Aspectos psicológicos e teológicos do perfeccionismo

Ellen White, a Bíblia e a ciência

science_bibleComparando o Salmo 19 com Romanos 1, aprendemos que a natureza revela a glória de Deus e que a cada dia podemos obter novos ensinamentos dela. Além disso, a natureza revela atributos de Deus, não apenas sua existência. A Bíblia tem pequenas falhas: erros de cópia e talvez de escrita no original (é possível trocar uma letra aqui ou ali). Equívocos em traduções, porque foram muitas ao longo da história. Mas a mensagem básica está correta; os princípios permanecem intocados. O mesmo ocorre com a natureza. O pecado tocou em circunstâncias, mas não em princípios, em leis, pois essas coisas são diretamente controladas pelo próprio Deus. Acompanhe esta série de textos de Ellen White que esclarecem pontos mais específicos:

“Hoje os homens declaram que os ensinos de Cristo concernentes a Deus não podem ser provados pelas coisas do mundo natural, que a natureza não está em harmonia com as escrituras do Antigo e Novo Testamentos. Não existe essa suposta falta de harmonia entre a natureza e a ciência. A Palavra do Deus do Céu não está em harmonia com a ciência humana, mas em perfeito acordo com Sua própria ciência criada” (Olhando para o Alto [MM 1983], 21 de setembro).

“Aos olhos dos homens, a vã filosofia e a falsamente chamada ciência são de mais valor do que a Palavra de Deus. Prevalece em grande medida a ideia de que o Mediador divino não é necessário à salvação dos homens. Teorias várias, avançadas pelos chamados sábios segundo o mundo, destinadas ao enobrecimento do homem, são acolhidas e acreditadas mais do que a verdade divina, ensinada por Cristo e Seus apóstolos” (Review and Herald, 8 de novembro de 1892).

Note que entre os ensinos errados está o de que os ensinos de Cristo não podem ser provados pelas coisas do mundo natural.

“O Céu é uma escola; o campo de seus estudos, o Universo; seu professor, o Ser infinito. Uma ramificação dessa escola foi estabelecida no Éden; e, cumprindo o plano da redenção, reassumir-se-á a educação na escola edênica” (Educação, p. 301).

Isso é para o futuro. Também há referências a coisas semelhantes antes do pecado. Mas e na era do pecado, como ficam as coisas? Veremos.

Primeiro um conselho geral: “Seremos julgados de acordo com o que nos cumpria fazer, mas que não executamos por não usar nossas capacidades para glorificar a Deus. Mesmo que não percamos a salvação, reconheceremos na eternidade a consequência de não empregarmos nossos talentos. Haverá eterna perda por todo conhecimento e capacidade não alcançados, que poderíamos ter ganho” (Mensagens aos Jovens, p. 309).

Mas temos limitações sérias. O que fazer quanto a isso?

“Mas se nos entregarmos completamente a Deus, e seguirmos Sua direção em nosso trabalho, Ele mesmo Se responsabilizará pelo cumprimento. Não quer que nos entreguemos a conjecturas sobre o êxito de nossos esforços honestos. Nem uma vez devemos pensar em fracasso. Devemos cooperar com Aquele que não conhece fracasso.

Não devemos falar de nossa fraqueza e inaptidão. Com isso manifestamos desconfiança para com Deus, e negamos Sua Palavra” (Mensagens aos Jovens, p. 309).

Ok. Mas essas coisas são um tanto gerais. E sobre a ciência propriamente?

“Aquele que conhece a Deus e a Sua Palavra por experiência pessoal […]

sabe que, na verdadeira ciência, nada pode haver que esteja em contradição com o ensino da Palavra; uma vez que procedem ambas do mesmo Autor, a verdadeira compreensão delas demonstrará sua harmonia. A esse estudante a pesquisa científica abrirá vastos campos de pensamentos e informações. Ao ele contemplar as coisas da natureza, advém-lhe uma nova percepção da verdade. O livro da natureza e a Palavra escrita derramam luz um sobre o outro. Ambos o fazem relacionar-se melhor com Deus, ensinando-lhe o que concerne ao Seu caráter e às leis por meio das quais Ele opera” (A Ciência do Bom Viver, p. 462).

“Deus é o autor da ciência. As pesquisas científicas abrem ao espírito vasto campo de ideias e informações, habilitando-nos a ver Deus em Suas obras criadas. A ignorância pode tentar apoiar o ceticismo, apelando para a ciência; em vez de o sustentar, porém, a verdadeira ciência contribui com novas provas da sabedoria e do poder de Deus. Devidamente compreendidas, a ciência e a Palavra escrita concordam entre si, lançando luz uma sobre a outra. Juntas, conduzem-nos para Deus, ensinando-nos algo das sábias e benéficas leis por que Ele opera” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 426).

Então, a Bíblia e a verdadeira ciência lançam luz uma sobre a outra. Há uma missão para nós envolvendo a ciência:

“Há poder no conhecimento de ciências de toda a espécie, e é desígnio de Deus que a ciência avançada seja ensinada em nossas escolas como preparação para a obra que há de preceder as cenas finais da história terrestre. A verdade deve ir aos mais remotos confins da Terra mediante pessoas preparadas para a obra. Mas, embora haja poder no conhecimento da ciência, o conhecimento que Jesus veio transmitir pessoalmente ao mundo era o conhecimento do evangelho. A luz da verdade devia lançar seus brilhantes raios nas partes mais longínquas da Terra, e a aceitação ou a rejeição da mensagem de Deus envolvia o destino eterno das pessoas” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 186).

Não podemos perder de vista que a prioridade é a salvação revelada por Cristo, mas isso não nos libera do dever de estudar e usar a verdadeira ciência:

“Depois da Bíblia, a natureza deve ser o nosso maior livro de texto” (Conselhos Sobre Educação, p. 171).

“Ao mesmo tempo em que a Bíblia deve ter o primeiro lugar na educação das crianças e jovens, o livro da natureza ocupa o lugar imediato em importância. As obras criadas de Deus testificam de Seu amor e poder. Ele trouxe à existência o mundo, juntamente com tudo que nele se contém” (Exaltai-O Como o Criador [MM 1992] 22 de fevereiro).

“Os jovens que desejam entrar no campo como pastores ou colportores devem primeiro obter um razoável grau de preparo mental, bem como ser especialmente exercitados para sua carreira. Os que não foram educados, exercitados e polidos não se acham preparados para entrar num campo onde as poderosas influências do talento e da educação combatem as verdades da Palavra de Deus. Tampouco podem eles enfrentar com êxito as estranhas formas de erros religiosos e filosóficos combinados, cuja exposição requer conhecimento de verdades científicas, como também bíblicas” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 514).

O que podemos aprender sobre leis espirituais ao estudar a natureza? Há algumas referências a isso. Eis uma delas:

“O mesmo poder que mantém a natureza opera também no ser humano. As mesmas grandes leis que guiam tanto a estrela quanto o átomo dirigem a vida humana. As leis que presidem à ação do coração, regulando o fluxo da corrente da vida no corpo são as leis da Inteligência todo-poderosa, as quais presidem às funções da alma. DEle procede toda a vida. Unicamente em harmonia com Ele poderá ser achada a verdadeira esfera daquelas funções. Para todas as coisas de Sua criação, a condição é a mesma: uma vida que se mantém pela recepção da vida de Deus, uma vida exercida de acordo com a vontade do Criador” (Educação, p. 99).

“Transgredir Sua lei, física, mental ou moral corresponde a colocar-se o transgressor fora da harmonia do Universo, ou introduzir discórdia, anarquia e ruína. Para aquele que assim aprende a interpretar seus ensinos, toda a natureza se ilumina; o mundo é um compêndio, e a vida uma escola. A unidade do ser humano com a natureza e com Deus, o domínio universal da lei, os resultados da transgressão, não podem deixar de impressionar o espírito e moldar o caráter” (ibidem, p. 99, 100).

“Aquele que permanece em pecaminosa ignorância das leis da vida e da saúde, ou que voluntariamente viola essas leis, peca contra Deus” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 295).

“Deus não Se agrada com a ignorância quanto a Suas leis, sejam elas naturais, sejam espirituais” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 467).

Vimos, por exemplo, que há estranhas formas de erros religiosos e filosóficos combinados (não devemos nos contaminar com essas coisas), cuja solução são conhecimentos científicos e bíblicos (precisamos estudar isso). E é muito fácil confundir a verdadeira ciência (na qual deveríamos nos aprofundar) com a falsa (da qual deveríamos fugir). A verdadeira ciência e a Bíblia definitivamente estão entre as coisas que não apenas podemos, mas devemos estudar. Entre as coisas que devemos evitar aparecem nos textos acima a vã filosofia e a falsamente chamada ciência, também chamada de ciência humana.

A Bíblia e a Ciência lançam luz uma sobre a outra justamente por serem complementares. A Bíblia fala mais de motivos, planos e princípios, e a Ciência fornece ferramentas para o estudo da Bíblia e da natureza, esclarecendo mecanismos. As ferramentas da Ciência têm revelado na natureza uma profusão de informações que não estão na Bíblia nem deveriam estar. Isso não acrescenta doutrina nova sobre o evangelho (não vão além da Bíblia nesse aspecto), mas são informações importantes sobre as quais a Bíblia se cala, exceto por nos mandar estudá-las.

(Compilação e comentários por Eduardo Lütz)

Epístolas Católicas do Apóstolo Pedro

pedroA Sociedade Criacionista Brasileira tem a satisfação de lançar este livro sobre a vida e os ensinos do apóstolo São Pedro, escrito a partir do texto bíblico dos Evangelhos e do livro de Atos dos Apóstolos, de comentários inspirados da escritora Ellen G. White transcritos como pano de fundo, e do próprio texto das duas epístolas de autoria do apóstolo. Com vistas a um público interessado em maior conhecimento não só sobre a vida, mas também a época em que o discípulo Pedro se torna o grande apóstolo da Igreja primitiva, foram também inseridas informações de caráter histórico sobre usos e costumes, bem como sobre crenças do mundo greco-romano, paralelas ou contrárias às revelações trazidas pelo então nascente Cristianismo. Nesse sentido, é recomendável também a leitura de outra publicação da Sociedade Criacionista Brasileira, intitulada Relato da Criação nas Edições Católicas da Bíblia, agora em segunda edição, com a inclusão de um Apêndice contendo algumas considerações achadas úteis para destacar a relação entre os dias da criação e o “Credo” apostólico, que logo em seu início declara a crença católica no “Deus Pai, todo poderoso, Criador dos céus e da terra”. 

A leitura atenta do texto das duas Epístolas de São Pedro apresenta-nos o voluntarioso discípulo transformado no humilde apóstolo que passa a reconhecer sua participação na nascente Igreja Cristã como uma pequena pedra que se junta às demais para a construção do sólido edifício que tem como base a “pedra de esquina”, nosso Senhor Jesus Cristo. 

Este livro é dedicado pelo autor das considerações nele inseridas – Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira – especialmente aos seus numerosos amigos que professam a fé católica apostólica romana, com o agradecimento pela comunhão amigável mantida desde os bancos escolares até às atividades acadêmicas e profissionais, no decorrer de sua vida. 

Epístolas Católicas do Apóstolo São Pedro é fornecido apenas em formato digital, e seu download poderá ser efetuado após a aprovação da operação financeira. Depois de aprovada, você deve entrar na plataforma, no menu Minha Conta/Meus pedidos/download. Clique aqui e adquira o seu.

Nota: Trata-se de um ótimo complemento para os adventistas que neste trimestre estão estudando as cartas de Pedro por meio da Lição da Escola Sabatina.

Doutoranda muçulmana defende erro da Terra plana

terra redondaEscândalo no mundo universitário árabe: uma estudante de doutorado tunisiana estava prestes a defender uma tese de doutorado afirmando explicitamente que a Terra tem apenas 13,5 mil anos, é plana e imóvel no centro do universo. E ela não parou por aí: ainda defende que a nossa galáxia é a única que existe, que o Sol tem 1.135 quilômetros de diâmetro (e não 1,4 milhão de km), que a Lua tem apenas 908 km de diâmetro, e que as estrelas, cujo número é “limitado”, não passam de 292 km de diâmetro. É um verdadeiro strike em tudo que a ciência nos ensina sobre o universo. Copérnico, Galileu, Newton, Kepler, Einstein, Hubble, Lemaître, toda a cosmologia, a geologia [a geometria e a óptica] e sabe-se mais o quê, tudo isso é negado pela tese que por pouco não teve o feliz desfecho de sua aprovação. O astrofísico Nidhal Guessoum explica que a tese levou cinco anos para ficar pronta e passou por uma primeira fase de aprovação; a próxima seria a defesa propriamente dita. Foi aí que um ex-presidente da Associação Astronômica Tunisiana botou as mãos no texto e tocou a sirene, colocando no Facebook trechos da tese. A autora já tinha publicado um artigo em uma revista obscura, dessas em que, segundo Guessoum, basta pagar para conseguir a publicação.

Guessoum, que é uma das vozes mais importantes no diálogo entre ciência e fé no mundo islâmico, lembra que dois anos atrás um clérigo muçulmano saudita deu uma palestra nos Emirados Árabes Unidos defendendo mais ou menos as mesmas coisas que estão na tese da doutoranda tunisiana. Isso já era suficientemente preocupante, mas este caso é muito pior, pois estamos falando da divulgação desse tipo de loucura no ambiente acadêmico. A estudante propôs a tese, ela foi aceita, teve orientador, publicou artigo (ainda que em uma publicação de pouco crédito), enfim, é o caso clássico do jabuti na árvore, ele não subiu lá sozinho.

O astrofísico afirma, usando trechos da conclusão da tese de doutorado, que este é um caso clássico de literalismo escriturístico extremo, em que alguns trechos do Alcorão toscamente interpretados passam por cima de toda a ciência desde o século 16 e até antes disso, já que desde os antigos gregos se conhecia a circunferência da Terra, dado reforçado inclusive pelos muçulmanos durante a Era de Ouro da ciência islâmica. A dúvida que fica é: tudo isso terá sido uma aberração ou denota uma tendência? Foi o que eu perguntei a Guessoum. “Ainda é cedo para dizer. O literalismo escriturístico, que neste caso específico levou à convicção de que a Terra é plana e está no centro do universo, é, sim, uma tendência forte no mundo islâmico, bem como entre cristãos fundamentalistas. Essa história de Terra plana vem ganhando força nas mídias sociais, mas pode ser uma modinha passageira”. Torçamos para que seja, mesmo, uma bizarrice momentânea.

(Gazeta do Povo)

Nota: O que acontece com os terraplanistas muçulmanos ocorre também com certos cristãos: entendem literalmente certas afirmações do Alcorão e da Bíblia. Não sei se o Alcorão dá margem para concluir que nosso planeta seja um disco chato, mas sei que a Bíblia não, a menos que se adote uma posição inerrantista (leia sobre isso aqui), que assume que a inspiração se deu nas palavras dos profetas e não em seus pensamentos. Os autores bíblicos tiveram liberdade para utilizar palavras e ideias de seu tempo e de sua cultura, a fim de expressar as revelações divinas. Há muito da cultura hebraica na Bíblia, já que ela foi escrita majoritariamente por hebreus. Por isso ajuda bastante conhecer a cultura e a língua dos hebreus.

Quando a Bíblia fala em “circulo da Terra” ou diz que o “Sol parou no céu”, está apenas descrevendo eventos sob o ponto de vista dos observadores. Para um observador localizado na superfície da Terra, a impressão é a de que o Sol realmente parou no céu, conforme relatado no livro de Josué, e de que o mundo em volta de seu ponto de observação parece um círculo. Isso não se trata de erro nem de alusão a uma hipotética Terra plana. Mesmo hoje, em pleno século 21, astrônomos ainda usam a expressão “pôr do sol”, quando todo mundo sabe que não é o Sol que se põe, mas a Terra que gira. Para os inerrantistas, o Sol teve que parar literalmente no céu. Para os que creem na inspiração de pensamentos, o autor simplesmente descreveu uma cena sob seu ponto de vista, o que não caracteriza erro nem tampouco se trata de uma observação científica. Resumindo: a Bíblia simplesmente não trata da forma da Terra, embora afirme claramente que ela está flutuando pelo espaço (Jó 26:7).

Conforme o astrofísico Eduardo Lütz, “a Bíblia não fala tudo sobre tudo. Muito do que as pessoas acreditam ser ensinos bíblicos não passa de uma forma humana de ver as coisas, forma essa inspirada de certa maneira em algumas expressões. É importante estudar muito a Bíblia a ponto de perceber essa diferença com cada vez mais clareza. Há textos bíblicos muito claros, especialmente no que se refere ao plano da salvação, que é o foco da Bíblia. Mas, às vezes, são usadas expressões idiomáticas que, tomadas literalmente, podem levar a conclusões equivocadas. Por isso é importante entender o conteúdo da mensagem e comparar esse conteúdo a todos os textos paralelos da Bíblia. Quando você se baseia em expressões colaterais ou idiomáticas para formar doutrinas, está pisando em terreno escorregadio. Se você fez isso e encontrou na natureza informações contrárias ao que você havia deduzido com base em apenas algum detalhe de linguagem que você acha que deve significar algo, isso é sinal de que sua interpretação daquele detalhe provavelmente está errada. Nesse caso, deve-se voltar à Bíblia e conferir se não escorregamos na exegese ou na hermenêutica”.

Um exemplo bastante simples, mencionado pelo bibliotecário e estudioso da Bíblia Vanderlei Ricken: se a Terra fosse um disco plano e o Sol e a Lua estivessem dentro da sua atmosfera (!!!), quando o Sol se afastasse de algum local do disco, indo para o lado oposto desse suposto disco, um observador parado na superfície da Terra perceberia o astro diminuir de tamanho no céu. O mesmo aconteceria com a Lua. Mas simplesmente não é o que acontece, porque tanto a Lua quanto o Sol estão muito longe daqui, o que faz com que a aproximação e o distanciamento deles torne variações de tamanho praticamente imperceptíveis.

Conforme detalha o produtor do programa “En La Mira de la Verdad”, Nelson Wasiuk, “quando o Sol se põe no horizonte, terraplanistas dizem que isso ocorre pelo ponto de fuga, o que se trata de um engano ou de ignorância. O ponto de fuga faz as coisas parecerem pequenas à medida que vão ficando mais longe, e maiores quando mais perto. Mas a realidade é que o Sol fica do mesmo tamanho sempre, e até parece maior perto do horizonte. O ponto é que o Sol não se perde no ponto de fuga, se perde na redondeza do horizonte. O mesmo ocorre com a Lua. O fato de o Sol parecer sempre do mesmo tamanho ao longo do dia mostra que ele é muito grande e está muito longe. O mesmo ocorre com a Lua. Os terraplanistas também dizem o Sol está a menos de cinco mil quilômetros da Terra. O problema é que a mais de três mil quilômetros de altura o Sol seria sempre visível por toda a Terra.”

Outro texto malcompreendido pelos terraplanistas é Apocalipse 1:7, que diz que, quando Jesus voltar, todo olho O verá. Assim, para que isso aconteça, segundo os defensores dessa ideia, a Terra tem que ser plana. Essa afirmação minimiza o poder de Deus e deixa de levar em conta outras possibilidades que não precisam contrariar o óbvio: que a Terra é um globo. Quando Jesus voltar, toda a Terra vai convulsionar e haverá terremotos destruidores. E se os continentes, nessa ocasião, voltarem a formar a Pangeia? É apenas uma possibilidade especulativa. O fato é que Deus terá Sua forma de realizar isso, e não precisamos apelar para teorias mirabolantes e que contrariam a ciência e o bom senso a fim de explicar um versículo.

Note que na matéria sobre a doutoranda muçulmana terraplanista os defensores dessa ideia são chamados de “fundamentalistas”, termo já aplicado aos criacionistas. E é aí que vejo o grande problema e é por isso que insisto em combater o terraplanismo. Já não basta sermos (os criacionistas bíblicos) criticados por crermos na literalidade da semana da criação, em Adão e Eva, no dilúvio de Gênesis, na Torre de Babel e na santidade do sábado? Por que adicionar um motivo tolo e anticientífico para sermos ainda mais alvo de deboche.

Será que ainda não ficou claro que faz parte dos planos de Satanás associar o terraplanismo aos criacionistas a fim de distrair os incautos e humilhar os que querem defender a mensagem dos três anjos do Apocalipse? [MB]

Leia também: A Igreja Adventista, a Nasa e a Terra plana

Jesus ressuscitou mesmo?

Leia também: Morte de cruz

Ellen White acreditava na Trindade?

E. G. White portrait (Dames, 911 Broadway, Oakland, Cal.)Os seguintes textos, todos publicados durante a vida de Ellen White por ela própria, respondem à pergunta:

“Há três pessoas vivas pertencentes ao trio celeste; em nome destes três grandes poderes – o Pai, o Filho e o Espírito Santo –, os que recebem a Cristo por fé viva são batizados, e esses poderes cooperarão com os súditos obedientes do Céu em seus esforços para viver a nova vida em Cristo” (Special Testimonies, Série B, nº 7, p. 62-63 [publicado em 1906]; Bible Training School, 1° de março de 1906).

A Divindade moveu-Se de compaixão pela raça, e o Pai, o Filho e o Espírito Santo deram-Se a Si mesmos ao estabelecerem o plano da redenção. A fim de levarem a cabo plenamente esse plano, foi decidido que Cristo, o unigênito Filho de Deus, Se desse a Si mesmo em oferta pelo pecado” (Australasian Union Conference Record, 1° de abril de 1901; A Systematic Offering for the Sydney Sanitarium, p. 36 [publicado em 1901]; Review and Herald, 2 de maio de 1912).

“O mal vinha se acumulando por séculos e só poderia ser contido pelo inigualável poder do Espírito Santo, a terceira pessoa da Divindade, que viria sem restrições em Sua eficácia, mas em plenitude do divino poder” (Carta 8, 1896; Special Testimonies for Ministers and Workers, n° 10, p. 25 [publicada em 1897]).

“O príncipe da potestade do mal só pode ser mantido em sujeição pelo poder de Deus na terceira pessoa da Divindade, o Espírito Santo” (Special Testimonies, Série A, nº 10, p. 37 [publicado em 1897]).

“Ao pecado só se poderia resistir e vencer por meio da poderosa operação da terceira pessoa da Divindade, a qual viria, não com energia modificada, mas na plenitude do divino poder. É o Espírito que torna eficaz o que foi realizado pelo Redentor do mundo” (O Desejado de Todas as Nações, p. 671 [1898]; Review and Herald, 19 de maio de 1904; [Australian] Signs of the Times, 4 de dezembro de 1911).

“Cristo enviou Seu representante, a terceira pessoa da Divindade, o Espírito Santo. Nada podia superar esse dom” (Signs of the Times, 1° de dezembro de 1898; Southern Watchman, 28 de novembro de 1905).

Como entender as declarações em que Ellen White afirma que a natureza do Espírito Santo é um mistério?

Os adventistas que negam a personalidade do Espírito Santo costumam citar alguns textos em que Ellen White declara que a natureza do Espírito Santo é um mistério. As declarações mais frequentemente citadas encontram-se em Manuscript Releases, v. 14, p. 179; Atos dos Apóstolos, p. 51 e 52. Essas pessoas argumentam que, se o assunto é um mistério, ele não pode ser definido ou compreendido. Portanto, seria incorreto e mesmo especulativo ensinar que o Espírito Santo é uma Pessoa da Divindade.

É interessante, entretanto, que as mesmas pessoas que utilizam esse argumento, na prática, contradizem a si mesmas. Frequentemente, elas definem o Espírito Santo como algo impessoal, a saber, “um atributo que não pode ser separado de Deus”, a mente de Deus e de Cristo e o fôlego ou respiração compartilhado por ambos. Em outras ocasiões, o Espírito Santo é compreendido como um ser pessoal: Deus, o Pai; Cristo; o anjo Gabriel; ou os anjos em geral. Portanto, é evidente que essas pessoas têm definições bastante específicas, embora conflitantes, sobre a natureza do Espírito Santo.

Antes de analisar os textos em que Ellen White declara que a natureza do Espírito Santo é um mistério, devemos ter uma compreensão geral sobre o que ela ensinou a respeito do assunto. Em diversos textos ela claramente define o Espírito Santo como uma das “três pessoas vivas pertencentes ao trio celestial” ([Special] Testimonies, série B, nº 7, p. 63; Bible Training School, 1° de março de 1906) e “a terceira pessoa da Divindade” (Carta 8, 1896; Special Testimonies for Ministers and Workers, n° 10, p. 25; Special Testimonies, Série A, nº 10, p. 37; O Desejado de Todas as Nações, p. 671; Signs of the Times, 1° de dezembro de 1898; Review and Herald, 19 de maio de 1904; Southern Watchman, 28 de novembro de 1905). Portanto, é evidente que, para Ellen White, o fato de que a natureza do Espírito Santo seja um mistério não significa uma ausência de revelação sobre o assunto. Concluídas essas observações introdutórias, devemos analisar os dois textos de Ellen White mencionados no início.

A carta ao “irmão Chapman”. Uma das declarações frequentemente citadas por aqueles que negam a personalidade do Espírito Santo encontra-se em Manuscript Releases, v. 14, p. 179. Originalmente, esse texto era parte da Carta 7, 1891, escrita “ao irmão Chapman” em 11 de junho de 1891. Ellen White declara: “A natureza do Espírito Santo é um mistério não claramente revelado, e você jamais será capaz de explicá-lo a outros porque o Senhor não o revelou a você. Você pode reunir passagens da Escritura e impor sua própria construção sobre elas, mas a aplicação não é correta. […] Não é essencial para você saber e ser capaz de definir exatamente o que seja o Espírito Santo. Cristo nos diz que o Espírito Santo é o Consolador, e o Consolador é o Espírito Santo. […] Existem muitos mistérios que eu não busco compreender ou explicar; eles são muito elevados para mim e muito elevados para você. Sobre alguns desses pontos, o silêncio é ouro.”

A própria carta escrita por Ellen White esclarece que o equívoco mantido pelo “irmão Chapman” era crer que o Espírito Santo é “o anjo Gabriel” (p. 175). O problema essencial de Chapman consistia em ser demasiadamente específico em sua definição. Ellen White responde a isso ao declarar que não se deve “definir exatamente o que seja o Espírito Santo”, pois esse é “um mistério não claramente revelado”. Além disso, Chapman chegou a uma conclusão especulativa, pois está além de qualquer declaração presente na Bíblia ou no Espírito de Profecia. Ellen White menciona esse aspecto do problema ao condenar o uso de uma “construção” artificial de “passagens da Escritura” para provar uma teoria.

Em torno de 1891, os adventistas estavam convencidos da plena divindade do Espírito Santo (J. H. Waggoner, The Gifts of the Spirit, p. 23; Review and Herald, 3 de julho de 1883, p.  421), mas, ao contrário de Chapman, rejeitavam a teoria de que Ele é um ser criado, um anjo ou grupo de anjos (Signs of the Times, 15 de julho de 1889, p. 422; idem, 4 de novembro de 1889, p. 663). Apesar disso, nessa época poucos adventistas compreendiam o Espírito Santo como uma das três Pessoas da Divindade. Em um contexto “não trinitariano”, é compreensível que a definição dada por Chapman não estivesse ligada à Divindade. É provável que ele tenha observado que Gabriel ocupa uma posição singular no Céu, pois, além de Deus e de Cristo, é o único ser celestial mencionado por nome na Bíblia. Chapman deve ter observado também que Ellen White atribui a Gabriel a posição imediatamente abaixo de Cristo. Seja como for, o certo é que Chapman identificou a posição singular de Gabriel com o Espírito Santo.

A declaração de Atos dos Apóstolos. Outro texto frequentemente citado encontra-se em Atos dos Apóstolos, p. 51 e 52, onde Ellen White declara: “Não é essencial que sejamos capazes de definir exatamente o que seja o Espírito Santo. Cristo nos diz que o Espírito é o Consolador, o ‘Espírito de verdade, que procede do Pai’ (Jo 15:26). Declara-se positivamente, a respeito do Espírito Santo, que, em Sua obra de guiar os homens em toda a verdade ‘não falará de Si mesmo’ (Jo 16:13). A natureza do Espírito Santo é um mistério. Os homens não a podem explicar, porque o Senhor não lho revelou. Com fantasiosos pontos de vista, podem-se reunir passagens da Escritura e dar-lhes um significado humano; mas a aceitação desses pontos de vista não fortalecerá a igreja. Com relação a tais mistérios – demasiado profundos para o entendimento humano – o silêncio é ouro.”

É evidente a semelhança entre esse texto e o da carta “ao irmão Chapman”. Ambos declaram que “a natureza do Espírito Santo é um mistério”, mas, sobre esse assunto tão profundo, “o silêncio é ouro”. É possível “reunir passagens da Escritura” para construir uma teoria humana, mas o resultado será desastroso. Novamente, Ellen White condena qualquer tipo de especulação sobre o assunto. O erro consistiria em “definir exatamente o que seja o Espírito Santo”, indo além da revelação. Além disso, Cristo já trouxe luz sobre o assunto, ao ensinar que Ele é “o Consolador”. Em Atos dos Apóstolos, entretanto, Ellen White apresenta um motivo adicional contra a especulação, não presente na carta a Chapman. “Em Sua obra”, o Espírito Santo “não falará de Si mesmo”. Isso parece indicar que não há tanta revelação sobre o Espírito, pois, como Ele é o agente da revelação e inspiração, Sua obra não estaria centralizada em Si mesmo, mas em Cristo.

O livro Atos dos Apóstolos foi publicado originalmente em 1911. Uma análise da literatura mostra que, nessa época, os adventistas consideravam o Espírito Santo como uma das três Pessoas da Divindade/Trindade. Em um período anterior, seria natural que o Espírito Santo fosse identificado com um anjo, o que foi realizado por Chapman. Agora, o natural seria identificá-Lo com um ser que possui características mais claramente divinas. Já em 1898, R. A. Underwood, influenciado pelas declarações de Ellen White sobre “a terceira pessoa da Divindade”, parece sugerir que o Espírito Santo é um ser corpóreo como o Pai e o Filho. Segundo ele, assim como Satanás “está presente em todos os lugares deste mundo por seus representantes, os anjos caídos”, o Espírito Santo é onipresente apenas por meio dos anjos bons (Review and Herald, 17 de maio de 1898, p. 310-311).

Seguindo uma linha semelhante de raciocínio, em 1905, S. N. Haskell argumentou que o Espírito Santo é Melquisedeque. O Espírito não poderia ser “o anjo Gabriel”, “porque os anjos são seres criados e, portanto, têm início de dias”. O Espírito Santo, entretanto, “é a ‘terceira pessoa da Divindade’ e, portanto, não possui mais ‘início de dias nem fim de existência’ [Hb 7:3] que o próprio Deus”. Haskell conclui: “O Espírito vem ao mundo como um representante de Cristo e é semelhante a Cristo. […] A Abraão Ele apareceu como Rei e Sacerdote” ([Australian] Signs of the Times, 18 de fevereiro de 1905, p. 81). Embora Ellen White não tenha especificado as teorias que condenava, sem dúvida incluíam as ideias de Underwood e Haskell.

Sumário e reflexões finais. As declarações em que Ellen White afirma que a natureza do Espírito Santo é um mistério encontram-se em dois contextos distintos da história da Igreja Adventista. No período de ênfase “não trinitariana” (1844-1897), ela advertiu contra a teoria especulativa de que o Espírito Santo é Gabriel. Em um período posterior, “trinitariano” (1897 em diante), ela condenou teorias que definiam a personalidade do Espírito Santo sob uma perspectiva antropocêntrica.

Em ambos os períodos, a ênfase de Ellen White estava em advertir contra uma definição demasiadamente precisa e minuciosa a respeito do assunto, que vá além da revelação. As advertências de Ellen White são bastante relevantes ainda para o nosso tempo, em que existem teorias especulativas sobre o Espírito Santo.

(Matheus Cardoso é formado em Teologia pelo Unasp)

Clique aqui e aqui para fazer o download de duas ótimas apresentações em PowerPoint sobre a história da doutrina da Trindade na Igreja Adventista do Sétimo Dia.

 

Como eram Adão e Eva?

adamInfelizmente, a Bíblia não fala muita coisa acerca disso. Sabemos que, no aspecto moral, Adão e Eva eram semelhantes a Deus, pois foram criados à Sua imagem e semelhança. Porém, no aspecto físico, somente podemos analisar e discorrer sobre poucas características:

1. Cor da pele – A origem do nome “Adão” dá uma boa pista sobre a cor da pele deles. A origem da palavra “humanidade” também. A palavra adam está relacionada a outra palavra hebraica, adamah, que significa “terra” ou “solo”. O conceito prevalecente entre os eruditos hebraicos é que ambas as palavras derivam da hebraica adom, que significa “vermelho”. O Dicionário Teológico do Velho Testamento (1974; em inglês) sugere um possível motivo da derivação de “solo” da palavra “vermelho”, ao mencionar que a terra pode ter contido ferro e, assim, ter parecido vermelha. De modo similar, algumas autoridades, que afirmam que adam (Adão, homem) vem de adom(vermelho), especulam que Adão pode ter tido pele de cor avermelhada.

“Humano” vem de “húmus”, igualmente “terra”. Assim, pesquisadores criacionistas acreditam que Adão tinha cor de terra, da qual foi feito. Não era negro, nem branco, talvez mais para o “apache”.

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