Entrevista com uma copista moderna da Bíblia

Feminismo na Bíblia?

Minha participação no podcast Roda Bíblica

Autoridade da Bíblia | live Restaurando a Identidade

Jesus e a criação

genesis

No Novo Testamento (NT) há muitas citações, alusões, referências e conexões temáticas com o Antigo Testamento (AT). Em 2 Timóteo 3:16; 2 Pedro 1:20,2 1; Lucas 24:44 e Hebreus 11, vemos que o AT é o fundamento da fé cristã.

Nos evangelhos há cerca de 120 citações diretas, além de várias alusões ao AT. Essa realidade torna difícil a compreensão do NT sem o AT, pois ele é a fonte que os autores do NT usaram para escrever seus textos.

Para ser sério com o NT e com os ensinos de Jesus é preciso conhecer bem o AT, pois é lá que Cristo constrói Seu pensamento a respeito da fé e do relacionamento com Deus.

Em Mateus 5:17, Jesus liga Seu ministério às Escrituras e em outros textos Ele valida eventos históricos do AT referindo-Se a Sodoma e Gomorra, a Davi, Jonas, rainha de Sabá, Noé e ao dilúvio.

Em Mateus 19:4-6, comentando sobre o matrimônio, Jesus confirma a historicidade do relato da criação e aponta para o casamento, relatado em Gênesis, como o plano original de Deus para o ser humano.

Jesus olha para o Éden antes da queda e procura restaurar o que se perdeu, apontando para uma instituição que foi dada lá na criação.

Além do casamento, em Lucas 6:1-11, Jesus também valida o sábado como uma instituição divina criada na semana da criação. Nos evangelhos, percebemos que Jesus observava o sábado, dia que Ele mesmo deu ao ser humano lá no Éden.

Cristo validou a historicidade do relato da criação. Se somos cristãos, nossa fé estará alicerçada em Cristo a partir da revelação, crendo como Ele creu.

João abre seu evangelho usando as palavras de Gênesis: “No Princípio”, dizendo que tudo foi criado por intermédio dEle, e que sem Ele nada do que foi feito se fez.

Os discípulos de Jesus e as pessoas que conviveram com Ele reconheciam nEle o agente da criação, o princípio de vida que trouxe tudo à existência. E nessa convivência perceberam que o próprio Criador reconhecia Sua criação.

Somos parte dessa criação. Somos reconhecidos por Ele.

Que você retire do relato da criação a razão para confiar que Deus não nos esqueceu e que um dia Ele fará um novo céu e uma nova Terra nos quais só haverá paz e justiça.

(Eduardo Silva é geólogo; Instagram)

Machismo na Bíblia?

Hermenêuticas alternativas: agenda progressista

A Palavra falada de Deus, e mais tarde Sua Palavra escrita, foram o meio estabelecido para tornar as verdades reveladas acessíveis ao conhecimento humano.

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Recentemente, a igreja cristã vem sendo alvo de tentativas persistentes de aceitação de novas leituras da Bíblia. Pessoas e grupos têm defendido, inclusive no meio adventista, ideias até então impensadas, com o objetivo claro de promover compreensões que pensam ser as mais apropriadas para certos assuntos no contexto da igreja.

Na pauta dessas iniciativas estão incluídas ideias como a de que a homoafetividade e a homossexualidade seriam aceitáveis, o aborto tolerável em alguns casos, o feminismo necessário, o ativismo político e social seriam parte do papel da igreja em coletividade, e que a doutrina e o estilo de vida do crente contemporâneo devem se adaptar às novas formas de religiosidade, tendo em vista o ideal do amor e das relações sem julgamentos, o que seria afinal a característica mais importante do ser cristão. E tudo isso é feito dentro de uma perspectiva supostamente bíblica e teológica.

No entanto, segundo as Escrituras, Deus estabeleceu que esse tipo de conhecimento – o bíblico/teológico – envolveria noções, crenças e atitudes cujo sentido foi definido unicamente pelo próprio Deus e comunicado por meio de Sua Palavra. Tal conhecimento foi desde o princípio revelado, primeiro de forma audível e depois de forma escrita, sendo confirmado mediante expressões como “disse Deus” (Gn 2:16, 18) ou “assim diz o Senhor” (Js 7:13) ou, ainda, “está escrito” (Mt 4:4, 7, 10).

Assim, a Palavra falada de Deus, e mais tarde Sua Palavra escrita, foram o meio estabelecido para tornar as verdades reveladas (cada qual com sentido definido e definitivo) acessíveis ao conhecimento humano.

De modo que uma hermenêutica alternativa é não apenas dissonante à Palavra de Deus, mas também contrária aos Seus ensinos. As noções, as crenças e as atitudes daí resultantes afrontam (implícita ou expressamente) a forma de pensar, enxergar e re(agir) prescrita nas Escrituras.

(Dr. Carlos Flávio Teixeira; Instagram de Adolfo Suarez)

Inerrância: O Sol parou? A Bíblia está errada?

O dia longo de Josué e o mistério do relógio de Acaz

O Sol parou no Céu? A Terra parou de girar? A Bíblia estaria errada?

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“A rigor, se a Terra para de girar, é tecnicamente correto dizer que o Sol para no céu (Josué 10:13). E isso não é Relatividade. Já se usavam diferentes referenciais na teoria de Newton também. Considerar a Terra como parada e o resto do Universo como girando ao redor é um referencial possível e até utilizado na prática, dependendo da aplicação. Não é tecnicamente errado fazer isso. O problema é que esse não é um referencial inercial e faz com que as leis físicas pareçam muito mais complexas do que o necessário. Por isso, em geral, os físicos usam outros referenciais. Também trabalhamos com abordagens independentes de referenciais. Na Relatividade, por exemplo, podemos usar uma notação da Geometria Diferencial que independe de referenciais, mas normalmente preferimos trabalhar com referenciais que simplifiquem os cálculos, após provar que as equações utilizadas são válidas em todos os referenciais. Outro detalhe: se frearmos um carro bruscamente, sentimos os efeitos da aceleração. Se o carro bater, a aceleração (taxa de alteração de velocidade) é tão alta que tem efeitos catastróficos. Mas, se pararmos um carro por meio de um campo gravitacional, ninguém nota. Se Deus parou a rotação da Terra por meio de um campo gravitacional bem planejado, isso não causaria qualquer efeito observável na Terra. Em suma, quando Josué diz que o Sol parou, está tecnicamente correto, pois o referencial usado era obviamente o do ambiente dele, ou seja, da superfície da Terra.

“O caso do relógio de Acaz (2 Reis 20:11) é bastante semelhante ao do dia longo de Josué, o qual, segundo evidências arqueológicas, foi um fenômeno mundial, pois correspondeu a uma noite longa nas Américas. Isso indica que a Terra parou de girar no caso de Josué e chegou a retroceder no caso de Acaz. Um contra-argumento comum é o de que um fenômeno assim seria catastrófico a ponto de provavelmente eliminar a vida na Terra. Para ter uma ideia em miniatura do problema, basta imaginar um carro viajando em alta velocidade por uma estrada e tendo sua velocidade reduzida a zero muito rapidamente ao bater contra uma rocha. O carro provavelmente seria destruído e seus ocupantes obviamente morreriam no processo. Portanto, alguma outra coisa deve ter ocorrido tanto no caso do relógio de Acaz quanto no dia longo de Josué, certo. Na verdade, esse é um argumento falacioso (enganoso).

“Usaremos de um certo abuso de linguagem para tornar a explicação mais acessível.

“Aproveitemos a analogia do carro para examinar o problema um pouco mais de perto em uma situação menos extrema. Imagine o carro viajando a uma velocidade de, digamos, 100 km/h. Quando o freio é acionado, ele faz com que surja uma força (torque, mais precisamente) que tende a fazer com que as rodas parem de girar. Por causa do atrito entre os pneus e a estrada, o efeito final é que o carro é afetado por uma força em sentido contrário a seu deslocamento, causando uma “desaceleração” (uma aceleração em sentido contrário ao do movimento).

“Por causa da inércia (tendência natural a permanecer no mesmo estado de movimento), os ocupantes do carro tendem a continuar viajando com a mesma velocidade ao passo que o veículo tende a deslocar-se cada vez mais lentamente. Isso dá às pessoas a sensação de serem impulsionadas para a frente, pois sua percepção baseia-se no referencial do carro. Mesmo de olhos fechados, os ocupantes podem saber quando o carro aumenta ou diminui sua velocidade por causa desse efeito de inércia. Se a alteração de velocidade for muito abrupta, o resultado pode ser fatal. A causa do problema está nas forças que as partes do veículo impõem umas sobre as outras e sobre os passageiros. Isso ocorre porque a força de frenagem ou de aumento de velocidade é aplicada a uma parte do veículo e então transmitida, por meio dela a todas as demais partes bem como aos ocupantes. Se essas forças forem suficientemente grandes, podem destruir tudo.

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“O que aconteceria se a mesma aceleração aplicada ao eixo das rodas também fosse aplicada a cada partícula do veículo e de seus ocupantes? Nesse caso, não haveria tensão entre partes do veículo nem entre elas e os ocupantes. De fato, seria impossível perceber a aceleração sem observar o ambiente externo ao carro. A aceleração poderia ser altíssima ou muito baixa e os ocupantes do veículo não sentiriam a diferença.

“Para frear ou acelerar um carro dessa maneira, seria necessário um “campo de forças” ou, mais precisamente, um campo de acelerações. Pode parecer ficção científica, mas a gravidade funciona exatamente assim. Um carro sobre uma rampa a uma velocidade suficientemente alta, ao terminar a subida, pode perder contato com a rampa e ter sua componente vertical da velocidade freada rapidamente pela gravidade sem que isso faça com que os ocupantes do veículo sejam projetados violentamente para o teto. Apenas tendem a acompanhar naturalmente o movimento do carro, uma vez que a mesma aceleração da gravidade que atua sobre o veículo, atua também sobre eles. Nenhum efeito catastrófico ocorre a não ser quando batem no solo.

“Campos gravitacionais também podem atuar de outras maneiras. Existe, por exemplo, o efeito Lense-Thirring, previsto em 1918: um objeto com grande massa e em alta velocidade de rotação pode “arrastar” o espaço ao seu redor induzindo movimentos tangenciais em objetos ao seu redor, fazendo com que órbitas em torno do objeto central sofram precessão.

“Após esse passeio por noções de Física básica, podemos voltar nossa atenção ao problema do relógio de Acaz e o do dia longo de Josué. Se o torque aplicado para deter ou mesmo inverter a rotação da Terra fosse aplicado na forma de um campo que afeta cada partícula da mesma forma, não haveria qualquer efeito perceptível a não ser a alteração no movimento em relação a referenciais externos. E Deus poderia fazer isso sem violar qualquer lei física.”

(Eduardo Lütz é bacharel em Física e mestre em Astrofísica Nuclear pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

A segurança da Palavra

Teorias humanas podem surgir e desaparecer, mas “a palavra de nosso Deus permanece eternamente”.

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Hoje, lamentavelmente, muitos cristãos perderam sua confiança nas Escrituras e as estão relendo da perspectiva de suas próprias tradições (tradicionalistas), da razão (racionalistas), da experiência pessoal (existencialistas), e mesmo da cultura moderna (culturalistas). Cansados da aridez de tais ideologias humanas, muitos outros estão buscando um fundamento mais firme sobre o qual ancorar sua fé.

Mas se a nossa âncora está firmada na própria Palavra, crendo que seu testemunho não é o resultado de invenções humanas, mas um dom divino para revelar Deus e Seu amor redentivo à humanidade, então não temos nada a temer ou a perder. O Espírito Santo que gerou a origem, a unidade e a autoridade da Palavra, pode também iluminar nossa mente para a reconhecermos como tal.

Teorias humanas podem surgir e desaparecer (ver Efésios 4:14), mas “a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Isaías 40:8).

(Alberto R. Timm; Adventismo Sólido)