A bela Penedo e a romântica casa de pedras

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Penedo: uma cidade que começou sendo colônia finlandesa e que até hoje carrega resquícios disso. Uma cidade pequena e rústica, localizada entre montanhas. Mas é bem movimentada e visitada. O centro lembra um pouco Gramado, no Rio Grande do Sul. Com lojinhas e restaurantes com telhados em forma de “v” de cabeça para baixo. É uma típica cidade “finlandesa”.

Penedo é conhecida como a cidade das trutas e do chocolate. E os chocolates de lá são deliciosos, de todo o tipo que você imaginar. Como fui perto do Natal (em 2015, quando meu pai foi convidado a fazer algumas palestras na região), a cidade estava ainda mais linda, decorada com luzes e guirlandas. A “vila” turística, que é composta por casinhas antigas em estilo finlandês – que na verdade são lojas de roupas, chocolate ou de lembrancinhas –, nos faz praticamente voltar no tempo.

Apesar de ser uma cidade rústica e antiga, é bem agitada. Encontrar um lugar para estacionar é uma tarefa praticamente impossível. Mas Penedo dispõe de pousadas bem tranquilas. Possui um clima agradável e é também uma reserva florestal com uma flora encantadora.

A cidade foi fundada por imigrantes finlandeses. Toivo Uuskallio, o fundador da Colônia Finlandesa de Penedo, conta em seu livro Na Viagem em Direção à Magia do Trópico, que recebeu um chamado para deixar sua terra natal e emigrar para o Sul. Esse chamado chegou de forma misteriosa, à noite, e sem emissário aparente. O chamado era muito forte. E, assim, em meados de 1927, embarcaram para o Brasil Toivo e mais três rapazes, que compartilhavam de seus ideais.

Eles pretendiam viver no longínquo Sul, onde o clima permitia uma vida mais natural, recebendo os benefícios dos raios solares. Também fazia parte de seu programa de vida a alimentação vegetariana e a abstenção de bebidas alcoólicas e café.

Toivo começou a construir com pedras do riacho uma casa que ele chamava de “castelo para sua amada”. Durante 14 anos, construiu a casa com pedras e seixos retirados do riacho.

Toivo casou-se com sua amada e a trouxe para o Brasil. Porém, a moça não acostumada com o clima e a cultura do Brasil, ficou assustada e quis retornar para a Finlândia.

Ainda enquanto construía a casa, Toivo teve contato com um material da Igreja Adventista por meio de um colportor (vendedor de livros religiosos). Ele e mais alguns imigrantes foram depois batizados e se tornaram fieis adventistas.

Hoje a casa de pedras construída por Toivo pertence ao Centro Adventista de Recreação e Treinamento (Catre) de Penedo. Dá para tirar belas fotos na frente da casa que fica à beira da estrada.

Um viagem encantadora e cheia de cultura.

Giovanna Borges

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Vinte anos depois: de volta ao passado

iasd gaspar altoEm 1995, minha esposa (então noiva) e eu passamos alguns dias na casa da família Calson, em Gaspar Alto, SC. Na época, eu estava fazendo pesquisas para concluir meu TCC sobre a chegada do adventismo ao Brasil, com o qual eu obteria o diploma de bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (em 1996). Foram dias muito agradáveis e de muito aprendizado. Tive a oportunidade de conhecer lugares históricos significativos e de entrevistar descendentes de pioneiros ainda vivos na época. Eu era relativamente novo na Igreja Adventista. Fazia apenas quatro anos que era batizado, e ter contato com a linda história da chegada da mensagem adventista ao nosso país reafirmou minha fé e minha convicção de que esse movimento é conduzido por Deus (veja este vídeo que conta parte dessa história).

Antes mesmo de um missionário ou pastor adventista pisar em nosso solo, as publicações produzidas pela Igreja estavam cumprindo sua missão (trabalho há 20 anos numa editora adventista, e isso me enche de alegria!). Pessoas sinceras passaram a ler livros e folhetos enviados de graça e que tratavam de assuntos como a volta de Jesus, a vigência do sétimo dia como repouso sagrado, o estilo de vida saudável para melhor servir a Deus, entre outros temas. A partir daquele pequeno vale entre montanhas, os primeiros missionários saíram para conquistar o Brasil e fazer dele um dos países com a maior população adventista. Foram dias de bênçãos, alegrias, lutas, suor e lágrimas. Dias que não podem ser esquecidos e histórias protagonizadas por pessoas cuja memória tem que ser preservada.

Fazia tempo que eu queria voltar a Gaspar Alto e reviver tudo isso. Fazia tempo que minha esposa e eu queríamos reencontrar o bondoso casal Calson que não apenas nos hospedou, mas me ajudou a obter as informações de que eu precisava para minha pesquisa (material que resultou, pouco tempo depois, na publicação pela CPB do livro A Chegada do Adventismo ao Brasil, no qual estou trabalhando para uma futura reedição).

No dia 4 de janeiro de 2016, conseguimos matar a saudade. Fomos a Brusque e tiramos algumas fotos do casarão do século 19 dentro do qual foi aberto o pacote contendo as revistas Stimme Der Wahrheit, a primeira literatura adventista a chegar ao Brasil. Em seguida, subimos a Gaspar Alto e visitamos o pequeno museu ao lado da igreja, entramos no templo e depois fomos ao “Cemitério da Esperança”. Mais uma vez me senti inspirado com o que vi, e senti o “sabor” de voltar no tempo: vinte e um anos e cento e vinte anos atrás. O tempo ali parece ter parado…

No cemitério estão sepultados os pioneiros que pediram para ficar com os túmulos voltados para o Oriente, pois a primeira coisa que querem ver após ressuscitados é justamente a nuvem de anjos que rodeia o Salvador Jesus. Ou seja, mesmo depois de mortos, esses homens e mulheres valorosos ainda “falam” da fé e da esperança pela qual viveram e na qual morreram.

Quero muito conhecer essas pessoas quando Jesus voltar!

Michelson Borges

Morro Branco e a incrível arte com areia

Se estivesse caminhando em uma praia e se deparasse com uma frase escrita na areia, viesse um pescador e dissesse que aquilo foi obra do acaso, você acreditaria nele? E se ele dissesse que foram milhões de anos de vento soprando e ondas batendo, até que as partículas de areia fossem organizadas daquela forma? Aí você acreditaria? Acho que não, né? Isso porque todo mundo sabe que informação não surge do nada; depende de uma fonte informante. E se isso é verdade com uma simples frase escrita na areia, o que dizer de uma obra de arte que tem paisagens, casas, pessoas e inscrições? Esse tipo de arte complexa e incrível pode ser encontrada no litoral cearense, na praia de Morro Branco, no município de Beberibe, a 80 km de Fortaleza.

Antes de chegar até o Labirinto das Falésias, nosso objetivo nessa viagem, fizemos um passeio de buggy com direito a banho de mar e à contemplação de paisagens lindíssimas em praias paradisíacas e quase desertas. Saímos da praia de Uruaú e passeamos por cerca de duas horas. Passamos pela pequena Praia do Diogo e chegamos até a Praia das Fontes, onde há algumas grutas. A maior delas é a Gruta da Mãe D’água, esculpida pelas águas e belamente iluminada pelos raios solares. Aliás, sol é o que não falta nessa região do Brasil próxima à linha do Equador e repleta de praias de águas esverdeadas e temperatura agradável.

Da Praia das Fontes fomos para as famosas falésias avermelhadas que formam labirintos naturais erodidos na rocha porosa. O cenário é de tirar o fôlego e já foi utilizado como locação para filmes e séries, e é dali que eram extraídas as areias coloridas com as quais os artesãos locais produzem suas famosas garrafas com arte em areia. São mais de dez tipos de cores determinadas por substâncias como ferro, manganês e outras. O verde do mar e o tom avermelhado das falésias formam um quadro realmente muito bonito. O nome Morro Branco vem de uma duna branca e alta de onde se pode ver o lindo pôr do sol na região.

Caminhar pelos labirintos das falésias é uma experiência realmente interessante e logo na entrada do parque é possível comprar lembrancinhas feitas com areias da região, não mais do Parque das Falésias, pois são área de preservação.

Na vila próxima ao parque é possível encontrar artesãos como a senhora Maria José, que aprendeu a arte da silicografia com um tio. É o tipo de artesanato que passa de geração para geração. Faz mais de trinta anos que Maria trabalha com as areias coloridas e consegue fazer até cem garrafinhas por dia.

Se você encontrasse uma dessas obras de arte em algum lugar e alguém lhe dissesse que ninguém a fez, você acreditaria? Seria mais difícil acreditar nisso do que na inscrição na areia feita pelas ondas, não é mesmo? Ainda que eu não tivesse visto a dona Maria trabalhando nas garrafinhas, teria certeza de que aquela arte apurada só pode ser fruto de uma mente inteligente e de mãos habilidosas.

Nosso passeio terminou no alto de uma duna na Praia do Uruaú. Ali pudemos contemplar o pôr do sol, outra verdadeira obra de arte produzida não com areia, mas com raios solares, nuvens, gases atmosféricos e muito, muito bom gosto.

Quem criou os fótons, a atmosfera, a água, o vasto mar e nossos olhos capazes de admirar todas essas belezas? O mesmo artista que concedeu inteligência e habilidade aos silicografistas de Morro Branco.

Michelson Borges