Liberdade ameaçada – de lá e de cá

Teologia do domínio e ideologias identitárias são mais parecidas do que parece

Um deputado religioso quer proibir por lei “mudanças na Bíblia” (esquecendo-se aparentemente de que as Bíblias católicas têm livros a mais e que existem Bíblias em linguagem atual) (confira). Uma escola cristã em MG é alvo de ação civil por orientar os pais sobre ideologia de gênero (confira). No primeiro caso, há franca violação do conceito de Estado laico e dominionismo em ação. No segundo, ameaça à liberdade de crença e de expressão (leia o que publicou a Anajure). Evidentemente que é preciso respeitar a Bíblia, mas que isso fique nos domínios das religiões e não da política. Evidentemente que se deve combater a homofobia e a intolerância e respeitar os “diferentes”, mas que se respeite também o direito de discordar educadamente.

A teologia do domínio procura por vias políticas impor dogmas, conceitos, padrões (e eventualmente procurará impôr um dia oficial de descanso, já sabemos qual). As ideologias e teologias identitárias e da libertação relativizam a autoridade da Bíblia e, em muitos casos, lutam para impor um pensamento que desejam seja hegemônico. A ecoteologia da libertação ganha força e logo deverá lutar pela imposição de um dia de descanso para a “Mãe Terra”, já sabemos qual).

Muitas vezes os extremos são mais semelhantes do que parece à primeira vista…

Esquerda e direita instrumentalizam a religião

E o que isso tem que ver com as profecias do tempo do fim

Durante o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, a separação entre a igreja e o Estado esteve seriamente ameaçada (confira aqui, aqui e aqui), tendo o presidente inclusive dito que pretendia acabar com a Emenda Johnson (aqui), justamente a que garante essa separação saudável. No livro O Dia do Dragão (CPB), o pastor e jornalista Clifford Goldstein já chamava a atenção dos leitores para esse perigo (confira), e mais recentemente, em seu livro Apocalipse 13 (CPB), Marvin Moore, editor da revista Signs of the Times, fez o mesmo tipo de alerta.

Nas páginas 148 e 149, ele cita algumas autoridades norte-americanas que têm falado e lutado em favor da reaproximação entre religião e política. Nomes como o do pastor presbiteriano D. James Kennedy, que disse: “Se estamos dedicados a levar de volta a nação aos valores morais cristãos, e estamos envolvidos nisso, não há dúvida de que podemos testemunhar a queda, não só do muro de Berlim, mas do ainda mais diabólico ‘muro de separação’ que tem levado à secularização, impiedade, imoralidade e corrupção em nosso país.” E ele disse mais: “Nossa tarefa é recuperar os Estados Unidos para Cristo, qualquer que seja o custo. Como os representantes de Deus, devemos exercer domínio [teologia do domínio] e influência piedosos sobre nossa vizinhança, nossas escolas, nosso governo, nossa literatura e arte, nossos ginásios esportivos, nossa mídia de entretenimento, nossa mídia de notícias, nossos esforços científicos – em resumo, sobre todos os aspectos e instituições da sociedade humana.”

As palavras de Kennedy soam quase como uma cartilha, uma espécie de gramscismo à direita. Um esforço de infiltração religiosa a la “The Family” (confira aqui e aqui) em todos os níveis da sociedade, numa violação aberta do conceito de laicidade, mas sempre com a justificativa de se estar trazendo de volta os valores cristãos que constituem a base do mundo ocidental – família, patriotismo, respeito, e outra coisa que citarei mais abaixo.

No Brasil, temos visto algo parecido com a teologia do domínio na chamada Bancada Evangélica, em produções midiáticas muito bem feitas do ponto de vista técnico, como os documentários da “Brasil Paralelo”, e os muitos cursos e conteúdos de influenciadores que clamam pela volta de um catolicismo tradicional com sabor medieval (algo que era defendido pelo filósofo Olavo de Carvalho [aqui e aqui]), sempre com a justificativa de salvar a sociedade com a volta dos bons costumes.

Note que o esforço sempre nasce de um problema real e legítimo. É evidente que as famílias estão se esfacelando e que essa instituição sagrada vem sendo impiedosamente atacada. É óbvio que os valores morais estão indo por água abaixo numa sociedade cada vez mais permissiva e fluida. Mas também é óbvio que empurrar à força um tipo de religião, numa reedição do status quo medieval, é convidar o totalitarismo e ameaçar a liberdade conquistada a tão alto preço. Para os analistas adventistas, interessa especialmente um ponto, entre tantos outros (a coisa que eu deixei no ar lá atrás): tanto o catolicismo quanto o evangelicalismo preponderante especialmente nos Estados Unidos defendem o descanso dominical como uma das propostas de salvamento para o mundo; um verdadeiro retorno das Blue Laws (confira). O domingo é um dos pontos de convergência entre católicos e protestantes em geral.

Ponto para as bestas do mar e da terra (Ap 13).

Para o pessoal da ala mais à esquerda, a religião também se apresenta como uma grande força a ser instrumentalizada. Mesmo sites católicos como o da Agência Católica de Informações denunciam a aproximação entre partidos de esquerda e a Teologia da Libertação (confira), e não veem isso como algo positivo. Para os adeptos dessa teologia que foi muito forte estre os anos 1960 e 1980, a solução para o mundo passa diretamente pela política e pelo fim das injustiças sociais. Ideólogos como Leonardo Boff adotaram um discurso ecológico com forte sabor panenteísta pagão (ecoteologia), como o usado durante o Sínodo da Amazônia, por exemplo (confira), recheado de expressões como “mãe terra” e outras.

Desse lado do espectro político se destacam os esforços ECOmênicos (confira) no sentido de “salvar a Terra”, tendo o domingo (de novo) como proposta para amenizar os efeitos das mudanças climáticas (ideia apresentada com ênfase pelo papa Francisco em sua encíclica Laudato Si).

Note que, de novo, as justificativas são sempre legítimas, afinal, quem concorda com as injustiças sociais que assolam o planeta? Quem concorda com a degradação do meio ambiente e o monopólio do capital na mão de tão poucos?

No fim das contas, fica a certeza de que estão procurando fazer algumas coisas certas tendo como base a ideologia errada que vai favorecer os protagonistas de sempre no grande conflito.

Ponto para as bestas do mar e do abismo (Ap 13 e 11).

O cristão não deve ser apolítico, afinal, a política permeia nossa vida, mas não deve ser partidário nem de direita nem de esquerda. Não pode se esquecer de que o reino de Cristo não é deste mundo. Precisamos continuar dando a César o que é dele e a Deus o que é Dele.

Michelson Borges

Para Olavo de Carvalho e seus seguidores, a Igreja Católica é a solução para o mundo

“A Igreja Católica é a única força que poderia […] restaurar o mínimo de equilíbrio e sanidade”

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“Preparem­‑se. Nos próximos anos a desordem do mundo atingirá o patamar da alucinação permanente e por toda parte a mentira e a insanidade reinarão sem freios. Não digo isso em função de nenhuma profecia, mas porque estudei os planos dos três impérios globais e sei que nenhum deles tem o mais mínimo respeito pela estrutura da realidade. Cada um está possuído pelo que Eric Voegelin chamava ‘fé metastática’, a crença louca numa súbita transformação salvadora que libertará a humanidade de tudo o que constitui a lógica mesma da condição terrestre.

“Na guerra ou na paz, disputando até à morte ou conciliando‑se num acordo macabro, cada um prometerá o impossível e estreitará cada vez mais a margem do possível. A Igreja Católica é a única força que poderia, no meio disso, restaurar o mínimo de equilíbrio e sanidade, mas, conduzida por prelados insanos, vendidos e traidores, parece mais empenhada em render‑se ao espírito do caos e fazer boa figura ante os timoneiros do desastre.

“No entanto, no fundo da confusão muitas almas serão miraculosamente despertadas para a visão da ordem profunda e abrangente que continua reinando, ignorada do mundo. Muitas consciências despertarão para o fato de que o cenário histórico não tem em si seu próprio princípio ordenador e só faz sentido quando visto na escala da infinitude, do céu e do inferno.”

(Olavo de Carvalho, Diário Filosófico, v. 1)

Nota: O sonho de certa ala conservadora religiosa é ver a Igreja de novo mesclada nos assuntos de Estado, e isso é um grande perigo. Olavo de Carvalho (falecido recentemente) nunca escondeu sua predileção pelo tradicionalismo católico medieval, e, por isso, além de combater o progressismo e o “marxismo cultural”, teceu críticas também à ala progressista católica. Há um tom bem autoritário no movimento que segue uma agenda ideológica (que, paradoxalmente, é tão doutrinadora e totalitária quanto a que Olavo denunciava). Os olavistas são abertamente um movimento antidemocrático e apologético em relação à filosofia medieval e o ideal católico greco-romano de sociedade. Um verdadeiro movimento de contrarreforma, contrário à verdadeira ciência e à teologia bíblica do sola scriptura. Enquanto isso, a besta que não é besta (Ap 13) costura alianças e posa de boazinha com a ala mais à esquerda (com seu discurso ECOmênico e em favor da família) e, como nunca mudou nem mudará, oferece a mão conservadora e tradicional para o outro lado do espectro político-ideológico. Roma ganha de qualquer forma, e levará avante suas intenções e planos (se não os conhece, recomendo a leitura do livro O Grande Conflito, de Ellen White). [MB]

Leia também: “O Dia do Dragão bate na direita e na esquerda”, “Líderes de extrema-direita reúnem-se secretamente em Fátima”, “Por que governos de direita e a religião crescem no mundo” e “A esquerda é o arco, a direita é a flecha”

O 15 de Novembro e a liberdade religiosa

Política cristã? A melhor ideologia para o cristão é…

Hungria: o perigo da união entre religião e política

A liberdade de culto e consciência depende da manutenção de um Estado laico.

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Em 2010, o primeiro-ministro nacionalista Viktor Orban retornou ao poder na Hungria e, com isso, decidiu que iria enaltecer a identidade cristã do país, que fora suprimida pelos comunistas. Agora, como medida da chamada “revolução conservadora”, as escolas húngaras estão sendo cada vez mais submetidas à autoridade eclesial, segundo o UOL. Com a volta das aulas no país, alunos de instituições como a escola Ferenc Liszt se surpreenderam ao descobrir que começariam seus dias letivos em uma igreja. A medida, incentivada pelo governo, faz parte da “recristianização” da educação húngara.

Tal processo em Ferenc Liszt foi acompanhado pela AFP. Em entrevista à agência de notícias, inclusive, a diretora da instituição, Andrea Magyar, afirmou que o colégio “passou a estar sob a direção das freiras dominicanas em setembro de 2020”.

Segundo a responsável, a transferência do controle da escola para a igreja foi aprovada pelos pais dos alunos, através de votação. Nesse sentido, eles estariam “muito satisfeitos” com as mudanças, ainda mais considerando que, ainda de acordo com Magyar, o currículo de aulas das crianças “não mudou” com a decisão.

Nesse sentido, a diretora insiste que, apesar de as salas de aula estarem adornadas com cruzes e os horários dos alunos serem marcados por orações e classes de catecismo, nenhuma das mudanças é obrigatória. Por isso ela acredita que existem “relações menos burocráticas e mais calorosas” com a diocese do que com a autoridade educacional.

(Aventuras na História)

Nota: Este é o risco dos extremos: um leva para o outro. O ateísmo e o desprezo pelos valores judaico-cristãos típicos dos governos de orientação marxista/comunista acabam despertando reações ultraconservadoras que misturam política com religião. E essa mistura sempre se demonstrou nefasta – aliás, pelo que entendemos das profecias, será justamente a futura união entre Estado e Igreja que criará um ambiente de perseguição contra uma minoria religiosa considerada “fundamentalista”. Curiosamente, essa minoria (remanescente) é desprezada por ambos os lados do espectro e pelo mesmo motivo: os progressistas/subversivos/liberais (chame-se como quiser) não concordam com a hermenêutica bíblica desse grupo que crê, por exemplo, na factualidade dos primeiros capítulos de Gênesis e na inspiração de todas as Escrituras (2Tm 3:16); os ultraconservadores políticos abraçam um tipo de religião dominionista, evoteísta, tradicionalista/dogmática e dominguista. Aos remanescentes fiéis resta ficar e ser comidos pelo bicho (besta) ou correr e ser pegos pelo bicho (besta). A única esperança deles não está à esquerda, muitos menos à direita, mas no Alto. Graças a Deus! [MB]

Bolsominion, eu?

De vez em quando, vejo nas redes sociais pessoas afirmando que eu estaria “defendendo publicamente” o político/presidente Jair Bolsonaro ou me alinhando à direita. Por isso, julgo oportuno esclarecer algumas coisas:

1. Na condição de obreiro e pastor adventista, entendo que não me compete fazer política partidária nem promover esse ou aquele político. Isso, na verdade, nem me interessa. Quando menciono pessoas que ocupam cargos públicos, sempre o faço num contexto religioso e/ou escatológico.

2. Em vários vídeos e textos tenho denunciado as ações nefastas dos “herdeiros” da besta do abismo (Ap 11), dois dos quais o evolucionismo e o marxismo, despertados na mesma época em que Deus suscitou o movimento adventista profético (veja aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

3. Por entender que esquerda e direita são marionetes do mesmo poder diabólico, também já escrevi/gravei chamando a atenção para isso (veja aqui, aqui, aqui e aqui). Na verdade, tenho usado a metáfora do arco e da flecha (aqui) para evidenciar isso é deixar claro que não podemos alimentar ilusões políticas quanto a este mundo imerso no conflito cósmico entre o bem e o mal (aqui). Nossa esperança vem do Alto. As mazelas humanas, embora possamos e devamos amenizá-las, terão fim com a volta de Jesus. Tenho pregado isso incansavelmente desde a minha conversão da Teologia da Libertação para o Adventismo, no começo dos anos 1990 (aqui).

4. Resta, então, aos que me acusam de fazer política partidária e supostamente defender esse ou aquele político provar que eu tenha feito isso ou aquilo. Minha consciência está tranquila a esse respeito, e jamais usaria o alcance das minhas redes ou da minha voz para me intrometer em questões partidárias que não me dizem respeito. O Reino ao qual pertenço e para o qual trabalho não é deste mundo.

5. Não concordar com algumas pautas da esquerda não me torna imediatamente defensor da direita. Pode-se abordar qualquer lado do espectro político do ponto de vista bíblico/escatológico, sem que isso signifique ou represente militância a favor ou contra ele. Resumindo: falar de um lado ou de outro não nos coloca imediatamente na posição contrária. As redes sociais criaram essa falsa impressão de que se você não é de um lado significa que é de outro. Isso é limitar o horizonte. No meu caso, não me considero marxista nem capitalista; esquerdista nem direitista. Sou cristão adventista, e isso me basta.

Detalhe importante: o contrário de marxismo/comunismo/gramscismo não é bolsonarismo. Eu já falava contra essas ideologias antes de Bolsonaro sonhar em ser presidente. Prova disso é o capítulo “A tríade filosófica do mal”, do meu livro Nos Bastidores da Mídia, cuja primeira edição foi publicada em 2005 (aqui).

Michelson Borges

Breve análise da cerimônia de posse do presidente Biden

De mãos dadas com o papa, buscando o apoio dos evangélicos e surfando na onda do medo

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Com direito a discurso de um amigo padre jesuíta e hino nacional interpretado pela polêmica cantora pop Lady Gaga, Joseph Biden foi empossado hoje como o quadragésimo sexto presidente dos Estados Unidos da América. Sua vice, Kamala Harris, é a primeira mulher a ocupar essa função na história do país. Em sua fala, o presidente católico (o segundo desde JFK) citou – é claro – o papa Francisco e o teólogo Agostinho. A tônica do discurso – filosofia que certamente deverá nortear o novo governo – foi: união de todos, luta pelo bem comum, capitalismo inclusivo e preservação do meio ambiente. Quase uma repetição de tudo o que o papa vem dizendo nos últimos anos.

Para Joe Biden é sempre ao redor da fé que se reconstrói um império caído. Frequentador de missas e membro do Partido Democrata, Biden, à semelhança do atual papa, é mais alinhado com o pensamento progressista, portanto mais aberto à teologia da libertação ambientalista defendida por Bergoglio, especialmente em sua encíclica dominguista e ECOmênica Laudato Si. Alinhamento “melhor” não poderia haver… (E se você ainda não sabe o que é ECOmenismo, assista aos vídeos abaixo.)

Segundo Steven Millies, diretor do Centro Bernardin da União Teológica Católica em Chicago, citado pelo site do National Catholic Reporter, “nunca houve uma administração mais católica na história dos Estados Unidos”. Além dos cargos oficiais do Gabinete, Biden nomeou o ex-secretário de Estado John Kerry para liderar sua equipe climática e a ex-embaixadora da ONU Samantha Power para chefiar a USAID, que supervisiona a ajuda humanitária. Ambos são católicos e admiradores do papa Francisco. Kerry foi fundamental na negociação do Acordo Climático de Paris em 2015 e elogiou especificamente a encíclica Laudato Si como uma “ferramenta poderosa para responder à ameaça das mudanças climáticas”. (É bom lembrar, também, que a atual Suprema Corte norte-americana é composta por uma maioria de juízes católicos – a mais recente indicada por Trump, inclusive: Amy Barrett.)

Em entrevista concedida em 2015, quando da passagem escatologicamente estrondosa de Francisco pelos Estados Unidos, Biden falou de seu encontro com o papa, ocorrido dois anos antes: “Ele é a personificação da doutrina social católica com a qual fui criado.” Se a antipatia entre Trump e Bergoglio era nítida, a proximidade e simpatia entre o novo presidente dos Estados Unidos (que carrega um terço/rosário no bolso) e o chefe da Igreja Católica é mais do que evidente.  

Um dos desafios do novo governante será o de lidar com os “evangélicos de Trump” (conforme matéria da Folha de S. Paulo). Mas, nesse caso, basta um “laço de união universal” (para usar as palavras de Ellen White) forte o bastante para que todos se unam pelo bem comum. Matéria recente publicada no site da National Geographic dá uma pista de que laço poderia ser esse (na verdade, um tema que tenho abordado há mais de dez anos). Eis o subtítulo: “O novo presidente assume o cargo durante uma crise ambiental cada vez mais nítida e destrutiva. Para controlá-la, terá que se concentrar em alguns aspectos fundamentais.”

A matéria diz mais: “Os resultados não surpreendem. Apesar da queda de 7% nas emissões de carbono oriundas de combustíveis fósseis em 2020 resultante das paralisações econômicas causadas pela covid-19, a humanidade ainda lançou cerca de 40 bilhões de toneladas métricas de dióxido de carbono na atmosfera, além dos trilhões de toneladas já emitidos pela ação humana desde o século 19 [a despoluição verificada durante as quarentenas e os lockdowns vem sendo usada como argumento pró-ambientalismo]. Com essa pressão constante, as temperaturas médias globais continuaram subindo. Joe Biden, o novo presidente dos Estados Unidos, prometeu enfrentar a crise climática assim que assumir o cargo, em 20 de janeiro. Ele prometeu retornar ao Acordo de Paris, cancelar o oleoduto Keystone XL e adotar um ambicioso programa de redução das emissões dos Estados Unidos em um ritmo incessante.” 

De mãos dadas com o papa, com o apoio dos evangélicos dominguistas, surfando na onda do medo (alimentado por entidades como o World “The Great Reset” Economic Forum), essa união pela paz e pelo salvamento do planeta tem tudo para dar certo e fazer avançar um pouco mais os ponteiros do relógio profético.

Michelson Borges

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Cerimônia praticamente sem público, transmitida ao vivo, devido às restrições causadas pela pandemia

Padre jesuíta fará oração na posse de Biden

Amigo de vários jesuítas, Biden é o segundo presidente católico dos EUA

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O padre jesuíta Leo O’Donovan, ex-presidente da Universidade de Georgetown, fará a oração na posse presidencial de Joe Biden, em 20 de janeiro [confira aqui também]. O’Donovan confirmou ao National Catholic Reporter que Biden lhe havia ligado pessoalmente e o convidado a fazer a oração na posse, que marcará a eleição do segundo presidente católico da nação, e que ele havia aceitado. O’Donovan é amigo de longa data da família Biden. Em 2015, ele presidiu a missa fúnebre do filho mais velho de Biden, Beau, que morreu de câncer no cérebro aos 46 anos. Biden é conhecido por ser amigo de vários padres jesuítas e, enquanto era vice-presidente, ocasionalmente assistia à missa na Igreja Católica da Santíssima Trindade em Georgetown. Em 1992, quando Hunter, filho de Biden, estava no último ano em Georgetown, O’Donovan convidou o então senador de Delaware para dar uma palestra na universidade jesuíta sobre sua fé e a vida pública. Biden disse a O’Donovan na época que foi “a missão mais difícil que ele já teve”.

Mais recentemente, poucos dias após sua eleição presidencial, em 12 de novembro, Biden apareceu em uma arrecadação de fundos virtual para o Serviço Jesuíta para Refugiados, onde O’Donovan agora serve como diretor da missão. Naquela ocasião, Biden anunciou que aumentaria a meta anual de admissão de novos refugiados nos Estados Unidos para 125 mil, marcando um aumento acentuado para o limite da administração Trump de 15 mil indivíduos.

Anteriormente, em 2018, Biden escreveu o prefácio do livro de O’Donovan, Blessed Are the Refugees: Beatitudes of Immigrant Children. […]

(National Catholic Reporter)

Nota: O novo presidente dos Estados Unidos – a maior nação protestante do mundo – é católico, terá uma Suprema Corte formada em sua maioria por juízes católicos e contará com maioria democrata no Senado e na Câmara. Isso tornará a governabilidade e a aprovação de leis e decretos muito mais tranquilas. Donald Trump entregou para Joe Biden uma Suprema Corte não apenas conservadora, mas religiosamente alinhada com as crenças do novo presidente e, claro, com o Vaticano. O grande legado (em termos proféticos) de Trump foi o de unir setores do evangelicalismo norte-americano, que sempre desejaram maior aproximação entre igreja e Estado. Caberá a Biden costurar alianças entre estes e os progressistas de esquerda que apoiaram sua eleição. Pautas comuns, como o combate ao aquecimento global (discussão que tende a se intensificar), certamente servirão de “laço de união” nesse sentido.

A invasão do Capitólio anteontem, com a morte de quatro pessoas, certamente servirá de argumento para muitos discursos em favor da união, da superação das diferenças, da luta pelo bem comum, etc. Aos poucos, as pessoas estão se cansando de tanta polarização e tanto discurso de ódio, de ambos os lados do espectro político-ideológico. Para os poderes que manipulam as marionetes que aparentemente tomam as decisões, tanto faz o motivo que levanta e inflama as turbas, assim como tanto faz as figuras que ocupam as cadeiras do poder – desde que os interesses reais nos bastidores do grande conflito sejam levados avante.

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As massas iludidas e desinformadas ignoram uma realidade que fica bem evidente, por exemplo, no capítulo 10 do livro do profeta Daniel: que por trás dos governantes humanos há poderes “sobrenaturais” influenciando os rumos das nações. Quem ignorar isso hoje também estará fadado a ser joguete de Satanás e de sua horda demoníaca, cujo tempo de atuação está se esgotando rapidamente. [MB]

Política e religião cada vez mais alinhadas, conforme o script

No mês de fevereiro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro se encontrou com o Sr. Doug Burleigh, do The Fellowship, organização também conhecida como “A Família”, a mesma que realiza o famoso evento anual chamado “Prayer Breakfast”, ao qual comparecem lideranças políticas e religiosas dos Estados Unidos e de outros países. Assim como vem acontecendo nos Estados Unidos (leia este texto e os links relacionados), políticos de outras nações vêm se aproximando cada vez mais das religiões hegemônicas, ameaçando a laicidade do Estado e mostrando que o script profético vai sendo cumprido à risca. O documentário “The Family”, da Netflix, retrata bem a atuação dessa organização.

Assista aos vídeos abaixo para entender melhor o assunto:

Esta sociedade em que vivemos está sendo desgastada e assolada pelo progressismo permissivista, de modo a fortalecer a aceitação do contra-ataque da extrema-direita religiosa (como o pessoal do “The Family”), colocando na parede aqueles que não concordam nem com a esquerda (por ideologia) nem com a direita (por postura e doutrina). O povo remanescente estará entre a espada e a falsa cruz. Temos que pregar nossa mensagem profética (as três mensagens angélicas) enquanto podemos. Não um evangelho diluído e castrado, como diria George Knight. [MB]

ap 13Dica de leitura: Nesta obra cuidadosamente documentada, você verá o quadro mais amplo de como chegamos onde estamos e ficará convencido da probabilidade do breve cumprimento das profecias do fim dos tempos registradas em Apocalipse 13.