Homem come carne de porco mal cozida e 700 tênias se instalam em seu cérebro

cerebroLarvas também foram detectadas na região peitoral do paciente, que está sendo tratado em um hospital na China

Se você é fã de carne de porco, o caso do chinês Zhu Zhongfa talvez o torne ainda mais exigente quando o assunto é o bom preparo desse alimento [o melhor mesmo, seguindo a recomendação bíblica, é eliminar esse item da dieta]. Isso porque mais de 700 ovos de tênia foram encontrados no cérebro do homem, após ele ingerir um caldo com carne mal cozida. Segundo os médicos de Zhu, o paciente de 46 anos foi parar no Hospital da Universidade de Zhejiang, no leste da China, apresentando graves convulsões, que se assemelhavam a um quadro de epilepsia. Ele já havia sido hospitalizado antes, com tontura e forte dor de cabeça, mas recusara qualquer tipo de tratamento por não querer gastar dinheiro.

Com a persistência dos sintomas, o chinês foi hospitalizado novamente e os médicos puderam realizar exames de ressonância magnética. Analisando as imagens do cérebro de Zhu, os profissionais perceberam centenas de calcificações e lesões no órgão. Mas foi apenas após uma conversa com o paciente que os profissionais tiveram uma suspeita do que estava acontecendo: no bate-papo, ele assumiu que um mês antes consumira lâmen com carne de porco e carneiro de procedências duvidosas. Tendo isso em vista, o médico Huang Jianrong recomendou exames de anticorpos – e não foi surpresa quando um teste de Taenia solium deu positivo.

Taenia solium é uma espécie de verme que se desenvolve em porcos e, quando consumida, usa o corpo humano como hospedeiro. Além do crescimento dos próprios vermes, a doença pode aparecer como cisticercose, uma infecção larval resultante da ingestão dos ovos desse animal, os cisticercos.

Quando os médicos do Hospital da Universidade de Zhejiang contaram o diagnóstico a Zhu, ele concordou que essa era uma possibilidade e se lembrou de quando comeu o prato. “Eu apenas mexi um pouco a carne. O fundo do pote com o caldo picante estava vermelho, então não podia ver se a carne fora cozida completamente”, afirmou o paciente, segundo um comunicado.

Essa não é a primeira vez que uma infestação grave como a de Zhu acontece. No começo do ano, o New England Journal of Medicine publicou o caso de um jovem indiano de 18 anos que também estava infestado por ovos de Taenia. Pouco depois, uma equipe médica retirou um “tumor” de uma norte-americana de 42 anos – e descobriu que a massa era, na realidade, um grande ovo do animal.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a teníase ainda pode ser causada por outras duas espécies de tênia: Taenia saginata e Taenia asiatica, presentes na carne bovina e suína, respectivamente. Para a prevenção da doença, é necessário cuidar da higiene pessoal. Mas saneamento básico também é essencial para evitar a disseminação da doença.

Além disso, é fundamental consumir carnes devidamente higienizadas, preparadas e cozidas, como explicam os especialistas. A Food Safety Australia recomenda cozinhar a carne suína a uma temperatura de aproximadamente 77 ºC por no mínimo três minutos – se necessário, é recomendada a utilização de um termômetro de alimentos. [E isso é por sua conta e risco.]

cisticercoVale lembrar que a infecção também pode ocorrer em outras partes do corpo. Isso porque, após ingeridos, os ovos do verme eclodem por conta do fluido digestivo intestinal e permitem que a larva perfure as paredes do intestino, entrando na corrente sanguínea e chegando a diferentes partes do corpo. Como o cérebro humano é muito vascularizado, os animais costumam se instalar por lá. Ainda assim, outras regiões também estão em risco: o próprio Zhu apresentou infestação nos pulmões.

“Os diversos pacientes respondem diferentemente à infecção, dependendo de onde os parasitas estão”, ressaltou Huang Jianrong, um dos médicos de Zhu, segundo o New Zeland Herald. Ele ressalta que os sintomas podem variar e, por isso, é essencial consultar um profissional de saúde ao menor sinal da doença.

Felizmente, o caso de Zhu foi detectado e ele está sendo tratado. “Matamos as larvas usando medicamentos antiparasitários e prescrevemos remédios para proteger seus órgãos e reduzir os efeitos colaterais provocados pelo tratamento”, pontuou Jianrong, ao AsiaWire. “A primeira fase do tratamento foi concluída após uma semana. Agora faremos mais testes.”

(Galileu)

Leia mais sobre carne suína aqui.

ESTUDO BÍBLICO 05: Jesus prometeu voltar

Negros e africanos foram amaldiçoados?

criançasA maldição de Noé sobre o filho de Cam tem relação com o povo africano?

A Aliança Evangélica vem a público para repudiar o uso inadequado das Escrituras Sagradas, a Bíblia, juntamente com as interpretações e afirmações daí decorrentes, especificamente as feitas quanto a supostas maldições existentes sobre africanos e negros. Afirmações dessa natureza são fruto de leitura mal feita de parágrafos bíblicos, tomados fora do seu contexto literário e teológico, que acabam por colaborar com os interesses de justificar pensamentos e práticas abusivas, contrárias ao espírito da Palavra de Deus, cujo foco está na Justiça, na Libertação e na promoção da Vida e Dignidade Humana. O texto em questão, que tem servido de pretexto para declarações insustentáveis, tanto em púlpitos, redes sociais, na tribuna do Parlamento e até protocoladas junto à Justiça Federal, sob o manto da imunidade parlamentar, versa sobre o significado da passagem bíblica encontrada no livro de Gênesis capítulo 9, versos 20 a 27.

Nessa passagem Noé, embriagado, despe-se e assim é surpreendido por seu filho Cam que, ao invés de manter a discrição e o respeito devidos ao pai, o anuncia aos seus irmãos; estes se recusam a ver o pai nesse estado e, sem olhar para ele, cobrem-no com uma manta. Desperto Noé, ao saber da postura de seu filho Cam, amaldiçoa seu neto Canaã, filho de Cam, destinando-lhe a servidão.

O equívoco em questão dá a entender que a maldição proferida pelo patriarca bíblico contra Canaã, seu neto e filho de Cam, atinge os seres humanos de tez negra que habitaram, originariamente, o continente africano, o que explicaria os vários infortúnios em sua história passada e presente, culminando no longo período em que foram feitos escravos no Ocidente; e que o ato de Cam em ver a nudez de seu pai, mais do que um desrespeito, indica um ato de violação sexual por parte de Cam.

Queremos salientar enfática e categoricamente:

1. Cam teve outros filhos: Cuxe, Mizraim e Pute, e somente Canaã foi amaldiçoado.

2. Embora o comportamento inadequado descrito no texto bíblico tenha sido o de Cam, filho de Noé, o objeto específico da maldição foi Canaã, o neto de Noé. [Segundo Orígenes, um dos pais da Igreja, do século 3, Canaã foi quem avisou seu pai sobre a situação do seu avô, publicando o que deveria ter mantido sob reserva.] Amaldiçoar, no senso bíblico, não determina a história, mas descreve a consequência da quebra de um princípio estabelecido pelo ato desrespeitoso; portanto, significa a percepção de efeitos e desdobramentos de um comportamento específico. Ou seja, a postura de Cam e de seu filho Canaã estabelece um padrão comportamental que resultaria numa situação de inversão paradoxal, em que alguns dentre os descendentes de Canaã se tornariam dominados e serviçais dos seus irmãos.

3. Canaã, neto de Noé, foi habitar e estabeleceu-se na região a oeste do rio Jordão, até a costa do Mediterrâneo (sudoeste da Mesopotâmia), onde os descendentes de Canaã desenvolveram práticas absurdas, inclusive o sacrifício de crianças, e não no continente africano!

4. É de entendimento entre os teólogos especialistas no Antigo Testamento que a maldição profética de Noé sobre Canaã foi cumprida quando da conquista da região povoada pelos descendentes de Canaã, os cananeus, por parte dos filhos de Jacó, sob o comando de Josué há mais de três milênios.

5. A maldição proferida sobre Canaã pelo seu avô Noé significou uma percepção e discernimento sobre uma tendência comportamental de um grupo humano, antevendo o resultado de uma corrupção cultural e civilizatória específica e localizada, e em consequente servidão, e de modo nenhum faz referência à cor da sua pele.

6. Não há nada, absolutamente nada, nem nesse texto bíblico em foco nem na Escritura como um todo, que indique qualquer maldição sobre negros e africanos, e muito menos algo que justifique a escravidão.

7. O texto bíblico precisa ser lido em seu contexto imediato e considerado à luz da totalidade da Escritura, como saudáveis práticas de interpretação bíblica nos ensinam. De acordo com o próprio capítulo 9 de Gênesis, verso 1 e seguintes, é indicado que o desejo de Deus e Sua promessa visam a abençoar, dar vida, alimento e todo o necessário para o desenvolvimento de todos os descendentes de Noé, seus filhos e de toda a família humana. A declaração divina de abençoar a Noé e seus descendentes é firme e abrangente, e não pode ser contestada ou reduzida pela declaração relativa e descritiva de Noé a respeito de seu neto.

8. Deus reafirma o desejo de abençoar toda a humanidade, todas as famílias da Terra, raças e etnias no episódio descrito na sequência da narrativa bíblica, quando da vocação de Abrão (Gênesis 12), intenção que tem seu ápice e culminância na pessoa, vida e ministério de Jesus e continuado em curso na Igreja. Em Cristo, toda maldição é destruída e uma Nova Criação é estabelecida, sendo chamados a participar desse novo concerto todas as nações, etnias, raças, povos e famílias de todas as terras e da Terra toda, sendo revogadas assim todas as maldições e oferecida salvação a todas as pessoas.

9. A alegada violação sexual de Cam a Noé não é sustentada pelo texto. A citação do texto da lei de Moisés que chama a violação de descobrir a nudez não dá suporte a tal alegação, uma vez que os verbos usados são diferentes na raiz e no significado: no primeiro caso, trata-se de observação a distância; e, no segundo caso, trata-se de ato deliberado contra outrem.

10. Toda vez, na história, que esse texto foi aventado a partir dessa hipótese vulgar, tratou-se de ato de má fé a serviço de interesses escusos, seja quando usado para justificar a escravidão de ameríndios no Brasil colonial, seja quando usado para justificar a escravidão dos africanos de tez negra, seja quando utilizado para a elaboração de sistemas legais de segregação social como o que ocorreu nos Estados Unidos, seja quando usado para justificar a política nefasta e mundialmente condenada do apartheid.

Tal leitura equivocada da Escritura corre o risco de ser vista como suspeita de esconder outros interesses de natureza política, econômica e de dominação social e religiosa. Não há nenhum apoio bíblico para defender qualquer maldição sobre negros ou africanos, que fazem parte, igualmente e em conjunto, da única família humana.

Lamentamos o equívoco provocado por tal vulgarização do texto bíblico, bem como a banalização quanto ao conteúdo de nossa fé, assim como repudiamos qualquer tentativa, intencional ou não, de uso inadequado do texto para quaisquer fins que não o de promover a vida, a libertação e a justiça, como a própria Escritura expressa muito bem.

(Ultimato)

beijo8

O fim depende do começo

BibleExiste relação entre os primeiros e os últimos capítulos do Livro sagrado do cristianismo? As evidências bíblicas e científicas confirmam a literalidade da semana da criação?    

[Este artigo foi escrito por meus alunos de pós-graduação Márcio Tonetti, Reisner Martins, Sueli Ferreira de Oliveira, Ulisses Arruda e Valter Cândido. – MB]

A crença de que a semana da criação narrada no primeiro livro da Bíblia representaria um período de longas eras (ou de milhões de anos, segundo a cronologia evolucionista) se popularizou no meio cristão. Uma forte evidência disso é que já existem igrejas nos Estados Unidos que anualmente participam das comemorações do dia dedicado a Darwin (12 de fevereiro). Embora continuem atribuindo a Deus a origem da vida no planeta, os adeptos da evolução teísta não veem os “dias” descritos nos primeiros capítulos de Gênesis como períodos de 24 horas.

O geneticista norte-americano Francis Collins, que coordenou o Projeto Genoma por mais de uma década, está entre os representantes dessa vertente. No livro A Linguagem de Deus (Gente, 2007), embora ele busque apresentar diversas evidências no campo da bioquímica e da genética de que Deus foi o designer inteligente originador da vida, ao fim da obra o cientista expressa sua convicção no fato de que a criação teria acontecido no decorrer de longas eras.

O casamento entre a fé cristã e a evolução foi tema de uma reportagem publicada na edição de março de 2009 da revista Superinteressante. Nela, o jornalista Reinaldo José Lopes considerou que essa tendência reflete a tentativa de “sobrevivência” da Igreja diante da popularidade das ideias propagadas pelo naturalista britânico Charles Darwin. Ele comentou que, ao longo dos últimos 150 anos, “algumas das denominações cristãs mais antigas, como a Igreja Católica e a Igreja Anglicana, acabaram decidindo que não dava para brigar com as descobertas feitas pela biologia evolutiva e passaram a interpretar os relatos da Bíblia sobre a criação do mundo como textos poéticos e alegóricos”.

Lopes cita ainda que, em 2008, o Vaticano promoveu uma conferência para discutir o legado de Darwin, fazendo questão de lembrar que os livros do naturalista nunca foram oficialmente condenados pela igreja. Como lembra o autor, essa concepção continuou sendo defendida por João Paulo 2º que, em 1996, expressou que a teoria da evolução “é mais do que uma mera hipótese”, e, mais recentemente, foi reforçada pelo papa Francisco que considerou a história de Adão e Eva uma fábula.

No meio evangélico, o Gênesis é interpretado de diferentes maneiras. No livro He Spoke And It Was, que em breve deve ser publicado em português pela CPB, o teólogo Richard Davidson menciona que uma posição evangélica simbólica comum é a que é chamada por alguns de “teoria concordista ampla”, defendida por conciliadores liberais. Segundo essa concepção, os sete dias representam longos períodos, admitindo, assim, a evolução teísta.

No artigo “Dias literais ou períodos de tempo figurados?”, publicado na edição nº 53 da Revista Criacionista, Gerhard F. Hasel procurou mostrar alguns dos argumentos mais representativos a favor dessa ideia de longas eras. Para o erudito britânico John C. L. Gibson, por exemplo, “Gênesis 1 deve ser tomado como uma ‘metáfora’, ‘história’ ou ‘parábola’, e não como um registro direto dos acontecimentos da criação”. No entender de Gibson, “se entendermos ‘dia’ como equivalente a ‘época’ ou ‘era’, poderemos pôr a sequência da criação, apresentada no capítulo 1, em conexão com os relatos da moderna teoria da evolução, e assim caminhar um pouco no sentido da recuperação da reputação da Bíblia em nossa era científica” (The Daily Study Bible, v. 1, p. 56).

Hasel cita ainda que, em 1983, o comentarista alemão Hansjörg Bräumer afirmou: “O ‘dia’ da criação que é descrito como contendo ‘manhã e tarde’ (sic) não é uma unidade de tempo que possa ser determinada com um relógio. É um dia divino no qual mil anos são como o dia de ontem (Sl 90:4). O dia primeiro da criação é um dia divino. Não pode ser um dia terrestre, pois ainda está faltando a medida do tempo, o sol. Não ocasionará nenhum dano ao relato da criação, portanto, entendê-la dentro do ritmo de milhões de anos” (Das erst Buch Mose – Wuppertaler Studienbibel, p. 44).

Em seu livro He Spoke And It Was, Richard Davidson também menciona que vários estudiosos evangélicos falam do relato de Gênesis sobre a criação em termos de dias “analógicos” ou “antropomórficos”. Essa compreensão parte do pressuposto de que “os dias são dias de trabalho de Deus, sua duração nem é especificada nem é importante, e nem tudo no relato precisa ser considerado historicamente sequencial”.

Além daqueles que veem o(s) relato(s) de Gênesis como poesia, metáfora ou parábola, outra corrente teórica apresentada por Richard Davidson é a visão “progressista-criacionista” que, embora considere os seis dias literais, entende que cada dia abre um novo período criativo de criação indeterminada. Porém, como lembra Davidson, “comum a todos esses pontos de vista não literais é a suposição de que o relato das origens de Gênesis não é um relato histórico literal e direto da criação material” (p. 20).

Cabe observar, entretanto, que a argumentação de que o primeiro livro da Bíblia tem um caráter alegórico ou figurativo é bem mais antiga do que se imagina. Alguns estudiosos sustentam que ela é muito anterior à publicação do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Segundo Hasel, Orígenes de Alexandria é considerado o primeiro a entender os “dias” da criação no sentido alegórico, e não literal. Posteriormente, Agostinho, o mais famoso dos pais da Igreja latinos, também corroborou esse pensamento, o que mostra que essas interpretações já começavam a surgir no período medieval.

Contudo, Gerhard F. Hasel observa que nem Agostinho nem Orígenes tinham em mente qualquer conceito evolucionista. “Eles consideravam os ‘dias’ da criação como não literais com base em algo distinto – era obrigação filosófica atribuir a Deus atividade criadora sem qualquer relação com o tempo humano. Como os ‘dias’ da criação se relacionam com Deus, argumentava-se que esses ‘dias’ tinham de ser representativos de noções filosóficas associadas a Deus, tomadas as suas respectivas perspectivas”, ele ressalta. Desse ponto de vista, como para os filósofos gregos Deus era atemporal, logo supunha-se que os dias da criação deveriam ser entendidos com base nessa lógica.

A influência exercida pela filosofia grega sobre a igreja, determinando interpretações figurativas do Gênesis, levanta um aspecto importante citado por Hasel: o de que “houve razões extra-bíblicas que levaram alguns intérpretes a se afastar do significado literal dos ‘dias’ da criação”.

Para Hasel, tal como ocorreu no passado, “existe hoje também outra influência extra-bíblica que induz os intérpretes a alterar o que parece ser o claro significado dos ‘dias’ da criação. É uma hipótese científica baseada num ponto de vista naturalístico, a moderna teoria da evolução, que tem impulsionado essa alteração”.

No entanto, para fugir de compreensões equivocadas, é preciso voltar à Bíblia e interpretá-la corretamente. Como lembra o autor do artigo publicado na Revista Criacionista, Martinho Lutero, considerado o pai da Reforma Protestante, consistentemente, defendeu a interpretação literal do relato da criação ao afirmar que “Moisés falou no sentido literal, e não alegórica ou figurativamente, isto é, que o mundo, com todas as suas criaturas, foi criado em seis dias, como se lê no texto”.

Sendo assim, quais as evidências bíblicas e científicas que confirmam a historicidade do primeiro livro da Bíblia? No livro Estudos sobre Criacionismo, o primeiro sobre o tema produzido pela Casa Publicadora Brasileira na década de 1950, Frank Lewis Marsh sustenta que “em qualquer lugar em que o registro bíblico é tão claramente expresso como em Gênesis 1, nenhum conflito existe entre as declarações da Escritura e os fatos científicos demonstrados” (p. 182).

Um dos fatos que devem ser levados em conta é que, conforme Richard Davidson, o gênero literário de Gênesis 1-11 aponta para a natureza histórica literal do relato da criação (He Spoke And It Was, p. 20). Também na obra Genesis 1:1-11:26, Kenneth Mathews (1996, p. 109) desenvolve essa ideia mostrando que tanto o gênero “parábola”, uma ilustração tirada da experiência diária, quanto o gênero “visão” se encaixam no texto bíblico, pelo fato de não conter o típico preâmbulo e outros elementos que acompanham as visões bíblicas.

Desconstruindo o argumento daqueles que, com base em paralelos do antigo Oriente Próximo, veem o relato bíblico das origens como uma narrativa mitológica, Richard Davidson sustenta: “A realidade é que o relato de Gênesis contrasta fortemente com outros relatos do antigo Oriente Próximo e egípcios, de forma que existe uma pretensa polêmica ou discussão contra esses mitos” (p. 8). Uma das diferenças é que, nessas culturas, as divindades sempre criam a partir da matéria pré-existente. Nas cosmologias egípcias, por exemplo, “tudo está contido dentro do Mônode inerte, até mesmo o Deus criador” (p. 2).

Em contrapartida, em toda a Bíblia (a começar pelo primeiro verso de Gênesis), o verbo especial para “criar” (bara) só tem Deus como sujeito. “Isso está na língua hebraica – ninguém-pode-bara ou ‘criar’, a não ser Deus. Só Deus é o Criador, e ninguém mais pode partilhar essa atividade especial. O verbo bara nunca é empregado para a matéria ou material a partir do qual Deus cria; ele contém, juntamente com a ênfase da frase ‘no princípio’, a ideia de criação a partir do nada (ex nihilo creatio)” (p. 2).

John Sailhamer, outro estudioso do assunto, também concluiu na obra Genesis Unbound: A Provocative New Look at the Creation Account (1996, p. 244) que existem grandes diferenças literárias entre o estilo dos mitos do antigo Oriente Próximo e as narrativas bíblicas da criação em Gênesis 1 e 2. Um exemplo disso é que, se, de um lado, todas as narrativas mitológicas da época foram escritas em poesia, de outro, o relato bíblico da criação foi registrado em prosa.

Assim, na ótica desses autores, não há qualquer pista de literatura metafórica ou meta-histórica no Gênesis. Ao contrário disso, se percebe que intencionalmente a estrutura literária desse livro da Bíblia como um todo assume a natureza literal das narrativas da criação.

Cabe ainda mencionar que todo o livro de Gênesis está estruturado segundo a palavra hebraica toledot (gerações, história), repetida treze vezes ao longo das diversas seções do livro. Em outros trechos da Bíblia, esse termo é usado no registro das genealogias, marcando a contagem precisa do tempo.

Outra forte evidência de que Moisés estava se referindo a dias de 24 horas é o uso da palavra hebraica yom (dia). As ocorrências desse termo na conclusão de cada um dos seis dias da criação de Gênesis 1 estão todas conectadas a um numeral ordinal (“primeiro dia”, “segundo dia”, “terceiro dia”, etc.). Uma comparação com as ocorrências do termo em outros lugares da Escritura (359 vezes) revela que tal uso sempre é feito com dias literais.

No livro Estudos Sobre Criacionismo (CPB), um clássico da literatura criacionista que ainda permanece bastante relevante na época atual, Frank Lewis Marsh acrescenta que a ideia de que yom (dia) significa um período de tempo maior do que 24 horas não encontra comprovante nos dicionários hebraicos de renome. “A interpretação de yom como aeon, fonte favorita para os harmonizadores de ciência e revelação, é oposta ao claro sentido da passagem e não tem justificação no uso hebraico” (p. 12).

Além disso, a frase “tarde e manhã”, que aparece na conclusão de cada um dos seis dias de criação, define claramente a natureza dos dias da criação como dias literais de 24 horas. Ressalte-se também que as referências à “tarde e manhã” juntas em outros pontos além de Gênesis 1, invariavelmente, nas 57 vezes em que aparecem no Antigo Testamento, indicam um dia solar literal. Marsh argumenta que o fato de cada dia mencionado no relato bíblico ser composto por um período de luz e de trevas “está em perfeita conformidade com o método do registro de tempo no período mosaico” (p. 179).

Outro ponto a ser considerado é a correlação entre a semana de trabalho da humanidade com a semana de trabalho da divindade. Em Êxodo 20:8, no mandamento do sábado, há uma explícita comparação entre os seis dias da semana de trabalho da humanidade e a semana de seis dias da criação divina. Posteriormente, o sábado a ser observado pelos seres humanos a cada semana é igualado ao primeiro sábado após a semana da criação. Assim, o divino Legislador inequivocamente interpreta a primeira semana como literal, composta de sete dias consecutivos e contíguos de 24 horas literais.

É pertinente também fazer referência ao endosso feito por Jesus e por todos os escritores do Novo Testamento. Cristo e esses autores recorrem a Gênesis 1-11, tendo como pressuposto que essa é uma história literal e confiável. Todos os capítulos de Gênesis 1-11 são referidos em alguma parte do Novo Testamento. O próprio Jesus recorreu a Gênesis 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

Em diversas passagens do Novo Testamento, implícita e/ou explicitamente há menção do livro de Gênesis. Em seu artigo “A Criação no Novo Testamento”, publicado no periódico Ciências das Origens, de maio de 2005, o Dr. Ekkerhardt Mueller menciona algumas dessas passagens: “As palavras de Jesus tal como estão registradas nos quatro evangelhos canônicos contêm dez referências à criação. Jesus não somente fez referência a Gênesis 1 e 2. Em Seus discursos também encontramos pessoas – Abel (Mateus 22:35) e Noé (Mateus 24:37-39; Lucas 17:26-27) – e acontecimentos – o dilúvio (Mateus 24:39) – que ocorrem em Gênesis 3-11. Quando lemos essas breves passagens, obtemos a clara impressão de que, segundo Jesus, Noé e Abel não foram figuras mitológicas, mas verdadeiras pessoas humanas, que Gênesis 3-11 é uma narrativa histórica que não deve ser entendida simbolicamente, e que o dilúvio foi um evento global que realmente ocorreu (Gênesis 6:8). Portanto, é de se esperar que Jesus utilizasse o mesmo enfoque sobre a interpretação bíblica quando se referiu à criação. E isso é exatamente o que encontramos nos evangelhos.”

Somado a tudo isso, Frank Lewis Marsh acrescenta em seu livro outras duas boas razões para concluirmos que os dias da semana da criação foram literais. Como explicar, por exemplo, pela ótica da evolução teísta, a relação das plantas com o período escuro? “No terceiro dia todas as espécies de plantas apareceram, as que produziam flores e sementes, bem como as formas mais simples. Evidentemente, se este ‘dia’ fosse um período de tempo geológico, todas as plantas teriam perecido durante esses milhões de anos de escuridão, antes que a luz do quarto dia iluminasse o mundo” (Estudos Sobre Criacionismo, p. 179, 180).

Raciocínio semelhante se aplica à dependência entre plantas e animais. Conforme o primeiro capítulo de Gênesis, as plantas foram criadas no terceiro dia, porém nenhum animal veio à existência antes do quinto dia. Uma vez que a dependência entre plantas e animais é um fato muito evidente no mundo dos seres vivos, seria ilógico imaginar que longas eras separam esses dois momentos da criação. “Para ilustrar, só em matéria de polinização, multidões de plantas não se reproduziriam sem a colaboração dos insetos. Contudo, o registro declara que as plantas com semente se reproduziam desde o princípio. Isso não podia ser assim se os insetos não tivessem aparecido senão 20 ou 40 milhões de anos mais tarde, como sucederia se os dias fossem períodos geológicos” (p. 180).

A criação literal e a teologia bíblica

A negação da crença na criação em seis dias de 24 horas contraria o caráter de Deus. “Que tipo de Deus teria criado a vida por meio da morte e de extinções ao longo de milhões de anos? Certamente, não o Deus que percebe quando uma ave cai no chão”, questiona o ex-evolucionista Michelson Borges, jornalista e mestre em Teologia que hoje defende a visão criacionista.

Para ele, endossar esse “método” implica negar o fato de que, segundo a Bíblia, a morte entrou no mundo por causa do pecado (Rm 5:12; 6:23). Na ótica do evolucionismo teísta, no entanto, a morte é o meio para que ocorra o progresso das criaturas.

Borges, que é autor dos livros A História da Vida e Por Que Creio, lembra também que tal crença tira de vista a doutrina da salvação. Afinal, “se a humanidade tem evoluído durante milhões de anos e está sempre evoluindo, por que precisamos de um Salvador?” E mais: a própria promessa feita em Gênesis 3:15, considerada a primeira profecia messiânica das Escrituras, deixa de fazer sentido.

Do mesmo modo, outras verdades bíblicas são seriamente comprometidas, como a guarda do sábado (o sétimo dia), as bases do matrimônio (a definição do que é o casamento passa a ser definida pela cultura), a remissão da humanidade (remir de quê?), a necessidade de salvação, a ideia de um juízo e, finalmente, a esperança na segunda vinda de Cristo. Todas essas doutrinas dependem da interpretação literal das origens. Sem isso, elas podem parecer vulneráveis e pôr em risco a confiabilidade de todo o conteúdo das Escrituras Sagradas e até mesmo a onipotência de Deus. Por que seria necessário tornar “humanamente” viável ou compreensível a criação? Quem teria interesse nisso? Por que não podemos absorver como isso aconteceu, então não pode ter de fato acontecido? “Eu Te louvarei, porque de um modo assombrosoe tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as Tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139:14).

Ao mostrar quão problemática é a tentativa de misturar a visão evolucionista com o criacionismo bíblico, Richard Davidson ressalta: “No fluxo canônico geral das Escrituras, por causa da ligação inseparável entre a origem (Gn 1-3) e o fim dos tempos (Ap 20-22), sem um começo literal, não há um fim literal” (p. 19). Ou seja, se o início da história da humanidade é apresentado na Bíblia de maneira alegórica, de igual forma seria seu fim, o que significaria que a volta de Cristo não se daria como nós, adventistas, acreditamos e pregamos.

As três mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12 são o fundamento dessa igreja. A primeira delas, trata da pregação do evangelho eterno, que nos convida a adorar “Aquele que fez os céus, a terra, o mar e as fontes das águas” (Ap 14:7). No limiar da história da humanidade, o povo é convocado a se lembrar do Deus Criador. Essa convocação é uma clara defesa ao efervescente crescimento de teorias que anulam ou minimizam a atuação de uma mente inteligente por trás da formação do mundo.

A Igreja Adventista tem sido reconhecida como uma das guardiãs dessa verdade bíblica. Eduardo R. da Cruz, que não professa essa fé, em seu livro Teologia e Ciências Naturais, afirma que “uma das denominações mais importantes no desenvolvimento do criacionismo foi (e ainda é) a Igreja Adventista do Sétimo Dia. […] Enfatizando a leitura literal da Bíblia (base para sua afirmação de que o sábado seria o verdadeiro dia de repouso ordenado por Deus). Ellen White e outros fundadores afirmaram que o mundo teria sido criado em seis dias literais”.

Embora, como observou Reinaldo José Lopes na revista Superinteressante, alguns grupos, como as denominações evangélicas surgidas do século 19 em diante, tenham insistido “na verdade literal das Escrituras Sagradas, considerando-as fontes confiáveis não só para temas espirituais mas também científicos”, hoje são raras as denominações que ainda defendem esse ponto de vista. Como adventistas, somos praticamente uma voz isolada nesse universo de teologias controvertidas, cada vez mais diluídas no naturalismo filosófico. E não devemos perder de vista nossa missão de anunciar ao mundo o iminente retorno daquele que fez o céu, a terra e as fontes das águas.

Como aconselhou Gleason Archer, professor na Universidade Harvard que é considerado uma autoridade entre os eruditos do Antigo Testamento, ao teólogo adventista Richard Davidson após ter participado de um Encontro Anual da Sociedade Evangélica: “Vocês adventistas do sétimo dia são a única denominação que corajosa e oficialmente afirma as verdades bíblicas da origem da Terra. Por favor, não abandonem seu forte posicionamento em favor da semana da criação em sete dias literais e de um dilúvio global.” Assim faremos!

Você precisa ver Daniel e Apocalipse

Daniel & RevelationDe acordo com David Ausubel (1918-2008), conhecido pela Teoria da Aprendizagem Significativa, quanto mais sabemos, mais temos desejo de buscar aprendizado, e quanto maior o domínio das informações da aprendizagem, maior o desejo de caminhar adiante. Ou seja, a aprendizagem precisa ser significativa. Significativo para mim sempre foi “ver” o que eu aprendia e o que eu ensinava. Exemplo: ao ensinar Gramática, partia do todo, como de uma poesia sobre primavera, e, pinçando frases como “O girassol volta-se para o Sol”, escolhia meu objeto: substantivos simples e compostos. Percebeu que na frase destacada temos o Sol nas duas categorias? De substantivo simples e composto!

Outro exemplo: para ensinar o conteúdo Bairro ou Comunidade, partia do globo, dividido em duas grandes partes: Mares e Continentes, fragmentando as partes até chegar ao meu centro de interesse: o Bairro ou a Comunidade. Metodologia partindo do todo para as partes.

Então fui ser professora de Ensino Religioso. A ideia continuava na minha cabeça: Haveria um método de Aprendizagem Significativa para as aulas? As profecias bíblicas, que sempre me fascinaram, por exemplo, estariam sobre alguma plataforma que nos permitisse vê-las do todo para as partes? Certo professor de Teologia costumava dizer que as doutrinas bíblicas orbitam o Santuário. De novo me perguntava se daria pra gente “ver” isso.

Algumas citações de Ellen White me inquietavam e pareciam confirmar minhas pressuposiões: “Os livros de Daniel e Apocalipse devem ser encadernados juntos” (Obreiros Evangélicos, p. 117). E outra: “O livro do Apocalipse, em conexão com o de Daniel, exige especial estudo. Todo professor temente a Deus considere da maneira mais clara compreender e apresentar o evangelho que nosso Salvador veio em pessoa tornar conhecido a Seu servo João (Educação, p. 191). Ela parecia dizer para mim que eu precisava “ver” os livros, do todo para as partes. E era isso mesmo! Fomos montando um grande quadro de palavras-chave retiradas dos vários capítulos de Daniel e Apocalipse, com colunas (na vertical) que podem ser divididas em 2, 5 ou 7 episódios,
em LINHAS (na horizontal). Cada palavra-chave, seguindo a sequência do texto bíblico e da História, formou aquele que intitulei “Quadro Mosaico”, porque foi mesmo como montar um grande quebra-cabeças.

Descobri que eu podia, sim, “ver” as profecias do todo para as partes. E isso tornava tudo muito significativo; e, sendo significativo, favorece a aprendizagem! Então, vamos olhar panoramicamente para o Quadro Mosaico e pinçar algumas informações? Observe que a última linha representa a volta de Jesus, que vamos chamar de Linha Tabernáculos. Note também que a linha 6 está em destaque, e vamos chamá-la Linha da Expiação. Então, vamos começar por ela, analisando um dos temas mais controversos do adventismo: o Juízo Investigativo Pré-Advento.

  1. A Expiação ou Julgamento Pré-Advento está na coluna de Daniel 7. Lemos ali que os impérios do Leão (Babilônia), do Urso (Medo-Pérsia), do Leopardo (Grécia), do Terrível e Espantoso (Roma) e do Chifre Pequeno (Roma Papal) iriam passar; e a História confirma cada uma das datas. Em seguida, veja na Bíblia que a cena mudou. Deus mostra para Daniel uma cena de julgamento: “E foram postos uns tronos […] e se abriram os livros” (Ap 7:9, 10). Encerrando a sequência, lemos que “os santos do Altíssimo receberão o reino” (Dn 7:18). Olhe novamente a coluna de Daniel 7. Há um julgamento pré-advento, quando aparecem tronos e livros abertos na sala do tribunal. Em seguida, na sétima linha, a volta de Jesus. Isso até criança entende, porque pode “ver”!
  1. Leia toda a coluna de Daniel 8. Esse capítulo também é desafiador. A sequência é: Carneiro, Bode, Ventos, Chifre Pequeno e 2.300 Tardes e Manhãs. Veja na linha 4 que Ferro, Terrível e Espantoso e Ventos representam a mesma coisa: Roma. Sim! “Ventos” é um lugar, um ponto cardeal. Significa dizer que em algum lugar da terra ou de um dos pontos cardeais saiu um Chifre Pequeno. Olhe a linha 5. O Chifre Pequeno aparece em Daniel 7 e 8. Ambos aparecem na linha 5, depois de Roma, porque o Chifre Pequeno sai de Roma e não da Grécia.
  1. Vamos procurar a China nesse Quadro Mosaico? Olhe a coluna de Daniel 7. Assim como passou Babilônia em 539, Medo-Pérsia em 331, Grécia em 168, passou Roma Ocidental em 476 d.C., Roma Papal em 1798, vai passar a China também! Porque a China cresce, sim, como império emergente, mas ela não ocupa espaço nas profecias; então, em algum momento, vai passar. Digo isso porque algo semelhante já aconteceu. Cruze a linha 6 com a coluna das Trombetas. Encontrou o Islamismo? Pois bem. Deus nos avisou, por meio das profecias, sobre a duração e o declínio do Império Otomano. Surgiu como fumaça que escurece o sol e o ar (Ap 9:2); e como gafanhotos e escorpiões (Ap 9:3) atormentando os homens por “cinco meses” (Ap 9:10), ou 150 anos. Mas seu declínio ocorreria em “a hora, o dia, o mês, o ano” (Ap 9:15), precisamente. Bem, a História nos diz que Otman (1259-1326) declarou-se sultão em 1299 e seu territótio passou a ser reconhecido como Império Otomano (Maometano). Por 150 anos cresceu fazendo sombra para o Império Romano Oriental. Mas o tempo do império estava profetizado e seria por exatos “a hora” ou 15 dias; “o dia” ou 1 ano; “o mês” ou 30 anos; “o ano” ou 360 anos; que totaliza 391 anos finais. Somando 150 anos da quinta Trombeta com 391 anos da sexta Trombeta, partindo de 1299, chegamos a 1840. E você sabia que nessa data aí o império se desfez como fumaça? Assim como começou, declinou. Feito fumaça! Voltando à China, não é possível saber o que ocorrerá nos próximos anos, mas ela não aparece na profecia, e, portanto, também passará. Não acha interessante? E tem mais.
  1. Veja no Quadro Mosaico a coluna de Daniel 7 e 12. Na sexta LINHA de Daniel 7, o Filho do homem assentou-Se no tribunal e abriram-se os livros (olhe o quadro da direita). O juízo começou depois das 2.300 tardes e manhãs. E na coluna de Daniel 12 você encontra Miguel, que breve Se levantará, porque o juízo vai terminar, e
    acontecerá o fechamento da porta da graça, o tempo de angústia, a ressurreição que é simultânea à volta de Jesus.
  1. Observe toda a linha 6. Ela representa a sexta festa israelita: a Expiação, que era a festa da purificação do Santuário israelita, o dia do Juízo. No Quadro Mosaico, a Expiação aparece antes de Tabernáculos. Já vimos isso. Agora vamos montar um texto com as palavras-chave da linha 6 (em Daniel): a linha 6 é do julgamento pré-advento, que começou no fim das 2.300 tardes e manhãs; que iniciou com as 70 semanas e terminará quando Miguel Se levanta.. Agora vamos montar um texto com as palavras-chave da linha 6 (em Apocalipse): Filadélfia é a sexta igreja, para quem Deus disse “Eu te amo”; eles viram os sinais no Sol, na Lua e nas estrelas, que caíram na Nova Inglaterra (EUA); eles profetizaram o fim do Império Otomano, que emergiu em seus dias; eles profetizaram a ascensão dos EUA como o império emergente – o império representado pela sexta cabeça de Apocalipse 17.

A linha 6 nos diz muita coisa! Percebe que as profecias de Daniel e Apocalipse parecem ter sido escritas especialmente para a humanidade que vive hoje? Vou tentar ser mais clara: a linha 6 parte da Expiação, e Jesus cumpre o antítipo da Expiação hoje, no Santuário Celestial, desde 1844, quando Miguel Se assentou e abriram-se os livros (1844); no fim das 2.300 tardes e manhãs, período que começa com as 70 semanas e se encerrará com o conflito entre Norte e Sul; profecias pregadas pelos mileritas de Filadélfia, amados por Deus, grupo da Nova Inglaterra que pregou sobre os sinais do fim, que profetizou o declínio dos Otomanos e os EUA na profecia. Que maravilha! Faço parte desse grupo! Essa mensagem é da minha igreja! Sinto-me segura!

Em tempos difíceis como os de hoje, em que a religião sofre combates seríssimos, fazendo parecer que todos os caminhos levam a Deus e que verdade absoluta não existe, lembro-me das palavras de Jesus nos aconselhando a estudar as profecias porque Ele abençoa “aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia” (Ap 1:3). A linha 6 quase me permite ouvir a voz de Deus falando poderosamente: “Creia em Mim, filho. Você está seguro! Creia nas profecias e prosperará” (2Cr 20:20). Então, decido descansar nEle e prosseguir para frente e para o Alto.

Isso é tão empolgante que muitas palavras-chave me vêm à mente agora, e preciso compartilhar algumas com você, leitor. Lembro-me da palavra “Eufrates”, que aparece na sexta Trombeta e na sexta Praga. Interessante que ela não aparece no texto de Daniel, mas a seca do Eufrates na história de Daniel é imprescindível para clarear a compreensão sobre as duas secas do Eufrates no Apocalipse. Agora procure Antíoco Epifânio. Não está no texto, mas está na História. Sabe o conflito Norte e Sul antes de Cristo? Ele está situado ali. Foi um dos antíocos politeístas que desejaram eliminar a fé monotesita na Palestina; mas Deus o repreendeu por meio de Judas Macabeus. E a palavra-chave “Armagedom”? Veja onde ela está localizada no Quadro Mosaico. Isso nos diz que é algo envolvendo nossos dias, porque está na sexta linha, que está depois das seis últimas Pragas, depois das ações do falso profeta e logo antes da volta de Jesus. O último ato na velha Terra. E na coluna de Daniel 11 podemos posicionar várias personalidades, como Constantino, a rainha Ester, Cleópatra e Jesus. Sim, Jesus está posicionado na quarta linha de Daniel 11. Podemos vê-Lo na abertura do Apocalipse, no meio dos sete candeeiros, apresentando-Se como o “Primogênito dos mortos” (Ap 1:5). E podemos vê-Lo no fim do Apocalipse, apresentando-Se como “o Tabernáculo de Deus com os homens” (Ap 21:3). Enquanto Primogênito dos mortos, Ele é o Cordeiro morto e aponta para a Páscoa já cumprida. Enquanto Tabernáculo de Deus, aponta para o evento que aguardamos após a Expiação: Tabernáculos! Então, sim: “Haverá novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram” (Ap 21:1).

Consegui motivar você a conhecer mais as profecias? Vale a pena! Está escrito que, “quando os livros de Daniel e Apocalipse forem bem compreendidos, terão os crentes uma experiência religiosa inteiramente diferente. Ser-lhes-ão dados tais vislumbres das portas abertas do Céu que o coração e a mente se impressionarão com o caráter que todos devem desenvolver a fim de alcançar a bem-aventurança que deve ser a recompensa dos puros de coração” (Testemunhos para Ministros, p. 114).

(Myrtes Ribeiro é mestre em Teologia pelo Unasp-EC e mestre em Ciências da Religião pela Mackenzie-SP)

Conheça o livro Daniel e Apocalipse à Luz do Santuário (myrtes.ribeiro@unasp.com)

Estudo bíblico: Quem é e como é Deus

Razões para continuar empregando o princípio dia/ano

profeciasO adventismo, desde seus pioneiros, emprega o método historicista de interpretação. Um dos pilares da visão adventista de Daniel e Apocalipse é o chamado princípio dia/ano.[1] Enquanto preteristas e futuristas interpretam “os elementos de tempo” nas profecias de Daniel como períodos literais, os historicistas defendem que se trata de tempo simbólico.[2] Para o historicismo ser levado a sério, principalmente entre os acadêmicos, é necessário que se interpretem os símbolos bíblicos em seu contexto.[3] Vejamos alguns argumentos em defesa da aplicabilidade do princípio dia/ano (assista ao vídeo sobre o assunto e tire suas dúvidas).

As Escrituras apresentam Deus como Senhor da História. As profecias nos permitem ver Sua atuação. Especialmente as profecias que envolvem tempo tendem a descrever “circunstâncias más ou adversas”, as quais Deus permite. Ao fim, o bem prevalece, afinal, o Senhor está no controle dos acontecimentos. Sendo que os eventos na profecia apocalíptica envolvem conflitos diretos entre bem e mal, seria de se esperar que os eventos descritos abarcassem a maior parte da história da salvação, na qual ocorre a guerra entre Deus e Satanás.

Entretanto, se tomados literalmente, os períodos de tempo mencionados em profecias apocalípticas são flagrantemente menores do que os citados em profecias clássicas. Como, por exemplo, o chifre pequeno de Daniel 7 poderia executar todas as suas ações contra Deus e Seu povo em apenas três anos e meio literais (Dn 7:25)?[4] Uma vez que as profecias de Daniel e Apocalipse usam símbolos para representar reinos, é sugestivo que os períodos que mencionam (“um tempo, dois tempos e metade de um tempo”, “quarenta e dois meses”, para citar exemplos) sejam igualmente simbólicos.[5] Isso colocaria tais eventos no “tempo do fim”, para o qual, segundo Gabriel, as profecias de Daniel conduzem (Dn 8:14, 26; 12:7, 11),[5] além de se adequar aos elementos contidos, como, por exemplo, a menção de impérios que ascendem e caem (Dn 7) ou o período desde o nascimento de Cristo à perseguição da igreja (Ap 12).[6]

Além disso, é notório que há uso de tempo não literal no livro de Daniel: os três anos que ele e seus companheiros passaram na corte de Babilônia são subentendidos no original pela expressão “ao fim daqueles dias” (Dn 1:5, 18); do rei Nabucodonosor se diz ter recobrado a sanidade mental “ao fim dos dias” (Dn 4:25, 34), quando o texto informa que seu estado durou sete anos; esses e outros exemplos[7] denotam que o uso de expressões de tempo (em geral, “dias” e “semanas”) possui significado flexível, de acordo com o contexto. Aliás, a maneira como as expressões aparecem de forma não usual – se “um tempo, dois tempos e metade de um tempo” de Daniel 7:25 se referisse a três anos e meio literais, seria de se esperar que a expressão fosse grafada dessa forma, como em outras partes da Bíblia (2Sm 2:11; Lc 4:25; At 18:11; Tg 5:17).[8]

Finalmente, há antecedentes no Antigo Testamento do princípio dia/ano. Os casos dizem respeito ao ano sabático (Lv 25:1-7), ano jubileu (Lv 25:8) e a uma profecia que indicava as consequências da rebeldia (Nm 14:34). Dos três casos, o que mais se assemelha ao uso de dia/ano em Daniel – especialmente no capítulo 9, no qual se veem fortes paralelos linguísticos – é o ano jubileu. O fato de o princípio ser usado de formas diferentes em diversos textos bíblicos abre precedente para seu uso nas profecias apocalípticas, que pressupõem um período maior e, mesmo assim, apresentam tempo visivelmente curto para a magnitude do evento.[9]

(Douglas Reis é mestre em Teologia, doutorando em Teologia [PhD] pela Universidade Adventista del Plata e autor de livros e artigos acadêmicos sobre identidade adventista, desenvolvimento da doutrina adventista e pós-modernidade)

Referências:

  1. Gerhard Pfandl, “In Defense of the Year-day Principle”, in: Journal of Adventist theological society, ano 23, v. 1, p. 3.
  2. William H. Shea, Estudios Selectos sobre interpretación profética (Buenos Aires: Asociación Casa Editora Sudamericana, 1990), tomo I, p. 57.
  3. Jon Paulien, The End of Historicism? – Part One, p. 42.
  4. William H. Shea, Estudios Selectos sobre interpretación profética, p. 58-61.
  5. Gerhard Pfandl, “In Defense of the Year-day Principle”, p. 6.
  6. William H. Shea, op. cit., p. 62. “Quando os períodos de tempo da apocalíptica acompanham personagens que realizam ações simbólicas, é natural esperar que esses períodos de tempo também sejam de natureza simbólica.” Idem, p. 63.
  7. Gerhard Pfandl, op. cit., p. 7. “As profecias de Daniel 7–8 e 10–12 conduzem ao ‘tempo do fim’ (8:17; 11:35, 40; 12:4, 9), o qual é seguido pela ressurreição (12:2) e o estabelecimento do reino eterno de Deus (7:27).” Idem, p. 9.
  8. Todos encontrados em William H. Shea, op. cit., p. 64.
  9. Gerhard Pfandl, op. cit., p. 7.
  10. William H. Shea, op. cit., p. 70-74.