“Estou na minha liberdade”

“Estou na minha liberdade!” Assim disse o garoto com uma suástica no braço

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Não tenho como julgar qual o nível de consciência do garoto a respeito da gravidade do ato. Mas uma coisa posso dizer: a (falsa) liberdade à qual ele se refere está impregnada em toda a sociedade. É o espírito do nosso tempo. Na filosofia chamaríamos de “zeitgeist”. Muitos têm usado a mesma linha de pensamento para fazer outros absurdos por aí. Os atos são diferentes, estão de lados ideológicos diferentes, mas são forjados sobre a mesma (falsa) liberdade.

Esse mesmo espírito invadiu o cristianismo. Em nome da (falsa) liberdade, coisas absurdas têm sido defendidas e feitas no meio cristão. Práticas condenadas pela Bíblia também são chamadas de “liberdade” e, com base nisso, vividas e defendidas.

Há muito tempo, o apóstolo Paulo já havia alertado sobre isso. Ele escreveu: “Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne” (Gálatas 5:13).

O mesmo conceito (falso) de liberdade que colocou a suástica no braço do garoto do shopping leva supostos cristãos a violar a Bíblia e achar que estão certos.

Os atos são diferentes, mas o “chão” sobre o qual se apoiam é o mesmo.

Vivamos a verdadeira liberdade, a saber, aquela que está submissa aos princípios de Deus!

(Felippe Amorim; Instagram)

Ciência e religião são compatíveis?

Deus quer que eu seja feliz?

No Sermão da Montanha, Cristo não disse: “Felizes os que são felizes”

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Claro que é verdade! Mas, no Sermão da Montanha, Cristo não disse: “Felizes os que são felizes por que verão a Deus.” Porém, disse:

Felizes os pobres de espírito.
Felizes os que choram.
Felizes os humildes.
Felizes os que têm fome e sede de justiça.
Felizes os misericordiosos.
Felizes os que promovem a paz, pois serão chamados filhos de Deus.
Felizes os perseguidos por causa da justiça (ler Mateus 5).

Uau! Todas as bem-aventuranças me chacoalham. Destaco hoje esta: “Felizes os limpos de coração, porque eles verão a Deus” (Mateus 5.8). Pensei: por mais santidade e menos essa tal felicidade baseada em atender os desejos de uma natureza caída e inimiga de Deus.

“Sem ter uma vida santa ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14).

Observe se o assunto santificação aparece em nossas conversas. Preste atenção na vida cotidiana dos cristãos no momento. Saímos do extremo de legalismo, farisaísmo para o extremo do mundanismo, humanismo. Ser feliz tornou-se a suprema ordem. “Meus desejos, meu governo.”

Que felicidade, cara-pálida? De qual felicidade estamos falando?

“Feliz é aquele que suporta com paciência as provações e tentações, porque depois receberá a coroa da vida que Deus prometeu àqueles que O amam” (Tiago 1:12).

Estamos confundindo felicidade com desejo pelo pecado. E pecar é bom, gostoso. É compatível com a nossa natureza caída.

“Nossos próprios desejos nos seduzem e nos arrastam. Esses desejos dão à luz o pecado, e quando o pecado se desenvolve plenamente, gera a morte” (Tiago 1:14).

Vamos! Continuemos dando ousadia para os desejos. Demos a eles o governo da nossa vida. O final será a morte eterna.

“Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfaçam os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; o Espírito, o que é contrário à carne” (Gálatas 5:16, 17).

E essa felicidade aqui Quem quer? “Felizes são vocês quando, [por Minha causa] sofrerem zombaria e perseguição, e quando outros, mentindo, disserem todo tipo de maldade a seu respeito. Alegrem-se e exultem, porque uma grande recompensa os espera no céu. E lembrem-se de que os antigos profetas foram perseguidos da mesma forma” (Mateus 5).

(Darleide Alves; Instagram)

Amar o pecador e odiar o pecado

Devemos amar os pecadores como amamos a nós mesmos e odiar o pecado dos outros como odiamos os nossos defeitos.

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De vez em quando alguém recita aquela máxima cristã: “Devemos odiar o pecado e amar o pecador.” Essa é uma frase verdadeira e precisa ser colocada em prática. Como isso funciona na prática? Como podemos amar a pessoa odiando o que ela fez? C. S. Lewis nos ajuda a chegar à resposta:

“Pensando bem, agora me lembro de ter tido professores de educação cristã há muito tempo que me ensinaram que devo odiar as coisas más que as pessoas praticam, sem odiar as pessoas más; ou como eles o teriam dito: odiar o pecado, em vez de odiar o pecador. Essa distinção me parecia bastante tola e sem muito sentido: como seria possível odiar o que uma pessoa fez, sem odiá-la? Mas anos depois ocorreu-me que havia um homem com o qual eu estive fazendo isso toda vida – comigo mesmo. Não importa o quanto eu possa desgostar de minha própria covardia, presunção ou ambição, não deixarei de me amar por isso. Nunca tive a menor dificuldade quanto a isso. Na verdade, a razão por que eu odiava o que fazia era que eu me amava. Era exatamente o fato de amar a mim mesmo que me fazia lamentar a descoberta de que era o tipo de cara que fazia aquelas coisas. Consequentemente, o cristianismo não espera que reduzamos em um só milímetro o ódio que sentimos pela crueldade e traição. Temos mais é que odiar essas coisas. Nenhuma palavra do que dissermos sobre elas precisa ser desdita. Por outro lado, temos que odiar essas coisas nos outros, da mesma forma que as odiamos em nós mesmos: lamentando muito que o cara tenha agido assim, e esperando que, se possível, de alguma forma, algum dia e em algum lugar, ele possa ser curado, voltando a se tornar humano” (Cristianismo Puro e Simples, p. 160).

Lewis foi, mais uma vez, cirúrgico em sua construção do pensamento. Devemos amar os pecadores como amamos a nós mesmos e odiar o pecado dos outros como odiamos os nossos defeitos. Eu só faria uma observação diante do pensamento de Lewis. As pessoas que já deixaram de odiar o mal que praticam e passaram a amar esse mal não servem como referência para o exemplo acima.

Coloquemos em prática em nossa vida e em relação aos outros. Amemos muito o pecador e odiemos muito o pecado.

(Felippe Amorim; Instagram)

Ascensão de valores católicos e influenciadores digitais

“Que conselho você daria para os jovens dessa nova geração?”

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Assim alguém indagou um influenciador digital católico, que após uma série de recomendações de grandes influenciadores e canais alinhados com a cosmovisão católica, finalizou dizendo: “O que temos de bom na sociedade devemos à Igreja Católica.”

Na sociedade atual, cada vez mais cansada e desgastada pelas polarizações em diversos temas, mensagens com alguma aparência de solidez, e que oferecem algum tipo de conforto, revelam-se muito atrativas para muitas pessoas. Em todos os grupos sociais, de uma forma ou de outra, existe uma vulnerabilidade em áreas em que as pessoas de alguma forma perderam foco e/ou negligenciaram certo cuidado por estarem demasiadamente ocupadas nos diversos embates que vemos. E isso se refere não somente a ocupações nos embates em todas as esferas sociais que tanto ocupam os holofotes da mídia, mas também nas batalhas do dia a dia em aspectos da vida pessoal, como trabalho e família. Isso é caraterística de uma sociedade moderna em que a vida está cada vez mais corrida também, resultando nessas negligências que mais cedo ou mais tarde cobram seu preço.

Influenciadores preenchendo o vazio

Como resultado desse cenário atual, nota-se um fenômeno crescente que chama a atenção. Ele se manifesta na grande quantidade de influenciadores sociais lidando com assuntos que cobrem espectro abrangente de temas, como família, educação, literatura, cultura, psicologia, religião, comportamento, relacionamentos, filosofia, entre outros. Os temas em geral tratados cobrem áreas e aspectos importantes da vida que por muito tempo têm estado “órfãos” de atenção da maior parte da população, alheia ou ocupada com constantes (e cansativos) embates, especialmente aqueles de caráter político/ideológico nos últimos anos. As pessoas estão se cansando e sentindo um vazio por lhes faltar preenchimento sólido em uma ou mais dessas áreas da vida. E há diversos influenciadores se aproveitando justamente desse momento em que áreas tão importantes para a formação das pessoas e da sociedade estão por tanto tempo negligenciadas e sem cuidado – vazios e desgaste estão cada vez mais evidentes. Esse grupo de pessoas é o que toma a dianteira para prover “respostas”, aquilo que parece ser o “alimento sólido” que satisfaz a fome de maior bem-estar, de direção e mesmo de um propósito para a vida.

Algo interessante e para o qual se deseja chamar a atenção é o fato de que uma significativa parcela desses grandes influenciadores está interconectada em uma rede que possui um núcleo comum e um propósito bem claro e não oculto para ninguém: o objetivo não é simplesmente dar respostas para as pessoas em diversas áreas, como mencionado acima, mas levar as pessoas para uma experiência mais profunda com o catolicismo e com suas crenças mais importantes por meio dessas respostas.

Existe uma nota de harmonia no discurso e/ou cosmovisão da maior parte das páginas recomendadas por esses influenciadores e seus discípulos: elas querem cortar o laço de confiança que a sociedade possui com qualquer fonte geralmente não alinhada com a cosmovisão católica, sejam canais de televisão, religiões, universidades, etc. Muitas dessas páginas usam termos como “valores cristãos” para defender e propagar seu discurso. Fontes de acesso a conhecimento e informação que não apoiarem de alguma forma a visão e os valores desses influenciadores são colocadas em xeque sob a bandeira da defesa e restauração de “valores cristãos”. Assim, um engajamento gigantesco de seguidores é conseguido, inclusive por parte de milhões de cristãos protestantes e evangélicos que nos fundamentos de suas igrejas não creem (ou deveriam não crer) nos princípios por trás de muitos desses conteúdos e ideias difundidos nessas páginas. No entanto, uma análise cautelosa e mais profunda dos materiais, dos conceitos adotados e da cosmovisão utilizada por eles geralmente irá revelar que, no fundo, as mensagens que  transmitem possuem valores católicos (mais especificamente jesuítas), não sendo necessariamente de caráter universal “cristão”, uma vez que esses valores e conteúdos são muitas vezes incompatíveis com os de outros cristãos como os protestantes.

Esse tipo de movimento que influencia e molda o pensamento coletivo de grande parte da sociedade nos ajuda a compreender a razão do progresso da agenda ecumênica entre as religiões que veem no papado a voz mais proeminente. No campo da política (área em que esses influenciadores também estão engajados fortemente), vozes relevantes como a de John Biden e John Kerry, nos EUA, reconhecem a voz do papa de maneira similar (veja aqui e aqui). Esses últimos aspectos (que podem ser mais bem trabalhados em outro momento) evidenciam que diferentes lados ou bandeiras ideológicas, religiosas ou políticas têm se aproximado e levado seus apoiadores a um estreitamento de relações com o catolicismo. Adaptando e parafraseando a corrupção feita ao ditado antigo: quase todos os caminhos têm levado a sociedade para Roma. Será que a sociedade e, principalmente, os protestantes se esqueceram das páginas da história e de que até mesmo Roma declara não mudar?

“E, convém lembrar, Roma jacta-se de que nunca muda. Os princípios de Gregório VII e Inocêncio III ainda são os princípios da Igreja Católica Romana. E tivesse ela tão-somente o poder, pô-los-ia em prática com tanto vigor agora como nos séculos passados” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 581).

“O romanismo, como sistema, não se acha hoje em harmonia com o evangelho de Cristo mais do que em qualquer época passada de sua história. As igrejas protestantes estão em grandes trevas, pois do contrário discerniriam os sinais dos tempos. São de grande alcance os planos e modos de operar da Igreja de Roma. Emprega todo expediente para estender a influência e aumentar o poderio, preparando-se para um conflito feroz e decidido a fim de readquirir o domínio do mundo, restabelecer a perseguição e desfazer tudo que o protestantismo fez. O catolicismo está ganhando terreno de todos os lados. Vede o número crescente de suas igrejas e capelas nos países protestantes. Notai a popularidade de seus colégios e seminários na América do Norte, tão extensamente patrocinados pelos protestantes. Pensai no crescimento do ritualismo na Inglaterra, e nas frequentes deserções para as fileiras dos católicos. Essas coisas deveriam despertar a ansiedade de todos os que prezam os puros princípios do evangelho” (O Grande Conflito, p. 565).

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“Quando apareciam como membros de sua ordem, [os jesuítas] ostentavam santidade, visitando prisões e hospitais, cuidando dos doentes e pobres, professando haver renunciado ao mundo, e levando o nome sagrado de Jesus, que andou fazendo o bem. Mas sob esse irrepreensível exterior, ocultavam-se frequentemente os mais criminosos e mortais propósitos. Era princípio fundamental da ordem que os fins justificam os meios. […] Sob vários disfarces, os jesuítas abriam caminho aos cargos do governo, subindo até conselheiros dos reis e moldando a política das nações. Tornavam-se servos para agirem como espias de seus senhores. Estabeleciam colégios para os filhos dos príncipes e nobres, e escolas para o povo comum; e os filhos de pais protestantes eram impelidos à observância dos ritos papais. Toda a pompa e ostentação exterior do culto romano eram levadas a efeito a fim de confundir a mente e deslumbrar e cativar a imaginação; e assim a liberdade pela qual os pais tinham labutado e derramado seu sangue era traída pelos filhos. Os jesuítas rapidamente se espalharam pela Europa e, aonde quer que iam, eram seguidos de uma revivificação do papado” (O Grande Conflito, p. 235)

“O papado é exatamente o que a profecia declarou que havia de ser: a apostasia dos últimos tempos (2Ts 2:3, 4). Faz parte de sua política assumir o caráter que melhor cumpra seu propósito; mas sob a aparência variável do camaleão, oculta o invariável veneno da serpente. […] Não é sem motivo que se tem feito nos países protestantes a alegação de que o catolicismo difere hoje menos do protestantismo do que nos tempos passados. Houve uma mudança; mas esta não se verificou no papado. O catolicismo na verdade em muito se assemelha ao protestantismo que hoje existe; pois o protestantismo moderno muito se distancia daquele dos dias da Reforma” (O Grande Conflito, p. 571).

“A Palavra de Deus deu aviso do perigo iminente; se este for desatendido, o mundo protestante saberá quais são realmente os propósitos de Roma apenas quando for demasiado tarde para escapar da cilada. Ela está silenciosamente crescendo em poder. Suas doutrinas estão exercendo influência nas assembleias legislativas, nas igrejas e no coração dos homens. Está a erguer suas altaneiras e maciças estruturas, em cujos secretos recessos se repetirão as anteriores perseguições. Sorrateiramente, e sem despertar suspeitas, está aumentando suas forças para realizar seus objetivos ao chegar o tempo de dar o golpe. Tudo que deseja é a oportunidade, e esta já lhe está sendo dada. Logo veremos e sentiremos qual é o propósito do romanismo. Quem quer que creia na Palavra de Deus e a ela obedeça incorrerá, por esse motivo, em censura e perseguição” (O Grande Conflito, p. 581).

(Josué Cardoso)

Leia também:Olavo de Carvalho ataca a verdadeira ciência e a verdadeira religião

Há “Marciãos” na igreja lendo a Bíblia com uma “tesoura”

Entenda a relação da heresia marcionista do segundo século com as ideias de cristãos liberais que negam a Bíblia como Palavra de Deus

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A história dos primeiros anos da igreja cristã já demonstrava que seu progresso não seria fácil. Desde o nascimento, quando ainda era liderada pelos apóstolos, aprendeu a sobreviver em meio às heresias que já circulavam entre os novos conversos. Basta uma análise das cartas enviadas às sete igrejas (Ap 2-3) – que, apesar de terem uma aplicação historicista, também se referem primeiramente às igrejas literais que existiam naquela época – para notar as advertências contra o nicolaísmo, a doutrina de Balaão, as prostituições e idolatrias promovidas por Jezabel, etc. Tudo isso representando falsas doutrinas que sacudiam a igreja.

No livro de Atos, Lucas registrou um discurso de Paulo aos presbíteros da igreja de Éfeso, no qual ele os advertiu contra lobos vorazes que se infiltrariam entre os crentes e não poupariam o rebanho (At 20:29). O apóstolo também repreendeu os gálatas por influências legalistas dos judaizantes e falou fortemente contra as práticas libertinas que existiam na igreja de Corinto. João, o último sobrevivente dos 12 discípulos, escreveu um evangelho para combater a famosa heresia gnóstica. Há dezenas de exemplos que poderiam ser citados. Porém, avançando um pouco na história, especificamente no segundo século, vamos nos deter no movimento conhecido por marcionismo. A fim de compreendê-lo, precisamos falar daquele que deu nome ao movimento.


“Marcião foi um proprietário de navios comerciais que nasceu e cresceu no Ponto, próximo ao Mar Negro. Em meados do segundo século, ele apareceu em Roma como crente em Cristo, […] conseguiu grande influência junto à igreja de Roma de duas maneiras. Como patrono, assistiu a igreja com sua riqueza e influência, e ao mesmo tempo revelou-se fervoroso líder religioso” (A Trindade, p. 146, 147 – CPB).

O problema é que Marcião não concebia uma relação de unidade entre o caráter de Cristo e o Deus do Antigo Testamento. Na visão dele, o Deus do Novo Testamento e Pai de Jesus Cristo não era o mesmo Jeová do Antigo Testamento. Ou seja, a dificuldade dele era compreender a harmonia dos atributos de Deus. Como a santidade, a ira e a justiça, por exemplo, se relacionam com o amor, a graça e a misericórdia? Ele sugeria que o Deus doador da lei, vingativo e justo não poderia ser o mesmo apresentado por Jesus no Calvário. E qual foi o resultado?

“Marcião compilou uma lista de livros que deveriam ser, segundo ele, as escrituras cristãs. Esses livros eram o evangelho de Lucas e as epístolas de Paulo. […] Que dizer, então, de todas as citações do Antigo Testamento que aparecem em Lucas e nas epístolas paulinas? Naturalmente, tais citações não poderiam ser genuínas, e por isso Marcião chegou à conclusão de que haviam sido incluídas no texto sagrado por judaizantes que tratavam de adulterar a mensagem de Paulo e de Lucas” (História Ilustrada do Cristianismo, v. 1, p. 66 – Vida Nova).

Em sintonia com o registro acima, Eric Voeglin diz que “Marcião rejeitou inteiramente o Antigo Testamento e criou um Cânone das escrituras, que consiste em um novo Evangelho, que ele mesmo compôs” (História das Ideias Políticas, v. 1: Helenismo, Roma e Cristianismo Primitivo, p. 237 – É Realizações).

Em razão de suas doutrinas parecerem tão simples e lógicas, a propaganda marcionista ameaçou seriamente a igreja no segundo século. Seu testemunho de uma vida moral elevada eclipsava a heresia que propagava. No fim, a maioria dos cristãos, entre os quais estavam os membros da igreja de Roma, rejeitou completamente as ideias de Marcião. No entanto, o perigo ainda nos ronda. Quase dois milênios se passaram até vivermos um renascimento do marcionismo. Sim! Não é exagero! Há cristãos lendo a Bíblia com uma “tesoura”. Selecionando o que é inspirado por Deus e o que julgam ser humano nas Escrituras. Dizem que a Bíblia contém a Palavra de Deus, mas não é a Palavra de Deus. Usando métodos racionalistas, ocultam-se sob o manto do que chamam de “Jesus como chave hermenêutica”, e interpretam a Bíblia de forma humanista e antropocêntrica. Há “Marciãos” na igreja cristã em nossos dias. Citarei apenas dois exemplos.

Em um vídeo intitulado “Cartas vivas com letras mortas”, publicado no YouTube em 25/10/2020, Ed René Kivitz, pastor da Igreja Batista Água Branca, fez as seguintes declarações:

“A ética bíblica reflete uma estrutura de sociedade daquele tempo, daquele mundo, daquela época. E não dá pra gente pegar um texto que foi escrito quatro mil anos antes, três mil anos, dois mil anos e trazer pra hoje, aplicando literalmente o que esse texto está dizendo, sem perceber que nas suas linhas a Bíblia é insuficiente, mas nas suas entrelinhas, na revelação que traz a respeito do Cristo ressurreto, a Bíblia explode promovendo uma grande revolução, uma grande transformação no mundo. Então a gente precisa atualizar a Bíblia.

Se queremos ser cartas para o novo mundo, se a Igreja quer ser carta para o novo mundo, nós vamos precisar atualizar a Escritura e vamos ter de fazer essa atualização e ter essa coragem de enfrentar os pecados de gênero da nossa sociedade. De enfrentar a questão da homossexualidade, da homoafetividade e dos gays que frequentam as nossas comunidades. Estão dentro das nossas comunidades. Mas continuam sendo condenados ao inferno por causa de dois ou três textos bíblicos que não foram atualizados.

Não é possível tratar a Bíblia como um livro que revela verdades absolutas. Porque nós não somos seguidores de um livro, nós somos seguidores de Jesus Cristo.”

Precisamos atualizar a Bíblia?! Acaso não estamos diante de intenções semelhantes às de Marcião e até mesmo de pressupostos iguais aos dele? Lembra que a dificuldade dele era encontrar harmonia entre o amor e a Lei de Deus?

O outro exemplo está na resposta dada a uma pergunta que fiz para uma página administrada por “adventistas”. A questão foi a seguinte: Vocês acreditam na inspiração da Bíblia exatamente conforme a Igreja Adventista ensina? Eis a resposta:

“A Bíblia foi sim inspirada por Deus. E também foi escrita por seres humanos falhos e pecadores, com suas influências culturais, limitações científicas e posicionamentos do senso comum de determinados momentos e contextos históricos. Uma coisa não invalida a outra. Logo, a ‘Palavra de Deus’ está na Bíblia, mas nem tudo o que está na Bíblia é palavra de Deus. […] O filtro ou o parâmetro que define o que é ‘Palavra’ e o que é ‘escritura’, é Jesus Cristo. Por isso eu O chamo de ‘Chave Hermenêutica’. O Evangelho são as lentes sob as quais a Bíblia deve ser lida. É dessa forma que entendemos o que é ‘humano’ e o que é ‘divino’ nas Escrituras” (Adventistas Subversivos).

Pois é! O marcionismo voltou. Agora com uma nova roupagem. Julga utilizar metodologia científica e regras de interpretação críticas superiores. Não se engane! Essa é a velha e perigosa heresia que o diabo tentou semear na igreja no segundo século. O que mais preocupa é saber que ela não está apenas rodeando nossa igreja, mas leigos, cantores populares e até teólogos, em rebeldia contra as crenças fundamentais da IASD, seguem propagando esses ensinamentos, especialmente nas redes sociais. Prepare-se! Estude profundamente a Bíblia e conheça as 28 crenças fundamentais da igreja. Acredito que estamos sentindo os primeiros ventos de uma forte tempestade que se aproxima.

Como é bom saber que Deus, apesar das falhas humanas, sempre esteve à frente de Sua igreja. E por meio de Sua mensageira nos advertiu antecipadamente contra esse perigo:

“Quando pessoas mencionarem a alta crítica [método histórico-crítico] e se arrogarem no direito de julgar a palavra de Deus, chamem a atenção delas para o fato de terem esquecido quem foi o primeiro e o mais sábio dos críticos. Aquele que tinha centenas de anos de experiência prática. É ele quem ensina os assim chamados altos críticos de hoje. Deus punirá todos quantos, a exemplo desses altos críticos, exaltam a si mesmos e criticam a santa Palavra de Deus” (Ellen White, Bible Echo, 1º/2/1897; citado no Tratado de Teologia ASD, p. 117).

“Em nosso tempo, como na antiguidade, as verdades vitais da Palavra de Deus são substituídas por teorias e especulações humanas. Muitos professos ministros do Evangelho não aceitam toda a Bíblia como a Palavra inspirada. Um sábio rejeita esta parte, outro duvida daquela. Elevam sua opinião acima da Palavra; e as Escrituras que eles ensinam repousam sobre a autoridade deles próprios. Sua autenticidade divina é destruída. Desse modo é semeada largamente a semente da incredulidade; porque o povo é confundido e não sabe o que crer” (Ellen White, Parábolas de Jesus, p. 12).

Deus nos ajude a termos um posicionamento firme e corajoso em favor da Verdade. Em nome de Jesus, amém!

(Jefferson Araújo é estudante de jornalismo no Unasp e criador do ministério Última Verdade Presente)

A derrocada do egocentrismo

Antes de se enredar a dar ouvidos a certas falácias jogadas ao léu nas redes sociais, ouça o que o Espírito diz às igrejas

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Já virou casual vermos ex-pastores, ex-teologandos e até mesmo alguns membros ou ex-membros exporem nas redes seu descontentamento alegando que a igreja “destruiu” seu ministério (só nesta semana foram duas vezes); o que quem geralmente lê não se pergunta é: Se o tal ministério foi destruído; será que era de Deus?

“Tem havido sempre na igreja os que estão constantemente inclinados à independência individual. Parecem incapazes de compreender que a independência de espírito é susceptível de levar o instrumento humano a ter demasiada confiança em si mesmo e em seu próprio discernimento. […] Deus investiu Sua igreja de especial autoridade e poder, por cuja desconsideração e desprezo ninguém se pode justificar; pois aquele que assim procede, despreza a voz de Deus” (Ellen White, O Grande Conflito, p. 89.2).

Há inúmeros textos nos informando que “Deus ordenou que os representantes de Sua igreja de todas as partes da Terra, quando reunidos numa Associação Geral, devam ter autoridade. O erro que alguns estão em perigo de cometer, é dar à opinião e ao juízo de um homem, ou de um pequeno grupo de homens, a plena medida de autoridade e influência de que Deus revestiu Sua igreja, no juízo e voz da Associação Geral reunida para fazer planos para a prosperidade e progresso de Sua obra” ( Ellen White, História da Redenção, p. 41).

Alguns ainda assim insistem que sua obra era de Deus e que fora podada pela “maléfica” Igreja, mas veja que até mesmo Lutero passou por essa prova em seu ministério e tinha plena convicção de que se não fosse de Deus, não seguiria. Declarou mais: “O que quer que eu faça, não será feito pela prudência do homem, mas pelo conselho de Deus. Se a obra for de Deus, quem a poderá deter? Se não, quem a poderá promover? Nem minha vontade, nem a deles, nem a nossa; mas a Tua vontade, ó santo Pai, que estás no Céu” (D’Aubigné).

Sendo assim, quando virdes alguns pastores que criam “outra igreja” os exortando a “sair dela”, saibam que há apenas uma Igreja Remanescente, e quem sai é o joio e não o trigo.

Então, antes de se enredar a dar ouvidos a certas falácias jogadas ao léu nas redes sociais, ouça o que o Espírito diz às igrejas (Ap 2:7).

(Adventismo Sólido)

Religiosos fundamentalistas são uma praga, disse o papa em 2019

O diálogo inter-religioso é uma forma importante de combater os grupos fundamentalistas, bem como a acusação injusta de que as religiões semeiam divisão, disse o papa Francisco. Encontrando-se com membros do Instituto Argentino para o Diálogo Inter-religioso em 18 de novembro [em 2019], o papa disse que “no mundo precário de hoje, o diálogo entre as religiões não é uma fraqueza. Ela encontra sua razão de ser no diálogo de Deus com a humanidade ”.

Relembrando uma cena do poema do século 11 “A Canção de Roland”, em que os cristãos ameaçavam os muçulmanos “a escolher entre o batismo ou a morte”, o papa denunciou a mentalidade fundamentalista de que “não podemos aceitar nem entender e não podemos mais funcionar”.

“Devemos ter cuidado com os grupos fundamentalistas; cada (religião) tem seus próprios. Na Argentina, existem alguns cantos fundamentalistas”, disse ele. “O fundamentalismo é uma praga e todas as religiões têm algum primo fundamentalista”, disse ele. […]

A “complexa realidade humana” da fraternidade, continuou o papa, pode ser vista nas escrituras quando Deus pergunta a Caim sobre o paradeiro de seu irmão.

Essa mesma pergunta deve ser feita hoje e levar os membros de todas as religiões a refletirem sobre as maneiras de se tornarem “canais de fraternidade em vez de muros de divisão”, disse ele. […]

“É importante mostrar que nós, crentes, somos um fator de paz para as sociedades humanas e, ao fazê-lo, responderemos àqueles que injustamente acusam as religiões de incitar ao ódio e causar violência”, disse o papa.

(Catholic Philli)

Papa diz que compartilhar bens não é comunismo

Neste domingo (11), o papa Francisco celebrou a missa do “Domingo da Misericórdia” com presos, refugiados e profissionais da saúde, em uma igreja próxima à Praça de São Pedro. Na missa, o pontífice disse que os primeiros cristãos não tinham o conceito de propriedade privada e compartilhavam tudo. “Isso não é comunismo, mas puro cristianismo”, falou. Ele ressaltou ainda a importância da misericórdia. “Não podemos permanecer indiferentes. Não podemos viver uma meia fé, que recebe, mas não dá […]. Tendo recebido misericórdia, vamos nos tornar misericordiosos”, declarou.

Segundo a agência de notícias France Presse, o papa não usou máscara durante a missa, que contou com cerca de 80 participantes, entre eles presos de dois presídios de Roma e de um centro de detenção de jovens, além de refugiados da Síria, Nigéria e Egito.

(Pleno News)

Nota: “Compartilhar a propriedade ‘não é comunismo, é puro cristianismo’. Essas foram as palavras do papa Francisco, que não cansa de surpreender seus fiéis, proclamando princípios sociais que coincidem com aqueles que são os pilares da ideologia comunista. Ontem, durante a homilia da missa celebrada na igreja de Santo Spirito em Sassia, em Roma, ele comentou a passagem de Ato dos Apóstolos que diz que ‘ninguém considerava de sua propriedade aquilo que lhe pertencia, mas tudo era comum entre eles’. O papa sublinhou: ‘Os discípulos misericordiosos tornaram-se misericordiosos’. Para eles ‘compartilhar os bens terrenos parecia uma consequência natural. Além disso, o papa lançou um apelo a não ceder à indiferença, mas viver a partilha. A pergunta que eu gostaria de fazer é a seguinte: Compartilhar a propriedade vale para todos? Papa Francisco e seu Vaticano apoiam o projeto oligárquico antidemocrático da Nova Ordem Mundial o “Capitalismo Inclusivo”. Estamos falando de multinacionais e organizações como a Fundação Rockefeller, os Rothschilds, PCCh, grandes potências bancárias e financeiras que se escondem atrás de atividades filantrópicas para proteger seus próprios interesses. A herdeira Lynn Forester de Rothschild pertence à dinastia dos ‘demônios’ das finanças, donos da riqueza de quase metade da população mundial. E justamente ela nos vem falar sobre a importância da redistribuição da riqueza: ‘Estamos respondendo ao desafio do papa Francisco de criar economias mais inclusivas que espalhem os benefícios do capitalismo de forma mais equitativa e permitam que as pessoas realizem todo o seu potencial.’ Se esses que se autoproclamaram ‘Os Guardiões’ tivessem se privado de pelo menos 30% de suas riquezas, teriam continuado imensamente ricos, mas em troca teriam salvado nações inteiras. Mas eles jamais fariam isso; essas mesmas nações e continentes continuam se submetendo a seus próprios interesses exclusivos de dominação e poder.
O fato é que o Vaticano decidiu ser ‘garoto propaganda’ deste golpe mundial a favor dos mais ricos do planeta contra os mais pobres. Ficou claro para vocês agora?” (Karina Michelin)

Leia também: “Atos 2:42-47 defende o socialismo?”

Google ignora data importante para a maior religião do mundo

Site de buscas já comemorou Ano Novo chinês, Ramadã e até datas que exaltam o feminismo

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“E [ontem] a página principal do Google ficou o tempo todo assim. Deve ser porque não se trata de nenhum dia especial relacionado a negros, mulheres, revolução russa ou qualquer outro tipo de data que o mainstream classificou como sendo importante para qualquer minoria ou consideração. Nós somos judeus e a nossa ‘Páscoa’ está completamente dissociada da comemoração cristã, mas eu conheço a importância desse dia para a MAIOR religião do mundo. Não me importa que o Google não lembre do Yom Hashoah, Sucot, Shavuot ou Purim porque somos a menor população do mundo, não a menos significativa, muito pelo contrário, aliás, mas não há porque ter qualquer consideração para conosco. Mesmo o Google sendo criado por judeus, não me importo ou não nos importamos, mas sequer usar ovos de páscoa, coelho, chocolate ou o que seja simbólico para essa data cristã mostra que de fato o mundo vai muito mal das pernas e que tudo o que sempre falamos nunca foi teoria da conspiração, mas a realidade. O mundo se afundou num abismo sem fim e a maioria das pessoas está cega, surda e doente. Feliz Páscoa aos meus irmãos cristãos!”

(Wagner Freed Mahler é cientista espacial; via Facebook)