Damares e João: detonam a vítima e poupam o agressor

joao damarisEscrevi recentemente um artigo chamando a atenção para a cobertura jornalística do caso João de Deus. Já são mais de 300 acusações de abuso e estupro feitas contra o famoso médium espírita João Teixeira de Faria, de Abadiânia, GO. Tá certo que ele ainda não foi condenado, mas são 300 acusações! Muitas delas coincidem em vários detalhes, incluindo abuso de crianças. Mesmo assim a imprensa tem poupado o acusado e, principalmente, a religião que ele representa, o espiritismo. Atrizes que em outras ocasiões fizeram estardalhaço nas redes sociais com a campanha “Mexeu com uma mexeu com todas” estão estranhamente quietinhas no caso do médium. Talvez estejam esperando a condenação. Talvez estejam com medo dos espíritos. Talvez não queiram expor uma religião que predomina no meio artístico. Sei lá…

A parcialidade, a hipocrisia e a injustiça ficaram mais uma vez evidentes nesta semana, quando a indicada para chefiar o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, foi alvo de críticas e chacotas. Por quê? Porque em um vídeo de 2016 resgatado por algum internauta e viralizado nos últimos dias ela conta a história de como foi salva do suicídio por Jesus. Damares foi vítima de abuso sexual dos seis aos dez anos, e chegou a acreditar que perderia a salvação por causa disso. Desesperada, subiu em uma goiabeira com a intenção de se suicidar com veneno. Ela mesma conta como foi:

“Jesus Cristo me deu o abraço que a igreja não me deu. Jesus Cristo me deu o abraço que papai e mamãe não me deram. E naquele pé de goiaba aconteceu um milagre. A menininha que Satanás quis esmagar aos seis anos de idade foi transformada, e essa menininha hoje está lá no Senado Federal escrevendo leis para salvar crianças no Brasil.”

Em relação à polêmica causada pelo vídeo, a futura ministra disse também: “É comum as crianças falarem que têm amigos imaginários, mas quando uma menina cristã fala que esse amigo é Jesus, ela vira piada. De ontem para hoje, virei alvo de piadas porque tive coragem de contar que uma menina de dez anos, machucada, tinha como amigo imaginário o ser superior da vida dela, que é Jesus. Eu O vi, e foi Ele que me impediu de me matar.”

Você percebe a inversão de valores que está ocorrendo debaixo do nosso nariz? Enquanto a imprensa secular e muitos internautas tentam poupar e até blindar o médium acusado, o possível e provável agressor, jornalistas e internautas não poupam a vítima e fazem piada com um episódio terrível da vida dela. Assim como as feministas silenciaram quando mulheres realmente “empoderadas” , mas conservadoras, foram indicadas e eleitas para cargos importantes, supostos defensores dos direitos humanos, pensadores esquerdistas e defensores de causas como o aborto e o “casamento” gay fazem coro contra a evangélica que luta contra o aborto e a favor da família tradicional.

João de Deus incorporar espíritos e realizar curas milagrosas, tudo bem. Falar com mortos e trazer recados do “além”, tudo bem. Agora, uma menina ser salva da morte por Jesus, aí, não! É fanatismo, loucura, delírio. Quanta hipocrisia! Quanta parcialidade! Quanta crueldade! Detonam a vítima e poupam o agressor. É fácil levantar cartazes contra o abuso infantil, contra o estupro, contra a intolerância, mas na hora do “vamos ver” a coisa é diferente.

Jesus é real, Ele está vivo, pois ressuscitou, e há muitas evidências históricas disso. Jesus cura de verdade, restaura vidas e pode transformar uma menina com a vida destruída em uma líder religiosa que ajuda milhares de pessoas, e levá-la, inclusive, a ocupar o cargo de ministra para lutar pelo pouco que restou de esperança para as famílias desta nação, bombardeadas pelo lixo midiático dos que se acham superiores aos que falam com Jesus.

Quanto aos mortos, esses estão mortos. É o que ensina a Bíblia. Mortos não falam com vivos, não interferem nas coisas deste mundo. Quem se faz passar por eles são os anjos maus, cujo propósito é justamente fazer com que as pessoas tolamente pensem que são imortais por natureza e que podem viver desconectadas da fonte de vida que é Jesus, sim, o ser todo-poderoso que tem espaço na agenda para salvar menininhas em cima de goiabeiras, como salvou Zaqueu, há dois mil anos, também em cima de uma árvore. Jesus não muda. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente.

Deus abençoe a ministra Damares e a ajude a fazer o que tem que ser feito, e que a justiça seja feita no caso de João de Abadiânia.

Michelson Borges

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O caso João de Deus e a parcialidade da mídia

joao-de-deus-bNão vou comentar as acusações de abuso e estupro de crianças e mulheres que recaem sobre o famoso médium espírita João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus. Depois de colhidos 250 depoimentos, o Ministério Público Estadual de Goiás protocolou pedido de prisão preventiva, mas João não foi condenado, portanto, o assunto pertence à polícia e à Justiça. O que quero analisar brevemente aqui é a tremenda parcialidade de setores da chamada grande imprensa. Em um programa de entrevistas na Rede Globo, ficou claro o esforço do apresentador no sentido de “descolar” a religião espírita do médium que recebia em seu centro localizado em Abadiânia milhares de pessoas de vários países. Jornalistas conceituados como André Trigueiro fizeram a mesma coisa, ao tentar separar o espiritismo do que João fez (confira). Quando li a primeira notícia sobre os possíveis abusos do médium, lembrei-me de uma matéria de capa sobre ele publicada meses atrás na revista Veja. Abordagem positiva, quase panfletária. Reportagem publicada hoje no G1 trata das denúncias e dos desdobramentos do caso, mas termina assim: “Não se trata de questionar os métodos de cura de João de Deus ou a fé de milhares de pessoas que o procuram.” Sempre o mesmo cuidado e o mesmo respeito.

Obviamente que não se pode julgar a religião espírita nem os espíritas pelas atitudes de um de seus expoentes, ainda que sejam confirmadas as denúncias. Seres humanos são passíveis de erros – às vezes gravíssimos. Infelizmente, charlatães e oportunistas existem em todas as religiões. Mas o mínimo que deveria ser esperado de uma imprensa que posa de ética e imparcial é justamente a imparcialidade. Quando se trata de acusações contra padres e pastores, por exemplo, raramente se vê uma defesa tão evidente quanto nestes dias em relação ao espiritismo.

Na verdade, a tríade religiosa/filosófica que analiso em meu livro Nos Bastidores da Mídia – espiritismo, marxismo e evolucionismo – conta sempre com a blindagem da imprensa secular e mesmo da academia, ao passo que a mensagem bíblica favorável ao criacionismo, à família tradicional, à singularidade de Jesus Cristo – enfim, a cosmovisão cristã – recebe ataques de todos os lados. O caso João de Deus ajudou a evidenciar uma vez mais essa injusta parcialidade.

Michelson Borges

Jesus, Papai Noel e outras questões natalinas

Drauzio Varella outra vez

drauzio-varella[O Dr. Drauzio Varella, a quem respeito como médico e autor, publicou na semana passada o texto “Criacionismo outra vez”, expondo novamente suas ideias equivocadas com respeito ao criacionismo, algo que ele já fez e que eu comentei aqui. No texto abaixo, meus comentários seguem entre colchetes. – MB]

Voltamos a falar no ensino do criacionismo nas escolas. A mania de andar para trás teima em nos perseguir. Até 1859, quando Charles Darwin publicou o livro sobre a origem das espécies, todos acreditavam que Deus os havia criado num único dia. Essa crença começou a ser questionada no século 19, época em que os museus ingleses passaram a exibir plantas e esqueletos de animais já extintos. Como justificar o desaparecimento de tantas espécies tão semelhantes às que ainda povoavam a Terra? A explicação corrente era a de que a ira divina exterminava periodicamente algumas espécies para criar outras, parecidas com as anteriores. [Não, a explicação criacionista sempre foi a de que a Terra sofreu as consequências de uma catástrofe chamada dilúvio, que levou à extinção de toda forma de vida não preservada na arca de Noé, daí por que há tantos fósseis espalhados pelo planeta e hoje seus descendentes mais ou menos limitadamente modificados vivem sobre a Terra.]

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Efeitos da tela no cérebro das crianças

Cell-PhoneO site da CBS publicou um estudo muito interessante, cuja prévia dos resultados foi divulgada ontem pelo National Institute of Health dos EUA. Foi um estudo multicêntrico conduzido ao longo de dez anos, com 11. 000 pessoas, em 21 cidades, ao custo de 300 milhões de dólares, para demonstrar os efeitos da tela (celular, iPad, computador e TV) no cérebro de crianças, adolescentes e adultos. Alguns highlights do estudo (dica do Dr. Ivan Stabnov):

1. O uso constante de tela provoca atrofia do córtex cerebral, com possível diminuição da receptividade de informações sensoriais (visão, audição, tato, olfato, paladar), pois acabam menos estimulados durante o uso da tela do que em outras atividades.

2. Há sinais de aumento importante da velocidade da maturação cerebral relacionado ao uso de tela, ou seja, aceleração do processo de envelhecimento cerebral.

3. Durante o uso de mídias sociais, há evidências do aumento da liberação de dopamina, que é um neurotransmissor relacionado ao vício. Ou seja, há evidências (que serão mais bem estudadas) de que pode viciar quimicamente, como uma droga.

4. Diminui o desempenho em testes de linguagem e matemática.

5. Crianças que aprendem a empilhar blocos e jogar em 2D (por exemplo, Minecraft), ao contrário do que se pensava, não conseguem transferir estas habilidades para montar blocos em 3D. Ou seja, a habilidade serve apenas especificamente para o computador, não para a vida real.

6. Existe uma correlação que será mais bem estudada (para saber se é uma relação de causa e consequência ou não) entre automutilação em meninas adolescentes e uso de redes sociais.

7. Adolescentes que usam redes sociais menos de 30 minutos ao dia apresentam muito menos sintomas depressivos e autodestrutivos do que os adolescentes que usam redes sociais por um tempo superior a esse.

A maior de todas as promessas

second-comingA descrição do último dia do planeta Terra que mais me impressiona está escrita no best-seller mundialmente conhecido como O Grande Conflito. Nas páginas 640 e 641, a autora, Ellen G. White, pinta assim a cena: “Surge logo no Oriente uma pequena nuvem negra, aproximadamente da metade do tamanho da mão de um homem. É a nuvem que rodeia o Salvador, e que, à distância, parece estar envolta em trevas. O povo de Deus sabe ser esse o sinal do Filho do homem. Em solene silêncio fitam-na enquanto se aproxima da Terra, mais e mais brilhante e gloriosa, até se tornar grande nuvem branca, mostrando na base uma glória semelhante ao fogo consumidor e encimada pelo arco-íris do concerto. Jesus, na nuvem, avança como poderoso vencedor. […] Com antífonas de melodia celestial, os santos anjos, em vasta e inumerável multidão, acompanham-nO em Seu avanço. […] Nenhuma pena humana pode descrever esta cena, mente alguma mortal é apta para conceber seu esplendor.”

Fantástico demais? Parece apenas um lindo sonho que nunca se realizará? Seriam simbólicas essas palavras, assim como as centenas de citações bíblicas relacionadas com esse evento? Afinal de contas, Cristo voltará mesmo algum dia?

TEMPO DE PARADOXOS

O fim do século 20 foi caracterizado por grandes paradoxos, que se ampliaram nas últimas décadas. De um lado, os avanços científico-tecnológicos enchem-nos de esperança: realidade virtual, engenharia genética e clonagem, viagens espaciais rotineiras e internet são palavras que deixaram a ficção para se tornar realidade. De outro, a fome e as epidemias dizimando milhões de seres humanos em vários países; desastres ambientais; crianças armadas matando colegas na escola; acidentes aéreos, navais e automobilísticos; lixo “cultural” exibido em horários nobres na TV; doenças incuráveis levando milhões à sepultura precocemente… Isso sem falar na crise econômica e no desemprego.

Depois da queda do comunismo na ex-União Soviética, as atenções de todo o mundo se voltaram para o capitalismo como “a grande solução”. Entretanto, em anos recentes, constatou-se a ilusão de tal crença. Em outubro de 1997, a crise asiática assustou o mundo e provocou um efeito cascata nas bolsas de valores. Menos de um ano depois (em agosto de 1998), a moratória russa gerou incerteza e derrubou a poderosa Bolsa de Nova Iorque em 4,2%. Em 2008 foi a vez dos Estados Unidos. O desespero dos investidores se estampava nos jornais, cumprindo, em parte, as palavras de Jesus: “Haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo” (Lucas 21:26).

De fato, o início do século e do milênio foi marcado por paradoxos. Boas e más notícias se mesclam nos noticiários diários. Esperança e desespero convivem de mãos dadas. Em quem devemos crer: nos “profetas do fim do mundo” ou nos pregoeiros da paz e da Nova Era? Existe, afinal, uma boa notícia que seja, acima de tudo, confiável e definitiva? Existe!

A GRANDE NOTÍCIA

Há quase dois mil anos, Deus assumiu a forma humana e habitou entre os homens (ver João 1:1-3). Jesus – chamado de o Verbo de Deus, a Palavra encarnada – trouxe-nos a maior e melhor notícia de todos os tempos: há salvação para o pecador arrependido e para este mundo enfermo; as desgraças e a miséria humana não durarão para sempre. Veja o que Ele mesmo disse: “Não fiquem tristes e preocupados. Confiem em Deus e confiem também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitos cômodos, e Eu vou preparar um lugar para vocês. […] E, depois que Eu for […] voltarei e os levarei comigo para que vocês estejam onde Eu estiver” (João 14:1 a 3, BLH). Sem dúvida, a segunda vinda de Cristo (prometida por Ele mesmo) é o maior acontecimento da História. Mas como será essa vinda?

Passagens bíblicas como Mateus 24:30; 25:31; Atos 1:11 e outras deixam claro que a segunda vinda de Cristo à Terra será bem visível, pois Ele virá “sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória”. Além disso, junto com Ele virão milhares de anjos. Para que não houvesse nenhuma dúvida, inclusive, Jesus comparou Sua vinda a algo bem visível: um relâmpago que cruza o céu de ponta a ponta (ver Mateus 24:27). A Bíblia diz, também, que todos os povos da Terra verão o Filho do homem descendo nas nuvens, com poder e grande glória (ver Apocalipse 1:7 e Mateus 24:30).

Outro evento espetacular que terá lugar na segunda vinda de Cristo é a ressurreição dos mortos. O apóstolo Paulo deixou palavras muito animadoras a respeito dos que dormem na sepultura. Disse ele que “haverá a ordem de comando, a voz do Arcanjo, o som da trombeta de Deus, e então o próprio Senhor descerá do Céu. Ressuscitarão primeiro aqueles que já morreram crendo em Cristo” (1 Tessalonicenses 4:16, BLH). Essa é, sem dúvida, uma feliz notícia para todos os que perderam um amigo ou familiar querido. Pense na possibilidade de rever essa pessoa num mundo no qual não haverá mais dor, choro ou morte! (Ver Apocalipse 21:1-4.)

Com relação aos que estiverem vivos na vinda de Cristo, Paulo diz: “Então nós, os que estivermos vivos, seremos todos reunidos com eles [os mortos ressuscitados] nas nuvens, para nos encontrarmos com o Senhor no ar; e assim estaremos sempre com Ele” (1 Tessalonicenses 4:17, BLH). Paulo, inspirado por Deus, também disse que os que estiverem vivos por ocasião da segunda vinda, serão transformados, deixarão de ser mortais e ganharão um corpo imortal (ver 1 Coríntios 15:51, 52).

Agora pense nisso: se na segunda vinda de Cristo os mortos serão ressuscitados e os vivos transformados serão levados para o Céu, isso quer dizer que não haverá outra chance para arrependimento naquele dia. Note o que disse Jesus: “Eu venho logo! Vou trazer comigo as Minhas recompensas, para dá-las de acordo com o que cada um tem feito” (Apocalipse 22:12, BLH). Jesus virá, desta vez, para dar a recompensa: a vida eterna.

A salvação de todo ser humano já foi providenciada quando o Filho de Deus entregou a vida na cruz. Em Sua segunda vinda Ele virá buscar aqueles que aceitaram essa salvação. “Quando chegou o tempo de mostrar a Minha bondade” – diz Deus – “Eu atendi o seu pedido e o socorri quando chegou o dia da salvação. Escutem! Este é o tempo em que Deus mostra a Sua bondade! Hoje é o dia de ser salvo!” (2 Coríntios 6:2, BLH).

Naquele dia só haverá duas classes de pessoas. Jesus dirá aos que estiverem à Sua direita, aos salvos: “Venham, vocês que são abençoados pelo Meu Pai! Venham e recebam o Reino que, desde a criação do mundo, foi preparado pelo Meu Pai.” Já aos da esquerda, os que rejeitaram todos os apelos do Espírito Santo e não quiseram manter um relacionamento de amizade com Cristo, Ele dirá: “Afastem-se de Mim” (ver Mateus 25:34, 41, BLH).

QUANDO JESUS VIRÁ?

“Quanto ao dia e hora ninguém sabe” (Mateus 24:36), mas Cristo deixou algumas profecias cujo cumprimento serviria de sinal para os vigilantes, os que estudam a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Dentre esses sinais, podemos destacar os seguintes:

1. Pessoas querendo imitar a vinda de Cristo, dizendo ser Ele e fazendo, inclusive, milagres (Mateus 24:5, 24).
2. Guerras, fomes, pestes, doenças e terremotos em todos os lugares (Mateus 24:7).
3. Tempos difíceis (2 Timóteo 3:1).
4. Homens amantes de si mesmos, ambiciosos, egoístas, blasfemos, orgulhosos, mais amigos de prazeres do que amigos de Deus (2 Timóteo 3:1-5).
5. Multiplicação do conhecimento das profecias apocalípticas e da ciência (Daniel 12:4).

A frequência e a intensidade com que esses sinais têm ocorrido nos últimos anos apontam para a proximidade da segunda vinda de Jesus Cristo. É verdade que muitas pessoas duvidam desse acontecimento. Alguns até zombam dos que creem nisso. Sem saber, esses céticos cumprem outro sinal: “Vocês precisam saber que nos últimos dias vão aparecer homens dominados pelas suas próprias paixões. Eles vão zombar de vocês, dizendo: ‘Ele prometeu vir, não foi? Onde está Ele? Os nossos pais morreram, e tudo continua do mesmo jeito que era desde a criação do mundo!’” (2 Pedro 3:3, 4, BLH).

Por isso, um bom conselho bíblico é: “Fiquem vigiando e orando sempre, para poderem escapar de tudo o que vai acontecer e continuarem firmes diante do Filho do homem” (Lucas 21:36, BLH).

Michelson Borges

Faz sentido consultar o horóscopo?

horoscopoQuando era adolescente, trabalhei como cartunista freelance para um jornal em minha cidade natal, Criciúma, SC. Lembro-me de que certo dia, quando cheguei ao jornal para entregar as tirinhas da semana, ouvi um editor dizer para o outro que não havia texto do horóscopo para aquele dia, ao que o colega respondeu: “Publique o do ano passado. Quem vai se lembrar?” Nunca me esqueci dessa conversa reveladora. E depois que me tornei criacionista e mais crítico, também passei a considerar tremenda incoerência jornais que vivem questionando a Bíblia, o cristianismo e, principalmente, o criacionismo manterem em suas páginas as famosas colunas de horóscopo com suas previsões vagas e pseudocientíficas. Trinta anos se passaram desde que trabalhei para aquele diário. O genoma humano foi mapeado. Enviamos jipes robôs para Marte. A internet tomou conta do mundo. Nosso conhecimento sobre física, astrofísica e astronomia avançou bastante. Mas o horóscopo continua lá e os astrólogos ainda são ouvidos por muita gente.

Qual o seu signo? Esta é uma pergunta comum entre as pessoas, especialmente quando se conhecem e querem saber se têm alguma afinidade astrológica. Chega a ser surpreendente o fato de tanta gente ainda tomar decisões ou decidir o futuro amoroso com base no que estaria escrito nas estrelas, mesmo vivendo numa era de conquistas científicas espetaculares e de grande disseminação do conhecimento.

Esse é o lado irônico da coisa. A despeito da grande evolução científica, nunca se presenciou em toda a história da civilização uma explosão tão grande de misticismo que mistura fantasia e realidade em doses que tendem a trazer de volta um panorama que se pensava sepultado no passado longínquo.

Embora hoje não exista exatamente um culto aos astros, como havia nas civilizações da antiguidade, milhares de pessoas baseiam cruciais decisões médicas, profissionais e pessoais em conselhos recebidos de astrólogos e de publicações dedicadas à astrologia. E mais da metade dessas pessoas é jovem.

A astrologia surgiu numa época em que a visão que a humanidade tinha do mundo era dominada pela magia e pela superstição. Os corpos celestes eram considerados deuses ou “espíritos” importantes, que pareciam passar o tempo mexendo com a vida dos seres humanos.

As pessoas procuravam no céu sinais que lhes permitissem descobrir o que os deuses fariam em seguida. Mesmo na antiga Babilônia já havia a prática da astrologia, conforme registrou o profeta Isaías: “Cansaste-te na multidão dos teus conselhos; levantem-se pois agora e te salvem os astrólogos, que contemplam os astros, e os que nas luas novas prognosticam o que há de vir sobre ti” (Isaías 47:13).

Mas por que a astrologia se mantém até hoje? Tem ela, afinal, alguma base científica? A seguir são analisadas sete questões, baseadas num estudo do astrônomo americano Andrew Franknoi, as quais colocam em xeque a pretensão da astrologia de ser uma ciência, à semelhança da astronomia.

1. Qual a probabilidade de que 1/12 da população mundial tenha um mesmo tipo de dia? Os astrólogos que publicam horóscopos nos jornais asseguram que se pode saber algo sobre os acontecimentos do dia de uma pessoa simplesmente lendo um dos doze parágrafos da coluna dedicada ao assunto em um jornal. Uma divisão simples mostra que mais de 500 milhões de pessoas no mundo teriam o mesmo tipo de dia, todos os dias. “Dada a necessidade de atender a tantas expectativas ao mesmo tempo, torna-se claro o motivo pelo qual as previsões astrológicas vêm acondicionadas em um palavreado o mais vago e genérico possível”, analisa Franknoi.

2. A astrologia parece científica para algumas pessoas porque o horóscopo é baseado em um dado exato: o tempo do nascimento de cada um. Quando a astrologia foi estabelecida, há muito tempo, o instante do nascimento era considerado o ponto mágico da criação da vida. Mas hoje entendemos o nascimento como o ponto culminante de um desenvolvimento de nove meses dentro do útero. Provavelmente o motivo pelo qual os astrólogos se mantêm fiéis ao momento do nascimento tem pouco a ver com a teoria astrológica. Quase todo cliente sabe quando nasceu, mas é difícil identificar o momento da concepção de uma pessoa.

3. Se o útero da mãe pode afastar influências astrológicas até o nascimento, como dizem os astrólogos, será que é possível fazer a mesma coisa com um pedaço de filé? Se forças tão poderosas emanam do céu, por que elas são inibidas antes do nascimento por uma fina camada protetora feita de músculo, carne e pele? Se o horóscopo potencial de um bebê for insatisfatório, seria possível retardar a ação das influências astrológicas circundando imediatamente o recém-nascido com um naco de carne até que os signos celestiais fiquem auspiciosos?

4. Outro aspecto interessante de se notar é que, se os astrólogos são tão bons quanto afirmam, por que eles não ficam mais ricos? Alguns respondem que não podem prever eventos específicos, apenas tendências amplas. Outros alegam ter o poder de prever grandes eventos, mas não pequenos acontecimentos. Mas, seja como for, os astrólogos poderiam ganhar bilhões prevendo o comportamento geral do mercado de ações ou do mercado futuro do ouro, e assim não precisariam cobrar consultas tão caras ou publicar textos em jornais.

5. Da parte da astronomia a astrologia recebe ainda outro golpe. Alguns astrólogos afirmam que o signo do Sol (a localização do Sol no Zodíaco no instante do nascimento), usado exclusivamente por muitos horóscopos de jornais, é um guia inadequado para os efeitos do cosmos. Eles insistem que a influência de todos os corpos principais no Sistema Solar deve ser levada em consideração, incluindo Urano, Netuno e Plutão, que somente foram descobertos em 1781, 1846 e 1930, respectivamente. “E antes de 1930? Estavam erradas todas as previsões astrológicas? E por que as imprecisões dos antigos horóscopos não levaram a deduzir a presença dos três planetas muito antes que os astrônomos os descobrissem? E que aconteceria se fosse descoberto um décimo planeta? E que dizer dos asteroides e das luas do tamanho de planetas, localizados na periferia do Sistema Solar?”, questiona Franknoi.

6. A desconsideração desses corpos celestes por parte dos astrólogos leva a outra pergunta: Se a influência astrológica é exercida por alguma força conhecida, por que os planetas dominam? Se os efeitos da astrologia podem ser atribuídos à gravidade, à força das marés ou ao magnetismo, qualquer um poderia realizar os cálculos necessários para ver o que realmente afeta um recém-nascido. Por exemplo, o obstetra que faz o parto exerce uma força gravitacional cerca de seis vezes superior à de Marte e cerca de dois trilhões de vezes superior à das marés. O médico pode ter muito menos massa que o planeta vermelho, mas está muito mais perto do bebê.

7. Caso os astrólogos digam que a influência astrológica é exercida por uma força desconhecida, por que não depende da distância? Todas as forças de longo alcance conhecidas no Universo ficam mais fracas à medida que os objetos se distanciam, mas as supostas influências astrológicas não dependem da distância. A importância de Marte em um dado horóscopo é idêntica, esteja o planeta do mesmo lado do Sol que a Terra ou sete vezes mais distante, do outro lado. Uma força independente da distância seria uma descoberta revolucionária. Mas ainda que se admitisse que a influência astrológica não depende da distância, surgiria outra pergunta: Por que não existe astrologia de estrelas, galáxias e quasares?

Para o astrônomo francês Jean-Claude Pecker, os astrólogos parecem ter “uma mente muito estreita” quando limitam seu ofício ao Sistema Solar. “Bilhões de estupendos corpos espalhados por todo o Universo deveriam somar sua força à dos nossos pequenos Sol, Lua e planetas”, diz Pecker.

Será que um cliente, cujo horóscopo omite os efeitos de Rigel, do Pulsar do Caranguejo e da Galáxia M31 (Andrômeda), recebeu um mapa astrológico completo?

Várias questões científicas poderiam ser ainda mencionadas, mas vou encerrar com uma de ordem ética. O cristianismo – e qualquer sociedade civilizada – deplora todos os sistemas que julgam os indivíduos pelo sexo, cor da pele, religião, nacionalidade ou quaisquer outros acasos de nascimento. O próprio Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34). No entanto, os astrólogos alardeiam que podem avaliar as pessoas com base em outro acaso de nascimento: a posição dos corpos celestes. Será que a recusa em namorar alguém do signo de Leão ou de empregar alguém de Virgem não é tão condenável quanto a recusa em namorar um negro ou dar emprego a um protestante?

Diante do que foi exposto, continua válido o conselho de Moisés aos antigos israelitas para não levantarem os olhos para o céu e, vendo o Sol, a Lua e as estrelas, todo esse exército do céu, ser levados a se inclinar perante eles (Deuteronômio 4:19).

Melhor do que acreditar na guia dos astros celestes e que o destino humano estaria escrito nas estrelas, é depositar a vida nas mãos do Criador dos planetas, das galáxias, enfim, do Universo. Esse vale a pena consultar todos os dias!

Michelson Borges