Dieta do Éden fora do Éden?

edenA busca pela dieta perfeita tem atraído muitos reformadores da saúde contemporâneos da mesma forma que a mitológica fonte da juventude atraiu milhares de pessoas ao longo dos séculos. Entre os diferentes grupos que buscam a dieta perfeita estão os que defendem a dieta edênica como padrão dietético para nossos dias, alegando que a dieta originalmente dada a Adão e Eva é válida para nosso tempo. Porém, uma análise dessa proposta não resiste ao escrutínio teológico nem ao científico. Ela mostra sérias inconsistências nessas duas áreas, como pontuaremos.

  1. É impossível ter uma dieta perfeita neste mundo imperfeito, em que os seres humanos e toda a criação sofrem as consequências do pecado (Rm 8:22). Isso significa que, em menor ou maior quantidade, todos os alimentos possuem algum ingrediente tóxico. Fitatos, fitohemaglutinina, ácido fítico, tanino, cianetos, solaninas, oxalatos, urushiol e goitrogênicos são alguns elementos tóxicos presentes em muitos alimentos considerados saudáveis, entre eles castanha de caju, trigo, repolho, brócolis, tomate, maçã, cereja, amêndoa, feijões e espinafre, para citar alguns exemplos. Em resumo, eles são considerados alimentos bons, mas não perfeitos. Mesmo a germinação não consegue neutralizar as toxinas presentes em alguns alimentos. O segredo para reduzir os efeitos dessas toxinas a longo prazo é buscar uma alimentação variada com produtos da estação, dando ao organismo a oportunidade de metabolizá-los em tempos diferentes e evitando o acúmulo em um nível que possa ser prejudicial.
  1. A dieta edênica também defende o crudivorismo, ou seja, consumir os alimentos crus. O problema é que muitas substâncias tóxicas perigosas neles presentes são neutralizadas pelo cozimento e, paradoxalmente, certos nutrientes, como o licopeno (existente no tomate), são potencializados quando cozidos. Portanto, comer alimentos crus com alimentos cozidos é uma escolha estratégica e equilibrada. Uma dieta crudívora por um período de tempo pode ter efeitos positivos na recuperação de enfermidades, mas como estilo de vida pode ter efeitos não desejáveis.
  1. A dieta edênica original continha o fruto da árvore da vida, ao qual não temos acesso desde a entrada do pecado na Terra (Gn 3:22). Na realidade, um estudo dos primeiros livros da Bíblia nos revela que, para cada período, Deus indicou uma dieta especial: a edênica, a pós-edênica, a pós-diluviana e a israelita. O regime para o nosso tempo (do fim) é descrito por Ellen White como constituindo-se de “cereais, nozes, frutas e verduras”. E inclui alimentos que nascem debaixo da terra, como a batata.
  1. Deus não exige nossa perfeição em termos de alimentação, mas sim que cada um busque os alimentos mais saudáveis dentro da sua realidade, aproveitando cada oportunidade que Ele nos deu para escolher o melhor disponível. Isso significa, por exemplo, que a população ribeirinha do Amazonas, que tem uma dieta à base de peixe e farinha e vive onde há carência de frutas, verduras e cereais integrais, deve ser orientada de maneira diferente das pessoas que moram em regiões onde existe variedade de alimentos. No contexto da selva, o conselho aos ribeirinhos é para que evitem os animais imundos (Lv 11), cuidem da higiene pessoal e ambiental e busquem alternativas mais saudáveis quando disponíveis.
  1. Os componentes da dieta edênica foram preservados por Deus e voltaremos a usar esse regime na nova Terra. Lá tornaremos a comer do fruto da árvore da vida, e os animais desfrutarão da dieta originalmente dada a eles (Gn 1:30; Is 65:25). Porém, até lá, temos que fazer nosso melhor, sempre com responsabilidade e equilíbrio, nas condições imperfeitas em que vivemos.

(Dr. Silmar Cristo, Revista Adventista)

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Cinco coisas acontecem quando você para de comer carne

boa formaReduz a inflamação no organismo.A inflamação crônica tem sido associada ao desenvolvimento de aterosclerose, ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais, diabetes e doenças autoimunes. Em contrapartida, as dietas à base de plantas são naturalmente anti-inflamatórias. Ricas em fibras, antioxidantes e outros nutrientes, elas têm menos chances de desencadear a gordura saturada e endotoxinas (toxinas liberadas a partir de bactérias comumente encontradas em alimentos de origem animal).

O nível de colesterol despenca.A gordura saturada, encontrada principalmente em carnes, aves, queijo e outros produtos de origem animal, é uma das principais causas do elevado índice de colesterol no sangue. E isso implica em maior risco para doenças cardíacas e derrames. Além disso, as dietas à base de vegetais são ricas em fibras, o que reduz ainda mais os níveis de colesterol no sangue. Também foi comprovado que a soja, um dos substitutos da carne, desempenha um papel na redução do colesterol.

A imunidade fica mais forte.Os trilhões de micro-organismos que vivem em nosso corpo são chamados de microbioma. Cada vez mais, estes micro-organismos são reconhecidos como cruciais para a nossa saúde em geral: não só ajudam a digerir os alimentos, mas também produzem nutrientes necessários, treinam nosso sistema imunológico, mantêm o intestino saudável e nos protegem do câncer. Estudos também mostraram que eles desempenham um papel importante no controle de obesidade, diabetes, inflamação do intestino, doenças autoimunes e do fígado.

Afasta você do diabetes tipo 2.A proteína animal, especialmente as provenientes de carne vermelha e processadas, tem sido apontada em estudos como um fator que aumenta o risco de diabetes tipo 2. Por que a carne causaria a doença? Várias razões: gordura animal, ferro de origem animal e conservantes de nitrato em carne foram comprovados como danificadores das células pancreáticas, além de piorar a inflamação e causar ganho de peso. Além disso, uma dieta baseada em vegetais pode melhorar ou até mesmo reverter o diabetes, se você já tiver sido diagnosticada.

Vai melhorar a quantidade e a qualidade da proteína.Os onívoros dos Estados Unidos consomem, em média, mais do que 1,5 vezes a quantidade ideal de proteínas. Ao contrário do que a maioria pensa, esse excesso de proteína não faz você mais forte ou mais magro, é armazenado como gordura ou transformado em resíduos. Por outro lado, a proteína que se encontra nos alimentos vegetais protege você de muitas doenças crônicas. Então você não precisa se preocupar com o excesso. Vai precisar, é claro, consultar um nutricionista para descobrir a quantidade mínima que você precisa para não deixar o seu organismo debilitado.

(Boa Forma)

Nota: “E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento” (Gênesis 1:29).

Leia também: Famoso DJ se torna vegetariano ao ler livro da CPB e Yasmin Brunet conta por que deixou de comer carne

Site vegano destaca Ellen White como defensora dos animais e do vegetarianismo

ellen[Veja que interessante este artigo escrito pelo jornalista, historiador e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário David Arioch:]

Uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Ellen Gould White, se tornou uma das personalidades mais controversas de seu tempo, inclusive pela sua defesa do vegetarianismo, o promovendo em escolas, hospitais e centros médicos. Entre as suas obras mais conhecidas, que também versam contra o consumo de animais, está o livro The Ministry of Healing, publicado em 1905. No entanto, Healthful Living, de 1896, foi uma das primeiras obras em que Ellen G. White abordou o vegetarianismo. Na página 97, ela declara que a dieta de muitos animais é baseada simplesmente em vegetais e grãos, e que o ser humano deveria seguir esse exemplo, já que não temos o direito de nos alimentarmos de criaturas mortas. Segundo Ellen, um animal que não seja essencialmente carnívoro não tem necessidade de destruir outro animal para se alimentar. No livro Counsels on Diet and Foods, de 1903, a autora diz que vegetais, frutas e grãos são o suficiente para uma alimentação saudável e bem completa. “Nem uma onça [28 gramas] de carne deve ser enfiada em nosso estômago. Devemos voltar ao propósito original de Deus na criação do homem”, defende na página 380.

Com livros publicados em mais de 140 línguas, Ellen Gould White se tornou bastante influente à sua época, tanto que há quem diga que ela também contribuiu para que o famoso médico John Harvey Kellogg, também adventista, criasse um dos mais famosos cereais matinais de todos os tempos – Corn Flakes. Sua influência também se deve ao fato de ela ter sido uma escritora prolífica, chegando a escrever mais de cinco mil artigos e a publicar 40 livros. Suas obras somam mais de 50 mil páginas manuscritas, conforme o artigo “Ellen G. White: A Brief Biography”, de Arthur L. White, publicado no The Official Ellen G. White Website, em agosto de 2000.

Em The Ministry of Healing, lançado em 1905, a escritora afirma que a dieta indicada ao ser humano no princípio não incluía alimento de origem animal. “Não foi senão depois do dilúvio, quando tudo quanto era verde na Terra havia sido destruído, que o homem recebeu permissão para comer carne”, escreveu. Porém, a escritora defendia que foi uma permissão temporária. Segundo Ellen, Deus escolheu a comida dos seres humanos quando os levou para viverem no Éden, o que não compreendia nada de origem animal.

Porém, na perspectiva da autora adventista, o ser humano insistiu no consumo de carne, e em decorrência disso teve de amargar inúmeras doenças e muitas mortes relacionadas a esse hábito: “Os que se alimentam de carne não estão senão comendo cereais e verduras, pois o animal recebe a partir desses alimentos a nutrição que garante o seu crescimento. A vida que havia no cereal e na verdura passa aos que os ingerem. Nós a recebemos comendo a carne do animal. Melhor é obtê-la diretamente, comendo aquilo que Deus proveu para o nosso uso.”

Outro ponto que, segundo a escritora, deveria ser o suficiente para desconsiderar a carne como alimento é o surgimento de doenças que só existem em decorrência da criação de animais para consumo. “A população come ininterruptamente carne cheia de germes de tuberculose e câncer. Assim são transmitidas essas e outras doenças. Muitas vezes são vendidas a carne de animais que estavam tão doentes que os donos receavam mantê-los vivos por mais tempo. E o processo de engorda para a venda produz enfermidades”, critica.

No final do século 19, Ellen G. White percebeu que já era comum os animais serem privados da luz do dia e do ar puro, respirando somente a atmosfera de estábulos imundos, e talvez sendo alimentados com comida deteriorada, o que facilitava a contaminação e proliferação de doenças:

“Animais são frequentemente transportados por longas distâncias e sujeitos a grande sofrimento até chegarem ao mercado. Privados dos campos verdes para viajar por longas milhas em estradas quentes e empoeiradas, dentro de veículos imundos e lotados, eles ficam febris e exaustos, e passam muitas horas em privação de água e comida. Essas criaturas são guiadas para a morte, para que os seres humanos se banqueteiem com as suas carcaças.”

Para Ellen G. White, a situação dos peixes não é diferente, levando em conta a contaminação das águas e a ausência de boa matéria orgânica como fonte de alimento. Além de sofrerem pela má intervenção humana, quando morrem tornam-se alimentos; um alimento que também ocasiona enfermidades. “Muitos [seres humanos] morrem de doenças devido ao uso da carne, e essa causa não é suspeitada por eles nem pelos outros”, enfatiza.

Além das questões envolvendo saúde e religião, a escritora também apontava como igualmente importante as implicações morais do consumo de carne. Quando discursava sobre o tema, ela pedia que os espectadores pensassem na crueldade por trás do consumo de carne, e os efeitos que isso desencadeia na vida em sociedade, onde a ternura para com as outras criaturas é majoritariamente desconsiderada.

No livro The Ministry of Healing, Ellen defende que a inteligência de muitos animais é tão semelhante à inteligência humana que chega a ser um mistério. Observa que os animais veem, ouvem, amam, temem e sofrem. Se servem de suas capacidades melhor do que os seres humanos. Manifestam simpatia e ternura em relação aos seus companheiros de sofrimento:

“Muitos animais demonstram aos seus uma afeição muito superior àquela manifestada por alguns seres humanos. Que homem, dotado de um coração humano, havendo já cuidado de animais domesticados, poderia fitá-los nos olhos tão cheios de confiança e afeição, e entregá-los voluntariamente à faca do açougueiro? Como lhes poderia devorar a carne como algo delicioso?”

No início do século 20, a autora já considerava um equívoco crer que a força muscular depende do uso de alimento de origem animal, já que podemos recorrer a cereais, frutas e oleaginosas, alimentos que contêm tudo o que é necessário à nossa nutrição. “Quando se deixa o uso de carne, há muitas vezes uma sensação de fraqueza ou falta de vigor. Muitos alegam isso como prova de que a carne é essencial. Mas é devido a esse alimento ser estimulante, deixar o sangue febril e os nervos estimulados, que assim lhes parece ser algo que faz falta. Alguns acham tão difícil deixar de comer carne o quanto é para um bêbado deixar o álcool. Mas logo se sentirão muito melhor com a mudança”, garante.

Na defesa da abstenção de alimentos de origem animal, Ellen Gould White jamais viu o vegetarianismo como uma impossibilidade. Ela acreditava que mesmo em países com maiores índices de pobreza é possível implementar hábitos vegetarianos na população mais carente. Ela sugeria a realização de pesquisas e a discussão sobre meios de incentivar a produção de alimentos de origem vegetal mais baratos. “Com cuidado e habilidade, é possível preparar pratos nutritivos e saborosos, substituindo a carne. Em todos os casos, educai a consciência, aliciai a vontade, mostrai o caminho do bom e saudável alimento e a mudança acontecerá rapidamente, fazendo desaparecer a necessidade de carne. Já não é tempo de todos dispensarem a carne da alimentação?”, questionou no capítulo “A carne como alimento”, do livro The Ministry of Healing, publicado em 1905.

(Vegazeta)

Os livros de Ellen White podem ser adquiridos em língua portuguesa no site www.cpb.com.br.

Leia também: Amigo animal

Religiosos vegetarianos vivem mais e melhor

PrayingDiversos estudos têm concluído que comer carne como fonte de proteína não é a coisa mais esperta que podemos fazer. Aparentemente, é melhor investir nas plantas. E existem boas razões para explicar por que as fontes de proteína de origem vegetal, como o feijão, são uma alternativa mais saudável ao bacon. Vamos nos debruçar sobre algumas? A carne animal é conhecida por seus muitos nutrientes. Se você come uma variedade de carnes (claras e escuras, não apenas carne bovina, assim como vários órgãos), pode ingerir todos os aminoácidos necessários para fabricar suas próprias proteínas corporais, além de vitaminas como B12, niacina, tiamina, B5, B6, B7 e vitaminas A e K. No entanto, se você trocar toda essa proteína animal por uma dieta igualmente diversificada de proteínas vegetais, como nozes, sementes e feijões, dá basicamente na mesma. Esses alimentos também são repletos de um espectro semelhante de nutrientes. A maior diferença é a vitamina B12, que a maioria das plantas não consegue produzir. Você pode obter B12 de algas comestíveis e cereais fortificados, embora a maneira mais fácil seja através de suplementação ou da ingestão de produtos de origem animal.

No geral, contudo, as proteínas à base de plantas são muito mais saudáveis do que suas contrapartes animais. Além de oferecerem os mesmos perfis de vitaminas, contêm mais nutrientes em menos calorias e têm uma coisa que as proteínas animais não têm: fibra.

O nutricionista Andrea Giancoli, da Califórnia (EUA), explica que a fibra ajuda na digestão, promove um microbioma intestinal saudável e está fortemente associada a menor risco de doença cardiovascular. Ponto para os vegetais.

Outra razão pela qual proteínas animais não são tão boas para a saúde é porque geralmente são acompanhadas de gordura. A gordura é parte da razão pela qual bifes e hambúrgueres são deliciosos. Só que ela também tende a entupir seu coração. “[Com proteínas vegetais] você obtém menos gordura saturada e controla o colesterol”, defende Giancoli. As gorduras saturadas contribuem para doenças cardiovasculares porque elevam os níveis de colesterol ruim. Já alimentos como nozes, abacates e peixes têm muito menos gorduras saturadas do que carnes vermelhas, por exemplo. Como tal, são alimentos apelidados de “gorduras saudáveis”.

Você provavelmente já ouviu falar do relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) que concluiu que carnes vermelhas processadas, como bacon e linguiça, são carcinogênicas. O câncer colorretal, em particular, tem sido associado à ingestão de carne vermelha, bem como câncer de pâncreas e de próstata.

Tudo bem que, no que diz respeito ao risco de câncer, a carne não é o nosso pior inimigo. Estimativas recentes da OMS creem que o número de casos anuais de câncer causados por ingestão de carne vermelha seja de 50.000, comparado a 200.000 por poluição do ar, 600.000 por álcool e um milhão por tabaco. Mas o número não é exatamente insignificante, certo?

Meta-análises que compararam a saúde de pessoas que comem proteínas animais versus proteínas vegetais constataram que, mesmo após o ajuste para outros fatores, como classe socioeconômica, peso e hábitos de exercício físico, aqueles que comem plantas tendem a viver mais e ser mais saudáveis.

Por exemplo, essas pessoas tendem a ter menos doenças cardiovasculares e menos casos de câncer. Há quase certamente alguns pequenos fatores que contribuem para a associação: pessoas que comem proteínas vegetais parecem consultar seu médico com mais regularidade e, assim, obter melhores cuidados preventivos. Talvez também tendam a viver em lugares menos poluídos.

Mas como ainda existem correlações entre o consumo de proteínas vegetais e a saúde geral mesmo após esses ajustes de controle, as análises concluíram que fatores de estilo de vida, por si só, não são responsáveis pela correlação.

A mensagem que fica, então, é: a substituição da proteína animal por proteína vegetal, especialmente no que diz respeito à carne vermelha processada, pode conferir um benefício substancial à saúde. (POPSCI, via Hypescience)

Um novo estudo americano descobriu que pessoas com afiliações religiosas vivem quase quatro anos mais do que pessoas sem religião. Esse aumento de quatro anos – encontrado em uma análise de mais de 1.000 obituários de todo o país – foi calculado depois de os pesquisadores levarem em conta fatores como o sexo e o estado civil dos falecidos, dois aspectos que estudos anteriores descobriram ter fortes efeitos sobre a expectativa de vida.

O aumento foi ligeiramente maior (6,48 anos) em um estudo menor com obituários publicados em um jornal de uma única cidade, Des Moines, no estado do Iowa. Os pesquisadores descobriram ainda que parte da razão para o aumento da longevidade pode vir do fato de que muitas pessoas religiosas também fazem trabalho voluntário e pertencem a organizações sociais, e que os efeitos da religião na longevidade podem depender, em parte, da religiosidade média das cidades onde as pessoas vivem.

O primeiro estudo envolveu 505 obituários publicados em Des Moines em janeiro e fevereiro de 2012. Além de observar a idade e qualquer afiliação religiosa dos falecidos, os pesquisadores também documentaram sexo, estado civil e o número de atividades sociais e voluntárias listadas.

O segundo estudo incluiu 1.096 obituários de 42 grandes cidades dos Estados Unidos publicados entre agosto de 2010 e agosto de 2011. Nesse estudo, as pessoas cujos óbitos mencionaram uma afiliação religiosa viveram em média 5,64 anos mais do que aquelas sem afiliação religiosa, o que encolheu para 3,82 anos após o sexo e o estado civil serem considerados.

Muitos estudos anteriores mostraram que pessoas que se voluntariam e participam de grupos sociais tendem a viver mais que outras. Assim, os pesquisadores combinaram dados de ambos os estudos para ver se trabalho voluntário e participação em organizações sociais poderiam explicar o aumento da longevidade. Os resultados mostraram que isso era apenas parte da razão pela qual as pessoas religiosas viviam mais tempo.

“Descobrimos que o voluntariado e o envolvimento em organizações sociais representam apenas um pouco menos de um ano do aumento da longevidade que a afiliação religiosa proporciona”, disse Laura Wallace, principal autora e estudante de doutorado em psicologia na Universidade Estadual de Ohio, nos EUA. “Ainda há muito benefício da afiliação religiosa que isso não pode explicar.”

Então, o que mais explica como a religião ajuda as pessoas a viverem mais? Uma hipótese é de que isso está relacionado às regras e normas de muitas religiões que restringem práticas pouco saudáveis, como o uso de álcool e drogas e fazer sexo com muitos parceiros. Além disso, muitas religiões promovem práticas de redução do estresse que podem melhorar a saúde, como gratidão, oração ou meditação.

O fato de os pesquisadores terem dados de muitas cidades também permitiu investigar se o nível de religiosidade média de uma cidade poderia afetar a influência da afiliação religiosa na longevidade. Os resultados mostraram que um elemento-chave relacionado à longevidade em cada cidade era a importância dada à conformidade com os valores e normas da comunidade. […]

Porém, no geral, o estudo fornece evidência adicional ao crescente número de pesquisas que mostram que a religião tem um efeito positivo na saúde.

Um artigo sobre as descobertas foi publicado na revista científica Social Psychological and Personality Science. (MedicalXpress, via Hypescience)

Nota: Agora imagine ser religioso e vegetariano…

Não sou vegano, sou vegetariano

vegetablesNão como carne faz mais de 25 anos. Brinco que minha filosofia é a seguinte: não como nada que tenha tido mãe. Duas coisas, principalmente, me levaram a essa decisão na época: (1) o cuidado com a minha saúde e (2) o respeito pelos animais. Ao longo desse quarto de século minha decisão tem sido confirmada por trabalhos científicos. Inúmeras pesquisas têm comprovado as vantagens da dieta vegetariana, e não devemos nos esquecer da necessidade de uma vida ativa e do descanso apropriado, enfim, de levar em conta e praticar os chamados oito remédios naturais.

Ocorre que muitas pessoas pensam que veganismo é sinônimo de vegetarianismo, só que não é. Algumas definições de veganismo são as seguintes:

“Veganismo é uma filosofia de vida motivada por convicções éticas com base nos direitos animais, que procura evitar exploração ou abuso deles por meio do boicote a atividades e produtos considerados especistas.”

“‘Vegan’ denomina um modo de vida que procura reduzir ao máximo a exploração de animais e, por consequência, adota uma dieta vegetariana estrita – eliminando carnes, ovos, leite e derivados da alimentação; eliminando o uso de artigos de couro do vestuário; evitando comprar produtos que envolvam testes desnecessários em animais, etc. A pessoa que adota esse modo de vida também é chamada de ‘vegan’.”

Veganismo é também uma filosofia evolucionista que iguala humanos a “animais não humanos”. Há veganos que bebem substâncias nocivas à saúde, como a cafeína, mas não consomem mel, isso porque a primeira é “natural” e o segundo “estressa” as abelhas, quando é recolhido nas colmeias. Evito o termo “vegan” ou “vegano” justamente para não ser confundido com os adeptos dessa filosofia extremista.

Historicamente, os adventistas têm promovido o vegetarianismo e o estilo de vida saudável, que envolve muito mais do que dieta. E por quê? Porque a saúde física tem reflexos na saúde mental e espiritual. Uma mente saudável tem melhores condições de se “conectar” com Deus e entender Sua mensagem. Longevidade e melhor saúde geral são consequência da adoção desse estilo de vida recomendado por Deus. E o cuidado dos animais deriva de nosso amor cristão pela criação e de nossa consciência de que somos administradores da natureza (princípio da mordomia). Nosso estilo de vida está fundamentado na Bíblia, não em modismos dietéticos, filosofias esotéricas, espiritualistas ou darwinistas.

Portanto, o foco dos veganos está mais nos animais do que necessariamente na saúde. São ativistas pelos direitos dos animais, chegando alguns deles a extremos como boicotes e manifestações violentas, algumas envolvendo até nudismo.

Há pesquisas na área de saúde, por exemplo, que só podem ser levadas adiante com testes em animais. Vamos permitir que milhões de pessoas deixem de ser salvas com um novo procedimento cirúrgico ou um novo medicamento para evitar que algumas vidas animais sejam sacrificadas por um bem maior? Além disso, será que se eu não usar sapatos e cintos de couro estarei deixando de promover a indústria da carne? Esse couro seria jogado fora, pois as pessoas não estão dispostas a abrir mão do churrasco. Em lugar de usar artigos feitos com as sobras dos matadouros, usar produtos sintéticos como plástico não acaba sendo pior para a natureza?

Ao identificarmos nossa dieta como “vegan” podemos ser confundidos com ativistas mais preocupados com a vida animal do que com o bem-estar humano ou com a saúde. Alguns ativistas veganos chegam ao ponto de manifestar ódio às pessoas enquanto são carinhosos com os animais. Há algo de errado aí…

Algumas palavras vão adquirindo uma carga de significado ao longo dos anos. Alguns desses significados depõem contra nossa cosmovisão bíblica. Evito o termo “vegano” justamente por isso. Também evito a palavra “holismo” ou “holístico” pelo mesmo motivo. Para evitar ambiguidades e mal-entendidos, devemos conhecer o sentido das palavras e, na dúvida, adotar aquelas que expressem bem nossa fé e nossa filosofia. No caso da palavra “holístico”, prefiro a palavra “integral”, que é bem “nossa”. Tenho evitado até a palavra “gênero”, quando quero me referir a “homem” e “mulher”. Uso a boa e velha palavra “sexo”, e fujo do risco de ser confundido com certos ideólogos…

Os verdadeiros cristãos se preocupam, sim, com o cuidado do corpo e da mente. Fazendo isso, estão glorificando a Deus e prestando a Ele um serviço muito melhor. É muito importante defender o estilo de vida saudável e o bem-estar dos animais, mas que se faça isso pelo motivo certo e da forma correta.

Michelson Borges

Estudo de Harvard conclui que dieta vegetariana pode prevenir uma em três mortes prematuras

Fruits-And-VegetablesSegundo um novo estudo da Universidade de Harvard, nos EUA, um terço de todas as mortes prematuras poderia ser evitado por uma dieta vegetariana. Essas descobertas indicam que temos subestimado enormemente os benefícios de uma dieta baseada em vegetais. Os resultados da pesquisa foram apresentados na 4ª Conferência Internacional do Vaticano na Cidade do Vaticano, pelo pesquisador Dr. Walter Willett, professor de epidemiologia e nutrição da Faculdade de Medicina de Harvard. Willett disse na conferência: “Acabamos de fazer alguns cálculos olhando para a questão de quanto poderíamos reduzir a mortalidade mudando para uma dieta saudável, mais baseada em vegetais, não necessariamente totalmente vegana, e nossas estimativas são de que cerca de um terço das mortes precoces poderia ser evitado.”

Por exemplo, enquanto dados recentes britânicos sugeriam que 141.000 mortes por ano na Grã-Bretanha eram evitáveis, a nova pesquisa de Harvard produziu um número maior: cerca de 200.000 vidas poderiam ser salvas a cada ano no Reino Unido se as pessoas removessem carne de suas dietas.

“Não estamos nem mesmo falando de fazer atividade física ou não fumar, e estamos falando de qualquer morte, não apenas morte por câncer. E esse número é provavelmente subestimado, já que não leva em conta a obesidade, um fator importante”, acrescentou Willett.

Segundo o pesquisador, a dieta saudável está relacionada a um risco menor de quase tudo, o que talvez não seja surpreendente, “porque tudo no corpo está conectado pelos mesmos processos subjacentes”, disse.

O professor britânico David Jenkins, da Universidade de Toronto, no Canadá, também falou na conferência sobre a subestimação dos benefícios do vegetarianismo. Ele desenvolveu o índice glicêmico que ajuda a explicar como os carboidratos causam impacto no açúcar no sangue. Jenkins acredita que nós seríamos mais saudáveis seguindo uma dieta “simiana”, semelhante aos gorilas que comem caules, folhas, vinhas e frutas, em vez de uma dieta paleo ou do homem das cavernas [sic], que corta carboidratos, mas permite carne.

Um estudo recente da Universidade de Toronto, por exemplo, descobriu que uma dieta vegetariana pode reverter certos problemas de saúde com as mesmas margens de sucesso de medicamentos comumente usados, chamados estatinas.

A equipe de Jenkins fez uma parceria com o The Bronx Zoo em Nova York e viajou para a África central para registrar os hábitos alimentares dos gorilas. Quando eles recriaram a dieta para seres humanos – que chegou a 63 porções de frutas e vegetais por dia –, descobriram que houve uma queda de 35% no colesterol em apenas duas semanas, o equivalente a tomar estatinas.

No geral, não havia diferença entre seguir essa dieta ou tomar o medicamento. Milhões de pessoas são elegíveis para tomar estatinas a fim de evitar doenças cardíacas, o que equivale à maioria dos homens com mais de 60 anos e a maioria das mulheres com mais de 65 anos. A dieta, além de igualmente eficaz, não tem os efeitos colaterais da droga.

O Dr. Neal Barnard, presidente do Comitê para a Medicina Responsável, também fez uma declaração de que as pessoas precisam despertar para os benefícios do vegetarianismo e do veganismo para a saúde. “Acho que as pessoas imaginam que uma dieta saudável tem apenas um efeito modesto e uma dieta vegetariana pode ajudá-las a perder um pouco de peso. Mas quando essas dietas são construídas corretamente, penso que são extremamente poderosas.”

Barnard afirma que uma dieta vegana com baixo teor de gordura é a mais eficiente para melhorar a diabetes, por exemplo. No que diz respeito a doenças inflamatórias como a artrite reumatoide, estudos também estão vendo um tremendo potencial.

Uma dieta basicamente vegetariana é benéfica em partes por causa do que estamos evitando – como a carne – e por causa do colesterol, mas também por todos os nutrientes mágicos presentes nos vegetais e nas frutas que simplesmente não são encontrados em outras fontes.

(The WeekTelegraph, via Hypescience)

capa VS_NOV15Nota: Há quase 80 anos a revista Vida e Saúde vem divulgando no Brasil o estilo de vida saudável e os benefícios de uma dieta vegetariana. Com uma linha editorial orientada pelos chamados “oito remédios naturais”, a revista é publicada todos os meses ininterruptamente desde 1939, e isso faz dela a publicação mais antiga de saúde e estilo de vida em nosso país. Além de reportagens e artigos escritos por especialistas, a revista publica também todos os meses receitas vegetarianas de fácil execução. Pode-se dizer que a Vida e Saúde apregoa um estilo criacionista de viver, já que, de acordo com a pesquisa acima, trata-se do estilo de vida que mais promove saúde e que pode, inclusive, junto com outros fatores, explicar bem a longevidade dos antediluvianos. [MB]

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Proteínas da carne aumentam risco cardiovascular

carne-vermelhaPesquisadores norte-americanos e franceses confirmaram que a proteína da carne – e não apenas a gordura – está associada a um aumento acentuado no risco de doenças cardíacas, enquanto a proteína das nozes, castanhas e sementes é benéfica para o coração humano. Pessoas que consumiram grandes quantidades de proteína da carne apresentaram um aumento de 60% nas doenças cardiovasculares, enquanto as pessoas que consumiram grandes quantidades de proteína de nozes, castanhas e sementes tiveram uma redução de 40% nas mesmas doenças cardiovasculares. Incluindo dados de mais de 81 mil participantes, este foi um dos maiores trabalhos a examinar em detalhes não apenas as fontes de gordura, mas também as proteínas animais e vegetais em relação às doenças cardíacas e coronarianas.

“Embora as gorduras alimentares sejam parte do risco das doenças cardiovasculares, as proteínas também podem ter efeitos independentes importantes e largamente negligenciados sobre esse risco”, disse o Dr. Gary Fraser, da Universidade Loma Linda (EUA), que trabalhou com a equipe do Dr. François Mariotti, do Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas (França). Segundo o Dr. Fraser, os nutricionistas tradicionalmente olham para o que ele chamou de “gorduras ruins” nas carnes e “gorduras úteis” nas nozes, castanhas e sementes como agentes causais de diversas condições de saúde. No entanto, os novos resultados sugerem mais. “Esta nova evidência sugere que o quadro completo provavelmente envolva também os efeitos biológicos das proteínas nesses alimentos”, disse ele.

O pesquisador afirma que o trabalho diferiu de maneira significativa das pesquisas anteriores. Embora estudos anteriores tenham examinado as diferenças entre as proteínas animais e vegetais, este estudo não parou em apenas duas categorias, mas optou por especificar as proteínas da carne e as proteínas das nozes, castanhas e sementes juntamente com outras fontes alimentares importantes – as gorduras.

“Esta pesquisa está sugerindo que há mais heterogeneidade do que apenas a categorização binária de proteína vegetal ou proteína animal”, afirmou.

O estudo deixa outras questões em aberto para uma investigação mais aprofundada, como quais aminoácidos específicos das proteínas da carne contribuem para as doenças cardiovasculares e se as proteínas de fontes específicas afetam fatores de risco cardíaco conhecidos, como os lipídios sanguíneos, a pressão arterial e o excesso de peso, que estão associados às doenças cardiovasculares.

O estudo foi publicado no International Journal of Epidemiology.

(Diário da Saúde)