Quando sair das grandes cidades – a objeção refutada

cidade[Reação do Dr. Amin Rodor a um vídeo recentemente postado pelo líder do chamado “Congresso MV”.]

As aspas utilizadas no slide em questão foram acrescentadas por quem preparou os quadros na Associação […]. Percebi o engano, enviei um e-mail para a correção (na mesma noite, depois da palestra). Como disse no e-mail, que intitulei “correção”, cria que algum tipo de objeção ou crítica seria feita pelos defensores do “sair das cidades já”. Não fui decepcionado pelo previsível “zelo sem entendimento” deles. O texto de Eventos Finais pagina 121, indicado no slide, está baseado no texto do Testemunhos Seletos, volume 2, página 166:

“Como o cerco de Jerusalém pelos exércitos romanos era o sinal de fuga para os cristãos judeus, assim o arrogar-se nossa nação o poder no decreto que torna obrigatório o dia de repouso papal será uma advertência para nós. Será então tempo de deixar as grandes cidades, passo preparatório ao sair das menores para lugares retirados em lugares solitários entre as montanhas” (ênfase acrescentada).

Qualquer pessoa não contaminada por teorias próprias, preconceitos ou má-fé veria que aquilo que foi indevidamente colocado entre aspas é essencialmente verdade em relação ao que a voz profética aos adventistas diz, no Testemunhos Seletos ou no Eventos Finais, onde Ellen White compara o decreto dominical, como sinal para a saída das grandes cidades, com o cerco de Jerusalém. Poderia ser mais evidente?

Deplorável mesmo é a tentativa de “explicar” a clareza devastadora do texto quanto ao tempo de sair das grandes cidades com a surrada “ilustração da cerca” e outros subterfúgios. Não há nenhum erro com a “estaca” alegadamente “fora de lugar” (os opositores estão no fundo questionando Ellen White por não confirmar a precária teoria deles). O problema não é a estaca supostamente “desalinhada”, mas a interpretação dada às “outras estacas” por aqueles que querem fazer Ellen White dizer o que ela realmente não disse. Isso, sim, é realmente apócrifo!

Um princípio básico em hermenêutica, que provavelmente o “zeloso” jovem do YouTube desconhece, é que textos menos claros (quer por razões textuais ou contextuais) devem ser interpretados pelos textos indiscutivelmente claros (não o contrário). E o texto indiscutivelmente claro é que “o decreto que torna obrigatório o dia de repouso papal será uma advertência para nós. Será então tempo de deixar as grandes cidades”. Aqui não cabe contorcionismos ou ginásticas interpretativas. Tentar, baseado em “sabedoria” ou “esperteza” pessoal, “explicar” esse texto de Ellen White com o argumento de que ele “só ocorre uma vez” e, por isso, estaria “desalinhado”, é absurdo, além de ridículo. Quem determina quantas vezes uma verdade da revelação deve ser repetida? Os “Missionários Voluntários” e suas ideias? Se a estatística é o critério para a nossa aceitação, então a necessidade do Novo Nascimento nos lábios de Jesus Cristo deveria ser contestada, porque o Senhor a menciona, em Seu ministério, apenas uma vez (João 3:3). Toda essa conversa de “estaca fora do lugar” apenas confirma que esses amigos creem em Ellen White apenas quando ela está de acordo com eles.

(Amin A. Rodor é pastor, escritor e ex-professor de Teologia)

 Nota: Infelizmente, mais uma vez o líder do chamado “Congresso MV” (recentemente removido do rol de membros da IASD) se vale de um erro involuntário para lançar dúvida sobre um pastor e sobre todo o ministério adventista, ao sugerir que os pastores estariam orientando os membros das igrejas a ficar nas grandes cidades. Não é o que tenho visto nas ótimas lives a que tenho assistido (como a do pastor Josanan Alves, por exemplo) e nos textos de pastores como Hélio Carnassale, líder de Liberdade Religiosa e coordenador do Departamento de Espírito de Profecia da Divisão Sul-Americana. Eles têm dado o “sonido certo à trombeta”. É lamentável a atitude de pessoas que, em lugar de unir forças e contribuir com a missão da igreja remanescente, ficam criticando e causando divisão. Oro para que se convertam desse mau caminho. No caso específico desse último vídeo do líder do “MV”, todo o transtorno teria sido evitado se ele tivesse feito como eu fiz: perguntasse ao Pr. Amin o que aconteceu. [MB]

Leia também: “Congresso MV: mentiras e acusações” e “Mais mentiras do líder do Congresso MV”

“Não devemos ser mexeriqueiros, intrometidos ou boateiros; não devemos dar falso testemunho. Somos proibidos por Deus de empenhar-nos em conversas frívolas e insensatas, em gracejos e piadas, ou proferir palavras ociosas. Temos de prestar contas a Deus do que dizemos. Seremos levados a juízo por nossas palavras precipitadas, que não fazem bem para quem fala nem para quem ouve. Falemos todos, portanto, palavras que sejam boas para edificação. Lembrai-vos de que sois valiosos para Deus. Não permitais que vossa experiência cristã se componha de conversas baixas e insensatas ou de princípios errôneos” (Ellen G. White, Fundamentos da Educação Cristã, p. 458).

Perguntas interativas da Lição: Testemunhas cativantes – o poder do testemunho pessoal

testemunhoTestemunhar de Cristo não é só falar a respeito dEle, mas ter um relacionamento pessoal com Ele. Trata-se de falar não apenas do que Ele fez, mas do que Ele faz em nós. Esse tipo de testemunho tem um grande poder por se tratar muito mais de uma experiência real do que de uma religião aleatória.

Perguntas para discussão em grupo:

Por que é difícil argumentar contra a experiência pessoal de alguém? O que há de tão poderoso e convincente no testemunho pessoal?

Por que o mundo precisa desesperadamente do testemunho dos cristãos?

Leia Marcos 5:15-20. Por que foi muito mais benéfico para o ex-endemoninhado ficar em sua cidade como testemunha do que se ele houvesse partido de lá junto com Jesus? (Nota: Como vemos em Marcos 7:31-8:21, Jesus visitou novamente essa região depois de vários meses, e dessa vez a cidade estava preparada para recebê-Lo em virtude do testemunho do homem liberto dos demônios.)

O que significa para você o fato de que o primeiro missionário enviado por Jesus para dar testemunho dEle foi um ex-endemoninhado?

Leia Atos 4:13, 20. Qual era a maior evidência de que os discípulos haviam estado com Cristo? Por que eles não podiam ficar calados? O que pode estar faltando na vida dos cristãos que não têm esse mesmo desejo de testemunhar?

Qual é a relação entre conhecer e partilhar Jesus Cristo? Por que conhecer Jesus pessoalmente é tão essencial para podermos testemunhar dEle?

Veja em Atos 26:1-3, 13-15, 24-29 alguns trechos da defesa de Paulo perante o rei Agripa. Em sua opinião, por que o rei agiu dessa maneira? O que Paulo estava tentando fazer? O que mais impressiona você nessa história e que lições podemos extrair dela?

Medite nesta citação da lição de sexta-feira e diga qual é o seu significado mais profundo: “Por mais importante que seja a doutrina correta, ela não substitui uma vida transformada pela graça.”

Por que a conversão não pode ser apenas uma foto (um ponto no passado), mas um filme (uma experiência contínua)?

Leia Atos 1:8. Como você pode se tornar sensível para o mover do Espírito Santo?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Intelectuais reivindicam o direito de discordar nos EUA

euaMais de 150 escritores, acadêmicos e intelectuais – entre os quais figuram Noam Chomsky, Salman Rushdie, Gloria Steinem, Margaret Atwood e Martin Amis – assinaram uma carta aberta denunciando uma crescente “intolerância” por parte do ativismo progressista norte-americano em relação a ideias discordantes. Conforme o texto, eles consideram que isso está afetando os ambientes acadêmicos e culturais, onde há acusação e boicote, “punições desproporcionais” e uma consequente “aversão ao risco” ou autocensura que empobrece o debate público. “Devemos preservar a possibilidade de discordar de boa fé, sem consequências profissionais funestas”, destacam.

O texto, publicado terça-feira na revista Harper’s, com o título “Uma Carta sobre a Justiça e o Debate Aberto”, aplaude os protestos pela justiça racial e social, por maior igualdade e inclusão, mas alerta que esse “necessário ajuste de contas” também intensificou “um novo conjunto de atitudes morais e compromissos políticos que tendem a enfraquecer nossas normas de debate aberto e de tolerância às diferenças em favor de uma conformidade ideológica”. […]

O texto aborda uma polêmica candente nos Estados Unidos, sobre se o novo limiar de tolerância zero em relação a desigualdades como racismo, sexismo e homofobia também está alimentando alguns excessos que buscam silenciar qualquer dissidência. Os críticos costumam se referir a isso como cancel culture, cuja tradução literal seria “cultura do cancelamento” e que faz referência aos vetos e às acusações contra criadores ou professores por qualquer desvio da norma; ou woke culture (derivado do inglês “despertar”), que se refere a uma atitude de alerta permanente.

“A livre troca de informações e ideias, a força vital de uma sociedade liberal, está se tornando cada vez mais limitada. Era algo esperado por parte da direita radical [e não deveria ser surpresa a mesma prática por parte da esquerda intolerante], mas a atitude censora está se expandindo em nossa cultura”, diz a carta, que não menciona diretamente recentes polêmicas concretas com nomes e sobrenomes, mas se estende em descrever situações. “Os responsáveis por instituições, em uma atitude de pânico e controle de riscos, estão aplicando punições duras e desproporcionais em vez de aplicar reformas ponderadas. Editores foram demitidos por publicar artigos controvertidos; livros foram recolhidos por suposta pouca autenticidade; jornalistas foram proibidos de escrever sobre certos assuntos; professores foram investigados por citar determinados trabalhos”, descreve o texto, entre outros exemplos. [É bom lembrar a demissão do jornalista Lacombe, da Band, cujas ideias conservadoras foram reprovadas pela emissora ligada ao Partido Comunista Chinês.]

Uma das recentes polêmicas foi a demissão de James Bennet como editor de opinião do The New York Times no início deste mês. O motivo foi a publicação de um artigo do senador republicano Tom Cotton, em que o político pedia uma resposta militar aos protestos e distúrbios pela morte do afro-americano George Floyd. A enxurrada de críticas dentro e fora da redação levou Bennet a pedir demissão e a pedir desculpas. O jornal admitiu que não deveria ter publicado esse artigo e que não havia sido editado com suficiente rigor.

Em decorrência do mesmo conflito, em 10 de junho a Poetry Foundation anunciou a demissão de dois de seus dirigentes depois de uma carta de protesto de 30 autores que consideraram tímido o comunicado de denúncia da violência policial. O presidente do Círculo Nacional de Críticos de Livros e cinco outros membros também se demitiram em meio a críticas de racismo e violações de privacidade por uma ruidosa discussão nas redes sociais. Um analista eleitoral, David Shor, foi despedido da plataforma Civis Analytics depois da tempestade provocada por ter tuitado o estudo acadêmico de um professor de Princeton que alertava sobre os efeitos perversos dos protestos violentos. Segundo a The New York Magazine, alguns funcionários da empresa consideraram que o tuíte de Shor “colocava sua segurança em risco”.

O debate sobre onde termina a tolerância zero em relação aos abusos e onde começa a se “cancelar” a divergência também se estende à atual revisão das estátuas e monumentos nacionais. O presidente Donald Trump, que abraçou a guerra cultural como um de seus argumentos de campanha, se concentrou nesse assunto em um longo discurso na noite de sexta-feira passada, véspera do feriado nacional de 4 de julho. “Nas nossas escolas, nossas redações, até em nossos conselhos de administração, há um novo fascismo de extrema esquerda que exige lealdade absoluta. Se você não fala a língua deles, pratica seus rituais, recita seus mantras e segue seus mandamentos, você será censurado, perseguido e punido”, afirmou.

Os intelectuais em sua carta qualificam o presidente de “ameaça à democracia”, mas alertam: “A restrição do debate é realizada por um Governo repressivo ou por uma sociedade intolerante, prejudica os que não têm poder e reduz a capacidade de participação democrática de todos. A maneira de derrotar as más ideias é a exposição, o argumento e a persuasão, não tentar silenciá-las ou querer expulsá-las. Como escritores, precisamos de uma cultura que nos deixe espaço para a experimentação, a tomada de riscos e inclusive os erros. Devemos preservar a possibilidade de discordar de boa-fé sem consequências profissionais funestas”, concluem.

(El País)

Nota de um amigo cientista: “A carta me parece muito acanhada para denunciar um problema que está tomando proporções gigantescas. Rever o passado sob a ótica de 2020 é no mínimo temerário. Em breve estaremos chacinando os italianos com raízes no império romano, os alemães filhos de nazistas, ou quem sabe cobrando ressarcimentos dos descendentes dos caçadores de baleias do século 19! A lista é imensa e nem preciso continuar, afinal, mazelas passadas não faltam. Essa é uma questão que realmente preocupa bastante, e que permeia outros aspectos da vida atual. Posso ver isso de forma clara no que trabalho, quando tento colocar questões (com base em dados!) que divergem do pensamento reinante. O mais preocupante é a maioria acreditar que isso é um comportamento democrático e ‘fascistas’ são os outros!”

Nota 2: Se esses intelectuais estivessem em um país de ditadura comunista, não teriam nem mesmo o direito de se manifestar em favor da discordância.

Michelson Borges revela notícia em primeira mão!

A ciência e a Bíblia são sexistas?

inferiorA revista Veja [anos atrás] publicou uma entrevista interessante com a jornalista inglesa especializada em ciência Angela Saini, aproveitando como “gancho” o lançamento do livro dela, Inferior: How Science Got Women Wrong (Inferior: Como a ciência se enganou com as mulheres, em tradução livre). Saini afirma que a ciência nasceu dentro de um contexto cultural em que a mulher era vista de forma diferente do homem, em uma sociedade sexista que fragilizava e inferiorizava o feminino. “Então, não é surpreendente que a ciência tenha seguido o mesmo caminho, reproduzindo estereótipos e baseando seus estudos em suposições herdadas da sociedade”, diz ela, deixando claro que, a despeito de sua especialização, não compreende o que é ciência. Mas tem mais: Saini também não compreende a religião bíblica.

Quando lhe foi perguntado se a forma como a religião retrata a mulher influenciou a ciência supostamente sexista, ela respondeu que sim, e definiu a religião que, para ela, é machista: “Adão e Eva foram a fonte primária de informação sobre a relação entre homem e mulher para o mundo cristão.” Para ela, a história do primeiro casal reforçaria o estereótipo da mulher como segundo elemento. Mas de onde ela tirou essa ideia? Escolher o relato da criação foi um tiro no pé em seu discurso feminista. Se ela ainda tivesse usado passagens bíblicas pós-pecado que refletem a ascensão diabólica do machismo e a subjugação da mulher por homens pecadores, ainda daria para compreender (deixando de lado o fato de que quando a Bíblia descreve aspectos culturais reprováveis não significa que Deus os esteja aprovando).

No relato bíblico da criação fica evidente que a mulher – a obra-prima de Deus, o último ser criado em uma ordem crescente de relevância e complexidade – é tão importante quanto o homem, embora ambos tivessem (e ainda têm) funções diferentes. O fato de ser usada no relato a palavra “ajudadora” ou “adjutora idônea” não diminui em nada a esposa de Adão. Na verdade, a expressão original hebraica ezer kenegdo também é aplicada a Deus como nosso ajudador. Isso significa que o Senhor é inferior a nós? Claro que não!

Infelizmente, Saini parece entender pouco de Bíblia e menos ainda de ciência. Como é muito comum, ela confunde ciência com filosofia ou paradigmas, e pensa que as afirmações dos cientistas equivalem à ciência. Esta é uma confusão recorrente: atribui-se à ciência coisas que os cientistas dizem. A ciência não diz nada. Ciência é uma caixa de ferramentas que usamos para compreender o mundo que nos rodeia. Ciência não é uma invenção humana. Não foi inventada. Foi descoberta.

A própria Saini dá um exemplo interessante na entrevista, que ajuda a compreender a diferença entre ciência e paradigma filosófico. Ela conta que em 2013 um grupo de cientistas da Universidade McMaster publicou um artigo sobre a origem da menopausa no qual afirmam que a mulher deixa de menstruar na meia-idade porque os homens não mais as consideram atraentes, sendo, então, a menopausa um efeito evolutivo da falta de atração masculina por mulheres mais velhas. Para rebater essa pesquisa, a jornalista cita o trabalho de outro evolucionista, o biólogo George Williams. Para ele, a menopausa surgiu em nossa espécie como um mecanismo para proteger as mulheres mais velhas dos riscos do parto. O que há de ciência nessas afirmações? Praticamente nada. São meras opiniões evolucionistas que mostram uma casa dividida.

Para ser justo, Saini acerta no alvo em um ponto: quando afirma que Charles Darwin foi o cientista que causou mais dano para a percepção dos cientistas em relação à mulher. Isso porque o naturalista inglês afirmou categoricamente sem base alguma que a mulher seria naturalmente inferior ao homem, sustentando que as mulheres estavam atrás dos homens na escala evolutiva. Por não fazer ciência de verdade, Darwin deixou de considerar o contexto social de seu tempo, que impedia as mulheres de terem acesso à educação, à informação, à possibilidade de participar das descobertas científicas da época, etc. “O poder [das ideias de Darwin] e seu status fizeram com que suas teses embasassem muitos trabalhos de cientistas nos séculos seguintes”, diz Saini, sem perceber que, na verdade, está reconhecendo que o darwinismo contaminou muitas áreas do saber, influenciando filosoficamente inúmeras pesquisas e trabalhos.

Ao responder à última pergunta da entrevista, Saini diz que “o que feminismo está fazendo com a ciência é melhorá-la, confrontá-la. O feminismo tem ajudado a questionar estereótipos que são, justamente, irracionalidades que faziam parte da ciência”. Errado, pois, como eu já disse, a ciência não é machista nem feminista. Machistas ou feministas são os cientistas. Assim como Deus e a Bíblia não são machistas nem feministas. Machistas e feministas são as pessoas e as culturas retratadas na história bíblica.

Esses são os verdadeiros estereótipos que precisam ser derrubados. Mas não serão graças ao feminismo radical ou a qualquer outro ismo. Serão derrubados pela verdadeira religião e pela verdadeira ciência – quando as pessoas estiverem dispostas a compreendê-las.

Michelson Borges

(Publicado originalmente no blog Criacionismo.)

Perguntas interativas da Lição: Por que testemunhar?

Esta é a primeira de uma nova série de perguntas interativas para reflexão pessoal e discussão em grupos. O tema geral desse trimestre é “Fazendo Amigos para Deus”. Nesta semana iniciamos a série estudando a importância de ser participantes ativos do Evangelho ao testemunhar para outras pessoas.

Perguntas para discussão em grupos:

Veja qual é o grande desejo de Deus em 1 Timóteo 2:3, 4 e 2 Pedro 3:9. Qual é a nossa função no plano divino para que esse desejo se cumpra (ou que pelo menos se aproxime ao máximo de seu cumprimento)?

Diante da situação do mundo – o qual “jaz no maligno” (1Jo 5:19) –, se você perguntasse a Deus “Como foi o Seu dia?”, como você imagina que Ele lhe responderia? E se você Lhe perguntasse “O que eu posso fazer para Lhe trazer alegria?”, o que você acha que Ele diria? Por quê? O que é necessário para que você passe a agir sempre desse modo, sempre trazendo alegria a Deus?

Leia Lucas 15:7, 10, 32. Por que a conversão de uma única pessoa traz tanta alegria a Deus e aos anjos? Preste atenção nas palavras do verso 10. O que significa o fato de que, em vez de ser dito que há alegria “nos anjos”, é dito que a alegria está “diante” dos anjos ou “na presença” deles? (R.: É provável que a ênfase do texto esteja no júbilo do próprio Deus, e que impressiona solenemente os anjos que estão em Sua presença.)

Por que é tão difícil imaginar Deus exultando de alegria, sendo que ela é fruto do Espírito Santo (Gl 5:22)?

Qual foi o propósito de Deus ao ter escolhido, em lugar dos anjos, os próprios seres humanos caídos para dar testemunho dEle? Quais são os benefícios de testemunhar para a própria pessoa que dá o testemunho?

Leia Mateus 28:19, 20; Marcos 16:15, 16; Lucas 24:48, 49; João 20:21. Por que os quatro evangelhos terminam com uma ordem para que os cristãos testemunhem para outras pessoas?

Leia João 7:37, 38. Se no verso 37 Jesus é a fonte da água viva da qual devemos “beber”, em que sentido o verso seguinte afirma que os que creem nEle também passam a ter “rios de água viva” fluindo em seu interior? (R.: O verdadeiro convertido se torna um representante de Cristo, levando o Evangelho para outras pessoas.)

Leia 1 Coríntios 5:14, 15. O que significa dizer que “o amor de Cristo nos constrange [motiva, impulsiona]”? De que forma o reconhecimento do amor de Cristo nos motiva a testemunhar?

Como você entende Tiago 5:19, 20?

Como o testemunho e o serviço voluntário para Deus influenciam nosso crescimento espiritual? Por outro lado, por que o testemunho e o serviço, por mais dedicados que sejam, não podem se tornar substitutos à verdadeira espiritualidade? Como podemos evitar que isso aconteça?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Leonardo Boff volta a defender o ecossocialismo

LeonardoBoff[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] O ataque do coronavírus contra toda a humanidade nos obrigou a nos concentrar no vírus, no hospital, no paciente, no poder da ciência e da técnica e na corrida desenfreada por uma vacina eficaz e no confinamento e distanciamento social. Tudo isso é indispensável. Mas para apreendermos o significado do coronavírus, precisamos enquadrá-lo em seu devido contexto e não vê-lo isoladamente. Ele expressa a lógica do capitalismo global que, há séculos, conduz uma guerra sistemática contra a natureza e contra a Terra. O capitalismo se caracteriza pela exacerbada exploração da força de trabalho, pela utilização dos saberes produzidos pela tecnociência, pela pilhagem dos bens e serviços da natureza, pela colonização e ocupação de todos os territórios acessíveis. Por fim, pela mercantilização de todas as coisas. De uma economia de mercado passamos para uma sociedade de mercado. [Boff está aqui descrevendo o “capitalismo selvagem”, mas não o define, pois quer deixar seu recado anticapitalista de sempre.]

Nela, as coisas inalienáveis se transformaram em mercadoria. Karl Marx em sua Miséria da Filosofia de 1874 profetizou: “Tudo o que os homens consideravam inalienável, coisas trocadas e dadas mas jamais vendidas… tudo se tornou venal como a virtude, o amor, a opinião, a ciência e a consciência… tudo foi levado ao mercado e ganhou seu preço.” A isso ele denominou o “tempo da corrupção geral e da venalidade universal” (ed. Vozes 2019, p. 54, 55). É o que estamos vivendo desde o fim da segunda guerra mundial. [Boff volta às origens ao citar o ateu anticristão Marx.]

O capitalismo quebrou todos os laços com a natureza, a transformou num baú de recursos, tidos ilusoriamente ilimitados, em função de um crescimento também tido ilusoriamente ilimitado. Ocorre que um planeta já velho e limitado não suporta um crescimento ilimitado.

Politicamente o neoliberalismo confere centralidade ao lucro, ao mercado, ao Estado mínimo, às privatizações de bens públicos e uma exacerbação da concorrência e do individualismo, a ponto de Reagan e Thatcher dizerem que a sociedade não existe, apenas indivíduos. [Prefiro não discutir esses pontos aqui, cada um deles precisando de muito espaço e tempo para isso.]

[Depois de dar seu velho recado comunista, Boff parte para sua argumentação panteísta pagã, foco de meus comentários:] A Terra viva, Gaia, um superorganismo que articula todos os fatores para continuar viva e produzir e reproduzir sempre todo tipo de vida, começou a reagir e contra-atacar: pelo aquecimento global, pela erosão da biodiversidade, pela desertificação crescente, pelos eventos extremos e pelo envio de suas armas letais que são os vírus e bactérias (gripe suína, aviária, H1N1, zika, chikungunya, SARS, ebola e outros) e agora a covid-19, invisível e letal. Colocou a todos de joelhos, especialmente as potências militaristas cujas armas de destruição em massa (que poderiam destruir toda a vida, várias vezes) se mostraram totalmente supérfluas e ridículas. Agora passamos do capitalismo do desastre para o capitalismo do caos, como diz a crítica do sistema capitalista Naomi Klein.

Uma coisa ficou clara a propósito da covid-19: caiu um meteoro rasante em cima do capitalismo neoliberal desmantelando seu ideário: o lucro, a acumulação privada, a concorrência, o individualismo, o consumismo, o estado mínimo e a privatização da coisa pública e dos commons. Ele foi gravemente ferido. O fato é que produziu demasiada iniquidade humana, social e ecológica, a ponto de pôr em risco o futuro do sistema-vida e do sistema-Terra. [Quanto mais caos e medo, melhor…]

Ele, entretanto, colocou inequivocamente a disjuntiva: Vale mais o lucro ou a vida? O que vem antes: salvar a economia ou salvar vidas humanas? [Dicotomia absurda, uma vez que uma coisa está diretamente atrelada à outra. Mas sigamos…] […]

Cientistas já advertiram que poderemos, dentro de pouco, sofrer com um ataque ainda mais feroz, caso não tenhamos aprendido a lição de cuidar da natureza e de desenvolver uma relação amigável para com a Mãe Terra. [Sempre ela, a entidade semidivina…]

Elenco aqui algumas alternativas, pois os senhores do capital e das finanças estão numa furiosa articulação entre eles para salvaguardar seus interesses, fortunas e poder de pressão política. [Vou omitir as propostas que ele ironiza e deixar apenas a que ele sugere:] […]

A quarta seria o ecossocialismo com maiores possibilidades. Supõe um contrato social mundial com um centro plural de governança para resolver os problemas globais da humanidade. Os bens e serviços naturais seriam equitativamente distribuídos a todos, num consumo decente e sóbrio que incluiria também toda a comunidade de vida. Ela também precisa de meios de vida e de reprodução como água, climas e nutrientes. Esta alternativa estaria dentro das possibilidades humanas, desde que superasse o sociocentrismo e incorporasse os dados da nova cosmologia e biologia, que consideram a Terra como momento do grande processo cosmogênico, biogênico e antropogênico.

A quinta alternativa seria o bem viver e conviver ensaiada por séculos pelos andinos. Ela é profundamente ecológica, pois considera todos os seres como portadores de direitos. O eixo articulador é a harmonia que começa com a família, com a comunidade, com a natureza, com o inteiro universo, com os ancestrais e com a Divindade [harmonia com o Universo, com os ancestrais e com a Divindade – papo mais espiritualista e New Age!]. Essa alternativa possui alto grau de utopia. Talvez, quando a humanidade se descobrir como espécie, habitando numa única Casa Comum [expressão usada amplamente pelo papa Francisco], teria condições de realizar o bem-viver e o bem conviver. […]

Como o problema do coronavírus foi global, torna-se necessário um contrato social global para implementar soluções globais. Tal transformação demandará uma descolonização de visões de mundo e de conceitos, como a voracidade pelo lucro e o consumismo, que foram inculcados pela cultura do capital. O pós-coronavírus nos obrigará conferir centralidade à natureza e à Terra. Ou salvamos a natureza e a Terra ou engrossaremos o cortejo dos que rumam para o abismo. […]

Para isso, cabe enfatizar, devemos passar por um processo de descolonização de visões de mundo e de ideias inculcadas pela cultura do capital. Devemos ser antissistema e alternativos. […]

Foi a solidariedade que nos permitiu o salto da animalidade para a humanidade. O que valeu ontem, vale também para hoje. [Como sempre, panteísmo e paganismo andam de mãos dadas com o evolucionismo. O ecossocialismo tem bases conceituais diferentes das da mordomia criacionista bíblica.] […]

Foi a falta de cuidado para com a natureza, devastando-a, que os vírus perderam seu habitat, conservado em milhares de anos e passaram a outro animal ou ao ser humano para poder sobreviver devorando nossas células. O ecofeminismo trouxe uma expressiva contribuição à preservação da vida e da natureza com a ética do cuidado, desenvolvida por elas, pois o cuidado é de todos os humanos, mas ganha especial densidade nas mulheres. […]

Toda crise faz pensar e projetar novas janelas de possibilidades. O coronavírus nos deu esta lição: a Terra, a natureza, a vida, em toda sua diversidade, a interdependência, a cooperação e a solidariedade devem possuir a centralidade na nova civilização, se não quisermos ser mais atacados por vírus letais.

Parto da seguinte interpretação: não só nós agredimos por séculos a natureza e a Mãe Terra. Agora é a Terra ferida e a natureza devastada que estão nos contra-atacando e fazendo sua represália. São entes vivos e como vivos sentem e reagem às agressões.

A multiplicação de sinais que a Terra nos enviou, a começar pelo aquecimento global, a erosão da biodiversidade na ordem de 70-100 mil espécies por ano (estamos dentro da sexta extinção em massa na era do antropoceno e do necroceno) e outros eventos extremos, devem ser tomados absolutamente a sério e interpretados. Ou nós mudamos nossa relação para com a Terra e a natureza, num sentido de sinergia, de cuidado e de respeito ou a Terra pode não nos mais querer sobre sua superfície. Desta vez não há uma arca de Noé que salva alguns e deixa perecer os outros. Ou nos salvamos todos ou engrossaremos o cortejo daqueles que rumam para a sua própria sepultura. [Típico argumento EComênico de exacerbar a culpa humana para que as soluções sejam puramente humanas. Nada de intervenção divina; esqueça a arca; esqueça a volta de Jesus.]

Quase todas as análises do covid-19 focaram a técnica, a medicina, a vacina salvadora, o isolamento social, o distanciamento e o uso de máscaras para nos proteger e não contaminar os outros. Raramente se falou de natureza, pois o vírus veio da natureza. Por que ele passou da natureza a nós? Já o tentamos explicar anteriormente.

A transição de uma sociedade capitalista de superprodução de bens materiais para uma sociedade de sustentação de toda a vida com valores humano-espirituais como a solidariedade, a compaixão, a interdependência, a justa medida, o respeito e o cuidado e, não em último lugar, o amor, não se fará de um dia para o outro.

Será um processo difícil que exige, nas palavras do papa Francisco na encíclica “sobre o Cuidado da Casa Comum” uma “radical conversão ecológica”. Vale dizer, devemos introduzir relações de cuidado, de proteção e de cooperação. Um desenvolvimento feito com a natureza e não contra a natureza. [Por sua postura comunista de teórico da Teologia da Libertação, Boff foi silenciado pelo papa João Paulo II; agora, no pontificado do ecossocialista Francisco, Boff está feliz da vida.] […]

A Terra que já tem 4,3 bilhões de anos e a vida cerca de 3,8 bilhões de anos são vivos. A Terra, isso é um dado de ciência já aceito pela comunidade científica, não só possui vida sobre ela, mas é viva e produz toda sorte de vidas. O ser humano que surgiu já há uns 10 milhões de anos [sic], há 100 mil anos como Sapiens sapiens, é a porção da Terra que num momento de alta complexidade começou a sentir, a pensar, a amar e a cuidar. Por isso homem vem de húmus, terra boa. [E aqui vemos na teologia ecossocialista o paganismo e o evolucionismo darem-se as mãos, sempre com a desculpa de que a “ciência” apoia esse casamento conveniente.]

Inicialmente possuía uma relação de convivência com a natureza, depois passou de intervenção mediante a agricultura de irrigação e nos últimos séculos de agressão sistemática mediante a tecnociência. Essa agressão foi levada a todas as frentes a ponto de colocar em risco o equilíbrio da Terra e até uma ameaça de autodestruição da espécie humana com armas nucleares, químicas e biológicas.

Essa relação de agressão subjaz à atual crise sanitária. Levada avante, a agressão poderá nos trazer crises mais agudas até aquilo que os biólogos temem The Next Big One: aquele próximo e grande vírus, inatacável e fatal que poderá levar a espécie humana a desaparecer da face da Terra. [Que falta faz desprezar a escatologia bíblica: o ser humano não vai desaparecer da face da Terra; Jesus virá buscar aqueles que aceitarem Seu plano de redenção, a única esperança real para a humanidade caída e para este planeta desgastado pelo pecado e seus efeitos.]

Para obviar este possível armagedom ecológico, urge renovar o contrato natural violado com a Terra viva: ela nos dá tudo o que precisamos e garante a sustentabilidade dos ecossistemas. Nós, contratualmente, teríamos que lhe devolver cuidado, respeito a seus ciclos e lhe damos tempo para regenerar o que lhe tiramos. [Olha aí o descanso dominical proposto pelo papa Francisco…] […]

Lutem para que a ciência sirva à vida e não ao mercado. Empenhem-se pela justiça social sem a qual não há paz. Por fim, cuidem da Mãe Terra sem a qual nenhum projeto será possível. […] Para citar Paulo Freire, diria: precisamos construir uma ecossociedade na qual não seja tão difícil o amor.

(EcoDebate, 24/6/2020; publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate; IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS)

“Minha ‘bússola moral’ não é a Bíblia; é Jesus.” Como assim?!

jesus modernoEsse comentário foi feito recentemente numa página que tem como proposta produzir uma teologia adventista alinhada com algumas pautas progressistas como a de que a prática homossexual não é considerada pecado na Bíblia e de que o aborto é uma questão de escolha pessoal. A ideia exposta nesse comentário [do título] não é nova, nem surgiu dos meios adventistas. Ela é uma versão do conceito de Jesus como “chave hermenêutica” da Bíblia, muito adotado por cristãos mais liberais. O nome é bonito. Dá a impressão de ser um princípio interpretativo em que Jesus é colocado no centro. Faz lembrar a passagem de João 5:39, onde Cristo diz que toda a Escritura testifica dEle. Em resumo, o conceito consiste em julgar todas as coisas, incluindo a Bíblia, a partir do que seria o “espírito de Jesus” – espírito aqui no sentido de modo de pensar e agir. Algo como sempre se perguntar: “O que Jesus faria/pensaria em relação a X?” Dependendo da resposta, até trechos da própria Bíblia podem ser colocados em cheque. Na verdade, a tendência de quem adota esse método é gradualmente avançar para uma visão cada vez mais relativista das Escrituras.

O problema central desse tipo de teologia é evidente: o “espírito de Jesus” é sempre aquilo que o intérprete acha correto. Se o intérprete pensa que X não combina com Jesus ou que Y combina com Jesus, então é isso o que vale. E será esse o padrão a julgar todas as coisas. Como o leitor pode perceber, o objetivismo de extrair o sentido das Escrituras a partir de regras lógicas de interpretação dá lugar ao subjetivismo de impor às Escrituras o sentido que nos parece mais belo e conveniente. No fim das contas, Jesus como “chave hermenêutica” acaba se tornando “eu mesmo como chave hermenêutica”.

Há outros dois problemas fundamentais nessa abordagem hermenêutica progressista. Primeiro: ela despreza o fato de que Jesus usava as Escrituras Sagradas e Se guiava por elas. Todos os Seus discursos e ensinos estavam pautados na Bíblia Hebraica, e Suas principais ações eram cumprimento de profecias registradas nos livros sagrados judaicos.

Segundo: ela despreza que a própria história de Jesus e dos apóstolos, bem como seus ensinos principais, estão registrados em um conjunto de documentos que foi acoplado à Bíblia Hebraica pelos cristãos do primeiro século, tornando-se a Bíblia cristã que temos hoje. Em outras palavras, a principal e mais confiável fonte a respeito de Jesus que nós temos é a Bíblia.

Sendo assim, separar Jesus das Escrituras, buscando usá-Lo como “chave hermenêutica”, é um erro crasso. Aliás, dentro das regras lógicas de interpretação, é princípio básico que nenhuma parte das Escrituras deve ser usada de modo isolado para interpretar toda a Bíblia. Uma vez que a Bíblia é um todo coerente e inspirado, toda ela deve ser usada para interpretar cada uma de suas partes.

A página em questão provavelmente ainda não chegou ao ponto de considerar que algumas partes da Bíblia não são inspiradas. Mas já flerta com uma hermenêutica mais subjetivista e faz uso de uma exegese distorcida dos textos bíblicos que condenam práticas que ela apoia ou é conivente. Ainda que seus autores permaneçam na Igreja e crendo na total inspiração da Bíblia, o tipo de evangelho que tem criado levará muitos a moldarem suas interpretações da Bíblia com base em suas preferências, não em critérios lógicos e objetivos. As palavras de Paulo a Timóteo, pouco antes de ser martirizado, cabem bem aqui:

“Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (2 Timóteo 4:1-5).

(Davi Caldas, Reação Adventista, via Facebook)

Comentário de Marco Dourado: “A velha e surrada estratégia: primeiro, cria-se um falso dilema a partir de uma suposta oposição entre as Escrituras e Jesus. Depois, distorcem-se as palavras de Cristo a fim de se construir um argumento espantalho. Quem inventou esse método deve tê-lo feito por malícia, mas os que o adotam são indivíduos com sérios transtornos cognitivos.”

A frieza das redes

capa VS julhoQuando ocorreu a migração do processo de produção artesanal para novas formas de fabricação, os visionários da economia previam a substituição do trabalho manual pelas máquinas a vapor. Todavia, a Revolução Industrial iniciada na Inglaterra na segunda metade do século 18 não concedeu o tempo livre almejado pelos trabalhadores e garantido pelos “profetas da modernidade”. Um século depois, o advento da energia elétrica também não impediu o surgimento de outras funções e profissões, não obstante muitos países já oferecerem melhores condições sob o ponto de vista das legislações trabalhistas. Depois da Segunda Grande Guerra, a indústria de eletrodomésticos prometia amenizar o fardo doméstico das mulheres, mas nada disso aconteceu.

Ao prognosticar o futuro da humanidade, a indústria do desenho animado lançou em 1962 “Os Jetsons”, cuja narrativa apresentava o que seria a vida de uma família em um mundo automatizado, movido a tecnologias distantes da realidade daquela época. Em um dos episódios, Jane, esposa de George Jetson, confessa se encontrar muito cansada ao final do dia “por apertar muitos botões”.

Justo agora, seis décadas mais tarde, em um planeta envolto pela malha da internet, com recursos até então inimagináveis por meio do uso de i-phonestabletssmartphones, computadores, aplicativos para todas as necessidades e gostos, redes sociais, veículos autônomos, automóveis voadores e casas inteligentes, um vírus chegou para derrubar os mais otimistas da sociedade digital. Durante o período de quarentena, imposto em muitos países, profissionais precisaram continuar trabalhando a partir de casa – home office – e alunos e professores mergulharam em aulas síncronas, comunicando-se por meio de aplicativos apropriados para dezenas de participantes. Por um lado, problemas resolvidos ou suavizados; na outra ponta, as consequências negativas do excesso de exposição às telas de computadores e celulares e o tempo investido em reuniões de negócios e lives.

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Perguntas interativas da Lição: vivendo pela Palavra de Deus

Praying in the darkNesta semana se encerra o trimestre da Lição da Escola Sabatina que tratou do tema “Como Interpretar as Escrituras”. Para concluir esse assunto, verificamos o fato de que todas as técnicas de hermenêutica para interpretar a Bíblia não valem nada se o que for aprendido não for colocado em prática.

Perguntas para discutir em grupo:

Leia Tiago 1:22. De que modo as pessoas que são “somente ouvintes” das Escrituras enganam a si mesmas?

Por que a Bíblia não deve ser lida apenas para se obter conhecimento teológico ou literário? De que maneira sua leitura se torna efetivamente proveitosa para a vida? Por quê?

Veja em Mateus 4:4, 7, 10 como Jesus usava as Escrituras para combater as tentações. Como também podemos adquirir tal conhecimento para as usarmos da mesma forma que Ele?

Por que ser capaz de apenas citar passagens da Bíblia (como o diabo fez em Mateus 4:6) não é suficiente?

Como vemos em Lucas 5:46, 47; 10:26; 24:45, 46, Jesus considerava as Escrituras como a norma pela qual devemos viver e analisar todas as coisas. O que isso nos ensina sobre o pensamento popular em alguns círculos de que “as palavras de Cristo estão acima das palavras da Bíblia”? De que forma esse pensamento invalida as Escrituras e torna o Cristianismo cada vez mais subjetivo?

De que forma a leitura da Bíblia nos ajuda a viver o etilo de vida proposto em Filipenses 2:12-16? Em que sentido Deus “efetua em nós tanto o querer como o realizar”? Por que não podemos viver o que estudamos sem o auxílio do Espírito Santo?

Qual é a importância de passarmos diariamente um tempo de qualidade com Deus? Por que as pessoas que dizem não ter “tempo” para dedicar à comunhão diária geralmente o conseguem para fazer qualquer outra coisa que lhes pareça “importante”?

Qual é o papel da leitura da Bíblia durante a hora tranquila de comunhão com Deus? O que essa comunhão pode se tornar, ao longo do tempo, sem a leitura da Palavra?

Conforme Efésios 5:19 e Colossenses 3:16, de que maneira a palavra de Deus pode “habitar ricamente” em nós? Como a memorização de diversas passagens das Escrituras pode nos ajudar em momentos difíceis?

Leia Filipenses 2:16. O que significa “preservar a Palavra da vida”? Como podemos fazer isso?

Compare Lucas 24:44, 45 com 2 Coríntios 4:3, 4. Ao encerrarmos o tema de estudo deste trimestre, como podemos ter a mente sempre disposta a compreender devidamente as Sagradas Escrituras?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)