Não, o papa não cancelou a Bíblia

papa-franciscoEu nem ia falar sobre isso, tamanha a cara de fake que a “notícia” tem, mas, como tenho recebido perguntas de muitas pessoas a respeito do assunto, resolvi escrever esta nota para deixar claro que não, o papa não “cancelou” a Bíblia. Segundo o texto que tem circulado nas redes sociais, Francisco teria proposto criar um novo livro sagrado, pois a Bíblia estaria “desatualizada”. O site oficial católico ACI Digital desmentiu o boato no dia 18 de abril (confira aqui). Na verdade, nem seria preciso. Pare e pense um pouco… Você acha que algum líder religioso faria uma proposta dessas? Caso quisesse enganar as pessoas, não seria mais fácil usar a Bíblia que elas tanto amam cuidando apenas em distorcer sua mensagem? É isso que os espiritualistas fazem, por exemplo, ao afirmar descabidamente que João Batista teria sido uma reencarnação do profeta Elias. É isso o que outros fazem ao dizer que o santo sábado bíblico teria sido substituído pelo domingo como dia de repouso.

O que o papa disse certa vez é que apenas a Igreja Católica é que teria autoridade de interpretar a Bíblia (confira), o que não está correto, afinal, inúmeros textos bíblicos incentivam as pessoas a lerem as Escrituras por si mesmas, pedindo sempre a orientação do Espírito Santo. Leia, por exemplo, Apocalipse 1:1. Ali fica claro que a revelação é para os servos de Deus, ou seja, qualquer pessoa que humildemente se disponha a colocar em prática o conteúdo estudado/lido.

Portanto, se a intenção é defender um ponto de vista, um dogma ou mesmo enganar as pessoas, melhor é manter a Bíblia e interpretá-la ao bel-prazer.

Desconfie sempre de “notícias” com caráter sensacionalista e absurdo, sem fonte ou com fonte duvidosa, sem repercussão em órgãos noticiosos confiáveis. E mais importante do que isso: NÃO REPASSE ESSAS INFORMAÇÕES SE NÃO TIVER CERTEZA DE QUE SÃO VERDADEIRAS. Não contribua com a disseminação de fake news. Quem gosta disso é o pai da mentira. [MB]

Leia também: “O diabo é o pai das fake news e dissidentes lhe seguem o exemplo e “Boataria internética”

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A esquerda é o arco, a direita é a flecha

flechasCom todas essas mudanças políticas e econômicas que o Brasil e o mundo estão enfrentando, muitos se perguntam aonde a humanidade vai chegar. Será que o caos está próximo mesmo? Será o “fim do mundo”? Os ânimos estão se acirrando e principalmente a polarização política se intensifica cada dia mais. No meio dessa confusão toda, surgem vozes destoantes e antagônicas, e a violência cresce assustadoramente. De um lado estão os adeptos da ideologia política de esquerda, com seu discurso de inclusão e justiça social, defesa de minorias e pautas progressistas como o aborto e a legalização das drogas. De outro lado, estão os adeptos da ideologia política de direita, com sua oratória moralizante e intolerante, de preservação de uma tradição religiosa e de instituições antigas. Em meio a esse fogo cruzado, qual deve ser a postura cristã pautada por princípios bíblicos?

Segundo Karl Marx, possivelmente a maior influência para a esquerda mundial, seus princípios metodológicos e basicamente toda a sua teoria econômica e social estão fundamentados no evolucionismo darwinista. Tanto é assim que ele dedicou a segunda edição de O Capital para seu “autêntico amigo” Charles Darwin.

No livro Polemos: Uma Análise Crítica do Darwinismo (p. 220), o ex-professor da UNB José Osvaldo de Meira Penna destaca algo interessante: “Em carta a Engels de 19 de dezembro de 1860, um ano depois da publicação de A Origem das Espécies, Marx informa seu dileto amigo que, ‘durante meu tempo de provações, nas quatro últimas semanas, li toda espécie de coisas. Entre outras, o livro de Darwin sobre a seleção natural. Malgrado seu inglês pesado, esse livro contém o fundamento natural de nossa teoria’” (grifo meu). Percebeu? Foi o próprio Marx que admitiu…

No livro Darwin: Retrato de um Gênio (p. 116), Paul Johnson, escreveu que “a devoção que Marx e Engels demonstraram em relação ao livro Origem [das Espécies] ainda na semana de sua publicação foi seguida por um interesse contínuo entre importantes comunistas, de Lenin a Trotsky, de Stalin a Mao Tse-Tung, e todos lançavam mão da teoria da seleção natural para justificar a luta de classes”.

James Pusey, professor de Estudos Chineses da Universidade Bucknell, escreveu um artigo para a série “Global Darwin”, na revista Nature de 12 de novembro de 2009, sobre as reações de Lenin e Mao Tse-tung à obra de Charles Darwin. Embora não tenha citado boa tarde das mazelas comunistas, Pusey aponta uma informação muito reveladora:

“Sun, Jiang Jieshi (Chiang Kaishek) e, finalmente, o pequeno grupo de intelectuais que, em indignação pela traição em Versalhes, encontrou no marxismo o que parecia para eles a fé mais apta na Terra para ajudar a China a sobreviver. Isso não foi, é claro, toda responsabilidade de Darwin, mas Darwin esteve envolvido em tudo. Para crer no marxismo, alguém tinha de acreditar nas forças inexoráveis empurrando a humanidade, ou pelo menos os eleitos, para o progresso inevitável, através de séries de etapas (que poderiam, contudo, ser puladas). Alguém tinha de acreditar que a história era uma luta de classes violenta, hereditária (quase que uma luta ‘racial’); que o indivíduo deve ser severamente subordinado ao grupo; que um grupo iluminado deve liderar o povo para o seu próprio bem; que as pessoas não devem ser humanas para com seus inimigos; que as forças da vitória asseguraram a vitória daqueles que estavam certos e que lutaram. Quem ensinou essas coisas para os chineses? Marx? Mao? Não. Darwin” (grifos meus).

O livro Marxismo Desmascarado é a coletânea de palestras apresentadas nos anos 1950 por Ludwig von Mises. Na página 41, ele diz: “Era o tempo de A Origem das Espécies [1859], de Charles Darwin. A moda intelectual daquele momento era enxergar o homem simplesmente como um membro da classe zoológica dos mamíferos, que agia com base nos instintos.”

Por causa da cosmovisão materialista, os marxistas não veem a vida como algo sagrado e, por isso, desprezam as Escrituras e a tradição judaico-cristã como orientadoras da moral social e dos valores intrínsecos que elas carregam. Do ponto de vista adventista do sétimo dia, as instituições edênicas criadas por Deus, como o casamento heteromonogâmico e mesmo as diferenças entre os dois sexos originalmente criados são, dessa maneira, injustamente consideradas meras convenções humanas, resquícios de uma sociedade arcaica.

O memorial da criação, o santo sábado, e o relato da origem do pecado e da queda humana são tidos, dentro desse espectro político, como apenas lendas religiosas superficiais. O ser humano se resume a um animal racional, um “amontoado de células” sujeito às mutações aleatórias da suposta “macroevolução”. O pecado passa a não ser um atributo inerente à natureza e seus efeitos espirituais não mais existem. Como consequência, a redenção bíblica protagonizada por Cristo é interpretada como um ideal social nas mãos da Teologia da Libertação, e será alcançada por uma via revolucionária, socialista ou comunista.

Como acusação contra os “conservadores”, Karl Marx, seu amigo e coautor Friedrich Engels e seu discípulo italiano Antônio Gramsci, os principais ideólogos de esquerda seguidos no Brasil, ao lado de Nietzsche, dizem que foi o capitalismo que originou a família tradicional. Para os marxistas, essa família não é o arranjo de família natural, pois as relações familiares, antes da “praga do capitalismo”, eram comunitárias. Um trecho do livro A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado (p. 69-74), de Friedrich Engels, esclarece essa posição:

“A família individual moderna está baseada na escravidão doméstica, transparente ou dissimulada, da mulher, e a sociedade moderna é uma massa cujas moléculas são compostas exclusivamente por famílias individuais. Hoje em dia é o homem que, na maioria dos casos, tem de ser o suporte, o sustento da família, pelo menos nas classes possuidoras, e isso lhe dá uma posição de dominador que não precisa de nenhum privilégio legal específico. Na família, o homem é o burguês e a mulher representa o proletário. […] Quando os meios de produção passarem a ser propriedade comum, a família individual deixará de ser a unidade econômica da sociedade. A economia doméstica converter-se-á em indústria social. O tratamento e a educação das crianças passarão a ser uma questão pública. A sociedade cuidará, com o mesmo empenho, de todos os filhos, sejam legítimos ou ilegítimos. Desaparecerá, desse modo, o temor das ‘consequências’ que é hoje o mais importante fator social, tanto do ponto de vista moral quanto do ponto de vista econômico, o que impede uma jovem solteira de se entregar livremente ao homem que ama. Não será isso suficiente para que apareçam gradualmente relações sexuais mais livres e também para que a opinião pública se torne menos rigorosa quanto à honra da virgindade e à desonra das mulheres? E, finalmente, não vimos que no mundo moderno a prostituição e a monogamia, ainda que antagônicas, são inseparáveis, como polos de uma mesma ordem social? Pode a prostituição desaparecer sem arrastar consigo, na queda, a monogamia?”

Para algumas pessoas, a ideologia política de direita seria uma resposta a esses abusos progressistas. Entretanto, confiar inteiramente e somente em sistemas econômicos, propostas sociais e governos humanos é algo vão, pois a História demonstra com precisão incrível que, (1) se o governo conservador fosse inteiramente religioso, já sabemos pela experiência que as teocracias não funcionariam; (2) se o governo conservador fosse parcialmente religioso e parcialmente estatal, também já sabemos pela experiência que seria uma catástrofe como na Idade Média; (3) se for liberal, deixa de ser conservador e de direita.

Na ala conservadora do espectro político, prega-se em favor da família patriarcal, da propriedade privada dos meios de produção, dos direitos individuais, da legitimidade da autodefesa pessoal, do favorecimento do mérito, etc. Mas, como já mencionei, há um grande risco: geralmente os defensores do pensamento conservador são aliados de uma religião hegemônica – o catolicismo, as “bancadas evangélicas”, ou ambos. Com eles, a relação Estado-Igreja pode ser muito mais estreita, com todos os riscos que essa união traz.

Trata-se de uma situação sui generis, que também pode ser contemplada e refletida por um grupo que pretende estar fora dessas discussões políticas: os adventistas do sétimo dia, que têm uma forte visão escatológica e buscam se pautar pelos princípios bíblicos.

Quem você acha que mais facilmente assinaria um decreto como aquele que vai impor o descanso dominical justificado pela proteção da família e do meio ambiente? De um lado, estão os adeptos da ideologia política de direita que pretendem defender a família tradicional. De outro, os adeptos da ideologia política de esquerda que pretendem defender o meio ambiente.

Como bem ilustrou o físico Eduardo Lütz, “a esquerda é só o movimento puxando o arco para o lado oposto ao que será percorrido pela flecha que vai causar os verdadeiros estragos. A esquerda é o arco, a direita é a flecha”. O fato é que o mundo parece estar chegando a uma encruzilhada. A legalização e banalização do aborto, a ideologia de gênero, o abuso do politicamente correto, a destruição da família tradicional e mesmo a islamização do Ocidente são forças que estão retesando o arco que lançará a flecha destruidora da onda moralizante que varrerá o planeta, com sua bandeira de defesa da família que, para os mais atentos às profecias, traz consigo perigos e ameaças para pessoas que nada têm que ver com isso nem com aquilo.

Por isso, não nos iludamos. A solução para este mundo desgastado e machucado pelo pecado, cheio de injustiças, desigualdades e miséria não virá dos esforços humanos, desse ou daquele partido, desse ou daquele sistema político ou de governo. Como diz o salmista: “Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra” (Sl 121:1-2). Nosso socorro não virá das montanhas, não virá dos governos humanos, não virá de nós mesmos. Já tivemos seis mil anos para deixar claro que não conseguimos nos salvar. Precisamos da intervenção do Alto. Nosso socorro virá do Deus que criou os céus e a Terra, e que vai recriar este planeta e devolvê-lo à condição edênica de paz, justiça e amor eternos.

Conforme escreveu Ellen White, “alguns pretendem que a espécie humana necessita, não de redenção, mas de desenvolvimento – que ela pode se aperfeiçoar, elevar-se e regenerar-se. Assim como Caim julgava conseguir o favor divino com uma oferta a que faltava o sangue de um sacrifício, assim esperam estes exaltar a humanidade à norma divina, independentemente da expiação. A história de Caim mostra qual deverá ser o resultado. Mostra o que o homem se tornará separado de Cristo. A humanidade não tem poder para regenerar-se. Ela não tende a ir para cima, para o que é divino, mas para baixo, para o que é satânico” (Patriarcas e Profetas, p. 41).

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Barna em cooperação com o Summit Ministries revelou que tem crescido entre os cristãos ideias não bíblicas como as da Nova Era e do marxismo. Mais de dez por cento concordam com a declaração marxista: “A propriedade privada encoraja a ganância e a inveja”, e outros 14% dizem crer que “o governo e não os indivíduos deveria controlar os meios de produção e os recursos”. Por outro lado, apenas 17% dos cristãos mostraram ter uma visão bíblica sobre a vida.

No caso específico dos adventistas do sétimo dia, é evidente que doutrinas espíritas e concepções evolucionistas encontram muito mais dificuldade para se misturar à sua cosmovisão. Mas o mesmo não pode ser dito das ideias marxistas, muito embora Ellen G. White tenha escrito coisas como esta: “Não é plano de Deus que a pobreza desapareça do mundo [Jesus disse que os pobres estariam por aqui até o fim, até que em Sua segunda vinda Ele resolva todos os problemas causados pelo pecado]. As classes sociais jamais deveriam ser igualadas; pois a diversidade de condições que caracteriza nossa raça é um dos meios pelos quais Deus tem pretendido provar e desenvolver o caráter. Muitos têm insistido com grande entusiasmo em que todos os homens devem ter parte igual nas bênçãos temporais de Deus; não era esse, porém, o propósito do Criador. […] Seria a maior desgraça que já sobreveio à humanidade se todos devessem ser colocados em posição de igualdade em possessões terrenas” (Testimonies, v. 4, p. 552).

O texto de Oseias 4:6 é mais verdadeiro do que nunca: “O Meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.” Os cristãos caem nos engodos gestados pelo inimigo de Deus justamente porque não mais estudam a Bíblia como deveriam. Vivem uma religião emocionalista, quase mística, sem lastro nas Escrituras Sagradas. Apenas usam a Bíblia como uma espécie de amuleto ou a carregam para a igreja, levando-a de volta para casa, onde fica estacionada na estante ou sobre o criado mudo – tão muda quanto esse criado. É uma armadilha satânica: enquanto essas pessoas se sentem bem por crerem que são cristãs, vivem como se não fossem e carecem de uma visão bíblica que as ajudaria a identificar as armadilhas ideológicas espalhadas por aí.

Evolucionismo, espiritualismo e marxismo são incompatíveis com a Bíblia. Essa tríade filosófica ensina a independência de Deus; que o ser humano pode evoluir física, espiritual e socialmente. E isso vai totalmente contra a essência das três mensagens de Apocalipse 14 – a justificação pela fé que, em uma palavra, é a dependência de Deus.

Existem coisas boas nessas três ideologias evolucionistas? Sim, mas, quando analisamos bem esse lado bom da “maçã”, percebemos que o que há de elogiável nelas é exatamente o que prega o cristianismo bíblico, como o amor ao próximo e a ideia de que todos, embora sejam diferentes, têm direitos iguais perante Deus – especialmente o direito à salvação. Ou então que devemos ser caridosos, o que não é monopólio do espiritismo. O problema é o lado podre da “maçã”, aquilo que vai de encontro à revelação bíblica e que é justamente o elemento que une a tríade.

Deus nos ajude a olhar para o Alto, não para a esquerda nem para a direita!

Michelson Borges

P.S.: “A Palavra de Deus não sanciona nenhum plano que enriqueça uma classe pela opressão e o sofrimento de outra. Em todas as nossas transações comerciais, ela nos ensina a colocar-nos no lugar daqueles com quem estamos tratando, a considerar, não somente o que é nosso, mas também o que é dos outros. Aquele que se aproveitasse do infortúnio de um outro para beneficiar a si mesmo, ou que buscasse para si lucros por meio da fraqueza ou incompetência de outros seria um transgressor, tanto dos princípios como dos preceitos da Palavra de Deus” (Ellen G. White, Ciência do Bom Viver, p. 187).

Macron propõe restaurar relações entre Igreja Católica e a França

macronO presidente francês Emmanuel Macron disse, durante a Conferência Episcopal Francesa, realizada no Collège des Bernardins de Paris, que deseja restaurar as relações entre a Igreja Católica e o Estado. Dirigindo-se aos cerca de 400 participantes, Macron afirmou: “Compartilhamos um sentimento confuso de que o vínculo entre Igreja e Estado se deteriorou e que é importante para vocês e para mim consertá-lo.” Macron acrescentou que “não há outra solução que não seja um diálogo de verdade. Essa conversa é imprescindível, porque uma Igreja que não pretende se interessar por questões temporais não está cumprindo sua vocação. Assim como um presidente que pretende se afastar da Igreja e dos católicos está faltando com seus deveres”. Finalmente, o presidente francês convidou os católicos a “trabalharem politicamente”, pois a política “precisa” do “compromisso da fé”.

Essas afirmações devem ser historicamente contextualizadas para melhor percebermos a relevância delas. Não estaremos exagerando se dissermos que a França é a autora do secularismo moderno. Os princípios da Revolução Francesa de mais de dois séculos trouxeram uma enorme onda de ateísmo, arreligiosidade e até antirreligiosidade. Macron fez um pouco esse reconhecimento ao dizer que a França “não poupa a sua desconfiança de religiões”.

Recordemos uma breve descrição que Ellen White faz desses acontecimentos históricos, utilizando registros históricos da época:

“Durante a Revolução, em 1793, ‘o mundo pela primeira vez ouviu uma assembleia de homens, nascidos e educados na civilização, e assumindo o direito de governar uma das maiores nações europeias, levantar a voz em coro para negar a mais solene verdade que a alma do homem recebe, e renunciar unanimemente à crença na Divindade e culto à mesma’ (Vida de Napoleão Bonaparte, de Sir Walter Scott). ‘A França é a única nação do mundo relativamente à qual se conserva registo autêntico de que, como nação, se levantou em aberta rebelião contra o Autor do Universo. Profusão de blasfemos, profusão de incrédulos, tem havido e ainda continua a haver, na Inglaterra, Alemanha, Espanha e em outras terras; mas a França fica à parte, na história universal, como o único Estado que, por decreto da Assembleia Legislativa, declarou não haver Deus, e em cuja capital a população inteira, e vasta maioria em toda parte, mulheres assim como homens, dançaram e cantaram com alegria ao ouvirem a declaração’ (Blackwood’s Magazine, de novembro de 1870” (O Grande Conflito, p. 269).

Não é por isso coincidência ter sido justamente o braço armado dessa nação quem retirou ao papa o seu poder temporal (em 1798, executando a “ferida de morte” profetizada em Apocalipse 13:3).

Desde então, e como é normal, a França tornou-se um símbolo da oposição e negação de tudo quanto é religioso, principalmente cristão. Claro que isso não impediu que existissem, como até hoje, comunidades religiosas no país. Contudo, é claro para qualquer historiador ou até sociólogo a especial preponderância de valores e princípios secularistas nesse país.

Assim sendo, assume particular destaque o convite do presidente francês para que a Igreja Católica se interesse por assuntos temporais (sendo que, como já foi mencionado, foi justamente a França que em 1798 retirou a voz temporal da Igreja!) e a ter uma parte ativa no trabalho político.

Enquanto os católicos em particular e os cristãos de forma geral podem ter ficado satisfeitos com essa posição do presidente francês, talvez os progressistas fiquem incomodados e entendam que Macron está fazendo a França voltar atrás no tempo – afinal, pensarão eles, a separação entre Estado e Igreja deveria impedir que a Igreja se envolvesse assim tanto em questões políticas. Por isso, logo classificaram as palavras de Macron como “indignas de um presidente de uma república laica” e “uma afronta perigosa à laicidade”.

Se pensaram assim, Macron esclareceu que a função da laicidade, princípio fundamental do Estado francês, “não é erradicar da sociedade a espiritualidade que nutrem tantos dos nossos compatriotas”, acrescentando mesmo que o mundo político precisa da fé. O presidente francês foi mais nítido quando pediu aos católicos para reinvestirem na “cena política nacional e também europeia”. Imagino que essas palavras foram recebidas no Vaticano como uma bela e harmoniosa música…

Em resumo do essencial que mais interessa, dois aspetos proféticos parecem estar implicados nessa questão:

a) O papado romano dá mais uma evidência de estar se recuperando da ferida de morte, incluindo, agora de forma específica, na nação que lhe provocou essa ferida (Apocalipse 13:3).

b) Simultaneamente, o mesmo papado ganha um novo fôlego e ímpeto para se vingar do ateísmo e do secularismo que o derrubou.

(O Tempo Final)

Os adventistas e a prática do rebatismo

batismoUm vídeo humorístico de um canal no YouTube viralizou nesta semana e trata do assunto do rebatismo na ótica dos adventistas do sétimo dia. Não se trata de conteúdo ofensivo, e como o próprio autor diz no fim do vídeo, a ideia é criticar as pessoas que não levam a sério a vida cristã e banalizam o rito do batismo. Mas será que existe base bíblica para batizar uma pessoa mais de uma vez?

Como qualquer caricatura, o vídeo tenta destacar um ponto em detrimento da realidade. Na verdade, os adventistas não ensinam que por causa de qualquer pecado a pessoa deva ser rebatizada. Por exemplo, em 1 João 2:1 é dito que não devemos pecar, mas se pecarmos temos um Advogado. Em 1 João 1:9 está escrito que, se confessarmos os nossos pecados, Jesus é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar. O texto bíblico não diz que a cada pecado que cometemos devemos passar novamente pelo batismo; diz, sim, que devemos confessar novamente. A cerimônia do lava-pés estabelecida por Cristo tem esse papel renovador.

Conforme explica o bibliotecário e mantenedor do canal Bíblia Anotada, Vanderlei Ricken, “rebatismo é para casos em que a pessoa decide abandonar os caminhos de Deus e, depois de um ano ou mais, ela ‘cai na real’ e assim como o filho pródigo volta para a casa do Pai, recebendo uma ‘nova roupa’ e um ‘anel’ para atestar a filiação recuperada. Essa demonstração pública de compromisso e mudança de vida é feita por meio do rebatismo”.

Quando a Bíblia fala em “um só batismo” não se refere à quantidade de batismos, mas à forma correta de se batizar. De fato, existem muitos tipos de batismo, porém, apenas um é o correto, o que testifica da entrada no reino de Deus, demonstrando que houve morte para o pecado, sepultamento nas águas e ressurreição para uma nova vida. Daí a necessidade de o batismo ser por imersão, como foi o de Jesus, nosso modelo.

O texto que menciona o “um só batismo” é Efésios 4:5. A primeira coisa a ser analisada é quem é o remetente da carta endereçada aos efésios. Como ocorre normalmente, as cartas do Novo Testamento têm um intróito que contém a apresentação do emissor da carta. Lemos no primeiro verso do livro de Efésios: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus.” A carta é de autoria do apóstolo Paulo e levar em conta esse pano de fundo ajuda bastante na compreensão do assunto.

O apóstolo Paulo, ao mencionar “um Senhor, uma só fé, um só batismo”, está enfatizando o aspecto numérico e a quantidade, ou destacando a relevância de cada um? Segundo o pastor e líder de jovens Eleazar Domini, a resposta a essa pergunta está na própria perícope da passagem. No verso seguinte lemos: “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos.” “É óbvio que esse verso não está ensinando que apenas o Pai é Deus, pois estaria em contradição com João 1:1, 14 e diversos outros textos do Antigo e do Novo Testamentos. Em 2 Coríntios 4:4 é dito que o diabo é o deus deste mundo. Tiago apresenta a fé que é morta, aquela que não é acompanhada de obras. Ora, se o texto de Efésios quisesse dar uma ênfase numérica, encontraríamos diversas dificuldades em outras passagens”, compara o pastor Eleazar.

Fica claro que o objetivo de Paulo não era descrever a quantidade de deuses, de credos nem de batismos. O objetivo dele era mostrar que há um Deus verdadeiro, uma fé verdadeira e um batismo verdadeiro.

Quando voltamos a atenção para Atos 19:1-5, encontramos uma experiência muito interessante: “E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. E disse-lhes: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Porém, Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele haveria de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus.”

Dois detalhes importantes nesse texto: (1) o protagonista é Paulo e (2) o grupo visitado é de Éfeso (o mesmo grupo a quem Paulo dirigira sua carta).

O que temos aqui é um grupo de pessoas que ao serem visitadas por Paulo foram questionadas a respeito do Espírito Santo. A resposta deixou o apóstolo intrigado: “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.” Se a grande comissão de Cristo ensina que as pessoas devem ser batizadas em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, como aqueles novos discípulos não conheciam o Espírito Santo? A resposta deles provocou a réplica de Paulo: “Em que sois batizados então?” “No batismo de João”, eles responderam. Ao que tudo indica, o desconhecimento desse grupo não era sobre a existência do Espírito Santo em si, mas da atuação efetiva dEle a partir do retorno de Cristo ao Céu.

O Comentário Bíblico de Bruce traz a seguinte explicação: “A pergunta de Paulo ‘Vocês receberam o Espírito Santo quando creram?’ mostra que ele esperava que os discípulos recebessem o Espírito Santo assim que cressem. A resposta (v. 2) não indica que os discípulos não sabiam nada a respeito do Espírito Santo (claramente apresentado no AT e no ensino de João Batista), mas que não tinham ouvido da vinda do Espírito Santo por meio do Messias como prometido por João.”

Para o pastor Eleazar é importante salientar que não havia problema algum com o batismo de João, afinal, foi ele quem batizou o próprio Cristo. O problema estava com os que foram batizados, mas não tiveram pleno conhecimento da verdade, das doutrinas. Paulo então valorizou o batismo deles, mas explicou novas verdades desconhecidas até então, e em seguida eles foram batizados novamente.

Algumas pessoas dizem que aqueles efésios foram batizados com o Espírito Santo. Entretanto, não há evidência alguma no texto que aponte para isso. O texto trata do batismo nas águas. Fala-se do batismo de João, que foi nas águas, e depois é dito que eles foram novamente batizados. Não diz que foram batizados “no Espírito”, ou coisa parecida. O conhecido comentarista Champlin escreveu: “Outros estudiosos pensam que está em foco aqui o batismo do Espirito Santo, e não o batismo em água; mas essa ideia está igualmente errada, e de forma alguma está subentendida no texto sagrado.”

O verso seguinte esclarece ainda mais o assunto: “E impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam diversas línguas, e profetizavam.” “Se o batismo mencionado no verso 5 não fosse o das águas, que necessidade haveria de mencionar no verso seguinte que Paulo impôs sobre eles as mãos para que recebessem o Espírito Santo?”, pergunta o pastor Eleazar.

A narrativa está em ordem cronológica:

  1. Paulo encontra os efésios e questiona o conhecimento deles acerca do Espírito Santo.
  2. Eles declaram não ter conhecimento do assunto.
  3. Paulo pergunta em que foram batizados e a resposta é: no batismo de João.
  4. Paulo explica o assunto para eles e, ao final, eles são batizados.
  5. Paulo impõe-lhes as mãos para que recebam o Espírito Santo.

Não haveria necessidade alguma de mencionar que eles foram batizados no batismo do Espírito, como pretendem alguns, e depois Paulo impor as mãos sobre eles para que recebessem o Espírito Santo.

A ideia de rebatismo em Atos 19 é compartilhada por grandes teólogos não adventistas, como Marshall e Matthew Henry.

Logo, diferentemente do que o vídeo humorístico dá a entender, os adventistas não são os inventores do rebatismo, muito menos rebatizam pessoas por qualquer motivo. O batismo é um dos ritos mais sagrados do cristianismo e é assim que tem que ser tratado.

Michelson Borges

O inferno não existe: se o papa não disse isso, devia ter dito

papaO papa Francisco afirmou nesta quinta-feira, a três dias da Páscoa, que “o inferno não existe”, segundo relato feito pelo jornal italiano La Repubblica. Em conversa com o jornalista Eugenio Scalfari, de 93 anos, fundador da publicação, o sumo pontífice teria dito que as almas dos pecadores simplesmente desapareciam após a morte. O Vaticano pediu para que as palavras sejam desconsideradas. Scalfari não estava realizando uma entrevista com o papa quando obteve as aspas que, segundo afirmou, reproduziu de sua memória, pois não as havia gravado ou escrito. “O inferno não existe, o desaparecimento das almas dos pecadores existe”, escreveu o jornalista e filósofo em artigo disponível somente para assinantes. O papa e o jornalista costumam se encontrar com alguma frequência, tendo esse sido o quinto encontro, segundo o jornal The Times, que repercutiu o artigo. “Eles não são punidos, aqueles que se arrependem obtêm o perdão de Deus e vão entre as fileiras das almas que o contemplam”, afirmou o padre em aspas reproduzidas pelo jornal britânico. “Mas aqueles que não se arrependem e, portanto, não podem ser perdoados, desaparecem.”

O Vaticano, em nota, afirmou que o encontro foi de caráter privado por ocasião da Páscoa e que as palavras são reconstrução do jornalista. “O Santo Padre Francisco recebeu recentemente o fundador do jornal La Repubblica em uma reunião privada por ocasião da Páscoa, sem lhe dar nenhuma entrevista”, diz nota.

E acrescenta: “O que é relatado pelo autor no artigo de hoje é o resultado de sua reconstrução, em que as palavras textuais pronunciadas pelo papa não são citadas. Nenhuma aspa do artigo mencionado deve ser considerada, portanto, como uma transcrição fiel das palavras do Santo Padre.”

De acordo com o ensinamento tradicional da Igreja Católica, aqueles que morrem em estado de pecado mortal enfrentam o castigo eterno pelo “fogo inextinguível” no inferno. […]

(Veja)

Nota: Seria de fato muito estranho ver um papa defendendo a visão aniquilacionista bíblica, uma vez que há séculos a Igreja Católica vem pregando a existência de um inferno eterno imediato após a morte. Esse mito, além de antibíblico, atenta contra o caráter de Deus, pois seria impensável imaginar que o Criador operasse um milagre macabro para manter em vida por toda a eternidade entre as supostas chamas infernais pessoas que pecaram por algumas décadas aqui na Terra. Nem o juiz humano mais severo aplicaria uma pena dessas a um criminoso condenado. A Bíblia deixa claro o destino dos ímpios não arrependidos: sofrerão a pena da segunda morte e a destruição nas chamas do lago de fogo, que não será eterno em duração de tempo, mas em suas consequências, pois aquele que queimar ali nunca mais voltará à vida. Desaparecerá da existência. Acabará em cinzas, como diz o profeta Malaquias. A Bíblia diz que o mal não se levantará segunda vez e que na nova Terra não haverá dor, nem pranto, nem clamor. Como poderia haver ali pessoas más vivas e sentindo dor? De fato, se o papa não disse o que Scalfari disse que disse, deveria ter dito… [MB]

Leia também: “Mito abrasador”, “A punição eterna no inferno não existe” e “O ‘fogo eterno’ queima, mas não eternamente”

 

Teologia da prosperidade contraria princípio bíblico sobre finanças

plantaDízimos e ofertas. Embora muitos defendam que esse assunto é restrito ao Antigo Testamento, tendo sido uma ordenação divina ao povo judeu, é possível confirmar a validade dos seus princípios e a sua prática no Novo Testamento em diversas falas do apóstolo Paulo e do próprio Jesus (Mateus 23:23, Lucas 18:12, 1 Coríntios 9:13, 14, etc.). Logo, o princípio dos dízimos e das ofertas não foi, em nenhum momento da história, abolido, dispensado ou alterado por Deus, sendo importante, ainda nos dias de hoje, seu estudo e prática. Ainda assim, o tema segue complexo para uns, polêmico para outros, mas a Bíblia é clara e contundente em relação a ele. A Agência Adventista Sul-americana de Notícias (ASN) conversou sobre finanças com o pastor Marcos Bomfim, líder mundial para os adventistas na área de Mordomia (que trabalha o conceito de fidelidade a Deus em todos os aspectos da vida). Na entrevista, ele explicou, à luz da Bíblia, conceitos que podem responder a muitos questionamentos em torno do tema.

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Espírito dissidente e perfeccionista

dissidenteMinha experiência religiosa começou desde a infância, no Rio de Janeiro. Nasci em um lar católico e segui essa orientação religiosa até os 16 anos. Completei os cinco anos de catequese e integrei o grupo de coroinhas da igreja na qual assistia. Aos dezesseis anos, em Curitiba, conheci um grupo de ex-adventistas chamado Ministério 4 Anjos. Meu envolvimento com eles foi através da família daquela que na época era minha namorada e que hoje (tenho 29 anos) é minha esposa.

O Ministério 4 Anjos, cuja sede estava no município de Contenda, PR, é um movimento dissidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia. A razão principal da dissidência é o antitrinitarianismo: rejeição da plena divindade de Jesus (Ele não é Deus) e do Espírito Santo (Ele não é uma pessoa distinta do Pai e do Filho e não é Deus). Além disso, nega-se o batismo de Mateus 28:19 (em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo) e a Igreja Adventista do Sétimo dia é acusada de ter se tornado Babilônia ou filha dela. Por fim, a visão de interpretação profética é futurista e a hermenêutica bíblica é perigosamente influenciada pela alegorização.

À época eu não percebia, mas além das crenças mencionadas, o espírito perfeccionista orientava os graus de “santificação” daqueles que se comprometiam com a mensagem do movimento. Havia um padrão exterior através do qual julgávamos se os seguidores estavam de acordo com o modelo supostamente determinado por Deus: dieta estritamente vegetariana, vida no campo, músicas sem bateria e sair das escolas de educação formal eram alguns desses padrões. Para as mulheres restava ainda a proibição quanto ao uso de calças, independentemente da situação. Após dez anos comprometido com esse movimento, até ao ponto de liderá-lo com outras seis pessoas (das quais três voltaram para a Igreja Adventista), a misericórdia e a providência de Deus me alcançaram. Apesar de sofrer consequências (emocionais, financeiras, educacionais e sociais) até hoje, em 2015 fui batizado com minha esposa na Igreja Adventista do Sétimo Dia e vivo em paz com Deus. Bendito seja o Senhor!

Essa longa experiência com movimentos dissidentes me fez perceber algo que chamo de “espírito dissidente”. Esse não se revela apenas em desertores da Igreja Adventista do Sétimo Dia, mas também em membros da Igreja que lamentavelmente adotam uma cosmovisão perfeccionista – sim, uma “cosmovisão”; isso porque o perfeccionismo tem uma teologia e escatologia bastante peculiares, influenciando a forma como interpretam as coisas.

Para exemplificar o que seria o “espírito dissidente” característico em perfeccionistas, preste atenção na citação abaixo (que não tem absolutamente nada de perfeccionista):

“O que confessar a Cristo, tem de O possuir em si. Não pode comunicar aquilo que não recebeu. Os discípulos poderiam discorrer fluentemente acerca de doutrinas, poderiam repetir as palavras do próprio Cristo; mas a menos que possuíssem mansidão e amor cristãos, não O estariam confessando. Um espírito contrário ao de Cristo o negaria, fosse qual fosse a profissão de fé. Os homens podem negar a Cristo pela maledicência, por conversas destituídas de senso, por palavras inverídicas ou descorteses. Podem negá-Lo esquivando-se às responsabilidades da avida, pela busca dos prazeres pecaminosos. Podem negá-Lo conformando-se com o mundo, por uma conduta indelicada, pelo amor das próprias opiniões, pela justificação própria, por nutrir dúvidas, por ansiedades desnecessárias, e por deixar-se estar em sombras. Por todas essas coisas declaram não ter consigo a Cristo. E ‘qualquer que Me negar diante dos homens’, diz Ele, ‘Eu o negarei também diante de Meu Pai, que está nos Céus” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 249)

Observe agora como ficaria a citação caso fosse escrita por um perfeccionista naturalmente imbuído do “espírito dissidente”: “Os homens podem negar a Cristo por não serem vegetarianos, por ouvirem e cantarem músicas com bateria. Podem negá-Lo por não morar no campo e orar em pé. Se for mulher, podem negá-Lo por usar calças…”

O comportamento é sempre o reflexo ou consequência natural da conversão e não o meio para ser regenerado. Ao falar sobre perfeição na esfera humana, o contexto bíblico sempre enfatiza primeiramente os valores morais (mansidão, bondade, longanimidade, misericórdia…) entre os quais o maior deles é o amor cristão. A maioria dessas coisas citadas pelos perfeccionistas são importantes para nossa comunhão com Deus e para um bom testemunho, mas não no grau de prioridade disposta por aqueles que“coam um mosquito e engolem um camelo”.

Examine-se a si mesmo e se concluir que o “espírito dissidente” está em seu coração, peça a Deus para lhe conceder um novo coração e uma nova mente.

(Jefferson Araújo é graduando em História e evangelista voluntário, responsável pelo projeto Última Verdade Presente)