Spotlight: os abusos que a Igreja quis esconder

spotlightO título do filme não poderia ser mais apropriado: “Spotlight: verdades reveladas.” Trata-se de uma história real e muito triste, mas bem conduzida pelo diretor Tom McCarthy (tanto que merecidamente ganhou o Oscar de melhor filme neste ano). Outra página negra na história da Igreja Católica é revelada pela equipe de jornalistas investigativos do jornal The Boston Globe, também conhecida como Spotlight. Para quem gosta de filmes de jornalismo, este é um dos bons. A equipe do Globe dá um verdadeiro show de reportagem: consulta muitas fontes, faz ampla pesquisa, ouve, desconfia, gasta sapato e revela muita coragem.

Geralmente, quando se trata de expor e punir “gente grande”, existe temor e a tendência é evitar o assunto. Isso fica claro no filme. Quando sabem que a reportagem da Spotlight vai revelar as entranhas de um comportamento criminoso mantido por muitos padres acobertados pelo arcebispo de Boston, as fontes geralmente ficam com receio – sentem vergonha de se expor, mas têm vontade de que seja feita justiça. Os próprios repórteres experimentam o peso do que estão prestes a revelar, mas vão em frente mesmo assim. O que acontece, depois, é mais um lembrete da relevância do jornalismo responsável e corajoso. De um jornalismo meio raro hoje em dia, mas que enche de orgulho aqueles que ainda acreditam na profissão.

Graças ao trabalho competente e persistente do pessoal do Globe, o drama de inúmeras vítimas (só em Boston foram mais de mil) de padres pedófilos foi revelado e, certamente, muitas vítimas em potencial foram protegidas. Quando ficou evidente que o arcebispo Bernard Law realmente acobertou muitos desses padres, ele renunciou em 2012 (mas ficamos sabendo no texto, no fim do filme, que ele acabou sendo “promovido” a um bom cargo em Roma).

Triste mesmo é acompanhar o depoimento de algumas vítimas desses padres. Via de regra, elas se viam envolvidas por alguém que, para elas, representava o próprio Deus. Mas, depois de abusadas, não apenas perdiam a dignidade, mas a própria fé.

Faço apenas uma ressalva: não seria bom assistir a esse filme com crianças muito pequenas, já que o testemunho de algumas vítimas é bastante explícito. Mas fica a advertência para que os pais e responsáveis ajudem seus pequenos a se prevenir neste mundo mau e a “quebrar o silêncio”, quando o assunto for abuso – exatamente como fez a Spotlight.

Michelson Borges

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Filme faz paralelo entre história de Cristo e sequestro na Amazônia

Uma trama ambientada na região amazônica sobre tráfico humano traça um paralelo com o ministério de Jesus Cristo retratado na Bíblia. A produção Libertos – O Preço da Vida (com aproximadamente 1 hora e 25 minutos) será lançada em março deste ano e promete levar o espectador a uma reflexão sobre o conceito de liberdade.

O filme apresenta seres humanos negociados como mercadorias. Nesse contexto, Emanuel, um médico voluntário (vivido pelo ator André Ramiro, de Tropa de Elite), tem como missão pessoal atender à população ribeirinha e às tribos da Amazônia. Ele, no entanto, torna-se uma potencial ameaça para a quadrilha especializada em tráfico humano. Casimir, o líder do bando, é egoísta, manipulador e não aceita que ninguém cruze seu caminho.

A roteirista e produtora Luciana Costa explica que se trata de uma segunda produção nessa linha que estabelece um paralelo entre uma narrativa dramática e momentos da passagem de Jesus Cristo por este mundo. “Tivemos uma boa experiência com o filme O Resgate – Salvação ao Extremo e resolvemos fazer um novo material que vai emocionar e, principalmente, levar os espectadores a uma reflexão mais profunda sobre sua vida e seu futuro”, comenta.

O longa-metragem é uma produção da Seven Filmes para a Igreja Adventista do Sétimo Dia que se encarrega da distribuição do material não apenas no Brasil, mas em outros países sul-americanos. O diretor de Comunicação da Igreja, Rafael Rossi, explica que a organização religiosa investe em filmes “por entender que oferecem uma linguagem adaptada a uma sociedade que quer compreender aspectos dos evangelhos da Bíblia, mas que, ao mesmo tempo, demonstra forte interesse em conteúdos audiovisuais”.

A Jornada: uma viagem pelo tempo

a jornadaO ano é 1890. O professor do Seminário Bíblico da Graça, Russell Carlisle (D. David Morin, de “Compromisso Precioso”, outro bom filme), está prestes a publicar seu livro e pede aos colegas do seminário para endossarem a obra. Um dos membros da comissão, o Dr. Norris Anderson (Gavin MacLeod, de “O Barco do Amor”), se opõe à publicação do livro devido ao que ele considera um erro grave: falar de valores e moral sem mencionar a autoridade por trás desses valores – Jesus Cristo. Segundo Anderson, a publicação do livro de Carlisle poderia ajudar a demolir os pilares morais que sustentam a sociedade.

Para provar que a idéia de que o ser humano pode viver moralmente sem Deus acarreta graves conseqüências, o Dr. Anderson desafia Carlisle a ver com os próprios olhos uma sociedade que abraçou essa doutrina. Como? Enviando-o mais de cem anos ao futuro através de uma máquina do tempo criada por John Anderson, o pai de Norris.

A partir daí, o cenário é o de uma grande cidade norte-americana, cheia de tentações e de cristãos nominais que acham que podem ser bons, mesmo pouco conhecendo de Jesus e de Sua Palavra.

A ficção científica pode ser meio “forçada”, mas é compensada pelo bom roteiro, personagens e diálogos convincentes e pelos apelos e discursos de Carlisle. O toque de humor leve se mistura bem à proposta séria do filme de analisar a decadência moral do mundo que vive na iminência da volta de Jesus.

Nem precisa dizer que Carlisle fica chocado e, quando retorna ao passado, resolve reescrever o livro e renomeá-lo de “Time Changer”, que é o título original do filme, lançado em 2007.

Deixando de lado alguns erros teológicos como o “inferno eterno” e o “arrebatamento secreto”, é um filme que vale a pena ser visto.

Michelson Borges

Ponte dos Espiões: um retrato da Guerra Fria

ponteNasci no ano de 1972, em plena Guerra Fria. À medida que fui me entendendo como gente e compreendendo um pouco o mundo complexo que me rodeava, uma sensação de medo passou a tomar conta de mim. Na verdade, minha geração foi marcada por essa sensação, pois vivíamos sob a sombra ameaçadora de um cataclismo nuclear. As duas superpotências de então, Estados Unidos e União Soviética, estavam armadas até os dentes com ogivas nucleares capazes de destruir toda a vida na Terra. Filmes e documentários ajudavam a alimentar esse clima descrevendo os horrores de uma detonação nuclear. Com a idade de uns 12 anos, formei um grupo de estudos e nos reuníamos na biblioteca da escola para estudar livros e revistas sobre bombas nucleares, geopolítica mundial e… a Bíblia. Sim, nós queríamos saber o que nos reservava o futuro; se havia esperança para a humanidade. É claro que, sem ajuda e sem conhecimentos prévios de interpretação profética, chegamos a conclusões as mais absurdas. Mas queríamos, do fundo do coração, entender as profecias; encontrar segurança em algo. (Clique aqui para saber mais sobre essa história.)

Assistir ao ótimo filme Ponte dos Espiões foi, para mim, quase que uma viagem ao passado. Trata-se de uma produção bem feita, de um Steven Spielberg em boa forma e em uma temática que sempre o fascinou. A interpretação impecável do consagrado Tom Hanks ajuda e muito. O filme dispensa efeitos especiais e as cenas apelativas comuns em Hollywood, usadas para alavancar bilheterias. Assim, não se veem ali cenas de sensualismo, sexo nem violência. O filme não precisa desses “estimulantes” clássicos e cada vez mais utilizados. Não precisa de “pimenta”, pois o roteiro bem escrito, os diálogos precisos, o drama na medida certa e as boas interpretações seguram o interesse do começo ao fim. A família retratada no filme é tradicional, nos moldes bíblicos, eu diria, ou seja, um pai (homem), uma mãe (mulher) e filhos. E eles até oram antes das refeições.

Hanks interpreta o advogado James Donovan, da área de seguros, que se vê, de repente, envolvido em um problema complexo, ao ser escolhido para defender Rudolf Abel, um espião soviético capturado pelos norte-americanos. Donovan não tem experiência nesse tipo de caso, nem precisava ter, pois o governo dos Estados Unidos queria apenas manter a aparência de que mesmo os prisioneiros receberiam tratamento justo ali, com direito à defesa por meio de um advogado. O que ninguém esperava é que Donovan fosse levar a sério sua missão de tentar inocentar o homem. Indo contra a opinião e o ódio públicos e contra as expectativas das autoridades da nação, o advogado faz o possível para oferecer uma defesa adequada ao espião. Todos desejavam a cabeça de Rudolf, até que, ironicamente, um militar norte-americano foi capturado pelos russos. E Donovan, de simples advogado, torna-se negociante internacional, sendo enviado a Berlin com a missão de conseguir a troca dos prisioneiros.

É um filme que possibilita boas reflexões e discussões sobre honra, ética, humanidade e outros valores tão em falta em nossos dias. Baseada em fatos reais, a produção pode ser bem aproveitada, inclusive, por professores de História, quando forem abordar o tema da Guerra Fria. Ponte dos Espiões é bem didático e instrutivo, mesmo para quem não viveu sob a sombra da Guerra Fria.

Michelson Borges