O estupro na Bíblia

O texto mais mal traduzido da Bíblia e o feminismo

As palavras de Deus, proferidas em Gênesis 3:16, não podem ser compreendidas de maneira irresponsável, como se fosse uma declaração machista que colocou a mulher numa posição inferior ao homem

Traduttore, traditore. Este é um provérbio italiano que, literalmente, significa que o tradutor é traidor. E por quê? Porque é impossível ao tradutor, no desempenhar de sua função, despojar-se de seus conceitos, de sua cosmovisão particular. Além do mais, há muitas variáveis tais como limitação da língua de origem ou de destino, intervalo temporal entre o original e a tradução, termos de difícil compreensão do original, estruturas sintáticas que se diferenciam, entre outros elementos. Assim, nem sempre uma tradução vai representar exatamente aquilo que foi pretendido pelo autor do texto original.

As traduções bíblicas não estão isentas desse problema. É por isso que, numa esfera mais elevada, destaca-se a ecdótica ou crítica textual, que é o trabalho cuja finalidade é se aproximar tanto quanto possível da forma original de um texto, isto é, da forma pretendida pelo autor. Numa esfera menor, pode-se destacar a exegese e a hermenêutica, sendo a exegese – palavra de origem grega ἐξήγησις que significa literalmente “levar para fora” – uma interpretação ou elucidação crítica de um texto, em particular de um texto religioso, levando-se em consideração os originais. E a hermenêutica que, em síntese, é a arte de interpretar os textos.

Gênesis 4

O episódio de Caim Abel descrito em Gênesis 4 é comumente reconhecido como um dos relatos mais difíceis do Antigo Testamento. O ápice da dificuldade textual encontra-se no verso 7, que diz: “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, o seu desejo será contra ti, mas cumpre a ti dominá-lo.” Neste verso há um jogo de palavras masculinas e femininas que causam certa confusão. Há também sufixos pronominais masculinos que, aparentemente, não combinam com o contexto imediato da passagem.

Numa leitura rápida, desconsiderando-se os sufixos pronominais masculinos e a possibilidade de que uma palavra hebraica pode ter mais de um significado, chega-se a seguinte tradução interpretativa: “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta (porta do coração, como um leão para devorar), o seu desejo (desejo do pecado) será contra ti, mas cumpre a ti dominá-lo (dominar o pecado).” Além de sérias implicações no que tange ao perfeccionismo, essa tradução não respeita absolutamente os sufixos pronominais ali presentes, sendo mais uma interpretação do tradutor que uma tradução real do texto.

Entendendo a passagem

Veja abaixo uma análise da segunda parte do verso 7 (o hebraico lê-se de trás para frente):

(Da direita para a esquerda) וְאִם֙  לֹ֣א     תֵיטִ֔יב   לַפֶּ֖תַח    חַטָּ֣את    רֹבֵ֑ץ וְאֵלֶ֙יךָ֙

 (Da esquerda para a direita) e se | não | procederes bem, | à porta | transgressão | jaz | e para ti

תְּשׁ֣וּקָת֔וֹ       וְאַתָּ֖ה    תִּמְשָׁל־בּֽוֹ׃

o desejo dele | e tu | dominarás a ele

A dificuldade encontra-se na palavra hattat, que é traduzida por pecado ou transgressão, mas também pode significar oferta pelo pecado, sacrifício. Em hebraico, essa palavra é feminina. Portanto os sufixos que a ela se referem devem estar no feminino. Sendo assim, se a intenção do texto fosse dizer que “o desejo da transgressão” seria contra Caim e que ele deveria dominar a transgressão, o texto deveria estar assim: “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, a transgressão jaz à porta (porta do coração), o desejo dela (desejo da transgressão) será para ti, e a ela dominarás (dominar a transgressão).” Mas não é isso que acontece. A palavra é feminina, mas os sufixos são masculinos. Ficando literalmente assim: “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, a transgressão jaz à porta (que porta?), o desejo dele (ele quem?) será para ti, e sobre ele dominarás (dominar quem?).”

Um outro problema é que a palavra rovets é um particípio masculino. Como harmonizar esse particípio masculino com hattat que é feminina?  Na tentativa de harmonização entre a palavra feminina hattat com a expressão rovets, que significa jazendo, repousando, descansando, alguns eruditos alegam que esta expressão teria sua origem no acadiano, rabishum, que é traduzida por “demônio”:

“E. A. Speiser destaca que o acádio, uma das origens do hebraico bíblico, tem basicamente a mesma palavra, rabishum (note que as primeiras três consoantes são as mesmas), que significa “demônio”. Esta história bíblica vem do mesmo local geográfico; assim, se considerarmos que robesh é um empréstimo do acádio, a solução está à mão. O texto descreve o pecado como um demônio malévolo, pronto para se lançar sobre Caim se este sair da presença de Deus sem se arrepender. Deus graciosamente ofereceu a Caim o poder de vencer o pecado: Sobre ele dominarás.” (LIVINGSTON, COX, KINLAW et al., 2012)

O Dr. Joaquim Azevedo, no entanto, demonstra que tal empréstimo do acadiano inferindo que rovets fosse uma personificação do mal à espreita para atacar não condiz com o contexto da passagem.

O particípio masculino de #bero (rovets),significa “jazendo, repousando, descansando”. É uma evidência extra para considerar taJ’x; (hattat) como sacrifício. Ela é uma forma cognata da palavra acadiana “jazer, deitar”, da palavra ugarítica trbṣ- “estábulo, cocheira, aprisco de ovelhas”. Alguns eruditos, porém, têm identificado este particípio como o “croucher” ou “demônio”, baseado no particípio acadiano rābiṣu. No uso deste particípio no Pentateuco não cabe a interpretação como “demônio” (Gn 49:14; Ex 23:5; Dt 22:6). O particípio #bero é usado em relação à ovelha (Gn 29:2), leopardo e cabra vivendo juntos pacificamente (Is 11:6), e usado como para referir-se figuradamente para uma pessoa sendo comparada com uma ovelha (S1 23:2); ou ao povo como ovelha (Ez 34:14); em outro caso aplicado é a um rebanho ou aprisco de ovelhas (Is 13:20). Somente uma vez fora das trinta passagens no AT, esta palavra é usada no sentido de besta feroz (Gn 49:9). Isto pode significar um sacrifício-purificação; quer um carneiro, cabra, ou algum animal macho for empregado para sacrifício estava jazendo ou descansando à porta do Paraíso. Assim, o gênero masculino do particípio #bero, se refere diretamente ao gênero do animal macho para o sacrifício-purificação ao invés do substantivo feminino taJ’x; (Lv 4:4; 4:23). Isto pode resolver o problema da discordância de gênero. (NETO, 2003)

Conforme mencionado acima, a palavra hattat pode significar tanto pecado ou transgressão como oferta pelo pecado, sacrifício. “A porta” a que o texto se refere não parece indicar a porta do coração como alguns tem suposto, mas o local onde os sacrifícios eram realizados: à porta do Paraíso, do Éden; local onde estavam os querubins. Segundo o Dr. Joaquim, é provável que os sacrifícios fossem oferecidos à porta do Éden “porque a entrada do jardim é imaginada no enredo literário como a fronteira entre o mundo sem pecado e o mundo pecaminoso.” Para ele “este era o lugar de separação entre Yahweh e suas criaturas, o lugar mais perto da árvore da vida onde às criaturas caídas era permitido se aproximar (Gn 3:21-24)”. (NETO, 2003). Esta posição é defendida por vários outros eruditos, conforme apresenta o Dr. Azevedo na nota de rodapé de seu artigo:

The Book of Jubilees identifica o jardim do Éden com o lugar do templo, a casa de Deus (Jz 8:19); Gordon J. Wenham, “Sanctuary Symbolism in the Garden o Eden Story, em Studied Inscriptions from Before the Flood, Ancient Near Eastern, Literary, and Linguistic Approaches to Genesis 1-11, eds. Richard S. Hess and David Toshio Tsumura (Winona Lake: Eisenbrauns, 1994): De acordo com Wenham “o jardim do Éden não é visto pelo autor de Gênesis simplesmente como um lugar da terra cultivável da Mesopotâmia, mas um arquétipo do santuário, isto é, um lugar onde Deus habita e onde o homem deveria adorá-Lo. Muitas das características do jardim do Éden podem também ser encontradas em santuários posteriores, particularmente no Tabernáculo ou no Templo de Jerusalém. Estas comparações sugerem que o próprio jardim é tido como um tipo de santuário”, p. 399: Para posterior comparação do jardim com o santuário, veja Gary Anderson, “Celibacy or Consummation in the Garden? Reflection on Early Jewish and Christian Interpretations of the Garden of Eden, HTR 82:2 (1989)121-148; and Phyllis Trible, God and the Rhetoric of Sexuality (Philadelphia: Fortress Press, 1978)144-164. (NETO, 2003)

Visto que a melhor tradução para hattat no contexto de Gên. 4 seja oferta pelo pecado ou sacrifício, e que a porta não seria uma referência ao coração, mas ao jardim do Éden, resta identificar o sujeito masculino da passagem de quem o texto hebraico diz: “o seu desejo” ou “o desejo dele será para ti e sobre ele dominarás”. Já está claro que não pode ser hattat por ser uma palavra feminina. Sobre isso, o Dr. Joaquim diz:

O lugar mais provável para se encontrar o antecedente dos sufixos pronominais é no contexto de Gênesis 4. Uma avaliação da primeira parte deste capítulo (vv. 1-7) mostra que Caim era o primogênito. Ele supostamente deveria ser o sacerdote, líder e o futuro patriarca, por assim dizer, do clã de Adão. Por não efetivar o ritual do sacrifício, ele pode ter perdido seu direito de primogenitura, causando nele ira para com seu irmão Abel. Portanto, o antecedente mais provável para ambos os sufixos, o e seu, seria o único substantivo masculino que se encaixa no fluxo literário do tópico de Gênesis 4:1-16, a saber, “Abel”. (NETO, 2003)

A conclusão que se chega de maneira responsável e analisando o texto tal como ele está não pode ser outra a não ser a de que os sufixos pronominais masculinos sejam uma referência a Abel e não ao pecado. Fica assim, portanto, a tradução mais próxima ao original hebraico:

“Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, uma oferta pelo pecado [um sacrifício de animal macho] jaz à porta [do Paraíso, do Éden], e para ti será o seu [de Abel] desejo e dominarás [novamente como o primogênito] sobre ele [seu irmão]”. (NETO, 2003)

Feminismo e Gênesis 3

E o que tudo isso que foi dito até o momento tem a ver com o feminismo? De acordo com o pensamento feminista, Gênesis 3:16 seria uma tragédia para a mulher, pois ali ela é colocada em sujeição ao homem: “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.” De maneira muito interessante, talvez não aleatória, as mesmas palavras, isto é, desejo e domínio, que aparecem em Gênesis 3, aparecem igualmente e na mesma ordem em Gênesis 4 e, juntas assim, não ocorrem mais em nenhuma porção do Antigo Testamento. O paralelismo é inegável:

  וְאֶל־אִישֵׁךְ֙         תְּשׁ֣וּקָתֵ֔ךְ      וְה֖וּא     יִמְשָׁל־בָּֽךְ׃

  e para teu marido | o teu desejo | e ele | dominará a ti

וְאֵלֶ֙יךָ֙       תְּשׁ֣וּקָת֔וֹ       וְאַתָּ֖ה    תִּמְשָׁל־בּֽוֹ׃

e para ti | o desejo dele | e tu | dominarás a ele

O termo desejo תְּשׁוּקָה (teshuqá) ocorre apenas três vezes em todo o Antigo Testamento. Além das ocorrências em Gênesis 3 e 4, ele aparece novamente apenas em Cantares 7:10 que diz: “Eu sou do meu amado, e ele me tem afeição.” Numa tradução mais literal desse texto, a leitura seria assim:

 אֲנִ֣י      לְדוֹדִ֔י            וְעָלַ֖י       תְּשׁוּקָתֽוֹ׃

eu | para meu amado | e para mim | o desejo dele 

Note que a ordem em Cantares está invertida. Se em Gênesis o desejo da mulher é para seu marido, em Cantares o desejo do marido é para a mulher, evidenciando claramente que o que foi prescrito em Gênesis 3 não rebaixa a mulher, caso assim fosse, o homem estaria sendo rebaixado em Cantares. Portanto, a expressão desejo em Gênesis 3 não tem por objetivo colocar a mulher em uma posição inferior à do homem. Mas, talvez a expressão que cause maior dificuldade não seja desejo e sim domínio.

A primeira análise a ser feita dentro do texto é: Quem pronuncia as palavras de Gênesis 3:16? Deus! Ora, se o interlocutor da sentença é Deus, não se pode fazer a análise do texto usando as lentes da cosmovisão feminista atual, seja ela de que vertente for. As lentes para a compreensão do texto devem ser extraídas da própria Bíblia. É a cosmovisão bíblica, divina, que vai guiar a interpretação do texto e não conceitos de dicionários modernos ou literaturas carregadas de ideologias. Por isso, cabem os questionamentos: De acordo com a cosmovisão bíblica, quais as implicações do termo domínio expressas em Gênesis 3:16? O que Deus quis dizer quando falou que o homem dominaria sobre a mulher? De que tipo de domínio o texto está falando? Esse texto expressa uma visão machista por parte de Deus?

Naturalmente, afirmar que Gênesis 3:16 traz uma visão machista e preconceituosa contra a mulher, coloca Deus em uma situação indevida, contrária a Seu caráter e Sua forma de agir. Talvez, um olhar ao capítulo 4 e o que representava o domínio da primogenitura ajude na compreensão inicial do assunto. Ser o primogênito não colocava o primeiro filho numa posição em que pudesse humilhar, violentar, desmerecer os seus demais irmãos. A primogenitura dizia respeito, principalmente, a funções de liderança, respeito, proteção e cuidado do clã quando o então líder/patriarca partisse. O primogênito seria o responsável, o cabeça, o próximo líder da família. Portanto, a ideia de domínio expressa tanto em Gênesis 3, quanto em Gênesis 4 nada tem que ver com dominação pessoal, violência, conduta arbitrária e desrespeito por parte do que exerce o domínio, é exatamente o contrário disso. O domínio ordenado por Deus em Gênesis 3:16 a ser exercido pelo homem deveria ser, então, uma bênção, conforme verificar-se-á mais adiante.

Ao longo de toda a Bíblia, nota-se o nítido contraste entre o מָשַׁל (mashal) domínio do justo e sábio e o מָשַׁל (mashal) domínio daquele que é tolo e injusto. Por exemplo: Quando o livro de Gênesis fala dos sonhos de José, diz que seus irmãos lhe questionaram: “Tu, pois, deveras reinarás sobre nós? Tu deveras terás domínio sobre nós?” (Gn 37:8) O verbo aqui usado foi mashal. Anos depois, José se torna o governador do Egito e tem em seu poder a possibilidade de fazer o que quisesse com seus irmãos, que tanto mal lhe fizeram. Ao invés disso, suas palavras no momento em que se revela a seus irmão, foram: “Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como dominador em toda a terra do Egito” (Gn 45:8). Novamente a palavra usada aqui foi mashal. Nitidamente se nota que tipo de domínio foi exercido por aquele que era fiel a Deus, que, podendo usar da força e do poder para castigar, violentar, não retribuiu de forma vingativa os males sofridos. É por isso que Davi, no fim de sua vida declarou:

“Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no temor de Deus, é como a luz da manhã, quando sai o sol, como manhã sem nuvens, cujo esplendor, depois da chuva, faz brotar da terra a erva” (2Sm 23:3, 4).

O contrário do domínio do justo também é expresso na Bíblia quando em Provérbios se diz: “Como leão rugidor, e urso faminto, assim é o ímpio que domina sobre um povo pobre”(Pv 28:15). Ainda em Provérbios o contraste torna-se bastante claro pela própria estrutura poética de antítese ao afirmar que “quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo geme” (Pv 29:2) Verifica-se, portanto, que o problema não está na palavra domínio, mas em quem exerce a ação deste verbo.

É indispensável atentar para o texto de Miqueias 5:2, porque ali está expresso a ação de domínio do Messias: “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará (dominará – mashal) em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq 5:2). Esse texto é importante porque no Novo Testamento Paulo retoma a ideia de submissão e domínio entre a mulher e o homem fazendo alusão comparativa da relação entre Cristo e Sua igreja. Cristo é o dominador por excelência e Ele é o modelo a ser seguido. Ao discursar sobre o tema, Paulo afirma:

“Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus. Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo Ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos” (Ef 5:21-24).

No primeiro momento do texto, Paulo sugere que a sujeição deve ser mútua entre os irmãos no temor de Deus, indo além das questões maritais. Em seguida, ele vai expressar a ideia do homem como cabeça, isto é, o líder, protetor, cuidador da mulher e deve ele exercer esse domínio da mesma forma como Cristo, que é o cabeça da igreja, exerce Seu domínio. Na sequência, Paulo diz:

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela. […] Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; Porque somos membros do Seu corpo, da Sua carne, e dos Seus ossos” (Ef 5:25-30).

Claramente, fica evidenciado que o tipo de domínio a que Paulo faz referência não tem que ver com atitudes ríspidas, autoritárias, violentas, desrespeitosas, mas, um domínio de amor, amor este, capaz de dar a vida pela esposa. Não é um domínio machista, mas, de cuidadoso zelo. Esta é a cosmovisão bíblica de domínio. Foi este tipo de domínio (mashal) que Deus estabeleceu no Gênesis. Qualquer que seja a visão antropocêntrica que desvirtue o sentido bíblico apresentado em Gênesis 3:16 deve ser desconsiderada. O domínio estabelecido por Deus, não era para ser uma maldição, mas uma bênção. Se em algum momento não foi benéfico, a culpa não está nas palavras de Deus, mas na maldade do coração humano e na má compreensão das Escrituras. A este respeito diz Ellen White:

Referiram-se a Eva a tristeza e a dor que deveriam dali em diante ser o seu quinhão. E disse o Senhor: “O teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará” (Gn 3:16). Na criação Deus a fizera igual a Adão. Se houvessem eles permanecido obedientes a Deus – em harmonia com Sua grande lei de amor – sempre estariam em harmonia um com o outro; mas o pecado trouxera a discórdia, e agora poderia manter-se a sua união e conservar-se a harmonia unicamente pela submissão por parte de um ou de outro. Eva fora a primeira a transgredir; e caíra em tentação afastando-se de seu companheiro, contrariamente à instrução divina. Foi à sua solicitação que Adão pecou, e agora foi posta sob a sujeição de seu marido. Se os princípios ordenados na lei de Deus tivessem sido acariciados pela raça decaída, esta sentença, se bem que proveniente dos resultados do pecado, ter-se-ia mostrado ser uma bênção para o gênero humano; mas o abuso da supremacia assim dada ao homem tem tornado a sorte da mulher mui frequentemente bastante amargurada, fazendo de sua vida um fardo. (WHITE, 1997)

Não há dúvidas que a submissão por parte de um ou de outro foi resultado do pecado. Mas, esta é a única forma de se manter a harmonia, conforme relata a pena inspirada. O problema não está na submissão, pois claramente o texto declara que esta deveria ser uma bênção para a o gênero humano. O problema está no “abuso da supremacia” do homem que “tem tornado a sorte da mulher mui frequentemente bastante amargurada, fazendo de sua vida um fardo”. Qual a solução para isso? Recorrer às ideias feministas (seja ela de que vertente for)? Ou buscar o padrão bíblico de domínio, entendendo o que a Bíblia ensina sobre isso? Ainda falando sobre a busca por um domínio arbitrário, diz Ellen White:

Nem o marido nem a esposa devem pensar em exercer governo arbitrário um sobre o outro. Não intentem impor um ao outro os seus desejos. Não é possível fazer isso e ao mesmo tempo reter o amor mútuo. Sede bondosos, pacientes, longânimos, corteses e cheios de consideração mútua. Pela graça de Deus podeis ter êxito em vos fazerdes mutuamente felizes, como prometestes no voto matrimonial. (WHITE, 2004a, 361)

E ao marido que, não compreendendo o verdadeiro sentido bíblico, busca no texto inspirado respaldo para suas atitudes equivocadas de domínio, Ellen White alerta:

Não é evidência de varonilidade demorar-se o esposo constantemente no fato de ser a cabeça da família. Não se lhe acrescenta respeito ser ouvido a citar as Escrituras a fim de sustentar seus reclamos de autoridade. Ele não se faz mais varonil por exigir de sua esposa, a mãe de seus filhos, que aceite os seus planos como se eles fossem infalíveis. O Senhor constituiu o marido como a cabeça da mulher, para ser-lhe protetor, o laço de união da família, unindo os membros entre si, da mesma forma que Cristo é a cabeça da igreja, e o Salvador do corpo místico. Que cada esposo que alega amar a Deus estude cuidadosamente os reclamos de Deus no que respeita a sua posição. A autoridade de Cristo é exercida com sabedoria, com toda a bondade e mansidão; assim exerça o esposo seu poder e imite a grande Cabeça da igreja. (WHITE, 2004b, 215)

E por fim, aqui se expressa de forma clara e perfeita o que é domínio por parte do marido e o que é sujeição por parte da esposa:

Nem o marido nem a mulher deve buscar dominar. O Senhor expressou o princípio que guiará este assunto. O marido deve amar a mulher como Cristo à igreja. E a mulher deve respeitar e amar o marido. Ambos devem cultivar espírito de bondade, resolvidos a nunca ofender ou prejudicar o outro. (WHITE, 1998, 97)

CONCLUSÃO

Conclui-se, após este estudo, que as palavras de Deus, proferidas em Gênesis 3:16, não podem ser compreendidas de maneira irresponsável, a saber, que esta seria uma declaração machista que colocou a mulher numa posição inferior ao homem devendo, portanto, ser combatida com ideias feministas. A própria Bíblia se interpreta, e Gênesis 4, ao falar do domínio do filho primogênito em relação aos demais irmãos, num claro paralelismo com Gênesis 3 com o uso dos termos desejo e domínio, começa a abrir o caminho para uma compreensão mais clara desses termos, em especial, “domínio”, que ganha sua amplitude e significado máximos na relação entre Cristo e Sua igreja. Assim, portanto, o termo domínio em Gênesis 3 nada tem que ver com menosprezo a mulher, não a coloca em uma posição inferior em relação ao homem, tampouco sanciona a violência, o desrespeito e atitudes arbitrárias do homem em relação à mulher. A compreensão correta desse assunto à luz da Bíblia, não permitirá que o leitor esteja a vaguear por filosofias humanas, pretendendo mesclar com a teologia aspectos filosóficos que mais buscam a militância que a aprovação divina. Como último alerta, diz Ellen White:

Aqueles que se sentem chamados a se unir ao movimento em favor dos direitos da mulher e do vestuário reformado, podem igualmente romper toda conexão com a mensagem do terceiro anjo. O espírito que assiste a um não pode estar em harmonia com o outro. As Escrituras são claras sobre as relações e direitos de homens e mulheres. (WHITE, 1999, 421)

(Eleazar Domini é pastor adventista e mestre em Teologia)

Referências:

LIVINGSTON, G. H. et al. Comentário bíblico Beacon: Gênesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. v.1. 510.

NETO, J. A. À porta do paraíso. Uma interpretação contextual de Gên. 4:7. Revista Hermenêutica, v. 3, n. 1, p. 3-21, 2003.

WHITE, E. G. Patriarcas e profetas. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1997. 755.

______. Testemunhos Seletos: Obras de Ellen G. White Versão 2.0. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1998. v.3 443.

______. Testemunhos para igreja. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1999. v.1 700.

______. A Ciência do Bom Viver. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004a. 532.

______. O Lar Adventista. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004b.

A Bíblia e o feminismo

Pesquisa interessante mostra se há alguma conciliação entre os conceitos defendidos pelo feminismo e o cristianismo tal como apresentado na Bíblia

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Este artigo trata da visão feminista da Bíblia em uma perspectiva adventista. A pesquisa, cujo conteúdo completo pode ser lido aqui, avalia alegações teológicas de autoras representativas dos feminismos, em fontes primárias, desde a Primeira Onda até a contemporaneidade, o que inclui declarações de ativistas e teólogas feministas a respeito da Bíblia. Por meio desta pesquisa, é possível concluir que há uma tensão significativa entre a visão feminista majoritária e a perspectiva adventista a respeito da Bíblia. Existem consequências teológicas nas proposições feministas. Isto é, feministas fazem alegações teológicas (e não apenas sobre direitos iguais), mesmo as feministas que não estão diretamente ligadas ao trabalho teológico. Por isso, tais declarações devem passar por uma avaliação teológica.

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A visão feminista da Bíblia: uma análise sob a perspectiva adventista

feminismo

O objetivo deste artigo é fazer, por meio de uma pesquisa bibliográfica, uma avaliação da visão feminista da Bíblia sob a perspectiva adventista. A pesquisa avalia alguns textos representativos da teologia feminista, desde a primeira onda até a contemporaneidade, bem como declarações de ativistas e teólogas feministas a respeito da Bíblia. Através desta pesquisa, é possível concluir que há uma tensão significativa entre a visão feminista e a perspectiva adventista a respeito da Bíblia.

Como a história dos movimentos de emancipação das mulheres é cheia de fases e vertentes, seria um erro avaliar o feminismo de forma isolada; como um discurso uníssono. Assim, vamos nos referir aos movimentos de emancipação das mulheres como “feminismos” (no plural), e avaliar textos representativos das abordagens bíblicas feministas. Serão citadas fontes primárias, e as citações diretas serão mantidas para que a posição de cada autora feminista seja exposta em suas próprias palavras.

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Um tiro na Bíblia, em Ellen White e em Andreasen ao mesmo tempo!

santuario

Moisés entrou no Lugar Santíssimo como parte do ritual de inauguração (Êx 26:33, 34; 40:9; Lv 8:10-12; Nm 7:1, 89; cf. Hb 9:21). A inauguração do santuário celestial também envolveu a unção do Santíssimo (Dn 9:24). Ou seja: o Dia da Expiação não é o único ritual que inclui entrada no Santíssimo. Cristo, por ocasião de Sua ascensão, entrou no santuário celestial para inaugurar seus serviços (o que incluía a entrada no Santíssimo), não para dar início ao ministério do Dia da Expiação. Em palavras simples, Jesus entrou no Santíssimo antes de 1844 para inaugurar Seu sacerdócio, e entrou no Santíssimo em 1844 para efetuar a purificação do santuário celestial (Dia da Expiação).

Ellen White descreve de duas formas a entrada de Jesus no Santíssimo (onde fica o propiciatório), na Inauguração:

“Ainda carregando humanidade, Ele ascendeu ao céu, triunfante e vitorioso. Ele tomou o sangue da expiação, aspergiu sobre o propiciatório e sobre suas próprias vestes e abençoou o povo. Em breve Ele aparecerá pela segunda vez para declarar que não há mais sacrifício pelo pecado” (RH, 13/11/1913).

“Ainda carregando humanidade, Ele ascendeu ao céu, triunfante e vitorioso. Ele levou o sangue da expiação ao Santíssimo, aspergiu sobre o propiciatório e Suas próprias vestes e abençoou o povo. Em breve, Ele aparecerá pela segunda vez para declarar que não há mais sacrifício pelo pecado” (ST, 19/4/1905)

As entradas no Santíssimo têm funções diferentes. Esse é o problema de décadas de ênfase apenas no aspecto “geográfico” de 1844, e não na função. 1844 não tem a ver com “entrou no Santíssimo”, e ponto. Tem a ver com “entrou no Santíssimo para…”, a ênfase deve ser no que Jesus foi fazer ali, a função, o ministério.

Curiosamente, no próprio site do MV você encontra o livro O Ritual do Santuário, de M. L. Andreasen, onde ele diz que a Inauguração incluiu, sim, a unção do Santíssimo:

“Não somente Arão é ungido, mas também o tabernáculo. ‘Então Moisés tomou o azeite da unção, e ungiu o tabernáculo, e ungiu o altar e todos os seus vasos, como também a pia e a sua base, para santifica-los’ (Lv 8:10, 11). Essa unção incluía toda a mobília, tanto do santo como do santíssimo (Êx 30:26-29)” (p. 57).

Andreasen continua: “Quando, no primeiro dia da semana, Cristo ressuscitou, necessário Lhe era subir ao Pai para ouvir as palavras da divina aceitação do sacrifício. Na cruz, Sua alma estava em trevas. O Pai, dEle ocultara o rosto. Em desespero e angústia, Cristo exclamara: ‘Deus Meu, por que Me desamparaste’? (Mt 27:46)” (p. 148).

“Agora, tivera lugar a ressurreição. A primeira coisa que Cristo tinha a fazer, era aparecer na presença do Pai e ouvir-Lhe as bem-aventuradas palavras de que Sua morte não fora em vão, mas aceito estava amplamente o sacrifício. Cumpria-Lhe, assim, ascender ao céu e, em presença do universo, ouvir do próprio Pai palavras de certeza; então, devia volver à Terra aos que ainda Lhe pranteavam a morte, ignorando Sua ressurreição, e a eles mostrar-Se abertamente. Assim o fez” (p. 149).

Na versão inglesa do livro ainda há um trecho onde Andreasen (1947) descreve a cerimônia de inauguração, citando Ellen White:

“Será lembrado que na inauguração de Arão como sumo sacerdote ‘tomou Moisés também do azeite da unção, e do sangue que estava sobre o altar, e o espargiu sobre Arão e sobre as suas vestes, e sobre os seus filhos, e sobre as vestes de seus filhos com ele; e santificou a Arão e as suas vestes, e seus filhos, e as vestes de seus filhos com ele’ (Lv 8:30). A este respeito, pondere a seguinte declaração: ‘Ainda carregando humanidade, Ele ascendeu ao céu, triunfante e vitorioso. Ele levou o sangue da expiação ao santíssimo, aspergiu sobre o propiciatório e Suas próprias vestes e abençoou o povo. Em breve, Ele aparecerá pela segunda vez para declarar que não há mais sacrifício pelo pecado’ (Ellen G. White, Signs of the Times, 19 de abril de 1905).

“Assim como as vestes de Arão foram aspergidas por ocasião da dedicação do santuário, Cristo aspergiu Suas próprias vestes e o propiciatório. Ele dedicou a Si mesmo e o santuário à obra da redenção. Ele havia sido oficialmente instalado no cargo. Ele estava sentado à direita de Deus e investido de todo o poder. Seu sangue foi derramado, mas ainda não foi ministrado. Seu primeiro ato oficial como sumo sacerdote foi aspergir o sangue em Suas próprias vestes e na dispersão da misericórdia, dedicando a Si mesmo e ao santuário celestial. Assim como Arão, depois de ser aspergido com sangue, começou sua obra no primeiro compartimento do santuário (Lv 9:23), o mesmo fez Cristo. A partir deste estudo, torna-se claro que na ascensão de Cristo ao céu ocorreu uma inauguração.”

Ou seja, Daniel Silveira está contra a Bíblia, contra Ellen White e contra Andreasen. É um combo.

Sendo mais claro: a inauguração do tabernáculo e da aliança não foi efetuada por Arão, mas por Moisés. Portanto, não é estranho Jesus ser comparado a Moisés na inauguração do santuário celestial. A quem Ele seria comparado, se não a Moisés?

Em Hebreus, Moisés é um tipo de Jesus (3:1-6; 9:15-24). Moisés atuou como rei e como sacerdote, inaugurando a aliança, e inaugurando o santuário. Moisés entrou no Santíssimo como parte dos ritos de inauguração (Ex 26:33; 40:1-9; Lv 8:10-12; Nm 7:1). Em Salmo 99:6, Moisés é colocado “entre os sacerdotes”, ao lado de Arão.

(Pastor Isaac Malheiros é professor no Instituto Adventista Paranaense)

Em Sua ascensão Cristo inaugurou o Santuário?

Ou foi o Pai que Se deslocou ao Lugar Santo?

santuario

A ideia de que em Sua ascensão Cristo inaugurou o Santuário está em Daniel 9:24, onde é dito que no fim das 70 Semanas haveria a unção do “Santo do Santos” (QODESH QODASHIM). Embora a frase seja a mesma usada para designar o Lugar Santíssimo, aqui ela provavelmente significa a unção do Santuário como um todo. Apocalipse 4-5 também corrobora essa ideia, pois a cena ali relatada se refere à entronização de Cristo após Sua ascensão – um evento relacionado com a inauguração do Santuário.

Em Hebreus, algumas passagens que falam do acesso de Cristo ao Santuário podem, na verdade, indicar inauguração. Sendo esse o caso, inauguração ou unção do santuário não pode se restringir ao primeiro compartimento, mas deve envolver o santuário como um todo, e se for consistente com o tipo terrestre, inclui o Lugar Santíssimo.

Não creio que isto afete a doutrina do Santuário, ao contrário do que algumas pessoas ensinam. Essa, creio eu, é a posição da maioria dos estudiosos adventistas hoje que procuram fundamentar a doutrina do Santuário sobre uma base bíblica.

Há alguns, porém, que creem que, ao invés de Cristo adentrar o Lugar Santíssimo por ocasião da Sua ascensão, foi o Pai que veio ao Lugar Santo. Dependendo de como se interpretam alguns textos de Ellen White, até se pode apoiar essa posição. No entanto, não devemos ser dogmáticos. Ambas as posições estão dentro dos parâmetros do adventismo histórico, e aqueles que discordam não deveriam ser rotulados de hereges.

Mais um ponto a considerar: a presença de Cristo no Lugar Santo não exclui a presença dEle à destra do Pai. A funcionalidade e espacialidade do Santuário Celestial é complexa. Precisamos manter o equilíbrio entre as funções de Cristo como sumo sacerdote e rei. Sendo assim, Cristo não pode estar espacialmente restrito no Santuário Celestial. O fato de Ele ministrar no Lugar Santo não Lhe impede acesso ao Lugar Santíssimo e vice-versa.

Uma analogia: uma dona de casa na hora de preparar o almoço tem suas funções concentradas na cozinha. Mas isso não lhe impede acesso aos demais cômodos da casa no momento em que ela quiser. Em outras palavras, Cristo não pode ser aprisionado em um compartimento do Santuário.

(Dr. Elias Brasil é diretor do Biblical Research Institute)

Para aprofundamento, veja o material publicado pelo Dr. Richard Davison:

Davidson, Richard M. “Christ’s Entry ‘within the Veil’ in Hebrews 6:19-20: The Old Testament Background.” Andrews University Seminary Studies 39, no. 2 (2001): 175-90.

Davidson, Richard M. “Inauguration or Day of Atonement? A Response to Norman Young’s ‘Old Testament Background to Hebrews 6:19-20 Revisited’.” Andrews University Seminary Studies 40, no. 1 (2002): 69-88.

Jesus é Deus de eternidade em eternidade

Trindade 06

“Antes de serem criados homens ou anjos, a Palavra [ou Verbo] estava com Deus, e era Deus. O mundo foi feito por Ele, ‘e sem Ele nada do que foi feito se fez’ (João 1:3). Se Cristo fez todas as coisas, existiu Ele antes de todas as coisas. As palavras faladas com respeito a isso são tão positivas que ninguém precisa deixar-se ficar em dúvida. Cristo era, essencialmente e no mais alto sentido, Deus. Estava Ele com Deus desde toda a eternidade, Deus sobre todos, bendito para todo o sempre. O Senhor Jesus Cristo, o divino Filho de Deus, existiu desde a eternidade, como pessoa distinta, mas um com o Pai. Era Ele a excelente glória do Céu. Era o Comandante dos seres celestes, e a homenagem e adoração dos anjos era por Ele recebida como de direito. Isto não era usurpação em relação a Deus” (Ellen White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 247, 248).

Para deixar claro que Jesus, o Deus que existe de eternidade a eternidade (desde sempre, “para a frente” e “para trás”), é eterno e nunca foi criado ou gerado, Ellen White fala em “toda a eternidade”. Ele é Deus no mais alto sentido, portanto não pode ter vindo à existência de alguma forma, porque Deus não nasce, Deus é. Estava com o Pai desde toda a eternidade. Toda é toda. Se você pudesse viajar a qualquer ponto da eternidade, lá estaria Jesus. Se Ele não estivesse, Ellen White seria mentirosa, pois ela disse toda eternidade.

Portanto, qualquer tentativa de mostrar que Cristo não é Deus eterno, que Ele foi gerado e que não existia desde sempre com o Pai é apenas um esforço maligno para distorcer essa verdade tão bela da plena divindade e eternidade de Jesus. Ele é Deus, sempre existiu, sempre foi um com o Pai, sempre esteve com Ele. Ele é o YHWH do Antigo Testamento. Como disse a serva do Senhor falando de Jeová, aquele que aparece no Antigo Testamento: “Jeová é o nome dado a Cristo” (Signs of the Times, 3/5/1899).

Adventista antitrinitariano é um negacionista da Bíblia e do Espírito de Profecia. Está na contramão do que a Igreja Adventista ensinou desde sua origem (confira aqui). A verdade é que o diabo sempre quis rebaixar Jesus à categoria de anjo ou até menos do que isso. E interessa muito a Satanás, também, negar a existência dAquele que pode nos conduzir a toda a verdade e que quer ser nosso Consolador: o Espírito Santo. Não caia nesses enganos nem aceite essas heresias. [MB]

Saiba mais sobre a Trindade aquiaqui e aqui.

A quem Estêvão entregou o espírito/fôlego?

Trindade 05

Salomão é claro em dizer que, na morte, o fôlego de vida (ruach) volta para Aquele que o deu: Deus (Elohim, no hebraico). Mas Estêvão, enquanto estava sendo apedrejado, pediu que Jesus recebesse seu espírito/fôlego. Quem está certo, Salomão ou Estêvão? Os dois, pois Jesus é o Deus eterno e todo-poderoso, doador da vida e ressuscitador de mortos.

Adventista antitrinitariano é um negacionista da Bíblia e do Espírito de Profecia. Está na contramão do que a Igreja Adventista ensinou desde sua origem (confira aqui). A verdade é que o diabo sempre quis rebaixar Jesus à categoria de anjo ou até menos do que isso. E interessa muito a Satanás, também, negar a existência dAquele que pode nos conduzir a toda a verdade e que quer ser nosso Consolador: o Espírito Santo. Não caia nesses enganos nem aceite essas heresias. [MB]

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Cristo nunca teve começo nem vida derivada

Trindade 04

“A divindade de Cristo é a certeza de vida eterna para o crente.” Você tem alguma dúvida de quem é o maior interessado em deturpar essa verdade fundamental? Satanás vem há muito tempo espalhando heresias sobre Jesus Cristo, como a de que Ele teria sido gerado, originado ou criado pelo Pai. Isso faria dEle um segundo Deus, violando o monoteísmo bíblico.

Em conformidade com a Bíblia, Ellen White, escritora inspirada pela pessoa do Espírito Santo, afirma nos textos acima que Jesus é essencialmente Deus e que existiu desde a eternidade, ou seja, desde sempre (por isso Ele é chamado de Alfa e Ômega). White também afirma que Jesus não tem vida derivada de outro ser, sendo, portanto, plenamente Deus eterno, tanto quanto o Pai e o Espírito Santo.

Adventista antitrinitariano é um negacionista da Bíblia e do Espírito de Profecia. Está na contramão do que a Igreja Adventista ensinou desde sua origem (confira aqui). A verdade é que o diabo sempre quis rebaixar Jesus à categoria de anjo ou até menos do que isso. E interessa muito a Satanás, também, negar a existência dAquele que pode nos conduzir a toda a verdade e que quer ser nosso Consolador: o Espírito Santo. Não caia nesses enganos nem aceite essas heresias. [MB]

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Jesus é o grande Eu Sou, o Deus eterno

Trindade 03

Se cremos que a Bíblia é um todo inspirado, creremos também que Jesus é o Eu Sou, o Alfa e o Ômega, o Deus eterno apresentado em todas as Escrituras. Não crer nisso significa (1) negar as palavras de Jesus em João 8:24, (2) negar a inspiração do autor do Evangelho (João), (3) negar que Antigo e Novo Testamento estão em harmonia, e/ou pior: (4) negar que Jesus é o Deus eterno, o grande Eu Sou, o Pai da eternidade (Isaías 9:6). Se João 8:24 e Deuteronômio 32:39 estão em harmonia e são inspirados pela pessoa do Espírito Santo (e eu creio nisso), a verdade é que Jesus é o Eu Sou e não existe outro Deus além do Pai, do Filho e do Espírito Santo, os três chamados Yahweh na Bíblia. Moisés diz que não existe outro Deus eterno Eu Sou além de Yahweh. Jesus diz que Ele é o Eu Sou. Quem está errado, então? Nenhum dos dois. Errados estão os que negam essa verdade.

Adventista antitrinitariano é um negacionista da Bíblia e do Espírito de Profecia. Está na contramão do que a Igreja Adventista ensinou desde sua origem (confira aqui). A verdade é que o diabo sempre quis rebaixar Jesus à categoria de anjo ou até menos do que isso. E interessa muito a Satanás, também, negar a existência dAquele que pode nos conduzir a toda a verdade e que quer ser nosso Consolador: o Espírito Santo. Não caia nesses enganos nem aceite essas heresias. [MB]

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