas uma porção já a deixaria satisfeita. Ao embarcar no metrô, outro jovem que saía do trabalho perguntou onde ela havia comprado o milho. Foi então que ela dividiu a refeição com aquele desconhecido.

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O missionário mochileiro