Professor transforma Bíblia em referência para aula de História

professorEra mais um dia comum quando a mãe de um recuperando do sistema prisional ligou para o professor Di Gianne de Oliveira Nunes aos prantos. Do outro lado da linha, ela contou que havia visto o filho no noticiário, não por ter cometido um crime, como no passado. Daquela vez, o rapaz apareceu no jornal porque estava com livros de História nas mãos. Assim como esse jovem, outros alunos que cumpriam pena fizeram parte do projeto “Regime Fechado, Visão Aberta”, que deu a Di Gianne o Prêmio Educador Nota 10 em 2017. “Não tem um dia que não me lembro desse episódio”, diz o educador.

Há sete anos Di Gianne dá aulas de História na EE Monsenhor Alfredo Dohr, cuja extensão são salas de aula dentro do presídio, mas foi em 2017 que ele teve a ideia de realizar o projeto com sua turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Tudo começou quando percebi que havia mais Bíblias do que livros de História e um aluno me perguntou se a Bíblia podia ser usada como fonte histórica”, lembra.

A partir de então os debates sobre o tema passaram a ser constantes. “Fui mostrando a eles que era necessário separar o religioso da narrativa histórica. Fomos debatendo e criando um caminho com um início, meio e fim, até culminar na nossa apresentação final”, conta. A turma, formada por homens de 18 a 70 anos, estudou sociedades como as dos egípcios, assírios e romanos, retratadas na Bíblia. Com materiais fornecidos pelo professor, os alunos também pesquisaram e compreenderam aspectos de conflitos atuais entre israelenses e palestinos ou do fundamentalismo islâmico.

Com as sequências de aulas, o professor foi percebendo o interesse da turma por História e mudanças na forma de ver o mundo. Di Gianne cita como exemplo o fato de que, na época, boa parte dos alunos não conhecia arqueologia. A partir do projeto, eles ampliaram a visão para outras vertentes do conhecimento e até os familiares começaram a perceber as mudanças durante as visitas. “Eles contavam que falavam sobre o projeto com seus parentes, que tinham mais assunto. Eu fui notando que aquilo tudo era uma semente do conhecimento e até a autoestima deles melhorou. Quando ganhamos o prêmio foi uma coisa de louco”, brinca.

Como posso desenvolver esse projeto na minha escola? “Esse projeto é totalmente replicável em outras escolas, eu mesmo já levei para outras cidades e até mesmo salas de aula em outros presídios”, conta Di Gianne.

O professor explica que o aluno acha interessante e nota quando há algo diferente. “Queira ou não, até o aluno não religioso enxerga a Bíblia como um livro admirável pelo tempo que foi escrito e sua propagação até hoje. Eu lembro que dentro de sala de aula, na escola regular, já era possível fazer algumas ligações entre a narrativa histórica e passagens da Bíblia, e o aluno gostava de saber disso e sentia uma proximidade com a matéria.”

Além disso, é possível associar esses conteúdos a outras disciplinas. “Quando estava desenvolvendo o projeto com a turma de EJA, a professora de Ciências da nossa escola, que abordava questões de saúde, aproveitou passagens bíblicas para falar de algumas doenças”, diz. […]

A coragem de fazer algo inovador foi um grande combustível para a autoestima do detento, de acordo com o professor. “Eles mostraram que podem mais. Esses alunos saíram do presídio muito melhores do que entraram. Eles passaram até a conhecer os museus, como o Britânico, onde diversas peças dos persas e egípcios que são citados na Bíblia ali estão em exposição. Até a relação entre eles melhorou”, explica.

Di Gianne de Oliveira Nunes é formado em Direito e História. Notou que seria mais feliz lecionando e acertou. Há 14 anos está à frente de uma sala. Já deu aulas na Zona Rural, Educação Especial, cursinho e hoje atua na escola pública, privada e EJA no sistema prisional.

(Nova Escola)

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Os gigantes nefilins e as pirâmides do Egito

piramideNos anos 1980, quando eu [Michelson] ainda era um adolescente ávido por conhecimento e desprovido dos antivírus mentais que só uma teologia bíblica sólida pode oferecer, li de tudo um pouco: de ficção científica, passando por histórias em quadrinhos de super-heróis a livros sensacionalistas e pseudocientíficos, como o famoso Eram os Deuses Astronautas, de Erich Von Däniken. Recheado de argumentos fantásticos sem fundamento, o livro apresenta a “revelação” de que as pirâmides do Egito e outras construções grandiosas teriam sido edificadas por extraterrestres, afinal, de acordo com a mentalidade evolucionista, os seres humanos do passado eram menos capazes que os de hoje. Däniken vendeu muitos livros e encheu os bolsos disseminando esse tipo de desinformação.

O tempo passou e o universo das fake news, das meias-verdades e das teorias da conspiração foi expandido de maneira alarmante. Das páginas dos livros às telas de computador e de celulares, os conteúdos que antes eram restritos às rodas mais intelectuais ou nerds agora estão disponíveis a todos – letrados e iletrados, dotados de visão crítica e céticos, ou mesmo inocentes crédulos e fideístas. E tem gente vivendo dessa curiosidade desmedida do público por conteúdos fantásticos; basta ver os canais recordistas de acessos no YouTube para perceber que tipo de conteúdo mais rende visualizações.

São especialistas em generalidades que pregam coisas do tipo: vacinas estão matando mais do que salvando. A Terra é plana e coberta por um domo sólido. A Nasa na verdade é um grande estúdio cinematográfico cheio de profissionais de Photoshop. Anjos caídos tiveram relações sexuais com mulheres, dando origem aos gigantes nefilins. Ah, e para esses Däniken tinha certa razão, porque afirmam que foram esses anjos caídos extraterrestres que construíram as pirâmides.

Como já falei bastante aqui no blog e em meu canal sobre terraplanismo e até sobre os que pregam a não vacinação, desta vez vou falar sobre os nefilins.

Gênesis 6:4 diz: “Naqueles dias havia nefilins na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos.”

Conforme explicou o criador do ministério 11 de Gênesis, Alexandre Kretzschmar, “algumas traduções trazem o termo nefilins como ‘gigantes’. Por enquanto, não há evidência fóssil desses gigantes. Não há descoberta ou qualquer achado que possamos ligar a esse texto. Existe muita especulação que até rendeu uma série no History Channel com o nome ‘Em Busca de Gigantes’. Essa especulação inspira nossa imaginação, mas não podemos dizer que esses fósseis existem nem que foram encontrados. Antes do dilúvio, a Terra era bem diferente. Pelo registro fóssil, vemos que existiu uma megafauna e uma megaflora. Sabemos que as condições climáticas, relevo, alimentação e outros fatores eram totalmente diferentes. Levando em consideração todas as informações de que dispomos do período antediluviano, sabemos que os seres humanos eram diferentes. Viviam mais e, com certeza, eram maiores. Porém, não temos em mãos esse registro fóssil humano”.

A palavra hebraica nefilim significa “desertores”, “caídos”, “derrubados”, porém, esse termo é uma variação da forma causativa do verbo nafál ou nefal (cair, queda, derrubar, cortar). Ou seja, refere-se à ideia de dividido, falho, queda, perdido, mentiroso, desertor. Literalmente, os que fazem os outros cair ou mentir.

A Nova Tradução na Linguagem de Hoje traz assim Gênesis 6:4: “Havia gigantes na terra naquele tempo e também depois, quando os filhos de Deus tiveram relações com as filhas dos homens e estas lhes deram filhos. Esses gigantes foram os heróis dos tempos antigos, homens famosos.” “Observe que os gigantes existiam antes e ‘também depois’ que os ‘filhos de Deus’ tiveram relações com as ‘filhas dos homens’”, destaca o teólogo Matheus Cardoso. “Então, não foi a relação entre os dois grupos que produziu os gigantes. Gênesis 6:4 simplesmente descreve como eram as pessoas daquele tempo: no original em hebraico diz nefilim, que significa pessoas fortes, altas, realmente ‘heróis’.”

Vamos ler mais alguns versos de Gênesis 6: “Quando os homens começaram a se multiplicar na terra e lhes nasceram filhas, os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram bonitas e escolheram para si aquelas que lhes agradaram. Então disse o Senhor: ‘Por causa da perversidade do homem, Meu Espírito não contenderá com ele para sempre; e ele só viverá cento e vinte anos.’ Naqueles dias havia nefilins na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos. O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal” (6:1-5).

Segundo Kretzschmar, “alguns erradamente alegam que os ‘filhos de Deus’ eram anjos caídos (demônios), os quais teriam se relacionado com fêmeas humanas e/ou habitado os corpos de machos humanos para então se relacionar com as fêmeas humanas. Essa união teria dado origem a filhos, os nefilins, os quais eram ‘os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama’” (Gênesis 6:4).

Os “filhos de Deus” não poderiam ser anjos, porque anjos são seres espirituais (Hebreus 1:14) e não têm relações sexuais (Mateus 22:30; Marcos 12:25; Lucas 20:34-36). Se estudarmos o contexto (os capítulos próximos) de Gênesis 6, veremos que os “filhos de Deus” eram os descendentes de Sete, fiéis a Deus (Gênesis 5), e as “filhas dos homens” eram descendentes de Caim, rebeldes contra Deus (Gênesis 4:1-24). Depois que houve essa união entre os dois grupos, que foi reprovada por Deus, apenas Noé e sua família permaneceram leais a Deus (Gênesis 6:8-10).

“Se os homens antediluvianos eram maiores, esses nefilins possivelmente fossem maiores ainda, aguçando mais nossa imaginação”, diz Kretzschmar. “De acordo com as lendas hebraicas (o livro de Enoque e outros livros não bíblicos), eles eram uma raça de gigantes e ‘super-heróis’ que fizeram atos de maldade.”

Tudo o que a Bíblia diz diretamente sobre eles é que eram “os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama” (Gênesis 6:4). Os nefilins não eram alienígenas, mas, sim, seres físicos e reais, produzidos pela união entre os filhos de Deus e as filhas dos homens (Gênesis 6:1-4). “Devemos ter cuidado em não utilizar textos duvidosos, não canônicos para sustentar nossas explicações. Também devemos ter cuidado em não criar problemas teológicos com o restante das Escrituras em nossas interpretações”, adverte Krestzchmar.

Existiram mais gigantes depois do dilúvio, como vemos em Gênesis 6:4, que diz: “Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois…” No entanto, é provável que tenha sido em uma escala muito menor do que antes do dilúvio. Quando os israelitas espionaram a terra de Canaã, eles disseram a Moisés: “Também vimos ali gigantes, filhos de Enaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos.” No entanto, essa passagem não diz especificamente que eram os nefilins de quem estavam falando, apenas que os espiões achavam que tinham visto nefilins. É mais provável que os espiões tenham testemunhado pessoas muito altas em Canaã e, por engano, acharam que eles fossem nefilins (Josué 11:21, 22; Deuteronômio 3:11; 1 Samuel 17).

Creio que chegamos ao tempo previsto pelo apóstolo Paulo: “Virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2 Timóteo 4:3, 4).

Nunca é demais lembrar: faça como os bereanos elogiados por Paulo e não acredite em qualquer um, seja ele escritor ou youtuber.

Entendendo a história Zorobabel e Esdras

Jeremias 29:10: “Assim diz o Senhor: Logo que se cumprirem para a Babilônia setenta anos, atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a Minha boa palavra, tornando a trazer-vos para este lugar.”

Isaías 44:28: “…que digo de Ciro: Ele é Meu pastor e cumprirá tudo o que Me apraz; que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado.”

Daniel 9:2: “…no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos livros, que o número de anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos.”

Daniel 9:24, 25: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos.”

2 Crônicas 36:22, 23: “No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá; quem entre vós é de todo o seu povo, que suba, e o Senhor, seu Deus, seja com ele.”

Esdras 1:1-3: “No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém de Judá. Quem dentre vós é, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém de Judá e edifique a Casa do Senhor, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém.”

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que o retorno do povo de Israel a Jerusalém com a reconstrução do templo e da cidade foram objeto de três decretos reais, um de Ciro II, em aproximadamente 536 a.C.; um de Dario I ,aproximadamente 520 a.C., confirmando o decreto de seu antecessor; e por último o decreto de Artaxerxes I, no ano 457 a.C.

Esdras 6:3-12: “O rei Ciro, no seu primeiro ano, baixou o seguinte decreto: Com respeito à Casa de Deus, em Jerusalém, deve ela edificar-se para ser um lugar em que se ofereçam sacrifícios; seus fundamentos serão firmes, a sua altura, de sessenta côvados, e a sua largura, de sessenta côvados, com três carreiras de grandes pedras e uma de madeira nova. 4A despesa se fará da casa do rei. Demais disto, os utensílios de ouro e de prata, da Casa de Deus, que Nabucodonosor tirara do templo que estava em Jerusalém, levando-os para a Babilônia, serão devolvidos para o templo que está em Jerusalém, cada utensílio para o seu lugar; serão recolocados na Casa de Deus. Agora, pois, Tatenai, governador dalém do Eufrates, Setar-Bozenai e seus companheiros, os afarsaquitas, que estais para além do rio, retirai-vos para longe dali. Não interrompais a obra desta Casa de Deus, para que o governador dos judeus e os seus anciãos reedifiquem a Casa de Deus no seu lugar. Também por mim se decreta o que haveis de fazer a estes anciãos dos judeus, para que reedifiquem esta Casa de Deus, a saber, que da tesouraria real, isto é, dos tributos dalém do rio, se pague, pontualmente, a despesa a estes homens, para que não se interrompa a obra. Também se lhes dê, dia após dia, sem falta, aquilo de que houverem mister: novilhos, carneiros e cordeiros, para holocausto ao Deus dos céus; trigo, sal, vinho e azeite, segundo a determinação dos sacerdotes que estão em Jerusalém; para que ofereçam sacrifícios de aroma agradável ao Deus dos céus e orem pela vida do rei e de seus filhos. Também por mim se decreta que todo homem que alterar este decreto, uma viga se arrancará da sua casa, e que seja ele levantado e pendurado nela; e que da sua casa se faça um monturo. O Deus, pois, que fez habitar ali o Seu nome derribe a todos os reis e povos que estenderem a mão para alterar o decreto e para destruir esta Casa de Deus, a qual está em Jerusalém. Eu, Dario, baixei o decreto; que se execute com toda a pontualidade.”

Pelo relato bíblico, a ordem de Ciro, embora de grande importância, se refere apenas à restauração do templo em Jerusalém. O povo foi liberado para retornar à cidade e participar da edificação do santuário. Nesse decreto se cumprem as profecias de Jeremias e de Isaías, sobre a libertação do povo e a edificação do templo. O autor entende que o marco inicial da profecia das setenta semanas seja o cumprimento das profecias de Isaías e Jeremias. É preciso salientar que há semelhanças, mas há alguns pontos a serem destacados:

  • Embora o povo tivesse sido liberto, não havia autorização para restaurar a cidade de Jerusalém, como descrito na profecia de Daniel.
  • O fato é corroborado com alguns detalhes, no livro de Zacarias (1:7-17). Deus reitera Sua promessa de restaurar Jerusalém; a profecia foi dada em aproximadamente 519 a.C., ou seja, depois do decreto de Ciro.
  • O decreto de Artaxerxes I deu ao povo de Israel liberdade para edificar a cidade e deu grande autonomia política para a província. Além disso, em Esdras 6:14, há a declaração de que a restauração do templo de Jerusalém se deu em cumprimento aos decretos de Ciro, Dario e Artaxerxes.

Esdras 7:11-28: “Esta é a cópia da carta que o rei Artaxerxes deu ao sacerdote Esdras, o escriba das palavras, dos mandamentos e dos estatutos do Senhor sobre Israel: Artaxerxes, rei dos reis, ao sacerdote Esdras, escriba da Lei do Deus do céu: Paz perfeita! Por mim se decreta que, no meu reino, todo aquele do povo de Israel e dos seus sacerdotes e levitas que quiser ir contigo a Jerusalém, vá. Porquanto és mandado da parte do rei e dos seus sete conselheiros para fazeres inquirição a respeito de Judá e de Jerusalém, segundo a Lei do teu Deus, a qual está na tua mão; e para levares a prata e o ouro que o rei e os seus conselheiros, espontaneamente, ofereceram ao Deus de Israel, cuja habitação está em Jerusalém, bem assim a prata e o ouro que achares em toda a província da Babilônia, com as ofertas voluntárias do povo e dos sacerdotes, oferecidas, espontaneamente, para a casa de seu Deus, a qual está em Jerusalém. Portanto, diligentemente comprarás com este dinheiro novilhos, e carneiros, e cordeiros, e as suas ofertas de manjares, e as suas libações e as oferecerás sobre o altar da casa de teu Deus, a qual está em Jerusalém. Também o que a ti e a teus irmãos bem parecer fazerdes do resto da prata e do ouro, fazei-o, segundo a vontade do vosso Deus. E os utensílios que te foram dados para o serviço da casa de teu Deus, restitui-os perante o Deus de Jerusalém. E tudo mais que for necessário para a casa de teu Deus, que te convenha dar, dá-lo-ás da casa dos tesouros do rei. Eu mesmo, o rei Artaxerxes, decreto a todos os tesoureiros que estão dalém do Eufrates: tudo quanto vos pedir o sacerdote Esdras, escriba da Lei do Deus do céu, pontualmente se lhe faça; até cem talentos de prata, até cem coros de trigo, até cem batos de vinho, até cem batos de azeite e sal à vontade. Tudo quanto se ordenar, segundo o mandado do Deus do céu, exatamente se faça para a casa do Deus do céu; pois para que haveria grande ira sobre o reino do rei e de seus filhos? Também vos fazemos saber, acerca de todos os sacerdotes e levitas, cantores, porteiros, de todos os que servem nesta Casa de Deus, que não será lícito impor-lhes nem direitos, nem impostos, nem pedágios. Tu, Esdras, segundo a sabedoria do teu Deus, que possuis, nomeia magistrados e juízes que julguem a todo o povo que está dalém do Eufrates, a todos os que sabem as leis de teu Deus, e ao que não as sabe, que lhas façam saber. Todo aquele que não observar a lei do teu Deus e a lei do rei, seja condenado ou à morte, ou ao desterro, ou à confiscação de bens, ou à prisão. Bendito seja o Senhor, Deus de nossos pais, que deste modo moveu o coração do rei para ornar a Casa do Senhor, a qual está em Jerusalém; e que estendeu para mim a sua misericórdia perante o rei, os seus conselheiros e todos os seus príncipes poderosos. Assim, me animei, segundo a boa mão do Senhor, meu Deus, sobre mim, e ajuntei de Israel alguns chefes para subirem comigo.”

Como se vê, no decreto de Artaxerxes há um trecho referenciando o templo e seus serviços, bem como a liberdade do povo para retornar e organizar politicamente a cidade. Uma parte em relação ao templo e outra em relação à cidade e ao povo. Por isso, a profecia melhor se adequa à data do decreto de Artaxerxes I, no ano 457 a.C. Isso sem contar que os 490 anos da profecia dos 2.300 anos e a vida e morte de Jesus confirmam a data de 457 a.C., sendo, portanto, o selo da visão. (Alan Klaubert)

Leia também: “Os 2.300 anos e a perfeição da cronologia profética”

Os 2.300 anos e a perfeição da cronologia profética

hiramÉ fascinante perceber que a perfeição do cálculo profético desfaz todas as dúvidas relacionadas à compreensão adventista sobre as 2.300 tardes e manhãs (de Daniel 8:14) e o 22 de outubro de 1844. Por exemplo: há relação entre Daniel 8 e Daniel 9? As 70 semanas fazem parte das 2.300 tardes e manhãs? Uns dirão “sim”; outros, “não”. O que estabelece definitivamente a inter-relação entre os dois períodos não são os detalhes do texto ou a análise das palavras mareh chazon – embora tudo isso seja extremamente importante –, mas, sim, a harmoniosa engrenagem do cálculo. Preste atenção às seguintes constatações:

1) 2.300 anos solares envolvem uma composição de 121 ciclos metônicos e 12 lunações que se complementam. Essa composição possibilita que os 2.300 anos comecem e terminem num dia 10 do sétimo mês, o Dia da Expiação. Num calendário lunissolar, não é todo período que admite essa composição [por exemplo: se o período fosse de 2.299 anos solares e fixássemos seu início no Dia da Expiação, não seria possível terminá-lo num Dia da Expiação].

2) Contando-se as 69,5 semanas proféticas a partir de um Dia da Expiação, o meio da septuagésima semana cairá justamente no dia da celebração da Páscoa, o que também é uma relação bastante singular.

3) Tomando por base dados históricos e astronômicos disponíveis, fixa-se o dia, o mês e o ano da morte de Jesus (26/27 de abril de 31). Retrocedendo 486,5 anos, chega-se ao Dia da Expiação no ano em que Esdras retornou de Babilônia (28/29 de outubro de 457 a.C.), eliminando a dúvida entre 458 a.C. e 457 a.C. Avançando 2.300 anos, chega-se ao Dia da Expiação em 1844 (22/23 de outubro).

4) Fixando o começo do período na hora do sacrifício da tarde, o meio da septuagésima semana cairá naquela noite de quinta-feira, quando Jesus disse “Pai, é chegada a HORA” (João 17:1), e o fim das 2.300 tardes e manhãs cairá na hora do sacrifício da tarde em Jerusalém. Levando em consideração a diferença de fusos horários, isso provavelmente corresponde ao horário em que Hiram Edson teve sua visão do milharal. Tudo em perfeita sincronia!

5) Por mais “avançada” que fosse a Astronomia na época de Daniel, não havia informações e métodos que permitissem ao homem construir a complexa arquitetura desse modelo. A própria compreensão do modelo pelo ser humano somente se tornou possível utilizando recursos desenvolvidos recentemente pela ciência moderna. Louvado seja Deus!

Portanto, o sistema cronológico desfaz as dúvidas remanescentes e confirma de uma vez por todas a mensagem adventista. O esquema matemático também confirma a inter-relação de Daniel 8 e 9. Se não admitirmos isso, estaremos diante das maiores coincidências da História!

(Henderson Hermes Leite Velten é advogado e coautor do livro A Astronomia e a Glória do Adventismo)

Leia também: “Por que o ano de 457 a.C. é o início da contagem dos 490 anos de Daniel 9:24-27?” e “The 70 Weeks and 457 b.C.”

Nota 1: No artigo “O Jesus pouco divulgado”, o pastor Douglas Reis escreveu que “houve pelo menos três decretos permitindo aos judeus o retorno a sua pátria. Somente um deles, o último, nos interessa, pelo seu caráter definitivo que levou à libertação de Israel. Esse decreto, assinado por Artaxerxes, em 457 a.C., se acha registrado em Esdras 6:6-12”.

Nota 2: Ellen White escreveu: “Encontramos exemplos na Palavra de Deus quanto a esse mesmo assunto. Ciro, rei da Pérsia, fez uma proclamação por todo o seu reino, e mandou escrever dizendo: ‘Assim diz Ciro, rei da Pérsia: o Senhor Deus dos Céus me deu todos os reinos da Terra; e Ele me encarregou de Lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem há entre vós, de todo o Seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que é em Judá, e edifique a casa do Senhor, Deus de Israel.’ Segunda ordem foi dada por Dario para a edificação da casa do Senhor, e está registrada no sexto capítulo de Esdras” (Conselhos Sobre Mordomia, p. 113).

“No sétimo capítulo de Esdras acha-se o decreto (Ed 7:12-26). Em sua forma completa foi promulgado por Artaxerxes, rei da Pérsia, em 457 antes de Cristo. Mas em Esdras 6:14 se diz ter sido a casa do Senhor em Jerusalém edificada ‘conforme o mandado [ou decreto, como se poderia traduzir] de Ciro e de Dario, e de Artaxerxes, rei da Pérsia.’ Estes três reis, originando, confirmando e completando o decreto, deram-lhe a perfeição exigida pela profecia para assinalar o início dos 2.300 anos. Tomando-se o ano 457 antes de Cristo, tempo em que se completou o decreto, como data da ordem, viu-se ter-se cumprido toda a especificação da profecia relativa às setenta semanas” (Conselhos Sobre Saúde, p. 55).

Imitando a cultura

uzaNum instante, Davi se transformou num assassino, quando Uzá foi fulminado por sua ousadia em tocar a Arca (1 Crônicas 13). E tudo começou com uma aparentemente ingênua ação: colocar a Arca num carro, em vez dos ombros dos levitas. O entusiasmo e o pragmatismo de Davi o levaram ao erro e ao pecado. Mas a ação de Davi não foi original; os filisteus transportaram a Arca num carro (1 Samuel 6:7, 8). Portanto, ao imitar a cultura, Davi fracassou!

Esse episódio nos lembra que a obediência à Palavra é muito mais importante que o entusiasmo, o pragmatismo e a cultura.

“Mas eles estão fazendo assim!” “As igrejas estão fazendo desse jeito.” “As pessoas gostam disso!” “Os estudos mostram que…!”

Esqueçamos a cultura! Esqueçamos as tendências sociológicas e antropológicas! Esqueçamos o pensamento dominante! Esqueçamos o que dizem os especialistas! Se eles disserem e praticarem diferente da Palavra, esqueçamos!

O conselho das pessoas, as pesquisas dos especialistas e os ditames da cultura jamais devem substituir as prescrições da Palavra de Deus.

Pastor Adolfo Suárez

Pastor presbiteriano afirma que guardar o sábado bíblico é pecado