Os escarnecedores mais ousados

Profetas e profetisas de Deus continuam sendo zombados e, por extensão, o Deus que os envia. Mas Deus não muda…

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“Muitos [antediluvianos] a princípio pareceram receber a advertência; não se voltaram, todavia, para Deus, com verdadeiro arrependimento. Não estavam dispostos a renunciar seus pecados. Durante o tempo que se passou antes da vinda do dilúvio, sua fé foi provada, e não conseguiram suportar a prova. Vencidos pela incredulidade prevalecente, uniram-se afinal a seus companheiros anteriores, rejeitando a solene mensagem. Alguns ficaram profundamente convencidos, e teriam atendido às palavras de aviso; mas tantos havia para zombar e ridicularizar, que eles partilharam do mesmo espírito, resistiram aos convites da misericórdia, e logo se acharam entre os mais ousados e arrogantes escarnecedores; pois ninguém é tão descuidado e tão longe vai no pecado como aqueles que tiveram uma vez a luz, mas resistiram ao convincente Espírito de Deus” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 95).

“Eliseu era um homem de espírito brando e bondoso; mas que podia também ser severo é mostrado pela maldição que lançou quando, a caminho de Betel, foi escarnecido por rapazes ímpios que haviam saído da cidade. Esses rapazes tinham ouvido da ascensão de Elias, e fizeram desse solene acontecimento o assunto de seus motejos [zombaria], dizendo a Eliseu: ‘Sobe, calvo; sobe, calvo.’ Ao som de suas zombeteiras palavras o profeta voltou-se, e sob a inspiração do Todo-poderoso pronunciou uma maldição sobre eles. O terrível juízo que se seguiu foi de Deus. ‘Então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles pequenos’ (2 Reis 2:23, 24).

“Tivesse Eliseu permitido que a zombaria passasse despercebida, e teria continuado a ser ridicularizado e insultado pela turba, e sua missão para instruir e salvar em um tempo de grave perigo nacional poderia ter sido derrotada. Este único exemplo de terrível severidade foi suficiente para exigir respeito pelo resto de sua vida. Durante cinquenta anos ele entrou e saiu pelas portas de Betel, e andou de um para outro lado em sua terra, de cidade em cidade, passando pelo meio de multidões indolentes, rudes e dissolutas de jovens; mas nenhum o injuriou ou fez caso omisso de suas qualificações como profeta do Altíssimo” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 235, 236).

Obs.: As palavras traduzidas como “rapazinhos” em 2 Reis 2:23, 24 (no hebraico nearim qetannin) significam “homens jovens”, não se tratando, portanto, de crianças irresponsáveis (Ellen White os chama de “rapazes ímpios”). As palavras “sobe, calvo”, segundo o Comentário Bíblico de Moody, faziam eco às palavras dos discípulos dos profetas a Eliseu: “O Senhor levará (para cima) o teu mestre” (v. 3, 5). Essas palavras tinham o seguinte significado: “Suba, para que possamos nos ver livres de você (e possamos continuar imperturbados pelos nossos maus caminhos)!” Uma cabeça calva ou rapada era sinal de lepra e indicava desgraça (Isaías 3:17). Embora Eliseu provavelmente não fosse calvo ainda, o epíteto mostra que os jovens o consideravam um “pária”, como um leproso. Desprezavam o profeta de Deus. A zombaria desonrava a Deus. Por isso a promessa de julgamento divino. Eles violaram a aliança divina ridicularizando seu superintendente. E a violação da aliança produz castigo/punição. Além disso, o tamanho do grupo dá a impressão de que a zombaria foi pré-arranjada. Infelizmente, profetas e profetisas de Deus continuam sendo zombados e, por extensão, o Deus que os envia. Mas Deus não muda… Vivemos novamente um tempo de “grave perigo nacional” (ne verdade, mundial) e a voz profética precisa mais do que nunca ser ouvida e respeitada. Que os zombadores modernos acordem para o perigo que correm, atendam ao chamado do Santo Espírito e voltem-se de seu pecado. Ainda há tempo. [MB]

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Sinal do fim? O que Ellen White viu em Órion?

Que espaço aberto a pioneira do adventismo viu no céu? Qual o significado disso?

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Não é de hoje que a constelação de Órion chama a atenção dos astrônomos – e dos adventistas do sétimo dia. Em maio de 2010, um telescópio europeu em órbita encontrou algo inusitado enquanto procurava por estrelas jovens: um verdadeiro “buraco espacial” na nebulosa NGC 1999, uma nuvem brilhante de gás e poeira exatamente na direção da constelação de Órion. Na época, presumiu-se que um ponto escuro da nuvem era uma bolha mais fria de gás e poeira, que de tão densa bloquearia a passagem da luz. Mas novas imagens do observatório Herschel, da Agência Espacial Europeia, mostram que a “bolha”, na verdade, é um espaço vazio. Isso porque o observatório capta imagens infravermelhas, o que permite que o telescópio veja além da poeira mais densa e enxergue os objetos dentro da nebulosa. Mas até mesmo ao Herschel o ponto estava preto. Na época, isso atraiu mais uma vez a atenção dos leitores de Ellen White. Na verdade, os adventistas ficam interessados sempre que ouvem falar em Órion, e isso se deve a este texto da Sra. White: “Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto” (Primeiros Escritos, p. 41). Seria o ponto escuro na nebulosa NGC 1999 esse espaço aberto mencionado por Ellen? Ou esse texto dela estaria dizendo outra coisa?

Na década de 1950 (quase vinte anos antes da ida do homem à Lua), o pastor adventista e astrônomo amador Julio Minham, membro da Associação Brasileira de Astronomia, escreveu um livro intitulado Maravilhas da Ciência, publicado pela Associação Brasileira de Astronomia. Nele Minham constata: “Uma escritora americana, Ellen G. White, que nada sabia de astronomia e que provavelmente nunca ouvira falar da Nebulosa de Órion, em um de seus livros traduzido para o português com o título Vida e Ensinos, depois de comentar essa luminosidade, escreveu [e ele cita o texto de Ellen White]. Isso dito assim tão simplesmente por quem nunca olhou um livro de astronomia, nem sonhava com buracos em parte alguma do céu, só pode ser creditado a dois fatores: histerismo ou inspiração. Para ser histerismo, parece científica demais a afirmação de que toda uma cidade, a Nova Jerusalém, tenha livre passagem pelo túnel de Órion. A escritora não sabia do túnel, nem que ele é tão largo a ponto de comportar noventa sistemas solares. Terá sido revelado a essa escritora uma verdade que os astrônomos não puderam descobrir?” Interessante um escritor analisar esse assunto de uma perspectiva mais científica há setenta anos, e mais interessante ainda o livro ter sido publicado pela Associação Brasileira de Astronomia. Mas será que o tal túnel de Órion seria o espaço aberto no céu visto por Ellen White?

Antes de prosseguir na análise do texto de Ellen, quero recordar que, de fato, a constelação de Órion é bastante significativa também do ponto de vista histórico. Nas culturas antigas, Órion é um caçador/guerreiro. As famosas estrelas três Marias compõem o cinturão imaginário desse guerreiro. Inscrições egípcias mostram o guerreiro celestial (Osíris) expulsando do Céu um dragão com quatro asas (como os querubins bíblicos). Alguma semelhança com outra história que você conhece? Na Mesopotâmia, Órion também é o guerreiro que expulsa um dragão do Céu. Uma das estrelas da constelação é Betelgeuse. Betel (do sonho de Jacó) quer dizer “casa de Deus”. Betelgeuse significa “portal da casa de Deus”. Portanto, realmente se trata de uma constelação simbolicamente significativa como referencial para o maior acontecimento da história. Então, voltemos ao texto de Ellen White.

Vamos ler de novo e atentamente: “Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera [da Terra] abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto [Onde o espaço foi aberto? R.: na atmosfera terrestre] em Órion [muito provavelmente Ellen estivesse se referindo à constelação de Órion como ponto de referência, e não à nebulosa que leva o mesmo nome], donde vinha a voz de Deus [portanto, a voz de Deus, nos momentos finais da história, foi ouvida no espaço aberto na atmosfera, na direção da constelação de Órion]. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto [Qual espaço foi aberto e onde? Leia de novo: ‘A atmosfera [da Terra] abriu-se e recuou’].” Qualquer coisa dita além do que se lê é mera conjectura.

Um vídeo tem circulado nas redes sociais e nele uma palestrante fala sobre astronomia e sobre a constelação e a nebulosa de Órion. Infelizmente, existem vários conceitos equivocados do ponto de vista científico, e mais uma vez especulações escatológicas são feitas com base na afirmação mal-compreendida de Ellen White. Para o bom entendimento do assunto e com todo o respeito à referida palestrante, convidei meus amigos Eduardo Lütz (astrofísico) e Graça Lütz (bioquímica) para fazer uma análise do vídeo. Eis aqui algumas conclusões deles. [MB]

1. A palestrante confunde nebulosa e constelação. Constelações são desenhos imaginários que formamos usando a posição aparente de estrelas no céu da Terra. Elas não são objetos reais e suas estrelas não têm vínculos entre si. Constelações representam uma região do céu do ponto de vista de quem está na superfície da Terra. Se nos afastarmos razoavelmente do Sistema Solar, as constelações deixam de ter sentido, pois a posição aparente das estrelas muda, de maneira que não se encaixam mais nos desenhos que vemos na Terra. Nebulosas, por outro lado, são objetos reais, compostos por poeira, gás, e outros objetos, inclusive estrelas, em muitos casos. As estrelas mencionadas na palestra são as principais da constelação de Órion (objeto imaginário), mas nenhuma delas pertence à nebulosa de Órion (objeto real).

Cada uma das estrelas da constelação de Órion está a uma distância bastante diferente de nós. Parecem próximas só por causa do efeito de projeção. Para ilustrar a ideia, se olharmos para a Lua e ela estiver baixa no horizonte, ela pode parecer estar próxima a alguma montanha ou prédio, mas isso é apenas efeito de projeção, pois a montanha e a Lua estão a distâncias muito diferentes de nós. Assim também as estrelas da constelação de Órion estão a diferentes distâncias, de 243 (Bellatrix) a 1.360 (Alnilan) anos-luz de distância da Terra. Betelgeuse, que foi bastante citada na palestra, está a uma distância de 429 anos-luz de distância.

2. Estrelas absorvem luz. Completamente falso. Todas as estrelas normais emitem luz por causa de sua alta temperatura. Ocorrem reações nucleares no núcleo de cada estrela ainda viva, as quais mantêm a alta temperatura do objeto, o que a faz emitir luz. Mesmo estrelas que já esgotaram seu combustível nuclear continuam emitindo luz por longas eras por causa da energia térmica residual. É possível que a palestrante tenha ouvido falar que estrelas emitem luz de forma muito semelhante a um corpo negro, que não reflete luz alguma, apenas absorve a luz incidente e tudo o que ele emite é em função de sua temperatura. Mas é completamente errado imaginar daí que as estrelas apenas absorvem luz e não a emitem. Faltou ler com mais atenção. E conhecer um pouquinho de temas básicos de Física também teria ajudado.

3. Uma delas emite, ao invés de absorver, e é um mistério para a ciência. Desconfie quando alguém disser que algo é um mistério para a ciência. A ciência é como uma caixa de ferramentas. Por outro lado, existem coisas que deixam os cientistas curiosos ou até perplexos, especialmente quando seus modelos não se encaixam bem no que se observa. Mas não é o caso aqui.

Como mencionamos, todas as estrelas normais emitem luz. Betelgeuse não é exceção nesse sentido. Como qualquer outra estrela, ela é alimentada por reações nucleares em seu núcleo, o que a mantém aquecida e emitindo luz. O que existe de especial com Betelgeuse é sua instabilidade, pois ela varia grandemente de tamanho, forma e luminosidade ao longo do tempo. Esse comportamento, sim, é curioso e inspira muitos estudos.

4. Ela confunde o que Ellen White fala da atmosfera da Terra com a de Órion. Em sua visão, Ellen White descreve fenômenos que ocorrem na atmosfera da Terra imediatamente antes da vinda de Cristo. A palestrante fala como se esses fenômenos ocorressem na nebulosa de Órion. Qualquer fenômeno intenso alterando a nebulosa de Órion não seria visível a olho nu e demoraria de dezenas a centenas de anos para que ocorresse em função da extensão da nebulosa.

5. Ela errou a distância até a nebulosa de Órion. A certa altura, a palestrante fala de Betelgeuse mencionando dados (errados, por sinal) dessa estrela como se fossem dados da nebulosa de Órion. Como explicamos antes, Betelgeuse fica bem longe da nebulosa de Órion (objeto real), embora esteja na constelação de Órion (objeto imaginário). A nebulosa em si está há pouco mais de 1.300 anos-luz de distância da Terra.

6. A nebulosa está se aproximando da Terra. Não, não está. Os dados a que a palestrante se refere são de objetos diferentes ou de fonte errada. Todas as estrelas e nebulosas possuem movimentos, mas nada no Universo apresenta velocidades superiores à da luz, como seria o movimento da nebulosa de Órion se os números que a palestrante apresentou fossem verdadeiros. A nebulosa sempre esteve aproximadamente onde está desde que foi descoberta.

7. A massa da nebulosa está expandindo, e ela confunde massa com tamanho. Além de confundir massa com tamanho, a palestrante confunde as alterações que ocorrem com a estrela Betelgeuse com fenômenos que estariam ocorrendo em Órion. Isso não tem cabimento.

8. Se fosse colocada no lugar do Sol, ela iria até Saturno em tamanho. Isso é tamanho de uma estrela grande, não da nebulosa de Órion. A nebulosa é muitíssimo maior do que o Sistema Solar. Talvez a palestrante tenha mais uma vez confundido a estrela Betelgeuse com a nebulosa de Órion. Só para dar uma ideia, o raio do Sistema Solar é de algumas horas-luz (uma hora-luz é a distância que a luz percorre em uma hora). O raio da nebulosa de Órion é de uns 12 anos-luz. O Sistema Solar inteiro juntamente com sistemas estelares vizinhos (Alfa Centauro, Sírius e outros), mantendo entre si as distâncias atuais, tudo isso caberia confortavelmente dentro da nebulosa de Órion.

9. Ela confunde a estrela Betelgeuse com a nebulosa. Em vários momentos, a palestrante começa a falar de Betelgeuse e segue aplicando suas propriedades à nebulosa de Órion, e vice-versa. Isso leva a graves enganos.

10. A constelação muda de lugar, mistério para a ciência; é a única que muda de posição porque não pertence à nossa galáxia. Completamente falso em todos os sentidos. A constelação é um objeto imaginário, como comentamos. As posições de todas as estrelas variam, sim, mas esse movimento é praticamente imperceptível e demora muitos séculos para fazer alguma pequena diferença a olho nu. As estrelas da constelação de Órion não são diferentes em coisa alguma quanto a isso. A nebulosa de Órion também apresenta apenas movimentos muito sutis.

Além disso, as estrelas que a humanidade escolheu para fazer parte do desenho imaginário de Órion, todas pertencem à Via Láctea e estão relativamente próximas ao Sistema Solar ,se levarmos em conta o tamanho de nossa galáxia. A nebulosa de Órion também está a apenas pouco mais de 1.300 anos-luz de distância, o que é muito pouco comparado o diâmetro da Via Láctea, entre 200 mil e 300 mil anos-luz. Se compararmos nossa galáxia a uma cidade, tanto as estrelas da constelação de Órion quanto a nebulosa de Órion moram no mesmo bairro do Sistema Solar (nossa casa).

11. Ela está numa galáxia espiral a 500 anos luz de nós. Completamente errado. 500 anos-luz é uma distância insignificante quando se fala em galáxias. É como se o Sr. José, morador de São Paulo capital, dissesse que a casa do Sr. Antônio fica em outra cidade a 10 cm de distância. Não faz sentido algum! E nossa galáxia, a Via Láctea, é uma galáxia espiral, por sinal, com um raio de mais de 100 mil anos-luz.

12. A ciência não consegue explicar por que a luz sai de dentro da estrela. A palestrante continua tecendo considerações sobre a conclusão completamente falsa de que estrelas apenas absorvem luz e que Betelgeuse emite, e que isso seria um mistério para a ciência. Já explicamos que isso é completamente falso.

13. Cristo vai voltar pela estrela/nebulosa. É importante deixar claro que constelações (objetos imaginários) servem apenas para indicarmos regiões do céu do ponto de vista da Terra. Quando Ellen White diz que Cristo vem do Órion, está dizendo por qual lado Ele se aproximará da Terra. Apenas isso. Cristo vir através de uma estrela não faz sentido algum. E vir através da nebulosa de Órion, faria sentido? Também não, e vamos ilustrar por quê.

Imagine que uma equipe de médicos venha do Japão para ajudar a conter uma epidemia em Manaus. Eles tomam um avião em Tóquio e descem em Moscou, para seguir o resto do caminho de ônibus. Faz algum sentido? Mas o que isso tem que ver com a volta de Cristo? Existe uma lei da natureza que diz que informação não pode viajar pelo espaço mais rapidamente do que a luz no vácuo. Por outro lado, existem leis que podem permitir viagens intergaláticas por meio de “buracos de verme” (wormholes [Visões do Céu, p. 6]) sem violar o limite da velocidade da luz. É como se fosse um túnel por fora do Universo (mas, tecnicamente, não é bem assim) conectando pontos diferentes. Se o objetivo da comitiva de Cristo é chegar à Terra, Órion não ajuda, pois teriam que percorrer a distância entre a nebulosa e a Terra no máximo à velocidade da luz, demorando mais de 1.300 anos para chegar. Por outro lado, abrir o portal próximo à Terra, mas em Órion no sentido da direção da constelação, aí, sim, faz sentido.

14. O planeta Terra vai girar mais rápido em 2021, vai ser visível. Não, não vai ser visível. São frações ínfimas de segundo por ano. É importante ler e entender os dados apresentados nas notícias para evitar ideias absurdas como essa.

15. Tsunami alterou a rotação da Terra. Sim, mas novamente numa medida insignificante, só perceptível por instrumentos extremamente precisos. E isso não tem nada a ver com água ficando mais leve!

Não continuamos registrando os demais problemas conceituais porque a quantidade era muito grande, e o que coletamos nos primeiros minutos do vídeo já provê uma boa amostragem do problema. (Eduardo e Graça Lütz)

Ellen White aprovava a vacinação?

A pioneira adventista foi vacinada e incentivou seus auxiliares a fazer o mesmo

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No livro Mensagens Escolhidas, volume 2, página 303, há uma nota de rodapé redigida pelo pastor D. E. Robinson, um dos secretários da Sra. White, com data de 12 de junho de 1931. Ele escreveu o seguinte acerca da atitude dela para com a vacinação: “Pedis informação definida concisa acerca do que a irmã White escreveu sobre vacinação e soro. Esta pergunta pode ser respondida muito concisamente, pois quanto a todos os relatórios que temos, ela não se referiu a isso em nenhum de seus escritos. Haveis de ingressar-vos em saber, porém, que numa ocasião em que houve uma epidemia de varíola na vizinhança, ela mesma foi vacinada e insistiu com seus auxiliares, que tinham ligação com ela, e vacinarem-se. Dando esse passo a irmã White reconheceu que fora demonstrado que a vacinação, ou imuniza contra a varíola, ou atenua grandemente os seus efeitos, se a pessoa a contrai. Também reconheceu o perigo de se exporem ao contágio, caso deixassem de tomar essa precaução.”

Neste texto do Centro White, fala-se sobre raio-x e vacinas. E nestes três links (aquiaqui e aqui) você pode ler resoluções da Igreja Adventista sobre vacinação.

No livro Mensagens Escolhidas, volume 3, página 329, Ellen White escreveu algo interessante: “A Terra foi amaldiçoada devido ao pecado, e nestes últimos dias multiplicar-se-ão insetos de toda espécie. Essas pragas precisam ser mortas, senão elas irão incomodar-nos e afligir-nos, e até matar-nos, e destruir a obra de nossas mãos e o fruto de nossa terra. Nalguns lugares há cupins que destroem inteiramente o madeiramento das casas. Não devem ser destruídos? As árvores frutíferas precisam ser pulverizadas, para que sejam mortos os insetos que estragariam as frutas. Deus nos deu uma parte para desempenhar, e devemos desempenhá-la com fidelidade. Então podemos deixar o resto com o Senhor.”

Note que há a recomendação para o uso de defensivos contra pragas (para horror dos veganos). Vírus e bactérias também são pragas e devem ser combatidos com os recursos que Deus nos permitiu criar contra eles. Bom senso, equilíbrio e sabedoria nunca são demais. Assista ao vídeo abaixo para obter mais informações sobre as novas vacinas contra a Covid-19. [MB]

O Natal nos escritos de Ellen White

A última casa de Ellen White

Patrimônio histórico da Igreja Adventista do Sétimo Dia e dos EUA

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Segunda-feira, 27 de outubro de 2014. Foi impressionante a passagem pela famosa ponte Golden Gate, em San Francisco, e pelas vinhas de Napa Valley, mas nada se compara à emoção de entrar na casa em que Ellen White viveu os últimos anos de sua vida incrivelmente produtiva e inspiradora. A bela e bem conservada casa de madeira foi construída em 1885 por um homem muito rico que a usava nas férias. Na época, foram gastos 15 mil dólares na construção, mas Ellen pagou por ela apenas cinco mil. Ellen havia passado nove anos na Austrália e desejava encontrar um bom e barato lugar para morar. Ela orou a Deus e pediu que Ele mostrasse o melhor negócio. Foi então que encontrou a grande oportunidade em Santa Helena, na Califórnia. Detalhe: a casa estava toda mobiliada e tinha vários móveis com tampa de mármore branco, o preferido de Ellen. Deus havia lhe dado um presente, depois de uma vida inteira de tantas privações e lutas, como educadora, escritora, pregadora, líder e mensageira de Deus. 

Aliás, é bom lembrar que Ellen escreveu mais de cem mil páginas manuscritas, foi traduzida para mais de 140 idiomas e tem seu legado reconhecido até mesmo pelo governo dos Estados Unidos, tanto é que há uma placa na varanda inferior da casa em que se reconhece a residência como monumento histórico nacional.

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No interior da casa que Ellen passou a chamar de Elmshaven (“refúgio dos olmeiros”), pode-se ter uma ideia da rotina de Ellen White e dos que moravam com ela. Na sala, eram realizados dois breves cultos por dia, um de manhã e outro à tarde. Eles cantavam, liam um texto bíblico e cada um dos presentes tomava parte nos momentos de oração. Na sexta-feira ao pôr do sol, o culto era mais longo, e Ellen lia partes do relato dos missionários além-mar. No sábado à noite, havia “pipocada”. 

Ellen utilizava o cômodo de cima para escrever, e sua secretária Sarah procurava evitar que visitas a atrapalhassem em sua missão. Mas os netinhos sabiam como “furar o bloqueio”: eles subiam sorrateiramente pela escada que chamavam de “passagem secreta”. Ellen e eles ficavam felizes por ter alguns momentos juntos.

Ellen costumava levantar às 3h ou às 4h para escrever. Em 1915, com 88 anos de idade, ela caiu, quebrou o quadril e seu estado de saúde foi piorando. Até que, em 16 de julho, ela faleceu, antes tendo feito seus amigos garantirem que venderiam a propriedade para ajudar a pagar a compra de duas instituições da igreja. O horário da morte de Ellen (3h40) foi registrado no momento exato por Sarah no relógio que havia sido de Uriah Smith e doado pela viúva dele. O relógio está lá até hoje marcando o mesmo horário. Ao filho ela disse as últimas palavras: “Eu sei em quem eu creio.” 

Em 1927, dois adventistas compraram a casa e a doaram para a igreja. Hoje ela recebe mais de sete mil visitas por ano e continua sendo um monumento mais do que histórico; é a marca de uma vida que causou profundo impacto no coração e na mente de tantas pessoas, efeito que continua se multiplicando por meio da dezena de livros que ela escreveu. 

No quarto em que Ellen costumava receber a visita de anjos (o que foi confirmado por pessoas que viviam no sanatório não muito longe dali e que viram uma luz intensa saindo pelas janelas do cômodo), fizemos uma oração dedicando nossa vida mais uma vez ao Deus a quem Ellen White serviu com tanta dedicação por mais de sete décadas. 

Michelson Borges

Conheça mais
 sobre a vida dessa mulher extraordinária lendo a minibiografia escrita pelo neto dela (clique aqui).

Inserção de genes humanos cria animais “humanizados”

micoPara os critérios de hoje, o romance Frankestein é até meio bisonho. Mas expressa com contundência uma questão recorrente da ciência: Seremos algum dia capazes de criar um ser humano artificial? Entre os cientistas da computação, a meta é emular ao máximo as capacidades humanas por meio de máquinas inteligentes. Entre os biólogos, a criação artificial de um homem é vista com ceticismo. Os filósofos morrem de rir.

Na última virada do século, o debate esquentou com a criação de organismos geneticamente modificados (lembram da ovelha Dolly?) e a manipulação de células-tronco que hoje podem até gerar minicérebros humanos. O fato é que estamos longe de conseguir criar um ser humano artificial, como fez o personagem Viktor Frankenstein, criado por Shelley. Será?

Acaba de ser publicado na revista Science um artigo de pesquisadores alemães e japoneses que nos leva a repensar o assunto. Eles identificaram um gene regulador do desenvolvimento do córtex cerebral humano, e usaram um vírus para inseri-lo em embriões de micos. Micos, esses macaquinhos que vemos pululando perto de nossas janelas buscando o alimento que lhes falta na mata urbana.

O gene utilizado é expresso em células progenitoras de neurônios humanos, que vão habitar camadas do córtex cerebral responsáveis por integrar os sentidos com a cognição, permitindo-nos avaliar o significado das sensações que vêm do ambiente.

Pois bem. Os embriões com o gene humano foram implantados no útero de fêmeas receptoras, e quietinhos se desenvolveram durante cem dias, correspondentes a 4 meses de gestação humana. Os pesquisadores então compararam os cérebros dos micos transgênicos com os de micos normais.

Eram bem diferentes. Em vez de pequenos e lisos, apresentavam-se maiores e com aquelas dobraduras — giros e sulcos — características dos macacos maiores, como nós [sic]. A microestrutura celular ficou mais complexa também. Haviam construído micos com cérebros “humanizados”!

Bem, o trabalho parou aí [será?], mas abriu um mundo de indagações e possibilidades. Se forem deixados nascer, os miquinhos sobreviverão com seus cérebros maiores? Se sobreviverem, chegarão à idade adulta? Se chegarem, terão capacidades cognitivas mais complexas que as de seus semelhantes? Se tiverem, serão essas capacidades funcionalmente normais ou supranormais?

Livre pensar é só pensar, dizia Millôr Fernandes. Portanto, podemos pensar que a fantasia de Mary Shelley está posta novamente. Os pesquisadores foram capazes de imitar em laboratório a evolução que levou os primatas, ao longo de milhões de anos, a transformar-se em espécies mais e mais complexas até o Homo sapiens [sic].

Os computadores inteligentes podem ser controlados. Poderão sê-lo também os macacos humanizados, homens reinventados?

(Roberto Lent, O Globo)

Meu problema com Ellen White

Ellen G. White: acréscimos à Bíblia?

Há poucos dias, o canal Teologar postou um vídeo em que o apresentador insinua que para nós, adventistas, Ellen G. White seria um acréscimo à Bíblia. Naturalmente que discordamos disso veementemente, pois essa não é a nossa crença. Por isso, resolvemos trazer uma pequena resposta (não exaustiva, naturalmente) que poderá ajudá-lo a entender como cremos.

Racismo é pecado hediondo; difamação também

ellen_whiteTem sido compartilhada nas redes sociais mais uma das muitas fake news que circulam por aí. Pior, representa uma verdadeira difamação tremendamente caluniosa de uma escritora muito importante e admirada, a co-fundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia Ellen G. White (1827-1915). O texto falsamente atribuído a Ellen diz: “No paraíso não entrarão pessoas de pele negra, porque a pele negra representa o pecado. Todos serão brancos como senhor Jesus.” E a suposta fonte: “Ellen White – profetisa e fundadora [sic] da Igreja Adventista do Sétimo Dia (livro O Arauto do Evangelho, 1º de março de 1901).” Quem explica o mal-entendido é o pastor e editor da Casa Publicadora Brasileira Fernando Dias:

O trecho controverso é creditado a um artigo publicado na revista The Gospel Herald, de março de 1901. Ellen White foi uma grande incentivadora da evangelização das populações negras dos Estados Unidos. Em 21 de março de 1891, ela fez um longo apelo a 30 líderes adventistas do sétimo dia para que trabalho missionário fosse feito entre os afro-americanos. Em resposta a esse apelo, seu próprio filho James Edson White começou atividades assistenciais, educativas e religiosas entre negros em Vicksburg, Mississipi, em janeiro de 1895. Esse texto se trata da publicação de um sermão feito por Ellen Gould White no sábado, dia 16 de março de 1901, numa igreja composta de pessoas negras, fundada por seu filho em Vicksburg. O texto original, intitulado “Trust in God” [Confiança em Deus], pode ser lido na íntegra, em inglês, aqui.

Em sua fala, Ellen G. White se referiu ao Céu e ao amor ao próximo como característica dos que estão se preparando para habitá-lo. Em determinado trecho, ela escreveu: “Vocês são filhos de Deus. Ele adotou vocês e deseja que desenvolvam aqui um caráter que lhes garantirá entrada na família celestial. Ao se lembrarem disso, vocês deverão suportar as provações que encontrarem aqui. No Céu não haverá segregação racial, pois todos serão brancos como o próprio Cristo. Agradecemos a Deus por podermos ser membros da família real” (“Trust in God”, The Gospel Herald, março de 1901)

Esse é o trecho mais próximo ao da postagem polêmica. Não há, no texto citado, ou em outro escrito de Ellen White, qualquer coisa como “no paraíso não estrarão pessoas de pele negra, porque a pele negra representa o pecado”. Essa declaração é espúria e não combina com a atitude de Ellen White, documentada em seus escritos, em seus diários, em suas biografias e no depoimento escrito de dezenas de pessoas que conviveram com ela.

O próprio contexto da declaração afasta qualquer intenção racista da parte de Ellen White. Ela falava, quando disse isso em 1901, para uma plateia de cristãos negros no Sul dos Estados Unidos. Essa região vivera a realidade da escravidão de afrodescendentes até poucas décadas antes, e experimentaria a segregação racial ainda por muitas décadas. O tema dominante do discurso é o amor a todas as pessoas como característica dos que irão ao Céu. Ela anuncia o Céu como um lugar livre de segregação de pessoas por conta da cor da pele. Ao dizer que, no Céu, os salvos “serão brancos como o próprio Cristo”, ela muito possivelmente se referia ao que a Bíblia informa sobre a aparência que Cristo assumiu após Sua ascensão ao Céu. Ele é descrito como tendo rosto e cabelos “brancos como a alva lã, como neve” (Apocalipse 1:14).

A Bíblia ensina que os salvos terão no Céu um corpo celestial e glorioso. Esse corpo será semelhante ao corpo que o próprio Jesus passou a ter no Céu (1 Coríntios 15:35-58). A descrição do Cristo glorificado em Apocalipse 1:13-20 se refere ao Seu aspecto radiante, resplandecente e luminoso, não à cor da pele. Ou seja, todos os remidos, independentemente de suas características físicas, serão transformados e terão um aspecto semelhante ao de Jesus Cristo em Sua glória.

Convém relembrar que Ellen White não assumiu o título de profetisa, conforme ela explica em Mensagens Escolhidas (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985), v. 1, p. 32. Também ela não é a fundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, mas fez parte de um grupo de diversas pessoas que estabeleceram essa denominação cristã entre 1860 e 1863.

Nota: Se você quiser saber mais sobre Ellen White e o assunto do racismo, assista à entrevista abaixo.

Posição de Ellen White sobre o terraplanismo e o geocentrismo

E. G. White portrait (Dames, 911 Broadway, Oakland, Cal.)Qualquer pessoa em pleno século 21 – época em que são comuns viagens transcontinentais de avião, viagens espaciais e uso de satélites (inclusive os vários satélites recém-lançados por Elon Musk e que são visíveis aqui da terra) – descrer da esfericidade do planeta e do heliocentrismo (o Sol no centro do sistema solar) já é um tremendo contrassenso. Um cristão defender o terraplanismo, trata-se de um absurdo. Agora, um adventista do sétimo dia advogar essa ideia leva o absurdo à estratosfera. Por quê? Porque um adventista, além de poder contar com evidências científicas e bíblicas, tem ainda as claras afirmações de Ellen White a respeito do assunto. Estude a Lição da Escola Sabatina desta semana e conheça a posição oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre o terraplanismo. A Lição da Escola Sabatina é uma publicação mundial oficial da IASD. [Michelson Borges]

Terra globo

sábado Terra redonda

Terra ao redor do Sol