Paralelos entre a apostasia de Salomão e o 666

666Um dos temas de estudo desta semana da Lição da Escola Sabatina é a marca da besta e o famoso número 666 de Apocalipse 13. Por pertencerem a um movimento profético nascido do estudo dos livros de Daniel e Apocalipse, é natural que os adventistas se debrucem mais sobre assuntos como esse do que os membros de outras religiões cristãs. Algumas propostas de interpretação foram apresentadas ao longo dos anos (como a indevida aplicação do 666 ao título Vicarius Filii Dei, por exemplo), mas o que fica mesmo claro é que Apocalipse 13 tem relação direta com Daniel 3. Em ambos os capítulos a questão em foco é a adoração forçada: ou as pessoas adoram o Deus verdadeiro ou os falsos deuses. Se optar pela fidelidade ao Criador e à Sua lei (o sábado incluído), o povo de Deus sofrerá perseguição e ameaça de morte, como aconteceu com os três jovens hebreus fieis. No Apocalipse, o número da besta representa o poder humano (o 6 em oposição ao 7, que é o número de Deus). Em Daniel, as medidas da estátua que representava o panteão babilônico eram 60 por 6 côvados. Paralelos inegáveis. Mas há outro possível paralelo, esse entre Apocalipse 13 e 1 Reis 10. O pastor e editor da CPB Fernando Dias Souza me falou a respeito disso e achei muito interessante. Veja a explicação dele: [MB]

O livro de 1 Reis 10:14 e 15 fala que o peso do ouro trazido a Salomão era de “seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro, além do que entrava dos vendedores, e do tráfico dos negociantes, e de todos os reis da Arábia, e dos governantes da terra” (ver também 2Cr 9:13, 14). Note-se que as alianças políticas de Salomão, que deveria ser o líder do povo de Deus na terra (ele era “filho de Davi”, e, portanto, um tipo ou modelo de Jesus Cristo, o “Filho de Davi”), levaram-no à apostasia, à luxúria e a sincretizar a religião de Israel com o paganismo (1Rs 11:1-8), exatamente o mesmo caminho que seguiu o ramo da igreja cristã que formou a Babilônia espiritual profética (ver Ap 18:2-24).

Assim como Salomão recebia 666 talentos de ouro dos “negociantes”, dos “reis” e dos “governantes”, e se prostituiu com centenas de mulheres princesas, filhas dos reis de todas as nações da terra, que lhe perverteram o coração para seguir seus deuses (2Rs 11:2, 4), a besta apocalíptica, cujo número é 666 (Ap 13:18), prostituiu-se com “os reis da terra” (Ap 17:2), corrompendo-se espiritualmente com “os mercadores da terra” (Ap 18:3). É interessante ler 1 Reis 10, 2 Crônicas 9 e comparar com Apocalipse 18. Vários dos itens trazidos pelos comerciantes e como presentes dos reis a Salomão também são mencionados no Apocalipse.

Para mim, a menção do número 666 no Apocalipse nos remete à experiência desastrosa do rei Salomão como o líder maior do povo de Deus, que construiu um santuário de Deus na terra (1Rs 7, 8), mas que deixou-se corromper moral e espiritualmente por causa de associações indevidas com os pagãos. Da mesma forma, o Apocalipse 13 fala de duas potências que estão em posição de liderança sobre o mundo cristão, mas que se corromperam moral e espiritualmente da mesma maneira que Salomão. Não vejo razão para o significado do número 666 estar fora da Bíblia, já que entendo que a Bíblia se interpreta a si mesma.

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Trump surpreende o mundo e volta a falar no poder da fé

Quem diria que os presidentes da Coreia do Norte e dos Estados Unidos um dia estariam apertando as mãos e batendo um papo sorridente. Kim Jong-un e Donald Trump fizeram mais do que posar para fotos: assinaram um documento de compromisso no encontro realizado em Singapura, no último dia 12. Kim se comprometeu a desmontar seu programa nuclear e aceitou o convite de Trump para visitar a Casa Branca, em Washington. Algo impensável poucos meses atrás. Entre os quatro pontos do documento está o compromisso se ambos os países com a paz na península coreana. E assim Trump conseguiu uma façanha que seus predecessores sequer haviam tentado, marcando seu papel como líder cuja admiração é crescente e promotor do poderio político norte-americano. Antes de falar como dragão, a besta-cordeiro precisa conquistar mais e mais terreno e apoio. Quem lê entenda…

A greve dos caminhoneiros e a fragilidade das estruturas humanas

greveReivindicando seus direitos, os caminhoneiros do Brasil estão parados há cinco dias. Em tão pouco tempo essa greve ajudou a revelar uma faceta pouco percebida pelas pessoas, da qual apenas se dão conta quando ocorrem guerras ou tragédias naturais: nossas estruturas e nossos sistemas são extremamente frágeis. Os combustíveis simplesmente acabaram nos postos. Voos estão sendo cancelados por falta de querosene para os aviões. Nos supermercados já se notam os efeitos do desabastecimento. Algumas cidades poderão ficar sem água tratada, pois os produtos químicos usados no processo não estão chegando às estações de tratamento. Dezenas de navios estão impedidos de descarregar seus contêineres nos portos. Mesmo a polícia está sendo afetada com a falta de combustível para as viaturas, o que aumenta a apreensão com a falta de segurança. Em apenas cinco dias nossa vida virou de pernas para o ar. Em apenas cinco dias nos demos conta uma vez mais de quão frágeis são nossas estruturas e nossos sistemas. Da noite para o dia tudo aquilo em que muita gente coloca a confiança – o dinheiro, a tecnologia, os modernos meios de transporte – pode simplesmente acabar. Percebemos que o mundo carece de uma esperança real, com fundamentos sólidos.

No Salmo 121, versos 1 e 2, o salmista faz uma pergunta e ele mesmo a responde: “Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.” De fato, nosso socorro não vem dos montes, não vem da nossa conta bancária, não vem da nossa saúde que tem prazo de validade, não vem da força das nossas mãos e das obras que elas podem realizar. Nosso socorro não vem das coisas que inventamos. Elas até ajudam, mas são frágeis, transitórias e podem desabar como um castelo de cartas no curto período de cinco dias ou menos.

Pior que a perda das estruturas é a perda da vida. Quando morre uma pessoa querida, aí, sim, é que nos damos conta da fragilidade da existência humana. E isso pode acontecer a qualquer momento, num piscar de olhos. Quando o ser humano altivo, orgulhoso de seus feitos se dará conta de tudo isso? Quando vamos perceber que não somos nada sem Deus, sem aquele que fez os céus e a Terra? Nosso planeta é menos que um grão de areia neste vasto Universo. Nós somos menos que bactérias neste grão de areia. Sem Deus não temos esperança alguma, e uma simples greve de caminhoneiros nos faz perceber isso no curto intervalo de tempo de cinco dias…

Mas a esperança existe, ela é real e tem nome: Jesus Cristo. Ele morreu por nós e isso reajusta nosso pensamento com respeito ao valor da vida humana. Sim, somos bactérias no Universo, mas temos valor infinito – o valor da vida de Deus. Somos minúsculos e nossos problemas, aparentemente insignificantes. Mas o Eterno atenta para esses detalhes da nossa vida. Ele sabe que neste mundo de pecado teremos tribulações, lutas e sofrimentos – e até nos advertiu quanto a isso –, mas garantiu que não nos deixaria órfãos; que voltaria para nos buscar, e logo cumprirá essa promessa.

As pessoas precisam parar de olhar para os “montes” como se de lá lhes viesse o socorro. Precisam parar de confiar tanto nas obras de suas mãos, nas estruturas que construíram e que lhes parecem tão sólidas. Essas coisas são apenas paliativos para um problema maior. Não temos condições de salvar a nós mesmos. Precisamos do poder da esperança; precisamos do Deus da esperança, o Criador do Universo.

Conte isso para as pessoas. Seja um portador de boas-novas. Diga para elas que Deus existe e que Jesus em breve voltará para nos tirar deste mundo que se consome, que se autodestrói. Seja um missionário da esperança!

Michelson Borges

P.S.: “Quando os justos florescem, o povo se alegra; quando os ímpios governam, o povo geme. […] O rei que exerce a justiça dá estabilidade ao país, mas o que gosta de subornos o leva à ruína.” (Provérbios 29:2, 4).

Embaixada americana em Jerusalém: profecia cumprida?

embaixada-americana-jerusalem-4Ontem foi inaugurada a embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, em um claro reconhecimento do governo norte-americano de que a cidade é a capital de Israel. A cerimônia atraiu a atenção do mundo todo. O evento foi transmitido ao vivo para milhões e o tom religioso ficou evidente. Dois pastores evangélicos e um rabino fizeram orações de dedicação e pediram a bênção de Deus. Robert Jeffress, pastor da Primeira Igreja Batista de Dallas, mencionou supostas profecias sobre a restauração de Israel em 1948, após quase dois mil anos sem ser contada entre as nações, e encerrou sua fala dizendo: “…em nome do Príncipe da Paz, o nosso Senhor Jesus Cristo.” Obviamente havia muitos líderes religiosos judeus ali, como o rabino Zalman Wolowik, que orou para que mais nações também mudem suas embaixadas para Jerusalém. O pastor John Hagee, do ministério Cristãos Unidos por Israel, encerrou a cerimônia com uma oração, e disse: “Jerusalém é a cidade onde o Messias virá e estabelecerá um reino que não terá fim.”

A decisão do presidente Donald Trump, como era de esperar, teve apoio e manifestações contrárias. Enquanto muitos acham que se trata de uma vitória há muito esperada, outros a consideram um crime e até uma declaração de guerra.

Muitos cristãos ficaram contentes com a mudança da embaixada, pois entendem isso como um passo na direção da construção de um novo templo em Jerusalém. “Se o presidente Trump realmente tiver um chamado semelhante ao do rei Ciro”, escreveu o site Prophecy News Watch, “pode ser que Deus use esse promotor imobiliário transformado em presidente para facilitar o maior desenvolvimento imobiliário dos tempos modernos: a reconstrução do Templo?” Trump tem sido comparado ao antigo rei Ciro porque o governante persa ajudou a restabelecer os judeus em sua terra natal depois de eles terem ficado setenta anos em Babilônia.

Os que ensinam que Israel será um ator importante no cenário do tempo do fim baseiam seu ponto de vista em textos selecionados da Bíblia que falam do respeito de Deus por Israel e de Sua promessa feita a eles por meio de Abraão. O problema com essa interpretação é que ela falha em reconhecer que essas promessas eram condicionais, como fica claro em Levítico 26:27, 31-33, por exemplo. A restauração dependia da fidelidade de Israel a Deus (Jr 7:3).

O Israel político não ocupa lugar central no Novo Testamento. O nome “Israel” é usado como um título para a igreja, não para uma nação. Aqueles que creem em Jesus são os verdadeiros judeus, segundo o apóstolo Paulo: “Os que são da fé são filhos de Abraão” (Gl 3:7). “Nem todos os descendentes de Israel são Israel” (Rm 9:6; veja também Gl 3:27). Não se trata mais da identidade étnica, mas de uma mudança interna: “Não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é meramente exterior e física. Não! Judeu é quem o é interiormente, e circuncisão é a operada no coração, pelo Espírito, e não pela lei escrita” (Rm 2:28, 29).

Quanto a um novo templo em Jerusalém, nem Jesus nem os escritores do Novo Testamento previram algo dessa natureza. Muito pelo contrário. Com a morte de Cristo na cruz, a cortina do templo se rasgou de alto a baixo (Mt 27:51), indicando que aquele santuário e as cerimônias que eram realizadas nele não mais teriam validade dali para a frente, afinal, o verdadeiro Cordeiro de Deus havia sido sacrificado. O livro de Hebreus não se concentra em um templo feito pelos seres humanos, mas chama os crentes a olhar para o templo no Céu, onde Cristo ministra como nosso sumo sacerdote (Hb 9:8).

Essa mitologia cristã relacionada com a transferência da embaixada norte-americana e a possível construção de um novo templo em Jerusalém é baseada em uma breve declaração profética de Paulo: “Este se opõe e se exalta acima de tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, a ponto de se assentar no santuário de Deus, proclamando que ele mesmo é Deus” (2Ts 2:4). Mas quando levamos em conta o próprio conceito de Paulo sobre o templo como metáfora para a igreja, fica claro que essa passagem não está descrevendo um templo literal, mas antevendo a vinda de um falso líder que ganhará influência e desencaminhará muitos cristãos.

Israel como nação tem todos os direitos e responsabilidades de qualquer país e deve ser tratado com justiça, mas sua existência e localização na Terra Santa não se deve à antiga promessa divina. E a mudança da Embaixada norte-americana para Jerusalém não tem qualquer implicação profética. A não ser para aqueles que insistem em uma leitura superficial da Bíblia ou que baseiam sua opinião em novelas neopentecostais.

O detalhe para o qual devemos realmente estar atentos é que Trump tem diminuído cada vez mais a distância entre o Estado e a igreja e vem cumprindo as promessas feitas aos grupos evangélicos que o apoiaram na campanha presidencial e o têm apoiado. Até onde mais Trump estará disposto a ir para retribuir esse apoio? O tempo dirá. [MB]

Leia também: “O que a decisão de Trump sobre Jerusalém tem que ver com as profecias?” e “Crença no fim do mundo pesou na decisão de Trump sobre Jerusalém”

Trump concede aos religiosos mais voz no governo

trump“Em frente a uma pequena multidão de membros do gabinete e líderes religiosos no Jardim das Rosas da Casa Branca, o presidente Donald Trump anunciou e assinou uma ordem executiva que dá aos grupos religiosos uma voz mais forte no governo federal. “É um grande dia”, disse, após assinar o pedido e distribuir canetas para os líderes religiosos que o cercaram na manhã de primavera para o evento do Dia Nacional de Oração. Nenhum detalhe sobre a ordem foi dado na cerimônia, mas os líderes religiosos foram lembrados do trabalho que fazem para cuidar dos necessitados e foi assegurado pelo presidente que a liberdade religiosa continuaria a ser protegida pelo governo federal.

Um documento da Casa Branca publicado online após a assinatura da ordem dizia que o objetivo era garantir que as organizações religiosas e comunitárias “tivessem fortes defensores” na Casa Branca e no governo federal. Ele disse que a “Iniciativa de Fé e Oportunidade da Casa Branca” forneceria recomendações sobre programas e políticas em que organizações religiosas e comunitárias poderiam estabelecer parcerias com o governo para “oferecer soluções mais eficazes para a pobreza”.

Também apontou que o novo gabinete permitiria à administração Trump saber das falhas, dentro do poder executivo, cumprir as proteções à liberdade religiosa e garantir que as organizações de fé tenham “igual acesso ao financiamento do governo e igual direito ao exercício das suas crenças profundas”.

A iniciativa será liderada pelo recém-criado cargo de conselheiro da “Iniciativa de Fé e Oportunidade da Casa Branca” e será apoiada por líderes comunitários e religiosos fora do governo federal. Terá contatos designados de departamentos executivos e agências federais.

Um gabinete baseado na religião não é novo para a Casa Branca. Administrações anteriores, incluindo as dos presidentes Barack Obama e George W. Bush, tinham escritórios semelhantes. [Mike] Pence [vice-presidente dos EUA] disse à multidão que “crentes de todos os antecedentes têm um campeão no presidente Trump”, e lembrou-os da ordem executiva de Trump assinada um ano atrás, também numa cerimônia no Jardim das Rosas, que assegurou às pessoas de fé que “ninguém seria penalizado pelas suas crenças religiosas”. A nova ordem executiva leva isso um passo adiante, acrescentou ele.

O cardeal de Washington, Donald W. Wuerl, um dos vários líderes religiosos que fizeram uma oração a partir de uma plataforma no gramado da Casa Branca, rezou para que as pessoas tivessem a graça de ficar perto de Deus e do outro. Ele também orou pelos líderes do governo e pelos crentes para terem força e coragem para defender sua fé.

Trump disse que a oração “criou a identidade desta nação” e também a sustentou. Ele disse ao grupo que o novo gabinete era um passo necessário porque, ao resolver muitos dos problemas e desafios de hoje, “a fé é mais poderosa que o governo e nada é mais poderoso que Deus” (Catholic News Service).

Reforçando que esse tipo de iniciativa não é algo de novo, podemos afirmar que os laços entre as comunidades religiosas, essencialmente cristãs, e o governo americano estão sendo fortalecidos desde que Donald Trump assumiu a presidência. Nas palavras de Mike Pence, agora até se foi um pouco mais além do que antes; nas palavras de Trump, a fé tem mais força do que o próprio governo – assim, por que não ouvir cada vez mais o que os homens de fé têm a dizer?

(O Tempo Final)

Nota: Com Trump a aproximação entre religião e Estado tem sido cada vez maior, o que é perfeitamente esperado no cenário profético bíblico. Veja isto. [MB]

Mais um fim do mundo é previsto, desta vez para 23 de abril

fim-do-mundo[Meus comentário seguem entre colchetes. – MB.] Uma nova data para o fim do mundo acaba de ser anunciada: 23 de abril, segunda-feira. Essa data foi estipulada com base em uma mistura entre teorias da conspiração requentadas sobre o Planeta X, numerologia e releituras do livro do Apocalipse da Bíblia. O dia 23 de abril faz referência a uma das previsões de apocalipse mais famosas da história, quando William Miller, pregador da Igreja Batista, disse que o mundo acabaria no dia 23 de abril de 1843. Mais tarde ele mudou a data para 22 de outubro de 1844, dia que ficou famoso como “O Grande Desapontamento”, já que Jesus Cristo não apareceu para dar início ao fim. [Como qualquer estudioso da história das religiões – e do milerismo em específico – sabe, Miller e seus amigos calcularam corretamente a data da profecia com base nos livros de Daniel e Apocalipse, mas erraram no entendimento do que aconteceria no dia 22 de outubro de 1844. Assista a este vídeo para ter mais detalhes sobre o assunto.]

A mais recente previsão do fim do mundo foi de David Meade, para 23 de setembro de 2017, quando o alinhamento do Sol com nove estrelas e com os planetas Mercúrio, Vênus e Marte iriam preceder a passagem do Planeta X, que causaria todo tipo de problema geológico, culminando no retorno de Jesus. Nada aconteceu naquela data, e Meade adiou o evento para o final de abril de 2018.

Esta nova previsão é um repeteco da primeira. Segundo ele, Sol, Lua e Júpiter vão se alinhar com a constelação de Virgem, o que ecoa Apocalipse 12:1-2, que se refere a uma “mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. Ela estava grávida e gritava de dor, pois estava para dar à luz” [já mostrei que esse texto nada tem que ver com elucubrações astrológicas. Confira].

“Um pouco da especulação astral de Meade ironicamente faz eco com a previsão original, que vem de tradições antigas judaicas, greco-romanas, entre outras”, diz Allen Kerkeslager, professor de religiões antigas e comparadas da Universidade de St. Joseph (EUA). “Mas o autor de Apocalipse estava errado em sua previsão, então tanto seu livro quanto qualquer outro livro antigo não tem muita relevância ao prever o futuro”, disse ele ao Live Science. [E aqui vemos que o objetivo do inimigo de Deus é alcançado com essas falsas profecias que fazem os “estudiosos” concluírem que a Bíblia não teria razão. Uma pena que eles caiam tão facilmente na tática da cortina de fumaça.]

Meade não é conhecido por sua consistência nas previsões. Júpiter sequer vai estar alinhado com a constelação de Virgem no dia 23 de abril. O planeta estará alinhado com Libra. Na mesma data, o Sol vai se alinhar com a constelação Aries, enquanto a Lua vai se alinhar com a constelação Gêmeos.

(Live Science, via Hypescience)

Nota: Cada vez que uma “profecia” dessas passa e o mundo não acaba, as pessoas ficam ainda mais anestesiadas para as verdadeiras profecias. E isso torna ainda mais difícil a pregação a respeito da volta de Jesus. Por isso, devemos nos caracterizar pelo pensamento coerente, pela pregação lógica, bem fundamentada, sem sensacionalismos, ou, do contrário, o público nos colocará no mesmo saco onde estão “pregadores” como Meade e outros. [MB]

Macron propõe restaurar relações entre Igreja Católica e a França

macronO presidente francês Emmanuel Macron disse, durante a Conferência Episcopal Francesa, realizada no Collège des Bernardins de Paris, que deseja restaurar as relações entre a Igreja Católica e o Estado. Dirigindo-se aos cerca de 400 participantes, Macron afirmou: “Compartilhamos um sentimento confuso de que o vínculo entre Igreja e Estado se deteriorou e que é importante para vocês e para mim consertá-lo.” Macron acrescentou que “não há outra solução que não seja um diálogo de verdade. Essa conversa é imprescindível, porque uma Igreja que não pretende se interessar por questões temporais não está cumprindo sua vocação. Assim como um presidente que pretende se afastar da Igreja e dos católicos está faltando com seus deveres”. Finalmente, o presidente francês convidou os católicos a “trabalharem politicamente”, pois a política “precisa” do “compromisso da fé”.

Essas afirmações devem ser historicamente contextualizadas para melhor percebermos a relevância delas. Não estaremos exagerando se dissermos que a França é a autora do secularismo moderno. Os princípios da Revolução Francesa de mais de dois séculos trouxeram uma enorme onda de ateísmo, arreligiosidade e até antirreligiosidade. Macron fez um pouco esse reconhecimento ao dizer que a França “não poupa a sua desconfiança de religiões”.

Recordemos uma breve descrição que Ellen White faz desses acontecimentos históricos, utilizando registros históricos da época:

“Durante a Revolução, em 1793, ‘o mundo pela primeira vez ouviu uma assembleia de homens, nascidos e educados na civilização, e assumindo o direito de governar uma das maiores nações europeias, levantar a voz em coro para negar a mais solene verdade que a alma do homem recebe, e renunciar unanimemente à crença na Divindade e culto à mesma’ (Vida de Napoleão Bonaparte, de Sir Walter Scott). ‘A França é a única nação do mundo relativamente à qual se conserva registo autêntico de que, como nação, se levantou em aberta rebelião contra o Autor do Universo. Profusão de blasfemos, profusão de incrédulos, tem havido e ainda continua a haver, na Inglaterra, Alemanha, Espanha e em outras terras; mas a França fica à parte, na história universal, como o único Estado que, por decreto da Assembleia Legislativa, declarou não haver Deus, e em cuja capital a população inteira, e vasta maioria em toda parte, mulheres assim como homens, dançaram e cantaram com alegria ao ouvirem a declaração’ (Blackwood’s Magazine, de novembro de 1870” (O Grande Conflito, p. 269).

Não é por isso coincidência ter sido justamente o braço armado dessa nação quem retirou ao papa o seu poder temporal (em 1798, executando a “ferida de morte” profetizada em Apocalipse 13:3).

Desde então, e como é normal, a França tornou-se um símbolo da oposição e negação de tudo quanto é religioso, principalmente cristão. Claro que isso não impediu que existissem, como até hoje, comunidades religiosas no país. Contudo, é claro para qualquer historiador ou até sociólogo a especial preponderância de valores e princípios secularistas nesse país.

Assim sendo, assume particular destaque o convite do presidente francês para que a Igreja Católica se interesse por assuntos temporais (sendo que, como já foi mencionado, foi justamente a França que em 1798 retirou a voz temporal da Igreja!) e a ter uma parte ativa no trabalho político.

Enquanto os católicos em particular e os cristãos de forma geral podem ter ficado satisfeitos com essa posição do presidente francês, talvez os progressistas fiquem incomodados e entendam que Macron está fazendo a França voltar atrás no tempo – afinal, pensarão eles, a separação entre Estado e Igreja deveria impedir que a Igreja se envolvesse assim tanto em questões políticas. Por isso, logo classificaram as palavras de Macron como “indignas de um presidente de uma república laica” e “uma afronta perigosa à laicidade”.

Se pensaram assim, Macron esclareceu que a função da laicidade, princípio fundamental do Estado francês, “não é erradicar da sociedade a espiritualidade que nutrem tantos dos nossos compatriotas”, acrescentando mesmo que o mundo político precisa da fé. O presidente francês foi mais nítido quando pediu aos católicos para reinvestirem na “cena política nacional e também europeia”. Imagino que essas palavras foram recebidas no Vaticano como uma bela e harmoniosa música…

Em resumo do essencial que mais interessa, dois aspetos proféticos parecem estar implicados nessa questão:

a) O papado romano dá mais uma evidência de estar se recuperando da ferida de morte, incluindo, agora de forma específica, na nação que lhe provocou essa ferida (Apocalipse 13:3).

b) Simultaneamente, o mesmo papado ganha um novo fôlego e ímpeto para se vingar do ateísmo e do secularismo que o derrubou.

(O Tempo Final)