Derrubando o mito da Terra plana com uma simples experiência

IMG_7403Estive recentemente na Argentina, onde participei de um simpósio teológico organizado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul. No fim da viagem, aproveitei o tempo de espera pelo voo que me levaria a São Paulo e fiz uma experiência relacionada com a esfericidade da Terra. Algo bem simples e até óbvio – ou pelo menos deveria ser, já que aumenta o número de pessoas que têm sido enganadas pelo mito da Terra plana. Sim, em pleno século 21, isso está acontecendo! O pior de tudo é que quem tem defendido essa ideia estapafúrdia em vídeos e textos na internet diz fazê-lo em defesa da Bíblia. Com isso, dão um tiro no próprio pé ou, pior, atendem aos interesses de pessoas que querem mesmo é detonar a imagem do cristianismo e do criacionismo. Em primeiro lugar, é bom que se saiba que a Bíblia nada diz claramente quanto ao formato da Terra. Aliás, já postei um texto sobre o que as Escrituras e Ellen White afirmam sobre esse assunto (confira aqui) e mostrei tempos atrás (neste texto e neste vídeo) que o propagado mito da Terra plana, na verdade, atende mesmo aos interesses dos evolucionistas naturalistas inimigos da fé cristã. Assim, cristãos que defendem esse mito são, na verdade, bobos úteis. Mas vamos à minha experiência.

Saí do Aeroporto Internacional Jorge Newbery, cruzei a Avenida Costanera Rafael Obligado, e contemplei o gigantesco Rio da Prata [foto acima]. Do outro lado, a mais de 50 km em linha reta,* está o Uruguai. Detalhe: dali onde eu estava não é possível ver as terras uruguaias. Tudo o que se vê no horizonte é água e mais água. E por que não se pode ver a terra do outro lado? Simples: porque a curvatura do planeta impede. Quando o avião decolou, o céu estava limpo e pude então ver claramente as terras do outro lado do rio [fotos abaixo].

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Como para todas as explicações simples os terraplanistas têm que inventar uma contraexplicação complicada, alguns deles chegam a dizer que não se pode ver a suposta “borda” da Terra no horizonte por causa de um efeito de “lente” na atmosfera, que supostamente daria a impressão de que as coisas estariam mais abaixo de sua real posição. Mas com isso eles disparam outro tiro no pé. Entenda o porquê na explicação do meu amigo astrofísico Eduardo Lütz.

Quando a luz passa de um ambiente com densidade óptica menor (ex.: a parte alta da atmosfera) para um meio de densidade óptica maior (ex.: a parte baixa da atmosfera), os raios luminosos se aproximam da direção chamada “normal”, que, no caso da atmosfera, é a vertical. Esse efeito é ilustrado na figura abaixo.

terra redonda

Esse efeito de lente tende a desviar a luz ligeiramente para ter uma curvatura no mesmo sentido da superfície da Terra. Qualquer pessoa pode comprovar isso mergulhando em uma piscina e notando que os objetos e as pessoas que estão na beira da piscina podem ser vistos acima de sua posição real, quando vistos por alguém mergulhado, conforme mostra a figura 5 deste texto.

Por causa de efeitos desse tipo na atmosfera, incluindo também fenômenos como a Fata Morgana, objetos distantes (como ilhas e barcos) parecem estar acima de sua posição real (e não abaixo), dando a impressão de que a curvatura da Terra é menor do que ela realmente é. Apesar disso, às margens de grandes extensões de água, é comum não podermos ver a outra margem por causa da curvatura da Terra, exatamente como pude perceber lá na Argentina, às margens do Rio da Prata.

Fica aqui mais uma contribuição para desfazer um mal-entendido que tem sido uma verdadeira pedra de tropeço no caminho das três mensagens angélicas, cuja proclamação depende de que as pessoas creiam na veracidade da Bíblia Sagrada aliada à verdadeira ciência.

Michelson Borges

Nota: Clique aqui e veja o lançamento do foguete SpaceX, realizado na segunda-feira pela Nasa. Durante a decolagem, é possível ver imagens a partir de câmeras posicionadas na Terra e de uma câmera fixada no foguete. Lá do espaço, fica bem evidente a curvatura do planeta. Mas os conspiracionistas terraplanistas vão dizer que o governo dos Estados Unidos gastou mais alguns milhões de dólares com a desculpa de que estava levando ao espaço um satélite espião, quando, na verdade, estava gastando mais dinheiro para nos manter no engano quanto ao formato da Terra…

[*] Meu sogro é pescador e me disse que, em mar aberto, é possível ver nuvens “tocando” o horizonte a mais de 50 km.

Ellen White, a Bíblia e a ciência

science_bibleComparando o Salmo 19 com Romanos 1, aprendemos que a natureza revela a glória de Deus e que a cada dia podemos obter novos ensinamentos dela. Além disso, a natureza revela atributos de Deus, não apenas sua existência. A Bíblia tem pequenas falhas: erros de cópia e talvez de escrita no original (é possível trocar uma letra aqui ou ali). Equívocos em traduções, porque foram muitas ao longo da história. Mas a mensagem básica está correta; os princípios permanecem intocados. O mesmo ocorre com a natureza. O pecado tocou em circunstâncias, mas não em princípios, em leis, pois essas coisas são diretamente controladas pelo próprio Deus. Acompanhe esta série de textos de Ellen White que esclarecem pontos mais específicos:

“Hoje os homens declaram que os ensinos de Cristo concernentes a Deus não podem ser provados pelas coisas do mundo natural, que a natureza não está em harmonia com as escrituras do Antigo e Novo Testamentos. Não existe essa suposta falta de harmonia entre a natureza e a ciência. A Palavra do Deus do Céu não está em harmonia com a ciência humana, mas em perfeito acordo com Sua própria ciência criada” (Olhando para o Alto [MM 1983], 21 de setembro).

“Aos olhos dos homens, a vã filosofia e a falsamente chamada ciência são de mais valor do que a Palavra de Deus. Prevalece em grande medida a ideia de que o Mediador divino não é necessário à salvação dos homens. Teorias várias, avançadas pelos chamados sábios segundo o mundo, destinadas ao enobrecimento do homem, são acolhidas e acreditadas mais do que a verdade divina, ensinada por Cristo e Seus apóstolos” (Review and Herald, 8 de novembro de 1892).

Note que entre os ensinos errados está o de que os ensinos de Cristo não podem ser provados pelas coisas do mundo natural.

“O Céu é uma escola; o campo de seus estudos, o Universo; seu professor, o Ser infinito. Uma ramificação dessa escola foi estabelecida no Éden; e, cumprindo o plano da redenção, reassumir-se-á a educação na escola edênica” (Educação, p. 301).

Isso é para o futuro. Também há referências a coisas semelhantes antes do pecado. Mas e na era do pecado, como ficam as coisas? Veremos.

Primeiro um conselho geral: “Seremos julgados de acordo com o que nos cumpria fazer, mas que não executamos por não usar nossas capacidades para glorificar a Deus. Mesmo que não percamos a salvação, reconheceremos na eternidade a consequência de não empregarmos nossos talentos. Haverá eterna perda por todo conhecimento e capacidade não alcançados, que poderíamos ter ganho” (Mensagens aos Jovens, p. 309).

Mas temos limitações sérias. O que fazer quanto a isso?

“Mas se nos entregarmos completamente a Deus, e seguirmos Sua direção em nosso trabalho, Ele mesmo Se responsabilizará pelo cumprimento. Não quer que nos entreguemos a conjecturas sobre o êxito de nossos esforços honestos. Nem uma vez devemos pensar em fracasso. Devemos cooperar com Aquele que não conhece fracasso.

Não devemos falar de nossa fraqueza e inaptidão. Com isso manifestamos desconfiança para com Deus, e negamos Sua Palavra” (Mensagens aos Jovens, p. 309).

Ok. Mas essas coisas são um tanto gerais. E sobre a ciência propriamente?

“Aquele que conhece a Deus e a Sua Palavra por experiência pessoal […]

sabe que, na verdadeira ciência, nada pode haver que esteja em contradição com o ensino da Palavra; uma vez que procedem ambas do mesmo Autor, a verdadeira compreensão delas demonstrará sua harmonia. A esse estudante a pesquisa científica abrirá vastos campos de pensamentos e informações. Ao ele contemplar as coisas da natureza, advém-lhe uma nova percepção da verdade. O livro da natureza e a Palavra escrita derramam luz um sobre o outro. Ambos o fazem relacionar-se melhor com Deus, ensinando-lhe o que concerne ao Seu caráter e às leis por meio das quais Ele opera” (A Ciência do Bom Viver, p. 462).

“Deus é o autor da ciência. As pesquisas científicas abrem ao espírito vasto campo de ideias e informações, habilitando-nos a ver Deus em Suas obras criadas. A ignorância pode tentar apoiar o ceticismo, apelando para a ciência; em vez de o sustentar, porém, a verdadeira ciência contribui com novas provas da sabedoria e do poder de Deus. Devidamente compreendidas, a ciência e a Palavra escrita concordam entre si, lançando luz uma sobre a outra. Juntas, conduzem-nos para Deus, ensinando-nos algo das sábias e benéficas leis por que Ele opera” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 426).

Então, a Bíblia e a verdadeira ciência lançam luz uma sobre a outra. Há uma missão para nós envolvendo a ciência:

“Há poder no conhecimento de ciências de toda a espécie, e é desígnio de Deus que a ciência avançada seja ensinada em nossas escolas como preparação para a obra que há de preceder as cenas finais da história terrestre. A verdade deve ir aos mais remotos confins da Terra mediante pessoas preparadas para a obra. Mas, embora haja poder no conhecimento da ciência, o conhecimento que Jesus veio transmitir pessoalmente ao mundo era o conhecimento do evangelho. A luz da verdade devia lançar seus brilhantes raios nas partes mais longínquas da Terra, e a aceitação ou a rejeição da mensagem de Deus envolvia o destino eterno das pessoas” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 186).

Não podemos perder de vista que a prioridade é a salvação revelada por Cristo, mas isso não nos libera do dever de estudar e usar a verdadeira ciência:

“Depois da Bíblia, a natureza deve ser o nosso maior livro de texto” (Conselhos Sobre Educação, p. 171).

“Ao mesmo tempo em que a Bíblia deve ter o primeiro lugar na educação das crianças e jovens, o livro da natureza ocupa o lugar imediato em importância. As obras criadas de Deus testificam de Seu amor e poder. Ele trouxe à existência o mundo, juntamente com tudo que nele se contém” (Exaltai-O Como o Criador [MM 1992] 22 de fevereiro).

“Os jovens que desejam entrar no campo como pastores ou colportores devem primeiro obter um razoável grau de preparo mental, bem como ser especialmente exercitados para sua carreira. Os que não foram educados, exercitados e polidos não se acham preparados para entrar num campo onde as poderosas influências do talento e da educação combatem as verdades da Palavra de Deus. Tampouco podem eles enfrentar com êxito as estranhas formas de erros religiosos e filosóficos combinados, cuja exposição requer conhecimento de verdades científicas, como também bíblicas” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 514).

O que podemos aprender sobre leis espirituais ao estudar a natureza? Há algumas referências a isso. Eis uma delas:

“O mesmo poder que mantém a natureza opera também no ser humano. As mesmas grandes leis que guiam tanto a estrela quanto o átomo dirigem a vida humana. As leis que presidem à ação do coração, regulando o fluxo da corrente da vida no corpo são as leis da Inteligência todo-poderosa, as quais presidem às funções da alma. DEle procede toda a vida. Unicamente em harmonia com Ele poderá ser achada a verdadeira esfera daquelas funções. Para todas as coisas de Sua criação, a condição é a mesma: uma vida que se mantém pela recepção da vida de Deus, uma vida exercida de acordo com a vontade do Criador” (Educação, p. 99).

“Transgredir Sua lei, física, mental ou moral corresponde a colocar-se o transgressor fora da harmonia do Universo, ou introduzir discórdia, anarquia e ruína. Para aquele que assim aprende a interpretar seus ensinos, toda a natureza se ilumina; o mundo é um compêndio, e a vida uma escola. A unidade do ser humano com a natureza e com Deus, o domínio universal da lei, os resultados da transgressão, não podem deixar de impressionar o espírito e moldar o caráter” (ibidem, p. 99, 100).

“Aquele que permanece em pecaminosa ignorância das leis da vida e da saúde, ou que voluntariamente viola essas leis, peca contra Deus” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 295).

“Deus não Se agrada com a ignorância quanto a Suas leis, sejam elas naturais, sejam espirituais” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 467).

Vimos, por exemplo, que há estranhas formas de erros religiosos e filosóficos combinados (não devemos nos contaminar com essas coisas), cuja solução são conhecimentos científicos e bíblicos (precisamos estudar isso). E é muito fácil confundir a verdadeira ciência (na qual deveríamos nos aprofundar) com a falsa (da qual deveríamos fugir). A verdadeira ciência e a Bíblia definitivamente estão entre as coisas que não apenas podemos, mas devemos estudar. Entre as coisas que devemos evitar aparecem nos textos acima a vã filosofia e a falsamente chamada ciência, também chamada de ciência humana.

A Bíblia e a Ciência lançam luz uma sobre a outra justamente por serem complementares. A Bíblia fala mais de motivos, planos e princípios, e a Ciência fornece ferramentas para o estudo da Bíblia e da natureza, esclarecendo mecanismos. As ferramentas da Ciência têm revelado na natureza uma profusão de informações que não estão na Bíblia nem deveriam estar. Isso não acrescenta doutrina nova sobre o evangelho (não vão além da Bíblia nesse aspecto), mas são informações importantes sobre as quais a Bíblia se cala, exceto por nos mandar estudá-las.

(Compilação e comentários por Eduardo Lütz)

Fatos científicos que você não vê nos livros didáticos

bookA geologia diluviana interpreta a história geológica da Terra em termos de catástrofes associadas a um dilúvio universal, conforme descrito no livro do Gênesis. A paleontologia, por sua vez, é a investigação científica da história passada da vida na Terra, sendo de considerável interesse para a comunidade criacionista. A paleontologia criacionista está relacionada geralmente à história da morte em massa dos organismos e não necessariamente a como eles teriam vivido. Assim, veremos aqui alguns fatos que sugerem a veracidade do relato bíblico de nossas origens e que, a propósito, não estão contemplados nos livros didáticos.

Formação rápida de camadas sedimentares na natureza. Em 1967, o geólogo criacionista norte-americano Edwin McKee relatou suas observações de que camadas poderiam ser formadas rapidamente na natureza com a ação da água.[1] Para McKee, o depósito era um sistema de camadas formadas simultaneamente, onde os sedimentos haviam sido depositados na mesma forma estratigráfica encontrada nas rochas da coluna geológica. Ele chegou a essas conclusões por meio de suas pesquisas com o evento que ocorreu em 1965, no rio Bijou Creek, no estado do Colorado, EUA. Esse rio transbordou devido a uma chuva torrencial que durou 48 horas e produziu um depósito de sedimentos de 3,5 metros. Esse depósito apresentou classificação de partículas e planos de estratificação.

Em 1980, ocorreu a erupção do Monte Santa Helena, localizado no Estado de Washington, EUA. Essa erupção e seus fluxos piroclásticos provocaram deslizamentos de terra que derrubaram florestas, e árvores foram sendo arrastadas e enterradas em pé, nos sedimentos depositados no fundo do Lago Spirit Lake.[2, 3] Ademais, a erosão rápida formou pequenos cânions e houve formação de turfeiras devido ao acúmulo de cascas, folhas, galhos e raízes de árvores. Mas o resultado principal desse evento catastrofista é que, em três horas de fluxo catastrófico (erupção e deslizamento), foi produzido um depósito de sedimentos de sete metros, demonstrando a possibilidade de formação rápida de estratos geológicos.

Além disso, geólogos criacionistas estudaram o curioso caso de troncos de árvores arrastados e depositados na posição vertical, em diferentes momentos, com suas raízes enterradas em diferentes níveis, no fundo do lago Spirit Lake, com sedimentos em torno de suas bases, e que explicariam a formação rápida dos “fósseis poliestratos” ou da floresta petrificada do parque Yellowstone, representantes fósseis que, sob a perspectiva evolucionista, atravessam eras evolutivas.[4-7] Um dos geólogos que se destacou em publicações científicas sobre as “florestas fósseis” foi o Dr. Harold Coffin (in memoriam), membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia e pesquisador do Earth History Research Center mantido pela Southwestern Adventist University. Ele foi o primeiro cientista a entrar na área do Spirit Lake.

Outro geólogo que chamou a atenção da comunidade científica em relação às florestas petrificadas do Parque Nacional de Yellowstone foi o pós-doutor em geologia Arthur Chadwick.[8] O Dr. Chadwick também é membro da IASD e, na época, pesquisador da Universidade de Loma Linda. Ele conduziu um estudo que esclareceu a história deposicional das árvores petrificadas nessa região.

[Continue lendo e se surpreenda.]

A Igreja Adventista, a Nasa e a Terra plana

nasa andrewsO portal de notícias da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul noticiou hoje que “Jay Johnson, professor de Engenharia da Universidade Andrews, instituição administrada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia nos Estados Unidos, foi notificado recentemente de que duas propostas de subsídios para um estudo no qual ele é pesquisador foram selecionadas pela agência espacial norte-americana (Nasa). O aporte de aproximadamente 1,5 milhão de dólares financiará dois projetos de pesquisas diferentes, porém relacionados. A primeira subvenção será usada para estudar como os eventos de rápido fluxo trazem a energia armazenada na cauda da magnetosfera para a Terra e como o fluxo de energia, por fim, acelera os elétrons e os íons próximos ao planeta. ‘Esse projeto investigará como o fluxo rápido estimula as ondas cinéticas ou de pequena escala que transportam energia ao longo das linhas de campo para a ionosfera’, esclarece Johnson. ‘Essas ondas podem levar à precipitação do elétron (responsável pela Aurora Boreal/Austral) e o fluxo de íons da ionosfera.’

“O segundo subsídio é para um projeto de pesquisa que estuda o vazamento das partículas do vento solar através do perímetro magnetosférico para a magnetosfera. Esse vazamento é provocado pela colisão entre as partículas e ondas de pequena escala. ‘A magnetosfera ao redor da Terra cria um tipo de ‘rocha’ na corrente do vento solar’, explica o pesquisador. ‘Ela não está de fato se movendo se comparada com o vento solar, e assim você tem uma instabilidade que se desenvolve no perímetro, que começa a receber uma onda e desenvolve ondulações.’”

Segundo a matéria, o professor está trabalhando para compreender a natureza dessa interação entre o vento solar e o perímetro da magnetosfera. Esse trabalho é importante porque determina como a energia é transferida do vento solar para a magnetosfera, conduzindo a dinâmica da última. Finalmente, a energia transferida afeta os cintos de radiação dentro da magnetosfera que, por sua vez, pode prejudicar quaisquer satélites na vizinhança”.

“E por que a Nasa tem interesse nisso? Devido ao fato de que as flutuações no cinto de radiação exterior podem ser um perigo para os satélites. Entre a Terra e o Sol se encontra um satélite gerenciado pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), usado pelos cientistas para monitorar a atividade no Sol. Isso permite uma alerta, com 30 minutos de antecedência, se algo estiver vindo para a Terra. Pesquisadores como Johnson estão tentando encontrar uma forma de predizer eventos além desses 30 minutos, a fim de que as medidas necessárias possam ser tomadas para mitigar danos em quaisquer recursos nas proximidades.

“Em 2012, relembra o pesquisador, ocorreu um grande evento no Sol e que atingiu satélites que monitoravam esses tipos de fenômeno. ‘Se esse evento tivesse se dirigido para a Terra em vez de na direção dos satélites, teríamos muitos problemas’, avalia. ‘Poderia ter atingido as principais redes de energia e as comunicações por satélite, entre outras coisas. A ideia é ter maior compreensão do que ocorre lá e como isso afeta nossa magnetosfera, a fim de podermos prever a probabilidade de que incidentes como esse venham em nossa direção.’ Johnson tem uma longa história de recebimento de fundos da Nasa. Atualmente, ele é o principal investigador de dois outros projetos de pesquisa subsidiados pela agência e copesquisador em vários outros.”

(Notícias Adventistas)

Nota: É muito bom ver um professor de uma instituição adventista sendo reconhecido pelo seu mérito científico e podendo colaborar no avanço de tecnologias úteis para a humanidade além do que, a pesquisa dele tem relação com a barreira protetora contra radiação solar, que Deus criou em volta da Terra, sem a qual a vida seria inviável aqui. Sei que alguns “do contra” já vão falar que agora a Nasa se aliou à Igreja Adventista para enganar as pessoas, promover a “mentira” da Terra redonda e blá, blá, blá. Por que cargas d’água a Nasa investiria milhões de dólares no desenvolvimento de tecnologias que levam obviamente em conta a esfericidade da Terra? Será que a grande preocupação dessa instituição é mesmo refutar a Bíblia, indo contra um ilusório dogma terraplanista? Será que eles não têm mais o que fazer? Será que não haveria uma forma mais barata e menos complicada de atacar a religião? E por que a Nasa estaria investindo em um projeto de um pesquisador de uma instituição que tem a Bíblia como livro-guia? Não seria um tiro no pé e uma atitude contraditória para uma instituição cujo propósito fosse justamente desacreditar a religião? E por que gastar dinheiro para pesquisar uma barreira inexistente (caso o Sol estivesse dentro da atmosfera, como sustenta a absurda tese terraplanista)? Como se pode ver, isso tudo não faz sentido algum.

Leia a seguir o comentário do físico e mestre em Astrofísica Nuclear Eduardo Lütz:

“A tecnologia que usamos hoje depende de que os modelos matemáticos usados por físicos e matemáticos estejam corretos. Mesmo a manutenção dessas tecnologias, como satélites em órbita, por exemplo, depende de entendermos com muita exatidão não apenas as leis físicas relevantes, mas também as condições do ambiente que afetam os equipamentos. Essas tecnologias não apenas têm salvado vidas, mas também têm ajudado no estudo da natureza com profundidade cada vez maior. Esse aumento de conhecimento, por sua vez, tem proporcionado novas descobertas e aprofundamento significativo nos conhecimentos já adquiridos pela humanidade. É uma nobre tarefa colaborar com esse desenvolvimento.

“Enquanto isso, a maioria das pessoas, mesmo sem entender a origem dessas coisas, se beneficia delas, seja por meio de alimentos (seria quase impossível sustentar uma população humana tão grande sem técnicas e equipamentos especiais), remédios, tratamentos, aparelhos, serviços, soluções e até entretenimento.

“Hoje em dia, quase todos usam GPS em seus celulares ou veículos, por exemplo. Esse sistema cometeria erros enormes, inaceitáveis, se a Relatividade estivesse errada, por exemplo. Apesar de usar essas coisas diariamente, muitos tentam combater os conhecimentos indispensáveis para que todas essas tecnologias funcionem, sistemas esses testados diariamente por bilhões de pessoas que usufruem de seus resultados, mesmo sem saber em que se baseia tudo aquilo de que desfrutam.

“Continuando com o exemplo do GPS, esse sistema não funcionaria se tentássemos usar um modelo de Terra plana no software. Aliás, como se manteriam satélites em órbita em um modelo de Terra plana, se o planeta fosse um disco em constante aceleração para ‘cima’?

“Mas o ponto é que, quando não se tem a responsabilidade de fazer as coisas funcionarem, sejam modelos que precisam reproduzir milimetricamente tudo o que se observa em determinada área, sejam equipamentos que precisam funcionar em integração entre si e com o ambiente, quando não se trabalha diretamente com essas coisas é muito fácil tomar uns poucos fatos isolados e imaginar explicações (ad hoc) alternativas para eles. No caso específico da Terra plana, o problema adquiriu proporções tão grandes que são mencionados fenômenos físicos reais, mas aplicados ao contrário, fazendo os argumentos parecerem sólidos para quem não confere. Um exemplo é o ‘efeito de lente’ da atmosfera, isto é, o efeito da refração da luz na atmosfera. A atmosfera é mais densa a altitudes menores, o que faz com que o índice de refração seja maior nessas regiões. Como consequência, ao olharmos para um pouco acima do horizonte, veremos os objetos (Sol, Lua, montanhas, ilhas) um pouco acima de sua posição real (sim, acima e não abaixo, como dizem os terraplanistas). É o mesmo efeito de estarmos debaixo da água em uma piscina e olharmos para alguém que está à beira da água. Veremos a pessoa em uma posição mais acima (não mais abaixo) da posição verdadeira. Qualquer um pode conferir isso.

“Mas, enfim, o importante é que enquanto alguns fazem pesquisas sérias, de cuja exatidão muita coisa importante depende, outros perdem tempo com especulações e distorções de evidências cujo efeito é simplesmente confundir a si mesmos e a outros e ainda lançar ridículo sobre qualquer que seja a causa que defendem, seja ela boa ou não. Nessas horas, vemos a diferença que faz o nível de conhecimento que as pessoas têm sobre as leis que regem todos os detalhes do mundo ao seu redor, leis essas cuja ação pode ser facilmente observada e que deveriam ser conhecidas por todos, mas parecem ser ignoradas pela maioria esmagadora das pessoas, que se tornam presas fáceis de todo tipo de engano.”

Para concluir: o mito da Terra plana, infelizmente, depõe contra o cristianismo, embora os cristãos que o defendem pensem estar defendendo a Bíblia. É o tipo de ideia que lança opróbrio sobre a causa criacionista, pois passa a falsa impressão de que os criacionistas seriam defensores de coisas absurdas como o terraplanismo. Se for para ser criticados, que sejamos pelos motivos certos: por crer em Deus, na Bíblia Sagrada, na criação de Adão e Eva e na semana literal de seis dias seguidos do dia de descanso, no dilúvio de Gênesis, na morte e ressurreição de Jesus e na volta dEle. A diferença entre essas coisas e a Terra plana é que para as primeiras há muitos argumentos lógicos e convincentes, ao passo que, para a segunda, só invencionices de quem ou não entende de ciência ou está muito perturbado, à cata de distrações para perder seu precioso tempo em uma época em que nosso foco deve ser outro. Note que Johnson menciona, além da aurora boreal, a austral. Isso mesmo, aurora “boreal” no Polo Sul, uma ideia que entra no pacote de argumentos contra o terraplanismo. Cristãos defenderem esse disparate já é um absurdo, mas o que dizer de alguns adventistas que têm feito o mesmo? Se são mesmo adventistas do sétimo dia, devem crer que Deus inspirou Ellen White a escrever suas obras, e ela foi muito clara a respeito da esfericidade do nosso planeta (confira aqui). Graças a Deus, a Igreja Adventista, seus fundadores e seus líderes sempre se pautaram pela boa ciência. Que seja sempre assim. [MB]