A ciência confirma: abstinência pode compor os programas de educação sexual

gravidezCada grupo de mil adolescentes brasileiras dá à luz a 68,4 crianças. O valor é mais alto do que a média para a América Latina e o Caribe, que está em 65,5, e muito maior do que a média mundial, de 46 nascimentos para cada mil meninas. Quem calculou esses números, em fevereiro de 2018, foi um conjunto de entidades da Organização das Nações Unidas: Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Nos Estados Unidos, o índice é de 22,3 nascimentos para cada mil garotas de 15 a 19 anos.

O trabalho “Aceleração do progresso para a redução da gravidez na adolescência na América Latina e no Caribe” indica que 15% de todas as gestações da região ocorrem em meninas com menos de 20 anos, e resultam no nascimento de dois milhões de crianças, todos os anos. No mundo todo, a cada ano, aproximadamente 18 milhões de adolescentes ficam grávidas. O relatório também lembra que a mortalidade materna é uma das principais causas da morte entre adolescentes e jovens de 15 a 24 anos na região das Américas.

Adolescentes grávidas, portanto, correm risco de vida, colocam a vida dos bebês em perigo e, mesmo que o nascimento aconteça sem contratempos, elas terão dificuldade muito maior em dar sequência aos estudos. Existem diferentes formas de lidar com esse problema grave: em seu relatório, os órgãos da ONU recomendam promover medidas e normas que proíbam o casamento infantil e as uniões precoces antes dos 18 anos; apoiar programas de prevenção à gravidez baseados em evidências que envolvam vários setores e que trabalhem com os grupos mais vulneráveis e aumentar o uso de contraceptivos.

O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, em parceria com o Ministério da Saúde, deseja incluir uma ferramenta complementar a todas as demais: o estímulo à abstinência sexual. “Está em formulação a implementação de política pública com abordagem sobre os benefícios da iniciação sexual tardia por adolescentes como estratégia de prevenção primária à gravidez na adolescência”, informa o ministério em nota. “É necessário deixar claro que esse programa não irá se contrapor às políticas de estímulo ao uso de preservativos e outros métodos contraceptivos. Será complementar”.

O ministério aproveita para lembrar que sexo com menores de 14 anos é considerado crime pelo Código Penal (artigo 217-A do CP) e que o fornecimento de métodos contraceptivos já é direito legalmente assegurado ao maiores de 15 anos.

“A proposta é oferecer informações integrais aos adolescentes para que possam avaliar com responsabilidade as consequências de suas escolhas para o seu projeto de vida. Dessa forma, essa política está sendo considerada como estratégia para redução da gravidez na adolescência por ser o único método 100% eficaz.”

Em entrevista à Gazeta do Povo, a ministra da pasta, Damares Alves, reforçou o caráter complementar da medida: “Por muitos anos, o tempo todo, o Brasil só ofereceu para o jovem alguns métodos de prevenção à gravidez, que eram a camisinha, o preservativo, o anticoncepcional e outros métodos para os jovens e para adolescentes. Mas tem um método muito eficaz. Esse método, eu vou falar ‘abstinência’, porque é o termo certo. Mas eu posso chamar também de retardar o início da relação sexual, e trazer para a relação sexual, conversar com os jovens, sobre sexo e afeto.”

Parte da imprensa reagiu muito mal à proposta de incentivar a iniciação sexual tardia. A principal alegação é a de que a medida seria anticientífica. Acontece que existem estudos que confirmam: a abstinência – aliada a outros métodos – é eficaz, sim, para o controle da gravidez na adolescência.

No Chile, pesquisadores da Universidad de Los Andes dividiram adolescentes em dois grupos. Um deles recebeu orientações sobre o uso de métodos anticoncepcionais, em especial camisinhas. O outro recebeu a chamada educação afetiva, mais focada em apresentar a importância de desenvolver relacionamentos afetivos com responsabilidade — ou seja, essas meninas foram orientadas a buscar a abstinência.

A experiência foi repetida ao longo de três anos consecutivos, somando 1.259 adolescentes abordadas. Na sequência, todas as garotas foram monitoradas ao longo de quatro anos, com o objetivo de comparar a eficácia dos dois métodos. Na primeira das turmas, apenas 3,3% das jovens que receberam educação afetiva ficaram grávidas, enquanto que 18,9% das meninas que foram instruídas a usar métodos anticoncepcionais tiveram filhos. Na última das turmas, os percentuais foram parecidos: 4,4% e 22,6%.

O estudo chileno foi realizado entre 1996 e 1998 e os resultados, publicados em 2005. Outros trabalhos, mais recentes, alcançaram resultados semelhantes. Foi o caso de um trabalho desenvolvido por pesquisadores da University of South Florida, que realizaram eventos de orientação junto a 738 meninas. Elas receberam orientações no sentido de buscar maior responsabilidade em suas relações afetivas, e foram monitoradas ao longo de um ano. Os resultados foram divulgados em 2012.

“As intervenções projetadas para meninas adolescentes podem ajudar a reduzir a incidência de gravidez indesejada”, o estudo conclui. “Apesar de serem sexualmente ativas ao serem abordadas pela primeira vez, as garotas que receberam as intervenções se tornaram mais abertas a praticar a abstinência”. A intervenção consistia não apenas em palestras, mas também em jogos e atividades interativas.

“As garotas eram sexualmente ativas”, explica a responsável pelo estudo, a professora Dianne Morrison-Beedy, da Ohio State University. “Participaram de quatro sessões, uma por semana, em que receberam informações sobre prevenção e transmissão de doenças sexualmente transmissíveis e foram incentivadas a reduzir comportamentos de risco”.

O principal objetivo, diz ela, era municiar as garotas com argumentos que elas pudessem usar com os garotos. “O que funciona com um menino pode não funcionar com outro, e por isso estimulamos as meninas a conhecer uma série de estratégias, que incluem desde a abstinência até evitar o abuso de drogas e álcool, que podem levar ao sexo sem proteção”.

Os resultados foram expressivos. “A diminuição do número de parceiros foi significativa. Diminuiu o total de episódios de sexo vaginal e de sexo sem proteção, e aumentou o número de casos de abstinência. Muitas garotas que eram sexualmente ativas no início do estudo posteriormente aderiram à abstinência”.

Outro estudo, este com adolescentes do Texas, indicou que o método conhecido como “It’s Your Game… Keep It Real!” é capaz de retardar o início da vida sexual, na comparação com o grupo de controle. “O método se mostrou eficaz em reduzir a violência sexual, especialmente contra jovens de minorias étnicas”, indica o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos – para quem, aliás, a abstinência é central em qualquer estratégia de redução de risco. O programa consiste em uma série de conteúdos que podem ser ministrados ao longo do ano letivo, a fim de incentivar os adolescentes a conhecer melhor seu próprio corpo, e respeitar o corpo dos demais.

E os meninos? A maior parte dos programas é focado nas garotas, e por isso mesmo Craig Garfield, pediatra e professor da Northwestern University, desenvolveu recentemente um trabalho com os jovens do sexo masculino. “Uma das maiores dificuldades em lidar com os meninos é identificar que tipo de intervenção utilizada com as meninas também funciona com eles”, ele explica – e cita duas estratégias que costumam dar certo: conversas com os pais dos jovens e, no caso de jovens de baixa renda, a aplicação de programas sociais.

Por outro lado, as evidências científicas reforçam o fato de que programas baseados exclusivamente na abstinência não são eficazes. “A abstinência pode ser uma escolha saudável para os adolescentes, particularmente aqueles que não estão prontos para o sexo. No entanto, programas governamentais que promovem exclusivamente a abstinência até o casamento são problemáticos, do ponto de vista científico e ético”, afirma um estudo de 2017, liderado por John S. Santelli, da Columbia University com o objetivo de avaliar as políticas de educação sexual dos Estados Unidos. “A maioria dos jovens inicia a vida sexual como adolescentes. A abstinência, sozinha, costuma falhar, porque eventualmente é quebrada”.

Como prática complementar, no entanto, ela é útil, afirma o estudo. “Muitos programas de educação sexual são bem-sucedidos, inclusive em atrasar o início da vida sexual e reduzir o comportamento de risco”.

Aliás, apenas ensinar a usar camisinha não resolve, como já defendeu o antropólogo Edward Green, uma das maiores autoridades mundiais em políticas públicas para combate à Aids, atualmente aposentado. Em 2009, ele chegou a defender o papa Bento XVI, que declarou na época que, para combater a doença, a abstinência era mais eficaz do que o uso de preservativos. “Um estudo realizado em Uganda sugere que a intensiva promoção da camisinha leva as pessoas a aumentar o número de parceiros sexuais”, ele afirmou em entrevista à rede BBC.

De forma que defender o uso de métodos contraceptivos e a valorização de relacionamentos afetivos responsáveis não são estratégias excludentes. O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos alega que essa é precisamente a intenção: conciliar as duas abordagens.

“Não existem respostas totalmente certas ou erradas quando se trata de reduzir comportamentos sexuais de risco”, afirma a professora Dianne Morrison-Beedy. “O importante é preparar os adolescentes com informações, técnicas verbais e motivação para reduzir o risco, em qualquer relacionamento, em qualquer fase da vida.”

(Gazeta do Povo)

Michelle Bolsonaro e Damares Alves participam de evento com o papa Francisco

papa1Michelle e Damares são evangélicas e foram ao Vaticano participar de um encontro convocado pelo papa

Em novembro de 2008, o site Observatório da Imprensa divulgou a seguinte nota: “A imprensa brasileira, mais uma vez, se irmana para ludibriar a sociedade. E desta vez com as bênçãos e o beneplácito de duas poderosas instituições: o governo federal e a Igreja Católica. Na quinta-feira (13/11), foi assinado em Roma um tratado entre o Estado brasileiro e o Vaticano. A imprensa estava toda lá acompanhando o presidente Lula e de comum acordo resolveu comer mosca. O tratado foi anunciado muito discretamente como simples ‘acordo administrativo’, dentro dos preceitos legais que determinam completa separação entre Estado e Igreja. Na sexta-feira (14), o assunto foi ostensivamente abafado por todos: o Estado de S. Paulo mencionou um agradecimento do papa Bento XVI ao presidente Lula pela assinatura do acordo, mas omitiu seu teor; a Folha reproduziu declaração da CNBB negando qualquer privilégio, mas também não ofereceu detalhes sobre o que foi assinado; e o Globo situou o tratado no âmbito do ensino religioso. Para evitar reações políticas, todos os jornalões enfatizaram a presença da ministra Dilma Rousseff na audiência com o papa e com isso o assunto ficou na esfera sucessória. Não é, trata-se de matéria constitucional. Sábado e domingo silêncio total, tanto da parte dos jornalões como das revistas semanais. A verdade é que esse acordo, tratado, concordata, capitulação ou que nome tenha, deveria ter sido amplamente divulgado antes de assinado. Não foi e, pelo visto, se depender da grande imprensa, dificilmente será.”

papa-bento-e-lula“É uma autêntica Concordata com a Santa Sé que, além de ter sido preparada na clandestinidade, sem qualquer aviso ou debate, confronta o espírito da Carta Magna e os fundamentos de um Estado secular”, protestou o jornalista Alberto Dines. “Por que o sigilo? Que tipo de pressão o governo sofreu? Como o presidente Lula faz isso sem abrir para a discussão?”, perguntou a professora Roseli Fischmann, que coordenava havia 20 anos o grupo de pesquisa “Discriminação, Preconceito, Estigma” da Universidade de São Paulo (USP). Falando ao portal iG, Fischmann classificou o acordo de “gravíssimo” pelo que representa: “É uma violência à pluralidade de crenças da população, fere a democracia e cria cidadãos de segunda classe – o católico e o não católico.”
Na época, Ricardo Barreira, presidente do Instituto Umbanda Fest, também percebeu o perigo da concordata e a inconstitucionalidade dela: “A assinatura de uma concordata implica o compromisso do Estado de fornecer à Igreja Católica determinados privilégios legais e financeiros para sempre, a menos que a Igreja concorde em abrir mão deles. Leis e até constituições podem ser mudadas pelo Legislativo da Nação, mas concordatas nao podem ser alteradas nem revogadas sem consentimento da Santa Sé. Uma vez assinadas, elas pairam acima de qualquer controle democrático do País.

Duas décadas depois, o Brasil volta a se aproximar do Vaticano, desta vez nas pessoas da primeira-dama Michelle Bolsonaro e da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos Damares Alves (foto acima), que disse em seu perfil no Instagram: “Foi uma tarde incrível ao lado deste líder religioso amado por muitos.” A felicidade da ministra não foi endossada pela maioria de seus seguidores, alguns dos quais chamaram Francisco de “comunista”, “globalista”, “picareta”, entre outras coisas.

papaMichelle e Damares são evangélicas e foram ao Vaticano participar de um encontro convocado pelo papa no dia 13 deste mês. Na ocasião, o líder católico apresentou um projeto educacional para o qual conta com o apoio da Aliança das Primeiras-Damas Latino-Americanas, grupo lançado oficialmente em setembro e liderado por Silvana Abdo, esposa do presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez. No ano que vem, o papa terá um encontro com líderes de todo o mundo, para tratar, também, de educação (confira aqui).

Assim, o Vaticano vai ampliando seu poder de influência sobre o planeta. E quando se trata de poder e de cumprimento de profecias, não importa se os líderes são de esquerda ou de direita, se católicos ou protestantes. O importante mesmo é fazer avançar a agenda. [MB]

Revista ataca mulheres de destaque e sugere que Damares Alves deveria ter feito sexo com Jesus

ministra-damares-alvesA revista lulista Carta Capital publicou uma matéria sobre mulheres de destaque, que, segundo a esquerda, envergonham o sexo feminino. Os alvos das críticas ofensivas foram personalidades como a ministra Damares Alves, Carmen Lúcia do STF, a juíza Carolina Lebbos, a jornalista Leda Nagles; a atriz Regina Duarte; a juíza Gabriela Hardt; a deputada Janaina Paschoal, entre outras. Na edição da revista impressa publicada em 20 de novembro, o colunista e escritor do texto, Nirlando Beirão, zomba da Ministra Damares que aos 10 anos de idade tentou o suicídio após sofrer recorrentes abusos sexuais, mas teve uma experiência espiritual sendo visitada por Jesus que a impediu de tomar veneno. Beirão sugere no texto que quando a menina Damares, aos 10 anos, tentou tirar a própria vida e teve o encontro com Jesus, ela deveria ter feito sexo com Ele para “sossegar a sofreguidão dos seus países baixos”. Além disso, o texto zomba da aparência física da ministra, de sua fé em Deus e também de declarações da ministra que, em uma brincadeira com jornalistas, disse que usaria um aplicativo de relacionamentos para se casar novamente.

Damares lamentou o ataque da revista em uma publicação no Twitter: “A revista Carta Capital de hoje trouxe uma matéria nojenta, escrita por um homem, o editor-chefe, a qual dispara ataques nojentos a mulheres com destaque na política nacional. E vejam só o absurdo que falam dessa ministra. Segundo ele, com 10 anos de idade, quando estava no pé de goiaba pensando em tirar a própria vida por ter sido abusada sexualmente, eu deveria ter aproveitado o momento para ter relações com Jesus.”

(Conexão  Política)

Nota: Nessas horas sempre me pergunto onde estão os defensores dos direitos humanos, onde estão as feministas de plantão e os patrulheiros das muitas fobias. Carta Capital se rebaixou mais um pouco ao atacar de maneira tão abjeta um ser humano, uma mulher, uma autoridade política e uma cristã. Ao debochar de modo tão acintoso da ministra e de Jesus, o editor comete cristofobia, mas quem vai criar hashtag pra isso e fazer barulho nas redes sociais? Por muito menos outros grupos estariam fazendo o maior estardalhaço. Como escreveu meu amigo Marco Dourado, “essa revista se beneficiou muito dos nossos impostos, mas agora que a fonte secou estão revoltados e desesperados. Se nadando na bufunfa chapa-branca eles já não tinham compostura, imagine agora que estão sofrendo de síndrome de abstinência”. [MB]

Deputada distribui livros em combate à ideologia de gênero

deputadaEm resposta à ação do youtuber Felipe Neto de comprar 10 mil exemplares de um livro LGBT para doação durante a Bienal do Livro, no Rio de Janeiro (RJ), a deputada estadual Clarissa Tércio (PSC) decidiu comprar a mesma quantidade de livros que o youtuber, só que com uma temática voltada, segundo a parlamentar, para “o público cristão”. O livro em questão é o Macho Nasce Macho, Fêmea Nasce Fêmea – Desmascarando a Falácia da Ideologia de Gênero, do filósofo Isaac Silva. A obra trata de refutar os discursos e debates em torno do tema da suposta ideologia. A deputada, ligada ao público evangélico, pretende distribuir esses livros no Estado.

A polêmica, que tomou proporção nacional, se deu por conta da tentativa do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, de impedir a venda de um livro em quadrinhos de super-heróis da Marvel com uma cena de beijo gay, na Bienal do Livro. Após uma batalha judicial em relação ao recolhimento, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, suspendeu a medida de Prefeitura do Rio. A alegação do magistrado é de que havia infrações à Constituição Federal.

(Correio Braziliense)

Assista a mais vídeos sobre ideologia de gênero (clique aqui).

Se o piloto errar, todos sofrerão

piloto“Estou no avião, pronto para decolar com minha mulher, mas não gostei do piloto! Ele parece ser arrogante, preconceituoso, antipático, machista, intolerante… Eu não escolhi esse piloto, mas é ele que estará no comando da aeronave em que estou. Não gosto nem um pouco dele, por isso vou torcer para que cometa muitos erros e pilote da pior forma possível! Vou comemorar cada erro dele; quanto mais ele errar melhor será para eu poder dizer que estava certo! Vou ficar torcendo para o avião cair só para eu poder dizer o quão ruim é esse piloto, para que aqueles que escolheram esse piloto se arrependam muito por tê-lo escolhido. Ah, como eu quero que esse avião caia!”

Não sei quem escreveu essa analogia, mas acertou em cheio. Já desejar a bancarrota de um governo é errar feio; é mirar em um alvo e alvejar o próprio pé. Especialmente os cristãos devem compreender que nada neste mundo acontece sem a permissão de Deus, e que Ele tem em vista principalmente a salvação eterna de Seus filhos, não a remediação deste mundo condenado. Deus trabalha para que possamos ter maiores oportunidades de pregar o evangelho e advertir o maior número de pessoas com respeito à breve volta de Jesus. Para isso precisamos de paz, estabilidade e liberdade religiosa. Temos que orar e trabalhar por isso, sem a ilusão de que esse ou aquele governo trará o paraíso à Terra. Isso não vai acontecer (leia isto). Mas torcer pelo fracasso do piloto também não é o que se espera de um cristão. Na verdade, a Bíblia afirma que Deus “muda os tempos e as estações; Ele remove os reis e estabelece os reis; é Ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento aos entendidos” (Daniel 2:21), e apresenta o seguinte conselho:

“Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade” (1 Timóteo 2:1, 2).

Então, devemos orar pelo piloto e torcer para que ele nos ajude a fazer uma boa viagem, tanto quanto possível e pelo maior tempo possível. Assim, antes de o avião cair de vez, teremos a oportunidade de advertir os passageiros e ajudá-los a olhar para o verdadeiro Piloto, aquele que governa o Universo e conduz a História para seu desfecho.

Eu já disse em uma palestra e repito: a esquerda é tóxica e a direita, perigosa. Portanto, nossa única esperança vem do Alto. Denunciar os desmandos da esquerda e as incompatibilidades do marxismo com a cosmovisão cristã não faz da pessoa um “bolsomínion”, assim como apontar os perigos da aproximação entre o Estado e a igreja promovida pela direita não faz da pessoa comunista. Os cristãos precisam enxergar uma camada acima dessas questões políticas e ideológicas; devem olhar para além dessa polarização sem sentido e perceber que as mesmas mãos manipulam marionetes diferentes (até onde Deus permite, evidentemente).

Não nos esqueçamos de que uma das artimanhas do inimigo consiste em dividir para conquistar. Portanto, vamos nos unir no único propósito que realmente vale a pena e trabalhar para mostrar às pessoas que nosso futuro depende de uma intervenção, não militar nem política, mas celestial.

Oremos pelo piloto, pelos passageiros e pelo avião.

Michelson Borges

Leia também: “Duas faces de uma mesma moeda”

Nota: Por favor, tome algum tempo para assistir aos vídeos abaixo. Creio que lhe serão esclarecedores.

Duas faces de uma mesma moeda?

Members of the clergy lay hands and pray over Republican presidential nominee Donald Trump at the New Spirit Revival Center in Cleveland HeightsEnquanto acariciamos nossas polarizações políticas e religiosas, aproximações impensáveis ocorrem nos bastidores

Antes que alguém tire conclusões precipitadas ou me interprete mal, gostaria de revelar que eu mesma venho me impressionando com o que vou descrever. Cheguei a pensar se seria exagero da minha parte; se estaria supervalorizando acontecimentos ou imaginando coisas além do que os fatos são em si. Eu não sei quanto a você, mas, para mim, já está mais que saturada a polarização das narrativas políticas. Polarização que se estendeu à igreja, dividindo o pensamento religioso também. Tenho buscado me poupar da superficialidade das análises, que, ao mesmo tempo e ironicamente, são tão carregadas no quesito ofensas e afrontas pessoais.

É surpreendente ainda que, em muitos casos, um leigo sem qualquer compreensão escatológica consiga fazer uma leitura mais precisa do momento atual do que cristãos ensandecidos por suas preferências quase passionais (veja o livro O Povo Contra a Democracia, de Yascha Mounk).

Não estaria na hora de deixar de lado o embate que nos leva ao posicionamento de direita ou esquerda, conservador ou progressista, liberal ou tradicional? Será que não há coisas mais relevantes para as quais nosso olhar deveria se voltar?

Saiba que enquanto você se afasta das pessoas, talvez amigos de longa data, por questões que fogem ao seu controle, aproximações impensáveis de ambos os lados ocorrem nos bastidores da História.

The Family – democracia ameaçada

 Se você ainda não viu, está aí uma série/documentário que vale a pena ser assistida. Disponível na Netflix e com apenas cinco capítulos, o conteúdo é, no mínimo, intrigante. Evidentemente, devemos aplicar o senso crítico-comparativo a tudo que vemos, ouvimos e lemos. Longe de mim colocar todas as minhas fichas numa produção audiovisual. Mas não dá para negar que o documentário tem uma base, de certa forma, sólida, afinal ela é resultado da experiência pessoal do jornalista Jeff Sharlet, que escreveu dois livros a respeito de uma fraternidade para homens (na qual ele se infiltrou), revelando uma aliança coletiva que transforma Jesus em uma ferramenta de poder político.

O jornalista, que traz à tona a tal fraternidade ou confraria, como é chamada, explica que a liderança da instituição tem por objetivo separar e doutrinar jovens de boa reputação para que sejam engajados futuramente no meio político. A família, como a confraria é também considerada, tem o papel de formar novos bons líderes que sejam capazes de articular com sabedoria o cristianismo na política.

Na verdade, os líderes da confraria, segundo o documentário, acreditam que o mundo só vai melhorar quando os governantes fizerem a “vontade de Deus”, e para isso é necessário levar os políticos a se envolver com Cristo, diminuindo a distância entre Estado e religião.

As implicações acabam sendo muitas, mas para Jeff Sharlet – o jornalista infiltrado –, o maior problema estaria na ameaça à democracia. Ameaça porque, conforme a confraria cresce e sua influência se espalha pelo mundo, mais governantes tendem a aderir ao cristianismo, contudo, não de forma genuína, mas como instrumento de controle, perda do aspecto laico e manipulação da escolha popular pelos representantes legais das nações.

“A família” deseja, na perspectiva do jornalista, fomentar pautas e agendas de interesse conservador-cristão no meio político. Mas o que chama a atenção é que os membros da confraria não são exatamente de extrema-direita. Eles são, sim, a favor a família tradicional – homem e mulher, entre outras coisas –, mas conseguem facilmente dialogar com diversas representatividades, tentando minimizar desigualdades sociais e econômicas, além de almejar a promoção da paz mundial.

Reuniões anuais – National Prayer Breakfast – contam com a presença de estadistas de todo o mundo para, juntos, comer e orar. O evento é ainda uma ótima oportunidade para a troca de contatos que, na maioria das vezes, tornam-se negócios lucrativos.

Sua filosofia se fundamenta no alcance, primeiro, de líderes mundiais, para que eles, após alcançados, governem de modo a influenciar o restante da população. Líderes políticos cristãos inevitavelmente conduzirão a sociedade nessa direção. Contudo, o político cristão não precisa necessariamente ser um profundo conhecedor da Bíblia. A Bíblia é menos importante do que o nome de Jesus, o qual se torna quase que um amuleto.

Para tanto, a confraria sustenta o discurso de que o poder é predestinado e, por isso, o governante é um escolhido de Deus.

Os pastores de Trump em Brasília

Antes mesmo de ver o documentário “The Family”, estive entretida com notícias veiculadas por outras mídias a respeito da chegada dos chamados “pastores de Trump” ao Brasil. Mas do que isso se trata, afinal? Bem, tanto o texto do jornal El País, intitulado “Os pastores de Trump chegam a Brasília”, quanto o que foi publicado pelo blog Outras Mídias, intitulado “Transicionais da fé chegam ao Brasil”, abordam a chegada de cristãos americanos cuja missão seria evangelizar o congresso nacional brasileiro.

A ideia é que, a partir do alto escalão político de Brasília, seja possível encontrar apoio para as agendas estadunidenses, cujos vieses passem pela visão conservadora evangélica.

Quem encabeça a jornada é Ralph Drollinger, ex-jogador de basquete e fundador do Capitol Ministries, que desde 1996 trabalha para criar discípulos de Jesus na arena política do mundo todo.

Sendo assim, Drollinger procura estreitar relações com políticos de vários países a fim de evangelizá-los. Com o lema “first the firsts”, ou seja, primeiro os primeiros, ele acredita que o evangelho deve começar de cima para baixo: se os líderes das nações se converterem ao evangelho, as demais camadas sociais seguirão na mesma direção. Dessa forma, seria possível construir, ainda que não perfeitamente, uma gestão que realize a vontade de Deus – tipo de conceito muito semelhante ao apresentado pelo documentário “The Family”.

Até 2010, Drollinger atuava mais eficazmente no perímetro estadual. Mas em 2017 ele conseguiu avançar e muito: passou a coordenar estudos bíblicos para membros do governo Trump. Com encontros semanais, o mais alto nível da política americana, incluindo vice-presidente, secretário de Estado e outros, já participou das reuniões.

Personalidades importantes da política mundial, cuja influência nas relações exteriores é indiscutível, já oraram e estudaram a Bíblia com o líder da Capitol Ministries.

Engana-se quem pensa que o aprendizado fica restrito ao local e momento do ensino. Fora dali o evangelho se torna, muitas vezes, prático nas decisões governamentais. Não raramente, trechos bíblicos são incluídos em discursos políticos e diplomáticos para a explanação e explicação de medidas que poderiam parecer controversas. Com um bom apelo às Escrituras, busca-se justificar medidas de modo que elas não sejam questionadas, uma vez que estariam respaldadas pelo fundamento bíblico. O apoio à guerra e outras ações radicais, por exemplo, podem claramente ser encontrados na Bíblia, segundo a interpretação de Drollinger.

Agora, Drollinger, que já esteve em toda a América do Sul e na América Central com o mesmo ideal, chega ao Brasil para progredir em sua tarefa, segundo ele, “divina”. E para isso já conta com a ajuda do pastor Raul José Ferreira Jr., da Igreja Batista Vida Nova, como responsável por conduzir estudos bíblicos no Senado e na Câmara.

Mas não para por aí! Seu objetivo de evangelizar políticos para Cristo é um pouco mais ousado: estudar a Bíblia com o presidente Jair Bolsonaro e seus ministros. Assim, a visão do cristianismo aplicado à política e à legitimação da direita pela Bíblia será mais completa no Brasil e poderá, em longo prazo, se estender a toda a nação.

Duas faces da mesma moeda

Eu sei, eu sei… quando um cristão vê um parlamentar orando fica profundamente emocionado. É como se agora as coisas realmente pudessem entrar nos eixos, afinal, “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor” (Salmo 33:12). Ainda mais se formos comparar tal panorama com o cenário do qual estamos tentando sair, de muita libertinagem e de ideologias que apoiam estilos de vida que não condizem com a orientação bíblica.

Talvez traumatizados com o que a sociedade se tornou, passamos a demonizar tudo aquilo que parece nos distanciar da moral, dos bons costumes e da virtude. Naturalmente, isso faz sentido, afinal, ninguém em sã consciência deseja se desviar do bom caminho.

Contudo, pouco senso crítico tem sido usado para avaliar o outro extremo. Como assim? Se o governo nega a Deus e apoia ideologias muito liberais, combatemos assustados. Mas se o governo se reúne para estudar a Bíblia e orar, aplaudimos? É correta essa percepção?

Bem, por um lado é normal que queiramos que nossos governantes busquem a Deus para ser bons gestores. A própria Bíblia incentiva que oremos pelos líderes: “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade” (1 Timóteo 1:1, 2). Porém, não podemos parar apenas aí. Os eventos finais da história da Terra nos convidam a ampliar nossa capacidade de interpretar os acontecimentos, todos entretecidos perfeitamente conforme as profecias apontam.

Se, por um lado, não devemos apoiar governos e ideologias que menosprezam a Palavra de Deus, por outro, não podemos nos iludir com governos que utilizam a Bíblia no modo texto fora de contexto.

Não podemos afirmar que os líderes políticos que estudam a Bíblia não o façam sinceramente. Mas, também, não podemos nos esquecer do que foi predito a respeito da reaproximação do Estado com a Igreja (Apocalipse 13:15). “Os protestantes dos Estados Unidos serão os primeiros a estender as mãos através do abismo para apanhar a mão do espiritismo; estender-se-ão por sobre o abismo para dar mãos ao poder romano; e, sob a influência desta tríplice união, este país seguirá as pegadas de Roma, desprezando os direitos da consciência” (O Grande Conflito, p. 588).

E mais: “Quando as principais igrejas dos Estados Unidos, ligando-se em pontos de doutrinas que lhes são comuns, influenciarem o Estado para que imponha seus decretos (Apocalipse 13:16,17; 17:3, 13) e lhes apoie as instituições, a América do Norte protestante terá então formado uma imagem da hierarquia romana, e a aplicação de penas civis aos dissidentes será o resultado inevitável” (O Grande Conflito, p. 445).

Talvez você esteja pensando que isso é muito alarmista, afinal a Declaração da Independência e a Constituição dos Estados Unidos garantem liberdade religiosa e, por sua vez, de consciência. Inclusive, “a Magna Carta estipula que ‘o Congresso não fará lei quanto a oficializar alguma religião, ou proibir o seu livre exercício’, e que ‘nenhuma prova de natureza religiosa será jamais exigida como requisito para qualquer cargo de confiança pública nos Estados Unidos’” (O Grande Conflito, p. 386).

Mas saiba que o presidente Donald Trump disse em 2017, por ocasião do National Prayer Breakfast, que destruiria a Emenda Johnson, a qual impede a aproximação de igreja e Estado. Não é à toa que ele é considerado o presidente norte-americano mais pró-evangelho da História.

É verdade que na atualidade lidamos com a valorização da diversidade, da pluralidade dos conceitos, filosofias e religiões. Parece improvável o erguimento de um pensamento coletivo uniforme. Mas também muitos esforços são feitos a fim de que se estabeleçam diálogos entre os povos e que as religiões se comuniquem em prol da paz mundial (assim como vemos nos exemplos citados anteriormente: “The Family” e Capitol Ministries). É por isso que caminhamos na busca pelo apoio de temas que sejam de comum acordo e bons para todos. Mas isso não é bom? Nem tanto. Já parou para se perguntar qual poderia ser o ponto de convergência desse acordo?

Seguramente a guarda do domingo. O descanso dominical agrada a “gregos e troianos”. De um lado, é um importante símbolo da supremacia católica, que assume, por meio de sua autoridade autoconcedida, ter mudado o dia de guarda do sábado bíblico, o sétimo dia da semana, para o domingo, o primeiro dia da semana. De outro, é o dia de guarda da maioria esmagadora das religiões protestantes. Para os ecologistas, o descanso dominical pode ajudar no cuidado do planeta, por meio da diminuição da emissão de poluentes e da geração de lixo. Para sindicalistas, uma parada aos domingos atende às necessidades de descanso do trabalhador e ao seu direito de recreação e entretenimento.

Ellen White escreveu: “Os dignitários da Igreja e do Estado unir-se-ão para subornar, persuadir ou forçar todas as classes a honrar o domingo. A falta de autoridade divina será suprida por legislação opressiva. A corrupção política está destruindo o amor à justiça e a consideração para com a verdade; e mesmo na livre América do Norte, governantes e legisladores, a fim de conseguir o favor do público, cederão ao pedido popular de uma lei que imponha a observância do domingo. A liberdade de consciência, obtida a tão elevado preço de sacrifício, não mais será respeitada. No conflito prestes a se desencadear, veremos exemplificadas as palavras do profeta: ‘O dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao resto da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo’ (Apocalipse 12:17).”

Enquanto criamos desafetos nas redes sociais por causa de posicionamento político, esquecemo-nos de que Jesus deixou bem claro que Seu reino não é daqui: “Disse Jesus: ‘O Meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os Meus servos lutariam para impedir que os judeus Me prendessem. Mas agora o Meu Reino não é daqui’” (João 18:36).

Enquanto usamos nosso sagrado tempo defendendo lados aparentemente antagônicos, mas que, na verdade, são faces de uma mesma moeda, o preparo para um ajuntamento, ainda que sorrateiro, passa a abranger quase o mundo todo: “Os que desejam salvar-se pelos próprios méritos, e os que desejam ser salvos em seus pecados” (O Grande Conflito, p. 572). Cada lado da mesma moeda distorcendo a Bíblia a fim de que a Palavra se curve ao populismo dos seus ideais.

Felizmente, tudo isso nos encoraja a crer que hoje o fim está mais próximo do que ontem. A promessa de Deus é de que ninguém fará sua escolha sem antes saber com que está lidando. Os dias que virão não serão fáceis, mas serão cheios de poder para aqueles que desejam ser usados como instrumentos de salvação!

Nem cara nem coroa! As polarizações e suas preferências fazem parte de uma mesma moeda que, de lado algum, representa a verdadeira vontade de Deus. O foco em um dos extremos acaba por atrapalhar nosso entendimento sobre o verdadeiro sentido da questão.

É por isso que nossa confiança deve ser totalmente colocada na Bíblia Sagrada e nos méritos de Cristo, para que Ele nos preserve fiéis quando o mundo achar que está em paz e segurança, mas, na verdade, está à beira de repentina destruição!

(Agatha Lemos é jornalista, pós-graduada em Teologia, mestre em Ciência e uma entusiasta de temas escatológicos)

Referências:

Bíblia online: Nova versão Internacional. Acesso: https://www.bibliaonline.com.br/nvi/index

DIP, Andrea; VIANA, Natália. “Os pastores de Trump chegam a Brasília.” El País, 12/8/2019. Acesso: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/12/politica/1565621932_778084.html

SHARLET, Jeff. The Family. Netflix, agosto de 2019.

WHITE, Ellen Gold. O grande conflito. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. Acesso: http://ellenwhite.cpb.com.br/livro/index/1/563/581/ameaca-a-consciencia

Líderes de extrema-direita reúnem-se secretamente em Fátima

fatimaUm hotel em Fátima é desde a quinta-feira passada palco de um encontro de líderes de extrema-direita de uma das alas mais reacionárias da Igreja Católica. Dois dos participantes são o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o chefe de gabinete de Donald Trump, Mick Mulvaney. As autoridades portuguesas destacaram um forte dispositivo de segurança, informou na edição deste sábado o semanário Sol. O encontro do International Catholic Legislators Network começou na quinta-feira no Hotel da Consolata, uma congregação de missionárias localizada a poucos metros do Santuário de Fátima, e [terminou ontem]. Os custos da operação de segurança com mais de duas centenas de militares da GNR estão a cargo do erário público português, ainda que o encontro seja de cariz privado, de completo sigilo ao ponto de os participantes e a agenda não serem anunciados. Os jornalistas não [foram] autorizados a assistir. Desconhecem-se as razões para Portugal ter sido o país escolhido.

A organização argumenta a favor do sigilo dizendo que os participantes precisam de toda a liberdade para expressar suas ideias. Esse tipo de encontros de elite a portas fechadas tornou-se cada vez mais comum, com muitos a se basearem nas regras e nos moldes do chamado Clube Bilderberg, fundado em 1954. […]

Os organizadores do encontro tiveram autorização dos responsáveis pela Basílica de Nossa Senhora do Rosário para lá celebrarem uma eucaristia na quinta-feira passada, por volta das 19h30. […]

Mick Mulvaney não é o único próximo de Trump a pertencer a essa organização. O antigo secretário de imprensa do presidente dos Estados Unidos Sean Spicer participou em agosto de 2017 num dos seus encontros em Roma, Itália, e chegou mesmo a encontrar-se com o papa Francisco no Vaticano.

Entre os convidados do encontro incluem-se ainda os patriarcas da Igreja Ortodoxa e da Igreja Católica na Síria, Ignatius Apherem II e Yousef III Younan, respectivamente. E, de acordo com o Público, o cardeal chinês Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong e feroz opositor do regime comunista na China, também esteve presente, mostrando-o na sua conta do Twitter. Christoph Schönborn, fundador da organização e atual arcebispo de Viena, também esteve presente.

O site International Catholic Legislators Network, fundado em 2010, na Áustria, é direto em seus intentos: formar líderes políticos cristãos e estabelecer ligações entre si, afirmando-se como sendo “não partidário e totalmente independente”, e denunciando que os “cristãos são os que mais estão sob ameaça”, dando como exemplo as perseguições no Oriente Médio. […]

Há alguns meses, representantes do grupo encontraram-se com o papa Francisco, e ele os alertou para o risco de se combater o extremismo com extremismo. “O relativismo secular e o radicalismo religioso são, na verdade, radicalismo pseudo-religioso. Neste assunto, gostaria apenas de vos chamar a atenção para o perigo real que é combater o extremismo e a intolerância com mais extremismo e intolerância com as vossas ações e palavras”, disse o papa, citado pelo Rome Reporter.

O sumo pontífice tem-se confrontado com violentos ataques da ala mais conservadora da Igreja Católica, liderada pelo cardeal norte-americano e patrono da Ordem Militar de Malta Raymond Leo Burke, por assumir posições ditas liberais sobre os católicos divorciados e homossexuais. Há uma guerra secreta a decorrer no Vaticano, com uns a enfrentá-lo abertamente e outros a agirem com passividade, bloqueando seus esforços.

“Há uma guerra subterrânea na Igreja Católica. Nem são muitos os cardeais que se manifestam publicamente e praticamente todos dizem que apoiam o papa. Mas a maioria dos opositores atua silenciosamente. Às vezes, conseguem bloquear a agenda com oposição aberta, mas principalmente por meio da inércia e de manobras por baixo dos panos”, explicou o especialista na Igreja Católica e autor do livro A Solidão de Francisco Marco Politi em entrevista à Globo.

(Medium)

Nota: Muito interessante a notícia desse encontro secreto, e digna da atenção dos que estudam os desdobramentos proféticos relacionados com a volta de Jesus. Primeiro, pelo óbvio caráter ecumênico da reunião, envolvendo não apenas lideranças católicas, mas ortodoxas e até um representante da maior nação protestante do mundo (lembre-se de que o abismo entre protestantes e católicos não mais existe, conforme foi profetizado). Segundo, pelo lugar escolhido para o evento, carregado de simbologia mariana (Fátima foi palco das alegadas aparições de Nossa Senhora) e relacionado até mesmo com a história do islamismo (confira). Terceiro, pelos propósitos do grupo, como informa o site oficial: “…formar líderes políticos cristãos e estabelecer ligações entre si” (bem The Family…) Está ficando no passado o tempo do liberalismo teológico e político. O mundo e mesmo o vaticano caminham para a “direitização”, para o recrudescimento do tradicionalismo religioso e para uma nova união entre a igreja e o Estado, com cada vez maior ingerência da religião em assuntos políticos. O discurso é sedutor, de combate aos ataques promovidos em anos recentes contra os valores cristãos, de defesa da família e do meio ambiente, etc. Sim, o discurso é sedutor, agregador, vai envolver a maioria – e que sejam deixadas de lado as minorias que não se encaixarem nesse “admirável mundo novo”. Melhor ainda: em lugar de serem deixadas de lado, que essas minorias fundamentalistas, sectárias e extremistas sejam tiradas do caminho. Ainda tem dúvida de que se trata de um cenário previsto? Sugiro enfaticamente que você estude as profecias apocalípticas bíblicas e leia o best-seller do século 19 intitulado O Grande Conflito. [MB]