Quando liberais e fanáticos fazem estragos na igreja

igrejaO inimigo realmente está irado com a igreja remanescente do Apocalipse, aquela cujos membros guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho Jesus (Ap 12:17). Se, por um lado, levantam-se alguns relativizando a lei de Deus, afirmando, por exemplo, que tanto faz o dia da semana que a pessoa escolhe santificar e que minimizam importantes (mas não centrais, evidentemente) aspectos comportamentais e até de saúde (como o consumo de cafeína), por outro, grupos dissidentes passam a competir com a igreja organizada. Se a igreja promove o lindo projeto Impacto Esperança, com distribuição massiva de livros que custam aos membros apenas um real a unidade (lá no fim vou contar como esse milagre é possível*), esses dissidentes promovem ao mesmo tempo seus impactos isso ou aquilo. Publicam seus próprios livros e acusam a igreja de distribuir literatura sem valor, negando-se ao diálogo (também vou comentar isso mais adiante**). Liberais e fanáticos remam para lados opostos, mas ambos afundariam o barco, se pudessem.

É interessante notar que relativistas e fanáticos estão nos extremos de uma mesma linha. Se uns (os liberais relativistas) desprezam os escritos de Ellen White, os outros (os fanáticos) os distorcem, descontextualizam e os apresentam sob uma falsa luz, criando até mesmo aversão a eles. Os dois grupos criam problemas e levam as pessoas a menosprezar a instituição e a igreja, o corpo que o senhor Jesus Cristo estabeleceu com Seu ministério e o apóstolo Paulo defendeu com “unhas e dentes”. Relativistas e fanáticos escrevem e agem para enfraquecer o corpo e fortalecer um ministério/negócio pessoal. Não bastassem os desafios inerentes à missão, a igreja ainda tem que lidar com as consequências do trabalho desses “desinfluenciadores” digitais inconsequentes.

A Igreja Adventista não vê com maus olhos o trabalho de ministérios de apoio. Aqui no Brasil há alguns deles, como a Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), que há mais de quatro décadas trabalha em consonância e em parceria com a Divisão Sul-Americana da IASD, e a Associação dos Médicos Adventistas (AMA), cuja missão consiste em “integrar, motivar e capacitar profissionais médicos adventistas para promover a divulgação da mensagem bíblica de saúde e a restauração da imagem divina no ser humano, contribuindo com a missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia de abreviar a volta de Cristo”. Esses ministérios não recebem dízimos e somam seus esforços aos da igreja. São orientados pelo desejo de Jesus expresso na oração registrada em João 17. Grupos que afirmam não dialogar com a igreja e que motivam o divisionismo não podem ser considerados de “apoio”.

O White Estate já disponibilizou em sites e aplicativos em várias línguas (incluindo o português) todos os escritos de Ellen White, e a Casa Publicadora Brasileira, unida à igreja na América do Sul, tem feito grandes esforços para levar os livros de Ellen ao público (como a recente campanha de venda em massa de um lindo box contendo os cinco volumes da coleção Grande Conflito por apenas R$ 15,00, ou mesmo este projeto). Mesmo assim, os críticos levantam a voz para disseminar suspeitas e maledicências.

Graças a Deus, conforme escrevi aqui, ainda há esperança para a igreja. A tempestade está forte, querem destruir sua identidade, mas Deus está à frente e a conduzirá até o fim. De igreja militante ela será triunfante, e eu quero triunfar com ela!

Michelson Borges

* Para que os livros missionários possam chegar aos membros da igreja ao preço de um real a unidade, há uma parceria entre instâncias administrativas e a Casa Publicadora Brasileira, que subsidiam a maior parte do custo de produção.

** Fui um dos autores do livro missionários do ano passado, O Poder da Esperança, e tanto eu quanto o Dr. Julián Melgosa doamos inteiramente como oferta os direitos autorais da obra. Posso garantir que o livro foi escrito com muita oração e consagração. Em todo o tempo tive bem claro em minha mente que a verdade distintiva para este tempo deveria estar presente naquelas páginas. Assim, o leitor, por meio de uma obra que o ajuda a ter mais saúde emocional, aprende também sobre a volta de Jesus, o estado do ser humano na morte, a lei de Deus e o sábado, o milênio, a nova Terra e até sobre criacionismo. Quem leu sabe do que estou falando. Quando os dissidentes dizem que os livros missionários são como “água com açúcar”, isso magoa profundamente os que estão envolvidos em todo o sério processo de produção desses materiais que têm levado tantas pessoas a Jesus e aberto muitas portas para o evangelho.

“Não baixa sobre a igreja nenhuma nuvem para a qual Deus não esteja preparado; nenhuma força oponente se tem erguido para opor-se à obra de Deus, que Ele não haja previsto. Tudo tem ocorrido como Ele predisse por meio de Seus profetas. Não tem deixado Sua igreja em trevas, abandonada, mas traçou em declarações proféticas o que havia de acontecer, e mediante Suas providências, agindo no lugar indicado na história do mundo, Ele executou aquilo que Seu Santo Espírito inspirara os profetas a predizerem. Todos os Seus desígnios se cumprirão e serão estabelecidos” (Ellen G. White, Meditação Matinal 1977, p. 16).

“Erguem-se continuamente grupos pequenos que creem que Deus está unicamente com os poucos, os dispersos, e sua influência é derribar e espalhar o que os servos de Deus constroem. Espíritos desassossegados, que desejam ver e crer constantemente alguma coisa nova surgem de contínuo, uns aqui, outros ali, fazendo todos uma obra especial para o inimigo e, todavia, pretendendo possuir a verdade. Eles ficam separados do povo a quem Deus está conduzindo e fazendo prosperar, e por meio de quem há de realizar Sua grande obra” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 1, p. 166).

Esse textos foram escritos em 1863; nessa época, sabemos que o povo que Deus estava conduzindo eram os adventistas do sétimo dia, e Ellen afirma que é por meio desse povo que Deus irá realizar Sua grande obra. Amém!

Papa aprova mudança na oração do Pai Nosso

POPE GENERAL AUDIENCEO papa Francisco aprovou oficialmente uma mudança na oração do Pai Nosso, descrita em Mateus 6:13, que substitui o trecho “não nos deixes cair em tentação” por “não caiamos em tentação”. Segundo informações do site uCatholic, o Vaticano promulgou a mudança no dia 22 de maio, durante a Assembleia Geral da Conferência Episcopal da Itália. O papa acredita que a nova versão é melhor porque a primeira tradução implica que Deus leve as pessoas à tentação, uma ação que é contra a Sua natureza como um Deus bom e santo. “Um pai não faz isso, um pai ajuda você a se levantar imediatamente”, disse Francisco sobre o versículo em questão. “É Satanás quem nos leva à tentação, esse é o departamento dele.” Durante anos, os cristãos lutaram com o significado real por trás de “não nos deixes”. Depois de mais de 16 anos de estudo, alguns pesquisadores bíblicos dizem que uma melhor tradução da escritura seria: “Não nos abandones quando formos tentados.”

O falecido teólogo Charles Spurgeon explicou durante um sermão em 1863 que a palavra “tentação” em Mateus 6:13, na verdade, contém dois significados: tanto a tentação do pecado como das provações e tribulações. Embora Spurgeon concorde que Deus não nos tenta, ele argumenta que Deus nos envia provações e situações em que a tentação para com o pecado está sempre presente.

“Deus não tenta homem algum”, disse Spurgeon. “Para Deus, tentar no sentido de atrair ao pecado [é] inconsistente com a Sua natureza, e totalmente contrário ao Seu conhecido caráter. Mas, para Deus, nos conduzir para os conflitos com o mal que chamamos de tentações não é apenas possível, mas é habitual.”

A Igreja Católica está usando a Vulgata – a tradução para o latim da Bíblia – para tentar determinar o melhor fraseado. Mas Spurgeon argumentou em seu sermão que ele acreditava que a versão original grega, que diz “não nos deixes”, é a melhor.

O Dr. Corne Bekker, da Escola de Divindade da Universidade Regent, em Virgínia (EUA), concorda com a análise de Spurgeon. Ele disse à CBN News que acredita que a grande questão é: “Qual é o propósito da tentação?”

“Deus permite que sejamos tentados, e eu acho que duas coisas acontecem: nós nos conhecemos um pouco melhor e, é claro, aprendemos que não temos nenhum recurso contra o pecado. Mas o mais importante é que conhecemos o próprio Deus. Temos que lembrar a próxima frase na oração do Pai Nosso – ‘mas livra-nos do mal’. Ele é capaz de fazer isso”, explicou Bekker.

(GuiaMe)

Nota do pastor e teólogo Eleazar Domini: Não há a expressão “deixes cair em tentação” em grego. O verbo εἰσενέγκῃς tem como forma básica εἰσφέρω e é traduzido por: trazer ou carregar, arrastar, levar, conduzir e, às vezes, pode ser traduzido por induzir, mesmo que essa não seja primariamente a melhor tradução. O termo “conduzir” ou “guiar” é mais bem traduzido. E é exatamente o que está em Mateus 6:13. Não creio que mudar o verso resolva o problema. A tradução é essa mesma, gostando o papa ou não. O que poderia ser feito é explicar o sentido pretendido por Jesus ao falar assim. O próprio verso continua dizendo: “…mas livra-nos do maligno”. Ou seja, quando o texto diz (numa tradução mais literal) “e não nos conduzas para a tentação, mas livra-nos do maligno”, mostra claramente que a tentação não vem de Deus, mas do diabo. O texto também é compatível com Mateus 4:1, que diz: “Então Jesus foi levado para o deserto, pelo Espírito, para ser tentado pelo diabo.” Não foi o Espírito Santo quem tentou Jesus, mas Ele O conduziu até lá para que fosse vitorioso; é o que podemos apreender do texto. O pedido na oração do Pai Nosso é para que Deus não nos leve a um momento assim, mas que, se eventualmente formos levados, que Ele nos livre do maligno, assim como fez com Jesus.

“Evangelho da prosperidade” não produz empreendedores de sucesso

biblia dinheiroA crença no “Evangelho da Prosperidade” – a ideia, proposta por várias denominações religiosas de matriz cristã [neopentecostais], de que Deus abençoa financeiramente os seguidores fiéis – não transforma os crentes em empreendedores de sucesso. Embora as crenças de prosperidade possam de fato alimentar valores ligados ao pensamento empreendedor, como poder e realização, os pesquisadores não encontraram nenhuma relação direta entre as crenças na prosperidade e a disposição de assumir riscos, e pouca conexão com o reconhecimento de oportunidades. Assumir riscos e identificar oportunidades são traços típicos dos empreendedores.

“Conforme revelado em nossos resultados, a crença de que Deus proporcionará benefícios financeiros aos fiéis não é suficiente para levar alguém a iniciar um negócio”, disse o professor Kevin Dougherty, da Universidade Baylor (EUA). “A relação entre as crenças de prosperidade e iniciar um negócio é indireta e inconsistente.”

Os voluntários responderam a uma escala de três itens para medir suas crenças de que a fé e o comportamento fiel levariam ao sucesso no trabalho e nos negócios. Isso incluía responder se concordava pouco, medianamente ou muito em afirmações como: “Deus promete que aqueles que vivem sua fé receberão sucesso financeiro”; “Os crentes que têm sucesso nos negócios são uma evidência da bênção prometida por Deus”; e “Eu acredito que crentes fiéis em Deus recebem benefícios financeiros reais nesta vida.” […]

Embora as crenças de prosperidade por si só tenham mostrado pouco impacto direto no empreendedorismo dos crentes, elas influenciam o impacto de valores e atitudes relacionadas à criação de um negócio. Assim, as crenças de prosperidade podem fortalecer valores típicos dos empreendedores, como a autovalorização. Por outro lado, elas parecem reduzir a relação entre a abertura à mudança e a disposição para assumir riscos. […]

(Diário da Saúde)

Nota: O tal “Evangelho da Prosperidade” não traz benefícios para ninguém, exceto para os que o pregam. Na verdade, distorce o real sentido do evangelho e transforma muitos cristãos em mercadejadores da fé. Geralmente esses pregadores torcem passagens da Bíblia para acomodá-las em sua visão mercantilista e apresentam Deus como uma espécie de gênio da lâmpada, quase obrigado a abençoar financeiramente aqueles que devolvem fielmente os dízimos e dão ofertas polpudas. Um dos verbos preferidos por eles é “determinar”. Eles vivem determinando que Deus faça isso ou aquilo. Trata-se de um péssimo testemunho aos não cristãos. Se analisarmos com atenção as histórias da Bíblia, veremos que a maioria dos seguidores de Cristo era pobre dos recursos deste mundo e todos eles não se importavam com acumulação de bens, muito pelo contrário, eram pródigos em doar e repartir. O falso Evangelho da Prosperidade é pernicioso, pois tira o foco das pessoas do verdadeiro tesouro e da herança porvir e as faz pensar mais nos tesouros passageiros deste mundo. Se a pessoa pode ou não ser abastada, isso é Deus quem sabe. Ao cristão de verdade cabe estar contente com os planos do Senhor e trabalhar honesta e diligentemente na área que escolheu ou à qual foi possível se dedicar. Que o nosso alvo seja sempre buscar em primeiro lugar o reino de Deus (Mateus 6:33). O restante do que precisamos Deus acrescenta – na medida certa para cada um. [MB]

Até a mãe de Neymar sabe o que os cristãos pós-modernos querem ignorar

lendoPelo visto, as pessoas hoje ou estão com muita incapacidade para interpretar textos, contextos e intertextos, ou se trata mesmo de moralidade distorcida com grandes pitadas de relativismo. Ontem postei aqui no blog um texto de Jonas Justiniano no qual ele analisa brevemente a atitude no mínimo contraditória da moça que marcou um encontro com o jogador Neymar em um quarto de hotel em Paris, dando origem a um escândalo sexual de proporções planetárias. No meio de uma conversa pra lá de picante, indecente e pornográfica (com direito a nudes), ela envia para ele uma música gospel, e a certa altura ambos mencionam o nome de Deus. Jonas cita Rushdoony e afirma que “a civilização ocidental está passando pelo processo bizarro de não perceber a diferença entre professar Jesus Cristo e viver uma vida profana”. Sim, é por causa dessa civilização ocidental professamente cristã que adeptos de religiões orientais, muçulmanos e outros querem distância do cristianismo, para eles sinônimo de libertinagem, intemperança, incoerência e até blasfêmia.

Resolvi tocar no assunto para fomentar uma reflexão sobre bom testemunho e coerência, afinal, Neymar é aquele que costumava erguer a camisa e mostrar frases como “100% Jesus” ou usar faixas na cabeça com a mesma inscrição. Se alguém que é 100% Jesus se envolve em bebedeiras e fornicação, imagine os cristãos que são apenas 50%… Vá explicar isso para um não cristão. Temos ou não responsabilidade em relação à religião que seguimos e promovemos?

Mas o pior mesmo foi ler os comentários a essa postagem em minha página no Facebook. Pessoas ditas religiosas vieram me dizer que eu não tenho o direito de julgar os dois “pombinhos”; que estava sendo moralista; que eu não posso julgar a religião deles pelo que fizeram, já que não conheço o coração dos amantes; que só Deus pode julgar as pessoas (e começaram a me julgar por achar que eu tinha julgado); que não é justo falar do jogador e da moça, quando há pastores pecadores por aí; que eu fui preconceituoso. Isso tudo e mais alguma coisa. De fato, não tenho o direito de julgar ninguém, mas tenho, sim, o de opinar sobre um fato amplamente divulgado – pelos próprios protagonistas, diga-se de passagem. Tenho, sim, o direito de analisar um evento e tirar conclusões e reflexões com base nele. E não se trata de preconceito, afinal, tanto o que eu escrevi quanto o que o Jonas escreveu está baseado em fatos, tratando-se, portanto, de um “pós-conceito”.

Existem pastores pecadores? Mas é óbvio, afinal, pastores são seres humanos e seres humanos são pecadores. Mas eu estava analisando uma notícia pontual de repercussão mundial, que gerou milhares de memes e inúmeros comentários – curiosamente, talvez a maioria reprovando as atitudes da moça e do moço. Mas eu, um jornalista cristão, não posso opinar nem analisar o ocorrido…

Interessante que no mesmo dia em que postei o texto do Jonas, a mãe do Neymar escreveu uma mensagem para o filho no Instagram, mostrando ter mais discernimento e sensibilidade que os cristãos pós-modernos do evangelho água com açúcar. Ela disse: “Filho, neste momento em que tudo finalmente está sendo esclarecido e a verdade de Deus está vindo à tona é hora de aprender com tudo isso e voltar para Jesus Cristo, seu primeiro amor. Ele é o único que realmente conhece seu coração, confie Nele.” A mãe do atleta ainda afirmou que por “sermos cristãos” é preciso perdoar a mulher responsável pela acusação de estupro, e concluiu: “Te amo muito e continuarei orando por você todos os dias da minha vida. Deus te abençoe… Eu te amo.”

Parabéns, sra. Nadine. A senhora realmente revelou compreensão da realidade e verdadeiro amor cristão. Não passou a mão na cabeça do filho justificando a conduta dele. Na verdade, reconheceu (e se há alguém que pode julgá-lo é você, por ser mãe) que ele está longe dos caminhos de Deus, vivendo um cristianismo incoerente e carecendo de conversão.

Diante de tudo isso, eu gostaria sinceramente que três coisas ocorressem: (1) que Neymar atendesse ao apelo da mãe e se voltasse verdadeiramente para Jesus; (2) que os cristãos pós-modernos parassem de justificar o pecado, mas aprendessem a chamá-lo pelo nome (sim, fornicação e sexo fora do casamento são pecado, bem como fazer sexo em troca de algum benefício fora do amor, independentemente do que se crê por aí; no fim das contas, todo mundo tem um conceito, ainda que mínimo, sobre o que é certo e errado; não é porque uma pessoa não chegou a determinado conhecimento que o conhecimento não existe, ou seja, para uma mente secular, sexo fora do casamento não é errado; contudo, isso não diminui a força da revelação; e (3) os internautas desenvolvessem e aprimorassem a capacidade de interpretar textos e ler mais do que apenas títulos de matérias. Leiam e releiam, se necessário, antes de abraçar apaixonadamente um posicionamento.

Ah! Nem tudo na vida é pessoal. Pode ser somente uma opinião, e nem toda opinião carrega juízo de valor. Muitas vezes é só senso crítico mesmo. E quem poderia dizer qual seria o limite entre um e outro?

Michelson Borges

“Todas as paixões do homem, se corretamente controladas e adequadamente direcionadas, contribuirão para sua saúde física e moral, assegurando-lhe grande felicidade. O adúltero, o fornicador e o incontinente não desfrutam da vida. Não pode existir verdadeira alegria para o transgressor da lei divina. O Senhor sabia disso, por conseguinte restringiu o homem. Ele dirige, ordena e positivamente proíbe. […] O Senhor bem sabia que a felicidade de Seus filhos depende da submissão à Sua autoridade, e de viver em obediência à Sua santa, justa e boa regra de governo” (Ellen G. White, Conduta Sexual, p. 100).

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Saudades do tempo que não vivi

pioneirosJá ouvi muitas pessoas dizerem algo como: “Que saudades eu tenho de Jesus.” Isso embora nunca O tenham visto pessoalmente. Um dia desses, após o culto do pôr do sol de sexta-feira, coloquei um CD antigo dos Arautos do Rei e disse para minha esposa: “Interessante… de repente, senti saudades de um tempo que não vivi.” Enquanto ouvia aquelas músicas tradicionais, comecei a pensar nas histórias de pioneirismo, fé e coragem que levantei para escrever o livro A Chegada do Adventismo ao Brasil (estou trabalhando na atualização desse livro para relançamento em breve). Difíceis viagens missionárias, reuniões campais cujo centro era a pregação da Palavra de Deus, estudos bíblicos nos lares (alguns varando a noite), reverência e senso de urgência – tudo isso era coisa comum naqueles idos.

Não posso dizer que foi mero saudosismo (até porque não tenho idade suficiente para ter vivido naqueles tempos e fui batizado em dezembro de 1991) nem estou, com essas palavras, deixando de reconhecer o crescimento e os avanços pelos quais a Igreja Adventista do Sétimo Dia passou nas últimas décadas. Em muitos sentidos, o preconceito que havia contra os “sabatistas” diminuiu bastante, graças ao maior (e respeitoso) diálogo que a igreja vem promovendo com as demais denominações e à ênfase equilibrada no assunto justificação pela fé. No entanto, fazendo um paralelo entre a igreja atual e a de “ontem”, vejo que há aspectos dos quais talvez tenhamos nos esquecido ou relegado a segundo plano e que poderíamos resgatar.

Reparadores de brechas

O profeta Isaías escreveu: “Os teus filhos edificarão as antigas ruínas; levantarás os fundamentos de muitas gerações e serás chamado reparador de brechas e restaurador de veredas” (58:12). E Ellen White registrou: “Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e mais urgente de todas as nossas necessidades”;[1] “Em visões da noite passaram perante mim representações de um grande movimento reformatório entre [não fora] o povo de Deus.”[2]

Diversas vezes, nos escritos de Ellen White, é enfatizada a necessidade de um reavivamento e uma reforma entre o povo de Deus. E a palavra “reforma”, de acordo com o Minidicionário Aurélio, significa “corrigir, restaurar, reparar”. Mas corrigir e reparar o quê? E para quê? Vamos responder à segunda pergunta com dois textos:

1. “Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus” (Amós 4:12).

2. “Estamos vivendo no período mais solene da história deste mundo. […] Nosso próprio bem-estar futuro e também a salvação de outras almas dependem do caminho que ora seguimos.”[3]

É preciso melhor motivo para uma reforma de vida? Respondamos agora à primeira pergunta: Reparar ou reformar o quê?

1. Tempo para a Bíblia e o Espírito de Profecia. A Bíblia, de acordo com Romanos 15:4, foi escrita para que tenhamos esperança. O fato de encontrarmos irmãos desanimados e insatisfeitos com sua vida religiosa revela o pouco contato que têm com a Palavra de Deus. É a leitura devocional da Bíblia e não meramente mudanças litúrgicas em nossos cultos, que vai trazer de volta o santo entusiasmo que move o cristão.

Devemos abrir a Bíblia com grande reverência. “Há minas de verdade ainda por descobrir por parte do fervoroso pesquisador. Cristo representou a verdade como sendo um tesouro escondido em um campo. Não está logo na superfície; para encontrá-lo é preciso cavar. Mas o nosso êxito em encontrá-lo não depende tanto de nossa capacidade intelectual como de nossa humildade de coração, e da fé que se apropria da ajuda divina.”[4] “Cave” nesse manancial inesgotável e viva com esperança!

Em Apocalipse 12:17 é dito que Satanás está irado com a igreja (ali representada por uma mulher virtuosa), dentre outras coisas, por ela ter o Testemunho de Jesus, que é o Espírito de Profecia (ver Ap 19:10). Mas não é a simples posse desse dom e sim a atenção que se dá aos Testemunhos que preocupa o inimigo. Afinal, o “plano de Satanás é enfraquecer a fé do povo de Deus nos Testemunhos”,[5] pois “o amor sincero à verdade e a cuidadosa obediência às instruções do Espírito de Profecia serão nossa única proteção contra os enganos do inimigo, os espíritos sedutores e as doutrinas de demônios”.

2. Temperança cristã. Temperança é comumente referida como evitar o que faz mal e usar moderadamente e com sabedoria aquilo que faz bem. Embora se dê maior ênfase à alimentação, temperança envolve todas as áreas de nossa vida: trabalho, recreação, estudos, vestuário, etc. Ellen White escreveu: “Cumpre-[nos] praticar temperança no comer, beber e vestir.”[6] “Excessiva condescendência quanto ao comer, beber, dormir ou ver, é pecado.”[7] Interessante ela mencionar aqui a intemperança quanto ao “ver”. Frequentemente pessoas que alegam não dispor de tempo para estudar a Bíblia gastam horas e horas na frente da TV ou mesmo navegando na internet…

Fica claro, portanto, que intemperança tem que ver com a satisfação nociva de qualquer apetite ou paixão.[8] Lembre-se: “A saúde deve ser tão fielmente conservada como o caráter.”[9]

Com relação à reforma alimentar, precisamos fazer decididos esforços nesse sentido. Comer somente aquilo que faz bem ao organismo, evitando, por exemplo, a carne, pois, “se a alimentação de carne foi saudável um dia, é perigosa agora”.[10] [Itálicos acrescentados.] Mas é preciso não esquecer que, “à parte do poder divino, nenhuma reforma genuína pode ser efetuada”.[11]

3. Modéstia cristã. Em 2 Timóteo 2:9 e 2 Pedro 3:3 e 4, encontramos claras recomendações com relação ao vestuário adequado ao cristão. O mundo hoje está tão saturado de sensualismo que certas modas inadequadas para os que buscam a pureza são vistas como “normais” e “toleráveis”. Qual deve ser, afinal, o parâmetro?

Uma citação do livro Testemunhos Seletos, v. 1, p. 350, pode nos ajudar: “Trajar-se com simplicidade, e abster-se de ostentação de joias e ornamentos de toda espécie, está em harmonia com nossa fé.” E o Manual da Igreja, às páginas 35 e 174, recomenda: “Embora reconheçamos diferenças culturais, nosso vestuário deve ser simples, modesto e de bom gosto, apropriado àqueles cuja verdadeira beleza não consiste no adorno exterior, mas no ornamento imperecível de um espírito manso e tranquilo. […] É ensinado com clareza nas Escrituras que o uso de joias é contrário à vontade divina. […] o uso de ornamentos de joias é um esforço para atrair a atenção, está em desacordo com o esquecimento de si mesmo que o cristão deve manifestar.”

Devemos voltar às origens nessa questão (que evidentemente também diz respeito aos homens), deitar fora todo adorno desnecessário e vestir-nos com bom gosto, simplicidade e dignidade. Isso, sem dúvida, fará muita diferença em nosso testemunho (desde que, é claro, seja a manifestação exterior de um coração genuinamente transformado).

4. Espírito missionário. Uma das facetas que mais me impressionam na igreja adventista de anos atrás é seu fervor missionário. É claro que hoje também podemos ver grandes demonstrações desse espírito entre nós, mas o envolvimento dos membros da igreja poderia ser muito maior, afinal, “todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário”.[12] Segundo dados da Divisão Sul-Americana, apenas 25% dos membros se envolvem no trabalho missionário, o que, infelizmente, está de acordo com as palavras de Ellen White, publicadas no livro Testemunhos Seletos, v. 3, p. 202: “Tem havido pouco espírito missionário entre os adventistas observadores do sábado.”

“A igreja é o instrumento apontado por Deus para a salvação dos homens. Foi organizada para servir, e sua missão é levar o evangelho ao mundo”,[13] mas “não estamos, como cristãos, fazendo a vigésima parte do que deveríamos fazer para ganhar pessoas para Cristo”.[14]

5. Reverência. A tendência atual de se realizar grandes encontros e eventos é uma forma interessante de evangelizar as grandes cidades. No entanto, as grandes concentrações têm favorecido um fenômeno típico da pós-modernidade: a busca de sensações fortes. E é isso que temos visto em algumas de nossas concentrações: cantores aplaudidos e ovacionados por plateias emocionadas e esquecidas do significado do verdadeiro louvor e do culto racional. “Do palco, é comum alguém sugerir que o público está exagerando. Mas um grupo que canta, ao som de ritmos tropicais, e pede que o público não grite nem assobie, é como dar água a quem tem sede e pedir que não beba”, escreveu Vanderlei Dorneles, na coluna “Entrelinhas”, da Revista Adventista de outubro de 2000. Para ele a pregação da Palavra deve ser o núcleo de todo evento. “Na medida em que a pregação é minimizada, a música assume o papel principal, e pode haver uma tendência para a emotividade vazia.”

Ellen White já havia constatado que “houve uma grande mudança, não para melhor, mas para pior, nos hábitos e costumes do povo com relação ao culto religioso”.[15] E, com relação ao comportamento no templo, ela diz: “Quando os crentes entram na igreja, devem guardar a devida compostura e tomar silenciosamente seu lugar. […] Conversas vulgares, cochichos e risos não devem ser permitidos na igreja, nem antes nem depois das reuniões. […] Se faltam alguns minutos […] os crentes devem entregar-se à devoção e meditação silenciosa.”[16]

Eis outra brecha que precisamos, com muita oração e ação, tapar no muro de nossas práticas religiosas.

6. A observância do sábado. No capítulo 20, verso 20 de seu livro, o profeta Ezequiel afirma que o sábado é um sinal entre Deus e Seu povo. Como tal, deve ser cuidadosa e sabiamente santificado, a fim de que seu sentido não se perca. “Devemos observar cuidadosamente os limites do sábado”[17], diz Ellen White. Minutos antes do início do sábado, toda a família deve se reunir em cânticos e leitura da Bíblia. As crianças devem participar.

Qualquer dúvida quanto a esse assunto, leia Isaías 58:12 e 13.

7. O altar da família. “Uma família bem ordenada, bem disciplinada, fala mais em favor do cristianismo do que todos os sermões que se possam pregar.”[20] Às vezes, nos dedicamos tanto ao trabalho, ou mesmo à igreja, que negligenciamos nosso papel na família. Para Ellen White, o lar deve ser uma pequena igreja que louve e glorifique ao Redentor.[21] Portanto, assim como participamos de cultos na igreja, também devemos realizá-los em nosso lar. Na verdade, a falta de atenção a essa recomendação é o que enfraquece a Igreja.[22]

Conclusão

Eu ainda ouvia as músicas dos Arautos do Rei, naquele sábado, quando me vieram à mente os textos de João 15 e Filipenses 4:13. Reafirmei para mim mesmo a promessa divina de que tudo o que precisa ser reparado na igreja de Deus vai ser feito por Ele mesmo. “Sem Mim nada podeis fazer” e “tudo posso nAquele que me fortalece”.

Oremos para que logo possamos ver essa querida Igreja reavivada e reformada, e para que possamos ser, cada um de nós, os iniciadores desse processo. Afinal, o verdadeiro reavivamento espiritual no meio do povo de Deus começa hoje, porque começa em mim.

Michelson Borges

Referências:

  1. Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 121.
  2. Testemunhos Seletos, v. 3, p. 345.
  3. O Grande Conflito, p. 601.
  4. Testemunhos Seletos, v. 2, p. 309.
  5. Testimonies, v. 5, p. 663.
  6. Medicina e Salvação, p. 275.
  7. Testimonies, v. 4, p. 417.
  8. Sign of the Times, 17/11/1890.
  9. Educação, p. 195.
  10. Testemunhos Seletos, v. 3, p. 359 – itálicos supridos.
  11. Temperança, p. 109.
  12. O Desejado de Todas as Nações, p. 195.
  13. Atos dos Apóstolos, p. 9
  14. Serviço Cristão, p. 12.
  15. Testemunhos Seletos, v. 2, p. 193.
  16. Testemunhos Seletos, v. 2, p. 194.
  17. Testemunhos Seletos, v. 3, p. 22.
  18. O Lar Adventista, p. 32.
  19. Ver O Lar Adventista, p. 323.
  20. Ibidem, p. 319.

O cristão convertido não peca?

cristao“Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” (1 João 3:9 ARC).

Será que não peca mesmo? Então a Bíblia está em contradição, pois na mesma epístola é dito: “Se dissermos que não pecamos, fazemo-Lo mentiroso [DEUS], e a Sua palavra não está em nós” (1 João 1:10 ARC).

E mais: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 João 1:8 ARC).

E agora? Percebeu o tamanho da contradição?

O que dizer, então, de homens que pecaram muito; dentre eles, Davi, Salomão, Manasses de Judá, Pedro e tantos outros santos do Antigo e do Novo Testamentos?

Ora, é fato bíblico que, infelizmente, o crente peca (Provérbios 20:9; 24:16; Eclesiastes 7:20). Tanto a realidade da presença do pecado na vida do crente quanto a nova natureza são vistas claramente na doutrina da santificação que envolve a correção de Deus (Hebreus 12:5-13). Até mesmo o rei Salomão reconheceu isso quando orava ao Senhor na dedicação do templo:

“Quando pecarem contra Ti (pois não há homem que não peque), e Tu Te indignares contra eles, e os entregares às mãos do inimigo, de modo que os levem em cativeiro para a terra inimiga, quer longe ou perto esteja, e na terra aonde forem levados em cativeiro caírem em si, e se converterem, e na terra do seu cativeiro Te suplicarem, dizendo: Pecamos, e perversamente procedemos, e cometemos iniquidade, e se converterem a Ti com todo o seu coração e com toda a sua alma, na terra de seus inimigos que os levarem em cativeiro, e orarem a Ti para o lado da sua terra que deste a seus pais, para esta cidade que elegeste, e para esta casa que edifiquei ao Teu nome; ouve então nos céus, assento da Tua habitação, a sua oração e a sua súplica, e faze-lhes justiça. E perdoa ao Teu povo que houver pecado contra Ti, todas as transgressões que houverem cometido contra Ti; e dá-lhes misericórdia perante aqueles que os têm cativos, para que deles tenham compaixão” (1 Reis 8:46-50).

Se não houvesse pecado na vida do crente, nunca haveria a correção. Se alguém que se acha crente não conhece a mão de Deus que corrige Seus filhos levando-os a ser “participantes da Sua santidade” (Hebreus 12:10), esse tal não tem razão nenhuma de se achar salvo.

Vamos entender, exegeticamente, o que na verdade o apostolo João estava dizendo em sua epístola, ao registrar que “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado”:

1. O apostolo João falava o idioma grego koiné, portanto, a respectiva epístola, assim como todo o Novo Testamento, foi escrita originalmente no idioma grego.

2. A interpretação correta do versículo em apreço é que o verbo “pecar”, por estar aqui na terceira pessoa do singular do presente do indicativo, de acordo com a gramática grega, expressa a categoria de aspecto contínuo, o que significa dizer que traduz uma noção de ação ininterrupta; e que, portanto, o que João quer dizer aqui é que todo aquele que de fato é cristão não peca continuamente, isto é, não tem um estilo de vida pecaminoso como os ímpios; e que, se peca continuamente, não é cristão, não é de fato convertido; opinião essa defendida também, com pequenas variações, por Champlin (1986, p. 258), Drummond e Morris (1990, p. 1.434), Lopes (2004, p. 86, 94) e Wiersbe (2006, p. 649), em obras de teologia sistemática.

3. O verso em analise está transcrito da edição ARC. Esse é um dos motivos de existir erros na interpretação dessa passagem; utilizar apenas essa versão da Bíblia Sagrada, e ainda criar mitos como este – de que o crente não peca, só comete “pequenas falhas” ou “faltas”, como querem alguns. Todavia, não sabem esses desavisados que, de acordo com o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, a definição da palavra “falta” (vou copiar o 5° e o 9° significados, apenas) é: 5. culpa, pecado; 9. transgressão.

4. Um bom exegeta das Escrituras Sagradas deve possuir no mínimo seis edições e traduções diferentes, para efeito de comparação, para uma melhor compreensão e interpretação.

Elencaremos abaixo o verso aludido de outras versões e traduções da Bíblia Sagrada:

“Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nEle é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (ARA).

“Todo aquele que é nascido de Deus não prática o pecado, porque a semente de Deus permanece nEle; ele não pode estar no pecado, porque é nascido de Deus” (NVI).

“Nenhuma pessoa que tem Deus por Pai permanece no pecado, porque a semente plantada por Deus está nele. Isto é, ele não pode continuar pecando, porque tem Deus por Pai” (BJC).

“Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus” (ARIB).

“Quem é filho de Deus não continua pecando, porque a vida que Deus dá permanece nessa pessoa. E ela não pode continuar pecando, porque Deus é o seu Pai” (TB).

“Todo aquele que é nascido de Deus não se dedica à prática do pecado, porquanto a semente de Deus permanece nele e ele não pode continuar no pecado, pois é nascido de Deus” (KJA).

Conclusão: o cristão genuinamente convertido peca? Sim. Mas ele pode permanecer no pecado continuamente como estilo de vida, assim como os ímpios vivem? Não! E por quê? Porque o cristão é morada do Espirito Santo que é a “divina semente” plantada em seu coração; de modo que o Espirito o conduz ao arrependimento, convencendo-o do pecado cometido.

Entendeu por que sentimos uma terrível tristeza quando pecamos contra o nosso Deus, e depois ficamos angustiados pedindo perdão? O apostolo Paulo respondeu a essa pergunta para os crentes corintianos: “Porquanto, ainda que vos contristei com a minha carta, não me arrependo, embora já me tivesse arrependido por ver que aquela carta vos contristou, ainda que por pouco tempo. Agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes dano em coisa alguma. Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2 Coríntios 7:8-10).

Douglas Pereira da Silva

Leia também: É possível ao cristão ser perfeito? e Ainda a perfeição cristã

Nota: The grammatical explanation emphasizes the fact that in this passage (and cf. 5:18) the verb ἁμαρτάνειν (“to sin”) is used in the present tense. This is taken, in a continuous sense, to mean that the person who lives in Jesus does not sin as a settled habit; he does not “keep on sinning” (niv). While occasional sin is a possibility and reality for all Christians (cf. 2:1, where the aorist tenses may suggest individual and isolated acts of sin), the genuine believer (it is claimed) cannot consistently be a sinner (so Westcott, 104, who compares John 13:10; Stott, 135–36; cf. Brown, Community, 126).
This thought is certainly in line with the teaching of the NT about Christian discipleship. Paul, for example, knew from his own experience that true believers are those who “have their minds set on what the Spirit desires” (Rom 8:6), even if at times they fall short of God’s glory (3:23). However, such an interpretation presents problems. (i) It depends on stressing artificially the continuous element in the present tense of the verb ἁμαρτάνειν (in v 6, οὐχ ἁμαρτάνει, “does not sin”; ὁ ἀμαρτάνων, “the one who sins”).

Smalley, Stephen S.: Word Biblical Commentary : 1,2,3 John. Dallas : Word, Incorporated, 2002 (Word Biblical Commentary 51), S. 159

Sobreviventes da perseguição cristã no Irã encontram apoio nos EUA

IrãNesta quarta-feira (29), pessoas de todos os estados dos EUA e de muitas partes do mundo foram ao edifício do Senado norte-americano para pressionar os membros do Congresso e o presidente a apoiar a causa contra a horrível perseguição de cristãos e outras minorias religiosas na República Islâmica do Irã. De acordo com o Breitbart News, pastores, legisladores e sobreviventes do encarceramento na infame Prisão de Evin, em Teerã, se revezaram no pódio contando histórias de medo, isolamento, tortura e até sobre mortes. Mas uma mensagem de esperança prevaleceu, quando pessoas testemunharam que apesar dos maus-tratos por causa de sua fé, sentiam que Deus estava no controle, e reivindicavam um futuro em que a liberdade de adorar como um direito universal fosse possível. “A maior liberdade para a espécie humana é a liberdade de poder ter um relacionamento com Deus, o Todo-poderoso, sob os termos e condições que escolherem”, disse o conferencista Bill Johnson no evento.

Também estavam presentes no evento Maryam Rostampour e Marziyeh Amirizadeh. Elas nasceram e cresceram no Irã e disseram que, quando meninas, foram forçadas a estudar o Alcorão na escola, a usar roupas prescritas e rotineiramente cantar “morte para a América” e “morte para Israel”. As duas se tornaram cristãs e se conheceram em uma conferência cristã na Turquia. Quando retornaram ao Irã, estavam determinadas a compartilhar o evangelho de Jesus Cristo com amigos, vizinhos e estranhos. Antes de serem presas por espalhar “propaganda cristã” em 2009, distribuíram cerca de 20 mil Novos Testamentos no Irã.

E mesmo quando elas foram presas e forçadas a viver em celas pequenas, dormindo sob cobertores cobertos de urina e enfrentando ameaças diárias de que a sentença a ser executada por enforcamento poderia acontecer a qualquer momento, as duas mulheres encontraram esperança e propósito de vida. Elas disseram que muitas outras companheiras de cela eram mulheres sem família, prostitutas e outras que não tinham apoio algum no mundo exterior. “Foi então que percebemos que Deus tinha um propósito para nos enviar para aquele lugar sombrio. Então, em vez de orar pela nossa libertação, começamos a orar por essas mulheres na prisão. O que o inimigo planejou para o mal, Deus o tornou em bem”, disse Rostampour. “Hoje, damos toda a glória a Jesus que nos salvou do governo iraniano. Acreditamos que estamos livres e vivas hoje por causa do poder de Jesus e Seu milagre”, disse Amirizadeh.

Após 259 dias de cativeiro, elas foram libertas. A reputação dessas mulheres, de ajudar os outros, levou a notícia do sofrimento delas muito além dos muros da prisão. Chegou aos ouvidos de autoridades nos Estados Unidos e outros órgãos de direitos humanos internacionais. Estes pressionaram o governo iraniano a libertá-las. Elas acabaram indo para a Turquia e, em seguida, foram convidadas a se refugiar nos EUA.

Rostampour e Amirizadeh estão nos EUA há mais de uma década, mas não pararam de tentar ajudar seus companheiros iranianos que enfrentam um tratamento desumano sob o regime iraniano. Elas escreveram um livro sobre suas experiências e foram a Washington DC dizer aos legisladores para manterem a pressão sobre o governo iraniano, para que parem de perseguir cristãos, pessoas da fé Baha’i e outras minorias religiosas.

Rostampour, Amirizadehe e outros cristãos falaram com parlamentares, representantes de organizações não-governamentais, grupos de reflexão e defensores da liberdade religiosa, incluindo Sam Brownback, embaixador-geral dos EUA para Liberdade Religiosa Internacional, e Tony Perkins, presidente do Centro de Pesquisa da Família e comissário da Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF).

“Nossa oração é que, ao invés de impedir que pessoas comuns, incluindo cristãos perseguidos, entrem nos EUA, os políticos americanos pressionem mais as autoridades do governo iraniano e suas famílias que vivem livremente em países democráticos como os Estados Unidos e o Canadá”, disse Amirizadeh. “Poucas coisas são mais poderosas do que destacar as histórias de dissidentes, daqueles que são perseguidos”, disse o senador Ted Cruz, que também participou do evento. “Eu fui ao Senado para destacar os dissidentes enfrentando a tirania, resistindo à opressão. Porque simplesmente trazer à luz e contar suas histórias faz com que os tiranos temam as repercussões”, disse Cruz.

Cruz disse que o presidente Ronald Reagan o inspirou renomeando a rua em frente à embaixada russa em Washington como Rua Sakharov, um dissidente antissoviético. “Pare e reflita no poder disso. Toda vez que alguém quer escrever para a embaixada russa, precisa escrever o nome do dissidente”, disse Cruz.

O senador propôs o mesmo tipo de legislação para renomear a praça onde a embaixada chinesa em Washington está localizada como Rua Liu Xiaobo, que foi o vencedor do Prêmio Nobel da Paz chinês e morreu sob circunstâncias misteriosas, na custódia do Partido Comunista em 2017. O projeto foi aprovado pelo Senado por unanimidade, mas ainda não foi posto em prática.

Os palestrantes do evento compartilharam estatísticas sobre a extensão da perseguição cristã em todo o mundo, incluindo o relatório Christian World Watch Monitor, que informa que em 2016 cerca de 193 cristãos foram presos no Irã.

A organização Portas Abertas informou que 1 em cada 9 cristãos em todo o mundo experimenta altos níveis de perseguição, e que em 8 dos 10 países em que os cristãos sofrem severa perseguição a opressão está diretamente ligada à opressão islâmica. “Aqui nos EUA, temos a responsabilidade de receber os cristãos de todo o mundo. E fazer o que pudermos para mantê-los fora de perigo. E dar-lhes a oportunidade de experimentar o mesmo tipo de liberdade que temos aqui”, disse Bill Johnson.

De acordo com Hormoz Shariat, presidente do Ministério iraniano Vivo, apesar da perseguição, a fé cristã não está sendo extinta no Irã. Shariat se converteu do islamismo ao cristianismo nos anos 1980 e passou décadas ajudando seus companheiros cristãos no país. “No Irã, a norma é que, se alguém se converter a Cristo, é muito provável que os membros de sua família também se convertam. Porque o cristianismo tem uma imagem muito positiva no Irã, mais positiva que o Islã. Você acredita nisso?”, disse Shariat.

Shariat informou também que o Irã tem a população evangélica que mais cresce no mundo. Muçulmanos aos milhões estão rejeitando o Islã e estão abertos à mensagem do evangelho de Cristo.

(Conexão Política)

Nota do jornalista e ex-editor Ivacy Oliveira: “Insisto que esse tipo de reação deve atingir todos os governos muçulmanos, entre outros, que não respeitam qualquer outro grupo religioso. Não se trata de combater o Islã, mas exigir respeito e reciprocidade com relação a outras religiões. Os governos ocidentais devem isso aos seus cidadãos. Contudo, preferem continuar numa relação adulterina de interesses comerciais.”