Harvard, MIT e Museu de Ciências de Boston

1Em outubro de 2013, fui convidado a dirigir uma série de pregações e palestras na cidade de Worcester (pronuncia-se “Uuster”), a 75 km de Boston, no estado de Massachusetts. Worcester tem pouco menos de 200 mil habitantes e é a segunda maior cidade da Nova Inglaterra, no Nordeste dos Estados Unidos, ficando atrás apenas de Boston. Apesar de não muito grande, a cidade tem várias faculdades e universidades, destacando-se a Clark University, onde ensinaram Franz Boas, Robert Goddard e Albert Abraham Michelson. Sim, Michelson. O cientista que inspirou meu nome, quando minha mãe, grávida de mim, folheava uma enciclopédia científica. Na Clark University foi fundada a American Psychological Association, por G. Stanley Hall.

Durante a semana, pude visitar de dia alguns lugares, como a bela estação de trem da cidade (Union Station) e o Worcester Art Museum, onde descobri que o criador da mundialmente famosa carinha amarela com um sorriso (o smiley) era cidadão “worcestiano”. Na década de 1960, o designer Harvey Ross Ball foi contratado pela companhia de seguros State Mutual Life Assurance com o objetivo de desenvolver uma campanha para combater o ambiente depressivo da cidade. Assim nasceu a carinha amarela que passou a estampar o crachá dos funcionários. Reza a lenda que Ball não levou mais do que dez minutos para criar a carinha e recebeu 45 dólares pelo desenho. Se ele soubesse o sucesso que ela faria…

Na quinta-feira, um amigo, membro da igreja na qual eu estava pregando, me levou até Boston e pude realizar um sonho: conheci a Universidade de Harvard e o Massachusetts Institute of Technology, o aclamado MIT (na verdade, ambas as instituições ficam na cidade de Cambridge, ao norte de Boston). Confesso que foi emocionante entrar pelo Johnson’s Gate, portão construído em 1890 e a primeira estrutura que usou o “tijolo vermelho de Harvard” que serviu de base para as construções futuras. A Universidade Harvard é a mais antiga instituição de ensino superior dos EUA, com seus prédios vermelhos e amplos jardins, na época com as árvores desfolhadas, prenunciando o inverno. Ali estudaram oito presidentes norte-americanos, entre eles Barack Obama, George W. Bush e John Kennedy, além de alguns dos políticos e intelectuais mais importantes da História.

Depois de dar uma rápida olhada na Widener Library (a terceira maior biblioteca dos EUA), entramos no Centro de Ciências da universidade, construído em 1972. O computador Mark I, considerado um dos primeiros fabricados no mundo, fica ali nesse prédio.

Entramos também no Memorial Hall, construído em 1878 para homenagear os soldados que morreram na Guerra Civil Americana. No Sanders Theatre, ao lado, pudemos até assistir ao ensaio musical de alguns alunos de canto lírico. Bom demais!

A última parada no campus (obrigatória, diga-se de passagem) foi na estátua de John Harvard, esculpida em 1884. Dizem que é a terceira estátua mais visitada dos EUA, ficando atrás da Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, e do Lincoln Memorial, em Washington, DC. Ela também é chamada de estátua das três mentiras, devido à inscrição no pedestal: “John Harvard. Fundador. 1638.” Na verdade, o rosto da estátua não é de Harvard, pois todos os retratos dele foram destruídos num incêndio em 1764. O escultor usou um estudante como modelo. Além disso, a Universidade de Harvard não foi fundada por John Harvard e sim pela Assembleia Estadual de Massachusetts. Harvard, que era um pastor congregacional calvinista inglês, fez uma grande doação à universidade, sendo por isso homenageado. A última mentira consiste na data de 1638. Na realidade, a Universidade foi fundada em 1636.

O pé esquerdo da estátua é polido de tanto que as pessoas passam a mão nele e o seguram para tirar fotos. Dizem que dá sorte, ou algo assim. Não acredito em sorte, mas, para manter a tradição, segurei o tal pé e tirei uma foto também.

Depois de entrar numa livraria, onde comprei um livro e um boné, fomos para o celebrado MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, uma universidade privada de pesquisas inaugurada em 1916. A entrada, com sua grande cúpula e colunas imponentes, fica em frente a um amplo gramado ladeado por prédios que homenageiam grandes nomes da ciência, como Newton, Copérnico e Galileu. O campus tem 68 hectares e se estende por 1,6 quilômetro ao longo da margem norte da bacia do rio Charles. O MIT tem cinco escolas e uma faculdade com mais de 30 departamentos, e é frequentemente citado como uma das melhores universidades do mundo. Até 2013, 85 ganhadores do Prêmio Nobel tinham estudado ali. Wow!

Visitamos alguns laboratórios (fiquei surpreso com a facilidade de acesso a eles) e, quando estávamos nos retirando, conversamos com um rapaz de traços orientais e cabelos longos que testava o giroscópio de um drone no gramado em frente ao prédio da cúpula. Vimos na prática a execução de um projeto dos muitos alunos genais do MIT! “Tarefinha de casa” básica…

Atravessamos a Memorial Drive, em frente à universidade, tiramos algumas fotos do Charles River e da cidade de Boston e fomos almoçar. A fome apertava e resolvemos parar numa lanchonete. Comemos nossos sanduíches naturebas e nos dirigimos ao Museu de Ciências de Boston, última visita do dia.

Ali há fósseis de dinossauros (como o de um triceratops, descoberto em 2004) e modelos de dinossauros em tamanho real. Mas o ponto forte mesmo é a interatividade. No Museum of Science os visitantes têm muito contato com as geringonças em exposição e podem fazer diversas experiências que possibilitam o aprendizado da ciência na prática. É excelente para levar as crianças (mas, infelizmente, as minhas não estavam lá…). O tempo era curto para visitar tantas exposições (700 ao todo). Daria para ficar o dia todo ali e seria pouco.

Começava a escurecer e o trânsito se intensificava. Precisávamos voltar a Worcester. Antes demos uma última volta pela Newbury Street para ver os famosos prédios bicentenários em estilo europeu feitos de tijolos vermelhos. Um verdadeiro charme e uma sensação de volta ao passado.

Foi um passeio que realmente valeu a pena, de deixar qualquer amante de cultura com um smiley no rosto.

Michelson Borges

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Físico brasileiro Marcelo Gleiser ganha o Prêmio Templeton 2019

marcelogleiserO físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser é o contemplado do Prêmio Templeton 2019, anunciou a fundação responsável pela premiação nesta terça-feira (19). Ele é o primeiro latino-americano a ganhar o prêmio, criado em 1972, e vai receber 1,1 milhão de libras esterlinas, o equivalente a R$ 5,5 milhões. A cerimônia de premiação será em 29 de maio, em Nova York. Gleiser tem 60 anos e vive atualmente nos Estados Unidos, onde ensina física e astronomia no Dartmouth College, em Hanover, New Hampshire. Ele já teve mais de cem artigos revisados e publicados até o momento e pesquisas sobre o comportamento de campos quânticos e partículas elementares e a formação inicial do Universo, a dinâmica das transições de fase, a astrobiologia e as novas medidas fundamentais de entropia e complexidade baseadas em teoria da informação. Ateu, seu trabalho se destaca por demonstrar que ciência e religião não são inimigas.

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A foto que é o cúmulo da nerdice

nasa3aEm 2015, fui convidado a apresentar palestras criacionistas em Zurique e Genebra, na Suíça. Na segunda cidade, aproveitei para conhecer a famosa Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN, na sigla em inglês), onde fica o maior acelerador de partículas do mundo, o LHC, do inglês Large Hadron Collider (Grande Colisor de Hádrons), com seus 27 km de circunferência (parte da estrutura está em território francês). Fiz uma visita guiada juntamente com um grupo de turistas de vários países (confira o vídeo aqui). Depois de conversar um pouco mais com o guia, fui até uma pequena loja e comprei algumas lembranças, entre as quais uma camiseta azul com uma ilustração que representa uma colisão de partículas. Conhecer o CERN foi algo muito significativo para mim, já que na minha adolescência acompanhei com muito interesse a construção desse laboratório que tem trazido muito conhecimento na área de física de partículas. Lia tudo o que podia sobre isso na época.

Dois anos depois, fui convidado a dirigir uma série de palestras em Orlando, na Flórida. Como estava a pouco mais de uma hora de Cabo Canaveral, onde fica o Kennedy Space Center, local de lançamento de foguetes da NASA, não perdi a chance de visitar o complexo (veja o vídeo aqui). Além do simulador de decolagem e das fantásticas exibições em vídeos (alguns em 3D), com documentários bem-feitos a respeito das conquistas espaciais da agência, há ali também foguetes e naves originais, como o Saturno V e o ônibus espacial Atlantis. Nem preciso dizer que desde a minha infância acompanho tudo o que posso sobre a exploração do espaço (aliás, como muitas crianças, também quis ser astronauta; meu filho é ainda mais ambicioso: quer ser o primeiro pastor adventista a pisar na Lua).

Quando eu nasci, fazia apenas três anos que os astronautas norte-americanos haviam pousado em nosso satélite natural (sim, pousaram). Lá no complexo da Nasa em Cabo Canaveral tem até um pedaço de rocha lunar em que se pode tocar. Ver de perto a Atlantis foi especialmente emocionante. E adivinhe com que camiseta eu fui… Sim, com aquela azul, do CERN. Cúmulo da nerdice, diriam meus amigos nerds lá da infância (amigos que, como eu, não perdiam um episódio de Star Trek e nos divertíamos desenhando e montando maquetes de naves espaciais). Tirei várias fotos lá no Kennedy Space Center (assim como no CERN), e uma delas, em que o Saturno V aparece ao fundo, estampa o cabeçalho da minha página no Facebook e do meu Twitter. Uma grata recordação com “sabor” de infância e com “cheiro” de futuro. Futuro?

Sim, visitar o CERN e a NASA me fez pensar no futuro. Não me tornei astronauta nem trabalho em um laboratório de pesquisas nucleares, mas ainda amo a boa ciência e aguardo dia em que poderei contemplar de perto as maravilhas do Universo, tanto as micro quanto as macroscópicas. Toda vez que me deparo com algum aspecto impressionante da pesquisa científica e dos avanços tecnológicos da humanidade me lembro do quarto último parágrafo do livro O Grande Conflito, de Ellen White:

“Todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos remidos de Deus. Livres da mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes – mundos que fremiram de tristeza ante o espetáculo da desgraça humana, e ressoaram com cânticos de alegria ao ouvir as novas de uma alma resgatada. Com indizível deleite os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não caídos. Participam dos tesouros do saber e entendimento adquiridos durante séculos e séculos, na contemplação da obra de Deus. Com visão desanuviada olham para a glória da criação, achando-se sóis, estrelas e sistemas planetários, todos na sua indicada ordem, a circular em redor do trono da Divindade. Em todas as coisas, desde a mínima até à maior, está escrito o nome do Criador, e em todas se manifestam as riquezas de Seu poder.”

Aguardo ansiosamente o dia em que terei acesso a esses tesouros e estarei diante do Criador de todos eles! O melhor de tudo é que não precisarei de nave espacial para isso; e, com a graça de Deus, em lugar de uma camiseta azul estarei usando roupas brancas reluzentes!

Michelson Borges

Deus, ciência e as grandes questões

Uma conversa com três das maiores mentes acadêmicas cristãs vivas. (Via Cristianismo Absoluto.)

Atenção: Embora não concordemos com todos os pontos de vista levantados, a reflexão e os pensamentos apresentados são poderosas ferramentas para fundamentar mais solidamente a fé cristã.

Derrubando o mito da Terra plana com uma simples experiência

IMG_7403Estive recentemente na Argentina, onde participei de um simpósio teológico organizado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul. No fim da viagem, aproveitei o tempo de espera pelo voo que me levaria a São Paulo e fiz uma experiência relacionada com a esfericidade da Terra. Algo bem simples e até óbvio – ou pelo menos deveria ser, já que aumenta o número de pessoas que têm sido enganadas pelo mito da Terra plana. Sim, em pleno século 21, isso está acontecendo! O pior de tudo é que quem tem defendido essa ideia estapafúrdia em vídeos e textos na internet diz fazê-lo em defesa da Bíblia. Com isso, dão um tiro no próprio pé ou, pior, atendem aos interesses de pessoas que querem mesmo é detonar a imagem do cristianismo e do criacionismo. Em primeiro lugar, é bom que se saiba que a Bíblia nada diz claramente quanto ao formato da Terra. Aliás, já postei um texto sobre o que as Escrituras e Ellen White afirmam sobre esse assunto (confira aqui) e mostrei tempos atrás (neste texto e neste vídeo) que o propagado mito da Terra plana, na verdade, atende mesmo aos interesses dos evolucionistas naturalistas inimigos da fé cristã. Assim, cristãos que defendem esse mito são, na verdade, bobos úteis. Mas vamos à minha experiência.

Saí do Aeroporto Internacional Jorge Newbery, cruzei a Avenida Costanera Rafael Obligado, e contemplei o gigantesco Rio da Prata [foto acima]. Do outro lado, a mais de 50 km em linha reta,* está o Uruguai. Detalhe: dali onde eu estava não é possível ver as terras uruguaias. Tudo o que se vê no horizonte é água e mais água. E por que não se pode ver a terra do outro lado? Simples: porque a curvatura do planeta impede. Quando o avião decolou, o céu estava limpo e pude então ver claramente as terras do outro lado do rio [fotos abaixo].

uruguai1

uruguai

Como para todas as explicações simples os terraplanistas têm que inventar uma contraexplicação complicada, alguns deles chegam a dizer que não se pode ver a suposta “borda” da Terra no horizonte por causa de um efeito de “lente” na atmosfera, que supostamente daria a impressão de que as coisas estariam mais abaixo de sua real posição. Mas com isso eles disparam outro tiro no pé. Entenda o porquê na explicação do meu amigo astrofísico Eduardo Lütz.

Quando a luz passa de um ambiente com densidade óptica menor (ex.: a parte alta da atmosfera) para um meio de densidade óptica maior (ex.: a parte baixa da atmosfera), os raios luminosos se aproximam da direção chamada “normal”, que, no caso da atmosfera, é a vertical. Esse efeito é ilustrado na figura abaixo.

terra redonda

Esse efeito de lente tende a desviar a luz ligeiramente para ter uma curvatura no mesmo sentido da superfície da Terra. Qualquer pessoa pode comprovar isso mergulhando em uma piscina e notando que os objetos e as pessoas que estão na beira da piscina podem ser vistos acima de sua posição real, quando vistos por alguém mergulhado, conforme mostra a figura 5 deste texto.

Por causa de efeitos desse tipo na atmosfera, incluindo também fenômenos como a Fata Morgana, objetos distantes (como ilhas e barcos) parecem estar acima de sua posição real (e não abaixo), dando a impressão de que a curvatura da Terra é menor do que ela realmente é. Apesar disso, às margens de grandes extensões de água, é comum não podermos ver a outra margem por causa da curvatura da Terra, exatamente como pude perceber lá na Argentina, às margens do Rio da Prata.

Fica aqui mais uma contribuição para desfazer um mal-entendido que tem sido uma verdadeira pedra de tropeço no caminho das três mensagens angélicas, cuja proclamação depende de que as pessoas creiam na veracidade da Bíblia Sagrada aliada à verdadeira ciência.

Michelson Borges

Nota: Clique aqui e veja o lançamento do foguete SpaceX, realizado na segunda-feira pela Nasa. Durante a decolagem, é possível ver imagens a partir de câmeras posicionadas na Terra e de uma câmera fixada no foguete. Lá do espaço, fica bem evidente a curvatura do planeta. Mas os conspiracionistas terraplanistas vão dizer que o governo dos Estados Unidos gastou mais alguns milhões de dólares com a desculpa de que estava levando ao espaço um satélite espião, quando, na verdade, estava gastando mais dinheiro para nos manter no engano quanto ao formato da Terra…

[*] Meu sogro é pescador e me disse que, em mar aberto, é possível ver nuvens “tocando” o horizonte a mais de 50 km.

Ellen White, a Bíblia e a ciência

science_bibleComparando o Salmo 19 com Romanos 1, aprendemos que a natureza revela a glória de Deus e que a cada dia podemos obter novos ensinamentos dela. Além disso, a natureza revela atributos de Deus, não apenas sua existência. A Bíblia tem pequenas falhas: erros de cópia e talvez de escrita no original (é possível trocar uma letra aqui ou ali). Equívocos em traduções, porque foram muitas ao longo da história. Mas a mensagem básica está correta; os princípios permanecem intocados. O mesmo ocorre com a natureza. O pecado tocou em circunstâncias, mas não em princípios, em leis, pois essas coisas são diretamente controladas pelo próprio Deus. Acompanhe esta série de textos de Ellen White que esclarecem pontos mais específicos:

“Hoje os homens declaram que os ensinos de Cristo concernentes a Deus não podem ser provados pelas coisas do mundo natural, que a natureza não está em harmonia com as escrituras do Antigo e Novo Testamentos. Não existe essa suposta falta de harmonia entre a natureza e a ciência. A Palavra do Deus do Céu não está em harmonia com a ciência humana, mas em perfeito acordo com Sua própria ciência criada” (Olhando para o Alto [MM 1983], 21 de setembro).

“Aos olhos dos homens, a vã filosofia e a falsamente chamada ciência são de mais valor do que a Palavra de Deus. Prevalece em grande medida a ideia de que o Mediador divino não é necessário à salvação dos homens. Teorias várias, avançadas pelos chamados sábios segundo o mundo, destinadas ao enobrecimento do homem, são acolhidas e acreditadas mais do que a verdade divina, ensinada por Cristo e Seus apóstolos” (Review and Herald, 8 de novembro de 1892).

Note que entre os ensinos errados está o de que os ensinos de Cristo não podem ser provados pelas coisas do mundo natural.

“O Céu é uma escola; o campo de seus estudos, o Universo; seu professor, o Ser infinito. Uma ramificação dessa escola foi estabelecida no Éden; e, cumprindo o plano da redenção, reassumir-se-á a educação na escola edênica” (Educação, p. 301).

Isso é para o futuro. Também há referências a coisas semelhantes antes do pecado. Mas e na era do pecado, como ficam as coisas? Veremos.

Primeiro um conselho geral: “Seremos julgados de acordo com o que nos cumpria fazer, mas que não executamos por não usar nossas capacidades para glorificar a Deus. Mesmo que não percamos a salvação, reconheceremos na eternidade a consequência de não empregarmos nossos talentos. Haverá eterna perda por todo conhecimento e capacidade não alcançados, que poderíamos ter ganho” (Mensagens aos Jovens, p. 309).

Mas temos limitações sérias. O que fazer quanto a isso?

“Mas se nos entregarmos completamente a Deus, e seguirmos Sua direção em nosso trabalho, Ele mesmo Se responsabilizará pelo cumprimento. Não quer que nos entreguemos a conjecturas sobre o êxito de nossos esforços honestos. Nem uma vez devemos pensar em fracasso. Devemos cooperar com Aquele que não conhece fracasso.

Não devemos falar de nossa fraqueza e inaptidão. Com isso manifestamos desconfiança para com Deus, e negamos Sua Palavra” (Mensagens aos Jovens, p. 309).

Ok. Mas essas coisas são um tanto gerais. E sobre a ciência propriamente?

“Aquele que conhece a Deus e a Sua Palavra por experiência pessoal […]

sabe que, na verdadeira ciência, nada pode haver que esteja em contradição com o ensino da Palavra; uma vez que procedem ambas do mesmo Autor, a verdadeira compreensão delas demonstrará sua harmonia. A esse estudante a pesquisa científica abrirá vastos campos de pensamentos e informações. Ao ele contemplar as coisas da natureza, advém-lhe uma nova percepção da verdade. O livro da natureza e a Palavra escrita derramam luz um sobre o outro. Ambos o fazem relacionar-se melhor com Deus, ensinando-lhe o que concerne ao Seu caráter e às leis por meio das quais Ele opera” (A Ciência do Bom Viver, p. 462).

“Deus é o autor da ciência. As pesquisas científicas abrem ao espírito vasto campo de ideias e informações, habilitando-nos a ver Deus em Suas obras criadas. A ignorância pode tentar apoiar o ceticismo, apelando para a ciência; em vez de o sustentar, porém, a verdadeira ciência contribui com novas provas da sabedoria e do poder de Deus. Devidamente compreendidas, a ciência e a Palavra escrita concordam entre si, lançando luz uma sobre a outra. Juntas, conduzem-nos para Deus, ensinando-nos algo das sábias e benéficas leis por que Ele opera” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 426).

Então, a Bíblia e a verdadeira ciência lançam luz uma sobre a outra. Há uma missão para nós envolvendo a ciência:

“Há poder no conhecimento de ciências de toda a espécie, e é desígnio de Deus que a ciência avançada seja ensinada em nossas escolas como preparação para a obra que há de preceder as cenas finais da história terrestre. A verdade deve ir aos mais remotos confins da Terra mediante pessoas preparadas para a obra. Mas, embora haja poder no conhecimento da ciência, o conhecimento que Jesus veio transmitir pessoalmente ao mundo era o conhecimento do evangelho. A luz da verdade devia lançar seus brilhantes raios nas partes mais longínquas da Terra, e a aceitação ou a rejeição da mensagem de Deus envolvia o destino eterno das pessoas” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 186).

Não podemos perder de vista que a prioridade é a salvação revelada por Cristo, mas isso não nos libera do dever de estudar e usar a verdadeira ciência:

“Depois da Bíblia, a natureza deve ser o nosso maior livro de texto” (Conselhos Sobre Educação, p. 171).

“Ao mesmo tempo em que a Bíblia deve ter o primeiro lugar na educação das crianças e jovens, o livro da natureza ocupa o lugar imediato em importância. As obras criadas de Deus testificam de Seu amor e poder. Ele trouxe à existência o mundo, juntamente com tudo que nele se contém” (Exaltai-O Como o Criador [MM 1992] 22 de fevereiro).

“Os jovens que desejam entrar no campo como pastores ou colportores devem primeiro obter um razoável grau de preparo mental, bem como ser especialmente exercitados para sua carreira. Os que não foram educados, exercitados e polidos não se acham preparados para entrar num campo onde as poderosas influências do talento e da educação combatem as verdades da Palavra de Deus. Tampouco podem eles enfrentar com êxito as estranhas formas de erros religiosos e filosóficos combinados, cuja exposição requer conhecimento de verdades científicas, como também bíblicas” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 514).

O que podemos aprender sobre leis espirituais ao estudar a natureza? Há algumas referências a isso. Eis uma delas:

“O mesmo poder que mantém a natureza opera também no ser humano. As mesmas grandes leis que guiam tanto a estrela quanto o átomo dirigem a vida humana. As leis que presidem à ação do coração, regulando o fluxo da corrente da vida no corpo são as leis da Inteligência todo-poderosa, as quais presidem às funções da alma. DEle procede toda a vida. Unicamente em harmonia com Ele poderá ser achada a verdadeira esfera daquelas funções. Para todas as coisas de Sua criação, a condição é a mesma: uma vida que se mantém pela recepção da vida de Deus, uma vida exercida de acordo com a vontade do Criador” (Educação, p. 99).

“Transgredir Sua lei, física, mental ou moral corresponde a colocar-se o transgressor fora da harmonia do Universo, ou introduzir discórdia, anarquia e ruína. Para aquele que assim aprende a interpretar seus ensinos, toda a natureza se ilumina; o mundo é um compêndio, e a vida uma escola. A unidade do ser humano com a natureza e com Deus, o domínio universal da lei, os resultados da transgressão, não podem deixar de impressionar o espírito e moldar o caráter” (ibidem, p. 99, 100).

“Aquele que permanece em pecaminosa ignorância das leis da vida e da saúde, ou que voluntariamente viola essas leis, peca contra Deus” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 295).

“Deus não Se agrada com a ignorância quanto a Suas leis, sejam elas naturais, sejam espirituais” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 467).

Vimos, por exemplo, que há estranhas formas de erros religiosos e filosóficos combinados (não devemos nos contaminar com essas coisas), cuja solução são conhecimentos científicos e bíblicos (precisamos estudar isso). E é muito fácil confundir a verdadeira ciência (na qual deveríamos nos aprofundar) com a falsa (da qual deveríamos fugir). A verdadeira ciência e a Bíblia definitivamente estão entre as coisas que não apenas podemos, mas devemos estudar. Entre as coisas que devemos evitar aparecem nos textos acima a vã filosofia e a falsamente chamada ciência, também chamada de ciência humana.

A Bíblia e a Ciência lançam luz uma sobre a outra justamente por serem complementares. A Bíblia fala mais de motivos, planos e princípios, e a Ciência fornece ferramentas para o estudo da Bíblia e da natureza, esclarecendo mecanismos. As ferramentas da Ciência têm revelado na natureza uma profusão de informações que não estão na Bíblia nem deveriam estar. Isso não acrescenta doutrina nova sobre o evangelho (não vão além da Bíblia nesse aspecto), mas são informações importantes sobre as quais a Bíblia se cala, exceto por nos mandar estudá-las.

(Compilação e comentários por Eduardo Lütz)

Fatos científicos que você não vê nos livros didáticos

bookA geologia diluviana interpreta a história geológica da Terra em termos de catástrofes associadas a um dilúvio universal, conforme descrito no livro do Gênesis. A paleontologia, por sua vez, é a investigação científica da história passada da vida na Terra, sendo de considerável interesse para a comunidade criacionista. A paleontologia criacionista está relacionada geralmente à história da morte em massa dos organismos e não necessariamente a como eles teriam vivido. Assim, veremos aqui alguns fatos que sugerem a veracidade do relato bíblico de nossas origens e que, a propósito, não estão contemplados nos livros didáticos.

Formação rápida de camadas sedimentares na natureza. Em 1967, o geólogo criacionista norte-americano Edwin McKee relatou suas observações de que camadas poderiam ser formadas rapidamente na natureza com a ação da água.[1] Para McKee, o depósito era um sistema de camadas formadas simultaneamente, onde os sedimentos haviam sido depositados na mesma forma estratigráfica encontrada nas rochas da coluna geológica. Ele chegou a essas conclusões por meio de suas pesquisas com o evento que ocorreu em 1965, no rio Bijou Creek, no estado do Colorado, EUA. Esse rio transbordou devido a uma chuva torrencial que durou 48 horas e produziu um depósito de sedimentos de 3,5 metros. Esse depósito apresentou classificação de partículas e planos de estratificação.

Em 1980, ocorreu a erupção do Monte Santa Helena, localizado no Estado de Washington, EUA. Essa erupção e seus fluxos piroclásticos provocaram deslizamentos de terra que derrubaram florestas, e árvores foram sendo arrastadas e enterradas em pé, nos sedimentos depositados no fundo do Lago Spirit Lake.[2, 3] Ademais, a erosão rápida formou pequenos cânions e houve formação de turfeiras devido ao acúmulo de cascas, folhas, galhos e raízes de árvores. Mas o resultado principal desse evento catastrofista é que, em três horas de fluxo catastrófico (erupção e deslizamento), foi produzido um depósito de sedimentos de sete metros, demonstrando a possibilidade de formação rápida de estratos geológicos.

Além disso, geólogos criacionistas estudaram o curioso caso de troncos de árvores arrastados e depositados na posição vertical, em diferentes momentos, com suas raízes enterradas em diferentes níveis, no fundo do lago Spirit Lake, com sedimentos em torno de suas bases, e que explicariam a formação rápida dos “fósseis poliestratos” ou da floresta petrificada do parque Yellowstone, representantes fósseis que, sob a perspectiva evolucionista, atravessam eras evolutivas.[4-7] Um dos geólogos que se destacou em publicações científicas sobre as “florestas fósseis” foi o Dr. Harold Coffin (in memoriam), membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia e pesquisador do Earth History Research Center mantido pela Southwestern Adventist University. Ele foi o primeiro cientista a entrar na área do Spirit Lake.

Outro geólogo que chamou a atenção da comunidade científica em relação às florestas petrificadas do Parque Nacional de Yellowstone foi o pós-doutor em geologia Arthur Chadwick.[8] O Dr. Chadwick também é membro da IASD e, na época, pesquisador da Universidade de Loma Linda. Ele conduziu um estudo que esclareceu a história deposicional das árvores petrificadas nessa região.

[Continue lendo e se surpreenda.]