O criacionismo e o novo espetáculo paralelo de Satanás

fumaçapor Michelson Borges

Em meados do século 19, Deus despertou pessoas em várias religiões com uma mensagem de advertência ao mundo: Jesus estava voltando e Seu juízo era iminente. Homens e mulheres sinceros e dedicados a Deus se puseram a estudar a Bíblia. Nos Estados Unidos, o ex-deísta e pregador batista William Miller foi figura de destaque. No Chile, o padre jesuíta Manuel Lacunza escreveu um livro sobre a volta de Jesus. Na Europa também houve os que tiveram a atenção voltada para as profecias apocalípticas. O mundo (especialmente a América) experimentou um verdadeiro reavivamento espiritual. Multidões aguardavam com expectativa a segunda vinda de Cristo (de acordo com a revista Reader’s Digest, cerca de um milhão de pessoas, só nos Estados Unidos, que na época tinham uma população na casa dos 17 milhões). O estudo das profecias de Daniel levou os mileritas (como ficaram conhecidos os seguidores de Miller) a concluir corretamente que algo especial ocorreria em 22 de outubro de 1844. Eles acertaram a data, mas erraram o evento. E disso decorreu grande decepção – o evento que passou para a história como o Grande Desapontamento de 1844.

Jesus não voltou, como os mileritas esperavam, mas dessa decepção Deus fez surgir um grupo de cristãos que, em lugar de abandonar a fé ou voltar às suas antigas denominações religiosas, tomou a decisão de se voltar para a Bíblia em busca de mais esclarecimento. Oraram fervorosamente pedindo ajuda ao Espírito Santo, e o Senhor não os desapontou. Aos poucos esse grupo de crentes foi descobrindo verdades preciosas, como a de que em 22 de outubro de 1844 Jesus iniciou o juízo investigativo no santuário celestial, conceito desconhecido dos cristãos até então. Redescobriram também a verdade do descanso sabático e de que o sábado do quarto mandamento da eterna lei de Deus é o memorial da criação. Encheram-se de esperança ao constatar que Jesus vai voltar, sim, embora não saibamos quando, e que nessa ocasião Ele ressuscitará os santos que “dormem” inconscientemente no pó da terra. Esse grupo de adventistas, que mais tarde seria organizado com o nome de Igreja Adventista do Sétimo Dia, percebeu que é importante realizar e promover a reforma de saúde, a fim de que corpo e mente estejam nas melhores condições possíveis para servir ao próximo; perceberam que no grande conflito entre o bem e o mal é vital ter uma mente clara para compreender as Escrituras e se conectar com o Céu (saiba mais sobre essa história aqui).

No texto de Apocalipse 14:6 e 7, esses cristãos viram uma verdadeira diretriz de trabalho: “Vi outro anjo, que voava pelo céu e tinha na mão o evangelho eterno para proclamar aos que habitam na terra, a toda nação, tribo, língua e povo.
Ele disse em alta voz: ‘Temam a Deus e glorifiquem-nO, pois chegou a hora do Seu juízo. Adorem aquele que fez os céus, a terra, o mar e as fontes das águas.’”

Compreenderam que esse anjo representa um povo que deve proclamar ao mundo o evangelho imutável (eterno), que traz, além da mensagem de graça e salvação, o aviso do juízo e o convite à adoração do Deus verdadeiro, aquele que criou o Universo. Não um Deus qualquer, mas aquele que na Bíblia é identificado como o Criador. Para não deixar dúvidas quanto à identidade desse Deus que deve ser respeitado e adorado, o apóstolo João utilizou praticamente a mesma fraseologia do mandamento do sábado: “…porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e ao sétimo dia descansou” (Êxodo 20:11).

Conforme destacam autores acadêmicos e estudiosos do assunto, com o adventismo (em especial com os escritos da pioneira adventista Ellen White e do escritor e pesquisador George McCready Price) renasceu também o criacionismo, ou seja, a defesa com base na Bíblia e na ciência de que Deus criou o Universo e a vida; que Ele preparou em seis dias literais consecutivos de 24 horas a Terra para ser habitada por seres vivos inteligentemente desenhados. Essa mensagem, essa redescoberta foi tão poderosa, que criou uma verdadeira trincheira contra os avanços do darwinismo e do neoateísmo iluminista pós-Revolução Francesa. É claro que o diabo não gostou nada disso.

Podemos chamar de “espetáculo paralelo” os esforços empreendidos pelo inimigo do Criador no sentido de ofuscar o despertamento criacionista do século 19. Satanás é especialista em levantar “cortinas de fumaça”, e foi exatamente o que ele fez. Num raio de cerca de dez quilômetros a partir da fazenda de Hiram Edson (o pioneiro adventista que primeiro compreendeu a verdade relacionada com o santuário celestial e o início do juízo investigativo), em Clifton Springs, estado de Nova York, surgiram também o espiritismo moderno (em 1848, na casa da família Fox, em Hydesville), o mormonismo (em 1827, com o encontro de Joseph Smith com o espírito chamado Moroni, em Palmyra) e a comunidade religiosa vegetariana, perfeccionista e polígama de Oneida (em 1848, liderada por John Humphrey Noyes, que pregava o “casamento complexo” ou “matrimônio grupal”, em que todo mundo estava disponível para todo mundo). Depois de algum tempo, autoridades locais decretaram o fim da comunidade de Oneida e Noyes fugiu para o Canadá. Em 1844, o também polígamo Joseph Smith foi assassinado enquanto tentava fugir da Cadeia de Carthage.

Com tantos pregadores e movimentos exóticos, seria fácil considerar os adventistas e sua profetisa também falsos e fanáticos. E o “espetáculo paralelo” não se limitou àquela região dos Estados Unidos. No mesmo ano em que nasceu o espiritismo moderno e foi fundada a comunidade Oneida, veio à luz o Manifesto Comunista de Friedrich Engels e Karl Marx (os dois se encontraram pessoalmente em 1844). Em 1859, foi publicado o livro A Origem das Espécies, cujo rascunho começou a ser escrito exatamente em 1844. Resumindo: uma avalanche de maus testemunhos, distorções doutrinárias e ideologias concorrentes.

O tempo passou, cada lado desse conflito prosseguiu com seus planos e projetos (frequentemente os filhos das trevas sendo mais prudentes e espertos que os filhos da luz [Lucas 16:8]), e eis que, no século 21, todas aquelas “cortinas de fumaça” ressurgiram com força, mais variadas, e se tornaram uma fumaceira gigantesca graças aos modernos meios de comunicação. Quer exemplos?

  1. Ideologia de gênero e poliamor. De acordo com a visão criacionista bíblica, Deus criou um homem e uma mulher para viverem uma relação de compromisso heteromonogâmica. Na comunidade Oneida ninguém era de ninguém, e a ideologia marxista tem o mesmo pensamento em suas bases. Atualmente, pregar a heteronormatividade e a santidade do casamento bíblico é um convite ao escárnio, a receber a alcunha nada elogiosa de “fundamentalista”. Mas aqueles que creem na literalidade do primeiro capítulo da Bíblia não podem interpretar o casamento de outra forma.
  1. Espiritualismo e ufologismo. Graças à poderosa indústria cultural (especialmente a de Hollywood), ideias como reencarnação, contato com os mortos, com espíritos e com extraterrestres são cada vez mais populares e aceitas. Na base dessas coisas está o pensamento de que o ser humano é imortal, pode evoluir ou será ajudado por seres mais evoluídos de “outros planos”. Deus é desnecessário – do jeito que o diabo gosta.
  1. Darwinismo e socialismo. Embora pareça aos menos atentos que essas ideologias nada têm que ver uma com a outra, elas são como unha e carne. O próprio Marx escreveu que o darwinismo representa “o fundamento natural” da sua teoria. Amplamente divulgados nos meios acadêmicos e pela mídia, o darwinismo e o socialismo criaram um ambiente cultural favorável à relativização das verdades bíblicas (e até da rejeição delas) e ajudaram a colocar Deus de lado, afinal, a humanidade está destinada à evolução – biológica e social.
  1. Veganismo e vegetarianismo. O adventismo ajudou a resgatar o conceito de “reforma de saúde”. A relação do ser humano com Deus é o foco, e a inspiração para uma vida tão ideal quanto possível sempre vem do primeiro capítulo da Bíblia, que nos ensina também sobre a boa relação de uns com os outros, com os animais e com o planeta. O guardador do sábado é convidado semanalmente a se lembrar dessas coisas. O veganismo tem traços de darwinismo e prioriza o bem-estar dos animais e a preservação da “mãe Terra”. Enquanto alguns veganos consomem cafeína e álcool, por exemplo, deixam de usar artigos de couro e mel, pois vêm de fontes animais. Campanhas veganas se valem de nudismo e de discursos de ódio contra os carnívoros, atraindo desprezo e aversão. O vegetarianismo pregado pelos adventistas tem outros fundamentos e propósitos.
  1. Perfeccionismo. O âmago da terceira mensagem angélica é a doutrina da justificação pela fé, ou seja, dependência total de Deus, especialmente no que diz respeito à salvação. O perfeccionismo religioso vai na direção oposta e ensina que o ser humano pode ser perfeito e imaculado com base em seus esforços por cumprir a lei de Deus (publicamente eles dirão que não é assim, mas na prática as coisas são diferentes). O espírito perfeccionista de Oneida ressurge e alguns hoje se sentem tão inadequados para viver entre os “mundanos” que decidem se afastar de todos, mantendo uma vida ascética e, no fundo, considerando-se espiritualmente superiores. No tempo dos pioneiros adventistas, o movimento da “Carne Santa” representa bem esse tipo de insanidade.
  1. Pseudociências. O criacionismo é a união coerente entre a boa teologia bíblica e a boa ciência. Estudando os dois livros de Deus – a Bíblia e a natureza –, os criacionistas podem restaurar o verdadeiro conhecimento a respeito do Criador e de Suas obras. Ciente do poder desse modelo conceitual, o inimigo vem alcançando sucesso em pleno século 21 com a disseminação de conceitos pseudocientíficos como a ideia da Terra plana e as campanhas contra a vacinação, para mencionar apenas dois exemplos, geralmente relacionados (porque conspiracionistas adoram conspirações). Relacionando o terraplanismo e a antivacinação com o criacionismo bíblico, os defensores dessas ideias atraem o escárnio, mais ou menos como faziam Smith, Noyes e outros.

Percebeu por que precisamos, mais do que nunca, clamar pelo poder do Espírito Santo e, como os pioneiros, enfrentar o erro com a força da verdade? Precisamos estudar atenta e profundamente a verdadeira ciência e a Bíblia Sagrada, a fim de dar ao mundo a mensagem correta, que instrui, desperta e salva.

O diabo é o pai da mentira. Vamos derrotá-lo com a verdade, ao lado do Senhor da verdade!

(Michelson Borges é pastor, jornalista, escritor, especialista em Teologia e pós-graduando em Biologia Molecular)

O complô dos Estados Unidos para derrubar o papa Francisco

papa“Para mim, é uma honra que os norte-americanos me ataquem”, disse o papa Francisco quando o jornalista francês Nicolas Senèze, correspondente do diário católico La Croix em Roma, mostrou a ele o livro-reportagem sobre o complô estadunidense contra o seu papado, durante a viagem de avião que os levou a Moçambique. O título da obra é Como a América Atua para Substituir o Papa (o título original é Comment l’Amérique Veut Changer de Pape). Os detalhes desse complô e os nomes dos protagonistas e dos grupos envolvidos estão claramente expostos nas páginas do livro, que descrevem, desde o seu início, a mecânica da hostilidade contra o papado atual. O operativo tem até o nome de “Relatório Chapéu Vermelho” (“The Red Hat Report”). Um círculo preciso que move dinheiro e influência e é organizado pelos setores ultraconservadores e de mega milionários dos Estados Unidos. As peças desse jogo de calúnias e poder se encaixam em um complexo quebra-cabeças, que os adversários do pontífice vêm armando nos últimos anos. O golpe começou a ser fomentado em Washington, no ano de 2018. O grupo de ultraconservadores se reuniu na capital norte-americana para fixar duas metas: atingir a figura de Francisco da forma mais destrutiva possível e adiantar sua sucessão, para escolher, entre os atuais cardeais, o mais adequado aos interesses conservadores.

O “Relatório Chapéu Vermelho” foi organizado por um grupo de ex-policiais, ex-membros do FBI (Departamento Federal de Investigações dos Estados Unidos), advogados, operadores políticos, jornalistas e acadêmicos que trabalharam no estudo da vida e das ideias de cada um dos cardeais, com o fim de destruir as carreiras dos que não interessam, ou beneficiar as daqueles que pretendem impor como substituto de Francisco, quando chegue o momento oportuno. E enquanto esse momento não chega, o grupo busca preparar o terreno para o que Senèze chama de “um golpe de Estado contra o papa Francisco”.

Em uma manhã de 2017, Roma amanheceu coberta com cartazes contra o papa. Foi o primeiro ato da ofensiva: o segundo, e certamente o mais espetacular, aconteceu em agosto de 2018, quando, pela primeira vez na história do Vaticano, um cardeal tornou pública uma carta exigindo a renúncia de Francisco. O autor foi o monsenhor Carlo Maria Vigamo, ex-núncio do Vaticano nos Estados Unidos. O correspondente do La Croix no Vaticano detalha a odisseia maligna desse grupo de poder em sua missão por tirar do caminho um papa cujas posições contra o neoliberalismo, contra a pena de morte, a favor dos imigrantes e sua inédita defesa do meio ambiente através da encíclica Laudato Si promove uma corrente contrária à desses empresários. Os conspiradores não têm nada de santos: são adeptos da teologia da prosperidade, possuem empresas ligadas ao mercado financeiro e de seguros, e estão envolvidos até com a exploração da Amazônia. Francisco é uma pedra em seus sapatos, uma cruz sobre suas ambições. [Na verdade, há pecados e interesses obscuros dos dois lados.]

Segundo Senèze, organizações de caridade como “Os Cavaleiros de Colombo” (que possuem cerca de 100 bilhões de dólares, graças às companhias de seguros que administram), o banqueiro Frank Hanna, a rede de meios de comunicação Eternal World Television Network (EWTN), cujo promotor (o advogado Timothy Busch) também é criador do Instituto Napa, que tem a missão de difundir “uma visão conservadora e favorável à liberdade econômica”, estão entre os membros mais ativos do complô. Mas também há outros, como George Weigel e seu famoso think tank, o Centro de Ética e Política Pública. No diálogo com o jornal argentino Página/12, Senèze fala sobre a trama que, apesar do seu poder, ainda não foi capaz de derrubar o papa.

Parece uma história de novela, mas é uma história real. O papa Francisco foi e é objeto de uma das campanhas mais densas já vistas contra um sumo pontífice.

Nicolas Senèze: O papa Francisco não serve aos interesses desse grupo de empresários ultraconservadores, e por isso decidiram atacá-lo. Atuam como se fosse o conselho de administração de uma empresa, quando se despede o diretor porque ele não alcançou os objetivos desejados. Essa gente conta com enormes recursos financeiros, e mesmo assim, durante o mandato de Francisco, não conseguiram influenciar sua linha de pensamento. Por isso, começaram a se aproximar de pessoas de dentro da Igreja que também estão contra Francisco. Algumas delas, como o monsenhor Vigamo, chegaram a exigir publicamente sua renúncia. Creio que esse grupo de ultraconservadores superestimaram suas forças. O monsenhor Carlo Maria Vigamo, por exemplo, não calculou a lealdade das pessoas dentro do Vaticano, que não estavam dispostas a trair o papa, mesmo as que são críticas de Francisco.

A operação que organiza o “Relatório Chapéu Vermelho” tinha dois objetivos, um para agora e outro para o futuro.

Efetivamente. Como não puderam derrubar o papa, tentam agora uma nova estratégia. Francisco tem 84 anos, e podemos pensar que estamos perto do fim do seu pontificado. O que estão fazendo é preparar o próximo conclave. Para isso, estão investindo muito dinheiro, contratando ex-membros do FBI para preparar dossiê sobre os cardeais que participarão da eleição. O primeiro objetivo é destruir aqueles que têm a intenção de continuar as reformas aplicadas pelo papa Francisco. Depois, buscar um substituto adequado aos seus interesses. O problema dessa meta é que, ao menos até agora, eles não contam com nenhum candidato verosímil. Não será fácil para eles. Entretanto, podem ir bem no trabalho de arranhar a credibilidade dos candidatos reformistas e, dessa forma, podem levar à eleição de um reformista fraco e manipulável, que ceda à pressão em favor de desmontar as reformas de Francisco. Para isso, contam com muito poder econômico e influência. Creio profundamente que a maioria dos católicos norte-americanos respalda o papa Francisco. Mas nos Estados Unidos a quantidade não basta. O que fala mais alto é o fator dinheiro.

Esses grupos já existiam antes, mas nunca atuaram com tanta força.

São empresários com enormes meios à sua disposição. Cada um deles foi criando seu grupo de reflexão dentro da Igreja, sua escola de teologia, sua universidade católica, sua equipe de advogados para defender a liberdade religiosa. É uma nebulosa operação, que funciona mediante uma rede de instituições privadas, e que chegou para dominar o catolicismo norte-americano. São, por exemplo, aqueles que doaram muito dinheiro para ajudar as dioceses estadunidenses que tiveram que pagar enormes indenizações após a revelação dos casos de abuso sexual. Por isso, podem impor uma direção ideológica a essas dioceses. Por exemplo, Tim Busch está presente em todas as etapas dessa montagem. Para proteger poderosos interesses econômicos na Amazônia, esses grupos usam toda a sua força para desviar a atenção e evitar, assim, a promoção de ideias em defesa da ecologia. Trabalham sempre para distrair a atenção dos debates fundamentais. Por exemplo, nos sínodos, buscam impor seus pontos de vista, ou seja, seus interesses.

E como um grupo tão poderoso pôde deixar que Francisco fosse eleito papa?

Não perceberam que isso ocorreria, porque a eleição de Francisco foi resultado de uma dinâmica que envolveu outras necessidades: este papa foi eleito devido à crise no seio da instituição, graças à vontade dos bispos do mundo inteiro de recuperar a imagem após anos de problemas gerados por erros do passado, que levaram, por exemplo, à omissão diante dos casos de abuso sexual. Bergoglio se impôs porque era o mais disposto a reformar essa Igreja. Mas sua ideologia choca com a visão que os católicos ultraconservadores dos Estados Unidos têm sobre qual é o papel da Igreja. Além disso, outro ingrediente próprio do catolicismo estadunidense é o desprezo dos católicos brancos pelos latinos. O setor conhecido pela sigla WASC (“white anglo saxon catholics”, ou “católicos brancos anglo-saxões”) odeia os latinos, os considera pobres fracassados. Os WASC são muito influenciados pela teologia da prosperidade difundida pelos evangélicos.

Donald Trump atua nesse jogo?

Não creio que Trump tenha muitas convicções próprias. Ele certamente os escuta, mas quem tem mais proximidade com esse setor é o vice-presidente Mike Pence. As diferenças entre Washington e o Vaticano são muitas: o tema da pena de morte, a postura de Francisco contrária a um liberalismo fora de controle, entre outras. O papa é hoje um dos principais opositores aos fundamentos do poder econômico dos Estados Unidos.

(Página/12, via Carta Maior)

Nota: Após a renúncia de Bento XVI (veja aqui), o papa Francisco foi o líder carismático ideal para recuperar a imagem da Igreja Católica, arranhada por tantos casos de corrupção, abusos e pedofilia (veja aqui). Francisco tem cumprido sua missão, costurado alianças com protestantes e muçulmanos, promovido como nenhum outro o ECOmenismo, mas é inegável que ele tem uma agenda esquerdista (vou gravar em breve um vídeo sobre o preocupante Sínodo da Amazônia), não alinhada com os interesses da poderosa direita religiosa norte-americana. Talvez o único ponto de convergência desses dois lados opositores seja o descanso dominical, que atenderá aos interesses dos evangélicos dominguistas norte-americanos (veja este vídeo) e também aos interesses dos eco-religiosos pautados pela carta apostólica Laudato Si, igualmente defensora do descanso dominical. Um maior alinhamento de Francisco ou mesmo a possível eleição de um novo papa conservador mais alinhado aos Estados Unidos e que surfe na onda ecológica agigantada por Francisco só tornaria ainda mais claro o cenário profético que antecede o decreto dominical e a volta de Jesus. Quem viver verá. [MB]

Spoiler da Lição: Amar a misericórdia

Para Zacharias e Craig, igrejas precisam de mensagem sólida e menos emocionalismo

ravi[Dois dos maiores apologetas cristãos da atualidade, a quem muito admiro, Ravi Zacharias e William Lane Craig, fizeram sérias afirmações recentes quanto à condição das igrejas. Creio que vale a pena refletir no que ambos disseram e tomar providências a respeito:]

Algumas igrejas estão perdendo pessoas porque falharam em pregar o “verdadeiro evangelho” e estão apenas oferecendo “momentos de bem-estar”, afirmou o apologista Ravi Zacharias. Falando à Fox News, ele disse que, embora os evangélicos “tivessem crescido em número”, as principais igrejas estão lutando porque estão se afastando da mensagem principal da Bíblia. “Alguns dos líderes perderam números, e deveriam ter perdido números, porque perderam a mensagem”, disse ele. “Se você perdeu o verdadeiro Evangelho, as pessoas vão dizer: ‘Por que estou vindo para cá? Esta é uma sociedade ética ou um momento de bem-estar no domingo de manhã?’”, analisou. Ele disse que as igrejas em crescimento são aquelas “onde a mensagem do Evangelho de Jesus Cristo está sendo entregue aos jovens e àqueles que estão pensando seriamente sobre o que é a vida”.

O orador e autor popular continuou dizendo que houve uma mudança no debate em torno da fé nas últimas décadas, de Deus existir ou não, para questões “mais existenciais”. “Todas as perguntas que você faz só podem ser respondidas depois de encontrar a resposta para a primeira pergunta: Por que você realmente existe”, disse ele. “E quando você encontrar esse relacionamento com Deus através de Jesus Cristo, como eu acredito, todas as outras perguntas serão justificadas e as respostas virão”, declarou.

Outra mudança, observou ele, foi provocada pela chegada da tecnologia e da mídia social, com as pessoas cada vez mais “vivendo na frente da tela e perdendo relacionamentos”, apesar de terem mais opões do que nunca para se comunicar. “[As] perguntas estão ficando cada vez maiores e a alma está ficando cada vez mais vazia”, ​​disse ele.

Uma pesquisa recente revelou que, para jovens americanos, a religião é cada vez mais irrelevante. O estudo dos valores mais estimados pelos americanos, feito pelo Wall Street Journal e pelo NBC News, descobriu que entre os 24 anos ou menos apenas um terço considerava que a religião era importante para eles, em comparação com mais da metade da geração Baby Boomer. Muito mais importante para os jovens americanos era a comunidade e a tolerância.

(GuiaMe)

craigWilliam Lane Craig é, provavelmente, o mais influente filósofo cristão da atualidade. Debatedor hábil, autor profícuo e pensador rigoroso, ele faz parte de uma geração que conseguiu recolocar a discussão a respeito de Deus sobre a mesa nas faculdades de filosofia. Ao mesmo tempo, ele acumula milhões de visualizações com seus vídeos no YouTube. “Estou feliz por debater com o doutor Craig, o apologista cristão que parece colocar o temor de Deus em algum de meus colegas ateus”, disse Sam Harris, um dos chamados “quatro cavaleiros do ateísmo”, ao iniciar um debate com Lane Craig em 2011. O filósofo americano, que acaba de completar 70 anos, é doutor pelas universidades de Birmingham, na Inglaterra, e de Munique, na Alemanha. Além disso, leciona na Universidade Biola, na Califórnia, e na Universidade Batista do Texas. Ele conversou com a Gazeta do Povo por e-mail. [Leia a seguir trechos da entrevista.]

A crença em Deus parece estar em declínio acelerado em todo o mundo desenvolvido, especialmente em países onde as pessoas têm mais acesso ao ensino superior. Por quê?

Isso não é verdade, como o exemplo dos Estados Unidos mostra claramente. A nação mais rica e poderosa no mundo hoje também é a nação com o maior número de cristãos e é a sociedade mais evangelizada da Terra. Vinte e dois por cento dos evangélicos do mundo vivem nos Estados Unidos, e a vitalidade, diversidade e tamanho das organizações e atividades cristãs aqui são quase indescritíveis.

Os Estados Unidos foram o principal veículo para levar o Cristianismo ao resto do mundo no último século: 35% dos missionários do planeta são dos Estados Unidos e 76% das contribuições financeiras de evangélicos vêm dos Estados Unidos. Mesmo na Europa, a situação não é tão óbvia. Um estudo feito pelo sociólogo Egbert Ribberink, da Universidade Erasmus de Roterdã, na Holanda, revelou que, em países predominantemente seculares, o ateísmo atrai principalmente as pessoas com menos educação, enquanto pessoas com nível educacional mais elevado tendem a ver o ateísmo como algo muito raso e militante. Assim, Ribberink conclui que a visão de que a crença religiosa é irracional e morre assim que as pessoas adquirem uma mentalidade mais científica “não se coaduna com os nossos resultados”. […]

As igrejas evangélicas têm crescido de forma impressionante no Brasil, geralmente atraindo membros da grande população de católicos nominais. Ao mesmo tempo, muitas dessas novas igrejas não parecem ter uma teologia sólida, enfatizando aspectos emocionais ou materialistas da religião. Você vê nisso uma ameaça grave ao Cristianismo tradicional?

Considero o chamado “evangelho da saúde e da riqueza” uma série ameaça ao Cristianismo no Brasil, já que ele é uma distorção terrível do Cristianismo bíblico. Portanto, estou determinado a fazer tudo o que posso para trazer recursos educacionais para os cristãos no Brasil poderem oferecer treinamento em doutrina cristã e apologética. Alguns dos meus livros foram traduzidos para o português no Brasil e nós criamos uma versão em português de todo o nosso website, assim como da nossa página do Facebook e nossos vídeos no YouTube. Ao longo deste século, o Brasil está destinado a emergir como uma força geopolítica e cultural e é importantíssimo que os cristãos do Brasil estejam à altura do desafio.

Você teme que focar demasiadamente nos aspectos racionais da fé pode acabar afastando as pessoas da necessidade de uma experiência pessoal e genuína com Deus?

Não, eu não acho, porque a balança tem pendido muito na outra direção recentemente. Em particular, ouvi relatos de que a igreja evangélica no Brasil tende a ser muito movida pela emoção, então um contrapeso é uma necessidade urgente. Eu espero contribuir para esse equilíbrio.

(Gazeta do Povo)

Nota: Tanto Ravi Zacharias quanto William Craig têm preocupações válidas e reais. O problema não está apenas nas igrejas brasileiras, é uma característica dos brasileiros como um todo. Nossa cultura é essencialmente emocional, e ainda por cima com baixa maturidade. Se o Brasil pudesse ser representado como uma pessoa, seria um adolescente – talvez um adolescente viciado em drogas e rock’n’rol. A principal razão disso possivelmente esteja na influência do relativismo na visão que alguns têm da verdade bíblica. Se entregamos sorvete para as pessoas, não podemos esperar que estejam bem nutridas. O problema também é que as pessoas vão atrás de sorvete, e não atrás de feijão com arroz. Só que antes havia coragem para dizer que elas precisam de menos açúcar e mais proteína e carboidratos. Mas, em uma geração de “empoderados” e de “superconsumidores”, está cada vez mais difícil fazer isso. E mais: quando líderes deixam de ser pastores (formais e informais) e passam a ser “coaches”, o resultado não pode ser outro. A Bíblia apresenta esta época como a dos pastores que apascentam a si mesmos e uma geração que não acolheu o amor da verdade, sendo incapaz de suportar a sã doutrina. Se os líderes tratam as verdades bíblicas como textos motivacionais ou apenas inspiracionais, e não como verdade sólida e normativa, essa será a maneira como o povo se relacionará com a verdade. Algo precisa ser feito e com urgência.

Janela para o Céu

familyprayerQuando tinha nove anos, fui convidada pelo vizinho para participar dos cultos que ele fazia com a família dele. Pedi autorização aos meus pais e toda noite me unia àquela família para orar e ler trechos da Bíblia. Especialmente as histórias do Gênesis me deixavam impressionada. Comecei a mudar minhas atitudes em casa e meus pais ficaram preocupados, achando que eu estava ficando “fanática”. Proibiram-me de participar dos cultos e resolveram rezar o terço em casa. Para o meu irmão e para mim, aqueles eram momentos muito desagradáveis. “Tudo bem que a gente reze, mas não precisam ficar com essa cara de tristes”, pedia ele. Aqueles eram momentos realmente maçantes e, com o tempo, meus pais acabaram desistindo da idéia e tudo voltou a ser como antes. Que pena. Perdemos uma grande chance de conhecer melhor a Deus, antes mesmo de nos tornarmos adventistas.

O tempo passou. Cresci, me casei e tenho três filhos pequenos. Quando me lembro dessa experiência da minha infância, fico me perguntando o que tenho feito para tornar a religião algo agradável e relevante na vida das minhas meninas.

Alguns pais se sentem orgulhosos e felizes por verem seus filhos prosperarem intectual e materialmente. Isso é bom, mas se o coração deles está vazio, longe de Deus e em busca apenas das honras deste mundo, é tudo vão. E quando Jesus voltar e perguntar por esses filhos? Eles são um presente emprestado. Um dia teremos que devolvê-los a Deus. Infelizmente, muitos se esquecem disso e criam filhos apenas para este mundo.

Você tem buscado a Deus a fim de ensinar seus filhos a dependerem dEle também? Ou tem colocado outras coisas no topo de sua lista de prioridades – novelas, filmes, esportes, propriedades? Os filhos observam tudo e aprendem com nosso exemplo.

Se deseja a ajuda de Jesus para salvar, abençoar e livrar seus filhos das más influências, há um braço poderoso estendido para você. Deus é tão bom que deixou orientações claras e específicas para que os pais ajudem os filhos: “Toda família deve construir seu altar de oração, reconhecendo que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Ellen G. White, Orientação da Criança, p. 517). E Ele diz mais: “Acheguemo-nos confiadamente junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4:16).

Assim como os patriarcas, devemos também construir no lar um altar de oração – o culto familiar. Mas como deve ser esse culto? Ellen White dá algumas dicas:

“O pai, como sacerdote da casa, deponha sobre o altar de Deus o sacrifício da manhã e da tarde” (Orientação da Criança, p. 519).

O culto não deve ser de forma insípida e com monótona repetição de frases. Deus é desonrado quando o culto é seco e tedioso.

Deve conter a expressão de nossas necessidades e homenagem de grato amor ao Criador.

As orações devem ser curtas e ao ponto, com palavras simples. “Quando um capítulo comprido é lido e explicado e se faz uma longa oração, esse precioso culto se torna enfadonho e é um alívio quando passa” (Ibidem, p. 521).

Escolha um trecho interessante e fácil da Bíblia – e todos devem ler. Alguns versos são suficientes para dar uma lição que será praticada todo o dia.

A criança também pode ajudar a preparar o culto e escolher o que vai ser lido.

Depois deve-se perguntar a ela sobre o que foi lido e fazer aplicações na vida diária.

O ideal é que os cultos sejam feitos antes do desjejum e à tarde, antes de que venha o cansaço e o sono. “É o dever dos pais cristãos, de manhã e à tarde, pela fervente oração e fé perseverante, porem um muro em torno de seus filhos” (Serviço Cristão, p. 210).

Não se deixe levar pelas circunstâncias: mesmo quando estiver muito atarefado ou quando houver visitas em casa, não negligencie o culto. Assim, as crianças aprenderão a importância da religião na vida da família.

Aproveite o poder da música. Ela é um ato de adoração como a oração, e é “um dos meios mais eficazes para impressionar o coração com as verdades espirituais. Quantas vezes, ao coração oprimido duramente e pronto a desesperar, vêm à memória algumas das palavras de Deus – as de um estribilho, há muito esquecido, de um hino da infância – e as tentações perdem o seu poder, a vida assume nova significação e novo propósito, e o ânimo e a alegria se comunicam a outras pessoas!” (Orientação da Criança, p. 523).

Tenho experimentado o poder do culto familiar em meu próprio lar. Minha filha Giovanna, quando tinha quatro anos, “compunha” um hino todos os dias e tinha prazer em apresentá-lo no momento do culto. Eram (e continuam sendo) momentos especiais de união e paz. E sempre que oro por minha família e peço a Deus forças para cumprir minha missão de mãe, me vem à mente a promessa: “Ele não Se desviará de vossas petições, deixando a vós e aos vossos como brinquedo de Satanás, no grande dia do conflito final. É vossa parte trabalhar com simplicidade e fidelidade, e Deus estabelecerá a obra de vossas mãos” (Ibidem, 526).

Quero ter meus filhos no Céu, por isso preciso apresentá-los ao Céu. É como se nós, pais, na hora do culto familiar, convidássemos: “Filhinho(a), venha aqui. Dê uma espiada nesse lugar. Que tal morarmos lá?”

Abra essa “janela para o Céu” em sua casa também.

(Débora Borges é pedagoga e pós-graduada em Aconselhamento Familiar)

Se o piloto errar, todos sofrerão

piloto“Estou no avião, pronto para decolar com minha mulher, mas não gostei do piloto! Ele parece ser arrogante, preconceituoso, antipático, machista, intolerante… Eu não escolhi esse piloto, mas é ele que estará no comando da aeronave em que estou. Não gosto nem um pouco dele, por isso vou torcer para que cometa muitos erros e pilote da pior forma possível! Vou comemorar cada erro dele; quanto mais ele errar melhor será para eu poder dizer que estava certo! Vou ficar torcendo para o avião cair só para eu poder dizer o quão ruim é esse piloto, para que aqueles que escolheram esse piloto se arrependam muito por tê-lo escolhido. Ah, como eu quero que esse avião caia!”

Não sei quem escreveu essa analogia, mas acertou em cheio. Já desejar a bancarrota de um governo é errar feio; é mirar em um alvo e alvejar o próprio pé. Especialmente os cristãos devem compreender que nada neste mundo acontece sem a permissão de Deus, e que Ele tem em vista principalmente a salvação eterna de Seus filhos, não a remediação deste mundo condenado. Deus trabalha para que possamos ter maiores oportunidades de pregar o evangelho e advertir o maior número de pessoas com respeito à breve volta de Jesus. Para isso precisamos de paz, estabilidade e liberdade religiosa. Temos que orar e trabalhar por isso, sem a ilusão de que esse ou aquele governo trará o paraíso à Terra. Isso não vai acontecer (leia isto). Mas torcer pelo fracasso do piloto também não é o que se espera de um cristão. Na verdade, a Bíblia afirma que Deus “muda os tempos e as estações; Ele remove os reis e estabelece os reis; é Ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento aos entendidos” (Daniel 2:21), e apresenta o seguinte conselho:

“Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade” (1 Timóteo 2:1, 2).

Então, devemos orar pelo piloto e torcer para que ele nos ajude a fazer uma boa viagem, tanto quanto possível e pelo maior tempo possível. Assim, antes de o avião cair de vez, teremos a oportunidade de advertir os passageiros e ajudá-los a olhar para o verdadeiro Piloto, aquele que governa o Universo e conduz a História para seu desfecho.

Eu já disse em uma palestra e repito: a esquerda é tóxica e a direita, perigosa. Portanto, nossa única esperança vem do Alto. Denunciar os desmandos da esquerda e as incompatibilidades do marxismo com a cosmovisão cristã não faz da pessoa um “bolsomínion”, assim como apontar os perigos da aproximação entre o Estado e a igreja promovida pela direita não faz da pessoa comunista. Os cristãos precisam enxergar uma camada acima dessas questões políticas e ideológicas; devem olhar para além dessa polarização sem sentido e perceber que as mesmas mãos manipulam marionetes diferentes (até onde Deus permite, evidentemente).

Não nos esqueçamos de que uma das artimanhas do inimigo consiste em dividir para conquistar. Portanto, vamos nos unir no único propósito que realmente vale a pena e trabalhar para mostrar às pessoas que nosso futuro depende de uma intervenção, não militar nem política, mas celestial.

Oremos pelo piloto, pelos passageiros e pelo avião.

Michelson Borges

Leia também: “Duas faces de uma mesma moeda”

Nota: Por favor, tome algum tempo para assistir aos vídeos abaixo. Creio que lhe serão esclarecedores.

Líderes de extrema-direita reúnem-se secretamente em Fátima

fatimaUm hotel em Fátima é desde a quinta-feira passada palco de um encontro de líderes de extrema-direita de uma das alas mais reacionárias da Igreja Católica. Dois dos participantes são o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o chefe de gabinete de Donald Trump, Mick Mulvaney. As autoridades portuguesas destacaram um forte dispositivo de segurança, informou na edição deste sábado o semanário Sol. O encontro do International Catholic Legislators Network começou na quinta-feira no Hotel da Consolata, uma congregação de missionárias localizada a poucos metros do Santuário de Fátima, e [terminou ontem]. Os custos da operação de segurança com mais de duas centenas de militares da GNR estão a cargo do erário público português, ainda que o encontro seja de cariz privado, de completo sigilo ao ponto de os participantes e a agenda não serem anunciados. Os jornalistas não [foram] autorizados a assistir. Desconhecem-se as razões para Portugal ter sido o país escolhido.

A organização argumenta a favor do sigilo dizendo que os participantes precisam de toda a liberdade para expressar suas ideias. Esse tipo de encontros de elite a portas fechadas tornou-se cada vez mais comum, com muitos a se basearem nas regras e nos moldes do chamado Clube Bilderberg, fundado em 1954. […]

Os organizadores do encontro tiveram autorização dos responsáveis pela Basílica de Nossa Senhora do Rosário para lá celebrarem uma eucaristia na quinta-feira passada, por volta das 19h30. […]

Mick Mulvaney não é o único próximo de Trump a pertencer a essa organização. O antigo secretário de imprensa do presidente dos Estados Unidos Sean Spicer participou em agosto de 2017 num dos seus encontros em Roma, Itália, e chegou mesmo a encontrar-se com o papa Francisco no Vaticano.

Entre os convidados do encontro incluem-se ainda os patriarcas da Igreja Ortodoxa e da Igreja Católica na Síria, Ignatius Apherem II e Yousef III Younan, respectivamente. E, de acordo com o Público, o cardeal chinês Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong e feroz opositor do regime comunista na China, também esteve presente, mostrando-o na sua conta do Twitter. Christoph Schönborn, fundador da organização e atual arcebispo de Viena, também esteve presente.

O site International Catholic Legislators Network, fundado em 2010, na Áustria, é direto em seus intentos: formar líderes políticos cristãos e estabelecer ligações entre si, afirmando-se como sendo “não partidário e totalmente independente”, e denunciando que os “cristãos são os que mais estão sob ameaça”, dando como exemplo as perseguições no Oriente Médio. […]

Há alguns meses, representantes do grupo encontraram-se com o papa Francisco, e ele os alertou para o risco de se combater o extremismo com extremismo. “O relativismo secular e o radicalismo religioso são, na verdade, radicalismo pseudo-religioso. Neste assunto, gostaria apenas de vos chamar a atenção para o perigo real que é combater o extremismo e a intolerância com mais extremismo e intolerância com as vossas ações e palavras”, disse o papa, citado pelo Rome Reporter.

O sumo pontífice tem-se confrontado com violentos ataques da ala mais conservadora da Igreja Católica, liderada pelo cardeal norte-americano e patrono da Ordem Militar de Malta Raymond Leo Burke, por assumir posições ditas liberais sobre os católicos divorciados e homossexuais. Há uma guerra secreta a decorrer no Vaticano, com uns a enfrentá-lo abertamente e outros a agirem com passividade, bloqueando seus esforços.

“Há uma guerra subterrânea na Igreja Católica. Nem são muitos os cardeais que se manifestam publicamente e praticamente todos dizem que apoiam o papa. Mas a maioria dos opositores atua silenciosamente. Às vezes, conseguem bloquear a agenda com oposição aberta, mas principalmente por meio da inércia e de manobras por baixo dos panos”, explicou o especialista na Igreja Católica e autor do livro A Solidão de Francisco Marco Politi em entrevista à Globo.

(Medium)

Nota: Muito interessante a notícia desse encontro secreto, e digna da atenção dos que estudam os desdobramentos proféticos relacionados com a volta de Jesus. Primeiro, pelo óbvio caráter ecumênico da reunião, envolvendo não apenas lideranças católicas, mas ortodoxas e até um representante da maior nação protestante do mundo (lembre-se de que o abismo entre protestantes e católicos não mais existe, conforme foi profetizado). Segundo, pelo lugar escolhido para o evento, carregado de simbologia mariana (Fátima foi palco das alegadas aparições de Nossa Senhora) e relacionado até mesmo com a história do islamismo (confira). Terceiro, pelos propósitos do grupo, como informa o site oficial: “…formar líderes políticos cristãos e estabelecer ligações entre si” (bem The Family…) Está ficando no passado o tempo do liberalismo teológico e político. O mundo e mesmo o vaticano caminham para a “direitização”, para o recrudescimento do tradicionalismo religioso e para uma nova união entre a igreja e o Estado, com cada vez maior ingerência da religião em assuntos políticos. O discurso é sedutor, de combate aos ataques promovidos em anos recentes contra os valores cristãos, de defesa da família e do meio ambiente, etc. Sim, o discurso é sedutor, agregador, vai envolver a maioria – e que sejam deixadas de lado as minorias que não se encaixarem nesse “admirável mundo novo”. Melhor ainda: em lugar de serem deixadas de lado, que essas minorias fundamentalistas, sectárias e extremistas sejam tiradas do caminho. Ainda tem dúvida de que se trata de um cenário previsto? Sugiro enfaticamente que você estude as profecias apocalípticas bíblicas e leia o best-seller do século 19 intitulado O Grande Conflito. [MB]