O esquisito dia que virou noite

dia-escuroDezenove de agosto de 2019. Nesse dia, cidades do estado de São Paulo vivenciaram um dia, no mínimo, esquisito. Perto das 14 horas, parecia estarmos vivendo momentos finais de um pôr do sol e início de mais uma noite, sendo que o relógio entrava em um choque evidente com a cena percebida. Sem dúvida, muitos olharam com um certo espanto e admiração a coloração do céu, com sua tonalidade alaranjada, dirigindo-se para o preto da noite. Ele estava recheado de nuvens densas e carregadas, embaladas por ventos que só complementavam a estranheza do momento – parecendo avisar que algo estava prestes a acontecer.

E não é que um dia com características semelhantes, só que ainda mais esquisito, aconteceu em 19 de maio de 1780? Esse momento ficou conhecido como “O Dia Escuro” ou “Day Dark” (saiba mais aqui). O “Dia Escuro” entrou para a história por sua total estranheza e aparente falta de explicação. O dia virou noite, e a noite se tornou a mais escura de todas. Animais noturnos tiveram que antecipar seus hábitos e velas foram acesas em pleno meio-dia. O fenômeno pôde ser visto nos céus da Nova Inglaterra, parte do Canadá e Estados Unidos. Teria chegado o dia do juízo?

Estudiosos da Bíblia associam esse evento ao conteúdo apresentado no livro do Apocalipse. A abertura do 6º selo, em Apocalipse 6:12-17, apresenta sinais no céu e na Terra que anunciam o tempo do fim. Tais eventos, descritos no texto referenciado, apresentam o que deve acontecer nos momentos finais da história do nosso mundo como conhecemos, e tem seu cumprimento temporal antes do retorno de Jesus – como predito por milhares de textos na Bíblia.

A Bíblia é clara ao dizer que Jesus voltará para buscar os que professaram fé nEle e viveram de acordo com a luz (conhecimento) que receberam. Sobre esse assunto a Bíblia nos ensina que foi Ele mesmo que prometeu voltar, e essa promessa pode ser lida em João 14:1-3: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando Eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também.”

Ao longo das eras, muitos marcaram e marcam o dia exato para o retorno de Jesus, no entanto, a Bíblia nos alerta para que não o façamos, já que esse não é um assunto revelado ao ser humano, como está escrito em Marcos 13:32: “Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.” Embora não saibamos o dia da volta de Jesus, a Bíblia relata acontecimentos na natureza, na sociedade, etc., que apontam para o fim deste mundo e, consequentemente, para a volta de Jesus.

Veja o que está escrito em Mateus 24:29: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.” O escurecimento do Sol e da Lua, como também a queda das estrelas (hoje sabemos terem sido meteoritos) foram citados por Jesus como tendo seu cumprimento no tempo do fim, antes do Seu retorno a este mundo. Além do “Dia Escuro”, que já mencionei, ocorrido em 1780, a chuva de meteoritos anunciada por Jesus teve seu cumprimento na noite que se seguiu ao dia 12 de novembro de 1833. Acredita-se que mais de 200 mil meteoros por hora, durante cerca de cinco a seis horas, riscaram, de forma surpreendente, o céu escuro.

Mateus 24:4-14 está repleto de outros sinais que antecedem o retorno de Jesus, tais como: surgimento de falsos profetas, guerras, fome, terremotos, entre outros. De todos os sinais apresentados no texto citado, apenas um falta se cumprir, e é o que está relatado no verso 14: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.” Não há dúvidas de que o que foi predito está se cumprindo fielmente, e nos aproximamos a passos largos para o fim deste mundo. Tão certo como você e eu podemos respirar, será o cumprimento da promessa de Jesus, quando Ele diz que voltará para nos buscar.

Que o esquisito dia vivenciado no céu de muitas cidades do estado de São Paulo não seja tratado de forma dispensacionalista, nem seja passado despercebido, como apenas mais um dia. Mas que aproveitemos a estranheza que pairou no olhar dos que observavam impressionados a alteração do cenário no céu denso de São Paulo, e nos voltemos ao estudo das Sagradas Escrituras, a fim de conhecer os tempos e a época em que vivemos, para que não sejamos apanhados despreparados no “grande e terrível dia do Senhor”, como anunciado em Joel 2:30, 31: “Mostrarei prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor.”

Nenhum dia será tão “esquisito” quanto o dia em que veremos Jesus nas nuvens do céu voltando para nos buscar (Mateus 24:30; Apocalipse 1:7). Para alguns, conforme Mateus 25:41, esse dia será negativamente esquisito, pois eles não estarão preparados para se encontrar com Jesus. Já para os que permanecerem fiéis, esse dia será esquisitamente extraordinário, e trará profunda alegria aos que esperaram e se preparam para esse grande encontro.

Deseja conhecer mais sobre esse grandioso dia da volta de Jesus? É seu desejo se preparar para encontrar seu Criador e Salvador Jesus Cristo? Então, comprometa-se em estudar a Bíblia e você conhecerá a verdade. Lembre-se do que está escrito em João 8:32: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”

(Péricles Barbosa é pastor e líder de Jovens e Comunicação da Igreja Adventista no Sudoeste Paulista)

Leia também: “Por que o céu escureceu em São Paulo?” e “A fumaça não apagou o sol de São Paulo”

Religiões do mundo se reunirão em cidade alemã em busca da paz

anelA escultura é bastante evidente. Um anel de madeira de sete metros e meio de altura, entrelaçado várias vezes, sem começo nem fim. O chamado Ring for Peace (Anel pela Paz) ficará alguns dias exposto no Luitpoldpark em Lindau, pequena cidade alemã banhada pelo Lago de Constança. “Ele representa a ideia, a visão e a missão do encontro Religions for Peace (Religiões pela Paz)”, afirma o alemão Ulrich Schneider, diretor da Fundação para os Diálogos de Paz entre Religiões e Sociedades Civis Mundiais. A entidade organiza a 10ª Assembleia Mundial das Religiões pela Paz, que ocorre entre esta terça (20/8) e sexta-feira em Lindau, e terá suas portas abertas pelo presidente da Alemanha, Frank-Walter Steimeier. A Religions for Peace é uma rede global de religiões e comunidades. Segundo Schneider, todas as religiões do mundo estão, de alguma forma, envolvidas nessa aliança criada em 1970.

Há quem compare as reuniões, que ocorrem a cada cinco anos, com a Assembleia Geral da ONU. Desta vez, a grande aliança cívica ocorrerá em uma pequena cidade, bem longe dos grandes centros políticos, acessados mais facilmente. Lindau, porém, se encontra no coração da Europa. A cidade alemã recebe há muitos anos o encontro internacional de vencedores do Prêmio Nobel, oferecendo atmosfera para reflexões intensas e interações entre diferentes culturas.

 O economista Wolfgang Schürer, presidente da Fundação para os Diálogos de Paz entre Religiões e Sociedades Civis Mundiais, é o motor por trás do encontro religioso. “Esperamos que a assembleia mundial dê um impulso com efeito duradouro e que não seja apenas mais uma das inúmeras cúpulas que existem no mundo hoje”, afirma ele à DW. Essas também são as expectativas e esperanças do mundo político, bem como do Ministério do Exterior alemão, que apoia com milhões de euros o evento em Lindau.

Por muitos anos tem havido regiões no mundo onde as instituições políticas são incapacitadas, e apenas forças da sociedade civil – geralmente religiosas – assumem o papel de ajudar aqueles que precisam. Assim ocorre em vilarejos na República Centro-Africana, em partes do Iraque e em campos de refugiados em vários países. “Comunidades religiosas são as maiores instituições da sociedade civil no mundo”, afirma Andreas Görgen, diretor do Departamento de Cultura e Comunicação do Ministério do Exterior alemão. “Muito além de todas as questões de fé, estamos preocupados com sua responsabilidade para com essas sociedades.”

Desde 2018, Görgen tem sob seus auspícios a unidade de religião e política externa do ministério. Em Lindau, ele e seus colegas receberão diplomatas de diversos países europeus, que estarão no evento como observadores. Isso porque em todo o mundo, seja na Europa, na Ásia ou nos Estados Unidos, políticos observam cada vez mais o papel das religiões.

O mundo político enxerga o potencial das comunidades religiosas, mas também quer que elas assumam a tarefa de promover a paz. Em parte, esse será um tema quente em Lindau. A portas fechadas, representantes da Coreia do Sul e da Coreia do Norte, de Myanmar e de Bangladesh, do Sudão e do Sudão do Sul conversarão uns com os outros. […]

 Também irá a Lindau o cardeal nigeriano John Onaiyekan, que prega em seu país a coexistência entre as religiões, em meio ao terror perpetrado pela organização fundamentalista islâmica Boko Haram. Ao todo, serão mais de 900 representantes de diferentes religiões, vindos de 100 países. Segundo Ulrich Schneider, o objetivo inicial era de que um terço dos participantes fosse do sexo feminino, o que não foi atingido pelos organizadores.

Schneider enfatizou a importância das religiões no mundo todo ao afirmar que 80% da população mundial se descreve como religiosa. “Isso é certamente diferente do que ocorre aqui na Alemanha e demonstra a importância das religiões nos dias de hoje”, observa.

A diversidade de países e religiões vai transformar a pequena Lindau. Os convidados terão a oportunidade de participar de serviços religiosos de crenças diferentes. Na quarta-feira, as igrejas católica e protestante da cidade convidarão representantes religiosos e a população local para comerem juntos em uma grande mesa.

Os alemães esperam que Lindau possa estimular encontros e conversas. O evento deverá resultar não apenas em uma declaração final conjunta, mas também em decisões bastante concretas. Planeja-se a criação de uma iniciativa global pela proteção de locais religiosos, além de um comprometimento conjunto na área acadêmica, visando aumentar a conscientização sobre a violência contra mulheres em conflitos armados.

“Nossa esperança é de que Lindau se torne um local permanente de diálogos inter-religiosos e de impulsos para a paz”, diz Schneider. Assim, quem sabe os representantes religiosos possam voltar ao Lago de Constança daqui a cinco anos.

(Deutsche Welle)

Nota: A pauta religiosa (misturada com política) se torna cada vez mais forte no mundo. A busca pela paz e os esforços para salvar o planeta têm derrubado barreiras. A união de igrejas se torna um alvo cada vez mais alcançável, já que se trata do desejo da maioria dos religiosos “moderados”. Como sempre, ficam de fora os extremistas e fundamentalistas. Muitos paralelos se podem traçar com a recentemente lançada série-documentário da Netflix “The Family”. Em breve, a jornalista e colaboradora Ágatha Lemos escreverá algo sobre isso. [MB]

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A pequena Lindau, no Lago de Constança

Pastores de Trump chegam a Brasília, e a igreja se aproxima do Estado

bible“Esse estudo não é sobre se Deus aceita ou não uma guerra. Ele aceita”, anuncia o pastor americano Ralph Drollinger, em um dos seus estudos bíblicos semanais, com uma voz emotiva, porém pausada, calculada para que os visitantes de seu site acompanhem o raciocínio. Em seguida, explica que a frase bíblica “Bem-aventurados são os que promovem a paz porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9) diz respeito apenas a “como os fiéis devem conduzir suas vidas pessoais”. Ou seja: não vale para os governos, que podem, sim, ir à guerra.

Publicado em maio de 2018, aquele “estudo bíblico” tinha razão de ser, segundo o próprio pastor: ajudar os membros do Governo americano a refletir sobre “a ameaça de guerra com a Síria, o Irã e a Coreia do Norte” – movimentos iniciados pelo presidente americano Donald Trump. E convencê-los de que ir à guerra é abençoado pela própria Bíblia. Dias depois, Drollinger seria ainda mais explícito na sua pregação, ao pedir que “você, como servidor público, ajude a reduzir a tendência antibíblica secular em direção ao pacifismo e não intervencionismo! Isso vai levar a um crescente caos global!”

Não foi a primeira vez nem seria a última que o fundador do ministério evangélico Capitol Ministries encontraria na Bíblia uma justificativa para as ações mais radicais do governo Trump. Afinal, o objetivo da igreja fundada por Drollinger é basicamente “converter” políticos e servidores públicos a uma visão cristã evangélica da política que se casa perfeitamente com a visão da ultradireita americana. “Sem essa orientação, é bem mais difícil chegar a políticas públicas que satisfaçam a Deus e sejam benéficas ao progresso da nação”, resume Drollinger em um dos estudos em seu site. […]

A Capitol Ministries – nome que significa “Ministério do Capitólio”, símbolo do Congresso americano – foi fundada pelo ex-jogador de basquete Ralph Drollinger na Califórnia, em 1996, para “criar discípulos de Jesus Cristo na arena política pelo mundo todo”. A ideia do pastor era levar para a política seu trabalho anterior, focado em evangelizar atletas.

Até o ano 2010, seu público eram deputados estaduais; naquele ano, o primeiro ciclo de estudos foi fundado em Washington, no Congresso americano. Mas foi em 2017 que Drollinger deu seu salto para o primeiro plano da política mundial, quando fundou o primeiro grupo de estudos dedicado apenas a membros do Governo de Donald Trump. O encontro semanal, em um local não revelado, reúne dez membros do alto escalão do Governo, incluindo o vice-presidente, Mike Pence, e o secretário de Estado, Mike Pompeo, que dirige a política externa. O ex-diretor da Agência de Proteção Ambiental Scott Pruitt, que articulou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, sobre aquecimento global, e já questionou o efeito de emissões de carbono sobre o clima, também chegou a participar.

Muito além de um simples falatório, as pregações de Drollinger têm efeito prático em um Governo que mais de uma vez reconheceu ter sido eleito graças ao voto evangélico. Em junho do ano passado, um de seus sermões foi usado pelo ex-procurador-geral Jeff Sessions para apaziguar os corações dos eleitores quanto à detenção de milhares de crianças imigrantes em péssimas condições na fronteira com o México. “Eu citaria a vocês o apóstolo Paulo e seu comando claro e sábio em Romanos 13, para obedecer às leis do Governo porque Deus ordenou o Governo para seus desígnios”, disse Sessions, invocando a Bíblia, e não a legislação americana, como justificativa. Enquanto a imprensa americana reagia chocada, Drollinger fez questão de expor suas digitais por trás da declaração. […]

Financiada pelo vice-presidente Mike Pence e pelo secretário de Estado Mike Pompeo, segundo afirmou o próprio Drollinger em seu site, a Capitol Ministries também se vale da influência do Governo americano para cumprir sua missão, entre aspas, divina: dominar o mundo. Desde o ano passado, abriu capítulos em cinco países latino-americanos – México, Honduras, Paraguai, Costa Rica e Uruguai –, anunciou que abrirá em outros dois – Nicarágua e Panamá – e acaba de aportar no Brasil, com lançamento oficial programado para a segunda quinzena de agosto no Senado Federal, “sem muita badalação, voltado apenas para autoridades” e “com a presença de Drollinger e sua esposa”, como explicou à Pública o pastor da Igreja Batista Vida Nova, Raul José Ferreira Jr., que será o responsável por conduzir os estudos bíblicos no Senado, na Câmara.

Ele diz ainda que, “se Deus permitir”, vai conduzir também estudos bíblicos na Casa Civil junto ao presidente Jair Bolsonaro e seus ministros, traduzindo as palavras do pastor americano para o presidente brasileiro. “Nós estamos realmente trabalhando firme para que possa haver ao menos um encontro do pastor Drollinger com o presidente Bolsonaro agora em agosto, para que a partir daí a gente possa desenvolver um trabalho. Mas, mesmo que o presidente não esteja entre eles, nós vamos tentar construir um trabalho dentro da Casa Civil, junto dos ministros diretamente ligados ao palácio”, diz.

O objetivo dos estudos bíblicos, que são traduzidos para o espanhol e em breve para o português, é disseminar a visão de Drollinger sobre o cristianismo aplicado à política. “Nossa ideia é chegar a nível de Presidência da República e ministros, primeiro escalão. A gente tem um slogan que é ‘first the firsts’, ou seja, primeiro os primeiros. Através dessas pessoas com relevância a gente pode mudar o destino da nossa nação”, diz o pastor Ferreira Jr., que, indicado pelo diretor regional no Brasil, pastor Giovaldo de Freitas, passou por uma semana de treinamento em Seattle com Ralph Drollinger e sua equipe.

As aspirações da Capitol Ministries no Brasil são ambiciosas, embora o pastor Ferreira Jr. chame de “trabalho de formiguinha”: conduzir, a portas fechadas nos gabinetes, reuniões bíblicas individuais com parlamentares, especialmente os não convertidos, além de reuniões coletivas semanais – e ainda garantir que cada parlamentar do Congresso Nacional receba os estudos impressos, por e-mail e por mensagem no celular. “Nosso objetivo é reconstruir a nação a partir de valores cristãos que são forjados através do estudo da Palavra”, define o pastor. […]

Para Christina Vital da Cunha, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião, alguns elementos se destacam nessa chegada do ministério de Drollinger ao Brasil: um deles seria o novo protagonismo político da Igreja Batista, antes vista como mais progressista e também mais afastada da política – ministra Damares Alves é pastora batista, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também, além de outros integrantes do Governo. É o caso da Igreja Batista Vida Nova, de Raul José Ferreira Jr., que liderará os estudos dentro do governo.

“A gente pode observar um elemento diferente do que vinha acontecendo no Brasil desde então, que é uma afinação orgânica entre Estados Unidos e outros países da América Latina a partir desse elemento religioso e que tem na política institucional um lugar importante de atuação. Se vê um alinhamento conservador no Brasil, na América Latina e em outros países no mundo, que nos países da América Latina tem nesses religiosos evangélicos e católicos seus principais atores”, aponta. E chama atenção para a legitimação de um discurso à direita por meio da Bíblia, algo que já tem sido feito em certa medida no Brasil desde a campanha de Bolsonaro. “Outra coisa a se observar é se haverá disputas de poder com instituições já estabelecidas, como a Igreja Universal e a Assembleia de Deus.” […]

Mas não é só de governos orgulhosamente de direita que a Capitol Ministries tem se aproximado. No último dia 19, durante as comemorações dos 40 anos da Revolução Sandinista na Nicarágua, lideradas com pompa por Daniel Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, em meio a uma crise política que matou mais de 300 pessoas, levou mais de 500 manifestantes à cadeia e a milhares de exilados, Ralph Drollinger estava lá. Segundo uma nota à imprensa, foi o próprio Ortega quem convidou a Capitol Ministries a abrir o ministério no país. No convite, Ortega declarou: “Sabemos que, se as pessoas a quem Deus confiou o destino da nação nascerem de novo, nossos deputados legislarão de acordo com a Bíblia.” E foi assim que, diante de milhares de pessoas, Drollinger ressaltou os valores cristãos do país e agradeceu a oportunidade oferecida pelo Governo de Ortega. “Eu oro pela sua nação, oro por você, oro pelos líderes do Governo para que todos possamos refletir os atributos de Cristo todos os dias”, disse Drollinger, segundo o jornal oficial La Voz del Sandinismo. […]

Os estudos bíblicos no gabinete presidencial e no Congresso nicaraguense ficarão a cargo de Arsenio Herrera, pastor da maior igreja evangélica de Manágua, Hosanna Church. Herrera foi discípulo do criador da Hosanna, o americano David Spencer, a quem se atribui o feito de ter convertido mais de 500 almas por semana nos primeiros anos da igreja e que, pouco antes de sua morte, recebeu de Ortega e Rosario Murillo a cidadania nicaraguense em honra aos serviços prestados ao povo da Nicarágua.

 (El País)

Nota: Como se pode perceber, tanto a “direitização” da política internacional quanto a aproximação entre o Estado e a igreja são fenômenos mundiais, capitaneados pelos Estados Unidos (bem Apocalipse 13). O objetivo da igreja fundada por Drollinger é basicamente “converter” políticos e servidores públicos a uma visão cristã evangélica da política, que casa perfeitamente com a visão da ultradireita norte-americana. A separação entre o Estado e a igreja, o “empoderamento” do Estado pela religião e a legitimação da vontade humana pela Bíblia ficam cada vez mais claras (bem Apocalipse 13). Uma religião, lembre-se, que tem o domingo como dia sagrado e que advoga o arrebatamento secreto, entre outras coisas. Esse cenário deveria fazer cada adventista sincero refletir profundamente e buscar reavivamento pessoal. Se esse movimento continuar crescendo, uma lei dominical será questão de pouco tempo. Se protestantes e católicos fizerem pequenas concessões, poderão entrar em acordo sobre pontos de convergência, o que será louvado amplamente pelos Estados Unidos e pela Europa. Seria a reconciliação final… É acompanhar para ver no que vai dar (ou melhor: quando vai dar). [MB]

Nota do pastor Sérgio Santeli: “Não vejo problema em divulgar a Palavra de Deus às autoridades. Mas vejo um grande problema quando a Palavra de Deus ensinada está contaminada pela visão da Teologia do Domínio, como é o caso atual dos protestantes conservadores norte-americanos. O pastor Marvin Moore dedicou um capítulo do seu livro Apocalipse 13 a esse tema. Segundo o autor, o principal expoente da ‘teologia do domínio’ foi Rousas John Rushdoony, nascido em 1916, em Nova York, o qual publicou em 1973 uma obra (de 900 páginas) intitulada Institutes of Biblical Law. Ele considerava que as leis do Antigo Testamento ainda seguem vigentes no mundo moderno (com exceção daquelas que o Novo Testamento aboliu especificamente). Baseado no plano de Deus para Adão de que ele exercesse o domínio sobre toda a Terra e sobre os animais (Gn 1:26), Rushdoony transformou essa ideia na grande comissão: os cristãos devem submeter todas as coisas e todas as nações a Cristo e a Sua lei, sendo responsáveis por aperfeiçoar a sociedade, incluindo os governos civis, de modo que Jesus possa voltar. Da mesma forma que o teólogo católico Agostinho, Rushdoony também acreditava que os cristãos terão êxito em converter o mundo, colaborando para a chegada do milênio de paz na Terra. É por isso que, atualmente, os católicos e a direita cristã norte-americana estão agindo politicamente em harmonia – têm o mesmo objetivo. Como se pode perceber, biblicamente falando, a grande comissão de Cristo aos Seus discípulos foi para testemunhar a todas as nações e não para dominá-las (Mt 28:19; 24:14; At 1:8). Nosso mandato é converter (pelo Espírito Santo) pessoas, e não disseminar a Palavra de Deus adulterada na sua essência. Essa Teologia do Domínio está transformando o protestantismo norte-americano em romanismo, na medida que lança as bases para a futura união Igreja-Estado, e o consequente estabelecimento da Lei Dominical, a começar pelos EUA. Quem viver, verá…”

Leia também: “Por que governos de direita e a religião crescem no mundo”

Japão aprova nascimento de embriões híbridos de humanos e animais

embriaoO Japão se tornou o primeiro país do mundo a permitir o nascimento de embriões híbridos de humanos e animais para a criação de órgãos humanos. Especialistas do Ministério da Ciência japonês aprovaram a proposta de um experimento nessa direção apresentada pelo pesquisador Hiromitsu Nakauchi, da Universidade de Tóquio. Nakauchi pretende cultivar células-tronco humanas em embriões de camundongos, ratos e porcos e depois transplantar esse embrião em outro animal. Com a técnica, o pesquisador espera eventualmente desenvolver órgãos humanos completos que podem ser usados em transplantes. Em março, o Japão havia suspendido a proibição ao desenvolvimento, por mais de 14 dias, de embriões híbridos de humanos e animais. A medida também colocou fim ao impedimento de transplantar órgãos desenvolvidos em embriões de animais para outros animais.

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Mistério: O que causou o Dia Escuro?

Dia escuroO fenômeno aconteceu em 19 de maio de 1780 na Nova Inglaterra (EUA) e Canadá, e foi conhecido como o Dark Day ou Dia Escuro. Pelo nome, você já entendeu: foi um dia escuro. Nos últimos 232 anos, historiadores e cientistas têm discutido a origem do evento: seria um vulcão, uma nuvem de fumaça, um asteroide, ou algo mais sinistro? Com o pouco conhecimento da época, as pessoas estavam com medo, e alguns advogados de Connecticut (EUA) achavam que estava ocorrendo o Julgamento Final, principalmente porque nos dias anteriores, tanto o sol quanto a lua tiveram uma luz avermelhada. Mas o que poderia ter acontecido naquele dia de 1780?

O Departamento de Meteorologia apontou que uma nuvem espessa poderia baixar o suficiente para fazer as luzes das ruas acenderem e os carros terem que ligar os faróis. Mas é improvável que uma nuvem fosse capaz de causar todos os eventos do Dia Escuro. Um eclipse também foi descartado, por que esses eventos são previsíveis, e não há registro de um naquele dia. Além do mais, eclipses duram poucos minutos.

Outra possibilidade seria a erupção de um vulcão – a erupção do Eyjafjallajokull espalhou cinzas na atmosfera o suficiente para obrigar aeroportos a cancelarem pousos e decolagens por toda a Europa Setentrional. Além disso, as cinzas vulcânicas podem causar “dias amarelos”. Só que não há registro de atividade vulcânica naquele ano de 1780, o que faz com que uma nuvem vulcânica seja improvável. E a queda de um asteroide também é improvável, embora não possa ser descartada.

A resposta para esse enigma pode estar nas árvores, acreditam alguns cientistas. Acadêmicos do Departamento de Silvicultura da Universidade do Missouri (EUA) analisaram troncos de árvores da Nova Inglaterra, em uma região em que prevalecem os ventos vindos do oeste. Eles encontraram anéis com marcas de incêndio datando daquela época.

O professor associado de geografia William Blake, da Universidade de Plymouth (EUA), aponta que houve uma seca na região em 1780, fazendo com que um incêndio seja provável. Mas um incêndio florestal poderia causar um escurecimento como o relatado? O professor Blake conta que testemunhou incêndios na Austrália e que, quanto maior o incêndio, mais ele escurece o céu. E a combinação de fuligem e neblina pode fazer cair uma escuridão.

O relato de testemunhas oculares dá força à hipótese do incêndio florestal, já que alguns relatam que sentiram um cheiro estranho que parecia com o de uma casa de malte ou um forno a carvão.

O curioso é que dias escuros não são novidade. William Corliss, físico e cronista de eventos inexplicáveis, conseguiu reunir o relato de 46 dias escuros entre 1091 e 1971. Um deles assustou a população da mesma região em 1950, causado por um incêndio em Alberta (EUA). Algumas pessoas acharam que se tratava de um ataque nuclear ou um eclipse solar, pois a escuridão era tanta que parecia meia-noite para quem acordasse ao meio-dia.

E você, tem alguma outra explicação para o misterioso Dia Escuro?

(BBC, via Hypescience)

Nota: Já que a matéria acima termina com uma pergunta, leia o que Mervyn Maxwell escreveu em seu ótimo livro Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse: “O nascer do sol na sexta-feira, dia dezenove, foi visível na maior parte da Nova Inglaterra, mas – tal como a Lua na noite anterior – o Sol permaneceu vermelho à medida que se erguia. Uma grande nuvem negra assomou, agourenta, no sudoeste. […] A Assembleia Legislativa de Connecticut suspendeu a sessão às onze horas, pois os deputados não conseguiam ver os rostos uns dos outros.” E o livro prossegue a descrição desse dia curioso e assustador que compreende, na profecia, um dos sinais do início do tempo do fim. [MB]

Papa menciona “emergência climática” e Trump parece estar mudando de ideia

papa-franciscoNo mesmo dia (14/6) em que executivos do setor energético assinaram no Vaticano um termo de compromisso reconhecendo o perigo do aquecimento global e se comprometendo a minimizar as consequências do fenômeno que eles insistem ser antopogênico, o papa Francisco, seguindo sua agenda ECOmênica, declarou que o aquecimento global é uma “emergência climática”. O termo diz: “Como líderes do setor energético, da comunidade global de investimentos e outras organizações, reconhecemos que uma aceleração significativa na transição para um futuro de baixo carbono além das projeções atuais requer uma ação sustentada e de grande escala, além de soluções tecnológicas adicionais para manter o aquecimento global abaixo de 2 ºC, e contudo ainda avançar na prosperidade humana e econômica.”

 Em uma seção inteira da carta apostólica Laudato Si, o papa já havia dado sua sugestão para reduzir as emissões de carbono: descansar aos domingos e fazer dele um dia de baixo carbono, ideia que vem ganhando espaço e aceitação. No encontro do dia 14, o líder católico disse: “Durante tempo demais, fracassamos coletivamente em ouvir os frutos das análises científicas, e as previsões apocalípticas não podem mais ser encaradas com ironia ou desdém.”

No dia 5 de junho, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump visitou o príncipe Charles e a primeira-ministra Thereza May. No encontro, ele tocou em um assunto que deve ter deixado os ambientalistas animados. Diz o jornal italiano Il Sole 24 Ore: “Na única entrevista dada durante sua visita, Trump também abordou outra questão na qual ele discorda da maioria dos líderes ocidentais. O presidente disse que ficou ‘muito impressionado’ com o interesse apaixonado pelo meio ambiente e pela mudança climática demonstrado pelo príncipe Charles. […] O presidente disse que ‘concordou com o príncipe Charles’ sobre a importância para as futuras gerações de ter ‘um bom clima e não um desastre’, mas foi muito cauteloso nos termos que usou: ele ressaltou que não é correto falar de ‘mudança climática’, que no passado negou repetidamente a existência. O presidente falou em lugar disso em ‘condições climáticas extremas’”.

Já é um começo, levando-se em conta que Trump negou até pouco tempo atrás que houvesse algum tipo de mudança climática (ou “condições climáticas extremas”, como ele prefere). Com os Estados Unidos alinhados com o Vaticano também nesse assunto, aí é que o cenário fica favorável à assinatura de um decreto que obrigue por lei as pessoas a reservarem o domingo como dia de repouso. Quem viver verá. [MB]

Catástrofes e corrupção abrirão espaço para o decreto dominical

Businessman putting money in his pocket“Satanás dá sua interpretação aos eventos, e os homens pensam, como ele quer que o façam, que as calamidades que enchem a Terra constituem um resultado da transgressão do domingo. Tencionando aplacar a ira de Deus, esses homens influentes fazem leis impondo a observância do domingo” (Ellen G. White, Eventos Finais, p. 129). “Esta mesma classe apresenta a alegação de que a corrupção que rapidamente se alastra é atribuível em grande parte à profanação do descanso dominical, e que a imposição da observância do domingo melhoraria grandemente a moral da sociedade. Insiste-se nisto especialmente na América do Norte, onde a doutrina do verdadeiro sábado tem sido mais amplamente pregada” (ibidem).

“A corrupção política está destruindo o amor à justiça e a consideração para com a verdade; e mesmo na livre América do Norte governantes e legisladores, a fim de conseguir o favor do público, cederão ao pedido popular de uma lei que imponha a observância do domingo” (ibidem, p. 77).

“Satanás também atua por meio dos desastres naturais, a fim de recolher sua colheita de pessoas desprevenidas. Estudou os segredos dos laboratórios da natureza e emprega todo o seu poder para dirigir os elementos tanto quanto Deus o permite. […] Nos acidentes e nas calamidades no mar e em terra, nos grandes incêndios, nos violentos furacões e terríveis saraivadas, nas tempestades, nas inundações, nos ciclones, nas ressacas e nos terremotos; em toda parte e sob milhares de formas, Satanás está exercendo o seu poder. Destrói a seara que está amadurecendo, seguindo-se a fome e a angústia. Contamina o ar com infecção mortal, e milhares perecem por epidemias. Essas ocorrências devem tornar-se mais e mais frequentes e desastrosas. A destruição será tanto sobre o ser humano como sobre os animais” (O Grande Conflito, p. 589, 590).

O ser humano tem sua parcela de culpa, mas ela é bem majorada pelos interessados nas pautas que derivam desse medo. Satanás causa e depois culpa o ser humano, que se sente na obrigação de fazer algo a respeito. Cenário perfeito de medo e engenharia social. Calamidades, imoralidade, corrupção, crise financeira e, depois, o “ato culminante”.

O inimigo está bem ativo por estes dias. E nós?