Soar o alarme é diferente de alarmismo

atalaiaMuitas vozes têm-se levantado nas redes sociais trazendo mensagens sobre a volta de Cristo. Tem aqueles que, no afã de ver Jesus voltando logo, se arriscam a marcar datas para os últimos eventos escatológicos. Tem outros que, preocupados com o alarmismo, e na melhor das boas intenções, usam frases que acabam levando muitos para o extremo oposto: “Muita coisa ainda tem que acontecer!” “Vai levar pelo menos 20 anos para pregar o evangelho no mundo inteiro!” “O mais importante é o preparo! Não me importam as notícias!” Enfim, diante de tantas vozes, como equacionar esse tema de forma coerente e equilibrada? O papel do Tsôpeh e o sermão profético de Jesus são a chave para encontrar a resposta.

No hebraico bíblico, encontramos a figura do Tsôpeh. E os profetas, muitas vezes, foram comparados ao Tsôpeh. Segundo o Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, Tsôpeh, traduzido como “sentinela”, “atalaia”, era aquele “colocado sobre o muro da cidade e era responsável por informar a liderança da nação acerca dos perigos (1Sm 14:16; 2Sm 18:24; 2Rs 9:17-20). A sentinela que falhasse no cumprimento do dever frequentemente era executada. O ofício profético é, às vezes, descrito com essa linguagem (Ez 3:17; 33:7; Jr 6:17; Hc 2:1)” (p. 1299 e 1300).

No mundo moderno, a responsabilidade do Tsôpeh repousa sobre os cristãos: “Devem os seguidores de Cristo associar-se num poderoso esforço para chamar a atenção do mundo para as profecias da Palavra de Deus que se cumprem rapidamente” (Ellen White, Evangelismo, p. 193).

 O papel do atalaia ou sentinela era observar os sinais de perigo e soar o alarme (trombeta) para que as pessoas da cidade se preparassem para o que estava para acontecer. O paralelo com a realidade moderna é indiscutível: “Estão iminentes os perigos dos últimos dias, e em nossa obra temos que advertir as pessoas do perigo em que se encontram. Não permaneçam sem ser abordadas essas cenas solenes que a profecia revelou” (Ellen White, Evangelismo, p. 195).

“Como fiéis atalaias, devemos dar o aviso ao ver que vem a espada, para que homens e mulheres, pela ignorância, não sigam um rumo que evitariam se conhecessem a verdade” (Ellen White, Eventos Finais, p. 127).

Na teologia bíblica, soar o alarme é diferente de alarmismo, assim como ser perfeito é diferente de perfeccionismo.

No século 19, durante o Movimento Milerita nos Estados Unidos, a mensagem da breve volta de Cristo à Terra cativou a atenção de milhares de pessoas, porém, muitos líderes protestantes falharam em sua missão de atalaias: “Os pastores, que, como ‘atalaias sobre a casa de Israel’, deveriam ter sido os primeiros a discernir os sinais da vinda de Jesus, não quiseram saber a verdade, quer pelo testemunho dos profetas, quer pelos sinais dos tempos” (Ellen White, O Grande Conflito, p. 380).

Observar os sinais dos tempos é uma necessidade prescrita pelo próprio Senhor Jesus: “Assim também vós, quando virdes todas estas coisas, sabei que está próxima, às portas” (Mateus 24:33).

“Toda notícia de calamidade em mar ou em terra é um testemunho de que o fim de todas as coisas está próximo. Guerras e rumores de guerras, declaram-no. Haverá um só cristão cuja pulsação não se acelere ao prever os acontecimentos que se iniciam perante nós?” (Ellen White, Evangelismo, p. 219).

“Deveremos esperar até que se cumpram as profecias do fim, antes de dizermos alguma coisa a seu respeito? Que valor terão nossas palavras então?” (Ellen White, Testemunhos para a Igreja, v. 9, p. 20) .

Por outro lado, nesse mesmo contexto do sermão profético, o Salvador estabeleceu limites importantes para a missão do atalaia. O primeiro deles foi: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mateus 24:36).

Em outras palavras, cuidado com o alarmismo! Estabelecer datas para os eventos finais é algo que desqualifica qualquer um que pretenda ser um atalaia fiel. “Tenho sido repetidamente advertida com referência a marcar tempo. Nunca mais haverá para o povo de Deus uma mensagem baseada em tempo. Não devemos saber o tempo definido nem para o derramamento do Espírito Santo nem para a vinda de Cristo” (Ellen White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 188).

Da mesma forma, outro perigo a ser evitado pelos cristãos está no extremo oposto. São o comodismo e a sonolência. É o estado de muitos que, por palavras ou ações, perdem o senso da brevidade da volta de Cristo e tornam-se semelhantes ao mundo imitando seus costumes e ambições. Colocando o coração neste mundo, vivem apenas para os cuidados, as ansiedades e os interesses terrenos.

“Está desaparecendo a fé na próxima vinda de Cristo. ‘Meu Senhor tarde virá’ (Mt 24:48), não se diz apenas no coração, mas exprime-se também em palavras e ainda mais decididamente nas obras. A insensatez, neste tempo de espera, está entorpecendo os sentidos do povo de Deus quanto aos sinais dos tempos” (Ellen White, Testemunhos para a Igreja, v. 3, p. 255).

Para evitar esses extremos, a ordem clara de Jesus foi: “Vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor” (Mt 24:42). E para explicar o significado de “vigiar”, Ele contou em seguida três parábolas.

A primeira (Mt 24:45-51) para mostrar que o bom servo (o que vigia) é aquele que não perde o senso da brevidade do retorno do Senhor, relaxando em sua vida e acabando por imitar os costumes, interesses e ambições daqueles que vivem só para o presente século.

Na segunda parábola (Mt 25:1-13), as cinco virgens insensatas ilustram o perigo de professar a religião de Cristo (lâmpada), mas possuir uma espiritualidade superficial, não permitindo a transformação diária operada pelo Espírito Santo (azeite), colaborando, assim, para uma vida religiosa meramente formal.

Por fim, a terceira parábola, conhecida como parábola dos talentos (Mt 25:14-30), foi contada para mostrar que “o tempo [de espera] não deve ser gasto em vigilância ociosa, mas em trabalho diligente” (Ellen White, Parábolas de Jesus, p. 325).

“O povo de Deus deve acatar a advertência e discernir os sinais dos tempos. Os sinais da vinda de Cristo são demasiado claros para deles se duvidar; e em vista destas coisas, todo aquele que professa a verdade deve ser um pregador vivo” (Ellen White, Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 260).

Sendo assim, o papel do Tsôpeh (atalaia) juntamente com o sermão profético de Jesus, fornecem uma visão completa do papel ativo, coerente e equilibrado que os cristãos que aguardam o retorno do Mestre devem desempenhar. Tal visão pode ser representada pelo seguinte gráfico:

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Diante de tudo o que foi abordado, ninguém deveria se esquecer da razão do sermão profético de Cristo e de outras profecias escatológicas da Palavra de Deus: “A mensagem da breve volta de Cristo visa despertar os homens de sua absorção nas coisas temporais. Destina-se a acordá-los para o senso das realidades eternas” (Ellen White, Parábolas de Jesus, p. 228).

Ora, vem, Senhor Jesus!

Sérgio Santeli é pastor e mestre em Teologia

Pesquisador prevê que a democracia vai colapsar

shawnrosenberg_880O pesquisador Shawn Rosenberg, da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), fez uma declaração polêmica na última conferência anual da Sociedade Internacional de Psicólogos Políticos em Lisboa, neste ano: “A democracia está devorando a si mesma”, e ele não crê que cidadãos comuns estejam aptos para evitar que ela desmorone. Em sua palestra, Rosenberg apontou para a influência ascendente do populismo de extrema direita e do autoritarismo em países como Brasil, EUA, Reino Unido e por toda a Europa. Ele enxerga tal ascendência como um sinal perturbador de que governos autoritários estejam se tornando mais atraentes para o cidadão médio do que a noção de “dever cívico ativo”. Tal noção refere-se a uma participação ativa em um governo democrático que requer tempo de reflexão e consideração, disciplina e capacidade de analisar propaganda a partir de informações válidas.

Ironicamente, segundo Rosenberg, com a democratização da internet, as pessoas estão usando e confiando mais nas mídias sociais, o que acarreta uma visão seletiva de postagens que confirmam seus preconceitos políticos existentes, ao invés de consultar fontes de informação mais amplas e respeitáveis. [Infelizmente, isso ocorre com vários temas, como o da Terra plana, por exemplo; as pessoas são expostas todos os dias ao mesmo tipo de informação, graças as mecanismos seletivos de redes sociais como o YouTube, por exemplo.]

A democracia, ao que tudo indica, não é uma tarefa simples, mas sim um “trabalho árduo”. Esse seria o ponto que levaria as pessoas a aceitar mais facilmente o autoritarismo versus fazer a sua parte em uma coletividade. [Adicionem-se a isso as técnicas de engenharia social que alimentam e exacerbam medos reais e/ou inexistentes, e veremos uma sociedade que clamará por “salvadores da pátria” com propostas de ajuda.]

Rosenberg sugere que, à medida que as “elites” da sociedade – especialistas e figuras públicas que ajudam as pessoas “comuns” a lidar com e entender as responsabilidades que advêm do governo democrático ou “autogoverno” – são cada vez mais marginalizadas, os cidadãos se mostram mal equipados “cognitiva e emocionalmente” para administrar uma democracia que funcione bem.

Como consequência, tal sistema de governo entra em colapso e milhões de eleitores frustrados e raivosos se desesperam e apelam para os populistas de direita. [Ou populistas religiosos…]

“Em democracias bem estabelecidas como os Estados Unidos, a governança democrática continuará seu declínio inexorável e acabará fracassando. Em suma, a maioria dos americanos geralmente é incapaz de entender ou valorizar a cultura, instituições, práticas ou cidadania democráticas da maneira exigida”, concluiu Rosenberg em sua palestra. “Na medida em que são obrigados a fazê-lo, eles interpretarão o que lhes é exigido de maneira distorcida e inadequada.”

(FuturismPolitico, via Hypescience)

Nota: Rosenberg está mais certo do que imagina. Assista ao vídeo abaixo e entenda por quê. [MB]

Sínodo, Greta Thumberg, reunião mundial com o papa: entenda o momento atual

Ambientalismo é a nova religião mundial – e eu disse isso há dez anos

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Deu no site “Senso Incomum”: “Agora que Greta Thunberg se tornou o maior meme de toda a história universal dos memes, num mundo com aquecimento de memes global, o ambientalismo definitivamente caiu em desgraça, ou melhor, ficou sem graça, sendo visto finalmente como o que é: uma nova modinha monga, igual ao emo, pior do que A Banda Mais Bonita da Cidade, que dá para levar menos a sério do que as críticas sociais do Charlie Brown Jr. Greta, a menina com síndrome de Aspenger, nem faz ideia do que está fazendo, de quem manda em sua agenda, de qual dinâmica de poder está em disputa em seu discurso sobre ‘sonhos’. ‘How dare you?!’

“Mas a pequena sueca empoderada e podre de rica que certamente ganhará o Nobel da Paz por ter sonhos (que sonhos?) roubados (por quem?) e que observará políticos (vai descer a porrada neles?) tem um discurso cirurgicamente escrito por outras pessoas, que sabem com precisão milimétrica o que querem atingir. Alguém sabe quais são as medidas da ONU recentes sobre meio ambiente? O que foi decido e acordado da Rio 92 até hoje, e o que querem com isso? Quais são os documentos sobre clima, ambiente e ecologia, e o que preconizam além das questões climáticas, que não são nada além da superfície das questões políticas envolvidas?

“O ambientalismo, com todo o seu discurso apocalíptico, com seu código de conduta, com sua adoração à natureza (e sua sacralização, num panteísmo moderno com nomes edulcoradamente ‘científicos’, como ‘aquecimento global’ ou ‘consenso científico’), é hoje uma das maiores religiões do mundo – e ainda capaz de se infiltrar em outras religiões.

“Qual a mudança radical – e global – de comportamento que está sendo não apenas pressuposta, mas imposta? Por que o discurso de Greta, por mera coincidência, coincide quase à perfeição com um documento da UNESCO? O que são acordos como a Carta da Terra, que prevê um ecumenismo global (sic) como sucedâneo religioso para todo o planeta, e os que julgam que ‘globalismo’ é uma mera ‘teoria da conspiração’ nem fazem ideia de que é um documento da ONU, implantado a passos apressados?”

Interessante ver como analistas políticos, pensadores seculares e estudiosos de tendências têm notado agora coisas que há dez anos pouquíssimos estudantes das profecias bíblicas e dos escritos de Ellen White já estavam percebendo.

Em 2007, o pastor Sérgio Santeli postou em seu blog a série “ECOmenismo: uma verdade inconveniente”. Em 2008, postei em meu canal um vídeo (dividido em quatro partes) sobre a relação entre decreto dominical e ambientalismo (veja aqui, aqui, aqui e aqui). Em setembro de 2009, a Revista Adventista publicou este texto de minha autoria – foi a primeira vez que o neologismo “ECOmenismo” apareceu na literatura adventista oficial:

21731_RAnov09.inddAquecimento global é a nova religião

“O título acima apareceu no site Opinião e Notícia, com o seguinte comentário: ‘É o que diz um renomado geólogo australiano, para quem as alterações climáticas são uma farsa perpetuada por ambientalistas. Ian Plimer, professor de geologia da mineração na Universidade de Adelaide, chega mesmo a dizer que a ideia do aquecimento global virou a nova religião para as elites urbanas dos países ricos [grifo meu]. Ele é um crítico do chamado ‘aquecimento global antropogênico’ – ou seja, produzido pelo ser humano – e da ortodoxia ambiental corrente, segundo a qual o fenômeno pode ser revertido por meio da redução da poluição atmosférica.

“Para Plimer, o aquecimento global é algo natural, com muitos precedentes na história do Planeta. Ele não é o primeiro cientista renomado a dizer isso, mas dá mostras de que não irá se dobrar ante a pressão do ‘jacobinismo ambiental’.

“O que Plimer parece não saber é que o ambientalismo, também chamado por alguns de ECOmenismo, está ajudando a unir movimentos, grupos e instituições tão díspares como o Vaticano e cientistas ateus em torno de um mesmo ideal: salvar a Terra da destruição. E eles têm até uma proposta: parar um dia na semana para que o Planeta possa ‘descansar’. Que dia será esse?”

Se quiser saber mais sobre o ECOmenismo e as implicações proféticas da atual explosão da pauta ambientalista, assista aos vídeos abaixo. [MB]

Os 2.300 anos e a perfeição da cronologia profética

hiramÉ fascinante perceber que a perfeição do cálculo profético desfaz todas as dúvidas relacionadas à compreensão adventista sobre as 2.300 tardes e manhãs (de Daniel 8:14) e o 22 de outubro de 1844. Por exemplo: há relação entre Daniel 8 e Daniel 9? As 70 semanas fazem parte das 2.300 tardes e manhãs? Uns dirão “sim”; outros, “não”. O que estabelece definitivamente a inter-relação entre os dois períodos não são os detalhes do texto ou a análise das palavras mareh chazon – embora tudo isso seja extremamente importante –, mas, sim, a harmoniosa engrenagem do cálculo. Preste atenção às seguintes constatações:

1) 2.300 anos solares envolvem uma composição de 121 ciclos metônicos e 12 lunações que se complementam. Essa composição possibilita que os 2.300 anos comecem e terminem num dia 10 do sétimo mês, o Dia da Expiação. Num calendário lunissolar, não é todo período que admite essa composição [por exemplo: se o período fosse de 2.299 anos solares e fixássemos seu início no Dia da Expiação, não seria possível terminá-lo num Dia da Expiação].

2) Contando-se as 69,5 semanas proféticas a partir de um Dia da Expiação, o meio da septuagésima semana cairá justamente no dia da celebração da Páscoa, o que também é uma relação bastante singular.

3) Tomando por base dados históricos e astronômicos disponíveis, fixa-se o dia, o mês e o ano da morte de Jesus (26/27 de abril de 31). Retrocedendo 486,5 anos, chega-se ao Dia da Expiação no ano em que Esdras retornou de Babilônia (28/29 de outubro de 457 a.C.), eliminando a dúvida entre 458 a.C. e 457 a.C. Avançando 2.300 anos, chega-se ao Dia da Expiação em 1844 (22/23 de outubro).

4) Fixando o começo do período na hora do sacrifício da tarde, o meio da septuagésima semana cairá naquela noite de quinta-feira, quando Jesus disse “Pai, é chegada a HORA” (João 17:1), e o fim das 2.300 tardes e manhãs cairá na hora do sacrifício da tarde em Jerusalém. Levando em consideração a diferença de fusos horários, isso provavelmente corresponde ao horário em que Hiram Edson teve sua visão do milharal. Tudo em perfeita sincronia!

5) Por mais “avançada” que fosse a Astronomia na época de Daniel, não havia informações e métodos que permitissem ao homem construir a complexa arquitetura desse modelo. A própria compreensão do modelo pelo ser humano somente se tornou possível utilizando recursos desenvolvidos recentemente pela ciência moderna. Louvado seja Deus!

Portanto, o sistema cronológico desfaz as dúvidas remanescentes e confirma de uma vez por todas a mensagem adventista. O esquema matemático também confirma a inter-relação de Daniel 8 e 9. Se não admitirmos isso, estaremos diante das maiores coincidências da História!

(Henderson Hermes Leite Velten é advogado e coautor do livro A Astronomia e a Glória do Adventismo)

Leia também: “Por que o ano de 457 a.C. é o início da contagem dos 490 anos de Daniel 9:24-27?” e “The 70 Weeks and 457 b.C.”

Nota 1: No artigo “O Jesus pouco divulgado”, o pastor Douglas Reis escreveu que “houve pelo menos três decretos permitindo aos judeus o retorno a sua pátria. Somente um deles, o último, nos interessa, pelo seu caráter definitivo que levou à libertação de Israel. Esse decreto, assinado por Artaxerxes, em 457 a.C., se acha registrado em Esdras 6:6-12”.

Nota 2: Ellen White escreveu: “Encontramos exemplos na Palavra de Deus quanto a esse mesmo assunto. Ciro, rei da Pérsia, fez uma proclamação por todo o seu reino, e mandou escrever dizendo: ‘Assim diz Ciro, rei da Pérsia: o Senhor Deus dos Céus me deu todos os reinos da Terra; e Ele me encarregou de Lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem há entre vós, de todo o Seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que é em Judá, e edifique a casa do Senhor, Deus de Israel.’ Segunda ordem foi dada por Dario para a edificação da casa do Senhor, e está registrada no sexto capítulo de Esdras” (Conselhos Sobre Mordomia, p. 113).

“No sétimo capítulo de Esdras acha-se o decreto (Ed 7:12-26). Em sua forma completa foi promulgado por Artaxerxes, rei da Pérsia, em 457 antes de Cristo. Mas em Esdras 6:14 se diz ter sido a casa do Senhor em Jerusalém edificada ‘conforme o mandado [ou decreto, como se poderia traduzir] de Ciro e de Dario, e de Artaxerxes, rei da Pérsia.’ Estes três reis, originando, confirmando e completando o decreto, deram-lhe a perfeição exigida pela profecia para assinalar o início dos 2.300 anos. Tomando-se o ano 457 antes de Cristo, tempo em que se completou o decreto, como data da ordem, viu-se ter-se cumprido toda a especificação da profecia relativa às setenta semanas” (Conselhos Sobre Saúde, p. 55).

Papa convoca reunião mundial e foca nas novas gerações

gretaPrecisamos salvar o planeta? Não. Precisamos salvar as pessoas e cuidar do planeta até que Jesus venha recriá-lo? Sim. Essa é a nossa missão como cristãos bíblicos.

Apocalipse 11:18 diz que Jesus vem para destruir os que destroem a Terra. Portanto, a degradação ambiental é prevista nas profecias, e o juízo de Deus contra aqueles que destroem o planeta também é certo. No fim da semana da criação, antes ainda da entrada do pecado na história humana, Deus encarregou Adão e Eva de cuidar da natureza que Ele lhes deu de presente. Como criacionistas bíblicos, entendemos que somos mordomos ou administradores da criação, e que, portanto, temos, sim, que cuidar da Terra enquanto Jesus não vem. “Mas a Terra não será destruída?”, perguntam alguns. “Por que cuidar dela, então?” Respondo com outra pergunta: “Nosso corpo mortal não será destruído por ocasião da volta de Jesus, para dar lugar a um corpo imortal, glorioso?” Sim, é o que ensina a Bíblia. No entanto, somos admoestados pela mesma Bíblia a cuidar do nosso corpo mortal e mantê-lo nas melhores condições possíveis, tanto físicas quanto mentais. E por quê? Porque isso é lógico, bom e nos traz inúmeros benefícios, sendo um deles maior clareza mental para nos conectarmos com o Céu e maior utilidade para fazer o bem.

Quando cuidamos da Terra, estamos garantindo por mais tempo um ambiente tanto quanto possível saudável e tranquilo, para que possamos cumprir nossa mais importante missão: levar o evangelho da salvação ao maior número possível de pessoas. Bandeiras como a do estilo de vida saudável, do vegetarianismo, da ecoconsciência e outras são importantes, mas não são um fim em si mesmas. Todas elas têm prazo de validade e devem orbitar a grande comissão dada por Jesus, ou seja, todas elas devem de alguma forma visar ao bem-estar eterno do ser humano e deixar claro que a solução definitiva para a nossa miséria está na volta de Jesus. Enquanto esse dia não vem, todos os nossos esforços para o bem são apenas paliativos.

Não quero nem vou discutir aqui se a temperatura da Terra está aumentando ou não. Na verdade, essa controvérsia não importa tanto quanto os interesses que estão por trás dela. Especialmente os interesses religiosos e de poder. Em 2008, apresentei uma palestra sobre o que passou a ser chamado de “ECOmenismo”, um esforço na direção de unir a todos, religiosos ou não, na luta por salvar o planeta, colocando no ser humano a maior parte da culpa pelo aquecimento global, isto é, um aquecimento global antropogênico (veja aqui, aqui, aqui e aqui).

De lá pra cá o assunto se manteve na mídia, sendo de vez em quando publicadas matérias e pesquisas para manter a pauta em banho-maria e o medo alimentado por uma verdadeira engenharia social. O papa emérito Bento XVI falou várias vezes sobre esse assunto, mas o papa Francisco foi quem levou a causa ecológica bem mais longe, tendo inclusive escrito e publicado em 2015 sua famosa encíclica Laudato Si, na qual fala sobre os desafios ambientais e apresenta o descanso dominical como uma das formas de se combater as “mudanças climáticas”, expressão que passou a ser mais usada que o sempre questionado “aquecimento global”.

Eis que surge nesse cenário a adolescente sueca Greta Thumberg para engrossar o coro ECOmênico com suas falas inflamadas e seu ativismo histérico que tem arrebanhado multidões. Em seu recente discurso na ONU, ela disse com expressão de raiva e indignação: “As pessoas estão sofrendo e estão morrendo. Os nossos ecossistemas estão morrendo. Estamos vivenciando o começo de uma extinção em massa. E tudo o que vocês fazem é falar de dinheiro e de contos de fadas sobre um crescimento econômico eterno. Como vocês se atrevem?”

Quando o discurso vem dos lábios de uma criança e ecoa o que já se tornou senso comum, com certeza tem mais força e capacidade de provocar comoção (com musiquinha e tudo). Num cenário assim, quase qualquer proposta de salvamento será aceita…

Atento a tudo isso, o “campeão da ecologia” Jorge Mario Bergoglio, o papa, convocou para o mês que vem um sínodo com temática ecológica que exalta a cultura animista indígena e com um instrumento de trabalho cujo texto mais parece pagão e panteísta, tratando o planeta como a “mãe Terra”. Veja aqui o vídeo em que discuto os principais tópicos desse instrumento de trabalho ECOmênico e neopagão, que está dando o que falar no meio católico e fora dele.

Depois do Sínodo da Amazônia, o papa deverá publicar um documento oficial sobre o assunto. E como ele não está pra brincadeira, convidou líderes políticos, culturais e religiosos de todo o mundo para uma reunião no Vaticano em maio do ano que vem para acertar um Pacto Global Sobre Educação, que prepare melhor os jovens para os desafios econômicos, sociais e, claro, ambientais (veja aqui o vídeo do convite que ele introduz citando justamente a Laudato Si). O objetivo é educar as novas gerações, que já estão sensibilizadas para a pauta ECOmênica. Como se pode ver, o motor está funcionando a pleno vapor.

Essa reunião no Vaticano será precedida por conferências temáticas que incluirão tópicos como a defesa dos direitos humanos e da paz, o diálogo interreligioso (leia-se ecumenismo), a migração, a cooperação internacional, justiça econômica e proteção ambiental. Imagino que Greta será uma convidada de honra…

O encontro foi agendado para coincidir convenientemente com o quinto aniversário da encíclica Laudato Si. Umas das conferências preparatórias será realizada na muçulmana Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que o papa visitou em fevereiro. As outras ocorrerão na Itália e no Vaticano. Assim, cristãos moderados, muçulmanos moderados e defensores do ambientalismo estarão de mãos dadas por uma causa comum. Ficam de fora os fundamentalistas, extremistas e fanáticos religiosos (de fato ou assim considerados). Não haverá espaço para esses no “novo mundo de paz” que se quer construir.

O que precisamos fazer enquanto ainda temos liberdade para isso? Salvar o planeta? Não. Salvar as pessoas e cuidar do planeta até que Jesus venha recriá-lo.

Michelson Borges

Nota 1: Há quem pergunte por que todo esse interesse nas ações do papa. Bem, aqui neste blog sempre estamos atentos aos grandes temas religiosos e proféticos. O papa é o mais importante líder religioso e suas palavras e atitudes sempre têm grande repercussão. Além disso, a instituição que ele representa é bem descrita nas profecias de Daniel e Apocalipse, sendo, portanto, inevitável falar de vez em quando dessa figura político-religiosa. Alarmismo? Bem, Noé também foi considerado alarmista enquanto construía a arca e anunciava a inundação vindoura. Os mileritas e pioneiros do adventismo também foram tratados como fanáticos alarmistas por viverem falando da volta de Jesus. Se alarmista significa estar atento aos fatos e às Escrituras, que assim seja.

Nota 2: A verdadeira causa dos problemas climáticos: “Satanás também atua por meio dos desastres naturais, a fim de recolher sua colheita de pessoas desprevenidas. Estudou os segredos dos laboratórios da natureza e emprega todo o seu poder para dirigir os elementos tanto quanto Deus o permite. […] Nos acidentes e nas calamidades no mar e em terra, nos grandes incêndios, nos violentos furacões e terríveis saraivadas, nas tempestades, nas inundações, nos ciclones, nas ressacas e nos terremotos; em toda parte e sob milhares de formas, Satanás está exercendo o seu poder. […] Essas ocorrências devem tornar-se mais e mais frequentes e desastrosas. A destruição será tanto sobre o ser humano como sobre os animais” (O Grande Conflito, p. 589, 590).

À medida que o poder refreador do Espírito Santo vai sendo retirado da Terra, Satanás terá mais liberdade de ação. Catástrofes aumentarão em quantidade e intensidade, e haverá um clamor por solução. Finalmente, a culpa será jogada na conta dos que não se unirem nessa coalizão. 

Nota 3: Sugiro três livros para que você tenha melhores condições de perceber o cenário atual: O Grande Conflito, Apocalipse 13 e O Império Ecológico.

Manifestações contra mudanças climáticas ganham força e apoio de cientistas

grettaNesta sexta (20), diversas manifestações estão marcadas em todo o mundo contra as mudanças climáticas. A mobilização tem origem no movimento “Fridays For Future”, da adolescente ativista Greta Thunberg, que desde agosto de 2018 falta às aulas nas sextas-feiras para protestar pelo clima. A mobilização de estudantes para a Greve Global pelo Clima, marcada para esta sexta-feira (20) em diversas partes do mundo, ganhou apoio de cientistas que estão compartilhando imagens de cartas assinadas por eles para que os jovens entreguem nas escolas para justificar a falta nas aulas. A iniciativa rendeu a indicação de Greta ao Prêmio Nobel da Paz e fez com que diversas outras greves se espalhassem pelo mundo. No Brasil, ao menos duas mobilizações tiveram repercussão nacional, uma em março e outra em maio.

A ideia da carta de apoio para justificar as faltas foi do doutor climatologista Peter Gleick, membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos e vencedor do Prêmio Carl Sagan de 2018 para Popularização da Ciência. Ele é contra as críticas que dizem que os estudantes deveriam ficar em sala de aula para aprender, em vez de protestarem.

“As crianças podem aprender muito sobre o mundo real ao experimentá-lo”, afirmou o climatologista Peter Gleick, em entrevista ao G1. “Acredito que [nas manifestações] eles aprenderão lições importantes para toda a vida sobre ciência, política, engajamento cívico e responsabilidade social – e essas lições são, em última análise, mais importantes e mais valiosas do que passar mais um dia na sala de aula.”

A atitude ganhou repercussão e ao menos outros três especialistas fizeram o mesmo, assinando outras cartas que poderiam ser usadas em seus nomes: os climatologistas Peter Kalmus e Heather Price e o psicoterapeuta que estuda as doenças psíquicas associadas ao clima Andrew Bryant.

(G1 Globo)

heatherNota: Esta geração está sendo preparada pelos ECOmênicos para aceitar toda e qualquer proposta que vise a combater as mudanças climáticas, desde a sugestão de que se usem roupas sem passar (confira) até algo mais sério, como a aprovação de leis dominicais com o mesmo objetivo de proteger o planeta, como sugere o papa Francisco em sua encíclica Laudato Si. Assista aos dois vídeos abaixo para compreender melhor aonde tudo isso vai dar. [MB]

Na foto ao ladoHeather Price, química atmosférica, durante protesto pelo clima em Seattle, usa um vestido que, segundo ela, marca a mudança de temperatura de 1850 a 2018, feita pelo climatologista Ed Hawkins.