Por que abandonei o darwinismo

micAbandonei a ideia da macroevolução e o naturalismo filosófico quando estudava no curso técnico de química, nos anos 1990, em Criciúma, SC, minha cidade natal. Sempre fui amante da ciência. Era leitor voraz de autores como Carl Sagan, Stephen Hawking, Isaac Asimov e outros. Por isso mesmo, sempre fui naturalmente cético. Quando soube que o darwinismo tinha graves insuficiências epistêmicas, fiquei surpreso e passei a estudar o assunto mais a fundo. Resolvi colocar em prática meu ceticismo até as últimas consequências.

Deparei-me com o argumento da complexidade irredutível, de Michael Behe, e com a tremenda dificuldade que o darwinismo tem em explicar a origem da informação complexa e específica. De onde surgiu a informação genética necessária para fazer funcionar a primeira célula? De onde proveio o acréscimo de informação necessária para dar origem a novos planos corporais e às melhorias biológicas? O passo seguinte foi buscar um modelo que me fornecesse respostas ao enigma do código sem o codificador, do design sem o designer, da informação sem a fonte informante.

Fiquei aturdido com a complexidade física do Universo e com a complexidade integrada da vida. Ao constatar uma vez mais que, para existir, a realidade depende de leis e constantes finamente ajustadas. Nessas pesquisas, descobri que o criacionismo é a cosmovisão que associa coerentemente conhecimento científico e conhecimento bíblico.

Então passei a estudar mais detidamente a Bíblia Sagrada, que me diziam ser a Palavra de Deus. Fiquei igualmente surpreso ao constatar que a arqueologia comprova a veracidade histórica desse livro milenar, e que as profecias detalhadamente cumpridas são outra evidência de sua origem singular. Só que essa leitura, esse estudo fez mais por mim do que apenas fornecer informações. À medida que eu estudava o Livro Sagrado, alguma coisa estava mudando em mim, em meu coração, em minha mente…

Nesse estudo, nessa busca, me descobri em boa companhia ao saber que grandes cientistas como Galileu, Copérnico, Newton, Pascal, Pasteur e outros não viam contradição significativa entre a ciência experimental e a teologia judaico-cristã. Usei meu ceticismo, fui atrás das evidências – levassem aonde levassem – e me surpreendi com uma interpretação simples e não anticientífica para as origens. Resultado? Tornei-me criacionista.

Minha busca não termina aqui. A fonte de conhecimento que se abriu diante de meus olhos é eterna como eterno é meu Criador. Encontrá-Lo foi a maior descoberta da minha vida!

Às vezes, é preciso duvidar para crer. Mas vale a pena.

Michelson Borges é jornalista (UFSC), especialista em Teologia (Unasp) e pós-graduando em Biologia Molecular (Cândido Mendes).

Palestra: Nos bastidores da mídia

Por que a Bíblia King James não é a melhor tradução disponível

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Em seu texto “Clássica e moderna”, o pastor e editor Fernando Dias escreveu: “Novas versões bíblicas confiáveis sempre foram valorizadas pelos adventistas. Na década de 1880, enquanto a English Revised Version era preparada, William C. White conversou sobre o assunto com sua mãe, Ellen G. White, que fez com que ele visse as vantagens de uma versão bíblica mais moderna, fiel aos originais e preparada por uma comissão interdenominacional. Segundo pesquisa feita por Arthur L. White sobre as versões da Bíblia usadas por sua avó, Ellen White sempre adotava o uso de versões bíblicas modernas e revisadas à luz das descobertas arqueológicas tão logo eram publicadas pelas sociedades bíblicas (‘The E. G. White Counsel on Versions of the Bible’, disponível whiteestate.org).”

De fato, a Sra. White se valeu extensivamente (mas não apenas) da Bíblia King James, afinal, era a tradução mais utilizada em seu tempo e em seu país. Mais ou menos como fazem a Igreja Adventista no Brasil e a Casa Publicadora Brasileira, ao utilizar majoritariamente a Almeida Revista e Atualizada (2ª Edição). É uma tradução perfeita? Claro que não, afinal, isso não existe. Por isso um bom hábito de leitura e estudo consiste em comparar diferentes traduções e não se prender a apenas uma.

No texto a seguir, o Dr. Daniel B. Wallace, professore no Dallas Theological Seminary e um dos maiores especialistas em grego bíblico, analisa a famosa Bíblia King James. Leia a tire suas conclusões. E mais importante: independentemente da versão ou tradução, não deixe de estudar sua Bíblia. Deus tomou providências para que, de um jeito ou de outro, ela chegasse até nós, no século 21, e em nossa língua! [MB]

Primeiro, quero afirmar com todos os cristãos evangélicos que a Bíblia é a Palavra de Deus, inerrante [sic], inspirada e nossa autoridade final de fé e vida. No entanto, em nenhum lugar da Bíblia é dito que apenas uma tradução dela é a correta. Em nenhum lugar é dito que a Bíblia King James é a melhor ou a única Bíblia “sagrada”. Não há nenhum versículo que diga como Deus preservará Sua palavra e garantia da própria Escritura para argumentar que a King James tem direitos exclusivos ao trono. Os argumentos se originam de outras fontes. Em segundo lugar, o texto grego que dá suporte à Bíblia King James é manifestamente inferior em certos lugares.

O homem que editou o texto era um sacerdote católico romano e humanista chamado Erasmus.[1] Ele estava sob pressão para levar o texto à imprensa o mais rápido possível visto que (a) nenhuma edição do Novo Testamento grego ainda havia sido publicada, e (b) ele tinha ouvido que o Cardeal Ximenes e seus associados estavam prestes a publicar uma edição do Novo Testamento grego e estava numa corrida para vencê-los. Consequentemente, sua edição foi chamada de o volume mais mal editado em toda a literatura! Está cheio de centenas de erros tipográficos que até mesmo Erasmus reconheceria posteriormente.

Dois lugares merecem uma menção especial. Nos últimos seis versículos de Apocalipse, Erasmus não tinha manuscrito grego (ele usava apenas meia dúzia; muitos manuscritos eram tardios para todo o Novo Testamento, de qualquer maneira). Ele foi, portanto, forçado a “traduzir de volta” do latim para o grego e, ao fazê-lo, criou dezessete variantes que nunca foram encontradas em nenhum outro manuscrito grego do Apocalipse. Ele simplesmente adivinhou o que o grego poderia ter sido. Em segundo lugar, para 1 João 5: 7, 8, Erasmus seguiu a maioria dos manuscritos na leitura “há três testemunhas no céu, o Espírito e a água e o sangue”. No entanto, houve um alvoroço em alguns círculos da Igreja Católica porque seu texto não dizia “há três testemunhas no céu, o Pai, a Palavra e o Espírito Santo”. Erasmus disse que não colocou isso no texto porque não encontrou nenhum manuscrito grego que tivesse essa leitura.

Esse desafio implícito  – isto é, que, se ele encontrou uma leitura em qualquer manuscrito grego, colocaria em seu texto  – não passou despercebido. Em 1520, um escriba em Oxford chamado Roy fez um manuscrito grego assim (Códex 61, agora em Dublin). A terceira edição de Erasmus teve uma segunda leitura porque um manuscrito grego foi “feito sob encomenda” para preencher o desafio. Até hoje apenas um punhado de manuscritos gregos que têm a fórmula trinitária em 1 João 5:7, 8 foi descoberto, embora nenhum deles seja comprovadamente anterior ao século 16.

Isso ilustra algo bastante significativo em relação à tradição textual que dá suporte à King James. Provavelmente, a maioria dos críticos textuais hoje concorda plenamente com a doutrina da Trindade (e, claro, todos os evangélicos que trabalham com crítica textual). E a maioria gostaria de ver a Trindade explicitamente ensinada em 1 João 5:7, 8. Mas a maioria rejeita essa leitura como uma invenção de algum escriba excessivamente zeloso. O problema é que a Bíblia King James está cheia de leituras que foram criadas por escribas excessivamente zelosos! Poucas das leituras distintivas da King James são demonstravelmente antigas. E a maioria dos críticos textuais apenas adota a proposição razoável de que os manuscritos mais antigos tendem a ser mais confiáveis, uma vez que se aproximam da data dos autógrafos originais. Eu mesmo amaria ver muitas das leituras da King James preservadas.

A história da mulher apanhada em adultério (João 7:53-8:11) sempre foi uma das minhas preferidas, pois trata acerca da graça de nosso Salvador Jesus Cristo. Que Jesus é chamado de Deus em 1 Timóteo 3:16, o que confirmaria a minha visão sobre Ele (cf. também João 3:13; 1 João 5: 7, 8, etc). Mas quando as evidências textuais me mostram que os escribas tinham uma forte tendência para adicionar, em vez de subtrair, e que a maioria dessas adições são encontradas nos manuscritos mais recentes, em vez de nos mais antigos, acho intelectualmente difícil aceitar essas respectivas passagens que sempre emocionalmente abracei.

Em outras palavras, aqueles estudiosos que não consideram muitas dessas passagens favoritas do Novo Testamento não fazem isso por maldade, mas porque tais passagens não são encontradas nos melhores e mais antigos manuscritos. No entanto, deve-se considerar enfaticamente que isso não significa que as doutrinas contidas nesses versículos tenham sido prejudicadas. Minha crença na deidade de Cristo, por exemplo, não vive nem morre por causa de 1 Timóteo 3:16. Na verdade, tem sido repetidamente afirmado que nenhuma doutrina da Escritura foi afetada por essas diferenças textuais. Se isso é verdade, os defensores da “King James somente” podem estar fazendo tempestade num copo d’água, em vez de se ocuparem com os aspectos mais importantes do avanço do evangelho.[2]

Em terceiro lugar, a Bíblia King James sofreu três revisões desde a sua criação em 1611, incorporando mais de 100 mil mudanças. Que Bíblia King James é inspirada mesmo?

Em quarto lugar, 300 palavras encontradas na Bíblia King James original não têm mais o mesmo significado hoje  – por exemplo, a palavra “suffer”, em Matues 19:14. Outro exemplo é a palavra “study”, em 2 Timóteo 2:15. Devemos realmente abraçar uma Bíblia como a melhor tradução quando esta usa uma linguagem que não só não é mais claramente entendida, mas, na verdade, tem sido pervertida e torcida?[3]

Em quinto lugar, a King James inclui um erro muito definido na tradução, o que até mesmo os defensores dessa versão admitiriam. Em Mateus 23:24, a King James tem “coais um mosquito e engolis um camelo”. Mas o grego traz “coou um mosquito e engoliu um camelo”. No mínimo, isso ilustra não só o fato de que nenhuma tradução é infalível, mas também que as corrupções de um escriba podem acontecer e acontecem  – mesmo em um volume que foi trabalhado por tantas mãos diferentes (pois a King James foi o produto de um comitê com mais de cinquenta estudiosos).[4]

Em sexto lugar, quando a King James foi publicada pela primeira vez, ela encontrou forte resistência por ser muito fácil de entender. Algumas pessoas a reverenciam hoje porque a versão é difícil de entender. Receio que parte dessa atitude seja devida ao orgulho: alguns sentem que são capazes de discernir algo que outras pessoas menos espirituais não podem. Muitas vezes, 1 Coríntios 2:13-16 é citado com referência à essa versão (no sentido de que “você o entenderia se fosse espiritual”). Tal uso desse texto bíblico, no entanto, é uma grosseira distorção das Escrituras. As palavras no Novo Testamento, a gramática, o estilo, etc. – em suma, o idioma – foram compreendidos em linguagem comum do primeiro século. Fazemos um grande desserviço a Deus quando tornamos o evangelho mais difícil de entender do que o pretendido. A razão pela qual as pessoas não espirituais não entendem as Escrituras é porque elas têm um problema volitivo e não um problema intelectual (cf. 1Co 2:14, onde “receber”, “acolher” demonstra claramente que o que bloqueia o entendimento é a vontade pecadora do ser humano).

Em sétimo lugar, aqueles que defendem que a King James tem direitos exclusivos sobre a chamada Bíblia Sagrada são sempre, curiosamente, pessoas de língua inglesa (normalmente americanos isolados). No entanto, a boa tradução de Martinho Lutero da Bíblia para o alemão antecedeu a King James em quase cem anos. Somos tão arrogantes ao dizer que Deus falou apenas em inglês! E onde há discrepâncias substanciais entre a Bíblia de Lutero e a King James (como em 1 João 5: 7, 8), vamos dizer que Deus inspirou a ambos? Ele é o autor da mentira? Nossa fé não descansa em uma tradição singular, nem é provincial. O cristianismo bíblico e vibrante nunca deve se unir ao provincialismo. Caso contrário, o esforço missionário, dentre outras coisas, morreria.

Oitavo, novamente deixe-me repetir um ponto anterior: a maioria dos evangélicos que abraçam todas as doutrinas principais da fé – preferem uma tradução e uma base textual diferentes das que estão na King James. Na verdade, mesmo os editores da Nova Bíblia de Scofield (que é baseada na King James) preferem um texto/tradução diferente! [N.T.: Nos EUA, a adesão à King James é verificada mais nos círculos dispensacionalistas e fundamentalistas, porém, há alguns adeptos reformados que têm a mesma abordagem de defesa dessa tradução. No Brasil, a Bíblia preferencial dos reformados, Bíblia de Estudo de Genebra, adotou a versão Almeida Revista e Atualizada, que discorda levemente da ACF/King James.]

Finalmente, embora seja verdade que as traduções modernas “omitem” certas palavras e versos (ou, inversamente, que a King James acrescenta à Palavra de Deus, dependendo do ponto de vista), a questão não é tão simples assim. Na verdade, a edição mais recente de um Novo Testamento grego baseado em quantidade de manuscritos (i.e. o Texto Majoritário), em vez da antiguidade (e, portanto, esse tipo de Novo Testamento permanece firmemente dando algum apoio à tradição King James), quando comparado ao padrão do Novo Testamento grego usado na maioria das traduções modernas, corta também mais de 650 palavras ou frases. Assim, não é apropriado sugerir que apenas as traduções modernas omitem algumas palavras; o texto grego (Texto Majoritário) por trás da King James omite também. A questão, então, não é se as traduções modernas eliminaram porções da Palavra de Deus, mas sim se a King James ou as traduções modernas alteraram a Palavra de Deus. Eu argumento que a King James alterou muito mais drasticamente as Escrituras do que as traduções modernas. No entanto, repito: a maioria dos críticos textuais nos últimos 250 anos diria que nenhuma doutrina é afetada por essas mudanças. Alguém pode ser salvo lendo a ACF/King James ou a NVI, ARA, NTLH, etc.

Estou confiante de que esta breve pesquisa sobre minhas razões de a Bíblia King James/ACF não se apresentar como a melhor tradução disponível não será descartada rapidamente. Todos nós temos uma tendência de fazer motins e, em seguida, fortalecer nossas divisas. Muitas vezes nos apegamos às emoções, e não à verdadeira piedade. E, como tal, fazemos um grande desserviço para um mundo moribundo que precisa desesperadamente de uma voz clara e forte que proclama o evangelho de Jesus Cristo. Soli Deo gloria!

Mais um ponto precisa ser dito. Com a publicação recente de vários livros, vilipendiando traduções modernas, afirmando que essas traduções são apoiadas por motivos conspiratórios, uma palavra deve ser mencionada sobre essa teoria. Primeiro, muitos desses livros são escritos por pessoas que têm pouco ou nenhum conhecimento de grego ou hebraico e, além disso, são uma grande distorção dos fatos. Eu tenho lido livros sobre crítica textual há mais de um quarto de século, mas nunca vi citações tão ilógicas, fora do contexto e lamentáveis decepções sobre isso como tenho observado nesses livros recentes. Em segundo lugar, embora muitas vezes seja afirmado que os hereges produziram alguns dos manuscritos do Novo Testamento que agora temos em nossa posse, há apenas um grupo de manuscritos conhecido por ser produzido por heréticos: certos manuscritos bizantinos do livro de Apocalipse. Isso é significativo porque o texto bizantino dá suporte ao texto da ACF/King James. Esses manuscritos fizeram parte de um livro-texto de culto misterioso usado por vários cultos primitivos. Mas os defensores da King James constantemente fazem acusação de que os primeiros manuscritos (o manuscrito de Alexandria) foram produzidos por hereges. A única base para essa acusação é que certas leituras nesses manuscritos são desagradáveis ​​para eles. Em terceiro lugar, quando se examinam as variações entre o texto grego por trás da King James (o Textus Receptus) e o texto grego das traduções modernas, descobre-se que a grande maioria das variações são tão triviais que sequer podem ser traduzidas (a mais comum é a letra grega nu móvel, que é semelhante à diferença entre “que” e “quem”). Em quarto lugar, quando se compara o número de variantes que se encontram nos vários manuscritos com as variações reais entre o Textus Receptus e os melhores testemunhos do texto grego, verifica-se que esses dois são notavelmente similares. Existem mais de 400 mil variantes textuais entre os manuscritos do Novo Testamento. Mas as diferenças entre o Textus Receptus e os textos baseados nas melhores testemunhas textuais do grego são cerca de cinco mil – e a maioria dessas diferenças é intraduzível. Em outras palavras, mais de 98% da vezes, o Textus Receptus e as edições críticas concordam. Aqueles que vilipendiam as traduções modernas e os textos gregos por trás deles evidentemente nunca investigaram os dados. Seus apelos são baseados em grande parte na emoção, não na evidência. Como tal, eles fazem uma injustiça para o cristianismo histórico, bem como para os homens que estavam por trás da Bíblia King James. Esses estudiosos, que admitiram que esse tipo de trabalho de crítica textual era provisório e não definitivo (como pode ser visto pelo prefácio e por suas mais de oito mil notas marginais que indicam leituras alternativas), acolheriam de todo o coração as grandes descobertas de manuscritos ocorridas nos últimos 150 anos.

(Dr. Daniel Wallace, Bible.org, via Medium; tradução de Evandro Junior)

[1] Um humanista no século 16 não é o mesmo que um humanista hoje. Erasmus era geralmente tolerante com outros pontos de vista e estava particularmente interessado nas ciências humanas. Embora ele fosse um amigo de Melanchthon, o braço direito de Lutero, Lutero não simpatizava com ele.

[2] É significativo que o próprio Erasmus fosse bastante progressivo em seu pensamento, e dificilmente seria a favor de como os defensores da “King James Somente” o abraçaram como seu campeão. Por exemplo, cada uma de suas edições do NT grego alternava entre o latim de um lado e o grego do outro. O latim era sua própria tradução, e deveria melhorar a Vulgata latina de Jerônimo – uma tradução que a Igreja Católica havia declarado inspirada. Por essa razão, a Universidade de Cambridge baniu imediatamente o Novo Testamento de Erasmus, e outros seguiram o exemplo. Em outro lugar, Erasmus chegou a questionar se a perícope da mulher adúltera (a história da mulher capturada em adultério [João 7:53-8:11]), o fim mais longo de Marcos (16:9-20), etc., eram autênticos.

[3] “Sofrer” em Mateus 19:14 significa “permissão”; “Estudar” em 2 Timóteo 2:15 significa “ser ansioso, ser diligente”. Veja o Oxford English Dictionary (o maior dicionário completo da língua inglesa) para obter ajuda aqui: traça os usos das palavras através de sua história, identificando o ano em que um novo significado entrou em voga. [N.T.: O autor fala das palavras “suffer”, “permit”, “study” que tinham significados bem diferentes em 1611 quando comparadas ao inglês moderno. Como a ACF deriva da King James, a tradução para o português também está de acordo com a versão moderna do inglês, e não de acordo com o antigo significado da tradução.]

[4] Há outros erros na King James que persistem até hoje, mesmo que essa tradução tenha passado por várias edições. Por exemplo, em Hebreus 4:8 se lê: “Pois, se Jesus lhes tivesse dado descanso, então Ele não teria depois falado de outro dia.” Isso soa como se Jesus não tivesse proporcionado o eterno descanso que todos desejamos. No entanto, a palavra grega para Jesus é a mesma palavra para Josué. Ademais, no contexto de Hebreus 4, obviamente, Josué é o significado pretendido. Não há problema textual aqui; é simplesmente um erro por parte dos tradutores, perpetuado nos últimos 400 anos em todas as edições da King James.

A batalha de todo homem

batalhaA advertência logo no início já mostra que o livro não traz meias verdades e usa de rara franqueza: “Este livro é sempre muito explícito no modo como os co-autores descrevem as lutas do passado – as deles e as dos outros – em relação à pureza sexual. Por causa da comunicação franca com os leitores que encaram lutas semelhantes, nosso objetivo tem sido o de alcançar a sinceridade sem causar nenhuma ofensa, tornando assim mais fácil para os homens encararem qualquer obscuridade e serem impulsionados pela graça e pelo poder de Deus a compartilhar de maneira ativa de Sua santidade.”

O livro em questão é A Batalha de Todo Homem, da editora Mundo Cristão (249 págs.), e os co-autores são Stephen Arterburn, palestrante e escritor de renome, e Fred Stoeker, conferencista e conselheiro de casais. E, de fato, a franqueza está presente em cada página, dando a impressão de se tratar de uma conversa “de homem para homem” (mas que também pode ser muito instrutiva e esclarecedora para as mulheres).

Na Introdução, os autores colocam o problema para o qual se propõem oferecer soluções: “Você [homem] está em uma posição difícil, vive em um mundo levado pela maré de imagens sensuais, disponíveis 24 horas por dia, em uma grande variedade de mídias: impressos, televisão, vídeos, internet – até mesmo telefones. Mas Deus lhe oferece a liberdade da escravidão do pecado através da cruz de Cristo, e foi Ele que criou os seus olhos e a sua mente com a capacidade de serem treinados e controlados. Basta permanecer firme e andar, pelo Seu poder, no caminho correto.” Essa é a batalha do título do livro – contra a sensualidade e a imoralidade – e o “caminho correto” é apontado pelos autores, por meio de seu próprio testemunho de queda e vitória.

Depois de falar de sua vida imoral e promíscua, Fred relata sua conversão, mas afirma que ainda havia “datalhes” para serem entregues a Jesus. E esses detalhes o impediam de crescer na fé. Ele diz: “Logo ficou claro que eu estava muito abaixo da santidade. Ainda havia os encartes de publicidade [com mulheres sensuais], as insinuações e os olhos sempre atentos que buscavam algo. Minha mente continuava a sonhar acordada e a fantasiar com as antigas namoradas. Isso era muito mais do que um sinal de imoralidade sexual. Eu estava pagando o preço, e as contas estavam se acumulando. Primeiro, nunca conseguia olhar Deus nos olhos. Nunca conseguia adorá-Lo completamente. Pelo fato de sonhar com outras mulheres e preferir me divertir mentalmente com as lembranças das conquistas sexuais do passado, eu sabia que era um hipócrita e continuava a me sentir distante de Deus. […] Minha vida de oração era débil. […] Meu casamento também passava por maus momentos. Por causa do meu pecado, eu não conseguia confiar totalmente em Brenda, sem deixar de temer que ela pudesse me abandonar mais tarde. […] Na igreja, eu era um engravatado oco. […] Finalmente eu estabeleci a conexão entre minha imoralidade sexual e minha distância de Deus. Eu estava pagando multas pesadas em todas as áreas da minha vida. Tendo eliminado os adultérios e a pornografia visível, eu parecia puro exteriormente, para as outras pessoas. Mas para Deus faltava muita coisa. Eu havia encontrado meramente um terreno intermediário, algum lugar entre o paganismo e a obediência às Leis de Deus.”

Você conhece algum homem assim? Fred era assim, mas pelo poder de Deus conseguiu tornar-se um homem puro e feliz em seu casamento. Como? É disso que o livro trata.

Na página 107, os autores acrescentam: “Admita: você ama sua euforia sexual, mas a escravidão o oprime. O amor é digno desta repugnância? Ser achado em falta com relação aos padrões de Deus está correto? Olhe-se no espelho. Você tem orgulho das suas fantasias sexuais? Ou você se sente rebaixado após olhar anúncios de lingerie ou cenas de sexo em filmes? Sexualmente falando, você tem uma febre de nível baixo. Isso não mutila ninguém, mas também não o deixa saudável. Você pode exercer vários tipos de funções normalmente, mas não pode pegar pesado. Em outras palavras, você sobrevive. E se essa febre não for embora, nunca poderá agir como um cristão. Assim como o filho pródigo, você precisa despertar e tomar uma decisão.”

Mas, afinal, o que o homem que enfrenta esse tipo de luta deve fazer? Os autores sugerem a construção de três “perímetros de defesa”:

1. Com os olhos
2. Em sua mente
3. Em seu coração

O objetivo é a pureza sexual, e o livro traz uma boa definição disso: “Você é sexualmente puro quando seu prazer sexual provém de ninguém ou nada além de sua esposa.”

No primeiro perímetro (o dos olhos), a proposta é fazer uma aliança com os olhos, exatamente como fez Jó: “Fiz uma aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela?” Jó 31:1. Para isso, são necessárias duas etapas:

1. Faça um estudo de si próprio. Como e onde você está sendo mais atacado?
2. Defina sua defesa para cada um dos maiores inimigos que você identificou.

Quais são as fontes mais óbvias e abundantes de imagens sensuais, além de sua esposa? Para onde você olha com mais frequência? Onde você é mais fraco?

No caso de Fred, seus maiores inimigos eram:

1. Anúncios de lingerie.
2. Corredoras em shorts agarrados de náilon.
3. Outdoors que mostram mulheres seminuas.
4. Comerciais de cerveja com mulheres de biquíni.
5. Filmes censurados.
6. Recepcionistas com blusas curtas ou agarradas.

Fred faz uma analogia para exemplificar o problema das revistas com capas sensuais que são permitidas na casa de quem luta para ter mente pura: “Se uma mulher de seios fartos vestida com um minibiquíni viesse até sua casa e se sentasse em sua mesa do café e dissesse: ‘Sentarei aqui apenas por um instante, mas prometo partir logo no fim do mês’, você a deixaria ficar para atrair seus olhos toda vez que entrasse na sala? Acho que não. Então por que você lhe permite ficar ali na forma de fotografia?”

Sobre imagens sensuais que aparecem em comerciais de cerveja, por exemplo, a recomendação é mudar de canal imediatamente. “Quando seus filhos o observarem mudar de canal, você servirá de exemplo vivo de santidade em sua casa, e isso lhes servirá de ótimo exemplo.” E sobre filmes? “Temos uma ótima regra em casa. Qualquer vídeo inapropriado para as crianças será provavelmente inapropriado para os adultos. Com essa regra em vigor, os filmes sensuais nunca foram um problema em nosso lar.”

Outra analogia interessante: “Considere a antiga série de TV Jornada nas Estrelas. O que o capitão Kirk fazia quando o perigo se aproximava? Ele gritava: ‘Alerta vermelho! Escudos preparados!’ Numa linha semelhante, quando uma mulher atraente se aproximar do seu curral [comparação feita no capítulo 15], seu perímetro de defesa deve responder imediatamente: Alerta vermelho! Escudos preparados! […] se seus escudos não estiverem levantados, e se você não reconhecer a ameaça ao seu casamento, você está brincando com o perigo.”

Com o segundo perímetro (a mente), “você não só bloqueia os objetos de luxúria, como também os avalia e os captura”, explicam os autores. “Um versículo-chave para apoiá-lo nesse estágio está em 2 Coríntios 10:5: ‘Levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.’” Segundo eles, a meta é privar os olhos de todas as coisas sensuais além da esposa. Para os solteiros, isso significa distanciar os olhos de todas as coisas sensuais. “Isso o ajudará a vencer o desejo pelo sexo antes do casamento com a mulher que namora”, garantem. “Se você privar seus olhos assim como os homens casados, verá sua companheira como uma pessoa, e não como um objeto.”

Os conselhos são muitos. As experiências e testemunhos, abundantes. É um livro que realmente vale a pena. Homem que é Homem, lê.

Michelson Borges

Vem aí mais um Impacto Esperança. Participe!

No próximo sábado, como acontece todos os anos, milhões de adventistas em toda a América o Sul irão às ruas para entregar gratuitamente livros que têm como objetivo criar pontes entre a igreja e a população. O livro deste ano – Esperança Para a Família – tem como objetivo abençoar as famílias, instituição sagrada tão atacada nestes tempos. Minha família e eu iremos a Suzano, SP, ajudar a igreja de lá na distribuição. No dia 13 de março deste ano, aquela cidade foi abalada com o massacre de oito pessoas em uma escola pública (leia aqui). Entre os mortos estava o desbravador Samuel Melquíades de Oliveira, de 16 anos. Vou pregar na Igreja Adventista Central da cidade e depois nos uniremos na ação missionária. Também faremos uma visita à família enlutada. Ore pelo Impacto Esperança, ore pelas famílias de Suzano e se envolva nesse projeto abençoado. O mundo precisa de esperança e Jesus precisa voltar.

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Estadão tenta “lacrar” requentando velhos argumentos anticriacionistas

Darwin1Com o título infame “Fósseis transicionais, evolução biológica e a infâmia do criacionismo”, o jornal O Estado de S. Paulo publicou na editoria de ciência uma matéria que tenta associar os movimentos tectônicos (para os quais há muitas evidências, como os terremotos) com a teoria da evolução, na qual ainda hoje há muitas lacunas, especialmente quando o assunto é a macroevolução. Trata-se de argumentos requentados e reapresentados com o intuito de reforçar o discurso evolucionista e acuar os criacionistas. Para que o discurso se mantenha, é preciso que de quando em quando uma matéria “lacradora” seja publicada em algum jornal ou alguma revista de divulgação popular, de preferência com um título bombástico tipo “a infâmia do criacionismo”. Já que a maioria absoluta das pessoas lê apenas os títulos das matérias, o propósito se cumpre, pois elas seguem para o dia a dia pensando que mais uma vez o criacionismo foi encurralado.

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Família: segredos para a unidade familiar

familiaNessa semana estudamos alguns “segredos” indispensáveis para manter a unidade familiar. Vamos refletir agora sobre a importância de cada um deles.

Perguntas para discussão e aplicação

1. Igualdade. Como você entende Gálatas 3:28? De que forma essa igualdade melhora a unidade familiar?

2. Amor. Leia 1 Tessalonicenses 3:12. Como podemos tornar nossas essas mesmas palavras? Por que isso é tão necessário (ver João 13:35)? O que falta para que isso se torne real na nossa vida e na da igreja?

3. Leia 1 Coríntios 13:4-8 substituindo a palavra “amor” (ou “caridade”) pelo seu próprio nome. Por que isso torna as frases tão “imprecisas” ou “incorretas”? O que deve mudar em sua vida para que essas mesmas frases continuem verdadeiras mesmo com o seu nome no lugar da palavra “amor”?

4. Ser “um”. Veja esse trecho da oração de Jesus em João 17:22. O que significa sermos “um” assim como Jesus e o Pai o são? Como é possível que isso seja real nos dias de hoje?

5. Abnegação. De que forma o egoísmo destroi a unidade tanto da família sanguínea quanto da igreja? Qual é o remédio para eliminar esse mal?

6. Submissão. Conforme Efésios 5:21, por que devemos ser “submissos” uns aos outros? O que significa isso na prática? Sendo assim, como o marido pode ser “submisso” à esposa e vice-versa? O que precisamos fazer para nos tornar assim?

7. Além dos “segredos para a unidade familiar” que discutimos nesta lição, que outro “segredo” você incluiria? Por quê?

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR