Daniel 7: do mar tempestuoso às nuvens do Céu

daniel 7Recomendação de Jesus: “Quem lê [Daniel], entenda!” (Mt 24:15; Mc 13:14). É a partir do capítulo 7 de Daniel que essa advertência começa a fazer cada vez mais sentido. Muitas interpretações equivocadas desse livro têm levado pessoas ao erro e ao fanatismo. O capítulo 2 também contém uma profecia simbólica, mas a partir da segunda metade do livro (capítulos 7-12) os símbolos começam a ficar cada vez mais complexos e precisam ser compreendidos sob a luz das Escrituras, para que não ganhem interpretações particulares. Quem lê Daniel, que entenda!

 Perguntas para discussão em grupo

 Quebra-gelo: Por que os cristãos genuínos não devem ter medo do juízo celestial? (ver João 3:18, 19; 5:24)

Em sua opinião, por que Deus revelou o futuro a Daniel (e também a João, no Apocalipse) em forma de símbolos, em vez de simplesmente usar a linguagem literal?

Leia Daniel 7:1-10. Ao se interpretar a simbologia profética conforme as pistas fornecidas pela própria Bíblia (ex.: Dn 7:16, 17; Jr 51:1; Zc 7:14; Ap 17:15), o que significa a visão na qual os “ventos do céu” agitavam o “grande mar” enquanto diferentes “animais” emergiam dele? (R.: A visão representa a ascensão e queda dos grandes reinos e poderes que se sucederam ao longo da História por meio de guerras, revoluções e agitações políticas entre as nações e os povos do mundo antigo. Tais reinos e poderes são: Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma pagã, representados pelos quatro animais; a Europa dividida representada pelos dez chifres; o poder papal representado pelo “chifre pequeno”; os três “chifres” arrancados pelo chifre pequeno foram os Vândalos, os Hérulos e os Ostrogodos, estes últimos derrotados pelo poder papal no ano 538 d.C.)

Diferentemente dos reinos anteriores, por que Roma não foi representada por algum animal conhecido, mas, sim, por um animal “terrível e espantoso” (7:7, 19)?

Leia Daniel 7:7, 8, 24, 25. Note que o poder representado por um “chifre pequeno” emerge do “animal terrível e espantoso” (Roma), sendo, portanto, uma “extensão” dele. Compare as características desse poder com as do “homem do pecado” de 2 Tessalonicenses 2:1-12. Como as duas descrições se aplicam perfeitamente ao papado romano medieval? O que Deus quer nos dizer com essa revelação?

Leia novamente Daniel 7:8. O que significa o fato de que o “chifre pequeno”, diferentemente dos outros, tinha “olhos e boca? (R.: Diferentemente dos outros poderes, o poder papal era representado por uma pessoa apenas. Era diferente dos outros por ter se apropriado do cristianismo para exercer seu poder.)

 Leia Daniel 7:25. Em que sentido o “chifre pequeno” mudaria “os tempos e a lei”?

O que o cumprimento preciso dessas profecias bíblicas lhe diz?

Leia Daniel 7:9, 10. Após a visão dos “animais” (reinos) que se seguiriam, e de toda a perseguição e sofrimento promovidos pelo “chifre pequeno” (o poder papal) contra os cristãos, Daniel vê uma cena de juízo no Céu: “assentou-se o tribunal, e abriram-se os livros”. Em sua opinião, qual é o propósito de se descrever o juízo celestial nesse momento da visão? Qual é a importância desse juízo para os cristãos?

Leia Daniel 7:21, 22, 26, 27. De que forma o juízo beneficia o povo de Deus?

Note que em Daniel 7:13, 14 o “Filho do Homem” se dirige “nas nuvens do céu” não à Terra, mas ao “Ancião de Dias”, o grande Juiz do tribunal celeste. O que significa isso? Agora leia Marcos 14:62. Por que Jesus usou os mesmos termos de Daniel 7:13 para Se referir à Sua segunda vinda? (R.: Provavelmente para afirmar que Ele próprio é o Filho do Homem mencionado em Daniel 7.)

 Sabendo que Jesus é o nosso Advogado no santuário celestial, como devemos viver enquanto Ele nos defende? (João 5:24; Rm 8:1; Tg 2:12)

Notas:

 Sobre o tempo de perseguição indicado por “um tempo, tempos, e metade de um tempo” (Dn 7:25). “Tempo”, no contexto profético, significa “ano” (ver Dn 4:32; 11:13). Portanto, a expressão “tempo, tempos e metade de um tempo” é o mesmo que “[um] ano + [dois] anos + metade de um ano”, ou seja, três anos e meio proféticos. Contudo, devem ser considerados anos com 12 meses de 30 dias, resultando em anos de 360 dias cada. Com isso em mente, entende-se por que as Escrituras usam três expressões diferentes para se referir ao mesmo período profético: “três anos e meio” (Dn 7:25; 12:7; Ap 12:14), ou “1.260 dias” (Ap 11:3; 12:6), ou ainda “42 meses” (Ap 11:2; 13:5). Além disso, deve-se considerar que em profecias simbólicas cada “dia” equivale a um ano literal (Nm 14:34; Ez 4:5-7). Portanto, esse período se refere precisamente a 1.260 anos literais de perseguição sofrida pelos cristãos que preferiam ser fiéis às Escrituras e não à religião romana. Esse período se iniciou no ano 538 d.C., quando o imperador Justiniano oficializou por decreto que o bispo de Roma seria superior a todos os outros (um “papa”), e foi até o ano 1798, quando Napoleão mandou prender o papa Pio VI.

Sobre a identidade do “chifre pequeno” de Daniel 7. Apesar de a maioria dos estudiosos tentar encaixar o rei Antíoco Epifânio como sendo o “chifre pequeno” da profecia de Daniel, ele não preenche os requisitos. É fato que ele foi um dos piores tiranos de todos os tempos e que profanou o templo em Jerusalém ao colocar uma estátua de Zeus sobre o altar de sacrifícios e lhe sacrificar um porco. Mas seu período de perseguição (contra os judeus) durou apenas três anos literais (de 168 a 165 a.C.). Além disso, cerca de dois séculos depois da morte de Antíoco Epifânio, o apóstolo Paulo retratou o “homem da perdição” como ainda estando no futuro (2Ts 2:3-6). O papado, por outro lado, preenche todas as condições para ser identificado com o chifre pequeno de Daniel.

Sobre o “Filho do Homem” de Daniel 7:13, 14. A cena do “Filho do Homem” envolto nas “nuvens” retrata o famoso Dia da Expiação (yom kippur), conforme vemos em Levítico 16, quando o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo envolto na fumaça do incensário que trazia junto de si. Representando Jesus Cristo, nesse dia o sumo sacerdote intercedia pelo povo colocando-se diante da glória visível de Deus (o shekinah) que aparecia sobre a arca do testemunho no lugar santíssimo. Essa era a própria representação de Jesus entrando diante do trono de Deus em favor de toda a humanidade para iniciar o juízo pré-advento. Esse processo se iniciou no ano 1844, conforme veremos nas lições das próximas semanas.

Sobre o juízo dos vivos e o fechamento do tempo de graça. Na lição da Escola Sabatina desta semana, na edição do professor, há um trecho polêmico que precisa ser esclarecido. Ali é dito que “o juízo dos vivos só acontecerá quando terminar o tempo da graça”. O termo “acontecerá” não quer dizer que o juízo dos vivos se iniciará nessa ocasião, mas que então será definido o veredito deles. O juízo dos vivos, que os condena ou os liberta, se dará no exato momento em que os livros, que haviam sido abertos no início do juízo (Dn 7:10) serão fechados (termo que chamamos de “fechamento do tempo de graça”). Enquanto esses livros ainda estão abertos, os vivos têm a oportunidade de escolher se converter ou apostatar. Por isso não é possível que o juízo dos vivos seja concluído enquanto tais livros estão abertos. O tempo de graça se encerra exatamente quando Cristo fechar os livros do juízo ao sair do santuário celestial para voltar à Terra. Nessa ocasião, cada caso terá sido decidido definitivamente, sem possibilidade de mudança. Por isso, no exato momento em que os livros de juízo são fechados, é proclamado: “Continue o injusto a praticar injustiça; continue o imundo na imundícia; continue o justo a praticar justiça; e continue o santo a santificar-se” (Ap 22:11, NVI).

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Daniel 6: da cova dos leões à cova do anjo

daniel 6Os invejosos presidentes e governadores do império não puderam encontrar nenhuma acusação contra Daniel “a respeito do reino” (Dn 6:4), ou seja, em relação aos seus serviços como alto oficial. Mas como sabiam que ele jamais cederia em nenhum ponto de sua religião, transformaram um desses pontos (a oração) em um crime de morte. Sabiam que sua fidelidade era tão grande que dessa forma ele certamente seria destruído.

Perguntas para discussão em grupo

Quebra-gelo: De que forma um cristão que ingresse na vida política pode ser um “Daniel” contra o qual não se encontre nenhuma acusação?

Leia Daniel 6:6-9. Hoje em dia esse tipo de decreto seria impraticável. Mas que tipos de situações modernas têm proposto “substitutos” para Deus e nos impedido de orar? (R.: Grande tempo dedicado às redes sociais, “maratonas” de filmes e séries, teorias evolucionistas, tradições, vãs filosofias [Cl 2:8], etc.). Como podemos permanecer fiéis?

Compare Daniel 6:10 com Mateus 6:6. Por que Daniel simplesmente não orou com as janelas fechadas? Assim não teria tido problemas! (R.: Essa era uma situação crítica em que o nome de Deus estava sendo afrontado. E se Daniel morresse como um mártir por ter sido fiel, isso também teria impressionado o coração do rei Dario, e talvez até lhe conquistado para o Deus verdadeiro, para Quem vale a pena ser fiel mesmo diante da morte.)

 Daniel cometeu um suposto “crime” ao desobedecer a uma lei civil. Veja estes versos sobre como Deus espera que os cristãos sejam bons cidadãos: Romanos 13:1-4; 1 Timóteo 2:1-3; 1 Pedro 2:17. No entanto, até que ponto devemos ser obedientes às autoridades e leis governamentais? (Veja Atos 5:27-29.) Por quê?

Se alguma lei civil tornasse sua religião “fora-da-lei”, e você fosse levado às autoridades civis por causa de sua fidelidade, o que você diria? Por que você permaneceria fiel? (Veja Mateus 10:18-20; Marcos 13:11.)

Depois que o rei Dario viu que foi ludibriado, e contra sua vontade teve que obedecer ao seu próprio decreto, veja o que ele disse a Daniel em 6:16. O que essas palavras revelam? (R.: Certamente a fidelidade e a influência positiva de Daniel já estavam impressionando o rei a respeito do Deus verdadeiro.)

 Leia Daniel 6:24. Por que esse texto é tão perturbador? Que verdades importantes temos que lembrar ao ler essas palavras? (R.: A Bíblia não aprova tudo o que ela relata; há situações que são apenas descritivas, mas não prescritivas; esse texto, por exemplo, apenas relata fielmente qual foi a decisão do rei, não a de Deus. Conforme Deuteronômio 24:16, na justiça de Deus jamais um parente deve ser punido pelo pecado de alguém. Deus não pode cometer injustiça.)

No capítulo 11 de Hebreus, chamado de “galeria da fé”, há uma menção ao livramento de Daniel (verso 33). Mas também encontramos referências a outros heróis que acabaram morrendo por sua fé (versos 36-38). Em sua opinião, por que Deus chama alguns para testemunhar por meio de sua vida, e outros por meio de sua morte?

Responda esta questão apenas para si mesmo, em um momento de reflexão: imagine uma situação em que você é levado ao tribunal sob a acusação de “ser um cristão”. Haveria provas suficientes para lhe condenar? O que o peso das testemunhas e do “advogado promotor (acusador)” diriam contra você?

Pense bem nisto: as pessoas que lhe conhecem bem acreditam que você defenderia sua fé, mesmo que isso lhe custasse o emprego ou até mesmo a vida? Por quê?

Com a ajuda do Senhor, como você pode desenvolver mais as mesmas características de Daniel?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

O mais jovem candidato à Casa Branca e a convergência esquerda-direita

peteAinda não sabe como se pronuncia Buttigieg, sobrenome de origem maltesa do democrata que surpreendeu no caucus de Iowa? Pergunte em New Hampshire. Pete Buttigieg – para um falante de espanhol, seria algo como búdellech ou bútellech – percorre esse Estado há meses e, na sexta-feira à noite, em uma dessas festas organizadas em bares para acompanhar os debates eleitorais, ficou claro que nesse pedaço da América aprenderam a pronunciá-lo há muito tempo. “Eu o conheci em fevereiro de 2018 pelo meu filho, que o havia descoberto no Facebook. Soubemos que tinha um evento com eleitores aqui em Raymond e fomos ouvi-lo. Me fascinou. Ao terminar, veio nos cumprimentar e eu lhe fiz perguntas difíceis. Em vez de responder rapidamente, pensou durante um bom tempo e respondeu coisas muito meticulosas, muito refletidas. Depois li o livro dele. Eu simplesmente o adoro”, explica Robin Clemens, de 55 anos, no Breezway Pub em Manchester, a cidade mais populosa de New Hampshire. Ao lado dele, um grupo de seguidores ouve extasiado cada intervenção do democrata. E são muitas, porque chegou às primárias desse Estado em um momento em que os ataques dos adversários se multiplicaram depois da vitória em Iowa.

Buttigieg foi a surpresa da corrida democrata quando anunciou sua candidatura. Um homem de 37 anos – agora com 38 – que aspirava a se tornar o primeiro presidente millennial dos Estados Unidos e não tinha mais experiência em gestão pública do que dois mandatos como prefeito de South Bend, uma cidade de Indiana com pouco mais de 100 mil habitantes. Graduado em Harvard, poliglota, muito culto, religioso, veterano militar do Afeganistão e casado com um professor, chegou a essa batalha como uma curiosidade. Agora, a surpreendente vitória no caótico caucus de Iowa na semana passada o posicionou – apesar da polêmica apuração – como um pré-candidato real à presidência.

“Trump capitalizou a irritação daquelas pessoas que não se sentiam ouvidas e as fez votar nele. Pete aponta para as mesmas pessoas que não se sentem ouvidas, porque vem de uma comunidade industrial do Meio-Oeste que viu decair. Ele as ouve e as entende, mas em vez de instigar sua irritação, lhes dá esperança e diz: ‘Vamos ver o que podemos fazer para que você sinta que pertence à comunidade’”, diz McKenzie, voluntária na campanha.

No espectro ideológico da corrida democrata, Buttigieg está em um terreno intermediário entre o centrismo do ex-vice-presidente Joe Biden e a guinada à esquerda dos senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren. Buttigieg defende a possibilidade de uma saúde pública para todos, mas sem eliminar a opção dos seguros privados. Também quer uma universidade pública gratuita para famílias com renda de até 100 mil dólares por ano, mas não com caráter universal.

Dar uma guinada à esquerda ou amarrar o centro. Esse é o grande dilema democrata desta campanha, mas Buttigieg se agita contra essa alternativa. Durante uma viagem em seu ônibus de campanha em novembro, junto a um grupo de jornalistas, disse: “Está claro que os senadores Warren e Sanders apelam para aqueles que têm esse desejo de pureza”, mas “eu simplesmente rejeito a ideia de que se tenha de escolher entre ser corajoso ou unir os norte-americanos, que as políticas corajosas sejam precisamente as que dividem”.

Os tambores revolucionários não soam na campanha de Buttigieg, mas uma melodia de ideais e esperança de ar obamaniano. Para J. Miles Coleman, analista do Center for Politics da Universidade da Virgínia, a comparação é evidente. “Seu apelo aos valores, o otimismo, a elevação do discurso… Também é parecido em seu enfoque de se colocar como uma nova força diante da Washington de sempre”, explica.

O especialista em política Stephen Stronberg resumiu assim em um artigo de opinião publicado nesta semana no The Washington Post: “Buttigieg encontrou a fórmula vencedora óbvia: ser um clone de Obama.” “O que o distingue não é seu programa eleitoral, muito semelhante ao dos outros, mas o fato de fazer que os eleitores sintam que podem apoiá-lo sem necessidade de ir às barricadas ou renunciar aos seus princípios.”

Buttigieg nega o dilema entre coragem e unidade, como Obama negava aquele entre idealismo e pragmatismo. O próprio ex-presidente, no crepúsculo de seu mandato, apontou Buttigieg como um possível futuro presidente democrata em uma entrevista à revista The New Yorker. O ex-prefeito defende a ideia da grande coalizão de eleitores, de diferentes perfis e sensibilidades, que na ocasião levaram à vitória do ex-presidente.

Há argumentos para essa estratégia. Essa campanha, observa Coleman, “será decisiva nos Estados que variam de voto e nos quais Trump venceu em 2016, e lá muitos eleitores se sentirão confortáveis com alguém que não quer eliminar os seguros privados”.

Robin Clemens tem razão. Nas distâncias curtas, Buttigieg – voz grave, rosto infantil – parece meditar muito sobre o que lhe perguntam, responde de forma serena e sempre com ideias profundas. É difícil pegá-lo em uma contradição sobre qualquer assunto e é capaz de fazer perguntas complexas sobre o independentismo catalão ou o Brexit. Como Warren, ele se destaca entre os eleitores mais formados, mas pode ser exaustivo para muitos eleitores que preferem o político que se parece com o vizinho do lado. Sua juventude não fez dele o ídolo juvenil que é Sanders, de 78 anos.

Apesar de seu sucesso em Iowa, Pete Buttigieg é, ao menos por enquanto, o quinto nas pesquisas nacionais. Tem alguns pontos fracos que aparecerão depois de New Hampshire, como suas dificuldades com o voto afro-americano e hispânico. De acordo com uma pesquisa publicada em janeiro pelo The Washington Post e pelo Instituto Ipsos, Buttigieg atrai apenas 2% do apoio da comunidade afro-americana, setor em que Biden lidera com 48%. Tampouco obtém mais de 3% entre os hispânicos, de acordo com outra pesquisa realizada pela Reuters e pelo Ipsos em novembro. Mas a vitória em Iowa e o bom resultado que se prevê em New Hampshire – está em segundo lugar nas pesquisas, com 22,5%, atrás de Sanders, com 26% – podem lhe dar um impulso. As provas de fogo chegarão muito em breve, nos próximos caucus de 22 de fevereiro em Nevada e do dia 29 na Carolina do Sul, com um peso enorme da população hispânica e afro-americana, respectivamente.

Se a corrida de Barack Obama enfrentou a dúvida de saber se os Estados Unidos poderiam votar no primeiro presidente negro da história, a de Buttigieg enfrenta a questão do primeiro abertamente homossexual. O jovem político se deparou com situações ofensivas que lembram que ainda há muito a normalizar. Nesta semana, em um programa, mostraram-lhe o vídeo de uma mulher de Iowa que acabara de votar nele, mas que pretendia retirar seu apoio ao saber que era casado com um homem. O pré-candidato respondeu: “Eu postulo para ser presidente dela também, é claro que gostaria que visse que meu amor é igual ao amor dela pelos seus, e meu casamento, tão importante para mim quanto o dela para ela, se for casada. Mas, se não for assim, se eu for presidente me levantarei todas as manhãs para tentar tomar as melhores decisões para ela e para as pessoas que ela ama.”

Clemens admite que será difícil vê-lo conseguir a indicação para ser o político democrata que enfrente e, mais ainda, derrote Trump em novembro. “Trump é o que está na disputa para renovar o mandato [o que historicamente oferece mais possibilidades de vitória], tem muitos seguidores… Mas acredito que quando a América o conhecer, vai se apaixonar por ele”, insiste. Por enquanto, os norte-americanos já aprenderam a pronunciar Buttigieg.

(El País)

Nota do designer Flávio Carvalho: “Essa é uma avaliação do discurso envolvente do candidato millennium à Casa Branca, o religioso Pete Buttigieg. ‘Seu apelo aos valores, o otimismo, a elevação do discurso… Também é parecido em seu enfoque de se colocar como uma nova força diante da Washington de sempre.’ Apelo aos valores é mais um elemento comum com os conservadores direitistas. Acontece que Pete Buttigieg é democrata (ou o que se entenderia como esquerda nos EUA). E mais um detalhe: ele é casado com um professor. Duas faces da mesma moeda. Claro, talvez ele nem chegue a concorrer à presidência, mas o discurso já nos fala muito sobre o que os dois lados da moeda falam, e o quanto eles estão se tornando cada vez mais semelhantes.”

Nota do pastor Sérgio Santeli: “Palavra-chave encontrada nesse texto: ‘coalizão’, sinônimo para nós aqui de ‘convergência’. No fim, Democratas e Republicanos morrerão juntos, abraçados com Roma papal. Ainda é cedo para prever, mas na segunda rodada (última terça-feira), Sanders ganhou com vantagem mínima de Buttigieg, mas, na prática, ambos abocanharam nove delegados cada, ou seja, empataram. Vamos aguardar…”

O vídeo acima mostra a Teologia do Domínio + a Teologia Dispensacionalista que se infiltraram no protestantismo norte-americano e formaram uma opinião pública evangélica capaz de cumprir os eventos de Apocalipse 13 e Daniel 11:40-45.

Daniel 5: da arrogância à destruição

daniel 5O rei Belsazar promovia uma grande festa na mesma noite em que foi morto (Dn 5:1, 30). O Senhor Jesus participou de várias celebrações alegres, mas certamente jamais entraria nessa. A não ser que Ele precisasse intervir para, literalmente, acabar com a festa.

Perguntas para discussão em grupo:

Quebra-gelo: Por que é tão negativo um produto ter o peso diferente do que consta em sua embalagem? Como podemos fazer com que nosso “peso” moral e espiritual corresponda ao que aparece na superfície?

Leia Daniel 5:1-4. Por que o pecado de Belsazar foi tão grave? Assim como foi com os utensílios do templo, de que forma o Evangelho tem sido igualmente profanado em nossa sociedade e cultura? Como podemos estar atentos para não participar dessa profanação, ainda que seja de modo muito sutil?

Compare os versos 1 e 30 do capítulo 5 de Daniel. Que lições lhe vêm à mente ao considerar que Belsazar dava uma festa de profanação e orgia naquele que seria o último dia de sua vida? (Ec 7:2)

Compare a atitude de Belsazar com a da “meretriz” de Apocalipse 17:2, 4 (símbolo de uma falsa organização religiosa no futuro). Que paralelos podemos encontrar?

O que significa o fato de que a mística “meretriz”, ou “Babilônia”, tem conseguido “embebedar” as pessoas do mundo inteiro (Ap 17:2)? E como podemos saber se estamos “sóbrios” desse “vinho” oferecido por ela? (1Pe 4:7; 5:8)

Leia Daniel 5:5, 6. Em sua opinião, por que o rei ficou tão apavorado? Compare com Hebreus 10:26, 27 e discuta.

Diferentemente do que muitos pensam, as palavras escritas na parede não estavam em outro alfabeto nem em outro idioma. Eram quatro palavras na língua deles, o aramaico (veja nota no fim). Sendo assim, por que os “sábios” não puderam entender o significado delas? Leia 1 Coríntios 2:14 e 2 Coríntios 4:3, 4 e responda: Por que os “sábios” deste século não conseguem entender nem aceitar a Bíblia?

Leia Daniel 5:13, 14, 16. É muito estranho o fato de que um homem que havia sido alto funcionário ou ministro da corte era um “estranho” para Belsazar. Em sua opinião, conhecendo o caráter dos dois personagens, o que deve ter acontecido (leia 1Jo 3:1)? Como isso ainda acontece hoje?

Leia a repreensão de Daniel ao rei em 5:18-22. Veja a ênfase do verso 22: “…ainda que soubesse tudo isso”. Por que o fato de conhecer a verdade e rejeitá-la torna a pessoa ainda mais culpada? (ver Jo 8:44; 9:41; Tg 1:22; 2Pe 2:20-22)

Notas:

 Sobre a rainha (5:10). A rainha que entrou na festa na hora da confusão devido à escrita não era a esposa do rei. Algumas traduções até acrescentam “rainha-mãe”. Isso se deve ao fato de que, “de acordo com o costume oriental, ninguém a não ser a mãe de um monarca ousaria entrar na presença do rei sem ser chamada. Mesmo sua esposa colocaria a vida em risco se fizesse isso (ver Et 4:11, 16)” (Comentário Bíblico Adventista, v. 4, p. 884). Aparentemente, ela deve ter sido influenciada pela experiência de seu pai, o rei Nabucodonosor. Por isso ela não estava na festa. E ela ainda honrava o idoso Daniel, como se percebe em 5:10-12.

Sobre a filiação do rei Belsazar (5:18, 22). Entre o rei do capítulo 4 (Nabucodonosor) e o do capítulo 5 (Belsazar) houve outros quatro reis, não mencionados. Mais de 60 anos se passaram entre um capítulo e outro. Daniel tinha agora cerca de 80 anos. Na linguagem bíblica, dizer que Belsazar era “filho” de Nabucodonosor significa dizer que ele era “descendente” dele. Os críticos da Bíblia apontam o fato de que Nabonidus, o pai de Belsazar, não era descendente de Nabucodonosor. Contudo, é muito provável que a rainha relatada na história, certamente a mãe do rei, tenha sido Nitócris, a filha de Nabucodonosor, o que faz de Belsazar um neto dele por parte de mãe. Belsazar reinava em babilônia apenas provisoriamente em lugar de seu pai, o rei Nabonidus, enquanto este viajava em uma expedição para tratar de negócios do reino.

Sobre as palavras escritas na parede (5:25-28). As palavras foram escritas na própria língua dos babilônios, mas não faziam sentido. Como o vocabulário aramaico é pequeno, elas podem significar tanto verbos ou substantivos, como também valores monetários. A palavra “mene” ou “mina” equivalia a 60 shekels de ouro e também significava “contar”. A palavra “teqel” equivalia a 1/60 de uma mina e também significava “peso” ou “pesar”. A palavra “peres” era o valor de meia mina e também significava duas palavras ao mesmo tempo: “dividido” e “persa”. Essa última palavra deve ter aumentado o terror dos presentes na festa ao se conscientizarem de que o exército persa estava do lado de fora ao redor dos muros da cidade. E apesar de Daniel tê-la usado no singular (“peres”), ela havia sido escrita no plural (“parsin”), o que deve ter piorado os sentimentos negativos. Para os mais curiosos, a letra “u” antes de “parsin” (5:25) aparentemente não fazia parte da escrita na parede. Ela apenas foi adicionada na narrativa por ser uma conjunção aditiva equivalente ao nosso “e” em Português, usado antes de se mencionar o último item de uma lista (como o “and” em inglês). Seria algo como “mene mene teqel e parsin”. E como em aramaico o “P” se torna em “F” quando é precedido de vogal, é por isso que o “u” torna “parsin” em “farsin” (“ufarsin”) no verso 25. Mas isso só será interessante aos mais “nerds” que chegaram a ler até aqui!

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

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Uma epidemia global derruba a economia e pode criar o caos

1Segundo dados do canal Meio, o número de mortos por coronavírus [que leva esse nome por causa do formato de coroa] na China chegou a 106. Ontem, um homem de 50 anos se tornou a primeira pessoa a morrer por causa da doença em Pequim. Já há 4.515 infectados. Em uma tentativa de conter a propagação da doença, o governo chinês suspendeu as comemorações do Ano Novo Lunar e estendeu o feriado até o dia 2 de fevereiro. Grandes empresas fecharam as portas ou disseram aos funcionários para trabalhar em casa. É o caso da Apple, que diminuiu os horários de atendimentos em suas lojas na China, o que também pode resultar em menos vendas no país. A fornecedora Foxconn estendeu o feriado do Ano Novo chinês para os funcionários não retornarem às fábricas em Wuhan. E as Bolsas mundiais mergulharam em perdas. O Ibovespa encerrou o dia com queda de 3,29%, a maior em dez meses. A pressão ficou concentrada nos papéis ligados a commodities e exportações: Vale, Petrobras, Gerdau, CSN e Suzano perderam R$ 33 bilhões em valor de mercado. A queda levou o dólar a R$ 4,22, tornando o real a sexta moeda com maior desvalorização no dia. A Bolsa de Tóquio fechou com queda de 2,03% – a maior em cinco meses. As Bolsas europeias também operaram em queda. Enquanto Nova York registrou perdas em torno de 1,6% para Dow Jones e S&P 500, e de 1,9% para o Nasdaq.

Um dos setores mais diretamente afetados foi o do turismo. O grupo de companhias aéreas IAG (que inclui British Airways, Iberia, Vueling e Air Lingus, entre outras) registrou perdas de 5%, enquanto a agência de viagens online eDreams ultrapassou 7%. O setor hoteleiro não se livrou do pânico dos investidores: a Meliá Hotéis caiu cerca de 5% e a Amadeus, provedora de soluções de tecnologia para empresas de turismo, perdeu mais de 6%.

James Griffiths explicou para a CNN: “A escala sem precedentes da resposta está relacionada ao tamanho da China. Uma paralisação desse vulto nunca foi instaurada no país antes, nem mesmo durante a epidemia de SARS, em 2003. O custo é altíssimo, e não apenas em trabalho humano ou fundos, mas também pelo impacto na economia.”

“O impacto econômico para a China – e potencialmente para outros países – vai ser significativo se o vírus se continuar a se propagar”, diz um relatório da Economist Intelligence Unit (EIU), unidade de análise da revista britânica The Economist. Xangai, a capital financeira da China, ordenou que as empresas não reabram até ao dia 10 de fevereiro, enquanto Suzhou, importante centro da indústria manufatureira, no leste do país, adiou por uma semana o retorno ao trabalho de milhões de trabalhadores migrantes.

Em 2019, a economia chinesa – segunda maior do mundo – cresceu 6,1%, o ritmo mais baixo em várias décadas, refletindo um aumento débil do consumo interno e uma prolongada guerra comercial com Washington. Se a epidemia do coronavírus se espalhar, as previsões serão ainda mais pessimistas. Esse cenário deixa claro que a primeira economia mundial – a dos Estados Unidos – continuará sendo a primeira, exatamente como prevê o Apocalipse.

Já avaliei em dois vídeos (aqui e aqui) as consequências de se desconsiderarem as orientações divinas quanto à alimentação humana, à sexualidade, aos relacionamentos, enfim, quando ao estilo de vida ideal. Está tudo na Bíblia. É só obedecer. Funciona. Neste texto quero analisar brevemente o cenário caótico que pode ser criado por uma epidemia de alcance planetário. Note como são frágeis as estruturas criadas pelo ser humano a fim de viver nas cidades. Em pouquíssimo tempo o caos pode se instalar, com desabastecimento de mercados, quebra-quebra e medo. No Brasil, tivemos uma pequena amostra disso com a greve dos caminhoneiros em 2018, quando em poucos dias começaram a faltar alimentos nos mercados e combustível nos postos.

Neste exato momento, milhões de pessoas estão em regime de quarentena, impedidas de ir e vir na região afetada pelo coronavírus – a cidade de Wuhan tem 11 milhões de habitantes e um importante centro de produção de componentes para fábricas de automóveis da Nissan, PSA, Honda, General Motors e Renault. O isolamento da cidade ameaça interromper as cadeias de produção. Dois hospitais estão sendo construídos às pressas para atender os doentes. As autoridades demoraram muito tempo para reagir à ameaça. Já há registro de infectados em outros países, e com as facilidades de deslocamento humano advindas da globalização, o potencial de alastramento é enorme.

Imagine se uma epidemia dessas (para a qual ainda não há vacinas nem tratamento específico) se espalha pelo planeta… Imagine o medo e a confusão que algo do tipo pode causar. Pense também nas mudanças impostas ao “ciclo normal da vida”…

Na reportagem abaixo, pode-se ver que o acesso aos supermercados está sendo monitorado por um escâner de temperatura apontado para a testa das pessoas que entram. Se estiver com febre, fica impedido de comprar. Isso não lhe faz pensar em Apocalipse 13 e nas restrições futuras a que o povo de Deus será submetido? Em tempos de crise, tudo é possível. Tudo acontece rapidamente.

Neste outro vídeo são dadas dicas e informações importantes sobre o assunto:

O fato é que o mundo é um barril de pólvora, e 2020 começou deixando isso claro mais uma vez. Rumores de guerra vieram do Irã. Dezenas de pessoas perderam a vida nas enchentes em Minas Gerais. E as possibilidades de mais tragédias são inúmeras, desde um megaterremoto na Califórnia e uma erupção do supervulcão em Yellowstone, até uma tempestade solar devastadora ou mesmo o impacto de um meteorito. Sem esquecer do coronavírus e outros vírus potencialmente epidêmicos. Já deu para perceber que a vida é frágil, né? Precisamos de ajuda, e ela existe:

“Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra” (Salmo 121:1, 2).

Volte-se para o Criador, aceite o plano dEle para a humanidade, leve em consideração as orientações da Bíblia Sagrada e creia na volta de Jesus (Tito 2:1-3). Assim, tudo dará certo.

Michelson Borges

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O coronavírus, o aviso das autoridades e a verdadeira situação da China

coronavirusEm 2015 os chineses foram avisados pelas autoridades: “A poucos dias dos cidadãos chineses se reunirem para comemorar o Ano Novo local, o governo da China lançou uma campanha para evitar a propagação de vírus provocados pela ingestão de alimentos ‘raros’, como ratos, serpentes e morcegos. O órgão encarregado pela segurança alimentar pediu aos cidadãos para não ingerirem ‘animais selvagens’ e, sobretudo, não inovar, pois em algumas partes do país é comum que os chineses tentem surpreender nessa data com receitas feitas a base de animais ‘não comuns’. Na província de Cantão, no sul do país, os chineses degustam comidas a base de serpentes ou ratos, por isso o governo pediu que pelo menos as crianças e grávidas não degustem ‘pratos raros’. As autoridades anunciaram o início de inspeções por todo o país para tentar reduzir as doenças causadas pela ingestão desse tipo de alimentos [sic] durante a festividade do Ano Novo, chamada na China ‘Festival da Primavera’ […].” (Fonte: G1)

No vídeo abaixo, o chinês Peter Liu fala sobre a verdadeira situação da China (nem sempre mostrada pelos meios de comunicação, principalmente os chineses). Em vídeos “clandestinos” feitos por cidadãos chineses é possível ver gente desmaiando nas ruas e profissionais de saúde com roupas especiais recolhendo os doentes. Cenas realmente dramáticas e parecidas com as de filmes trágicos de ficção.

É o tipo de situação que nos faz pensar na necessidade de ouvir a maior autoridade de todas: Deus. Ele nos orienta em Sua Palavra com respeito a dieta, relacionamentos, sexualidade, saúde física, mental e espiritual, etc. Somos livres para escolher o caminho que vamos trilhar, mas é no mínimo burrice desconsiderar as recomendações dAquele que nos criou e que nos conhece mais do que qualquer outra pessoa.

Oremos pelas vítimas de mais essa praga, sejamos propagadores de conhecimento útil e que promove saúde e bem-estar, e entendamos que o aumento de pragas e outros males foi anunciado por Jesus como um dos sinais da brevidade de Sua vinda. [MB]

“Os que se santificam, e se purificam para entrar nos jardins após uma deusa que está no meio, os que comem da carne de porco, e da abominação, e do rato, esses todos serão consumidos, diz o Senhor.” Isaías 66:17

Daniel 3: prévia para um conflito final na adoração

O capítulo 3 de Daniel é um dos mais interessantes da Bíblia, quando se leva em consideração acontecimentos que nos fazem, com entusiasmo, projetar eventos escatológicos para o futuro. A lógica para essa compreensão é construída a partir de uma análise comparativa entre os episódios narrados no capítulo 3 de Daniel e Apocalipse 13, como pode ser observado abaixo:

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Embora careçam de evidência mais contundente para o significado do número 666, alguns estudiosos modernos veem as medidas da estátua como um pressuposto para Apocalipse 13. Assim descrevem: número 6 – divindade menor; número 60 – divindade maior; número 600 – todo o panteão babilônico. Essa estimativa que envolve o múltiplo do número 6 ainda é alvo de muito debate na academia. Por esse motivo, as ponderações mais coerentes e livres de sensacionalismos permanecem na ideia da contrafação, imperfeição humana e falsificação da verdade – uma vez que o número que representa Deus e Sua verdade é o 7.

Para uma compreensão mais ampla daquilo que é mais significativo no contexto profético de Daniel 3, esboçarei quatro fatos importantes e que podem estabelecer conexão com acontecimentos finais envolvendo um conflito contra Deus, Sua verdade e a verdadeira adoração.

1) Fala do orgulhoso rei que queria fazer do seu reinado um império absoluto e indissolúvel. Mesmo apesar das manifestações de Deus apresentadas no capítulo 2, o rei Nabucodonosor, vencido pelo orgulho, pretendeu mostrar que seu poder e sua glória estavam acima de qualquer outra nação ou profecia divina que fosse contrária a esse propósito. Por mais surpreendentes que sejam, as lições anteriores da ação sobrenatural revelando sonhos e da verdadeira teologia não impediram Nabucodonosor de voltar à idolatria.

2) O orgulhoso rei Nabucodonosor, para reforçar seu propósito de soberania incondicional, fez uso de suas maiores fontes de poder: o poder do estado e o poder da venerada religião babilônica. Ou seja, ele levantou uma estátua, símbolo de seu poder estatal, e com medidas que estavam conectadas com o panteão religioso babilônico, que representavam obviamente o poder religioso da nação. Mas há outro elemento pouco observado pelos leitores, todavia, imprescindível para a ocasião: a música. Repetida quatro vezes (nos versos 5, 7, 10 e 15), indica que a música exerceu forte papel de indução à falsa adoração. Para Jacques Doukhan, por exemplo, “os antigos sabiam como usar a música para provocar uma experiência mística”.[1] Para Paul Tanner, “a música solenizou e intensificou as emoções naquele momento, amortecendo a habilidade de muitos para pensar de forma clara. A multidão foi compelida, de modo que as massas prontamente obedeceram à ordem do rei”.[2] Portanto, o rei não pretendia apenas impressionar, mas também compelir as pessoas que estavam presentes à falsa adoração usando a glória da estátua de ouro, a grandeza mística da sua religião, e o poder apelativo de uma música extasiante. É dessa maneira que descreve Ellen White, ao comentar o episódio de Daniel 3. Observe:

“O dia marcado chegou, e ao som da música arrebatadora [extasiante, entrancing, no inglês] a vasta multidão ‘prostrou-se e adorou a imagem de ouro’.”[3] Também é dessa mesma forma que Ellen White descreve o conflito final envolvendo a falsa adoração – a história se repetirá. A falsa religião será exaltada. O primeiro dia da semana, um dia comum de trabalho, não sendo santificado em coisa alguma, será exaltado como foi a imagem na antiga Babilônia. […] A coação é o último recurso de toda falsa religião. A princípio, será tentada a linguagem da atração, como o rei de Babilônia tentou usando o poder da música e da exibição exterior. Se essa atração, inventada por homens inspirados por Satanás, falhar em levar as pessoas a adorar a imagem, a chamas ardentes da fornalha estarão prontas para consumi-los.”[3]

3) O capítulo 3 de Daniel tem como narrativa central, nos versos 16 a 18, os jovens confessando sua fé, mesmo diante da ameaça e da coação. O poder da glória estatal representado pela estátua, o poder da intimidação religiosa representada pelas medidas da estátua, e o poder da extasiante música não foram capazes de causar qualquer constrangimento naqueles jovens hebreus. E sabe por que eles foram irredutíveis, mesmo em face do forte encantamento ou da morte?

  1. a) Porque eles tinham relacionamento próximo com Deus.
  2. b) Porque eles viviam a verdade de Deus.
  3. c) Porque, mesmo longe de Jerusalém e mesmo próximo de uma cultura mística, secular e essencialmente pagã, eles não perderam as raízes ou a identidade. A fé, a verdade e os valores não se mesclaram, não se diluíram e não se corromperam com a cultura profana daquele ambiente.

4) Por fim, o capítulo 3 nos ensina lições preciosíssimas de fidelidade, lealdade e compromisso dos jovens hebreus, e nos ensina também sobre a fidelidade, lealdade e o compromisso de Deus para com os Seus. A essência do livramento de Deus é simples: se Deus e a Sua vontade forem prioridade em nossa vida, nós seremos prioridade na vida de Deus.

Conclusão

Assim como aqueles jovens vivenciaram experiências hostis por parte do estado e da cultura religiosa da época, em breve o povo de Deus passará por provas do mesmo princípio. Esse cenário pode ser observado já se construindo em nossos dias, por meio de atos doutrinariamente ecumênicos. Embora o descanso dominical seja o emblema mais categórico da falsa adoração, podemos inserir no mesmo pacote a crença na imortalidade da alma, o conceito denominado de evolução teísta e, como observado na adoração à estátua e comentado por Ellen White, o ecumenismo musical capaz de apelar fortemente aos sentidos de forma extasiante. Portanto, a história registrada em Daniel 3 não é apenas um cenário histórico, mas um chamado feito a nós para um genuíno reavivamento e uma reforma em nosso meio. Ou seja, reavivamento espiritual no amor e um comprometimento original nos valores.

O mundo, as igrejas, alguns conceitos, costumes religiosos e algumas formas de adoração das igrejas constituídas como filhas de babilônia estão sorrateiramente passando por um processo de harmonização. Todavia, a igreja que representa a remanescência apocalíptica precisa manter-se próxima para salvar, porém, ao mesmo tempo distante para não se perder. Próxima para influenciar, porém, distante para não comprometer sua identidade. Em breve, a exemplo dos jovens hebreus, seremos desafiados a rejeitar nossa raízes, secularizando-as ou relativizando-as – se é que alguns ou muitos já não estão assim fazendo.

(Gilberto Theiss é graduado em Filosofia e Teologia, pós-graduado em Ensino de Filosofia, Ciência da Religião, História e Antropologia e mestrando em Interpretação Bíblica)

 Referências:

  1. Jacques B. Doukhan, Secrets of Daniel [RH, 2000], 48, 49.
  2. J. Paul Tanner, Commentary on the Book of Daniel, 42 (Manuscript 110, 1904; Cristo Triunfante, 177).
  3. ST, 6/5/1897; SDABC, 7:976.