Homem come carne de porco mal cozida e 700 tênias se instalam em seu cérebro

cerebroLarvas também foram detectadas na região peitoral do paciente, que está sendo tratado em um hospital na China

Se você é fã de carne de porco, o caso do chinês Zhu Zhongfa talvez o torne ainda mais exigente quando o assunto é o bom preparo desse alimento [o melhor mesmo, seguindo a recomendação bíblica, é eliminar esse item da dieta]. Isso porque mais de 700 ovos de tênia foram encontrados no cérebro do homem, após ele ingerir um caldo com carne mal cozida. Segundo os médicos de Zhu, o paciente de 46 anos foi parar no Hospital da Universidade de Zhejiang, no leste da China, apresentando graves convulsões, que se assemelhavam a um quadro de epilepsia. Ele já havia sido hospitalizado antes, com tontura e forte dor de cabeça, mas recusara qualquer tipo de tratamento por não querer gastar dinheiro.

Com a persistência dos sintomas, o chinês foi hospitalizado novamente e os médicos puderam realizar exames de ressonância magnética. Analisando as imagens do cérebro de Zhu, os profissionais perceberam centenas de calcificações e lesões no órgão. Mas foi apenas após uma conversa com o paciente que os profissionais tiveram uma suspeita do que estava acontecendo: no bate-papo, ele assumiu que um mês antes consumira lâmen com carne de porco e carneiro de procedências duvidosas. Tendo isso em vista, o médico Huang Jianrong recomendou exames de anticorpos – e não foi surpresa quando um teste de Taenia solium deu positivo.

Taenia solium é uma espécie de verme que se desenvolve em porcos e, quando consumida, usa o corpo humano como hospedeiro. Além do crescimento dos próprios vermes, a doença pode aparecer como cisticercose, uma infecção larval resultante da ingestão dos ovos desse animal, os cisticercos.

Quando os médicos do Hospital da Universidade de Zhejiang contaram o diagnóstico a Zhu, ele concordou que essa era uma possibilidade e se lembrou de quando comeu o prato. “Eu apenas mexi um pouco a carne. O fundo do pote com o caldo picante estava vermelho, então não podia ver se a carne fora cozida completamente”, afirmou o paciente, segundo um comunicado.

Essa não é a primeira vez que uma infestação grave como a de Zhu acontece. No começo do ano, o New England Journal of Medicine publicou o caso de um jovem indiano de 18 anos que também estava infestado por ovos de Taenia. Pouco depois, uma equipe médica retirou um “tumor” de uma norte-americana de 42 anos – e descobriu que a massa era, na realidade, um grande ovo do animal.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a teníase ainda pode ser causada por outras duas espécies de tênia: Taenia saginata e Taenia asiatica, presentes na carne bovina e suína, respectivamente. Para a prevenção da doença, é necessário cuidar da higiene pessoal. Mas saneamento básico também é essencial para evitar a disseminação da doença.

Além disso, é fundamental consumir carnes devidamente higienizadas, preparadas e cozidas, como explicam os especialistas. A Food Safety Australia recomenda cozinhar a carne suína a uma temperatura de aproximadamente 77 ºC por no mínimo três minutos – se necessário, é recomendada a utilização de um termômetro de alimentos. [E isso é por sua conta e risco.]

cisticercoVale lembrar que a infecção também pode ocorrer em outras partes do corpo. Isso porque, após ingeridos, os ovos do verme eclodem por conta do fluido digestivo intestinal e permitem que a larva perfure as paredes do intestino, entrando na corrente sanguínea e chegando a diferentes partes do corpo. Como o cérebro humano é muito vascularizado, os animais costumam se instalar por lá. Ainda assim, outras regiões também estão em risco: o próprio Zhu apresentou infestação nos pulmões.

“Os diversos pacientes respondem diferentemente à infecção, dependendo de onde os parasitas estão”, ressaltou Huang Jianrong, um dos médicos de Zhu, segundo o New Zeland Herald. Ele ressalta que os sintomas podem variar e, por isso, é essencial consultar um profissional de saúde ao menor sinal da doença.

Felizmente, o caso de Zhu foi detectado e ele está sendo tratado. “Matamos as larvas usando medicamentos antiparasitários e prescrevemos remédios para proteger seus órgãos e reduzir os efeitos colaterais provocados pelo tratamento”, pontuou Jianrong, ao AsiaWire. “A primeira fase do tratamento foi concluída após uma semana. Agora faremos mais testes.”

(Galileu)

Leia mais sobre carne suína aqui.

Por que o uso de antibióticos na agropecuária preocupa médicos e cientistas

frangoEstudo global revela que o Brasil é um dos países com situação preocupante no monitoramento e resistência a antibióticos em alimentos de origem animal

Há quatro anos, em uma fazenda de criação intensiva em Xangai, na China, um exame feito em um porco prestes a ser abatido encontrou uma bactéria resistente ao antibiótico colistina. O achado acendeu um alerta que ecoou pelo mundo – cada vez mais temeroso com a capacidade que micro-organismos têm demonstrado em driblar tratamentos à base de antibióticos. A bactéria resistente encontrada no suíno, uma Escherichia coli, levou os cientistas da China a aprofundar os exames – agora, também em frangos de fazendas de quatro províncias chinesas, nas carnes cruas desses animais à venda em mercados de Guangzhou, e em amostras de pessoas hospitalizadas com infecções nas províncias de Guangdong e Zhejiang.

Eles encontraram “alta prevalência” do Escherichia coli com o gene MCR-1, que dá às bactérias alta resistência à colistina e tem potencial de se alastrar para outras bactérias, como a Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. O MCR-1 foi encontrado em 166 de 804 animais analisados, e em 78 de 523 amostras de carne crua. Já nos humanos, a incidência foi menor, mas se mostrou presente – em 16 amostras de 1.322 pacientes hospitalizados.

“Por causa da proporção relativamente baixa de amostras positivas coletadas em humanos na comparação com animais, é provável que a resistência à colistina mediada pelo MCR-1 tenha se originado em animais e posteriormente se alastrado para os humanos”, explicou em 2015 Jianzhong Shen, da Universidade de Agricultura em Pequim, um dos autores do estudo, cujos resultados foram publicados no periódico The Lancet Infectious Diseases.

Mas como esse material genético resistente pode ter passado dos animais para os humanos? O caminho de “transmissão” de microrganismos (bactérias, parasitas, fungos, etc.) resistentes é uma incógnita não só para o caso dos porcos, frangos e pacientes na China, mas para o uso veterinário e médico de antibióticos como um todo.

Pode ser que esses microrganismos ou resquícios de antibióticos (restos dos medicamentos que, em contato com os micróbios, podem estimular sua resistência) possam estar se alastrando pelos alimentos, ou ainda através do lixo hospitalar, lençóis freáticos, rios e canais de esgoto – e a investigação para desvendar as rotas de bactérias tem motivado inúmeras pesquisas no Brasil e no mundo.

“As bactérias não têm fronteiras: a resistência pode passar de um lugar a outro sem passaporte e de várias formas”, explica Flávia Rossi, doutora em patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Grupo Consultivo da OMS para a Vigilância Integrada da Resistência Antimicrobiana (WHO-Agisar).

“Com a globalização, não só o transporte de pessoas é rápido, como os alimentos da China chegam ao Brasil e vice-versa. Essa cadeia mimetiza o que acontece com o clima: estamos todos interligados. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem trabalhando com o enfoque de ‘One Health’ (‘Saúde única’, em português; a perspectiva de que a saúde das pessoas, dos animais e do ambiente está conectada).”

Agora, a dimensão global do problema ganhou um mapeamento inédito juntando pesquisas já feitas medindo a presença de microrganismos resistentes em alimentos de origem animal em países de baixa e média renda – e o Brasil aparece no grupo de lugares com situação preocupante. Não quer dizer que o estudo considere o país como um todo, mas pontos que já foram submetidos a pesquisas, como abatedouros de bois em cidades gaúchas ou em uma fazenda produtora de leite e queijo em Goiás.

(G1 Agro)

Se os terraplanistas provocam risos, os antivacina provocam mortes

vacinaPesquisa mostra que sete em cada dez brasileiros acreditam em notícias falsas sobre vacinação

Quando saí da maternidade, lembro que recebi a carteirinha de vacinação do meu filho já com dois carimbos que comprovavam que ele tinha sido imunizado contra a tuberculose e a hepatite B. Eu sabia que a meta era encher aqueles quadradinhos todos com as mais diversas vacinas – pólio, sarampo, rubéola, caxumba, difteria, coqueluche, meningite, pneumonia. A minha única dúvida era se o que o SUS oferecia de forma gratuita era da mesma qualidade que as vacinas da clínica particular – “sim, com certeza”, garantiu o pediatra do meu filho. Dependendo do orçamento do mês e do calendário vacinal, eu decidia se pagava por uma vacina que protegia contra mais vírus do que aquela oferecida pelo posto de saúde ou se meu filho ia tomar a gotinha da pólio, feita com o uso de vírus atenuado, ou a injeção, fabricada com o vírus inativo.

Nunca passou pela minha cabeça a possibilidade de não vacinar e sequer imaginava há nove anos, quando ele nasceu, que alguns pais não vacinam as crianças, às vezes escolhem quais vão ou não dar, subvertem o calendário (já que há épocas em que as crianças tomam muitas picadas na mesma época), duvidam da imunização ou defendem a tese de que há um forte interesse da indústria farmacêutica ao se lançar mais e mais vacinas. Eu só descobri que o tal movimento antivacina existia e era relativamente relevante quando participei de alguns grupos de mães nas redes sociais (que são ótimos e já me ajudaram muitas vezes, importante dizer isso). Mas foi lá que eu vi pela primeira vez gente ligando imunização ao autismo, por exemplo, e também assisti a quem desmentisse frontalmente essa tese (nascida de uma falsa pesquisa publicada por um médico que já teve seu registro até cassado, leia aqui e aqui). Quando eu entrava nesses papos, meio incrédula, mais assistia do que argumentava ao perceber que a treta parto normal x cesárea pode parecer brincadeira de criança perto da discussão “vacinar ou não vacinar”.

Mas onde isso começou, como essa ideia se retroalimenta e atinge tantas pessoas? Uma pesquisa encomendada ao Ibope pela comunidade de mobilização online Avaaz e pela Sociedade Brasileira de Imunizações ouviu duas mil pessoas em todo o país e apontou alguns caminhos. Tive acesso a esses dados esta semana e logo pensei estar diante de uma boa notícia quando li que os antivacina são minoria no Brasil – 87% dos adultos com mais de 16 anos disseram aos pesquisadores que nunca deixaram de se vacinar ou de vacinar uma criança que está sob os seus cuidados. Os “não vacinantes” são “apenas” 13% dos entrevistados – e as aspas no advérbio são justificadas pelo fato desse número representar estatisticamente um universo de 21 milhões de pessoas, pouco mais que a população do Chile. O que aconteceria se todos os habitantes de um país desse tamanho simplesmente decidissem não se vacinar? Pois é.

Quando os pesquisadores perguntaram as razões pelas quais essas pessoas decidiram não se imunizar ou não dar a vacina aos filhos, um pouco mais metade dos entrevistados (57%) relatou pelo menos um motivo considerado pela Sociedade Brasileira de Imunizações e pela OMS como “desinformação”. Os mais comuns, nesta ordem, foram: “não achei a vacina necessária” (31%)”; “tive medo de ter efeitos colaterais graves após tomar uma vacina”(24%); “medo de contrair a doença que estava tentando prevenir com a vacina” (18%); ou decidi pela não imunização “por causa das notícias, histórias ou alertas que li online” (9%) e “por causa dos alertas, notícias e histórias de líderes religiosos” (4%). (Tem dúvidas sobre o que é mito e o que é verdade sobre as vacinas? Leia aqui um texto sobre o assunto feito pelo Ministério da Saúde.)

Todos os entrevistados foram convidados a responder onde buscam informação sobre o assunto. A mídia tradicional – ou seja, televisão, rádio, jornais e sites da grande imprensa – foi a mais mencionada (68%), seguida pelas redes sociais, como Facebook, YouTube, Instagram, além do WhatsApp e demais aplicativos de mensagens instantâneas (48%). Apenas em quarto e quinto lugar aparecem Ministério da Saúde e os médicos, respectivamente.

O impacto das redes sociais na vida contemporânea começou a ser estudado há pouco e ainda é difícil mensurar as consequências da circulação de informações enviesadas ou falsas nessas plataformas, mas os pesquisadores apontam que as atitudes e percepções negativas e errôneas sobre vacinas foram mais comuns entre os entrevistados que citaram YouTube, Facebook e WhatsApp como fonte de informação. Surpresa? Nenhuma. Basta abrir os jornais diariamente para ler reportagens e mais reportagens sobre o papel das redes sociais nos movimentos de manipulação, desinformação e ódio contemporâneos.

Depois que a pesquisa feita pelo Ibope sinalizou que as notícias falsas sobre vacinas têm influenciado os brasileiros, a Avaaz mergulhou mais fundo e foi investigar quais eram as principais fake news sobre o assunto e de onde vinham: o estudo inicialmente se debruçou em uma amostra de 30 notícias falsas já checadas e desmentidas por agências de fact-checking e pelo Ministério da Saúde e que se multiplicaram com a ajuda do YouTube (pelo menos 2,4 milhões de visualizações) e pelo Facebook (23,5 milhões de pageviews e 578 mil compartilhamentos). Em uma análise mais aprofundada dos vídeos antivacina, foram encontradas as 69 produções mais assistidas e compartilhadas que atingiram, só no YouTube, 9,2 milhões de visualizações e 40 mil comentários (importante lembrar que esses vídeos também são compartilhados pelo WhatsApp mas, pela política da plataforma, não é possível mensurar quantas vezes essas produções foram repassadas). A Avaaz descobriu que metade da amostra de fake news corrigida pelos verificadores brasileiros foi traduzida literalmente ou escrita com base em informações em inglês originalmente publicadas nos Estados Unidos.

Esse novo estudo revelou, ainda, que de 2016 para cá as páginas que mais geraram interação nas redes sociais foram: “Cruzada Pela Liberdade” (762 mil interações / 350 mil seguidores); o grupo “O Lado Obscuro das Vacinas” (64 mil interações / 13 mil membros / mais de 1.970 posts); e “Contra Nova Ordem Mundial” (54 mil interações / 22 mil seguidores). E as desinformações mais recorrentes são: a crença de que as vacinas obrigatórias são um plano secreto e maligno da nova ordem mundial para dominar a sociedade; a tal relação entre vacinas e autismo; alegações de que metais nocivos, como mercúrio, estão presentes em vacinas em alta dosagem; e argumentos de que as vacinas prejudicam o corpo, enquanto terapias e produtos naturais seriam “a verdadeira maneira de prevenir doenças”.

O movimento antivacinação foi incluído recentemente pela Organização Mundial de Saúde em seu relatório sobre os dez maiores riscos à saúde global. De acordo com a OMS, ele ameaça reverter o progresso alcançado no combate a doenças evitáveis por imunização. E o resultado dessa onda de desinformação e fake news está aí para quem quiser ver. A onda antivax proporcionada grandemente pelas notícias falsas (mas não só, bom dizer) já mostra suas garras com a volta do sarampo em vários países onde ele não dava as caras havia décadas. Os surtos dessa doença, que é altamente contagiosa, aumentaram 300% no mundo nos primeiros três meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2018. E o Brasil está entre os países que mais tiveram casos de sarampo na comparação entre 2017 e 2018, perdendo apenas para Ucrânia e Filipinas. Só em São Paulo, já são mais de 11.500 casos e quatorze mortes.

Se os terraplanistas só provocam risos, os antivacina provocam mortes. Muitas. Principalmente de crianças e pessoas que por motivos de saúde não podem tomar a vacina – o que não é nada engraçado, mas sim uma verdadeira tragédia que precisa ser combatida com urgência.

(Rita Lisauskas, Estadão)

A IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA E A VACINAÇÃO

A Igreja Adventista apresentou [há quase quatro anos] uma declaração oficial sobre vacinas, intitulada “Imunização”. A recomendação oficial da denominação, com pouco mais de 18 milhões de membros em todo o planeta, é favorável ao uso de vacinas. A resolução, na íntegra, diz que “a Igreja Adventista do Sétimo Dia coloca forte ênfase na saúde e no bem-estar. A ênfase adventista quanto à saúde se baseia na revelação bíblica, nos escritos inspirados de Ellen White (co-fundadora da Igreja) e em literatura científica submetida à revisão de pares. Como tal, encorajamos a imunização/vacinação responsável, e não há qualquer razão religiosa ou baseada na fé para não incentivar nossos adeptos a participarem responsavelmente em programas de proteção e prevenção de imunização” (fonte).

ELLEN WHITE E A VACINAÇÃO

Sobre a questão da vacinação, não temos nenhuma declaração direta das mãos de Ellen G. White. No entanto, temos o testemunho do Pastor D. E. Robinson, um dos secretários da Sra. White em seus últimos anos na Austrália, e então em Santa Helena, na Califórnia, desde 1903 até o fim da vida dela. Ele se casou com a neta mais velha da Sra. White, Ella White, e por muitos anos, depois do prazo de serviço missionário, o pastor Robinson se manteve conectado com o nosso escritório até sua aposentadoria há poucos anos. Ele é, portanto, muito bem qualificado para falar de sua memória sobre a atitude de Ellen White a respeito de certas coisas, e sobre o que realmente teve lugar envolvendo Ellen White e os membros da equipe do escritório.

Em resposta a esse questionamento recebido no nosso escritório, o pastor Robinson escreveu em 12 de junho de 1931:

“Você pede por informações definitivas e concisas a respeito do que a irmã White escreveu sobre vacinação e soro. Essa questão pode ser respondida brevemente; ao passo que não temos nenhum registro, ela não escreveu nada referente a eles em nenhum de seus escritos. Você vai se interessar ao saber, entretanto, que naquela época, quando houve uma epidemia de varíola na vizinhança, ela mesma foi vacinada e instou a seus ajudantes, aqueles conectados a ela, a serem vacinados. Ao dar esse passo, a irmã White reconheceu o fato de que foi provado que a vacina ou dá imunidade à varíola a alguém, ou alivia muito os efeitos de quem adoeceu. Ela reconheceu também o perigo de expor os outros, caso eles falhem em tomar essa precaução.”

Outra vez, falando sobre a atitude da Sra. White a respeito dessa questão, o Pastor Robinson escreveu: “Apesar de estar totalmente ciente da prática de vacinação durante uma epidemia de varíola, ela não expressou desaprovação sobre isso, nem como prevenção, nem como remédio. Membros da sua própria família foram vacinados e com sua aprovação.”

Arthur L. White, 19 de janeiro de 1956

Leia também o artigo “Eles não querem a vacina”, publicado na revista Vida e Saúde, da Casa Publicadora Brasileira, editora oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Depoimento de uma ex-viciada em café

coffeeCresci sabendo que cafeína é ruim. Em casa minha mãe nunca passou café no filtro, deixando aquele aroma típico no ar. Mas a família toda bebia Coca-Cola. Com três anos de idade eu também bebia refrigerante cafeinado. Lembro-me de com 17 anos decidir parar com os refrigerantes, após ler vários artigos que alertam para os perigos relacionados tanto com a cafeína quando com as altas doses de açúcar. Nunca tive que lidar com alguém me oferecendo café, até que comecei a colportar. Foi aí que entendi o tanto que o café faz parte da vida da maioria dos brasileiros. O café coado de manhã, na garrafa térmica, que fica até cremoso com tanto açúcar, era oferecido na maioria das casas que eu visitava. Eu não gostava de café, porque não era acostumada a ele, mas comecei a me acostumar depois de aceitar por educação. Não percebi muita diferença no princípio.

No meu trabalho, o único item servido era café. Então, para descansar da rotina, eu ia tomar um cafezinho. Virou um hábito diário e, à medida que eu me estressava, compensava com a dopamina do café.

A cafeína é a droga mais popular do mundo. Faz parte de várias culturas, por meio do chá, energético, refrigerante e café. A cafeína se conecta aos receptores de adenosina, “cegando-os” e impedindo você de ficar cansado, disparando adrenalina (leia aqui, aqui e aqui).

Por isso que você tem um “barato”. Aquele pico de energia; somado com o açúcar, você tem dopamina e vasodilatação – maior oxigenação e até maior capacidade cognitiva.

O café, para mim, tem todas essas cordas me puxando – o aspecto cultural, os efeitos psicólogos e físicos, e também o medo de falhar em minhas responsabilidades (veja isto).

Racionalizo o uso dessa droga considerando um meio injusto, para um final justo: estou tomando café para meu exercício físico ser mais produtivo, para ter energia enquanto desenvolvo um programa para a igreja ou atendo algum compromisso social, além da minha já intensa jornada de trabalho.

Infelizmente, posso afirmar por experiência própria que estimulantes mais fortes e até cocaína não são tão fortes quanto a cafeína. Os efeitos são comparáveis e existem diversos estudos sobre o assunto (confira). O efeito é muito mais nítido, o acesso mais fácil, mas os sintomas da abstinência são absolutamente comparáveis.

Como adventista do sétimo dia, acredito que temos uma mensagem de saúde que diretamente condena o uso de cafeina, e Ellen White identifica isso como pecado, já que o café atua diretamente onde nos comunicando com Deus: a mente. Eu não ousaria classificar esse hábito de maneira diferente de pecado. O capítulo 16 de Conselhos para a Igreja é direto e enfático no tema. Recomendo a leitura.

Quando leio esses testemunhos, sinto grande aperto no coração e medo. Porque percebo quão eficiente o inimigo tem sido em colocar essa armadilha que diminui nossa capacidade física e mental, prometendo justamente o contrário.

O café cria tolerância, e logo uma xícara se torna um copo, uma garrafa térmica. O café cria dependência, e sem café você tem os efeitos de retirada. São tão intensos que se não for para ter uma vida de equilíbrio e com a ajuda divina, serão muito difíceis. Quando olho para o café, só por Deus e através do poder de Deus para não tomar.

Se você está lendo até aqui, provavelmente se identificou com a minha história. Então convido você a passar pela experiência de se “limpar” como se limpa de uma droga – porque, sem eufemismos ou sensacionalismo, essa é a experiência.

As dores de cabeça são para mim muito intensas, com fotossensibilidade e até náusea. Em resumo: uma dor tão forte que, se não estou deitada com a luz apagada, é insuportável. Não é fácil dormir com a dor, mas é a única maneira de aliviar esse sintoma (leia isto).

Outro sintoma são a ansiedade e a depressão. Costumo dizer que tenho uma “personalidade do café”. Quando bebo, sinto que consigo me expressar melhor, sorrir mais. Mas, quando paro com o café, tenho pensamentos de autodepreciação, desespero e angústia. Apenas orando eu consigo atravessar esses sentimentos sem apelar para outros meios de alívio (leia isto).

O café promove expectativas irreais, desequilibradas e destrutivas. Sinto o café me deixar mais alerta e agressiva (leia isto). E é um exercício de fé acreditar que não pelo café, mas pelo poder de Deus vou ter energia e capacidade de exercer minha missão diária.

O Espírito Santo, que habita em mim e exige um templo santo, é muito mais eficiente e confiável do que essa substância. É por meio dEle, que é justo, que eu pretendo alcançar os fins justos que Ele tem para mim.

Às vezes, querendo assumir coisas boas além da minha capacidade, eu me nego uma bênção concedida pelo meu Pai Celestial, que me criou, de descansar. Tiro também a oportunidade de outras pessoas aprenderem e exercerem as habilidades delas. Crio espaço para meu orgulho. Quando me exercito ou penso em alimentação desintoxicante, estou procurando vaidade ou de verdade cuidar do templo sagrado que é meu corpo? Quando apresento uma simpatia afetada, estou sendo usada por Deus para trazer alívio ou estou apenas procurando aprovação humana?

Termino este depoimento dizendo que, sim, consumir café é algo muito mais espiritual do que parece. Ele deixa clara a estratégia do inimigo e a minha dependência de Deus para fugir, fé na providência divina e, finalmente, só por Deus para derrotar essa armadilha.

(Uma professora ex-viciada em café)

Leia também: “Confessions of a caffeine addict”

Leia mais sobre café aqui.

Tabagismo aumenta risco de depressão e esquizofrenia

cigarroDe acordo com um novo estudo da Universidade de Bristol (Reino Unido), fumar pode aumentar o risco de desenvolver depressão e esquizofrenia. Os pesquisadores queriam estudar a relação conhecida entre tabagismo e doenças mentais. Muitas pessoas com esquizofrenia e depressão fumam, mas será que o tabagismo aumenta a probabilidade dessas condições, ou ter essas condições simplesmente torna as pessoas mais propensas a fumar? Usando um banco de dados europeu (o UK Biobank), os cientistas examinaram os hábitos, o DNA e a saúde de 462.690 indivíduos, sendo 8% fumantes e 22% ex-fumantes. Para tentar determinar uma relação de causa e efeito, os pesquisadores aplicaram um método de análise dos dados conhecido como randomização mendeliana. Esse método mede variações genéticas e é bem conhecido como um controle rigoroso para examinar efeitos causais de exposições modificáveis a doenças.

No geral, foram descobertas evidências em ambas as direções: de que o tabagismo aumentou o risco de depressão e esquizofrenia, mas também que a depressão e a esquizofrenia aumentaram a probabilidade de fumar – embora a associação fosse mais fraca para a esquizofrenia nesse sentido.

“A crescente disponibilidade de dados genéticos em grandes estudos, juntamente com a identificação de variantes genéticas associadas a uma série de comportamentos e resultados de saúde, está transformando nossa capacidade de usar técnicas como a randomização mendeliana para entender caminhos causais. O que isso mostra é que os estudos genéticos podem nos dizer tanto sobre influências ambientais – nesse caso, os efeitos do fumo na saúde mental – quanto sobre a biologia subjacente”, disse um dos autores do estudo, Marcus Munafò, professor de psicologia da Universidade de Bristol.

Em 2016, o governo britânico fez uma recomendação oficial de que o tabagismo fosse banido de hospitais psiquiátricos até 2018. As novas evidências aumentam preocupações já levantadas em estudos anteriores de que o fumo tenha um papel importante na saúde mental. Por exemplo, boa parte do excesso de mortalidade associada a doenças mentais se deve ao cigarro.

“Indivíduos com doenças mentais são frequentemente negligenciados em nossos esforços para reduzir a prevalência de tabagismo, levando a desigualdades na saúde. Nosso trabalho mostra que devemos colocar todos os nossos esforços em impedir o início do tabagismo e incentivar a cessação do tabagismo devido às consequências para a saúde mental e a saúde física”, concluiu a principal autora do estudo, Dra. Robyn Wootton, da Escola de Psicologia Experimental da Universidade de Bristol.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Psychological Medicine.

(MedicalXpress, via Hypescience)

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Sífilis avança pelo Brasil

sifilisDe acordo com dados do “Boletim Epidemiológico – Vigilância em Saúde no Brasil”, divulgado no mês de setembro pelo Ministério da Saúde, a taxa de detecção de sífilis adquirida passou de 2 para 58,1 casos por 100 mil habitantes, de 2010 a 2017. Já no período de 2005 a 2017, a taxa de incidência de sífilis em gestantes passou de 0,5 para 17,2 casos por mil nascidos vivos. A sífilis congênita, por sua vez, registrou crescimento de 1,7 para 8,6 casos por mil nascidos vivos, de 2003 a 2017.

A doença é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum e, se não for tratada, pode avançar pelo organismo e provocar complicações mais graves como cegueira, paralisia, doença cerebral, problemas cardíacos ou, até mesmo, levar à morte. “No caso de gestantes, também pode provocar aborto ou má formação do feto”, alerta o Biólogo Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT e MS).

O tratamento da sífilis é realizado com penicilina, um dos antibióticos mais antigos, descoberto em 1928 pelo médico e bacteriologista inglês Alexander Fleming. Mas, para diagnosticá-la, é preciso ficar atento aos sinais, já que os sintomas podem ser confundidos com os de muitas outras doenças. “Os sinais também podem desparecer por um longo período e a pessoa pode acreditar que esteja curada. Além de não se tratar, pode ainda transmitir a doença”, diz Puorto.

Os sintomas variam de acordo com cada estágio da doença. No início, entre 10 a 90 dias após o contágio, é comum o surgimento de algumas manchas pelo corpo e de feridas nos órgãos sexuais e na virilha. “São lesões ricas em bactérias, mas que não ardem, não coçam e não causam dor”, explica o Biólogo. Ele sugere que, ao desconfiar da doença, a pessoa procure o Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar o teste rápido de sífilis. O resultado sai em até 30 minutos.

(Ex-Libris Comunicação Integrada)

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Novo tipo de vírus é encontrado em porcos

porcosUma colaboração internacional liderada por cientistas da Universidade de Agricultura e Tecnologia de Tóquio (TUAT), no Japão, descobriu um novo vírus que cria ainda mais perguntas sobre esses seres fascinantes. A equipe, liderada pela professora Tetsuya Mizutani, autora correspondente do artigo e diretora do Centro de Pesquisa e Educação para Prevenção de Doenças Infecciosas Globais dos Animais, TUAT, descobriu um vírus único e diferente em fazendas de porcos, onde muitos porcos interagem em ambientes sujos, cenário ideal para a evolução dessas criaturas. Normalmente, quando o vírus infecta um organismo vivo, ele pode se replicar e continuar. Esse tipo novo encontrado pelos cientistas japoneses supostamente não possui as ferramentas adequadas para infectar um organismo. Mas então como ele pode se propagar? Como ele pode existir?

Os vírus mudam constantemente, combinando e recombinando-se em diferentes variedades deles mesmos. Eles podem morrer nesse processo ou tornarem-se mais fortes. Sabe-se que o enterovírus G normal (EV-G) causa diarreia em porcos. Nesse estudo, os pesquisadores descobriram um tipo 2 de EV-G nas fezes dos porcos. O que há de especial nesse novo EV-G tipo 2 é que ele não consegue invadir uma célula hospedeira por conta própria.

“O vírus recombinante que encontramos nesse estudo não possui proteínas estruturais. Isso significa que o vírus recombinante não pode produzir uma partícula viral”, afirma Mizutani em um comunicado à imprensa publicado no site Eurekalert.

Os vírus devem formar uma partícula viral para invadir uma célula hospedeira viva. Sem essa partícula, eles não podem entrar em uma célula hospedeira e usar suas instalações para se replicar. Segundo os pesquisadores, uma possibilidade é que esse vírus em particular pode agir em parceria com um “vírus auxiliar” para obter acesso a uma célula hospedeira, mas o mecanismo pelo qual esse processo acontece ainda não está claro.

Os pesquisadores já encontraram evidências para sustentar essa hipótese nas próprias fezes dos porcos. Foram detectadas quantidades semelhantes dos genomas EV-G recombinantes do tipo 1 e do tipo 2. “Como o EV-G recombinante do tipo 1 foi detectado na mesma amostra de fezes que o novo EV-G recombinante do tipo 2, esse EV-G recombinante do tipo 1, que pertence a [um] subtipo diferente, pode ter servido como vírus auxiliar”, explicam os pesquisadores.

Para responder como esse processo funciona, mais pesquisas serão necessárias. “Podemos estar diante de um sistema totalmente novo de evolução viral [na verdade, adaptação]. Estamos nos perguntando como esse novo vírus surgiu, como infecta células ou como desenvolve uma partícula viral. Nosso trabalho futuro será sobre a solução desse mistério da evolução viral”, projeta a pesquisadora.

(Science AlertScience Direct, via Hypescience)

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