O caso João de Deus e a parcialidade da mídia

joao-de-deus-bNão vou comentar as acusações de abuso e estupro de crianças e mulheres que recaem sobre o famoso médium espírita João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus. Depois de colhidos 250 depoimentos, o Ministério Público Estadual de Goiás protocolou pedido de prisão preventiva, mas João não foi condenado, portanto, o assunto pertence à polícia e à Justiça. O que quero analisar brevemente aqui é a tremenda parcialidade de setores da chamada grande imprensa. Em um programa de entrevistas na Rede Globo, ficou claro o esforço do apresentador no sentido de “descolar” a religião espírita do médium que recebia em seu centro localizado em Abadiânia milhares de pessoas de vários países. Jornalistas conceituados como André Trigueiro fizeram a mesma coisa, ao tentar separar o espiritismo do que João fez (confira). Quando li a primeira notícia sobre os possíveis abusos do médium, lembrei-me de uma matéria de capa sobre ele publicada meses atrás na revista Veja. Abordagem positiva, quase panfletária. Reportagem publicada hoje no G1 trata das denúncias e dos desdobramentos do caso, mas termina assim: “Não se trata de questionar os métodos de cura de João de Deus ou a fé de milhares de pessoas que o procuram.” Sempre o mesmo cuidado e o mesmo respeito.

Obviamente que não se pode julgar a religião espírita nem os espíritas pelas atitudes de um de seus expoentes, ainda que sejam confirmadas as denúncias. Seres humanos são passíveis de erros – às vezes gravíssimos. Infelizmente, charlatães e oportunistas existem em todas as religiões. Mas o mínimo que deveria ser esperado de uma imprensa que posa de ética e imparcial é justamente a imparcialidade. Quando se trata de acusações contra padres e pastores, por exemplo, raramente se vê uma defesa tão evidente quanto nestes dias em relação ao espiritismo.

Na verdade, a tríade religiosa/filosófica que analiso em meu livro Nos Bastidores da Mídia – espiritismo, marxismo e evolucionismo – conta sempre com a blindagem da imprensa secular e mesmo da academia, ao passo que a mensagem bíblica favorável ao criacionismo, à família tradicional, à singularidade de Jesus Cristo – enfim, a cosmovisão cristã – recebe ataques de todos os lados. O caso João de Deus ajudou a evidenciar uma vez mais essa injusta parcialidade.

Michelson Borges

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Jesus, Papai Noel e outras questões natalinas

Três perguntas que “matam” o antitrinitarianismo

Todos esses movimento novidadeiros de suspostos reavivalistas da fé na verdade não reavivam é coisa nenhuma. Dirigi certa vez três perguntas a um adepto dessas novas ideias de descrença na Trindade:

1. Em que essas noções antitrinitarianas o ajudaram a crescer espiritualmente, tornando-o um cristão melhor?

2. Em que essas noções antitrinitarianas têm ajudado a Igreja a ser mais unida e a refletir mais amor de uns para com os outros?

3. Em que essas noções antitrinitarianas podem contribuir para apressar a pregação mundial do evangelho, que é o grande desafio para a Igreja – cumprir Mateus 24:14?

Ele admitiu candidamente que não saberia dizer em que tais noções o ajudaram a tornar-se um cristão melhor, a unir mais a Igreja e levar os membros a terem mais amor uns pelos outros, nem como contribuiria para apressar a terminação da obra de evangelização mundial e a volta de Cristo.

Então, uma pergunta final: Para que esse empenho todo, que a nada leva de construtivo?

Azenilto Brito

Há esperança para a igreja?

woman“Não carregue nas costas o peso da igreja, que não é sua, pois ela pertence a Cristo”

Há mais de vinte anos, quando eu era um jovem diretor de grupo em Santa Catarina, fui visitar nosso pastor distrital para pedir alguns conselhos relacionados com a comunidade adventista que eu liderava. Ademar Paim é um homem de Deus que, inclusive, realizou meu casamento. Contei-lhe das dificuldades que eu estava enfrentando na igreja e ele me disse algo de que nunca me esqueci: “Já me angustiei muito com os problemas e os desafios da igreja, e olhe que, como distrital, cuido de dez congregações. Perdi noites de sono, fiquei estressado, chorei, quase adoeci. Um dia abri o coração para Deus e disse que a carga estava pesada demais. Então Ele me disse que eu não precisava carregar nas costas uma igreja que é Dele. Entendi o recado. Ainda me sinto responsável pelas igrejas das quais sou pastor? Claro. Ainda sofro com algumas situações? Sim, é inevitável. Mas compreendi que não sou dono da igreja. Que o dono dela é Jesus, e Ele tem ombros infinitamente mais fortes que os meus.”

Abracei o adventismo no início dos anos 1990, quando era um estudante pré-universitário, evolucionista e adepto da Teologia da Libertação. Foram dois anos e meio de estudos bíblicos para me convencer de que a Igreja Adventista do Sétimo Dia realmente tem suas doutrinas embasadas nas Sagradas Escrituras e tem cumprido um papel profético especial no mundo. Dois anos e meio para purificar minha mente das ideologias antibíblicas que a dominavam. De lá para cá, tenho feito o que posso para ajudar a propagar a mensagem da volta de Jesus e edificar a igreja Dele na Terra. Prometi ao meu Deus que usaria tudo o que tenho e sou nessa missão. Procurei florescer onde fosse plantado: como estudante, professor, depois como editor da Casa Publicadora Brasileira (CPB) e, finalmente, como pastor adventista, ordenação que recebi há três anos com muita alegria e reverência – sempre levando em conta as palavras do pastor Paim: a igreja é Dele, você é apenas uma pequena engrenagem no todo.

Como repórter da CPB, tive o privilégio de conhecer histórias maravilhosas de conversão e missão. Histórias que me fazem acreditar que o Espírito Santo está agindo entre nós. Mas também acompanhei histórias tristes de intrigas, casamentos desfeitos, naufrágios espirituais, etc. Exatamente como acontecia entre o povo de Deus nos tempos bíblicos, afinal, eles e nós somos apenas seres humanos. Mas há um jeito de não ser dominado pelos maus sentimentos que essas coisas nos trazem.

Minha esposa e eu somos uma dupla missionária desde quando ainda éramos namorados. Entendi desde cedo que, como diz Ellen White, o verdadeiro converso nasce para o reino de Deus como missionário. É levando a Palavra às pessoas que nossa fé se fortalece. Por causa disso, precisamos estar sempre conectados à Fonte, porque ninguém dá o que não tem. Ver pessoas sendo convertidas pelo poder do Espírito Santo reafirma em nós a convicção de que a Palavra de Deus tem poder, e de que o Deus da Palavra guia Sua igreja. Ao ver o que o Senhor tem feito por meio de vasos de barro como nós encho-me de esperança.

Como diz um provérbio popular, ninguém joga pedra em cachorro morto. O diabo está irado contra a igreja, contra o povo que guarda os mandamentos de Deus e tem o Espírito de Profecia. O inimigo está atacando ferozmente esse povo, levantando heresias, mentiras, trazendo sofrimento e perdas, e tentando até às últimas consequências os soldados do evangelho. De vez em quando alguns desses soldados são atingidos e caem. Nessas horas, especialmente, merecem nossas orações e nossa compaixão, afinal, estamos todos na mesma guerra e um verdadeiro exército nunca abandona os seus feridos. Esse cenário de lutas e dor me mostra que o fim está próximo; que logo a sacudidura se intensificará (se não sabe o que é isso, estude) e me faz pensar uma vez mais que quem pensa estar em pé deve cuidar para não cair. E se cair deve olhar para cima e ver as mãos estendidas em sua direção.

Seguremos firmemente as mãos de Jesus e sigamos sempre o exemplo Dele, o autor e consumador da nossa fé. Só assim venceremos com Sua amada igreja, hoje militante, amanhã triunfante.

De vez em quando releio os textos abaixo, de Ellen White. Eles me trazem alento:

“A igreja, débil e defeituosa, precisando ser repreendida, advertida e aconselhada, é o único objeto na terra ao qual Cristo confere Sua suprema consideração” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

“Deus tem na Terra uma igreja que é Seu povo escolhido, que guarda os Seus mandamentos. Ele está guiando, não ramificações transviadas, não um aqui e outro ali, mas um povo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 362).

“Jesus amou a igreja, e por ela Se deu a Si próprio, e Ele a há de aperfeiçoar, refinar, enobrecer e elevar, de maneira que fique firme em meio das corruptoras influências deste mundo” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 356).

“Como o Capitão do exército do Senhor derribou os muros de Jericó, assim triunfará o povo que guarda os mandamentos do Senhor e serão derrotados todos os elementos oponentes” (Eventos Finais, p. 47).

“Não necessitamos duvidar nem temer de que a obra não avançará. Deus está à frente […] e porá tudo em ordem. […] Tenhamos fé de que o Senhor guiará com segurança ao porto a nobre embarcação que conduz Seu povo” (Review and Herald, 20 de setembro de 1892).

“Embora existam males na igreja e tenham de existir até o fim do mundo, a igreja destes últimos dias há de ser a luz do mundo poluído e desmoralizado pelo pecado” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 355).

“Quando alguém se afasta do corpo organizado do povo que observa os mandamentos de Deus, quando começa a pesar a Igreja em suas balanças humanas e a acusá-la, podeis saber que Deus não o está dirigindo. Ele se encontra no caminho errado” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, pág. 18).

Em momentos de crise, gosto de pensar também na atitude de Josué e Calebe, de Moisés e dos profetas. Josué e Calebe foram espias fieis, mereciam entrar na terra prometida, mas decidiram permanecer com a “igreja” e sofrer com ela no deserto. Moisés teve a chance de ser o pai de uma nova nação e se livrar da “igreja” murmuradora e complicada, mas preferiu ficar com ela até o fim. Os profetas denunciaram os erros da “igreja”, muitas vezes foram perseguidos por aqueles a quem procuravam salvar, mas, mesmo assim, não abandonaram o povo de Deus. Quero estar com esse povo até o fim, dentro desse barco que levará a igreja até o porto seguro, e fazer o meu melhor para tornar essa viagem a melhor possível, apesar dos muitos obstáculos pelo caminho.

Vamos nos unir, orar e trabalhar. Navegar é preciso, e quem está remando não tem tempo para o que não é prioritário.

Michelson Borges

Leia também: “Atitude correta: três opções seguras para lidar com os escândalos”

Quem é Jesus e o que isso importa

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A verdade sobre a morte

O que é a morte?

Não um Brasil que eu quero, mas um país que existe

eleicoesEstamos vivendo em um país em que as fake news e a intolerância se tornaram palanque para o eleitor. Muitas pessoas não votam mais pelas propostas nem pelo que acreditam ser o melhor para o Brasil. Que pena… Ninguém pode ter uma linha diferente, a não ser quando é a do seu candidato, porque aí criam-se manobras e mais manobras para tentar quebrar argumentos contrários. Alguém apoia ditaduras de esquerda, os da direita esbravejam: “Nossa! Olha isso. É isso que você quer para o Brasil? Fome, guerra, limitações? Alguém apoia ditaduras de direita, os da esquerda (apoiando ditaduras de esquerda) esbravejam: “Você é cristão, como pode apoiar uma ditadura? Com milhares de mortes, torturas e massacres de crianças, etc.” Isso se chama incoerência? Ou seria faltar com a verdade quando lhe apraz?

O Brasil está polarizado. E se você diz que é de direita, o outro lado vai dizer: “Então você é torturador, homofóbico, racista, misógino, xenofóbico, não quer dar liberdade de escolha para ninguém, quer que todo mundo acredite no seu Deus, seu intolerante!” Se você é de esquerda, o outro lado sempre dirá: “Então você quer um Estado sem Deus, quer aceitar a pedofilia como algo normal, apoia ladrão, feminista, quer a ideologia de gênero, quer que o Brasil vire Cuba, tá apoiando a fome na Venezuela, quer ver bebês morrerem abortados.” Enfim, com certeza dos dois lados haveria muito mais adjetivos.

Tenho amigos dos dois lados. Pessoas comuns. Alguns vão à igreja, outros não vão à mesma denominação que eu, e tenho amigos que não acreditam em Deus. Alguns são gays, outros tantos heterossexuais. Tenho amigas feministas e tenho amigos e amigas antifeministas. Tenho amigos negros e brancos. Amigos de esquerda e de direita. E sabe o que eu percebo? Alguns são intolerantes, tanto na esquerda quanto na direita. Alguns usam fake news, tanto o camarada que apoia o capitalismo e o conservadorismo moral, quanto o que apoia o socialismo e é liberal na moral. Se eu for medir essas duas coisas para se escolher um lado, não tem como optar por nenhum. Os dois lados têm dificuldade de enxergar o seu erro.

Estudei, estudo e continuarei estudando sobre o socialismo, comunismo, capitalismo, socialdemocracia, anarcocapitalismo, etc. Tenho visto o desenrolar das conversas dos seguidores dessas ideologias. Tenho visto negro ser de direita e contra cotas, assistido a cristãos apoiarem a esquerda e serem marxistas, ateus serem contra o aborto, cristãos serem a favor do aborto, branco aderir ao movimento negro e muito mais assuntos que poderiam ser colocados aqui. Não existe consenso. Não dá para colocar a pessoa apenas num nicho de ideias. Conheço pessoas que são de esquerda e são a favor do porte de armas. Conheço pessoas de direita que são a favor do aborto. Rotular uma pessoa e definir tudo que ela acredita somente por ela dizer ser de direita ou de esquerda é algo complicado.

O que eu acredito em tudo isso? Estude as propostas de governo, avalie de acordo com sua cosmovisão e não tem problema nenhum você votar por afinidade de ideias. O que não pode acontecer é forçar o outro a votar no seu candidato, mesmo ele tendo outra cosmovisão. Quem é de direita, por favor, se encontrar um amigo de esquerda, não demonize a pessoa, tampouco faça com que ela se sinta inferior a você por pensar diferente. Ela pode ser boa, honesta, não querer corrupção nem o mal para o Brasil, da mesma forma que você. Se você é de esquerda, não pense que seu amigo de direita é bitolado ou irracional, não o julgue como uma pessoa insensível. Ele pode ser bom, honesto, não querer injustiças nem o mal para pessoas diferentes dele, da mesma forma que você. Algo muito necessário: não coloque no papel de Deus nenhum ser humano. Todos têm seus erros e acertos.

Um dos candidatos vencerá estas eleições e seremos governados por alguém de direita ou esquerda (colocando aqui centro-direita ou centro-esquerda), mesmo você sendo a favor ou contra. Isso não vai mudar. Alguém que você acha ser péssimo para a família ou quem sabe alguém que você pense ser horrível para as minorias vai acabar ganhando. Falo agora para os que são cristãos: estamos neste mundo para servir a um propósito muito maior. Com os pés na Terra e os olhos no céu. Tendo que votar, porém sabendo que não é o seu voto ou o presidente que resolverá os problemas deste mundo. Nenhum ser humano resolverá de maneira completa a violência, os maus-tratos com pobres, mulheres e homossexuais. Não se tirará a injustiça do coração do homem por política. Nenhum homem, por melhor que seja, acabará com a imoralidade e os desejos contrários à Bíblia. Políticos são falhos e são movidos por ideologias que nem sempre são em sua plenitude de acordo com a Bíblia, que é a norma do cristão. Tanto os da esquerda quanto os da direita. Por isso eu sigo sendo do Alto!

Serei cidadão, serei inclusive mesário nas eleições, votarei segundo toda a pesquisa que fiz, não serei contrário à minha cosmovisão; tenho na minha mente o pensamento de que algumas ideologias não quero para o Brasil, porém não quero ser intolerante nem injusto com ninguém. E quero ajudar a levar o maior número de pessoas para o Céu, onde ninguém mais passará por desigualdade social nem viverá uma vida contrária à vontade de Deus. Pessoas essas que são tanto liberais quanto conservadoras. Pessoas que Jesus ama igualmente, não importa a cor, o sexo ou o credo. E Ele quer convidar essas pessoas a fazerem a vontade dEle e se prepararem para o Céu! Anseio por esse momento! Está você mais ansioso pela volta de Jesus do que pelas eleições? Reflita nisso.

Felipe Cayres