Mais uma profecia de Ellen White se cumpre

Ellen White incentiva o liberalismo?

Progressistas que usam textos de Ellen White fora de seu contexto rejeitam a mesma autora quando ela fala de coisas das quais eles discordam.

White-Ellen

No livro Atos dos Apóstolos, página 177, Ellen White escreveu: “Solene responsabilidade repousa sobre os pastores, qual seja a de expor perante as igrejas as necessidades da causa de Deus e ensiná-las a ser liberais.” Será que nesse texto ela estaria defendendo a teologia liberal, o liberalismo sexual, ou algo do tipo? Claro que não! Basta ler o parágrafo anterior: “A fim de que haja fundos na tesouraria para a manutenção do ministério, e para atender aos pedidos de auxílio para empreendimentos missionários, é necessário que o povo de Deus doe alegre e liberalmente.” Isso se chama contexto. Nesse caso, devemos, sim, ser liberais. Precisamos sempre analisar o contexto imediato de onde uma citação foi extraída, afinal, como sabemos, um texto fora de contexto pode gerar um pretexto para a defesa de ideias que jamais teriam passado pela cabeça do profeta.

Outro texto que recentemente foi mal utilizado por pessoas que aceitam os escritos de Ellen White somente quando lhes convêm foi este: “E por aquele tempo a classe dos superficiais, conservadores, cuja influência tem retardado decididamente o progresso da obra, renunciará à fé e tomará sua posição com os francos inimigos dela, para os quais havia muito tendiam suas simpatias. Esses apóstatas hão de manifestar então a mais cruel inimizade, fazendo tudo quanto estiver ao seu alcance para oprimir e fazer mal a seus antigos irmãos e incitar indignação contra eles. Esse tempo se acha justamente diante de nós” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 164).

À primeira vista, pode parecer que Ellen estaria condenando e chamando de apóstatas pessoas teologicamente conservadoras em relação às doutrinas adventistas, mas esse definitivamente não é o caso. Assim como ocorre com o texto sobre os liberais, o contexto desse texto acima (sobre os conservadores) é totalmente diferente da ideia que progressistas seletivos/subversivos quiseram passar. (Se quiser conhecer o contexto em que a palavra “conservadores” foi usada por Ellen, clique aqui.) Esses progressistas que usam textos de Ellen White fora de seu contexto rejeitam a mesma autora quando ela fala de decreto dominical, destruição de Sodoma e perversões sexuais, por exemplo. Fosse viva, a profetisa condenaria tanto o liberalismo comportamental quanto o conservadorismo do pecado.

Lembre-se: “Seguir a Cristo é um caminho sem retorno; não é reformar Sodoma e Gomorra – é deixá-las para trás!” (Josemar Bessa).

Ellen White e o conservadorismo

É um erro tentar encaixar sentidos do século 21 em uma palavra que, no século 19, foi utilizada para descrever coisas diferentes das que descreve hoje.

White-Ellen

Alguns textos de Ellen White criticam o “conservadorismo”, porém, hoje a Igreja Adventista do Sétimo Dia se descreve como “uma corporação protestante e conservadora de cristãos evangélicos”.[1] Será que Ellen White teria usado, no século 19, o termo “conservador” no sentido teológico contemporâneo (oposto ao liberalismo/progressismo teológico)? As evidências mostram claramente que não. Os editores do livro Eventos Finais em inglês (Last Day Events) perceberam o potencial de confusão e fizeram este esclarecimento entre colchetes, na seguinte citação:

“O trabalho que a igreja tem deixado de fazer em tempo de paz e prosperidade terá de realizar em terrível crise, sob as circunstâncias mais desanimadoras, proibitivas. As advertências que a conformidade com o mundo tem silenciado ou retido precisam ser dadas sob a mais feroz oposição dos inimigos da fé. E por aquele tempo a classe dos superficiais, conservadores [Ellen White não está aqui distinguindo os conservadores teológicos de suas contrapartes liberais; ela está descrevendo aqueles que colocam a “conformidade mundana” em primeiro lugar e a causa de Deus em segundo], cuja influência tem retardado decididamente o progresso da obra, renunciará à fé.”[2]

Sem dúvida, Ellen White tinha algumas ideias e atitudes consideradas “progressistas” para a época dela. Mas as palavras são curiosas: mudando o tempo e o contexto, elas podem significar exatamente o oposto do que imaginamos hoje. Ellen usou “conservador” para descrever pessoas que seguiam a moda, que eram contrárias às reformas, que não se misturavam com o povo simples, que eram acomodadas com o que todos faziam ao redor, pouco criativas no evangelismo, tinham medo de arriscar, que eram mundanas, pouco zelosas na fé, que rejeitavam novas descobertas bíblicas, etc.

Outro sentido que ela dá à palavra “conservadorismo” é o de “preconceito”. Ela descreve “o antigo e estreito conservadorismo dos judeus”, que tinha “uma tendência a afastá-los de seus preconceitos contra outras nações”.[3] E é nesse mesmo sentido que ela lamenta: “O Espírito de Deus entristece quando o conservadorismo afasta o homem de seus semelhantes, especialmente quando é encontrado entre aqueles que professam ser Seus filhos.”[4]

Roupas e divertimentos “conservadores”

Ellen White chamou de “conservadores” aqueles que eram contra a reforma do vestuário: “O ato de reformar é sempre acompanhado de sacrifício. Requer que o amor ao conforto, o interesse egoísta e a concupiscência da ambição sejam mantidos em sujeição aos princípios do que é correto. Quem quer que tenha a coragem de reformar encontrará obstáculos. O conservadorismo daqueles cujos negócios ou prazer lhes colocam em contato com os defensores da moda e que perderão sua posição social pela mudança, opor-se-á a tal pessoa.”[5]

O curioso é que o “traje americano” foi chamado na época por uma das líderes do movimento, a Dra. Harriet N. Austin, de reforma “verdadeiramente conservadora”.[6] No entanto, sobre essa moda, Ellen White escreveu: “Nunca devemos imitar a Dra. Austin ou a Dra. York. Elas se vestem muito semelhante aos homens.”[7]

Ou seja, Ellen White foi contra uma reforma considerada “conservadora”, que consistia em fazer mulheres usar roupas semelhantes às de homens. Você consegue perceber como a palavra “conservador” tem sentido diferente? Hoje aqueles que discordam dessa questão de mulheres não usarem roupas parecidas com as de homens se consideram conservadores?

Ironicamente, Ellen e Tiago White foram acusados de não serem conservadores, e até citaram a roupa dela como argumento: “Alguns estavam censurando nossa conduta, dizendo que não éramos tão conservadores como devíamos ser; nós não procurávamos agradar as pessoas como podíamos; falávamos muito francamente; reprovávamos muito severamente. Alguns estavam falando sobre o vestido da irmã White, realçando minúcias. Outros estavam expressando insatisfação com a conduta do irmão White, e observações passavam de um para outro, questionando sua conduta e achando defeito.”[8]

Ou seja, os “conservadores”, nesse contexto, eram os que procuravam agradar a todos, os que não reprovavam ninguém severamente. Seria esse o sentido comum hoje? Isso mostra como as palavras podem mudar de sentido com o tempo.

Jovens que têm dificuldade para rejeitar divertimentos mundanos também são descritos como “conservadores”, pois seguem as tendências da maioria: “Se você realmente pertence a Cristo, terá oportunidades de testemunhar por ele. Você será convidado a frequentar lugares de diversão e, então, terá a oportunidade de testificar de seu Senhor. Se você for fiel a Cristo, então, não tentará formar desculpas para o seu não comparecimento, mas declarará clara e modestamente que é um filho de Deus, e seus princípios não permitiriam que você estivesse em um lugar, mesmo uma única vez, onde você não poderia convidar a presença de seu Senhor. Não devemos permitir que o espírito de conservadorismo nos leve a representar mal nosso Senhor.”[9]

E então? O “espírito de conservadorismo” é o espírito de ceder à pressão e seguir a moda, e o medo de se posicionar de maneira firme e pública. Mas, hoje, um jovem adventista que não vê problema em frequentar esses ambientes dificilmente se definiria como “conservador”.

Os mundanos conservadores

Curiosamente, Ellen vincula “conservadores” à “conformidade com o mundo”, à superficialidade, à simpatia com os inimigos da obra, e à apostasia: “As advertências que a conformidade com o mundo tem silenciado ou retido precisam ser dadas sob a mais feroz oposição dos inimigos da fé. E por aquele tempo a classe dos superficiais, conservadores, cuja influência tem retardado decididamente o progresso da obra, renunciará à fé e tomará sua posição com os francos inimigos dela, para os quais havia muito tendiam suas simpatias. Esses apóstatas hão de manifestar então a mais cruel inimizade, fazendo tudo quanto estiver ao seu alcance para oprimir e fazer mal a seus antigos irmãos e incitar indignação contra eles. Esse tempo se acha justamente diante de nós.”[10]

Ela também chama de “conservadores” os professos cristãos, unidos ao mundo, que falam bastante de “piedade e amor”, “se desviam dos velhos marcos”, e “aconselham os fiéis obreiros de Deus a serem menos zelosos e mais conservadores”. Ou seja, o “conservadorismo” aí é seguir o mundo, seguir o fluxo daqueles que desprezam a Palavra de Deus:

“[…] nossa resposta deve ser apelar para a Palavra de Deus. Quando os que se estão unindo com o mundo reclamam união com os que sempre foram opositores da causa da verdade, devemos temer e evitá-los tão decididamente como o fez Neemias. Os que se desviam dos velhos marcos para formar uma conexão com os ímpios não são enviados pelo Céu. Qualquer que possa ter sido sua primitiva posição, seu comportamento presente tende a perturbar a fé do povo de Deus. Esses conselheiros são movidos por Satanás. Eles são servidores de ocasião. Os testemunhos, reprovações e advertências dos servos de Deus não lhes são agradáveis, mas uma censura às suas propensões de amantes dos prazeres mundanos. Deveríamos evitar essa classe tão resolutamente como fez Neemias.”[11]

Nesses contextos, os conservadores são os que negam os velhos marcos, e ficam contra quem “se recusa a aceitar costumes e tradições populares”. Definitivamente, não é esse o sentido comum da palavra “conservador” hoje.

Falando de “pessoas impulsivas”, ela vincula conservadorismo à condescendência: “Existem aqueles que, por atitudes apressadas e insensatas, trairão a causa de Deus, entregando-a ao poder do inimigo. Haverá pessoas que buscarão vingança, que se tornarão apóstatas e trairão a Cristo na pessoa de Seus santos. Todos necessitam de aprender prudência; então, por outro lado, há o perigo de sermos conservadores, de darmos lugar ao inimigo mediante a condescendência.”[12]

Ellen White também dá o sentido de egocentrismo e egoísmo ao conservadorismo. Para não ser conservador nesse sentido, os cristãos “devem estudar as Escrituras com o propósito de viver a vida altruísta de Cristo. O verdadeiro cristão não se tornará egocêntrico ou conservador em seus planos. ‘De sua plenitude todos nós recebemos, e graça sobre graça.’ Como a graça de Deus nos é dada gratuitamente, ela deve ser transmitida a outros”.[13]

Conservadorismo e a diversidade teológica

Ellen White repreendeu um pastor, presidente de Associação, que “revelou que é muito conservador e que suas ideias são em extremo mesquinhas”.[14] O problema dele era desanimar o povo e não incentivar o evangelismo. Também usou “conservadores” para descrever os anglicanos que mantiveram muitos costumes da igreja de Roma.[15]

Ela também chama de “conservadores” os que evitam debates teológicos, desencorajam a investigação e a discussão de novas verdades bíblicas, e não querem crescer no conhecimento doutrinário, apegando-se ao conhecimento que já têm. O adventismo surgiu como um movimento que promovia o livre exame das Escrituras. Desde os dias de Ellen White até hoje, o adventismo nunca foi uma teologia hegemônica, e ainda hoje é considerado seita por alguns cristãos. Porém, Ellen White combateu o panteísmo de Kellogg, uma doutrina inovadora no adventismo. Assim, o tema não é tão simplório.

Nesse contexto, Ellen White usa “conservadorismo” como um problema, e vê perigo nos dois extremos: “Há os que, por meio de medidas apressadas e imprudentes, irão trair a Causa de Deus, deixando-a em poder do inimigo. Haverá homens que procurarão desforrar-se, que se tornarão apóstatas e que trairão a Cristo na pessoa de Seus santos. Todos precisam aprender discrição; então, ao contrário de ser conservador, há o perigo de favorecer o inimigo em concessões.”[16]

Descrevendo as qualidades do líder cristão, Ellen White diz que eles “serão humildes, tementes a Deus, não conservadores nem astuciosos, mas homens de independência moral, que avancem no temor do Senhor”. No contexto, ela diz que esses líderes não “permitem que seu testemunho seja adaptado para agradar mentes não consagradas”, e farão “com que sua voz seja ouvida acima das vozes dos infiéis que apresentam objeções, dúvidas e críticas”; eles declaram “destemidamente toda a verdade”, e proclamam “a verdade em justiça, quer os homens ouçam ou deixem de ouvir”.[17] Novamente, conservadorismo aqui é seguir o fluxo mundano, negociando doutrinas e princípios.

Ellen White contrasta a obra de reforma de saúde do Instituto de Saúde de Battle Creek com o das instituições “conservadoras”. O instituto adventista deveria “aliviar os aflitos, disseminar luz, despertar o espírito de indagação e promover a reforma”, sob “princípios que são diferentes daqueles de qualquer outra instituição de higiene no país”, que ela chama de “princípios da higiene bíblica”.[18] As instituições conservadoras buscavam apenas lucro. Percebe-se que “conservadorismo” aqui não tem nenhuma relação com a Bíblia, e até parece descrever algo que é contrário à Bíblia.

Então, como a IASD pode se considerar teologicamente conservadora?

Por outro lado, Ellen White defendeu a vida inteira o que hoje pode ser chamado de “teologia conservadora” (em oposição à teologia liberal modernista que lança dúvidas sobre a Palavra de Deus). Ela condenou a “alta crítica”[19] e os que negam que a Bíblia é a Palavra de Deus (uma característica central das teologias progressistas).

Por isso, hoje, a IASD se define como “uma corporação protestante e conservadora de cristãos evangélicos”, cuja fé está “embasada na Bíblia e centralizada em Cristo”.[20] George Reid descreve como “conservadora” a posição teológica protestante que mantém a Bíblia como a autorizada Palavra de Deus. O livro A Symposium on Biblical Hermeneutics, publicado pela IASD, afirma que, teologicamente, “denominações inteiras podem estar dentro da estrutura conservadora – como é o caso, por exemplo, dos adventistas do sétimo dia”.[21]

O livro Interpretando as Escrituras expõe a compreensão adventista de alguns temas bíblicos, e argumenta sob uma perspectiva teológica conservadora,[22] rejeitando a visão liberal.[23] Teologicamente, o Oxford Handbooks descreve a IASD como “uma denominação biblicamente conservadora, arminiana, evangélica e protestante”. O historiador Nicholas Miller define a IASD como conservadora, e Roger Coon a define como “denominação protestante […] conservadora e de orientação evangélica”.[24]

Por que adventistas se descrevem como teologicamente conservadores, mesmo diante das palavras de Ellen White? Porque ela usa a palavra num sentido diferente. No sentido técnico, “conservador”, “liberal” e “progressista” são termos usados na literatura teológica porque conseguem descrever razoavelmente algo que temos dificuldade de descrever de outra forma.[25] Teologicamente, esses termos não têm necessariamente a ver com costumes, comportamentos ou opiniões políticas, mas têm a ver, principalmente, com a opinião que se tem a respeito da Bíblia como Palavra de Deus, inspirada e infalível. Por isso, apesar de manterem crenças peculiares, os adventistas são corretamente descritos como teologicamente conservadores.[26]

Conclusão

Portanto, é um erro tentar encaixar sentidos do século 21 em uma palavra que, no século 19, foi utilizada para descrever coisas diferentes das que descreve hoje. Quando lidamos com textos antigos, é preciso levar sempre em conta o sentido das palavras no contexto histórico-cultural original.

Aqui estamos falando de teologia. Conservadorismo ideológico, político ou comportamental não tem necessariamente nenhuma relação com o conservadorismo teológico. A IASD se descreve como “teologicamente conservadora”, pois rejeita as pressuposições da teologia liberal e da alta crítica (ver Métodos de Estudo da Bíblia, 1986), que ainda hoje encontram eco em teologias contemporâneas.

Mas isso não deveria nos definir, pois os rótulos podem mudar de significado, e o importante mesmo é nos esforçarmos para ser “bíblicos”, seja buscando novas verdades ou defendendo as verdades já descobertas.

Transpondo os princípios do século 19 para o século 21: quem não quer ser conservador no sentido em que Ellen White usa o termo precisa continuar promovendo uma reforma do vestuário, evitar lugares e diversões impróprias, abandonar preconceitos que ferem e afastam pessoas e continuar crescendo no conhecimento bíblico. Além disso, deve ter a Bíblia em alta conta, não seguindo os modismos e as teologias hegemônicas que rebaixam o status da Palavra de Deus. É isso que Ellen G. White quer dizer quando menciona o “conservadorismo” no século 19. Concordo com tudo isso. E você?

Referências:

1. Tratado de Teologia, p. 1.

2. Last Day Events, p. 174.

3. The Sending Out of the Seventy, The Signs of the Times, December 10, 1894.

4. Selected Messages, v. 1, p. 160.

5. Testemunhos para a Igreja, v. 4, p. 636.

6. Seventh-day Adventists and the Reform Dress, p. 33.

7. Letter 6, To Brother and Sister Lockwood, September 1864.

8. Testemunhos para a Igreja, v. 3, p. 312.

9. Serviço Cristão, p. 120.

10. Lições da Vida de Neemias, p. 53-54.

11. Cristo Triunfante, p. 363.

12. Review and Herald, 30 maio 1899.

13. Testemunhos para a Igreja, v. 5, p. 370.

14. O Grande Conflito, p. 289.

15. Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 397.

16. Liderança Cristã, p. 107.

17. Testimonies for the Church, v. 3, p. 165.

18. “Como nos dias dos apóstolos os homens procuravam destruir a fé nas Escrituras pelas tradições e filosofias, assim hoje, pelos aprazíveis sentimentos da ‘alta crítica’, evolução, espiritismo, teosofia e panteísmo, o inimigo da justiça está procurando levar as almas para caminhos proibidos. Para muitos a Bíblia é uma lâmpada sem óleo, porque voltaram a mente para canais de crenças especulativas que produzem má compreensão e confusão. A obra da ‘alta crítica’, em dissecar, conjeturar, reconstruir está destruindo a fé na Bíblia como uma revelação divina. Está roubando a Palavra de Deus em seu poder de controlar, erguer e inspirar vidas humanas” (Atos dos Apóstolos, p. 245).

19. Tratado de Teologia, p. 1.

20. A Symposium of Biblical Hermeneutics, p. 90.

21. Interpretando as Escrituras, p. 22, 40, 192.

22. Interpretando as Escrituras, p. 50.

23. Gift of Life, p. 9.

24. Hoje, por exemplo, já se fala em “pós-liberalismo” e “pós-conservadorismo”.

25. Existem classificações alternativas. Por ex., Kwabena Donkor classifica a teologia adventista como “biblico-historical realism”. Mas, no geral, o adventismo é considerado teologicamente conservador <https://bit.ly/2CPKhk4>

Ellen White e a vacinação

Deus Se importa com cada um de nós. E Ele não Se importa apenas com a nossa vida espiritual, mas também com seus aspectos físico, emocional e social. Em sua última carta registrada na Bíblia, o apóstolo João escreveu: “Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma” (3 João 1:2, ARA). Por meio da mensagem de saúde, os adventistas têm buscado viver e praticar o ministério de cura desempenhado por Jesus. Ellen White, uma das três co-fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia, recebeu um chamado de Deus para ser Sua mensageira. Seu ministério profético não teve como objetivo substituir ou acrescentar algo às Escrituras, mas direcionar nossa atenção para os princípios bíblicos e aplicá-los nos pontos necessários para o desenvolvimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Mas o Espírito Santo também a levou a dar orientações para a igreja em seus principais ministérios – publicações, saúde, educação e missão mundial. Ellen White teve quatro importantes visões em apoio ao amplo ministério de saúde. Estas e muitas outras revelações posteriores levaram ao estabelecimento de hospitais, clínicas e, por fim, a um ministério médico mundial. O material mais longo que ela escreveu sobre o assunto pode ser encontrado no livro A Ciência do Bom Viver, cuja primeira edição é de 1905.

Ellen White tinha muito a dizer sobre vários assuntos relacionados à saúde, mas ela não deu nenhum conselho específico sobre vacinação. Portanto, este documento não tem intenção alguma de dar a palavra final sobre se uma pessoa deve ou não tomar determinada vacina. Esta é uma decisão pessoal que deve ser orientada pelo estudo e oração, considerando os princípios bíblicos e a orientação médica. Temos registro de apenas algumas histórias em que Ellen White, sua família e seus funcionários tiveram contato com a vacinação. Elas nos ajudam a entender a maneira como ela aplicava os princípios bíblicos em relação aos avanços científicos das vacinas, na ausência de uma revelação profética específica.

[Continue lendo esse texto publicado pelo Centro White.]

Ellen White, os negros e os brancos

“O nome do negro está escrito no Livro da Vida, junto ao nome do branco. Todos são um em Cristo.”

“Muros de separação têm sido construídos entre brancos e negros. Esses muros de preconceito ruirão por si mesmos, como aconteceu com os muros de Jericó, quando os cristãos obedecerem à Palavra de Deus, que lhes ordena o supremo amor ao Seu Criador e amor imparcial ao próximo. […] Que toda igreja ­cujos membros professem crer na verdade para este tempo olhe para essa classe de pessoas negligenciadas e oprimidas, que em resultado da escravidão foram privadas do privilégio de pensar e agir por si mesmas” (Ellen G. White, Review and Herald, 17/12/1895).

“Empenhemo-nos em fazer uma obra pelo povo do Sul. Não nos contentemos com simplesmente ficar a contemplar, tomando meras resoluções que nunca se ­cumprem; mas façamos de coração alguma coisa para o Senhor, para aliviar a miséria de nossos irmãos negros” (RH, 4/2/1896).

“O nome do negro está escrito no Livro da Vida, junto ao nome do branco. Todos são um em Cristo. Nascimento, posição, nacionalidade e cor não podem elevar nem degradar as pessoas. O caráter é que faz o homem. Se um pele-vermelha, um chinês ou africano rende o coração a Deus em obediência e fé, Jesus não o ama menos por causa de sua cor. Chama-o de Seu irmão muito amado.

“Vem o dia em que os reis e os senhores da Terra teriam prazer em trocar de lugar com o mais humilde africano que lançou mão da esperança do evangelho.

“Deus não cuida menos das pessoas da etnia africana que possam ser ganhas para servi-Lo do que ­cuidou de Israel. Ele requer muito mais de Seu povo do que este Lhe tem dado em trabalho missionário entre o povo do Sul [dos Estados Unidos] de todas as classes, especialmente a etnia negra. Não estamos nós sob obrigação ainda maior de trabalhar pela população negra do que por aqueles que têm sido altamente favorecidos? Quem foi que manteve esse povo em servidão? Quem o conservou em ignorância? […] Se essa população se degradou, adotando hábitos e maneiras repulsivos, quem os fez assim? Não lhes devem muito as pessoas de pele branca? Depois de tão grande injustiça lhes haver sido feita, não se deveria fazer sério esforço por erguê-los? A verdade tem que ser levada a eles, pois precisam ser salvos, assim como nós” (The Southern Work, 20/3/1891).

Ellen White era contra o uso de remédios?

Sem levar em conta o contexto das declarações da autora, algumas pessoas a tem feito “dizer” o que nunca disse.

Há pessoas usando indevidamente e fora de contexto citações de Ellen White em que ela condena o uso de “drogas venenosas” e de “efeito danoso” (como ela diz, por exemplo, na Carta 90, de 1908). Essas pessoas que frequentemente desprezam o contexto e a época em que os textos foram escritos acabam prestando um desserviço à própria autora, dando a impressão de que ela era contra a ciência médica (logo ela, que incentivou a criação de hospitais!) e que teria gerado oposição entre os chamados remédios naturais e as terapias e os recursos científicos desenvolvidos para ajudar a natureza. Isso é, no mínimo, lamentável e depõe contra o legado da Sra. White.

Que drogas eram essas condenadas pela pioneira do adventismo no tempo dela? Em seu ótimo livro 101 Perguntas Sobre Ellen White e Seus Escritos, o Dr. William Fagal, do White Estate (localizado na sede mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia), explica que no começo do ministério da Sra. White as três drogas medicinais mais usadas eram o ópio, o calomelano (cloreto de mercúrio) e a noz-vômica (que continha o veneno estricnina). Essas substâncias eram realmente “drogas venenosas”, e era a elas que Ellen se referiu quando escreveu suas críticas (p. 143, 144). Quanto ao uso de recursos adicionais aos oito remédios da natureza, é bom lembrar que Ellen White tratou com raios-x um pequeno tumor na testa (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 303). Será que Ellen teve esse tumor por não ter seguido as orientações que ela mesma deu sobre reforma de saúde? Será que ela teria cometido pecado ao se valer de um recurso médico fora dos oito remédios naturais? A resposta para as duas perguntas é um retumbante “não”!

A Enciclopédia Ellen G. White, nas páginas 1067 e 1068, menciona a resposta que Ellen deu a um estudante do terceiro ano de medicina: “Os tóxicos das drogas querem dizer os artigos que você mencionou.” E que artigos o estudante havia mencionado? Ópio, estricnina, arsênico e mercúrio. O aluno perguntou se essas drogas fortes e tóxicas deveriam ser consideradas da mesma forma que “remédios mais simples” como potássio, iodo e cila, por exemplo. Ellen foi clara em condenar os “tóxicos” e não os “simples”. “O calomelano era administrado muitas vezes em doses grandes e prolongadas, de modo que o envenenamento crônico por mercúrio era muito comum”, por isso Ellen escreveu: “Os preparados de mercúrio e calomelano, introduzidos no organismo sempre retêm sua força venenosa enquanto restar uma partícula dela no corpo. […] Tudo fica melhor sem essas misturas perigosas” (Enciclopédia, p. 1068)

Quanto aos medicamentos não “venenosos”, no livro Mensagens Escolhidas, volume 2, páginas 286 a 291, há uma boa coletânea de declarações da profetisa. Leia algumas delas abaixo (todos os grifos são meus):

“Não é negação da fé usar os remédios que Deus proveu para aliviar a dor e ajudar a natureza em sua obra de restauração. Não é nenhuma negação da fé [para o doente que pede orações em seu favor] cooperar com Deus, e colocar-se nas condições mais favoráveis para o restabelecimento. Deus pôs em nosso poder o obter conhecimento das leis da vida. Este conhecimento foi colocado ao nosso alcance para ser empregado. Devemos usar todos os recursos para a restauração da saúde, aproveitando-nos de todas as vantagens possíveis, agindo em harmonia com as leis naturais” (A Ciência do Bom Viver, p. 231, 232).

“A ideia que tendes, de que não se deveriam usar remédios para os doentes, é erro. Deus não cura os doentes sem o concurso dos meios de cura que estão ao alcance dos homens, ou quando os homens se recusam a ser beneficiados pelos remédios simples que Deus proveu no ar e na água puros. Houve médicos nos dias de Cristo e dos apóstolos. Lucas é chamado o médico amado. Confiou no Senhor quanto a tornar-se hábil na aplicação de remédios. […]

“Todas estas coisas nos ensinam que devemos ser muito cuidadosos para não acolhermos ideias e impressões radicais. Vossas idéias acerca da medicação por drogas, devo respeitar; mas mesmo nisso deveis nem sempre revelar aos pacientes que desprezais inteiramente as drogas, até que eles compreendam bem o assunto. Muitas vezes assumis atitudes em que prejudicais vossa influência e a ninguém fazeis bem algum, expressando todas as vossas convicções. Deste modo vos separais do povo. Deveis modificar vossos fortes preconceitos” (Carta 182, 1899).

E uma última citação interessante e esclarecedora, levando, novamente, em conta o contexto em que foi escrita (em 1903):

“Tenho recebido muitas instruções acerca da localização de clínicas. Devem estar distantes alguns quilômetros das cidades grandes, e possuir terras junto delas. Devem ser cultivadas frutas e hortaliças, e os pacientes devem ser animados a fazer trabalho ao ar livre. Muitos que sofrem de doenças pulmonares poder-se-iam curar se vivessem em clima onde pudessem estar ao ar livre a maior parte do ano. Muitos que morreram de tuberculose poderiam ter vivido se tivessem respirado mais ar puro. O ar puro, fora de casa, é tão eficaz para curar como os remédios, e não deixa efeitos danosos. […] Teria sido melhor se, desde o princípio, todas as drogas tivessem sido excluídas de nossas casas de saúde [já discutimos acima que drogas eram essas], fazendo-se uso dos remédios simples como a água pura, ar puro, sol e algumas das ervas comuns que crescem no campo. Esses elementos seriam justamente tão eficazes como as drogas, usadas sob nomes misteriosos, e preparadas pela ciência humana [é importante destacar a distinção que Ellen White faz entre “ciência humana” e “ciência verdadeira” ou de Deus; neste vídeo há uma explicação sobre isso]. E não deixariam efeitos danosos no organismo. Milhares que são afligidos pela doença poderiam recobrar a saúde se, em vez de confiar nas drogarias quanto a sua vida, abolissem todas as drogas [já mostramos quais], e vivessem com simplicidade, sem usar chá, café, alcoólicos ou especiarias, que irritam o estômago e o deixam débil, incapaz de digerir mesmo alimento simples sem ser estimulado. O Senhor está disposto a fazer Sua luz brilhar em raios claros e distintos a todos os que estão fracos e debilitados” (Manuscrito 115, 1903).

Fica claro que o ideal na manutenção da saúde é utilizarmos os remédios naturais e deixarmos de lado hábitos, bebidas e alimentos nocivos. Mas, mesmo quando procuramos seguir todas essas recomendações, não ficamos imunes aos males e às doenças deste mundo de pecado e decadência. Haverá situações que exigirão cirurgias, uso de anestesia, antibióticos, vacinas e outros recursos médicos modernos criados com a permissão e ajuda de Deus. E não será pecado usá-los tanto quanto não foi para Ellen White, quando ela se submeteu ao tratamento com raio-x.

(Michelson Borges é jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular e editor da revista Vida e Saúde)

Os adventistas, a liberdade e as autoridades

Os textos a seguir, de Ellen White, têm relação com o decreto dominical, mas seus princípios valem para outros assuntos também.

government

“Temos homens que são colocados sobre nós como governadores, e leis para nos regerem. Não fosse por essas leis, e as condições do mundo seriam piores do que são agora. Algumas dessas leis são boas, outras más. Estas têm aumentado, e seremos ainda levados a situações apertadas. Mas Deus susterá Seu povo para ser firme e viver à altura dos princípios de Sua Palavra. […] Vi que nosso dever em cada caso é obedecer às leis de nossa pátria, a menos que se oponham às que Deus proferiu com voz audível do Monte Sinai, e depois, com o próprio dedo, gravou em pedra. ‘Porei as Minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; e Eu lhes serei por Deus, e eles Me serão por povo’ (Hb 8:10). Quem tem a lei de Deus escrita no coração obedecerá mais a Deus do que aos homens, e preferirá desobedecer a todos os homens a desviar-se um mínimo que seja dos mandamentos de Deus. O povo de Deus, ensinado pela inspiração da verdade, e guiado por uma consciência pura a viver segundo toda Palavra de Deus, terá Sua lei, escrita no coração, como única autoridade que reconhece ou consente em obedecer. Supremas são a sabedoria e a autoridade da lei divina” (Testimonies for the Church 1:201, 361).

“O governo sob que Jesus viveu era corrupto e opressivo; clamavam de todo lado os abusos — extorsões, intolerância e abusiva crueldade. Não obstante, o Salvador não tentou nenhuma reforma civil. Não atacou nenhum abuso nacional, nem condenou os inimigos da nação. Não interferiu com a autoridade nem com a administração dos que se achavam no poder. Aquele que foi o nosso exemplo conservou-Se afastado dos governos terrestres. Não porque fosse indiferente às misérias do homem, mas porque o remédio não residia em medidas meramente humanas e externas. Para ser eficiente, a cura deve atingir o próprio homem, individualmente, e regenerar o coração” (O Desejado de Todas as Nações, p. 509).

“Esse princípio tem de ser mantido firmemente em nossos dias. A bandeira da verdade e da liberdade religiosa desfraldada pelos fundadores da igreja do evangelho e pelas testemunhas de Deus durante os séculos decorridos desde então, foi, neste último conflito, confiada a nossas mãos. A responsabilidade por esse grande dom repousa com aqueles a quem Deus abençoou com o conhecimento de Sua Palavra. Temos de receber essa Palavra como autoridade suprema. Devemos reconhecer o governo humano como uma instituição designada por Deus, e ensinar obediência a ele como um dever sagrado, dentro de sua legítima esfera. Mas, quando suas exigências se chocam com as reivindicações de Deus, temos que obedecer a Deus de preferência aos homens. A Palavra de Deus precisa ser reconhecida como estando acima de toda a legislação humana. Um ‘Assim diz o Senhor’ não deve ser posto à margem por um ‘Assim diz a igreja’, ou um ‘Assim diz o Estado’. A coroa de Cristo tem de ser erguida acima dos diademas de autoridades terrestres.

“Não nos é exigido que desafiemos as autoridades. Nossas palavras, quer faladas quer escritas, devem ser cuidadosamente consideradas, para que não sejamos tidos na conta de proferir coisas que nos façam parecer contrários à lei e à ordem. Não devemos dizer nem fazer coisa alguma que nos venha desnecessariamente impedir o caminho. Temos de avançar em nome de Cristo, defendendo as verdades que nos foram confiadas. Se somos proibidos pelos homens de fazer essa obra, podemos, então, dizer como os apóstolos: ‘Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus? Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido’ (At 4:19, 20)” (Atos dos Apóstolos, p. 38).

“Nossa obra não consiste em atacar o governo, mas em preparar um povo para estar de pé no grande dia do Senhor. Quanto menos ataques fizermos às autoridades e governos tanto mais realizaremos para Deus” (Evangelismo, p. 173).

“Se bem que a verdade deva ser defendida, esta obra deve ser feita no espírito de Jesus. Se o povo de Deus atuar sem paz nem amor, sofrerá grande perda, uma perda irreparável. As almas são afastadas de Cristo, mesmo depois de haverem estado ligadas a Sua obra. Não devemos julgar quem não teve as oportunidades nem os privilégios que nós tivemos. Alguns desses irão ao Céu adiante dos que tiveram grande luz, mas não viveram em conformidade com essa luz. Se quisermos convencer os descrentes de que possuímos a verdade que santifica a alma e transforma o caráter, não devemos acusá-los veementemente de seus erros. Se o fizermos, obrigamo-los a concluir que a verdade não nos torna bondosos nem corteses, mas ásperos e rudes.

“Alguns, facilmente excitáveis, estão sempre dispostos a pegar em armas de luta. Em tempos de provação, mostrarão que não alicerçaram a sua fé sobre a rocha sólida. […] Não façam os adventistas do sétimo dia coisa nenhuma que os assinale como desobedientes à lei ou a ela contrários. Apartem de sua vida toda incoerência. Nossa obra consiste em proclamar a verdade, deixando com o Senhor os resultados. Fazei tudo quanto está ao vosso alcance para refletir a luz, mas não profirais palavras que irritem ou provoquem” (Manuscrito 117a, 1901; Evangelismo, p. 173).

Ensinemos o povo a conformar-se em todas as coisas com as leis de seu Estado, quando assim podem fazer sem entrar em conflito com a lei de Deus” (Testimonies, v. 9, p 238).

“Tempo virá em que expressões descuidadas de caráter denunciante, displicentemente proferidas ou escritas pelos nossos irmãos, hão de ser usadas pelos nossos inimigos para nos condenarem. Não serão usadas simplesmente para condenar os que as proferiram, mas atribuídas a toda a comunidade adventista. Nossos acusadores dirão que em tal e tal dia um dos nossos homens responsáveis falou assim e assim contra a administração das leis desse governo. Muitos ficarão pasmos ao ver quantas coisas foram conservadas e lembradas, as quais servirão de prova para os argumentos dos nossos adversários. Muitos se surpreenderão de como foi atribuído às suas palavras um significado diferente do que era a sua intenção. Sejam nossos obreiros cuidadosos no falar, em todo tempo e sob quaisquer circunstâncias. Estejam todos precavidos para que, por meio de expressões imprudentes, não tragam sobre si um tempo de angústia antes da grande crise que provará os seres humanos. […] Devemos estar lembrados de que o mundo nos julgará pelo que aparentamos ser. Que os que buscam representar a Cristo exerçam o cuidado de não exibir traços incoerentes de caráter. Antes de assumirmos um lugar definido na linha de frente, certifiquemo-nos de que o Espírito Santo nos tenha sido concedido lá dos altos Céus. Quando isso acontecer, pregaremos uma mensagem definida, que será, porém, de espécie muito menos condenatória do que a de alguns; e os que crerem terão muito mais interesse na salvação de nossos oponentes. Deixemos inteiramente com Deus o assunto de condenar as autoridades e governos. Com humildade e amor, defendamos, como sentinelas fiéis, os princípios da verdade tal como é em Jesus” (Testimonies for the Church, v. 6:394, 395, 397).

“A lei da observância do primeiro dia da semana é produto de um cristianismo apostatado. O domingo é filho do papado, entretanto exaltado pelo mundo cristão acima do sagrado dia de repouso de Deus. Em caso algum lhe deve o povo de Deus prestar homenagem. Mas desejo que compreendam que, se provocam oposição quando Deus deseja que a evitem, não estão cumprindo a Sua vontade. Desse modo despertam um preconceito tão implacável que será impossível proclamar a verdade. Não façamos, no domingo, demonstrações de desacato à lei. Se isso ocorrer num lugar, e formos humilhados, a mesma coisa poderá ocorrer noutro lugar. Podemos servir-nos do domingo para levar avante um trabalho que testifique de Cristo. Devemos fazer o melhor possível, trabalhando com toda a mansidão e humildade” (Testimonies for the Church, v. 9:229, 230, 235).

Novas compilações dos escritos de Ellen G. White

As obras de Ellen G. White publicadas depois da morte dela são tão válidas e confiáveis quanto as que foram impressas quando ela ainda vivia

Infelizmente, têm sido levantadas dúvidas em relação aos escritos de Ellen G. White, no que diz respeito às compilações. Para ajudar a tirar dúvidas com respeito a esse assunto, evitando que isso se propague (por ignorância ou má intenção), indico aqui um material produzido pelo Dr. Alberto Timm, diretor associado do White Estate.

Ellen White foi uma das escritoras mais prolíficas de todos os tempos. Ela deixou uma mina extremamente grande e valiosa de livros, artigos, cartas e material não publicado. Na época de sua morte, em 1915, somente 24 livros de sua autoria haviam sido impressos, e dois estavam quase prontos para a publicação. Ao longo dos anos, foram publicadas muitas novas compilações e, mais recentemente, obras condensadas e edições na linguagem de hoje.

Alguns questionam a validade e confiabilidade dessas novas publicações. Para eles, somente os livros publicados durante o tempo de vida de Ellen White são de valor real e devem ser levados a sério. Portanto, é crucial que compreendamos a natureza e o propósito dessas novas publicações.

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(Fonte: Revista Adventista, março de 2018; via Centro White)

Edificar sobre o fundamento

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular.” Efésios 2:20

Que ninguém empreenda a obra de demolir os fundamentos da verdade que fizeram de nós o que somos. Deus guiou Seu povo para a frente, passo a passo, embora houvesse armadilhas do erro por todos os lados. Sob a maravilhosa orientação de um claro “Assim diz o Senhor”, foi estabelecida uma verdade que tem resistido à prova. Quando surgem homens procurando atrair discípulos após si, enfrentai-os com as verdades como que provadas pelo fogo.

“Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz Aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus. Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti” (Ap 3:1-3).

Aqueles que procuram remover os velhos marcos não estão retendo firmemente; eles não estão se lembrando de como receberam e ouviram. Os que tentam introduzir teorias que removeriam os pilares de nossa fé quanto ao santuário ou quanto à personalidade de Deus ou de Cristo estão agindo como cegos. Estão procurando introduzir incertezas e deixar o povo de Deus à mercê das ondas, sem uma âncora.

Os que afirmam estar identificados com a mensagem que Deus nos deu devem ter aguçada e clara percepção espiritual para poderem distinguir a verdade do erro. A palavra proferida pela mensageira de Deus é: “Despertai os vigias!” Se os homens discernirem o espírito das mensagens dadas e se esforçarem por descobrir de que fonte elas provêm, o Senhor Deus de Israel os guardará de serem desencaminhados (Manuscript Releases 760, p. 9, 10).

(Ellen G. White, 14/8/1999; Até que Ele Venha)

O verdadeiro pastor adverte os que estão em perigo

Ah, se todo pastor tivesse a coragem de Elias! Os pastores devem repreender, corrigir e exortar com toda a paciência e doutrina (2Tm 4:2)

Em nome de Cristo eles devem animar o obediente e advertir o desobediente. Eles não devem dar valor algum aos interesses mundanos, mas prosseguir com fé. Não devem falar suas próprias palavras, mas sua mensagem deve ser: ‘Assim diz o Senhor’ (Ex 4:22). Deus chama pessoas como Elias, Nată e Joäo Batista – pessoas que levarão fielmente Sua mensagem sem temer as consequências, pessoas que falarão a verdade, ainda que isso signifique sacrificar tudo que possuem.

Deus chama homens e mulheres que estejam dispostos a lutar fielmente contra o erro, guerreando contra as torças espirituais da maldade nos lugares celestiais. A essas pessoas Ele dirá: “Muito bem, servo bom e fiel participe da alegria do seu Senhor” (Mt 25:23).

Os que praticam o mal normalmente culpam os mensageiros de Deus pelas calamidades que sofrem por terem se afastado do caminho da justiça. Quando o espelho da verdade é colocado diante dos que estão sob o poder de Satanás, eles se sentem ofendidos por serem reprovados. Cegados pelo pecado, sentem que os servos de Deus se voltaram contra eles e merecem ser duramente criticados.

A voz de severa repreensão é necessária hoje, pois pecados terríveis têm separado de Deus o povo. A infidelidade virou moda. “Não queremos que este Homem seja nosso rei” (Lc 19:14), milhares afirmam. Os sermões superficiais pregados com tanta frequência não causam efeito duradouro; a trombeta não dá um sonido certo. O coração das pessoas não é atingido pelas claras, cortantes verdades da Palavra de Deus.

Muitos dizem: “Por que precisamos falar de forma tão clara?” Isso é o mesmo que perguntar: “Por que João Batista teve que provocar a ira de Herodias, dizendo a Herodes que ele estava errado em viver com a mulher de seu irmão?” Aquele que preparou o caminho para o ministério de Cristo perdeu a vida por falar com clareza.

Os que deveriam ser guardiões da lei de Deus têm usado esse argumento, até que finalmente permitem que a comodidade tome o lugar da fidelidade, e o pecado continue a ser praticado sem reprovação. Quando será a voz da fiel reprovação ouvida novamente na igreja?

Não é por amor ao próximo que os pastores amenizam a mensagem sob sua responsabilidade, mas porque são condescendentes consigo mesmos e amam a vida fácil. O verdadeiro amor busca primeiro a honra a Deus e a salvação do próximo. Os que possuem esse amor não deixarão de falar a verdade para fugir dos resultados desagradáveis de falar com clareza. Quando as pessoas estão em perigo, os pastores de Deus falarão a palavra que Ihes é ordenada, recusando desculpar o mal.

(Ellen G. White, Os Ungidos [PF], p. 60, 61)