Terremoto, praga de gafanhotos e nuvem gigantesca de poeira: 2020 ainda não acabou…

gafanhotos5O ano de 2020 entrará para a História por vários motivos, entre eles pelas muitas tragédias ambientais, várias delas sendo colocadas na conta das mudanças climáticas, evidentemente, dando força para a causa ECOmênica.

O portal G1 noticiou o assunto da praga de gafanhotos deste jeito: “Como o aquecimento global vai espalhar uma ‘praga bíblica’.” Com o subtítulo: “Cientistas alertam que a mudança climática está tornando os insetos mais destrutivos e imprevisíveis. Os enxames de gafanhotos, em particular, têm o potencial de causar grandes danos agrícolas e ameaçar a segurança alimentar em mais de 60 países.” Os pesquisadores estimaram que os danos globais causados ​​por pragas de insetos a trigo, arroz e milho podem aumentar de 10% a 25% por grau Celsius de aquecimento. O impacto desse dano pode ocorrer em regiões de clima temperado, onde a maioria dos grãos é produzida.

“Condições mais secas no futuro nos limites norte e sul da área de distribuição de gafanhotos do deserto podem produzir habitats mais favoráveis ​​para esta espécie e podem ter impactos negativos importantes”, diz o entomologista Michel Lecoq, um dos maiores especialistas em gafanhotos do mundo. “Os riscos em termos de danos às culturas, pastagens e, em última instância, à segurança alimentar e social de muitas pessoas pobres nos países em desenvolvimento podem ser enormes”, adverte Le Coq.

Um enxame “pequeno” come a mesma quantidade de comida em um dia que cerca de 35 mil pessoas. Com a crise decorrente da pandemia causada pelo novo coronavírus, ampliada pelo aumento desse tipo de praga, a fome aumentará no mundo

Terremoto no México

Um alerta de tsunami foi disparado para a costa do Pacífico nesta terça-feira (23) logo após um terremoto de 7,5 graus na escala Richter atingir diversas regiões do México pela manhã. Segundo publicações internacionais, o Serviço Geológico e Sismológico dos Estados Unidos disse que “ondas perigosas” de até três metros podem atingir a costa sul do México. A costa do Equador também está em alerta, por lá as ondas podem chegar até um metro.

No caso de Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Havaí e Peru podem ter ondas de, no máximo, meio metro, segundo o alarme.

O terremoto foi registrado na cidade de Crucecita, no estado de Oaxaca, no sul do México, e foi sentido em várias partes do país. (Folha Vitória)

Nuvem de poeira

nuvemUma gigantesca mancha opaca encobre há dias parte do Oceano Atlântico. Nas imagens capturadas por satélites, uma nuvem marrom que vai da África até o Caribe cobre os tradicionais azul e branco vistos por satélite. Esse é um sinal inequívoco de que uma nuvem de ar do Saara – uma massa de ar muito seco e com poeira do deserto africano – se move em direção às Américas. Alguns especialistas a chamam de “nuvem de poeira Godzilla”. Se trata de um fenômeno recorrente a cada ano, mas que parece ter se intensificado em 2020.

No Caribe, os efeitos já são sentidos. Em vários países existe a recomendação para que os cidadãos usem máscaras e evitem atividades ao ar livre, dada a alta concentração de partículas no ar. Navios também foram advertidos sobre a baixa visibilidade para navegação. De acordo com Olga Mayol, especialista do Instituto de Estudos de Ecossistemas Tropicais da Universidade de Porto Rico, a atual nuvem tem a concentração mais alta de partículas de poeira observadas na região em comparação dos últimos 50 anos. (BBC News)

Nota: “Satanás também atua por meio dos desastres naturais, a fim de recolher sua colheita de pessoas desprevenidas. Estudou os segredos dos laboratórios da natureza e emprega todo o seu poder para dirigir os elementos tanto quanto Deus o permite. Quando lhe foi permitido afligir Jó, rapidamente rebanhos, servos, casas e filhos foram assolados, seguindo-se em um momento uma desgraça a outra! É Deus que protege as Suas criaturas, guardando-as do poder do destruidor. No entanto, o mundo cristão mostrou desdém pela lei de Jeová, e o Senhor fará exatamente o que declarou que faria: retirará Suas bênçãos da Terra, removendo Seu cuidado protetor dos que estão se rebelando contra a sua lei e não apenas ensinando, mas forçando outros a fazerem o mesmo. Satanás exerce domínio sobre todos os que Deus não guarda especialmente. Ajudará e fará prosperar alguns para favorecer os intuitos dele mesmo. Trará calamidade sobre outros e levará as pessoas a crer que é Deus que os aflige” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 589).

As duas testemunhas de Apocalipse 11:3 e mais erros de interpretação futurista

Captura de Tela 2020-06-23 às 12.47.49Os assuntos proféticos relacionados ao livro de Apocalipse têm provocado alguma polêmica nos últimos tempos. Recentemente, foi publicado um novo vídeo apresentando uma interpretação sobre as “duas testemunhas” mencionadas em Apocalipse 11:3. Nessa interpretação, foi sugerido um segundo ou duplo cumprimento profético, para além daquele entendimento que tem sido, ao longo do tempo, divulgado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia. Vamos agora comentar algumas das declarações produzidas no vídeo sobre essas duas testemunhas e o contexto em que aparecem. Não temos interesse algum em falar de pessoas específicas, mas, sim, do tema, do assunto em questão.

  1. Em primeiro lugar, é feita a declaração de que a “cidade santa” pisada por 42 meses mencionada em Apocalipse 11:2 é Jerusalém (a cidade literal, em Israel).

“42 meses”, “1260 dias” ou “tempo, tempos e metade de um tempo” são o mesmo período profético mencionado em Daniel 7:25; 12:7 e Apocalipse 11:2; 11:3; 12:6; 12:14; 13:5, que sempre se aplica simbolicamente ao período de domínio papal entre 538 e 1798 (1260 anos literais).

Durante esse período literal de 1260 anos, qual foi a relevância profética da cidade literal de Jerusalém? Rigorosamente nenhuma. Portanto, essa “cidade santa” que é pisada (Apocalipse 11:2) tem de referir-se a algo que não a cidade literal de Jerusalém, em Israel.

Vamos perceber isso nos outros textos onde temos referências proféticas ao período de 1260 anos literais além de Apocalipse 11.

Daniel 12:7

“E ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, o qual levantou ao céu a sua mão direita e a sua mão esquerda, e jurou por aquele que vive eternamente que isso seria para um tempo, tempos e metade do tempo. E quando tiverem acabado de espalhar o poder do povo santo, todas estas coisas serão cumpridas.”

Daniel 7:25

“E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo.

Apocalipse 12:6

“E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.”

Apocalipse 12:14

“E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.”

Apocalipse 13:5-7

“E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses. E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu. E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação.”

Comentando o texto de Apocalipse 11:2-11, Ellen White diz o seguinte sobre os 42 meses mencionados no versículo 2 e os 1260 dias mencionados no versículo 3: “Os quarenta e dois meses e os mil duzentos e sessenta dias são o mesmo período, o tempo em que a igreja de Cristo deveria sofrer opressão de Roma” (O Grande Conflito, p. 119).

Fica, portanto, evidente que em todos os casos em que esse período de tempo profético é mencionado, os santos de Deus, a igreja de Cristo é que são perseguidos, não a cidade literal de Jerusalém. Contudo, o apresentador do referido vídeo declara: “Aqui está dizendo que Jerusalém será novamente pisada. Jerusalém se tornará posse, se tornará jurisdição papal.”

Ora, conforme vimos anteriormente, toda a revelação no contexto dos 42 meses aponta para o período entre 538 e 1798, e nunca para o futuro. Não conhecemos nenhuma evidência clara e definida que aponte algum segundo ou duplo cumprimento nesse caso; mas mesmo que encontrássemos, isso seria sempre algo relacionado ao povo de Deus, à Sua igreja, como já vimos, e não à cidade literal de Jerusalém.

Mais ainda: o apresentador do vídeo alega que Daniel 11:45 profetiza que o papado romano (“rei do norte” no fim e Daniel 11) dominará sobre a cidade de Jerusalém (descrita no fim de Daniel 11 como “entre o mar grande e o monte santo e glorioso”). Fazer uma leitura da “cidade santa” de Apocalipse 11:2 ou de “entre o mar grande e o monte santo e glorioso” de Daniel 11:45 como sendo Jerusalém literal, em Israel, é incorrer no erro dispensacionalista das interpretações proféticas da maioria dos evangélicos norte-americanos.

Profeticamente, escatologicamente, Israel e Jerusalém devem ser entendidos de forma simbólica e não literal. Permita-me apresentar uma evidência:

Romanos 9:27: “Também Isaías clama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo.”

Isaías 10:22: “Porque ainda que o teu povo, ó Israel, seja como a areia do mar, só um remanescente dele se converterá.”

Se, escatologicamente, ou seja, referente ao fim dos tempos, “Israel”, “Jerusalém”, “cidade santa” e “entre o mar grande e o monte santo e glorioso” forem entendidos literalmente, então apenas israelitas, judeus é que serão salvos. Essa ideia contraria frontalmente este ensinamento das Escrituras: “Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus” (Romanos 2:28, 29).

Portanto, judeu, israelita, Jerusalém devem ser lidos e entendidos espiritualmente, não literalmente.

  1. No vídeo, o apresentador sugere que quando a ferida mortal que o papado romano sofreu (Apocalipse 13:3) for totalmente curada – o que, corretamente, é ligado à promulgação de um decreto dominical –, começam os 42 meses ou três anos e meio literais da última supremacia papal, tempo esse mencionado em Apocalipse 13:5.

Atente para este gráfico que descreve de forma resumida os últimos eventos antes da segunda vinda de Cristo:

grafico

Todos percebemos facilmente que o decreto dominical será assinado antes do fim do tempo da graça, antes de Cristo terminar Seu ministério do lugar Santíssimo do santuário celestial. Isso quer dizer que, caso no momento do decreto dominical se comece a contar um periodo profético de 42 meses (que o apresentador alega serem literais, mas nem importa para o caso se são literais ou simbólicos) de Apocalipse 13:5, então temos tempo profético definido antes do fim do tempo da graça! Isso estaria em contradição com as seguintes afirmações de Ellen White:

“O povo não terá outra mensagem com tempo definido. Após o fim desse período de tempo, que vai de 1842 a 1844, não pode haver um traçado definido de tempo profético. O mais longo cômputo chega ao outono de 1844” (Cristo Triunfante, p. 380).

“O tempo não tem sido um teste desde 1844, e nunca mais o será” (Primeiros Escritos, p. 74).

Ora, se colocarmos os 42 meses de Apocalipse 13:5 começando no momento do decreto dominical, nesse caso teremos um “teste de tempo”; teremos um “traçado definido” antes do fim do tempo de graça. Isso é simplesmente inadmissível!

Em confirmação, veja atentamente o comentário de Ellen White aos 42 meses mencionados em Apocalipse 13:5:

“No Capítulo 13:1-10, descreve-se a besta ‘semelhante ao leopardo’, à qual o dragão deu ‘o seu poder, o seu trono, e grande poderio’. Esse símbolo, como a maioria dos protestantes tem crido, representa o papado, que se sucedeu no poder, trono e poderio uma vez mantidos pelo antigo Império Romano. Declara-se quanto à besta semelhante ao leopardo: ‘Foi-lhe dada uma boca para proferir grandes coisas e blasfêmias. […] E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do Seu nome, e do Seu tabernáculo, e dos que habitam no Céu. E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação.’ Esta profecia, que é quase idêntica à descrição da ponta pequena de Daniel 7, refere-se inquestionavelmente ao papado. ‘Deu-se-lhe poder para continuar por quarenta e dois meses.’ E, diz o profeta, ‘vi uma de suas cabeças como ferida de morte’. E, mais, ‘se alguém leva em cativeiro, em cativeiro irá; se alguém matar à espada, necessário é que à espada seja morto’. Os quarenta e dois meses são o mesmo que ‘tempo, tempos, e metade de um tempo’, três anos e meio, ou 1.260 dias, de Daniel 7, tempo durante o qual o poder papal deveria oprimir o povo de Deus. Este período, conforme se declara nos capítulos precedentes, começou com a supremacia do papado, no ano 538 de nossa era, e terminou em 1798” (O Grande Conflito, p. 439).

Novamente, não conhecemos nenhuma evidência clara e definida que aponte algum segundo ou duplo cumprimento neste caso. Pelo contrário, temos novamente vários problemas com essa interpretação.

  1. O apresentador do vídeo comete um grave lapso que, espantosamente, denuncia seu raciocínio errado. Em determinado momento, ele diz: “No passado, o povo de Deus foi pisado, pisoteado, perseguido por 42 meses proféticos, 1260 anos. A História se repete.”

Qual o problema aqui? É que o apresentador sugere que a perseguição que haverá nesses 42 meses que coloca ainda no futuro será sobre a cidade literal de Jerusalém, em Israel. Contudo, a perseguição no passado, que também menciona, os 42 meses proféticos, ou 1260 anos literais entre 538 e 1798, não foi sobre Jerusalém literal, mas, sim, sobre Jerusalém simbólica, o “povo de Deus” que o apresentador corretamente mencionada.

Portanto, na leitura que é sugerida, temos: quem foi perseguido pelo papado de 538 até 1798 foi o povo de Deus, o Israel ou Jerusalém simbólico; mas, no futuro, após o decreto dominical, quem será perseguido pelo papado será Jerusalém literal. A isso o apresentador chama de repetição da História; creio que fica bem claro que isso é repetição de incoerência e inconsistência.

  1. No vídeo, é feita a sugestão de que os três anos e meio (ou 42 meses) literais, que começam no decreto dominical, terminarão quando acontecer o que está previsto em Apocalipse 17:16, momento em que a prostituta (papado romano) será colocada “desolada e nua”, “comerão a sua carne” e a “queimarão no fogo”. Em seguida, o apresentador propõe que essa queda final e definitiva do papado (a besta que sobe do mar de Apocalipse 13, a prostituta de Apocalipse 17) marca o momento em que Satanás personificará a Cristo e promoverá o decreto de morte.

Veja o que Ellen White comenta acerca do momento em que Satanás imitará a segunda vinda de Jesus: “Como ato culminante no grande drama do engano, o próprio Satanás personificará Cristo. A igreja tem há muito tempo professado considerar o advento do Salvador como a realização de suas esperanças. Assim, o grande enganador fará parecer que Cristo veio. Em várias partes da Terra, Satanás se manifestará entre os homens como um ser majestoso, com brilho deslumbrante, assemelhando-se à descrição do Filho de Deus dada por João no Apocalipse (cap. 1:13-15). A glória que o cerca não é excedida por coisa alguma que os olhos mortais já tenham contemplado. Ressoa nos ares a aclamação de triunfo: ‘Cristo veio! Cristo veio!’ O povo se prostra em adoração diante dele, enquanto este ergue as mãos e sobre eles pronuncia uma bênção, assim como Cristo abençoava Seus discípulos quando aqui na Terra esteve. Sua voz é meiga e branda, cheia de melodia. Em tom manso e compassivo apresenta algumas das mesmas verdades celestiais e cheias de graça que o Salvador proferia; cura as moléstias do povo, e então, em seu pretenso caráter de Cristo, alega ter mudado o sábado para o domingo, ordenando a todos que santifiquem o dia que ele abençoou. Declara que aqueles que persistem em santificar o sétimo dia estão blasfemando de Seu nome, pela recusa de ouvirem Seus anjos a eles enviados com a luz e a verdade. É este o poderoso engano, quase invencível” (O Grande Conflito, p. 624).

A pergunta que se impõe é: Se, como Ellen White refere, nessa contrafação da segunda vinda de Cristo, Satanás irá alegar “ter mudado o sábado para o domingo, ordenando a todos que santifiquem o dia que ele abençoou”, como é que, conforme o apresentador do vídeo sugere, o papado já caiu, já foi desolado? Sendo que a santificação do domingo é a marca da supremacia e autoridade de Roma, como é que Satanás só usaria esse expediente após a queda final do papado romano?

Penso que esse raciocínio não tem o mínimo fundamento lógico.

  1. O apresentador diz que a besta que sobe do abismo representa também o dragão, o próprio Satanás. Alega ainda que “a Bíblia diz que Satanás foi lançado para o abismo, quando ele foi expulso do céu”.

Existem vários textos da Bíblia que abordam a expulsão de Satanás:

“Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações!” (Isaías 14:12 NVI).

“Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; lancei-te por terra” (Ezequiel 28:17).

“A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra? Se te elevares como águia, e puseres o teu ninho entre as estrelas, dali te derrubarei, diz o Senhor” (Obadias 1:3, 4).

“E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a Terra, e, com ele, os seus anjos” (Apocalipse 12:9).

Aliás, é o próprio Satanás que acaba por confirmar sua expulsão para a terra: “Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela” (Jó 1:7).

Portanto, todos esses textos sucessivos apontam Satanás sendo expulso para a terra e não para algum abismo.

Existem 53 referências a abismo em toda a Escritura. Com relação nítida a Satanás, temos Apocalipse 20:1-3: “E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo.”

Ora, a concretização dessa descrição profética está no futuro, e por isso não tem ligação com as “duas testemunhas” ou com a “besta do abismo” de Apocalipse 11.

Identificando essa besta que sobe do abismo, Ellen White escreveu: “Fora a política de Roma, sob profissão de reverência para com a Bíblia, conservá-la encerrada numa língua desconhecida, ocultando-a do povo. Sob seu domínio as testemunhas profetizaram ‘vestidas de saco’. Mas um outro poder – a besta do abismo – deveria surgir para fazer guerra aberta e declarada contra a Palavra de Deus. […] Segundo as palavras do profeta, pois, um pouco antes do ano 1798, algum poder de origem e caráter satânico se levantaria para fazer guerra à Escritura Sagrada. E na terra em que o testemunho das duas testemunhas de Deus deveria assim ser silenciado, manifestar-se-ia o ateísmo de Faraó e a licenciosidade de Sodoma. Esta profecia teve exatíssimo e preciso cumprimento na história da França” (O Grande Conflito, p. 269).

Portanto, se esse poder da “besta que sobe do abismo” deveria surgir após os 1260 anos, ou seja, não estava lá antes, obviamente não deve nem pode ser identificado como Satanás. É, sim, um poder de origem, caráter, inspiração satânicas; mas assim também é a “besta que sobe do mar” (Apocalipse 13:1) ou a “besta que sobe da terra” e “fala como dragão” (Apocalipse 13:11), nem por isso alegamos que elas também representam Satanás.

  1. Vamos, então, perceber quem são essas “duas testemunhas”, revendo alguns dos pontos anteriormente mencionados.

“E darei poder às Minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco. Estas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra” (Apocalipse 11:3, 4).

Esclarecendo o significado desses versículos: “Tua Palavra é lâmpada para meus pés, e luz para o meu caminho” (Salmo 119:105). [Os castiçais fornecem luz; as oliveiras alimentam os castiçais com azeite.]

“E o anjo que falava comigo voltou, e despertou-me, como a um homem que é despertado do seu sono, e disse-me: Que vês? E eu disse: Olho, e eis que vejo um castiçal todo de ouro, e um vaso de azeite no seu topo, com as suas sete lâmpadas; e sete canudos, um para cada uma das lâmpadas que estão no seu topo. E, por cima dele, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e outra à sua esquerda. E respondi, dizendo ao anjo que falava comigo: Senhor meu, que é isto? Então respondeu o anjo que falava comigo, dizendo-me: Não sabes tu o que é isto? E eu disse: Não, senhor meu. E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel…” (Zacarias 4:1-6).

As duas testemunhas representam a Palavra de Deus, as Escrituras do Antigo e Novo Testamentos. Fica evidente que estamos falando da própria Bíblia. Ellen White confirma essa ideia, como percebemos nos seguintes textos.

“Relativamente às duas testemunhas, declara mais o profeta: ‘Estas são as duas oliveiras, e os dois castiçais que estão diante do Deus de toda a Terra.’ ‘Tua Palavra’, diz o salmista, ‘é lâmpada para meus pés, e luz para o meu caminho’ (Apocalipse 11:4; Salmo 119:105). As duas testemunhas representam as Escrituras do Antigo e Novo Testamentos. Ambos são importantes testemunhas quanto à origem e perpetuidade da lei de Deus. Ambos são também testemunhas do plano da salvação. Os tipos, sacrifícios e profecias do Antigo Testamento apontam para um Salvador por vir. Os evangelhos e as epístolas do Novo Testamento falam acerca de um Salvador que veio exatamente da maneira predita pelos tipos e profecias” (O Grande Conflito, p. 268).

“O período em que as duas testemunhas deveriam profetizar vestidas de saco finalizou-se em 1798” (O Grande Conflito, p. 268).

É isso que podemos apender da Bíblia e restante revelação profética sobre as “duas testemunhas” de Apocalipse 11:3. Mais do que isso será pura especulação sem fundamento algum.

(Filipe Reis é ancião na Igreja Adventista de Avintes, em Portugal, e diretor do projeto O Tempo Final)

Tragam de volta as leis dominicais (Blue Laws)

blue laws“Nos Estados Unidos, no sétimo dia da semana, o comércio e a indústria parecem suspensos em todo o país; todo barulho cessa. Uma paz profunda, ou melhor, uma espécie de contemplação solene, toma seu lugar. A alma recupera seu próprio domínio e se dedica à meditação.”

Alexis de Tocqueville escreveu essas palavras em sua obra-prima de análise política e social de 1835, Democracia na América. Durante a enfraquecida quarentena do coronavírus na América, nossa nação, pelo menos externamente, parecia ter ganhado um espírito mais silencioso, contemplativo e revificante. Agora, na terrível esteira do assassinato, os protestos se transformaram em tumultos incendiários e saques. Não obstante, os americanos, naqueles primeiros dias de quarentena – depois que a névoa de sua compulsão pela Netflix havia evaporado – acordaram com uma apreciação surpreendida pelo que as gerações anteriores haviam considerado normal: leis dominicais, também conhecidas como leis azuis [Blue Laws]. Quando os EUA voltarem à normalidade, devemos considerar essas leis e seus múltiplos benefícios novamente.

O reconhecimento das recompensas do Shabbat não se limita apenas a cristãos como o papa Francisco, que em uma entrevista em 2018 declarou: “Um dia da semana. Isso é o mínimo! Por gratidão, para adorar a Deus, passar tempo com a família, brincar, fazer todas essas coisas. Nós não somos máquinas.” Jay Lefkowitz, um advogado de Nova York, num artigo de 7 de maio no The Washington Post, argumenta que a observância do sábado judaico traz separação e equilíbrio saudáveis. Ele explica:

“Quando os judeus santificam o sábado e o observam como santo, estão fazendo um ato consciente de separação. No mais elementar sentido, o Shabbat é sobre separar o profano do sagrado, a semana de trabalho do Shabbat. […] O Shabbat é sobre equilíbrio ou, para usar uma palavra moderna, atenção plena. […] Não podemos nos recarregar através de uma porta USB.”

Isso se alinha a outros movimentos que apreciam a necessidade de “desconectar”, como o minimalismo digital ou o “monasticismo secular”, uma frase cunhada em “First Things”, um ensaio de março de Andrew Taggert.

Mais seriamente, Tocqueville identificou vários benefícios a uma vez comum inclinação americana de descansar. O primeiro é como a adoração a Deus orienta o homem para o transcendente e seus propósitos. Na igreja, o americano “ouve a necessidade de controlar seus desejos, dos prazeres sutis da virtude e a verdadeira felicidade que eles trazem”. Quando o americano volta para casa, ele não se apressa a voltar aos livros de negócios. Ele abre as Escrituras Sagradas e descobre as representações sublimes ou tocantes da grandeza e bondade do Criador, a magnificência infinita da obra de Deus, o elevado destino reservado ao homem, seus deveres e suas reivindicações para a vida eterna.

No culto a Deus e no reconhecimento de Sua bondade na criação, o homem percebe sua própria bondade criada e a bondade do mundo em que ele habita, incluindo sua nação peculiar. Isso, por sua vez, o direciona para seus deveres cívicos de amar e servir os vizinhos num ato de mordomia. Ele sente “a necessidade urgente de instilar a moralidade na democracia por meio da religião”.

O segundo benefício é a qualidade moderada da observância do Shabbat num capitalismo americano que pode tender a fins exclusivamente materialistas que obscurecem a dignidade inerente ao homem.

É assim que, de tempos em tempos, o americano se esconde em algum grau de si mesmo e, arrancando uma pausa momentânea daquelas paixões triviais que agitam sua vida e das preocupações passageiras que invadem seus pensamentos, ele de repente explode num mundo ideal onde tudo é grande, puro e eterno.

Tocqueville percebeu que o capitalismo democrático, se desconectado da religião, transformar-se-ia num terreno desumano e materialista, onde os homens se manipulam e exploram uns aos outros para obter ganho lucrativo. Isso acontece porque “a democracia incentiva o gosto por prazeres físicos que, se excessivos, logo convencem os homens a acreditar que nada além da matéria existe”. E se apenas existe matéria, os homens são propensos a fazer o que quiserem para que os outros (ou eles mesmos) saciem seus desejos. As leis do Shabbat, em seu apoio implícito (ou explícito) ao transcendente, lembram aos cidadãos que existem atividades maiores e mais nobres do que “autoatualização” e “autorrealização”.

Terceiro, ao direcionar os cidadãos para fins transcendentes, as leis do Shabbat inspiram os homens a buscar bens sociais que perduram além de suas próprias vidas circunscritas.

As nações religiosas alcançaram frequentemente resultados tão duradouros. Elas descobriram o segredo do sucesso neste mundo, concentrando-se no próximo. As religiões instilam nos homens o hábito geral de se conduzir com o futuro em mente e não são menos úteis para a felicidade nesta vida do que para a felicidade na próxima.

Os cidadãos conscientes de sua finitude e de suas naturezas espiritual e imaterial trabalharão não apenas para hoje, mas também para o futuro de seus filhos e netos. A Catedral de Notre-Dame, essa esplêndida manifestação de habilidade e engenhosidade humana, levou cerca de 180 anos, ou seis gerações, para ser construída. Tais projetos gloriosos exigem um caráter definido pela disposição de sofrer e sacrificar, cientes de que serão os descendentes desconhecidos que gozarão dos frutos do trabalho de alguém.

Quando as nações abandonam a consideração de fins transcendentes, seus cidadãos estão mais inclinados a viver egoisticamente hoje, sem considerar seus vizinhos ou sua descendência. “Vamos fazer hoje à noite, porque talvez não cheguemos ao amanhã”, diz a popular música de 2012. Tocqueville adverte:

“Nos tempos céticos, portanto, sempre existe o perigo de que os homens se entreguem sem cessar aos caprichos ocasionais do desejo diário e que abandonem inteiramente qualquer coisa que exija esforço a longo prazo, deixando de estabelecer algo nobre, calmo ou duradouro.”

Por esse motivo, Tocqueville adverte e persuade os americanos a preservar sua religiosidade peculiar: “Não busque roubar dos homens suas antigas opiniões religiosas […] para que […] a alma se encontre momentaneamente sem crenças e o amor de prazeres físicos se espalhe para preenchê-la inteiramente.”

No entanto, é exatamente isso que os Estados Unidos fizeram, eliminando restos de leis azuis outrora comuns em prol do adorado dólar. Houve um tempo em que até a Suprema Corte dos Estados Unidos favoreceu essas ordenanças, escreveu o juiz Stephen Johnson Field em “Hennington v. Geórgia” (1896): “A proibição de negócios seculares no domingo é defendida com o argumento de que por ela o bem-estar geral é avançado, o trabalho protegido e o bem-estar moral e físico da sociedade promovido.” Não menos do que George Washington ter sido detido por um dizimista por violar a lei de Connecticut proibindo viagens desnecessárias no domingo. (Ele foi autorizado a continuar depois de prometer ir apenas até seu destino.)

Agora, com algumas situações anômalas, os domingos são mais ou menos indistinguíveis de outros dias. Alguns municípios ainda proíbem a venda de álcool aos domingos. Alguns condados da Flórida proíbem a venda de brinquedos sexuais aos domingos. Entre outras curiosidades, corridas de cavalos e concessionárias de carros estão fechadas em Illinois.

Muitas nações europeias nunca abandonaram as restrições comerciais aos domingos e suas economias resultaram muito bem. De fato, manter as lojas abertas no domingo favorece desproporcionalmente os grandes lojistas à custa do negócio familiar. Na Polônia, a proibição comercial aos domingos de 2017 foi “sobre ajudar pequenas lojas familiares, mas também sobre permitir que pessoas efetivamente forçadas a trabalhar aos domingos fiquem livres”, disse o presidente Andrzej Duda. Desde a introdução da proibição, Duda observou, mais famílias se envolvem em atividades ao ar livre e a indústria do turismo doméstico é beneficiada.

Os Estados Unidos, em prol de seu próprio bem-estar emocional e espiritual – em prol de sua própria sanidade – precisam restaurar as leis azuis. [Ou seja, descanso dominical com os argumentos bíblicos a respeito da guarda do sábado.]

Houve um tempo, por mais surpreendente que seja, em que a Amazon não entregava aos domingos e os americanos de alguma forma sobreviveram. Houve um tempo em que os cidadãos precisavam fazer compras na loja de ferragens num dia da semana ou no início da manhã de sábado, para concluir seus projetos domésticos.

Para impedir as acusações de “teocracia”, não estou defendendo a visita obrigatória à igreja (embora isso não fosse a pior ideia), mas sim restrições simples sobre que empresas permanecem abertas no domingo. Líderes políticos e culturais poderiam “optar por não participar” de redes sociais: como Tocqueville observa corretamente, os líderes que estabelecem o padrão devem “agir todos os dias como se acreditassem neles mesmos”.

As leis azuis [Blue Laws] podem limitar a “liberdade”, mas apenas a liberdade ao consumo ilimitado. Se promulgadas de maneira prudente e focada, elas podem cultivar a virtude, fortalecer a vizinhança e proteger as pequenas empresas. Mais importante, elas podem ajudar a promover a oração e a paz – agora, quando os Estados Unidos mais precisam disso.

(Crisis Magazine)

Nota do blog O Tempo Final: “Fica bem claro o apelo para uma legislação que obrigue a um descanso dominical. No caso concreto, o articulista até parece sugerir alguma urgência. Os tempos são sérios. Podemos estar no limiar dos grandes e estupendos acontecimentos que concluirão a história da Terra.”

Pedra maia fala da chegada do “senhor dos céus”

maiaO famoso calendário maia, que inspirou até filmes como “2012”, voltou a ser destaque na mídia e nas redes sociais. Isso porque um suposto pesquisador teria identificado um erro de interpretação das inscrições na pedra. Segundo ele, a data do fim do mundo na verdade é 21 de junho de 2020, ou seja, daqui a dois dias (veja aqui). Obviamente que as piadas e os memes voltaram a fervilhar na internet. E mais uma vez o tema do fim do mundo alimentou chacotas.

O calendário maia é uma pedra calcária esculpida com martelo e cinzel, e está incompleta. “No pouco que podemos apreciá-la, em nenhum de seus lados diz que em 2012 o mundo vai acabar”, disse em 2012 José Luis Romero, subdiretor do Instituto Nacional de Antropologia e História.

Na pedra está registrada a data de 23 de dezembro de 2012, o que na época provocou rumores de que os maias teriam previsto o fim do mundo para esse dia. Mas o detalhe mais interessante não foi destacado pela imprensa: “No pouco que se pode ler, os maias se referem à chegada de um senhor dos céus, coincidindo com o encerramento de um ciclo numérico”, afirmou Romero. A data gravada em pedra se refere ao Bactum XIII, que significa o início de uma nova era, insistiu Romero.

A Bíblia garante que ninguém sabe o dia nem a hora da volta de Jesus, mas é curioso notar como a pedra maia se refere à chegada do “senhor dos céus”. Centenas de culturas antigas também se referem ao dilúvio universal; outras tantas culturas trazem resquícios do relato da criação semelhante ao que encontramos na Bíblia. Seria essa referência à vinda do “senhor dos céus” outra “semente da verdade” que ficou na memória do povo maia?

É bom lembrar que muito tempo antes da encarnação de Jesus, Enoque, o sétimo depois de Adão, já proclamava a segunda vinda de Cristo (cf. Judas 14). Portanto, esse evento futuro pode muito bem ter sido preservado entre as tradições orais e escritas de alguns povos antigos.

Sabedor de que a Bíblia e mesmo resquícios de culturas antigas falam da vinda do Senhor, o inimigo de Deus procura desviar o foco das pessoas desse assunto importante, transformando-o em piada ou “anestesiando” a percepção popular, com várias falsas datas anunciadas e não cumpridas.

Jesus disse claramente que ninguém pode saber o dia e a hora de Sua vinda, mas no momento certo o Senhor dos Céus virá!

Michelson Borges

As duas nações mais populosas do mundo e com armamento nuclear estão em conflito

china indiaÍndia e China, as duas nações mais populosas do mundo — com os dois maiores exércitos e armas nucleares — estão em conflito há semanas no Himalaia. Mas a crise escalou nesta terça-feira. O exército indiano diz que três de seus soldados, incluindo um coronel, foram mortos em combates corpo a corpo com tropas chinesas. Na noite de terça-feira no horário local, a imprensa indiana informou que o exército tinha perdido 20 homens e “infligiu 43 baixas aos chineses”. Foram as primeiras mortes em mais de quatro décadas na disputa pela fronteira reivindicada pelos dois gigantes asiáticos. A área do confronto de terça-feira está exatamente na fronteira – chamada de Linha de Controle Real ou LAC (na sigla em inglês) – entre os dois países no vale de Galwan, em Ladakh. Isso ocorre na disputada região da Caxemira, que é altamente militarizada e ponto de frequentes conflitos por causa de reivindicações territoriais concorrentes entre Índia, Paquistão e China.

No vale de Galwan, muitos incidentes entre patrulhas indianas e chinesas têm sido registrados. Desde abril, os dois lados acumulam tanques, artilharia e tropas nas proximidades do vale. As forças terrestres são apoiadas por helicópteros de ataque e aviões de combate. […]

A economia chinesa é quase cinco vezes maior que a da Índia. A China se vê competindo para substituir os EUA como a potência mundial dominante. A Índia, por outro lado, abriga visões de uma ordem mundial multipolar, onde espera desempenhar um papel significativo. […] Uma das raízes da desconfiança da Índia está na relação entre China e Paquistão, aliados de longa data. O governo indiano acusa os chineses de terem ajudado os paquistaneses a obter tecnologia nuclear e mísseis. […]

(Terra)

Nota: Coreia do Sul vs. Coreia do Norte; China vs. Índia; Irã vs. Israel; EUA vs. China; EUA vs. Rússia… Essa situação faz lembrar Mateus 24:7 e a frase de Ellen White: “O tempo de angústia, que há de aumentar até o fim, está muito próximo. Não temos tempo a perder. O mundo está agitado com o espírito de guerra. As profecias do capítulo onze de Daniel quase atingiram o seu cumprimento final” (Eventos Finais, p. 12).

Perguntas interativas da Lição: a Bíblia e as profecias

profeciasAo revelarem o futuro, as profecias bíblicas não só nos dão direção e segurança, mas também confirmam a veracidade e confiabilidade das Escrituras. No entanto, é necessário usar os métodos corretos de interpretação para que não sejam desenvolvidas teorias particulares e enganosas. Esse foi o tema de estudo da lição da Escola Sabatina desta semana.

Perguntas para discussão em grupo:

Veja em João 13:19 e 14:29 um dos grandes propósitos das profecias bíblicas. De que maneira elas comprovam o caráter da Bíblia como Palavra de Deus? Que enorme vantagem temos hoje em relação às pessoas que viveram nos tempos de Daniel e Nabucodonosor?

Os métodos mais conhecidos atualmente para interpretar profecias bíblicas são preterismo, futurismo (ambos tendo origem no século 16) e historicismo. Como podemos saber que o método historicista é o que foi intencionado por Deus para interpretarmos corretamente as profecias? (R.: Esse foi o método utilizado por Jesus, pelos autores inspirados e pelo anjo que interpretou a visão para Daniel – cf. Dn 8:20, 21, 26; 11:31; Mt 24:15; Mc 13:14; 2Ts 2:3-7; etc.)

De que modo os capítulos 2, 7, 8 e 11 de Daniel nos dão o fundamento para usarmos o método de interpretação historicista? (R.: Esses quatro capítulos são paralelos e só fazem sentido se forem entendidos como a descrição da ascensão e queda dos vários impérios desde Daniel até a volta de Jesus.)

O conhecido “princípio dia-ano” (cf. Nm 14:34; Ez 4:6, 7) é uma ferramenta fundamental para se interpretar corretamente as profecias de longo prazo. Por que algumas profecias não fazem sentido algum se esse princípio não for aplicado (ver nota 1)? Como esse princípio se demonstra incontestável no caso das seguintes profecias: as 2.300 “tardes e manhãs” de Daniel 8:14; os 1.260 “dias” de Apocalipse 12:6 (ver nota 2); e especialmente as 70 semanas de Daniel 9:24-27?

A lição de terça-feira apresenta sete características do simbólico “chifre pequeno” mencionado nos capítulos 7 e 8 de Daniel. De que forma o papado preenche todos os requisitos para ser a única entidade que cumpre essa profecia? (veja, por exemplo, Dn 7:8, 25; 8:10-12; Ap 13:5-7; 2Ts 2:3, 4). De maneira apropriada, com amor, por que essa verdade ainda deve ser dita, mesmo que isso seja “politicamente incorreto” em nossos dias?

Quando Jesus voltar, Ele virá para “dar a cada um conforme as suas obras” (Mt 16:27; Ap 22:12). Isso indica que o caso de cada pessoa já terá sido decidido antes, no tribunal celestial. Chamamos esse processo no Céu de “juízo investigativo”. Se o princípio dia-ano é o correto para interpretar profecias (e vimos que é), e os 2.300 “dias” de Daniel 8:14 devem ser contados a partir do ano 457 a.C. (quando saiu a ordem para reedificar Jerusalém, cf. 9:25). Então o juízo investigativo foi iniciado no ano 1844. Por que tão poucos cristãos sabem disso?

Em sua opinião, por que a maioria dos membros da igreja não sabe explicar a profecia das 2.300 tardes e manhãs (Dn 8:14)? O que é necessário para que ela seja aprendida? O que muda na vida das pessoas que compreendem essa profecia? (R.: Certamente será ampliada a compreensão do plano da redenção, como também o amor por Deus e pela verdade, a responsabilidade, o senso de missão, etc.)

Por que o método historicista é tão pouco usado nas interpretações proféticas populares? O que está em jogo quando se aceita a teoria (futurista) do “arrebatamento secreto”? O que isso nos revela sobre a condição do cristianismo atual? De que modo esse fato confirma a relevância da mensagem bíblica adventista?

É fato que o conhecimento das profecias é essencial para os adventistas do sétimo dia. Costuma-se dizer com muito acerto que, caso percam de vista a importância do conhecimento profético, eles também perdem automaticamente sua identidade como igreja e o seu senso de missão. Por que isso acontece?

Notas:

As profecias de longo alcance não se cumpririam se os “dias” proféticos fossem considerados de modo literal. A profecia das 70 semanas, por exemplo (Dn 9:24-27), prediz o batismo de Jesus (o “Ungido”) no fim de 69 semanas após a “saída da ordem para reedificar Jerusalém” (v. 25). Essa ordem foi dada no ano 457 a.C.; a interpretação de 69 semanas literais resulta em apenas um ano e quatro meses após essa data. Porém, quando o princípio dia-ano é aplicado, a 69a “semana” (483 anos) chega até o ano 27 d.C., exatamente o ano em que Jesus foi “Ungido” através do batismo para dar início à Sua missão messiânica! É por isso que em Marcos 1:15, pouco tempo após o batismo de Jesus, Ele ainda aparece dizendo: “o tempo está cumprido.” Ele Se referia à profecia das 70 semanas! Mais ainda, essa mesma profecia prediz que o “Ungido” faria “cessar os sacrifícios” 3,5 anos após Seu batismo, ou seja, “na metade da semana” seguinte (9:27). Isso se cumpriu precisamente no instante em que Jesus morreu e o véu do santuário foi rasgado de alto a baixo para indicar que os sacrifícios de animais não mais eram necessários (Mt 27:51; Mc 15:38; Lc 23:45).

Os cristãos fiéis à Bíblia sofreram intensa perseguição papal desde o ano 538 até 1798. Esse mesmo período de tempo é relatado sete vezes na Bíblia de três modos diferentes: “mil duzentos e sessenta dias” (Ap 11:3; 12:6), “quarenta e dois meses” (Ap 11:2; 13:5) e “tempo, tempos e metade de um tempo” (Dn 7:25; 12:7; Ap 12:14 – ver também Dn 4:32 e 11:13, onde se entende que “tempos” e “anos” são equivalentes).

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

“The Great Reset”, a nova ordem mundial e o substituto humano para a recriação de Deus

resetDesde o começo da rebelião no Céu, quando Lúcifer quis ocupar o lugar de Deus, esse anjo caído vem desenvolvendo contrafações ao que o Criador estabeleceu. Alguns exemplos: Deus criou no Éden o casamento heteromonogâmico e o sábado, quando concluiu a criação da vida em nosso planeta trazendo à existência o primeiro casal. O que fez o diabo? Bagunçou o conceito de casamento e usou poderes humanos para colocar em lugar do shabbat um dia que não conta com a bênção de Deus (Gn 2:2, 3), o domingo, 24 horas comuns de trabalho. Jesus salva os pecadores pela graça e realiza no santuário celestial uma obra intercessora em favor da humanidade caída. O que faz o inimigo? Desenvolve um sistema espúrio de salvação pelas obras e coloca seres humanos pecadores como intercessores em lugar de Cristo. A promessa de Deus presente em milhares de textos ao longo da Bíblia é a de que mil anos após a volta de Jesus Ele recriará este planeta, trazendo de volta a vida edênica num mundo de paz, justiça, bondade e eternidade (2Pd 3:10; Ap 21:1-3). Obviamente que Satanás não deixaria barato e tentaria contrafazer também essa bem-aventurada esperança (Tt 2:3). Por isso, faz com as pessoas creiam em reencarnação ou, então, no fim da vida, por exemplo. Ou as leva a crer na utopia de que poderão salvar o mundo com seus esforços. A mais recente campanha nesse sentido é conhecida como “The Great Reset”, e está ganhando corpo neste tempo de pandemia e crise econômica.

O site oficial do projeto liderado pelo World Economic Forum diz: “É urgente que as partes interessadas globais cooperem no gerenciamento simultâneo das consequências diretas da crise da Covid-19. Para melhorar o estado do mundo, o Fórum Econômico Mundial está dando origem à iniciativa ‘The Great Reset’. A crise da Covid-19 e as perturbações políticas, econômicas e sociais que ela causou estão mudando fundamentalmente o contexto tradicional da tomada de decisões. As inconsistências, inadequações e contradições de múltiplos sistemas – da saúde e financeiros à energia e educação – estão mais expostas do que nunca em meio a um contexto global de preocupação com vidas, meios de subsistência e o planeta. Os líderes se encontram em uma encruzilhada histórica, gerenciando pressões de curto prazo contra incertezas de médio e longo prazo.

“Ao entrarmos em uma janela única de oportunidade para moldar a recuperação, essa iniciativa oferecerá informações para ajudar a informar todos aqueles que determinam o estado futuro das relações globais, a direção das economias nacionais, as prioridades das sociedades, a natureza dos modelos de negócios e a gestão de um bem comum global. Partindo da visão e da vasta experiência dos líderes envolvidos nas comunidades do Fórum, a iniciativa ‘The Great Reset’ tem um conjunto de dimensões para construir um novo contrato social que honra a dignidade de todos os seres humanos.”

Embora a iniciativa foque na questão econômica, é preciso notar que a intenção é “resetar” a humanidade e promover uma nova ordem mundial, uma nova sociedade, “e construir um mundo mais estável, pacífico e próspero para todos”, como disse António Guterres, secretário-geral da ONU.

No vídeo disponível no site oficial, Charles, o príncipe de Gales, relaciona a pandemia causada pelo novo coronavírus com a crise ambiental, e diz que ambas são devastadoras. “Temos uma única janela de oportunidade que está se encolhendo rapidamente”, diz de maneira urgente o príncipe.

Segundo Klaus Schwab (foto acima), comissões de trabalho do World Economic Fórum apresentarão propostas em várias áreas para os delegados que se reunirão em janeiro de 2021 por ocasião do próximo encontro em Davos, na Suíça. A ideia é que haja uma mudança de mentalidade e estilo de vida que envolva todas as pessoas no mundo.

Como tenho dito em textos e vídeos em meu canal no YouTube, a crise desencadeada pelo novo coronavírus, pela consequente derrocada da economia e mesmo pelas revoltas oriundas do assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, está servindo de catalisador para acelerar uma série de medidas, decretos e decisões que favorecerão o cumprimento de profecias bíblicas há muito aguardadas. Isso tudo somado à crise ambiental cria o cenário perfeito para uma lei dominical proposta pelo papa Francisco e por outros papas antes dele. O mundo será preparado para parar um dia na semana. Deus tem um “reset” semanal. O diabo está preparando o caminho para o dele.

E “quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão” (1Ts 5:3).

Estejamos atentos e preparados!

Michelson Borges

“Domingo do Clima”: igrejas tomam a dianteira e ECOmenismo avança rapidamente

clima“Sunday Climate” é o nome da iniciativa de que as Igrejas da Grã-Bretanha e da Irlanda foram convidadas a participar por um ano, dando origem ao “Domingo do Clima”. O início está previsto para 6 de setembro de 2020, o primeiro domingo do período litúrgico conhecido como “Tempo da Criação”, e como parte da iniciativa cada igreja terá que cuidar de três aspectos. O projeto foi lançado pela Environmental Issues Network (EIN), que atua sob a tutela da Churches Together e oferece um serviço que visa explorar os fundamentos teológicos e científicos do cuidado com a criação e a ação climática; a oração e o engajamento ativo.

Toda igreja que participar, na condição de comunidade eclesial local, deverá se adaptar a longo prazo para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. Por fim, unindo-se a outras igrejas e à sociedade na área à qual pertence, deverá tomar medidas para ajudar a combater os efeitos das mudanças climáticas antes da próxima Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP26). Portanto, uma contribuição concreta, que ajudaria a comunidade internacional a fazer uma mudança de estratégias sobre essa questão.

“Temos que reconhecer os danos que estamos fazendo ao meio ambiente e nossa incapacidade de cuidar dos nossos irmãos e irmãs na nossa casa comum.” Assim explicou Dom John Arnold, bispo de Salford e responsável pelo setor do Meio Ambiente na Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales. Em um mundo pós-pandêmico, o projeto “Domingo do Clima” é uma excelente oportunidade para as paróquias católicas na Inglaterra e Gales – destacou –, assim como para nossos irmãos e irmãs de outras igrejas cristãs, para compreendermos a responsabilidade de cuidar do nosso planeta e de rezar e agir em resposta à emergência climática.

A campanha terá seu ápice no domingo, 5 de setembro de 2021, quando, durante um evento nacional, a igreja compartilhará seus compromissos e rezará para que, após as negociações que serão realizadas em Glasgow no decorrer da COP26 – novembro de 2021 – os líderes do mundo inteiro mostrem maior determinação e coragem para enfrentar a questão da mudança climática.

(Vatican News)

Nota 1: Sob o guarda-chuva do Vaticano e do movimento ecumênico, o ECOmenismo avança ainda mais rapidamente, acelerado pela pandemia. Note como a proposta é que as igrejas se unam, deem o exemplo e, assim, ajudem os líderes mundiais a terem “maior determinação e coragem para enfrentar a questão da mudança climática”. Em sua encíclica Laudato Si, o papa Francisco defende o descanso dominical como uma das estratégias para “salvar a Terra”. No recente Sínodo da Amazônia, essa foi a tônica. Com a quarentena, ficou claro que o papa tem razão em defender um dia de baixo carbono e de estreitamento das relações em família e com o meio ambiente. Essa proposta ganhou muita força, e agora “vem com tudo” com o nome de “Domingo do Clima”. De “Sunday Climate” para “Sunday Law” falta pouco… [MB]

Nota 2: Desde 2008 (confira aqui) venho chamando atenção para esse tema do ECOmenismo (expressão cunhada pelo pastor Sérgio Santeli). De lá para cá, o assunto foi ganhando força em todo o mundo e chamando atenção até de pensadores e escritores não adventistas, como Pascal Bernardin e Roger Scruton, entre outros. Com o papa Francisco, Greta Thunberg e agora com a pandemia, o cenário para a futura aprovação de uma lei dominical com argumentos difíceis de ser refutados se mostra mais do que nunca claro e favorável. Em algum momento os Estados Unidos comprarão essa causa e assinarão a lei dominical, em reconhecimento da autoridade papal, como prevê Apocalipse 13. Aguardemos o desdobramento dos fatos e preguemos o evangelho eterno como nunca antes! [MB]

A perigosa (e esperada) aproximação igreja-Estado

trumpDesde a campanha eleitoral, o presidente norte-americano Donald Trump falava em aproximar a igreja do Estado. Chegou a prometer a abolição da Emenda Johnson e vive rodeado de líderes evangélicos, sua maior base de apoio político. Não é de hoje que religião e política se mesclam nos bastidores da política americana, e quem conhece as profecias apocalípticas e já leu o clássico livro O Grande Conflito, de Ellen White, sabe muito bem o que isso tudo significa e aonde isso vai dar. (Sugiro que você assista ao vídeo no fim deste post para ter uma ideia mais clara dos riscos profetizados que rondam o mundo com essa mistura profana entre política e religião.) A esquerda, que já vinha servindo de catalisador para as ações da direita religiosa, com as manifestações ditas “antifascistas”, acaba de colocar mais uma peça no tabuleiro da história. Entenda por quê.

Na terça-feira da semana passada, Trump visitou o monumento em homenagem ao papa João Paulo II, no nordeste de Washington, gerando desconforto entre líderes católicos. “Acho desconcertante e reprovável que um lugar católico possa ser usado e manipulado de maneira a violar os princípios religiosos mais básicos”, disse o arcebispo de Washington, Wilton Gregory, em comunicado. A imagem abaixo, em que o protestante Trump e a esposa (católica) oram no santuário dedicado ao papa agora santo, é pra lá de emblematicamente ecumênica:

trump 2

Há um detalhe nisso tudo que talvez passe despercebido aos menos inteirados da história recente; aqueles que não acompanharam a luta velada da Igreja Católica chefiada por João Paulo II contra o comunismo. Karol Wojtyla (nome de batismo do papa polonês) foi um dos maiores inimigos do comunismo no século 20. Nos bastidores, ele fez grandes esforços para o que acabou culminando na derrubada do icônico Muro de Berlim. Assim, ao visitar o santuário do santo católico, Trump como que está tentando trazer à lembrança das pessoas (especialmente dos católicos) uma das causas de Wojtyla, e pedindo apoio para combater os Antifas, movimento que tem suas raízes no comunismo, como já vimos aqui. Sem querer, os esquerdistas (a “corda”) acabaram jogando mais uma vez o Estado (neste momento nas mãos da direita, a “flecha”) nos braços da primeira besta de Apocalipse 13. O fato é que as duas bestas continuarão se aproximando mais e mais, independentemente de quem esteja na cadeira: um presidente democrata ou republicano em Washington, e um papa “ponto fora da curva” de linha comunista em Roma, como Bergoglio. Os nomes podem mudar, mas os poderes representados por eles seguirão cumprindo o papel já previsto. [MB]

Leia também: “Por que governos de direita e a religião crescem no mundo”, “Líderes de extrema-direita reúnem-se secretamente em Fátima”, “‘Nem à esquerda, nem à direita’, explica doutor em Sociologia” e A esquerda é o arco, a direita é a flecha”

Ódio e revolta se espalham: a volta da Revolução Francesa?

guilhotinaTendo como estopim outra evidência do esfriamento do amor (Mateus 24:12) – o assassinado de George Floyd –, as manifestações de revolta continuam por todo o mundo, saindo dos limites, com espancamento de inocentes, destruição de patrimônio, saques e ressurgimento de grupos anárquicos oportunistas. Tudo isso, mais a moral decadente no planeta, o relativismo moral e comportamental, a busca por uma religiosidade permissiva e focada no ser humano, me fez lembrar deste texto de Ellen White, escrito no século 19 [obs.: a foto ao lado é de janeiro deste ano, quando manifestantes carregaram uma guilhotina pelas ruas de San Juan, em Porto Rico]:

“Quando o jovem sai ao mundo, para encontrar suas seduções ao pecado – a paixão de ganhar dinheiro, a paixão dos divertimentos e contemporizações, da ostentação, do luxo, extravagâncias, engano, fraude, roubo e ruína – que ensinos encontrará ali?

“O Espiritismo afirma que os homens são semideuses, não decaídos; que ‘cada mente julgará a si mesma’, que o verdadeiro conhecimento coloca os homens acima de toda a lei’, que ‘todos os pecados cometidos são inocentes’, pois ‘o que quer que seja, está certo’, e ‘Deus não condena’. Representa os mais vis dos seres humanos como estando no Céu, e grandemente exaltados ali. Assim, declara ele a todos os homens: ‘Não importa o que façais; vivei como vos aprouver, o Céu é vosso lar.’ Multidões são levadas assim a crer que o desejo é a lei mais elevada, a libertinagem é liberdade, e que o homem é apenas responsável a si mesmo.

“Com tal ensino dado logo ao princípio da vida, quando os impulsos são os mais fortes e mais urgente a necessidade de restrição própria e pureza, onde está a salvaguarda da virtude? O que deverá impedir que o mundo se torne uma segunda Sodoma?

“Ao mesmo tempo a anarquia procura varrer todas as leis, não somente as divinas mas também as humanas. A centralização da riqueza e poder; vastas coligações para enriquecerem os poucos que nelas tomam parte, a expensas de muitos; as combinações entre as classes pobres para a defesa de seus interesses e reclamos, o espírito de desassossego, tumulto e matança; a disseminação mundial dos mesmos ensinos que ocasionaram a Revolução Francesa – tudo propende a envolver o mundo inteiro em uma luta semelhante àquela que convulsionou a França.

“Tais são as influências a serem enfrentadas pelos jovens hoje. Para ficar em pé em meio de tais convulsões, devem hoje lançar os fundamentos do caráter.

“Em cada geração e país, o verdadeiro fundamento e modelo para a formação do caráter tem sido o mesmo. A lei divina: ‘Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, […] e ao teu próximo como a ti mesmo’ (Lc 10:27) – grande princípio este manifesto no caráter e vida de nosso Salvador – é o único fundamento certo e o único guia seguro” (Ellen G. White, Educação, p. 228, 229).

Nota: Foram a tremenda desigualdade social entre a nobreza e o povo e os desmandos e a corrupção dos governantes e do clero que levaram as massas à insurreição e à revolta na França. Enquanto boa parte da população de Paris passava fome, a nobreza francesa se mudou da capital e construiu um palácio nababesco cerca de 20 km de distância, em Versalhes. Seus portões recobertos de ouro e seus 700 quartos finamente decorados estavam em gigantesco contraste com a extrema pobreza do povo. Esse abismo entre as classes sociais despertou uma revolta que fugiu do controle a acabou derramando muito sangue, da nobreza e da plebe. O tempo passou e o fosso social só se ampliou no mundo. Condições semelhantes àquelas que deflagaram a Revolução Francesa novamente existem no planeta (se é que um dia deixaram de existir). O “salário dos trabalhadores” explorados ainda clama (Tg 5:4) e mais uma vez as massas se levantam furiosas em tumultos e manifestações, dando vazão ao ódio represado. A centralização do poder e das posses, os muitos privilégios de poucos de novo “envolve[m] o mundo inteiro em uma luta semelhante àquela que convulsionou a França”. O ano de 2020 realmente ficará na história como um dos mais trágicos e mais reveladores de que só existe uma esperança para a humanidade caída. E que venha logo esse dia da “intervenção celestial”! [MB]