Dieta do Éden fora do Éden?

edenA busca pela dieta perfeita tem atraído muitos reformadores da saúde contemporâneos da mesma forma que a mitológica fonte da juventude atraiu milhares de pessoas ao longo dos séculos. Entre os diferentes grupos que buscam a dieta perfeita estão os que defendem a dieta edênica como padrão dietético para nossos dias, alegando que a dieta originalmente dada a Adão e Eva é válida para nosso tempo. Porém, uma análise dessa proposta não resiste ao escrutínio teológico nem ao científico. Ela mostra sérias inconsistências nessas duas áreas, como pontuaremos.

  1. É impossível ter uma dieta perfeita neste mundo imperfeito, em que os seres humanos e toda a criação sofrem as consequências do pecado (Rm 8:22). Isso significa que, em menor ou maior quantidade, todos os alimentos possuem algum ingrediente tóxico. Fitatos, fitohemaglutinina, ácido fítico, tanino, cianetos, solaninas, oxalatos, urushiol e goitrogênicos são alguns elementos tóxicos presentes em muitos alimentos considerados saudáveis, entre eles castanha de caju, trigo, repolho, brócolis, tomate, maçã, cereja, amêndoa, feijões e espinafre, para citar alguns exemplos. Em resumo, eles são considerados alimentos bons, mas não perfeitos. Mesmo a germinação não consegue neutralizar as toxinas presentes em alguns alimentos. O segredo para reduzir os efeitos dessas toxinas a longo prazo é buscar uma alimentação variada com produtos da estação, dando ao organismo a oportunidade de metabolizá-los em tempos diferentes e evitando o acúmulo em um nível que possa ser prejudicial.
  1. A dieta edênica também defende o crudivorismo, ou seja, consumir os alimentos crus. O problema é que muitas substâncias tóxicas perigosas neles presentes são neutralizadas pelo cozimento e, paradoxalmente, certos nutrientes, como o licopeno (existente no tomate), são potencializados quando cozidos. Portanto, comer alimentos crus com alimentos cozidos é uma escolha estratégica e equilibrada. Uma dieta crudívora por um período de tempo pode ter efeitos positivos na recuperação de enfermidades, mas como estilo de vida pode ter efeitos não desejáveis.
  1. A dieta edênica original continha o fruto da árvore da vida, ao qual não temos acesso desde a entrada do pecado na Terra (Gn 3:22). Na realidade, um estudo dos primeiros livros da Bíblia nos revela que, para cada período, Deus indicou uma dieta especial: a edênica, a pós-edênica, a pós-diluviana e a israelita. O regime para o nosso tempo (do fim) é descrito por Ellen White como constituindo-se de “cereais, nozes, frutas e verduras”. E inclui alimentos que nascem debaixo da terra, como a batata.
  1. Deus não exige nossa perfeição em termos de alimentação, mas sim que cada um busque os alimentos mais saudáveis dentro da sua realidade, aproveitando cada oportunidade que Ele nos deu para escolher o melhor disponível. Isso significa, por exemplo, que a população ribeirinha do Amazonas, que tem uma dieta à base de peixe e farinha e vive onde há carência de frutas, verduras e cereais integrais, deve ser orientada de maneira diferente das pessoas que moram em regiões onde existe variedade de alimentos. No contexto da selva, o conselho aos ribeirinhos é para que evitem os animais imundos (Lv 11), cuidem da higiene pessoal e ambiental e busquem alternativas mais saudáveis quando disponíveis.
  1. Os componentes da dieta edênica foram preservados por Deus e voltaremos a usar esse regime na nova Terra. Lá tornaremos a comer do fruto da árvore da vida, e os animais desfrutarão da dieta originalmente dada a eles (Gn 1:30; Is 65:25). Porém, até lá, temos que fazer nosso melhor, sempre com responsabilidade e equilíbrio, nas condições imperfeitas em que vivemos.

(Dr. Silmar Cristo, Revista Adventista)

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Materiais de estudo do Apocalipse recomendados pela IASD

esEstudar a palavra de Deus é um privilégio. Hoje em dia temos muitos recursos para estudar a Bíblia de forma sistemática e séria. Lição da Escola Sabatina; Reavivados por sua Palavra; estudos bíblicos, etc. Além disso, na internet você encontra diversos recursos que potencializam o uso dessas ferramentas. Infelizmente, nem tudo que está disponível é recomendado para um estudo sério, cristão e verdadeiramente bíblico. A seguir você encontra uma lista de alguns recursos que são materiais oficiais, sérios e confiáveis. Eles foram produzidos pela Igreja Adventista para auxiliar em seu estudo da Lição da Escola Sabatina (guia de estudos oficial da igreja). Recomenda-se que você faça uso desses materiais conforme sua preferência, mas que evite materiais “semelhantes” e não oficiais, que misturam interpretações pessoais, ideias particulares e muitas vezes doutrinas perigosas. 

Apocalipse: Revelação do Rei

Esse material foi produzido pelo pastor Ranko Stefanovic, autor da Lição da Escola Sabatina deste trimestre e doutor em Teologia. Ele é especialista no livro do Apocalipse e professor de Novo Testamento na Andrews University. Esse material do Dr. Ranko traz uma abordagem séria acerca da interpretação adventista do livro do Apocalipse

Lições da Bíblia (Novo Tempo)

Material produzido pela TV Novo Tempo, com pastores que estão na ativa e compartilham a Lição por meio de um bate-papo, sempre respeitando a proposta original da Lição.

Escola Sabatina Oficial (DSA)

Canal oficial da Divisão Sul-Americana que traz recursos e subsídios para o professor da Escola Sabatina por meio de vídeos semanais. Esse material auxilia os professores com dicas didáticas e um panorama geral da Lição.

Comentários do pastor Natal Gardino

Publicados semanalmente neste blog, com a proposta de oferecer/propor perguntas para promover maior interatividade nas unidades da Escola Sabatina.

Por outro lado, não são recomendados vídeos e publicações daqueles que não seguem o método adventista (herdado da Reforma Protestante) de interpretação da Bíblia (gramático-histórico) e que substituem o método de interpretação profética historicista por abordagens futuristas, o que resulta em uma teologia com conclusões perigosas e cheias de riscos.

O próprio Manual da Igreja adverte que, “embora todos os membros tenham direitos iguais dentro da igreja, nenhum membro, individualmente ou em grupo, deve iniciar um movimento, formar uma organização ou buscar motivar adeptos a fim de alcançar qualquer objetivo, ou para o ensino de qualquer doutrina ou mensagem que não esteja em harmonia com os objetivos e ensinamentos religiosos fundamentais da igreja. Tal curso de coisas resultaria no desenvolvimento de um espírito de divisão, na fragmentação do bom testemunho da igreja, e, portanto, no impedimento do desempenho de suas obrigações para com o Senhor e com o mundo” (p. 61).

Além dos recursos indicados acima, você pode encontrar muita informação boa nos livros e nas publicações sobre o assunto disponibilizados pela editora oficial da IASD no Brasil, a Casa Publicadora Brasileira (CPB), e também nos livros teológicos da Unaspress (editora do Unasp).

A besta que sobe do abismo e a batalha ideológica

Apocalipse: juízo sobre Babilônia

ap 17Os capítulo 17 do Apocalipse apresenta as características de Babilônia, um falso sistema religioso que surgirá no fim dos tempos para enganar as pessoas. Esse sistema é representado “assentado sobre a besta”, que é o sistema romano político e religioso (Dn 7:7, 19-26; Ap 13:1-8; 17:3). Os capítulos 18 e 19 apontam para a destruição de Babilônia e sua condenação. Mas antes que isso aconteça o próprio Deus clama ao Seu povo que saia de lá enquanto há tempo (Ap 18:1-4).

Perguntas para discussão e aplicação  

1. Conforme 2 Coríntios 11:2, qual é o significado de “mulher” em profecias simbólicas? Sendo assim, qual é o significado da “mulher pura” do capítulo 12 do Apocalipse e da “prostituta” do capítulo 17? Quais são as semelhanças e diferenças entre elas? Pense no fato de que a “prostituta” já foi “pura”. O que isso deve nos ensinar ao refletirmos sobre “Babilônia”?

2. Leia a descrição da prostituta Babilônia em Apocalipse 17:4-6 e compare com Êxodo 28:4-6 e Jeremias 4:30. O que significam as vestes usadas por ela? (R.: ela se veste como uma prostituta [daquela época] e ao mesmo tempo emprega os mesmos tecidos e cores das vestes do sumo sacerdote levítico! Ou seja, apesar de haver se prostituído doutrinariamente, ela faz uma contrafação do sacerdócio de Cristo no santuário celestial, O qual era representado pelo sumo sacerdote no santuário terrestre.)

3. Procurando ao máximo não magoar, insultar ou afastar as pessoas, qual é a melhor maneira de lhes comunicar a verdade bíblica de que a igreja, quando se tornou romana, se corrompeu definitivamente? De acordo com Apocalipse 17:5, quem serão nessa ocasião as outras “prostitutas da terra”, que terão Babilônia como “mãe”? Em sua opinião, por que Deus usa essas ilustrações tão “pesadas” ao considerar a infidelidade doutrinária e espiritual?

4. Leia Apocalipse 17:1, 2; 18:3. De que forma Babilônia “embebeda” a todas as nações com o seu “vinho”? (R.: com doutrinas falsas que enganam e tranquilizam as pessoas a respeito de seus deveres morais para com Deus e o próximo.)

5. Compare a “besta do mar” (Ap 13:1) com a “besta” em que a prostituta Babilônia está montada (Ap 17:3). O que significa o fato de que Babilônia, esse falso sistema religioso futuro, estará “montada” sobre o sistema romano papal?

6. Compare a segunda mensagem angélica em Apocalipse 14:8 (que a igreja remanescente já está pregando há muitos anos) com a mensagem do “Anjo” em 18:2, 3. (Detalhe: esse “anjo” simbólico é o próprio Espírito Santo de Deus na ocasião da “chuva serôdia”, pois nenhuma criatura poderia iluminar a Terra toda com sua glória, como é dito em 18:1.) Por que a segunda mensagem angélica, que já estamos pregando, será repetida (ou reforçada) pelo Espírito Santo nos últimos tempos?

7. Por que Deus clamará ao “Seu povo” para sair de Babilônia? Qual é o grande perigo da ideia que diz que “todos os caminhos levam a Deus”?

8. Apocalipse 19:1-9 demonstra que muitas pessoas atenderão ao convite de Deus para sair de Babilônia e serão salvas. E nós poderemos ser os instrumentos usados pelo Espírito Santo para apelar a essas pessoas! Como deve ser a nossa vida hoje, para que possamos ser usados por Deus nos dias finais ao convidar Seu povo a sair de Babilônia?

9. Ao sabermos que há “povo de Deus” ainda em Babilônia, como deve ser o nosso relacionamento com as pessoas de outras denominações religiosas? Quais são as evidências de que somos, efetivamente, “povo de Deus”?

Notas importantes

A mulher de Apocalipse 17. Este símbolo representa um sistema religioso corrompido por ser baseado em um cristianismo romanizado e que tem influência para que o mundo inteiro seja intoxicado com o vinho de suas doutrinas. Além disso, ela também é chamada de “cidade” em Apocalipse 17:15. Isso significa que, ao mesmo tempo em que ela é um sistema religioso cristão (“mulher”), é também um poder político governamental (“cidade”). Como já vimos aqui, o nome Babilônia era um codinome usado pelos cristãos para se referir a Roma sem levantar suspeitas dos romanos (1Pe 5:13).

A “besta escarlate” sobre a qual a prostituta Babilônia está assentada (17:3). Esta besta tem características muito parecidas com a “besta que saiu do mar” (13:1). Já vimos aqui que esta besta é a mesma quarta besta de Daniel 7, que representa Roma, tanto em sua fase pagã quanto papal. O fato de a mulher estar “montada” nesse sistema pode indicar tanto que ela o “dirige” quanto também que ela é “carregada” ou “conduzida” por ele – o que parece ser o mais provável (Ap 17:7).

Os dez chifres de Apocalipse 17:12-14, 16, 17. Esta figura ainda não é bem clara em seus detalhes para os intérpretes do Apocalipse. Pode ser uma referência aos dez reinos divididos da Europa (representados por “dez dedos” em Daniel 2 e por “dez chifres” em Daniel 7:7, 8), os quais tentarão novamente se unir no futuro para a batalha do Armagedom. De acordo com Daniel, Jesus voltará “nos dias destes reis” (2:44). Como o papado saiu de um dos dez reinos/chifres da Europa medieval (7:8), talvez essa seja uma indicação de que as nações da Europa terão grande influência no futuro ao apoiar novamente um sistema papal renovado. Porém, essa atividade não durará muito tempo, pois logo esses mesmos poderes governamentais se voltarão contra o próprio sistema que apoiavam (17:16). Pode ser que essa retirada estratégica das dez nações seja o que provoque o simbólico “secamento do Eufrates” (Ap 16:12).

Os sete montes e o “oitavo rei” (Ap 17:9-11). Esta é uma das passagens mais polêmicas do Apocalipse. Há muitas teorias especulativas e sensacionalistas que consideram os sete montes como sete papas (e em cada nova interpretação, cada novo papa é sempre “o último” ou o “penúltimo”). Porém, as profecias simbólicas a respeito de “reis” não se referem a indivíduos, mas a sistemas de governo (Dn 7:17). Portanto, não podemos considerar sete pessoas individuais (sete papas) como sendo os sete “reis” de Apocalipse 17. Se considerarmos essa profecia a partir da perspectiva temporal do profeta e dos grandes sistemas de governo que oprimiram sucessivamente o povo de Deus temos o seguinte:

“As sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis [ou, reinos; cf. Daniel 7:17], dos quais caíram cinco [Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia], um existe [este era o período da Roma pagã, sob a qual João vivia ao receber a visão], e o outro ainda não chegou; e quando chegar, tem de durar pouco [ou seja, o período de Roma cristã, que surgiria poucos séculos após esta visão]. E a besta que era, e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição” [esta é uma referência ao período em que Roma papal foi “ferida de morte” em 1798, e ficou um longo tempo sem expressão mundial até quando ela retomar novamente o poder com vigor redobrado]. Quando chegar, tem que durar “pouco” (Ap 17:10). A palavra “pouco” vem do grego oligos. Apesar dos quase dois mil anos desde que surgiu o sistema de governo opressor de Roma cristã, o tempo é “pouco” se for comparado com a eternidade ou com a história deste mundo. Essa é a mesma palavra usada em Apocalipse 12:12 ao dizer que Satanás, ao ser expulso definitivamente do Céu por ocasião da morte de Cristo, ficou irado “sabendo que pouco [oligos] tempo lhe resta” – e já se passaram quase dois mil anos desde esse evento também. No entanto, em Apocalipse 20:3, a palavra é diferente ao se referir ao “pouco” tempo que restará a Satanás logo após o fim do milênio: mikros. Em outras palavras, esse tempo final será “micro” perto dos dois mil anos que eram “pouco” [oligos] em relação à eternidade.

A destruição de Babilônia em Apocalipse 18 e 19. O quadro representado nesses capítulos é baseado em várias passagens do Antigo Testamento que profetizaram a destruição da antiga Babilônia literal (por exemplo, Isaías 13 e 47; Jeremias 50 e 51). Portanto, esse falso sistema religioso que se formará no futuro já tem sua ruína anunciada por Deus, a qual será tão certa quanto foi a da Babilônia da antiguidade.

O “Anjo” que ilumina a terra toda com Sua glória (Ap 18:1). Esta é uma figura para representar o Espírito Santo em Sua grande manifestação de poder conhecida como a “chuva serôdia” (Os 6:3; Tg 5:7). Como já visto aqui, a palavra traduzida como “anjo” na Bíblia também pode ser vertida como “mensageiro”. Ela é usada nesse sentido para seres humanos (Mt 11:10; Lc 7:24; 9:52; Fp 2:25; Tg 2:25, etc.); foi usada para Jesus (Gn 16:7, 9, 10, 11; 21:17; 22:11, 15; 31:11-13; Êx 3:2-6; Jz 2:1-4; 6:11-23; 13:3-22; Zc 3:1-4); e é usada também para representar o Espírito Santo como o grande mensageiro do Céu. Ele mesmo ajudará o povo de Deus a concluir a proclamação do Evangelho (Fp 1:6). No contexto do fim, contudo, a nota tônica para despertar as pessoas será: “Caiu Babilônia” – o mesmo tema da segunda mensagem angélica que a igreja remanescente tem pregado há tantos anos (Ap 14:8). Nessa ocasião da chuva serôdia, o Espírito Santo irá “amplificar” o poder dessa mesma mensagem, fazendo-a soar através de Seus servos “com potente voz” (18:2). Somente então a mensagem alcançará toda a Terra, a qual será dessa forma iluminada com a Sua glória, e então virá o fim (Mt 24:14).

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

UFC e a degradação humana no novo Coliseu

mmaEm 2011, meu amigo Joêzer Mendonça publicou o seguinte texto em seu blog:

“Dois homens em uma arena chutam cabeças e esmurram fígados, e isso rende o delírio da galera. Um quer a deformação do corpo do outro, e isso rende fama e fortuna. UFC (Ultimate Fighting Championship) quer dizer mesmo é Ultraje Feroz do Corpo. Mas para que ninguém fique a pensar na degradação física e espiritual do momento, é preciso fazer dessa rinha de galos um espetáculo televisivo. A TV Globo, que se recusava a cobrir as lutas do MMA (as artes marciais mistas), gasta sua semana esportiva explicando que agora, com novas regras, as lutas são “um pouco menos violentas do que o vale-tudo”, como disse o apresentador Luís Ernesto Lacombe. A sinceridade foi logo corrigida na fala seguinte: “Mas é bem bacana.”

“É bem bacana, então, ver a brutalidade elevada à categoria de esporte ‘civilizado’. É bem bacana, então, assistir à violência de socos, pontapés e sufocamentos. É bacana ver o público se extasiar quando um homem é espancado no chão (mas agora o juiz intervém mais rápido. Antes que um assassine o outro ao vivo e em HD, né?). […]

“O UFC está de acordo com as regras de entretenimento de uma civilização doente. É a nossa civilização que produz filmes que consagram a velocidade e a ferocidade, filmes feitos com muita adrenalina e pouco neurônio, filmes que glorificam machões que falam uma piadinha após decepar outros machões. Espetáculo da meia-noite, o Ultraje Feroz do Corpo aplaca nossa primitiva sede de sangue por alguns minutos. Depois, cada um faz suas orações e vai dormir.”

Ao ler a notícia “Junior Cigano desfigura rival no UFC 131; veja o estrago causado pelo brasileiro”, o amigo Marco Dourado observou com propriedade: “Criticamos Roma pagã. Nos achamos ‘evoluídos’ porque o Coliseu é hoje apenas uma ruína histórica. Mas veja essa matéria… Mais impressionantes que o rosto machucado do lutador são a frieza do jornalista e os comentários de alguns.” De fato, como observei noutra postagem, no quesito baixaria, estamos à frente de Sodoma. Na violência, deixamos nossos ancestrais na poeira faz tempo, tendo assistido e/ou protagonizado o século mais violento da história (o 20, porque o 21 mal começou). As maiores injustiças políticas e sociais são próprias de nosso tempo, com uma elite mesquinha enriquecendo às custas da miséria de uma multidão de pobres almas. O conteúdo midiático nunca foi tão pobre. A foto absurda do homem desfigurado foi publicada na seção de “esportes” do UOL. Esta é a humanidade que se acha evoluída?

guiado ufcÉ absurdo qualquer um assistir a essa rinha humana (a de galos é proibida!). Mas o pior é saber que há cristãos, pretensos seguidores do pacifista Jesus de Nazaré, que se deleitam em ver um homem espancar outro até lhe arrancar sangue. Isso, sem dúvida, é parte do cumprimento da profecia de Jesus segundo a qual, por se multiplicar o pecado, no fim dos tempos, o amor de muitos esfriará (Mt 24:12). Só pode ser isso.
Mais absurda é a mistura de religião com “porrada”, como na foto ao lado, ou como no caso dos lutadores/espancadores que agradecem a Deus o fato de terem detonado o oponente.

Para encerrar, deixo aqui um texto de Ellen White: “Enquanto evitamos o falso e artificial, apostas em corridas de cavalos, jogo de cartas, loteria, pugilismo, bebidas alcoólicas, o uso do fumo, devemos prover fontes de prazer que sejam puras, nobres e edificantes” (O Lar Adventista, p. 499). E olha que o pugilismo é light em comparação com o UFC… [MB]

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Desafio Momo: perigos e oportunidades

momo2Você busca seus filhos na escola no fim do dia e, como de costume, os deixa navegar na internet rapidamente antes do jantar. Eles pretendem conferir um dos milhares de vídeos que existem sobre como fazer o slime perfeito no YouTube Kids. E aí se deparam com o chamado “desafio Momo”. O “jogo suicida” funciona assim: pessoas desconhecidas se passam por Momo e entram em contato com crianças pelo WhatsApp. A boneca nada mais é do que uma obra de arte assustadora que retrata uma criatura metade mulher, metade pássaro, que foi exposta em 2016 em uma galeria japonesa de Tóquio. A boneca Momo é uma escultura que tem olhos esbugalhados, pele pálida, um sorriso sinistro e patas de pássaro. Há quem diga que o desafio Momo é fake news, mas o E+ teve acesso ao vídeo, que já foi disseminado pelo WhatsApp e o rastreamento da origem se tornou praticamente impossível.

Aline Damásio Benevides é mãe da pequena Alice, de apenas seis anos. Ela soube da Momo na semana passada e ficou desesperada. “Assim que Alice chegou da escolinha perguntei se ela conhecia. Ela disse que sim e que a Mari, coleguinha de sala, tinha medo e desenhou a Momo para ela saber como era”, relata.

A mãe disse ao E+ que a filha encontrou outro personagem que agia da mesma forma na internet: “O que mais me assustou foi que ela disse que tem outro ‘bonequinho’ mal, que faz a mesma coisa que a Momo, que manda fazer coisas ruins. Ela tentou me explicar como era, pedi para desenhar, perguntei onde ela viu, disse que foi na internet, no YouTube, e que todas as amigas também conhecem esse outro. Perguntei às mães no grupo da escola, algumas disseram que os filhos também falaram desse outro, mas não viram.”

As consequências psíquicas para as crianças que assistirem ao vídeo infantil em que a boneca Momo aparece podem ser semelhantes a um Estresse Pós-Traumático, na avaliação da neuropsicóloga Gisele Calia. “Ou seja, as dificuldades que surgem após um forte trauma real como assalto, perda trágica de parentes, fortes traumas físicos (acidentes com mutilações), etc.”, alerta.

Gisele Calia chama atenção para outros efeitos observados pelos pais. “Podem ocorrer insônia, enurese noturna, fobias generalizadas, medo de ir para a escola, de ficar sozinha, parar de brincar, regressões como voltar a chupar dedo, a pedir muito colo, ou reações depressivas, de agressividade, irritabilidade. Na criança, esse estresse é muito mais grave pois ela ainda confunde realidade e fantasia”, afirma a neuropsicóloga. […]

Professora em uma escola em Poços de Caldas, Minas Gerais, Luciana Aparecida de Moraes Corrêa já falou sobre o assunto com os dois filhos: Pedro, de 12 anos, e Manuela, de oito. “Perguntei a eles se já tinham ouvido falar da boneca Momo e eles confirmaram. Então, expliquei que, se estiverem assistindo a algum vídeo e aparecer algo relacionado a Momo, devem desligar no ato. Não devem ouvir o que ela diz porque ensina coisas erradas e que não são do bem”, conta. Luciana monitora, constantemente, as atividades dos filhos nas redes sociais.

Em 2017, o jogo Baleia Azul também assustou os pais do mundo inteiro. Tratava-se de uma corrente digital que foi associada a uma série de suicídios de jovens. […]

É recomendável que os pais acompanhem os vídeos infantis assistidos por seus filhos em plataformas digitais como o YouTube Kids e, principalmente, o Whatsapp, alerta o psiquiatra Rodrigo de Almeida Ramos. “A criança e o adolescente não podem ter autonomia para ver o material de internet sem supervisão. Você pode colocar filtros, ver os vídeos com as crianças e ter muito cuidado com o conteúdo do Whatsapp, porque lá é mais difícil de filtrar”, diz.

Além disso, conversar com o seu filho para descobrir o que ele sabe sobre o assunto parece ser uma boa saída. Fingir que o perigo não existe é o pior posicionamento. “Seja o exemplo e o supervisor permanente! A criança exposta sozinha à internet é o mesmo (ou pior) que aquelas que ficam abandonadas à sua própria sorte nas ruas, sem adultos confiáveis para mediar a realidade a que estão expostas”, aconselha a neuropsicóloga Gisele Calia.

 (Estadão)

Nota: Este é um bom momento para trazer à tona discussões sobre os hábitos midiáticos das crianças e as responsabilidades dos pais. O comentário da professora Luciana, no texto acima, é bastante oportuno. Ela orientou o filho a desligar a TV imediatamente quando vir algum conteúdo negativo ou errado. Para isso, é preciso antes conversar com a criança sobre o que é errado. Os pais têm feito isso? Ou têm transformado a TV, o computador e os tablets/celulares nas famosas “babás eletrônicas”? Como escreveu o autor do livro Como Proteger Seus Filhos na Internet, deixar uma criança conectada à rede sem orientação nem monitoramento é como deixá-la abandonada na esquina de uma grande cidade, sujeita a todos os perigos da metrópole. A tal da Momo tem convidado as crianças ao suicídio, mas existem outras formas de matar a espiritualidade, a criatividade e a moral de uma criança, e para isso nem é preciso uma boneca macabra. Basta que os pais e responsáveis deixem as crianças expostas a todo tipo de conteúdo, sem orientação e cuidado. Que o Desafio Momo nos desperte para o desafio de cuidar de nós mesmos e daqueles a quem Deus nos confiou. [MB]

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Político italiano que é contra vacinas contrai catapora

poliricoO político Massimiliano Fedriga, presidente da região autônoma de Friuli-Venezia Giulia e um dos principais defensores do movimento antivacinas na Itália, ficou cinco dias internado no hospital após contrair catapora – doença contra a qual ele próprio era desfavorável à vacinação. Depois de receber alta, foi para casa repousar e postou nas redes sociais que estava bem. Além disso, declarou publicamente que mudou de opinião e não vai mais apoiar campanhas contra vacinas. Fedriga é político do primeiro escalão da Liga, partido italiano considerado de extrema direita. Em 2017, ele classificou como “stalinista” o programa de vacinas obrigatório na Itália contra 12 doenças.

(Galileu)

Nota: Por culpa dos movimentos antivacinação doenças antes erradicadas estão voltando. O pior é quando cristãos entram nesse barco furado e passam a ser mal vistos por não contribuir com os esforços no sentido de melhorar a saúde pública. Deus deu ao ser humano inteligência para desenvolver métodos e medicamentos capazes de amenizar nosso sofrimento neste mundo de pecado. Os “oito remédios naturais” são a nossa bússola em termos de saúde preventiva e também curativa. Mas há momentos em que precisamos fazer uso também dos remédios criados pelo ser humano a partir dos recursos da natureza, como é o caso das vacinas. No mês de maio a revista Vida e Saúde trará uma matéria especial sobre esse assunto da vacinação. Não perca! [MB]

Leia mais sobre vacinação aqui.