A origem da mentira do arrebatamento secreto

arrebatamentoA Reforma Protestante abalou os fundamentos do Romanismo pregando e ensinando as profecias de Daniel e Apocalipse, usando o historicismo como base hermenêutica de interpretação. Todos os grandes teólogos conservadores então concordavam que as profecias apocalípticas de Daniel e Apocalipse se cumpriram através da História. Para contra-atacar a Reforma Protestante e tentar neutralizá-la o Romanismo criou a Ordem dos Jesuítas, e muito cedo incumbiu o sacerdote jesuíta Francisco Ribera de criar uma nova linha de interpretação profética cujo cumprimento das profecias apocalípticas se dará no futuro (Futurismo). O chifre pequeno de Daniel 7 e 8, a besta de Apocalipse 13, e o anticristo de 2 Tessalonicenses 2:3, 4, 8, 9 não mais representariam Roma papal.

Nos dois séculos seguintes essa teoria se infiltrou no Protestantismo pela influência de grandes universidades européias como a de Oxford. Famosos líderes do mundo protestante adaptaram essa corrente de interpretação em sua visão profética de Daniel e Apocalipse. Samuel Roffey Maitland (1792-1866), James Todd, William Burgh e, principalmente, John Nelson Darby (1800-1882) contribuíram para estabelecer as bases do Futurismo profético, agora chamado de Dispensacionalismo entre os protestantes.

Darby fez três viagens aos Estados Unidos nas quais pregava de forma ousada as ideias do Dispensacionalismo profético. Segundo creem, as profecias escatológicas do Antigo Testamento devem ser interpretadas literalmente. Se o texto bíblico diz que Israel irá possuir a terra prometida para sempre, então significa exatamente isso, ao pé da letra.

Em uma de suas viagens aos Estados Unidos, Darby influenciou um advogado chamado Cyrus Scofield, o qual, após converter-se, se tornaria ministro ordenado da Igreja Congregacional. Sua obra, a Bíblia de Referência de Scofield (1909), foi a responsável pela popularização do Dispensacionalismo profético nos Estados Unidos e em vários outros países que mais tarde a traduziram.

A partir da década de 1990, outro lançamento também contribuiu para a popularização dessa teoria entre os evangélicos: a série de livros de ficção religiosa Left Behind (Deixados Para Trás), dos autores Tim LaHaye e Jerry Jenkins.

Somando tudo isso, o resultado é que hoje mais de 80% do mundo protestante acredita no Dispensacionalismo (Futurismo profético) em lugar do Historicismo da Reforma Protestante. Como desfazer esse conflito? Ditos protestantes que não seguem os ensinos dos Reformadores?

Acreditar que as profecias do Antigo Testamento só podem se cumprir de forma estritamente literal significa ignorar o uso que os próprios autores inspirados do Novo Testamento fazem do texto bíblico. Mateus, por exemplo, vê o cumprimento profético de Oseias 11:1 (que, primariamente, se refere a Israel) no retorno de Jesus do Egito com Seus pais após a morte de Herodes (2:15). Claramente, para Mateus, Israel era um tipo de Cristo, logo temos um cumprimento tipológico e não literal da profecia.

O mesmo ocorre com o evangelista Lucas, quando afirma que “assim está escrito” que “o Cristo havia de ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia” (24:46). Na mente de Lucas, Israel também é um tipo de Cristo. Por isso ele faz uma aplicação tipológica de Oseias 6:1 e 2 (originalmente feita para Israel). Mais uma vez o autor bíblico não faz uma aplicação estritamente literal.

Ainda em outro exemplo, em Mateus 2:23, o autor inspirado usa a palavra “profetas” (plural) para expressar o que vários textos proféticos teriam profetizado: “Ele será chamado Nazareno [grego Natzrati].” Acontece que não há nenhuma profecia do Antigo Testamento sobre isso que possa ser aplicada literalmente a Jesus. O autor bíblico vê um cumprimento pelo sentido, por causa da palavra hebraica netzer em Isaías 11:1: “Do tronco de Jessé sairá um rebento [netzer].” Outros profetas também falaram disso (Jr 23:5, 33:15; Zc 3:8 e 6:12). Para todos os efeitos, a aplicação feita por Mateus está longe de ser literal.

Portanto, sustentar que todas as profecias do Antigo Testamento têm que se cumprir de forma estritamente literal é violar o próprio entendimento que os autores do Novo Testamento possuíam. Logo, o Dispensacionalismo não passa no teste bíblico.

E o que dizer dessa teoria do arrebatamento secreto extraída pelos dispensacionalistas de Mateus 24:40 e 41? Ela se sustenta pela Bíblia? Uma leitura atenta do contexto de Mateus 24 já é suficiente para extrair três razões contrárias a essa teoria:

1. Jesus alertou explicitamente contra qualquer um que ensinasse que Seu retorno seria secreto: “Portanto, se vos disserem: Eis que Ele está no deserto, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa, não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem” (v. 26, 27).

Alguém já viu um relâmpago aparecer de forma secreta?

2. Jesus declarou explicitamente que o mundo inteiro seria testemunha do Seu retorno: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder [grego dynamis, de onde vem a palavra “dinamite”] e muita glória.”

3. Jesus descreveu explicitamente o destino dos que serão deixados para trás: “Assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem… veio o dilúvio e os levou a todos” (37-39). Ou seja, os que forem deixados para trás serão destruídos “como foi nos dias de Noé”. Não haverá segunda chance. Esse é um grande engano que o inimigo disseminou dentro do protestantismo graças a essa doutrina dispensacionalista do arrebatamento secreto (ver Hb 9:27, 28).

Sendo assim, a corrente futurista de interpretação profética (incluindo o Dispensacionalismo dentro do Protestantismo) carece de fundamento bíblico. Só nos resta a confiança do Historicismo defendido pelos Reformadores.

Você está pronto para os últimos eventos deste mundo? Falta muito pouco para Jesus voltar nas nuvens do céu. “Naquele dia se dirá: Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e Ele nos salvará” (Is 25:9).

Quem viver verá…

(Sérgio Santeli é pastor em São Bernardo do Campo, SP)

Bibliografia:

Dwight K. Nelson, Ninguém Será Deixado Para Trás, Casa Publicadora Brasileira.

Hans K. LaRondelle, O Israel de Deus na Profecia, Unaspress.

João Alves dos Santos, Dispensacionalismo e suas implicações doutrinárias.

Leia também: Arrebatamento secreto não tem base bíblica

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Quando uma ideia se torna heresia

bibliaA pessoa descobre uma suposta “nova verdade”, uma suposta “nova luz”. Passa a dedicar tempo para estudar o assunto a tal ponto que se vê absorvida por ele. Só pensa nisso. Só fala disso. Ela então resolve apresentar o resultado de suas pesquisas para outras pessoas. Algumas delas, mais experientes, apontam erros e inconsistências. Mas o portador da “nova luz” não se importa com isso. Desconsidera a opinião dos outros, inclusive a dos líderes. Fica claro que as ideias que ela vem apresentando ou parte delas estão em desacordo com as doutrinas bíblicas da igreja, mas essa pessoa segue pregando assim mesmo. Com o tempo, criam-se facções. Um grupo se forma em torno da tal “nova luz” e passa a acusar os líderes da igreja e olhar com suspeita aqueles que antes eram considerados irmãos. O grupo se afasta da igreja e começa a pregar para as ovelhas menos experientes e mais frágeis do rebanho e para os biblicamente despreparados. Tornam-se verdadeiros pescadores de aquário. Pronto. Está criada uma nova dissidência. Está criada uma nova heresia. E a estratégia do inimigo vai dando certo, ou seja: dividir para conquistar. A única vantagem nisso tudo é que essas falácias motivam o povo de Deus a pesquisar mais a Bíblia em busca da verdade.

Em tempos de internet, muitas heresias antigas voltam à tona e várias delas convivem simultaneamente, dando grande trabalho para os apologetas e defensores da fé. Assim, infelizmente, o tempo e as energias que poderiam estar sendo dedicados à pregação do evangelho acabam sendo desperdiçados para “apagar fogueiras” de dissidência e para vacinar os incautos e inexperientes contra ideias equivocadas. Recomendo a leitura do artigo “A igreja e seus críticos”, do Dr. Alberto Timm, publicado na Revista Adventista de abril de 2005. Você pode encontrá-lo no site www.revistaadventista.com.br, na seção “Acervo”. Nele o Dr. Timm descreve o perfil dos críticos e originadores de dissidências e heresias.

Uma dessas heresias ensina que Jesus não é Deus, que os Espírito Santo não é uma pessoa e que a Trindade não é um conceito bíblico. Os que defendem essa ideia acabam rebaixando Jesus de Sua posição de Criador e Salvador todo-poderoso, um esforço iniciado no Céu por Lúcifer, quando de sua rebelião. Os antitrinitarianos também ignoram a personalidade e a divindade do Espírito Santo, dando assim as costas Àquele que poderia levá-los a toda a verdade, como disse Jesus em João 16:13. Se essas pessoas apenas se contentassem em guardar para si essas ideias e as estudassem com oração, responsabilidade, humildade e maturidade… mas não. Pregam esse assunto por aí de maneira inconsequente, causando divisão, criando amargura e contrariando a oração de Jesus em João 17. Esse geralmente é o fruto do trabalho dos hereges, e pelos frutos se conhece uma árvore. Deixarei logo abaixo deste texto vários links com materiais sobre a Trindade.

Além da Trindade, há também a heresia do “perfeccionismo”, que não pode nem deve ser confundido com zelo santo e desejo de obedecer à vontade de Deus. Os perfeccionistas colocam o foco na sua própria vida supostamente santa e de obediência, esquecendo da graça e do poder que Deus confere aos que querem viver uma vida realmente santa, embora imperfeita. Passam o dia falando e postando sobre pecado, perfeição de caráter, vestuário, dieta cada vez mais restritiva e coisas afins. Parece que querem sempre descobrir novos mandamentos para tentar obedecer e impor aos outros, criando, na verdade, um fardo insuportável de regras e mais regras que acabam ofuscando Jesus, a graça e a verdade de que ainda prosseguimos para o alvo, e que nunca poderemos bater no peito alegando uma suposta impecabilidade.

Esses perfeccionistas e legalistas chegam ao ponto de condenar a igreja, seus líderes e promover uma obra paralela, mais uma vez dividindo o rebanho e pulverizando os esforços que deveriam ser concentrados. A Igreja Adventista promove o Impacto Esperança, com distribuição de milhões de livros, eles vêm no encalço e promovem o impacto qualquer coisa, afirmando que o livro deles é melhor, que o trabalho deles é o correto. Sou coautor do livro missionário deste ano e não o considero melhor do que qualquer outro livro da igreja, mas de uma coisa eu sei: orei muito para escrevê-lo e procurei colocar nele as principais doutrinas bíblicas adventistas. A Palavra de Deus está ali e fico muito feliz em ver a igreja unida e milhões de irmãos indo às ruas para distribuir essa mensagem. Você acha que Satanás está feliz com isso? Você acha que o dragão ficaria quietinho enquanto as folhas de outono são espalhadas?

O que alguns desses dissidentes desalinhados com a igreja e opositores dela mais fazem é criticar, e chegam ao ponto de se apropriar de nomes históricos de projetos e movimentos da igreja. Autointitulam-se “remanescentes”, “pioneiros”, “históricos”, “missionários voluntários” (o antigo nome que a igreja adventista oficialmente deu ao Departamento de Jovens), e por aí vai. Deus tem uma séria mensagem para essas pessoas, e eu vou mencioná-la mais adiante.

A novidade do momento é uma ideia absurda que nem doutrina é, mas que se espalha entre alguns adventistas e que daqui a pouco não é de se estranhar que também vire heresia, pois já vem causando divisão. Trata-se da tal “teoria” da Terra plana. Já postei vídeos e escrevi textos sobre isso, e deixarei os links aí abaixo. Portanto, não vou argumentar aqui em favor da Terra esférica. Quero é chamar a atenção para o extremo a que chegam alguns pregadores de absurdos.

Certo canal no YouTube que usa o nome “adventista” enviou meu vídeo “Adventistas terraplanistas?” para um rapaz dono de um canal terraplanista que me pareceu evangélico, ou algo assim. Os supostos adventistas pediram que essa pessoa rebatesse minhas afirmações. Como era de se esperar, num vídeo de quase duas horas, o indivíduo usa argumentos furados, faz afirmações sem cabimento, como a de que não sabemos se a Terra é exatamente um disco tipo pizza, pois ninguém ainda fotografou a parte de baixo (!), e me dirige acusações, num típico exemplo ad hominem, que revela a fragilidade dos argumentos, já que o certo é discutir ideias, não atacar pessoas.

Mas esses supostos adventistas acabaram levando um tapa na cara: o terraplanista termina seu vídeo criticando o sábado e as regras dietéticas dos adventistas, desviando totalmente o assunto. É nisso que dá cutucar a onça com vara curta. Nem sempre o inimigo dos meus inimigos é meu amigo. Mas eu não quero mal a nenhum deles. O que faço é orar para que Deus lhes abra os olhos e vejam o tremendo desserviço que estão prestando ao cristianismo e ao criacionismo.

Se essas pessoas que me acusaram perante um não adventista são realmente adventistas, deveriam dar atenção à recomendação de Ellen White. Em duas ocasiões ela disse ter-se encontrado com adventistas que defendiam a teoria da Terra plana, isso lá no século 19. Ela não entrou em debates sobre o formato da Terra, mas tentou mostrar como essa questão era insignificante diante da mensagem bíblica a ser anunciada pelos adventistas: “Quando uma vez certo irmão se chegou a mim com a mensagem de que o mundo é plano, fui instruída a apresentar a comissão que Cristo deu aos discípulos: ‘Ide, ensinai todas as nações, […] e eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos’ (Mateus 28:19, 20). Quanto a assuntos como a teoria de que o mundo é plano, Deus diz a toda alma: ‘Que te importa? Quanto a ti, segue-Me [João 21:22]. Tenho-lhes dado sua comissão. Insistam sobre as grandes verdades probantes para este tempo, não sobre assuntos que não têm relação com nossa obra’” (Obreiros Evangélicos, p. 314).

Mas essas declarações não significam que Ellen White não tivesse uma posição definida sobre o assunto. Em 1900, ela escreveu: “Deus fez o Seu sábado para um mundo esférico; e, quando o sétimo dia chega para nós neste mundo arredondado, controlado pelo Sol, que governa o dia, em todos os países e regiões é o tempo para observar o sábado. […] O sábado foi feito para um mundo esférico, sendo, portanto, requerida obediência das pessoas em perfeita harmonia com o mundo criado pelo Senhor” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 317).

Sabe, ainda que os adventistas antitrinitarianos, perfeccionistas e terraplanistas tivessem razão, coisa que não têm, o conselho de Ellen White é que, quando a liderança da igreja e os irmãos mais experientes não pensam da mesma forma, os defensores da “nova luz” devem ter humildade para aguardar tranquilos que Deus dirija as coisas, e não tomem nas mãos as rédeas de uma suposta reforma. Claro que isso não significa ficar de braços cruzados diante de erros e injustiças, mas ter bom senso e equilíbrio para saber como e quando agir.

É bom lembrar e enfatizar que o púlpito não deve ser usado para pregar ideias que não sejam assunto pacífico para a igreja. Pastores e anciãos não devem permitir que esses aventureiros inconsequentes prejudiquem o rebanho com pasto contaminado. Deus está guiando um povo, não grupos aqui e ali. Aliás, sempre vale a pena recordar as advertências divinas contra quem chama a igreja adventista de Babilônia, contra quem volta as armas em direção à menina dos olhos de Deus, contra quem se esquece de que, embora haja problemas e erros entre o povo do Senhor, Ele vai consertar tudo. Se você é adventista, deve conhecer esses textos. Se não conhece, vá atrás o mais rápido possível!

Gosto de meditar na atitude de Josué e Calebe, quando voltaram da missão de espiar a terra prometida. Diferentemente dos demais espias covardes e críticos, Josué e Calebe tentaram exaltar o poder e a vontade de Deus para Seu povo. Não teve jeito. Os murmuradores venceram e nós conhecemos o resultado disso: o povo hebreu teve que voltar para o deserto e esperar mais alguns anos antes de poder entrar em Canaã. Josué e Calebe poderiam ter dito: “Esse povo rebelde que fique no deserto! Nós vamos para a terra prometida.” Mas não. Eles permaneceram com o povo. Não abandonaram a igreja nem passaram a criticá-la. Moisés partiu as tábuas, mas não abandonou a igreja. Jeremias escreveu as lamentações, mas não abandonou a igreja. Daniel orou pelo seu povo em cativeiro, mas não abandonou a igreja.

Devemos ter o mesmo espírito. Obviamente que reconhecemos que a igreja é defeituosa, afinal, ela é formada por seres humanos defeituosos como você e eu, mas não é por isso que ela deixa de ser a “menina dos olhos” de Deus, a esposa do Cordeiro que atrai a ira satânica. E se Deus a ama, eu também vou amá-la, permanecer nela e fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar meus irmãos de fé a cumprir a missão que Deus confiou a essa igreja “débil e defeituosa”, mas que mora no coração do Pai.

Estude profundamente sua Bíblia, mantenha comunhão com Jesus, prepare-se para enfrentar os ventos de doutrina e permaneça no barco que levará o povo de Deus até o porto seguro.

Michelson Borges

A divindade de Jesus em Eclesiastes 12:7

Afinal, quem é Jesus Cristo?

O pairar do Espírito de Deus

Clique aqui e encontre ótimos recursos sobre o tema da Trindade. Conheça também este blog.

Sobre terraplanismo, clique aqui e vá até o fim do texto para encontrar mais materiais.

E sobre perfeccionismo, clique aqui e aqui.

O dia longo de Josué.

Organização ateísta mira Ben Carson por causa de estudo bíblico “secreto” na Casa Branca

ben_carsonO estudo bíblico semanal frequentado por membros do ministério do presidente Donald Trump está mais uma vez sob ataque, desta vez de uma organização ateísta. A Fundação Libertando-se da Religião (FLR) e a Cidadãos Pela Responsabilidade e Ética em Washington (CREW) estão processando o Ministério de Moradia e Desenvolvimento Urbano (MMDU), conduzido pelo ministro Ben Carson (membro ativo da Igreja Adventista do Sétimo Dia). A organização fez solicitações sob a Lei de Liberdade de Informação (LLI) para órgãos conduzidos por ministros que frequentam estudos bíblicos para ver se recursos governamentais estão sendo usados ou se funcionários dos órgãos se sentem “coagidos para organizar ou até participar no evento religioso”, de acordo com um comunicado à imprensa. Funcionários não frequentam os estudos bíblicos, que são apenas para os ministros de governo. A FLR e CREW processaram o MMDU quando deixou de não cobrar taxas por seus pedidos de LLI.

Em julho, a Rede de Televisão Cristã deu a notícia de que vários ministros de Trump estão se reunindo semanalmente para estudar a Bíblia e orar juntos. Desde então, o líder do estudo bíblico, Ralph Drollinger, fundador dos Capitol Ministries, vem enfrentando uma tempestade de ataques pessoais – apesar do fato de que ele vem conduzindo estudos da Bíblia para membros da Câmara dos Deputados e Senado dos EUA há anos.

A FLR afirma que está tentando chegar ao fundo do estudo bíblico “secreto”, junto com qualquer correspondência entre ministros de governo e Drollinger. Drollinger respondeu no Facebook, dizendo: “Em vez de processar, a FLR pode simplesmente ir ao site www.capmin.org e examinar exemplares de estudos da Bíblia que escrevo e ensino a membros de ministério, Senado e Câmara dos Deputados todas as semanas. Não há nada de segredo nisso – e todas as despesas relacionadas a estudos da Bíblia são pagas pelo Capitol Ministries, uma organização sem fins lucrativos.”

(Traduzido por Julio Severo do original em inglês da Rede de Televisão Cristã: Atheist Group Targets Ben Carson over ‘Secretive’ White House Cabinet Bible Study)

Evo Morales volta atrás e suspende novo código penal na Bolívia

evoO presidente da Bolívia, Evo Morales, decidiu suspender a implantação do novo código penal. Alvo de diversos protestos, o código criminalizava a evangelização. O anúncio foi feito neste domingo (21). As lideranças cristãs fizeram pressão para que as leis não entrassem em vigor. Outros grupos, como os jornalistas, também se manifestaram contra, já que o código feria a liberdade de expressão. Apesar da medida, Morales deve elaborar outro documento para tentar ganhar o apoio dos movimentos sociais.

(Pleno News)

Nota: Há quem creia que a mudança de planos seja resultado das muitas orações feitas por cristãos de várias religiões (90% dos bolivianos se declaram cristãos). Em pronunciamento na TV, Morales disse que tomou essa decisão “para evitar que a direita use o Código para desestabilizar o Estado”. Mas há também quem creia que tudo não passe de uma cortina de fumaça, uma vez que, como explica o amigo Marco Dourado, um dos falsos dogmas do socialismo – seja de que tipo for (nazismo, fabianismo ou marxismo-leninismo) – é o Estado ser o Ente Categórico de Razão, ou seja, a instância primeira, última e suprema a partir da qual tudo deve ser avaliado, julgado e decidido. A Bíblia revela Deus como esse Ente, por isso o cristão jamais poderá aceitar as presunções ideológicas do socialismo e, assim, será sempre um rebelde potencial em relação a esse tipo de regime. Curiosa foi a atitude (ou falta de atitude, na verdade) do papa Francisco, que esteve na América do Sul e não disse uma palavra sequer sobre a situação dos cristãos na Bolívia, assim como também não se pronunciou sobre o momento deplorável pelo qual passam os venezuelanos sob o regime de Nicolás Maduro. Francisco condenou (com razão) o feminicídio no continente, mas nada disse quanto a outras barbaridades cometidas por aqui. Será que isso se deve ao fato de que Jorge Bergoglio já afirmou que os comunistas pensam como cristãos (confira) e tem simpatia pela Teologia da Libertação? Vai saber… [MB]

Métodos de crescimento de igreja

Bíblia é vetada em projeto de remição de pena pela leitura?

presoO governador de São Paulo vetou nesta sexta-feira o trecho do projeto de lei 390/2017 que facilitava a vida de presos que quisessem diminuir suas penas com leitura da Bíblia. A ideia estava prevista no projeto assinado pela bancada evangélica da Assembleia Legislativa paulista e que trata sobre remição de pena pela leitura nos presídios do estado. No veto, publicado na edição desta sexta-feira do Diário Oficial, o governador afirma que o artigo que trata da Bíblia apresenta “inarredável inconstitucionalidade”. O artigo vetado pelo governador explicita que a Bíblia não é um único livro, mas um compilado de 66 livros, sendo 39 do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. A proposta legislativa é assinada pelos deputados estaduais Gilmaci Santos, Milton Vieira, Sebastião Santos e Wellington Moura – todos do PRB, partido ligado à Igreja Universal. O projeto de lei foi aprovado a toque de caixa pela Alesp no dia 20 de dezembro, pouco antes do recesso parlamentar.

Embora a redução de pena pela leitura não esteja expressa na Lei de Execuções Penais, a possibilidade está prevista em uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e uma portaria do Conselho da Justiça Federal. Segundo as regras, cada livro lido permite a redução de quatro dias de pena, ao limite de doze obras por ano – ou seja, até 48 dias de pena podem ser descontados por meio da leitura, por ano.

(Veja.com)

Comentário de Tulio Santos Caldeira: A Bíblia não foi excluída da possibilidade de remição da pena. O que foi vetado pelo governador foi a forma de contagem da leitura da Bíblia. O artigo vetado dizia que a Bíblia equivaleria a 66 livros e não apenas a 1. Note que juridicamente a Bíblia é válida, pois o art. 2 da lei que foi aprovada (Lei Estadual/SP n. 16.648/2018) diz:

Artigo 2º – A remição da pena pela leitura consiste em proporcionar aos presos custodiados alfabetizados a possibilidade de remir parte da pena pela leitura mensal de uma obra literária clássica, científica, filosófica ou religiosa, dentre outras, de acordo com as obras disponíveis na unidade prisional.

Veja que as obras religiosas (das quais a Bíblia faz parte) estão incluídas no programa. A única diferença é que a Bíblia só valerá para remição se lida integralmente.

Contudo, mesmo que a Bíblia não pudesse ser utilizada para a remição, ela não foi e não poderia ser proibida nas penitenciárias.

Clique aqui para ler a lei.

Nota: O título e a matéria da Veja foram, portanto, imprecisos. Quero aproveitar para lembrar que a Bíblia Sagrada é o único livro que tem poder para mudar vidas, pois aproxima as pessoas do verdadeiro Deus, aquele que efetivamente transforma os que a Ele se submetem. Basta fazer um teste: distribua exemplares de O Capital, de Karl Marx, ou de A Origem das Espécies, de Charles Darwin, para ver o que acontece. No máximo, alguns detentos se tornarão marxistas e/ou evolucionistas. Mas se, ao invés disso, você fizer o que muitas pessoas têm feito e entregar Bíblias nesses lugares, dentro de algum tempo, vidas serão transformadas, como a deste homem (confira aqui). A Bíblia é a melhor leitura que os detentos poderiam ter e deveriam ser estimulados a fazer – na verdade, que qualquer ser humano deveria fazer, sendo, assim, uma tremenda “arma pacificadora”. Apesar de tudo isso, o que deveria pautar a progressão de regime de um preso deveriam ser suas atitudes e não os livros que ele lê. [MB]

Liberdade religiosa está ameaçada na Bolívia

evo-moralesLideranças evangélicas e católicas da Bolívia estão denunciando a tentativa do presidente Evo Morales de criminalizar a evangelização. O Novo Código do Sistema Criminal boliviano, proposto em dezembro e que deve ser aprovado em breve, trouxe uma série de mudanças na legislação, visando a se conformar à visão bolivariana de sociedade. Bispos católicos e pastores de diferentes igrejas evangélicas chamam atenção ao artigo 88, que prevê com prisão de sete (7) a doze (12) anos. O problema é que seu 12º parágrafo caracteriza como crime “o recrutamento de pessoas para participação em organizações religiosas ou de culto”.

Nesta segunda-feira (8), centenas de evangélicos fizeram manifestações na capital La Paz. Além dos líderes religiosos, também protestam advogados e jornalistas. Eles denunciam que o Novo Código do Sistema Criminal acaba com a liberdade de imprensa nos artigos 309, 310 e 311, que tratam de “injúria e difamação”. Na prática, eles preveem prisão para quem fizer denúncias contra o governo e os políticos bolivianos.

O argumento central do governo boliviano é que a liberdade de expressão (seja ela religiosa ou na imprensa) é uma “concessão de Estado”. Esse é um pensamento típico das ditaduras, que aproxima mais ainda a Bolívia da Venezuela, que compartilha do mesmo ideal “bolivariano” – que nada mais é uma forma latino-americana de comunismo.

Um grupo de representantes da associação Igrejas Evangélicas Unidas revelou que fez um ato em frente ao Palácio do Governo e à Assembleia Legislativa, que deverá aprovar as mudanças propostas por Evo Morales. Eles divulgaram uma declaração na qual exigem “a revogação total do Novo Código do Sistema Criminal”.

Susana Inch, assessora jurídica da Conferência Episcopal Boliviana (CEB), disse que “há uma forte preocupação na Igreja Católica e em todas as instâncias religiosas por causa do conjunto de leis que estão gerando ambiguidades, em que os direitos fundamentais das pessoas podem ser afetados… resultando em uma perseguição injustificada”.

Segundo os pastores, o artigo 88 dá margem a interpretações de que qualquer atividade de evangelização seja criminalizada. Também dizem que isso inviabiliza o trabalho com pessoas que recebem nos centros de recuperação de alcoolismo e dependência de drogas dirigido por religiosos.

As propostas da nova lei contradizem o artigo 4 da Constituição da Bolívia, que prevê a liberdade de culto. No entendimento dos líderes religiosos, toda manifestação fora dos templos estaria sujeita à censura, o que impediria, por exemplo, retiros de igrejas, procissões ou caminhadas do tipo “Marcha para Jesus”.

Chamam a atenção também para as “restrições à realização de atividades em grupo”, contempladas na nova legislação, que poderia resultar na intromissão do governo nas atividades das igrejas, como cultos.

O pastor Miguel Machaca Monroy, presidente das Igrejas Evangélicas de La Paz, acredita que a formulação dessa lei os impedirá de pregar e evangelizar nas ruas. Por isso, eles estão fazendo uma campanha de oração e jejum em favor do país.

A liderança da Assembleia de Deus da Bolívia emitiu um pronunciamento, dizendo que o país se encontra em uma “situação de emergência, que pelo visto é gravíssima”. Os pastores também são contrários ao artigo 157, que legaliza do aborto.

(Gospel Prime, com informações de La Razón e Los Tiempos)

LEIA TAMBÉM a nota oficial divulgada pela Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo dia. Clique aqui.

Nota 1: Para os que flertam com o marxismo, duas perguntas simples: Em que países a liberdade religiosa e de imprensa está sempre mais ameaçada? Em que países o Estado interfere mais na vida dos cidadãos, ameaçando-lhes as liberdades individuais e indo contra valores e princípios bíblicos? Só pra pensar… [MB]

Nota 2: Há outro aspecto a ser considerado, destacado e ponderado por Tulio Santos Caldeira:

É importante salientar que, sim, a decisão do governo boliviano é um atentado aos direitos humanos (reconhecidos pela ONU e também pelo Tratado de San José da Costa Rica). Violações aos direitos humanos como essa são atentados à dignidade humana de grande impacto e não podem ser vistas ou tratadas com complacência. Caso a referida legislação seja de fato aprovada nesses termos e sob essa interpretação, há inequívoca violação ao direito humano de liberdade de crença, religião e expressão.  Todavia, gostaria de acrescentar outra perspectiva sobre o fato. A postura adotada pelo governo boliviano, embora violadora de direitos e absolutamente injustificável e desumana, não pode ser exclusivamente imputada a uma ideologia. É notório o atual crescimento da influência da religião nos centros de poder político (não apenas no Brasil, mas em todo o mundo). Quando a religião deixa de tratar da espiritualidade para lidar com política, poder, fundar partidos políticos, etc., ela se arvora em locais que não lhe são próprios e pode sofrer as mesmas ameaças que os políticos e os partidos sofrem.

O que quero dizer com isso é que as religiões estão sendo perseguidas na Bolívia (e em outros lugares) não necessariamente porque esses países sejam comunistas ou ateus, mas porque as religiões saíram das igrejas para formar bancadas nos Congressos e seus sermões deixaram de versar sobre fé e passaram a se tornar grandes comícios políticos, com pastores e padres que são ao mesmo tempo líderes de paridos políticos, congressistas e empresários.

A perseguição às religiões, portanto, ocorre também porque elas são uma oposição política a certas ideologias. Não são um questionamento espiritual a certas ideias, pelo contrário, são uma oposição política que quer poder político e, por isso, a ideologia atualmente no poder vê as religiões como uma oposição política a ser vencida. Por isso as religiões estarem sendo amordaçadas: não para não pregar o evangelho (tema que essas igrejas que buscam o podem deixaram de pregar há muito tempo), mas para não pregarem uma ideologia política rival à dominante.

Assim, grande parte do atual ataque à religião é fruto do abuso de algumas religiões (não todas) que deixaram de ser religiões de fato e se tornaram grandes empresas na busca de lucro e poder político (vide a bancada evangélica no Brasil e as igrejas que a finaciam).

Esse é um alerta importante, mas que mostra, por outro lado, como Deus protege seu povo, especialmente por meio dos conselhos de Ellen White que recomenda que a igreja não tenha qualquer vínculo com o Estado ou com os governos. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, inclusive, inspirada nesse ideal, prega a salutar laicidade do Estado (adotada em nossa Constituição no art. 19, I).

É pena que todas as religiões  tenham que pagar pelo erro de algumas. Mas esta é uma importante lição para nós: não devemos misturar os temas, a Bíblia não é um livro político, é a Palavra de Deus e, por isso, espiritual. Não podemos reivindicar a laicidade do Estado para proteger nossa liberdade religiosa se usamos essa liberdade abusivamente para fazer política.

Toda ação tem consequências. Quanto mais distante nossa fé e religião estiverem da política, mas segura a pureza e a utilidade de ambas estarão. A política corrompe e destrói a religião quando são misturadas. E a religião torna cega e intolerante a política, quando unidas.

O mais importante, contudo, está no fato de que a perseguição religiosa ao povo de Deus no tempo do fim não vem de uma ideologia política apenas, mas de uma ideia religiosa equivocada. Será um poder pautado em conceitos religiosos e não ideológicos que perseguirá o povo de Deus. Buscar, fomentar e fortalecer a laicidade é uma responsabilidade (já que determinado pela Constituição de nosso país), mas também uma segurança para nós que conhecemos as profecias.