O Dia do Pastor mais triste, porém mais cheio de esperança da minha vida

Neste momento, minha ovelha especial está sendo o meu pai querido

pai

No Dia do Pastor, costumeiramente estamos pregando nas igrejas e recebendo os cumprimentos de irmãos queridos. Ovelhas carinhosas que reconhecem o trabalho e a dedicação de homens que decidiram entregar a vida ao santo ministério, em resposta ao chamado de Deus. Hoje é 24 de outubro, dois dias após relembrarmos o inesquecível 22 de outubro de 1844. Dia de pensarmos que fomos chamados para proclamar as três mensagens angélicas de Apocalipse 14; que fazemos parte da igreja remanescente, com um dever e uma missão bem definidos para este tempo especial que antecede a volta de Jesus. Momento de pensar emocionados que poderemos fazer parte da última geração de pastores que, com suas ovelhas, olharão nos olhos do Supremos Pastor e receberão um abraço apertado dEle (1 Pedro 5:4). Porém, este Dia do Pastor está sendo bem diferente para mim.

Estou em minha terra natal, Criciúma, SC. Os dias aqui têm transcorrido relativamente bem, apesar de tudo. Deus tem nos confortado e fortalecido. Fiquei pouco em casa de quinta-feira para cá. Passei a tarde de anteontem e o dia de ontem todo no hospital com meu pai. Ele está em coma há quase dois meses, vitimado por Covid e uma encefalite grave. Visitei-o na UTI três vezes um mês atrás. Agora voltei para, com minhas duas irmãs guerreiras, cuidar do meu pai num quarto comum, já que os médicos pouco podem fazer por ele agora. Hoje passarei o dia todo aqui de novo, pois quero dar um pouco de descanso para minhas irmãs, que há uma semana vêm revezando nos cuidados dele.

Tenho experimentado situações emocionalmente difíceis, como ajudar a dar banho em meu pai inerte e com o corpo já cheio de feridas (escaras). De vez em quando tenho que chamar uma enfermeira para aspirar secreções da traqueostomia, momento em que ele faz expressões de extremo desconforto (reflexo, dizem), ao ser enfiado pela garganta um tubo plástico para sucção. É tão difícil ver nesse estado aquele homem antes tão forte, atlético, determinado e cheio de vida… As pernas musculosas de jogador estão finas e debilitadas. O corpo está usando toda a proteína disponível na luta pela vida, mas os recursos estão se acabando…

Quando faço pequenos exercícios nos braços e nas pernas para tentar minimizar os efeitos da atrofia, ele também expressa dor, e eu choro por dentro (não quero que ele me ouça chorando). Quando não suporto mais, vou ao banheiro. Clamo a Deus para que, se o milagre da cura não estiver nos planos dEle, que Ele permita que meu pai descanse enquanto estou aqui para confortar minha mãe e irmãs. Assim têm sido meus dias. Assim está sendo meu Dia do Pastor.

Ontem gravei o resumo da lição da Escola Sabatina para que minha família assista em casa – um jeito de eu “estar” lá com eles (você também pode assistir aqui). Cuidar do meu pai agora é o mínimo do mínimo que eu poderia fazer pelo homem que me deu a vida e me educou em meus primeiros anos; que me ensinou a ser trabalhador, honesto, corajoso, homem de verdade. Que gostava de fazer longas caminhadas comigo, quando eu vinha para cá de férias. Momentos em que colocávamos a conversa em dia. Francisco Borges, o craque do futebol, ex-jogador do Figueirense, time da Capital, de quem não herdei o gosto pelo esporte, mas de quem gostava de ouvir as inúmeras histórias de peripécias futebolísticas.

O goleador está ali, no leito, inerte, mas lutando pela vida, como o campeão que sempre foi. Vivia dizendo que a morte teria trabalho com ele, e está tendo, pois ele é um batalhador.

Sim, este está sendo o Dia do Pastor mais triste, porém mais cheio de esperança da minha vida. Por que esperança? Porque eu tenho uma esperança que vai além desta vida! Porque minha família e eu oramos por quase três décadas para que meu pai aceitasse Jesus como seu Salvador e Senhor, e temos evidências de isso ter acontecido pouco antes de ele entrar em coma (clique aqui e saiba por quê). Essa e outras demonstrações do amor e do cuidado de Deus nos fazem sentir a alegria irromper em meio à dor.

Visitei e orei com outro doente aqui no hospital, ontem. Tenho entregado livros missionários para quem posso. Mas, neste momento, minha ovelha está sendo o Sr. Francisco Borges. Daqui a pouco, depois do banho, vou pregar para ele e orar com ele, na esperança de que Deus faça chegar alguma coisa à mente dele; na esperança de que ele esteja em paz e tranquilo, como o rosto tem demonstrado.

Obrigado, meu Pastor Jesus, por cuidar de nós e fazer de tudo para nos salvar! Que o Senhor volte logo para nos levar para o aprisco celestial! Feliz Dia do Pastor para o Senhor também!

Pastor Michelson Borges

Perguntas interativas da Lição: os olhos do Senhor: a cosmovisão bíblica

Nunca vemos o mundo de uma posição neutra. Sempre o enxergamos através de “filtros” que afetam nossa maneira de interpretar e entender a realidade. Chamamos esses filtros de “visão de mundo” ou “cosmovisão”. A educação cristã deve se fundamentar na cosmovisão bíblica para que aprendamos a ver as coisas como o Senhor as vê, conforme a realidade. Esse é o tema da lição da Escola Sabatina desta semana, a qual enfatiza especialmente quatro colunas fundamentais na cosmovisão cristã: a existência de Deus, a criação, a redenção e a lei moral de Deus.

Perguntas interativas para discussão em grupo:

Sobre cosmovisões

A lição de sábado diz que “muito do que os seres humanos pensam sobre o mundo pode estar equivocado”. Sendo o ser humano tão inteligente, como isso pode acontecer? (R.: A cosmovisão ou visão de mundo que não é baseada na Bíblia é como uma lente que distorce a maneira como as pessoas percebem a própria realidade. Elas enxergam o mundo conforme seus parâmetros ideológicos e conceituais limitados. Eis alguns exemplos de cosmovisões equivocadas: ateísmo; teoria da evolução; ideologias filosóficas contrárias à Bíblia; ideias de que a vida é regida por “reencarnação”; “carma”; merecimento; astrologia; universos paralelos; etc.)

Por que nunca interpretamos o mundo de um modo “neutro”? Como o nosso modo de interpretar a realidade (cosmovisão) afeta nosso modo de viver?

Hoje em dia há muitas pessoas inteligentes e influentes (como Elon Musk) que pensam que o mundo em que vivemos não é real; é apenas uma “simulação virtual de computador feita por raças alienígenas”. Em sua opinião, como é possível pensarem assim? Quais são as possíveis consequências de se ter esse tipo de cosmovisão?

Leia Colossenses 2:8 com atenção. Por que o apóstolo diz para termos “cuidado” com as filosofias humanas? Por outro lado, como podemos enxergar o mundo de acordo com a realidade, que é “conforme Cristo”?

Sobre Deus

Leia Salmo 14:1 e 53:1. Qual é o perigo de se ter uma cosmovisão ateísta?

Por que a cosmovisão bíblica, teísta, criacionista é muito mais lógica e racional do que a visão de mundo ateísta?

Sobre a criação

Qual é o problema de se ter uma visão de mundo que tenha a teoria da evolução como a realidade? Pior do que isso, quais são os sérios perigos de tentar conciliar a cosmovisão evolucionista com a bíblica? De acordo com a lição de segunda-feira, essa tentativa de conciliação equivaleria a “zombar da Bíblia e da fé cristã como um todo”. Por quê?

Qual é a importância do sábado para aqueles que enxergam a realidade de acordo com a cosmovisão bíblica?

Sobre a redenção

Leia Apocalipse 14:6, 7. Por que a proclamação final do evangelho eterno ao mundo está associada à verdade de que Deus é Criador?

Leia 2 Coríntios 4:3, 4. Em se tratando de cosmovisão, de acordo esse texto, por que muitas pessoas não conseguem “enxergar” a importância do evangelho da redenção? Como podemos ajudar essas pessoas?

Sobre a lei de Deus

Por que o evangelho não faz sentido sem a lei de Deus?

Pense nisto: sem a cosmovisão da realidade, a qual só podemos adquirir pela Palavra de Deus, como definiríamos o que é “moral”? Quais seriam (e são) os problemas das definições humanas de “moral”?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

O texto mais mal traduzido da Bíblia e o feminismo

As palavras de Deus, proferidas em Gênesis 3:16, não podem ser compreendidas de maneira irresponsável, como se fosse uma declaração machista que colocou a mulher numa posição inferior ao homem

Traduttore, traditore. Este é um provérbio italiano que, literalmente, significa que o tradutor é traidor. E por quê? Porque é impossível ao tradutor, no desempenhar de sua função, despojar-se de seus conceitos, de sua cosmovisão particular. Além do mais, há muitas variáveis tais como limitação da língua de origem ou de destino, intervalo temporal entre o original e a tradução, termos de difícil compreensão do original, estruturas sintáticas que se diferenciam, entre outros elementos. Assim, nem sempre uma tradução vai representar exatamente aquilo que foi pretendido pelo autor do texto original.

As traduções bíblicas não estão isentas desse problema. É por isso que, numa esfera mais elevada, destaca-se a ecdótica ou crítica textual, que é o trabalho cuja finalidade é se aproximar tanto quanto possível da forma original de um texto, isto é, da forma pretendida pelo autor. Numa esfera menor, pode-se destacar a exegese e a hermenêutica, sendo a exegese – palavra de origem grega ἐξήγησις que significa literalmente “levar para fora” – uma interpretação ou elucidação crítica de um texto, em particular de um texto religioso, levando-se em consideração os originais. E a hermenêutica que, em síntese, é a arte de interpretar os textos.

Gênesis 4

O episódio de Caim Abel descrito em Gênesis 4 é comumente reconhecido como um dos relatos mais difíceis do Antigo Testamento. O ápice da dificuldade textual encontra-se no verso 7, que diz: “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, o seu desejo será contra ti, mas cumpre a ti dominá-lo.” Neste verso há um jogo de palavras masculinas e femininas que causam certa confusão. Há também sufixos pronominais masculinos que, aparentemente, não combinam com o contexto imediato da passagem.

Numa leitura rápida, desconsiderando-se os sufixos pronominais masculinos e a possibilidade de que uma palavra hebraica pode ter mais de um significado, chega-se a seguinte tradução interpretativa: “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta (porta do coração, como um leão para devorar), o seu desejo (desejo do pecado) será contra ti, mas cumpre a ti dominá-lo (dominar o pecado).” Além de sérias implicações no que tange ao perfeccionismo, essa tradução não respeita absolutamente os sufixos pronominais ali presentes, sendo mais uma interpretação do tradutor que uma tradução real do texto.

Entendendo a passagem

Veja abaixo uma análise da segunda parte do verso 7 (o hebraico lê-se de trás para frente):

(Da direita para a esquerda) וְאִם֙  לֹ֣א     תֵיטִ֔יב   לַפֶּ֖תַח    חַטָּ֣את    רֹבֵ֑ץ וְאֵלֶ֙יךָ֙

 (Da esquerda para a direita) e se | não | procederes bem, | à porta | transgressão | jaz | e para ti

תְּשׁ֣וּקָת֔וֹ       וְאַתָּ֖ה    תִּמְשָׁל־בּֽוֹ׃

o desejo dele | e tu | dominarás a ele

A dificuldade encontra-se na palavra hattat, que é traduzida por pecado ou transgressão, mas também pode significar oferta pelo pecado, sacrifício. Em hebraico, essa palavra é feminina. Portanto os sufixos que a ela se referem devem estar no feminino. Sendo assim, se a intenção do texto fosse dizer que “o desejo da transgressão” seria contra Caim e que ele deveria dominar a transgressão, o texto deveria estar assim: “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, a transgressão jaz à porta (porta do coração), o desejo dela (desejo da transgressão) será para ti, e a ela dominarás (dominar a transgressão).” Mas não é isso que acontece. A palavra é feminina, mas os sufixos são masculinos. Ficando literalmente assim: “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, a transgressão jaz à porta (que porta?), o desejo dele (ele quem?) será para ti, e sobre ele dominarás (dominar quem?).”

Um outro problema é que a palavra rovets é um particípio masculino. Como harmonizar esse particípio masculino com hattat que é feminina?  Na tentativa de harmonização entre a palavra feminina hattat com a expressão rovets, que significa jazendo, repousando, descansando, alguns eruditos alegam que esta expressão teria sua origem no acadiano, rabishum, que é traduzida por “demônio”:

“E. A. Speiser destaca que o acádio, uma das origens do hebraico bíblico, tem basicamente a mesma palavra, rabishum (note que as primeiras três consoantes são as mesmas), que significa “demônio”. Esta história bíblica vem do mesmo local geográfico; assim, se considerarmos que robesh é um empréstimo do acádio, a solução está à mão. O texto descreve o pecado como um demônio malévolo, pronto para se lançar sobre Caim se este sair da presença de Deus sem se arrepender. Deus graciosamente ofereceu a Caim o poder de vencer o pecado: Sobre ele dominarás.” (LIVINGSTON, COX, KINLAW et al., 2012)

O Dr. Joaquim Azevedo, no entanto, demonstra que tal empréstimo do acadiano inferindo que rovets fosse uma personificação do mal à espreita para atacar não condiz com o contexto da passagem.

O particípio masculino de #bero (rovets),significa “jazendo, repousando, descansando”. É uma evidência extra para considerar taJ’x; (hattat) como sacrifício. Ela é uma forma cognata da palavra acadiana “jazer, deitar”, da palavra ugarítica trbṣ- “estábulo, cocheira, aprisco de ovelhas”. Alguns eruditos, porém, têm identificado este particípio como o “croucher” ou “demônio”, baseado no particípio acadiano rābiṣu. No uso deste particípio no Pentateuco não cabe a interpretação como “demônio” (Gn 49:14; Ex 23:5; Dt 22:6). O particípio #bero é usado em relação à ovelha (Gn 29:2), leopardo e cabra vivendo juntos pacificamente (Is 11:6), e usado como para referir-se figuradamente para uma pessoa sendo comparada com uma ovelha (S1 23:2); ou ao povo como ovelha (Ez 34:14); em outro caso aplicado é a um rebanho ou aprisco de ovelhas (Is 13:20). Somente uma vez fora das trinta passagens no AT, esta palavra é usada no sentido de besta feroz (Gn 49:9). Isto pode significar um sacrifício-purificação; quer um carneiro, cabra, ou algum animal macho for empregado para sacrifício estava jazendo ou descansando à porta do Paraíso. Assim, o gênero masculino do particípio #bero, se refere diretamente ao gênero do animal macho para o sacrifício-purificação ao invés do substantivo feminino taJ’x; (Lv 4:4; 4:23). Isto pode resolver o problema da discordância de gênero. (NETO, 2003)

Conforme mencionado acima, a palavra hattat pode significar tanto pecado ou transgressão como oferta pelo pecado, sacrifício. “A porta” a que o texto se refere não parece indicar a porta do coração como alguns tem suposto, mas o local onde os sacrifícios eram realizados: à porta do Paraíso, do Éden; local onde estavam os querubins. Segundo o Dr. Joaquim, é provável que os sacrifícios fossem oferecidos à porta do Éden “porque a entrada do jardim é imaginada no enredo literário como a fronteira entre o mundo sem pecado e o mundo pecaminoso.” Para ele “este era o lugar de separação entre Yahweh e suas criaturas, o lugar mais perto da árvore da vida onde às criaturas caídas era permitido se aproximar (Gn 3:21-24)”. (NETO, 2003). Esta posição é defendida por vários outros eruditos, conforme apresenta o Dr. Azevedo na nota de rodapé de seu artigo:

The Book of Jubilees identifica o jardim do Éden com o lugar do templo, a casa de Deus (Jz 8:19); Gordon J. Wenham, “Sanctuary Symbolism in the Garden o Eden Story, em Studied Inscriptions from Before the Flood, Ancient Near Eastern, Literary, and Linguistic Approaches to Genesis 1-11, eds. Richard S. Hess and David Toshio Tsumura (Winona Lake: Eisenbrauns, 1994): De acordo com Wenham “o jardim do Éden não é visto pelo autor de Gênesis simplesmente como um lugar da terra cultivável da Mesopotâmia, mas um arquétipo do santuário, isto é, um lugar onde Deus habita e onde o homem deveria adorá-Lo. Muitas das características do jardim do Éden podem também ser encontradas em santuários posteriores, particularmente no Tabernáculo ou no Templo de Jerusalém. Estas comparações sugerem que o próprio jardim é tido como um tipo de santuário”, p. 399: Para posterior comparação do jardim com o santuário, veja Gary Anderson, “Celibacy or Consummation in the Garden? Reflection on Early Jewish and Christian Interpretations of the Garden of Eden, HTR 82:2 (1989)121-148; and Phyllis Trible, God and the Rhetoric of Sexuality (Philadelphia: Fortress Press, 1978)144-164. (NETO, 2003)

Visto que a melhor tradução para hattat no contexto de Gên. 4 seja oferta pelo pecado ou sacrifício, e que a porta não seria uma referência ao coração, mas ao jardim do Éden, resta identificar o sujeito masculino da passagem de quem o texto hebraico diz: “o seu desejo” ou “o desejo dele será para ti e sobre ele dominarás”. Já está claro que não pode ser hattat por ser uma palavra feminina. Sobre isso, o Dr. Joaquim diz:

O lugar mais provável para se encontrar o antecedente dos sufixos pronominais é no contexto de Gênesis 4. Uma avaliação da primeira parte deste capítulo (vv. 1-7) mostra que Caim era o primogênito. Ele supostamente deveria ser o sacerdote, líder e o futuro patriarca, por assim dizer, do clã de Adão. Por não efetivar o ritual do sacrifício, ele pode ter perdido seu direito de primogenitura, causando nele ira para com seu irmão Abel. Portanto, o antecedente mais provável para ambos os sufixos, o e seu, seria o único substantivo masculino que se encaixa no fluxo literário do tópico de Gênesis 4:1-16, a saber, “Abel”. (NETO, 2003)

A conclusão que se chega de maneira responsável e analisando o texto tal como ele está não pode ser outra a não ser a de que os sufixos pronominais masculinos sejam uma referência a Abel e não ao pecado. Fica assim, portanto, a tradução mais próxima ao original hebraico:

“Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, uma oferta pelo pecado [um sacrifício de animal macho] jaz à porta [do Paraíso, do Éden], e para ti será o seu [de Abel] desejo e dominarás [novamente como o primogênito] sobre ele [seu irmão]”. (NETO, 2003)

Feminismo e Gênesis 3

E o que tudo isso que foi dito até o momento tem a ver com o feminismo? De acordo com o pensamento feminista, Gênesis 3:16 seria uma tragédia para a mulher, pois ali ela é colocada em sujeição ao homem: “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.” De maneira muito interessante, talvez não aleatória, as mesmas palavras, isto é, desejo e domínio, que aparecem em Gênesis 3, aparecem igualmente e na mesma ordem em Gênesis 4 e, juntas assim, não ocorrem mais em nenhuma porção do Antigo Testamento. O paralelismo é inegável:

  וְאֶל־אִישֵׁךְ֙         תְּשׁ֣וּקָתֵ֔ךְ      וְה֖וּא     יִמְשָׁל־בָּֽךְ׃

  e para teu marido | o teu desejo | e ele | dominará a ti

וְאֵלֶ֙יךָ֙       תְּשׁ֣וּקָת֔וֹ       וְאַתָּ֖ה    תִּמְשָׁל־בּֽוֹ׃

e para ti | o desejo dele | e tu | dominarás a ele

O termo desejo תְּשׁוּקָה (teshuqá) ocorre apenas três vezes em todo o Antigo Testamento. Além das ocorrências em Gênesis 3 e 4, ele aparece novamente apenas em Cantares 7:10 que diz: “Eu sou do meu amado, e ele me tem afeição.” Numa tradução mais literal desse texto, a leitura seria assim:

 אֲנִ֣י      לְדוֹדִ֔י            וְעָלַ֖י       תְּשׁוּקָתֽוֹ׃

eu | para meu amado | e para mim | o desejo dele 

Note que a ordem em Cantares está invertida. Se em Gênesis o desejo da mulher é para seu marido, em Cantares o desejo do marido é para a mulher, evidenciando claramente que o que foi prescrito em Gênesis 3 não rebaixa a mulher, caso assim fosse, o homem estaria sendo rebaixado em Cantares. Portanto, a expressão desejo em Gênesis 3 não tem por objetivo colocar a mulher em uma posição inferior à do homem. Mas, talvez a expressão que cause maior dificuldade não seja desejo e sim domínio.

A primeira análise a ser feita dentro do texto é: Quem pronuncia as palavras de Gênesis 3:16? Deus! Ora, se o interlocutor da sentença é Deus, não se pode fazer a análise do texto usando as lentes da cosmovisão feminista atual, seja ela de que vertente for. As lentes para a compreensão do texto devem ser extraídas da própria Bíblia. É a cosmovisão bíblica, divina, que vai guiar a interpretação do texto e não conceitos de dicionários modernos ou literaturas carregadas de ideologias. Por isso, cabem os questionamentos: De acordo com a cosmovisão bíblica, quais as implicações do termo domínio expressas em Gênesis 3:16? O que Deus quis dizer quando falou que o homem dominaria sobre a mulher? De que tipo de domínio o texto está falando? Esse texto expressa uma visão machista por parte de Deus?

Naturalmente, afirmar que Gênesis 3:16 traz uma visão machista e preconceituosa contra a mulher, coloca Deus em uma situação indevida, contrária a Seu caráter e Sua forma de agir. Talvez, um olhar ao capítulo 4 e o que representava o domínio da primogenitura ajude na compreensão inicial do assunto. Ser o primogênito não colocava o primeiro filho numa posição em que pudesse humilhar, violentar, desmerecer os seus demais irmãos. A primogenitura dizia respeito, principalmente, a funções de liderança, respeito, proteção e cuidado do clã quando o então líder/patriarca partisse. O primogênito seria o responsável, o cabeça, o próximo líder da família. Portanto, a ideia de domínio expressa tanto em Gênesis 3, quanto em Gênesis 4 nada tem que ver com dominação pessoal, violência, conduta arbitrária e desrespeito por parte do que exerce o domínio, é exatamente o contrário disso. O domínio ordenado por Deus em Gênesis 3:16 a ser exercido pelo homem deveria ser, então, uma bênção, conforme verificar-se-á mais adiante.

Ao longo de toda a Bíblia, nota-se o nítido contraste entre o מָשַׁל (mashal) domínio do justo e sábio e o מָשַׁל (mashal) domínio daquele que é tolo e injusto. Por exemplo: Quando o livro de Gênesis fala dos sonhos de José, diz que seus irmãos lhe questionaram: “Tu, pois, deveras reinarás sobre nós? Tu deveras terás domínio sobre nós?” (Gn 37:8) O verbo aqui usado foi mashal. Anos depois, José se torna o governador do Egito e tem em seu poder a possibilidade de fazer o que quisesse com seus irmãos, que tanto mal lhe fizeram. Ao invés disso, suas palavras no momento em que se revela a seus irmão, foram: “Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como dominador em toda a terra do Egito” (Gn 45:8). Novamente a palavra usada aqui foi mashal. Nitidamente se nota que tipo de domínio foi exercido por aquele que era fiel a Deus, que, podendo usar da força e do poder para castigar, violentar, não retribuiu de forma vingativa os males sofridos. É por isso que Davi, no fim de sua vida declarou:

“Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no temor de Deus, é como a luz da manhã, quando sai o sol, como manhã sem nuvens, cujo esplendor, depois da chuva, faz brotar da terra a erva” (2Sm 23:3, 4).

O contrário do domínio do justo também é expresso na Bíblia quando em Provérbios se diz: “Como leão rugidor, e urso faminto, assim é o ímpio que domina sobre um povo pobre”(Pv 28:15). Ainda em Provérbios o contraste torna-se bastante claro pela própria estrutura poética de antítese ao afirmar que “quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo geme” (Pv 29:2) Verifica-se, portanto, que o problema não está na palavra domínio, mas em quem exerce a ação deste verbo.

É indispensável atentar para o texto de Miqueias 5:2, porque ali está expresso a ação de domínio do Messias: “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará (dominará – mashal) em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq 5:2). Esse texto é importante porque no Novo Testamento Paulo retoma a ideia de submissão e domínio entre a mulher e o homem fazendo alusão comparativa da relação entre Cristo e Sua igreja. Cristo é o dominador por excelência e Ele é o modelo a ser seguido. Ao discursar sobre o tema, Paulo afirma:

“Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus. Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo Ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos” (Ef 5:21-24).

No primeiro momento do texto, Paulo sugere que a sujeição deve ser mútua entre os irmãos no temor de Deus, indo além das questões maritais. Em seguida, ele vai expressar a ideia do homem como cabeça, isto é, o líder, protetor, cuidador da mulher e deve ele exercer esse domínio da mesma forma como Cristo, que é o cabeça da igreja, exerce Seu domínio. Na sequência, Paulo diz:

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela. […] Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; Porque somos membros do Seu corpo, da Sua carne, e dos Seus ossos” (Ef 5:25-30).

Claramente, fica evidenciado que o tipo de domínio a que Paulo faz referência não tem que ver com atitudes ríspidas, autoritárias, violentas, desrespeitosas, mas, um domínio de amor, amor este, capaz de dar a vida pela esposa. Não é um domínio machista, mas, de cuidadoso zelo. Esta é a cosmovisão bíblica de domínio. Foi este tipo de domínio (mashal) que Deus estabeleceu no Gênesis. Qualquer que seja a visão antropocêntrica que desvirtue o sentido bíblico apresentado em Gênesis 3:16 deve ser desconsiderada. O domínio estabelecido por Deus, não era para ser uma maldição, mas uma bênção. Se em algum momento não foi benéfico, a culpa não está nas palavras de Deus, mas na maldade do coração humano e na má compreensão das Escrituras. A este respeito diz Ellen White:

Referiram-se a Eva a tristeza e a dor que deveriam dali em diante ser o seu quinhão. E disse o Senhor: “O teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará” (Gn 3:16). Na criação Deus a fizera igual a Adão. Se houvessem eles permanecido obedientes a Deus – em harmonia com Sua grande lei de amor – sempre estariam em harmonia um com o outro; mas o pecado trouxera a discórdia, e agora poderia manter-se a sua união e conservar-se a harmonia unicamente pela submissão por parte de um ou de outro. Eva fora a primeira a transgredir; e caíra em tentação afastando-se de seu companheiro, contrariamente à instrução divina. Foi à sua solicitação que Adão pecou, e agora foi posta sob a sujeição de seu marido. Se os princípios ordenados na lei de Deus tivessem sido acariciados pela raça decaída, esta sentença, se bem que proveniente dos resultados do pecado, ter-se-ia mostrado ser uma bênção para o gênero humano; mas o abuso da supremacia assim dada ao homem tem tornado a sorte da mulher mui frequentemente bastante amargurada, fazendo de sua vida um fardo. (WHITE, 1997)

Não há dúvidas que a submissão por parte de um ou de outro foi resultado do pecado. Mas, esta é a única forma de se manter a harmonia, conforme relata a pena inspirada. O problema não está na submissão, pois claramente o texto declara que esta deveria ser uma bênção para a o gênero humano. O problema está no “abuso da supremacia” do homem que “tem tornado a sorte da mulher mui frequentemente bastante amargurada, fazendo de sua vida um fardo”. Qual a solução para isso? Recorrer às ideias feministas (seja ela de que vertente for)? Ou buscar o padrão bíblico de domínio, entendendo o que a Bíblia ensina sobre isso? Ainda falando sobre a busca por um domínio arbitrário, diz Ellen White:

Nem o marido nem a esposa devem pensar em exercer governo arbitrário um sobre o outro. Não intentem impor um ao outro os seus desejos. Não é possível fazer isso e ao mesmo tempo reter o amor mútuo. Sede bondosos, pacientes, longânimos, corteses e cheios de consideração mútua. Pela graça de Deus podeis ter êxito em vos fazerdes mutuamente felizes, como prometestes no voto matrimonial. (WHITE, 2004a, 361)

E ao marido que, não compreendendo o verdadeiro sentido bíblico, busca no texto inspirado respaldo para suas atitudes equivocadas de domínio, Ellen White alerta:

Não é evidência de varonilidade demorar-se o esposo constantemente no fato de ser a cabeça da família. Não se lhe acrescenta respeito ser ouvido a citar as Escrituras a fim de sustentar seus reclamos de autoridade. Ele não se faz mais varonil por exigir de sua esposa, a mãe de seus filhos, que aceite os seus planos como se eles fossem infalíveis. O Senhor constituiu o marido como a cabeça da mulher, para ser-lhe protetor, o laço de união da família, unindo os membros entre si, da mesma forma que Cristo é a cabeça da igreja, e o Salvador do corpo místico. Que cada esposo que alega amar a Deus estude cuidadosamente os reclamos de Deus no que respeita a sua posição. A autoridade de Cristo é exercida com sabedoria, com toda a bondade e mansidão; assim exerça o esposo seu poder e imite a grande Cabeça da igreja. (WHITE, 2004b, 215)

E por fim, aqui se expressa de forma clara e perfeita o que é domínio por parte do marido e o que é sujeição por parte da esposa:

Nem o marido nem a mulher deve buscar dominar. O Senhor expressou o princípio que guiará este assunto. O marido deve amar a mulher como Cristo à igreja. E a mulher deve respeitar e amar o marido. Ambos devem cultivar espírito de bondade, resolvidos a nunca ofender ou prejudicar o outro. (WHITE, 1998, 97)

CONCLUSÃO

Conclui-se, após este estudo, que as palavras de Deus, proferidas em Gênesis 3:16, não podem ser compreendidas de maneira irresponsável, a saber, que esta seria uma declaração machista que colocou a mulher numa posição inferior ao homem devendo, portanto, ser combatida com ideias feministas. A própria Bíblia se interpreta, e Gênesis 4, ao falar do domínio do filho primogênito em relação aos demais irmãos, num claro paralelismo com Gênesis 3 com o uso dos termos desejo e domínio, começa a abrir o caminho para uma compreensão mais clara desses termos, em especial, “domínio”, que ganha sua amplitude e significado máximos na relação entre Cristo e Sua igreja. Assim, portanto, o termo domínio em Gênesis 3 nada tem que ver com menosprezo a mulher, não a coloca em uma posição inferior em relação ao homem, tampouco sanciona a violência, o desrespeito e atitudes arbitrárias do homem em relação à mulher. A compreensão correta desse assunto à luz da Bíblia, não permitirá que o leitor esteja a vaguear por filosofias humanas, pretendendo mesclar com a teologia aspectos filosóficos que mais buscam a militância que a aprovação divina. Como último alerta, diz Ellen White:

Aqueles que se sentem chamados a se unir ao movimento em favor dos direitos da mulher e do vestuário reformado, podem igualmente romper toda conexão com a mensagem do terceiro anjo. O espírito que assiste a um não pode estar em harmonia com o outro. As Escrituras são claras sobre as relações e direitos de homens e mulheres. (WHITE, 1999, 421)

(Eleazar Domini é pastor adventista e mestre em Teologia)

Referências:

LIVINGSTON, G. H. et al. Comentário bíblico Beacon: Gênesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. v.1. 510.

NETO, J. A. À porta do paraíso. Uma interpretação contextual de Gên. 4:7. Revista Hermenêutica, v. 3, n. 1, p. 3-21, 2003.

WHITE, E. G. Patriarcas e profetas. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1997. 755.

______. Testemunhos Seletos: Obras de Ellen G. White Versão 2.0. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1998. v.3 443.

______. Testemunhos para igreja. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1999. v.1 700.

______. A Ciência do Bom Viver. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004a. 532.

______. O Lar Adventista. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004b.

O que podemos aprender com o desapontamento de 22 de outubro de 1844

Incoerências do papa Francisco: riqueza e “casamento” gay

Agradando um segmento da sociedade, ele acaba desagradando outro e amplos setores da própria igreja que lidera

papa

Em sua última encíclica o papa prega igualdade e redistribuição de renda. Talvez o Vaticano deveria dar o exemplo primeiro. “A Igreja Católica é rica, mas gosta de aparecer como pobre para receber bilhões de dólares de subsídios estatais e doações”, afirma o cientista político alemão Carsten Frerk, autor de The Violet Book of Church Finances.

Em 1929, o papa Pio XI assinou com o líder fascista Benito Mussolini o Tratado de Latrão: a Santa Sé renunciou aos territórios que continuava a reivindicar em troca de uma compensação equivalente a US$ 91 milhões na época. Foi a origem da fortuna moderna da Santa Sé, que garantia que o papa não seria pobre nunca mais.

O Vaticano nunca vendeu seu ouro, guardado nos cofres do Federal Reserve Bank of New York.

Oficialmente, a divisão de investimentos financeiros do Vaticano, conhecida como Administrazione del Patrimonio della Sede Apostolica (APSA), gere ativos de € 680 milhões – cifra vista com forte reticência nos meios financeiros e mesmo religiosos. Além disso, o Vaticano tem enormes tesouros, como coleções de obras de arte, de Michelangelo a Rafael, guardados num bunker subterrâneo de dois andares em 24 quilômetros de labirinto.

Os casos de dois países, porém, dão uma ideia da força financeira da Igreja Católica. Na Alemanha, após anos de pesquisa, o cientista político Carsten Frerk estimou que os ativos de entidades legais da Igreja no país, controlados por bispos, alcançavam € 50 bilhões. Fora das estruturas legais, negócios de agências de viagem, imobiliárias e outros movimentariam € 125 bilhões por ano, segundo ele. Segundo seus cálculos, a Igreja Católica obtém € 14 bilhões em subsídios estatais por ano para suas escolas e outras atividades na Alemanha, Áustria, Itália e Espanha.

Além do APSA, a Santa Sé tem apenas outra entidade financeira oficial: o Banco do Vaticano, como é conhecido o Instituto per la Opere di Religione (IOR), criado em 1942 para administrar a fortuna de todas as comunidades católicas do mundo. Em 2011, o banco tinha € 6,3 bilhões sob gestão e 20.772 clientes, segundo relatório do Moneyval, órgão do Conselho da Europa. Em 2010, ocorreu uma nova crise no banco, quando as autoridades italianas questionaram a origem de um volume pouco habitual de fundos do Banco do Vaticano, próximo de US$ 30 milhões, em bancos italianos. O dinheiro foi apreendido como parte de uma investigação na qual o banco teria desrespeitado regras contra lavagem de dinheiro.

(Valor Econômico)

Uma declaração histórica do papa em defesa da união homoafetiva [sic] ganhou repercussão mundial nesta quarta-feira (21). O papa Francisco quis mandar um sinal forte aos países onde a igreja se opõe à união entre homossexuais. E fez isso através do documentário “Francisco”, que estreou nesta quarta no Festival de Cinema de Roma.

“Os homossexuais”, disse o papa, “são filhos de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser expulso ou infeliz por isso. O que temos é que criar uma lei sobre as uniões civis. Eu lutei por elas”, afirmou Francisco. […]

O diretor do documentário, o russo Evgeny Afineevsky, diz que a intenção do papa não é mudar a doutrina da Igreja, mas acabar com a discriminação e reconhecer que todos merecem direitos iguais.

(Jornal Nacional)

Nota: Com esse posicionamento progressista/marxista, o papa Francisco vai cada vez mais irritando a ala tradicional da Igreja Católica. Veja o que escreveu um conhecido pensador católico: “A desculpinha do Bergoglio, de que no caso dos gays não falou em ‘matrimônio’ mas só em ‘união civil’ — a seu ver um ‘direito universal’ –, é o subterfúgio mais idiota que já se viu na defesa de uma tese autocontraditória. O termo ‘união civil’, nesse discurso, significa apenas o fato de duas pessoas viverem juntas, ou significa uma relação contratual com deveres e direitos formalmente impostos pelo Estado? Nesta segunda hipótese, é óbvio que essa união, só muito recentemente admitida em ALGUNS países, não é de maneira alguma um direito universal, mas sim uma exceção a esse direito. Bergoglio simplesmente NÃO SABE o que está dizendo.”

A verdade é que as duas notícias acima exibem duas das contradições do líder da Igreja de Roma: a fala com tom marxista a partir do trono de uma poderosa e rica instituição religiosa e o apoio à união conjugal entre duas pessoas do mesmo sexo, o que contraria frontalmente o conceito bíblico de casamento – a união abençoada entre um homem e uma mulher. Leis protetivas para pessoas que querem viver juntas são uma questão para o Estado, não para a igreja nem para quem se diz guiado pela vontade dAquele que criou o casamento. Cada um tem o direito e a liberdade de viver como bem entender, e até Deus respeita isso. Mas um cristão endossar comportamentos contrários aos valores cristãos, aí já é, no mínimo, contradição.

Realmente não sei qual a intenção de Bergoglio. Agradando um segmento da sociedade, ele acaba desagradando outro e amplos setores da própria igreja que lidera.

Terroristas incendeiam igrejas no Chile

A história mostra os ensaios de como serão terríveis os dias que virão

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Erupção de fúria intolerante. Imagem macabra da selvageria sub-humana. Retrato de uma turba endemoninhada sorvendo ódio insano. Inadmissível. Assustador. Queimar igrejas é a devastação extrema do capital social. É massacrar o direito pétreo mais latente ao homem: a adoração.⁣

Chile, últimas horas, sob possessão generalizada de maldade e desrespeito, um grupo de anarquistas descontrolados ateou fogo em alguns templos. Os gritos acéfalos sob chamas infernais chamou a atenção do mundo. Até quando? Como chegamos a este ponto?⁣

“Deixa cair! Deixa cair!” Encapuzados covardes destilavam sua brutalidade criminosa enquanto o Céu se derramava em lágrimas. “Saiba: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, ingratos, ímpios…” (2Tm 3:1-5). E a lista continua.⁣

Basta! Chega de tanta perdição envolta em trevas de extremismo sórdido. Não consigo escapar de mentalizar os dias de Sodoma e as noites de Gomorra; ou os momentos terríveis antediluvianos. O homem brinca com a paciência divina enquanto cava com furor sua própria cova. ⁣

Nossa parte? Rejeite toda e qualquer forma de agressão, vandalismo, grosseria e depredação religiosa. Denuncie o terrorismo espiritual. Não permita que a humildade vire apatia, ou o serviço se deforme em indiferença. Que a indignação prática interrompa o ciclo vicioso do fanatismo.⁣

Oremos pelo Chile, e pelas ruas do nosso bairro. Clamemos por paz e militemos pelo diálogo. Que a piedade se materialize em atitudes de amor assertivo e posicionamento efetivo: diga não! Não à irracionalidade ideológica, não ao fundamentalismo pífio, não às influências polarizadoras.⁣

Se Neemias reconstruiu um muro, outros reerguerão seus locais de culto. Só não permita isso passar despercebido ante seus olhos. Não fique indiferente à tamanha indiferença. O livre-arbítrio é atributo divino irrevogável e deve fazer parte de nossa vida.⁣

O fogo apagará. Das cinzas, a esperança ressurgirá. Perseguição é berro derrotado do Mal ciente que o Bem sempre vence no final. Não hesitemos. Prostrados, avancemos.⁣

(Odaílson Fonseca é líder de Comunicação da IASD para o estado de São Paulo; via Instagram)

Não preciso dizer muito. As imagens falam por si mesmas. É lamentável quando as pessoas transformam suas bandeiras e suas “verdades” em instrumento de extremismo, “intolerância” (palavra tão deturpada) e vandalismo.

Goebbels, o demoníaco marqueteiro de Hitler, tinha razão quando incentivou o Führer a dizer que as multidões têm inteligência medíocre, por isso é mais fácil dominá-las com grandes mentiras do que com pequenas mentiras. Imagine essa estratégia do mal potencializada pelas redes sociais!

Deus tenha piedade de nós. Certamente é fogo no estopim da violência. Seja de que lado for, o extremismo constituirá a externalização escatológica da perda de influência do Espírito Santo sobre o indivíduo. Uma situação coletiva que se tornará cada vez mais visível nas massas até que se feche a porta da graça e estejam todos (menos os santos de Apocalipse 14:12) sob influência do regime da besta, seu nome, sua marca e seu número com a conseguinte perseguição aos que ficarem fiéis. Pode até parecer teoria da conspiração, mas é um anúncio profético, e a história mostra os ensaios de como será terrível esse dia.

(Rodrigo Silva é apresentador do programa Evidências, da TV Novo Tempo; via Instagram)

Olavo de Carvalho ataca a verdadeira ciência e a verdadeira religião

A esquerda é nociva, mas certos pensadores de direita podem levar as pessoas a um extremo perigoso

olavo

Recentemente, o filósofo e escritor Olavo de Carvalho escreveu em seu Twitter: “Hoje em dia há centenas de obras históricas, ignoradas nas universidades brasileiras, nas quais você pode aprender, por exemplo, que Sir Isaac Newton, indiscutível gênio matemático, era um baita charlatão em assuntos de teologia e esoterismo, aliás os que mais lhe interessavam. […] Não se pode esquecer que a vida de Newton é paralela à fundação da Royal Society, numa época em que a Casa Real tinha compreendido que a respeitabilidade intelectual é a base do poder imperialista (coisa que os nossos políticos jamais vão entender), e, por isso, deu tudo de si para criar o mito que faz do macumbeiro Newton o modelo mesmo do ‘puro cientista’ moderno.”

Newton era protestante e um cientista criacionista que acreditava na veracidade da Bíblia. A visão profética dele era bem similar ao entendimento adventista, basta ler o livro Estudos Sobre as Profecias de Daniel e Apocalipse para perceber isso. Portanto, o matemático inglês entendia o papel do papado na história e na profecia. Ele é um dos maiores representantes do que o poder medieval romano mais odeia: seres não submissos à autoridade papal, pensantes e livres, que usam as duas revelações divinas muito bem: a Bíblia e a natureza (ciência). Um ataque desse tipo contra Newton é um ataque contra um dos grandes, se não o maior, expoente da ciência moderna e séria que muitos cristãos devotos ajudaram a fundar e desenvolver, sempre em boa harmonia com sua fé em Deus. Portanto, um ataque assim pode mesmo ser considerado como um ataque àquilo que ajudou a tirar a humanidade das trevas do obscurantismo medieval, a saber tanto a ciência séria desenvolvida por Newton, quanto princípios de liberdade de pensamento provindos de sua herança protestante bíblica. Denegrindo indiretamente esses bens que sustentam a civilização humana, que valores e perigos corremos se aceitarmos esse tipo de discurso?

Um filósofo que já flertou com a astrologia (uma pseudociência) e “passou pano” para terraplanistas (um absurdo anticientífico) chamar Isaac Newton de charlatão em assuntos de teologia e “macumbeiro” chega a ser irônico. A teologia de Newton, no que diz respeito às profecias, era quase tão acurada quanto sua ciência. O mesmo não se pode dizer de Olavo, um defensor do catolicismo, com todo o seu dogmatismo antiescriturístico.

Com esse tipo de declaração, Olavo alimenta o preconceito contra aqueles que se pautam pela Bíblia e pela verdadeira ciência. É uma máquina de preconceitos e rejeição pública sendo construída contra aqueles que creem na boa ciência e na boa teologia, sem comprometê-las com a tradição humana banhada em filosofia pagã greco-romana.

O catolicismo tradicional (aquele que nunca mudou, segundo Ellen White) vai se fortalecendo aos poucos ao denunciar e combater os absurdos e as iniquidades da esquerda. No fundo, é a velha estratégia “ordem a partir do caos”. Ele acabará sendo reconhecido como a única força com capacidade real de impedir a humanidade de regredir à escravidão totalitária ou à barbárie; e qualquer crítica ao papado será vista como colaboracionismo com o outro lado.

Enquanto isso, a esquerda faz outra boa parte do trabalho sujo para Roma, que é atacar liberdades, estabelecer censuras, promover imoralidades e incitar os religiosos a quebrar as barreiras entre a religião e o Estado (a flecha e o arco, lembra?). Quando o papado voltar ao poder, todos os mecanismos de controle da liberdade estarão testados e em pleno funcionamento.

O que fica claro é que esquerda e direita, marxismo e conservadorismo religioso são marionetes manipuladas pelas mesmas mãos. Quando Olavo, por exemplo, combate o marxismo (e nisso dá algumas contribuições), acaba atraindo para si e para o catolicismo tradicional as simpatias de massas de conservadores e religiosos insatisfeitos e ofendidos. Nessa aproximação reina um dos maiores perigos para as liberdades individuais de todos: a ruptura da barreira que separa a religião e o Estado. Esses abandonam um sistema pernicioso para cair nos braços de outro sistema, esse perigoso. Qual a solução? Olhar para o alto e viver à luz da Palavra de Deus, a fim de reconhecer e rechaçar as artimanhas do inimigo.

Conforme escreveu Edu Sampaio, “o diabo encurralou o mundo num beco com duas saídas: o marxismo, levando pessoas a um estado de insanidade mental, e o poder papal que, apoiado pelos EUA, enganará o mundo com uma falsa religião. A profecia se cumprirá à risca. Mas a salvação virá do alto!”

(Josué Cardoso dos Santos, Marco Dourado e Michelson Borges)

Leia também: “Ellen White, os capitalistas e os revolucionários”

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Jesus e nada mais

Em outubro de 2020, assisti ao documentário em série “The Family”, à época disponibilizado pela Netflix. A produção trata de uma misteriosa instituição sediada nos Estados Unidos da América que, às sombras, opera uma ampla rede de poder político religioso internacional. A única ação pública da instituição parece ser o tradicional “Café da Manhã de Oração”, que na realidade é um congresso anual de três dias realizado no centro do poder norte-americano, Washington. O prestígio do evento, aliado à discrição da organização em não se identificar como provedora, o fez ter status de oficial. Todos os presidentes dos EUA há cinco décadas dele participam, ladeados por políticos e empresários ilustres. Os tentáculos d’”A Família”, aliás se estendem a lideranças de 200 países.

O material é fartamente documentado e aponta para teorias de conspiração factíveis, desmistificadas por alguns dos entrevistados. Entretanto, apesar de a trama ser pintada a cores fortes, há muita forçação de barra, especialmente no que diz respeito aos apontamentos sobre a intervenção da instituição na política interna de nações. Organizações missionárias e humanitárias internacionais, se fossem devassadas por pessoas com mentalidade secularizada, poderiam ser retratadas de forma terrível, uma vez que existem com o propósito de pregar o Evangelho a toda criatura. Qualquer denominação internacional, vista com má vontade, poderia parecer uma teia de arranjos pelo poder. O problema apontado na série parte de lentes seculares e, portanto, suspeitas. O autor não diria o mesmo de ONGs ambientais ou de direitos humanos com representações internacionais para a defesa de suas respectivas agendas.

Para além das questões de liberdade e organização religiosa mal apresentadas no documentário, me chamou atenção a crítica de Jeff Sharlet, autor do livro que baseou o documentário a postura da organização frente aos líderes de ditaduras sanguinárias, como o genocida Muamar Kadafi, presidente que governou a Líbia de 1969 a 2011. Outros ditadores e déspotas também foram visitados. Nas reuniões aconteciam orações, seguindo o objetivo da instituição, que era falar aos poderosos sobre “Jesus e nada mais”. Concordo com Sharlet quando ele afirma que não há como falar de Jesus de maneira meramente fraterna com líderes como esses sem apresentar as implicações éticas do evangelho, ou seja, sobre os ensinos de Jesus a respeito desses atos.

“Jesus e mais nada” se confunde facilmente com o lema do protestantismo, “Solo Cristus”. Mas esse segundo, diferente da frase da superficialidade d’A Família, não representa um minimalismo temático ou doutrinário. Ao invés disso, “Jesus e mais nada” tem a ver com o único nome pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4:12). “Jesus e mais nada” tem a ver com a devoção, que deve ser unicamente dirigida. “Jesus somente” não é uma nota isolada, mas uma sinfonia.

Sharlet, não cristão, se indignou com o fato de Jesus ter sido apresentado sem nenhuma denuncia, reprovação ou apelo à mudança. E ele está coberto de razão. Mas esse não é um erro exclusivo dos que oravam com poderosos sanguinários.

Muita gente gosta de pensar em Jesus apenas como um cara legal que trata com criminosos e marginalizados como qualquer outra pessoa. Mas e quanto aos criminosos que fogem ao padrão tolerado comumente, como terroristas? Para eles também apresentaremos um Jesus que não exige arrependimento? O fato é que a imagem inconsistente de Jesus apresentada mostra o nosso desprezo pelo Evangelho, que vai sendo adaptado ao gosto de quem ouve ou apresenta. Mas o Jesus inconsistente que a cultura e, por vezes, a igreja gostam de apresentar nunca é levado às últimas consequências.

Púlpitos em toda parte evocam Jesus sem mostrar o que ele requer de nós. Pregadores apresentam Cristo como um amuleto a ser usado em momentos de dificuldade. Pessoas dizem ter aceitado a Cristo, mas não dão evidências de discipulado, vida transformada, arrependimento de seus pecados. Em certo sentido, a pregação que ouviram tem similaridade com aquela recebida pelos ditadores. Emocionaram-se, ganharam amigos, e frequentam reuniões, mas não foram desafiados para a mudança. “Jesus e mais nada” precisa ter seu significado histórico resgatado urgentemente: Jesus e mais nada pode nos salvar. Mais uma vez, os custos e encargos de ser um discípulo, o fardo suave quando comparado ao pecado, precisam ser postos à mesa antes que muitos possam, euforicamente, “aceitar Jesus”.

Que a nossa pregação não sonegue o ensinar “todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mateus 28), processo obrigatório na ordem do Mestre de fazer discípulos, afinal, falar de Jesus sem dizer sobre os motivos que nos levam a depender dEle e o que Ele deseja fazer em nós é o mesmo que nada.

Ele é perdoador, mas também será juiz. Evangelizar implica falar sobre transformação e obediência. É enganoso querer tornar palatável a mensagem e Jesus. Isso seria colocar em risco a missão de apresentar o Evangelho a todos.

(Davi Boechat é jornalista e estudante de Direito)

Doria diz que vacina contra covid-19 será obrigatória em SP se for aprovada

Ensaios para o futuro que virá?

doria

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse hoje que a vacinação contra a covid-19 será obrigatória em todo o estado se for aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Doria já vinha repetindo nas últimas semanas que achava correta a obrigatoriedade, mas ainda não tinha anunciado a medida. Segundo o governador, apenas pessoas com atestado médico serão liberadas de receber o imunizante. Doria também voltou a atacar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), acusando-o de “politizar” a vacina. Os ataques vêm diante da ameaça da falta de acordo entre o governo paulista e o Ministério da Saúde para que a CoronaVac, vacina desenvolvida e testada pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, possa ser distribuída em outros estados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A definição, segundo Doria, se dará em uma reunião na próxima quarta-feira (21).

A ideia do governo paulista é ter a CoronaVac aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a tempo de começar a vacinação de profissionais da saúde já em dezembro no estado. Os testes devem ser finalizados neste final de semana e os resultados serão entregues à agência na segunda-feira.

“Em São Paulo será obrigatório, exceto quem tenha orientação médica e atestado que não pode tomar. E adotaremos medidas legais se houver contrariedade nesse sentido”, afirmou Doria durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

O governador paulista ainda mantém a esperança de que o imunizante do Butantan possa ser distribuído nacionalmente. Para isso, Doria participará presencialmente de uma reunião decisiva na semana que vem, em Brasília, com o ministro da Saúde Eduardo Pazuello. O governador também promete se reunir com o diretor da Anvisa, Antônio Barra, no mesmo dia 21.

“O que São Paulo deseja é compartilhar vacina do Butantan para que outros estados possam vacinar. São Paulo vai vacinar. Já garanti que os 45 milhões de brasileiros em São Paulo serão vacinados”, afirmou Doria, lembrando as 46 milhões de doses da CoronaVac prometidas até dezembro. […]

(UOL)

Nota: Não vou discutir aqui a vacinação em si, assunto bastante controvertido e que ainda precisa ser mais discutido. A atitude do governo me fez lembrar de algo que Roger Scruton diz em seu livro Filosofia Verde: “Alarmes transformam problemas em emergências, levando o andamento normal e diário da política a uma interrupção abrupta. Diante de uma emergência, preparamo-nos para obedecer, seguir líderes e nos proteger. As pessoas que cobiçam políticas centralizadoras, de cima para baixo, têm as emergências em alta conta” (p. 39, 40).

Perguntas interativas da Lição: a Lei como professor

A educação cristã contempla alguns elementos importantíssimos para a jornada da vida. Um deles é o “temor do Senhor”, que é “o princípio da sabedoria” (Pv 1:7). Outro elemento, que deve ser consequência do anterior, é a obediência à Lei de Deus. Aliás, a própria Lei é uma “instrutora” no contexto da educação cristã. Esse foi o tema de estudo da lição da Escola Sabatina desta semana.

Perguntas interativas para discussão em grupo:

Leia Deuteronômio 31:12, 13 e Salmo 111:10. Por que o temor ao Senhor deve ser parte da educação cristã? O que significa “temer” a Deus sem “ter medo” dEle? Como podemos temê-Lo e amá-Lo ao mesmo tempo? (veja 1 João 4:18)

Leia Deuteronômio 31:16, 19, 20. Deus ensinou aos hebreus um hino cuja letra prenunciava a apostasia do povo quando entrasse na terra de Canaã. A letra desse hino está no capítulo seguinte do livro (32). Em sua opinião, por que Deus fez uma aliança com os hebreus mesmo sabendo que eles a quebrariam no futuro? De que forma esse hino “educaria” o povo após a morte de Moisés? De que modo esse mesmo hino seria também uma “testemunha contra” esse povo no futuro? (R.: A letra desse cântico profético servia para educar o povo de Israel a respeito das consequências de sua desobediência antes mesmo que chegassem a esse ponto de rebeldia. Além disso, esse cântico vindicava o caráter santo e justo de Deus quando o povo estivesse devastado por causa de suas próprias escolhas erradas.)

De que modo a Lei pode ser uma “testemunha contra” nós? Nesse caso, o que essa “testemunha” nos ensina sobre a nossa necessidade do Evangelho?

Leia Josué 1:8. Nos termos bíblicos, o que significava “prosperar” ou ser “bem-sucedido” por obedecer a Deus? (Compare com a parte final de 2 Crônicas 20:20.)

Leia Gálatas 2:16, 21; 3:21; Romanos 3:31; 6:15. Se a obediência à Lei de Deus não pode nos salvar nem nos trazer vantagens materiais, então por que escolhemos obedecer?

Ao pensar em Jó, João Batista e outros fiéis servos de Deus que sofreram muito, responda: Por que a tragédia também atinge os que guardam as leis de Deus? (Veja Hebreus 11:13-16.)

Leia Lucas 2:51, 52; Filipenses 2:8; Hebreus 5:8. O que a educação que Jesus recebeu de Seus pais terrenos e a vida que Ele viveu nos dizem em relação à obediência às leis de Deus?

Apesar de procurarmos obedecer a Deus, por que a vida cristã não deve ser reduzida a apenas um “conjunto de regras a seguir”?

De que maneira a educação cristã pode formar pessoas que temam a Deus, guardem os Seus mandamentos, e “andem como Jesus andou”? O que significa, na prática, em pleno século 21, “andar como Jesus andou”? (Veja 1 João 2:3-6)

Leia Mateus 22:37-40; João 14:15, 24; Romanos 13:8-10. Em que sentido o amor é o “resumo” ou a “essência” da Lei? Como esse conhecimento comprova que o cristianismo se trata muito mais de transformação da natureza do que apenas de “mudança de comportamento”? Sendo assim, qual é ainda o papel da lei nesse processo? (Veja 1 Timóteo 1:8-11.)

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)