Política cristã? A melhor ideologia para o cristão é…

Hungria: o perigo da união entre religião e política

A liberdade de culto e consciência depende da manutenção de um Estado laico.

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Em 2010, o primeiro-ministro nacionalista Viktor Orban retornou ao poder na Hungria e, com isso, decidiu que iria enaltecer a identidade cristã do país, que fora suprimida pelos comunistas. Agora, como medida da chamada “revolução conservadora”, as escolas húngaras estão sendo cada vez mais submetidas à autoridade eclesial, segundo o UOL. Com a volta das aulas no país, alunos de instituições como a escola Ferenc Liszt se surpreenderam ao descobrir que começariam seus dias letivos em uma igreja. A medida, incentivada pelo governo, faz parte da “recristianização” da educação húngara.

Tal processo em Ferenc Liszt foi acompanhado pela AFP. Em entrevista à agência de notícias, inclusive, a diretora da instituição, Andrea Magyar, afirmou que o colégio “passou a estar sob a direção das freiras dominicanas em setembro de 2020”.

Segundo a responsável, a transferência do controle da escola para a igreja foi aprovada pelos pais dos alunos, através de votação. Nesse sentido, eles estariam “muito satisfeitos” com as mudanças, ainda mais considerando que, ainda de acordo com Magyar, o currículo de aulas das crianças “não mudou” com a decisão.

Nesse sentido, a diretora insiste que, apesar de as salas de aula estarem adornadas com cruzes e os horários dos alunos serem marcados por orações e classes de catecismo, nenhuma das mudanças é obrigatória. Por isso ela acredita que existem “relações menos burocráticas e mais calorosas” com a diocese do que com a autoridade educacional.

(Aventuras na História)

Nota: Este é o risco dos extremos: um leva para o outro. O ateísmo e o desprezo pelos valores judaico-cristãos típicos dos governos de orientação marxista/comunista acabam despertando reações ultraconservadoras que misturam política com religião. E essa mistura sempre se demonstrou nefasta – aliás, pelo que entendemos das profecias, será justamente a futura união entre Estado e Igreja que criará um ambiente de perseguição contra uma minoria religiosa considerada “fundamentalista”. Curiosamente, essa minoria (remanescente) é desprezada por ambos os lados do espectro e pelo mesmo motivo: os progressistas/subversivos/liberais (chame-se como quiser) não concordam com a hermenêutica bíblica desse grupo que crê, por exemplo, na factualidade dos primeiros capítulos de Gênesis e na inspiração de todas as Escrituras (2Tm 3:16); os ultraconservadores políticos abraçam um tipo de religião dominionista, evoteísta, tradicionalista/dogmática e dominguista. Aos remanescentes fiéis resta ficar e ser comidos pelo bicho (besta) ou correr e ser pegos pelo bicho (besta). A única esperança deles não está à esquerda, muitos menos à direita, mas no Alto. Graças a Deus! [MB]

Bolsominion, eu?

De vez em quando, vejo nas redes sociais pessoas afirmando que eu estaria “defendendo publicamente” o político/presidente Jair Bolsonaro ou me alinhando à direita. Por isso, julgo oportuno esclarecer algumas coisas:

1. Na condição de obreiro e pastor adventista, entendo que não me compete fazer política partidária nem promover esse ou aquele político. Isso, na verdade, nem me interessa. Quando menciono pessoas que ocupam cargos públicos, sempre o faço num contexto religioso e/ou escatológico.

2. Em vários vídeos e textos tenho denunciado as ações nefastas dos “herdeiros” da besta do abismo (Ap 11), dois dos quais o evolucionismo e o marxismo, despertados na mesma época em que Deus suscitou o movimento adventista profético (veja aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

3. Por entender que esquerda e direita são marionetes do mesmo poder diabólico, também já escrevi/gravei chamando a atenção para isso (veja aqui, aqui, aqui e aqui). Na verdade, tenho usado a metáfora do arco e da flecha (aqui) para evidenciar isso é deixar claro que não podemos alimentar ilusões políticas quanto a este mundo imerso no conflito cósmico entre o bem e o mal (aqui). Nossa esperança vem do Alto. As mazelas humanas, embora possamos e devamos amenizá-las, terão fim com a volta de Jesus. Tenho pregado isso incansavelmente desde a minha conversão da Teologia da Libertação para o Adventismo, no começo dos anos 1990 (aqui).

4. Resta, então, aos que me acusam de fazer política partidária e supostamente defender esse ou aquele político provar que eu tenha feito isso ou aquilo. Minha consciência está tranquila a esse respeito, e jamais usaria o alcance das minhas redes ou da minha voz para me intrometer em questões partidárias que não me dizem respeito. O Reino ao qual pertenço e para o qual trabalho não é deste mundo.

5. Não concordar com algumas pautas da esquerda não me torna imediatamente defensor da direita. Pode-se abordar qualquer lado do espectro político do ponto de vista bíblico/escatológico, sem que isso signifique ou represente militância a favor ou contra ele. Resumindo: falar de um lado ou de outro não nos coloca imediatamente na posição contrária. As redes sociais criaram essa falsa impressão de que se você não é de um lado significa que é de outro. Isso é limitar o horizonte. No meu caso, não me considero marxista nem capitalista; esquerdista nem direitista. Sou cristão adventista, e isso me basta.

Detalhe importante: o contrário de marxismo/comunismo/gramscismo não é bolsonarismo. Eu já falava contra essas ideologias antes de Bolsonaro sonhar em ser presidente. Prova disso é o capítulo “A tríade filosófica do mal”, do meu livro Nos Bastidores da Mídia, cuja primeira edição foi publicada em 2005 (aqui).

Michelson Borges

Breve análise da cerimônia de posse do presidente Biden

De mãos dadas com o papa, buscando o apoio dos evangélicos e surfando na onda do medo

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Com direito a discurso de um amigo padre jesuíta e hino nacional interpretado pela polêmica cantora pop Lady Gaga, Joseph Biden foi empossado hoje como o quadragésimo sexto presidente dos Estados Unidos da América. Sua vice, Kamala Harris, é a primeira mulher a ocupar essa função na história do país. Em sua fala, o presidente católico (o segundo desde JFK) citou – é claro – o papa Francisco e o teólogo Agostinho. A tônica do discurso – filosofia que certamente deverá nortear o novo governo – foi: união de todos, luta pelo bem comum, capitalismo inclusivo e preservação do meio ambiente. Quase uma repetição de tudo o que o papa vem dizendo nos últimos anos.

Para Joe Biden é sempre ao redor da fé que se reconstrói um império caído. Frequentador de missas e membro do Partido Democrata, Biden, à semelhança do atual papa, é mais alinhado com o pensamento progressista, portanto mais aberto à teologia da libertação ambientalista defendida por Bergoglio, especialmente em sua encíclica dominguista e ECOmênica Laudato Si. Alinhamento “melhor” não poderia haver… (E se você ainda não sabe o que é ECOmenismo, assista aos vídeos abaixo.)

Segundo Steven Millies, diretor do Centro Bernardin da União Teológica Católica em Chicago, citado pelo site do National Catholic Reporter, “nunca houve uma administração mais católica na história dos Estados Unidos”. Além dos cargos oficiais do Gabinete, Biden nomeou o ex-secretário de Estado John Kerry para liderar sua equipe climática e a ex-embaixadora da ONU Samantha Power para chefiar a USAID, que supervisiona a ajuda humanitária. Ambos são católicos e admiradores do papa Francisco. Kerry foi fundamental na negociação do Acordo Climático de Paris em 2015 e elogiou especificamente a encíclica Laudato Si como uma “ferramenta poderosa para responder à ameaça das mudanças climáticas”. (É bom lembrar, também, que a atual Suprema Corte norte-americana é composta por uma maioria de juízes católicos – a mais recente indicada por Trump, inclusive: Amy Barrett.)

Em entrevista concedida em 2015, quando da passagem escatologicamente estrondosa de Francisco pelos Estados Unidos, Biden falou de seu encontro com o papa, ocorrido dois anos antes: “Ele é a personificação da doutrina social católica com a qual fui criado.” Se a antipatia entre Trump e Bergoglio era nítida, a proximidade e simpatia entre o novo presidente dos Estados Unidos (que carrega um terço/rosário no bolso) e o chefe da Igreja Católica é mais do que evidente.  

Um dos desafios do novo governante será o de lidar com os “evangélicos de Trump” (conforme matéria da Folha de S. Paulo). Mas, nesse caso, basta um “laço de união universal” (para usar as palavras de Ellen White) forte o bastante para que todos se unam pelo bem comum. Matéria recente publicada no site da National Geographic dá uma pista de que laço poderia ser esse (na verdade, um tema que tenho abordado há mais de dez anos). Eis o subtítulo: “O novo presidente assume o cargo durante uma crise ambiental cada vez mais nítida e destrutiva. Para controlá-la, terá que se concentrar em alguns aspectos fundamentais.”

A matéria diz mais: “Os resultados não surpreendem. Apesar da queda de 7% nas emissões de carbono oriundas de combustíveis fósseis em 2020 resultante das paralisações econômicas causadas pela covid-19, a humanidade ainda lançou cerca de 40 bilhões de toneladas métricas de dióxido de carbono na atmosfera, além dos trilhões de toneladas já emitidos pela ação humana desde o século 19 [a despoluição verificada durante as quarentenas e os lockdowns vem sendo usada como argumento pró-ambientalismo]. Com essa pressão constante, as temperaturas médias globais continuaram subindo. Joe Biden, o novo presidente dos Estados Unidos, prometeu enfrentar a crise climática assim que assumir o cargo, em 20 de janeiro. Ele prometeu retornar ao Acordo de Paris, cancelar o oleoduto Keystone XL e adotar um ambicioso programa de redução das emissões dos Estados Unidos em um ritmo incessante.” 

De mãos dadas com o papa, com o apoio dos evangélicos dominguistas, surfando na onda do medo (alimentado por entidades como o World “The Great Reset” Economic Forum), essa união pela paz e pelo salvamento do planeta tem tudo para dar certo e fazer avançar um pouco mais os ponteiros do relógio profético.

Michelson Borges

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Cerimônia praticamente sem público, transmitida ao vivo, devido às restrições causadas pela pandemia

Padre jesuíta fará oração na posse de Biden

Amigo de vários jesuítas, Biden é o segundo presidente católico dos EUA

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O padre jesuíta Leo O’Donovan, ex-presidente da Universidade de Georgetown, fará a oração na posse presidencial de Joe Biden, em 20 de janeiro [confira aqui também]. O’Donovan confirmou ao National Catholic Reporter que Biden lhe havia ligado pessoalmente e o convidado a fazer a oração na posse, que marcará a eleição do segundo presidente católico da nação, e que ele havia aceitado. O’Donovan é amigo de longa data da família Biden. Em 2015, ele presidiu a missa fúnebre do filho mais velho de Biden, Beau, que morreu de câncer no cérebro aos 46 anos. Biden é conhecido por ser amigo de vários padres jesuítas e, enquanto era vice-presidente, ocasionalmente assistia à missa na Igreja Católica da Santíssima Trindade em Georgetown. Em 1992, quando Hunter, filho de Biden, estava no último ano em Georgetown, O’Donovan convidou o então senador de Delaware para dar uma palestra na universidade jesuíta sobre sua fé e a vida pública. Biden disse a O’Donovan na época que foi “a missão mais difícil que ele já teve”.

Mais recentemente, poucos dias após sua eleição presidencial, em 12 de novembro, Biden apareceu em uma arrecadação de fundos virtual para o Serviço Jesuíta para Refugiados, onde O’Donovan agora serve como diretor da missão. Naquela ocasião, Biden anunciou que aumentaria a meta anual de admissão de novos refugiados nos Estados Unidos para 125 mil, marcando um aumento acentuado para o limite da administração Trump de 15 mil indivíduos.

Anteriormente, em 2018, Biden escreveu o prefácio do livro de O’Donovan, Blessed Are the Refugees: Beatitudes of Immigrant Children. […]

(National Catholic Reporter)

Nota: O novo presidente dos Estados Unidos – a maior nação protestante do mundo – é católico, terá uma Suprema Corte formada em sua maioria por juízes católicos e contará com maioria democrata no Senado e na Câmara. Isso tornará a governabilidade e a aprovação de leis e decretos muito mais tranquilas. Donald Trump entregou para Joe Biden uma Suprema Corte não apenas conservadora, mas religiosamente alinhada com as crenças do novo presidente e, claro, com o Vaticano. O grande legado (em termos proféticos) de Trump foi o de unir setores do evangelicalismo norte-americano, que sempre desejaram maior aproximação entre igreja e Estado. Caberá a Biden costurar alianças entre estes e os progressistas de esquerda que apoiaram sua eleição. Pautas comuns, como o combate ao aquecimento global (discussão que tende a se intensificar), certamente servirão de “laço de união” nesse sentido.

A invasão do Capitólio anteontem, com a morte de quatro pessoas, certamente servirá de argumento para muitos discursos em favor da união, da superação das diferenças, da luta pelo bem comum, etc. Aos poucos, as pessoas estão se cansando de tanta polarização e tanto discurso de ódio, de ambos os lados do espectro político-ideológico. Para os poderes que manipulam as marionetes que aparentemente tomam as decisões, tanto faz o motivo que levanta e inflama as turbas, assim como tanto faz as figuras que ocupam as cadeiras do poder – desde que os interesses reais nos bastidores do grande conflito sejam levados avante.

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As massas iludidas e desinformadas ignoram uma realidade que fica bem evidente, por exemplo, no capítulo 10 do livro do profeta Daniel: que por trás dos governantes humanos há poderes “sobrenaturais” influenciando os rumos das nações. Quem ignorar isso hoje também estará fadado a ser joguete de Satanás e de sua horda demoníaca, cujo tempo de atuação está se esgotando rapidamente. [MB]

Política e religião cada vez mais alinhadas, conforme o script

No mês de fevereiro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro se encontrou com o Sr. Doug Burleigh, do The Fellowship, organização também conhecida como “A Família”, a mesma que realiza o famoso evento anual chamado “Prayer Breakfast”, ao qual comparecem lideranças políticas e religiosas dos Estados Unidos e de outros países. Assim como vem acontecendo nos Estados Unidos (leia este texto e os links relacionados), políticos de outras nações vêm se aproximando cada vez mais das religiões hegemônicas, ameaçando a laicidade do Estado e mostrando que o script profético vai sendo cumprido à risca. O documentário “The Family”, da Netflix, retrata bem a atuação dessa organização.

Assista aos vídeos abaixo para entender melhor o assunto:

Esta sociedade em que vivemos está sendo desgastada e assolada pelo progressismo permissivista, de modo a fortalecer a aceitação do contra-ataque da extrema-direita religiosa (como o pessoal do “The Family”), colocando na parede aqueles que não concordam nem com a esquerda (por ideologia) nem com a direita (por postura e doutrina). O povo remanescente estará entre a espada e a falsa cruz. Temos que pregar nossa mensagem profética (as três mensagens angélicas) enquanto podemos. Não um evangelho diluído e castrado, como diria George Knight. [MB]

ap 13Dica de leitura: Nesta obra cuidadosamente documentada, você verá o quadro mais amplo de como chegamos onde estamos e ficará convencido da probabilidade do breve cumprimento das profecias do fim dos tempos registradas em Apocalipse 13.

A perigosa (e esperada) aproximação igreja-Estado

Desde a campanha eleitoral, o presidente norte-americano Donald Trump falava em aproximar a igreja do Estado. Chegou a prometer a abolição da Emenda Johnson e vive rodeado de líderes evangélicos, sua maior base de apoio político. Não é de hoje que religião e política se mesclam nos bastidores da política americana, e quem conhece as profecias apocalípticas e já leu o clássico livro O Grande Conflito, de Ellen White, sabe muito bem o que isso tudo significa e aonde isso vai dar. (Sugiro que você assista ao vídeo no fim deste post para ter uma ideia mais clara dos riscos profetizados que rondam o mundo com essa mistura profana entre política e religião.) A esquerda, que já vinha servindo de catalisador para as ações da direita religiosa, com as manifestações ditas “antifascistas”, acaba de colocar mais uma peça no tabuleiro da história. Entenda por quê.

Na terça-feira da semana passada, Trump visitou o monumento em homenagem ao papa João Paulo II, no nordeste de Washington, gerando desconforto entre líderes católicos. “Acho desconcertante e reprovável que um lugar católico possa ser usado e manipulado de maneira a violar os princípios religiosos mais básicos”, disse o arcebispo de Washington, Wilton Gregory, em comunicado. A imagem abaixo, em que o protestante Trump e a esposa (católica) oram no santuário dedicado ao papa agora santo, é pra lá de emblematicamente ecumênica:

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Há um detalhe nisso tudo que talvez passe despercebido aos menos inteirados da história recente; aqueles que não acompanharam a luta velada da Igreja Católica chefiada por João Paulo II contra o comunismo. Karol Wojtyla (nome de batismo do papa polonês) foi um dos maiores inimigos do comunismo no século 20. Nos bastidores, ele fez grandes esforços para o que acabou culminando na derrubada do icônico Muro de Berlim. Assim, ao visitar o santuário do santo católico, Trump como que está tentando trazer à lembrança das pessoas (especialmente dos católicos) uma das causas de Wojtyla, e pedindo apoio para combater os Antifas, movimento que tem suas raízes no comunismo, como já vimos aqui. Sem querer, os esquerdistas (a “corda”) acabaram jogando mais uma vez o Estado (neste momento nas mãos da direita, a “flecha”) nos braços da primeira besta de Apocalipse 13. O fato é que as duas bestas continuarão se aproximando mais e mais, independentemente de quem esteja na cadeira: um presidente democrata ou republicano em Washington, e um papa “ponto fora da curva” de linha comunista em Roma, como Bergoglio. Os nomes podem mudar, mas os poderes representados por eles seguirão cumprindo o papel já previsto. [MB]

Leia também: “Por que governos de direita e a religião crescem no mundo”, “Líderes de extrema-direita reúnem-se secretamente em Fátima”, “‘Nem à esquerda, nem à direita’, explica doutor em Sociologia” e A esquerda é o arco, a direita é a flecha”

A origem do movimento Antifa e seu desalinhamento com os valores cristãos

“O governo sob que Jesus viveu era corrupto e opressivo; clamavam de todo lado os abusos – extorsões, intolerância e abusiva crueldade. Não obstante, o Salvador não tentou nenhuma reforma civil. Não atacou nenhum abuso nacional, nem condenou os inimigos da nação. Não interferiu com a autoridade nem com a administração dos que se achavam no poder. Aquele que foi o nosso exemplo conservou-Se afastado dos governos terrestres. Não porque fosse indiferente às misérias do homem, mas porque o remédio não residia em medidas meramente humanas e externas. Para ser eficiente, a cura deve atingir o próprio homem, individualmente, e regenerar o coração” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 358).

“Não tomeis parte em lutas políticas. Separai-vos do mundo, refreai-vos quanto a introduzir na igreja ou escola idéias que hão de levar a contendas e perturbações. As dissensões são o veneno moral introduzido no organismo pelos seres humanos egoístas” (Ellen G. White, Conselhos para a Igreja, p. 324).

“Existem sobre a terra duas raças humanas e realmente apenas essas duas: a ‘raça’ das pessoas direitas e a das pessoas torpes. Ambas as ‘raças’ estão amplamente difundidas. Insinuam-se e infiltram-se em todos os grupos; não há grupo constituído exclusivamente de pessoas direitas nem unicamente de pessoas torpes. Nesse sentido não existe grupo de ‘raça pura’.” Viktor E. Frankl

“O relatório de 2016 emitido pelo serviço de inteligência nacional da Alemanha, o Escritório Federal para a Proteção da Constituição (BfV), assinala […]: do ponto de vista do extremista de esquerda, o rótulo de ‘fascismo’ usado pelo Antifa muitas vezes não se refere ao fascismo real, mas é meramente um rótulo atribuído ao ‘capitalismo’. Enquanto os extremistas de esquerda afirmam lutar contra o fascismo ao lançar seus ataques contra outros grupos, o relatório afirma que o termo ‘fascismo’ tem um duplo significado sob a ideologia da extrema esquerda, indicando a ‘luta contra o sistema capitalista’. […] ‘O antifascismo é dirigido não apenas contra extremistas de direita reais ou hipotéticos, mas também contra o Estado e seus representantes, em particular contra os membros das autoridades de segurança’ (Escritório Federal da Alemanha para a Proteção da Constituição). […] Como diz Bernd Langer, ex-membro do grupo Antifa Autônomo, ‘o antifascismo é mais uma estratégia do que uma ideologia'” (EpochTimes).

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Membros da organização de extrema-esquerda Antifa fazem saudação com o punho cerrado em 1º de setembro de 1928. A intenção original do grupo era implantar uma ditadura comunista na Alemanha

Como você poderá ver na entrevista abaixo (uma verdadeira aula essencial para este tempo), cristãos nunca cruzaram os braços para as injustiças sociais, como as que foram e são cometidas contra os negros. Os pioneiros adventistas igualmente combateram atrocidades como a escravidão. A co-fundadora da Igreja Adventista (Ellen White) era abolicionista, considerava o racismo um pecado hediondo e chegou a dizer que quem manifestasse racismo deveria ser removido da igreja. No entanto, esses cristãos nunca levantaram o punho contra alguém, nunca atiraram pedras contra a propriedade alheia, não incentivaram o ódio contra essa ou aquela classe, nem empunharam bandeiras anticristãs como a do anarquismo e do comunismo. E por quê? Porque seguiram o mestre Jesus Cristo e procuraram ser como Ele. Leia de novo o texto acima, do livro O Desejado de Todas as Nações, e veja como o Senhor Se portou neste mundo escuro e injusto. Veja como adventismo e movimentos antifascistas de fundo comunista (assim como também o verdadeiro fascismo, o capitalismo selvagem e outros) são como água e óleo. Aí você descobrirá que o melhor que pode fazer pelas pessoas não é incentivar o ódio e a divisão, mas pregar-lhes o evangelho para que elas possam passar pela maior “revolução de todas”: a do coração e da mente. [MB]

Leia também: “Abraços, orações, escudos no chão: policiais mostram apoio às manifestações antirracistas nos EUA”

Finlândia está prestes a tornar o cristianismo ilegal

finlandiaQuase 70% dos finlandeses ainda são membros da Igreja Luterana Nacional. Mas isso não significa que eles são praticantes da fé, pois menos de um terço dos finlandeses atualmente dizem que acreditam em Deus. Essa nação historicamente cristã não apenas deixou a fé, mas iniciou investigações criminais contra cristãos. Apesar de a Constituição finlandesa dizer à igreja nacional para “proclamar uma fé cristã baseada na Bíblia”, a Finlândia está investigando um membro do parlamento por “proclamar sua fé cristã baseada na Bíblia”. Segundo a CBN News, a parlamentar Päivi Maria Räsänen [foto], do Partido Democrata Cristão, está sob duas investigações por supostamente “difamar ou insultar” homossexuais. Ela compartilhou um versículo da Bíblia no Twitter, no ano passado, destinado à Igreja Luterana da Finlândia por promover o estilo de vida homossexual. Päivi Räsänen disse: “No meu tweet, citei diretamente o primeiro capítulo e os versículos 24 a 27 de Romanos e publiquei a figura das passagens da Bíblia.” A passagem condena a homossexualidade.

A promotora geral da Finlândia, Raija Toiviainen, abriu uma segunda investigação sobre um panfleto que Päivi escreveu há 15 anos sobre o casamento cristão bíblico, chamado “Homem e mulher, Ele os criou”. Päivi ficou surpresa com a existência de uma investigação policial sobre seu caso, já que o ensino bíblico é apoiado pela própria constituição finlandesa. “Não achava que isso poderia acontecer. É inacreditável. Foi uma verdadeira surpresa. E meu primeiro pensamento foi: ‘Eles realmente estão indo longe’”, disse Leif Nummela, editor de um jornal cristão e apresentador de TV na Finlândia.

O pastor luterano que publicou o panfleto que Päivi escreveu sobre o casamento cristão também está sob investigação. Päivi disse à CBN News que tudo isso começou em oração quando ela se sentiu guiada pelo Senhor a fazer algo para despertar a Igreja Nacional na Finlândia sobre a questão da homossexualidade. Mas agora ela teme que essa investigação deixe os finlandeses com muito medo de proclamar sua fé. “Estou preocupada que esse caso, a investigação criminal, possa intimidar alguns cristãos e faça com que eles se escondam e se calem”, disse Päivi.

Se condenada, Päivi pode ser multada ou até presa. E Nummela acha que o apoio dos líderes cristãos finlandeses a ela foi fraco. “Se pudéssemos ter 200 mil cristãos dizendo: ‘Isso é horrível, pare de perseguir Päivi Räsänen’, isso teria um enorme impacto”, disse Nummela.

Päivi disse que não tem medo e acredita que Deus tem um plano para a Finlândia. “Estou esperando para ver o que Deus fará, porque quando levantamos orações a Ele podemos saber que Ele fará alguma coisa”, disse Päivi.

(Conexão Política)

Nota: O descanso dominical será motivo de perseguição no futuro, mas a defesa de outra instituição edênica (além do sábado) – o casamento hetemonogâmico – igualmente poderá colocar cristãos na mira das autoridades estatais. O que fazer nesses casos? Atos 5:29 provê a resposta. [MB]

O mais jovem candidato à Casa Branca e a convergência esquerda-direita

Ainda não sabe como se pronuncia Buttigieg, sobrenome de origem maltesa do democrata que surpreendeu no caucus de Iowa? Pergunte em New Hampshire. Pete Buttigieg – para um falante de espanhol, seria algo como búdellech ou bútellech – percorre esse Estado há meses e, na sexta-feira à noite, em uma dessas festas organizadas em bares para acompanhar os debates eleitorais, ficou claro que nesse pedaço da América aprenderam a pronunciá-lo há muito tempo. “Eu o conheci em fevereiro de 2018 pelo meu filho, que o havia descoberto no Facebook. Soubemos que tinha um evento com eleitores aqui em Raymond e fomos ouvi-lo. Me fascinou. Ao terminar, veio nos cumprimentar e eu lhe fiz perguntas difíceis. Em vez de responder rapidamente, pensou durante um bom tempo e respondeu coisas muito meticulosas, muito refletidas. Depois li o livro dele. Eu simplesmente o adoro”, explica Robin Clemens, de 55 anos, no Breezway Pub em Manchester, a cidade mais populosa de New Hampshire. Ao lado dele, um grupo de seguidores ouve extasiado cada intervenção do democrata. E são muitas, porque chegou às primárias desse Estado em um momento em que os ataques dos adversários se multiplicaram depois da vitória em Iowa.

Buttigieg foi a surpresa da corrida democrata quando anunciou sua candidatura. Um homem de 37 anos – agora com 38 – que aspirava a se tornar o primeiro presidente millennial dos Estados Unidos e não tinha mais experiência em gestão pública do que dois mandatos como prefeito de South Bend, uma cidade de Indiana com pouco mais de 100 mil habitantes. Graduado em Harvard, poliglota, muito culto, religioso, veterano militar do Afeganistão e casado com um professor, chegou a essa batalha como uma curiosidade. Agora, a surpreendente vitória no caótico caucus de Iowa na semana passada o posicionou – apesar da polêmica apuração – como um pré-candidato real à presidência.

“Trump capitalizou a irritação daquelas pessoas que não se sentiam ouvidas e as fez votar nele. Pete aponta para as mesmas pessoas que não se sentem ouvidas, porque vem de uma comunidade industrial do Meio-Oeste que viu decair. Ele as ouve e as entende, mas em vez de instigar sua irritação, lhes dá esperança e diz: ‘Vamos ver o que podemos fazer para que você sinta que pertence à comunidade’”, diz McKenzie, voluntária na campanha.

No espectro ideológico da corrida democrata, Buttigieg está em um terreno intermediário entre o centrismo do ex-vice-presidente Joe Biden e a guinada à esquerda dos senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren. Buttigieg defende a possibilidade de uma saúde pública para todos, mas sem eliminar a opção dos seguros privados. Também quer uma universidade pública gratuita para famílias com renda de até 100 mil dólares por ano, mas não com caráter universal.

Dar uma guinada à esquerda ou amarrar o centro. Esse é o grande dilema democrata desta campanha, mas Buttigieg se agita contra essa alternativa. Durante uma viagem em seu ônibus de campanha em novembro, junto a um grupo de jornalistas, disse: “Está claro que os senadores Warren e Sanders apelam para aqueles que têm esse desejo de pureza”, mas “eu simplesmente rejeito a ideia de que se tenha de escolher entre ser corajoso ou unir os norte-americanos, que as políticas corajosas sejam precisamente as que dividem”.

Os tambores revolucionários não soam na campanha de Buttigieg, mas uma melodia de ideais e esperança de ar obamaniano. Para J. Miles Coleman, analista do Center for Politics da Universidade da Virgínia, a comparação é evidente. “Seu apelo aos valores, o otimismo, a elevação do discurso… Também é parecido em seu enfoque de se colocar como uma nova força diante da Washington de sempre”, explica.

O especialista em política Stephen Stronberg resumiu assim em um artigo de opinião publicado nesta semana no The Washington Post: “Buttigieg encontrou a fórmula vencedora óbvia: ser um clone de Obama.” “O que o distingue não é seu programa eleitoral, muito semelhante ao dos outros, mas o fato de fazer que os eleitores sintam que podem apoiá-lo sem necessidade de ir às barricadas ou renunciar aos seus princípios.”

Buttigieg nega o dilema entre coragem e unidade, como Obama negava aquele entre idealismo e pragmatismo. O próprio ex-presidente, no crepúsculo de seu mandato, apontou Buttigieg como um possível futuro presidente democrata em uma entrevista à revista The New Yorker. O ex-prefeito defende a ideia da grande coalizão de eleitores, de diferentes perfis e sensibilidades, que na ocasião levaram à vitória do ex-presidente.

Há argumentos para essa estratégia. Essa campanha, observa Coleman, “será decisiva nos Estados que variam de voto e nos quais Trump venceu em 2016, e lá muitos eleitores se sentirão confortáveis com alguém que não quer eliminar os seguros privados”.

Robin Clemens tem razão. Nas distâncias curtas, Buttigieg – voz grave, rosto infantil – parece meditar muito sobre o que lhe perguntam, responde de forma serena e sempre com ideias profundas. É difícil pegá-lo em uma contradição sobre qualquer assunto e é capaz de fazer perguntas complexas sobre o independentismo catalão ou o Brexit. Como Warren, ele se destaca entre os eleitores mais formados, mas pode ser exaustivo para muitos eleitores que preferem o político que se parece com o vizinho do lado. Sua juventude não fez dele o ídolo juvenil que é Sanders, de 78 anos.

Apesar de seu sucesso em Iowa, Pete Buttigieg é, ao menos por enquanto, o quinto nas pesquisas nacionais. Tem alguns pontos fracos que aparecerão depois de New Hampshire, como suas dificuldades com o voto afro-americano e hispânico. De acordo com uma pesquisa publicada em janeiro pelo The Washington Post e pelo Instituto Ipsos, Buttigieg atrai apenas 2% do apoio da comunidade afro-americana, setor em que Biden lidera com 48%. Tampouco obtém mais de 3% entre os hispânicos, de acordo com outra pesquisa realizada pela Reuters e pelo Ipsos em novembro. Mas a vitória em Iowa e o bom resultado que se prevê em New Hampshire – está em segundo lugar nas pesquisas, com 22,5%, atrás de Sanders, com 26% – podem lhe dar um impulso. As provas de fogo chegarão muito em breve, nos próximos caucus de 22 de fevereiro em Nevada e do dia 29 na Carolina do Sul, com um peso enorme da população hispânica e afro-americana, respectivamente.

Se a corrida de Barack Obama enfrentou a dúvida de saber se os Estados Unidos poderiam votar no primeiro presidente negro da história, a de Buttigieg enfrenta a questão do primeiro abertamente homossexual. O jovem político se deparou com situações ofensivas que lembram que ainda há muito a normalizar. Nesta semana, em um programa, mostraram-lhe o vídeo de uma mulher de Iowa que acabara de votar nele, mas que pretendia retirar seu apoio ao saber que era casado com um homem. O pré-candidato respondeu: “Eu postulo para ser presidente dela também, é claro que gostaria que visse que meu amor é igual ao amor dela pelos seus, e meu casamento, tão importante para mim quanto o dela para ela, se for casada. Mas, se não for assim, se eu for presidente me levantarei todas as manhãs para tentar tomar as melhores decisões para ela e para as pessoas que ela ama.”

Clemens admite que será difícil vê-lo conseguir a indicação para ser o político democrata que enfrente e, mais ainda, derrote Trump em novembro. “Trump é o que está na disputa para renovar o mandato [o que historicamente oferece mais possibilidades de vitória], tem muitos seguidores… Mas acredito que quando a América o conhecer, vai se apaixonar por ele”, insiste. Por enquanto, os norte-americanos já aprenderam a pronunciar Buttigieg.

(El País)

Nota do designer Flávio Carvalho: “Essa é uma avaliação do discurso envolvente do candidato millennium à Casa Branca, o religioso Pete Buttigieg. ‘Seu apelo aos valores, o otimismo, a elevação do discurso… Também é parecido em seu enfoque de se colocar como uma nova força diante da Washington de sempre.’ Apelo aos valores é mais um elemento comum com os conservadores direitistas. Acontece que Pete Buttigieg é democrata (ou o que se entenderia como esquerda nos EUA). E mais um detalhe: ele é casado com um professor. Duas faces da mesma moeda. Claro, talvez ele nem chegue a concorrer à presidência, mas o discurso já nos fala muito sobre o que os dois lados da moeda falam, e o quanto eles estão se tornando cada vez mais semelhantes.”

Nota do pastor Sérgio Santeli: “Palavra-chave encontrada nesse texto: ‘coalizão’, sinônimo para nós aqui de ‘convergência’. No fim, Democratas e Republicanos morrerão juntos, abraçados com Roma papal. Ainda é cedo para prever, mas na segunda rodada (última terça-feira), Sanders ganhou com vantagem mínima de Buttigieg, mas, na prática, ambos abocanharam nove delegados cada, ou seja, empataram. Vamos aguardar…”

O vídeo acima mostra a Teologia do Domínio + a Teologia Dispensacionalista que se infiltraram no protestantismo norte-americano e formaram uma opinião pública evangélica capaz de cumprir os eventos de Apocalipse 13 e Daniel 11:40-45.