O que você precisa saber sobre política

Nunca estivemos tão divididos como agora, e polarização não é apenas a palavra que não quer sair de moda: é a nossa mais infeliz definição.

politica

Parece que política é a palavra do momento. Quem diria que, no país do futebol, chegaríamos a uma situação em que, em um ano de Copa do Mundo, poucos são os que sabem a escalação da seleção canarinho, enquanto a maioria conhece em detalhes as biografias dos 11 ministros da suprema corte… Pouco se discute sobre o pífio desempenho do Brasil na Rússia quatro anos atrás. Poucos conhecem Adenor Leonardo Bachi (Tite) por seu nome, e ninguém atribui a ele nossa eliminação precoce do torneio, aliás… alguém se lembra disso? Não há um nome à altura que o substitua, mas isso pouco importa, porque as atenções de dez em cada dez brasileiros estão mesmo voltadas para a escolha do dirigente máximo da nação: o presidente da república. Neymar & cia que esperem.

Analisando o cenário, Marcos De Benedicto nos traz, com a maestria de quem faz com a palavra escrita algo semelhante às melhores jogadas de um Zico, um livro que, embora não tenha sido aguardado como um álbum da Copa, chega num momento crucial, como se fosse a figurinha do nosso camisa 10. Como todos sabemos, nunca estivemos tão divididos como agora, e polarização não é apenas a palavra que não quer sair de moda: é a nossa mais infeliz definição.

Testemunhamos algo singular, pois vivemos um momento em que amizades são interrompidas como um jogo que se perde por WO; parentes fazem marcação individual cerrada nas redes sociais de forma implacável, com entradas duras, dignas de zagueiros de várzea; pais e filhos trocam farpas e até cônjuges ultrapassam os limites de um cartão vermelho. Neste contexto surge um livro capaz de nos fazer parar e avaliar se esse realmente é o jogo da nossa vida.

E o autor inicia nos mostrando que a política, como a conhecemos, é mais antiga que sua origem oficial entre os gregos. A própria Bíblia, mesmo não tendo a política como objeto, nos mostra situações em que a política ocorre como parte natural da existência, e nos dá alguns princípios interessantes pelos quais temos elevada estima, como a separação entre Estado e Igreja, ou o conceito de liberdade de fé e consciência. Uma breve visão adventista quanto a política e a ética cristã (bíblica) também nos auxilia a ver a questão de forma absolutamente distinta e distante das paixões e do componente irracional que movem o debate atual.

Uma jogada de craque pelo meio campo leva o autor a fazer um verdadeiro gol de placa nos capítulos 4 e 5, onde trata de dois conceitos geniais: a teologia do poder e a política da religião. Aparentemente, nos soa contraditória a existência de uma teologia do poder, mas, além de genial, a ideia coloca os definitivos “pingos nos is” quanto ao que realmente importa em relação ao poder e à autoridade que o concede. E a política da religião, existe? Afirmo sem medo de errar que, se nossos líderes políticos lessem apenas esses dois capítulos, estariam no caminho certo para marcar o famoso gol que Pelé não fez.

Sem perder o ritmo e mantendo o esquema tático, Marcos De Benedicto trata de outros temas igualmente interessantes, porém, mais profundos, e que exigem um pouco mais de fôlego, preparo físico e intelectual, como a batalha dos impérios (ou seria a batalha dos aflitos?), em que nos mostra a origem histórica e sociológica da atual polarização, e uma aula sobre a filosofia da história. Sua conclusão nos dá uma ideia do que seria a política dos sonhos, mas… tenho aqui o desprazer de te despertar e te trazer para o real, este “agora” conflituoso que vivemos, com duas questões, uma delas bem mais mundana.

Para os meus amigos que preferem assistir a um jogo de segunda divisão, achando que tudo não passa de uma disputa entre o capitalismo e o socialismo (ou qualquer outro “ismo”), cito uma frase atribuída ao economista mais cínico que o mundo já conheceu, John Kenneth Galbraith: “No capitalismo, temos a exploração do homem pelo homem. Já no socialismo ocorre exatamente o inverso.

Já para os que preferem assistir a uma final da “UEFA Champions League”, uma questão mais elevada: O que devo fazer se o candidato que eu apoio perder a eleição? E se a partir de 2023 a minha vida não for exatamente aquela que eu gostaria que fosse?

Minha resposta é resultado do que aprendi nesse livro.

Já passamos dos noventa minutos do segundo tempo e entramos nos acréscimos. A torcida está de pé, o estádio balança e as estruturas físicas das arquibancadas parecem sentir o peso de todo o universo criado por Deus, que em suspense aguarda pelo apito final. Apesar de estar perdendo no placar, o adversário é desleal, e na impossibilidade de ganhar o jogo está partindo para a violência. Mas o Capitão do time vencedor permanece firme, orientando um, levantando outro que caiu, incentivando os que estão cansados e renovando as forças de todos. Ele está no gol, e com os braços abertos defende todos os ataques do adversário. A cada defesa se vê em Suas mãos as marcas da partida. A qualquer momento se ouvirá o apito final. Jogadores e torcedores estão com o coração na mão, segurando uma explosão de ansiedade

Mas, e a eleição presidencial? Pois é… Não sei o que você fará se o seu candidato for derrotado. Quanto a mim, uma certeza tenho: O GRANDE JOGO DA MINHA VIDA É OUTRO!

(Mateus Alexandre Castanho, departamento de Publicações da IASD Central de Brasília)

O Que Você Precisa Saber Sobre Política (Casa Publicadora Brasileira)

“De um lado, temos políticos apoiados por pastores vendilhões propagadores da nefasta teologia da prosperidade, que distorcem a Palavra de Deus e a usam para enriquecer e ampliar seu império terreno. De outro, temos políticos apoiados por teólogos progressistas que negam a inspiração de textos fundamentais da Bíblia e se apegam a ideologias que negam o cristianismo. Ao povo de Deus resta lembrar que o reino de Cristo não é deste mundo, que nossa esperança real vem de Cima e que as profecias caminham para o seu cumprimento.” Michelson Borges

Os adventistas e a política. Em quem devo votar?

A relação entre política e religião

As duas faces do protestantismo apostatado

Para o diabo tanto faz se a apostasia vem pela atuação da besta do mar ou se pela besta do abismo e as ideologias identificadas com a subversão promovida por ela.

Historicamente, os adventistas do sétimo dia sempre entenderam que o protestantismo apostatado denunciado por Ellen White em obras como O Grande Conflito fosse a direita cristã interessada no fim da separação entre a igreja e o Estado. E essa interpretação obviamente está correta (leia Apocalipse 13, de Marvin Moore). De fato, adeptos da teologia do domínio sempre quiseram trazer a Idade Média de volta, desejando que a religião (oficial) tomasse conta da política e da sociedade. O que ocorre é que, como a história já mostrou, os grupos minoritários que não concordam com essa união nefasta e com os dogmas impostos acabam sofrendo duramente. No passado, muitos até perderam a vida por causa disso. No futuro, novamente os fiéis à Palavra de Deus serão perseguidos.

Ocorre que existe outra face do protestantismo apostatado que acaba enganando outro tanto de pessoas, noutra extremidade do espectro político: a religião progressista identificada com a esquerda e com as teologias de libertação e pautas identitárias. Semelhantemente à direita conservadora religiosa (protestante ou papista), os cristãos progressistas acabam desprezando a Bíblia e acolhendo ideologias humanas (os da direita adotam dogmas, os da esquerda, ideologias). Para o diabo tanto faz se a apostasia vem pela atuação da besta do mar e do vinho de doutrinas corrompidas que ela distribui, ou se pela besta do abismo e as ideologias identificadas com a subversão promovida por ela (veja). Desde que o inimigo consiga afastar as pessoas da Palavra, tá valendo pra ele.

O protestantismo apostatou quando abandonou princípios como o Sola Scriptura para dar as mãos ao humanismo corrompido. Apostatou quando, imitando o catolicismo medieval e se aproximando de novo dele, largou a mão de Deus e passou a confiar no poder político. Apostatou quando, em lugar de atuar em favor dos mais frágeis e desfavorecidos com base nos princípios bíblicos, passou a fazer da “justiça social” sua religião, fundamentada em ideias antibíblicas limitantes e, em alguns casos, até neopagãs.

Solução para tudo isso? Voltar à Bíblia e adotar as verdades e os valores redescobertos a partir da “nova reforma protestante” do século 19 – aquela que Satanás faz de tudo para anular, neutralizar, castrar.

Conforme escreveu o físico Eduardo Lütz: “Nós, como igreja, não somos nem direita, nem esquerda, mas algo completamente diferente. Por sinal, a direita apenas manipula o conceito de religiosidade para tirar vantagem disso. Esquerdistas também se dizem religiosos, mas mostram outros princípios na prática. O verdadeiro cristianismo está muito acima de tudo isso.”

Michelson Borges

Liberdade ameaçada – de lá e de cá

Teologia do domínio e ideologias identitárias são mais parecidas do que parece

Um deputado religioso quer proibir por lei “mudanças na Bíblia” (esquecendo-se aparentemente de que as Bíblias católicas têm livros a mais e que existem Bíblias em linguagem atual) (confira). Uma escola cristã em MG é alvo de ação civil por orientar os pais sobre ideologia de gênero (confira). No primeiro caso, há franca violação do conceito de Estado laico e dominionismo em ação. No segundo, ameaça à liberdade de crença e de expressão (leia o que publicou a Anajure). Evidentemente que é preciso respeitar a Bíblia, mas que isso fique nos domínios das religiões e não da política. Evidentemente que se deve combater a homofobia e a intolerância e respeitar os “diferentes”, mas que se respeite também o direito de discordar educadamente.

A teologia do domínio procura por vias políticas impor dogmas, conceitos, padrões (e eventualmente procurará impôr um dia oficial de descanso, já sabemos qual). As ideologias e teologias identitárias e da libertação relativizam a autoridade da Bíblia e, em muitos casos, lutam para impor um pensamento que desejam seja hegemônico. A ecoteologia da libertação ganha força e logo deverá lutar pela imposição de um dia de descanso para a “Mãe Terra”, já sabemos qual).

Muitas vezes os extremos são mais semelhantes do que parece à primeira vista…

Esquerda e direita instrumentalizam a religião

E o que isso tem que ver com as profecias do tempo do fim

Durante o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, a separação entre a igreja e o Estado esteve seriamente ameaçada (confira aqui, aqui e aqui), tendo o presidente inclusive dito que pretendia acabar com a Emenda Johnson (aqui), justamente a que garante essa separação saudável. No livro O Dia do Dragão (CPB), o pastor e jornalista Clifford Goldstein já chamava a atenção dos leitores para esse perigo (confira), e mais recentemente, em seu livro Apocalipse 13 (CPB), Marvin Moore, editor da revista Signs of the Times, fez o mesmo tipo de alerta.

Nas páginas 148 e 149, ele cita algumas autoridades norte-americanas que têm falado e lutado em favor da reaproximação entre religião e política. Nomes como o do pastor presbiteriano D. James Kennedy, que disse: “Se estamos dedicados a levar de volta a nação aos valores morais cristãos, e estamos envolvidos nisso, não há dúvida de que podemos testemunhar a queda, não só do muro de Berlim, mas do ainda mais diabólico ‘muro de separação’ que tem levado à secularização, impiedade, imoralidade e corrupção em nosso país.” E ele disse mais: “Nossa tarefa é recuperar os Estados Unidos para Cristo, qualquer que seja o custo. Como os representantes de Deus, devemos exercer domínio [teologia do domínio] e influência piedosos sobre nossa vizinhança, nossas escolas, nosso governo, nossa literatura e arte, nossos ginásios esportivos, nossa mídia de entretenimento, nossa mídia de notícias, nossos esforços científicos – em resumo, sobre todos os aspectos e instituições da sociedade humana.”

As palavras de Kennedy soam quase como uma cartilha, uma espécie de gramscismo à direita. Um esforço de infiltração religiosa a la “The Family” (confira aqui e aqui) em todos os níveis da sociedade, numa violação aberta do conceito de laicidade, mas sempre com a justificativa de se estar trazendo de volta os valores cristãos que constituem a base do mundo ocidental – família, patriotismo, respeito, e outra coisa que citarei mais abaixo.

No Brasil, temos visto algo parecido com a teologia do domínio na chamada Bancada Evangélica, em produções midiáticas muito bem feitas do ponto de vista técnico, como os documentários da “Brasil Paralelo”, e os muitos cursos e conteúdos de influenciadores que clamam pela volta de um catolicismo tradicional com sabor medieval (algo que era defendido pelo filósofo Olavo de Carvalho [aqui e aqui]), sempre com a justificativa de salvar a sociedade com a volta dos bons costumes.

Note que o esforço sempre nasce de um problema real e legítimo. É evidente que as famílias estão se esfacelando e que essa instituição sagrada vem sendo impiedosamente atacada. É óbvio que os valores morais estão indo por água abaixo numa sociedade cada vez mais permissiva e fluida. Mas também é óbvio que empurrar à força um tipo de religião, numa reedição do status quo medieval, é convidar o totalitarismo e ameaçar a liberdade conquistada a tão alto preço. Para os analistas adventistas, interessa especialmente um ponto, entre tantos outros (a coisa que eu deixei no ar lá atrás): tanto o catolicismo quanto o evangelicalismo preponderante especialmente nos Estados Unidos defendem o descanso dominical como uma das propostas de salvamento para o mundo; um verdadeiro retorno das Blue Laws (confira). O domingo é um dos pontos de convergência entre católicos e protestantes em geral.

Ponto para as bestas do mar e da terra (Ap 13).

Para o pessoal da ala mais à esquerda, a religião também se apresenta como uma grande força a ser instrumentalizada. Mesmo sites católicos como o da Agência Católica de Informações denunciam a aproximação entre partidos de esquerda e a Teologia da Libertação (confira), e não veem isso como algo positivo. Para os adeptos dessa teologia que foi muito forte estre os anos 1960 e 1980, a solução para o mundo passa diretamente pela política e pelo fim das injustiças sociais. Ideólogos como Leonardo Boff adotaram um discurso ecológico com forte sabor panenteísta pagão (ecoteologia), como o usado durante o Sínodo da Amazônia, por exemplo (confira), recheado de expressões como “mãe terra” e outras.

Desse lado do espectro político se destacam os esforços ECOmênicos (confira) no sentido de “salvar a Terra”, tendo o domingo (de novo) como proposta para amenizar os efeitos das mudanças climáticas (ideia apresentada com ênfase pelo papa Francisco em sua encíclica Laudato Si).

Note que, de novo, as justificativas são sempre legítimas, afinal, quem concorda com as injustiças sociais que assolam o planeta? Quem concorda com a degradação do meio ambiente e o monopólio do capital na mão de tão poucos?

No fim das contas, fica a certeza de que estão procurando fazer algumas coisas certas tendo como base a ideologia errada que vai favorecer os protagonistas de sempre no grande conflito.

Ponto para as bestas do mar e do abismo (Ap 13 e 11).

O cristão não deve ser apolítico, afinal, a política permeia nossa vida, mas não deve ser partidário nem de direita nem de esquerda. Não pode se esquecer de que o reino de Cristo não é deste mundo. Precisamos continuar dando a César o que é dele e a Deus o que é Dele.

Michelson Borges

Para Olavo de Carvalho e seus seguidores, a Igreja Católica é a solução para o mundo

“A Igreja Católica é a única força que poderia […] restaurar o mínimo de equilíbrio e sanidade”

olavo

“Preparem­‑se. Nos próximos anos a desordem do mundo atingirá o patamar da alucinação permanente e por toda parte a mentira e a insanidade reinarão sem freios. Não digo isso em função de nenhuma profecia, mas porque estudei os planos dos três impérios globais e sei que nenhum deles tem o mais mínimo respeito pela estrutura da realidade. Cada um está possuído pelo que Eric Voegelin chamava ‘fé metastática’, a crença louca numa súbita transformação salvadora que libertará a humanidade de tudo o que constitui a lógica mesma da condição terrestre.

“Na guerra ou na paz, disputando até à morte ou conciliando‑se num acordo macabro, cada um prometerá o impossível e estreitará cada vez mais a margem do possível. A Igreja Católica é a única força que poderia, no meio disso, restaurar o mínimo de equilíbrio e sanidade, mas, conduzida por prelados insanos, vendidos e traidores, parece mais empenhada em render‑se ao espírito do caos e fazer boa figura ante os timoneiros do desastre.

“No entanto, no fundo da confusão muitas almas serão miraculosamente despertadas para a visão da ordem profunda e abrangente que continua reinando, ignorada do mundo. Muitas consciências despertarão para o fato de que o cenário histórico não tem em si seu próprio princípio ordenador e só faz sentido quando visto na escala da infinitude, do céu e do inferno.”

(Olavo de Carvalho, Diário Filosófico, v. 1)

Nota: O sonho de certa ala conservadora religiosa é ver a Igreja de novo mesclada nos assuntos de Estado, e isso é um grande perigo. Olavo de Carvalho (falecido recentemente) nunca escondeu sua predileção pelo tradicionalismo católico medieval, e, por isso, além de combater o progressismo e o “marxismo cultural”, teceu críticas também à ala progressista católica. Há um tom bem autoritário no movimento que segue uma agenda ideológica (que, paradoxalmente, é tão doutrinadora e totalitária quanto a que Olavo denunciava). Os olavistas são abertamente um movimento antidemocrático e apologético em relação à filosofia medieval e o ideal católico greco-romano de sociedade. Um verdadeiro movimento de contrarreforma, contrário à verdadeira ciência e à teologia bíblica do sola scriptura. Enquanto isso, a besta que não é besta (Ap 13) costura alianças e posa de boazinha com a ala mais à esquerda (com seu discurso ECOmênico e em favor da família) e, como nunca mudou nem mudará, oferece a mão conservadora e tradicional para o outro lado do espectro político-ideológico. Roma ganha de qualquer forma, e levará avante suas intenções e planos (se não os conhece, recomendo a leitura do livro O Grande Conflito, de Ellen White). [MB]

Leia também: “O Dia do Dragão bate na direita e na esquerda”, “Líderes de extrema-direita reúnem-se secretamente em Fátima”, “Por que governos de direita e a religião crescem no mundo” e “A esquerda é o arco, a direita é a flecha”

O 15 de Novembro e a liberdade religiosa

Política cristã? A melhor ideologia para o cristão é…

Hungria: o perigo da união entre religião e política

A liberdade de culto e consciência depende da manutenção de um Estado laico.

biblia_widelg

Em 2010, o primeiro-ministro nacionalista Viktor Orban retornou ao poder na Hungria e, com isso, decidiu que iria enaltecer a identidade cristã do país, que fora suprimida pelos comunistas. Agora, como medida da chamada “revolução conservadora”, as escolas húngaras estão sendo cada vez mais submetidas à autoridade eclesial, segundo o UOL. Com a volta das aulas no país, alunos de instituições como a escola Ferenc Liszt se surpreenderam ao descobrir que começariam seus dias letivos em uma igreja. A medida, incentivada pelo governo, faz parte da “recristianização” da educação húngara.

Tal processo em Ferenc Liszt foi acompanhado pela AFP. Em entrevista à agência de notícias, inclusive, a diretora da instituição, Andrea Magyar, afirmou que o colégio “passou a estar sob a direção das freiras dominicanas em setembro de 2020”.

Segundo a responsável, a transferência do controle da escola para a igreja foi aprovada pelos pais dos alunos, através de votação. Nesse sentido, eles estariam “muito satisfeitos” com as mudanças, ainda mais considerando que, ainda de acordo com Magyar, o currículo de aulas das crianças “não mudou” com a decisão.

Nesse sentido, a diretora insiste que, apesar de as salas de aula estarem adornadas com cruzes e os horários dos alunos serem marcados por orações e classes de catecismo, nenhuma das mudanças é obrigatória. Por isso ela acredita que existem “relações menos burocráticas e mais calorosas” com a diocese do que com a autoridade educacional.

(Aventuras na História)

Nota: Este é o risco dos extremos: um leva para o outro. O ateísmo e o desprezo pelos valores judaico-cristãos típicos dos governos de orientação marxista/comunista acabam despertando reações ultraconservadoras que misturam política com religião. E essa mistura sempre se demonstrou nefasta – aliás, pelo que entendemos das profecias, será justamente a futura união entre Estado e Igreja que criará um ambiente de perseguição contra uma minoria religiosa considerada “fundamentalista”. Curiosamente, essa minoria (remanescente) é desprezada por ambos os lados do espectro e pelo mesmo motivo: os progressistas/subversivos/liberais (chame-se como quiser) não concordam com a hermenêutica bíblica desse grupo que crê, por exemplo, na factualidade dos primeiros capítulos de Gênesis e na inspiração de todas as Escrituras (2Tm 3:16); os ultraconservadores políticos abraçam um tipo de religião dominionista, evoteísta, tradicionalista/dogmática e dominguista. Aos remanescentes fiéis resta ficar e ser comidos pelo bicho (besta) ou correr e ser pegos pelo bicho (besta). A única esperança deles não está à esquerda, muitos menos à direita, mas no Alto. Graças a Deus! [MB]