Deputada distribui livros em combate à ideologia de gênero

deputadaEm resposta à ação do youtuber Felipe Neto de comprar 10 mil exemplares de um livro LGBT para doação durante a Bienal do Livro, no Rio de Janeiro (RJ), a deputada estadual Clarissa Tércio (PSC) decidiu comprar a mesma quantidade de livros que o youtuber, só que com uma temática voltada, segundo a parlamentar, para “o público cristão”. O livro em questão é o Macho Nasce Macho, Fêmea Nasce Fêmea – Desmascarando a Falácia da Ideologia de Gênero, do filósofo Isaac Silva. A obra trata de refutar os discursos e debates em torno do tema da suposta ideologia. A deputada, ligada ao público evangélico, pretende distribuir esses livros no Estado.

A polêmica, que tomou proporção nacional, se deu por conta da tentativa do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, de impedir a venda de um livro em quadrinhos de super-heróis da Marvel com uma cena de beijo gay, na Bienal do Livro. Após uma batalha judicial em relação ao recolhimento, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, suspendeu a medida de Prefeitura do Rio. A alegação do magistrado é de que havia infrações à Constituição Federal.

(Correio Braziliense)

Assista a mais vídeos sobre ideologia de gênero (clique aqui).

Se o piloto errar, todos sofrerão

piloto“Estou no avião, pronto para decolar com minha mulher, mas não gostei do piloto! Ele parece ser arrogante, preconceituoso, antipático, machista, intolerante… Eu não escolhi esse piloto, mas é ele que estará no comando da aeronave em que estou. Não gosto nem um pouco dele, por isso vou torcer para que cometa muitos erros e pilote da pior forma possível! Vou comemorar cada erro dele; quanto mais ele errar melhor será para eu poder dizer que estava certo! Vou ficar torcendo para o avião cair só para eu poder dizer o quão ruim é esse piloto, para que aqueles que escolheram esse piloto se arrependam muito por tê-lo escolhido. Ah, como eu quero que esse avião caia!”

Não sei quem escreveu essa analogia, mas acertou em cheio. Já desejar a bancarrota de um governo é errar feio; é mirar em um alvo e alvejar o próprio pé. Especialmente os cristãos devem compreender que nada neste mundo acontece sem a permissão de Deus, e que Ele tem em vista principalmente a salvação eterna de Seus filhos, não a remediação deste mundo condenado. Deus trabalha para que possamos ter maiores oportunidades de pregar o evangelho e advertir o maior número de pessoas com respeito à breve volta de Jesus. Para isso precisamos de paz, estabilidade e liberdade religiosa. Temos que orar e trabalhar por isso, sem a ilusão de que esse ou aquele governo trará o paraíso à Terra. Isso não vai acontecer (leia isto). Mas torcer pelo fracasso do piloto também não é o que se espera de um cristão. Na verdade, a Bíblia afirma que Deus “muda os tempos e as estações; Ele remove os reis e estabelece os reis; é Ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento aos entendidos” (Daniel 2:21), e apresenta o seguinte conselho:

“Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade” (1 Timóteo 2:1, 2).

Então, devemos orar pelo piloto e torcer para que ele nos ajude a fazer uma boa viagem, tanto quanto possível e pelo maior tempo possível. Assim, antes de o avião cair de vez, teremos a oportunidade de advertir os passageiros e ajudá-los a olhar para o verdadeiro Piloto, aquele que governa o Universo e conduz a História para seu desfecho.

Eu já disse em uma palestra e repito: a esquerda é tóxica e a direita, perigosa. Portanto, nossa única esperança vem do Alto. Denunciar os desmandos da esquerda e as incompatibilidades do marxismo com a cosmovisão cristã não faz da pessoa um “bolsomínion”, assim como apontar os perigos da aproximação entre o Estado e a igreja promovida pela direita não faz da pessoa comunista. Os cristãos precisam enxergar uma camada acima dessas questões políticas e ideológicas; devem olhar para além dessa polarização sem sentido e perceber que as mesmas mãos manipulam marionetes diferentes (até onde Deus permite, evidentemente).

Não nos esqueçamos de que uma das artimanhas do inimigo consiste em dividir para conquistar. Portanto, vamos nos unir no único propósito que realmente vale a pena e trabalhar para mostrar às pessoas que nosso futuro depende de uma intervenção, não militar nem política, mas celestial.

Oremos pelo piloto, pelos passageiros e pelo avião.

Michelson Borges

Leia também: “Duas faces de uma mesma moeda”

Nota: Por favor, tome algum tempo para assistir aos vídeos abaixo. Creio que lhe serão esclarecedores.

Duas faces de uma mesma moeda?

Members of the clergy lay hands and pray over Republican presidential nominee Donald Trump at the New Spirit Revival Center in Cleveland HeightsEnquanto acariciamos nossas polarizações políticas e religiosas, aproximações impensáveis ocorrem nos bastidores

Antes que alguém tire conclusões precipitadas ou me interprete mal, gostaria de revelar que eu mesma venho me impressionando com o que vou descrever. Cheguei a pensar se seria exagero da minha parte; se estaria supervalorizando acontecimentos ou imaginando coisas além do que os fatos são em si. Eu não sei quanto a você, mas, para mim, já está mais que saturada a polarização das narrativas políticas. Polarização que se estendeu à igreja, dividindo o pensamento religioso também. Tenho buscado me poupar da superficialidade das análises, que, ao mesmo tempo e ironicamente, são tão carregadas no quesito ofensas e afrontas pessoais.

É surpreendente ainda que, em muitos casos, um leigo sem qualquer compreensão escatológica consiga fazer uma leitura mais precisa do momento atual do que cristãos ensandecidos por suas preferências quase passionais (veja o livro O Povo Contra a Democracia, de Yascha Mounk).

Não estaria na hora de deixar de lado o embate que nos leva ao posicionamento de direita ou esquerda, conservador ou progressista, liberal ou tradicional? Será que não há coisas mais relevantes para as quais nosso olhar deveria se voltar?

Saiba que enquanto você se afasta das pessoas, talvez amigos de longa data, por questões que fogem ao seu controle, aproximações impensáveis de ambos os lados ocorrem nos bastidores da História.

The Family – democracia ameaçada

 Se você ainda não viu, está aí uma série/documentário que vale a pena ser assistida. Disponível na Netflix e com apenas cinco capítulos, o conteúdo é, no mínimo, intrigante. Evidentemente, devemos aplicar o senso crítico-comparativo a tudo que vemos, ouvimos e lemos. Longe de mim colocar todas as minhas fichas numa produção audiovisual. Mas não dá para negar que o documentário tem uma base, de certa forma, sólida, afinal ela é resultado da experiência pessoal do jornalista Jeff Sharlet, que escreveu dois livros a respeito de uma fraternidade para homens (na qual ele se infiltrou), revelando uma aliança coletiva que transforma Jesus em uma ferramenta de poder político.

O jornalista, que traz à tona a tal fraternidade ou confraria, como é chamada, explica que a liderança da instituição tem por objetivo separar e doutrinar jovens de boa reputação para que sejam engajados futuramente no meio político. A família, como a confraria é também considerada, tem o papel de formar novos bons líderes que sejam capazes de articular com sabedoria o cristianismo na política.

Na verdade, os líderes da confraria, segundo o documentário, acreditam que o mundo só vai melhorar quando os governantes fizerem a “vontade de Deus”, e para isso é necessário levar os políticos a se envolver com Cristo, diminuindo a distância entre Estado e religião.

As implicações acabam sendo muitas, mas para Jeff Sharlet – o jornalista infiltrado –, o maior problema estaria na ameaça à democracia. Ameaça porque, conforme a confraria cresce e sua influência se espalha pelo mundo, mais governantes tendem a aderir ao cristianismo, contudo, não de forma genuína, mas como instrumento de controle, perda do aspecto laico e manipulação da escolha popular pelos representantes legais das nações.

“A família” deseja, na perspectiva do jornalista, fomentar pautas e agendas de interesse conservador-cristão no meio político. Mas o que chama a atenção é que os membros da confraria não são exatamente de extrema-direita. Eles são, sim, a favor a família tradicional – homem e mulher, entre outras coisas –, mas conseguem facilmente dialogar com diversas representatividades, tentando minimizar desigualdades sociais e econômicas, além de almejar a promoção da paz mundial.

Reuniões anuais – National Prayer Breakfast – contam com a presença de estadistas de todo o mundo para, juntos, comer e orar. O evento é ainda uma ótima oportunidade para a troca de contatos que, na maioria das vezes, tornam-se negócios lucrativos.

Sua filosofia se fundamenta no alcance, primeiro, de líderes mundiais, para que eles, após alcançados, governem de modo a influenciar o restante da população. Líderes políticos cristãos inevitavelmente conduzirão a sociedade nessa direção. Contudo, o político cristão não precisa necessariamente ser um profundo conhecedor da Bíblia. A Bíblia é menos importante do que o nome de Jesus, o qual se torna quase que um amuleto.

Para tanto, a confraria sustenta o discurso de que o poder é predestinado e, por isso, o governante é um escolhido de Deus.

Os pastores de Trump em Brasília

Antes mesmo de ver o documentário “The Family”, estive entretida com notícias veiculadas por outras mídias a respeito da chegada dos chamados “pastores de Trump” ao Brasil. Mas do que isso se trata, afinal? Bem, tanto o texto do jornal El País, intitulado “Os pastores de Trump chegam a Brasília”, quanto o que foi publicado pelo blog Outras Mídias, intitulado “Transicionais da fé chegam ao Brasil”, abordam a chegada de cristãos americanos cuja missão seria evangelizar o congresso nacional brasileiro.

A ideia é que, a partir do alto escalão político de Brasília, seja possível encontrar apoio para as agendas estadunidenses, cujos vieses passem pela visão conservadora evangélica.

Quem encabeça a jornada é Ralph Drollinger, ex-jogador de basquete e fundador do Capitol Ministries, que desde 1996 trabalha para criar discípulos de Jesus na arena política do mundo todo.

Sendo assim, Drollinger procura estreitar relações com políticos de vários países a fim de evangelizá-los. Com o lema “first the firsts”, ou seja, primeiro os primeiros, ele acredita que o evangelho deve começar de cima para baixo: se os líderes das nações se converterem ao evangelho, as demais camadas sociais seguirão na mesma direção. Dessa forma, seria possível construir, ainda que não perfeitamente, uma gestão que realize a vontade de Deus – tipo de conceito muito semelhante ao apresentado pelo documentário “The Family”.

Até 2010, Drollinger atuava mais eficazmente no perímetro estadual. Mas em 2017 ele conseguiu avançar e muito: passou a coordenar estudos bíblicos para membros do governo Trump. Com encontros semanais, o mais alto nível da política americana, incluindo vice-presidente, secretário de Estado e outros, já participou das reuniões.

Personalidades importantes da política mundial, cuja influência nas relações exteriores é indiscutível, já oraram e estudaram a Bíblia com o líder da Capitol Ministries.

Engana-se quem pensa que o aprendizado fica restrito ao local e momento do ensino. Fora dali o evangelho se torna, muitas vezes, prático nas decisões governamentais. Não raramente, trechos bíblicos são incluídos em discursos políticos e diplomáticos para a explanação e explicação de medidas que poderiam parecer controversas. Com um bom apelo às Escrituras, busca-se justificar medidas de modo que elas não sejam questionadas, uma vez que estariam respaldadas pelo fundamento bíblico. O apoio à guerra e outras ações radicais, por exemplo, podem claramente ser encontrados na Bíblia, segundo a interpretação de Drollinger.

Agora, Drollinger, que já esteve em toda a América do Sul e na América Central com o mesmo ideal, chega ao Brasil para progredir em sua tarefa, segundo ele, “divina”. E para isso já conta com a ajuda do pastor Raul José Ferreira Jr., da Igreja Batista Vida Nova, como responsável por conduzir estudos bíblicos no Senado e na Câmara.

Mas não para por aí! Seu objetivo de evangelizar políticos para Cristo é um pouco mais ousado: estudar a Bíblia com o presidente Jair Bolsonaro e seus ministros. Assim, a visão do cristianismo aplicado à política e à legitimação da direita pela Bíblia será mais completa no Brasil e poderá, em longo prazo, se estender a toda a nação.

Duas faces da mesma moeda

Eu sei, eu sei… quando um cristão vê um parlamentar orando fica profundamente emocionado. É como se agora as coisas realmente pudessem entrar nos eixos, afinal, “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor” (Salmo 33:12). Ainda mais se formos comparar tal panorama com o cenário do qual estamos tentando sair, de muita libertinagem e de ideologias que apoiam estilos de vida que não condizem com a orientação bíblica.

Talvez traumatizados com o que a sociedade se tornou, passamos a demonizar tudo aquilo que parece nos distanciar da moral, dos bons costumes e da virtude. Naturalmente, isso faz sentido, afinal, ninguém em sã consciência deseja se desviar do bom caminho.

Contudo, pouco senso crítico tem sido usado para avaliar o outro extremo. Como assim? Se o governo nega a Deus e apoia ideologias muito liberais, combatemos assustados. Mas se o governo se reúne para estudar a Bíblia e orar, aplaudimos? É correta essa percepção?

Bem, por um lado é normal que queiramos que nossos governantes busquem a Deus para ser bons gestores. A própria Bíblia incentiva que oremos pelos líderes: “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade” (1 Timóteo 1:1, 2). Porém, não podemos parar apenas aí. Os eventos finais da história da Terra nos convidam a ampliar nossa capacidade de interpretar os acontecimentos, todos entretecidos perfeitamente conforme as profecias apontam.

Se, por um lado, não devemos apoiar governos e ideologias que menosprezam a Palavra de Deus, por outro, não podemos nos iludir com governos que utilizam a Bíblia no modo texto fora de contexto.

Não podemos afirmar que os líderes políticos que estudam a Bíblia não o façam sinceramente. Mas, também, não podemos nos esquecer do que foi predito a respeito da reaproximação do Estado com a Igreja (Apocalipse 13:15). “Os protestantes dos Estados Unidos serão os primeiros a estender as mãos através do abismo para apanhar a mão do espiritismo; estender-se-ão por sobre o abismo para dar mãos ao poder romano; e, sob a influência desta tríplice união, este país seguirá as pegadas de Roma, desprezando os direitos da consciência” (O Grande Conflito, p. 588).

E mais: “Quando as principais igrejas dos Estados Unidos, ligando-se em pontos de doutrinas que lhes são comuns, influenciarem o Estado para que imponha seus decretos (Apocalipse 13:16,17; 17:3, 13) e lhes apoie as instituições, a América do Norte protestante terá então formado uma imagem da hierarquia romana, e a aplicação de penas civis aos dissidentes será o resultado inevitável” (O Grande Conflito, p. 445).

Talvez você esteja pensando que isso é muito alarmista, afinal a Declaração da Independência e a Constituição dos Estados Unidos garantem liberdade religiosa e, por sua vez, de consciência. Inclusive, “a Magna Carta estipula que ‘o Congresso não fará lei quanto a oficializar alguma religião, ou proibir o seu livre exercício’, e que ‘nenhuma prova de natureza religiosa será jamais exigida como requisito para qualquer cargo de confiança pública nos Estados Unidos’” (O Grande Conflito, p. 386).

Mas saiba que o presidente Donald Trump disse em 2017, por ocasião do National Prayer Breakfast, que destruiria a Emenda Johnson, a qual impede a aproximação de igreja e Estado. Não é à toa que ele é considerado o presidente norte-americano mais pró-evangelho da História.

É verdade que na atualidade lidamos com a valorização da diversidade, da pluralidade dos conceitos, filosofias e religiões. Parece improvável o erguimento de um pensamento coletivo uniforme. Mas também muitos esforços são feitos a fim de que se estabeleçam diálogos entre os povos e que as religiões se comuniquem em prol da paz mundial (assim como vemos nos exemplos citados anteriormente: “The Family” e Capitol Ministries). É por isso que caminhamos na busca pelo apoio de temas que sejam de comum acordo e bons para todos. Mas isso não é bom? Nem tanto. Já parou para se perguntar qual poderia ser o ponto de convergência desse acordo?

Seguramente a guarda do domingo. O descanso dominical agrada a “gregos e troianos”. De um lado, é um importante símbolo da supremacia católica, que assume, por meio de sua autoridade autoconcedida, ter mudado o dia de guarda do sábado bíblico, o sétimo dia da semana, para o domingo, o primeiro dia da semana. De outro, é o dia de guarda da maioria esmagadora das religiões protestantes. Para os ecologistas, o descanso dominical pode ajudar no cuidado do planeta, por meio da diminuição da emissão de poluentes e da geração de lixo. Para sindicalistas, uma parada aos domingos atende às necessidades de descanso do trabalhador e ao seu direito de recreação e entretenimento.

Ellen White escreveu: “Os dignitários da Igreja e do Estado unir-se-ão para subornar, persuadir ou forçar todas as classes a honrar o domingo. A falta de autoridade divina será suprida por legislação opressiva. A corrupção política está destruindo o amor à justiça e a consideração para com a verdade; e mesmo na livre América do Norte, governantes e legisladores, a fim de conseguir o favor do público, cederão ao pedido popular de uma lei que imponha a observância do domingo. A liberdade de consciência, obtida a tão elevado preço de sacrifício, não mais será respeitada. No conflito prestes a se desencadear, veremos exemplificadas as palavras do profeta: ‘O dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao resto da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo’ (Apocalipse 12:17).”

Enquanto criamos desafetos nas redes sociais por causa de posicionamento político, esquecemo-nos de que Jesus deixou bem claro que Seu reino não é daqui: “Disse Jesus: ‘O Meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os Meus servos lutariam para impedir que os judeus Me prendessem. Mas agora o Meu Reino não é daqui’” (João 18:36).

Enquanto usamos nosso sagrado tempo defendendo lados aparentemente antagônicos, mas que, na verdade, são faces de uma mesma moeda, o preparo para um ajuntamento, ainda que sorrateiro, passa a abranger quase o mundo todo: “Os que desejam salvar-se pelos próprios méritos, e os que desejam ser salvos em seus pecados” (O Grande Conflito, p. 572). Cada lado da mesma moeda distorcendo a Bíblia a fim de que a Palavra se curve ao populismo dos seus ideais.

Felizmente, tudo isso nos encoraja a crer que hoje o fim está mais próximo do que ontem. A promessa de Deus é de que ninguém fará sua escolha sem antes saber com que está lidando. Os dias que virão não serão fáceis, mas serão cheios de poder para aqueles que desejam ser usados como instrumentos de salvação!

Nem cara nem coroa! As polarizações e suas preferências fazem parte de uma mesma moeda que, de lado algum, representa a verdadeira vontade de Deus. O foco em um dos extremos acaba por atrapalhar nosso entendimento sobre o verdadeiro sentido da questão.

É por isso que nossa confiança deve ser totalmente colocada na Bíblia Sagrada e nos méritos de Cristo, para que Ele nos preserve fiéis quando o mundo achar que está em paz e segurança, mas, na verdade, está à beira de repentina destruição!

(Agatha Lemos é jornalista, pós-graduada em Teologia, mestre em Ciência e uma entusiasta de temas escatológicos)

Referências:

Bíblia online: Nova versão Internacional. Acesso: https://www.bibliaonline.com.br/nvi/index

DIP, Andrea; VIANA, Natália. “Os pastores de Trump chegam a Brasília.” El País, 12/8/2019. Acesso: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/12/politica/1565621932_778084.html

SHARLET, Jeff. The Family. Netflix, agosto de 2019.

WHITE, Ellen Gold. O grande conflito. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. Acesso: http://ellenwhite.cpb.com.br/livro/index/1/563/581/ameaca-a-consciencia

Líderes de extrema-direita reúnem-se secretamente em Fátima

fatimaUm hotel em Fátima é desde a quinta-feira passada palco de um encontro de líderes de extrema-direita de uma das alas mais reacionárias da Igreja Católica. Dois dos participantes são o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o chefe de gabinete de Donald Trump, Mick Mulvaney. As autoridades portuguesas destacaram um forte dispositivo de segurança, informou na edição deste sábado o semanário Sol. O encontro do International Catholic Legislators Network começou na quinta-feira no Hotel da Consolata, uma congregação de missionárias localizada a poucos metros do Santuário de Fátima, e [terminou ontem]. Os custos da operação de segurança com mais de duas centenas de militares da GNR estão a cargo do erário público português, ainda que o encontro seja de cariz privado, de completo sigilo ao ponto de os participantes e a agenda não serem anunciados. Os jornalistas não [foram] autorizados a assistir. Desconhecem-se as razões para Portugal ter sido o país escolhido.

A organização argumenta a favor do sigilo dizendo que os participantes precisam de toda a liberdade para expressar suas ideias. Esse tipo de encontros de elite a portas fechadas tornou-se cada vez mais comum, com muitos a se basearem nas regras e nos moldes do chamado Clube Bilderberg, fundado em 1954. […]

Os organizadores do encontro tiveram autorização dos responsáveis pela Basílica de Nossa Senhora do Rosário para lá celebrarem uma eucaristia na quinta-feira passada, por volta das 19h30. […]

Mick Mulvaney não é o único próximo de Trump a pertencer a essa organização. O antigo secretário de imprensa do presidente dos Estados Unidos Sean Spicer participou em agosto de 2017 num dos seus encontros em Roma, Itália, e chegou mesmo a encontrar-se com o papa Francisco no Vaticano.

Entre os convidados do encontro incluem-se ainda os patriarcas da Igreja Ortodoxa e da Igreja Católica na Síria, Ignatius Apherem II e Yousef III Younan, respectivamente. E, de acordo com o Público, o cardeal chinês Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong e feroz opositor do regime comunista na China, também esteve presente, mostrando-o na sua conta do Twitter. Christoph Schönborn, fundador da organização e atual arcebispo de Viena, também esteve presente.

O site International Catholic Legislators Network, fundado em 2010, na Áustria, é direto em seus intentos: formar líderes políticos cristãos e estabelecer ligações entre si, afirmando-se como sendo “não partidário e totalmente independente”, e denunciando que os “cristãos são os que mais estão sob ameaça”, dando como exemplo as perseguições no Oriente Médio. […]

Há alguns meses, representantes do grupo encontraram-se com o papa Francisco, e ele os alertou para o risco de se combater o extremismo com extremismo. “O relativismo secular e o radicalismo religioso são, na verdade, radicalismo pseudo-religioso. Neste assunto, gostaria apenas de vos chamar a atenção para o perigo real que é combater o extremismo e a intolerância com mais extremismo e intolerância com as vossas ações e palavras”, disse o papa, citado pelo Rome Reporter.

O sumo pontífice tem-se confrontado com violentos ataques da ala mais conservadora da Igreja Católica, liderada pelo cardeal norte-americano e patrono da Ordem Militar de Malta Raymond Leo Burke, por assumir posições ditas liberais sobre os católicos divorciados e homossexuais. Há uma guerra secreta a decorrer no Vaticano, com uns a enfrentá-lo abertamente e outros a agirem com passividade, bloqueando seus esforços.

“Há uma guerra subterrânea na Igreja Católica. Nem são muitos os cardeais que se manifestam publicamente e praticamente todos dizem que apoiam o papa. Mas a maioria dos opositores atua silenciosamente. Às vezes, conseguem bloquear a agenda com oposição aberta, mas principalmente por meio da inércia e de manobras por baixo dos panos”, explicou o especialista na Igreja Católica e autor do livro A Solidão de Francisco Marco Politi em entrevista à Globo.

(Medium)

Nota: Muito interessante a notícia desse encontro secreto, e digna da atenção dos que estudam os desdobramentos proféticos relacionados com a volta de Jesus. Primeiro, pelo óbvio caráter ecumênico da reunião, envolvendo não apenas lideranças católicas, mas ortodoxas e até um representante da maior nação protestante do mundo (lembre-se de que o abismo entre protestantes e católicos não mais existe, conforme foi profetizado). Segundo, pelo lugar escolhido para o evento, carregado de simbologia mariana (Fátima foi palco das alegadas aparições de Nossa Senhora) e relacionado até mesmo com a história do islamismo (confira). Terceiro, pelos propósitos do grupo, como informa o site oficial: “…formar líderes políticos cristãos e estabelecer ligações entre si” (bem The Family…) Está ficando no passado o tempo do liberalismo teológico e político. O mundo e mesmo o vaticano caminham para a “direitização”, para o recrudescimento do tradicionalismo religioso e para uma nova união entre a igreja e o Estado, com cada vez maior ingerência da religião em assuntos políticos. O discurso é sedutor, de combate aos ataques promovidos em anos recentes contra os valores cristãos, de defesa da família e do meio ambiente, etc. Sim, o discurso é sedutor, agregador, vai envolver a maioria – e que sejam deixadas de lado as minorias que não se encaixarem nesse “admirável mundo novo”. Melhor ainda: em lugar de serem deixadas de lado, que essas minorias fundamentalistas, sectárias e extremistas sejam tiradas do caminho. Ainda tem dúvida de que se trata de um cenário previsto? Sugiro enfaticamente que você estude as profecias apocalípticas bíblicas e leia o best-seller do século 19 intitulado O Grande Conflito. [MB]

Protesta contra o desmatamento, mas come carne todos os dias?

chavesO assunto está em pauta, é triste, preocupante, mas também revela muita hipocrisia por aí. Primeiro, de países como a Noruega, que, acionista de mineradora, polui nascentes amazônicas e, depois, posa de ecológica devolvendo alguns trocados para ONGs. Veja só a notícia publicada em 2017 pela BBC Brasil: “O governo da Noruega, responsável por duras críticas a políticas ambientais do Brasil na última semana, é o principal acionista da mineradora Hydro, alvo de denúncias do Ministério Público Federal do Pará e de quase dois mil processos judiciais por contaminação de rios e comunidades de Barcarena (PA), município localizado em uma das regiões mais poluídas da floresta amazônica”. Sim, os ribeirinhos e os índios tão ideologicamente instrumentalizados, que, com seus cocares multicoloridos e arcos e flechas rendem boas fotos na extrema-mídia, na verdade, são mortos diariamente e aos poucos pela contaminação, enquanto seus “defensores” enchem os bolsos.

Em segundo lugar, esse cenário de devastação revela a hipocrisia no âmbito pessoal. Vou citar apenas dois dados, fornecidos pelo site Mongabay – Jornalismo Ambiental Independente, que mostram o tipo e o tamanho do problema:

1. Aproximadamente 1/5 da floresta amazônica foi derrubado, e quase 80% desse desmatamento são atribuídos à indústria pecuária, segundo o novo documentário “Sob a Pata do Boi”. Sim, você leu direito: 80%!

2. Um dos maiores causadores do desmatamento é a “lavagem do gado”, tática ilícita de criar gado em terras recém-desmatadas, com registros falsificados ou com transferência de gado de um pasto ilegal para um legal antes de serem enviados para os abatedouros. Ou então os fazendeiros podem falsificar os registros, usar parte de suas terras e criar o gado em nome de outros membros da família.

Essas estratégias ilegais vêm sendo praticadas há anos.

“O gado é o pior problema ambiental na Amazônia e no mundo todo”, afirma Paulo Adario, do Greenpeace, em documentário que ganhou o prêmio “One Hour” do festival Film Research and Sustainable Development (FreDD), em abril do ano passado.

O rebanho bovino na Amazônia Legal saltou de 37 milhões de cabeças em 1995 (o que era equivalente a 23% do total nacional) para 85 milhões em 2016 – cerca de 40%. “A pecuária para a criação de gado é a atividade que mais contribui para o desmatamento na Amazônia, ocupando 65% da área desmatada”, afirma o estudo recente do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). No Acre, por exemplo, a população bovina chegou a aumentar 151,7% entre 1996 e 2017.

O presidente da França, Emmanuel Macron, está preocupado com a Amazônia e quer que os poderosos países membros do G7 façam alguma coisa (olha o neocolonialismo aí, gente!). Ele se referiu às queimadas como “crise internacional”. No entanto, as exportações de carne brasileira para a Europa só aumentam. Veja o que informa o site Notícias Agrícolas: “O Brasil teve um ótimo desempenho na comercialização total de carne bovina no ano passado. O país embarcou 1,6 milhão de toneladas, crescimento de 11% sobre 2017, quando negociou 1,4 milhão. Foi o maior volume já comercializado pelo país na história e também recorde entre todos os produtores tradicionais do segmento no planeta. Em receita, o valor alcançado foi de US$ 6,57 bilhões, 7,9% acima do ano anterior.”

E aí, seu Macron, que tal pedir para seus amigos do G7 comerem menos carne? Ou então criarem seus próprios rebanhos e deixar de minerar por aqui, como se fôssemos seu curral/quintal descartável. (A propósito, grandes senhores preocupados com o aquecimento global: um dos maiores responsáveis por esse fenômeno que tanto os preocupa são justamente os puns dos bois e das vacas, ricos em metano.)

O governo brasileiro tem, sim, que fazer a parte dele, aumentar as restrições e a fiscalização, mas e você? Está disposto a abandonar seu churrasco de fim de semana, seus hambúrgueres suculentos e a carne de cada dia? Ou pelo menos reduzir grandemente o consumo desse item? Os pecuaristas devastam a Amazônia porque o negócio deles dá muito lucro, e dá muito lucro porque milhões de pessoas (bilhões, se pensarmos em nível global) não abrem mão de seus padrões dietéticos – muitas dessas pessoas vão para as ruas com cartazes e vociferam nas redes sociais. Depois, quando bate aquela fome, correm para o McDonald’s.

Os cristãos criacionistas bíblicos entendem que Deus os constituiu mordomos (administradores) da criação. Essa deve ser a nossa motivação para ajudar na preservação do meio ambiente, seja na Amazônia ou mesmo na rua em que moramos. Se cada um fizer a sua parte (por exemplo, tomando banhos menos demorados, separando o lixo para reciclagem, jamais jogando papel, latas ou qualquer outra coisa no chão e nas estradas, etc.), teremos um mundo menos pior até a volta de Jesus. Depois, a obra será dEle, quando recriará este planeta à semelhança do Éden perdido.

Michelson Borges

Governo vai editar portaria para religiosos que não podem trabalhar aos sábados

O site O Antagonista publicou a seguinte nota: “Aprovada a MP da Liberdade Econômica – e retirado o trecho sobre trabalhos aos domingos –, o governo prepara uma nova portaria para permitir que trabalhadores cuja religião ordene o descanso aos sábados seja liberado do serviço nesse dia. O relator da MP na Câmara, Jerônimo Goergen, ressalta que trabalhadores do setor economicamente essencial, e, por isso, servem aos domingos, também serão atendidos pela portaria. ‘Secretaria de trabalho está concluindo uma portaria que será publicada, provavelmente amanhã, que regulamenta o problema das religiões que não permitem trabalhar aos sábados. Tem uma religião chamada sabadista [sic] que aquilo o descanso é crucial para a religião [sic]. Então, eles vão deixar uma ressalva para que esse trabalhador esteja excluído de qualquer possibilidade de trabalhar.'”

É interessante, também, dar uma olhada nos comentários logo abaixo, bastante reveladores quanto à intolerância de algumas pessoas com relação aos guardadores do sábado:

Milton: credo!! Deve ser invençao da imprensa, nao acredito que o guedes vai deixar uma barbaridade dessa.

Gilberto: Simples, não se contrata então quem não pode trabalhar aos sábados . Ok

Thiago: E precisa de portaria pra esses fanáticos?!

Carlos: Interferência injustificável nas relações de trabalho. Se a religião impede o trabalho aos sábados, o indivíduo que vá para um ramo de atividade que funcione apenas de segunda a sexta-feira.

Adriano: Vou fundar uma religião que só possa trabalhar no sábado. Talkey?

Vagner: Esse pessoal não tem mais o que fazer! Estao instituindo a vagabundagem. Mas se facção resolver: não admite é hora ora fora esse pessoal que não quer trabalhar!

José: Só pode ser piada. Regulamento religioso acima da constituição que declara que todos são iguais perante a lei. E se surgir uma religião que declara dias sagrados as segundas e terças-feiras?

Dirce: Minha secretária era fiel a essa cultura do sábado. Assim como outros preferem morrer a deixar que se faça a transfusão/sangue. Vá entender um povo tão variado culturalmente.

Francisco: O Brasil será o país mais religioso do mundo agora.

O “PL do poliamor” e a vitória da reação

poliamorSeria votado amanhã (21/8) em Comissão da Câmara dos Deputados em Brasília, DF, um Projeto de Lei (PL) que vinha sendo popularmente chamado de “PL do poliamor”. O PL nº 3369/2015, de Orlando Silva (PCdoB), reconheceria como família “todas as formas de união entre duas ou mais pessoas” e “independente de consanguinidade”. O Projeto, cujo texto pode ser lido aqui, pretendia instituir o “Estatuto das Famílias do Século XXI” e trazia a seguinte justificativa: “Há tempos que a família é reconhecida não mais apenas por critérios de consanguinidade, descendência genética ou união entre pessoas de diferentes sexos. As famílias hoje são conformadas através do amor, da socioafetividade, critérios verdadeiros para que pessoas se unam e se mantenham enquanto núcleo familiar.”

A polêmica foi grande nas redes sociais justamente pelas brechas e más interpretações que o texto apresentava. Talvez seus proponentes não esperassem tamanha repercussão e quisessem aprovar o PL na surdina, mas a sociedade está alerta e a internet veio dar voz às pessoas comuns. A reação veio e, para evitar maiores problemas, o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Helder Salomão (PT), publicou às 19h24 de hoje uma nota no site da Câmara dos Deputados explicando por que o PL não mais será votado amanhã, e diz que retirou o PL da pauta, a pedido do relator Túlio Gadêlha (PDT), “para aprimoramento de sua redação por meio da elaboração de substitutivo”.

Antes da retirada do projeto da pauta, o deputado Orlando Silva chegou a argumentar que as reações contrárias se tratavam de fake news, no que foi seguido por perfis ideológicos no Facebook e outras redes sociais. Por isso é muito bem-vinda a admissão de que o texto precisa de aprimoramento, pois não estava claro, o que é justamente o que muitos youtubers e blogueiros conservadores e defensores da família tradicional estavam destacando.

A professora de direito da USP e deputada estadual Janaína Pascoal comentou: “Eu não sei o que se pretendeu com o PL 3369/15. Só sei que a redação dá margem a situações bem problemáticas. […] Da maneira como escrito, o texto legal normaliza o incesto e, no limite, pode até favorecer a pedofilia. Acredito não ter sido esse o fim. Mas penso que seria melhor retirar o projeto. Peço, encarecidamente, que os parlamentares federais olhem com cautela.” A advogada e parlamentar teria, também, propagado fake news? Obviamente que não.

O advogado Arthur Albuquerque explica que, “na prática, o projeto traduz-se num reconhecimento de uniões incestuosas entre duas ou mais pessoas, interpretação a que se chega facilmente sem nenhum rodeio, com a simples leitura do teor da propositura”. E diz mais: “Pela ótica jurídica, em rápida análise, percebe-se que a proposta se choca frontalmente com os impedimentos para o casamento elencados no art. 1521 do Código Civil brasileiro, e com a lei nº 9.278/1996. Conflito que certamente é de conhecimento do deputado e de sua assessoria, haja vista sua experiência no Parlamento, o que nos impede de considerar a propositura como mera ingenuidade.”

A jornalista Débora Carvalho diz que “levantar esse assunto é uma questão de responsabilidade, e uma evocação para ficarmos atentos! O texto do referido PL apresenta termos que facilmente podem ser utilizados como ‘brecha na lei’, como dizem os advogados, para que interessados reclamem seu garantido direito de legalizar ‘toda forma de união’ para constituir família ‘independente de consanguinidade’. E isso significa exatamente o que você entendeu: casamento entre parentes próximos, incesto… e todo o resto que você está imaginando. Sendo ou não intenção genuína ou original do autor do PL, o fato em questão é que o texto claramente dá margem para uma interpretação pertinente a casamento incestuoso. Ao fazer uso do contexto ‘todas as formas de união’ para constituir família, vinculada às palavras ‘independente de consanguinidade’, o PL traz, em seu subtexto, uma intenção implícita – e pode confirmar com qualquer professor de redação – de levantar a discussão sobre o incesto e a poligamia, e até mesmo incesto com poligamia.”

A jornalista questiona: “Ao deixar essa lacuna, o PL abriria brechas na lei. Qual foi a intenção de escolher justamente o termo utilizado para casamento? Qual o objetivo de vincular a esse termo as palavras ‘independente de consanguinidade’? Não sejamos tão ingênuos e complacentes a ponto de acreditar cegamente que o subtexto do PL é maldade na cabeça de quem leu, muito menos que a intenção do Projeto seria o de amparar mães solteiras.”

Atualmente, a Constituição Federal prevê o conceito de “família”, em seu artigo 226, como “a união estável entre homem ou mulher e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”. No caso de casais homossexuais, a união estável não é reconhecida em lei, mas se trata de um direito garantido na Justiça após decisão do Supremo Tribunal Federal em 2011. Sabendo disso, por que parlamentares experientes tentaram, assim mesmo, aprovar o “PL do poliamor”? Por que usar uma linguagem ambígua em um Projeto de Lei (tão ambígua que agora precisa de revisão)?

Se a intenção era mesmo a de passar despercebido, não deu certo, pois tem gente atenta e fazendo o que todo cidadão pode e deve fazer: cobrar responsabilidade e coerência de seus representantes. Continuemos atentos. [MB]

Veja o que a deputada adventista Damaris Moura Kuo disse sobre o assunto (clique aqui).

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