Tem ou não tem doutrinação na universidade?

Recentemente, postei em minha página no Facebook o vídeo “Perdemos nossa filha”. Trata-se do testemunho de uma mãe arrasada pelo fato de a filha ter sido doutrinada por uma professora marxista e por ideologias que a afastaram da família e dos ensinamentos e valores que recebeu ali. Confira:

Se o vídeo é real ou não, se foi produzido ou se tinha motivações políticas, isso não vem ao caso agora (até porque conheço a realidade de pessoas próximas que corrobora o testemunho dessa mãe). Postei o vídeo mais para ver a reação dos seguidores da minha página e das pessoas que teriam contato com esse conteúdo. Dezenas de comentários a favor e contra foram escritos. Quero destacar aqui quatro deles, omitindo os nomes, evidentemente:

“Sou adventista do sétimo dia e estou na Universidade […]. Amo estudar o marxismo, pois desmascara também a hipocrisia das religiões e de muitos líderes. Amo a Palavra de Deus e sou fiel ao Deus que criou todas as coisas. […] O marxismo não doutrina ninguém, se o que lhe foi ensinado em casa o edificou. Amo o marxismo, mas somente Deus é o meu porto seguro.”

“As pessoas não entendem porque têm medo de estudar. Como se algo místico acontecesse quando alguém lê o contraditório.”

“Esse anti-intelectualismo da igreja tem me envergonhado. Como responder quando nos chamam de ‘bitolados’?”

“‘Examinai tudo, retende o bem’ (1Ts 5:21). É simples assim. Deus quer um culto racional. Ele não nos deu a capacidade de pensar, estudar e questionar em vão. Não podemos doutrinar nossos jovens. Devemos ensiná-los a escolher o melhor caminho, e o ensino percorre a estrada do conhecimento. É triste ver muitas pessoas importantes no meio adventista interpretando essa questão de forma tão oposta.”

Depois de ler todos os comentários, postei minha resposta:

Olá, amigos. Gostei dos comentários postados aqui e admito que divulguei esse vídeo em minha página justamente para “medir a febre”.

Bem, primeiramente, como pai de adolescentes, jamais teria coragem de julgar essa mãe. Minha esposa e eu fizemos e temos feito o máximo que podemos para dar a nossos filhos uma boa educação, estimulá-los à leitura e ao aprendizado, bem como ao desenvolvimento de uma visão crítica do mundo. Além disso, procuramos ajudá-los a ter um relacionamento pessoal com Jesus. Mas não é fácil. As ideologias concorrentes sempre estão assediando nossos jovens. Quem é pai/mãe aqui sabe muito bem do que estou falando. E se ainda não é um dia vai compreender…

Falou-se muito em abertura para o contraditório e desenvolvimento de visão crítica, e isso é muito importante, obviamente. Só que na universidade raramente se faz isso. Cursei jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) há mais de vinte anos e praticamente toda a literatura com que tive contato, indicada pelos professores, era de cunho marxista. Somente anos depois de formado é que fui conhecer autores conservadores e críticos do marxismo. Finalmente, estava tendo contato com o contraditório, mas, infelizmente, isso não ocorreu na universidade. Pude assistir ao naufrágio da fé de colegas que iniciaram o curso se declarando cristãos e migraram para o ateísmo, para o materialismo, para o misticismo – e alguns para coisas piores, como comportamentos de risco, sexo casual e vício em drogas que, já naquele tempo, “rolavam soltas” pelo campus. Como dizer para quem abraça o relativismo (outra praga intelectual) que essas coisas são erradas? Às vezes, tudo o que se pode fazer é deixar que o tempo, a maturidade e a perda da saúde falem mais alto.

O fato é que os jovens cristãos não são adequadamente preparados para enfrentar esse mundo, essa doutrinação anticristã. E quando chegam à universidade se encantam, ficam deslumbrados com o que consideram finalmente o saber, o verdadeiro conhecimento. Acham que estão descobrindo a roda e ignoram o fato de que existe muita literatura apologética boa com a qual deveriam ter entrado em contato antes mesmo do vestibular. Se tivessem desenvolvido uma sólida cosmovisão cristã, aí, sim, poderiam “dialogar” com as teorias que lhes são apresentadas. Aí, sim, poderiam colocar à prova seus conhecimentos e suas convicções. Mas chegam ao ambiente acadêmico incapazes de responder ao desafio de 1 Pedro 3:15. Chegam ao campus imaturos e sem as balizas morais e intelectuais necessárias nas quais se apoiar quando são postos à prova.

Culpa deles? Não totalmente. O problema começa em casa e passa pela igreja. Os pais têm que fazer a parte deles desde bem cedo. Se decidiram ter filhos, têm que assumir essa responsabilidade – a mais elevada na vida de um ser humano. Na igreja, os líderes precisam parar de tratar ideias como o darwinismo e o marxismo como se fossem “bobagens” com as quais nem se deve perder tempo. Quando as crianças crescerem e forem para a universidade, perceberão que seus líderes espirituais estavam errados. Aquelas ideias não eram bobagem. Elas têm algum embasamento teórico. E agora? Com quem ficar? Com o ancião da igreja ou com meu professor PhD?

A igreja tem que promover mais encontros de universitários e pré-universitários com conteúdo sólido e verdadeiro incentivo ao pensamento crítico. Eventos que não sejam mero entretenimento, mas espaços para o desenvolvimento intelectual, para forçar os “músculos mentais” da nossa moçada. E, sobretudo, é preciso levar os jovens a se encantar com Jesus, o Mestre dos mestres, e com Sua Palavra inspirada. Somente assim nossos estudantes poderão ser representantes da verdade em ambientes nos quais ela não mais é valorizada. Somente assim poderão ser Daniéis e Danielas em Babilônia.

(Só mais um detalhe: o “analisar tudo” de Paulo não se refere a “tudo”, como se precisássemos ler sobre bruxaria e pornografia, por exemplo, para saber que essas coisas não prestam; leia-se o contexto e será possível perceber a que “tudo” o apóstolo se refere.)

Um abraço a todos.

Michelson Borges

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Unasp cria pós-graduação em Arqueologia Bíblica

arquePara complementar as áreas de História, Arqueologia e Teologia para ensino e práticas pastorais, o Centro Universitário Adventista, campus Engenheiro Coelho, criou a pós-graduação História e Arqueologia do Antigo Oriente Próximo. O corpo docente do curso é formado por doutores, mestres e especialistas na área, com experiência profissional e acadêmica. O curso se destina a profissionais graduados de diferentes áreas interessados em estudar o passado do Oriente Médio por meio da arqueologia e de outras fontes históricas escritas. As aulas são projetadas para atender àqueles que estão perto e longe, sendo presencias, mas transmitidas online para os alunos que estão mais distantes, com algumas aulas inteiramente EAD.

Inscrições: 25 de outubro de 2018 até 3 de fevereiro de 2019

Início das aulas: 4 de março de 2019

Para mais informações clique aqui.

Disciplinas Créditos CH
Pesquisa Arqueológica 2 30h
Arqueologia e a Bíblia 2 30h
Teoria e Métodos Arqueológicos 2 30h
História e Historiografia de Israel 2 30h
Patrimônio Arqueológico 2 30h
Arqueologia do Antigo Testamento 2 30h
Arqueologia de Novo Testamento 2 30h
Egito e Mesopotamia 2 30h
Grecia e Roma 2 30h
Disciplinas Optativas
(mínimo 60h para número necessário de créditos)
Créditos CH
Hebraico 2 30h
Grego 2 30h
Egípcio 2 30h
Epigrafia 2 30h
Numismática 2 30h
Antropologia 2 30h

Damares Alves é criticada por defender ensino do criacionismo

damaresUma nova polêmica foi criada em torno da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves: sua opinião a respeito da teoria da evolução. Nas imagens de uma entrevista concedida por ela em 2013, Damares responde sobre o papel da igreja evangélica na política e observa que os cristãos perderam influência nas escolas. “A igreja evangélica perdeu espaço na história. Nós perdemos o espaço na ciência quando deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas, quando nós não questionamos. Quando nós não fomos ocupar a ciência. A igreja evangélica deixou a ciência para lá e ‘vamos deixar a ciência sozinha, caminhando sozinha’. E aí cientistas tomaram conta dessa área”, diz a ministra no vídeo. Em nota, o ministério informou que “a declaração ocorreu no contexto de uma exposição teológica que não tem qualquer relação com as políticas públicas que serão fomentadas” pela pasta.

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Maquiavel pedagogo ou o ministério da reforma psicológica

maquiavel-pedagogoMaquiavel Pedagogo ou o Ministério da Reforma Psicológica, escrito em 1995 pelo francês Pascal Bernardin, e publicado em 2013 pela editora Eclesiae e Vide Editorial, com tradução de Alexandre Muller Ribeiro, é um livro fundamental para todo educador, tanto para (e principalmente) quem está no trabalho educacional quanto para aqueles que estão recém-iniciando seus estudos em pedagogia. Professores que já estão inseridos nesse campo de trabalho e que percebem a necessidade de reavaliar seus métodos e objetivos a respeito da educação serão grandemente beneficiados pela leitura. Segue-se uma breve explanação de algumas partes da obra.

Maquiavel Pedagogo trata das estratégias psicológicas usadas por entidades globais, tais como a Organização das Nações Unidas (ONU), a United Nation Educational, Scientific and Cultural Organization (Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas – Unesco), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre outras, para implementar uma revolução pedagógica com o objetivo de inserir nas sociedades em todo o mundo novos comportamentos, estruturar uma nova ética, estabelecer novos padrões de vida e valores por meio das reformas educacionais e psicológicas apresentadas em seus documentos oficiais, que lançam diretrizes a serem seguidas pelas nações de todos os continentes.

Discretamente, nessa nova ética que busca estabelecer seus padrões de comportamento tidos como “progressistas”, está contida a velha e utópica visão de mundo comunista, cujos objetivos mais antigos, mas ainda presentes, são a desestruturação da família, abolição da propriedade privada e a propagação da descrença em Deus, facilmente percebida por uma leitura rápida do Manifesto Comunista, escrito por Karl Marx e Friedrich Engels. Tais objetivos nunca foram deixados de lado por aqueles que buscam implementar essa cosmovisão. O que mudou foram suas estratégias.

Como Antonio Gramsci percebeu posteriormente, seria preciso deixar de lado a luta armada e violenta (como ocorrida na Rússia) e infiltrar, de maneira lenta e gradual, o idealismo comunista, sem jamais declarar abertamente que isso está sendo feito, usando-se sempre, então, das vias pacíficas, democráticas e constitucionais, paralisando a consciência dos indivíduos e massificando toda a sociedade com uma propaganda subliminar e imperceptível, infiltrando-se em todas as instituições das sociedades. E desde então é isso o que tem acontecido. Afastando-se, então, da antiga tática da luta armada e violenta, usa-se, entre tantas áreas, a psicologia e a pedagogia, conforme demonstra Bernardin, e até mesmo a religião para se inserirem novos valores, modificar as atitudes e condutas e, assim, de modo sutil e perspicaz, alterar os comportamentos da sociedade.

Inicialmente, Bernardin vai demonstrando quais estratégias são usadas para se gerar essa mudança de comportamento em níveis locais e globais, principalmente através dos instrumentos da psicologia e das pesquisas realizadas nessa área, aplicadas, então, em salas de aula. Analisando documentos do Instituto Universitário de Formação de Mestres (IUFMs), uma instituição francesa criada no inicio dos anos 1990 para discutir e direcionar a formação de professores, com o objetivo de aproximar nessa formação a realidade das escolas, o autor destaca quais as técnicas de manipulação psicológica que permeiam esses e outros documentos, como é o caso das diretrizes apontadas pela Unesco e ONU em relação à educação. É importante ressaltar que tais pesquisas em psicologia não tinham como objetivo seu uso na educação e, por isso, essas entidades apontadas tiveram o trabalho de destacar, reelaborar, adaptar e aplicar então essas pesquisas nas práticas pedagógicas. Assim, o autor demonstra que as psicopedagogias “se valem de métodos ativos destinados a inculcar nos estudantes os ‘valores, as atitudes e os comportamentos’ definidos de antemão. Por essa razão foram criados os IUFMs, que se empenham em ensinar essas técnicas de manipulação psicológica aos futuros professores” (p. 10). Essas manipulações psicológicas, por sua vez, têm o aspecto disfarçado de modernas práticas de ensino e aprendizagem. Vale destacar que as reformas educacionais pelas quais o Brasil passou na década de 1990 receberam significativa influência dessas entidades.

Ao longo do livro fica claro que a escola mudou seu papel nas últimas décadas. Antes de ser um local onde se forma intelectualmente um indivíduo e se desenvolvem suas capacidades cognitivas, a escola se tornou o laboratório de uma engenharia social que testa e aplica novos métodos para a formação social de crianças e adolescentes e se inserem, por meio de tais métodos, os novos (e estranhos) “valores” morais e sociais que vemos emergir a cada dia. Por isso, percebe-se em todos os países que, desde a década de 1990 passaram a seguir as orientações dessas entidades, que o nível escolar continua e continuará decaindo. Cada vez mais se aprende menos na escola. Os conteúdos das disciplinas como Gramática, Matemática, Física, Biologia, etc., estão ficando em segundo plano, e as aulas têm sido constantemente um meio de se inserirem os valores de uma agenda de esquerda, com suas pautas como o aborto, o homossexualismo, a desestruturação dos valores familiares, o ateísmo, e todas as suas derivações e consequências resultantes. Você pode conferir um exemplo disso aqui.

Dos capítulos 1 ao 4 são apresentadas as técnicas psicológicas utilizadas. Têm-se, por exemplo, a “submissão à autoridade”, desenvolvida por Stanley Milgram; a tendência do ser humano ao “conformismo”, estudada por S. E. Asch; os efeitos da “norma do grupo” sobre o indivíduo, conforme demonstrada pelos trabalhos de M. Sherif; o fenômeno “pé-na-porta”, apresentado por Freedman e Freaser; o “porta na cara”, a teoria da “dissonância cognitiva”, desenvolvida por Festinger nos anos 1950, entre outras que são adaptadas e incorporadas nas práticas pedagógicas.

Alguns exemplos podem ser apresentados brevemente aqui: a tendência ao conformismo, por exemplo, foi estudada por Asch. O pesquisador fez o seguinte teste: é apresentada ao sujeito avaliado uma linha desenhada sobre uma folha (linha padrão). Juntamente com ela estão outras três linhas de tamanhos diferentes (linhas diferentes). Em seguida lhe é pedido para apontar qual das três linhas tem o mesmo tamanho da linha padrão. Mas juntamente com o sujeito avaliado estão outros indivíduos associados ao pesquisador e cuja tarefa consiste em responder à mesma questão, mas propositadamente de modo errado, ou seja, apontando a linha que não é do mesmo tamanho que a linha padrão. O sujeito avaliado desconhece essa associação dos pesquisadores. Nessa situação, o indivíduo testado tem duas alternativas: ou ele diz a resposta certa (que é fácil de responder), se opondo, assim, à opinião unânime do grupo; ou ele diz a resposta errada, se conformando, então, com os demais. Isso é repetido várias vezes. A pesquisa de Asch mostrou que aproximadamente três quartos dos indivíduos avaliados se deixaram influenciar, dando uma ou várias respostas erradas em razão da influência do grupo e, consequentemente, para não se opor aos outros.

Na ausência de pressões do grupo as respostas corretas chegaram aos 92%. Os indivíduos entrevistados depois da experiência diziam ter depositado uma confiança na maioria, afinal, todos diziam que tal linha era a igual e apenas ele dizia que não.

Tal experimento demonstrou que o indivíduo abre mão de sua percepção e entendimento por causa da adesão da maioria a uma resposta. Outros afirmaram conformar-se com a opinião do grupo para não parecerem inferiores ou diferentes. Com esse experimento, demonstrou-se ser possível mudar a percepção de um grupo minoritário de pessoas. O que ocorreu nessas experiências dos indivíduos é que ao aderirem às respostas erradas eles se sentiam libertos da pressão psicológica do grupo. Ocorre, porém, que na sociedade as pressões psicológicas são muito mais intensas e de múltiplos aspectos, e para aliviar o estresse psicológico vivenciado por se sentir diferente, inferiorizado, contrário ao pensamento e comportamento da maioria, os indivíduos acabam adotando ações e percepções apresentadas pelo grupo (ou sociedade) a fim de, assim, se livrarem de seus desconfortos psicológicos.

A técnica “porta na cara”, por sua vez, consiste em apresentar inicialmente a um indivíduo um pedido exorbitante, exagerado, que obviamente será recusado. Em seguida se faz um segundo pedido e este é, na maioria das vezes, aceito. Uma pesquisa pedia para alguns estudantes acompanharem um grupo de jovens delinquentes por duas horas em um zoológico. Quando formulada diretamente, essa solicitação teve adesão de 16,7%. No entanto, quando colocada após um pedido exorbitante, a taxa de adesão subiu para 50%. Em sala de aula, um professor pode propor inicialmente um trabalho que sabe ser absurdo e será amplamente rejeitado pelos alunos, mas, em seguida, disfarçando-se de democrático ou receptivo às sugestões dos alunos, o professor propõe então algo menos exorbitante e, assim, se tem adesão de boa parte da turma. Soma-se a isso que os que não aderirem de início irão aderir por pressão da maioria. Mas o objetivo principal do professor sempre foi estabelecer a segunda proposta apresentada.

Essas técnicas podem extorquir de alguém atos que contradizem seus valores, percepções e sentimentos. A criação de uma “dissonância cognitiva” em um indivíduo é outra técnica psicológica utilizada na educação, atuando em conjunto com muitas outras. “Uma dissonância cognitiva é uma contradição entre dois elementos do psiquismo de um indivíduo, sejam eles: valor, sentimento, opinião, recordação de um ato, conhecimento, etc.” (p. 23). As pesquisas mostram que um indivíduo em uma situação de dissonância cognitiva tem a forte tendência de reorganizar seu psiquismo com o objetivo de reduzir essa dissonância, isto é, o desconforto e o estresse que isso gera. “Se um indivíduo é levado a cometer publicamente (na sala de aula, por exemplo) ou frequentemente (ao longo do curso) um ato em contradição com seus valores, sua tendência será a de modificar tais valores, para diminuir a tensão que lhe oprime. Em outros termos, se um indivíduo foi aliciado a um certo tipo de comportamento, é muito provável que ele venha a racionalizá-lo. […] Dispõe-se, assim, de uma técnica extremamente poderosa e de fácil aplicação, que permite que se modifiquem os valores, as opiniões e os comportamentos e capacita a produzir uma interiorização dos valores que se pretende inculcar. Tais técnicas requerem a participação ativa do sujeito, que deve realizar atos aliciadores os quais, por sua vez, os levarão a outros, contrários às suas convicções” (p. 24).

Essas e muitas outras técnicas que Bernardin expõe em seu livro são evidenciadas nas práticas pedagógicas sugeridas pelas entidades internacionais, conduzidas por professores e pedagogos (que também passam por capacitações para serem instrumentos desses interesses) e que são capazes de criar dissonâncias cognitivas e subsequentemente a alteração de valores nos educandos.

O autor identifica ao longo da exposição desses documentos as técnicas de manipulação psicológica, explícitas e implícitas, usadas na educação. Exemplos de tais práticas pedagógicas ou lúdicas que podem estar a esse serviço são a dramatização de um determinado assunto em sala de aula. Pesquisas mostram que o papel assumido pelo ator (estudante) tem grande capacidade de aliciá-lo a adotar tal comportamento dramatizado. Um exemplo recente disso pode ser analisado neste vídeo.

As discussões em grupos nas salas de aula, por sua vez, podem colocar em prática as técnicas que se aproveitam da tendência ao conformismo para aliviar a pressão psicológica sofrida por pensar diferentemente da maioria. Ou as avaliações com respostas de múltipla escolha, cujas alternativas já estão encaixadas dentro de uma perspectiva ideológica fazendo com que o aluno assinale uma resposta como certa mesmo que ela seja contrária aos seus valores e até mesmo às suas percepções em relação a determinado assunto. Técnicas de recompensa com boas notas, elogios públicos, redação de textos sobre determinados assuntos, e muitas outras, são alguns exemplos sobre a capacidade que as ferramentas da psicopedagogia têm para levar o sujeito da avaliação (estudante) a interiorizar as novas normas sociais, novos valores e comportamentos. Por meio desses mecanismos, o aluno, ao longo de um processo diário, vai imperceptivelmente aderindo a esses valores de uma agenda de esquerda, seja por pressão coletiva, em razão da autoridade do professor, ou, principalmente, para evitar o desconforto psíquico que ele experimenta. Outro exemplo recente disso você pode verificaraqui.

Todas essas questões no livro são muito bem documentadas com as citações de diversas publicações da ONU e da Unesco, entre outras, e que podem muito bem ser conferidas por qualquer um que se dispuser a investigar o assunto. Tais documentos estão traduzidos para o português e com uma rápida busca no Google pode-se lê-los na íntegra e averiguar, então, seus conteúdos carregados de uma ideologia globalista e seus valores pouco ou nunca antes vividos pelas sociedades.

No capítulo 5, “A Revolução Ética”, Bernardin demonstra de que modo tais objetivos de inserir novos valores éticos pretensamente de aplicação global, isto é, de cima para baixo, são aplicados em todos os países do mundo que aderem a essas diretrizes internacionais. Como, então, transmitir esses novos valores com mais ímpeto e eficácia às sociedades? Como inseri-los na vida pessoal dos indivíduos? Além das estratégias psicopedagógicas já destacadas, o autor demonstra, no entanto, que inicialmente se deve bloquear a transmissão dos antigos valores de uma geração a outra. Esse bloqueio é de fundamental importância para se inserir, então, esses novos valores.

Isso significa que instituições com as quais as crianças e os adolescentes têm contato mais direto e primário, tais como a família (juntamente com a instituição religiosa em que essa família participa), precisam então ser alteradas. A influência da família precisa ser neutralizada o máximo possível para que os antigos e tradicionais valores de seus pais e avôs não lhes sejam então transmitidos, deixando, então, esse papel quase que unicamente para a escola ou universidade com as suas estratégias adotadas para inserir novos valores disfarçados de pedagogia.

Não é de se admirar, portanto, que os velhos objetivos do pensamento marxista, apresentado no Manifesto Comunista, de desestruturar e destruir a família e a propriedade privada, assim como o papel da religião como fonte de valores morais, ainda estejam em curso. O que vemos a cada dia são os ataques diretos e indiretos contra a instituição familiar e suas bases, a mais antiga instituição existente na humanidade e por meio da qual a civilização tem sua continuidade.

Quando novas propostas de família são apresentadas, com novos formatos alternativos e quantitativos de membros, o que se tem é uma forma de se interromper a transmissão de valores, da propriedade privada e outros legados familiares. Além disso, outra forma de bloquear essa transmissão é que a escola não se limite a influenciar apenas a criança, mas também seus pais, de modo que quando não totalmente neutralizados em sua influência sobre os filhos, eles se tornem, então, objeto dessa revolução “ética” e passem a agir e garantir que estes novos valores sejam assegurados aos próprios filhos em um longo prazo de tempo. Enquanto isso, a contínua desestruturação da família para impedir que os valores sejam transmitidos é ainda uma fase para poder controlar os valores.

Como bem destaca Bernardin, “a ruina dos valores morais é tão somente uma consequência, escolhida deliberadamente e conscientemente assumida, de um projeto de subversão dos valores que não se pode realizar em um prazo muito breve. Desse modo, a escalada da criminalidade, da insegurança, da delinquência, do consumo de drogas, a desestruturação psicológica dos indivíduos que se seguiu ao aviltamento moral e à consequente destruição do tecido social são as consequências de uma política consciente. Portanto, a manobra destinada a modificar os valores articula-se assim: inicialmente, impedir a transmissão, especialmente por meio da família, dos valores tradicionais; face ao caos ético e social daí resultantes, torna-se imperativo o retorno a uma educação ética – controlada pelos Estados e pelas organizações internacionais, e não mais pela família. Pode-se, então, induzir e controlar a modificação dos valores. Esquema revolucionário clássico: tese, antítese e síntese, que explica a razão por que, chegada a hora, os revolucionários se fazem os defensores da ordem moral” (p. 66).

No capítulo 6, o autor demonstra, mais uma vez, por meio de documentos, os objetivos desses órgãos internacionais de promover a utopia do multiculturalismo, criando uma nova cultura que será capaz de englobar a todas conjuntamente por meio de um único idioma, conforme atesta o documento da Unesco: “Uma das questões que devem ser examinadas é a do desenvolvimento, para essa sociedade global, de uma língua internacional que reforce e promova uma cultura internacional. A Unesco deveria realizar um estudo específico sobre esse assunto” (p. 71). Tal perspectiva nada mais é do que uma forma de imposição de nova linguagem que ao longo do tempo faça desaparecer alguns conceitos primordiais e fundamentais da existência. Não lhe surpreende o fato de muitas pessoas, entre elas professores, já estarem escrevendo “alunxs”, ao invés de “aluno”, ou “professorxs”, ao invés de “professor”, a fim de neutralizar o sujeito? Ou, para ficar com o exemplo de George Orwell, em seu clássico 1984: “A cada ano, menos e menos palavras, e o campo da consciência mais e mais restrito.” Retira-se do uso ao longo do tempo palavras como “liberdade”, “Deus”, “comunidade”, “família”, “homem”, “mulher”, e se terá uma geração que, desconhecendo tais palavras, desconhecerão também seus conceitos e funções, juntamente com o que elas representam.

Outro capítulo interessante do livro é o 7, que investiga as tentativas de se reescrever a história e, assim, amputar das culturas todo o seu passado peculiar, isto é, suas próprias raízes, e impedir sua ligação e a de seus indivíduos com seu passado e, consequentemente, com o passado de seu povo. Como declarado na 4ª Conferência dos Ministros da Educação, da Unesco, promovida para tomar tais medidas para as futuras gerações, foram feitas as seguintes proposições: “Elaboração de um manual de história geral da Europa, bem como um manual de história universal, com a ativa participação dos comitês de historiadores dos países interessados” (p. 73). E como a própria Unesco reconheceu, as sociedades mais aptas para promover tais mudanças são aquelas mais maleáveis e abertas às novidades. “Tais sociedades se beneficiam da participação ativa dos cidadãos no processo de aprendizagem. Ao longo dessa aprendizagem, a história deverá ser reescrita e reinterpretada” (p. 75). George Orwell já expressou de modo singular o entendimento de que “quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”.

Ao longo de todo o livro é demonstrado como os professores e a própria pedagogia são vistos como instrumentos dessa revolução que busca transformar as sociedades e promover nos seus membros os comportamentos e conceitos de uma cosmovisão materialista comunista, porém, disfarçada pela ideia de progresso moral, social e intelectual, envolta em belos ideias de paz, harmonia entre os povos, direitos infindáveis, pacifismo, ecologismo, tolerância, ecumenismo religioso, etc.

Essa revolução global em curso se dá pela internacionalidade dessas entidades e por meio do poder conferido a elas para ditar as diretrizes e os objetivos da educação nos países, oferecendo normas, práticas pedagógicas, materiais de estudo, etc. O objetivo em longo prazo é apresentado pelos próprios documentos da Unesco: “O ponto mais importante é que deveria haver um currículo universal, internacional e padrão, estabelecido sob os auspícios das Nações Unidas. Em particular, esse currículo padrão deveria ser difundido a partir das séries de manuais escolares padronizados elaborados sob os auspícios das Nações Unidas. […] Enquanto uma geração não tiver recebido os ensinamentos de um currículo internacional padrão, todos raciocinarão segundo os velhos esquemas mentais que, por fim, são fatais para a humidade. Assim, desejamos receber a anuência voluntária dos diferentes parceiros da educação, famílias, organizações profissionais, associações religiosas e culturais, administrações e exército. Para o bem de todos, desejamos receber seu apoio na internacionalização e padronização da educação” (p. 84).

O que se tem então é: diminuição da influência da família na formação intelectual e moral da criança/adolescente (vide propostas como, por exemplo, retirar a celebração de dia dos pais e dia das mães das escolas de São Paulo. Confira); o aumento da influência maciça da escola nessa formação e transmissão de valores, reestruturação da linguagem, o poder do Estado sob a escola, a reescrita da história, apoio voluntário de organizações e até mesmo da religião na adesão desses novos valores e comportamentos defendidos por uma agenda de esquerda, entre os quais podem ser destacados o ateísmo, as novas formas de família, a legitimação jurídica e moral do aborto, a promoção do multiculturalismo, o controle do conhecimento a respeito do passado, e todas as suas facetas.

Maquiavel Pedagogo expõe de modo claro quais são os reais objetivos dos sistemas educacionais que aderem às diretrizes internacionais ditadas pelas entidades mencionadas ao longo do livro. A educação em diversos países, entre eles o Brasil, não tem mais o papel de realizar uma formação intelectual, cognitiva do indivíduo, mas antes modificar os valores, as atitudes e os comportamentos, e realizar, assim, uma revolução psicológica, “ética” e cultural, retirando a autonomia nacional dos países de ter uma educação que condiga com sua realidade histórica, tradicional e cultural.

Nesse sentido, o livro é de fundamental importância para aqueles que não compactuam com esses valores de uma cosmovisão comunista e almejam conservar a boa educação baseada nos valores tradicionais. Destaco, assim, a importância desse livro para se ajudar a preservar a educação adventista das influências dessas diretrizes. Precisamos estar atentos a essas influências que se apresentam, estando disfarçadas como ideais de progresso, de evolução qualitativa e de melhoria social. O livro vale a pena ser lido e discutido por nossos educadores adventistas, contribuindo para que possam identificar essas estratégias e evitar que elas adentrem na Rede Adventista de Educação presente em mais de 160 países e com quase dois milhões de alunos e 90 mil professores. Só no Brasil, temos 450 unidades escolares e cinco instituições de ensino superior, e por isso precisamos estar atentos a essas tendências educacionais mundiais e nos conservarmos enquanto instituição que preza pelos valores divinos.

Essas e muitas outras estratégias em curso, muitas delas com os objetivos já alcançados, são sutis e podem passar por despercebida essa introdução dos valores da agenda de esquerda em nossas escolas e universidades. A religião não está imune a tal influência.

Destaco, como exemplo, o que já aconteceu nas instituições católicas por meio da proximidade que uma parte de seus representantes teve nos últimos mais de quarenta anos com as políticas de esquerda na América Latina por meio da Teologia da Libertação. É notável como são maleáveis essas estratégias para atingir seus objetivos e inserir esses valores e comportamentos em todas as esferas da vida pessoal e social. Enquanto que na antiga União Soviética essa agenda pregava o ateísmo como “religião” oficial do governo, aqui na América Latina eles se mesclaram com a religião e praticamente tomaram conta das estruturas do catolicismo por meio de trabalhos dos teólogos da libertação, como Leonardo Boff, Frei Beto, entre outros, de modo que hoje o catolicismo tenta, aqui e ali, se limpar desses discursos esquerdistas em suas paróquias, colégios e faculdades, mas parece ser um trabalho de enxugar gelo, uma vez que até mesmo o seu próprio representante, o papa Francisco, tem sido um propagador de tais valores de uma agenda global esquerdista (confira). O exemplo do que aconteceu no catolicismo demonstra como tais estratégias se infiltram em todos os aspectos da sociedade e, por isso, deve chamar nossa atenção para evitarmos que isso ocorra também no adventismo.

A pedagogia, a psicologia, a ética e a religião são áreas do conhecimento e da vida humana de fundamental importância, porém, podem e são frequentemente usadas como instrumentos a serviço de valores que são incompatíveis com os valores éticos, educacionais e religiosos que, como adventistas do sétimo dia, preservamos e defendemos, e que são conservados e transmitidos não apenas no púlpito, mas também em nossas editoras, por meio de revistas, livros, lições de estudos das Escrituras, em nossos hospitais, na mídia, mas, principalmente, em nossas escolas, colégios e universidades.

O livro Maquiavel Pedagogo, portanto, é uma leitura indispensável para o educador atento às pressões sociais e governamentais colocadas tanto em nossas instituições de ensino quanto em nossas famílias, situando-o e auxiliando-o na identificação dessas estratégias e em como evitar uma adesão inconsciente a elas.

BERNARDIN, Pascal. Maquiavel Pedagogo: ou o ministério da reforma psicológica. Tradução de Alexandre Muller Ribeiro. 1 ed. Ecclesiae e Vide Editorial. Campinas, SP: 2013.

(W. Oliveira é doutor em Filosofia)

Mentir para os filhos?

capaDez anos atrás a revista IstoÉ publicou uma matéria de capa na qual tratava de um tema oportuno (e sempre atual) para os pais: É errado se valer de pequenas mentirinhas para evitar acessos de birra dos filhos? Até que ponto é aceitável mentir para os pequenos? Para os especialistas, os pais devem sempre dizer a verdade e tomar cuidado ao lançar mão de truques e desculpas. “Em uma relação em que a confiança é fundamental não há espaço para inverdades, em nenhum nível, em nenhuma fase da vida”, diz a psicopedagoga Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). “A maioria dos pais mente para facilitar a vida deles, mas isso não educa. É melhor a criança crescer com a imagem real do que é a vida do que falsear a realidade”, diz Tânia Zagury, filósofa, mestre em educação e autora de 13 livros na área de ensino e relacionamento entre pais e filhos.

A matéria aponta outra contradição ocasionada pela mentira: para não comprar o que o filho pede em uma loja de brinquedos, por considerarem caro, inútil ou inadequado, muitos pais alegam não ter dinheiro. Mas, em seguida, entram no supermercado e enchem um carrinho de compras. Isso as confunde. “A criança, especialmente a partir dos três anos, percebe a gafe”, diz a psicopedagoga Maria Irene Maluf. “Esse tipo de comportamento acaba com a confiança dos filhos nos pais. Eles não veem mais força na palavra do adulto”, afirma. Nessas situações, o ideal é conversar e explicar o porquê de ela não ganhar o brinquedo naquele dia.

A psicopedagoga Quézia alerta os pais para outro detalhe importante: só falarem de castigos que são capazes de pôr em prática. Do contrário, ficam desacreditados.

É importante lembrar ainda que o filho se espelha no comportamento dos pais para moldar sua personalidade – e ninguém quer criar um mentiroso contumaz. Aquela mania do pai de pedir à criança para atender ao telefone e dizer que ele não está, por exemplo, é péssima.

Contar a verdade sempre não significa que não se deva respeitar os níveis de compreensão dos filhos. A matéria de IstoÉ também chama atenção para isso: “Transparência é importante, mas às vezes não contar a verdade inteira pode ser o mais adequado. No caso de uma separação, sobretudo se houver traição, os pais não precisam entrar em detalhes dos motivos. ‘Isso não é da competência dos filhos, pode até gerar raiva neles’, afirma a educadora Tânia Zagury. Da mesma forma, não precisam falar que estão namorando até se sentirem seguros no novo relacionamento. A empresária Nelcy Del Grossi, 45 anos, chegou a levar três meses para contar às filhas adolescentes que tinha um namorado.”

E o que fazer se for confrontado sobre seu passado [digamos, “torto”] pelo filho? “Esta é uma decisão que os pais têm de pesar muito bem”, opina Tânia. “Existem pais que fumaram e se sentem desonestos ao negar. Mas há o risco de o adolescente decodificar essa mensagem como ‘se ele usou e está tudo bem, por que não posso usar?’”, diz Tânia. O importante é ter em mente que é algo a ser tratado em uma conversa longa, com calma. “É preciso aproveitar a pergunta para estruturar um diálogo”, diz o hebiatra Ramos, da Asbra. “Se for admitir que usou drogas, explique antes o contexto e qual era o momento da sua vida, faça-o refletir para não chocá-lo”, aconselha. Na opinião dele, se o pai nega ter experimentado e o filho depois descobre a mentira, pode ser mais complicado clarear a situação. Educar nem sempre é preto no branco. Cabe aos pais encontrar o equilíbrio na missão de criar os adultos de amanhã.

A matéria é equilibrada e nos lembra (sem querer) de que o imperativo bíblico de Êxodo 20 – “não levantarás falso testemunho” – é sempre o melhor caminho.

Uma ótima sugestão para ajudar na educação de seus filhos é o livro Orientação da Criança, contido neste lindo, valioso e baratíssimo box.

Efeitos da tela no cérebro das crianças

Cell-PhoneO site da CBS publicou um estudo muito interessante, cuja prévia dos resultados foi divulgada ontem pelo National Institute of Health dos EUA. Foi um estudo multicêntrico conduzido ao longo de dez anos, com 11. 000 pessoas, em 21 cidades, ao custo de 300 milhões de dólares, para demonstrar os efeitos da tela (celular, iPad, computador e TV) no cérebro de crianças, adolescentes e adultos. Alguns highlights do estudo (dica do Dr. Ivan Stabnov):

1. O uso constante de tela provoca atrofia do córtex cerebral, com possível diminuição da receptividade de informações sensoriais (visão, audição, tato, olfato, paladar), pois acabam menos estimulados durante o uso da tela do que em outras atividades.

2. Há sinais de aumento importante da velocidade da maturação cerebral relacionado ao uso de tela, ou seja, aceleração do processo de envelhecimento cerebral.

3. Durante o uso de mídias sociais, há evidências do aumento da liberação de dopamina, que é um neurotransmissor relacionado ao vício. Ou seja, há evidências (que serão mais bem estudadas) de que pode viciar quimicamente, como uma droga.

4. Diminui o desempenho em testes de linguagem e matemática.

5. Crianças que aprendem a empilhar blocos e jogar em 2D (por exemplo, Minecraft), ao contrário do que se pensava, não conseguem transferir estas habilidades para montar blocos em 3D. Ou seja, a habilidade serve apenas especificamente para o computador, não para a vida real.

6. Existe uma correlação que será mais bem estudada (para saber se é uma relação de causa e consequência ou não) entre automutilação em meninas adolescentes e uso de redes sociais.

7. Adolescentes que usam redes sociais menos de 30 minutos ao dia apresentam muito menos sintomas depressivos e autodestrutivos do que os adolescentes que usam redes sociais por um tempo superior a esse.

Alunos de escola adventista pedem para os pais saírem do celular

escolaPare e tente refletir: quanto tempo você gasta diariamente no celular? Sim, as pessoas estão cada vez mais conectadas virtualmente, o que faz com que nem sempre elas estejam presentes nos momentos que fazem parte da vida real. O Colégio Adventista da Tijuca, do Rio de Janeiro, organizou uma apresentação de Dia das Mães para abordar essa temática. Cantando uma música, os alunos deram o recado e pediram aos pais para ficarem mais tempo com eles. “Fato é que a vida e o tempo não irão se repetir… E agora o que faremos? O que iremos decidir? Desliga, desconecta e sem pressa vem, vem aproveitar o pôr do sol comigo! Aqui, bem agora, nessa hora vou compartilhar o melhor arquivo. O tempo com você”, diz a canção escrita por Daniel Salles. O vídeo do espetáculo foi compartilhado no Facebook da escola no dia 16 de maio e, desde então, o conteúdo viralizou nas redes sociais.

Tanto que a publicação foi compartilhada mais de 1,6 mil vezes e recebeu quase 50 mil visualizações. Nos comentários, muitas pessoas aproveitaram para elogiar a atitude do colégio. “Parabéns! Linda mensagem”, escreveu uma mulher. “Sem palavras! Letra fantástica! Parabéns ao compositor e a quem trabalhou com as crianças na letra e na coreografia”, comentou outro usuário.

(Revista Bebê)