Novas compilações dos escritos de Ellen G. White

As obras de Ellen G. White publicadas depois da morte dela são tão válidas e confiáveis quanto as que foram impressas quando ela ainda vivia

Infelizmente, têm sido levantadas dúvidas em relação aos escritos de Ellen G. White, no que diz respeito às compilações. Para ajudar a tirar dúvidas com respeito a esse assunto, evitando que isso se propague (por ignorância ou má intenção), indico aqui um material produzido pelo Dr. Alberto Timm, diretor associado do White Estate.

Ellen White foi uma das escritoras mais prolíficas de todos os tempos. Ela deixou uma mina extremamente grande e valiosa de livros, artigos, cartas e material não publicado. Na época de sua morte, em 1915, somente 24 livros de sua autoria haviam sido impressos, e dois estavam quase prontos para a publicação. Ao longo dos anos, foram publicadas muitas novas compilações e, mais recentemente, obras condensadas e edições na linguagem de hoje.

Alguns questionam a validade e confiabilidade dessas novas publicações. Para eles, somente os livros publicados durante o tempo de vida de Ellen White são de valor real e devem ser levados a sério. Portanto, é crucial que compreendamos a natureza e o propósito dessas novas publicações.

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(Fonte: Revista Adventista, março de 2018; via Centro White)

Edificar sobre o fundamento

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular.” Efésios 2:20

Que ninguém empreenda a obra de demolir os fundamentos da verdade que fizeram de nós o que somos. Deus guiou Seu povo para a frente, passo a passo, embora houvesse armadilhas do erro por todos os lados. Sob a maravilhosa orientação de um claro “Assim diz o Senhor”, foi estabelecida uma verdade que tem resistido à prova. Quando surgem homens procurando atrair discípulos após si, enfrentai-os com as verdades como que provadas pelo fogo.

“Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz Aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus. Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti” (Ap 3:1-3).

Aqueles que procuram remover os velhos marcos não estão retendo firmemente; eles não estão se lembrando de como receberam e ouviram. Os que tentam introduzir teorias que removeriam os pilares de nossa fé quanto ao santuário ou quanto à personalidade de Deus ou de Cristo estão agindo como cegos. Estão procurando introduzir incertezas e deixar o povo de Deus à mercê das ondas, sem uma âncora.

Os que afirmam estar identificados com a mensagem que Deus nos deu devem ter aguçada e clara percepção espiritual para poderem distinguir a verdade do erro. A palavra proferida pela mensageira de Deus é: “Despertai os vigias!” Se os homens discernirem o espírito das mensagens dadas e se esforçarem por descobrir de que fonte elas provêm, o Senhor Deus de Israel os guardará de serem desencaminhados (Manuscript Releases 760, p. 9, 10).

(Ellen G. White, 14/8/1999; Até que Ele Venha)

O verdadeiro pastor adverte os que estão em perigo

Ah, se todo pastor tivesse a coragem de Elias! Os pastores devem repreender, corrigir e exortar com toda a paciência e doutrina (2Tm 4:2)

Em nome de Cristo eles devem animar o obediente e advertir o desobediente. Eles não devem dar valor algum aos interesses mundanos, mas prosseguir com fé. Não devem falar suas próprias palavras, mas sua mensagem deve ser: ‘Assim diz o Senhor’ (Ex 4:22). Deus chama pessoas como Elias, Nată e Joäo Batista – pessoas que levarão fielmente Sua mensagem sem temer as consequências, pessoas que falarão a verdade, ainda que isso signifique sacrificar tudo que possuem.

Deus chama homens e mulheres que estejam dispostos a lutar fielmente contra o erro, guerreando contra as torças espirituais da maldade nos lugares celestiais. A essas pessoas Ele dirá: “Muito bem, servo bom e fiel participe da alegria do seu Senhor” (Mt 25:23).

Os que praticam o mal normalmente culpam os mensageiros de Deus pelas calamidades que sofrem por terem se afastado do caminho da justiça. Quando o espelho da verdade é colocado diante dos que estão sob o poder de Satanás, eles se sentem ofendidos por serem reprovados. Cegados pelo pecado, sentem que os servos de Deus se voltaram contra eles e merecem ser duramente criticados.

A voz de severa repreensão é necessária hoje, pois pecados terríveis têm separado de Deus o povo. A infidelidade virou moda. “Não queremos que este Homem seja nosso rei” (Lc 19:14), milhares afirmam. Os sermões superficiais pregados com tanta frequência não causam efeito duradouro; a trombeta não dá um sonido certo. O coração das pessoas não é atingido pelas claras, cortantes verdades da Palavra de Deus.

Muitos dizem: “Por que precisamos falar de forma tão clara?” Isso é o mesmo que perguntar: “Por que João Batista teve que provocar a ira de Herodias, dizendo a Herodes que ele estava errado em viver com a mulher de seu irmão?” Aquele que preparou o caminho para o ministério de Cristo perdeu a vida por falar com clareza.

Os que deveriam ser guardiões da lei de Deus têm usado esse argumento, até que finalmente permitem que a comodidade tome o lugar da fidelidade, e o pecado continue a ser praticado sem reprovação. Quando será a voz da fiel reprovação ouvida novamente na igreja?

Não é por amor ao próximo que os pastores amenizam a mensagem sob sua responsabilidade, mas porque são condescendentes consigo mesmos e amam a vida fácil. O verdadeiro amor busca primeiro a honra a Deus e a salvação do próximo. Os que possuem esse amor não deixarão de falar a verdade para fugir dos resultados desagradáveis de falar com clareza. Quando as pessoas estão em perigo, os pastores de Deus falarão a palavra que Ihes é ordenada, recusando desculpar o mal.

(Ellen G. White, Os Ungidos [PF], p. 60, 61)

Ciência e religião são compatíveis?

Cuidado com teorias sedutoras

“Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo.” Colossenses 2:8

“Neste tempo – os últimos dias da história da Terra – devemos fazer do livro de Apocalipse objeto de especial estudo. Por quê? Porque ele descreve as cenas que deveremos defrontar. Precisamos compreender o que teremos pela frente e como confrontar isso. Devemos conhecer que esforços teremos que aplicar, de modo a que nesse tempo de perigo não sejamos apanhados pelos ardis do inimigo. Sabemos que o grande último conflito representará o mais determinado esforço de Satanás para alcançar seus propósitos. Ele virá, não somente como um leão a rugir, mas como um sedutor, revestindo o pecado com belas vestimentas de luz para poder apanhar os seres humanos em seus ardis” (Ellen White, OA 160.1).

“O Senhor deseja que reconheçamos ser de grande importância que permaneçamos nestes últimos dias sobre a plataforma da verdade eterna. Aqueles que julgam que a igreja militante é a igreja triunfante cometem um grande erro. A igreja militante conseguirá grandes triunfos, mas terá também tremendos conflitos com o mal para ser firmemente estabelecida sobre a plataforma da verdade eterna. E cada um de nós deveria determinar-se a permanecer com a igreja sobre essa plataforma” (OA 160.2).

“Existem hoje aqueles que consideram o Apocalipse um livro selado. É um mistério, mas um mistério revelado. Precisamos compreender o que ele nos diz com respeito às cenas que terão lugar nos últimos dias da história da Terra. O inimigo introduzirá tudo quanto possa para levar avante seus enganosos planos. Não está faltando sabedoria àqueles que não têm desejo de entender o que diz respeito às coisas que devem ter lugar na Terra?” (OA 160.3).

“É de admirar que às vezes eu tenha algo a dizer quando vejo os pilares de nossa fé começando a ser mudados? Teorias sedutoras estão sendo ensinadas de tal modo que não as reconheceremos a menos que tenhamos um claro discernimento espiritual” (Manuscrito 46, 1904). 

Os escarnecedores mais ousados

Profetas e profetisas de Deus continuam sendo zombados e, por extensão, o Deus que os envia. Mas Deus não muda…

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“Muitos [antediluvianos] a princípio pareceram receber a advertência; não se voltaram, todavia, para Deus, com verdadeiro arrependimento. Não estavam dispostos a renunciar seus pecados. Durante o tempo que se passou antes da vinda do dilúvio, sua fé foi provada, e não conseguiram suportar a prova. Vencidos pela incredulidade prevalecente, uniram-se afinal a seus companheiros anteriores, rejeitando a solene mensagem. Alguns ficaram profundamente convencidos, e teriam atendido às palavras de aviso; mas tantos havia para zombar e ridicularizar, que eles partilharam do mesmo espírito, resistiram aos convites da misericórdia, e logo se acharam entre os mais ousados e arrogantes escarnecedores; pois ninguém é tão descuidado e tão longe vai no pecado como aqueles que tiveram uma vez a luz, mas resistiram ao convincente Espírito de Deus” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 95).

“Eliseu era um homem de espírito brando e bondoso; mas que podia também ser severo é mostrado pela maldição que lançou quando, a caminho de Betel, foi escarnecido por rapazes ímpios que haviam saído da cidade. Esses rapazes tinham ouvido da ascensão de Elias, e fizeram desse solene acontecimento o assunto de seus motejos [zombaria], dizendo a Eliseu: ‘Sobe, calvo; sobe, calvo.’ Ao som de suas zombeteiras palavras o profeta voltou-se, e sob a inspiração do Todo-poderoso pronunciou uma maldição sobre eles. O terrível juízo que se seguiu foi de Deus. ‘Então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles pequenos’ (2 Reis 2:23, 24).

“Tivesse Eliseu permitido que a zombaria passasse despercebida, e teria continuado a ser ridicularizado e insultado pela turba, e sua missão para instruir e salvar em um tempo de grave perigo nacional poderia ter sido derrotada. Este único exemplo de terrível severidade foi suficiente para exigir respeito pelo resto de sua vida. Durante cinquenta anos ele entrou e saiu pelas portas de Betel, e andou de um para outro lado em sua terra, de cidade em cidade, passando pelo meio de multidões indolentes, rudes e dissolutas de jovens; mas nenhum o injuriou ou fez caso omisso de suas qualificações como profeta do Altíssimo” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 235, 236).

Obs.: As palavras traduzidas como “rapazinhos” em 2 Reis 2:23, 24 (no hebraico nearim qetannin) significam “homens jovens”, não se tratando, portanto, de crianças irresponsáveis (Ellen White os chama de “rapazes ímpios”). As palavras “sobe, calvo”, segundo o Comentário Bíblico de Moody, faziam eco às palavras dos discípulos dos profetas a Eliseu: “O Senhor levará (para cima) o teu mestre” (v. 3, 5). Essas palavras tinham o seguinte significado: “Suba, para que possamos nos ver livres de você (e possamos continuar imperturbados pelos nossos maus caminhos)!” Uma cabeça calva ou rapada era sinal de lepra e indicava desgraça (Isaías 3:17). Embora Eliseu provavelmente não fosse calvo ainda, o epíteto mostra que os jovens o consideravam um “pária”, como um leproso. Desprezavam o profeta de Deus. A zombaria desonrava a Deus. Por isso a promessa de julgamento divino. Eles violaram a aliança divina ridicularizando seu superintendente. E a violação da aliança produz castigo/punição. Além disso, o tamanho do grupo dá a impressão de que a zombaria foi pré-arranjada. Infelizmente, profetas e profetisas de Deus continuam sendo zombados e, por extensão, o Deus que os envia. Mas Deus não muda… Vivemos novamente um tempo de “grave perigo nacional” (ne verdade, mundial) e a voz profética precisa mais do que nunca ser ouvida e respeitada. Que os zombadores modernos acordem para o perigo que correm, atendam ao chamado do Santo Espírito e voltem-se de seu pecado. Ainda há tempo. [MB]

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Sinal do fim? O que Ellen White viu em Órion?

Que espaço aberto a pioneira do adventismo viu no céu? Qual o significado disso?

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Não é de hoje que a constelação de Órion chama a atenção dos astrônomos – e dos adventistas do sétimo dia. Em maio de 2010, um telescópio europeu em órbita encontrou algo inusitado enquanto procurava por estrelas jovens: um verdadeiro “buraco espacial” na nebulosa NGC 1999, uma nuvem brilhante de gás e poeira exatamente na direção da constelação de Órion. Na época, presumiu-se que um ponto escuro da nuvem era uma bolha mais fria de gás e poeira, que de tão densa bloquearia a passagem da luz. Mas novas imagens do observatório Herschel, da Agência Espacial Europeia, mostram que a “bolha”, na verdade, é um espaço vazio. Isso porque o observatório capta imagens infravermelhas, o que permite que o telescópio veja além da poeira mais densa e enxergue os objetos dentro da nebulosa. Mas até mesmo ao Herschel o ponto estava preto. Na época, isso atraiu mais uma vez a atenção dos leitores de Ellen White. Na verdade, os adventistas ficam interessados sempre que ouvem falar em Órion, e isso se deve a este texto da Sra. White: “Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto” (Primeiros Escritos, p. 41). Seria o ponto escuro na nebulosa NGC 1999 esse espaço aberto mencionado por Ellen? Ou esse texto dela estaria dizendo outra coisa?

Na década de 1950 (quase vinte anos antes da ida do homem à Lua), o pastor adventista e astrônomo amador Julio Minham, membro da Associação Brasileira de Astronomia, escreveu um livro intitulado Maravilhas da Ciência, publicado pela Associação Brasileira de Astronomia. Nele Minham constata: “Uma escritora americana, Ellen G. White, que nada sabia de astronomia e que provavelmente nunca ouvira falar da Nebulosa de Órion, em um de seus livros traduzido para o português com o título Vida e Ensinos, depois de comentar essa luminosidade, escreveu [e ele cita o texto de Ellen White]. Isso dito assim tão simplesmente por quem nunca olhou um livro de astronomia, nem sonhava com buracos em parte alguma do céu, só pode ser creditado a dois fatores: histerismo ou inspiração. Para ser histerismo, parece científica demais a afirmação de que toda uma cidade, a Nova Jerusalém, tenha livre passagem pelo túnel de Órion. A escritora não sabia do túnel, nem que ele é tão largo a ponto de comportar noventa sistemas solares. Terá sido revelado a essa escritora uma verdade que os astrônomos não puderam descobrir?” Interessante um escritor analisar esse assunto de uma perspectiva mais científica há setenta anos, e mais interessante ainda o livro ter sido publicado pela Associação Brasileira de Astronomia. Mas será que o tal túnel de Órion seria o espaço aberto no céu visto por Ellen White?

Antes de prosseguir na análise do texto de Ellen, quero recordar que, de fato, a constelação de Órion é bastante significativa também do ponto de vista histórico. Nas culturas antigas, Órion é um caçador/guerreiro. As famosas estrelas três Marias compõem o cinturão imaginário desse guerreiro. Inscrições egípcias mostram o guerreiro celestial (Osíris) expulsando do Céu um dragão com quatro asas (como os querubins bíblicos). Alguma semelhança com outra história que você conhece? Na Mesopotâmia, Órion também é o guerreiro que expulsa um dragão do Céu. Uma das estrelas da constelação é Betelgeuse. Betel (do sonho de Jacó) quer dizer “casa de Deus”. Betelgeuse significa “portal da casa de Deus”. Portanto, realmente se trata de uma constelação simbolicamente significativa como referencial para o maior acontecimento da história. Então, voltemos ao texto de Ellen White.

Vamos ler de novo e atentamente: “Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera [da Terra] abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto [Onde o espaço foi aberto? R.: na atmosfera terrestre] em Órion [muito provavelmente Ellen estivesse se referindo à constelação de Órion como ponto de referência, e não à nebulosa que leva o mesmo nome], donde vinha a voz de Deus [portanto, a voz de Deus, nos momentos finais da história, foi ouvida no espaço aberto na atmosfera, na direção da constelação de Órion]. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto [Qual espaço foi aberto e onde? Leia de novo: ‘A atmosfera [da Terra] abriu-se e recuou’].” Qualquer coisa dita além do que se lê é mera conjectura.

Um vídeo tem circulado nas redes sociais e nele uma palestrante fala sobre astronomia e sobre a constelação e a nebulosa de Órion. Infelizmente, existem vários conceitos equivocados do ponto de vista científico, e mais uma vez especulações escatológicas são feitas com base na afirmação mal-compreendida de Ellen White. Para o bom entendimento do assunto e com todo o respeito à referida palestrante, convidei meus amigos Eduardo Lütz (astrofísico) e Graça Lütz (bioquímica) para fazer uma análise do vídeo. Eis aqui algumas conclusões deles. [MB]

1. A palestrante confunde nebulosa e constelação. Constelações são desenhos imaginários que formamos usando a posição aparente de estrelas no céu da Terra. Elas não são objetos reais e suas estrelas não têm vínculos entre si. Constelações representam uma região do céu do ponto de vista de quem está na superfície da Terra. Se nos afastarmos razoavelmente do Sistema Solar, as constelações deixam de ter sentido, pois a posição aparente das estrelas muda, de maneira que não se encaixam mais nos desenhos que vemos na Terra. Nebulosas, por outro lado, são objetos reais, compostos por poeira, gás, e outros objetos, inclusive estrelas, em muitos casos. As estrelas mencionadas na palestra são as principais da constelação de Órion (objeto imaginário), mas nenhuma delas pertence à nebulosa de Órion (objeto real).

Cada uma das estrelas da constelação de Órion está a uma distância bastante diferente de nós. Parecem próximas só por causa do efeito de projeção. Para ilustrar a ideia, se olharmos para a Lua e ela estiver baixa no horizonte, ela pode parecer estar próxima a alguma montanha ou prédio, mas isso é apenas efeito de projeção, pois a montanha e a Lua estão a distâncias muito diferentes de nós. Assim também as estrelas da constelação de Órion estão a diferentes distâncias, de 243 (Bellatrix) a 1.360 (Alnilan) anos-luz de distância da Terra. Betelgeuse, que foi bastante citada na palestra, está a uma distância de 429 anos-luz de distância.

2. Estrelas absorvem luz. Completamente falso. Todas as estrelas normais emitem luz por causa de sua alta temperatura. Ocorrem reações nucleares no núcleo de cada estrela ainda viva, as quais mantêm a alta temperatura do objeto, o que a faz emitir luz. Mesmo estrelas que já esgotaram seu combustível nuclear continuam emitindo luz por longas eras por causa da energia térmica residual. É possível que a palestrante tenha ouvido falar que estrelas emitem luz de forma muito semelhante a um corpo negro, que não reflete luz alguma, apenas absorve a luz incidente e tudo o que ele emite é em função de sua temperatura. Mas é completamente errado imaginar daí que as estrelas apenas absorvem luz e não a emitem. Faltou ler com mais atenção. E conhecer um pouquinho de temas básicos de Física também teria ajudado.

3. Uma delas emite, ao invés de absorver, e é um mistério para a ciência. Desconfie quando alguém disser que algo é um mistério para a ciência. A ciência é como uma caixa de ferramentas. Por outro lado, existem coisas que deixam os cientistas curiosos ou até perplexos, especialmente quando seus modelos não se encaixam bem no que se observa. Mas não é o caso aqui.

Como mencionamos, todas as estrelas normais emitem luz. Betelgeuse não é exceção nesse sentido. Como qualquer outra estrela, ela é alimentada por reações nucleares em seu núcleo, o que a mantém aquecida e emitindo luz. O que existe de especial com Betelgeuse é sua instabilidade, pois ela varia grandemente de tamanho, forma e luminosidade ao longo do tempo. Esse comportamento, sim, é curioso e inspira muitos estudos.

4. Ela confunde o que Ellen White fala da atmosfera da Terra com a de Órion. Em sua visão, Ellen White descreve fenômenos que ocorrem na atmosfera da Terra imediatamente antes da vinda de Cristo. A palestrante fala como se esses fenômenos ocorressem na nebulosa de Órion. Qualquer fenômeno intenso alterando a nebulosa de Órion não seria visível a olho nu e demoraria de dezenas a centenas de anos para que ocorresse em função da extensão da nebulosa.

5. Ela errou a distância até a nebulosa de Órion. A certa altura, a palestrante fala de Betelgeuse mencionando dados (errados, por sinal) dessa estrela como se fossem dados da nebulosa de Órion. Como explicamos antes, Betelgeuse fica bem longe da nebulosa de Órion (objeto real), embora esteja na constelação de Órion (objeto imaginário). A nebulosa em si está há pouco mais de 1.300 anos-luz de distância da Terra.

6. A nebulosa está se aproximando da Terra. Não, não está. Os dados a que a palestrante se refere são de objetos diferentes ou de fonte errada. Todas as estrelas e nebulosas possuem movimentos, mas nada no Universo apresenta velocidades superiores à da luz, como seria o movimento da nebulosa de Órion se os números que a palestrante apresentou fossem verdadeiros. A nebulosa sempre esteve aproximadamente onde está desde que foi descoberta.

7. A massa da nebulosa está expandindo, e ela confunde massa com tamanho. Além de confundir massa com tamanho, a palestrante confunde as alterações que ocorrem com a estrela Betelgeuse com fenômenos que estariam ocorrendo em Órion. Isso não tem cabimento.

8. Se fosse colocada no lugar do Sol, ela iria até Saturno em tamanho. Isso é tamanho de uma estrela grande, não da nebulosa de Órion. A nebulosa é muitíssimo maior do que o Sistema Solar. Talvez a palestrante tenha mais uma vez confundido a estrela Betelgeuse com a nebulosa de Órion. Só para dar uma ideia, o raio do Sistema Solar é de algumas horas-luz (uma hora-luz é a distância que a luz percorre em uma hora). O raio da nebulosa de Órion é de uns 12 anos-luz. O Sistema Solar inteiro juntamente com sistemas estelares vizinhos (Alfa Centauro, Sírius e outros), mantendo entre si as distâncias atuais, tudo isso caberia confortavelmente dentro da nebulosa de Órion.

9. Ela confunde a estrela Betelgeuse com a nebulosa. Em vários momentos, a palestrante começa a falar de Betelgeuse e segue aplicando suas propriedades à nebulosa de Órion, e vice-versa. Isso leva a graves enganos.

10. A constelação muda de lugar, mistério para a ciência; é a única que muda de posição porque não pertence à nossa galáxia. Completamente falso em todos os sentidos. A constelação é um objeto imaginário, como comentamos. As posições de todas as estrelas variam, sim, mas esse movimento é praticamente imperceptível e demora muitos séculos para fazer alguma pequena diferença a olho nu. As estrelas da constelação de Órion não são diferentes em coisa alguma quanto a isso. A nebulosa de Órion também apresenta apenas movimentos muito sutis.

Além disso, as estrelas que a humanidade escolheu para fazer parte do desenho imaginário de Órion, todas pertencem à Via Láctea e estão relativamente próximas ao Sistema Solar ,se levarmos em conta o tamanho de nossa galáxia. A nebulosa de Órion também está a apenas pouco mais de 1.300 anos-luz de distância, o que é muito pouco comparado o diâmetro da Via Láctea, entre 200 mil e 300 mil anos-luz. Se compararmos nossa galáxia a uma cidade, tanto as estrelas da constelação de Órion quanto a nebulosa de Órion moram no mesmo bairro do Sistema Solar (nossa casa).

11. Ela está numa galáxia espiral a 500 anos luz de nós. Completamente errado. 500 anos-luz é uma distância insignificante quando se fala em galáxias. É como se o Sr. José, morador de São Paulo capital, dissesse que a casa do Sr. Antônio fica em outra cidade a 10 cm de distância. Não faz sentido algum! E nossa galáxia, a Via Láctea, é uma galáxia espiral, por sinal, com um raio de mais de 100 mil anos-luz.

12. A ciência não consegue explicar por que a luz sai de dentro da estrela. A palestrante continua tecendo considerações sobre a conclusão completamente falsa de que estrelas apenas absorvem luz e que Betelgeuse emite, e que isso seria um mistério para a ciência. Já explicamos que isso é completamente falso.

13. Cristo vai voltar pela estrela/nebulosa. É importante deixar claro que constelações (objetos imaginários) servem apenas para indicarmos regiões do céu do ponto de vista da Terra. Quando Ellen White diz que Cristo vem do Órion, está dizendo por qual lado Ele se aproximará da Terra. Apenas isso. Cristo vir através de uma estrela não faz sentido algum. E vir através da nebulosa de Órion, faria sentido? Também não, e vamos ilustrar por quê.

Imagine que uma equipe de médicos venha do Japão para ajudar a conter uma epidemia em Manaus. Eles tomam um avião em Tóquio e descem em Moscou, para seguir o resto do caminho de ônibus. Faz algum sentido? Mas o que isso tem que ver com a volta de Cristo? Existe uma lei da natureza que diz que informação não pode viajar pelo espaço mais rapidamente do que a luz no vácuo. Por outro lado, existem leis que podem permitir viagens intergaláticas por meio de “buracos de verme” (wormholes [Visões do Céu, p. 6]) sem violar o limite da velocidade da luz. É como se fosse um túnel por fora do Universo (mas, tecnicamente, não é bem assim) conectando pontos diferentes. Se o objetivo da comitiva de Cristo é chegar à Terra, Órion não ajuda, pois teriam que percorrer a distância entre a nebulosa e a Terra no máximo à velocidade da luz, demorando mais de 1.300 anos para chegar. Por outro lado, abrir o portal próximo à Terra, mas em Órion no sentido da direção da constelação, aí, sim, faz sentido.

14. O planeta Terra vai girar mais rápido em 2021, vai ser visível. Não, não vai ser visível. São frações ínfimas de segundo por ano. É importante ler e entender os dados apresentados nas notícias para evitar ideias absurdas como essa.

15. Tsunami alterou a rotação da Terra. Sim, mas novamente numa medida insignificante, só perceptível por instrumentos extremamente precisos. E isso não tem nada a ver com água ficando mais leve!

Não continuamos registrando os demais problemas conceituais porque a quantidade era muito grande, e o que coletamos nos primeiros minutos do vídeo já provê uma boa amostragem do problema. (Eduardo e Graça Lütz)

Ellen White aprovava a vacinação?

A pioneira adventista foi vacinada e incentivou seus auxiliares a fazer o mesmo

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No livro Mensagens Escolhidas, volume 2, página 303, há uma nota de rodapé redigida pelo pastor D. E. Robinson, um dos secretários da Sra. White, com data de 12 de junho de 1931. Ele escreveu o seguinte acerca da atitude dela para com a vacinação: “Pedis informação definida concisa acerca do que a irmã White escreveu sobre vacinação e soro. Esta pergunta pode ser respondida muito concisamente, pois quanto a todos os relatórios que temos, ela não se referiu a isso em nenhum de seus escritos. Haveis de ingressar-vos em saber, porém, que numa ocasião em que houve uma epidemia de varíola na vizinhança, ela mesma foi vacinada e insistiu com seus auxiliares, que tinham ligação com ela, e vacinarem-se. Dando esse passo a irmã White reconheceu que fora demonstrado que a vacinação, ou imuniza contra a varíola, ou atenua grandemente os seus efeitos, se a pessoa a contrai. Também reconheceu o perigo de se exporem ao contágio, caso deixassem de tomar essa precaução.”

Neste texto do Centro White, fala-se sobre raio-x e vacinas. E nestes três links (aquiaqui e aqui) você pode ler resoluções da Igreja Adventista sobre vacinação.

No livro Mensagens Escolhidas, volume 3, página 329, Ellen White escreveu algo interessante: “A Terra foi amaldiçoada devido ao pecado, e nestes últimos dias multiplicar-se-ão insetos de toda espécie. Essas pragas precisam ser mortas, senão elas irão incomodar-nos e afligir-nos, e até matar-nos, e destruir a obra de nossas mãos e o fruto de nossa terra. Nalguns lugares há cupins que destroem inteiramente o madeiramento das casas. Não devem ser destruídos? As árvores frutíferas precisam ser pulverizadas, para que sejam mortos os insetos que estragariam as frutas. Deus nos deu uma parte para desempenhar, e devemos desempenhá-la com fidelidade. Então podemos deixar o resto com o Senhor.”

Note que há a recomendação para o uso de defensivos contra pragas (para horror dos veganos). Vírus e bactérias também são pragas e devem ser combatidos com os recursos que Deus nos permitiu criar contra eles. Bom senso, equilíbrio e sabedoria nunca são demais. Assista ao vídeo abaixo para obter mais informações sobre as novas vacinas contra a Covid-19. [MB]

O Natal nos escritos de Ellen White

A última casa de Ellen White

Patrimônio histórico da Igreja Adventista do Sétimo Dia e dos EUA

01

Segunda-feira, 27 de outubro de 2014. Foi impressionante a passagem pela famosa ponte Golden Gate, em San Francisco, e pelas vinhas de Napa Valley, mas nada se compara à emoção de entrar na casa em que Ellen White viveu os últimos anos de sua vida incrivelmente produtiva e inspiradora. A bela e bem conservada casa de madeira foi construída em 1885 por um homem muito rico que a usava nas férias. Na época, foram gastos 15 mil dólares na construção, mas Ellen pagou por ela apenas cinco mil. Ellen havia passado nove anos na Austrália e desejava encontrar um bom e barato lugar para morar. Ela orou a Deus e pediu que Ele mostrasse o melhor negócio. Foi então que encontrou a grande oportunidade em Santa Helena, na Califórnia. Detalhe: a casa estava toda mobiliada e tinha vários móveis com tampa de mármore branco, o preferido de Ellen. Deus havia lhe dado um presente, depois de uma vida inteira de tantas privações e lutas, como educadora, escritora, pregadora, líder e mensageira de Deus. 

Aliás, é bom lembrar que Ellen escreveu mais de cem mil páginas manuscritas, foi traduzida para mais de 140 idiomas e tem seu legado reconhecido até mesmo pelo governo dos Estados Unidos, tanto é que há uma placa na varanda inferior da casa em que se reconhece a residência como monumento histórico nacional.

02

No interior da casa que Ellen passou a chamar de Elmshaven (“refúgio dos olmeiros”), pode-se ter uma ideia da rotina de Ellen White e dos que moravam com ela. Na sala, eram realizados dois breves cultos por dia, um de manhã e outro à tarde. Eles cantavam, liam um texto bíblico e cada um dos presentes tomava parte nos momentos de oração. Na sexta-feira ao pôr do sol, o culto era mais longo, e Ellen lia partes do relato dos missionários além-mar. No sábado à noite, havia “pipocada”. 

Ellen utilizava o cômodo de cima para escrever, e sua secretária Sarah procurava evitar que visitas a atrapalhassem em sua missão. Mas os netinhos sabiam como “furar o bloqueio”: eles subiam sorrateiramente pela escada que chamavam de “passagem secreta”. Ellen e eles ficavam felizes por ter alguns momentos juntos.

Ellen costumava levantar às 3h ou às 4h para escrever. Em 1915, com 88 anos de idade, ela caiu, quebrou o quadril e seu estado de saúde foi piorando. Até que, em 16 de julho, ela faleceu, antes tendo feito seus amigos garantirem que venderiam a propriedade para ajudar a pagar a compra de duas instituições da igreja. O horário da morte de Ellen (3h40) foi registrado no momento exato por Sarah no relógio que havia sido de Uriah Smith e doado pela viúva dele. O relógio está lá até hoje marcando o mesmo horário. Ao filho ela disse as últimas palavras: “Eu sei em quem eu creio.” 

Em 1927, dois adventistas compraram a casa e a doaram para a igreja. Hoje ela recebe mais de sete mil visitas por ano e continua sendo um monumento mais do que histórico; é a marca de uma vida que causou profundo impacto no coração e na mente de tantas pessoas, efeito que continua se multiplicando por meio da dezena de livros que ela escreveu. 

No quarto em que Ellen costumava receber a visita de anjos (o que foi confirmado por pessoas que viviam no sanatório não muito longe dali e que viram uma luz intensa saindo pelas janelas do cômodo), fizemos uma oração dedicando nossa vida mais uma vez ao Deus a quem Ellen White serviu com tanta dedicação por mais de sete décadas. 

Michelson Borges

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