Uma praga chamada marxismo cultural

samuelSamuel Fernandes Caldas nasceu em 1970 e é licenciado em História. Casado com Viviane Borges Moraes Caldas, trabalhou como metalúrgico, motociclista, professor no Colégio Constelação, na rede estadual de educação, e atualmente é professor de História da rede municipal de educação em São Paulo. Seus principais passatempos são ler e brincar com o filho caçula de três anos, junto com a esposa. Foi membro das igrejas adventistas de Itaquera, Cidade Líder, Artur Alvim, Vila Cosmopolita, e desde 1991 faz parte da Igreja Adventista de José Bonifácio, em São Paulo. Nesta entrevista, concedida ao jornalista Michelson Borges, ele fala sobre um assunto ao qual tem dedicado horas de estudo: o marxismo cultural.

Poderia definir marxismo cultural?

Primeiro, é preciso reconhecer meus limites aqui; minha resposta, ainda que sinteticamente verdadeira, pode não abarcar as amplas e complexas nuances do tema. O que costumamos chamar de marxismo cultural é, na verdade, o resultado de um desdobramento das ideias principais de Karl Marx, mas com nova roupagem e métodos diferentes, mais suaves, ainda que não menos maléficos em seus efeitos. Vale lembrar que Marx via toda a História marcada por uma luta de classes, opressores e oprimidos, e em seu tempo (século 19), entre burgueses e proletários. Para dar fim àquele estágio da humanidade os proletários deveriam, segundo Marx, pegar em armas e derrubar os burgueses do poder, estabelecendo assim a ditadura do proletariado, fase socialista do projeto comunista, que deveria ser sucedida por uma etapa mais avançada e atingiria o auge com o advento de uma sociedade sem papa e sem rei, onde todas as coisas seriam comuns a todos.

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Trump surpreende o mundo e volta a falar no poder da fé

Quem diria que os presidentes da Coreia do Norte e dos Estados Unidos um dia estariam apertando as mãos e batendo um papo sorridente. Kim Jong-un e Donald Trump fizeram mais do que posar para fotos: assinaram um documento de compromisso no encontro realizado em Singapura, no último dia 12. Kim se comprometeu a desmontar seu programa nuclear e aceitou o convite de Trump para visitar a Casa Branca, em Washington. Algo impensável poucos meses atrás. Entre os quatro pontos do documento está o compromisso se ambos os países com a paz na península coreana. E assim Trump conseguiu uma façanha que seus predecessores sequer haviam tentado, marcando seu papel como líder cuja admiração é crescente e promotor do poderio político norte-americano. Antes de falar como dragão, a besta-cordeiro precisa conquistar mais e mais terreno e apoio. Quem lê entenda…

Repúdio a Marx?

marxNem tanto! Eu não diria repúdio ao escritor prussiano, mas ao culto idolátrico às suas ideias, essas que permeiam a mentalidade brasileira e sua intelectualidade há décadas, ora explicitamente por meio dos radicais revolucionários, ora através de novos significados de modo que eles não digam o que Marx dizia, mas surgem revigorados pelas adaptações convenientes do momento. O questionamento de Marx a respeito da situação dos trabalhadores, em plena evolução da Revolução Industrial com o surgimento de novas fontes de energia, foi válido e pertinente, porém o trabalho dele não se resume apenas a isso, uma vez que ele usa a questão do trabalho – e a dependência humana dele para a sobrevivência – para expandir os horizontes do pensamento.

Num país de maioria cristã e conservadora, por que será que figuras como Marx são homenageadas, em lugar de, por exemplo, relembrar os ensinamentos de Cristo levados adiante pelos apóstolos? Por que lembrar de um homem revolucionário que também fez reflexões a respeito da religião, a ponto de considerá-la “ópio do povo”, ao invés de exaltar a religião? (Entenda-se religião como “re-ligare” ou reconectar a criatura ao Criador.)

O pensamento marxista, a princípio materialista dialético, tomou outras proporções ao ser direcionado ao campo cultural (vide a primeira parte do primeiro parágrafo) no século 20, e parece que a cristandade não acompanhou esse processo histórico e se esqueceu também do que o apóstolo Paulo escreveu em Efésios 6:12: “A nossa luta não é contra o sangue e a carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.”

A luta no mundo físico pode ser difícil e uma derrota, porém, se fica somente no campo físico, a virtudes espirituais não são derrotadas e permanecem com aqueles que sobrevivem. Já a luta no campo espiritual é complicada, pois se a pessoa não está preparada para os ataques invisíveis, ela é derrotada e devastada ainda em vida; vida essa que fica à mercê da guerra espiritual e de seus males, sem o agente principal, o indivíduo, ter condições de tomar a dianteira na batalha e vencer.

No mesmo capítulo do livro de Efésios, além do alerta contra quem estamos lutando, há a receita para se preparar para essa luta espiritual, e vencer. Nos versos 11 e 13-17 é dito o seguinte: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dados inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.”

Como foram levantadas questões acerca das homenagens a Marx prestadas em nosso país em sua maioria cristão conservador, vem à mente outra pergunta: A quem realmente se deveria homenagear? A resposta está no capítulo 53 de Isaías.

(Thiago F. da Silva é professor de Geografia)

Por trás da promessa de uma “nação cristã”

trumpHá pouco tempo, uma nota no influente jornal The Washington Post perguntava: Como é possível que o presidente Trump, mesmo em meio a numerosas acusações de comportamento imoral, incluindo trair a esposa com uma atriz pornô, poucos dias antes do nascimento de seu filho, continue desfrutando de elevados níveis de aprovação entre os cristãos evangélicos dos Estados Unidos? Embora um tanto tendenciosa, a pergunta é muito interessante porque sua resposta aponta a um dos pilares da liberdade religiosa: a separação da Igreja e do Estado. Ou, dito de outra forma, a relação adequada entre a religião e a política.

Por que muitos cristãos apoiam Trump? [Continue lendo.]

Do que o Brasil precisa?

Projeto de lei torna ilegal a visão tradicional sobre sexualidade

silencioA AB (sigla para Assembly Bill) 2.943 alteraria a seção do Código Civil da Califórnia que protege o consumidor ao proibir práticas desleais e enganosas. A ideia é adicionar os chamados “esforços de mudança de orientação sexual” a uma lista de atividades proibidas. Na prática, vetaria todas as ações que o Estado considerar que podem ter como objetivo a “reorientação” sexual de uma pessoa – incluindo atos indiretos, como a publicação de materiais sobre o assunto. Essa lei expansiva ocasionaria uma censura generalizada e poderia atingir autores, palestrantes, conselheiros, universidades e até mesmo líderes religiosos que buscam lidar com relatos de pessoas com atração indesejada pelo mesmo sexo ou confusas quanto a sua identidade de gênero.

O projeto de lei define os esforços de mudança sexual como “quaisquer práticas que busquem mudar a orientação sexual de um indivíduo. Isso inclui esforços para mudar comportamentos ou expressões de gênero, ou para eliminar ou reduzir atrações sexuais românticas ou sentimentos por indivíduos do mesmo sexo”.

Essa terminologia ampla do texto tem drásticas implicações. A proposta poderia recair sobre a liberdade de expressão – direito protegido constitucionalmente – de inúmeras pessoas. Se o projeto se tornar, de fato, lei, poderá punir o discurso de líderes religiosos que pregam a castidade e também, de acordo com os ensinamentos de sua religião, sustentam que relações sexuais devem se limitar ao casamento, entre um homem e uma mulher.

Ainda, poderia punir serviços de aconselhamento ligados a instituições religiosas, que atendem pessoas que não querem dar vazão a sua atração sexual por indivíduos do mesmo sexo, por razões particulares legítimas – alguém, por exemplo, que queira viver de acordo com os preceitos de sua crença ou se manter fiel a seu cônjuge.

Estudiosos como Ryan T. Anderson, da Heritage Foundation, também poderiam ser punidos ao realizar palestras onde defendem a visão tradicional do casamento e da sexualidade humana. A lei atingiria livrarias, inclusive as online, como a Amazon, que vende livros recém-publicados que desafiam teóricos da chamada “ideologia de gênero”. E também universidades que mantêm, em seus códigos de conduta, a regra de que seus estudantes devem viver de acordo com a visão bíblica acerca da sexualidade.

A lei poderá ser acionada assim que for detectada uma transação que envolva dinheiro – o pagamento a um terapeuta, a fabricação de um livro, a taxa da palestra de um pastor. Qualquer um que se sinta ofendido por uma declaração, aula ou prática relacionada à orientação sexual ou à identidade de gênero pode entrar com uma ação judicial contra um conselheiro, loja, autor ou instituição sexual que tenha cometido a agressão. Um processo judicial poderia acabar com essas pessoas ou instituições.

Primeiramente, o acusado ficaria à mercê de um juiz, que determinaria se a AB 2943 poderia ser aplicada ao caso. Indivíduos e instituições estariam vulneráveis a multas exorbitantes simplesmente por difundir uma visão milenar acerca da sexualidade humana.

Mesmo que magistrados pudessem poupar os acusados de alegações frívolas, a AB 2943 ainda teria um efeito inibidor, à medida que indivíduos e instituições começariam a censurar seu próprio discurso, a fim de evitar ações judiciais onerosas.

A liberdade religiosa também seria colocada em risco. Se indivíduos ou organizações não puderem realizar pregações com base na resposta da fé sobre atração a indivíduos do mesmo sexo e identidade de gênero, eles não poderão praticar livremente sua religião.

Por fim, o projeto trata os aconselhamentos orientados pela fé, que pregam a castidade, como fraudulentos e enganosos. Esse ponto viola diretamente o entendimento do juiz Anthony Kennedy, da Suprema Corte, no julgamento Obergefell v. Hodges, de 2015. Na ocasião, o magistrado afirmou que “indivíduos e organizações religiosas têm proteção especial ao procurar ensinar os princípios que são satisfatórios e centrais para suas vidas e para a sua fé”.

Tal agressão na liberdade prejudica a todos. As liberdades civis caminham juntas e, quando se estabelece um precedente para que o governo possa silenciar certos pontos de vista em um contexto, é de se esperar que a censura surja também em outras áreas. 

A natureza ampla da AB 2943 não leva em consideração os indivíduos LGBT que podem querer buscar ajuda para se abster de agir de certo modo. A essas pessoas seria proibida qualquer tipo de ajuda pessoal ou profissional.

A política também afetaria transexuais que, no futuro, desejassem reverter a cirurgia de redesignação sexual. Com a lei em vigor, qualquer tipo de ajuda a esses indivíduos ou apoio desejado seriam categoricamente negados.

A AB 2943 representa uma ameaça iminente às liberdades civis na Califórnia. O projeto avança muito pouco na proteção da população LGBT, limitando o número de perspectivas e de assistência a que eles têm acesso, caso desejem. Ao mesmo tempo, estabelece um perigoso precedente Orwelliano (referente à George Orwell, autor de 1984) para a censura ordenada pelo governo.

(Monica Burke é pesquisadora assistente na The Heritage Foundation, Gazeta do Povo)

Nota: E assim certas minorias vão forçando seus direitos contra os direitos de outros grupos. Os cristãos ditos “fundamentalistas” aos poucos vão sendo jogados de lado, tendo seus direitos violados. A liberdade religiosa corre perigo e os que estudam as profecias bíblicas sabem aonde tudo isso vai dar… [MB]

Embaixada americana em Jerusalém: profecia cumprida?

embaixada-americana-jerusalem-4Ontem foi inaugurada a embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, em um claro reconhecimento do governo norte-americano de que a cidade é a capital de Israel. A cerimônia atraiu a atenção do mundo todo. O evento foi transmitido ao vivo para milhões e o tom religioso ficou evidente. Dois pastores evangélicos e um rabino fizeram orações de dedicação e pediram a bênção de Deus. Robert Jeffress, pastor da Primeira Igreja Batista de Dallas, mencionou supostas profecias sobre a restauração de Israel em 1948, após quase dois mil anos sem ser contada entre as nações, e encerrou sua fala dizendo: “…em nome do Príncipe da Paz, o nosso Senhor Jesus Cristo.” Obviamente havia muitos líderes religiosos judeus ali, como o rabino Zalman Wolowik, que orou para que mais nações também mudem suas embaixadas para Jerusalém. O pastor John Hagee, do ministério Cristãos Unidos por Israel, encerrou a cerimônia com uma oração, e disse: “Jerusalém é a cidade onde o Messias virá e estabelecerá um reino que não terá fim.”

A decisão do presidente Donald Trump, como era de esperar, teve apoio e manifestações contrárias. Enquanto muitos acham que se trata de uma vitória há muito esperada, outros a consideram um crime e até uma declaração de guerra.

Muitos cristãos ficaram contentes com a mudança da embaixada, pois entendem isso como um passo na direção da construção de um novo templo em Jerusalém. “Se o presidente Trump realmente tiver um chamado semelhante ao do rei Ciro”, escreveu o site Prophecy News Watch, “pode ser que Deus use esse promotor imobiliário transformado em presidente para facilitar o maior desenvolvimento imobiliário dos tempos modernos: a reconstrução do Templo?” Trump tem sido comparado ao antigo rei Ciro porque o governante persa ajudou a restabelecer os judeus em sua terra natal depois de eles terem ficado setenta anos em Babilônia.

Os que ensinam que Israel será um ator importante no cenário do tempo do fim baseiam seu ponto de vista em textos selecionados da Bíblia que falam do respeito de Deus por Israel e de Sua promessa feita a eles por meio de Abraão. O problema com essa interpretação é que ela falha em reconhecer que essas promessas eram condicionais, como fica claro em Levítico 26:27, 31-33, por exemplo. A restauração dependia da fidelidade de Israel a Deus (Jr 7:3).

O Israel político não ocupa lugar central no Novo Testamento. O nome “Israel” é usado como um título para a igreja, não para uma nação. Aqueles que creem em Jesus são os verdadeiros judeus, segundo o apóstolo Paulo: “Os que são da fé são filhos de Abraão” (Gl 3:7). “Nem todos os descendentes de Israel são Israel” (Rm 9:6; veja também Gl 3:27). Não se trata mais da identidade étnica, mas de uma mudança interna: “Não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é meramente exterior e física. Não! Judeu é quem o é interiormente, e circuncisão é a operada no coração, pelo Espírito, e não pela lei escrita” (Rm 2:28, 29).

Quanto a um novo templo em Jerusalém, nem Jesus nem os escritores do Novo Testamento previram algo dessa natureza. Muito pelo contrário. Com a morte de Cristo na cruz, a cortina do templo se rasgou de alto a baixo (Mt 27:51), indicando que aquele santuário e as cerimônias que eram realizadas nele não mais teriam validade dali para a frente, afinal, o verdadeiro Cordeiro de Deus havia sido sacrificado. O livro de Hebreus não se concentra em um templo feito pelos seres humanos, mas chama os crentes a olhar para o templo no Céu, onde Cristo ministra como nosso sumo sacerdote (Hb 9:8).

Essa mitologia cristã relacionada com a transferência da embaixada norte-americana e a possível construção de um novo templo em Jerusalém é baseada em uma breve declaração profética de Paulo: “Este se opõe e se exalta acima de tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, a ponto de se assentar no santuário de Deus, proclamando que ele mesmo é Deus” (2Ts 2:4). Mas quando levamos em conta o próprio conceito de Paulo sobre o templo como metáfora para a igreja, fica claro que essa passagem não está descrevendo um templo literal, mas antevendo a vinda de um falso líder que ganhará influência e desencaminhará muitos cristãos.

Israel como nação tem todos os direitos e responsabilidades de qualquer país e deve ser tratado com justiça, mas sua existência e localização na Terra Santa não se deve à antiga promessa divina. E a mudança da Embaixada norte-americana para Jerusalém não tem qualquer implicação profética. A não ser para aqueles que insistem em uma leitura superficial da Bíblia ou que baseiam sua opinião em novelas neopentecostais.

O detalhe para o qual devemos realmente estar atentos é que Trump tem diminuído cada vez mais a distância entre o Estado e a igreja e vem cumprindo as promessas feitas aos grupos evangélicos que o apoiaram na campanha presidencial e o têm apoiado. Até onde mais Trump estará disposto a ir para retribuir esse apoio? O tempo dirá. [MB]

Leia também: “O que a decisão de Trump sobre Jerusalém tem que ver com as profecias?” e “Crença no fim do mundo pesou na decisão de Trump sobre Jerusalém”