Quem mudou a santa e eterna lei de Deus?

mosesMeu nome é Vanderlei Ricken, sou bibliotecário do Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (Iacs), situado em Taquara, RS. Amo livros! O valor que damos a um livro é proporcional ao sentido que ele tem em nossa vida. Um livro pode até ter sido obtido de forma gratuita, mas ter um grande significado para você. Uma das razões para atribuirmos valor a um livro é a confiança que temos no autor. Por exemplo, se acreditamos em Deus, a Bíblia será revestida de uma autoridade e significância incomparáveis. Afinal, cremos que homens santos escreveram inspirados por Deus. A única parte da Bíblia que foi escrita por Deus mesmo, com Seu próprio dedo, foram os dez mandamentos. Nesse sentido, podemos dizer que a Bíblia é Sagrada, mesmo não tendo sido escrita diretamente por Deus. Os dez mandamentos, porém, são a essência do que há de mais sagrado, pois retratam o caráter divino. E o próprio Deus os redigiu (confira em Êxodo 24:12; 31:18; 32:15, 16; 34:1, 28; Deuteronômio 4:13; 5:22; 9:10; 10:2, 4).

Fui ensinado a ter muita reverência pela Bíblia Sagrada. Jamais permito que outro livro esteja sobre ela. É sempre a Bíblia Sagrada sobre os demais livros. Minha mãe guardava dinheiro dentro da Bíblia: roubar já seria terrível; roubar algo dentro da Bíblia seria inimaginável! Até meus irmãos “se aproveitavam” para me forçar a confessar algum mal feito, ao me forçar a colocar a mão sobre uma Bíblia, em juramento solene.

Quando aos 12 anos de idade fui confrontado pelo Volnei, meu irmão, a ler os dez mandamentos na Bíblia Sagrada, um desencanto pela Igreja Católica nasceu no meu coração. Havia feito a Primeira Comunhão pouco tempo antes e aprendido os dez mandamentos pelo Catecismo. E, agora, estava conhecendo os verdadeiros dez mandamentos.

dez mandamentos

Ao contemplar e comparar os dois conjuntos de Dez Mandamentos, pude perceber omissões, adulterações e manipulações na santa Lei de Deus. Pelo Catecismo eu havia aprendido uma “versão Frankenstein” dos Dez Mandamentos. Eles estavam total e tristemente mutilados.

De forma fantástica já havia uma profecia anunciado que haveria, de fato, uma tentativa de mudança na santa lei de Deus. Está em Daniel 7:25, que menciona um poder contrário ao Reino de Deus. O mais incrível é que essa alteração na lei seria feita por um sistema religioso dominante. Quando descobri isso, decidi ficar com a Bíblia Sagrada.

Sei que alguns podem duvidar e questionar, e é até bom desenvolver um senso crítico que exija evidências mais comprobatórias para o que afirmamos. Felizmente, existe ampla variedade de livros católicos que comprovam a autoria da mudança na santa Lei de Deus. Dentre os vários livros católicos a que podemos recorrer, quero apresentar um de fácil aquisição, mesmo nos dias atuais: o Catecismo Romano de Frei Leopoldo Pires Martins, publicado pela Editora Vozes em 1951 (versão fiel da edição autêntica de 1566). Na página 440, está escrito: “Escolha do domingo: A igreja de Deus, porém, achou conveniente transferir para o domingo a solene celebração do sábado.”

Imagine chegar ao ápice de presunção religiosa a ponto de tentar mudar os Dez Mandamentos, por conveniência! Uma espécie de religião de conveniência.

catecismoEu gostaria muito que você tivesse esse Catecismo Romano em suas mãos, para você mesmo poder comprovar com os próprios olhos o que estou dizendo. Ler esse texto diretamente na fonte e poder mostrar aos outros no documento primário é fundamental para dar credibilidade ao que você estiver falando.

A notícia boa é que você pode adquirir esse Catecismo Romano com a Ângela Britto pelo e-mail: angelabio_es@hotmail.com ou pelo WhatsApp 27 99987-6668. Não perca a oportunidade de ter um documento católico que confirma a autoria católica da mudança na santa Lei de Deus.

Diante do que você leu até aqui, gostaria ainda de lembrar Apocalipse 12:17 que apresenta duas posições. Apenas duas. Nada além de duas posições. De um lado um dragão irado contra quem guarda os mandamentos de Deus. De outro lado os fiéis observadores dos Dez Mandamentos. A pergunta que vale uma vida eterna é: De qual lado você está? Do lado do dragão, irado contra quem guarda os mandamentos de Deus, ou do lado dos fiéis? Em qual lado você está? Em qual lado você deveria estar?

Como diz a música do padre Zezinho: “A decisão é tua. A decisão é tua.”

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A marca da besta

Aspectos psicológicos e teológicos do perfeccionismo

Ellen White, a Bíblia e a ciência

science_bibleComparando o Salmo 19 com Romanos 1, aprendemos que a natureza revela a glória de Deus e que a cada dia podemos obter novos ensinamentos dela. Além disso, a natureza revela atributos de Deus, não apenas sua existência. A Bíblia tem pequenas falhas: erros de cópia e talvez de escrita no original (é possível trocar uma letra aqui ou ali). Equívocos em traduções, porque foram muitas ao longo da história. Mas a mensagem básica está correta; os princípios permanecem intocados. O mesmo ocorre com a natureza. O pecado tocou em circunstâncias, mas não em princípios, em leis, pois essas coisas são diretamente controladas pelo próprio Deus. Acompanhe esta série de textos de Ellen White que esclarecem pontos mais específicos:

“Hoje os homens declaram que os ensinos de Cristo concernentes a Deus não podem ser provados pelas coisas do mundo natural, que a natureza não está em harmonia com as escrituras do Antigo e Novo Testamentos. Não existe essa suposta falta de harmonia entre a natureza e a ciência. A Palavra do Deus do Céu não está em harmonia com a ciência humana, mas em perfeito acordo com Sua própria ciência criada” (Olhando para o Alto [MM 1983], 21 de setembro).

“Aos olhos dos homens, a vã filosofia e a falsamente chamada ciência são de mais valor do que a Palavra de Deus. Prevalece em grande medida a ideia de que o Mediador divino não é necessário à salvação dos homens. Teorias várias, avançadas pelos chamados sábios segundo o mundo, destinadas ao enobrecimento do homem, são acolhidas e acreditadas mais do que a verdade divina, ensinada por Cristo e Seus apóstolos” (Review and Herald, 8 de novembro de 1892).

Note que entre os ensinos errados está o de que os ensinos de Cristo não podem ser provados pelas coisas do mundo natural.

“O Céu é uma escola; o campo de seus estudos, o Universo; seu professor, o Ser infinito. Uma ramificação dessa escola foi estabelecida no Éden; e, cumprindo o plano da redenção, reassumir-se-á a educação na escola edênica” (Educação, p. 301).

Isso é para o futuro. Também há referências a coisas semelhantes antes do pecado. Mas e na era do pecado, como ficam as coisas? Veremos.

Primeiro um conselho geral: “Seremos julgados de acordo com o que nos cumpria fazer, mas que não executamos por não usar nossas capacidades para glorificar a Deus. Mesmo que não percamos a salvação, reconheceremos na eternidade a consequência de não empregarmos nossos talentos. Haverá eterna perda por todo conhecimento e capacidade não alcançados, que poderíamos ter ganho” (Mensagens aos Jovens, p. 309).

Mas temos limitações sérias. O que fazer quanto a isso?

“Mas se nos entregarmos completamente a Deus, e seguirmos Sua direção em nosso trabalho, Ele mesmo Se responsabilizará pelo cumprimento. Não quer que nos entreguemos a conjecturas sobre o êxito de nossos esforços honestos. Nem uma vez devemos pensar em fracasso. Devemos cooperar com Aquele que não conhece fracasso.

Não devemos falar de nossa fraqueza e inaptidão. Com isso manifestamos desconfiança para com Deus, e negamos Sua Palavra” (Mensagens aos Jovens, p. 309).

Ok. Mas essas coisas são um tanto gerais. E sobre a ciência propriamente?

“Aquele que conhece a Deus e a Sua Palavra por experiência pessoal […]

sabe que, na verdadeira ciência, nada pode haver que esteja em contradição com o ensino da Palavra; uma vez que procedem ambas do mesmo Autor, a verdadeira compreensão delas demonstrará sua harmonia. A esse estudante a pesquisa científica abrirá vastos campos de pensamentos e informações. Ao ele contemplar as coisas da natureza, advém-lhe uma nova percepção da verdade. O livro da natureza e a Palavra escrita derramam luz um sobre o outro. Ambos o fazem relacionar-se melhor com Deus, ensinando-lhe o que concerne ao Seu caráter e às leis por meio das quais Ele opera” (A Ciência do Bom Viver, p. 462).

“Deus é o autor da ciência. As pesquisas científicas abrem ao espírito vasto campo de ideias e informações, habilitando-nos a ver Deus em Suas obras criadas. A ignorância pode tentar apoiar o ceticismo, apelando para a ciência; em vez de o sustentar, porém, a verdadeira ciência contribui com novas provas da sabedoria e do poder de Deus. Devidamente compreendidas, a ciência e a Palavra escrita concordam entre si, lançando luz uma sobre a outra. Juntas, conduzem-nos para Deus, ensinando-nos algo das sábias e benéficas leis por que Ele opera” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 426).

Então, a Bíblia e a verdadeira ciência lançam luz uma sobre a outra. Há uma missão para nós envolvendo a ciência:

“Há poder no conhecimento de ciências de toda a espécie, e é desígnio de Deus que a ciência avançada seja ensinada em nossas escolas como preparação para a obra que há de preceder as cenas finais da história terrestre. A verdade deve ir aos mais remotos confins da Terra mediante pessoas preparadas para a obra. Mas, embora haja poder no conhecimento da ciência, o conhecimento que Jesus veio transmitir pessoalmente ao mundo era o conhecimento do evangelho. A luz da verdade devia lançar seus brilhantes raios nas partes mais longínquas da Terra, e a aceitação ou a rejeição da mensagem de Deus envolvia o destino eterno das pessoas” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 186).

Não podemos perder de vista que a prioridade é a salvação revelada por Cristo, mas isso não nos libera do dever de estudar e usar a verdadeira ciência:

“Depois da Bíblia, a natureza deve ser o nosso maior livro de texto” (Conselhos Sobre Educação, p. 171).

“Ao mesmo tempo em que a Bíblia deve ter o primeiro lugar na educação das crianças e jovens, o livro da natureza ocupa o lugar imediato em importância. As obras criadas de Deus testificam de Seu amor e poder. Ele trouxe à existência o mundo, juntamente com tudo que nele se contém” (Exaltai-O Como o Criador [MM 1992] 22 de fevereiro).

“Os jovens que desejam entrar no campo como pastores ou colportores devem primeiro obter um razoável grau de preparo mental, bem como ser especialmente exercitados para sua carreira. Os que não foram educados, exercitados e polidos não se acham preparados para entrar num campo onde as poderosas influências do talento e da educação combatem as verdades da Palavra de Deus. Tampouco podem eles enfrentar com êxito as estranhas formas de erros religiosos e filosóficos combinados, cuja exposição requer conhecimento de verdades científicas, como também bíblicas” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 514).

O que podemos aprender sobre leis espirituais ao estudar a natureza? Há algumas referências a isso. Eis uma delas:

“O mesmo poder que mantém a natureza opera também no ser humano. As mesmas grandes leis que guiam tanto a estrela quanto o átomo dirigem a vida humana. As leis que presidem à ação do coração, regulando o fluxo da corrente da vida no corpo são as leis da Inteligência todo-poderosa, as quais presidem às funções da alma. DEle procede toda a vida. Unicamente em harmonia com Ele poderá ser achada a verdadeira esfera daquelas funções. Para todas as coisas de Sua criação, a condição é a mesma: uma vida que se mantém pela recepção da vida de Deus, uma vida exercida de acordo com a vontade do Criador” (Educação, p. 99).

“Transgredir Sua lei, física, mental ou moral corresponde a colocar-se o transgressor fora da harmonia do Universo, ou introduzir discórdia, anarquia e ruína. Para aquele que assim aprende a interpretar seus ensinos, toda a natureza se ilumina; o mundo é um compêndio, e a vida uma escola. A unidade do ser humano com a natureza e com Deus, o domínio universal da lei, os resultados da transgressão, não podem deixar de impressionar o espírito e moldar o caráter” (ibidem, p. 99, 100).

“Aquele que permanece em pecaminosa ignorância das leis da vida e da saúde, ou que voluntariamente viola essas leis, peca contra Deus” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 295).

“Deus não Se agrada com a ignorância quanto a Suas leis, sejam elas naturais, sejam espirituais” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 467).

Vimos, por exemplo, que há estranhas formas de erros religiosos e filosóficos combinados (não devemos nos contaminar com essas coisas), cuja solução são conhecimentos científicos e bíblicos (precisamos estudar isso). E é muito fácil confundir a verdadeira ciência (na qual deveríamos nos aprofundar) com a falsa (da qual deveríamos fugir). A verdadeira ciência e a Bíblia definitivamente estão entre as coisas que não apenas podemos, mas devemos estudar. Entre as coisas que devemos evitar aparecem nos textos acima a vã filosofia e a falsamente chamada ciência, também chamada de ciência humana.

A Bíblia e a Ciência lançam luz uma sobre a outra justamente por serem complementares. A Bíblia fala mais de motivos, planos e princípios, e a Ciência fornece ferramentas para o estudo da Bíblia e da natureza, esclarecendo mecanismos. As ferramentas da Ciência têm revelado na natureza uma profusão de informações que não estão na Bíblia nem deveriam estar. Isso não acrescenta doutrina nova sobre o evangelho (não vão além da Bíblia nesse aspecto), mas são informações importantes sobre as quais a Bíblia se cala, exceto por nos mandar estudá-las.

(Compilação e comentários por Eduardo Lütz)

Epístolas Católicas do Apóstolo Pedro

pedroA Sociedade Criacionista Brasileira tem a satisfação de lançar este livro sobre a vida e os ensinos do apóstolo São Pedro, escrito a partir do texto bíblico dos Evangelhos e do livro de Atos dos Apóstolos, de comentários inspirados da escritora Ellen G. White transcritos como pano de fundo, e do próprio texto das duas epístolas de autoria do apóstolo. Com vistas a um público interessado em maior conhecimento não só sobre a vida, mas também a época em que o discípulo Pedro se torna o grande apóstolo da Igreja primitiva, foram também inseridas informações de caráter histórico sobre usos e costumes, bem como sobre crenças do mundo greco-romano, paralelas ou contrárias às revelações trazidas pelo então nascente Cristianismo. Nesse sentido, é recomendável também a leitura de outra publicação da Sociedade Criacionista Brasileira, intitulada Relato da Criação nas Edições Católicas da Bíblia, agora em segunda edição, com a inclusão de um Apêndice contendo algumas considerações achadas úteis para destacar a relação entre os dias da criação e o “Credo” apostólico, que logo em seu início declara a crença católica no “Deus Pai, todo poderoso, Criador dos céus e da terra”. 

A leitura atenta do texto das duas Epístolas de São Pedro apresenta-nos o voluntarioso discípulo transformado no humilde apóstolo que passa a reconhecer sua participação na nascente Igreja Cristã como uma pequena pedra que se junta às demais para a construção do sólido edifício que tem como base a “pedra de esquina”, nosso Senhor Jesus Cristo. 

Este livro é dedicado pelo autor das considerações nele inseridas – Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira – especialmente aos seus numerosos amigos que professam a fé católica apostólica romana, com o agradecimento pela comunhão amigável mantida desde os bancos escolares até às atividades acadêmicas e profissionais, no decorrer de sua vida. 

Epístolas Católicas do Apóstolo São Pedro é fornecido apenas em formato digital, e seu download poderá ser efetuado após a aprovação da operação financeira. Depois de aprovada, você deve entrar na plataforma, no menu Minha Conta/Meus pedidos/download. Clique aqui e adquira o seu.

Nota: Trata-se de um ótimo complemento para os adventistas que neste trimestre estão estudando as cartas de Pedro por meio da Lição da Escola Sabatina.

Doutoranda muçulmana defende erro da Terra plana

terra redondaEscândalo no mundo universitário árabe: uma estudante de doutorado tunisiana estava prestes a defender uma tese de doutorado afirmando explicitamente que a Terra tem apenas 13,5 mil anos, é plana e imóvel no centro do universo. E ela não parou por aí: ainda defende que a nossa galáxia é a única que existe, que o Sol tem 1.135 quilômetros de diâmetro (e não 1,4 milhão de km), que a Lua tem apenas 908 km de diâmetro, e que as estrelas, cujo número é “limitado”, não passam de 292 km de diâmetro. É um verdadeiro strike em tudo que a ciência nos ensina sobre o universo. Copérnico, Galileu, Newton, Kepler, Einstein, Hubble, Lemaître, toda a cosmologia, a geologia [a geometria e a óptica] e sabe-se mais o quê, tudo isso é negado pela tese que por pouco não teve o feliz desfecho de sua aprovação. O astrofísico Nidhal Guessoum explica que a tese levou cinco anos para ficar pronta e passou por uma primeira fase de aprovação; a próxima seria a defesa propriamente dita. Foi aí que um ex-presidente da Associação Astronômica Tunisiana botou as mãos no texto e tocou a sirene, colocando no Facebook trechos da tese. A autora já tinha publicado um artigo em uma revista obscura, dessas em que, segundo Guessoum, basta pagar para conseguir a publicação.

Guessoum, que é uma das vozes mais importantes no diálogo entre ciência e fé no mundo islâmico, lembra que dois anos atrás um clérigo muçulmano saudita deu uma palestra nos Emirados Árabes Unidos defendendo mais ou menos as mesmas coisas que estão na tese da doutoranda tunisiana. Isso já era suficientemente preocupante, mas este caso é muito pior, pois estamos falando da divulgação desse tipo de loucura no ambiente acadêmico. A estudante propôs a tese, ela foi aceita, teve orientador, publicou artigo (ainda que em uma publicação de pouco crédito), enfim, é o caso clássico do jabuti na árvore, ele não subiu lá sozinho.

O astrofísico afirma, usando trechos da conclusão da tese de doutorado, que este é um caso clássico de literalismo escriturístico extremo, em que alguns trechos do Alcorão toscamente interpretados passam por cima de toda a ciência desde o século 16 e até antes disso, já que desde os antigos gregos se conhecia a circunferência da Terra, dado reforçado inclusive pelos muçulmanos durante a Era de Ouro da ciência islâmica. A dúvida que fica é: tudo isso terá sido uma aberração ou denota uma tendência? Foi o que eu perguntei a Guessoum. “Ainda é cedo para dizer. O literalismo escriturístico, que neste caso específico levou à convicção de que a Terra é plana e está no centro do universo, é, sim, uma tendência forte no mundo islâmico, bem como entre cristãos fundamentalistas. Essa história de Terra plana vem ganhando força nas mídias sociais, mas pode ser uma modinha passageira”. Torçamos para que seja, mesmo, uma bizarrice momentânea.

(Gazeta do Povo)

Nota: O que acontece com os terraplanistas muçulmanos ocorre também com certos cristãos: entendem literalmente certas afirmações do Alcorão e da Bíblia. Não sei se o Alcorão dá margem para concluir que nosso planeta seja um disco chato, mas sei que a Bíblia não, a menos que se adote uma posição inerrantista (leia sobre isso aqui), que assume que a inspiração se deu nas palavras dos profetas e não em seus pensamentos. Os autores bíblicos tiveram liberdade para utilizar palavras e ideias de seu tempo e de sua cultura, a fim de expressar as revelações divinas. Há muito da cultura hebraica na Bíblia, já que ela foi escrita majoritariamente por hebreus. Por isso ajuda bastante conhecer a cultura e a língua dos hebreus.

Quando a Bíblia fala em “circulo da Terra” ou diz que o “Sol parou no céu”, está apenas descrevendo eventos sob o ponto de vista dos observadores. Para um observador localizado na superfície da Terra, a impressão é a de que o Sol realmente parou no céu, conforme relatado no livro de Josué, e de que o mundo em volta de seu ponto de observação parece um círculo. Isso não se trata de erro nem de alusão a uma hipotética Terra plana. Mesmo hoje, em pleno século 21, astrônomos ainda usam a expressão “pôr do sol”, quando todo mundo sabe que não é o Sol que se põe, mas a Terra que gira. Para os inerrantistas, o Sol teve que parar literalmente no céu. Para os que creem na inspiração de pensamentos, o autor simplesmente descreveu uma cena sob seu ponto de vista, o que não caracteriza erro nem tampouco se trata de uma observação científica. Resumindo: a Bíblia simplesmente não trata da forma da Terra, embora afirme claramente que ela está flutuando pelo espaço (Jó 26:7).

Conforme o astrofísico Eduardo Lütz, “a Bíblia não fala tudo sobre tudo. Muito do que as pessoas acreditam ser ensinos bíblicos não passa de uma forma humana de ver as coisas, forma essa inspirada de certa maneira em algumas expressões. É importante estudar muito a Bíblia a ponto de perceber essa diferença com cada vez mais clareza. Há textos bíblicos muito claros, especialmente no que se refere ao plano da salvação, que é o foco da Bíblia. Mas, às vezes, são usadas expressões idiomáticas que, tomadas literalmente, podem levar a conclusões equivocadas. Por isso é importante entender o conteúdo da mensagem e comparar esse conteúdo a todos os textos paralelos da Bíblia. Quando você se baseia em expressões colaterais ou idiomáticas para formar doutrinas, está pisando em terreno escorregadio. Se você fez isso e encontrou na natureza informações contrárias ao que você havia deduzido com base em apenas algum detalhe de linguagem que você acha que deve significar algo, isso é sinal de que sua interpretação daquele detalhe provavelmente está errada. Nesse caso, deve-se voltar à Bíblia e conferir se não escorregamos na exegese ou na hermenêutica”.

Um exemplo bastante simples, mencionado pelo bibliotecário e estudioso da Bíblia Vanderlei Ricken: se a Terra fosse um disco plano e o Sol e a Lua estivessem dentro da sua atmosfera (!!!), quando o Sol se afastasse de algum local do disco, indo para o lado oposto desse suposto disco, um observador parado na superfície da Terra perceberia o astro diminuir de tamanho no céu. O mesmo aconteceria com a Lua. Mas simplesmente não é o que acontece, porque tanto a Lua quanto o Sol estão muito longe daqui, o que faz com que a aproximação e o distanciamento deles torne variações de tamanho praticamente imperceptíveis.

Conforme detalha o produtor do programa “En La Mira de la Verdad”, Nelson Wasiuk, “quando o Sol se põe no horizonte, terraplanistas dizem que isso ocorre pelo ponto de fuga, o que se trata de um engano ou de ignorância. O ponto de fuga faz as coisas parecerem pequenas à medida que vão ficando mais longe, e maiores quando mais perto. Mas a realidade é que o Sol fica do mesmo tamanho sempre, e até parece maior perto do horizonte. O ponto é que o Sol não se perde no ponto de fuga, se perde na redondeza do horizonte. O mesmo ocorre com a Lua. O fato de o Sol parecer sempre do mesmo tamanho ao longo do dia mostra que ele é muito grande e está muito longe. O mesmo ocorre com a Lua. Os terraplanistas também dizem o Sol está a menos de cinco mil quilômetros da Terra. O problema é que a mais de três mil quilômetros de altura o Sol seria sempre visível por toda a Terra.”

Outro texto malcompreendido pelos terraplanistas é Apocalipse 1:7, que diz que, quando Jesus voltar, todo olho O verá. Assim, para que isso aconteça, segundo os defensores dessa ideia, a Terra tem que ser plana. Essa afirmação minimiza o poder de Deus e deixa de levar em conta outras possibilidades que não precisam contrariar o óbvio: que a Terra é um globo. Quando Jesus voltar, toda a Terra vai convulsionar e haverá terremotos destruidores. E se os continentes, nessa ocasião, voltarem a formar a Pangeia? É apenas uma possibilidade especulativa. O fato é que Deus terá Sua forma de realizar isso, e não precisamos apelar para teorias mirabolantes e que contrariam a ciência e o bom senso a fim de explicar um versículo.

Note que na matéria sobre a doutoranda muçulmana terraplanista os defensores dessa ideia são chamados de “fundamentalistas”, termo já aplicado aos criacionistas. E é aí que vejo o grande problema e é por isso que insisto em combater o terraplanismo. Já não basta sermos (os criacionistas bíblicos) criticados por crermos na literalidade da semana da criação, em Adão e Eva, no dilúvio de Gênesis, na Torre de Babel e na santidade do sábado? Por que adicionar um motivo tolo e anticientífico para sermos ainda mais alvo de deboche.

Será que ainda não ficou claro que faz parte dos planos de Satanás associar o terraplanismo aos criacionistas a fim de distrair os incautos e humilhar os que querem defender a mensagem dos três anjos do Apocalipse? [MB]

Leia também: A Igreja Adventista, a Nasa e a Terra plana

Jesus ressuscitou mesmo?

Leia também: Morte de cruz