O Sínodo da Amazônia e o ECOmenismo

O complô dos Estados Unidos para derrubar o papa Francisco

papa“Para mim, é uma honra que os norte-americanos me ataquem”, disse o papa Francisco quando o jornalista francês Nicolas Senèze, correspondente do diário católico La Croix em Roma, mostrou a ele o livro-reportagem sobre o complô estadunidense contra o seu papado, durante a viagem de avião que os levou a Moçambique. O título da obra é Como a América Atua para Substituir o Papa (o título original é Comment l’Amérique Veut Changer de Pape). Os detalhes desse complô e os nomes dos protagonistas e dos grupos envolvidos estão claramente expostos nas páginas do livro, que descrevem, desde o seu início, a mecânica da hostilidade contra o papado atual. O operativo tem até o nome de “Relatório Chapéu Vermelho” (“The Red Hat Report”). Um círculo preciso que move dinheiro e influência e é organizado pelos setores ultraconservadores e de mega milionários dos Estados Unidos. As peças desse jogo de calúnias e poder se encaixam em um complexo quebra-cabeças, que os adversários do pontífice vêm armando nos últimos anos. O golpe começou a ser fomentado em Washington, no ano de 2018. O grupo de ultraconservadores se reuniu na capital norte-americana para fixar duas metas: atingir a figura de Francisco da forma mais destrutiva possível e adiantar sua sucessão, para escolher, entre os atuais cardeais, o mais adequado aos interesses conservadores.

O “Relatório Chapéu Vermelho” foi organizado por um grupo de ex-policiais, ex-membros do FBI (Departamento Federal de Investigações dos Estados Unidos), advogados, operadores políticos, jornalistas e acadêmicos que trabalharam no estudo da vida e das ideias de cada um dos cardeais, com o fim de destruir as carreiras dos que não interessam, ou beneficiar as daqueles que pretendem impor como substituto de Francisco, quando chegue o momento oportuno. E enquanto esse momento não chega, o grupo busca preparar o terreno para o que Senèze chama de “um golpe de Estado contra o papa Francisco”.

Em uma manhã de 2017, Roma amanheceu coberta com cartazes contra o papa. Foi o primeiro ato da ofensiva: o segundo, e certamente o mais espetacular, aconteceu em agosto de 2018, quando, pela primeira vez na história do Vaticano, um cardeal tornou pública uma carta exigindo a renúncia de Francisco. O autor foi o monsenhor Carlo Maria Vigamo, ex-núncio do Vaticano nos Estados Unidos. O correspondente do La Croix no Vaticano detalha a odisseia maligna desse grupo de poder em sua missão por tirar do caminho um papa cujas posições contra o neoliberalismo, contra a pena de morte, a favor dos imigrantes e sua inédita defesa do meio ambiente através da encíclica Laudato Si promove uma corrente contrária à desses empresários. Os conspiradores não têm nada de santos: são adeptos da teologia da prosperidade, possuem empresas ligadas ao mercado financeiro e de seguros, e estão envolvidos até com a exploração da Amazônia. Francisco é uma pedra em seus sapatos, uma cruz sobre suas ambições. [Na verdade, há pecados e interesses obscuros dos dois lados.]

Segundo Senèze, organizações de caridade como “Os Cavaleiros de Colombo” (que possuem cerca de 100 bilhões de dólares, graças às companhias de seguros que administram), o banqueiro Frank Hanna, a rede de meios de comunicação Eternal World Television Network (EWTN), cujo promotor (o advogado Timothy Busch) também é criador do Instituto Napa, que tem a missão de difundir “uma visão conservadora e favorável à liberdade econômica”, estão entre os membros mais ativos do complô. Mas também há outros, como George Weigel e seu famoso think tank, o Centro de Ética e Política Pública. No diálogo com o jornal argentino Página/12, Senèze fala sobre a trama que, apesar do seu poder, ainda não foi capaz de derrubar o papa.

Parece uma história de novela, mas é uma história real. O papa Francisco foi e é objeto de uma das campanhas mais densas já vistas contra um sumo pontífice.

Nicolas Senèze: O papa Francisco não serve aos interesses desse grupo de empresários ultraconservadores, e por isso decidiram atacá-lo. Atuam como se fosse o conselho de administração de uma empresa, quando se despede o diretor porque ele não alcançou os objetivos desejados. Essa gente conta com enormes recursos financeiros, e mesmo assim, durante o mandato de Francisco, não conseguiram influenciar sua linha de pensamento. Por isso, começaram a se aproximar de pessoas de dentro da Igreja que também estão contra Francisco. Algumas delas, como o monsenhor Vigamo, chegaram a exigir publicamente sua renúncia. Creio que esse grupo de ultraconservadores superestimaram suas forças. O monsenhor Carlo Maria Vigamo, por exemplo, não calculou a lealdade das pessoas dentro do Vaticano, que não estavam dispostas a trair o papa, mesmo as que são críticas de Francisco.

A operação que organiza o “Relatório Chapéu Vermelho” tinha dois objetivos, um para agora e outro para o futuro.

Efetivamente. Como não puderam derrubar o papa, tentam agora uma nova estratégia. Francisco tem 84 anos, e podemos pensar que estamos perto do fim do seu pontificado. O que estão fazendo é preparar o próximo conclave. Para isso, estão investindo muito dinheiro, contratando ex-membros do FBI para preparar dossiê sobre os cardeais que participarão da eleição. O primeiro objetivo é destruir aqueles que têm a intenção de continuar as reformas aplicadas pelo papa Francisco. Depois, buscar um substituto adequado aos seus interesses. O problema dessa meta é que, ao menos até agora, eles não contam com nenhum candidato verosímil. Não será fácil para eles. Entretanto, podem ir bem no trabalho de arranhar a credibilidade dos candidatos reformistas e, dessa forma, podem levar à eleição de um reformista fraco e manipulável, que ceda à pressão em favor de desmontar as reformas de Francisco. Para isso, contam com muito poder econômico e influência. Creio profundamente que a maioria dos católicos norte-americanos respalda o papa Francisco. Mas nos Estados Unidos a quantidade não basta. O que fala mais alto é o fator dinheiro.

Esses grupos já existiam antes, mas nunca atuaram com tanta força.

São empresários com enormes meios à sua disposição. Cada um deles foi criando seu grupo de reflexão dentro da Igreja, sua escola de teologia, sua universidade católica, sua equipe de advogados para defender a liberdade religiosa. É uma nebulosa operação, que funciona mediante uma rede de instituições privadas, e que chegou para dominar o catolicismo norte-americano. São, por exemplo, aqueles que doaram muito dinheiro para ajudar as dioceses estadunidenses que tiveram que pagar enormes indenizações após a revelação dos casos de abuso sexual. Por isso, podem impor uma direção ideológica a essas dioceses. Por exemplo, Tim Busch está presente em todas as etapas dessa montagem. Para proteger poderosos interesses econômicos na Amazônia, esses grupos usam toda a sua força para desviar a atenção e evitar, assim, a promoção de ideias em defesa da ecologia. Trabalham sempre para distrair a atenção dos debates fundamentais. Por exemplo, nos sínodos, buscam impor seus pontos de vista, ou seja, seus interesses.

E como um grupo tão poderoso pôde deixar que Francisco fosse eleito papa?

Não perceberam que isso ocorreria, porque a eleição de Francisco foi resultado de uma dinâmica que envolveu outras necessidades: este papa foi eleito devido à crise no seio da instituição, graças à vontade dos bispos do mundo inteiro de recuperar a imagem após anos de problemas gerados por erros do passado, que levaram, por exemplo, à omissão diante dos casos de abuso sexual. Bergoglio se impôs porque era o mais disposto a reformar essa Igreja. Mas sua ideologia choca com a visão que os católicos ultraconservadores dos Estados Unidos têm sobre qual é o papel da Igreja. Além disso, outro ingrediente próprio do catolicismo estadunidense é o desprezo dos católicos brancos pelos latinos. O setor conhecido pela sigla WASC (“white anglo saxon catholics”, ou “católicos brancos anglo-saxões”) odeia os latinos, os considera pobres fracassados. Os WASC são muito influenciados pela teologia da prosperidade difundida pelos evangélicos.

Donald Trump atua nesse jogo?

Não creio que Trump tenha muitas convicções próprias. Ele certamente os escuta, mas quem tem mais proximidade com esse setor é o vice-presidente Mike Pence. As diferenças entre Washington e o Vaticano são muitas: o tema da pena de morte, a postura de Francisco contrária a um liberalismo fora de controle, entre outras. O papa é hoje um dos principais opositores aos fundamentos do poder econômico dos Estados Unidos.

(Página/12, via Carta Maior)

Nota: Após a renúncia de Bento XVI (veja aqui), o papa Francisco foi o líder carismático ideal para recuperar a imagem da Igreja Católica, arranhada por tantos casos de corrupção, abusos e pedofilia (veja aqui). Francisco tem cumprido sua missão, costurado alianças com protestantes e muçulmanos, promovido como nenhum outro o ECOmenismo, mas é inegável que ele tem uma agenda esquerdista (vou gravar em breve um vídeo sobre o preocupante Sínodo da Amazônia), não alinhada com os interesses da poderosa direita religiosa norte-americana. Talvez o único ponto de convergência desses dois lados opositores seja o descanso dominical, que atenderá aos interesses dos evangélicos dominguistas norte-americanos (veja este vídeo) e também aos interesses dos eco-religiosos pautados pela carta apostólica Laudato Si, igualmente defensora do descanso dominical. Um maior alinhamento de Francisco ou mesmo a possível eleição de um novo papa conservador mais alinhado aos Estados Unidos e que surfe na onda ecológica agigantada por Francisco só tornaria ainda mais claro o cenário profético que antecede o decreto dominical e a volta de Jesus. Quem viver verá. [MB]

Os 500 anos da primeira globonavegação

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No dia 6 de setembro de 1522, dezoito marinheiros magros, exaustos e cabeludos, da expedição espanhola liderada inicialmente pelo português Fernão de Magalhães, chegaram com a nau Victoria quase destruída ao porto espanhol de Sanlúcar de Barrameda. Era o que havia sobrado das cinco embarcações e dos 243 navegadores que haviam deixado o mesmo porto três anos antes, com o objetivo de estabelecer uma rota comercial até as ilhas Molucas (hoje Filipinas), mas que acabaram por circunavegar o globo terrestre. Magalhães não completou o périplo mundial, pois acabou morto em 27 de abril de 1521, durante uma batalha.

No ano passado, visitei Portugal e lá conheci alguns pontos turísticos históricos, como o local de onde as embarcações portuguesas saíram para singrar os mares e a igreja onde estão os restos mortais de outro navegador famoso: Vasco da Gama. Esses exploradores corajosos merecem realmente todo o respeito, afinal, graças a eles a visão da humanidade a respeito do mundo foi grandemente ampliada. E foi graças a eles, também, que cálculos feitos pelos antigos matemáticos gregos puderam ser comprovados na prática, mostrando sem sombra de dúvida que a Terra de fato é um globo.

amyrEm matéria publicada na Folha de S. Paulo, o famoso navegador brasileiro Amyr Klink disse: “Naquela época a Terra era redonda. E eles comprovaram isso. Eu lamento desapontar os crentes dessa teoria [da Terra plana], mas eu fui lá e vi. Adoraria sentar na beira da Terra, balançar as perninhas e dar tchau para o Universo. Mas não dá, a Terra é redonda.” Klink acumula os feitos de ter em 1984 atravessado em cem dias o Atlântico em um barco a remo, circunavegado a Antártida com um veleiro em 1998, feito que repetiu com tripulação em 2003, entre outras aventuras. Tudo registrado em fotos e textos em seus livros.

Infelizmente, os chamados terraplanistas desrespeitam o navegador brasileiro e dizem que tudo o que ele escreveu não passa de mentira, assim como dizem que o astronauta e agora ministro da Ciência e Tecnologia do Brasil Marcos Pontes também mente quando afirma que foi ao espaço e viu a curvatura da Terra. Sem levantar os glúteos da cadeira, desprezam o testemunho de pessoas idôneas que navegaram e voaram muito além do que sequer poderiam imaginar ou estariam dispostos a fazer.

Em 2017, conversei pelo WhatsApp com a esposa de Klink, Marina, e ela me disse achar um absurdo a atitude desses negacionistas do óbvio. “A Terra será plana enquanto ele [ela se referia a um terraplanista] continuar abrindo o mapa-múndi na mesa da cozinha.” Sim, de fato, aqueles que não apenas conhecem o mapa planificado, mas viajam pelo mundo real (como navegadores, pilotos de avião e astronautas), sabem o que há muito tempo já é conhecido, mas que estranhamente vem sendo negado no século 21: que a Terra é um globo, não uma pizza com uma borda de gelo em volta do disco.

carlos magnoPara citar apenas mais três exemplos históricos, basta saber que A Divina Comédia, livro escrito em 1320, apresenta a Terra globo (confira); o mais antigo globo terrestre data de 1492 (confira); e ver as pinturas do primeiro imperador do Sacro Império Romano Carlos Magno, que lá pelos anos 800 segurava um globo terrestre com uma cruz em cima, indicando poder e posse, e concluiremos que a ideia da Terra plana foi disseminada posteriormente no Ocidente com objetivos espúrios (assista a este vídeo para saber que objetivos foram esses).

No último domingo, o programa dominical de TV “Fantástico” exibiu uma reportagem alusiva aos 500 anos da primeira viagem de circunavegação, e tratou também da teoria conspiratória da Terra plana (veja aqui a matéria original do “Fantástico” e aqui um pequeno texto que escrevi sobre essa matéria, com vários materiais de referência sobre o assunto). Graças a Deus, desta vez os repórteres não relacionaram essa ideia mirabolante com o criacionismo nem com a Bíblia. Sim, porque, infelizmente, os chamados terraplanistas (que, por sinal, estão organizando um encontro no Brasil para o mês que vem) frequentemente se identificam como defensores das Escrituras Sagradas, do criacionismo e até do design inteligente, como um rapaz que tem um canal no YouTube aparentemente criado para defender a TDI, mas que ultimamente mais se ocupa de tentar mostrar que o homem não pisou na Lua e que a Terra seria um disco plano! O que esse pessoal mais consegue, na verdade, é atrair o escárnio e denegrir o cristianismo/criacionismo diante do público em geral. Por isso a Sociedade Criacionista Brasileira teve que emitir em 2017 uma nota de esclarecimento em que deixa claro não ser de forma alguma terraplanista.

Depois dessa reportagem no “Fantástico”, pipocaram no YouTube vídeos de terraplanistas indignados, o que já era previsível. Comentando um desses vídeos, meu amigo doutor em Física e especialista em satélites, que colabora em projeto da Nasa e agora trabalha para o Instituto de Tecnologia de Israel (Technion), Josué Cardoso, disse que frequentemente os terraplanistas “se apegam a detalhes irrelevantes (como a definição de ‘redondo’, por exemplo), desviando o foco das pessoas para coisas que nada significam em relação ao assunto. Nada de provas e argumentos técnicos. É muito triste ver assuntos importantes e verdadeiros sendo ‘queimados’ por essa gente”.

Josué analisa que, no início de seu vídeo, certa youtuber reclama de analfabetismo funcional na reportagem do “Fantástico”, sendo que ela mesma demonstra isso na “resposta” que não é resposta. “Outra coisa triste é quando ela apela para o argumento de autoridade: fulano é geofísico, o rapaz do outro canal é físico, ela é formada nisso e naquilo. Eles praticam os erros grosseiros que acusam os outros de cometer. Além disso, atacar Galileu e Newton é atacar os pais criacionistas da ciência. Assim eles ‘queimam’ duas vezes não somente o legado de cientistas cristãos, mas também da verdadeira mensagem que o bom cristianismo, que está em harmonia com a boa ciência, pode oferecer ao mundo. A mensagem de fé racional e esperança proferida por Cristo se torna associada ao obscurantismo e misticismo. Assim eles nos ‘queimam’ duas vezes! Que serviço para o inimigo de Deus estão fazendo!”

Na avaliação do matemático, esses negacionistas do globo “estão com aquela atitude de suspeitar/duvidar de tudo que os circunda. Quando uma pessoa perde o fio da meada, perde muitas vezes a capacidade de separar as coisas, pois a mente está fervendo. Fica fanática e vacina a si própria contra qualquer argumento contrário. Fecha-se para a possibilidade de estar errada em um assunto, só por ter descoberto verdades em outro. A mente fica polarizada e cega, tornando-se ‘do contra’ em tudo, até contra a verdade. Quando verdades são proferidas pela boca de ‘ímpios’, isso faz com que essas pessoas as rejeitem. Satanás joga com psicologia inversa, e sempre há muita gente que morde a isca”.

Exemplo disso foi o comentário de uma pessoa em minha página no Facebook: “Se veio da Globo é tudo mentira.” Aí eu perguntei: “Se a Globo disser que Deus existe Ele não existe?” Até o diabo fala verdades de vez em quando. Infelizmente, esta é a lógica de muita gente hoje em dia: se o diabo me falou para beber água, eu vou beber veneno; se o diabo falou para eu ser fiel à minha esposa, eu vou traí-la; se o diabo falou, só pode ser errado. No contexto social e político que estamos vivendo no Brasil, com polarização em tudo, a mente dos terraplanistas foi preparada e condicionada para receber esse engano.

Se eles guardassem o engano para si mesmos, seria menos pior. O grande problema é que se identificam como defensores da Bíblia e do criacionismo. Como exemplo disso, vou comentar um vídeo postado no canal Spotniks, em que três terraplanistas visitam o planetário do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e são recebidos lá pelo físico que dirige o planetário. As falas que se seguem são um festival de ignorância científica (assista ao vídeo aqui). Além de, como sempre, negarem a gravidade, desprezarem os conhecimentos em espectrometria que permitem analisar a composição de estrelas, ignorarem ferramentas matemáticas, eles disseram bobagens como estas: “O suposto lançamento de foguetes” (impossível para eles, pois esses artefatos não seriam capazes de cruzar o tal domo sólido), “A datação por carbono 14, todas essas coisas, já caíram por terra”; apontando o dedo para o físico, o rapaz com uma camiseta com a estampa de uma Terra pizza disparou: “Você acredita piamente que o homem evoluiu do macaco? Se o homem vem evoluindo, evoluindo do macaco, por que que hoje em dia ainda existe macaco?” “Você acha que é muito mais fácil explodir alguma coisa e gerar vida?” E um dos terraplanistas conclui o vídeo afirmando: “Nós facilmente chegamos à conclusão de que a Terra é plana, estacionária e não gira.”

Não vou nem dizer que senti vergonha alheia, porque esse pessoal definitivamente não representa o criacionismo, não sabe utilizar a verdadeira ciência e usa a Bíblia de uma forma totalmente distorcida. Quero é concluir repetindo o desafio que apresentei em outro vídeo: meu amigo astrofísico Eduardo Lütz escreveu um texto de mais de cem páginas sobre terraplanismo. Vou deixar de novo aqui o link e esperar que algum terraplanista se disponha a ler o conteúdo e escrever ou gravar uma refutação. Por enquanto, nada…

Enquanto aguarda a reação dos “planilsons” ao desafio do Lütz, sugiro que assista aos dois vídeos abaixo.

Michelson Borges

O Relatório da Montanha de Ferro

iron“Em 1963, uma comissão de alto nível – integrada por quinze eminentes pesquisadores, selecionados por seu alto saber e ilibada reputação – começou a reunir-se no local denominado Montanha de Ferro, perto de Nova York, por convocação provável do governo americano, para analisar, realística e objetivamente, as consequências que advirão para a humanidade se, e quando, for adotado universalmente um sistema permanente de paz. Após três anos e meio de estudos profundos e de sérias investigações sócio-científicas, o grupo deu por encerrados os trabalhos e emitiu unânime e sigiloso parecer, segundo o qual a paz definitiva, além de provavelmente inatingível, não seria útil à sociedade humana, cuja estabilidade – pelo menos no estágio atual – não pode prescindir da guerra.

A Paz Indesejável (Original: Report from Iron Mountain, 1969) é o surpreendente e chocante relatório da comissão da Montanha de Ferro tornando ostensivo – sem qualquer corte – pela indiscrição de um de seus membros. Foi acrescido de material introdutivo explicativo, preparado pelo jornalista do The New Yorker Leonard C. Lewin” (apresentação do livro).

“Leonard C. Lewin apresenta o livro como um verdadeiro furo. Uma vez, em agosto de 1963, um cientista social o procurou para lhe passar as conclusões do estudo feito por uma comissão da mais alta importância, convocada por Washington, para determinar, realística e precisamente, a natureza dos problemas que os Estados Unidos teriam de enfrentar se, e quando, o mundo atingir uma condição de paz permanente.

“As conclusões do relatório da comissão foram tão chocantes, que a própria comissão resolveu não as publicar. Em síntese, o relatório legitima a guerra… [grifo acrescentado] Este livro foi considerado, pela maioria dos críticos, uma obra tão interessante, mas tão fictícia…

“E há ainda um depoimento impressionante. Trata-se do que disse a professora de sociologia da Universidade Estadual da Pensilvânia, Jessie Bernard: ‘Antes de comentar este relatório, gostaria de corrigir um rumor errôneo. Na página 21, o autor declara que não havia mulheres na comissão. Acontece que fui membro do Grupo. Mas minhas contribuições eram tão contrárias ao tom das discussões […] que, por consenso, me pareceu melhor pular fora’” (nota do tradutor Luiz Orlando Carneiro).

Partes do relatório:

“A possibilidade da guerra fornece o senso de necessidade externa, sem o qual nenhum governo pode permanecer longamente no poder… A organização de uma sociedade para a possibilidade da guerra é seu principal estabilizador político” (p. 69).

“Em geral, o sistema de guerra dá a motivação básica para a organização social primária. Dessa forma, ele reflete no nível social os incentivos do comportamento individual humano. O mais importante deles, para propósitos sociais, é o argumento psicológico individual para submissão a uma sociedade e a seus valores. A submissão requer uma causa; uma causa requer um inimigo” (p. 73).

“Um substitutivo viável para a guerra como sistema social não pode ser uma mera charada simbólica. Ele deve envolver um risco real de destruição pessoal real, numa escala compatível com a envergadura e a complexidade dos modernos sistemas sociais. Credibilidade é a chave […], a menos que forneça uma ameaça crível de vida e morte, não satisfará a função socialmente organizadora da guerra. A existência de uma ameaça externa aceita é, assim, essencial à coesão social, bem como à aceitação da autoridade política” (p. 76).

“A guerra é a principal força motivadora do desenvolvimento da ciência, em qualquer nível, desde o abstratamente conceitual ao estritamente tecnológico… Todas as descobertas importantes sobre o mundo natural foram inspiradas por necessidades militares, reais ou imaginárias, de suas épocas… Começando com o desenvolvimento do ferro e do aço, passando pelas descobertas das leis do movimento e da termodinâmica, à era da partícula atômica, do polímero sintético, e da cápsula espacial, nenhum progresso científico importante deixou de ser, pelo menos indiretamente, iniciado com uma exigência implícita de armamento” (p. 82).

“O projeto espacial mais ambicioso e fora da realidade não pode, por si só, gerar uma ameaça externa crível. Argumenta-se, fervorosamente, que uma tal ameaça poderia se constituir na última e melhor esperança de paz, unindo a humanidade contra o perigo de destruição por criaturas de outros planetas, ou do espaço sideral. Foram propostas experiências para testar a credibilidade de uma ameaça de invasão extraterrena [grifo acrescentado]; é possível que alguns dos mais inexplicáveis incidentes com discos voadores, nos últimos anos, sejam de fato experiências primárias desse tipo” (p. 95).

“Um substitutivo político efetivo da guerra exigiria inimigos substitutivos… Pode ser, por exemplo, que a brutal poluição do meio-ambiente possa eventualmente substituir a possibilidade de destruição em massa, através de armas nucleares, como a principal ameaça aparente à sobrevivência das espécies” (p. 96).

[Nota pastor Sérgio Santeli: Será que qualquer semelhança com as “mudanças climáticas” é mera coincidência?]

“Um substitutivo de qualidade e magnitude críveis, deve ser encontrado, se uma transição para a paz é possível sem desintegração social. É mais provável, a nosso ver, que uma ameaça tenha de ser inventada ao invés de ser criada a partir de condições desconhecidas” [grifo acrescentado] (p. 96, 97).

“É inteiramente possível que o desenvolvimento de uma forma sofisticada de escravidão possa ser um pré-requisito absoluto para o controle social, num mundo de paz” [grifo acrescentado] (p. 99).

Nota do pastor Sérgio Santeli: É impossível terminar a leitura desse relatório e não se lembrar dos dias de Noé: “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (Gn 6:5). “Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do homem” (Mt 24:37). O tipo de “paz” que o mundo está tentando construir em lugar do atual sistema de “guerra” será sem a presença e os ensinamentos do Príncipe da paz – Jesus Cristo. Faz, então, todo o sentido a advertência profética: “Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição” (1Ts 5:3).

As notícias que ouvimos atualmente – mudanças climáticas, terrorismo, OVNIs – refletem as recomendações desse relatório na prática, e demonstram que a volta de Cristo está mais perto do que nunca. Quem viver verá!

imperioRecomendo fortemente a leitura do livro O Império Ecológico, páginas 295-334, onde há uma análise do “Relatório da Montanha de Ferro”, publicado em 1967. Isso que está acontecendo em nossa época já foi programado há muito tempo pela engenharia social, e é passo preparatório para a profecia registrada no livro O Grande Conflito, página 590.

“Já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos” (Rm 13:11).

Sérgio Santeli é pastor e mestre em Teologia

Fantástico exibe reportagem sobre a Terra plana

fantasticoO programa dominical de TV “Fantástico” exibiu ontem uma reportagem alusiva aos 500 anos da primeira viagem de circunavegação de Fernão de Magalhães, e tratou também da teoria conspiratória da Terra plana (veja aqui a matéria). Graças a Deus, desta vez os repórteres não relacionaram essa ideia mirabolante com o criacionismo nem com a Bíblia. Sim, porque, infelizmente, os chamados terraplanistas (que, por sinal, estão organizando um encontro no Brasil para o mês que vem) frequentemente se identificam como defensores das Escrituras Sagradas, do criacionismo e até do design inteligente (DI), como um rapaz que tem um canal no YouTube aparentemente criado para defender a TDI, mas que ultimamente mais se ocupa de tentar mostrar que o homem não pisou na Lua e que a Terra seria um disco tipo pizza! O que esse pessoal mais consegue, na verdade, é atrair o escárnio e denegrir o cristianismo/criacionismo diante do público em geral. Por isso o diabo gosta tanto dessa ideia e leva as pessoas a perder tanto tempo com ela. E por isso, a Sociedade Criacionista Brasileira teve que emitir em 2017 uma nota de esclarecimento em que deixa claro não ser de forma alguma terraplanista (leia a nota).

Vou deixar aqui embaixo alguns vídeos para que você possa se inteirar desse assunto e dois links para textos que refutam o terraplanismo (veja aqui e aqui). E MAIS IMPORTANTE: deixo aqui o link para um extenso documento escrito por meu amigo astrofísico Eduardo Lütz, até agora não refutado por nenhum terraplanista. É bem evidente que esse pessoal não gosta de matemática nem da verdadeira ciência, essa, sim, em harmonia com a Bíblia Sagrada e o verdadeiro criacionismo. [MB]

Para entender o cenário do fim

Papa convida líderes ao Vaticano para pacto global sobre educação

papaO papa Francisco convidou na quinta-feira líderes políticos, culturais e religiosos de todo o mundo para uma reunião no Vaticano no ano que vem para acertar um Pacto Global sobre Educação que prepare melhor os jovens para os desafios econômicos, ambientais e sociais. O Vaticano disse que a reunião, intitulada “Reinventando a Aliança Global pela Educação”, acontecerá no dia 14 de maio no Vaticano e será precedida por conferências temáticas. Estas incluirão tópicos como a defesa dos direitos humanos e da paz, o diálogo interreligioso, a migração, a cooperação internacional, refugiados, justiça econômica e proteção ambiental.

Em uma mensagem de vídeo, Francisco disse esperar que “figuras públicas respeitadas de nosso mundo que estão preocupadas com o futuro dos jovens” respondam ao seu convite. O Vaticano não detalhou quem seria convidado.

O encontro foi agendado para coincidir com o quinto aniversário da encíclica papal histórica “Laudato Si”, que pediu a proteção do meio ambiente, o combate ao aquecimento global e a eliminação gradual do uso dos combustíveis fósseis.

As conferências preparatórias acontecerão entre este mês e abril. Uma será sediada por Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que o papa visitou em fevereiro. As outras ocorrerão na Itália e no Vaticano.

(Terra)

Nota: Se você tem acompanhado o que tenho escrito a respeito do ECOmenismo, da atuação do papa no sentido de unir as religiões no combate ao aquecimento global e da aproximação do Vaticano dos muçulmanos moderados, bastará ler as partes que grifei na notícia acima para perceber a relevância profética desse encontro planejado para o ano que vem. [MB]