Perguntas interativas da Lição: a singularidade da Bíblia

escriturasIniciamos hoje uma nova série de estudos sistemáticos. Desta vez, estudaremos em 13 semanas o guia (Lição da Escola Sabatina) com o tema “Como interpretar as Escrituras”. Cada nova semana será abordado um aspecto específico dentro desse tema geral. E aqui serão postadas algumas perguntas referentes ao estudo de cada semana para provocar reflexão e trazer aplicação à vida prática. Aproveite estas perguntas interativas e os resumos da Lição da Escola Sabatina! Bons estudos!

 Perguntas para reflexão e discussão on-line

 Leia 2 Pedro 1:21. O que você responde a alguém que despreza a Bíblia dando como motivo o fato de que ela “foi escrita por homens”? Apesar de ter sido realmente escrita dessa maneira, como, ainda assim, ela é a Palavra de Deus?

Para você, quais são as maiores evidências que comprovam a veracidade das Sagradas Escrituras? Por quê? (R.: unidade entre os livros, profecias cumpridas com precisão, arqueologia, detalhes geográficos, coerência histórica, textos extra-bíblicos que confirmam seus relatos, transforma vidas, etc.)

Apesar de tantas evidências de ter sido inspirada por Deus, por que a Bíblia não é apreciada por grande parcela da humanidade?

Qual é a diferença entre o texto da Bíblia e as palavras filosóficas de pessoas como Confúcio, Buda, Platão, Nietzsche, etc.? (veja Colossenses 2:8)

Leia Hebreus 4:12. De que maneira você entende essa analogia em relação às Sagradas Escrituras?

Em sua opinião, por que Deus utilizou pessoas de diferentes classes sociais, profissões e temperamentos para transmitir Sua palavra? Apesar disso, que tipo de unidade encontramos ao comparar todos os 66 livros da Bíblia?

O Antigo Testamento (os primeiros 39 livros da Bíblia, escritos antes de Cristo) contém cerca de 65 predições sobre a primeira vinda de Jesus. Veja estas, por exemplo: Salmo 22:15-18; Isaías 7:14; Miqueias 5:2; etc. O que isso lhe diz sobre o Deus que revelou essas profecias? Como as profecias bíblicas nos dão esperança para o futuro?

Leia 1 Coríntios 15:14, 20, 22, 23, 52. Por que a Bíblia dá tanta ênfase à ressurreição de Cristo e à ressurreição de todos os santos no dia da vinda dEle? Por que podemos confiar nessas promessas?

Leia João 16:13; 17:17. De que forma o Espírito Santo nos guia em “toda a verdade”? (R.: Ele nos leva às Escrituras Sagradas.)

Qual deveria ser a nossa atitude diante da Bíblia?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

A historicidade confiável do livro de Daniel

DanielLionsPodemos confiar na historicidade do livro de Daniel?

Há pelo menos três bons motivos para acreditarmos que o livro de Daniel é confiável do ponto de vista histórico e que de fato foi escrito no 6º século antes de Cristo:

1) A arqueologia tem reconstruído as informações históricas do livro de Daniel.

a) Toda a história desse profeta hebreu se passa na cidade de Babilônia. Os críticos da Bíblia afirmavam que se Babilônia realmente houvesse existido, não passaria de um pequeno clã. A arqueologia demonstrou o oposto. Os resultados dos estudos do arqueólogo alemão Robert Koldewey, feitos entre 1899 e 1917, provaram que Babilônia era um grande centro econômico e político no Antigo Oriente Médio na metade do 1º milênio a.C. (600 a.C.).

b) Outro ponto de questionamento era sobre a existência ou não de Nabucodonosor, rei de Babilônia na época do profeta Daniel. Mais uma vez a arqueologia resolveu a questão trazendo à luz muitos tabletes que foram encontrados nas ruínas escavadas por Koldewey com o nome Nabu-Kudurru-Usur, ou seja, Nabucodonosor! Não é incrível como um tablete de 2.600 anos consegue esmiuçar teorias fundamentadas no silêncio?

c) Assim como a opinião dos críticos teve que ser radicalmente mudada a respeito de Babilônia e de Nabucodonosor, o mesmo aconteceu com Belsazar, o último rei da Babilônia. Críticos modernos não concordavam com essa informação. Novamente a arqueologia refutou essa opinião. Vários tabletes cuneiformes confirmam que Nabonido, o último rei de Babilônia, deixou seu filho Bel-Shar-Usur (Belsazar) cuidando do Império enquanto ele estava em Temã, na Arábia. Você pode confirmar em Daniel 5:7 que Belsazar ofereceu para Daniel o terceiro lugar no reino, já que o pai, Nabonido, era o primeiro e ele, Belsazar, o segundo.

d) Até os amigos de Daniel estão documentados nos tabletes cuneiformes da antiga Babilônia. Foi descoberto um prisma de argila, publicado em 1931, contendo o nome dos oficiais de Nabucodonosor. Três nomes nos interessam: Hanunu (Hananias), Ardi-Nabu (Abede Nego) e Mushallim-Marduk (Mesaque). Incrível! Os mesmos nomes dos companheiros de Daniel mencionados nos capítulos 1, 2 e 3 de seu livro! Um grande defensor dessa associação é o adventista e especialista em estudos orientais William Shea, em seu artigo: “Daniel 3: Extra-biblical texts and the convocation on the plain of Dura”, AUSS 20:1 [Spring, 1982] 29-52. Hoje esse artefato encontra-se no Museu de Istambul, na Turquia.

Resumindo: as informações históricas do livro de Daniel são confirmadas pela arqueologia bíblica.

2) Por muitos anos os defensores da composição do livro de Daniel no 2º século a.C. se valeram das palavras gregas do capítulo 3 para “confirmar” a autoria da obra no período helenístico. Essa opinião apresenta dois problemas sérios:

a) Há ampla documentação do relacionamento entre os gregos e os impérios da Mesopotâmia antes mesmo do 6º século a.C. Nos registros do rei assírio Sargão II, por exemplo, fala-se sobre cativos da região da Macedônia (Cicília, Lídia, Ionia e Chipre). Se os judeus em Babilônia eram solicitados para tocar canções judaicas (Salmo 137:3), por que não imaginar o mesmo com os gregos? Um poeta grego chamado Alcaeus de Lesbos (600 a.C.) menciona que seu irmão Antimenidas estava servindo no exército de Babilônia. Logo, não nos deve causar espanto algum o fato de termos na orquestra babilônica instrumentos gregos.

b) Se o livro de Daniel foi escrito durante o período de dominação grega sobre os judeus, por que há apenas três palavras gregas ao longo de todo o livro? Por que não há costumes helenísticos em nenhum dos incidentes do livro numa época em que os judeus eram fortemente influenciados pelos filósofos da Grécia? Esse fato parece negar uma data no 2º século a.C.

Resumindo: o fato de existirem palavras gregas no terceiro capítulo de Daniel não prova sua composição no 2º século a.C., pelo contrário, intercâmbio cultural entre Babilônia e Grécia era comum antes mesmo do 6º século a.C.

3) Daniel foi escrito em dois idiomas: hebraico (1:1-2:4 e 8:1-12:13) e aramaico (2:4b-7:28).

Diversos nomes no estudo do aramaico bíblico (Kenneth Kitchen, Gleason Archer Jr, Franz Rosenthal, por exemplo) afirmam que o aramaico usado por Daniel difere em muito do aramaico utilizado nos Manuscritos do Mar Morto que datam do 2º século a.C. Para Archer Jr., a morfologia, o vocabulário e a sintaxe do aramaico do livro de Daniel são bem mais antigos do que os textos encontrados no deserto da Judeia. Não só isso, mas que o tipo da língua que Daniel utilizou para escrever era o mesmo utilizado nas “cortes” por volta do 7º século a.C.

Resumindo: o aramaico utilizado por Daniel corresponde justamente àquele utilizado em meados no 6º século a.C. nas cortes reais.

Qual a relevância dessas informações para um leitor da Bíblia no século 21? Gostaria de destacar dois pontos para responder essa questão:

1) Como foi demonstrado acima, Daniel escreveu seu livro muito antes do cumprimento de suas profecias. Logo, isso nos mostra a soberania e a autoridade de Deus sobre a história da civilização. Se Deus é capaz de comandar o futuro, Ele é a única resposta para os problemas da humanidade.

2) A inspiração das Escrituras. O livro de Daniel se mostrou confiável no ponto de vista histórico e, consequentemente, profético. Essa é a realidade com toda a Bíblia, que graças a descobertas de cidades, personagens e inscrições, mostra-se verdadeira para o ser humano.

O livro de Daniel, longe de ser uma fraude, é um relato fidedigno. Ao escavarmos profundamente as Escrituras e estudarmos a História, podemos perceber que a Bíblia é um documento histórico confiável.

(Luiz Gustavo S. Assis é formado em Teologia pelo Unasp e doutorando no Boston College)

Daniel: do pó às estrelas

ampulhetaChegamos ao último capítulo do livro de Daniel. Mesmo sem entender completamente o sentido do que viu, o profeta recebeu a ordem de escrever seu livro, o qual só seria entendido no “tempo do fim” (Dn 12:4, 8, 9). O cientista Isaac Newton chegou a decifrá-lo em grande parte, mas ainda não era o tempo de saber tudo. No entanto, após a prisão do papa Pio VI em 1798, o que assinalou o início do “tempo do fim”, as profecias de tempo de Daniel foram decifradas e ensinadas em várias partes do mundo. O próprio Daniel não veria o cumprimento dessas profecias mas lhe foi assegurado que ele ressuscitaria “ao fim dos dias” para a vida eterna (v. 13). Hoje temos o privilégio de reconhecer que a maior parte dessas profecias foi cumprida, e de estarmos muito mais perto da conclusão de tudo, que é a vitória do povo de Deus na volta de Jesus.

 Perguntas para reflexão e discussão on-line

 Já vimos (aqui) que o nome “Miguel” não se refere a um anjo, mas é um título que só cabe ao Senhor Jesus. Leia Daniel 12:1 e contraste com João 14:30 e 16:11. Qual é a diferença entre o principado de Miguel e o do “príncipe deste mundo”? De que forma nos tornamos súditos de um desses dois príncipes? Em sua opinião, por que Jesus assume o título de “príncipe” (ou “comandante”) sendo que Ele é o Criador do Universo (ver Isaías 9:6)?

Ainda no verso 1 vemos a menção a um livro no qual estão inscritos todos os que serão salvos nos últimos dias. Veja outras referências a esse livro: Lucas 10:20; Filipenses 4:3; Apocalipse 13:8; 20:15; 21:27; 22:19 e discuta: De que forma nosso nome pode estar inscrito nesse livro? E como ele pode ser “riscado” de lá? (Êx 32:32, 33; Ap 3:5; 1Jo 2:1)

Leia Daniel 12:2 e compare com João 5:28, 29. O tema da ressurreição já era conhecido há muito tempo no Antigo Testamento. Jó, que viveu antes de Abraão, já tinha essa certeza (Jó 19:25-27). De que forma a crença equivocada que a maioria das pessoas têm em uma “alma imortal” destrói a verdade da ressurreição? Por que a doutrina da ressurreição do corpo faz muito mais sentido do que a ideia de “almas desencarnadas” no Céu?

De acordo com todo o contexto de Daniel 12:3, como devem agir nesse tempo os que são verdadeiramente “sábios”? Por que o trabalho missionário tem tanta relevância nesse versículo?

Leia Daniel 12:4, 8, 9. Por que as profecias de Daniel só deveriam ser entendidas no “tempo do fim” (após o ano 1798)?

Pense no fato de que cristãos fiéis passarão pelo grande tempo de angústia logo antes da volta de Jesus (Dn 12:1; Ap 7:14). O que será revelado a todo o Universo através desse grande tempo de angústia? (R.: Os quatro anjos terão liberado os quatro ventos, e o mundo estará sob o completo domínio do inimigo de Deus. Ainda assim, Deus mostrará ao Universo que é possível Seus filhos serem fiéis e serem luz, mesmo quando o mundo mergulhar em totais trevas morais. Será a demonstração final do que é o pecado e do que é a graça de Deus no ser humano.)

Leia Daniel 12:7. Sendo que o “Homem vestido de linho” representa Jesus como sumo-sacerdote, por que Ele faz um juramento “por Aquele que vive eternamente”? (Compare com Gn 22:16; Dt 32:40; Hb 6:13, 17, 18; Ap 10:6)

Leia Daniel 12:13. Se você ouvisse do anjo essas palavras, como encararia a morte? O que muda pelo fato de o anjo não lhe dizer essas palavras? Como as palavras do próprio Jesus (Jo 6:39, 40, 44, 54; 11:25, 26) lhe dão essa segurança?

Notas:

Sobre o período de tempo especificado em Daniel 12:7. Ele se refere ao tempo de perseguição que os cristãos fiéis à Bíblia sofreram desde o ano 538 até 1798. Esse mesmo período de tempo é mencionado sete vezes na Bíblia, em três maneiras diferentes: “tempo, tempos e metade de um tempo” (Dn 7:25; 12:7; Ap 12:14); “quarenta e dois meses” (Ap 11:2; 13:5); e “mil duzentos e sessenta dias” (Ap 11:3; 12:6). O tempo após esse período é chamado de “o tempo do fim”.

Sobre os dois períodos de tempo mencionados em Daniel 12:11, 12. Conforme o Dicionário Bíblico Adventista, o ano 508 d.C., com “a conversão de Clóvis, rei dos francos, à fé católica, e a vitória sobre os godos”, é um marco importante para o “estabelecimento da supremacia da Igreja Católica no Ocidente”. Se considerarmos esse ano como o ponto de partida para o período de 1290 anos, chegaremos mais uma vez ao ano 1798, que marca o fim do período de perseguição aos cristãos (apresentado pouco antes, no verso 7), e o início do “tempo do fim”. Depois disso, os 1335 anos mencionados no verso 12 são apenas a adição de mais 45 anos aos 1290, o que nos leva ao ano 1843. “Bem aventurado” seria o que pudesse viver e testemunhar esse período, o qual foi de grande movimentação religiosa em expectativa para o cumprimento da profecia que estava prestes a se realizar (a profecia de Daniel 8:14 se cumpriu em 1844).

Sobre o “selamento” do livro de Daniel. O livro de Daniel, que termina “selado até o tempo do fim” (12:4, 9), aparece novamente em Apocalipse 10, mas agora como um livrinho “aberto”. Isso significa que o rolo de Daniel, ou “livrinho”, que não havia sido compreendido durante tantos séculos, finalmente foi entendido no “tempo do fim”. Porém, apesar de os cristãos mileritas haverem compreendido o tempo correto da conclusão da profecia (o ano 1844), não compreenderam bem o evento em si. Pensaram que ela apontava a volta de Jesus a esse mundo, e não a uma fase do ministério de Jesus no santuário celestial (Hb 8:1, 2; 9:11, 24, 25; etc.). Por isso o “livrinho aberto” (de Daniel) foi “doce como o mel” na boca de João, mas depois “amargo como o fel” em seu estômago; isso representa todas as pessoas que experimentariam equivocadamente a esperança da volta de Jesus e depois teriam uma grande decepção. Entretanto, logo após o amargor no estômago de João (Ap 10:10), é dito para ele, o qual representa esse povo: “É necessário que ainda profetizes a respeito de muitos povos, nações, línguas e reis” (v. 11). Os adventistas do sétimo dia entendem que essa ordem é dirigida a um pequeno grupo que, após a grande decepção milerita, se entregou ao estudo das Escrituras para compreendê-las. A eles foi dada a missão de pregar ao mundo todo, o que estão cumprindo.

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Daniel 11: do norte e sul à Terra Gloriosa

1O capítulo 11 do livro de Daniel é seguramente um dos mais difíceis da Bíblia. Quando reconhecemos que ele é paralelo aos capítulos 2, 7 e 8, vemos que ele também trata da descrição do grande conflito entre o bem e o mal e como isso afeta o povo de Deus. Nesse capítulo, Deus reduz esse conflito cósmico a uma longa guerra entre o “rei do norte” e o “rei do sul”. Esses “reis” são representações de sucessivos governos ao longo dos séculos cujos respectivos “reinos” não são geográficos, mas espirituais.

O “reino do sul” se inicia com o rei Ptolomeu I, do Egito, passando por diversos novos reis, e se tornando ao longo do capítulo a representação do secularismo e do ateísmo. Já o “reino do norte”, que iniciou com o rei Seleuco I, representa Roma com toda sua distorção das doutrinas bíblicas e sua perseguição contra os que permanecem fiéis a Deus. A grande lição é que por trás dos embates entre os sucessivos reinos está o interesse de Satanás em destruir a própria verdade e o povo de Deus.

Mantendo-se o paralelismo entre os capítulos correspondentes (2, 7 e 8), percebe-se que o capítulo 11, apesar de apresentar o mesmo período histórico desde o profeta até a volta de Jesus, traz detalhes impressionantes. Desse modo, nesse capítulo é possível identificar cronologicamente personalidades que acabaram atuando de um lado ou do outro no conflito: Assuero (v. 2), passando por Alexandre o Grande (v. 3, 4), Pompeu (v. 15), Cleópatra (v. 17), Júlio César (v. 19), César Augusto (v. 20), indo até Tibério (v. 21), sob cujo governo morreu Jesus, o Príncipe da Aliança (v. 22), passando por Tito (v. 28) e, depois, pelo estabelecimento da “abominação desoladora” (v. 31), até o fim (v. 44, 45).

Há muitos detalhes ainda não compreendidos nesse capítulo, e há também a possibilidade de pequenas variações na interpretação, desde que seja mantido o princípio bíblico historicista e observado o paralelismo entre os outros capítulos. É importante lembrar que algumas profecias só são entendidas após terem sido plenamente cumpridas, e que nós ainda estamos por vivenciar os versículos finais desse capítulo (v. 40-45). No entanto, de acordo com a promessa do anjo a Daniel, após muitos “esquadrinharem” esse livro no tempo do fim, “o saber se multiplicará” (12:4). Enquanto isso, o povo de Deus será perseguido e atacado, mas no fim Deus vencerá (v. 45).

 Perguntas para discussão em grupo

 O capítulo 11 de Daniel, como diz o anjo no verso 2, é a “declaração da verdade”. Que diferença isso faz ao estudarmos esse capítulo?

Leia Isaías 46:9, 10. De que maneira a presciência de Deus fortalece sua fé?

Leia Daniel 11:22. De que forma o “Príncipe da Aliança” foi “quebrado”? Mesmo em meio à descrição de tantas guerras e intrigas deste capítulo, de que forma Jesus ainda é o centro da profecia?

Considerando que o capítulo 11 é paralelo aos capítulos 7 e 8, que poder é mencionado figuradamente no verso 36? (Compare com Daniel 7:8, 11, 21; 8:9-12; 2Ts 2:3, 4.) Apesar das pressões sociais e éticas envolvidas, por que devemos permanecer firmes nessa identificação? De que modo podemos ser sensíveis aos sentimentos dos outros sem comprometer o que a Bíblia ensina?

Martinho Lutero já interpretava a “abominação desoladora” (Dn 11:29-39) como sendo o papado e suas doutrinas e práticas. Em sua opinião, por que os protestantes não preservaram essa interpretação?

Leia Daniel 11:33. O que esse texto revela sobre o destino de algumas pessoas que são fiéis a Deus? Qual é a mensagem desse texto para nós hoje?

Apesar de saber de toda a perseguição contra o povo de Deus, por que ainda assim vale a pena permanecer fiéis a Ele e à Sua palavra?

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Daniel 10: da batalha à vitória

miguelDaniel viu como o Grande Conflito entre o Bem e o Mal envolve os governos terrestres. Para que o mal não prospere, o povo de Deus deve tomar parte nessa batalha “combatendo o bom combate da fé” (1Tm 6:12; 2Tm 4:7) e orando pelas autoridades governamentais (Rm 13:1-7; 1Tm 2:1, 2).

Perguntas para discussão em grupo

Leia Daniel 10:1. O que significa o “grande conflito” que o profeta viu? Nesse conflito, por que “a nossa luta não é contra o sangue e a carne” (Ef 6:12)? Então por que há tantos religiosos que continuam lutando contra “a carne”?

Leia Daniel 10:2,3. Enquanto Daniel jejuava, veja em Esdras 4:4, 5 o que estava acontecendo ao mesmo tempo em Jerusalém. Por que essa situação tão longe do profeta angustiou o coração dele? De que forma a oração e o jejum poderiam ajudar?

Leia Daniel 10:12. O que isso lhe diz sobre a importância da oração? Qual era a missão específica desse anjo? Por quê?

De acordo com 10:13, por que o jejum de Daniel durou 21 dias? O que isso nos diz sobre o envolvimento dos governos seculares no grande conflito?

Leia sobre os “príncipes” mencionados pelo anjo em Daniel 10:13, 20, 21. Compare com João 12:31; 14:30; 16:11; Ef 2:1. Quem são os verdadeiros “príncipes” por trás dos governantes seculares? Como você imagina a influência dos seres sobrenaturais (bons e maus) sobre as autoridades? Por que, como povo de Deus, devemos ajudar as autoridades seculares a se manterem do lado do bem? Como podemos fazer isso?

Leia Jeremias 29:7; Romanos 13:1-7 e 1 Timóteo 2:1, 2. Ao nos tornarmos cidadãos da Pátria Celestial, por que nos tornamos melhores cidadãos na pátria terrestre? Como isso pode influenciar os governos seculares para que o mal não prospere tanto?

Compare a reação de Daniel e de outros personagens diante de seres celestiais: Dn 10:7-9, 17; Mt 28:2-4; Jo 18:4-6; Hb 12:21; Ap 1:17. Por que isso acontece? Por que precisaremos ser glorificados antes de poder morar com Deus e os anjos?

Nota sobre a identidade de Miguel

 Algumas pessoas se posicionam contra a interpretação de que Miguel representa Jesus Cristo por não conhecerem alguns aspectos muito importantes e lógicos que serão considerados a seguir.

O termo “Miguel” não se trata de um simples nome, mas de um título dado ao Único que tem as condições para recebê-lo. Essa palavra é o aportuguesamento do hebraico “Micael”, que é formado por três palavras: “Mi” = “quem”; “ca” = “como”; “el” = “Deus”. Como se vê, a junção dessas palavras, em forma de pergunta, resulta em um desafio para Satanás: “Quem [é] como Deus?” É por isso que esse título é usado nas ocasiões em que Cristo está em confronto direto com Satanás, o qual havia pretendido ser como Deus (Is 14:13, 14). Só Jesus é como Deus (Cl 2:9). Portanto, só Ele pode ter esse título de desafio ao inimigo de Deus em todas as cinco ocorrências dessa palavra (Dn 10:13, 21; 12:1; Jd 1:9; Ap 12:7).

Outro ponto que precisa de esclarecimento é o qualificativo “arcanjo”. Diferentemente do “conhecimento religioso popular”, essa palavra não diz respeito a uma “categoria de anjos” como querubins ou serafins. Note que as únicas duas vezes em que essa palavra ocorre na Bíblia são no singular (1Ts 4:16; Jd 1:9). É porque não existem outros arcanjos além de Miguel. Essa palavra é o resultado da junção de duas outras: “arque” + “angelos”. Nesse contexto, “arque” tem o sentido de “magistrado”, “principado” (cf. Lc 12:11; 20:20; Cl 2:10, 15), ou ainda de “primeiro em importância”. Ela traz a ideia de superioridade ou primazia, como em “arqui-inimigo”, “arquidiocese”, “arcebispo”. A segunda palavra dessa junção, “angelos” (“anjo”), em seu sentido mais amplo, significa “mensageiro”. Por isso ela não é usada para se referir apenas aos seres angelicais, mas também a mensageiros humanos (Lc 7:24; 9:52) e também ao próprio Jesus como o maior Mensageiro de Deus à humanidade antes da encarnação (Gn 16:7-10; 22:11, 12; Êx 3:2-6; Js 5:14, 15; Jz 13:19-22) – note que em todos esses textos não se diz “um anjo/mensageiro”, mas “O anjo/mensageiro”, de forma bem definida. A palavra “arcanjo”, portanto, significa que Jesus, que é o “verbo eterno”, é “o primeiro e o maior mensageiro” do Céu, pois Ele mesmo é como Deus (Jo 1:1).

Alguns ainda podem apontar ao uso da palavra “príncipe” em relação a Miguel (Dn 10:21), como se isso não pudesse ser aplicado a Jesus. No entanto, a palavra hebraica original, “sar”, pode significar “príncipe” (2Sm 3:38), “chefe” (Dn 1:7) ou “comandante” (Js 5:14, 15, aplicada aqui ao próprio Jesus em missão pré-encarnada). Jesus é também chamado de príncipe (“sar”) em outros textos de Daniel (cf. Dn 8:25; 10:20).

Finalmente, consideremos o texto de Judas 1:9, no qual Miguel, em lugar de repreender Satanás, prefere dizer: “Que o Senhor te repreenda.” Essa frase é uma alusão ao texto de Zacarias 3:2: “E Jeová disse a Satanás: que Jeová te repreenda!” O primeiro “Jeová” no texto de Zacarias obviamente é o próprio Jesus Cristo. Porém, em Judas 1:9 se usa “Senhor” em lugar de “Jeová”, pois é assim que se fazia em todas as ocorrências do nome sagrado “YHWH”. Dessa forma, em vez de desqualificar Miguel, a referência de Judas 1:9 O compara a Jeová. Só Jesus pode representar perfeitamente essa figura. Afinal, Mi-ca-el = “Quem [é] como Deus?”

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Daniel 9: da confissão à consolação

Daniel-Prayer“Entender” é um verbo-chave no livro de Daniel, especialmente nos capítulos 8 e 9 (8:15, 16, 17; 9:2, 22, 23, 25), inclusive enfatizado por Jesus (Mt 24:15). Isso deve nos levar a prestar muita atenção para não perder as explicações dadas pelo anjo. Mas outro ponto marcante nesse livro é a oração de Daniel no capítulo 9, intercedendo pela nação judaica, pelo templo, e suplicando a vindicação do nome de Deus.

Perguntas para discussão em grupo:

Pense na situação: Deus havia dito através do profeta Jeremias (25:11,12; 29:10) que a nação judaica ficaria “de castigo” em Babilônia durante 70 anos. Daniel era um jovem com menos de 20 anos de idade quando chegou ali entre os cativos, e agora já era um idoso de quase 90. O período de 70 anos estava quase expirando; o Império Babilônico havia caído, cedendo a posição aos medos e persas; e ainda não havia nenhum sinal de que a situação dos judeus mudaria. Ao invés disso, a visão do capítulo 8 revelou um longo futuro de muito sofrimento e de perseguição contra o povo de Deus. Parece que isso confundiu Daniel e lhe trouxe muita angústia.

Com esse contexto em mente, responda: Qual deve ter sido o motivo principal da oração de Daniel? Sendo ele um alto-oficial do novo Império Medo-Persa, por que ele ainda se preocupava tanto com o templo em ruínas, a cidade de Jerusalém e a nação judaica? O que você faria se estivesse na posição dele?

Leia Daniel 9:2, 3. Que lição importante é comunicada a você ao observar que a oração de Daniel foi baseada na leitura do texto sagrado? Que diferença isso faz?

Leia Daniel 9:5, 6, 11. Por que Daniel se identificou com os pecadores da nação judaica? Compare com Lucas 18:10-14; Romanos 3:23; 1 Timóteo 1:15; 1 João 1:8, e discuta sobre a profunda lição ensinada por esses textos.

Leia Daniel 9:23. Para você, qual o significado da afirmação “saiu a ordem e eu vim”? Qual é o seu sentimento ao imaginar as seguintes palavras vindas de um anjo celeste para você: “Tu és um homem/uma mulher muito amado(a)”?

As indicações de tempo fornecidas nos primeiros versículos dos capítulos 8 e 9 revelam que houve um espaço de cerca de dez anos entre esses dois relatos. Em sua opinião, por que Deus demorou tanto tempo para tirar as angustiantes dúvidas de Daniel acerca da visão do capítulo 8? O que isso nos ensina sobre a paciência de Deus? E sobre a nossa necessidade de querer ter todas as respostas?

O que Daniel não havia entendido parece ter sido especificamente a profecia de tempo dada em 8:14. O que significa a afirmação “o santuário será purificado”, sendo que o santuário terrestre não existiria mais no tempo do cumprimento da profecia? O que poderia “contaminar” o santuário no Céu? (R.: O registro de nossos pecados, conforme era apontado nos símbolos do santuário terrestre. No ritual diário, o sangue do animal era aspergido no véu, contaminando o santuário com o “registro” do pecado que havia sido perdoado. Uma vez no ano, no dia da expiação, ou Yom Kippur, o próprio santuário era purificado dos registros de pecado, tendo aquela cortina removida. O santuário celeste também será finalmente purificado quando os próprios registros dos pecados forem eliminados após o juízo final.)

Por que a purificação do santuário era uma boa notícia para Daniel e é para todos os cristãos? (Hb 4:14-16; 8:1, 2; 1Jo 2:1)

Em Daniel 9:24, ao começar a explicar as 2.300 tardes e manhãs (anos literais), o anjo disse que 70 semanas de anos (490 anos) seriam “cortadas” ou “separadas” para o povo judeu. Essa seria uma porção de tempo menor dentro da profecia de longo tempo. Conforme lemos nesse mesmo verso, esse período menor serviria para cumprir seis propósitos. Discuta sobre o significado e a importância de cada um deles:

  1. “Cessar a transgressão”
  2. “dar fim aos pecados”
  3. “expiar a iniquidade”
  4. “trazer a justiça eterna”
  5. “selar a visão e a profecia” (isso quer dizer que, se os detalhes da profecia de 70 semanas de anos se cumprissem, a visão e a profecia estariam “seladas”, ou teriam uma “garantia” de seu cumprimento total)
  6. “ungir o Santo dos Santos” (isso pode indicar o batismo de Jesus, o “Ungido, o Príncipe” do verso seguinte; Ele seria o “santo dos santos” em referência. Mas pode também ser uma indicação de que o próprio lugar santíssimo do santuário celeste seria “ungido”, ou “inaugurado”, com a morte, ressurreição e ascensão de Jesus ao Céu para interceder por nós. Ver nota no fim)

De acordo com a explicação do anjo em 9:25, o ponto de partida para a contagem dos 2.300 anos seria a “ordem para restaurar e para edificar Jerusalém”, a qual sabemos foi emitida no ano 457 a.C. Portanto, ao contarmos os 2.300 anos a partir dessa data (sem contar o zero, pois não houve nenhum “ano zero”), chegamos ao ano 1844. Ao sabermos que a purificação do santuário começou há mais de 170 anos, como deve ser o nosso procedimento durante este tempo final em que vivemos? (Veja Ap 14:6, 7.)

Qual a importância da doutrina do santuário para você? Mesmo sendo tão explícita na Bíblia (Êx 25:40; 26:30; Hb 8:1, 5; 9:1, 9, 11, 12, 23-25; etc.), por que essa doutrina enfrenta tanta oposição, até mesmo de pessoas sinceras? Conforme 1 Pedro 3:15, você saberia explicar a razão de sua fé na doutrina do santuário, caso alguém lhe perguntasse? (Se não, “considera pois a coisa, e entende a visão” [Dn 9:23]! Peça ajuda ao Senhor Jesus, pois Ele mesmo disse que precisamos entender o livro de Daniel [Mt 24:15; Mc 13:14].)

Nota:

Ao se compararem as diferentes traduções da Bíblia em português, percebe-se que há grande inconstância e até discrepância, quando se trata dos diferentes compartimentos do santuário. Por exemplo, Hebreus 13:11 faz referência ao santuário completo em algumas versões (ARC, NBV), apenas ao lugar santíssimo em outras (ARA, A21, NAA, NTLH), e apenas ao lugar santo em outra (NVT). Muitas pessoas creem, com base em traduções equivocadas, que Jesus subiu diretamente ao lugar santíssimo do santuário. Isso faz com que não consigam perceber (ou entender) as duas fases do ministério de Cristo em perfeito cumprimento dos símbolos que aconteciam nos dois compartimentos do santuário terrestre. Os versos mais usados para defender essa posição são Hebreus 6:19, 20 e 9:12.

Sobre o primeiro texto (Hb 6:19, 20), é importante notar, porém, que ao mencionar que Cristo está “além do véu”, o autor de Hebreus não se refere ao véu interno do santuário, o qual fazia separação entre o [lugar] santo e o santíssimo. Quando faz menção específica desse véu, ele o chama de “segundo véu” (“deuteron katapetasma”, cf. 9:3). Isso porque, na versão grega do Antigo Testamento, ou Septuaginta, o primeiro véu, que dava acesso do pátio ao primeiro compartimento (ou ao “lugar santo”) também recebia o mesmo nome (“katapetasma”, cf. Êx 36:37; 39:40; Lv 21:23; Nm 18:7; etc.).

Sobre a segunda passagem (Hb 9:12), o texto original grego não diz que Jesus entrou no “santo dos santos” ou no “[lugar] santíssimo”, mas que Ele entrou “nos santos”. Isso é uma referência aos dois compartimentos do santuário como um todo, como acontece em outras passagens do livro (8:2; 9:12, etc.).

Toda a confusão se dá em virtude de o autor de Hebreus não usar o termo “lugar” ao se referir aos compartimentos do santuário, sendo essa palavra suprida pelos tradutores. Quando se refere aos compartimentos do santuário o autor inspirado diz apenas “santo” ou “santos” (hagia), que é um adjetivo em referência a esses dois lugares. Se quisesse fazer uma referência específica ao lugar santíssimo, ele teria dito que Jesus entrou “no santo dos santos” (“hagia hagion”, como é usado em 9:3), ou “além do segundo véu” (como o fez no mesmo verso). As versões ARC e NAA traduzem o termo de Hebreus 9:12 (“nos santos”) corretamente como “santuário” (e não “lugar santíssimo”). Em todo o livro de Hebreus, a única menção específica e inequívoca ao “lugar santíssimo” do santuário (ou “santo dos santos”, conforme o hebraico) está em 9:3. Assim, aceitamos que Jesus entrou “nos compartimentos” do santuário, onde intercede em nosso favor exatamente como foi prefigurado pelas duas fases do santuário terrestre. Sabemos que Ele está na segunda fase, relacionada com a do “lugar santíssimo” do santuário terrestre. De lá Ele sairá apenas quando vier para a próxima fase: a execução do juízo que está neste momento em andamento. Ainda há tempo para escolher a salvação. Mas falta pouco para acabar.

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)

Daniel 8: da contaminação à purificação

daniel 8Após o trágico ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, logo surgiram “profeteiros” afirmando que esse trágico evento foi o cumprimento de Daniel 8. Diziam que os dois enormes prédios destruídos representavam o carneiro que tinha um “chifre maior que o outro” (v. 3), pois uma torre era um pouco mais alta. Nessa “interpretação” totalmente descabida, os aviões que se chocaram contra as torres representariam o “bode” que veio do ocidente “sem tocar no chão” e que atacou o carneiro e lhe quebrou os chifres (v. 5-7). Por incrível que pareça, até hoje há quem defenda essa ideia na internet. Realmente, como disse Jesus em Marcos 13:14, quem lê Daniel deve entender. Assim não será enganado e não sairá por aí falando (e acreditando em) maluquices desse tipo!

Perguntas para discussão em grupo

Quebra-gelo: Sobre a interpretação equivocada mencionada acima, como sabemos que o triste ataque às Torres Gêmeas em 2001 não teve nada a ver com a profecia de Daniel 8? (ver os versos 20 e 21)

Qual é a relação do capítulo 8 de Daniel com os capítulos 2 e 7? Qual seria a intenção de Deus ao repetir as mesmas previsões nestes três capítulos e dar detalhes adicionais em cada um? (R.: Repetição para afirmação e ampliação de detalhes para maior compreensão.)

Note em Daniel 8:20, 21 que o anjo chegou a dar os nomes dos reinos que ainda viriam a dominar o mundo. Como sabemos que o “chifre notável” do animal representado pelo “bode” é Alexandre o Grande (v. 22)? De que forma essa profecia se cumpriu? O que significam os quatro outros “chifres” que depois surgiram no lugar do “chifre notável”?

Como sabemos que o chifre pequeno do capítulo 8 é o mesmo do capítulo 7? Que diferença faz o fato de que no capítulo 8 ele não surge dos quatro chifres, mas, sim, dos quatro “ventos”? (R.: Lembre-se de que os quatro chifres que surgiriam no lugar do “chifre notável” são os quatro generais que dividiram o reino em quatro partes assim que Alexandre o Grande morreu. Conforme 8:9, o chifre pequeno não saiu de nenhum desses quatro novos reinos, mas veio de fora, dos “ventos” de guerras e contendas mencionados também em 7:2. Ver na lição de segunda-feira as comparações entre o chifre pequeno do capítulo 7 e o do capítulo 8. O chifre pequeno no capítulo 7 é uma extensão do animal “terrível e espantoso” (Roma pagã), sendo que este representava apenas a fase papal de Roma. Já no capítulo 8 esse chifre representa em si mesmo as duas fases de Roma: pagã e papal.)

Leia Daniel 8:10-12. Qual o significado de cada uma dessas atividades do “chifre pequeno” (Roma)? De que forma ele se engrandeceu até ao “Príncipe do Exército”, que é Jesus? Em que sentido ele ataca o santuário? De que forma ele prosperou ao “lançar a verdade por terra” (8:12)? (R.: A liderança romana coloca a autoridade da igreja acima da Bíblia e substitui Cristo por meio das suas tradições.)

Em meio ao caos dos enganos religiosos e da perseguição revelados no capítulo 8, de repente uma cena chama a atenção e muda o foco. Leia Daniel 8:13, 14. Que tipo de sentimento essa mensagem pode ter trazido ao profeta? E aos cristãos antigos? E aos modernos?

Por que a profecia das 2.300 tardes e manhãs de Daniel 8:14 é tão importante? Que diferença faz em nossa vida espiritual saber que o santuário celestial será purificado de todos os registros horríveis de pecado? (Trataremos do significado e das datas dessa profecia na próxima semana.)

Como sabemos que a cena de juízo em Daniel 8:13, 14 é paralela à do juízo em Daniel 7:9-14? Por que é importante não se esquecer dessa relação paralela entre esses dois textos?

Considere a promessa de Daniel 8:14 e as afirmações de Hebreus 6:18-20 e 8:1, 2. Como essas afirmações de Hebreus nos enchem de confiança e de esperança?

Nota: Daniel 8 revela, entre outras coisas, como Roma lançaria a verdade por terra e prosperaria nesse empreendimento por muito tempo. Dentre outras verdades “lançadas por terra” (como, por exemplo, a do “sono da alma”, a da ressurreição corporal e a da guarda do sábado do quarto mandamento) encontra-se também a do ministério de Cristo no Santuário Celestial. Apesar de essa última ser tão explícita no livro de Hebreus (8:1, 2; 9:8-12, 23, 24; 10:1; etc.), ela é praticamente desconhecida pela maioria dos cristãos. É porque essa verdade foi lançada por terra que muitos líderes religiosos ensinam equivocadamente que, na cruz, ao dizer “está consumado”, Cristo concluiu Seu ministério. Porém, apesar de Sua morte ser imprescindível para nossa salvação, ela não foi a conclusão de Seu ministério. Se Ele não tivesse ressuscitado, por exemplo, de nada teria valido Sua morte por nós (1Co 15:14, 17, 18). E também se Ele não tivesse subido ao Céu e nos enviado o Espírito Santo, não teríamos condições de receber os méritos de Sua morte (Jo 16:7, 8). Além disso, se Jesus não estivesse agora intercedendo por nós e fazendo valer o que Ele mesmo conquistou na cruz, também de nada teria valido Sua morte, nem Sua ressurreição em nosso favor. É por meio de Seu ministério incessante e ininterrupto que nós podemos “tomar posse da vida eterna” (1Tm 6:12). E esse processo redentivo só será completado quando Jesus voltar e nos glorificar. Sendo assim, “a intercessão de Cristo no santuário celestial, em prol do homem, é tão essencial ao plano da redenção como o foi Sua morte sobre a cruz. Pela Sua morte Ele iniciou essa obra, para cuja terminação ascendeu ao Céu depois de ressurgir. Pela fé devemos penetrar até o interior do véu, onde nosso Precursor entrou por nós (Hebreus 6:20). Ali se reflete a luz da cruz do Calvário. Ali podemos obter intuição mais clara dos mistérios da redenção” (Ellen White, Exaltai-O, 11 de Novembro [p. 382]).

(Natal Gardino é doutor em Ministério pela Andrews University e pastor distrital em Londrina, PR)