Ele vive! Evidências da ressurreição de Cristo

Anúncios

A polêmica “Bíblia White”

BibliaWhite[Muitas pessoas têm perguntado nas redes sociais se a recém-lançada “Bíblia White” se trata de uma produção oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, uma espécie de tradução particular como a Novo Mundo, das Testemunhas de Jeová. A resposta é “não”, e quem explica tudo aqui é o jornalista e estudante de Direito Davi Boechat, que investigou o assunto. Esta é uma análise meramente editorial e acadêmica, feita por um estudioso, como se poderia fazer com qualquer outra publicação, e nada tem que ver com a vida pessoal das pessoas citadas. O próprio organizador da “Bíblia White” fez críticas à “Bíblia de Estudos Andrews”, essa, sim, distribuída oficialmente pela Igreja Adventista.]

Meses atrás, uma parceria entre movimentos dissidentes da Igreja Adventista do Sétimo Dia resultou no lançamento de um projeto audacioso: a publicação de uma Bíblia de estudos com notas de Ellen G. White, algo inédito em língua portuguesa. A obra foi nomeada de “Bíblia White” e é resultado de uma parceria firmada entre o Instituto Bíblico de Capitólio (IBC) e do Instituto de Agricultura de Evangelismo (IAGE), ambos sediados no interior de Minas Gerais. As entidades, que andam de mãos dadas também em outros projetos, têm em comum a defesa enfática da Teologia da Última Geração (TUG), que sustenta ideias heterodoxas sobre os conceitos de pecado, salvação e perfeição cristã, dentre outros temas teológicos de pouca flexibilidade para discussão.

A “Bíblia White” é um similar nacional da “Remnant Study Bible”, editada por norte-americanos alinhados com a TUG e vendida nos Estados Unidos com edições em inglês e espanhol desde 2012. Como Bíblias de estudo, ambas reúnem breves textos explicativos (nesse caso, citações de EGW) que correspondem a versos bíblicos presentes na mesma página. O projeto brasileiro, entretanto, conta com uma considerável distinção. Além das notas de White, a obra traz ainda uma tradução inédita da Bíblia em língua portuguesa.[1] Nomeada Almeida Antiga (AA), a versão também foi preparada pela coalização IAGE/MV, algo pouco comum quando o assunto são Bíblias de estudo.[2]

O lançamento da “Bíblia White” aconteceu em 2018, durante o Congresso MV, evento itinerante que reúne seguidores da TUG no Brasil. A apresentação da novidade, que levou dois anos para ser preparada, foi feita por Daniel Silveira, organizador do MV, fundador do IBC e um dos responsáveis pela preparação da “Bíblia White”.

O processo de impressão, realizado em uma gráfica no Paraná, foi narrado ao vivo através das redes sociais por Silveira. No vídeo, ele chegou a afirmar: “Aulas de homilética, hermenêutica, exegese […] toda essa sabedoria humana nos impede de encontrar as preciosas gemas da verdade”, uma indiscutível demonstração de desprezo para com alguns dos conhecimentos envolvidos na tradução de uma Bíblia.

Com essa frase, Silveira fez uma declaração preocupante para alguém que encabeçou uma equipe editorial. Em certo sentido, ele parece crer que a ignorância impulsiona a busca pela verdade. Talvez por essa razão sinta-se habilitado para tal serviço. Para Silveira, o chamado para a reforma não acontece apesar da incapacidade, mas por causa dela. A falta de conhecimento, para Silveira, é vantagem. Seguindo essa lógica, o que diríamos de Lutero, um doutor em línguas bíblicas? Assim, proponho um bom lema para a Almeida Antiga: “E não conhecereis as técnicas, a ignorância os libertará.”

A citação de Silveira, transcrita acima, me parece suficiente para que sejam levantadas dúvidas a respeito da lisura e precisão da tradução Almeida Recebida, bem como de toda a “Bíblia White”. E é pela análise de tal tradução que começo minhas avaliações dessa obra.

TRADUÇÃO PRECÁRIA. O maior problema da “Bíblia White” está na tradução, produto de um trabalho extremamente amador. Como visto acima, Silveira, um dos responsáveis pela obra, desdenha de métodos e conhecimentos acadêmicos necessários para a tradução de uma Bíblia. Silverino Kull, diretor do IAGE, segue a mesma linha do parceiro e rejeita também a validade dos estudos, especialmente os da área de crítica textual, ciência que visa a reconstruir com o ajuntamento de evidências textos antigos que tiveram os originais perdidos, caso da Bíblia. Em resposta às objeções levantadas na primeira versão deste texto – que, para minha surpresa, circulou por todo o Brasil, apesar de inicialmente ter sido publicado em um grupo fechado –, disse Kull: “Não importa o que a alta crítica ou os estudiosos e linguistas falem, o que prevalece é a inspiração, e Ellen White disse que a King James foi sim a melhor tradução.”[3]

A afirmação de Kull, entretanto, encontra conflitos com uma declaração do Centro White a respeito das traduções bíblicas utilizadas por Ellen: “Mesmo sendo costume de Ellen White usar a King James Version, ela fez uso ocasional de outras traduções inglesas que estavam se tornando disponíveis em seus dias. Contudo, ela não comenta diretamente sobre os méritos dessa ou daquela versão, mas fica claro pela sua prática que ela achava desejável que se fizesse uso da melhor versão disponível da Bíblia. Por exemplo, em seu livro A Ciência do Bom Viver, Ellen White empregou oito textos da English Revised Version (ERV), 55 da American Revised Version (ARV), dois da tradução de Leeser, e quatro de Noyes, além de sete variantes marginais. Entretanto, em suas pregações, Ellen White preferia usar a linguagem da King James Version porque era a mais familiar para os seus ouvintes.”[4] Cabe dizer que a ERV e ARV não são baseadas no Textus Receptus, ardorosamente defendido por Kull e Silveira, e foram, sim, utilizados por Ellen White. Mais do que isso, diz o Centro White, a preferência de Ellen pela KJV seria por conta da familiaridade do público, não de sua superioridade.

Kull e Silveira, que admitem não ter domínio ou familiaridade com as línguas bíblicas – e talvez por isso desdenhem dos conhecimentos técnicos –, exaltam a suposta superioridade de sua Almeida Antiga (AA) defendendo uma pretensa fidelidade superior, baseada no Textus Receptus, em detrimento das demais traduções atualmente disponíveis em português. Silveira, aliás, citou nominalmente em vídeo as versões publicadas pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) como não sendo confiáveis. Se considerado o Textus Receptus como balizador para a qualidade, dentro do catálogo de versões disponibilizadas pela SBB, a Almeida Revista e Corrigida, seria a mais próxima do ideal. Entretanto, mesmo tendo sido baseada no Textus Receptus, utiliza-se de outros manuscritos em alguns trechos. Apesar disso, outras opções em língua portuguesa preenchem tais requisitos. Feita inteira e exclusivamente a partir do Textus Receptus, a Almeida Corrigida Fiel, da Sociedade Bíblica Trinitariana, seria uma boa opção. Outra possibilidade seria a tradução King James 1611, da BV Books. Ambas são traduções em nosso idioma que prezam pelo uso exclusivo do Textus Receptus. Se esse fosse o critério, elas deveriam ser consideradas opções válidas para a “Bíblia White”. Entretanto, em nenhuma delas poderia haver qualquer modificação, por mínima que fosse. Assim, as “correções” criativas de Silveira (como em João 5:32) não seriam admitidas no texto. O uso irrestrito do Textus Receptus, conforme exposto, não pode ser colocado como uma novidade trazida pela Almeida Antiga.

Cabe dizer ainda que a AA é resultado de uma comparação entre a tradução de Almeida (1848) e a King James Version (1611), conforme dito pelo próprio Silveira na apresentação da Bíblia White, com algumas correções ortográficas e mudanças realizadas por conveniência teológica, conforme será exposto mais adiante. É possível dizer que a AA se trata de uma paráfrase, um arremedo de traduções. Não se trata de uma versão proveniente do tão exaltado Textus Receptus, mas de traduções dele derivadas.

Outra afirmação questionável é a de que o Textus Receptus é o mais confiável de todos os manuscritos disponíveis. Essa informação contraria eruditos da área. Michael J. Gorman, por exemplo, avalia que a KJV foi baseada em manuscritos sabidamente menos confiáveis nos dias de hoje: “Desde 1611, muitos manuscritos mais antigos e melhores da Bíblia foram descobertos, e a pesquisa moderna na área de crítica textual […] nos deu uma base diferente de textos originais para traduzir do que a usada pelos tradutores da KJV. Isso significa que uma exegese baseada nessa versão poderá, por vezes, analisar uma ou mais palavras, frases ou versículos que não aparecem no texto original bíblico.”[5]

O erudito adventista Johannes Kovar, em artigo para o Instituto de Pesquisas Bíblicas da Associação Geral, destaca a história do Textus Receptus para questionar o valor superestimado que lhe é atribuído. “Para a publicação de seu texto, Erasmo [de Roterdã (1467-1536)] confiou em [apenas] seis manuscritos datados dentre os séculos XI e XV [ou seja, cópias com afastamento superior a mil anos desde que o texto foi escrito], estando bem ciente de sua qualidade inferior. Nenhum desses manuscritos era completo, e Erasmo mudou o texto grego aqui e ali, frequentemente de acordo com a Vulgata Latina. Os manuscritos que Erasmo usou, incluindo as anotações que fez neles, ainda existem, de forma que seu trabalho pode ser analisado de maneira relativamente fácil.”[6]

Também adventista, o brasileiro Wilson Paroschi afirma que com a descoberta de manuscritos mais antigos, o trabalho de Erasmo em seu Textus Receptus perdeu espaço: “Apesar de os críticos ainda divergirem com relação a algumas das teorias textuais, todos buscavam um texto que estivesse o mais próximo possível do original e, nesse novo período, sob os mais violentos protestos, romperam definitivamente com o Texto Recebido.”[7]

Em seu livro, Paroshi desmonta ainda algumas das argumentações de Silveira a respeito das diferenças entre o texto da Almeida Antiga e traduções contemporâneas, tecnicamente chamadas de variantes textuais. Silveira afirma que as novas traduções estão retirando trechos bíblicos inteiros e reage dizendo, também em vídeo: “Nós queremos a Bíblia inteira, não adulterada, não cropada.” Ele dá Mateus 6:13 como exemplo de texto bíblico “depenado” em versões modernas, mas que se encontra intacto na Almeida Antiga, dizendo que o trecho “Porque Teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém” desapareceu.

Sobre o verso, entretanto, crítico textual afirma: “Na tradição protestante, a oração termina com a doxologia ‘pois Teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém’, que está ausente na tradição católica. E parece que esta é a que está correta, tanto que as modernas edições evangélicas da Bíblia já estão omitindo essa leitura. […] As evidências documentais, portanto, sugerem que a doxologia do Pai-nosso consiste num acréscimo posterior.[8] Em outras palavras, o trecho que Silveira reivindica, na realidade, não estava presente nos originais bíblicos. A retirada consiste, portanto, em um texto mais fiel, e não menos, como defendido por ele.

INTERPRETAÇÕES DENOMINACIONAIS. Outro problema sério da tradução são os trechos editados de modo a facilitar a utilização de textos-prova.[9] João 5:39 é um bom exemplo da criatividade mostrada na AA. Nesse verso, houve uma mudança arbitrária no tempo verbal para favorecer a interpretação de que Jesus teria recomendado o estudo da Bíblia, quando, na verdade, condenava a deturpação que era feita por intérpretes que, mesmo estudando, não encontravam a Cristo. Na AA é grafado: “Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de Mim.” No vídeo de apresentação da Bíblia, Silveira chama atenção para a mudança que fez no texto dizendo que sua mudança discorda até mesmo das edições que ele usou como prova. Entretanto, mais uma vez Silveira errou. No grego, o verbo se encontra na segunda pessoa do plural do presente do indicativo, não no imperativo. Jesus chamou Seus ouvintes a constatar seus estudos nEle e não para que eles se aprofundassem em seus estudos. A fala de Jesus tem que ver com a cegueira e não com a falta de conhecimento.

Outra mudança lamentável é a de Mateus 28:19. A ordem de Jesus com “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações” (NVI) é traduzida por “Ide, portanto, ensinai todas as nações”. Silveira justifica tal mudança dizendo que discipulado “tem a ver com coaching”, e que a tradução correta é “ensinai”, uma vez que é assim que está na KJV. Mais uma vez Silveira pisa no Textus Receptus, no qual o verbo grego encontrado aponta para o equivalente em português a “discípulos” e não “ensino”.

Com os exemplos supramencionados, pode-se ver que tais adaptações de conveniência adotadas nos textos lembram muito a tradução Novo Mundo, das Testemunhas de Jeová. Temos, portanto, elementos abundantes para reprovar essa tradução da “Bíblia White” com veemência.

PODERIA SER DIFERENTE. Acredito que uma alternativa que daria algum ar de legitimidade ao trabalho do IAGE/MV com a “Bíblia White” seria a publicação de um volume de comentários separados dessa tradução trágica, como já foi feito no passado pela extinta Review and Herald (se bem que a publicação de textos de Ellen White em novos volumes deve contar sempre com a aprovação dos Depositários do Patrimônio Literário White). Ainda hoje esse material é vendido nos Estados Unidos.[10] Isso não daria margem para interpretações incorretas no que diz respeito à falsa equidade entre os escritos de White e a Bíblia.

Por fim, a Bíblia White apresenta-se com falhas graves provenientes de um trabalho editorial ineficaz. Lamentavelmente, essa obra será recebida com tapete vermelho por alguns adventistas desavisados. Mal sabem que se trata de um “cavalo de Troia”. Se não podemos confiar na tradução, o que dizer da compilação dos Testemunhos realizada? Mas isso é assunto para outra oportunidade.

Davi Boechat trabalhou no Correio da Lavoura, Jornal de Hoje e Conecta Baixada, veículos da Baixada Fluminense, na região metropolitana do Rio de Janeiro; atualmente cursa Direito na Universidade Iguaçu (UNIG)

Referências:

  1. “Daniel Silveira, agricultor em Capitólio MG, começou seus trabalhos na “Bíblia White” em 2016, partindo da versão Almeida Recebida, de domínio público. […] Em seguida foi feito um trabalho de comparação e igualação à versão em inglês King James (KJV) de 1611 em grandes extensões do texto bíblico, especialmente nos profetas do Antigo Testamento, por Daniel Silveira. Onde EGW lança luz sobre um texto em que mesmo na King James de 1611 está errado, também foi efetuada a correção.” Disponível em: http://bibliawhite.org/sobre
  1. Em geral, editoras que lançam Bíblias para estudo optam por traduções consagradas e conhecidas no mercado editorial, geralmente com o reconhecimento de sociedades bíblicas. A “Bíblia de Estudos Andrews”, publicada pela Casa Publicadora Brasileira, por exemplo, utiliza a versão Almeida Revista e Atualizada, da Sociedade Bíblica do Brasil. A própria “Remnant Study Bible” é disponibilizada em duas versões: além da clássica King James Version, que está em domínio público, conta ainda com uma edição que utiliza a New King James Version, licenciada pela Thomas Nelson Publishers.
  1. Esse texto é parte de uma mensagem enviada por Kull a Reginaldo Castro.
  1. Centro White. “Ellen White usou outras traduções de Bíblia além da King James Version?” <disponível em: http://www.centrowhite.org.br/perguntas/perguntas-sobre-ellen-g-white/os-ensinos-de-ellen-g-white/>
  1. Introdução à Exegese Bíblica, p. 71, Thomas Nelson Brasil.
  1. “O ‘Textus Receptus’ e as traduções modernas da Bíblia.” <Disponível em: https://adventistbiblicalresearch.org/pt-br/materials/bible-canon-and-versions/o-%E2%80%9Ctextus-receptus%E2%80%9D-e-tradu%C3%A7%C3%B5es-modernas-da-b%C3%ADblia>
  1. Crítica Textual do Novo Testamento, p. 123, 124, Edições Vida Nova.
  1. Para uma definição de hermenêutica texto-prova e sua influência no meio adventista, consulte o artigo de Isaac Malheiros “Dicta Probantia: Uma Reflexão sobre o uso de ‘textos-prova’ na hermenêutica adventista” <Disponível em: http://www.seer-adventista.com.br/ojs/index.php/hermeneutica/article/view/495>
  1. Ellen G. White Comments from the Seventh-day Adventist Bible Commentary <Disponível em: https://www.adventistbookcenter.com/ellen-g-white-comments-from-the-seventh-day-adventist-bible-commentary.html>
  2. https://www.adventistbookcenter.com/ellen-g-white-comments-from-the-seventh-day-adventist-bible-commentary.html 

Materiais de estudo do Apocalipse recomendados pela IASD

esEstudar a palavra de Deus é um privilégio. Hoje em dia temos muitos recursos para estudar a Bíblia de forma sistemática e séria. Lição da Escola Sabatina; Reavivados por sua Palavra; estudos bíblicos, etc. Além disso, na internet você encontra diversos recursos que potencializam o uso dessas ferramentas. Infelizmente, nem tudo que está disponível é recomendado para um estudo sério, cristão e verdadeiramente bíblico. A seguir você encontra uma lista de alguns recursos que são materiais oficiais, sérios e confiáveis. Eles foram produzidos pela Igreja Adventista para auxiliar em seu estudo da Lição da Escola Sabatina (guia de estudos oficial da igreja). Recomenda-se que você faça uso desses materiais conforme sua preferência, mas que evite materiais “semelhantes” e não oficiais, que misturam interpretações pessoais, ideias particulares e muitas vezes doutrinas perigosas. 

Apocalipse: Revelação do Rei

Esse material foi produzido pelo pastor Ranko Stefanovic, autor da Lição da Escola Sabatina deste trimestre e doutor em Teologia. Ele é especialista no livro do Apocalipse e professor de Novo Testamento na Andrews University. Esse material do Dr. Ranko traz uma abordagem séria acerca da interpretação adventista do livro do Apocalipse

Lições da Bíblia (Novo Tempo)

Material produzido pela TV Novo Tempo, com pastores que estão na ativa e compartilham a Lição por meio de um bate-papo, sempre respeitando a proposta original da Lição.

Escola Sabatina Oficial (DSA)

Canal oficial da Divisão Sul-Americana que traz recursos e subsídios para o professor da Escola Sabatina por meio de vídeos semanais. Esse material auxilia os professores com dicas didáticas e um panorama geral da Lição.

Comentários do pastor Natal Gardino

Publicados semanalmente neste blog, com a proposta de oferecer/propor perguntas para promover maior interatividade nas unidades da Escola Sabatina.

Por outro lado, não são recomendados vídeos e publicações daqueles que não seguem o método adventista (herdado da Reforma Protestante) de interpretação da Bíblia (gramático-histórico) e que substituem o método de interpretação profética historicista por abordagens futuristas, o que resulta em uma teologia com conclusões perigosas e cheias de riscos.

O próprio Manual da Igreja adverte que, “embora todos os membros tenham direitos iguais dentro da igreja, nenhum membro, individualmente ou em grupo, deve iniciar um movimento, formar uma organização ou buscar motivar adeptos a fim de alcançar qualquer objetivo, ou para o ensino de qualquer doutrina ou mensagem que não esteja em harmonia com os objetivos e ensinamentos religiosos fundamentais da igreja. Tal curso de coisas resultaria no desenvolvimento de um espírito de divisão, na fragmentação do bom testemunho da igreja, e, portanto, no impedimento do desempenho de suas obrigações para com o Senhor e com o mundo” (p. 61).

Além dos recursos indicados acima, você pode encontrar muita informação boa nos livros e nas publicações sobre o assunto disponibilizados pela editora oficial da IASD no Brasil, a Casa Publicadora Brasileira (CPB), e também nos livros teológicos da Unaspress (editora do Unasp).

Apocalipse: juízo sobre Babilônia

ap 17Os capítulo 17 do Apocalipse apresenta as características de Babilônia, um falso sistema religioso que surgirá no fim dos tempos para enganar as pessoas. Esse sistema é representado “assentado sobre a besta”, que é o sistema romano político e religioso (Dn 7:7, 19-26; Ap 13:1-8; 17:3). Os capítulos 18 e 19 apontam para a destruição de Babilônia e sua condenação. Mas antes que isso aconteça o próprio Deus clama ao Seu povo que saia de lá enquanto há tempo (Ap 18:1-4).

Perguntas para discussão e aplicação  

1. Conforme 2 Coríntios 11:2, qual é o significado de “mulher” em profecias simbólicas? Sendo assim, qual é o significado da “mulher pura” do capítulo 12 do Apocalipse e da “prostituta” do capítulo 17? Quais são as semelhanças e diferenças entre elas? Pense no fato de que a “prostituta” já foi “pura”. O que isso deve nos ensinar ao refletirmos sobre “Babilônia”?

2. Leia a descrição da prostituta Babilônia em Apocalipse 17:4-6 e compare com Êxodo 28:4-6 e Jeremias 4:30. O que significam as vestes usadas por ela? (R.: ela se veste como uma prostituta [daquela época] e ao mesmo tempo emprega os mesmos tecidos e cores das vestes do sumo sacerdote levítico! Ou seja, apesar de haver se prostituído doutrinariamente, ela faz uma contrafação do sacerdócio de Cristo no santuário celestial, O qual era representado pelo sumo sacerdote no santuário terrestre.)

3. Procurando ao máximo não magoar, insultar ou afastar as pessoas, qual é a melhor maneira de lhes comunicar a verdade bíblica de que a igreja, quando se tornou romana, se corrompeu definitivamente? De acordo com Apocalipse 17:5, quem serão nessa ocasião as outras “prostitutas da terra”, que terão Babilônia como “mãe”? Em sua opinião, por que Deus usa essas ilustrações tão “pesadas” ao considerar a infidelidade doutrinária e espiritual?

4. Leia Apocalipse 17:1, 2; 18:3. De que forma Babilônia “embebeda” a todas as nações com o seu “vinho”? (R.: com doutrinas falsas que enganam e tranquilizam as pessoas a respeito de seus deveres morais para com Deus e o próximo.)

5. Compare a “besta do mar” (Ap 13:1) com a “besta” em que a prostituta Babilônia está montada (Ap 17:3). O que significa o fato de que Babilônia, esse falso sistema religioso futuro, estará “montada” sobre o sistema romano papal?

6. Compare a segunda mensagem angélica em Apocalipse 14:8 (que a igreja remanescente já está pregando há muitos anos) com a mensagem do “Anjo” em 18:2, 3. (Detalhe: esse “anjo” simbólico é o próprio Espírito Santo de Deus na ocasião da “chuva serôdia”, pois nenhuma criatura poderia iluminar a Terra toda com sua glória, como é dito em 18:1.) Por que a segunda mensagem angélica, que já estamos pregando, será repetida (ou reforçada) pelo Espírito Santo nos últimos tempos?

7. Por que Deus clamará ao “Seu povo” para sair de Babilônia? Qual é o grande perigo da ideia que diz que “todos os caminhos levam a Deus”?

8. Apocalipse 19:1-9 demonstra que muitas pessoas atenderão ao convite de Deus para sair de Babilônia e serão salvas. E nós poderemos ser os instrumentos usados pelo Espírito Santo para apelar a essas pessoas! Como deve ser a nossa vida hoje, para que possamos ser usados por Deus nos dias finais ao convidar Seu povo a sair de Babilônia?

9. Ao sabermos que há “povo de Deus” ainda em Babilônia, como deve ser o nosso relacionamento com as pessoas de outras denominações religiosas? Quais são as evidências de que somos, efetivamente, “povo de Deus”?

Notas importantes

A mulher de Apocalipse 17. Este símbolo representa um sistema religioso corrompido por ser baseado em um cristianismo romanizado e que tem influência para que o mundo inteiro seja intoxicado com o vinho de suas doutrinas. Além disso, ela também é chamada de “cidade” em Apocalipse 17:15. Isso significa que, ao mesmo tempo em que ela é um sistema religioso cristão (“mulher”), é também um poder político governamental (“cidade”). Como já vimos aqui, o nome Babilônia era um codinome usado pelos cristãos para se referir a Roma sem levantar suspeitas dos romanos (1Pe 5:13).

A “besta escarlate” sobre a qual a prostituta Babilônia está assentada (17:3). Esta besta tem características muito parecidas com a “besta que saiu do mar” (13:1). Já vimos aqui que esta besta é a mesma quarta besta de Daniel 7, que representa Roma, tanto em sua fase pagã quanto papal. O fato de a mulher estar “montada” nesse sistema pode indicar tanto que ela o “dirige” quanto também que ela é “carregada” ou “conduzida” por ele – o que parece ser o mais provável (Ap 17:7).

Os dez chifres de Apocalipse 17:12-14, 16, 17. Esta figura ainda não é bem clara em seus detalhes para os intérpretes do Apocalipse. Pode ser uma referência aos dez reinos divididos da Europa (representados por “dez dedos” em Daniel 2 e por “dez chifres” em Daniel 7:7, 8), os quais tentarão novamente se unir no futuro para a batalha do Armagedom. De acordo com Daniel, Jesus voltará “nos dias destes reis” (2:44). Como o papado saiu de um dos dez reinos/chifres da Europa medieval (7:8), talvez essa seja uma indicação de que as nações da Europa terão grande influência no futuro ao apoiar novamente um sistema papal renovado. Porém, essa atividade não durará muito tempo, pois logo esses mesmos poderes governamentais se voltarão contra o próprio sistema que apoiavam (17:16). Pode ser que essa retirada estratégica das dez nações seja o que provoque o simbólico “secamento do Eufrates” (Ap 16:12).

Os sete montes e o “oitavo rei” (Ap 17:9-11). Esta é uma das passagens mais polêmicas do Apocalipse. Há muitas teorias especulativas e sensacionalistas que consideram os sete montes como sete papas (e em cada nova interpretação, cada novo papa é sempre “o último” ou o “penúltimo”). Porém, as profecias simbólicas a respeito de “reis” não se referem a indivíduos, mas a sistemas de governo (Dn 7:17). Portanto, não podemos considerar sete pessoas individuais (sete papas) como sendo os sete “reis” de Apocalipse 17. Se considerarmos essa profecia a partir da perspectiva temporal do profeta e dos grandes sistemas de governo que oprimiram sucessivamente o povo de Deus temos o seguinte:

“As sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis [ou, reinos; cf. Daniel 7:17], dos quais caíram cinco [Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia], um existe [este era o período da Roma pagã, sob a qual João vivia ao receber a visão], e o outro ainda não chegou; e quando chegar, tem de durar pouco [ou seja, o período de Roma cristã, que surgiria poucos séculos após esta visão]. E a besta que era, e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição” [esta é uma referência ao período em que Roma papal foi “ferida de morte” em 1798, e ficou um longo tempo sem expressão mundial até quando ela retomar novamente o poder com vigor redobrado]. Quando chegar, tem que durar “pouco” (Ap 17:10). A palavra “pouco” vem do grego oligos. Apesar dos quase dois mil anos desde que surgiu o sistema de governo opressor de Roma cristã, o tempo é “pouco” se for comparado com a eternidade ou com a história deste mundo. Essa é a mesma palavra usada em Apocalipse 12:12 ao dizer que Satanás, ao ser expulso definitivamente do Céu por ocasião da morte de Cristo, ficou irado “sabendo que pouco [oligos] tempo lhe resta” – e já se passaram quase dois mil anos desde esse evento também. No entanto, em Apocalipse 20:3, a palavra é diferente ao se referir ao “pouco” tempo que restará a Satanás logo após o fim do milênio: mikros. Em outras palavras, esse tempo final será “micro” perto dos dois mil anos que eram “pouco” [oligos] em relação à eternidade.

A destruição de Babilônia em Apocalipse 18 e 19. O quadro representado nesses capítulos é baseado em várias passagens do Antigo Testamento que profetizaram a destruição da antiga Babilônia literal (por exemplo, Isaías 13 e 47; Jeremias 50 e 51). Portanto, esse falso sistema religioso que se formará no futuro já tem sua ruína anunciada por Deus, a qual será tão certa quanto foi a da Babilônia da antiguidade.

O “Anjo” que ilumina a terra toda com Sua glória (Ap 18:1). Esta é uma figura para representar o Espírito Santo em Sua grande manifestação de poder conhecida como a “chuva serôdia” (Os 6:3; Tg 5:7). Como já visto aqui, a palavra traduzida como “anjo” na Bíblia também pode ser vertida como “mensageiro”. Ela é usada nesse sentido para seres humanos (Mt 11:10; Lc 7:24; 9:52; Fp 2:25; Tg 2:25, etc.); foi usada para Jesus (Gn 16:7, 9, 10, 11; 21:17; 22:11, 15; 31:11-13; Êx 3:2-6; Jz 2:1-4; 6:11-23; 13:3-22; Zc 3:1-4); e é usada também para representar o Espírito Santo como o grande mensageiro do Céu. Ele mesmo ajudará o povo de Deus a concluir a proclamação do Evangelho (Fp 1:6). No contexto do fim, contudo, a nota tônica para despertar as pessoas será: “Caiu Babilônia” – o mesmo tema da segunda mensagem angélica que a igreja remanescente tem pregado há tantos anos (Ap 14:8). Nessa ocasião da chuva serôdia, o Espírito Santo irá “amplificar” o poder dessa mesma mensagem, fazendo-a soar através de Seus servos “com potente voz” (18:2). Somente então a mensagem alcançará toda a Terra, a qual será dessa forma iluminada com a Sua glória, e então virá o fim (Mt 24:14).

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Apocalipse: o evangelho eterno de Deus

ThreeAngelsMessageO capítulo 14 apresenta o caráter, a missão e a vitória do povo remanescente de Deus no tempo do fim. Ele se inicia com uma visão dos salvos no Céu e uma descrição do caráter deles (1-5); logo depois ele retrocede no tempo em um flashback para apresentar esses mesmos salvos pregando o evangelho a todo o mundo na figura de três anjos (6-12); em seguida é usado um símbolo frequente nas Escrituras: o próprio Senhor fazendo a colheita final das searas da Terra, tanto dos salvos quanto dos perdidos (14-20).

Perguntas para discussão e aplicação

1. Que relação existe entre a promessa de Jesus em Mateus 24:14 e a visão de João em Apocalipse 14:6?

2. Por que essa cena dos três anjos (gr. angelos, “mensageiros”) pregando o “evangelho eterno” não pode estar se referindo a anjos literais? (R.: Anjos não pregam o evangelho; essa é uma tarefa que foi confiada aos humanos). Se são seres humanos, por que os três “anjos” são representados “voando pelo meio do céu” enquanto proclamam o evangelho ao mundo?

3. Por que a mensagem de Salvação por meio de Jesus Cristo é chamada de “Evangelho Eterno”? Leia Mateus 25:34; Efésios 1:4; Apocalipse 13:8; 17:8. Tendo isso em mente, em que sentido Jesus foi morto “antes da fundação do mundo”?

Sobre a mensagem do primeiro anjo

Compare Apocalipse 14:7 com Eclesiastes 12:13, 14. Que pontos semelhantes aparecem nessas duas passagens? (R.: Temer a Deus; dar-Lhe glória por meio da obediência; e a certeza de um juízo). Se esses dois textos estão dizendo essencialmente a mesma coisa, o que significa “dar glória a Deus” nesse contexto? (R.: guardar os Seus mandamentos). Ao se considerar o dever de todo ser humano no Antigo e no Novo Testamentos, de acordo com essas passagens, o que mudou? Por quê?

Diferentemente de “ter medo”, o que significa “temer” a Deus, no contexto do evangelho?

Por que o primeiro anjo/mensageiro diz que já “chegou a hora do juízo”? Desde quando essa mensagem está sendo pregada? Pense nisto: apenas uma igreja está pregando ao mundo essa mensagem (de que o juízo já começou). O que isso lhe diz?

Em sua opinião, por que várias religiões do mundo evangélico ridicularizam o conceito de um juízo investigativo ocorrendo antes da segunda vinda de Cristo? (R.: porque desconhecem que, quando Jesus voltar, todas as pessoas na Terra já terão sido julgadas, pois elas receberão sua salvação ou condenação segundo as obras que tiverem praticado antes, conforme Mateus 16:27; Romanos 2:6; Apocalipse 20:12; 22:12, etc.)

Por que os cristãos devem ficar felizes com o fato de que Deus trará o mundo a juízo?

Que palavras da primeira mensagem angélica (v. 7) indicam que a santidade do sábado faz parte do evangelho eterno? (R.: “Aquele que fez”; “o céu, e a Terra, e o mar”; cf. Êxodo 20:11.)

Sobre a mensagem do segundo anjo (14:8)

Apesar de o verbo estar no passado (“caiu, caiu”), quando a “Babilônia” simbólica do fim dos tempos realmente cairá? (R.: quando ela se unir ao Estado para impor suas próprias leis ferindo a consciência dos que querem ser fiéis a Deus, cf. 13:16-18.)

Veja Apocalipse 17:2. O que significa a afirmação de que a mística Babilônia tem embebedado a todas as nações com seu “vinho” intoxicante? Como podemos estar livres de beber esse vinho, mesmo “sem perceber”?

Sobre a mensagem do terceiro anjo (14:9-12)

Leia atentamente Apocalipse 14:9, 10. Por que a mensagem do terceiro anjo (que será muito mais forte após a imposição do sinal da besta) parece tão “severa”?

Apesar de o texto dizer “a fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos”, como sabemos que essa punição não será eterna? Que argumentos e versículos você pode usar para defender o conceito bíblico? (R.: exemplos: Malaquias 4:3; João 3:16; Romanos 6:23; 2 Tessalonicenses 1:9; 2 Pedro 2:12, etc.)

O “anjo”/“mensageiro” identifica o grupo ao qual pertence no verso 12. Quem é esse grupo? O que significa a afirmação “aqui está a paciência [ou perseverança] dos santos”? Como podemos fazer parte desse grupo de remanescentes dos últimos tempos?

Notas importantes

Os três anjos simbolicamente voando pelo meio do céu com a mensagem final do evangelho ao mundo não significam anjos literais. São seres humanos que permanecem fiéis à Palavra de Deus no fim dos tempos. Isso pode ser confirmado por pelo menos dois motivos.

Em primeiro lugar, anjos não pregam o evangelho. Eles podem cooperar com o avanço dele, mas não podem efetivamente pregá-lo, pois essa é uma tarefa que Deus outorgou aos seres humanos apenas (Mt 28:19, 20; At 8:26; 11:13,14; 2Co 4:7; 1Tm 1:15, 16; Hb 1:14; 1Pe 1:12; etc.). Portanto, Apocalipse 14 não se refere a anjos, mas a seres humanos que proclamam as três mensagens de Apocalipse 14:6-12. A ilustração de “voarem pelo meio do Céu” pode significar a velocidade com que a mensagem é proclamada a todo o mundo e o seu alcance.

Em segundo lugar, a palavra grega “angelos” significa tanto “anjo” quanto “mensageiro”. Por isso, no texto bíblico original, ela é também muitas vezes usada para designar seres humanos como “mensageiros” (ver Mt 11:10; Lc 7:24; 9:52; Fp 2:25; Tg 2:25; etc.). Jesus também é chamado de Mensageiro (“angelos”) do Senhor em várias ocasiões (Gn 16:7, 9, 10, 11; 21:17; 22:11, 15; 31:11-13; Êx 3:2-6; Nm 22:22-35; Jz 2:1-4; 6:11-23; 13:3-22; Zc 3:1-4). Curiosamente, em Apocalipse 18:1, até mesmo o Espírito Santo é chamado de “angelos” (Mensageiro) pouco antes da volta de Jesus. Nessa ocasião (conhecida como a “chuva serôdia”; cf. Os 6:3; Tg 5:7; etc.), o Espírito Santo será o grande “Mensageiro” de Deus para fortalecer Seu povo com poder para proclamar a mensagem final ao mundo todo, “iluminando a Terra com a Sua glória”.

As três mensagens angélicas de Apocalipse 14 contêm em seu bojo as doutrinas distintivas da Igreja Adventista do Sétimo Dia, as quais são parte integrante do evangelho eterno: o juízo investigativo a partir de 1844 (“é chegada a hora do Seu juízo”); a criação literal (“adorai aquele que fez”); a guarda do sábado (“fez o céu, a Terra, o mar…”, cf. Êx 20:11); o juízo final (“o vinho da fúria de Deus”).

O “evangelho eterno”, pregado por esses remanescentes, é dirigido “aos que habitam sobre a Terra”. No Apocalipse, essa é uma expressão para se referir apenas aos ímpios, pois o objetivo de vida deles se resume apenas a este mundo (cf. 3:10; 6:10; 8:13; 11:10; 13:8, 14; 17:2).

Na expressão “seguiu-se outro anjo” (Ap 14:8, 9), o verbo “seguir” (gr. akoloutheo) não significa “vir depois” ou consecutivamente, mas “seguir junto” (veja estes exemplos em que a mesma palavra é usada nos textos originais: Mt 8:19, 22; 16:24; Ap 19:14; etc.). Ou seja, “as mensagens do primeiro, do segundo e do terceiro anjos estão todas unidas” (Ellen White, Eventos Finais, p. 60). Porém, à medida que o fim vai se aproximando, essas mensagens vão se “avolumando” até se transformar em um alto clamor (ibid., p. 173; Evangelismo, p. 701).

A expressão “caiu, caiu Babilônia!” é retirada especialmente de Isaías 21:9.

A figura de linguagem “beber do vinho da ira” ou “da taça da ira” de Deus (cf. Ap 14:10) é muito comum no Antigo Testamento; ver, por exemplo, Jó 21:20; Sl 60:3; Is 51:17, 22, 23; Jr 25:15-17, 28, 29; 49:12; 51:7; Ez 23:32-34; Ob 16. O “vinho” intoxicante que Babilônia oferece e que embebeda todas as nações é um evangelho fermentado e corrompido que aprova o erro (coisas como a teoria da evolução, tradições teológicas contrárias à Bíblia, conceito de alma imortal, tormento eterno, padrões impuros para o casamento e para a sexualidade, etc.). O vinho da ira oferecido por Deus significa deixar o pecador colher as consequências naturais de rejeitar o evangelho. A “ira” de Deus, diferente da humana, não tem que ver com sentimento, mas com juízo. Por isso, o “vinho da ira” de Deus será servido na mesma proporção em que a pessoa tiver bebido do “vinho” de Babilônia (Ap 18:6). Conforme vemos em Salmo 75:8, os juízos de Deus antes do fim dos tempos eram oferecidos “com mistura”, ou seja, eram diluídos com misericórdia; porém, de acordo com Apocalipse 14:10, após o fechamento da porta da graça, o juízo de Deus será finalmente oferecido “sem mistura” (ou “não misturado”), em sua força total.

Apocalipse 14:12 – A palavra hypomonê é traduzida como “paciência” em algumas versões (ARC, NTLH) e como “perseverança” em outras (ARA, NVI). Seu significado envolve uma perseverança que suporta pacientemente as provações e a demora. Uma tradução bem fiel seria algo como uma “perseverança paciente” ou “paciência perseverante”. Essa palavra é a mesma usada em Mateus 8:15; Lucas 21:19; Romanos 2:7, e também ao se referir à “paciência”/“perseverança” de Jó em Tiago 5:11. Essa tem que ser a fé dos remanescentes no tempo do fim!

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Apocalipse: Satanás e seus aliados

bestaO capítulo 13 do Apocalipse apresenta os instrumentos de Satanás para enganar o mundo em sua rebelião contra Deus: a “besta que saiu do mar” (Roma) e a “besta que saiu da terra” (Estados Unidos da América).

Perguntas para discussão e aplicação

1. Compare Apocalipse 13:1 com Daniel 7:3, 17. Por que João se aproveita de figuras que já haviam sido usadas antes, como bestas/animais saindo do mar, em vez de usar algo “novo”? Que dicas existem em Apocalipse 13 para indicar que a besta (reino) que João viu é a mesma quarta besta de Daniel 7 (Roma)? (R.: No verso 3, a besta foi “ferida de morte” [como em Daniel 7:11]; nos versos 5 e 6 é dito que a besta tinha uma boca que proferia blasfêmias [como em Daniel 7:11, 20, 25]; no verso 5 é dito que a besta perseguiu o povo de Deus durante um período profético que vai do ano 538 a 1798 [como em Daniel 7:25]; no verso 7 é dito que a besta fez guerra contra o povo de Deus “e os venceu” [como em Daniel 7:21].)

2. De acordo com Apocalipse 17:15, qual é o significado de muitas águas ou “mar”, em profecias bíblicas? O que significa a ilustração das “bestas” (reinos, governos) terem saído do “mar”? Sendo assim, o que significaria, então, a figura da segunda besta saindo da “terra”? (R.: Em contraste com o significado de “mar”, seria então um lugar sem muitas pessoas, em ascendência, para cumprir esse papel no futuro. Os Estados Unidos eram o único lugar com esse perfil em 1798, logo após o fim dos 1.260 anos de perseguição, quando a igreja romana foi “ferida de morte”.)

3. O que significa o fato de que a “besta que sai da terra” se parece com um “cordeiro”, e como depois “falará como um dragão”?

4. Veja o que Bíblia diz sobre a lei de Deus em Deuteronômio 6:6-8 e 11:18. O que significa o símbolo de que a lei de Deus deve ser “como um sinal” na testa (frontal) e na mão? Sendo assim, o que significa o símbolo de que a marca da besta será imposta na testa ou na mão? Por que a ideia de que a marca da besta será um chip de computador é absurda, ainda que exista essa tecnologia e já existam pessoas que a usem?

5. Leia Daniel 7:25 e discuta por que a guarda do domingo como dia santo se tornou “a marca” da besta, que é Roma. Por que a guarda do verdadeiro dia sagrado é tão importante?

6. Como será que a segunda besta (EUA) vai enaltecer a primeira, que havia saído do mar? Em sua opinião, quais tendências mundiais estão levando ao cumprimento da profecia de Apocalipse 13?

7. Como devemos nos portar em relação às pessoas de outras religiões que guardam o domingo de forma a não magoá-las com essa mensagem ou não as afastarmos de nós? Como seria a melhor maneira de dividir essa profecia com quem crê que o domingo é o dia de guarda?

Notas importantes

O Apocalipse faz o emprego de figuras que já haviam sido utilizadas nas Escrituras Sagradas pois, como é dito na introdução do livro, ele foi escrito “para os Servos de Deus” (1:1). Os servos de Deus, por lerem a Bíblia com atenção, conhecem suas palavras, símbolos e ilustrações para poderem entender esse último livro adereçado apenas a eles, e não a todos.

Assim como as bestas em Daniel representam os poderes desde sua época em diante a partir de Babilônia, as visões no Apocalipse representam os poderes desde sua própria época em diante, a partir de Roma. Assim, a primeira “besta” de Apocalipse 13 é a mesma quarta besta de Daniel 7, uma continuação da mesma profecia.

Satanás e seus agentes tentam criar uma contrafação da Trindade. O dragão procura imitar a Deus, o Pai. Como tal, ele dá a sua autoridade à besta do mar, a qual é uma contrafação de Jesus Cristo em Seu ministério intercessor. Por sua vez, a besta da Terra cria uma contrafação do Espírito Santo, exaltando o poder e a autoridade da besta do mar, para que todos a adorem e também ao dragão (Ap 13:4, 8, 12).

Sobre o misterioso número 666

O título do papa na Idade Média (VICARIVS FILII DEI). Apesar de a soma dos números romanos de um dos supostos títulos papais resultar em 666, esse argumento, mesmo tendo sido muito utilizado no passado por grandes pregadores, é muito fraco, pois outros nomes também podem dar esse resultado. Além disso, as bestas no Apocalipse não se referem a pessoas individuais, mas a instituições. Se fosse essa a explicação, os primeiros cristãos não teriam entendido esse símbolo até que o papado propriamente dito surgisse muitos séculos depois. Outro fator importante é que a gematria (princípio de valor numérico aplicado aos nomes) não é usada na Bíblia. É importante observar que as edições mais antigas do livro O Grande Conflito contêm uma página com essa explicação e a soma dos números romanos do título papal; mas isso era uma adição dos editores da época, não da pena de Ellen White, a qual nunca usou tal interpretação. Por isso os livros atuais não trazem esse adendo editorial.

O número do ouro pesado anualmente no reinado de Salomão (1Rs 10:14; 2Cr 9:13). Para alguns intérpretes, o número 666 seria uma referência ao início da apostasia de Salomão devido à sua riqueza. Porém, apesar da coincidência numérica, esse texto relata uma época em que Salomão ainda era fiel a Deus. Isso não parece condizer com o contexto de Apocalipse 13.

Os números da estátua de Daniel (60 por 6). O número 6 era o número místico sagrado dos babilônios – por isso os registros referentes ao tempo, aos astros e aos ângulos, que tiveram muita contribuição deles, até hoje são baseados no número 6 e não no 10 (ex.: 60 segundos, 60 minutos, 24 horas, ângulos retos de 90º, etc.). A figura da besta obrigando a todos a receber seu número é baseada nesse episódio de Daniel 3, em que todos têm que adorar a estátua babilônica que mede 6 côvados por 60.

O valor místico pagão do número 6 para os babilônios. Como dito acima, o número 6 era sagrado para os babilônios. Foi descoberta uma antiga tabuinha mística que representa numericamente os principais deuses babilônicos. Ela consiste de uma tabela com 36 números diferentes dispostos em 6 linhas e 6 colunas, e cuja soma das linhas ou das colunas dava 666 (veja as figuras abaixo). Assim, o emprego do número 666 nesse trecho do Apocalipse deveria trazer à memória de seus leitores o paganismo de Babilônia como um modelo de Roma no futuro. Esse amuleto místico é uma grande evidência da importância do número 6 na medida da estátua babilônica (6 x 60 côvados) que deveria ser adorada por todos (Dn 3:1).

WhatsApp Image 2019-03-01 at 10.49.07

WhatsApp Image 2019-03-01 at 10.49.18a

A marca sobre a testa e a mão direita é apenas simbólica. Não faz sentido algum a interpretação de que se trata de uma marca visível ou de um chip de computador implantado sob a pele. Se assim fosse, qualquer ateu ou ímpio que não quisesse receber essas coisas automaticamente estaria livre do sinal da besta! Além disso, só os últimos cristãos da história poderiam entender esse símbolo (chip), pois ele não existia antes. Ao contrário disso, os símbolos empregados foram retirados das Escrituras Sagradas de tal forma que os primeiros cristãos que lessem o Apocalipse no primeiro século já pudessem entender seu significado. Eles sabiam que a quarta besta de Daniel 7 (que é a primeira besta de Apocalipse 13) iria “mudar a lei” de Deus (Dn 7:25). E a lei de Deus, devidamente entendida (mente) e obedecida (ações), é um sinal de Deus “na testa e na mão” (Êx 13:9; Dt 6:6-8; 11:18). Portanto, os primeiros cristãos entendiam perfeitamente que a lei de Deus, que deve estar em nossa mente (testa) e em nossas ações (mãos), seria modificada por Roma (Dn 7:25) e depois imposta sobre todo o mundo como seu sinal de autoridade contra Deus. Essa alteração da lei de Deus se deu oficialmente no dia 7 de março do ano 321, quando o imperador romano Constantino fez o primeiro decreto para que o povo guardasse o domingo como dia sagrado, em vez do sábado da lei de Deus (Êx 20). Assim, sabemos que essa é a “marca” de Roma e que ela será novamente obrigatória no fim dos tempos. É hoje que devemos escolher obedecer à lei de Deus ou à dos homens, para poder permanecer firmes quando essa imposição acontecer novamente em âmbito mundial, a partir dos Estados Unidos (segunda besta de Apocalipse 13, que exaltará o poder de Roma, a primeira besta).

É muito importante notar que, apesar de que a santificação do domingo como dia sagrado é uma “marca” do poder de Roma, não se pode dizer automaticamente que quem guarda o domingo tem a “marca da besta”. Essa profecia só se cumpre quando a igreja se unir ao Estado e obrigar a todos que guardem o domingo por força da lei. A partir daí, apenas, é que a observância do domingo se tornará “a marca” da besta romana. A partir daí, os últimos acontecimentos serão rápidos, e logo Jesus aparecerá nas nuvens do Céu com todos os Seus anjos!

Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Jardim Iguaçu, Maringá, PR

Jesus era bruxo? A Bíblia é um livro de magia? Bruxos cristãos?!

jesus bruxoA primeira convenção anual de bruxos cristãos será realizada em abril, em Salem, Massachusetts, e contará com o internacionalmente reconhecido “profeta” Calvin Witcher, que concorda com o anfitrião da convenção que Jesus era um feiticeiro e que a Bíblia é um “livro de magia”. A reverenda Valerie Love, a força por trás do evento, que se descreve como uma bruxa cristã e ministra da consciência espiritual, lançou recentemente a Escola de Mistérios da Aliança Cristã para ajudar os cristãos a usar a magia, condenada como “perigosa”. Ela insiste que não há nada errado com a ideia de cristãos praticarem magia, apesar das advertências bíblicas contra ela.

Em uma longa discussão com Witcher cerca de dois meses atrás, sobre a conciliação entre a prática de bruxaria e o cristianismo, ele, cujo website diz que “traz mensagens de Deus para a humanidade através do poderoso ensino e da formação, permitindo que os seguidores não tradicionais ouçam a voz divina de esperança”. “A Bíblia é um grande livro de feitiçaria. Você literalmente não pode contornar isso. Você não pode contornar Jesus sendo um mago. Não tem jeito”, disse Witcher. […]

Witcher [para quem os milagres de Jesus são, na verdade, bruxaria], que se descreve como um crente em Cristo que ainda fala em línguas de sua formação na igreja pentecostal, disse […]: “Minha formação no pentecostalismo realmente me colocou em uma boa base. Nós tínhamos ferramentas. Fizemos óleos de unção, xales de oração, demonologia foi ensinada muito regularmente, pelo menos nos meus círculos. Então essas conversas não eram estranhas. Conversamos sobre os dons do espírito… entrar em magia era uma sequência muito fácil. […] A única coisa que fiz foi expandir esse poder específico fora dessa prática em particular”, disse ele sobre sua entrada total no reino da magia. […]

No último dia do [encontro de bruxos “cristãos”], o domingo de Páscoa, as bruxas também se reunirão para o primeiro culto na igreja. […]

 (Portalpadom)

Nota: Como se não bastassem aqueles que reinterpretam e distorcem a Bíblia para fazer com que ela concorde, por exemplo, com a nefasta teologia da prosperidade (como o pastor que afirmou que Jesus tinha uma mansão à beira-mar) ou com práticas homossexuais (algo claramente condenado no Livro que narra a criação do homem e da mulher e a instituição do casamento entre os dois), agora num cúmulo de relativismo e de distorção, há os que querem unir o imiscível: bruxaria e cristianismo. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamentos são muito claros quanto a essa prática:

“Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti” (Deuteronômio 18:0-12).

“As obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus” (Gálatas 5:19-21).

É preciso haver muita desonestidade intelectual para ler textos como esses e afirmar justamente o contrário do que eles dizem. Deus respeita a decisão dos seres que Ele criou. Quer extorquir os fiéis da sua igreja dando um péssimo testemunho do que é cristianismo? Ok, faça, mas lembre-se de que um dia o juízo vem. Quer fazer sexo com pessoas do mesmo gênero, você é livre para ir adiante. Quer praticar a bruxaria, idem. Mas Deus não nos dá o direito de adulterar Sua Palavra para tentar fazer com que ela afirme o que condena. Isso não! [MB]