Liberdade ameaçada – de lá e de cá

Teologia do domínio e ideologias identitárias são mais parecidas do que parece

Um deputado religioso quer proibir por lei “mudanças na Bíblia” (esquecendo-se aparentemente de que as Bíblias católicas têm livros a mais e que existem Bíblias em linguagem atual) (confira). Uma escola cristã em MG é alvo de ação civil por orientar os pais sobre ideologia de gênero (confira). No primeiro caso, há franca violação do conceito de Estado laico e dominionismo em ação. No segundo, ameaça à liberdade de crença e de expressão (leia o que publicou a Anajure). Evidentemente que é preciso respeitar a Bíblia, mas que isso fique nos domínios das religiões e não da política. Evidentemente que se deve combater a homofobia e a intolerância e respeitar os “diferentes”, mas que se respeite também o direito de discordar educadamente.

A teologia do domínio procura por vias políticas impor dogmas, conceitos, padrões (e eventualmente procurará impôr um dia oficial de descanso, já sabemos qual). As ideologias e teologias identitárias e da libertação relativizam a autoridade da Bíblia e, em muitos casos, lutam para impor um pensamento que desejam seja hegemônico. A ecoteologia da libertação ganha força e logo deverá lutar pela imposição de um dia de descanso para a “Mãe Terra”, já sabemos qual).

Muitas vezes os extremos são mais semelhantes do que parece à primeira vista…

Esquerda e direita instrumentalizam a religião

E o que isso tem que ver com as profecias do tempo do fim

Durante o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, a separação entre a igreja e o Estado esteve seriamente ameaçada (confira aqui, aqui e aqui), tendo o presidente inclusive dito que pretendia acabar com a Emenda Johnson (aqui), justamente a que garante essa separação saudável. No livro O Dia do Dragão (CPB), o pastor e jornalista Clifford Goldstein já chamava a atenção dos leitores para esse perigo (confira), e mais recentemente, em seu livro Apocalipse 13 (CPB), Marvin Moore, editor da revista Signs of the Times, fez o mesmo tipo de alerta.

Nas páginas 148 e 149, ele cita algumas autoridades norte-americanas que têm falado e lutado em favor da reaproximação entre religião e política. Nomes como o do pastor presbiteriano D. James Kennedy, que disse: “Se estamos dedicados a levar de volta a nação aos valores morais cristãos, e estamos envolvidos nisso, não há dúvida de que podemos testemunhar a queda, não só do muro de Berlim, mas do ainda mais diabólico ‘muro de separação’ que tem levado à secularização, impiedade, imoralidade e corrupção em nosso país.” E ele disse mais: “Nossa tarefa é recuperar os Estados Unidos para Cristo, qualquer que seja o custo. Como os representantes de Deus, devemos exercer domínio [teologia do domínio] e influência piedosos sobre nossa vizinhança, nossas escolas, nosso governo, nossa literatura e arte, nossos ginásios esportivos, nossa mídia de entretenimento, nossa mídia de notícias, nossos esforços científicos – em resumo, sobre todos os aspectos e instituições da sociedade humana.”

As palavras de Kennedy soam quase como uma cartilha, uma espécie de gramscismo à direita. Um esforço de infiltração religiosa a la “The Family” (confira aqui e aqui) em todos os níveis da sociedade, numa violação aberta do conceito de laicidade, mas sempre com a justificativa de se estar trazendo de volta os valores cristãos que constituem a base do mundo ocidental – família, patriotismo, respeito, e outra coisa que citarei mais abaixo.

No Brasil, temos visto algo parecido com a teologia do domínio na chamada Bancada Evangélica, em produções midiáticas muito bem feitas do ponto de vista técnico, como os documentários da “Brasil Paralelo”, e os muitos cursos e conteúdos de influenciadores que clamam pela volta de um catolicismo tradicional com sabor medieval (algo que era defendido pelo filósofo Olavo de Carvalho [aqui e aqui]), sempre com a justificativa de salvar a sociedade com a volta dos bons costumes.

Note que o esforço sempre nasce de um problema real e legítimo. É evidente que as famílias estão se esfacelando e que essa instituição sagrada vem sendo impiedosamente atacada. É óbvio que os valores morais estão indo por água abaixo numa sociedade cada vez mais permissiva e fluida. Mas também é óbvio que empurrar à força um tipo de religião, numa reedição do status quo medieval, é convidar o totalitarismo e ameaçar a liberdade conquistada a tão alto preço. Para os analistas adventistas, interessa especialmente um ponto, entre tantos outros (a coisa que eu deixei no ar lá atrás): tanto o catolicismo quanto o evangelicalismo preponderante especialmente nos Estados Unidos defendem o descanso dominical como uma das propostas de salvamento para o mundo; um verdadeiro retorno das Blue Laws (confira). O domingo é um dos pontos de convergência entre católicos e protestantes em geral.

Ponto para as bestas do mar e da terra (Ap 13).

Para o pessoal da ala mais à esquerda, a religião também se apresenta como uma grande força a ser instrumentalizada. Mesmo sites católicos como o da Agência Católica de Informações denunciam a aproximação entre partidos de esquerda e a Teologia da Libertação (confira), e não veem isso como algo positivo. Para os adeptos dessa teologia que foi muito forte estre os anos 1960 e 1980, a solução para o mundo passa diretamente pela política e pelo fim das injustiças sociais. Ideólogos como Leonardo Boff adotaram um discurso ecológico com forte sabor panenteísta pagão (ecoteologia), como o usado durante o Sínodo da Amazônia, por exemplo (confira), recheado de expressões como “mãe terra” e outras.

Desse lado do espectro político se destacam os esforços ECOmênicos (confira) no sentido de “salvar a Terra”, tendo o domingo (de novo) como proposta para amenizar os efeitos das mudanças climáticas (ideia apresentada com ênfase pelo papa Francisco em sua encíclica Laudato Si).

Note que, de novo, as justificativas são sempre legítimas, afinal, quem concorda com as injustiças sociais que assolam o planeta? Quem concorda com a degradação do meio ambiente e o monopólio do capital na mão de tão poucos?

No fim das contas, fica a certeza de que estão procurando fazer algumas coisas certas tendo como base a ideologia errada que vai favorecer os protagonistas de sempre no grande conflito.

Ponto para as bestas do mar e do abismo (Ap 13 e 11).

O cristão não deve ser apolítico, afinal, a política permeia nossa vida, mas não deve ser partidário nem de direita nem de esquerda. Não pode se esquecer de que o reino de Cristo não é deste mundo. Precisamos continuar dando a César o que é dele e a Deus o que é Dele.

Michelson Borges

O Sínodo da Amazônia, a ecoteologia e o domingo climático

Comentário profético sobre a guerra na Ucrânia

Existe alguma profecia específica sobre a guerra na Ucrânia?

Não há nenhuma profecia específica na Revelação sobre a guerra na Ucrânia. Mas ela se encaixa de modo geral em duas profecias feitas no atacado: “Ouvireis falar de guerras e rumores de guerras” (Mt 24:6); e: “As nações estão iradas” (Ap 11:18), referindo-se exatamente ao tempo pré-fechamento da porta da graça em que vivemos.

Essa guerra pode se transformar na terceira guerra mundial? A Revelação diz algo sobre isso?

É bom lembrar que não há na Bíblia nenhuma profecia específica sobre guerras mundiais. Nem para a Primeira, nem para a Segunda, e muito menos para Terceira. Porém, assim como já aconteceram duas guerras mundiais, um terceiro conflito global não está descartado. Se acontecer outro conflito militar mundial antes do fechamento da porta da graça, creio que Deus não permitirá que sejam usadas armas nucleares em massa, porque a destruição seria muito grande. Os anjos ainda estão segurando os quatro ventos (Ap 7:1). Agora, se um conflito mundial estourar após o fechamento da porta da graça, aí, sim, haverá grande destruição. As primeiras cinco pragas do apocalipse podem mesmo se referir a um conflito bélico generalizado (biológico/nuclear). “Úlceras malignas” (arma biológica); “os homens se queimaram com intenso calor” (arma nuclear). “Foi-me mostrado que os juízos de Deus não viriam sobre os seres humanos diretamente da parte do Senhor, mas desta maneira: eles se colocam além de Sua proteção… Deus usará Seus inimigos como instrumentos para punir os que seguiram os próprios e perniciosos caminhos, pelos quais a verdade de Deus tem sido deturpada, desfigurada e desonrada” (Ellen G. White, Eventos Finais, p. 242).

Quais serão os possíveis desdobramentos dessa guerra?

É muito difícil prever todos os detalhes que acontecerão. Uma coisa é certa: Deus está no controle da história humana. “Pois do Senhor é o reino, é ele quem governa as nações” (Sl 22:28). Esse conflito pode acabar rapidamente ou demorar meses ainda. Uma possível consequência dessa guerra poderá ser o aprofundamento da crise econômica mundial. Setores como energia, combustíveis, comércio de alimentos e o sistema financeiro mundial (baseado no dólar) podem ser grandemente afetados, empurrando o mundo ladeira abaixo.

A profecia de Gogue e Magogue tem alguma relação com a Rússia?

Ezequiel 38 e 39 e Apocalipse 20:8 são os únicos textos que falam sobre o tema. Ezequiel trata da profecia, Apocalipse mostra seu cumprimento. Gogue e Magogue são símbolos de todos os inimigos do povo de Deus (Israel espiritual); referem-se “às nações que há nos quatro cantos da terra” (Ap 20:8) e não apenas à Rússia. Note que a luta de Gogue e Magogue contra Israel (espiritual) ocorrerá justamente “nos últimos dias” (Ez 38:16). João contemplou essa batalha ocorrendo “depois que se completarem os mil anos” (Ap 20:7). Segundo Grant Osborne (Apocalipse: Comentário Exegético, p. 796), há um paralelismo interessante entre Ezequiel 36-48 e Apocalipse 20-22:

RessurreiçãoDos ossos secos – Ez 36Dos ímpios – Ap 20:4-6
Coalizão das nações – Gogue e MagogueEz 38Ap 20:7-9a
Destruição de Gogue e MagogueEz 39Ap 20:9b-14
Israel desfruta templo escatológicoEz 40-48Ap 21-22:5

(Sérgio Santeli é pastor adventista em São Paulo)

Rússia, terceira guerra mundial e profecias bíblicas

Como é possível compreender corretamente o conflito atual, que ocorre no leste europeu, à luz das profecias bíblicas

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A recente invasão da Rússia à Ucrânia tem suscitado discussões a respeito de geopolítica, crise humanitária e, também, aspectos proféticos. Não vou me deter neste artigo em tópicos sobre origem do embate entre Rússia e Ucrânia. Nem acerca do pano de fundo que existe por trás de situações como essa. Há diversos especialistas que, com propriedade, já explicam o fenômeno adequadamente. Ou, pelo menos, oferecem várias perspectivas para que se construa uma opinião. Sobre crise humanitária, recomendo ver atualizações da ajuda de organismos como a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA). Ou em noticias.adventistas.org. Além do site internacional adra.org, bem como seus perfis nas redes sociais. Entendo ser importante trazer à tona alguns aspectos que ajudarão a esclarecer dúvidas que costumam surgir em um momento como esse. Há algumas indagações que cristãos sinceros poderão fazer, diante de um conflito com mortes, destruições e um antagonismo com efeitos econômicos, políticos e sociais no planeta inteiro. Um dos questionamentos é: Esse tipo de ataque da Rússia é algo profetizado na Bíblia? Ou ainda: Existe alguma clara indicação de que a Rússia seria um poder mencionado na Palavra de Deus?

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Guerra, assassinato de bebês e violência urbana: uma semana terrível

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Enquanto muita gente se divertia com o palíndromo 22/02/2022, uma onda de violência varreu o mundo e deixou chocados os mais bem informados. A temida guerra envolvendo Rússia e Ucrânia, com Estados Unidos e a Otan de olho (e com parcela de culpa), teve início, com bombardeio russo contra a infraestrutura do país vizinho (já houve mortes de dezenas de civis). O principal aeroporto ucraniano foi bombardeado, bem como instalações militares.

Os mísseis lançados contra Kiev, capital da Ucrânia, começaram a explodir por volta das 5 horas desta quinta-feira, meia-noite no Brasil. Às 7 horas, as sirenes de alarme de ataques aéreos soaram em toda a capital. As estações de metrô, que servem de abrigo em ataques aéreos, ficaram cheias de pessoas. No fim da manhã, um longo engarrafamento – carros em fuga partindo na direção da Europa – havia se formado. As sirenes também tocaram em Lviv, a metrópole mais próxima da fronteira polonesa. Lá, a população foi aconselhada a desligar as luzes, ter consigo seus documentos mais importantes e buscar abrigo.

Em pronunciamento na TV, o presidente russo Vladimir Putin ameaçou: “Todos os que tentarem interferir devem saber que a reação da Rússia será imediata e levará a consequências nunca experimentadas na história.”

A “temperatura” tende a subir mais, já que o exército polonês parece estar se preparando, a Bielorrússia também está invadindo a Ucrânia, assim como a Transnístria está lançando misseis no país. Além das perdas de vidas e de patrimônio, as consequências financeiras para o mundo economicamente abalado com a pandemia podem ser graves.

O jornal Financial Times informa que há batalhas em curso nas regiões sul e leste do país, onde os exércitos da Ucrânia e da Rússia já se encontraram. De acordo com o governo ucraniano, 50 soldados russos foram mortos em Schastya, e quatro tanques foram queimados na estrada para Kharkiv, segunda maior cidade do país. Ambas ficam no leste. Seis caças russos e um helicóptero foram abatidos.

Polônia, Estônia, Letônia e Lituânia, países da Otan que têm fronteiras com Rússia e Ucrânia, ativaram o Artigo 4 do Tratado do Atlântico Norte. É quando países membros avisam oficialmente que estão sob ameaça militar. O temor é de que a guerra afete seus territórios. Não é o mesmo que ativar o Artigo 5 – este exige que todos os membros respondam juntos a um ataque.

Segundo o Washington Post, EUA, Reino Unido e União Europeia estudam excluir a Rússia do sistema SWIFT, que conecta os bancos do mundo uns aos outros, permitindo movimentações financeiras. Os bancos russos se veriam impossibilitados de receber e enviar dinheiro para fora. O receio é de que isso dificultaria a vida para países europeus que precisam comprar óleo e gás russos.

A CNBC informou que o preço do barril de petróleo já começou a aumentar, chegando a 102 dólares no mercado de futuros, cruzando a linha dos cem dólares pela primeira vez desde 2014. E o rublo despencou, perdendo mais de 10% de seu valor nas primeiras horas após o ataque.

Assassinato de bebês na Colômbia

Enquanto os preparativos para a invasão da Ucrânia eram feitos, aqui na América do Sul uma notícia chocou até mesmo pessoas que defendem o aborto: a Suprema Corte da Colômbia aprovou o aborto até o sexto mês de gestação. A mulher que quiser interromper a gravidez até a 24ª semana pode solicitar isso sem qualquer justificativa. Nas ruas, mulheres com faixas e lenços verdes celebraram o que consideram uma vitória (não para os bebês, obviamente), e muitos defenderam a decisão do país como se esse fosse apenas um assunto de saúde pública. (Leia aqui o que já postei sobre o tema do aborto.)

Aborto-Colombia

Jovem assassinado em São Paulo

Para fechar esta breve descrição de uma semana terrível (que não inclui os vários outros conflitos pelo mundo, a fome, as doenças, etc.), no dia 20, agentes da Polícia Militar de São Paulo assassinaram o comerciante Lucas Henrique Vicente, de 27 anos, à luz do dia. O jovem foi abordado pelos PMs, resistiu à violência e foi executado – nas palavras da própria ouvidoria da corporação – durante a tarde do domingo na Brasilândia, bairro periférico da capital paulista. De acordo com relatos de testemunhas, Lucas estava dirigindo seu carro quando PMs o pararam para uma abordagem. Segundo quem presenciou a cena, os policiais foram extremamente agressivos durante o enquadro e Lucas começou a discutir com os agentes por conta da violência. Em imagens gravadas por transeuntes, é possível ver o conflito entre policiais militares e o jovem negro. Logo depois, são registrados sons de tiros. Lucas estava morto.

Elizeu Soares Lopes, chefe da ouvidoria da Polícia Militar de São Paulo, afirmou que, “salvo melhor juízo”, há indícios de execução por parte dos policiais, que tiveram prisão preventiva solicitada pela instituição.

Segundo a Bíblia, no tempo do fim, antes da volta de Jesus, o amor de muitos esfriaria, as pessoas dariam vazão aos seus desejos desenfreados e haveria guerras e rumores de guerras (confira os vídeos abaixo). Este mundo já está com o prazo de validade vencido. Jesus precisa voltar e nós precisamos pregar com ainda mais força!

Oremos pelo povo da Ucrânia e dos países envolvidos no conflito. Oremos pela Colômbia, pelas mulheres, pelos homens e pelas crianças vítimas de uma sociedade doente. Oremos pelas pessoas indefesas, por um povo que está perdendo a esperança e que precisa desesperadamente saber que Deus tem nas mãos os rumos da história e em breve porá fim a este pesadelo em que estamos envolvidos por causa do pecado. [MB]

Clique aqui e veja vídeos sobre a Ucrânia em meu canal no YouTube.

Respostas às perguntas sobre marca de besta e eventos finais

O Instituto de Pesquisa Bíblica da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia recebeu várias perguntas sobre a posição dos adventistas a respeito da marca da besta e sua relação com a observância do domingo, a condicionalidade da profecia bíblica e as declarações sobre esses temas nos escritos de Ellen G. White.

As perguntas a seguir resumem as principais preocupações que nos são colocadas, as quais foram respondidas brevemente.

1. Visto que nem o sábado nem o domingo são mencionados explicitamente no livro do Apocalipse, como pode a marca da besta implicar um dia de culto (adoração) ou uma lei que exija a observância do domingo?

A marca da besta é mencionada sete vezes no Apocalipse (13:16, 17; 14:9, 11; 16:2; 19:20; 20:4). Quatro dessas ocorrências aparecem na parte central do livro (cap. 12–14), que é introduzida por uma visão da arca do pacto que contém os dez mandamentos (Ap 11:19). O povo remanescente de Deus é identificado como aqueles que “guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (12:17). Imediatamente depois, João descreve duas bestas que perseguem a igreja de Deus: uma que sobe do mar (13:1) e outra que sobe da terra (13:11). A primeira besta ordena a adoração falsa e sua atividade perseguidora se assemelha à do “chifre pequeno” de Daniel 7, que “pretende mudar os tempos e a lei” (Dn 7:27) e persegue o povo de Deus durante 1.260 dias (Ap 13:4, 8). A conexão com a profecia de Daniel mostra que a falsa adoração envolve uma tentativa de mudar os “tempos” de Deus e a lei dos dez mandamentos. O único mandamento dos dez que faz referência ao tempo é o quarto, que assinala santificar o sétimo dia: o sábado. Historicamente, a tentativa de mudar o dia de adoração foi perpetrada pelo papado, o poder romano que venera o domingo como o dia de repouso ou adoração em lugar do sábado bíblico. O fato de que a segunda besta de Apocalipse 13, representando o protestantismo apóstata, exerce a mesma autoridade que a primeira besta (v. 12) e coopera com a primeira besta para impor a falsa adoração, mostra que o domingo será uma importante marca distintiva daqueles que adoram a besta e sua imagem. Isso está em claro contraste com o povo remanescente de Deus, que “guarda os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” (12:14). A obediência deste povo inclui a santidade pelo sétimo dia, já que prestam atenção ao chamado que assinala “adorar àquele que fez o céu e a terra, o mar e as fontes das águas” (14:7, cf. Êx 20:11). Aqueles que pertencem a este grupo receberão o selo de Deus (Ap 7:4; 14:1) enquanto aqueles que rejeitam esse chamado, reverenciam o domingo como dia de repouso e aceitam a autoridade da besta, são descritos como parte da Babilônia; portanto, recebem a marca da besta (14:8-11). A prova final, então, será sobre a adoração verdadeira ou falsa. Uma adoração que esteja baseada na obediência à lei de Deus, o que inclui o sábado, ou uma onde se adore um dia estabelecido pelo homem: o domingo.

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O Dia do Dragão bate na direita e na esquerda

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Em 2014, tive a alegria de visitar na sede mundial da IASD, em Maryland, Estados Unidos, um escritor a quem sempre admirei e que atualmente é o editor da Lição da Escola Sabatina. Tivemos ótimas conversas sobre fé, ciência, escatologia e livros. Os dele já li quase todos, e sempre recomendei no Brasil os que foram publicados pela CPB. O 1844 e o Vida Sem Limites são ótimos! Outros dois, também fantásticos, já estão esgotados: “Meu Encontro com Deus” (que conta a história da conversão do autor ex-ateu) e “O Dia do Dragão”, que faz uma análise da situação do mundo nos últimos dias e apresenta os perigos das ideologias de direita e de esquerda. Clifford afirma que “não há dúvida de que o diabo odeia O Grande Conflito e está usando tanto os de esquerda quanto os de direita para enfraquecer nossa confiança nele”. Para ele, a Igreja Romana “é tão totalitária como o comunismo sempre foi”. Para os de mente binária, falar mal da nova direita significa falar bem da esquerda. Nada mais falso, conforme Clifford deixa bem claro nesse livro. (Aproveito para sugerir a leitura do meu texto “A esquerda é o arco, a direita é a flecha”, no qual também exponho os perigos de ambos os lados do espectro ideológico.) Que o bom Deus continue abençoando o ministério e o teclado do amigo Cliff.

Biden se reúne com o papa e os fundamentos bíblicos continuam sendo atacados

Como nos dias de Noé: o prazer extremo guiará a vida no pós-pandemia?

“Há muita libido represada, junto a todo sofrimento e perdas a serem elaborados. Ansiamos o encontro em massa, um Carnaval de verdade, com tudo o que temos direito” (Filipe Batista, psicólogo).

Tudo leva a crer que caminhamos para um período de extremo hedonismo pós-Covid. Será mesmo? A suposta intenção não pressupõe capacidade de verdadeiramente desfrutar, tampouco inconsequência deve ser confundida com prazer. É uma dança complexa, verdade, pois nem sempre o que buscamos é o que de fato queremos. Além do mais, o prazer imediato nunca apertou as mãos da moral, da religião e da norma – requer a ruptura de regras e padrões, internos e externos. Ajustar esse compasso tem sido especialmente desafiador para quem decidiu encarar a pandemia de frente, com respeito e empatia. Mas passada a tsunami pandêmica, quantos de nós estarão preparados para se banhar no mar do prazer?

O conceito clássico de hedonismo, introduzido pela filosofia grega, insere o prazer como bem central. Freud, em sua obra Além do Princípio do Prazer, publicada no pós-guerra, inaugura a ideia de que não somos regidos psiquicamente apenas pela busca por prazer, mas também por pulsões destrutivas e de morte.

Após quase dois anos de pandemia, há muita libido represada, junto a todo sofrimento e perdas a serem elaborados. Ansiamos o encontro em massa, um Carnaval de verdade com tudo o que temos direito. Ao passo que, por mais palpável que isso pareça agora, ainda temos de lidar com o gosto amargo que resta. A dupla aptidão brasileira por conservadorismo e transgressão ainda não permite apostas claras sobre para qual lado penderemos dessa vez. Apostaremos no Eros? […]

Lidar com o ímpeto sexual foi uma batalha para muitas pessoas durante a pandemia. Algumas recuaram, reservando-se à aridez de uma vida desprovida dessa força potente, outras sublimaram como puderam, estabelecendo relações mais íntimas com o álcool, a comida, o Instagram e a Netflix. Mas há também quem tenha mergulhado mais fundo na investigação sobre o que desperta seu prazer. Aliás, momentos de crise podem ser propícios para isso. Não à toa, durante a pandemia, houve recorde de divórcios. Os que preferem enxergar nisso a ruptura, deixam de observar que uma separação pode sinalizar também um movimento em direção ao desejo. […]

(Vogue)

Nota: “Pois assim como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem. Pois assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mateus 24:37-39). “Mas você precisa saber disto: nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. Pois os seres humanos serão egoístas, avarentos, orgulhosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, convencidos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus, tendo forma de piedade, mas negando o poder dela. Fique longe também destes” (2 Timóteo 3:1-5).