Cuidado! Somos todos viciados em distração

smartphoneCerta noite, no começo do último verão, eu abri um livro e me flagrei relendo o mesmo parágrafo de novo e de novo, uma meia dúzia de vezes, até me dar conta de que não adiantava continuar. Eu estava simplesmente incapaz de me concentrar o suficiente. Fiquei horrorizado. Ao longo de toda a minha vida, ler sempre foi uma fonte profunda e consistente de prazer, aprendizado e consolação. Agora os livros que eu comprava com regularidade tinham começado a se empilhar na minha mesinha de cabeceira e me encaravam com um olhar silencioso de reprovação. Eu vinha passando tempo demais online, em vez de ler, verificando o número de visualizações do site da minha empresa, comprando mais meias coloridas na Gilt e na Rue La La, por mais que eu já tivesse mais meias do que precisava. […]

No trabalho, eu olhava o e-mail com mais frequência do que eu admitia e passei tempo demais procurando ansiosamente por informações novas sobre a campanha presidencial, por mais que fosse demorar ainda mais um ano até virem as eleições. “A internet é feita para ser um sistema de interrupção, uma máquina configurada para dividir as nossas atenções”, explica Nicholas Carr em seu livro A Geração Superficial: O que a internet está fazendo com os nossos cérebros. “Aceitamos de bom grado a perda de concentração e foco, a divisão de nossa atenção e a fragmentação de nossos pensamentos, em troca de recebermos uma fortuna de informações interessantes ou, pelo menos, capazes de nos distrair.”

Um vício é a atração implacável a uma substância ou atividade, que se torna tão compulsiva que acaba interferindo com a vida cotidiana. Indo por essa definição, quase todo mundo que conheço tem algum grau de vício na internet. Pode-se dizer até que ela já substituiu o trabalho como o vício mais socialmente aceito hoje.

Segundo uma pesquisa recente, o empregado médio num escritório gasta cerca de seis horas por dia só com e-mail. Essa estatística não inclui o tempo online gasto com compras, buscas ou acompanhando redes sociais.

A fome do cérebro por novidades, estimulação constante e gratificação instantânea cria algo chamado de “ciclo da compulsão”. Como ratos de laboratório ou viciados em drogas, precisamos de doses cada vez mais fortes para obter o mesmo efeito. O problema é que nós humanos temos um reservatório bastante limitado de força de vontade e disciplina. Nossa chance de sucesso é muito maior se tentarmos mudar um comportamento só por vez, idealmente no mesmo horário todos os dias, de modo que ele se torne rotina, exigindo cada vez menos energia para manter.

O acesso infinito a novas informações também sobrecarrega com facilidade nossa memória de trabalho. Quando atingimos a sobrecarga cognitiva, nossa capacidade de transferir o aprendizado para a memória de longo prazo se deteriora significativamente. É como se o cérebro tivesse se tornado um copo cheio d’água e qualquer gota a mais o fizesse transbordar.

Faz muito tempo que estou ciente disso. Comecei a escrever sobre o assunto há mais de 20 anos já. Todos os dias explico isso para os meus clientes, só que eu mesmo nunca acreditei de verdade que uma coisa dessas pudesse valer para mim. A negação é a primeira defesa do viciado. Nenhum obstáculo para a recuperação é maior do que a capacidade infinita de racionalizarmos nossos comportamentos compulsivos. Após anos sentindo que eu estava me virando razoavelmente bem, no último inverno acabei caindo num período intenso de viagens enquanto tentava, ao mesmo tempo, gerenciar uma empresa de consultoria em crescimento. No começo do verão, de repente me dei conta de que eu não estava me virando tão bem assim, e tampouco me sentia bem com isso.

Além de passar muito tempo na internet e sentir minha atenção se dispersar, eu também não estava me alimentando direito. Eu bebia refrigerante diet em excesso e com muita frequência tomava um drinque a mais por noite. Também tinha parado de me exercitar diariamente, como tinha sido o meu costume a vida inteira.

Em resposta, criei um plano cuja ambição beirava o irracional. Durante os 30 dias que se seguiram, tentei corrigir esses comportamentos e muitos outros, tudo de uma vez. Era um surto de grandiosidade, o exato oposto do que recomendo para os meus clientes todos os dias. Mas eu tinha racionalizado que ninguém tem um maior comprometimento com o autoaperfeiçoamento do que eu. Esses comportamentos estão todos interligados. “Eu consigo”, eu pensava.

Pude obter algum sucesso naqueles 30 dias. Apesar das tentações, consegui parar totalmente de beber refrigerante diet e álcool (três meses depois, eu continuo sem beber refrigerante). Também abri mão de açúcar e carboidratos como macarrão e batata. Voltei a me exercitar com regularidade. Foi com um único comportamento que fracassei por completo: reduzir meu tempo na internet. Meu compromisso inicial era o de impor limites à minha vida online. Decidi que só iria olhar o e-mail três vezes por dia: quando acordasse, na hora do almoço e antes de ir para casa no fim do dia. No primeiro dia, aguentei firme até a metade da manhã, então entrei em crise. Eu era como um viciado em doces trabalhando numa confeitaria, tentando resistir à vontade de comer um cupcake.

O que derrotou a minha força de vontade naquela primeira manhã foi a sensação de que eu tinha a completa necessidade de mandar algum e-mail para alguém sobre um assunto urgente. Eu dizia a mim mesmo que, se eu só redigisse o e-mail e apertasse “enviar” rapidinho, isso não contaria como entrar na internet. O que não levei em consideração foi o fato de que novos e-mails chegavam na minha caixa de entrada enquanto eu escrevia. Nenhum deles precisava de resposta urgente, mas, mesmo assim, para mim era impossível resistir à tentação de dar uma espiadinha na primeira mensagem que tivesse algo interessante no assunto. Depois a segunda. E a terceira.

Em questão de momentos, eu estava de volta ao mesmo ciclo vicioso. No dia seguinte, desisti de tentar reduzir meu tempo online. Em vez disso, me concentrei na tarefa mais simples de resistir ao refrigerante diet, ao álcool e ao açúcar. Mesmo assim, eu estava determinado a tentar de novo o meu desafio com a internet. Várias semanas depois do fim do meu experimento de 30 dias, saí de casa para passar um mês de férias. Era uma oportunidade para concentrar a minha limitada força de vontade num único objetivo: me libertar da internet, numa tentativa de recuperar o controle sobre a minha atenção.

Eu já tinha dado o primeiro passo para a minha recuperação: admitir minha incapacidade de me desconectar. Agora era a hora da desintoxicação. O segundo passo tradicional – a crença de que só um poder superior poderia me ajudar a recuperar a sanidade – eu interpretei de um modo mais secular. O poder superior se tornou a minha filha, de 30 anos, que desconectou o meu celular e notebook do e-mail e da internet. Livre do fardo do conhecimento técnico, eu não fazia ideia de como proceder para reconectar qualquer um dos dois.

De fato, eu me sinto mais controlado agora. Minha atenção está mais dirigida e menos automática. Quando fico online, tento resistir à vontade de navegar até dizer chega. Sempre que possível, tento perguntar a mim mesmo: “É isso mesmo que eu queria estar fazendo?” Se a resposta for negativa, a minha segunda pergunta é: “O que eu poderia estar fazendo que eu acho que seria mais produtivo, mais satisfatório ou mais relaxante?”

Acabei deixando uma só brecha para contato, que foi a mensagem de texto. Em retrospecto, era como se eu estivesse agarrado a um bote salva-vidas digital. Pouquíssimas pessoas na minha vida se comunicam comigo por mensagem de texto. Como estava de férias, na maior parte essas pessoas eram familiares, e as mensagens só continham informações sobre onde nos encontraríamos em vários pontos ao longo do dia.

Nos primeiros dias, eu de fato sofri com a crise de abstinência, o pior sendo a vontade de abrir o Google para sanar alguma dúvida qualquer que surgisse. Mas, a cada dia que se passava offline, eu me sentia mais relaxado, menos ansioso, mais concentrado e com menos fome de estímulos breves e instantâneas. O que aconteceu com o meu cérebro é exatamente o que eu esperava que fosse acontecer: ele começou a sossegar.

Eu havia trazido comigo, nessas férias, mais de uma dúzia de livros, de tamanhos e níveis de dificuldade variados. Comecei com não-ficção breve, depois passei para a não-ficção longa, conforme fui me sentindo mais calmo e mais concentrado. […] Na medida em que as semanas foram passando, consegui abrir mão da minha necessidade de fatos como fonte de gratificação. Em vez disso, passei então para os romances. […]

Estou de volta ao trabalho agora, e, por isso, é claro, de volta à internet. Não é como se fosse possível abrir mão da internet, e ela ainda vai consumir muito da minha atenção. Meu objetivo no momento é encontrar o melhor equilíbrio possível entre o meu tempo online e offline.

Também faço questão agora de incluir atividades mais envolventes no meu dia a dia. Sobretudo, eu continuei minhas leituras, não só porque amo ler, mas também como parte da minha prática para melhorar a atenção. Outra coisa foi que eu mantive ainda meu ritual antigo de decidir na noite anterior qual será a coisa mais importante que devo fazer no dia seguinte. Seja o que for, ela acaba sendo a minha primeira atividade de trabalho, à qual dedico de 60 a 90 minutos ininterruptos de concentração. Depois, faço um intervalo de 10 a 15 minutos para a mente sossegar e recobrar as energias.

Se tiver mais trabalho ao longo do dia que exija concentração ininterrupta, eu saio completamente da internet durante períodos determinados, repetindo o meu ritual matutino. De noite, quando vou para o quarto, quase sempre deixo meus aparelhos digitais no andar de baixo.

Por fim, agora eu me sinto comprometido a tirar pelo menos um período de férias digitais por ano. Tenho o privilégio raro de poder tirar várias semanas de folga por vez, mas aprendi que até uma única semana offline já é capaz de ter profundos efeitos restauradores.

Por vezes, eu me flagro revendo mentalmente uma imagem assombrosa do meu último dia de férias. Eu estava sentado num restaurante com a família quando um homem com uns 40 e poucos anos chegou e sentou com a filha, que devia ter uns 4 ou 5 anos e era uma graça. Assim que o homem chegou, ele concentrou sua atenção quase de imediato no celular. Enquanto isso, sua filha era um redemoinho de energia e inquietude, subindo no assento, andando em cima da mesa, acenando e fazendo careta para chamar a atenção do pai. Exceto por brevíssimos momentos, porém, ela não conseguiu chamar sua atenção e acabou desistindo depois de um tempo, com tristeza. O silêncio era ensurdecedor.

(Gazeta do Povo)

Nota: Talvez, nestes tempos de imersão digital que rouba nossa atenção e nosso tempo para o que realmente vale a pena, um dos textos bíblicos mais oportunos seja este: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Salmo 46:10). Que tal praticar o hábito de se desconectar de quando em quando para se relacionar, ler bons livros, meditar e estudar a Bíblia? Se não criarmos esses hábitos, pior do que o que aconteceu com o autor do texto acima, não perderemos apenas a capacidade de concentração, perderemos nossa espiritualidade e nossa comunhão com Deus. Pense nisso. [MB]

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O desbravador Samuel e o balão que viajou quase 20 km

balaoO 13 de março deste ano nunca mais será esquecido. Na trágica manhã daquele dia, dois terroristas invadiram a escola Raul Brasil, em Suzano, SP, e atiraram contra funcionários e adolescentes, levando à morte oito pessoas. Entre as vítimas estava Samuel Melquíades de Oliveira, de 16 anos. Adventista do sétimo dia e desbravador, Samuel honrou a lei do clube do qual fazia parte, que diz: “Pela graça de Deus, serei puro, bondoso e leal; guardarei a lei do desbravador, serei servo de Deus e amigo de todos.” Segundo testemunhas, Samuel morreu enquanto protegia colegas. De fato, ele honrou os ideais do Clube de Desbravadores, e mais do que isso, os de um verdadeiro cristão, afinal, “ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (João 15:13).

A vida do garoto foi uma bênção. Talentoso desenhista, ele usava o dom para ilustrar voluntariamente materiais da igreja, como a Lição da Escola Sabatina, com a intenção de motivar outras pessoas a estudar a Bíblia, que ele tão bem conhecia, pois os pais sempre fizeram o melhor para levá-lo para perto de Deus. Era querido dos amigos e disse a uma confidente que o desejo dele era o de sempre fazer as pessoas felizes. O pai diz que ele vivia isso intensamente.

A história de Samuel continua impressionando, mesmo depois da morte dele. No dia 17 de março, um domingo, para homenagear o garoto e as outras vítimas, os jogadores do Corinthians entraram no estádio do Itaquerão, na Zona Leste de São Paulo, com 22 balões pretos com os nomes dos assassinados. A multidão estava em silêncio quando os balões foram soltos ao vento. Um deles, com o nome do Samuel, viajou para um lugar diferente dos demais: a cidade de Suzano! Sim, o balão percorreu quase vinte quilômetros e foi parar no caminho do senhor Arlindo, de 62 anos, que no dia seguinte ao jogo fazia sua costumeira corrida matinal. Ao avistar o balão ao lado da calçada, ainda cheio e intacto, ele imediatamente o reconheceu do jogo que havia assistido no dia anterior. Arlindo apanhou o objeto, levou-o para casa e entrou no site do Corinthians a fim de compará-lo com os balões que apareciam nas fotos da homenagem. Aí teve certeza de que se tratava mesmo do balão da cerimônia.

samuelEmocionado, Arlindo descobriu o endereço dos pais de Samuel e levou o balão para eles. O pai de Samuel disse que a homenagem no estádio foi para todas as vítimas, mas que o balão que chegou até ele foi uma homenagem muito especial para a família. O goleiro do Oeste, time que jogou contra o Corinthians naquele dia, Matheus Cavichioli, foi o responsável por soltar o balão antes do jogo. Ele disse em entrevista: “Fui o escolhido naquele momento para estar com aquele balão. E o balão foi até lá. Quem sabe, por que não, acreditar que o balão voltou para casa?”

Na verdade, quem um dia estará na casa do Pai é o garoto Samuel. O nome dele, em hebraico, significa “seu nome é Deus”. E ele viveu como um verdadeiro servo dAquele a quem amava e servia. Samuel honrou o nome de seu Criador. Que sua vida e sua morte inspirem não apenas os colegas desbravadores, mas todos os cristãos que continuam na marcha rumo ao Céu. Que em breve possamos abraçar o bravo e amável Samuel, um verdadeiro servo de Deus e amigo de todos.

Michelson Borges

Clique aqui para assistir à reportagem da Globo.

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Um dos muitos desenhos feitos pelo Samuel

Dieta do Éden fora do Éden?

edenA busca pela dieta perfeita tem atraído muitos reformadores da saúde contemporâneos da mesma forma que a mitológica fonte da juventude atraiu milhares de pessoas ao longo dos séculos. Entre os diferentes grupos que buscam a dieta perfeita estão os que defendem a dieta edênica como padrão dietético para nossos dias, alegando que a dieta originalmente dada a Adão e Eva é válida para nosso tempo. Porém, uma análise dessa proposta não resiste ao escrutínio teológico nem ao científico. Ela mostra sérias inconsistências nessas duas áreas, como pontuaremos.

  1. É impossível ter uma dieta perfeita neste mundo imperfeito, em que os seres humanos e toda a criação sofrem as consequências do pecado (Rm 8:22). Isso significa que, em menor ou maior quantidade, todos os alimentos possuem algum ingrediente tóxico. Fitatos, fitohemaglutinina, ácido fítico, tanino, cianetos, solaninas, oxalatos, urushiol e goitrogênicos são alguns elementos tóxicos presentes em muitos alimentos considerados saudáveis, entre eles castanha de caju, trigo, repolho, brócolis, tomate, maçã, cereja, amêndoa, feijões e espinafre, para citar alguns exemplos. Em resumo, eles são considerados alimentos bons, mas não perfeitos. Mesmo a germinação não consegue neutralizar as toxinas presentes em alguns alimentos. O segredo para reduzir os efeitos dessas toxinas a longo prazo é buscar uma alimentação variada com produtos da estação, dando ao organismo a oportunidade de metabolizá-los em tempos diferentes e evitando o acúmulo em um nível que possa ser prejudicial.
  1. A dieta edênica também defende o crudivorismo, ou seja, consumir os alimentos crus. O problema é que muitas substâncias tóxicas perigosas neles presentes são neutralizadas pelo cozimento e, paradoxalmente, certos nutrientes, como o licopeno (existente no tomate), são potencializados quando cozidos. Portanto, comer alimentos crus com alimentos cozidos é uma escolha estratégica e equilibrada. Uma dieta crudívora por um período de tempo pode ter efeitos positivos na recuperação de enfermidades, mas como estilo de vida pode ter efeitos não desejáveis.
  1. A dieta edênica original continha o fruto da árvore da vida, ao qual não temos acesso desde a entrada do pecado na Terra (Gn 3:22). Na realidade, um estudo dos primeiros livros da Bíblia nos revela que, para cada período, Deus indicou uma dieta especial: a edênica, a pós-edênica, a pós-diluviana e a israelita. O regime para o nosso tempo (do fim) é descrito por Ellen White como constituindo-se de “cereais, nozes, frutas e verduras”. E inclui alimentos que nascem debaixo da terra, como a batata.
  1. Deus não exige nossa perfeição em termos de alimentação, mas sim que cada um busque os alimentos mais saudáveis dentro da sua realidade, aproveitando cada oportunidade que Ele nos deu para escolher o melhor disponível. Isso significa, por exemplo, que a população ribeirinha do Amazonas, que tem uma dieta à base de peixe e farinha e vive onde há carência de frutas, verduras e cereais integrais, deve ser orientada de maneira diferente das pessoas que moram em regiões onde existe variedade de alimentos. No contexto da selva, o conselho aos ribeirinhos é para que evitem os animais imundos (Lv 11), cuidem da higiene pessoal e ambiental e busquem alternativas mais saudáveis quando disponíveis.
  1. Os componentes da dieta edênica foram preservados por Deus e voltaremos a usar esse regime na nova Terra. Lá tornaremos a comer do fruto da árvore da vida, e os animais desfrutarão da dieta originalmente dada a eles (Gn 1:30; Is 65:25). Porém, até lá, temos que fazer nosso melhor, sempre com responsabilidade e equilíbrio, nas condições imperfeitas em que vivemos.

(Dr. Silmar Cristo, Revista Adventista)

Materiais de estudo do Apocalipse recomendados pela IASD

esEstudar a palavra de Deus é um privilégio. Hoje em dia temos muitos recursos para estudar a Bíblia de forma sistemática e séria. Lição da Escola Sabatina; Reavivados por sua Palavra; estudos bíblicos, etc. Além disso, na internet você encontra diversos recursos que potencializam o uso dessas ferramentas. Infelizmente, nem tudo que está disponível é recomendado para um estudo sério, cristão e verdadeiramente bíblico. A seguir você encontra uma lista de alguns recursos que são materiais oficiais, sérios e confiáveis. Eles foram produzidos pela Igreja Adventista para auxiliar em seu estudo da Lição da Escola Sabatina (guia de estudos oficial da igreja). Recomenda-se que você faça uso desses materiais conforme sua preferência, mas que evite materiais “semelhantes” e não oficiais, que misturam interpretações pessoais, ideias particulares e muitas vezes doutrinas perigosas. 

Apocalipse: Revelação do Rei

Esse material foi produzido pelo pastor Ranko Stefanovic, autor da Lição da Escola Sabatina deste trimestre e doutor em Teologia. Ele é especialista no livro do Apocalipse e professor de Novo Testamento na Andrews University. Esse material do Dr. Ranko traz uma abordagem séria acerca da interpretação adventista do livro do Apocalipse

Lições da Bíblia (Novo Tempo)

Material produzido pela TV Novo Tempo, com pastores que estão na ativa e compartilham a Lição por meio de um bate-papo, sempre respeitando a proposta original da Lição.

Escola Sabatina Oficial (DSA)

Canal oficial da Divisão Sul-Americana que traz recursos e subsídios para o professor da Escola Sabatina por meio de vídeos semanais. Esse material auxilia os professores com dicas didáticas e um panorama geral da Lição.

Comentários do pastor Natal Gardino

Publicados semanalmente neste blog, com a proposta de oferecer/propor perguntas para promover maior interatividade nas unidades da Escola Sabatina.

Por outro lado, não são recomendados vídeos e publicações daqueles que não seguem o método adventista (herdado da Reforma Protestante) de interpretação da Bíblia (gramático-histórico) e que substituem o método de interpretação profética historicista por abordagens futuristas, o que resulta em uma teologia com conclusões perigosas e cheias de riscos.

O próprio Manual da Igreja adverte que, “embora todos os membros tenham direitos iguais dentro da igreja, nenhum membro, individualmente ou em grupo, deve iniciar um movimento, formar uma organização ou buscar motivar adeptos a fim de alcançar qualquer objetivo, ou para o ensino de qualquer doutrina ou mensagem que não esteja em harmonia com os objetivos e ensinamentos religiosos fundamentais da igreja. Tal curso de coisas resultaria no desenvolvimento de um espírito de divisão, na fragmentação do bom testemunho da igreja, e, portanto, no impedimento do desempenho de suas obrigações para com o Senhor e com o mundo” (p. 61).

Além dos recursos indicados acima, você pode encontrar muita informação boa nos livros e nas publicações sobre o assunto disponibilizados pela editora oficial da IASD no Brasil, a Casa Publicadora Brasileira (CPB), e também nos livros teológicos da Unaspress (editora do Unasp).

A besta que sobe do abismo e a batalha ideológica

Apocalipse: juízo sobre Babilônia

ap 17Os capítulo 17 do Apocalipse apresenta as características de Babilônia, um falso sistema religioso que surgirá no fim dos tempos para enganar as pessoas. Esse sistema é representado “assentado sobre a besta”, que é o sistema romano político e religioso (Dn 7:7, 19-26; Ap 13:1-8; 17:3). Os capítulos 18 e 19 apontam para a destruição de Babilônia e sua condenação. Mas antes que isso aconteça o próprio Deus clama ao Seu povo que saia de lá enquanto há tempo (Ap 18:1-4).

Perguntas para discussão e aplicação  

1. Conforme 2 Coríntios 11:2, qual é o significado de “mulher” em profecias simbólicas? Sendo assim, qual é o significado da “mulher pura” do capítulo 12 do Apocalipse e da “prostituta” do capítulo 17? Quais são as semelhanças e diferenças entre elas? Pense no fato de que a “prostituta” já foi “pura”. O que isso deve nos ensinar ao refletirmos sobre “Babilônia”?

2. Leia a descrição da prostituta Babilônia em Apocalipse 17:4-6 e compare com Êxodo 28:4-6 e Jeremias 4:30. O que significam as vestes usadas por ela? (R.: ela se veste como uma prostituta [daquela época] e ao mesmo tempo emprega os mesmos tecidos e cores das vestes do sumo sacerdote levítico! Ou seja, apesar de haver se prostituído doutrinariamente, ela faz uma contrafação do sacerdócio de Cristo no santuário celestial, O qual era representado pelo sumo sacerdote no santuário terrestre.)

3. Procurando ao máximo não magoar, insultar ou afastar as pessoas, qual é a melhor maneira de lhes comunicar a verdade bíblica de que a igreja, quando se tornou romana, se corrompeu definitivamente? De acordo com Apocalipse 17:5, quem serão nessa ocasião as outras “prostitutas da terra”, que terão Babilônia como “mãe”? Em sua opinião, por que Deus usa essas ilustrações tão “pesadas” ao considerar a infidelidade doutrinária e espiritual?

4. Leia Apocalipse 17:1, 2; 18:3. De que forma Babilônia “embebeda” a todas as nações com o seu “vinho”? (R.: com doutrinas falsas que enganam e tranquilizam as pessoas a respeito de seus deveres morais para com Deus e o próximo.)

5. Compare a “besta do mar” (Ap 13:1) com a “besta” em que a prostituta Babilônia está montada (Ap 17:3). O que significa o fato de que Babilônia, esse falso sistema religioso futuro, estará “montada” sobre o sistema romano papal?

6. Compare a segunda mensagem angélica em Apocalipse 14:8 (que a igreja remanescente já está pregando há muitos anos) com a mensagem do “Anjo” em 18:2, 3. (Detalhe: esse “anjo” simbólico é o próprio Espírito Santo de Deus na ocasião da “chuva serôdia”, pois nenhuma criatura poderia iluminar a Terra toda com sua glória, como é dito em 18:1.) Por que a segunda mensagem angélica, que já estamos pregando, será repetida (ou reforçada) pelo Espírito Santo nos últimos tempos?

7. Por que Deus clamará ao “Seu povo” para sair de Babilônia? Qual é o grande perigo da ideia que diz que “todos os caminhos levam a Deus”?

8. Apocalipse 19:1-9 demonstra que muitas pessoas atenderão ao convite de Deus para sair de Babilônia e serão salvas. E nós poderemos ser os instrumentos usados pelo Espírito Santo para apelar a essas pessoas! Como deve ser a nossa vida hoje, para que possamos ser usados por Deus nos dias finais ao convidar Seu povo a sair de Babilônia?

9. Ao sabermos que há “povo de Deus” ainda em Babilônia, como deve ser o nosso relacionamento com as pessoas de outras denominações religiosas? Quais são as evidências de que somos, efetivamente, “povo de Deus”?

Notas importantes

A mulher de Apocalipse 17. Este símbolo representa um sistema religioso corrompido por ser baseado em um cristianismo romanizado e que tem influência para que o mundo inteiro seja intoxicado com o vinho de suas doutrinas. Além disso, ela também é chamada de “cidade” em Apocalipse 17:15. Isso significa que, ao mesmo tempo em que ela é um sistema religioso cristão (“mulher”), é também um poder político governamental (“cidade”). Como já vimos aqui, o nome Babilônia era um codinome usado pelos cristãos para se referir a Roma sem levantar suspeitas dos romanos (1Pe 5:13).

A “besta escarlate” sobre a qual a prostituta Babilônia está assentada (17:3). Esta besta tem características muito parecidas com a “besta que saiu do mar” (13:1). Já vimos aqui que esta besta é a mesma quarta besta de Daniel 7, que representa Roma, tanto em sua fase pagã quanto papal. O fato de a mulher estar “montada” nesse sistema pode indicar tanto que ela o “dirige” quanto também que ela é “carregada” ou “conduzida” por ele – o que parece ser o mais provável (Ap 17:7).

Os dez chifres de Apocalipse 17:12-14, 16, 17. Esta figura ainda não é bem clara em seus detalhes para os intérpretes do Apocalipse. Pode ser uma referência aos dez reinos divididos da Europa (representados por “dez dedos” em Daniel 2 e por “dez chifres” em Daniel 7:7, 8), os quais tentarão novamente se unir no futuro para a batalha do Armagedom. De acordo com Daniel, Jesus voltará “nos dias destes reis” (2:44). Como o papado saiu de um dos dez reinos/chifres da Europa medieval (7:8), talvez essa seja uma indicação de que as nações da Europa terão grande influência no futuro ao apoiar novamente um sistema papal renovado. Porém, essa atividade não durará muito tempo, pois logo esses mesmos poderes governamentais se voltarão contra o próprio sistema que apoiavam (17:16). Pode ser que essa retirada estratégica das dez nações seja o que provoque o simbólico “secamento do Eufrates” (Ap 16:12).

Os sete montes e o “oitavo rei” (Ap 17:9-11). Esta é uma das passagens mais polêmicas do Apocalipse. Há muitas teorias especulativas e sensacionalistas que consideram os sete montes como sete papas (e em cada nova interpretação, cada novo papa é sempre “o último” ou o “penúltimo”). Porém, as profecias simbólicas a respeito de “reis” não se referem a indivíduos, mas a sistemas de governo (Dn 7:17). Portanto, não podemos considerar sete pessoas individuais (sete papas) como sendo os sete “reis” de Apocalipse 17. Se considerarmos essa profecia a partir da perspectiva temporal do profeta e dos grandes sistemas de governo que oprimiram sucessivamente o povo de Deus temos o seguinte:

“As sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis [ou, reinos; cf. Daniel 7:17], dos quais caíram cinco [Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia], um existe [este era o período da Roma pagã, sob a qual João vivia ao receber a visão], e o outro ainda não chegou; e quando chegar, tem de durar pouco [ou seja, o período de Roma cristã, que surgiria poucos séculos após esta visão]. E a besta que era, e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição” [esta é uma referência ao período em que Roma papal foi “ferida de morte” em 1798, e ficou um longo tempo sem expressão mundial até quando ela retomar novamente o poder com vigor redobrado]. Quando chegar, tem que durar “pouco” (Ap 17:10). A palavra “pouco” vem do grego oligos. Apesar dos quase dois mil anos desde que surgiu o sistema de governo opressor de Roma cristã, o tempo é “pouco” se for comparado com a eternidade ou com a história deste mundo. Essa é a mesma palavra usada em Apocalipse 12:12 ao dizer que Satanás, ao ser expulso definitivamente do Céu por ocasião da morte de Cristo, ficou irado “sabendo que pouco [oligos] tempo lhe resta” – e já se passaram quase dois mil anos desde esse evento também. No entanto, em Apocalipse 20:3, a palavra é diferente ao se referir ao “pouco” tempo que restará a Satanás logo após o fim do milênio: mikros. Em outras palavras, esse tempo final será “micro” perto dos dois mil anos que eram “pouco” [oligos] em relação à eternidade.

A destruição de Babilônia em Apocalipse 18 e 19. O quadro representado nesses capítulos é baseado em várias passagens do Antigo Testamento que profetizaram a destruição da antiga Babilônia literal (por exemplo, Isaías 13 e 47; Jeremias 50 e 51). Portanto, esse falso sistema religioso que se formará no futuro já tem sua ruína anunciada por Deus, a qual será tão certa quanto foi a da Babilônia da antiguidade.

O “Anjo” que ilumina a terra toda com Sua glória (Ap 18:1). Esta é uma figura para representar o Espírito Santo em Sua grande manifestação de poder conhecida como a “chuva serôdia” (Os 6:3; Tg 5:7). Como já visto aqui, a palavra traduzida como “anjo” na Bíblia também pode ser vertida como “mensageiro”. Ela é usada nesse sentido para seres humanos (Mt 11:10; Lc 7:24; 9:52; Fp 2:25; Tg 2:25, etc.); foi usada para Jesus (Gn 16:7, 9, 10, 11; 21:17; 22:11, 15; 31:11-13; Êx 3:2-6; Jz 2:1-4; 6:11-23; 13:3-22; Zc 3:1-4); e é usada também para representar o Espírito Santo como o grande mensageiro do Céu. Ele mesmo ajudará o povo de Deus a concluir a proclamação do Evangelho (Fp 1:6). No contexto do fim, contudo, a nota tônica para despertar as pessoas será: “Caiu Babilônia” – o mesmo tema da segunda mensagem angélica que a igreja remanescente tem pregado há tantos anos (Ap 14:8). Nessa ocasião da chuva serôdia, o Espírito Santo irá “amplificar” o poder dessa mesma mensagem, fazendo-a soar através de Seus servos “com potente voz” (18:2). Somente então a mensagem alcançará toda a Terra, a qual será dessa forma iluminada com a Sua glória, e então virá o fim (Mt 24:14).

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

UFC e a degradação humana no novo Coliseu

mmaEm 2011, meu amigo Joêzer Mendonça publicou o seguinte texto em seu blog:

“Dois homens em uma arena chutam cabeças e esmurram fígados, e isso rende o delírio da galera. Um quer a deformação do corpo do outro, e isso rende fama e fortuna. UFC (Ultimate Fighting Championship) quer dizer mesmo é Ultraje Feroz do Corpo. Mas para que ninguém fique a pensar na degradação física e espiritual do momento, é preciso fazer dessa rinha de galos um espetáculo televisivo. A TV Globo, que se recusava a cobrir as lutas do MMA (as artes marciais mistas), gasta sua semana esportiva explicando que agora, com novas regras, as lutas são “um pouco menos violentas do que o vale-tudo”, como disse o apresentador Luís Ernesto Lacombe. A sinceridade foi logo corrigida na fala seguinte: “Mas é bem bacana.”

“É bem bacana, então, ver a brutalidade elevada à categoria de esporte ‘civilizado’. É bem bacana, então, assistir à violência de socos, pontapés e sufocamentos. É bacana ver o público se extasiar quando um homem é espancado no chão (mas agora o juiz intervém mais rápido. Antes que um assassine o outro ao vivo e em HD, né?). […]

“O UFC está de acordo com as regras de entretenimento de uma civilização doente. É a nossa civilização que produz filmes que consagram a velocidade e a ferocidade, filmes feitos com muita adrenalina e pouco neurônio, filmes que glorificam machões que falam uma piadinha após decepar outros machões. Espetáculo da meia-noite, o Ultraje Feroz do Corpo aplaca nossa primitiva sede de sangue por alguns minutos. Depois, cada um faz suas orações e vai dormir.”

Ao ler a notícia “Junior Cigano desfigura rival no UFC 131; veja o estrago causado pelo brasileiro”, o amigo Marco Dourado observou com propriedade: “Criticamos Roma pagã. Nos achamos ‘evoluídos’ porque o Coliseu é hoje apenas uma ruína histórica. Mas veja essa matéria… Mais impressionantes que o rosto machucado do lutador são a frieza do jornalista e os comentários de alguns.” De fato, como observei noutra postagem, no quesito baixaria, estamos à frente de Sodoma. Na violência, deixamos nossos ancestrais na poeira faz tempo, tendo assistido e/ou protagonizado o século mais violento da história (o 20, porque o 21 mal começou). As maiores injustiças políticas e sociais são próprias de nosso tempo, com uma elite mesquinha enriquecendo às custas da miséria de uma multidão de pobres almas. O conteúdo midiático nunca foi tão pobre. A foto absurda do homem desfigurado foi publicada na seção de “esportes” do UOL. Esta é a humanidade que se acha evoluída?

guiado ufcÉ absurdo qualquer um assistir a essa rinha humana (a de galos é proibida!). Mas o pior é saber que há cristãos, pretensos seguidores do pacifista Jesus de Nazaré, que se deleitam em ver um homem espancar outro até lhe arrancar sangue. Isso, sem dúvida, é parte do cumprimento da profecia de Jesus segundo a qual, por se multiplicar o pecado, no fim dos tempos, o amor de muitos esfriará (Mt 24:12). Só pode ser isso.
Mais absurda é a mistura de religião com “porrada”, como na foto ao lado, ou como no caso dos lutadores/espancadores que agradecem a Deus o fato de terem detonado o oponente.

Para encerrar, deixo aqui um texto de Ellen White: “Enquanto evitamos o falso e artificial, apostas em corridas de cavalos, jogo de cartas, loteria, pugilismo, bebidas alcoólicas, o uso do fumo, devemos prover fontes de prazer que sejam puras, nobres e edificantes” (O Lar Adventista, p. 499). E olha que o pugilismo é light em comparação com o UFC… [MB]

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