“Nem à esquerda, nem à direita”, explica doutor em Sociologia

thadeuA crescente discussão, amplificada pelas mídias sociais, sobre direita e esquerda, é intensa nos meios cristãos e tem gerado uma imediata polarização. De um lado, os que defendem determinada ideologia considerada de esquerda e, de outro, os que defendem ideais atribuídos a um conceito de direita. A Agência Adventista Sul-Americana (ASN) resolveu conversar sobre essa temática com Thadeu de Jesus e Silva Filho, bacharel, mestre e doutor em Sociologia e atual diretor de Arquivo, Estatística e Pesquisa da sede sul-americana adventista.

Hoje se discute muito no mundo inteiro a polarização entre os que defendem ideologias ditas de esquerda e de direita. Sob o ponto de vista sociológico, o que essa polarização significa e mesmo esses dois lados como podem ser compreendidos?

O início do debate político “direita x esquerda” tem data, lugar e cenário conhecidos: fim do século XVIII na França, momento conhecido como Revolução Francesa. Tão logo foi instaurada a assembleia constituinte de 1789, os favoráveis à manutenção do poder do rei sentaram do lado direito do presidente para não se misturarem aos adeptos à revolução, fazendo com que o lado esquerdo do parlamento passasse a ser o lugar da causa dos menos favorecidos e que precisam quase que completamente do atendimento do Estado, e o direito, o de manutenção da situação de elitismo.

[Continue lendo e compreenda as implicações dessas ideias na igreja.]

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Trump visita o papa e ganha a Laudato Si de presente

trump-papa2O presidente dos EUA, Donald Trump, se reuniu nesta quarta-feira (24) com o papa Francisco no Vaticano. Após cumprimentos tensos, os dois líderes pareciam estar mais relaxados após conversa em particular por cerca de 30 minutos. Francisco pediu a Trump que aja como um pacificador no mundo. “Não irei me esquecer do que você disse”, respondeu o líder norte-americano. O republicano presenteou Francisco com uma caixa com livros de Martin Luther King. “Acho que você vai gostar deles, espero que goste”, disse. Já o papa deu a Trump uma pequena escultura de uma oliveira e disse que aquele era um símbolo da paz. “Espero que você se torne uma oliveira e construa a paz”, disse o papa em espanhol, sendo traduzido por um intérprete. “Podemos usar um pouco de paz”, respondeu Trump. O americano também recebeu e prometeu ler dois textos de Francisco sobre paz e proteção ambiental [um deles, a encíclica Laudato Si, na qual o papa apresenta o descanso dominical como uma das soluções para o problema do aquecimento global]. O presidente estava acompanhado da primeira-dama, Melania Trump, de sua filha mais velha, Ivanka, e de outros membros da delegação do governo dos EUA. Foi a primeira vez que Trump e o papa se encontraram.

No passado, o pontífice fez críticas à retórica belicosa do republicano. Em maio deste ano o papa disse “sentir vergonha da mãe de todas as bombas”, nome dado ao explosivo mais potente do arsenal não nuclear dos EUA, usado pelo governo Trump para atacar terroristas no Afeganistão. No ano passado, durante a campanha eleitoral nos EUA, Francisco criticou a proposta de Trump de construir um muro na fronteira com o México. Ele disse na época que “buscar salvadores que nos defendam com muros é perigoso”. Com a ida ao Vaticano, o presidente norte-americano encerra seu giro pelos centros das três principais religiões monoteístas – ele passou nos últimos dias pela Arábia Saudita, onde se reuniu com líderes islâmicos, o por Israel. […]

(Folha.com)

trumpNota: Segundo matéria publicada no portal G1, Trump afirmou ter saído da audiência com o papa “mais determinado do que nunca a buscar a paz”. “Honra única na vida encontrar Sua Santidade o papa Francisco. Deixo o Vaticano mais determinado do que nunca a buscar a paz em nosso mundo”, escreveu Trump em seu Twitter. Nada como interesses comuns para fazer com que dois líderes antes discordantes se tornem aliados. E bastante significativo o presente do papa ao presidente norte-americano. Quem sabe, lendo a Laudato Si, Trump se converta no novo defensor do ECOmenismo. Afinal, ele já mudou de opinião tantas vezes em tão poucos meses de governo… [MB]

Assista a um vídeo de Filipe Reis, que faz um bom apanhado das notícias relacionadas com a recente viagem de Trump:

E aqui um recado de Leandro Quadros, para ajudar a equilibrar o assunto:

Trump buscará unir povos de todas as religiões

trumpEm sua primeira viagem oficial como presidente ao exterior, o presidente norte-americano Donald Trump vai “buscar unir muçulmanos, judeus e cristãos” em um esforço para combater o terrorismo, afirmou [na] sexta-feira (12) o conselheiro de Segurança Nacional do governo americano, H. R. McMaster. Na sexta-feira (19), Trump viajará para Arábia Saudita, Israel e Itália. Na visita a Israel, ele vai enfatizar os “laços inabaláveis” com o país e seu desejo por “dignidade e autodeterminação” para os palestinos, afirmou McMaster. Na Arábia Saudita, vai “encorajar as autoridades a promover a paz e confrontar o caos e a violência”, disse. Na viagem, o presidente norte-americano também vai reafirmar seu compromisso com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), completou. Na Itália, Trump se reunirá com o papa Francisco.

(G1 Notícias)

Nota: Muitíssimo interessante a escolha dos países para essa primeira viagem do presidente dos Estados Unidos ao exterior. Assim, ele mantém contato com os mundos islâmico, judeu e católico. E assim Trump se alinha com os interesses do próprio papa, cujo objetivo, entre outros, é o de promover exatamente a união das religiões. Só falta, agora, Francisco convencer Trump a respeito do ECOmenismo (confira aqui), o que não pode ser descartado, já que o magnata tem mudado de opinião com certa facilidade, desde que assumiu a presidência. O protagonismo e o caráter quase messiânico dessas duas figuras importantes fica cada vez mais evidente. Em sua recente viagem a Portugal, o papa Francisco valorizou o culto à Virgem de Fátima, com sua inegável relação positiva com os islâmicos (confira aqui) e evidenciou também um alegado milagre atribuído à santa (confira), o que não podia faltar, claro. A palavra de ordem é “união”, e os “desalinhados” não terão lugar nesse novo mundo. [MB]

Trump visitará o papa e assina decreto que enfraquece separação igreja-Estado

papa trump[Não, o decreto do título acima não é o dominical, ainda.] A Santa Sé confirmou nesta quinta-feira que o papa Francisco receberá no Vaticano, em 24 de maio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que depois se reunirá com o secretário de Estado vaticano, o cardeal Pietro Parolin. A Santa Sé explicou em um comunicado que o encontro entre o papa e Trump está previsto para às 8h30 local (3h30, em Brasília) e acontecerá no Palácio Apostólico vaticano. Após a reunião, o governante norte-americano conversará, como é habitual, com o secretário de Estado vaticano, o cardeal Parolin, e com o secretário vaticano de Relações com os Estados, Paul Gallagher. Trump será recebido pelo papa dois dias antes dos chefes de Estado e de Governo do G7, que se reunirão em uma cúpula entre 26 e 27 de maio na cidade siciliana de Taormina (sul). Em 29 de abril, o papa Francisco afirmou sua disponibilidade para receber Trump, como qualquer outro chefe de Estado que solicitar, durante o voo de volta a Roma procedente do Cairo. (Terra)

A Casa Branca deu detalhes dessa primeira viagem oficial de Trump, que inclui mais do que a sede papal. O presidente norte-americano visitará, nesta ordem: Arábia Saudita (interesses petrolífero$, evidentemente), Israel (afago no parceiro número um) e Vaticano (pedir a bênção do papa). Mais parece uma peregrinação religiosa: Islã, Judaísmo e Catolicismo…

Hoje Trump assinou um decreto para aliviar restrições de atividades políticas a organizações religiosas, que são isentas de impostos. O plano era esperado por políticos conservadores desde a posse do republicano, por ser uma promessa antiga de campanha. O principal ponto da ordem executiva deve ser o fim da Emenda Johnson, uma seção do código fiscal que proíbe organizações isentas de taxas, como as igrejas, de apoiarem candidatos políticos abertamente ou financeiramente [o vídeo abaixo tem mais detalhes sobre o assunto]. O fim da regra, em vigor desde 1954, significa uma grande vitória para a direita cristã americana, que apoiou Trump durante a campanha. Mesmo com o decreto, porém, a mudança precisará ser aprovada pelo Congresso. Em fevereiro, o presidente afirmou que “se livraria totalmente” da emenda, com a justificativa de que “a liberdade religiosa é um direito sagrado, mas que está sob séria ameaça”. Sua posição é oposta à intenção inicial da lei, que foi vista como mais um avanço em prol da separação entre Igreja e Estado, quando criada. É esperado que Trump também instrua o procurador-geral Jeff Sessions a iniciar um processo para definir “novas diretrizes” sobre como as agências do governo devem lidar com crenças religiosas em diversas esferas do governo, de acordo com fontes da Presidência. Entre as questões mais recentes está o fim de uma regra que exige que planos de saúde incluam cobertura para métodos contraceptivos. (Veja.com)

E assim vemos Trump se aproximando do papa e se intrometendo em assuntos religiosos nos Estados Unidos, diminuindo, assim, a separação entre a igreja e o Estado. O homem se alinha com a direita cristã (conservadora e dominguista) e adora um decreto… [MB]

Rússia proíbe atividades das testemunhas de Jeová e confisca suas propriedades

testemunhasSuprema Corte da Rússia proibiu nesta quinta-feira (20) a atuação da organização Testemunhas de Jeová, de acordo com a agência France Presse. O ministério da Justiça russo havia apresentado uma ação no Supremo Tribunal considerando as Testemunhas de Jeová “uma ameaça para os direitos das pessoas, da ordem pública e da segurança pública”. O juiz Yury Ivanenko afirmou na sentença que a organização “deverá entregar à Federação russa suas propriedades”. Um líder russo das Testemunhas de Jeová, Iaroslav Sivoulski, declarou estar “chocado” com a decisão dos juízes e anunciou que a organização religiosa vai apelar. “Não pensava que algo assim poderia acontecer na Rússia moderna, onde a Constituição garante a liberdade de religião”, disse ele. Em março, o Ministério da Justiça já tinha suspendido as atividades do grupo, acusado de armazenar e difundir literatura religiosa de caráter extremista. Na ocasião, o Centro de Direção das Testemunhas de Jeová na Rússia, que dirige todas as filiais regionais e locais da comunidade religiosa, foi incluído na lista de organizações não governamentais e religiosas que foram suspensas por extremismo.

O porta-voz das Testemunhas de Jeová na Rússia, Ivan Belenko, denunciou na época à agência Efe que a decisão das autoridades russas privaria do direito à liberdade ao culto os 175 mil seguidores que dessa comunidade no país. “Todas as decisões judiciais contra nós se baseiam em uma única acusação: que alguns de nossos livros e discursos estão na lista de literatura extremista que existe neste país”, explicou Belenko.

Belenko afirmou que as decisões de incluir algumas publicações na lista negra “foram tomadas com base em opiniões de falsos especialistas e sentenças judiciais ditadas às costas dos crentes”, ainda segundo a Efe.

O grupo religioso possui 395 centros em todo o país e já travou várias disputas com as autoridades russas nos últimos anos. Em janeiro, o líder da organização na cidade de Dzerzhinsk foi multado por distribuir material considerado extremista pelas autoridades. O governo russo dissolveu em 2004 um ramo da organização, uma decisão que a Corte Europeia de Direitos Humanos considerou em 2010 em violação aos direitos da religião e associação.

(G1 Notícias)

Nota: A liberdade religiosa está seriamente ameaçada na Rússia (e nos países que lhe seguirem o exemplo). Embora possuam crenças e práticas um tanto extravagantes, as testemunhas de Jeová não representam perigo para ninguém. Quem não quiser concordar com elas é só não fazer isso. Quem não quiser ler seus livros e suas revistas é só não ler. E quem não quiser conversar com elas quando lhe batem à porta também tem essa liberdade. Testemunhas de Jeová não se explodem por aí nem organizam atentados terroristas. Testemunhas de Jeová não são pessoas violentas que ameacem a segurança de um país. São cidadãos ordeiros e pacíficos, e merecem estar amparados pelo direito de liberdade religiosa, tanto quanto os cristãos ortodoxos russos e membros de outras igrejas. Se os métodos e a literatura das testemunhas são considerados ofensivos e ameaçadores, essa decisão da Suprema Corte russa abre um precedente que acabará por incluir outras religiões no “pacote”. Assista ao vídeo abaixo para entender o que estou falando. [MB]