O sexo das telas que destrói o da cama

computerO consumo crescente de pornografia tem trazido sérios problemas para a saúde sexual, emocional e física de homens e mulheres

Quando as pedras começam a gritar é porque passou da hora de dar atenção ao assunto. Por algum tempo, a mídia secular e terapeutas, digamos, mais liberais diziam que consumir pornografia não faz mal e poderia até ajudar a “apimentar” relacionamentos. Mas nada como um dia depois do outro e uma pesquisa depois da outra. Bem, para um cristão seria chover no molhado dizer que é pecado contemplar outras pessoas fazendo sexo, afinal, Jesus disse que é possível adulterar mesmo em pensamento. Mas, quando revistas que não se pautam pela moralidade ou que se caracterizam apenas pelo jornalismo começam a tratar dos malefícios do consumo do “sexo das telas”, isso significa que realmente as pedras estão gritando.

Uma dessas matérias foi publicada pela revista VIP, em julho de 2017, com o título “Pornografia: quando o hábito acaba prejudicando o sexo real”. Uma das entrevistadas, a terapeuta sexual Margareth dos Reis, diz que, “ao ver filmes com cenas explícitas de sexo, as pessoas podem ter a ilusão de que não serão afetadas por tantos estímulos. Mas não há dúvida de que as representações irrealistas em pornografia podem alterar as expectativas sexuais dos homens e causar problemas no sexo real”.

A outra matéria, com o título “O cérebro pornô: estamos diante de um novo vício?”, foi publicada pela revista Veja em 9 de outubro de 2017. A semanal explica que “as imagens [pornográficas] causam descargas de dopamina […]. Como um cérebro saudável não está habituado a tamanha saraivada de estímulos, sua reação é eliminar alguns receptores de dopamina […] e a pornografia que antes excitava torna-se sem graça. Há, portanto, a necessidade do aumento exponencial de dopamina para que se atinja o mesmo patamar de prazer experimentado anteriormente. […] Tem início um círculo vicioso, de compulsão e desespero, de picos e de insatisfação e insensibilidade.”

Levando em conta todo esse potencial viciante e destruidor da sexualidade sadia, os números se tornam ainda mais alarmantes. Em 1985, 92% dos garotos de 15 anos tinham acesso a conteúdo erótico pela primeira vez com a revista Playboy. Em 2008, 74% dos rapazes da mesma idade acessavam sites com sexo explícito (dados da Universidade de Arkansas, EUA). Os rendimentos anuais da indústria pornográfica chegam perto dos 15 bilhões de dólares, nos Estados Unidos, e quase 100 bilhões ao redor do mundo. Essa indústria é maior do que Microsoft, Google, Amazon, eBay, Yahoo!, Apple, Netflix e EarthLink juntas. Perto de 50 milhões de norte-americanos adultos visitam regularmente sites de sexo virtual. De acordo com o National Council on Sexual Addiction and Compulsivity (Conselho Nacional sobre o Vício e a Compulsividade Sexuais), existem mais de 20 milhões de viciados em sexo nos Estados Unidos, 70% dos quais afirmam ter problemas de comportamento sexual virtual.

De acordo com pesquisas do Barna Group, quase 40% dos adultos acreditam não haver qualquer imoralidade em ver material de sexo explícito. Além disso, aproximadamente um a cada quatro acredita que não deveria haver restrições quanto à pornografia ou ao seu acesso. “Infelizmente, 28% dos cristãos acreditam que, mesmo com o que está escrito em Mateus 5:28, não há nada de errado em ver pornografia”, diz Regis Nicholl, colunista do site BreakPoint. “O mais triste é descobrir que por volta de 50% dos cristãos e 40% de seus pastores admitem ter problemas com a pornografia”, revela.

Ilusão – A ex-atriz pornô Shelley Lubben, em seu livro Truth Behind the Fantasy of Porn (A Verdade por Trás da Fantasia da Pornografia), afirma que a pornografia é “a maior ilusão do mundo”. Segundo ela, muitas mulheres desse universo bebem e usam drogas para poder fingir que gostam do que fazem. Embora a indústria do sexo tente pintar outra realidade, Shelley revela que “as mulheres estão com uma dor indizível por ser espancadas, cuspidas e xingadas. […] Pornografia é nada mais do que sexo falso, contusões e mentiras em vídeo. Confie em mim, eu sei”. No livro, Shelley traz testemunhos de outras ex-atrizes, como o de Michelle Avanti, que em sua primeira cena tentou voltar atrás: “Um ator disse que eu não poderia voltar atrás porque havia assinado um contrato”, disse Michelle. “Fui ameaçada de que se não fizesse a cena seria processada em uma enorme quantia em dinheiro. Acabei tomando doses de vodca para fazer a cena. Como eu fazia mais e mais cenas, abusei da prescrição de pílulas que me eram dadas a qualquer momento por diversos médicos em San Fernando Valley.”

Shelley diz que muitas mulheres acabam nesse mundo por culpa da extrema erotização da sociedade. “Onde mais poderia uma criança que foi hipersexualizada ter tanta atenção? Os olheiros da pornografia ficam à espreita pesquisando online por anos os perfis e predando as desavisadas fêmeas sexualizadas. Fingindo ser adolescentes ou admiradores do sexo masculino, postam palavras lisonjeiras […] e as adolescentes emocionalmente carentes rapidamente caem na armadilha.”

Jennifer Case é outra atriz que deixou a indústria do sexo, segundo ela, “pela graça de Deus”. Hoje ela também milita contra a pornografia e diz aos homens: “Há uma pessoa real do outro lado das imagens que você está vendo, e você está destruindo a vida dela e a vida dos filhos dela.” Numa entrevista para o site The Porn Effect, Case testemunha de sua própria experiência sobre os malefícios que a indústria pornográfica provoca nas mulheres envolvidas. Ela diz que ficou traumatizada, oprimida e se sentindo abusada. Assim como outras atrizes desse segmento, ela também se tornou viciada em drogas e precisava do dinheiro da pornografia para continuar alimentando o vício. Além disso, ela teve que lidar com doenças sexualmente transmissíveis. “Tive muitas infecções diferentes o tempo inteiro. Deixei Hollywood porque fiquei muito doente por causa da clamídia. Meu abdome doía tanto que tive que voltar para casa”, disse ela.

Pornography Addiction CG

Efeitos – Grande número de jovens consumidores de pornografia na internet está sofrendo de ejaculação precoce, ereções poucos consistentes e dificuldades de sentir desejo com parceiras reais, é o que afirma reportagem publicada na revista Psychology Today. Pesquisa feita pela Universidade de Pádua, na Itália, indicou que 70% dos homens jovens que procuravam neurologistas por ter um desempenho sexual ruim admitiam o consumo frequente de pornografia na internet.

Outros estudos de comportamento sugerem que a perda da libido acontece porque esses grandes consumidores de pornografia estão abafando a reposta natural do cérebro ao prazer. Anos substituindo os limites naturais da libido por uma intensa estimulação acabariam prejudicando a resposta desses homens à dopamina. Esse neurotransmissor está por trás do desejo, da motivação – e dos vícios. Ele rege a busca por recompensas. Uma vez que o prazer está fortemente ligado à pornografia, o sexo real parece não oferecer recompensa. Então essa seria a causa da falta de desejo em muitos homens.

William Struthers, da Faculdade Wheaton, explica que “os homens parecem ter sido feitos de tal maneira que a pornografia sequestra o funcionamento adequado de seu cérebro e tem efeito de longo prazo em seus pensamentos e vida”. Struthers é psicólogo com formação em neurociência e especialidade de ensino nas bases biológicas da conduta humana. No livro Wired for Intimacy: How Pornography Hijacks the Male Brain (Programado Para a Intimidade: Como a pornografia sequestra o cérebro masculino), ele se vale da neurociência para explicar por que a pornografia é uma grande tentação para a mente masculina. “A explicação mais simples da razão por que os homens veem pornografia (ou procuram prostitutas) é que eles são levados a procurar intimidade”, explica ele. O impulso para obter intimidade sexual foi dado por Deus e é essencial para os homens, reconhece ele, mas é facilmente mal direcionado. Os homens são tentados a buscar “um atalho para o prazer sexual por meio da pornografia” e acham que dá para se acessar esse atalho com facilidade.

Num mundo de pecado, a pornografia se torna mais do que uma distração e uma distorção da intenção de Deus para a sexualidade humana. Torna-se um veneno viciante. Struthers explica: “Ver pornografia não é uma experiência emocional ou fisiologicamente neutra. É fundamentalmente diferente de olhar para fotos em preto e branco do Memorial Lincoln ou olhar um mapa colorido das províncias do Canadá. Os homens são reflexivamente atraídos para o conteúdo de material pornográfico. Como tal, a pornografia tem efeitos de grande repercussão para estimular um homem à intimidade. Não é um estímulo natural. Atrai-nos para dentro. A pornografia é indireta e voyeurística em sua essência, mas é também algo mais. A pornografia é uma promessa sussurrada. Promete mais sexo, melhor sexo, infinito sexo, sexo conforme os desejos, orgasmos mais intensos, experiências de transcendência. […] [A pornografia] atua como uma combinação de múltiplas drogas.”

Segundo Struthers, quando o homem vê imagens pornográficas, essa experiência cria novos padrões na programação do cérebro, e experiências repetidas formalizam a programação. “Se eu tomo a mesma dose de uma droga repetidas vezes e meu corpo começa a tolerá-la, precisarei tomar uma dose mais elevada da droga a fim de que tenha o mesmo efeito que tinha com uma dose mais baixa, na primeira vez”, explica o psicólogo.

Mas o problema não se restringe aos homens. Pesquisadores da Universidade da Califórnia e do Tennessee, nos Estados Unidos, recrutaram 308 universitárias heterossexuais, entre 18 e 29 anos, para completarem um questionário online. Elas responderam questões sobre a qualidade do namoro, satisfação sexual e autoestima. Segundo matéria publicada no site da revista Superinteressante, “o resultado mostrou uma relação entre felicidade, autoestima e filmes pornôs. Quanto mais pornografia os namorados ou maridos viam, maior era a chance de ter um relacionamento infeliz. Quem reclamou sobre o vício exagerado do namorado em assistir a vídeos pornôs mostrou autoestima mais baixa e insatisfação com o namoro e com a vida sexual. De tanto se compararem (ou serem comparadas) às moças dos filmes, elas ficam mais inseguras com o desempenho na cama ou com o próprio corpo”.

A verdade é que a pornografia traz um estresse enorme para o relacionamento, principalmente no casamento. “É comum que a esposa do usuário expresse sentimentos de traição, desconfiança e perda de autoestima. Com frequência, tais sentimentos levam à depressão clínica com feridas psicológicas e emocionais duradouras. Com o surgimento da desconfiança e da ferida, muitas mulheres decidem pelo divórcio”, diz Nicholl.

Para ter uma dimensão do problema em números: dois terços dos advogados presentes na reunião de 2003 da Academia Americana de Advogados Matrimoniais disseram que a pornografia virtual estava envolvida na metade dos casos que representaram. “Considerando as consequências negativas do divórcio, sentido principalmente pelas mulheres e crianças, a pornografia, contrariando o movimento do livre-arbítrio, é uma doença social grave”, compara Nicholl.

A socióloga americana Gail Dines é uma das fundadoras do movimento Stop Porn Culture, dá aulas de sociologia e gênero na Faculdade Wheelock, em Boston, e é uma grande crítica da indústria pornográfica. Em seu livro Pornland (Terra do Pornô), ela diz que a pornografia relaciona sexualidade ao menosprezo pelas mulheres. “É uma combinação muito ruim, especialmente quando pensamos que os meninos veem pornografia pela primeira vez por volta dos 13 anos. O que significa para um menino que ainda está desenvolvendo sua sexualidade ver esse tipo de pornografia? Quanto mais erotizamos essas imagens, mais dizemos aos homens que é dessa maneira que eles devem tratar as mulheres, que eles devem achar isso excitante. E os garotos vão construir sua identidade sexual em torno dessas imagens.”

Apelo de quem sabe o que diz – A ex-atriz Jennifer Case admite que os consumidores de pornografia têm parte da culpa pelas mazelas sofridas pelos envolvidos com esse mundo, mas ela diz que compreende que só com a ajuda de Deus os homens conseguem sair do vício, assim como foi com a ajuda de Deus que ela deixou essa indústria. “Homens, Deus ama vocês! Eu amo vocês também e sempre orarei por todos vocês, para que as cadeias sejam quebradas”, diz ela. “Você é escravo da pornografia tanto quanto qualquer atriz pornô. Se você está vendo pornografia ou está viciado em pornografia, você está tentando encher um vazio dentro de você que só Deus pode preencher. Toda vez que você vê pornografia, você está aumentando o vazio, e você destruirá sua vida.”

Ela diz ainda que a pornografia é “maligna” e “é uma droga, veneno e mentira”. “Se você pensa que poderá guardá-la no escuro, Deus a tirará para fora, para a luz, para deter você e curar você.”

Num apelo muito franco, Case diz que “essas mulheres [do mundo pornográfico] são preciosas e merecem ser amadas exatamente como vocês [homens] merecem. Há uma pessoa real do outro lado das imagens que você está vendo, e você está destruindo a vida dela e a vida dos filhos dela. Em toda pornografia existe a filha de alguém. E se fosse a sua filhinha? Você pode realmente estar ajudando na morte de alguém! Atores e atrizes pornôs morrem o tempo todo de aids, overdose de drogas, suicídio, etc. Por favor, parem de olhar pornografia.”

Impressionam os apelos sinceros de mulheres como Shelley Lubben e Jennifer Case. Elas sabem que, como qualquer vício, o da pornografia geralmente começa com o descuido e a curiosidade e vai se aprofundando, até que a pessoa se dá conta de estar escravizada pelo hábito destrutivo. O alcoólico deve ficar longe do álcool. O toxicômano deve passar longe das drogas. E o viciado em pornografia também deve tomar medidas preventivas. Se o problema é a internet, deve-se acessá-la sempre acompanhado de outras pessoas, limitar o tempo de navegação, ser muito focado e específico no uso (evitando navegar a esmo por aí) e colocar filtros no computador.

Finalmente, e mais importante: como disse Jennifer, só com a ajuda de Deus se pode conseguir a libertação do vício. Portanto, se você vive esse drama, intensifique sua comunhão com Deus por meio da oração sincera, do estudo devocional diário da Bíblia, das boas companhias e da frequência regular à igreja. Quando Jesus controla nossa mente, os pensamentos e desejos se tornam puros e corretos.

Michelson Borges é jornalista e mestre em Teologia

“Nos trens, fotografias de mulheres nuas são frequentemente oferecidas à venda. Esses quadros repugnantes são encontrados também em estúdios fotográficos, e são dependurados nas paredes dos que trabalham com gravuras em relevo. É esta uma época em que a corrupção prolifera por toda parte. A concupiscência dos olhos e as paixões corruptas são despertadas pela contemplação e a leitura. […] A mente tem prazer [dopamina] em contemplar cenas que despertam as paixões baixas, vis. Essas imagens depravadas, vistas por olhos de uma imaginação viciada, corrompem a moral e predispõem os iludidos e obcecados seres humanos a darem rédea solta às paixões libidinosas. Seguem-se então pecados e crimes que arrastam para baixo seres formados à imagem de Deus, nivelando-os aos irracionais, afundando-os afinal na perdição. Evitem ler e ver coisas que sugiram pensamentos impuros. Cultivem as capacidades morais e intelectuais” (Ellen G. White, Mente, Caráter e Personalidade, v. 1, p. 229).

 

 

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Adoração dançante para um povo que não dança?

songRecentemente recebi e-mail de um irmão músico que se mostrou preocupado com certos tipos de produções musicais que têm se tornado comuns no meio adventista. Antes de entrar no assunto, gostaria de reafirmar que admiro muito os cantores e músicos de nossa igreja; apoio tanto quanto possível o ministério deles e oro por eles, pois reconheço a importância da música juntamente com a pregação da Palavra e outros ministérios importantes da igreja. No entanto, não podemos tapar os olhos – ou os ouvidos – e fazer de conta que não há problemas. Assim como são criticados maus sermões – como os sermões humanistas desprovidos de conteúdo bíblico que de vez em quando são proferidos de nossos púlpitos – ou mesmo um artigo publicado em alguma revista ou um livro com conteúdo duvidoso, entendo que podemos e devemos avaliar a música de louvor que vem sendo produzida por músicos da igreja. E assim como o pregador e o autor de um livro/artigo devem estar abertos a ouvir as críticas e observações e ter maturidade para aprender e crescer com elas, essa deveria ser também a postura dos músicos, afinal, quando o assunto é louvor, minha vontade não deve prevalecer, mas, sim, as balizas providas pela Bíblia e pelos livros de Ellen White (como o ótimo livro Música, da CPB), que contêm princípios mais do que suficientes para reger a boa música adventista de louvor.

O irmão me disse estar muito triste ao ver o crescimento de uma tendência. “Como músico, não consigo definir a maioria das nossas músicas recém-lançadas como além de música gospel-adventista”, define. “Já pedi para colegas não adventistas escutarem essas músicas e darem sua opinião ‘imparcial’; eles sempre definem como um gênero próximo ao pop-rock ou simplesmente música gospel.”

Ele diz que, atualmente, o que lhe preocupa e parece paradoxal é o incentivo à dança presente em muitas músicas. “Tocamos em nossas igrejas estilos musicais dançantes e esperamos que nossos irmãos não dancem, que fiquem apenas no nível auditivo. Mas até quando isso durará? Não estamos criando um paradoxo?”, ele questiona.

Segundo ele, os jovens da igreja não têm tido a oportunidade de conhecer a estética e a maneira de transmitir as verdades bíblicas por meio da música sacra. Para o músico, “as várias estéticas presentes na música sacra das diversas épocas nunca comunicaram a dança; ao contrário, o dançar via de regra sempre esteve ligado à música popular, secular ou profana” – especialmente em nosso tempo e em nossa cultura, os quais devemos, como igreja, sempre levar em consideração.

O irmão que me enviou o e-mail acredita que a próxima questão a ser discutida não será mais sobre o uso da bateria no louvor, mas, sim, se a dança é ou não aceitável para os cristãos em nossa cultura e em nosso tempo, especificamente no Brasil.

Em seguida, ele propôs dois casos fictícios, mas possíveis:

Caso 1: Imagine um homem de cerca de 27 anos, professor universitário, batista, fez seus estudos de piano clássico, fez mestrado em educação musical e doutorado em regência com foco em música sacra. Em certo momento ele conhece a mensagem adventista e decide ser batizado. Ele começa a rever sua vida e sua cosmovisão e inicia em sua vida um processo de santificação com a ajuda do Espírito Santo. Depois disso ele decide dedicar boa parte de seu tempo livre, que é um tempo razoável, a algum projeto da igreja. Ele acharia em nossas igrejas um campo fértil para o ensino da música sacra?

Caso 2: Imagine um homem de cerca de 28 anos, guitarrista de uma grande banda de rock, compositor e um músico muito bem realizado que sempre faz masterclass sobre música popular e estilo rock para jovens músicos que pretendem seguir essa carreira. Certo dia ele é apresentado à verdade e decide entregar a vida a Jesus. Depois de batizado, ele decide se santificar e pede também ajuda ao Espírito Santo. Tendo em vista os estilos musicais predominantes e diariamente oferecidos à nossa igreja, e considerando que a música erudita e a estética sacra tradicional, que embora existam em nossas universidades não são apresentada à grande maioria dos membros, qual dos dois músicos encontraria mais rapidamente um campo de atuação?

O músico cita Ariano Suassuna: “O cachorro só come osso porque só lhe damos osso”, para perguntar: “Quem vai gostar de música sacra, se só oferecemos como opção música gospel? Quem deveria divulgar a música sacra, o mundo secular? Como alguém poderia gostar de comida vegetariana se nunca teve a oportunidade de comer uma boa comida feita por vegetarianos?”

Por esse e outros motivos fiquei feliz com a notícia de que o Hinário Adventista passará por uma atualização a fim de ser mais relevante para a atual geração (confira aqui a notícia). Nele haverá a inclusão de novos hinos e a retirada de hinos em desuso, cujas letras não mais comunicam aos adoradores desta época. Mas o que marcará todas as canções serão as melodias adequadas ao louvor (e não dançantes) e as letras com conteúdo teológico sólido, que ajudarão a fixar verdades eternas na mente dos que as cantarem.

Um dos aspectos mais importantes envolvidos no grande conflito entre o bem e o mal é exatamente a adoração. Por isso, esse assunto deve ser levado muito a sério e ser alvo de nossas mais fervorosas orações. Oremos pela nossa igreja, pelos nossos músicos, pela nossa gravadora, pela comissão do novo hinário e por nós mesmos, a fim de que Deus promova a unidade na diversidade e Se agrade do que Lhe oferecemos em termos de louvor. [MB]

Nota 1: Fica terminantemente proibido o uso deste texto para fins de ataque ou de crítica pela crítica. Não foi com esse espírito que ele foi escrito e postado. Amo profundamente minha igreja e nunca fui nem nunca serei adepto do “fogo amigo”. Quero vê-la cumprir seu papel neste mundo perdido e ajudá-la no que me for possível.

Nota 2: “O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice” (Charles H. Spurgeon, citado por John F. MacArthur, “Another Word Concerning the Down-Grade”, The Sword and the Trowel [agosto, 1887], p. 398).

Por que os unicórnios desapareceram?

unicornios

Leia também: A Bíblia fala em unicórnios, e eles existiram

Deus, ciência e as grandes questões

Uma conversa com três das maiores mentes acadêmicas cristãs vivas. (Via Cristianismo Absoluto.)

Atenção: Embora não concordemos com todos os pontos de vista levantados, a reflexão e os pensamentos apresentados são poderosas ferramentas para fundamentar mais solidamente a fé cristã.

A Jornada: uma viagem pelo tempo

a jornadaO ano é 1890. O professor do Seminário Bíblico da Graça, Russell Carlisle (D. David Morin, de “Compromisso Precioso”, outro bom filme), está prestes a publicar seu livro e pede aos colegas do seminário para endossarem a obra. Um dos membros da comissão, o Dr. Norris Anderson (Gavin MacLeod, de “O Barco do Amor”), se opõe à publicação do livro devido ao que ele considera um erro grave: falar de valores e moral sem mencionar a autoridade por trás desses valores – Jesus Cristo. Segundo Anderson, a publicação do livro de Carlisle poderia ajudar a demolir os pilares morais que sustentam a sociedade.

Para provar que a idéia de que o ser humano pode viver moralmente sem Deus acarreta graves conseqüências, o Dr. Anderson desafia Carlisle a ver com os próprios olhos uma sociedade que abraçou essa doutrina. Como? Enviando-o mais de cem anos ao futuro através de uma máquina do tempo criada por John Anderson, o pai de Norris.

A partir daí, o cenário é o de uma grande cidade norte-americana, cheia de tentações e de cristãos nominais que acham que podem ser bons, mesmo pouco conhecendo de Jesus e de Sua Palavra.

A ficção científica pode ser meio “forçada”, mas é compensada pelo bom roteiro, personagens e diálogos convincentes e pelos apelos e discursos de Carlisle. O toque de humor leve se mistura bem à proposta séria do filme de analisar a decadência moral do mundo que vive na iminência da volta de Jesus.

Nem precisa dizer que Carlisle fica chocado e, quando retorna ao passado, resolve reescrever o livro e renomeá-lo de “Time Changer”, que é o título original do filme, lançado em 2007.

Deixando de lado alguns erros teológicos como o “inferno eterno” e o “arrebatamento secreto”, é um filme que vale a pena ser visto.

Michelson Borges

Bíblia é vetada em projeto de remição de pena pela leitura?

presoO governador de São Paulo vetou nesta sexta-feira o trecho do projeto de lei 390/2017 que facilitava a vida de presos que quisessem diminuir suas penas com leitura da Bíblia. A ideia estava prevista no projeto assinado pela bancada evangélica da Assembleia Legislativa paulista e que trata sobre remição de pena pela leitura nos presídios do estado. No veto, publicado na edição desta sexta-feira do Diário Oficial, o governador afirma que o artigo que trata da Bíblia apresenta “inarredável inconstitucionalidade”. O artigo vetado pelo governador explicita que a Bíblia não é um único livro, mas um compilado de 66 livros, sendo 39 do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. A proposta legislativa é assinada pelos deputados estaduais Gilmaci Santos, Milton Vieira, Sebastião Santos e Wellington Moura – todos do PRB, partido ligado à Igreja Universal. O projeto de lei foi aprovado a toque de caixa pela Alesp no dia 20 de dezembro, pouco antes do recesso parlamentar.

Embora a redução de pena pela leitura não esteja expressa na Lei de Execuções Penais, a possibilidade está prevista em uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e uma portaria do Conselho da Justiça Federal. Segundo as regras, cada livro lido permite a redução de quatro dias de pena, ao limite de doze obras por ano – ou seja, até 48 dias de pena podem ser descontados por meio da leitura, por ano.

(Veja.com)

Comentário de Tulio Santos Caldeira: A Bíblia não foi excluída da possibilidade de remição da pena. O que foi vetado pelo governador foi a forma de contagem da leitura da Bíblia. O artigo vetado dizia que a Bíblia equivaleria a 66 livros e não apenas a 1. Note que juridicamente a Bíblia é válida, pois o art. 2 da lei que foi aprovada (Lei Estadual/SP n. 16.648/2018) diz:

Artigo 2º – A remição da pena pela leitura consiste em proporcionar aos presos custodiados alfabetizados a possibilidade de remir parte da pena pela leitura mensal de uma obra literária clássica, científica, filosófica ou religiosa, dentre outras, de acordo com as obras disponíveis na unidade prisional.

Veja que as obras religiosas (das quais a Bíblia faz parte) estão incluídas no programa. A única diferença é que a Bíblia só valerá para remição se lida integralmente.

Contudo, mesmo que a Bíblia não pudesse ser utilizada para a remição, ela não foi e não poderia ser proibida nas penitenciárias.

Clique aqui para ler a lei.

Nota: O título e a matéria da Veja foram, portanto, imprecisos. Quero aproveitar para lembrar que a Bíblia Sagrada é o único livro que tem poder para mudar vidas, pois aproxima as pessoas do verdadeiro Deus, aquele que efetivamente transforma os que a Ele se submetem. Basta fazer um teste: distribua exemplares de O Capital, de Karl Marx, ou de A Origem das Espécies, de Charles Darwin, para ver o que acontece. No máximo, alguns detentos se tornarão marxistas e/ou evolucionistas. Mas se, ao invés disso, você fizer o que muitas pessoas têm feito e entregar Bíblias nesses lugares, dentro de algum tempo, vidas serão transformadas, como a deste homem (confira aqui). A Bíblia é a melhor leitura que os detentos poderiam ter e deveriam ser estimulados a fazer – na verdade, que qualquer ser humano deveria fazer, sendo, assim, uma tremenda “arma pacificadora”. Apesar de tudo isso, o que deveria pautar a progressão de regime de um preso deveriam ser suas atitudes e não os livros que ele lê. [MB]

Isaac & Charles: Que dizem as bactérias?

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