Assista a este filme e conheça a verdadeira face do comunismo

milada[Com o perdão dos spoilers.] Milada Horáková nasceu em Praga, capital da Tchecoslováquia, em dezembro de 1901. Formou-se em Direito e se tornou defensora dos direitos humanos, dos direitos das mulheres, uma crítica acérrima do trabalho infantil e da legalização da prostituição, e lutou contra a ocupação nazista em 1939 e, posteriormente, contra o domínio comunista soviético em seu país. Foi presa pela Gestapo e condenada à morte, pena que foi alterada para prisão perpétua graças à defesa apresentada pela própria condenada. Esteve nos campos de concentração nazistas de Terezin, Leipzig e Dresden. Foi torturada ao longo de 36 interrogatórios, mas nunca denunciou seus colegas da resistência. Alguns historiadores creem que foi nessa época que sua experiência religiosa se aprofundou.

Com a derrota dos alemães e a libertação da Tchecoslováquia em 1945, Milada voltou a defender a democracia e foi eleita deputada, cargo ao qual renunciou após o golpe que levou o Partido Comunista ao poder, o que ela considerava uma verdadeira ocupação soviética. Por ser uma voz discordante (coisa que os comunistas detestam), Milada acabou sendo injustamente presa e terrivelmente torturada, participando depois de um julgamento forjado (muito comuns na ex-União Soviética) em que teria que admitir uma culpa que não tinha, de ter colaborado com o “imperialismo americano” contra os interesses de seu país e seu povo – justamente as duas coisas que ela mais amava e pelo que sempre lutou.

A rádio em que o esposo de Milada trabalhava foi fechada, numa atitude igualmente típica dos comunistas de controlar a mídia com mão de ferro. Posteriormente, o esposo dela teve que fugir para a Alemanha Ocidental, sob risco de morte, deixando a filha única aos cuidados dos avós.

No 7 de junho de 1948, alguns políticos tchecos renunciam por se recusar a assinar a nova Constituição do governo comunista; e uma semana mais tarde, em 14 de junho, Klement Gottwald foi eleito presidente, apelidado de “presidente operário”. O aumento da repressão levou à fuga de diversos intelectuais, artistas e altos funcionários. Cerca de oito mil pessoas deixaram o país.

A polícia política recebeu ordens de Gottwald para prender imediatamente todos os suspeitos de atividades contra a nova ordem dominada pelo Partido Comunista. Mais de 250 mil pessoas foram condenadas, das quais 178 foram executadas. Cerca de 600 presos não sobreviveram às torturas. Setenta mil pessoas foram condenadas a trabalhos forçados. A título de comparação, 434 pessoas foram mortas ou ficaram desaparecidas durante o regime militar no Brasil…

Milada_HorákováEnquanto o julgamento de Milada e dos outros réus prosseguia, eles eram absurdamente chamados de “traidores da República”, “terroristas”, “agentes dos imperialistas americanos, ingleses e franceses”, “pequenos Hitlers” e “ratazanas que conspiraram nos esgotos contra a classe operária”.

Aos 48 anos de idade, Milada foi condenada à morte por enforcamento, no dia 27 de junho de 1950. Pessoas famosas como Albert Einstein, Winston Churchil e Eleonor Roosevelt pediram a comutação da pena, mas foram ignoradas. Ela foi falsamente acusada de atividades conspiratórias e de espionagem contra o Estado, como se pretendesse derrubar o comunismo com a ajuda das potências ocidentais, iniciando assim uma terceira guerra mundial! Com a mídia nas mãos do governo, essas “fake news” foram divulgadas e muitas pessoas acabaram acreditando em tudo.

A crueldade dos comunistas foi tanta que Milada não foi autorizada a ver os familiares durante seu tempo de prisão. Somente na noite anterior à execução lhe foi permitido, durante quinze minutos, ver a filha, a irmã e o cunhado. Ela tentou abraçar e beijar a menina pela última vez, mas os guardas não permitiram. Eram ordens do governo.

Em 1968 teve início uma revolta na Tchecoslováquia contra a ocupação soviética, conhecida como Primavera de Praga, e a praga do comunismo foi afastada do país. Em 2006, o presidente Václav Haus afirmou: “Milada Horáková é o símbolo perene da resistência ao comunismo. […] Pagou caro a defesa da liberdade e da democracia, apesar dos protestos que na época foram feitos no mundo inteiro.”

ceusEnquanto assistia ao filme, lembrei-me do livro Ainda que Caiam os Céus, do pastor adventista Mikhail Kulakov (Casa Publicadora Brasileira). As semelhanças com a história de Milada são grandes, com a diferença básica de que o pastor Kulakov foi preso pelos comunistas por motivos religiosos, mas com a “desculpa” de que ele realizava “reuniões anti-soviéticas”. A religião conservadora bíblica também é um empecilho para as pretensões comunistas. Sempre foi.

Nem preciso dizer que você precisa urgentemente assistir ao filme “Milada” (tem na Netflix) e ler o livro de Kulakov. Assim poderá conhecer a verdadeira face fascista do comunismo e os perigos entranhados nessa ideologia anticristã.

Michelson Borges

P.S.: Quem sabe um dia alguém publique a história de Vaclav Havel. Ele e a família ficaram dois ou três anos escondidos e protegidos em uma fazenda até conseguirem atravessar a fronteira austríaca. Quem os protegeu? Um pastor adventista. Depois da queda do comunismo e da eleição de Havel, o governo tcheco devolveu à Igreja Adventista as propriedades confiscadas pelos comunistas.

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Cuidemos das nossas crianças

Group Of Children Lying On Grass Together In ParkA Bíblia descreve filhos como uma bênção (Sl 127 e 128), independentemente do sexo. O infanticídio e o abandono de bebês (especialmente meninas) era coisa normal entre os vizinhos, mas não em Israel. O sacrifício de crianças em honra aos deuses era comum entre muitos povos (como os cananeus e seu deus Moloque). A Bíblia chama Moloque de “repugnante deus dos amonitas” (1Rs 11:7), e sacrificar crianças a Moloque em Israel era um crime grave, punido com apedrejamento (Lv 20:2).

Nem todos os bebês eram bem-vindos na Grécia Antiga. Havia critérios para garantir a sobrevivência, como mostrava a prática espartana de eliminar os mais fracos. Um conselho de anciãos decidia sobre o direito à vida da criança, com base num critério físico. Um bebê que fosse “indesejado e deficiente” estava automaticamente condenado a morrer.

Numa carta de 1 a.C., um certo Hilarion (provavelmente egípcio) diz sem medo à esposa prestes a dar à luz: “Se for menino, deixe que viva; se for menina, jogue fora.” Abandono de bebês era prática disseminada também entre os romanos. Sêneca afirma que os romanos afogavam os bebês fracos ou malformados, e que esse não era um ato de ira, mas de “razão”.

Nessa mesma época, o judeu Fílon de Alexandria escreve contra essa prática romana absurda. O romano Tácito afirma, com ar de curiosidade, que os judeus consideravam crime matar um bebê. O judeu Flávio Josefo conta que a lei proibia as mulheres de “causar aborto do que é gerado, ou destruí-lo depois”, e chama quem faz isso de “assassino”.

Não havia em Israel o costume pagão de abandonar bebês. Abandonar bebês era algo grave (Ez 16:4-5 refere-se a isso). Filho ou filha, o bebê israelita era sempre assumido, cuidado e amamentado até os dois ou três anos (ou mais). Raramente as mulheres de Israel contratavam amas; eram excelentes mães, devotas. A criança, menino ou menina, já era considerada membro da comunidade religiosa, a quem a história nacional e a religião deveriam ser ensinadas.

Entre os primeiros cristãos, o Didaquê, a epístola de Barnabé, Justino Mártir, Atenágoras de Atenas, e outros, se posicionam firmemente em defesa das crianças (inclusive as não nascidas). A influência do Cristianismo deu um sentido sagrado à vida das crianças, fazendo com que o infanticídio fosse legalmente banido do Império Romano.

O argumento cristão é teológico, não meramente humanista. Deus conhece e se envolve com a criança que cresce ainda no ventre, é o que ensinam textos como o Salmo 139 e o livro de Jó.

Neste Dia das Crianças, ouça mais quem tem histórico a favor delas. E pense se vale a pena dar crédito aos pensadores e “especialistas” que se dedicam à desconstrução de tudo, que acham que “família é invenção capitalista”, que já decidiram que a moral judaico-cristã é a culpada de quase tudo de ruim que existe.

O altar de Moloque tem recebido discurso respeitável, embasamento teórico e bolsa de pesquisa, mas continua sendo “repugnante”.

Isaac Malheiros, via Facebook

Kim Jong-un decide se tornar amigo do papa

kim-jong-unO líder norte-coreano, Kim Jong-un, convidou o papa Francisco para visitar Pyongyang, comunicou a agência Reuters. Segundo o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, ele entregará ao papa da Igreja Católica o convite do líder norte-coreano. Moon se encontrará com o papa no Vaticano entre 17 e 18 de outubro para pedir a bênção e o apoio ao estabelecimento da paz na península coreana e para discutir formas de cooperação futura com o Vaticano. O gesto de Kim Jong-un visa a sublinhar sua intenção de estabelecer paz na península coreana, segundo Reuters. O líder norte-coreano comunicou ao presidente da Coreia do Sul querer convidar para visitar Pyongyang o papa Francisco durante a terceira cúpula intercoreana em setembro. Anteriormente, o representante do Vaticano, Pietro Parolin, declarou que na Basílica de São Pedro será realizada missa especial pela paz na península. Atualmente, não há relações diplomáticas oficiais entre o Vaticano e a Coreia do Norte. A Constituição norte-coreana garante a liberdade religiosa aos cidadãos. Porém, é proibida atividade de entidades religiosas, com exceção das que são controladas pelo país.

(Sputnik)

Nota: Assim como aconteceu com a China, a influência do papa vai sendo estendida por todo o mundo. A Coreia do Norte, como todo país comunista, continuará controlando as atividades religiosas em seu território, mas com essa aproximação entre ela e o Vaticano, o catolicismo conquista uma boa vantagem ali. [MB]

Atriz rompe relação com a mãe por causa das eleições

keferaSegundo o site Catraca Livre, “Kéfera Buchmann comoveu seus seguidores ao gravar uma sequência de stories no Instagram, no último domingo, 7, contando que rompeu com sua mãe por causa das eleições do Brasil. A atriz de ‘Espelho da Vida’ – trama das 18h da Globo –, as divergências políticas neste primeiro turno causaram muitas discussões e agora Zeiva Buchmann sequer segue mais a youtuber nas redes sociais. Segundo a famosa, sua genitora votou em Jair Bolsonaro, candidato à presidência da república pelo PSL, enquanto ela escolheu Ciro Gomes, do PDT. Hospedada em Curitiba, sua cidade natal para votar, a famosa não ficou na casa dos pais desta vez e preferiu procurar uma tia”.

Essa notícia triste me fez lembrar de um texto anônimo que li por aí:

“Um ponto crucial da ideologia esquerdista é que ela é toda formulada para fomentar a intriga entre pessoas próximas. Age, literalmente, como uma doença. A pessoa contaminada é convencida através da constante repetição de termos insultivos se passando por descritivos (fascista, nazista, racista, homofóbico, etc.). Ao repetir esses termos à exaustão, a intenção não é descrever o comportamento do adversário. É tão-somente rotulá-lo. Os termos são sempre utilizados fora de seu contexto original ou principiológico.

“Sendo a repetição suficiente, a pessoa contaminada passa a acreditar que está realmente diante de um fascista (ou nazista, ou racista, etc.) sempre que encontrar alguém que discorde dela em algum ponto de seu discurso. Após convencida de que está lidando com um representante autêntico do termo e não com a projeção criada, vem a última fase.

“A vítima passa a acreditar que, por definição, ela é moralmente superior a todos aqueles que ela rotulou com insultos e tomou como descrições. Na cabeça dessa pessoa, o insulto é a descrição, logo ela é obviamente moralmente superior a um fascista, ainda que a outra pessoa nunca tenha exibido um traço fascista em sua vida.

“Com a mente refém dessa lógica aleijada, o comportamento hostil, extremista e excludente contra colegas de trabalho, amigos e familiares está justificado.

“Para a pessoa contaminada, ela tem obrigação moral de retirar de sua vida os que ela enxerga como ameaça ao seu modo de pensar, sob pena de considerar a si mesmo, pelo simples convívio, um ‘fascista’ também.

“A curto prazo não há o que ser feito; uma geração inteira está profundamente suscetível a esse comportamento. Ele é incentivado dia e noite no meio acadêmico, cultural e informativo.

“Para os pais: mantenham sempre proximidade com a vida de seus filhos, principalmente com o que aprendem na escola. A esquerda não se importa de destruir sua família para conseguir um único voto.”

Leia também: Vele a pena perder amigos por causa de política?

Emissora leva ao ar programa infantil com cantora erotizada

anitinhaDeu no portal G1, da Globo: “Anitta rebola como gelatina e brinca com o bumbum. Anittinha quer mais é falar de meio-ambiente, de salada de frutas, da importância de brincar e da hora do soninho… Falando desses assuntos, o desenho ‘Clube da Anittinha’ estreia nesta quinta-feira (3), no Gloob e no Gloobinho, canais da TV paga. ‘Escolhi todos os temas com muito cuidado e pensamos muito sobre a melhor forma de passar essas mensagens. Mostrei o desenho para alguns amigos e para seus filhos e o feedback foi muito positivo’, diz a cantora ao G1. Cada episódio terá uma composição inédita, interpretada pela cantora, que também dubla a voz da personagem principal. Ela vai cantar versos como ‘Ela é redondinha pro suquinho e vitamina / É bem docinha essa frutinha.’ […] A personagem estará sempre acompanhada do seu trailer ‘Poderosa’ e ele se transforma em trio elétrico cada vez que é acionado com o comando ‘Prepara, Poderosa’. […] O ‘Clube da Anittinha’ deve, é claro, ganhar produtos licenciados. E é provável que a cantora vire boneca.” […]

Nota: Novamente a maior emissora de TV do Brasil leva às telas uma personagem extremamente erotizada para servir de entretenimento infantil. Sem entrar no mérito dos conteúdos dos programas (se bem que o cartaz aí acima é bastante suspeito e indicador do que vem por aí…), o que pode passar na cabeça de uma criança fã ao ver sua “ídola”, sua “boneca” rebolando seminua nos shows em que protagoniza cenas extremamente eróticas? Isso não as influencia em nada? Erotizar as crianças tão precocemente não traz nenhuma consequência sobre a vida e a formação delas? Infelizmente, esse tipo de permissividade absurda tem se tornado mais comum a cada ano, com a bênção da mídia mainstream e de autoridades omissas. [MB]

Atos 2:42-47 defende o socialismo?

jesus marxEstá cada vez mais fácil encontrar pessoas, muitas vezes sinceras, acreditando que o socialismo pode ser encontrado na Bíblia Sagrada. Um dos argumentos principais consiste na utilização do texto do livro de Atos, capítulo 2, versos 41 a 47, que seria um “suposto” apoio a esse pensamento. O texto completo é este: “Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.”

Neste texto, estão listadas as três principais razões pelas quais o livro de Atos não pode ser um indicativo ou algum tipo de apoio para o socialismo dentro do cristianismo. De forma alguma os apóstolos estariam prescrevendo alguma norma de conduta para as sociedades cristãs posteriores.

1. Acreditar que Atos dá suporte à ideologia socialista é um anacronismo.

Como se sabe pela História, 18 séculos separam o socialismo do Novo Testamento! O Dicionário de Política de Norberto Bobbio diz o seguinte: “Em geral, o Socialismo tem sido historicamente definido como programa político das classes trabalhadoras que se foram formando durante a Revolução Industrial” (fim do século 18 e começo do século 19).

O significado vulgar de socialismo é a “estatização dos bens e meios de produção”; e algumas pessoas adicionam ainda a expressão “numa sociedade sem classes”. Há dois tipos de socialismo, basicamente, nos quais se caracterizam duas ideias principais: o socialismo utópico e o socialismo científico.

“Socialismo utópico” tem esse nome por causa da obra de Thomas More, Utopia, em que o autor propõe uma sociedade harmônica, justa e contrapondo as sociedades injustas. A principal linha de pensamento do socialismo utópico é idealizadora, justa e igualitária, em que se alcançaria o progresso por meio da razão e do interesse comum sem, necessariamente, uma luta de classes. A característica utópica se dá devido à impossibilidade de alcançar tal sociedade. Seus principais pensadores foram o inglês Robert Owen e os franceses Saint-Simon, Charles Fourier, Pierre Leroux e Louis Blanc, na transição entre os séculos 18 e 19.

O “socialismo científico” ou “socialismo marxista” foi desenvolvido pelos prussianos (atual Alemanha) Karl Marx e Friedrich Engels, no século 19. Ao contrário do idealismo do socialismo utópico, o socialismo científico tinha como principal ideia a crítica ao sistema capitalista. Era necessário aprofundar as análises políticas, econômicas e sociais para então propor mudanças concretas na sociedade. Seu foco era na luta de classes (visão do patrão explorador e do empregado explorado), na mais-valia, na divisão do trabalho e na produção de capital.

A doutrina política de Marx (falecido no fim do século 19) fundamenta-se no materialismo dialético e histórico. Denomina-se materialismo porque seus conceitos diretivos são de conteúdo material; é dialético porque se apoia no método dialético de Hegel, no que tange à evolução dos fenômenos sociais; enfim, qualifica-se como histórico porque os princípios do materialismo dialético são aplicados à evolução dos fatos sociais e à política dos povos no decurso da marcha do tempo.

Se não bastasse o monstruoso intervalo de tempo entre os dois momentos históricos, o que já categorizaria o anacronismo evidente, podemos elencar outra disparidade entre essas ideologias e o texto bíblico no que se refere ao tempo do eventos mencionados: não havia concordância entre os apóstolos e o Império (“Estado”), primeiro porque não era intuito de unir a comunidade Cristã com o império Romano; e segundo porque não havia o Estado como o concebemos hoje e a favor do qual Marx pretendia estatizar os meios de produção.

Mesmo que houvesse o Estado moderno, ainda assim seria impraticável no socialismo porque a autoridade do Estado provém de Deus (como explícito em Romanos 13:1-7, 1 Pedro 2:13 e na conversa de Jesus com Pilatos, em João 19:10, 11), e poderia ter sido estabelecido por conta do pecado da humanidade, embora não fosse plano de Deus original (como descrito nos capítulos de 12, 24 e 26:9-11 de 1 Samuel, e o primeiro capítulo de 2 Samuel).

Embora todo o esforço desses pensadores em criar uma sociedade com oportunidades iguais a toda população e manter certo controle social, a verdade é que a História mostra que os governos socialistas foram em grande parte ditatoriais e um verdadeiro desastre econômico e político. Liberdades individuais foram suprimidas e as guerras e a fome mataram milhões de pessoas. Estima-se que as mortes foram cerca de cem milhões nestes últimos cento e poucos anos:

URSS: 20 milhões de mortos

China: 65 milhões

Vietnã: 1 milhão

Coreia do Norte: 2 milhões

Camboja: 2 milhões de mortos

Leste Europeu: 1 milhão

América Latina: 150.000 mortos

África: 1,7 milhão de mortos

Afeganistão: 1,5 milhão

O movimento comunista internacional e os partidos comunistas fora do poder levaram dezena de milhões de pessoas à morte. Isso mostra que, sim, o socialismo falhou e continuará falhando.

O que esse banho de sangue tem que ver com o livro de Atos capítulo 2? Absolutamente nada! Nem de perto podemos comparar a Bíblia com a ideologia socialista. São coisas completamente diferentes.

3. O texto de Atos 2 não é prescritivo.

Quando lemos o livro de Atos devemos ter em mente que estamos tratando de um livro histórico. A seguir você lerá uma pequena parte de um artigo do teólogo brasileiro Wilson Paroschi:

“A rigor, conforme o próprio Lucas afirma (At 1:1-5; cf. Lc 1:1-4), Atos é um documento histórico e, como tal, narra o desenvolvimento da igreja apostólica nos primeiros trinta anos após a ascensão de Cristo. Em muitos círculos eclesiásticos e evangelísticos, porém, predomina a crença, explícita ou implícita, de que esse livro consiste verdadeiramente numa espécie de manual da igreja ou manual de evangelismo, com orientações e exemplos práticos que, se forem seguidos à risca, produzirão os mesmos resultados. […] Cuidadosa análise da evidência, porém, parece apontar para outra direção. Em primeiro lugar, convém observar que, ao descrever a história da igreja primitiva, Lucas não registra somente os triunfos e sucessos dos apóstolos, mas também seus erros e retrocessos.”

“Em Atos, não encontramos apenas uma sucessão de experiências e relatos positivos que culminam com o evangelho sendo pregado destemidamente e sem qualquer impedimento até mesmo em Roma, no coração do Império (At 28:30-31). Ali também estão registradas inúmeras situações negativas envolvendo diretamente os apóstolos, suas decisões e atitudes.

“Exemplos disso são a negligência para com as viúvas helenistas (6:1), o preconceito e a reticência deles diante da pregação aos gentios (10:1–11:18), a desavença entre Paulo e Barnabé (15:36-40), a transigência de Paulo para com a lei cerimonial (21:17-26) e sua opção por ser julgado em Roma (25:9-12), o que se revelou um grave erro estratégico (cf. 26:30 32). Há também duas outras experiências que se revelaram particularmente negativas: a crença na volta imediata de Jesus e o consequente arrefecimento do fervor evangelístico logo após o Pentecoste.

“A perspectiva evangelística predominante na tradição judaica, tanto no Antigo Testamento (Sl 22:27; Is 2:2-5; 56:6-8; Sf 3:9-10; Zc 14:6) quanto na literatura intertestamentária (Tob 13:11; T. Ben. 9:2; Pss. Sol. 17:33-35; Sib. Or. 3.702-718, 772-776), é a do chamado movimento centrípeto, ou seja, não é Israel que vai às nações; são as nações que vêm a Israel, atraídas pela prosperidade e fidelidade do povo de Deus. E há claros indícios de que, apesar da ordem de Jesus em Atos 1:8, os apóstolos entenderam que, com a pregação no dia de Pentecoste e a conversão de mais de três mil pessoas, a missão deles no mundo já estava cumprida, ou pelo menos substancialmente cumprida.

“Como James D. G. Dunn salienta, o modelo evangelístico que eles conheciam era o que prevalecia no judaísmo de seus dias (cf. Mt 8:11-12; 10:5-6, 23; Mc 11:17) e, no Pentecoste, o mundo todo veio até eles; Lucas menciona mais de quinze diferentes nacionalidades ali representadas (At 2:9-11). O que houve em seguida foi uma diminuição do entusiasmo evangelístico, associado à ideia de que Jesus estaria voltando naqueles dias, como ficara implícito na promessa no dia da ascensão (1:6-11; cf. 3:20-21; Mt 10:23). Foi por isso que eles permaneceram tão firmemente arraigados em Jerusalém e centrados no templo (At 2:46; 3:1; 5:12, 20-21, 25, 42), até porque, de acordo com a profecia de Malaquias (3:1), o templo seria o ponto focal da iminente consumação.

“O elevado senso de fraternidade e comunidade demonstrado pela igreja apostólica logo após o Pentecoste (At 2:44-45; 4:32-35) revela que eles viviam na expectativa diária da volta de Jesus. Posses ou bens materiais perderam o valor. Tudo era vendido e o lucro trazido para um caixa comum para o benefício de todos. Eles não precisavam mais se preocupar com o futuro, pois não haveria futuro.

“A atitude foi louvável, sem dúvida, mas o momento foi errado, ainda que a iniciativa possa ter atendido a algumas necessidades específicas, como a ajuda aos pobres da comunidade de crentes. O espírito de desprendimento e fraternidade que manifestaram é, de fato, o que deve caracterizar o povo de Deus pouco antes da volta de Jesus, mas, naquele momento, representou um retrocesso para a igreja. A igreja de Jerusalém empobreceu (At 11:28; Rm 15:26; Gl 2:10), passou a depender da generosidade das igrejas gentílicas (At 11:29, 30; Rm 15:25, 26; 1Co 16:1-3) e não pôde sequer financiar o evangelismo mundial. Isso coube às próprias igrejas gentílicas (At 13:1-3; 15:35, 36; 2Co 11:8, 9; Fp 4:15-18). Deus permitiu que se levantasse uma perseguição contra a igreja (At 8:1-3) para dispersá-la de Jerusalém e, assim, levá-la a cumprir sua missão mundial (8:4, 5-8, 26-40; 11:19-21).

“Ou seja, é certamente um erro tratar o Livro de Atos como um manual da igreja, e a igreja apostólica como um modelo em tudo para a igreja de todos os tempos e lugares. Ao contrário do que mantém a concepção popular, a igreja apostólica não era perfeita, nem do ponto de vista doutrinário e muito menos do ponto de vista administrativo ou eclesiástico.

“A segunda razão pela qual a igreja apostólica não deve necessariamente ser vista como um modelo em tudo é que ela mesma foi produto de uma época, um lugar e uma cultura específica. A igreja apostólica nasceu no contexto do judaísmo do primeiro século. Ela aparece no cenário bíblico como mais uma dentre as várias denominações ou seitas judaicas da época. Ela teve que lidar com problemas tais como uma expectativa messiânica distorcida, o escândalo da cruz e o legalismo judaico, a inclusão dos gentios e a circuncisão, a idolatria no mundo greco-romano, filosofias pagãs, enfim, uma longa lista de problemas, quase todos muito diferentes dos nossos. É por isso que muito cuidado deve ser tido na hora de apontar os elementos prescritivos no Livro de Atos. Não é só abri-lo e achar que, porque foi assim no passado, tem que ser assim no presente. […]”

Voltei. Gostaria de enfatizar dois pontos importantes: primeiro, é que a empolgação da comunidade se dava exclusivamente pela promessa da vinda de Jesus, pela crença de que o pecado e a morte teriam fim e, finalmente, eles estariam para sempre com Jesus Cristo. O movimento cristão não se manteve unido e motivado no início por conta do ideal revolucionário de transformação social. Eles não estavam ali para reivindicar direitos humanos ou qualquer coisa do tipo. Apenas a alegria do evangelho que os motivava a ficar unidos.

Segundo, é que quanto à distribuição financeira e a comunhão de bens, a comunidade veio à falência pouco tempo depois! Agora veja: se os ideólogos modernos do socialismo procuram encontrar em Atos indícios de modelo econômico para comunidades locais, o que, de fato, eles encontrarão é o modelo ideal de como não distribuir renda e como chegar à falência!

3. Um cristão não pode ser socialista.

Certamente alguém falará que temos, como cristãos, uma função social importante. Isso é verdade e Cristo assim nos ensinou. Porém, existe um abismo entre ajudar o próximo e ser praticante do socialismo coercitivo (comunismo) que usa o aparelho estatal com mão de ferro para saquear a população e definir cada aspecto de sua vida. São ideologias nefastas que a história nos conta com desprezo. Infelizmente, ainda no Brasil poucas pessoas conhecem a história cruel e genocida dessas ideologias.

Considerando isso (e mais vários outros motivos não tratados neste texto), pode-se chegar à conclusão óbvia de que um cristão de verdade, que aguarda a vinda de Cristo, jamais pode perder tempo com essas ideologias ateias e fracassadas. Devemos lembrar sempre que este “Estado” é passageiro, mas o Reino de Deus é eterno.

Referências:

BOBBIO, NORBERTO;  MATTEUCCI, NICOLA ; PASQUINO, GIANFRANCO. Dicionário de Política. 11. Ed. Brasília: Editora UNB, 1998. (Volume 1).

BUKHARIN, NIKOLAI, ABC do Comunismo, Edipro, São Paulo, 2011.

ENGELS, FRIEDRICH, Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, Edipro de Bolso, São Paulo, 2011.

FERACINE, LUIZ, Karl Marx ou a Sociologia do Marxismo, Lafonte, São Paulo, 2011.

JEAN-LOUIS PANNÉ, ANDRZEJ PACZKOWSKI, KAREL BARTOSEK, JEAN-LOUIS MARGOLIN  et al. O Livro Negro do Comunismo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

PAROSCHI, WILSON, “Os Pequenos Grupos e a Hermenêutica: Evidências Bíblicas e Históricas em Perspectiva”, (Engenheiro Coelho, São Paulo, 2009). (artigo aqui). Ou no livro: SOUZA, ELIAS BRASIL (Ed.). Teologia e metodologia da missão: palestras teológicas apresentadas no VIII Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano. Cachoeira: CePliB, 2011).

Vale a pena perder amigos por causa de política?

raivaOs tempos no Brasil estão tensos. Não me lembro de ter presenciado um momento eleitoral tão agitado e nervoso desde que me entendo por cidadão. O país está polarizado e dominado por ideias bastante contrastantes. Graças às redes sociais as pessoas não dependem mais tanto da imprensa “oficial” para obter informações. Na verdade, a grande imprensa está desmoralizada e mesmo os institutos de pesquisa vêm sendo questionados por causa de números duvidosos. Há um lado bom e um péssimo em tudo isso. O bom é que as pessoas finalmente estão se politizando e buscando conhecer o processo eleitoral e governamental. Estão buscando dados, programas de governo, comparando, discutindo e, assim, tendo a possibilidade de melhorar sua visão crítica e exercitar sua cidadania. O péssimo é que muita gente embarca nas chamadas fake news e dá crédito a qualquer videozinho ou meme que vê por aí. O acesso à informação é uma bênção, mas a incapacidade de analisar essa informação pode se tornar uma maldição. Ainda assim, isso tudo não é o pior aspecto destes tempos em que o ódio está no ar e o sangue, nos olhos.

Pior mesmo é ver amigos e até irmãos de igreja trocando farpas no Facebook, no Twitter, no WhatsApp. Alguns estão jogando fora a amizade pelo fato de o outro apoiar o “candidato odiado”. Será que isso vale a pena? Daqui a pouco as datas das eleições passarão. O país poderá piorar muito ou, quem sabe, melhorar um pouco – apesar de que os conhecedores das profecias bíblicas sabem que as coisas infelizmente irão de mal a pior até que venha a solução definitiva: a volta de Jesus. As eleições passarão, e como ficarão as amizades?

Precisamos aprender a dialogar sobre ideias e não discutir sobre pessoas. É importante separar uma coisa da outra. Se somos cristãos, devemos agir como nosso Mestre. Ele não deixou de condenar o erro, mas nunca, jamais deixou de amar alguém que pensasse diferentemente dEle – ou seja, a maioria das pessoas. Cada ser humano tem sua formação, suas influências, suas idiossincrasias, suas opiniões, e tudo isso deve ser levado em conta durante um diálogo. E há diálogos que nem compensa ser levados adiante, quando a pessoa já decidiu que não quer ouvir nem mudar de opinião. Se essa pessoa sou eu, pode ser melhor “perder a discussão” para não perder o amigo. Mais importante: melhor “perder a discussão” a levar a pessoa a se perder por causa da minha atitude intransigente.

Já disse em um vídeo e reafirmo: um líder cristão não deve se posicionar publicamente por esse ou aquele candidato, afinal, o objetivo desse líder é alcançar com o evangelho todas as pessoas. Se eu defender o candidato x, os seguidores do candidato y fecharão os ouvidos para a minha mensagem. Se eu defender o y, ocorrerá o mesmo com os votantes do x.

No documento “Os adventistas e a política” está escrito: “A igreja encontra nos ensinos do Senhor Jesus e dos apóstolos base segura para evitar qualquer militância político-partidária institucional. O cristianismo apostólico cumpriu sua missão evangélica sob as estruturas opressoras do Império Romano sem se voltar contra elas. O próprio Cristo afirmou que Seu reino ‘não é deste mundo’ e que, portanto, os Seus ‘ministros’ não empunham bandeiras políticas (João 18:36). Qualquer posicionamento ou compromisso com legendas partidárias dificultaria a pregação do evangelho a todos indistintamente. Por outro lado, a Bíblia não isenta a comunidade de crentes dos deveres civis, e isso está evidente na ordem de Jesus: ‘Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’ (Marcos 12:17). O Novo Testamento apresenta várias orientações sobre o dever cristão de reconhecer e respeitar os governos e as autoridades (Romanos 13:1-7; Tito 3:1-2; 1 Pedro 2:13-17). Somente quando os poderes temporais impõem a transgressão às leis divinas é que o cristão deve assumir a postura de antes ‘obedecer a Deus do que aos homens’ (Atos 5:29).”

Com este texto não estou dizendo que temos que ser “isentões” e deixar o circo pegar fogo. Não. Eu tenho minha posição política e ideológica balizada pela Bíblia Sagrada e por minhas próprias reflexões. Tenho também o direito de escrever sobre ideias, tendências, posicionamentos, sem enveredar pela política partidária. Quando escrevo sobre evolucionismo, espiritualismo e socialismo, por exemplo, não estou deixando de reconhecer que, antes de ser evolucionistas, espíritas e socialistas, os defensores dessas ideologias são seres humanos e, como tais, devem ser respeitados. Quando escrevo sobre o estilo de vida homossexual, lembro-me de que a maior maneira de amar um homossexual é apresentar Jesus a ele.

Conforme destacou meu amigo doutorando em Administração pela UNB Alexsander Dauzeley da Silva, “todos nós sabemos que Satanás mistura a verdade com o erro, e isso tem sido o triunfo do inimigo em fazer a humanidade se perder. O socialismo pegou um dos aspectos da verdade, que é o auxílio aos necessitados, o altruísmo e a justiça social, adicionou outras causas e criou outro remédio. O capitalismo selvagem também pega outro aspecto da verdade, que é o do esmero, da diligência e da mordomia, e o inimigo o justifica sob outra lógica e acrescenta outra cartilha de prescrições. A Bíblia não é socialista nem capitalista. Ela apresenta apenas os princípios do reino de Deus dos quais o diabo se apropriou em parte para tornar suas mentiras mais tragáveis e oferecer a armadilha das duas faces da mesma moeda. Não é de se surpreender que a tirania seja o resultado de qualquer uma das estratégias que desconsidere Cristo e Sua justiça. Tirania que é a forma de governo escravagista que Satanás se deleita em executar”.

Mais um detalhe… Se você é adventista e costuma utilizar a internet para manifestar suas opiniões, quero chamar sua atenção para um texto muito importante de Ellen G. White: “Tempo virá em que expressões descuidadas de caráter denunciante, displicentemente proferidas ou escritas por nossos irmãos, serão usadas por nossos inimigos para nos condenar. Não serão usadas simplesmente para condenar os que as proferiram, mas atribuídas a toda a comunidade adventista. Nossos acusadores dirão que em tal e tal dia um dos nossos homens responsáveis falou assim e assim contra a administração das leis do governo. Muitos ficarão admirados ao ver quantas coisas foram conservadas e lembradas, as quais servirão de prova para os argumentos dos adversários. Muitos se surpreenderão de como foi atribuído às suas palavras um significado diferente do que era a sua intenção. Sejam nossos obreiros cuidadosos no falar, em todo tempo e sob quaisquer circunstâncias. Estejam todos precavidos para que, por meio de expressões imprudentes, não tragam sobre si um tempo de angústia antes da grande crise que provará os seres humanos” (O Outro Poder, p. 45).

Aproveito a oportunidade para pedir perdão a qualquer pessoa que eventualmente tenha se sentido magoada por algo que eu tenha escrito ou dito. Por favor, saiba que essa não foi a intenção. Às vezes, no afã de defender ideias, podemos nos esquecer de que por trás delas há corações e pessoas pelas quais Cristo morreu.

Michelson Borges