Uma igreja para desigrejados e desapontados

Alguns abandonam as instituições em busca de “liberdade”, outros mudam de igreja atrás de relevância. Como alcançar essas pessoas?

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Dados do Censo do IBGE mostram que existem grupos que se dividem quando o assunto é a “não religião”. Há os sem-religião ateus (3,98%); os sem-religião agnósticos (0,87%); e os que apenas não têm uma religião (95,15%), mas nem por isso são adeptos do ateísmo ou do agnosticismo. No Censo de 2010, os sem-religião eram 8% da população brasileira, ou mais de 15 milhões de pessoas. Conforme constatou a reportagem da BBC “Jovens ‘sem religião’ superam católicos e evangélicos em SP e Rio , esse percentual vem crescendo década após década: os sem religião eram 0,5% da população brasileira em 1960, 1,6% em 1980, 4,8% em 1991, e 7,3% em 2000. “As primeiras pesquisas Datafolha de 2022 mostram que, em nível nacional, 49% dos entrevistados se dizem católicos, 26% evangélicos e 14% sem religião – já acima dos 8% sem religião identificados no último Censo. Entre os jovens de 16 a 24, o percentual dos sem religião chega a 25% em âmbito nacional. […] Em São Paulo, os jovens de 16 a 24 anos que se dizem sem religião chegam a 30% dos entrevistados, superando evangélicos (27%), católicos (24%) e outras religiões (19%). No Rio, os sem religião nessa faixa etária chegam a 34%, também acima de evangélicos (32%), católicos (17%) e demais religiões (17%)”, informa a matéria.

Um dos testemunhais da reportagem é o de uma jovem de 21 anos, que escreveu numa rede social: “Eu não tenho religião, sempre fui totalmente pura a isso. Eu acredito em tudo, primeiramente em Jesus, o único Deus todo-poderoso. Também acredito em entidades, que me ajudaram muito e sempre que puderem vão me ajudar… Acredito em energias, no universo…” Ela mora na Zona Norte do Rio e tem parte da família evangélica, a mãe que frequenta a umbanda, e um irmão de 24 anos que, como ela, não segue uma religião, mas acredita em Deus. A pergunta que se ergue com uma fala dessas é: Que Jesus ela segue? O da Bíblia ou o idealizado por ela, já que o da Bíblia nada tem que ver com “entidades” e “energias”?

Regina Novaes, pesquisadora do Instituto Superior de Estudos da Religião, constata: “Havia uma ideia de que, com o passar do tempo e o avanço da secularização [processo através do qual a religião perde influência sobre as variadas esferas da vida], haveria um aumento das pessoas que se desvinculariam da fé, do sobrenatural. Mas isso não está acontecendo. O que está acontecendo são outros modos de ter fé.” O pluralismo religioso e o sincretismo, por exemplo.

A Revista Adventista deste mês traz uma entrevista com o pastor e doutor em Missão Mundial Jolivê Chaves exatamente sobre o assunto “desigrejados”. Segundo ele, que pesquisou o tema em seu PhD pela Andrews University, “cada vez mais a experiência religiosa leva muitos a transitar por diversas denominações, desde as tradicionais até as contemporâneas. O compromisso religioso e as normas bíblicas são deixados de lado em troca de benefícios. Com isso, há um crescimento do crer sem pertencer”.

O Dr. Jolivê descreve o tipo de religiosidade que favorece o crescimento do fenômeno dos sem-igreja: existencialista, relativista, sentimentalista, subjetiva, embasada em gostos pessoais e não mais nos preceitos bíblicos.      

Na matéria da BBC, é dito que os jovens ocupam seu tempo engajados em atividades de lazer e entretenimento – o funk, o hip hop, blocos e escolas de carnaval, e por aí vai – que muitas vezes entram em conflito com orientações comportamentais e morais das igrejas cristãs mais conservadoras. Eu acrescentaria produções da indústria cultural pop, como filmes e séries cujos conteúdos estão em franca oposição aos princípios bíblicos, criando uma ruptura espiritual e um enfraquecimento moral na vida daqueles que consomem essas coisas, de tal forma que, com o tempo, perdem o discernimento e acabam chamando ao bem de mal e ao mal de bem (Isaías 5:20). Para Silvia Fernandes, da UFRRJ, isso ajuda a explicar também por que os “sem religião” estão em maior número nos grandes centros urbanos, como Rio e São Paulo.

O artigo “Evangelicals find themselves in the midst of calvinism revival”, publicado no New York Times, mostra que um fenômeno curioso vem ocorrendo nos Estados Unidos, e que revela o cansaço desse pluralismo todo; dessa religiosidade sem lastro e meramente emocional e humanista. Segundo a matéria, jovens evangélicos estão migrando para igrejas mais tradicionais, em busca de sermões bíblicos e orientação espiritual. Parte da atração do calvinismo é certamente porque ele representa uma alternativa completa à teologia superficial e feita para agradar o consumidor que predomina em muitas igrejas. Nessas igrejas self-service, a doutrina é descartada como irrelevante, a Bíblia é utilizada como um manual de autoajuda semi-inspirado, e a adoração é substituída por várias formas de entretenimento.

Portanto, parece que dois caminhos ficam evidentes e se apresentam como alternativa para esta geração: (1) abandonar as igrejas institucionais e adotar uma religiosidade pessoal sincretista ou não, ou (2) buscar uma igreja que leve a sério a Palavra de Deus e os valores cristãos. Não é possível coxear entre um e outro, achando que pode conciliar Jesus com entidades, cristianismo com evolucionismo/feminismo/marxismo/dominionismo e outras pseudofusões. Na verdade, não é preciso hesitar, quando já temos orientação inspirada sobre isso:

“Deus nos chama a um reavivamento e uma reforma. As palavras da Bíblia, e da Bíblia somente, deveriam ser ouvidas do púlpito. Mas a Bíblia tem sido despida de seu poder, e o resultado é ausência de vigor espiritual. Em muitos sermões de hoje não existe aquela manifestação divina que desperta a consciência e traz vida à alma. Os ouvintes não podem dizer: ‘Não estava queimando o nosso coração, enquanto Ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?’ (Lc 24:32). Muitos estão clamando pelo Deus vivo, ansiando pela presença divina. Permitam que a Palavra de Deus fale ao coração deles. Deixem que os que têm ouvido apenas tradições, teorias e ensinos humanos ouçam a voz dAquele que pode renová-los para a vida eterna” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 626).

Pensando que as pessoas estão cansadas da “religião tradicional”, alguns líderes religiosos (mesmo adventistas) estão testando fórmulas que não deram certo em outros lugares e, na verdade, levaram a naufrágios na fé. Tentando ser “descolados”, abraçam “tradições, teorias e ensinos humanos”, enquanto relativizam a Bíblia Sagrada e adotam hermenêuticas satanicamente criadas justamente para despir a Palavra de seu poder. Igrejas que pregam mais ideologias humanas do que a Bíblia são fábricas de desigrejados e ateus funcionais. É só observar o que já aconteceu e está acontecendo em outros países e outras denominações.

O que faremos como igreja? Tanto os desigrejados quanto os jovens cansados de religiosidade vazia querem a mesma coisa: acolhimento, relacionamento, transparência e seriedade por parte das instituições e dos líderes, e, sobretudo, a relevância de uma mensagem doutrinariamente sólida que vem transformando vidas há muitos séculos.

Permita-me compartilhar parte do meu testemunho:

Por defender ideias e crenças diferentes, trinta anos atrás fui convidado a me retirar da igreja na qual nasci e da qual fui líder. Graças a Deus, fui acolhido na Igreja Adventista, onde encontrei uma mensagem bíblica sólida e uma prática condizente com a pregação.

Conheci amigos e irmãos de fé imperfeitos como eu, mas que têm a esperança de em breve ver Jesus; e, enquanto aguardam, procuram levar o maior número de pessoas aos pés Dele. Lendo sobre a vida dos pioneiros, vi histórias semelhantes à minha.

A família Harmon teve que deixar a Igreja Metodista. Tiago White e José Bates também tiveram que abandonar a denominação a que pertenciam. Guilherme e Johanna Belz deixaram o luteranismo. Esses e muitos outros foram acolhidos na Igreja Adventista.

De certa forma, o adventismo é um movimento religioso composto por muitos desigrejados unidos pela mesma crença e pela mesma paixão. Estou aqui porque ouvi a voz do Pastor (João 10:27), e quero fazer o meu melhor para receber as ovelhinhas que, como eu, vão chegando.

Michelson Borges

Esquerda e direita instrumentalizam a religião

E o que isso tem que ver com as profecias do tempo do fim

Durante o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, a separação entre a igreja e o Estado esteve seriamente ameaçada (confira aqui, aqui e aqui), tendo o presidente inclusive dito que pretendia acabar com a Emenda Johnson (aqui), justamente a que garante essa separação saudável. No livro O Dia do Dragão (CPB), o pastor e jornalista Clifford Goldstein já chamava a atenção dos leitores para esse perigo (confira), e mais recentemente, em seu livro Apocalipse 13 (CPB), Marvin Moore, editor da revista Signs of the Times, fez o mesmo tipo de alerta.

Nas páginas 148 e 149, ele cita algumas autoridades norte-americanas que têm falado e lutado em favor da reaproximação entre religião e política. Nomes como o do pastor presbiteriano D. James Kennedy, que disse: “Se estamos dedicados a levar de volta a nação aos valores morais cristãos, e estamos envolvidos nisso, não há dúvida de que podemos testemunhar a queda, não só do muro de Berlim, mas do ainda mais diabólico ‘muro de separação’ que tem levado à secularização, impiedade, imoralidade e corrupção em nosso país.” E ele disse mais: “Nossa tarefa é recuperar os Estados Unidos para Cristo, qualquer que seja o custo. Como os representantes de Deus, devemos exercer domínio [teologia do domínio] e influência piedosos sobre nossa vizinhança, nossas escolas, nosso governo, nossa literatura e arte, nossos ginásios esportivos, nossa mídia de entretenimento, nossa mídia de notícias, nossos esforços científicos – em resumo, sobre todos os aspectos e instituições da sociedade humana.”

As palavras de Kennedy soam quase como uma cartilha, uma espécie de gramscismo à direita. Um esforço de infiltração religiosa a la “The Family” (confira aqui e aqui) em todos os níveis da sociedade, numa violação aberta do conceito de laicidade, mas sempre com a justificativa de se estar trazendo de volta os valores cristãos que constituem a base do mundo ocidental – família, patriotismo, respeito, e outra coisa que citarei mais abaixo.

No Brasil, temos visto algo parecido com a teologia do domínio na chamada Bancada Evangélica, em produções midiáticas muito bem feitas do ponto de vista técnico, como os documentários da “Brasil Paralelo”, e os muitos cursos e conteúdos de influenciadores que clamam pela volta de um catolicismo tradicional com sabor medieval (algo que era defendido pelo filósofo Olavo de Carvalho [aqui e aqui]), sempre com a justificativa de salvar a sociedade com a volta dos bons costumes.

Note que o esforço sempre nasce de um problema real e legítimo. É evidente que as famílias estão se esfacelando e que essa instituição sagrada vem sendo impiedosamente atacada. É óbvio que os valores morais estão indo por água abaixo numa sociedade cada vez mais permissiva e fluida. Mas também é óbvio que empurrar à força um tipo de religião, numa reedição do status quo medieval, é convidar o totalitarismo e ameaçar a liberdade conquistada a tão alto preço. Para os analistas adventistas, interessa especialmente um ponto, entre tantos outros (a coisa que eu deixei no ar lá atrás): tanto o catolicismo quanto o evangelicalismo preponderante especialmente nos Estados Unidos defendem o descanso dominical como uma das propostas de salvamento para o mundo; um verdadeiro retorno das Blue Laws (confira). O domingo é um dos pontos de convergência entre católicos e protestantes em geral.

Ponto para as bestas do mar e da terra (Ap 13).

Para o pessoal da ala mais à esquerda, a religião também se apresenta como uma grande força a ser instrumentalizada. Mesmo sites católicos como o da Agência Católica de Informações denunciam a aproximação entre partidos de esquerda e a Teologia da Libertação (confira), e não veem isso como algo positivo. Para os adeptos dessa teologia que foi muito forte estre os anos 1960 e 1980, a solução para o mundo passa diretamente pela política e pelo fim das injustiças sociais. Ideólogos como Leonardo Boff adotaram um discurso ecológico com forte sabor panenteísta pagão (ecoteologia), como o usado durante o Sínodo da Amazônia, por exemplo (confira), recheado de expressões como “mãe terra” e outras.

Desse lado do espectro político se destacam os esforços ECOmênicos (confira) no sentido de “salvar a Terra”, tendo o domingo (de novo) como proposta para amenizar os efeitos das mudanças climáticas (ideia apresentada com ênfase pelo papa Francisco em sua encíclica Laudato Si).

Note que, de novo, as justificativas são sempre legítimas, afinal, quem concorda com as injustiças sociais que assolam o planeta? Quem concorda com a degradação do meio ambiente e o monopólio do capital na mão de tão poucos?

No fim das contas, fica a certeza de que estão procurando fazer algumas coisas certas tendo como base a ideologia errada que vai favorecer os protagonistas de sempre no grande conflito.

Ponto para as bestas do mar e do abismo (Ap 13 e 11).

O cristão não deve ser apolítico, afinal, a política permeia nossa vida, mas não deve ser partidário nem de direita nem de esquerda. Não pode se esquecer de que o reino de Cristo não é deste mundo. Precisamos continuar dando a César o que é dele e a Deus o que é Dele.

Michelson Borges

Para Olavo de Carvalho e seus seguidores, a Igreja Católica é a solução para o mundo

“A Igreja Católica é a única força que poderia […] restaurar o mínimo de equilíbrio e sanidade”

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“Preparem­‑se. Nos próximos anos a desordem do mundo atingirá o patamar da alucinação permanente e por toda parte a mentira e a insanidade reinarão sem freios. Não digo isso em função de nenhuma profecia, mas porque estudei os planos dos três impérios globais e sei que nenhum deles tem o mais mínimo respeito pela estrutura da realidade. Cada um está possuído pelo que Eric Voegelin chamava ‘fé metastática’, a crença louca numa súbita transformação salvadora que libertará a humanidade de tudo o que constitui a lógica mesma da condição terrestre.

“Na guerra ou na paz, disputando até à morte ou conciliando‑se num acordo macabro, cada um prometerá o impossível e estreitará cada vez mais a margem do possível. A Igreja Católica é a única força que poderia, no meio disso, restaurar o mínimo de equilíbrio e sanidade, mas, conduzida por prelados insanos, vendidos e traidores, parece mais empenhada em render‑se ao espírito do caos e fazer boa figura ante os timoneiros do desastre.

“No entanto, no fundo da confusão muitas almas serão miraculosamente despertadas para a visão da ordem profunda e abrangente que continua reinando, ignorada do mundo. Muitas consciências despertarão para o fato de que o cenário histórico não tem em si seu próprio princípio ordenador e só faz sentido quando visto na escala da infinitude, do céu e do inferno.”

(Olavo de Carvalho, Diário Filosófico, v. 1)

Nota: O sonho de certa ala conservadora religiosa é ver a Igreja de novo mesclada nos assuntos de Estado, e isso é um grande perigo. Olavo de Carvalho (falecido recentemente) nunca escondeu sua predileção pelo tradicionalismo católico medieval, e, por isso, além de combater o progressismo e o “marxismo cultural”, teceu críticas também à ala progressista católica. Há um tom bem autoritário no movimento que segue uma agenda ideológica (que, paradoxalmente, é tão doutrinadora e totalitária quanto a que Olavo denunciava). Os olavistas são abertamente um movimento antidemocrático e apologético em relação à filosofia medieval e o ideal católico greco-romano de sociedade. Um verdadeiro movimento de contrarreforma, contrário à verdadeira ciência e à teologia bíblica do sola scriptura. Enquanto isso, a besta que não é besta (Ap 13) costura alianças e posa de boazinha com a ala mais à esquerda (com seu discurso ECOmênico e em favor da família) e, como nunca mudou nem mudará, oferece a mão conservadora e tradicional para o outro lado do espectro político-ideológico. Roma ganha de qualquer forma, e levará avante suas intenções e planos (se não os conhece, recomendo a leitura do livro O Grande Conflito, de Ellen White). [MB]

Leia também: “O Dia do Dragão bate na direita e na esquerda”, “Líderes de extrema-direita reúnem-se secretamente em Fátima”, “Por que governos de direita e a religião crescem no mundo” e “A esquerda é o arco, a direita é a flecha”

A “justiça social” virou uma religião

Há algum tempo li esse artigo (da imagem). São 30 páginas nas quais os dois renomados autores defendem uma tese: a “justiça social” tomou ares de religião em nosso tempo.

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A “justiça social” hoje tem seus dogmas, seus “mantras sagrados”, seus “fiéis seguidores”, gente que briga para defendê-la e, especialmente, não pode ser questionada. Os autores têm razão, a “justiça social”, como vemos hoje, virou uma religião. Isso é tão verdade que algumas pessoas estão trocando suas religiões pela “religião da justiça social”. Conheço alguns “ex-cristãos” que agora seguem essa “nova religião” (embora alguns ainda se declarem cristãos).

Você está lendo e me perguntando: “Então você é contra a justiça social”? Eu respondo: sim. Como ela se apresenta hoje, sim. Com isso não quero dizer que sou contra a ajuda aos necessitados, que sou a favor do racismo, que apoio a violência contra qualquer pessoa. Acredito profundamente que devemos ajudar os necessitados, que não devemos fazer distinção de valor entre pessoas por qualquer critério e que não podemos violentar ninguém em qualquer âmbito.

A grande questão é que todas essas causas foram sequestradas pela “religião da justiça social” que tem como fundamento filosófico a pós-modernidade, que, por sua vez, está embebida no marxismo (em sua forma, digamos, reformada… rsrs).

Afirmo, como já afirmei antes: a religião cristã é suficiente para dar conta de todas as questões mencionadas acima. Não precisamos migrar para a “religião da justiça social”.

Continue sendo guiado pelo Senhor Jesus Cristo através do que Ele revelou em Sua Palavra.

Não se “converta” à “religião da justiça social”. Converta-se cada vez mais a Cristo!

(Pr. Felippe Amorim, apresentador da TV Novo Tempo; Instagram)

O 15 de Novembro e a liberdade religiosa

Hungria: o perigo da união entre religião e política

A liberdade de culto e consciência depende da manutenção de um Estado laico.

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Em 2010, o primeiro-ministro nacionalista Viktor Orban retornou ao poder na Hungria e, com isso, decidiu que iria enaltecer a identidade cristã do país, que fora suprimida pelos comunistas. Agora, como medida da chamada “revolução conservadora”, as escolas húngaras estão sendo cada vez mais submetidas à autoridade eclesial, segundo o UOL. Com a volta das aulas no país, alunos de instituições como a escola Ferenc Liszt se surpreenderam ao descobrir que começariam seus dias letivos em uma igreja. A medida, incentivada pelo governo, faz parte da “recristianização” da educação húngara.

Tal processo em Ferenc Liszt foi acompanhado pela AFP. Em entrevista à agência de notícias, inclusive, a diretora da instituição, Andrea Magyar, afirmou que o colégio “passou a estar sob a direção das freiras dominicanas em setembro de 2020”.

Segundo a responsável, a transferência do controle da escola para a igreja foi aprovada pelos pais dos alunos, através de votação. Nesse sentido, eles estariam “muito satisfeitos” com as mudanças, ainda mais considerando que, ainda de acordo com Magyar, o currículo de aulas das crianças “não mudou” com a decisão.

Nesse sentido, a diretora insiste que, apesar de as salas de aula estarem adornadas com cruzes e os horários dos alunos serem marcados por orações e classes de catecismo, nenhuma das mudanças é obrigatória. Por isso ela acredita que existem “relações menos burocráticas e mais calorosas” com a diocese do que com a autoridade educacional.

(Aventuras na História)

Nota: Este é o risco dos extremos: um leva para o outro. O ateísmo e o desprezo pelos valores judaico-cristãos típicos dos governos de orientação marxista/comunista acabam despertando reações ultraconservadoras que misturam política com religião. E essa mistura sempre se demonstrou nefasta – aliás, pelo que entendemos das profecias, será justamente a futura união entre Estado e Igreja que criará um ambiente de perseguição contra uma minoria religiosa considerada “fundamentalista”. Curiosamente, essa minoria (remanescente) é desprezada por ambos os lados do espectro e pelo mesmo motivo: os progressistas/subversivos/liberais (chame-se como quiser) não concordam com a hermenêutica bíblica desse grupo que crê, por exemplo, na factualidade dos primeiros capítulos de Gênesis e na inspiração de todas as Escrituras (2Tm 3:16); os ultraconservadores políticos abraçam um tipo de religião dominionista, evoteísta, tradicionalista/dogmática e dominguista. Aos remanescentes fiéis resta ficar e ser comidos pelo bicho (besta) ou correr e ser pegos pelo bicho (besta). A única esperança deles não está à esquerda, muitos menos à direita, mas no Alto. Graças a Deus! [MB]

Papa dá “indireta” a líderes judaicos que questionaram sua fala sobre texto da Bíblia e critica cristãos “fundamentalistas”

Para o líder católico, observância de preceitos religiosos é rigidez e fundamentalismo.

O papa Francisco retomou na audiência geral hoje a leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas, alvo de uma polêmica com líderes judaicos de Israel na última semana. Apesar de não citar o caso claramente, a fala do Pontífice deu a entender de que se tratava de uma resposta “indireta” aos comentários.

“Continuaremos com a explicação da Carta de São Paulo aos Gálatas. Essa explicação não é uma coisa nova, uma coisa minha. Isso que estamos estudando é o que disse São Paulo em um conflito muito sério com os Gálatas. E também é palavra de Deus porque entrou na Bíblia, não é algo que alguém inventa. É uma coisa que aconteceu naquele tempo e que pode repetir-se. E, de fato, vimos que isso se repetiu na história“, disse o líder católico no início da análise.

“Essa é simplesmente uma catequese sobre a palavra de Deus, expressa na Carta de Paulo aos Gálatas. Não é qualquer outra coisa. Tenham sempre em mente isso”, acrescentou.

Na última semana, foi revelado pelo site católico “Il Sismógrafo” que uma carta chegou ao Vaticano com questionamentos sobre a fala do Papa sobre a primeira análise da leitura bíblica.

O documento, assinado pelo rabino Rasson Arousi, presidente da Comissão do Grão-Rabinato de Israel para o Diálogo, dizia que os líderes judaicos estavam “preocupados” e “angustiados” porque a fala do Pontífice deu a entender que a “lei judaica está obsoleta”.

Para Arousi, o comentário é “parte integrante” de um “ensinamento desdenhoso contra os judeus e o judaísmo, coisas que pensávamos estar completamente repudiadas pela Igreja” católica.

Oficialmente, não houve pronunciamento da Santa Sé sobre o caso.

Falando aos fiéis especificamente da leitura, Francisco fez uma alerta sobre o que chamou de “religiosidade rígida” de grupos cristãos que, assim como há na epístola, ainda ocorre atualmente.

“A intenção de Paulo é de colocar claramente para os cristãos que eles se deem conta do que está em jogo e não se deixem encantar pela voz da sereia, que quer levá-los para uma religiosidade baseada unicamente na observação escrupulosa dos preceitos“, disse o líder da Igreja Católica.

“Também hoje ouvimos alguém que diz: ‘A santidade está nesses preceitos, nessas coisas’, ‘vocês têm que fazer isso ou aquilo’, e isso nos leva a uma religiosidade rígida, de uma rigidez que nos tira aquela liberdade no Espírito que a redenção de Cristo nos dá. Cuidado com a rigidez que lhe é proposta! Por trás de toda rigidez existe algo ruim, não há o Espírito de Deus. Esta Carta nos ajuda a não dar ouvidos a essas propostas fundamentalistas que nos fazem regressar em nossa vida espiritual, e nos ajuda a andar para frente na vocação pascal de Jesus”, acrescentou.

Francisco finalizou dizendo que os cristãos devem rezar para pedir a “sabedoria de percebermos sempre essa realidade e mandar embora os fundamentalistas que nos propõem um caminho de ascese artificial, distante da ressurreição de Cristo”.

(UOL Notícias)

“Estou na minha liberdade”

“Estou na minha liberdade!” Assim disse o garoto com uma suástica no braço

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Não tenho como julgar qual o nível de consciência do garoto a respeito da gravidade do ato. Mas uma coisa posso dizer: a (falsa) liberdade à qual ele se refere está impregnada em toda a sociedade. É o espírito do nosso tempo. Na filosofia chamaríamos de “zeitgeist”. Muitos têm usado a mesma linha de pensamento para fazer outros absurdos por aí. Os atos são diferentes, estão de lados ideológicos diferentes, mas são forjados sobre a mesma (falsa) liberdade.

Esse mesmo espírito invadiu o cristianismo. Em nome da (falsa) liberdade, coisas absurdas têm sido defendidas e feitas no meio cristão. Práticas condenadas pela Bíblia também são chamadas de “liberdade” e, com base nisso, vividas e defendidas.

Há muito tempo, o apóstolo Paulo já havia alertado sobre isso. Ele escreveu: “Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne” (Gálatas 5:13).

O mesmo conceito (falso) de liberdade que colocou a suástica no braço do garoto do shopping leva supostos cristãos a violar a Bíblia e achar que estão certos.

Os atos são diferentes, mas o “chão” sobre o qual se apoiam é o mesmo.

Vivamos a verdadeira liberdade, a saber, aquela que está submissa aos princípios de Deus!

(Felippe Amorim; Instagram)

Ciência e religião são compatíveis?

Deus quer que eu seja feliz?

No Sermão da Montanha, Cristo não disse: “Felizes os que são felizes”

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Claro que é verdade! Mas, no Sermão da Montanha, Cristo não disse: “Felizes os que são felizes por que verão a Deus.” Porém, disse:

Felizes os pobres de espírito.
Felizes os que choram.
Felizes os humildes.
Felizes os que têm fome e sede de justiça.
Felizes os misericordiosos.
Felizes os que promovem a paz, pois serão chamados filhos de Deus.
Felizes os perseguidos por causa da justiça (ler Mateus 5).

Uau! Todas as bem-aventuranças me chacoalham. Destaco hoje esta: “Felizes os limpos de coração, porque eles verão a Deus” (Mateus 5.8). Pensei: por mais santidade e menos essa tal felicidade baseada em atender os desejos de uma natureza caída e inimiga de Deus.

“Sem ter uma vida santa ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14).

Observe se o assunto santificação aparece em nossas conversas. Preste atenção na vida cotidiana dos cristãos no momento. Saímos do extremo de legalismo, farisaísmo para o extremo do mundanismo, humanismo. Ser feliz tornou-se a suprema ordem. “Meus desejos, meu governo.”

Que felicidade, cara-pálida? De qual felicidade estamos falando?

“Feliz é aquele que suporta com paciência as provações e tentações, porque depois receberá a coroa da vida que Deus prometeu àqueles que O amam” (Tiago 1:12).

Estamos confundindo felicidade com desejo pelo pecado. E pecar é bom, gostoso. É compatível com a nossa natureza caída.

“Nossos próprios desejos nos seduzem e nos arrastam. Esses desejos dão à luz o pecado, e quando o pecado se desenvolve plenamente, gera a morte” (Tiago 1:14).

Vamos! Continuemos dando ousadia para os desejos. Demos a eles o governo da nossa vida. O final será a morte eterna.

“Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfaçam os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; o Espírito, o que é contrário à carne” (Gálatas 5:16, 17).

E essa felicidade aqui Quem quer? “Felizes são vocês quando, [por Minha causa] sofrerem zombaria e perseguição, e quando outros, mentindo, disserem todo tipo de maldade a seu respeito. Alegrem-se e exultem, porque uma grande recompensa os espera no céu. E lembrem-se de que os antigos profetas foram perseguidos da mesma forma” (Mateus 5).

(Darleide Alves; Instagram)